Bebês geneticamente modificados são tendência tecnológica irrefreável

Eugenia liberal busca hackear formação psicopedagógica via manipulação genética para gerar indivíduos mais inteligentes

Álvaro Machado Dias – Folha – 26.jan.2025 

Neurocientista, professor livre-docente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e sócio do Instituto Locomotiva e da genética

A deportação em massa de estrangeiros pode trazer um problema extensamente discutido para a sociedade americana: carência de mão de obra barata. Washington diverge dos principais economistas do trabalho em relação a este ponto, pois aposta que o momento ChatGPT está prestes a acontecer na robótica e que estimular essa transição é mais vantajoso do que dar guarida a quadros pouco qualificados.

A orientação conecta-se ao fim das restrições à implantação indiscriminada da IA no país e ao efusivo apoio governamental ao projeto Stargate, que prevê US$ 500 bi de investimento em infraestrutura para a tecnologia neural.

Ela também se alinha à obsessão dos bilionários com a multiplicação de suas proles e as das outras famílias (sic) tipicamente americanas, forjando uma improvável aliança com os conservadores cristãos. A visão tecno-conservadora emergente é de um futuro em que máquinas fazem o trabalho braçal, enquanto americanos puro-sangue dominam a IA, erigida à infraestrutura global, assim revertendo o declínio da unipolaridade pela via oposta à da globalização —uma trama contraintuitiva, que vem passando ao largo de muitas análises.

O plano está todo calcado na capacidade intelectual diferenciada da nova geração americana, que é basicamente o mesmo que os chineses estão mirando, conforme escutei de diferentes lideranças tecnológicas dos dois países. Pois o que vem ganhando força nessa arena é a ideia de hackear a lenta e custosa formação psicopedagógica, por meio da manipulação genética de embriões para que se tornem indivíduos mais adaptáveis e inteligentes, o que vem sendo chamado de eugenia liberal.

Em 2018, He Jiankui editou o genoma dos gêmeos Lulu e Nada para lhes dar imunidade ao vírus da Aids. O procedimento envolveu uma modificação do gene CCR5 e rendeu um bafafá mundial, bem como muitas especulações sobre as consequências imprevistas da manobra. Das cinzas do escândalo, uma alternativa menos ruidosa despontou: o uso de escores poligênicos para a seleção de embriões na fertilização in vitro, com startups oferecendo o mapeamento do risco de doenças complexas, além de QI projetado, altura e outras características fenotípicas controversas sem a necessidade de modificar o DNA.

O procedimento usa algoritmos para correlacionar cadeias de genes a características complexas em grandes bases de dados e aplicar as conclusões na inferência do perfil genético dos diferentes embriões. As empresas alegam que a diferença chega a 6 pontos de QI, ao passo que os estudos apontam cerca de metade, além de decorrências que transcendem o traço em foco; e.g., aumento do risco de autismo e diminuição do de doenças psiquiátricas.

A despeito das incertezas e das evidentes ressalvas morais suscitadas, casais férteis estão optando pela reprodução assistida para utilizarem o procedimento, que vem recebendo apoio crescente da opinião pública. Pesquisa publicada na revista Science (2023) mostrou que 40% dos americanos utilizariam escores poligênicos para a seleção das características de seus filhos se pudessem.

Considerando que 80% eram contra em 2008 e que seu uso atual está alinhado à ideologia em ascensão, além de envolver uma nova via para o exercício do poder tecnológico, não há como negar que a tendência tem grandes chances de prosperar.

Bebês geneticamente modificados são tendência inevitável – 26/01/2025 – Álvaro Machado Dias – Folha

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Pequim é ágil para driblar tarifas

Entre 2003 e 2007, a China liderava em só 3 entre 64 tecnologias consideradas críticas. Entre 2019 e 2023, tornou-se líder em 57 dessas tecnologias

Por Tej Parikh – Valor – 21/01/2025 

Bem-vindo de volta. Donald Trump foi empossado como presidente dos Estados Unidos ontem. Que melhor momento do que este para agitar os ânimos com uma visão contrária aos planos de sua equipe para pressionar a China no comércio exterior, indústria e tecnologia?

De forma compreensível, muitos entendem que as tarifas e restrições adicionais sobre a China serão ruins para sua economia. Os esforços protecionistas de Trump, contudo, poderiam causar menos dano do que se imagina. Na verdade, a indústria chinesa pode ser capaz de prosperar apesar deles (ou mesmo por causa deles). Aqui estão os contra-argumentos.

Comecemos com o impacto econômico direto e imediato das tarifas. A China diversificou-se e passou a depender menos do mercado americano desde o primeiro mandato de Trump. Hoje, a demanda total dos EUA por produtos chineses representa cerca de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da China, de acordo com a firma de análises Capital Economics. Seus cálculos indicam que um aumento na tarifa efetiva de cerca de 15% para 60% (no cenário extremo) – como ameaçado por Trump – poderia fazer a economia chinesa encolher apenas 1%. Outros economistas têm conclusões semelhantes.

Esse impacto talvez seja menor do que muitos imaginavam e, além disso, não leva em conta outros fatores neutralizadores.

Dani Rodrik: O que as tarifas podem ou não fazer

A China pode desviar exportações para outros destinos onde a demanda está em alta. Na esteira das tarifas aplicadas no primeiro mandato de Trump, as exportações de Pequim para mer mercados emergentes de rápido crescimento decolaram. A demanda por produtos chineses no mundo desenvolvido, excluindo os EUA, também aumentou. Outros países – em particular, os da Iniciativa do Cinturão e da Rota, também conhecida como Nova Rota da Seda, com os quais a China passou décadas fortalecendo laços econômicos – desejarão manter o comércio de baixo custo com Pequim.

A China diversificou e depende menos do mercado americano desde o primeiro mandato de Trump. Hoje, a demanda dos EUA por produtos chineses é de cerca de 2,8% do PIB da China. Um aumento na tarifa para 60% faria a economia chinesa encolher apenas 1%

Além disso, os produtos chineses ainda podem chegar aos EUA via reexportação – envio por meio de um terceiro país – permitindo aos produtores driblarem as tarifas. Trump já sabe disso e tentará fiscalizar países como México e Vietnã. Isso, porém, não será fácil nem rápido. As empresas chinesas já vêm se protegendo contra esse risco ao montar fábricas em outros países.

O yuan provavelmente também se desvalorizará quando as tarifas forem anunciadas, mantendo as exportações chinesas competitivas. No primeiro mandato de Trump, a desvalorização do yuan compensou o impacto das tarifas.

Levando em conta todos os fatores, o impacto econômico direto pode ser bem inferior a 1%.

As pressões no custo de vida e a urgência das mudanças climáticas fazem com que a lógica econômica de importar produtos baratos da China (pelo menos fora dos EUA) continue forte.

