Funcionário do mês: mais robôs operam na China do que em todos os outros países juntos, aponta relatório

Fábricas chinesas instalaram quase 300 mil novos robôs no último ano, superando Estados Unidos, Japão e Europa somados

Por O Globo/The New York Times – 27/09/2025 

A China está fabricando e instalando robôs de fábrica em um ritmo muito maior do que qualquer outro país, com os Estados Unidos ocupando um distante terceiro lugar, fortalecendo ainda mais seu papel dominante na manufatura mundial.

Mais de dois milhões de robôs operavam em fábricas chinesas no ano passado, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (25) pela Federação Internacional de Robótica, organização sem fins lucrativos que representa fabricantes de robôs industriais. As fábricas chinesas instalaram quase 300 mil novos robôs, mais do que o resto do mundo somado; nos Estados Unidos, o número foi de 34 mil.

Robôs e produtividade em alta

Apesar de utilizar mais robôs, as fábricas chinesas também melhoraram sua produção. O governo vem utilizando capital público e diretrizes políticas para estimular empresas a se tornarem líderes em robótica e outras tecnologias avançadas, como semicondutores e inteligência artificial.

No cenário global, robôs e IA desempenham papel cada vez mais proeminente e disruptivo na indústria. Eles variam de máquinas que soldam peças de automóveis a garras que movimentam caixas em linhas de produção. À medida que a tecnologia aumenta a eficiência, algumas fábricas operam com menos trabalhadores e alteram funções de outros funcionários.

Na última década, a China iniciou uma campanha ampla para ampliar o uso de robôs, produzir equipamentos de ponta e integrar a indústria com avanços em inteligência artificial. Empresas chinesas se beneficiaram de um impulso nacional que acompanha o crescimento dos setores de veículos elétricos e inteligência artificial, afirmou Lian Jye Su, analista-chefe da Omdia, empresa de pesquisa em tecnologia.

“Isso não é coincidência”, disse Su. “Foram necessários anos de investimento por parte das empresas chinesas.”

O esforço de Pequim para automatizar fábricas tem sido central para consolidar sua posição como potência manufatureira. Desde 2017, as instalações superam 150 mil robôs por ano. Ao mesmo tempo, a produção industrial disparou: no início deste ano, as fábricas chinesas produziam quase um terço de todos os produtos manufaturados no mundo, mais do que Estados Unidos, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido juntos.

Gráfico das intalações — Foto: Federação Internacional de RobóticaGráfico das instalações — Foto: Federação Internacional de Robótica

Estratégia governamental e expansão nacional

No ano passado, as instalações de robôs caíram nos quatro países que mais utilizam robôs industriais: Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul e Alemanha. O Japão, por exemplo, instalou 44 mil unidades.

Desde 2015, a China tornou prioridade máxima tornar-se competitiva globalmente em robótica, parte da campanha Made in China 2025, voltada a reduzir importações de produtos manufaturados avançados. As indústrias tiveram acesso a empréstimos de bancos estatais a juros baixos, apoio na aquisição de concorrentes estrangeiros, injeções diretas de recursos governamentais e outros incentivos. Em 2021, o governo lançou uma estratégia detalhada para expandir o uso de robôs.

“Você pode ver como essa estratégia funcionou; sem um plano, um país está sempre em desvantagem”, disse Susanne Bieller, secretária-geral da Federação Internacional de Robótica.

No ano passado, a participação chinesa na fabricação mundial de robôs chegou a um terço da oferta global, ante um quarto em 2023. O Japão, líder anterior, caiu para 29% do mercado global, contra 38% no ano anterior.

Até então, a China instalava mais robôs importados do que nacionais. Mas no último ano, quase três quintos das máquinas instaladas também foram fabricadas localmente. No total, o país tem cinco vezes mais robôs em operação do que os Estados Unidos.

