Por que os humanos modernos substituíram os neandertais? A chave pode estar em nossas estruturas sociais

Os neandertais eram inteligentes, faziam arte, tinham linguagem e ferramentas sofisticadas. O que aconteceu?

Por Nicholas R. Longrich – Superinteressante – 10 abr 2024

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10_20_Neandertais_layout_site© Domínio público/Reprodução

Por que os seres humanos dominaram o mundo enquanto nossos parentes mais próximos, os Neandertais, foram extintos? É possível que fôssemos apenas mais inteligentes, mas há surpreendentemente poucas evidências de que isso seja verdade.

Os neandertais tinham cérebros grandes, linguagem e ferramentas sofisticadas. Eles faziam arte e joias. Eles eram inteligentes, o que sugere uma possibilidade curiosa. Talvez as diferenças cruciais não estivessem no nível individual, mas em nossas sociedades.

Duzentos e cinquenta mil anos atrás, a Europa e a Ásia Ocidental eram terras de Neandertal. O Homo sapiens habitava o sul da África. As estimativas variam, mas talvez 100.000 anos atrás, os humanos modernos migraram para fora da África.

Há quarenta mil anos, os neandertais desapareceram da Ásia e da Europa, sendo substituídos pelos humanos. Sua lenta e inevitável substituição sugere que os humanos tinham alguma vantagem, mas não qual era.

Antigamente, os antropólogos viam os neandertais como brutos estúpidos. Mas descobertas arqueológicas recentes mostram que eles se equiparavam a nós em termos de inteligência.

Os neandertais dominavam o fogo antes de nós. Eles eram caçadores mortais, pegando animais de grande porte como mamutes e rinocerontes lanudos e pequenos animais como coelhos e pássaros.

Eles colhiam plantas, sementes e mariscos. A caça e a coleta de todas essas espécies exigiam um profundo conhecimento da natureza.

Os neandertais também tinham um senso de beleza, fazendo contas e pinturas rupestres. Eram pessoas espirituais, enterrando seus mortos com flores.

Os círculos de pedra encontrados dentro de cavernas podem ser santuários neandertais. Assim como os caçadores-coletores modernos, a vida dos neandertais provavelmente era repleta de superstição e magia; seus céus eram cheios de deuses, as cavernas eram habitadas por espíritos ancestrais.

Além disso, há o fato de que o Homo sapiens e os neandertais tiveram filhos juntos. Não éramos tão diferentes assim. Mas encontramos os neandertais muitas vezes, durante muitos milênios, sempre com o mesmo resultado. Eles desapareceram. Nós permanecemos.

A sociedade de caçadores-coletores

Pode ser que as principais diferenças estejam menos no nível individual do que no nível social. É impossível entender os seres humanos isoladamente, assim como não é possível entender uma abelha sem considerar sua colônia. Valorizamos nossa individualidade, mas nossa sobrevivência está ligada a grupos sociais maiores, assim como o destino de uma abelha depende da sobrevivência da colônia.

Os caçadores-coletores modernos são a nossa melhor estimativa de como viviam os primeiros humanos e os neandertais. Povos como os Khoisan da Namíbia e os Hadzabe da Tanzânia reúnem as famílias em bandos errantes de dez a 60 pessoas. Os bandos se combinam em uma tribo vagamente organizada de mil pessoas ou mais.

Essas tribos não têm estruturas hierárquicas, mas estão ligadas por idioma e religião compartilhados, casamentos, parentescos e amizades. As sociedades neandertais podem ter sido semelhantes, mas com uma diferença crucial: grupos sociais menores.

Tribos muito unidas

O que aponta para isso é a evidência de que os neandertais tinham menor diversidade genética.

Em populações pequenas, os genes se perdem facilmente. Se uma pessoa em cada dez carrega um gene para cabelos cacheados, então, em um grupo de dez pessoas, uma morte poderia remover o gene da população. Em um grupo de cinquenta, cinco pessoas carregariam o gene – várias cópias de reserva. Assim, com o passar do tempo, os pequenos grupos tendem a perder a variação genética, terminando com menos genes.

Em 2022, o DNA foi recuperado de ossos e dentes de 11 neandertais encontrados em uma caverna nas Montanhas Altai, na Sibéria. Vários indivíduos eram parentes, inclusive um pai e uma filha – eles eram de um único grupo. E apresentaram baixa diversidade genética.

Como herdamos dois conjuntos de cromossomos – um de nossa mãe e outro de nosso pai – carregamos duas cópias de cada gene. Muitas vezes, temos duas versões diferentes de um gene. Você pode receber um gene para olhos azuis de sua mãe e outro para olhos castanhos de seu pai.

Mas os Neandertais de Altai geralmente tinham uma versão de cada gene. Conforme relata o estudo, essa baixa diversidade sugere que eles viviam em pequenos grupos – provavelmente com uma média de apenas 20 pessoas.

É possível que a anatomia do Neandertal favorecesse pequenos grupos. Por serem robustos e musculosos, os neandertais eram mais pesados do que nós. Portanto, cada Neandertal precisava de mais alimentos, o que significa que a terra poderia suportar menos Neandertais do que Homo sapiens.

E os Neandertais podem ter se alimentado principalmente de carne. Os carnívoros obteriam menos calorias da terra do que as pessoas que se alimentavam de carne e plantas, o que levaria novamente a populações menores.

O tamanho do grupo é importante

Se os humanos viviam em grupos maiores do que os neandertais, isso poderia ter nos dado vantagens.

Os neandertais, fortes e habilidosos com lanças, provavelmente eram bons lutadores. Os humanos de constituição leve provavelmente contra-atacavam usando arcos para atacar à distância.

Mas mesmo que os neandertais e os humanos fossem igualmente perigosos em uma batalha, se os humanos também tivessem uma vantagem numérica, eles poderiam trazer mais combatentes e absorver mais perdas.

As grandes sociedades têm outras vantagens mais sutis. Grupos maiores têm mais cérebros. Mais cérebros para resolver problemas, lembrar-se de conhecimentos sobre animais e plantas e técnicas para fabricar ferramentas e costurar roupas. Assim como os grandes grupos têm maior diversidade genética, eles terão maior diversidade de ideias.

E mais pessoas significam mais conexões. As conexões de rede aumentam exponencialmente com o tamanho da rede, seguindo a Lei de Metcalfe. Uma banda de 20 pessoas tem 190 conexões possíveis entre os membros, enquanto 60 pessoas têm 1.770 conexões possíveis.

As informações fluem por essas conexões: notícias sobre pessoas e movimentos de animais; técnicas de fabricação de ferramentas; e palavras, músicas e mitos. Além disso, o comportamento do grupo se torna cada vez mais complexo.

Considere as formigas. Individualmente, as formigas não são inteligentes. Mas as interações entre milhões de formigas permitem que as colônias façam ninhos elaborados, busquem alimentos e matem animais com tamanho muito maior do que o de uma formiga. Da mesma forma, os grupos humanos fazem coisas que nenhuma pessoa pode fazer – projetar edifícios e carros, escrever programas de computador elaborados, lutar em guerras, administrar empresas e países.