Alan Beattie: As contradições do dólar sob Trump

A competitividade de preços da China vem de sua especialização na obtenção de suprimentos, refino e produção de bens alinhados aos setores globais de alto crescimento. Uma estratégia industrial de décadas guiada pelo Estado deu à China um domínio vertical nas cadeias de suprimentos para veículos elétricos, baterias e fontes de energia renováveis, desde as commodities de terras-raras até os produtos acabados.

O país fabrica mais de 30% da produção industrial mundial (superando a soma dos nove maiores produtores seguintes). A China possui vantagens comparativas em uma ampla gama de produtos: não apenas nos tradicionais brinquedos e roupas “Made in China”, mas também em produtos complexos de alta tecnologia.

Gillian Tett: Tarifas não são o único trunfo de Trump

De fato, os esforços para restringir o poderio industrial da China costumam subestimar seu grau de domínio e a capacidade de Pequim de usar o aparato estatal para respaldar seus produtores. O economista chinês Lisheng Wang, do Goldman Sachs, sinalizou que “as contínuas políticas de apoio à indústria de alta tecnologia” e “o afrouxamento fiscal” ajudariam a suavizar o impacto das tarifas.

Pequim poderia usar o crescente protecionismo dos EUA como uma oportunidade para melhorar relações comerciais com aliados frustrados dos EUA. Também poderia retaliar vetando o acesso a materiais brutos vitais. A China detém 36% das reservas mundiais de terras-raras, mas controla 70% da oferta mundial (daí a obsessão de Trump com a Groenlândia).

Por fim, embora o Ocidente tenha vantagens na inteligência artificial (IA), semicondutores e computação quântica, o protecionismo nessas áreas pode não atrapalhar o avanço tecnológico da China tanto quanto se imagina.

Com controle federal sobre seu setor privado, Pequim se vale de subsídios, diretrizes e incentivos para cumprir o objetivo de Xi Jinping de liderar o mundo em inovação científica e tecnológica. A estratégia industrial liderada pelo Estado tem suas falhas, mas a China é melhor do que qualquer outro país em executá-la bem.

Mario Mesquita: Perspectivas para o G2: China

Isso significa que os controles dos EUA sobre suas exportações podem motivar as empresas chinesas – apoiadas por Pequim – a redobrar os esforços de substituição de importações e de independência tecnológica por meio de soluções criativas, da colaboração local e até de mercados paralelos. As fabricantes chinesas enfrentam “competição ferrenha” entre si por apoio estatal.

“Em termos líquidos, as restrições americanas aceleraram o ímpeto chinês de inovação”, disse Dan Wanq, pesquisador no Pau Tsai China Center, da Yale Law School. “Antes, Huawei e BYD compravam os melhores componentes no mercado, mas agora seus incentivos estão alinhados aos do governo chinês. O dinheiro da Huawei agora vai para as firmas locais de semicondutores”.

Segundo o Australian Strategic Policy Institute, entre 2003 e 2007, a China liderava em só 3 entre 64 tecnologias consideradas críticas. Entre 2019 e 2023, o país tornou-se líder em 57 dessas tecnologias.

Pequim desenvolveu um processo local para impulsionar a inovação científica. O país tem o maior número de formados do mundo nas áreas conhecidas como STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e oferece capital de longo prazo para pesquisa e desenvolvimento (que, como proporção do PIB, está cada vez mais próximo ao dos EUA).

Simon Johnson: Consequências econômicas de Trump 2.0

Ainda assim, a situação pode não se desenrolar a favor da China. Por exemplo, a agenda protecionista de Trump poderia gerar uma incerteza internacional generalizada, o que deprimiria a demanda e amplificaria o impacto das tarifas sobre a economia chinesa. O resto do mundo também poderia adotar uma postura mais rigorosa em relação às importações provenientes da China. Além disso, o modelo de inovação guiado pelo Estado chinês não é uma nenhuma panaceia. Depende de o governo tomar as decisões corretas na alocação (e na retirada) de recursos. Isso pode gerar desperdícios.

A China também se depara com grandes problemas econômicos estruturais. Sua trajetória de crescimento perdeu força e o país encontra dificuldade para reanimar os “espíritos animais” e impulsionar o nível do consumo, depois da crise do mercado imobiliário. Isso torna o país dependente demais do crescimento alimentado pelos investimentos e pelas exportações.

Ainda assim, o argumento continua de pé. As tarifas de Trump podem não ser tão prejudiciais para a indústria e a supremacia tecnológica da China como se previa. Pequim tem problemas maiores com os quais se preocupar. (Tradução de Sabino Ahumada)

Tej Parikh é o principal redator de economia do Financial Times.

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A briga de Trump, CEOs e trabalhadores pelo retorno ao escritório: quem ganhará essa batalha?

Presidente americano ordenou que todos os funcionários federais voltassem ao trabalho presencial cinco dias por semana; JPMorgan, Amazon e AT&T também adotaram medida

Emma Burleigh – Estadão/Fortune 23/01/2025 

O maior empregador dos Estados Unidos acaba de ordenar que seus funcionários voltem ao escritório cinco dias por semana. No primeiro dia de Donald Trump no Salão Oval, ele assinou uma ordem executiva determinando que todos os funcionários federais retornassem aos seus cubículos. A medida afetará cerca de 3 milhões de pessoas empregadas pelo governo americano, muitas das quais operam em uma base híbrida ou totalmente remota há anos.

“Os chefes de todos os departamentos e agências do poder Executivo do governo devem, assim que possível, tomar todas as medidas necessárias para encerrar os acordos de trabalho remoto e exigir que os funcionários voltem a trabalhar pessoalmente em seus respectivos postos de trabalho em tempo integral, desde que os chefes de departamentos e agências façam as isenções que considerarem necessárias”, diz a ordem executiva.

O governo dos EUA é apenas uma das muitas organizações que tiram os funcionários de seus sofás e os mandam de volta para o escritório. Cerca de 90% das empresas disseram que planejavam implementar políticas de retorno ao escritório até o início de 2025, de acordo com um relatório de 2023 da Resume Builder.

Empregadores como Goldman Sachs, Amazon, AT&T, JPMorgan, Google, EY, Microsoft e Apple, entre outros, estão deixando de trabalhar em casa. E isso já está tomando forma entre os funcionários digitais: em 2024, cerca de 75% dos funcionários com trabalhos que poderiam ser feitos remotamente disseram que seus chefes haviam estabelecido mandatos presenciais, em comparação com 63% no início de 2023, de acordo com uma pesquisa recente do Pew Research Center.

Os CEOs alegam que trabalhar remotamente sufoca a criatividade e a inovação, diminui a produtividade e interrompe a conectividade. Esses mitos já foram desmascarados. Mas, apesar da consternação dos funcionários — cerca de 75% dos funcionários da Amazon consideraram pedir demissão em resposta à sua polêmica medida de cinco dias no escritório —, as exigências de retornar aos escritórios continuam em vigor.

As guerras do trabalho remoto têm sido travadas há quase quatro anos, desde que as restrições de distanciamento social e máscaras da era da pandemia foram suspensas. Mas será que a ordem executiva de Trump afasta o poder dos funcionários?