Embora os dados da federação não incluam robôs humanoides, ainda em grande parte experimentais, o apoio governamental gerou um boom de startups e empresas que produzem componentes especializados, como articulações motorizadas. A Unitree Robotics, sediada em Hangzhou, anunciou que pretende abrir capital até o fim do ano. Seus robôs humanoides mais básicos custam cerca de US$ 6 mil na China, uma fração do valor cobrado por empresas americanas, como a Boston Dynamics.

Ainda assim, as companhias chinesas enfrentam dificuldades na produção de componentes-chave, como sensores e semicondutores, apontou Su. “Um robô humanoide de ponta seria quase totalmente fabricado fora da China, com talvez um ou dois componentes chineses, mas o sistema seria muito internacional.”

Por outro lado, a China mantém múltiplas vantagens na robótica industrial. O país conta com eletricistas e programadores especializados capazes de instalar robôs, embora enfrente escassez de profissionais qualificados, com salários que podem chegar a US$ 60 mil anuais. Além disso, a indústria de IA do país é fortemente direcionada à análise e melhoria do desempenho das máquinas de fábrica

“Empresas chinesas usam a IA para monitorar e avaliar quais máquinas estão com desempenho ótimo e quais estão abaixo do esperado”, disse Cameron Johnson, consultor de cadeia de suprimentos em Xangai. “Fora da China, a IA ainda não é vista dessa forma na manufatura.”

Funcionário do mês: mais robôs operam na China do que em todos os outros países juntos, aponta relatório

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Investimentos em data centers podem chegar a US$ 11,4 bilhões em 2026

Estimativa é da Brasscom, do setor de tecnologia, e reflete impacto de incentivos tributários. Países vivem disputa para receber projetos

Por Bernardo Lima — O Globo – 05/10/2025 

Com incentivos fiscais previstos para o ano que vem, o setor de data centers deve alcançar US$ 11,4 bilhões (R$ 60,8 bilhões) em investimentos no Brasil em 2026, segundo estimativas da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Executivos relatam grande aumento na procura de empresas estrangeiras por negócios no Brasil após a publicação da política nacional para o setor.

A medida provisória (MP) que prevê os benefícios fiscais foi publicada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro, após meses de expectativa de empresários pelo lançamento.

Boom na infraestrutura

Batizado de Redata, o plano nacional para o setor vai antecipar efeitos da Reforma Tributária, que entra em vigor em 2027. Desse modo, 2026 é o único ano de vigência desses benefícios, e é por isso que há a expectativa de que haja um “boom” nos investimentos no ano que vem.

As empresas não pagarão tributos sobre a compra de equipamentos. Em contrapartida, terão que investir na indústria nacional e fazer uso sustentável de energia e água.

Segundo estimativas da Brasscom, que representa mais de 80 empresas do setor de tecnologia, do total de investimentos previstos para o ano que vem, US$ 8,6 bilhões (R$ 45,8 bilhões) devem ser destinados a equipamentos e US$ 2,9 bilhões (R$ 15,5 bilhões), para infraestrutura.

No pano de fundo desses incentivos está uma verdadeira “corrida” entre países pela atração dos investimentos dessa indústria que movimenta bilhões de dólares anualmente. A abertura a investimentos nesse setor foi colocada, inclusive, como uma das cartas nas mangas do governo brasileiro a serem usadas na mesa de discussão com o governo americano em torno das tarifas de importação.

O presidente da Brasscom, Affonso Nina, destaca que a situação pode ser uma oportunidade para atrair ainda mais investimentos para o setor no Brasil.

— O Brasil pode se posicionar como parceiro comercial para processar aqui serviços, processar dados dos Estados Unidos no Brasil. Nós já levamos essa proposta para que isso fosse colocado na mesa de negociação, e levamos isso para o vice-presidente (Geraldo) Alckmin, e ele entendeu que era uma boa ideia — conta o presidente da Brasscom.

A expectativa do setor é que grandes empresas estrangeiras sejam atraídas. A gigante chinesa Alibaba anunciou na semana passada , por exemplo, planos de expandir sua base global de data centers com a instalação de centrais de processamento de dados no Brasil.