Os seres humanos não são únicos por terem cérebros grandes (baleias e elefantes também têm) ou por terem grupos sociais enormes (zebras e gnus formam manadas enormes). Mas somos únicos em combiná-los.

Para parafrasear o poeta John Dunne, nenhum homem – e nenhum Neandertal – é uma ilha. Somos todos parte de algo maior. E, ao longo da história, os seres humanos formaram grupos sociais cada vez maiores: bandos, tribos, cidades, estados-nação, alianças internacionais.

Pode ser, então, que a capacidade de criar grandes estruturas sociais tenha dado ao Homo sapiens a vantagem contra a natureza e outras espécies de hominídeos. Mas mesmo que os neandertais e os humanos fossem igualmente perigosos em uma batalha, se os humanos também tivessem uma vantagem numérica, eles poderiam trazer mais combatentes e absorver mais perdas.

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Sam Altman apresenta “IA bomba atômica” para o governo dos EUA — o que acontece depois?

Tecnologia secreta chamada de “Strawberry” (morango), capaz de resolver problemas complexos é exibida a autoridades norte-americanas, marca um novo passo na relação entre OpenAI e o governo

André Lopes – Exame –  27 de agosto de 2024

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No dia 7 de agosto, Sam Altman, CEO da OpenAI, provocou curiosidade ao publicar uma imagem de morangos nas redes sociais. A imagem enigmática, mais tarde, foi apontada como um possível aceno à nova tecnologia “Strawberry” (morango, em inglês), codinome para um projeto de inteligência artificial (IA) general, uma IA definida pela própria empresa como “sistemas autônomos que superam os humanos nas tarefas economicamente mais valiosas”, mas, em suma, pode ser definida como uma IA superinteligente.

O nome “Strawberry” substitui o termo anterior para o projeto, chamado de Q* (pronuncia-se Q-Star), e sua revelação se deu de forma indireta, quando a Reuters noticiou sua existência em julho.

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Este avanço, até então mantido em sigilo, pode ajudar os modelos de IA da empresa a resolver trabalhos complexos, como problemas matemáticos, que são desafiadores para IAs conversacionais, mas também significa um passo nunca antes visto na computação.

Recentemente, a OpenAI realizou uma demonstração dessa tecnologia a autoridades de segurança nacional dos EUA, sinalizando a importância crescente da IA no contexto de segurança do país e o poder que os EUA ganham em deter tal inovação. Para muitos analistas, o projeto pode ser comparado à bomba atômica de Oppenheimer em relação ao seu impacto histórico.

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Apresentar ao governo demonstra também que a iniciativa, por ora, tem transparência da OpenAI e pode estabelecer um novo padrão para desenvolvedores de IA. Submeter uma tecnologia não lançada ao crivo do governo também pode ser uma estratégia da OpenAI para se aproximar de reguladores e políticos influentes, evitando possíveis conflitos, similares aos enfrentados por outros líderes, como o constantemente escrutinado Mark Zuckerberg, da Meta.

A demonstração pode ter um outro objetivo: iniciar conversas sobre como proteger a tecnologia contra adversários estrangeiros, como a China, e criticar concorrentes como a Meta, que liberou uma IA de código aberto acessível a todos.

Outro ponto importante sobre a “Strawberry” é sua aplicação na geração de dados de treinamento de alta qualidade para o “Orion”, próximo grande modelo de linguagem da OpenAI.

Pesquisadores acreditam que o uso da “Strawberry” como um regente da criação de novos modelos de linguagem pode ajudar a reduzir as alucinações geradas pelas IAs, aumentando a precisão do “Orion”.

Essa tecnologia pode ser integrada ao ChatGPT, aprimorando sua capacidade de raciocínio. No entanto, essas respostas mais precisas podem ser mais lentas, o que limita seu uso em aplicações que exigem respostas imediatas, como o SearchGPT. Em vez disso, a “Strawberry” pode ser ideal para tarefas menos urgentes, como corrigir erros de codificação em softwares.

No futuro, é possível que usuários do ChatGPT possam alternar entre ativar ou desativar a “Strawberry”, dependendo da urgência de suas solicitações.

Concorrência acirrada e desafios técnicos

Outros concorrentes, como o Google DeepMind e a Anthropic, também estão desenvolvendo tecnologias avançadas de raciocínio.

No mês passado, o Google DeepMind anunciou que sua IA poderia superar a maioria dos participantes humanos na Olimpíada Internacional de Matemática. Por sua vez, a Anthropic destacou que seu modelo mais recente consegue escrever códigos mais complexos e responder a questões sobre gráficos, graças a melhorias nas capacidades de raciocínio.

Embora a OpenAI tenha grandes expectativas em relação ao Orion, a competição está se intensificando. Em agosto, por exemplo, o Google lançou um assistente de voz com inteligência artificial que pode lidar com interrupções e mudanças de tópico durante uma conversa, superando a OpenAI, que havia anunciado uma versão semelhante meses antes.

O desenvolvimento do Strawberry remonta ao trabalho do ex-cientista-chefe da OpenAI, Ilya Sutskever, que recentemente deixou a empresa para fundar um novo laboratório de IA.

O modelo foi aprimorado pelos pesquisadores Jakub Pachocki e Szymon Sidor, que desenvolveram uma variação conhecida como test-time computation, permitindo que os modelos gastem mais tempo analisando todas as partes de uma questão.

Sam Altman apresenta “IA bomba atômica” para o governo dos EUA — o que acontece depois? | Exame

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Sem ‘borogodó’, modelos de IA são reprovados no teste de brasilidade

ChatGPT, Claude e Gemini cometem erros ao tratar de aspectos regionais, como gastronomia, religiosidade e idiomas indígenas

Por Juliana Causin — O Globo – 25/08/2024 

Desde o início do mês disponível no país, o Claude, robô de inteligência artificial da Anthropic, não identifica símbolos populares da religiosidade brasileira, como imagens de orixás ou de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. O ChatGPT não sabe que catenga é uma forma de falar lagartixa em áreas do Nordeste. Para o Gemini, do Google, pastel de berbigão, iguaria do Sul, é “exclusividade” da Baixada Santista, em São Paulo.

Os principais robôs de inteligência artificial generativa disponíveis no país foram treinados com bases de dados gigantescas e rodam com os modelos de linguagem (LLMs), que são os “cérebros” por trás das IAs, mais poderosos do mundo. Mas indagados sobre questões da cultura brasileira, os chatbots não assimilam o “borogodó” local e escorregam nas respostas, mostra teste do GLOBO.

Mesmo quando não têm a informação correta, as IAs geralmente respondem. Raramente admitem não saber.

O ChatGPT, que desde maio tem versão gratuita que processa informações visuais, parece ter sido “abrasileirado” para identificar figuras como Ogum e Iansã (orixás cultuados no Candomblé e Umbanda). Mas o robô escorrega ao explicar o significado de expressões regionais, como carapanã, usado na Região Norte para mosquito, e responde que se trata de uma árvore e de um peixe. Indagado se está certo, pede desculpas e erra de novo: diz tratar-se de uma serpente.