Os especialistas que conversaram com a Fortune admitiram que o mandato de Trump para os funcionários federais terá uma influência mais ampla nas políticas de trabalho remoto de outras organizações. Mas, de modo geral, a medida está apenas acompanhando a onda de políticas anti-home office.

Sean Puddle, diretor-gerente das operações da Robert Walters na América do Norte, disse à Fortune que a decisão de Trump sobre a política de retorno ao escritório poderia servir como um “sinal verde” para outras organizações que estão pensando em adotar mandatos presenciais. No entanto, ele não tem certeza de que essa decisão seja um ponto de inflexão; os grandes empregadores vêm implementando essas políticas há anos.

“Não sei se há necessariamente uma resposta do tipo bala de prata para isso. Acho que provavelmente será uma evolução, como qualquer outra coisa”, disse Puddle, explicando que as grandes empresas que questionam a viabilidade de trazer seus funcionários de volta ao escritório agora usarão o mandato de retorno ao escritório do governo dos EUA como pedra de toque e desculpa para implantar a política. “Elas provavelmente estão se apoiando no fato de que outras pessoas também estão fazendo isso agora.”

“Não acho que isso seja necessariamente um ponto de inflexão. Acho que está dando continuidade à tendência que temos visto por parte dos empregadores”, disse Kyle M.K., consultor de estratégia de talentos do Indeed, à Fortune.

E isso poderia ser um mecanismo de redução de custos, apontou M.K. Por exemplo, após anunciar seu próprio mandato de retorno ao escritório, o chefe do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), Elon Musk, abraçou a ideia de que os funcionários se demitiriam. Em um artigo de opinião do The Wall Street Journal, Musk e o ex-chefe do DOGE, Vivek Ramaswamy, escreveram sobre “uma onda de demissões voluntárias que nós acolhemos”: “Se os funcionários federais não quiserem comparecer, os contribuintes americanos não devem pagar a eles pelo privilégio da era da covid de ficar em casa”.

M.K. fez a conexão entre a sensibilidade do DOGE em relação à situação e a abordagem mais ampla do governo dos EUA com a política de trabalho em escritório. “É um grande problema, mas não é muito surpreendente”, disse ele. “Entendendo o que o governo Trump está tentando alcançar com a força de trabalho federal, com todo o Departamento de Eficiência Governamental, tentando reduzir sua força de trabalho.”

Quem está projetado para vencer a luta — trabalhadores ou empregadores?

Especialistas disseram à Fortune que os funcionários realmente têm poder na guerra do trabalho remoto — e a projeção é de que isso só aumente nos próximos anos. Na verdade, os empregadores podem dar as ordens, mas não têm controle sobre a reação dos funcionários.

“Acho que os trabalhadores sempre têm a maior influência e poder sobre o mercado de trabalho. Se alguém não quiser trabalhar em um escritório, então ele escolherá não trabalhar no escritório”, disse M.K.. “Isso pode levar algum tempo para que ela tenha de encontrar um novo emprego. Mas, em última análise, eles são responsáveis por seu próprio tempo e pela forma como decidem usá-lo.”

O consultor de estratégia de talentos do Indeed também apontou as mudanças demográficas que desempenham um papel importante nessas guerras do home office. A força de trabalho dos Estados Unidos está envelhecendo, e a geração Z e a geração do milênio estão preparadas para assumir grande parte da força de trabalho nos próximos anos.

Essas gerações valorizam mais os horários flexíveis do que as outras — afinal, metade da Geração Z disse que deixaria o emprego se fosse forçada a trabalhar mais de três dias por semana, de acordo com um relatório de 2024 da Personio. E, em um futuro com opções reduzidas de candidatos, eles terão mais poder para decidir para quem escolherão trabalhar. Nesse momento, os empregadores que não tiverem trabalho híbrido ou remoto podem estar sem sorte.

“Quem vencerá a guerra do trabalho em casa? Tudo se resume ao fato de que temos uma força de trabalho que está envelhecendo. Em menos de cinco anos, a geração Z e os millennials serão a maioria da força de trabalho, e essas duas gerações identificaram que a flexibilidade é muito importante para elas”, disse M.K. “Portanto, os empregadores que tiverem dificuldades para acompanhar (as demandas de horários flexíveis) também terão dificuldades para operar nesse mundo em que a maioria dos trabalhadores determina onde e como quer trabalhar.”

Puddle também testemunhou a oscilação de poder entre empregadores e trabalhadores ao longo dos anos, trabalhando em uma agência de soluções de talentos. Ele disse que os funcionários têm poder neste exato momento, mas que os chefes atualmente têm mais poder, em um mercado de trabalho apertado. Mas, com o tempo, os funcionários assumirão o controle do momento.

“Deixamos de ser muito orientados por candidatos logo após a covid. O mercado mudou há alguns anos, e os empregadores começaram a ter um pouco mais de influência em termos do processo de contratação, pois havia menos empregos do que pessoas”, disse Puddle. “Essa mudança voltará em algum momento e começará a ser orientada por candidatos novamente… O pêndulo está sempre se movendo.

A briga de Trump, CEOs e trabalhadores pelo retorno ao escritório: quem ganhará essa batalha? – Estadão

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Mercado Livre, Shopee e Amazon fecham 2024 como principais e-commerces do Brasil

E-commerceBrasil – 23 de janeiro de 2025

Em dezembro de 2024, o Mercado Livre consolidou sua liderança no e-commerce brasileiro. A marca fechou o ano com 366,7 milhões de acessos, representando 13% do market share. A Shopee ocupou a segunda posição com 244,2 milhões de acessos (8,7%), seguida pela Amazon Brasil, que registrou 209,2 milhões de visitas (7,4%). As informações são do Relatório Setores do E-commerce, da Conversion.

De acordo com o levantamento, a quarta colocada, OLX, foi destaque ultrapassando Temu e Samsung e chegando aos 105 milhões de acessos. Abaixo, veja o ranking completo dos principais e-commerces do Brasil:

  • 1. Mercado Livre – 366,7 milhões de acessos (13% de market share)
  • 2. Shopee – 244,2 milhões de acessos (8,7%)
  • 3. Amazon Brasil – 209,2 milhões de acessos (7,4%)
  • 4. OLX – 105 milhões de acessos
  • 5. Temu – 103,1 milhões de acessos
  • 6. Samsung – 92,6 milhões de acessos
  • 7. Magalu – 90,9 milhões de acessos
  • 8. Shein – 79,5 milhões de acessos
  • 9. iFood – 76,7 milhões de acessos
  • 10. AliExpress – 67,4 milhões de acessos

Os dados refletem a audiência total do e-commerce brasileiro em sites e aplicativos Android no Brasil. O relatório revela ainda que 77% dos acessos ao e-commerce em dezembro foram realizados via dispositivos móveis, mostrando a força do mobile entre os consumidores.