O presidente da Equinix — maior provedora de data centers do mundo — na América Latina, Eduardo Carvalho, diz que o Redata tem potencial de colocar o Brasil entre os três principais destinos para data centers no mundo nos próximos anos. Ele destaca a matriz de energia limpa do país como uma das vantagens comparativas:

— O Brasil vai assumir um protagonismo mundial. Por exemplo, em comparação com o México, que poderia estar junto conosco nessa frente de atração de mercado de data center, mas não tem o insumo principal para eles, que é a energia elétrica. Aqui tem em abundância.

Disputa entre países

Entre os concorrentes locais, apenas o Chile já instituiu uma política nacional de incentivo ao setor. A Colômbia criou uma zona franca em Bogotá, com redução tributária para empresas do setor. O México estabeleceu em 2023 incentivos fiscais para empresas que transferissem suas operações para o país.

Outro concorrente direto do Brasil nessa disputa por mercado é a Índia, que conta com um preço de energia e mão de obra baratos ao seu favor. No entanto, o carvão é a principal fonte energética do país, indo na contramão da tendência verde do setor, que dá preferência para geração de energia limpa.

Por outro lado, especialistas apontam que a escassez de mão de obra especializada deve ser um desafio para o setor no Brasil . O presidente da Amazon Web Services (AWS) no país, Cléber Morais, aponta que esse percalço deve ser superado com investimento das próprias empresas. Desde 2017, a AWS capacitou mais de 900 mil profissionais no Brasil.

— O grande desafio nosso vai ser como treinar, capacitar e ter mão de obra. Energia abundante já temos, agora precisamos dos profissionais. O brasileiro tem uma capacidade de inovação enorme — aponta Morais.

Segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), o Brasil possui atualmente 162 centrais de processamento de dados. A maioria está instalada no Sudeste (110 unidades), seguido pelo Sul (27 unidades), Nordeste (15 unidades), Centro-Oeste (8 unidades) e Norte (2 unidades).

Diante dessas vantagens, associadas agora aos benefícios tributários, o diretor executivo de Receita (CRO, na sigla em inglês) e gerente de Estratégia da Ascenty, Marcos Siqueira, diz que a procura por investimentos estrangeiros aumentou consideravelmente nas últimas semanas.

— A gente trabalha com a possibilidade de investimentos em bilhões de dólares agora com esse maior apetite de clientes internacionais para ter data centers no Brasil. Estamos conversando com clientes americanos, asiáticos, com projetos que demandam 100 megawatts de energia — conta Siqueira.

A Elea Data Center também projeta um crescimento em seus investimentos nos próximos anos. O presidente da companhia, Alessandro Lombardi, destaca o cenário positivo para a empresa, que acabou de assinar um contrato de R$ 2,3 bilhões com a Petrobras para implantar um data center de inteligência artificial (IA) em São Paulo.

— O meu telefone, depois que o presidente Lula assinou (a Medida Provisória), não para de tocar, com os investidores querendo investir aqui — afirma Lombardi.

Entre os benefícios previstos estão a isenção do IPI, PIS/Pasep, Cofins na aquisição de equipamentos de TIC (tecnologias da informação e comunicação) para data centers. Caso esses equipamentos não sejam produzidos no Brasil, também haverá desoneração do imposto de importação.

Renúncia de R$ 7,5 bi

O advogado tributarista e sócio do escritório Mattos Filhos Leonardo Homsy destaca a importância da desoneração do imposto de importação para o setor, frente a uma carga tributária alta cobrada sobre equipamentos.

— É um alívio relevante, porque costuma ser uma alíquota alta e vai durar pelo prazo de cinco anos. Hoje, você tem alíquotas variadas na importação, depende do equipamento, mas no caso dos data centers pode chegar ali a 60% ou até em alguns casos a 70%. Com a desoneração, já calculamos que a economia pode chegar a quase 40% em alguns casos — explica o advogado.