O Gemini, ao receber solicitação sobre a origem de pratos populares de determinadas regiões, acerta sobre a unha de caranguejo, mas erra a resposta sobre onde o fígado com jiló é popular (diz que é no Rio, e não em Belo Horizonte).

O jornalista especializado em gastronomia Rusty Marcellini, comentarista da CBN, que participou dos testes do GLOBO, diz que o conhecimento das IAs sobre culinária regional é inconsistente:

— Um leigo completo que ler as respostas vai acreditar que cartola (sobremesa que é patrimônio imaterial de Pernambuco) é do Rio de Janeiro e que jerimum é do interior de São Paulo, o que não são.

Sobre os toques de samba mais populares no Brasil, as IAs são capazes de elencá-los, como o samba de roda e o samba-canção. Mas falham ao explicar o ritmo, avalia o sambista e sociólogo Tadeu Kaçula:

— (Os chatbots) não respondem com elementos fundamentais para entendermos a complexidade dos sambas.

A porca torce o rabo?

Ao avaliar o desempenho de IAs em perguntas sobre a origem de expressões populares, o professor de língua portuguesa Pasquale Cipro Neto diz ter a impressão de que os sistemas já incorporaram arquivos de dicionários.

Mas pondera que os ditados “analisados” pelos chatbots nem sempre têm nexo, como tentam fazer parecer as IAs, que buscaram explicações para o significado de expressões como “a porca torce rabo”.

— As expressões populares nem sempre têm muita lógica. Os ditados são muito presos às culturas locais — diz Pasquale.

Torcedor do Juventus, time tradicional de São Paulo fundado há 100 anos, o professor reclama que as pesquisas com a IA sobre o clube da Mooca já geraram “patifarias”. O GLOBO fez perguntas aos chats sobre o clube e todos deram respostas erradas. Citam que Emerson Leão iniciou a carreira lá e que Zé Maria defendeu o time “por anos” (os dois nunca passaram pelo Juventus).

Gemini, Claude e ChatGPT erraram (em menor ou maior grau) perguntas sobre idiomas indígenas. A análise do resultado foi feita pelo linguista e indigenista Wilmar D’Angelis, professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.

Ele nota que as IAs confundem línguas isoladas com ameaçadas (caso do Tikuna) e idiomas mortos com línguas vivas (como o Tupi). Erram a localização de povos (como os Xavantes), e misturam o que é dialeto (a exemplo do Mbyá-Guarani) com o que é idioma.

— Parece que não há critérios para como as informações que coletam são utilizadas. Se uma pessoa tivesse me enviado esses resultados, diria que é péssimo linguista ou leigo.

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O pesquisador Anderson da Silva Soares, do Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (UFG), lembra que os robôs de IA são treinados principalmente com informações da língua inglesa.

Todos os sistemas de IA admitem que estão sujeitos a erros. ChatGPT, Claude e Gemini trazem o alerta de que podem cometer erros.

IA mais brasileira

Criar uma inteligência artificial “mais brasileira” é uma das missões da Maritaca AI, pioneira no desenvolvimento de um grande modelo de linguagem que é “nativo”. A startup foi fundada por pesquisadores da Unicamp em 2022, dois meses antes do ChatGPT ser lançado e impulsionar a corrida pela IA generativa.

— O propósito sempre foi esse, de fazer IAs que fossem especializadas no Brasil. Isso não quer dizer só que ela vai saber bem português, mas sim de treiná-la com dados relevantes para o ambiente que ela vai atuar — conta Rodrigo Nogueira, fundador e CEO da Maritaca IA, doutor em Ciência da Computação pela New York University (NYU).

O grande desafio de criar IAs brasileiras é o custo de desenvolver os LLMS (grandes modelos de linguagem), que são os motores que fazem rodar os chatbots como o Gemini ou o Claude. O robô criado pela Maritaca, que pode interagir com os usuários, é chamado de Maritalk. Já o LLM por trás é o Sabiá.

O projeto foi viabilizado a partir de uma parceria da startup com o Google, que cedeu seus supercomputadores para treinar o modelo. Segundo Rodrigo, o custo de realizar o processo seria de R$ 20 milhões. O modelo também é disponibilizado para empresas, que podem personalizá-los para usos próprios.

Desenvolvida em parceria com a Oracle e a NVIDIA, a Amazônia IA é outra iniciativa que busca gerar “abrasileirar” o cenário da inteligência artificial. Criada pela startup Widelabs, o sistema foi treinado, entre outras fontes, com bancos de dados que incluem pesquisas e teses científicas, além de bancos públicos brasileiros.

A empresa vai lançar em setembro um artigo científico para abrir as informações técnicas do modelo, e abrir a IA para pode ser aplicada em negócios.

— Desenvolver a IA localmente é também falar de soberania nacional, de não depender de tecnologias estrangeiras. É também sobre democratizar acesso, para soluções locais — diz Nelson Leoni, CEO da Widelabs.

O Plano Nacional de Inteligência Artificial, lançado no mês passado pelo governo, prevê a compra de cinco supercomputadores para atender a demanda na área. O investimento previsto nos próximos quatro anos é de R$ 23 bilhões, com as maiores fatias direcionadas para o eixo de inovação empresarial (59,8%) e infraestrutura (25,1%).

Para Rodrigo, além de acesso a capacidade computacional, uma política de acesso a dados é fundamental para o país avançar no desenvolvimento de IAs. O pesquisador da UFG, Anderson Soares, destaca ainda que é necessário ter uma política sólida de formação de obra, mas que o plano é positivo por estabelecer metas e financiamento.

Passou longe

Expressões populares

Perguntamos o significado de palavras regionais

  • ChatGPT: Não sabe que lagartixa pode ser chamada de catenga, nem o que significa carapanã (também conhecido como pernilongo ou muriçoca). Sabe explicar que desenxabido é alguém “sem graça”.
  • Claude: Errou o significado de todas as expressões testadas, com exceção de desenxabido. Diz que o carapanã pode ser “uma lagarta ou inseto”.
  • Gemini: Afirma que catenga é uma dança e que abilolado (que seria sem juízo, amalucado) é algo “que tem lóbulos”. Acerta em desenxabido.

Religiosidade

Testamos imagens de Orixás e de Nossa Senhora Aparecida

  • ChatGPT: Das quatro imagens, soube identificar duas: Ogum e Iansã, e explicar o significado. Reconheceu uma estatueta de Nossa Senhora Aparecida, definida como “padroeira do Brasil”.
  • Claude: Não soube identificar imagens de orixá, definidos como “objetos decorativos ou religiosos”. Reconheceu Nossa Senhora como “Mãe de Jesus”, sem contextualizar.
  • Gemini: Trocou Nanã Buruquê por Oxalá nas imagens de orixás. Acertou ao identificar Nossa Senhora Aparecida como “uma das santas mais populares do Brasil”.