Setores

O e-commerce brasileiro contou com destaque para os setores de calçados e presentes & flores em dezembro do ano passado. Segundo a Conversion o primeiro cresceu 5,7%, tornando-se o melhor mês do ano para essa categoria. Também em alta, a segunda categoria citada cresceu 6,2% em dezembro e 11% em comparação com o ano anterior. A pódio fecha com o turismo crescendo pelo quinto mês consecutivo, chegando a 4,2% de alta.

Apesar do crescimento em alguns, outros segmentos enfrentaram dificuldades. O setor de casa & móveis foi o mais afetado, com uma queda de 19,6%. Em seguida, o relatório mostra Eletrônicos & Eletrodomésticos e Esportes com retrações de 16% e 15%, respectivamente.

Mercado Livre, Shopee e Amazon fecham 2024 como principais e-commerces do Brasil – E-Commerce Brasil

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China acelera exploração do espaço até 3.000 metros de altura

De fábrica de carros voadores à concessão da própria zona aérea, plano é dar salto na chamada ‘economia de baixa altitude’

Nelson de Sá – Folha – 18.jan.2025 

Pequim

Em Xinjiang, nas plantações de algodão, parte do serviço agora é feito por drones da XAG, de Guangzhou. É um dos argumentos contra a acusação americana de que a região abriga “trabalho forçado”. Com drones, a produção de 200 hectares pode ser tocada por duas pessoas. Já alcançando 63 países, o maior mercado externo da XAG é o Brasil, com vendas anuais de milhares de aparelhos, segundo a empresa.

São casos de rápido êxito comercial como esse que sustentam o próximo passo da China, resumido na expressão “economia de baixa altitude”. Drones urbanos de entrega, táxis aéreos autônomos e mesmo dirigíveis estão sendo desenvolvidos e testados para ocupar rotas até mil metros de altura ou no máximo 3.000 metros —que remetem à célebre animação “Os Jetsons”, dos anos 1960.

A administração de aviação civil projeta que a economia de baixa altitude alcance uma receita anual de 2 trilhões de yuans (R$ 1,7 trilhão) até 2030. E a Aliança da Economia de Baixa Altitude da China, que já reúne mais de cem empresas, projeta que o país chegue até 2030 a um total de 100 mil eVTOLs (sigla de veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, em inglês), servindo como táxi aéreo ou carro de família.

Os dispositivos, embora chamem a atenção e garantam publicidade, são o de menos, segundo analistas. “Pequim se destaca na implantação de infraestrutura”, diz Mary Hui, da newsletter a/symmetric, sobre competição industrial, e agora da Bloomberg.

Os investimentos na construção dessa base para a economia de baixa altitude, acrescenta a pesquisadora de Hong Kong, se alinham às duas metas estratégicas de nível nacional: garantir níveis aceitáveis de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e dar à China pioneirismo numa indústria do futuro.

Hui compara com o que aconteceu nas ferrovias de alta velocidade, em que o sucesso chinês em apenas três décadas não veio necessariamente da tecnologia do equipamento, mas da engenharia civil que permitiu sua implantação em tal proporção e velocidade.

Para Kyle Chan, pesquisador sobre política industrial chinesa na Universidade Princeton, nos EUA, uma outra vantagem da China é que o novo setor se baseia em áreas nas quais já avançou, não só drones, mas 5G, inteligência artificial, baterias e LiDAR (usada para detecção em direção autônoma).

“A tecnologia por trás da economia de baixa altitude se sobrepõe à indústria de veículos elétricos da China e ao seu avanço em veículos autônomos”, diz ele, sublinhando que a montadora de carros elétricos XPeng tem até um braço para eVTOL.

A XPeng iniciou há dois meses as obras do que chamou de primeira fábrica de produção em massa de eVTOL, em Guangzhou. Antes dela, a EHang, também de Guangzhou, havia recebido a primeira licença oficial para fabricação. Seus protótipos vêm sendo usados para demonstrações publicitárias de voo vertical autônomo, inclusive em áreas do agro, no interior do Brasil.

A programação oficial chinesa é começar os testes propriamente comerciais dos eVTOL em 2025, em áreas que estão sendo preparadas, com a construção de infraestrutura. Xangai prevê atingir 400 rotas de baixa altitude em atividade até 2027.

Drones de entrega, já bem mais desenvolvidos, vêm sendo usados em cidades como Shenzhen. Até a capital, Pequim, usualmente mais conservadora na adoção de tecnologias, acaba de permitir um serviço de entrega de refrigerante, café e comida na seção Badaling da Grande Muralha, a área mais próxima da capital e foco de turistas.

Além da construção das bases para lançamento e recarga, sobretudo dos eVTOL, Kyle Chan aponta outro desafio aos planos chineses: como desenvolver um sistema nacional de gerenciamento de operações de veículos aéreos não tripulados.

“A China quer integrá-lo ao seu sistema de gerenciamento de tráfego aéreo, com obstáculos regulatórios e logísticos que exigirão grande coordenação entre autoridades nacionais e locais”, detalha.

Na virada do ano, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a principal instituição de planejamento na China, anunciou a criação de um órgão para “formulação e implementação das estratégicas de desenvolvimento da economia de baixa altitude”. O propósito é coordenar o setor.

Uma surpresa aconteceu há cerca de dois meses, quando o condado de Pingyin, parte de cidade de Jinan, anunciou a concessão de seu espaço aéreo. A vencedora foi a Shandong Jinyu, que ofereceu 924 milhões de yuans (R$ 780 milhões) para explorar por 30 anos os serviços de economia de baixa altitude, respondendo por operação e manutenção da grade e até pelo treinamento de pilotos.

Foi divulgado como um teste, na cobertura por mídia estatal e privada, e busca seguir o modelo de financiamento dos governos locais chineses nas últimas décadas —quando concediam terrenos para a expansão urbana e industrial.

A lenta crise imobiliária dos últimos cinco anos na China, em parte forçada por Pequim para evitar risco de bolha, atingiu essa fonte de recursos e agravou o quadro das dívidas locais, que estão entre os principais entraves à economia do país, no momento.

China acelera exploração do espaço até 3.000 metros – 18/01/2025 – Mercado – Folha

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Donald Trump vai anunciar investimento de até US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA

Gigantes da tecnologia OpenAI, SoftBank e Oracle apoiarão a joint venture Stargate

George Hammond/Myles McCormick – Folha/Financial Times – 21.jan.2025 

Donald Trump está prestes a anunciar bilhões de dólares em investimento privado em uma nova empreitada de infraestrutura de inteligência artificial, apoiada pela OpenAI, SoftBank e Oracle.

Batizada de Stargate, a joint venture está prestes a receber uma injeção inicial de US$ 100 bilhões dos gigantes da tecnologia, podendo chegar a até US$ 500 bilhões nos próximos quatro anos, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto.

A Microsoft também está envolvida no projeto como um parceiro de tecnologia, disse um dos interlocutores nesta terça-feira (21).