Além do prazo de validade, os benefícios do Redata exigirão uma renúncia fiscal de R$ 7,5 bilhões nos próximos três anos, segundo o governo. Quem aderir terá que direcionar 2% de seus investimentos para pesquisa e ao menos 10% dos serviços providos terão que ser destinados ao mercado interno.

Investimentos em data centers podem chegar a US$ 11,4 bilhões em 2026

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Etanol, carne e suco de laranja: Brasil domina exportações globais em nove produtos-chave

Com 74% do mercado mundial de suco de laranja, país lidera vendas externas também em soja, café e carnes, aponta levantamento da Harven Agribusiness School

Redação Exame – 30 de setembro de 2025 

O Brasil ocupa atualmente a liderança nas exportações globais de nove produtos-chave do agronegócio, segundo levantamento da Harven Agribusiness School, feito com base em dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Os maiores destaques, segundo a instituição, são o suco de laranja, com 74% de participação nas exportações globais, a soja (59%) e o açúcar (56%).

O país também lidera a comercialização internacional de carne de frango, carne bovina, fumo, celulose e algodão.

Para o especialista Marcos Fava Neves, fundador da Harven, isso define o Brasil como “uma potência mundial do agronegócio”.

“Nós temos hoje 36% do mercado de exportação de frango, por exemplo. E além de liderar diversos mercados internacionais, já é o segundo maior exportador de etanol e de carne suína do globo. Até o final dessa década, o Brasil tem condições de ter 40% do mercado mundial de carne de frango, 30% do mercado mundial de carne bovina e 20% de carne suína, se consolidando como principal fornecedor de alimentos do mundo”, afirmou.

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Do Vale do Silício ao seu bolso: como as big techs estão redefinindo economia e investimentos

Empresas transformam atenção e dados em poder econômico, mudando a lógica por trás do consumo, do trabalho e dos investimentos

Por Eduardo Mira – Estadão – 26/09/2025 

Visitar o Google não me fez pensar em tecnologia. Me fez pensar em economia, pois, na prática, o que eles vendem não é apenas inovação, é a sua atenção.

  • Essa foi a sensação que tive esta semana ao caminhar pelos corredores do Google e do YouTube em Palo Alto, no coração do Vale do Silício. Não se tratava somente de prédios modernos ou funcionários circulando de bicicleta. Era como estar dentro de uma engrenagem invisível que movimenta negócios, investimentos e até o modo como usamos nosso tempo e dinheiro.

Percebi que o Google e outras gigantes da tecnologia deixaram de ser apenas “empresas de software”. Hoje, funcionam como uma nova infraestrutura global, tão essencial quanto foram, no passado, as ferrovias, o petróleo ou a energia elétrica. Estar ali me mostrou que o impacto delas já chegou ao nosso bolso, mesmo que muitas pessoas ainda não tenham consciência disso.

A economia da atenção

Imagine um recurso finito, disputado por empresas, marcas e governos no mundo todo. Esse recurso não é ouro, petróleo ou água. É o tempo que você passa olhando para uma tela.

Google e YouTube transformaram a atenção humana em um ativo econômico. Cada clique, cada vídeo assistido, cada pesquisa digitada gera dados que se convertem em bilhões de dólares em publicidade digital. Não por acaso, a Alphabet, holding que controla as duas plataformas, figura entre as empresas mais valiosas do mundo.

Esse modelo revolucionou a lógica dos negócios. Um pequeno empreendedor em uma cidade do interior do Brasil consegue anunciar seus produtos para um público altamente segmentado, competindo com multinacionais em termos de alcance.

O que antes era privilégio de grandes empresas hoje está na palma da mão de qualquer pessoa com um smartphone. O impacto disso vai muito além da publicidade. É a economia da atenção que possibilita esse salto.

Essa disputa por atenção não movimenta apenas o mercado publicitário. Ela molda hábitos, define tendências culturais e afeta até indicadores econômicos. Se antes a televisão era a grande vitrine, agora é o algoritmo que determina o que vemos, quando vemos e por quanto tempo permanecemos conectados.