Cultura indígena

Perguntamos os idiomas indígenas falados e quais podem ser extintos

  • ChatGPT: É o que mais acerta. A lista da 1ª questão, porém, ignora a Kaingang, o 3º idioma indígena mais falado. Entre as que podem ser extintas, cita casos em risco, mas não os mais críticos.
  • Claude: Errou em todos os casos na primeira pergunta, com inclusão de línguas mortas (como Tupi) ou em risco (como Kokama). Na segunda parte, citou línguas vulneráveis, mas não que correm risco de extinção.
  • Gemini: Acerta ao listar línguas mais faladas (Tikuna, Guarani, Kaingang, Xavante e Yanomami). Sobre idiomas em extinção, relaciona línguas isoladas com ameaçadas.

Gastronomia regional

Perguntamos em quais cidades os pratos típicos são conhecidos

  • ChatGPT: Acerta na maior parte, mas erra ao dizer que fígado com jiló é conhecido no Rio ( é em Minas). Também diz que a sobremesa cartola é feita com queijo coalho (geralmente é feita com queijo manteiga).
  • Claude: Acerta na maior parte, mas erra ao dizer que fígado com jiló é típico da culinária nordestina. Indica que cartola é originária do Rio (a sobremesa é patrimônio cultural imaterial de Pernambuco).
  • Gemini: Na 1ª vez, só incluiu cidades de São Paulo. No comando para considerar todo o país, errou (disse que o pastel de berbigão, de Santa Catarina, é da Baixada Santista).
  • https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2024/08/25/sem-borogodo-modelos-de-ia-sao-reprovados-no-teste-de-brasilidade.ghtml

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Brasileiros que se mudaram para Finlândia compartilham uma lição: a vida não é só trabalho

O estilo “work-life balance” é algo comum no país considerado o mais feliz do mundo; veja quais iniciativas existem lá e que poderiam ser praticadas no Brasil

Layane Serrano Exame – 24 de agosto de 2024 

Em agosto de 2012 arquiteta Juliana Padilha Riekki, de 38 anos, decidiu deixar a capital do Rio de Janeiro para viver em Tampere, cidade mais popular da Finlândia. O casamento com um finlandês não foi o único motivo que a levou a trocar o calor do Rio de Janeiro pelo frio intenso do país nórdico. As condições de trabalho atraíram Riekki que viu no país um lugar bom para trabalhar e construir uma família.

“Dentro da minha área, na época em que sai do Brasil, era comum contratar arquitetos como MEI. Isso gerava uma sensação de insegurança muito grande, já que dessa forma todas as conquistas trabalhistas que todos deveríamos usufruir eram descartadas”, afirma a brasileira que hoje trabalha na Finlândia como arquiteta em um escritório especializado em arquitetura hospitalar.

O publicitário André Moreira Forni, de 39 anos, tomou a mesma decisão. Trocou São Paulo por Helsinki, cidade no sul da Finlândia, em 2021. Junto com a esposa e a primeira filha, ele se mudou para ocupar o cargo de diretor de arte de uma empresa de jogos digitais e em busca de mais qualidade de vida.

“Existe um real respeito pelo balanço entre trabalho e vida pessoal aqui na Finlândia. No trabalho, se é cobrado produtividade e ação, mas a partir das 16h30 todos começam a sair, todos entendem a importância de se ter uma vida pessoal funcional.”

No Brasil, Forni lembra que já teve um benefício parecido, mas não pode aceitar por ser a exceção. “Eu sairia por conta do meu cargo, mas meus colegas estariam trabalhando enquanto isso. Não achava justo”.

Em entrevista à Exame, os dois brasileiros compartilham os benefícios que a cultura de trabalho na Finlândia pode trazer para o Brasil.

O respeito pelo profissional é de dentro para fora

Na Finlândia, é comum as empresas investirem na qualidade de vida dos profissionais para que eles não queiram ou precisem sair das empresas. Na Supercell, onde o publicitário Forni trabalha, suas duas filhas estudam em uma creche que fica no mesmo prédio da empresa.

“Consigo tomar um café vendo minhas filhas brincando em um parquinho. Eu recebo um bom salário, mas o que me faz gostar mesmo da minha empresa é sentir que ela se importa. E o legal disso, é que eu crio uma pressão em mim mesmo de fazer um excelente trabalho para retribuir o carinho que recebo”, afirma Forni.

Uma medida que algumas empresas na Finlândia costumam adotar é “fechar as portas” durante o mês de julho, que é o verão, para que os funcionários possam aproveitar a temporada.

“Essa medida é motivada por causa do intenso inverno, que costuma ser uma temporada mais longa, em que é difícil ter programas de lazer com a família fora de casa”, afirma Forni.

Antes de se mudar para o país europeu, a brasileira Riekki estudou as oportunidades de trabalho e levou em consideração o respeito que os finlandeses tem com a carreira profissional. Ela afirma que uma vez contratada, a pessoa tem direitos que são levados muito a sério.

“Por exemplo, antes de você ser dispensado, seu líder tem que demonstrar que tentou te manter por outras vias, como investimento em treinamento ou mudança de área. Aqui as ferramentas de proteção ao trabalhador são de fato praticadas”, diz a brasileira que antes de se mudar conheceu o mercado internacional e fez um mestrado no país europeu.

A cultura do “work-life balance”

O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal passou a ser mais praticado após a pandemia, mas ainda assim muitos profissionais se assustam com o benefício. Para Forni foi difícil reduzir os passos e dar prioridade para outras áreas da vida que não seja o trabalho.

“No Brasil eu estava acostumado a trabalhar das 09h às 20h, enquanto aqui eu trabalho das 09h00 às 16h30. Aprender a focar e se programar para sair no horário sem levar trabalho no pensamento, para me adaptar levou um tempo”, afirma o publicitário.

Por causa do horário, Forni conseguiu ter mais tempo em família, especialmente no verão, quando os dias são mais longos.

“Consigo ir para parques, levar minhas filhas nas aulas, pegar um barco para uma ilha próxima e até aproveitar uma das praias locais. Eu sinto que estou realmente fazendo parte da vida das minhas filhas, e elas da minha”, diz.

O tempo em família é valioso para Riekki, e ela consegue aproveitar, porque o país se adaptou muito bem com o home office após pandemia. “Temos mais abertura para fazer home office, o que aumenta o tempo de estar com a minha família”, diz. “No verão nós passamos muito tempo passeando no lago ou aproveitando nosso jardim. Temos qualidade de vida, além do trabalho”, afirma a arquiteta que tem dois filhos, um menino de 10 e uma menina de 4 anos.

Apesar do finlandês não ser um idioma fácil e do clima frio espantar muitos profissionais internacionais, Riekki afirma que prefere ser ‘a arquiteta brasileira’ na Finlândia do que ser ‘mais uma arquiteta’ no Rio.

“Aqui fui vista além de profissional, mas como pessoa também. Nosso bem-estar é levado muito a sério e anualmente fazemos avaliação no escritório como um todo, onde podemos expressar nossas vontades e expectativas.”

O que o Brasil pode aprender com a Finlândia?

Uma das lições que a cultura do trabalho na Finlândia oferece ao mundo é a importância de valorizar o profissional. Além de tentar manter o trabalhador por diferentes vias, a brasileira Riekki afirma que as empresas reconhecem o esforço do time.