O programa Stargate deve ser anunciado pelo presidente na Casa Branca na tarde desta terça-feira, com a presença do chefe da SoftBank, Masayoshi Son, do chefe da OpenAI, Sam Altman, e do cofundador da Oracle, Larry Ellison.

Os planos, que foram noticiados pela CBS News, surgem enquanto executivos de tecnologia buscam conquistar Trump, que iniciou um segundo mandato na Casa Branca na segunda-feira (20), cercado por muitos dos maiores nomes do setor.

Stargate visa aumentar a capacidade de treinar e executar novos modelos de IA. Inicialmente, construirá um projeto de centro de dados no Texas antes de se expandir para outros estados, disseram as pessoas informadas sobre os planos.

A OpenAI se recusou a comentar, enquanto a Microsoft, Oracle e SoftBank não responderam aos pedidos de comentário. Outros investidores e parceiros tecnológicos também devem se juntar ao projeto.

  • O rápido desenvolvimento de sistemas de IA nos últimos dois anos tem pressionado a infraestrutura americana, com os centros de dados surgindo como um gargalo particular.

Modelos de ponta como o ChatGPT da OpenAI, o Gemini do Google e os chatbots Claude da Anthropic exigem enormes quantidades de dados e poder computacional para serem treinados e operados.

Isso estimulou discussões entre executivos de IA, seus parceiros comerciais e o governo sobre a atualização da infraestrutura nacional.

No início deste mês, Hussain Sajwani, presidente da desenvolvedora imobiliária Damac, com sede em Dubai, anunciou planos de investir pelo menos US$ 20 bilhões em centros de dados nos EUA, em uma reunião com Trump em seu resort Mar-a-Lago na Flórida.

Figuras de destaque no setor de IA, incluindo Altman da OpenAI, argumentaram que uma melhor infraestrutura é essencial para desenvolver a próxima etapa dos modelos de IA e competir com a China pela dominância da tecnologia.

Altman disse no início deste mês que o governo Trump poderia impulsionar as empresas de IA domésticas com “infraestrutura construída nos EUA e muita dela”.

“A coisa com a qual realmente concordo profundamente com o presidente é que é incrível como se tornou difícil construir coisas nos Estados Unidos. Usinas de energia, centros de dados, qualquer coisa desse tipo”, disse ele em uma entrevista à Bloomberg.

Em seu discurso de posse na segunda-feira, Trump prometeu que os EUA estavam à beira de uma “nova era emocionante de sucesso nacional”, embora não tenha feito menção específica à tecnologia de IA.

No mês passado, Trump chamou uma promessa separada da SoftBank de investir US$ 100 bilhões nos EUA de “uma demonstração monumental de confiança no futuro da América”. Não estava claro se o investimento Stargate faria parte da promessa anterior da SoftBank.

Trump vai anunciar investimento de até US$ 500 bi em IA – 21/01/2025 – Tec – Folha

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Pessoas buscam inteligência artificial para ‘conversar’ e aliviar sofrimento psíquico

Tecnologia pode ajudar, mas especialistas apontam riscos e afirmam que ferramenta não substitui um terapeuta

Giulia Peruzzo – Folha – 18.jan.2025

São Paulo

Três anos após a chegada do ChatGPT ao país, os brasileiros recorrem a soluções de inteligência artificial (IA) para diversos fins, seja na escola, na universidade, no trabalho ou na vida pessoal, inclusive para lidar com questões muito humanas, como o sofrimento psíquico.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que cerca de 300 milhões de pessoas no mundo sofram com depressão. Somado a isso há o uso excessivo de mídias digitais, fenômeno que reflete a sociedade em que vivemos. “Estamos fragmentados, isolados, não encontramos nas pessoas relações que nos satisfazem. A nossa sociedade não dá conforto para ninguém e vivemos em tensão permanente”, avalia Glauco Arbix, sociólogo e professor titular do Departamento de Sociologia da USP.

É nesse cenário que os brasileiros estão recorrendo à tecnologia, mais precisamente à IA, para suprir suas necessidades psicológicas.

Além do ChatGPT, usado por muita gente que deseja desabafar, ferramentas específicas já foram criadas para dar suporte emocional. Em agosto de 2024, a empresa de telemedicina Vibe Saúde lançou a Vivi, “assistente de IA em saúde mental” que hoje conta com 16 mil usuários.

A imagem mostra uma pessoa sentada, cobrindo o rosto com as mãos, expressando tristeza. Ao lado, um robô com um design futurista está estendendo uma mão em direção à pessoa, segurando uma caixa de lenços. O fundo é de uma cor amarela suave, e a pessoa está vestindo uma camiseta preta e calças claras.

IA é usada para terapia e suporte emocional – Catarina Pignato

A IA avalia as mensagens enviadas pelo usuário e sugere um ciclo de cuidado de seis semanas que segue as técnicas da terapia cognitivo-comportamental. De acordo com Felipe Cunha, presidente e cofundador da empresa, os protocolos foram criados por profissionais de saúde, e há ainda uma plataforma de segurança clínica que funciona como uma auditora em tempo real e “pode bloquear uma mensagem que tenha uma conduta clínica não aceitável por parte da inteligência artificial”.

Após oferecer o ciclo terapêutico de seis semanas, a Vivi indica possíveis soluções para as questões levantadas e diz que o contato pode ser retomado a qualquer momento. Se o usuário não precisar da assistência ao longo dos dias, na semana seguinte a própria IA envia uma mensagem no dia e horário previamente combinados. A partir de fevereiro o serviço será cobrado —R$ 2,50 por um pacote de 30 mensagens enviadas pelo usuário, em texto ou áudio.

“Ela [Vivi] não é uma profissional, não substitui o psicólogo e não passa nenhum tipo de diagnóstico ou medicamentos. É uma assistente de suporte emocional para suplementar o trabalho dos profissionais de saúde”, ressalta Cunha.

Alicie Camargo, publicitária de 27 anos, conta que usa o ChatGPT em momentos de ansiedade. Ela avalia que a interação é em geral positiva —por exemplo quando a ferramenta a ajuda a acertar o tom de uma mensagem que deseja enviar a alguém e não sabe como, quando indica exercícios de respiração em momentos de crise e quando aponta algo que ela não enxergaria sozinha em uma situação.

“Mas eu entendo as limitações”, diz ela, citando sugestões oferecidas pela IA que não condizem com a sua personalidade. “Se o problema for cobrar alguém, óbvio que ele [ChatGPT] vai dar a solução de cobrar a atitude, mas emocionalmente eu não estaria pronta para isso. Então o conselho não me serviu de nada.”

A publicitária sabe que a tecnologia não substitui o trabalho de um profissional da psicologia. “Inclusive estou procurando um.”

Um ambiente digital disponível 24 horas por dia pode oferecer alívio em momentos de solidão, mas pesquisadores alertam para o fato de que essas tecnologias são novas e seus efeitos ainda não são conhecidos.