Dados: o novo petróleo

Para você ter uma ideia, falando somente em termos de Brasil, de acordo com o relatório de impacto econômico do Google, em 2024 a empresa movimentou mais de R$ 215 bi em nossa economia através de ferramentas como Google Ad, AdSense Play, Google Cloud e YouTube. 

Ao caminhar pelos corredores do Google, ficou evidente que o verdadeiro motor da companhia não são os prédios modernos nem os cafés descolados: são os dados. Assim como o petróleo foi o combustível da Revolução Industrial, os dados são a matéria-prima da Revolução Digital. 

Eles não servem apenas para mostrar anúncios. Alimentam modelos de inteligência artificial, guiam decisões de crédito, aprimoram serviços financeiros e transformam a maneira como governos e empresas planejam suas estratégias. 

Um exemplo simples: seu histórico de buscas pode afetar a propaganda de um banco que aparece para você. Em escala global, esse mesmo tipo de informação é usado para modelar risco em carteiras de crédito, prever comportamento de consumidores e até antecipar tendências de mercado.

Ou seja, os dados não estão apenas moldando a internet, eles estão moldando a economia real.

Produtividade e o futuro do trabalho

Outro ponto que chama atenção é como as big techs reposicionaram o conceito de produtividade. Não se trata apenas de produzir mais em menos tempo, mas de repensar estruturas inteiras com base em automação, nuvem e inteligência artificial.

Empresas como Google usam IA para reduzir custos, melhorar processos e encontrar novas fontes de receita. Isso impacta diretamente na produtividade global. Mais eficiência significa margens maiores, novos modelos de negócio e, inevitavelmente, mudanças no mercado de trabalho.

Profissões tradicionais passam a ser revistas, outras desaparecem, novas funções surgem e a requalificação se torna indispensável. No fim, todos somos impactados,  seja como profissionais, seja como consumidores.

Esse movimento, que para muitos talvez pareça distante, alcança a todos, desde uma startup que corta gastos ao usar ferramentas de nuvem, até uma grande empresa que adota automação para competir globalmente.

Impacto direto no investidor comum

Agora, talvez você esteja pensando: “Tudo bem, mas o que isso tem a ver com meu bolso?”. A resposta: tudo! 

Mesmo quem nunca comprou uma ação da Alphabet (controladora do Google) ou investiu em ETFs internacionais que se expõem ao mercado internacional já está conectado a esse movimento. Cada vez que você assiste a um vídeo no YouTube ou faz uma pesquisa no Google, usa o Gemini para te auxiliar numa tarefa, está ajudando a valorizar essas empresas.

Para o investidor brasileiro, compreender essa engrenagem não significa apenas olhar para os balanços de big techs. Significa entender como elas afetam seus hábitos de consumo, suas oportunidades de carreira e até a estratégia de investimentos no mercado local.

Os fundamentos da empresa se confirmam

Essa minha imersão em Palo Alto apenas reforçou uma convicção que carrego como analista: o Google, mais do que uma empresa “descolada”, é uma força disruptiva e uma verdadeira vanguarda da tecnologia. Caminhar por seus corredores e entender a profundidade de seus projetos in loco, trouxe uma camada extra de certeza ao valuation que já havia feito

Alphabet é um ativo sob análise minha e do meu time de analistas dentro da Comunidade Mira, onde os membros recebem insights relevantes sobre as tendências do mercado. A visão de longo prazo que já vínhamos defendendo em nossos relatórios se solidifica ao testemunhar de perto as inovações em curso.

Pude ver, por exemplo, como o sistema de pagamentos da Google Wallet se expande e como as inovações no YouTube, já presentes nos mercados asiático e americano, como o YouTube Shopping, estão prontas para revolucionar o cenário brasileiro.

Essa série de implementações que a empresa vem realizando, não apenas corrobora minha visão de que a Alphabet é uma empresa robusta para o longo prazo, mas também sugere que seu potencial ainda está subestimado no mercado, apresentando uma oportunidade interessante para quem busca investir em companhias que estão redefinindo o futuro.