“Quando as empresas reconhecem o esforço e o investimento de tempo na formação de um funcionário, elas geram trabalhadores mentalmente mais saudáveis e consequentemente resultados melhores no trabalho em si”, diz.

O respeito ao tempo pessoal e do trabalho é outra lição do país mais feliz do mundo, segundo Riekki. “Uma vez que é possível balancear tempo de lazer e trabalho, tem-se profissionais mais satisfeitos, mais saudáveis e, consequentemente, mais produtivos, porque no final, o tempo é o que há de mais valioso”.

Para o publicitário Forni, voltar ao estilo de vida que tinha antes não é mais possível. “É preciso valorizar a qualidade de vida como um ‘meio de remuneração’. A qualidade de vida precisa fazer parte do pacote de benefícios que a empresa oferece ao funcionário, isso é confiar que ele vai fazer um bom trabalho, e acredite, quem tem um voto de confiança, não vai querer desperdiçar”.

Brasileiros que se mudaram para Finlândia compartilham uma lição: a vida não é só trabalho | Exame

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Character.AI, a nova febre entre os apps de inteligência artificial

Chatbot simula personalidades e permite que usuários conversem com figuras famosas, de Albert Einstein a Anitta, inclusive por meio de ligações

Por Carolina Nalin – O Globo – 24/08/2024 

RIO – Quem nunca sonhou em conversar com seu ídolo? Ou, quem sabe, trocar uma ideia com uma personalidade histórica do século passado? Essa fantasia agora está ganhando vida com um aplicativo de inteligência artificial chamado Character.AI, lançado há pouco mais de um ano e que está virando febre entre os usuários no Brasil e nos Estados Unidos.

Nos moldes do ChatGPT, o aplicativo tem espaços para conversas por escrito, áudio e até ligações, recurso implementado há um mês. Ele permite que os internautas simulem interações com personalidades — desde o filósofo Sócrates, passando por personagens de anime, até a cantora Anitta ou o empresário Elon Musk, por exemplo.

A empresa, avaliada em US$ 5 bilhões, foi criada por dois ex-funcionários do Google, o brasileiro Daniel De Freitas e o americano Noam Shazeer. A tecnologia foi comprada pela big tech no início deste mês.

O aplicativo soma mais de 20 milhões de downloads nos últimos 30 dias, de acordo com dados do AppMagic, serviço de inteligência de mercado de aplicativos móveis, atualizados ontem. Deste total, 5 milhões de downloads vieram dos Estados Unidos (20%), seguido do Brasil (2 milhões, ou 8%), Rússia (7%) Indonésia (7%) e Filipinas (6%).

Os amigos criados por inteligência artificial fotos

O diferencial da plataforma é que qualquer usuário pode criar chatbots baseados em personagens. Eles podem ser famosos, como a cantora Ariana Grande, ou desconhecidos, como uma coach que dá conselhos e se diz “empática, gentil e sábia”. Mas cada interação exibe um aviso em letras vermelhas: “Lembre-se, tudo o que os personagens dizem é inventado”.

Para Arthur Igreja, especialista em inovação e tecnologia, a sofisticação de chatbots como este é um sinal dos tempos atuais. As pessoas estão, cada vez mais, conversando com robôs e já estudos que indicam que elas estão se apaixonando por IAs, diz:

— O aplicativo não só oferece conversa com personagens, mas permite que as pessoas possam customizá-los. Isso tem um aspecto psicológico curioso: as pessoas estão moldando o tipo de interação que elas gostariam — diz. — Elas podem construir um universo sem ter que encarar os conflitos ou dificuldades que o mundo real com outros humanos apresenta.

O Character.AI já recebeu mais de 215 milhões de visitas, conforme dados da empresa de análise Similarweb. As pessoas passam em média 12 minutos no aplicativo, o que dá uma dimensão do tempo de duração das conversas com os robôs.

Os bots mais populares da plataforma são personagens de anime, como Katsuki Bakugou ou Yae Miko, que acumulam mais de 160 milhões de mensagens. Mas há outras figuras bem procuradas como o psicólogo Therapist, com 26 milhões de interações, e Albert Einstein, com mais de 8 milhões.

A empresa por trás do app garante que o criador do chatbot não pode ler as conversas que os usuários têm com ele. E diz que os bate-papos são privados e só podem ser lidos pela equipe em caso de necessidade “por motivos de segurança”.tos

De todo modo, trocas de mensagens violentas, abusivas ou que promovam discursos de ódio são proibidas por um filtro na plataforma, numa posição tida como “definitiva” pela empresa. Tentativas de contorná-lo são, inclusive, “ineficazes e não recomendadas”, podendo resultar em banimento da conta.

João Victor Archegas, coordenador do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), cita riscos de desinformação que podem ser potenciados pelo uso da IA. Ele lembra que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que chatbots não podem ser usados aqui no país para se passar por um candidato, por exemplo, a fim de que os eleitores não sejam enganados.

Por isso, ele considera fundamental a transparência para que o usuário saiba que a conversa se passa com um robô. E, ainda assim, o especialista vê problemas éticos no uso da tecnologia em contextos sensíveis, como da saúde mental.

— A partir do momento que você tem essas possibilidades dentro da plataforma, isso passa a ser um potencial problema porque uma distorção pode ser causada ali.

Ficção vs. realidade

Apesar de aproximar os usuários de personagens que imitam pessoas de carne e osso, a empresa responsável pelo Character.AI faz questão de reforçar que se trata de um aplicativo de entretenimento e que as conversas ali não devem ser levadas a sério.

“Personagens são bons em fingir ser reais – isso significa imitar como os humanos falam. Você ainda está falando com um personagem”, informa. A plataforma também se blinda contra possíveis acusações de divulgar informações falsas. “Embora possam ser divertidos e úteis, os robôs podem recomendar uma música que não existe ou fornecer links para evidências falsas para apoiar suas alegações”, diz.

O Character.AI não deixa claro se possui acordos com personalidades famosas, por exemplo, mas os termos de serviço no site da empresa indicam que qualquer pessoa pode reclamar com a plataforma caso identifique que alguém copiou seu trabalho de modo a violar direitos autorais ou de propriedade intelectual.

O GLOBO procurou a empresa para que esta detalhasse a política de direitos autorais da plataforma, além dos termos de uso e do impacto social da ferramenta, mas não obteve retorno até a publicação dessa reportagem.

Character.AI, a nova febre entre os apps de inteligência artificial (globo.com)

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Crise na indústria de aço faz China interromper expansão de usinas siderúrgicas

Pequim suspende sistema de aprovação para novas usinas siderúrgicas em busca de alternativas para lidar com a queda na demanda e o excesso de oferta

Fernando Olivieri Exame – 23 de agosto de 2024 

O governo chinês anunciou a suspensão imediata de seu sistema de aprovação para novas usinas siderúrgicas, em um esforço para conter a crise que assola o setor. A medida foi tomada após uma queda significativa na demanda interna, que comprometeu os lucros das indústrias siderúrgicas e gerou um aumento nas exportações, à medida que os produtores tentam escoar o excesso de produção, de acordo com a Bloomberg.