“Se as pessoas podem acessar algo que as fará se sentir menos solitárias porque escutam o que elas têm a dizer, é algo positivo. Mas, a longo prazo, não sabemos ainda se é algo realmente bom”, afirma Christopher Wagstaff, professor sênior na Universidade de Birmingham e autor do artigo “Inteligência Artificial e as relações terapêuticas na saúde mental”.

“Eu gostaria de acreditar que isso nunca irá substituir a interação humana”, acresenta Wagstaff, citando “programas que têm rostos que fingem ouvir, se importar e fazer contato visual de forma empática”.

L., jornalista e redatora publicitária de 21 anos que não quis se identificar, conta que conseguiu contornar o problema das respostas genéricas da tecnologia de forma prática. Acostumada a usar tanto o ChatGPT quanto o Google AI Studio na faculdade e no trabalho, ela diz que desenvolveu técnicas para aprimorar os comandos e, consequentemente, as respostas do robô.

A jovem começou a usar o chatbot para suporte emocional durante um período de luto, após a psicóloga com quem se consultava havia cinco anos morrer. Ela diz ser consciente dos riscos que a IA pode trazer, mas conta que na época foi o único recurso que se via capaz de utilizar, já que não conseguia procurar outro terapeuta. Depois de quatro meses usando a ferramenta, L. diz que se sentiu bem o suficiente para procurar tratamento psicológico e psiquiátrico, retomado há três meses.

Presidente do Conselho Federal de Psicologia, Pedro Paulo Bicalho afirma que a inteligência artificial é bem-vinda como complemento, mas jamais irá substituir um psicólogo no exercício das suas funções clínicas. “É uma ferramenta que tem o limite da palavra manifesta. E nem tudo o ser humano manifesta por palavras, porque nem tudo o que o ser humano sofre é traduzível em palavras”, diz.

A psicóloga Vera Melo conta que usa uma ferramenta de IA como complemento à anamnese, para ajudá-la a enxergar algo que não tenha percebido. Mas também mostra preocupação com a substituição de um profissional qualificado por uma tecnologia. “É uma relação ilusória. Porque a máquina está falando aquilo que você quer ouvir.” Para ela, a presença de uma pessoa de verdade do outro lado e do vínculo que essa interação cria é fundamental para o desenvolvimento da identidade de um sujeito.

Para o sociólogo Glauco Arbix, o uso desenfreado dessas ferramentas pode ter impacto duradouro. “A gente perde pedaços, dimensões, aspectos da nossa humanidade quando a gente se dobra a esse tipo de relacionamento [artificial]. A gente perde a multiplicidade, as contradições, as tensões de quem ama.”

Inteligência artificial é usada como terapia – 18/01/2025 – Equilíbrio – Folha

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Ideia de que a gente usa apenas 10% do cérebro é uma lenda, diz neurocientista na CasaFolha

Na plataforma de streaming, Suzana Herculano-Houzel ensina a explorar melhor o potencial da mente humana

Uirá Machado – Folha – 18.jan.2025 

Suzana Herculano-Houzel estudava genética nos Estados Unidos quando um amigo comentou sobre as perguntas que ele próprio se fazia na neurociência. Formada em biologia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ela se encantou com o novo universo e mergulhou de cabeça.

Logo se deparou com uma questão que, à época, não tinha uma boa resposta: se os humanos não têm o maior cérebro de todos, por que somos mais inteligentes que as demais espécies? Seríamos uma exceção às regras da biologia? Ou, na verdade, não conhecíamos as regras sobre formação dos cérebros?

“Foi isso que me levou a estudar de quantos neurônios os cérebros diferentes são feitos. Começando, aliás, pela lenda de que a gente só usa 10% do cérebro”, diz na CasaFolha, a plataforma de streaming da Folha com cursos exclusivos para assinantes.

Foto de Suzana Herculano-Houzel sentada. ela é um mulher branca com cabelo grisalho levemente ondulado. Usa óculos e veste blusa ferrugem. Está séria e com as mãos cruzadas sobre as pernas

Suzana Herculano-Houzel participa de gravação da CasaFolha, no estúdio da TV Folha – Dirceu Neto/Folhapress

“A gente usa 100% do cérebro o tempo todo”, diz em seu curso chamado “O potencial do cérebro”, no qual fala sobre descobertas de suas pesquisas na neurociência e explora, de forma prática e didática, temas como ansiedade, depressão, bem-estar, felicidade e aprendizagem.

Uma das questões que ela discute é se a gente pode se tornar mais inteligente. “E já vou adiantando que a gente pode, sim”, afirma.

Lançada em setembro, a CasaFolha já reúne 16 cursos de grandes personalidades, como o cineasta José Padilha, que fala sobre a arte de contar histórias, e o ex-ministro Pedro Malan, que explica como analisa a economia.

A plataforma inclui novos conteúdos todos os meses. Neste mês, por exemplo, já teve a estreia do também neurocientista Álvaro Machado Dias, com aulas sobre “Inteligência artificial e o futuro da humanidade”. No dia 30, será a vez do curso “Ironman e a superação dos limites”, com a triatleta Fernanda Keller.

Curso “O potencial do cérebro”, de Suzana Herculano-Houzel

São 10 aulas na CasaFolha

  • Aula 1 – Introdução
  • Aula 2 – Notável, mas não especial
  • Aula 3 – A vantagem humana
  • Aula 4 – O poder do cérebro
  • Aula 5 – Neurociência do aprendizado
  • Aula 6 – Mens sana in corpore sano
  • Aula 7 – O lugar da emoção
  • Aula 8 – Decisões melhores
  • Aula 9 – Estresse e ansiedade
  • Aula 10 – Atitudes positivas e felicidade

Na CasaFolha, Suzana explica o método inovador que desenvolveu para contar neurônios e como descobriu que os humanos têm 86 bilhões dessas unidades fundamentais de funcionamento do cérebro, e não os 100 bilhões que se supunha antes.

Sua pesquisa mostrou também que o mais relevante não é o número total, e sim a quantidade de neurônios presentes no córtex –área do cérebro capaz de guardar memórias, fazer associações novas e criar simulações sobre o que pode acontecer a partir de determinado comportamento.

“Essa capacidade de fazer simulações internas de futuros possíveis é, para mim, a essência da inteligência”, afirma a neurocientista, que é colunista da Folha.

“O córtex cerebral dá para a gente a capacidade de ter flexibilidade comportamental. A capacidade de agir não da maneira que os estímulos sensoriais ditam, e sim da maneira que casa com as projeções para o futuro […]. Quer dizer, inteligência é a flexibilidade de agir em prol daqueles estados futuros que a gente deseja, que a gente acha importantes.”

Isso, porém, é uma capacidade, não uma habilidade —esta precisa ser adquirida pela aprendizagem. Assim como temos a capacidade de usar a linguagem, mas nem por isso somos dispensados de aprendê-la.