A crescente relevância de empresas digitais, por exemplo, tem impulsionado fundos de tecnologia, aumentado a demanda por profissionais qualificados em dados e inteligência artificial e, em última instância, redefinido setores inteiros da economia.

O futuro já chegou

Ao sair da sede do Google em Palo Alto, a sensação era de que não visitei uma empresa. Visitei um pedaço do futuro. Um modelo de futuro que já está embutido em cada busca feita no celular, em cada vídeo que assistimos e em cada decisão de consumo que tomamos.

Para quem investe, compreender o papel das big techs não é apenas acompanhar a cotação de suas ações. É entender como se move a engrenagem que redefine a economia global, afeta a produtividade, cria novos modelos de negócio e transforma a forma como usamos nossos recursos.

E talvez essa seja a grande lição: quando pensamos em finanças pessoais e investimentos, não estamos mais apenas diante de juros, inflação e câmbio. Estamos diante de uma nova infraestrutura invisível, construída em linhas de código, dados e algoritmos, que já dita o ritmo da economia mundial.

Do Vale do Silício ao seu bolso: como as big techs estão redefinindo economia e investimentos – Eduardo Mira – Estadão E-Investidor – As principais notícias do mercado financeiro

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O que acontece quando humanos que constroem IAs são substituídos por IAs

As consequências econômicas, sociais e éticas podem ser assustadoras

ENRIQUE DANS – Fast Company Brasil – 01-10-2025 

Estamos vivendo uma transformação silenciosa no mundo do trabalho: a inteligência artificial já não está mais restrita a laboratórios de pesquisa ou a simples chatbots. Hoje, ela começa a corroer as bases do trabalho humano de formas menos visíveis, mas potencialmente muito mais profundas do que as manchetes sobre “assistentes de IA” ou “superinteligência” sugerem.

Há poucas semanas, o Google demitiu abruptamente 200 contratados de IA, muitos deles responsáveis por tarefas de anotação e avaliação. Oficialmente, a empresa classificou a medida como “redução de quadro”, mas os funcionários apontaram baixos salários e instabilidade.

O ponto crucial é que os cargos eliminados eram justamente aqueles que garantiam a supervisão humana sobre os sistemas de inteligência artificial: avaliadores, anotadores e revisores que compõem a estrutura invisível por trás de produtos considerados “inteligentes”.

Veja também

Ao mesmo tempo, Dario Amodei, CEO da Anthropic, alertou que a IA deve substituir muitos empregos de colarinho branco em apenas cinco anos. Não em décadas, nem em um futuro distante. Dentro do próximo ciclo de planejamento das empresas, áreas como direito, finanças, consultoria e até gestão podem estar radicalmente diferentes.

Por anos, o trabalho humano que impulsiona a IA ficou escondido: anotadores mal pagos em países em desenvolvimento, moderadores expostos a conteúdo traumatizante, contratados que limpam e estruturam dados discretamente para que modelos possam ser treinados.

A IA ESTÁ COMEÇANDO A CORROER AS BASES DO TRABALHO HUMANO DE FORMAS MENOS VISÍVEIS.

Esses trabalhos raramente eram reconhecidos, muito menos respeitados. Agora, estão sendo completamente extintos, à medida que as empresas migram de um sistema com foco no humano para um sistema com foco na automação.

Mas a questão vai além da perda de empregos. Trata-se do que se perde quando retiramos o julgamento humano da equação. Anotadores identificam ambiguidades, sinalizam riscos e aplicam raciocínio moral que os modelos não conseguem reproduzir. Avaliadores acrescentam nuances culturais e linguísticas.

Quando essas funções são automatizadas, os sistemas continuam funcionando – mas os pontos cegos aumentam, os erros se multiplicam e os vieses se reforçam. A eficiência cresce, mas a resiliência diminui.

O TEMPO ESTÁ ACABANDO

O alerta de Amodei expõe uma realidade maior: a IA está subindo na cadeia de valor. Já não se limita a tarefas de apoio, está avançando sobre análise, escrita, design e até tomadas de decisão.