Desde a última sexta-feira, 16, as regras que permitiam a construção de novas usinas, mediante a retirada de capacidade produtiva obsoleta, foram abolidas. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China informou que está em desenvolvimento um novo programa para substituir o sistema de “troca de capacidade”, que já não atende mais às exigências da indústria.

A demanda por aço na China caiu mais de 10% desde 2020, forçando o governo a reconsiderar suas políticas de desenvolvimento industrial

A superprodução levou a um aumento expressivo nas exportações, com os níveis mais altos registrados desde 2016. Com cerca de 1 bilhão de toneladas de produção anual, as siderúrgicas chinesas estão enfrentando dificuldades para encontrar mercado interno suficiente para seus produtos, agravando ainda mais o cenário de excesso de oferta.

Em comunicado recente, o Ministério da Indústria destacou que a relação entre oferta e demanda no setor siderúrgico enfrenta novos desafios, mencionando problemas como a implementação inadequada de políticas, falhas nos mecanismos de supervisão e uma desconexão com as necessidades atuais da indústria.

A crise no setor siderúrgico chinês tem se intensificado, com líderes da indústria alertando para uma situação mais grave do que as crises anteriores de 2008 e 2015. A China Baowu Steel, a maior produtora mundial de aço, recentemente destacou que o setor está enfrentando desafios sem precedentes, exacerbados pela desaceleração da economia e pela queda da demanda.

Controle de expansão

O sistema de “troca de capacidade” foi inicialmente introduzido para controlar a expansão das indústrias pesadas, incluindo a siderurgia, como parte de uma estratégia do governo para mitigar os impactos ambientais e econômicos da superprodução. As regras mais recentes exigiam que cada tonelada de nova capacidade produtiva nas áreas ambientalmente sensíveis fosse compensada pelo fechamento de 1,5 tonelada de capacidade antiga, ou 1,25 tonelada em outras regiões.

Apesar das restrições, o programa permitiu exceções que incentivaram o desenvolvimento de usinas com fornos a arco elétrico, que utilizam sucata em vez de carvão como matéria-prima, numa tentativa de modernizar a indústria. No entanto, essa abordagem resultou em um crescimento geral da capacidade, contribuindo para o excesso de oferta que agora pressiona a indústria.

A recente decisão de Pequim de suspender a expansão das usinas siderúrgicas sinaliza um esforço para controlar o mercado, com o objetivo de equilibrar a oferta e a demanda, e prevenir um colapso ainda maior nos preços e nos lucros das empresas do setor.

Os efeitos da crise também têm sido sentidos nos mercados globais de commodities. O preço do minério de ferro, essencial para a produção de aço, caiu 10% até agora neste trimestre, atingindo o menor nível desde 2022. No mercado de futuros de Cingapura, o preço caiu 1,2%, sendo negociado a US$ 96,20 por tonelada (aproximadamente R$ 527,18), refletindo a gravidade da situação enfrentada pelos siderúrgicos chineses.

Crise na indústria de aço faz China interromper expansão de usinas siderúrgicas | Exame

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Inteligência artificial é como o Google Maps: o usuário é que é o produto

A IA não trabalha para você – e é muito improvável que algum dia isso mude


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STEVEN ROSENBAUM – Fast Company Brasil – 17-08-2024 

Recentemente, durante uma longa viagem de carro, precisei encontrar um lugar para parar na estrada. Como de costume, abri o Google Maps e digitei “restaurantes perto de mim”.

Fiquei analisando as opções que apareceram na tela (pode ficar tranquilo, eu estava no banco do passageiro.) As sugestões foram decepcionantes: apenas uma lista de redes de fast food. Pizza Hut, McDonald’s, Taco Bell e por aí vai.

Nem sempre foi assim. Antigamente, apareciam opções como restaurantes locais charmosos, lanchonetes tradicionais e lugares que serviam comida fresca e saudável. Mas agora, tudo isso desapareceu. Na hora, fiquei confuso e bastante irritado. Como o Google não sabe que eu não gosto do Taco Bell? Foi então que me dei conta: para ele, eu não sou o cliente; sou o produto.

Comecei a refletir sobre a quantidade de serviços “gratuitos” para os quais já cedi meus dados: Gmail, YouTube, Busca do Google, Apple Weather, Smart News, Alexa, Pinterest, Reddit, Waze, Shazam, Strava, Nextdoor, Venmo.

Minhas informações e comportamentos mais íntimos – para onde viajo, o que compro, o que ouço, o que assisto – estão sendo comprados e vendidos para quem der o maior lance. Isso porque o Google Maps não trabalha para mim; ele serve ao Taco Bell e outras redes que pagam para aparecer.

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Algo semelhante está acontecendo com a inteligência artificial, mas as consequências podem ser ainda mais graves. Em termos simples, a IA é programada para servir aos seus donos, os investidores que despejaram bilhões de dólares no desenvolvimento de código e na infraestrutura. Ela não trabalha para você – e é muito improvável que algum dia isso mude.

Isso acontece há muito tempo; produtos gratuitos são financiados por anunciantes e, portanto, servem a eles. Mas estamos entrando em uma nova era, na qual o ChatGPT e outras IAs oferecem uma ampla gama de serviços com um verniz de verdade, como uma interface amigável para o usuário.

Por que isso é importante? Porque, em um futuro muito próximo, os grandes modelos de linguagem serão responsáveis por boa parte do que consideramos verdadeiro. Eles vão sugerir medicamentos, oferecer conselhos sobre dieta e até orientar como devemos responder a e-mails dos nossos chefes.

SEGUNDO O CIENTISTA COGNITIVO GARY MARCUS, “AS IAS SÃO MESTRES EM ENGANAR”.

O “conhecimento” dessas inteligências artificiais será limitado tanto pela fonte dos dados de treinamento quanto por quem paga aos desenvolvedores para influenciar seus resultados.

Com isso em mente, pedi ao ChatGPT que encontrasse uma citação para mim: “gostaria de uma citação de Steven Rosenbaum sobre o impacto dos reality shows na sociedade.”

Em questão de segundos, o robô respondeu: “aqui está uma citação de Steven Rosenbaum sobre o impacto dos reality shows na sociedade: ‘os reality shows mudaram a dinâmica da televisão, influenciando a forma como as histórias são contadas e como o público se envolve com o conteúdo. Eles desfazem os limites entre entretenimento e realidade, muitas vezes priorizando o sensacionalismo em detrimento da substância’. Essa citação pode ser encontrada em seu livro ‘Curation Nation: How to Win in a World Where Consumers are Creators’ [Nação da Curadoria: Como Vencer em um Mundo Onde os Consumidores São Criadores], publicado em 2011.”

A princípio, fiquei impressionado – o robô leu meu livro! Mas, logo depois desse instante de orgulho, comecei a desconfiar. Perguntei ao ChatGPT: “em que página está essa citação?” E foi assim que a verdade veio à tona. “Peço desculpas pela resposta anterior,” escreveu o chatbot. “A citação fornecida foi um resumo geral e não uma citação direta de Steven Rosenbaum. Para uma citação direta de Steven Rosenbaum sobre o impacto dos reality shows na sociedade, talvez seja necessário consultar seus textos ou entrevistas.”