Ocorre que, como o cérebro opera no limite de sua capacidade, ele precisa gerenciar o consumo de energia, em uma lógica de cobertor curto: para aprender alguma habilidade, é preciso deslocar mais energia para uma certa área do cérebro e menos para outra.

Dessa constatação decorrem algumas dicas que Suzana ensina na CasaFolha. A primeira é prestar atenção naquilo que se está tentando aprender. “Quando você presta atenção em alguma coisa, isso quer dizer que você desvia mais recursos para aquilo e menos para todo o resto que o cérebro continua fazendo.”

Outra dica é ter alguma forma de retorno positivo para validar a aprendizagem. Na mesma linha, é importante ajustar o nível de dificuldade do que se está tentando aprender. Muito difícil fica frustrante, mas muito fácil não é estimulante —em ambos os casos, o cérebro acha que o retorno não vale a pena.

“O ponto mágico de motivação é aquele ponto dos 50%, onde o seu esforço tem exatamente tanto de chance de dar certo quanto de não conseguir fazer o que você queria.”

Conheça outros cursos da CasaFolha

Em suas aulas na CasaFolha, a neurocientista diz que esses truques podem ser usados tanto para aprender coisas específicas como para aprender a se manter flexível e aprender a aprender.

“A melhor coisa que a gente pode fazer em prol do próprio aprendizado é aprender a se dar mais oportunidades de aprendizado”, afirma.

Como assinar a CasaFolha

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CasaFolha: uso de só 10% do cérebro é lenda, diz cientista – 18/01/2025 – Poder – Folha

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Opinião| Vendendo o Almoço para Comprar o Jantar: Como a Falta de Tempo Sabota a Inovação

Por Eliza Albuquerque – Estadão – 18/01/2025 

Pós-graduanda do Doutorado Profissional em Administração da FGV EAESP – Pós-graduandos – FGV – EAESP

Garantir resultados no presente enquanto se constroi o futuro é essencial para líderes que buscam criar empresas sustentáveis em um mundo em constante transformação. Esse equilíbrio é conhecido como ambidestria organizacional. Embora o conceito de ambidestria seja estudado há mais de trinta anos, sua aplicação prática ainda é escassa. Muitas vezes, líderes e executivos adotam a estratégia de “vender o almoço para comprar o jantar” como um meio de sobrevivência diante das pressões cotidianas e dos incentivos de curto prazo.

É comum ouvir executivos reclamarem sobre a falta de tempo para pensar, tornando ainda mais difícil a inovação. Isso revela a frustração com a abordagem de curto prazo, além de uma compreensão intuitiva de que ideias verdadeiramente inovadoras não surgem em jornadas de trabalho intermináveis, repletas de reuniões e e-mails. De fato, a ciência confirma essa intuição.

O comportamento ambidestro no nosso cérebro envolve, principalmente, duas redes neurais antagônicas, que não são ativadas simultaneamente, embora possam ser alternadas: a Rede Ativada por Tarefas (TPN – Task Positive Network) e a Rede de Modo Padrão (DMN – Default Mode Network). Uma rede neural pode ser explicada como um sistema integrado de regiões interconectadas do cérebro, que trabalha em conjunto para apoiar funções cognitivas e emocionais específicas. A TPN é importante para a resolução de problemas, foco e tomada de decisões. Enquanto a DMN desempenha papel central na autoconsciência emocional, na cognição social e na tomada de decisões éticas, está fortemente relacionada à nossa criatividade, fundamental para inovar e criar valor em longo prazo. 

Em termos cerebrais, a ativação constante da TPN, voltada para tarefas imediatas e problemas diários, suprime a atividade da DMN, dificultando a geração de novas ideias.

Embora a TPN possa ser operacionalmente eficiente, gerando bons resultados cognitivos e comportamentais na rotina do executivo, é um estado regido por regras, que pode não ser o melhor para refletir sobre problemas cuja solução não esteja disponível.Assim, é mais difícil desenvolver uma ideia inovadora enquanto se está imerso na resolução de problemas cotidianos. 

Muitas vezes, insights valiosos surgem quando a mente está em repouso ou distraída, como durante um banho, a preparação de uma refeição ou no trânsito. Isso ocorre porque a criatividade floresce quando o cérebro tem a oportunidade de ativar a DMN, encontrando tempo para divagar entre diversos pensamentos, aumentando a possibilidade de conexões inesperadas.Quando a DMN está no comando do nosso cérebro, estamos desprendidos do ambiente externo e focados no ambiente interno, o que promove conexões de longo alcance, permitindo ao cérebro a expansão do repertório cognitivo, unindo diferentes conceitos, imagens, experiências e produzindo novas ideais.

É fato que a qualidade das ideias está fortemente ligada ao repertório existente. No entanto, um repertório rico que não encontra as condições para ser expresso não permite ideias excepcionais. No contexto organizacional, frequentemente observamos que inovações verdadeiras são raras e as ideias são meramente copiadas. Esse padrão sugere que, mesmo com um bom repertório, muitas empresas acabam se contentando com soluções medianas em vez de buscar inovações disruptivas.

Para que uma empresa possa equilibrar resultados atuais e exploração de inovações radicais, é necessário adotar estruturas flexíveis, promover uma cultura de aprendizado contínuo e experimentação, além de estabelecer mecanismos de integração, que permitam tanto a execução de atividades exploratórias quanto a manutenção das operações diárias. 

O sucesso da ambidestria depende da capacidade da empresa de gerenciar recursos, processos e estruturas de modo a sustentar o desempenho a curto prazo e, ao mesmo tempo, garantir a adaptação para o futuro. É crucial garantir que os líderes tenham “espaço mental” suficiente para gerar e refletir sobre novas ideias, ao mesmo tempo em que identificam e superam barreiras à ambidestria organizacional.

Assim, a pressão por resultados imediatos e o ritmo acelerado das agendas executivas levantam uma questão fundamental: até que ponto essa pressão está comprometendo o potencial inovador das empresas? A resposta parece estar em uma gestão mais consciente do tempo e das prioridades. Liderar com ambidestria não significa realizar múltiplas tarefas simultaneamente, mas saber quando focar em diferentes aspectos da gestão. Esse equilíbrio é vital para liberar a criatividade necessária à inovação, enquanto se mantém a eficiência operacional.

Os líderes devem refletir sobre como estão gerenciando seu tempo e o da equipe. Estão criando as condições adequadas para que a inovação possa ocorrer de verdade, ou estão apenas lidando com as demandas urgentes do presente? A capacidade de cultivar uma mentalidade que valorize tanto a eficiência quanto a inovação será determinante para o sucesso das empresas na era moderna. A verdadeira liderança ambidestra exige não apenas a habilidade de resolver problemas imediatos, mas também o espaço e o tempo para fomentar a criatividade e a visão de futuro.