Profissionais que se achavam protegidos da automação agora estão no alvo. Se os trabalhadores da linha de produção foram a primeira onda de substituição tecnológica no século 20, os de “colarinho branco” podem ser a segunda, no século 21.

As big techs costumam apresentar isso como uma oportunidade: libertação de tarefas repetitivas, criação de novos empregos, aumento de produtividade. Mas a história das revoluções tecnológicas anteriores é mais dura.

Sim, novas funções surgem, mas nem sempre para as mesmas pessoas, nos mesmos lugares ou pelos mesmos salários. E o peso dessa transição recai, em geral, sobre os trabalhadores, não sobre os acionistas.

EFICIÊNCIA NÃO É ÉTICA

Esse momento exige uma reflexão mais profunda: só porque a IA pode substituir uma função humana, significa que deve fazê-lo? Nem todo ganho em eficiência é um ganho ético. Cortar moderadores pode reduzir custos, mas a que preço para a segurança? Automatizar avaliações pode acelerar processos, mas com qual risco de erro?

Substituir profissionais de colarinho branco por algoritmos pode melhorar as margens de lucro, mas o impacto sobre a estabilidade social é evidente. Será que estamos repetindo a lógica da Meta, “mover-se rápido e quebrar coisas”, priorizando rentabilidade sem considerar as consequências?

PROFISSIONAIS QUE SE ACHAVAM PROTEGIDOS DA AUTOMAÇÃO AGORA ESTÃO NO ALVO.

É preciso cautela diante de um futuro em que a inteligência artificial não apenas media informações, mas também redefine os mercados de trabalho – e, de forma silenciosa, o próprio conceito de utilidade.

As empresas não podem simplesmente transferir essa responsabilidade para os formuladores de políticas públicas. Precisam reconhecer que a revolução invisível que conduzem tem impactos humanos profundos e que, mais cedo ou mais tarde, esses impactos afetarão a própria legitimidade delas.

TRABALHO INVISÍVEL É O QUE SERÁ SUBSTITUÍDO POR IA

A “mão invisível” da economia da IA hoje não é a do mercado de que falava o filósofo e economista Adam Smith. É o trabalho invisível que sustentou o aprendizado de máquina e as perdas invisíveis que surgem quando esse trabalho é descartado.

As demissões no Google e os alertas da Anthropic não são casos isolados. São sinais de uma transformação em curso que pode redefinir não apenas como trabalhamos, mas também quais trabalhos a sociedade continuará valorizando.

Se as empresas querem que a IA seja sustentável, precisam tratar o julgamento humano não como um apoio provisório a ser removido, mas como parte essencial de sistemas que interagem com o mundo real.

Caso contrário, corremos o risco de criar uma economia em que empregos são descartáveis, supervisão é opcional e o custo humano da eficiência só ficará visível quando já for tarde demais.


SOBRE O AUTOR

Enrique Dans leciona inovação na IE Business School desde 1990, hackeando a educação como consultor sênior de transformação digital na… saiba mais

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Brasil toma surra do Vietnã em tecnologia, educação e agro

  • Os 10% piores estudantes do Vietnã têm desempenho similar aos 10% melhores alunos brasileiros
  • Em 2024, o país exportou US$ 124 bilhões em produtos tecnológicos, enquanto no Brasil foram US$ 8 bi

Ronaldo Lemos – Folha – 28.set.2025  

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro

Na corrida pelo desenvolvimento, o Brasil está tomando uma surra do Vietnã. O país asiático tem economia menor que a brasileira, por enquanto. Mas está acelerando enquanto estamos estacionados. O país está dando baile no Brasil em tecnologia, educação e até no agro.

No exame Pisa, que compara o aprendizado dos alunos em diferentes países, a situação é dramática. Os 10% piores estudantes do Vietnã têm desempenho similar aos 10% melhores alunos brasileiros, incluindo as escolas privadas. Mesmo alunos de famílias mais pobres no Vietnã têm desempenho muito acima da média nacional do Brasil.