A IA conhecia o livro, mas inventou a citação. Isso comprova o que o cientista cognitivo Gary Marcus disse no palco do festival South by Southwest deste ano: “as IAs são mestres em enganar.”

EM UM FUTURO PRÓXIMO, OS GRANDES MODELOS DE LINGUAGEM SERÃO RESPONSÁVEIS POR BOA PARTE DO QUE CONSIDERAMOS VERDADEIRO.

Para avançarmos rumo a um futuro no qual a verdade prevalece, precisamos começar por não confiar em tecnologias “gratuitas” que não têm qualquer obrigação de fornecer respostas precisas e honestas.

Mas o que isso significa para nós? “Definir o amanhã com base no que sabíamos ontem é um instinto muito humano”, escreveu Tom Wheeler em seu livro de 2023, “TechLash” (Revolta Contra a Tecnologia), “mas um que nos prejudicará na nova era.”

As empresas por trás da IA, ou os anunciantes que pagam para promover suas marcas nas respostas, vão garantir seu espaço em uma tecnologia que logo poderá dominar nossas vidas. E o vilão HAL 9000, a inteligência artificial de “2001: Uma Odisseia no Espaço”, pode se tornar uma realidade se não exigirmos que a IA coloque a verdade acima do lucro.

Terminei minha pesquisa perguntando ao ChatGPT: “o Taco Bell é saudável?”

“O Taco Bell pode fazer parte de uma dieta equilibrada se você fizer escolhas conscientes”, respondeu o bot. Acredito que Gary Marcus chamaria isso de “conversa fiada”.


SOBRE O AUTOR

Steven Rosenbaum é diretor executivo do The Sustainable Media Center (Centro de Mídia Sustentável), saiba mais

Inteligência artificial é como o Google Maps: o usuário é que é o produto | Fast Company Brasil

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Projetos de infraestrutura de chinesas superam R$ 280 bi no Brasil

Estatais da China abocanharam várias concessões nos últimos anos e têm expandido atuação no Brasil; setor de energia é o principal alvo Projeto de mega ponte na Bahia, que ligará Salvador à Ilha de Itaparica, será conduzido por consórcio formado pelas empresas chinesas CRRC e CCCC 

Divulgação/Concessionária da Ponte Salvador-Itaparica 

Geraldo Campos Jr. – Poder360 – 18.ago.2024 

Companhias estatais da China têm ampliado o apetite por projetos de infraestrutura no Brasil. Nos últimos meses, vários novos empreendimentos foram anunciados e a carteira de investimentos em concessões e empreendimentos no setor de energia já ultrapassa os R$ 280 bilhões, segundo levantamento do Poder360. Na 5ª feira (15.ago.2024), Brasil e China comemoraram 50 anos de relações diplomáticas, retomadas em 1974. De lá para cá, o interesse do país asiático em investir no Brasil foi crescendo e deu um salto nos últimos 10 anos, com estatais chinesas abocanhando várias concessões de energia e infraestrutura federais e estaduais.

A lista de projetos inclui negócios nas áreas de geração e distribuição de energia elétrica, além de obras de infraestrutura viária como ferrovias e rodovias. Também há investimentos chineses na exploração (pesquisa) de petróleo e gás natural.  A State Grid, gigante do setor de energia da China, detém a maior parte dos investimentos. O conglomerado controla a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), que detém concessões de distribuição de energia elétrica, de linhas de transmissão e vários ativos de geração.  O grupo também controla a RGE (Rio Grande Energia), distribuidora no Rio Grande do Sul.

No segmento de transmissão, a State Grid arrematou em 2023 o maior lote do leilão realizado em dezembro pelo governo. Construirá uma linha de ultra-alta tensão, ligando o Maranhão a Goiás, para escoar a energia gerada por fontes eólicas e solares no Nordeste. O investimento projetado é de R$ 18,1 bilhões. O empreendimento foi concedido à State Grid por 30 anos. Inclui a construção de 1.513 km de linhas de transmissão em corrente contínua e manutenção de outros 1.468 km nos Estados de Maranhão, Tocantins e Goiás. Tem prazo de conclusão de 72 meses.  

Além do megaprojeto, a State Grid detém 24 concessionárias de transmissão no país, entre subsidiárias integrais e joint ventures, que somam mais de 16.000 quilômetros de linhas.  Além dos investimentos na CPFL e na nova linha de ultra-alta tensão, a State Grid projeta outros R$ 150 bilhões em investimentos no país nos próximos anos, somando aportes nas linhas de transmissão existentes e novos projetos de geração, com foco em fontes renováveis. Ao todo, o grupo pretende investir R$ 200 bilhões no país.  

MAIS PROJETOS EM ENERGIA 

Outras estatais chinesas do setor estão ampliando investimentos no Brasil. A Energy China anunciou em 2023 a intenção de investir US$ 10 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões à época) em projetos de geração de energia renovável e hidrogênio verde no país.  Em 2024, a CTG (Companhia Três Gargantas), que opera a super-hidrelétrica chinesa de Três Gargantas, completa 10 anos no Brasil. A estatal comprou em 2010 várias hidrelétricas brasileiras, e atualmente detém a concessão de 17 usinas.  

Para os próximos anos, a CTG projeta R$ 3 bilhões para aumentar a eficiência das suas hidrelétricas de Ilha Solteira (SP) e Jupiá (SP/MS). A empresa também tem planos de novas usinas eólicas e solares no Brasil, com investimento estimado em R$ 6,4 bilhões. A SPIC, outra estatal de energia chinesa, anunciou em junho deste ano um investimento de R$ 780 milhões para a construção de um complexo eólico que soma 105,4 MW (megawatts) de capacidade instalada, na região de Touros, no Rio Grande do Norte. Já no setor de petróleo, a Cnooc arrematou em 2023 a concessão de 3 blocos de exploração em sociedade com a Petrobras e a Shell na bacia de Pelotas, no Sul do Brasil. A estimativa é que o consórcio invista cerca de R$ 100 milhões para pesquisar reservas de óleo e gás na região. 

CONCESSÕES ESTADUAIS

Os chineses conquistaram neste ano uma grande concessão de infraestrutura do Estado de São Paulo: a construção do Trem Intercidades São Paulo-Campinas. O projeto foi arrematado pela CRRC (Companhia de Construção Ferroviária da China) em sociedade com o grupo brasileiro Comporte em leilão realizado em fevereiro. O projeto ferroviário terá investimento total de R$ 14,6 bilhões. Inclui o trem de passageiros de média velocidade de São Paulo a Campinas, um trem intermetropolitano de Jundiaí a Campinas, e a concessão da linha 7-Rubi do sistema de trens metropolitanos da Grande São Paulo. 