Vendendo o Almoço para Comprar o Jantar: Como a Falta de Tempo Sabota a Inovação – Estadão

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Holograma na loja, tapume luxuoso, fábrica na vitrine: as tendências do varejo em Nova York

Megafeira NRF 2025 destacou o uso da inteligência artificial para melhorar o atendimento ao cliente e alavancar vendas

Daniele Madureira – Folha – 17/12/2025

O uso da inteligência artificial nos pontos de venda dominou as discussões na NRF 2025, a megafeira do varejo realizada todos os anos em janeiro em Nova York, que atrai empresários do mundo todo em busca das principais tendências do setor.

A ideia é empregar a tecnologia não só para entender melhor o comportamento e os gostos do consumidor, entregando opções alinhadas ao seu perfil, mas também para melhorar o atendimento em loja, com uma gestão de estoques otimizada, que impeça a falta de produto (chamada de “ruptura”) no ponto de venda.

A Folha ouviu consultores que integraram a delegação brasileira presente ao evento, que contou com cerca de 3.000 pessoas, a segunda maior, só atrás da delegação americana. Na lista de participantes, nomes de peso do varejo brasileiro, como Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, Paulo Correa, principal executivo da C&A, e Fabio Faccio, presidente da Renner.

Cinco grandes tendências foram apontadas no evento deste ano, realizado entre os dias 11 e 14. São elas:

IA PARA RESPEITAR DIFERENÇAS E ALAVANCAR VENDAS

“O uso da inteligência artificial é o que vai revolucionar o varejo”, diz Daniel Sakamoto, gerente executivo da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas). “É uma forma de melhorar a eficiência operacional e agilizar processos de compra, personalizando o atendimento.” Neste quesito, diz, é possível identificar, por exemplo, o gosto, a frequência de compra e o tíquete médio gasto pelo cliente.

Outra questão em que a IA pode ajudar a resolver está no conflito de convivência entre as diferentes gerações de consumidores. “Por causa da longevidade, hoje temos seis gerações convivendo ao mesmo”, diz Sakamoto. Uma empresa pode atender a todas ou quase todas as faixas etárias ao mesmo tempo, daí a importância de usar a inteligência de dados para oferecer um mix de produtos que atenda preferências distintas.

A Amazon americana deu um passo além no uso de IA, segundo o consultor Alberto Serrentino, da Varese Retail. “Quando você se loga no aplicativo, a busca evoluiu de tal modo que você pode fazer perguntas para descobrir o produto que resolve o seu problema. Isso é muito mais do que buscar uma categoria.”

PROPAGANDA NO PONTO DE VENDA

Nos supermercados, pontas de gôndolas que exibem anúncios com displays de grandes marcas são algo comum. Mas as ideias apresentadas na NRF 2025 vão além: usar hologramas nos pontos de venda, por exemplo. Ou levar luzes de led piscante para a frente dos freezers de bebidas.

“Já ficou comprovado que o índice de conversão de compras é maior no ponto de venda quando o consumidor se depara com uma propaganda do fornecedor”, diz Sakamoto. “A isso agora é agregado tecnologia. Existem cases até de assistentes virtuais de compras, em hologramas, que ajudam a tirar dúvidas do consumidor.”

A iniciativa também é uma maneira de o varejista aumentar seus ganhos, uma vez que a exposição de produtos em pontos de destaque dentro da loja são negociados.

LOJA FÍSICA COM PROPOSTA DE DESCOBERTA

Em um mundo em que o comércio eletrônico cresce, a loja física sobrevive não só servindo como ponto de apoio para as compras online (parte dos produtos vendidos na internet fica estocada nos pontos de venda). Vale fazer com que o cliente use a loja para descobrir curiosidades da marca e ter novas experiências.

“A loja é direcionada para a oferta de experiência e conexão com a marca, promovendo uma sensação positiva no consumidor”, diz Sakamoto.

Eugênio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, concorda. “O tempo do cliente na loja física é muito maior do que na loja virtual. Então a loja precisa justificar a ida do cliente até lá.”

Um exemplo é a rede de donuts Krispy Kreme, na Times Square, em Nova York, que vai além do habitual convite “visite nossa cozinha”. “O trajeto dentro da loja expõe o processo de fabricação, como grandes vitrines abertas ao público, que também sente o cheiro dos produtos no forno”, diz Sakamoto.

Também em Nova York, a loja dos chocolates M&M’s, da Mars, permite que o cliente personalize as pastilhas com a imagem que ele quiser —até mesmo a sua foto. Na cidade, um dos pontos de venda da Starbucks leva o consumidor a uma viagem ao mundo do café, com decoração, displays digitais e embalagens que contam a história do grão, as curiosidades do cultivo em diferentes partes do mundo, o processo de produção.

Na luxuosa 5ª Avenida, a loja da grife francesa Louis Vuitton está sendo reformada. A marca criou uma loja temporária do outro lado da rua. Para chamar a atenção do novo endereço, a Louis Vuitton usou, no lugar dos tradicionais tapumes, gigantescas réplicas de malas de viagem da marca. “A loja temporária não tem nada de especial. Mas os tapumes te deixam com vontade de visitar o espaço”, diz Sakamoto.

AUTENTICIDADE

Em um mundo polarizado, tomado por fake news, os consumidores querem que as empresas entreguem autenticidade. “É importante que as companhias e marcas tenham algo próprio para dizer, se posicionem de forma firme e verdadeira, algo que expresse seus valores e esteja presente nos seus patrocínios, por exemplo”, diz Sakamoto.

Essa é uma maneira de criar vínculos com consumidores, para muito além do preço e do atendimento. “É uma forma de eternizar a marca, garantir que aquele consumidor vai buscá-la em qualquer lugar”.

Nesse sentido, nada mais autêntico do que fazer o básico bem feito, segundo o consultor Eugênio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial. “Por mais tecnologia que você empregue, os fundamentos permanecem como essenciais: ter o produto em loja, facilitar a jornada do cliente, oferecer um bom atendimento e um preço justo”, diz.

Um exemplo são os caixas, diz. “O consumidor, não necessariamente, quer o auto-checkout, algo superautomatizado. Ele só quer um caixa que seja mais rápido —tenha ou não alguém da loja operando.”

LIDERANÇA

Em meio a tantas informações e à pressão contínua por fazer cada vez mais rápido, o papel da liderança emerge. “Do ponto de vista da gestão do varejo, foi muito discutido o papel do líder, que coloca em prática as estratégias e as propostas de inovação, engajando a equipe”, diz Sakamoto.

Diante do uso massivo da tecnologia, é importante motivar a equipe e induzir os processos, porque especialmente no varejo, nada acontece sem o envolvimento das pessoas, afirma. “É preciso lembrar que a inteligência artificial ajuda, mas quem faz diferença são as pessoas.”

Este é o grande desafio, na opinião de Alberto Serrentino. “Especialmente quando se trata de IA, isso gera sentimentos complexos: existem grandes oportunidades, mas também muito medo de ser substituído por uma máquina e se tornar irrelevante. É preciso renovar a cultura da organização.”

As tendências do varejo segundo a NRF 2025 em Nova York – 17/01/2025 – Mercado – Folha

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