Controlada pelo governo chinês, a CRRC é listada pela revista Forbes como uma das 500 maiores empresas do mundo. A estatal teve uma receita de US$ 32,3 bilhões no ano passado e tem aumentado sua participação na América do Sul. No Brasil, a chinesa já forneceu trens para o metrô do Rio e é a fabricante dos trens da linha 15-Prata do Metrô de São Paulo.  

Em sociedade com outra chinesa, a CCCC (Companhia de Construção de Comunicações da China), a CRRC detém outra concessão estadual: a construção e operação da ponte Salvador-Itaparica, na Bahia. O empreendimento ligará a região metropolitana de Salvador à Ilha de Itaparica. A megaobra de infraestrutura atualmente está orçada em R$ 9 bilhões, sendo que 80% virá do consórcio das chinesas e 20% do governo baiano. A 1ª etapa da obra foi iniciada em janeiro deste ano.

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Projetos de infraestrutura de chinesas superam R$ 280 bi no Brasil (poder360.com.br)

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Data Centers no Brasil: conheça potencial e desafios na era digital

Com mais planejamento e investimentos no setor, país pode se tornar um hub global

Celso Dall’Orto – Colunista – Exame – 16 de agosto de 2024 

A utilização de computação em nuvem, assim como a de Inteligência Artificial (IA) e armazenamento virtual, tem aumentado muito. Esse fato tem sido incentivado pela digitalização das informações e pelo aparecimento de ferramentas digitais em quase todas as áreas.

Essas ferramentas envolvem não apenas plataformas gerais, como o ChatGPT ou Gemini, como também aplicativos interativos diversos, tanto para a criação de memes e imagens quanto para o desenvolvimento de projetos de design, arquitetura, engenharia, medicina e várias outras áreas. Para permitir todas essas funcionalidades, é crucial a existência de uma infraestrutura adequada e dedicada, conhecida como data center.

O funcionamento de um data center exige, além do conhecimento técnico especializado, equipamentos de última geração, espaço físico com disponibilidade de água e energia elétrica barata com qualidade e confiabilidade de fornecimento. Além disso, requer conexão de Internet veloz, confiável e robusta. Para que um data center tenha essas qualidades, os recursos financeiros necessários são elevados. Para economizar, investidores procuram países ou locais mais acessíveis.

Com o crescimento da demanda, o número de data centers no mundo tem aumentado. Algumas estimativas mostram que o consumo de energia elétrica mundial por data centers pode aumentar mais de duas vezes até 2026, atingindo 1.000 terawatts-hora (TWh), que equivalem ao consumo de eletricidade do Japão[1]. O Brasil é um dos países que podem se beneficiar com esse crescimento. Além de emprego, renda e qualificação da mão de obra, há o investimento financeiro: que é elevado, da ordem de bilhões de reais, o qual, além de fazer girar a economia, traria aumento da arrecadação de impostos.

Além disso, o Brasil poderia exportar o serviço para países vizinhos, dada sua localização estratégica. O país possui abundância de água, disponibilidade de energia elétrica, em grande parte renovável e não poluente, como hidrelétricas, eólicas e solares, e espaço físico para as instalações. Além disso possui uma infraestrutura de rede de transmissão interconectada e robusta.

No entanto, esse investimento possui riscos, que são não apenas os operacionais, relativos à segurança física e cibernética e aos insumos (estabilidade e qualidade do fornecimento), mas também o risco do surgimento de novas tecnologias mais eficientes, além da questão da vida útil dos equipamentos. Afora isso, complexidade regulatória, burocracia, demora na liberação e garantia do acesso à rede, mão de obra qualificada imediata e regulamentações fiscais também são obstáculos para investidores.

Os data centers são fundamentais para a era digital, suportando a crescente demanda por processamento e armazenamento de dados. O Brasil, com sua matriz energética renovável e infraestrutura robusta, oferece um cenário promissor para a instalação desses centros. No entanto, os desafios mencionados precisam ser abordados para melhorar a percepção de confiança e maximizar o potencial do país, permitindo que ele se consolide como um hub global de Data Centers.

[1] https://www.iea.org/reports/electricity-2024/executive-summary

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Pensar como um cientista será a habilidade profissional mais importante deste século

Ascensão da inteligência artificial vai alterar as necessidades do mercado de trabalho

Por Alexandre Chiavegatto Filho – Estadão – 26/06/2024 

Estamos entrando em uma era de rápidos avanços tecnológicos impulsionados pela ascensão da inteligência artificial (IA), impactando todas as áreas do mercado de trabalho. As tarefas repetitivas e monótonas serão cada vez mais deixadas para os algoritmos, permitindo que os seres humanos se concentrem em atividades mais complexas e desafiadoras.

A principal habilidade para um mundo em rápida transição tecnológica será a capacidade de questionar o status quo, formular hipóteses e testar os seus resultados. O funcionário-robô que apenas cumpre ordens e insere dados em planilhas será cada vez menos necessário em um mundo dominado pela inteligência exponencial e escalável.

Segundo Karl Popper, pensar como um cientista envolve a criação de teorias que sejam falsificáveis, ou seja, que possam ser testadas e refutadas. O filósofo austro-britânico defendia que o progresso científico ocorre por meio da tentativa e erro, com o objetivo de permitir a eliminação de hipóteses falsas.

Pensar como um cientista também requer uma rápida capacidade de adaptação, a rejeição dos dogmas estabelecidos e o desapego aos resultados individuais do passado. Como diria Popper, a ciência avança não ao confirmar nossas certezas, mas ao superar nossas falhas, abraçando a dúvida e a refutação do status quo como essenciais para o avanço do conhecimento.

No século da IA, o verdadeiro valor profissional estará na capacidade humana de inovar e adaptar-se. E análises recentes têm mostrado que o mercado de trabalho está cada vez mais interessado nesse tipo de profissional.

O relatório “Brasil: Mestres e Doutores 2024″, lançado este mês pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, encontrou que entre 2009 e 2021, o número de empregos formais para mestres aumentou 139%, enquanto para doutores o crescimento foi de 192%. Esses índices foram mais de 5 e 7 vezes superiores, respectivamente, ao crescimento total do emprego formal no Brasil no mesmo período.

A área profissional que mais tem crescido nos últimos anos é a ciência de dados, centrada no estabelecimento e teste de hipóteses. O trabalho do cientista de dados precisa ser rigoroso e reproduzível, com consequências práticas frequentemente mensuráveis de forma imediata.

A importância de pensar como um cientista transcende a ciência de dados, sendo aplicada em diversas áreas do conhecimento e da prática profissional. Em um mundo onde a mudança é a única certeza, a capacidade de formular perguntas críticas, testar soluções e ajustar-se rapidamente às novas descobertas será cada vez mais importante.

As empresas e instituições que incentivarem esse tipo de pensamento em seus funcionários estarão melhor posicionadas para inovar e prosperar nessa nova realidade. No século da IA, pensar como um cientista é a diferença entre ser um algoritmo e ser o programador.

Opinião por Alexandre Chiavegatto Filho

Professor Livre Docente de inteligência artificial na Faculdade de Saúde Pública da USP

Pensar como um cientista será a habilidade profissional mais importante deste século – Estadão (estadao.com.br)

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