No agro, o Vietnã cresceu usando conhecimento e estratégia. Está apostando em certificações para agregar mais valor aos seus produtos. No café, onde atua há bem menos tempo, tornou-se o segundo maior exportador, controlando 20% do mercado global (o Brasil tem 37%). Está também criando redes próprias de cafeterias, como a Trung Nguyên Legend, especializada em café vietnamita, com lojas na Califórnia, Texas, Oregon ou Xangai.

O país também dominou o mercado de castanha de caju, planta do nordeste brasileiro. Aliás, por curiosidade, a China acaba de se tornar o maior exportador global de Tambaqui, nosso peixe amazônico.

Mas é em tecnologia que o Vietnã está dando um baile. O país está construindo um caminho tecnológico próprio, sem copiar ninguém. Afinal, o país já teve conflitos armados com os Estados Unidos e com a China. Seu objetivo é evitar dependência de ambos.

Em 2024, o Vietnã exportou US$ 124 bilhões (R$ 662,6 bilhões) em produtos tecnológicos. O Brasil exportou US$ 8 bilhões (R$ 42,7 bilhões), a maior parte da Embraer. Tecnologia corresponde a 40% das exportações do Vietnã e menos de 3% no Brasil.

É a partir disso que o Vietnã está construindo uma infraestrutura tecnológica própria. O primeiro passo foi criar um modelo fundacional de inteligência artificial. Chamado VinaLLaMA, o modelo partiu de uma base de IA Open Source (LLaMA-2), mas foi retreinado com bilhões de tokens vietnamitas e ajustado ao contexto cultural e linguístico do país. Está hoje no estado da arte em comparação a outras IAs e serve de base aberta para aplicações nacionais.

Além disso, o país está investindo em datacenters e bases de dados locais, para dar conta da demanda do desenvolvimento da IA, com infraestrutura própria.

Vietnã vence Brasil em tecnologia, educação e agro – 28/09/2025 – Ronaldo Lemos – Folha

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Edição genética se consolida como a próxima revolução do agronegócio

Com potencial para revolucionar o campo, técnica deve aumentar produtividade, reduzir custos e abrir espaço para um salto tecnológico na agricultura brasileira

Por Márcia De Chiara – Estadão – 24/09/2025 

Maior produtor mundial de soja, laranja e cana-de-açúcar, o Brasil se prepara para dar um novo salto na oferta de alimentos. Esse avanço não se dará pela derrubada de florestas ou pela transformação de pastagens em áreas plantadas, mas pelo aumento da produtividade das lavouras. O caminho está dentro da semente de cada cultivo, por meio da edição genética, considerada pelos pesquisadores como o principal vetor de inovação no campo.

No Brasil, algumas pesquisas já estão em fase avançada. A Embrapa testa em campo duas variedades de soja editada, uma tolerante à seca e outra com menor teor de lectina, enquanto o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) cultiva mudas de laranja menos suscetível ao greening (doença mais grave dos citros) em áreas regulamentadas pela CTNBio. Em outras frentes, ainda em estágio de pesquisa, a Embrapa Agroenergia desenvolve cana com maior teor de sacarose; a Embrapa Gado de Leite trabalha na introdução do gene de pelagem curta em bovinos para ampliar a tolerância térmica; e a Embrapa Pesca e Aquicultura estuda o tambaqui, para reduzir espinhas, e a tilápia, para aumentar a produção de carne.

A técnica de edição genética permite “cortar, desligar e inserir” genes para criar variedades mais resistentes ou com características valorizadas pelo mercado. “A edição genética é a nova fronteira da inovação em biotecnologia. É para onde o mundo está correndo”, afirma Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja.

Transgênicos

Embora esteja sob o mesmo guarda-chuva da biotecnologia, a edição genética é diferente da técnica usada para se obter transgênicos. Na edição genética, manipula-se apenas o DNA da própria espécie, sem introduzir material externo. No caso da soja transgênica, foi inserido o DNA de uma bactéria para dar resistência ao herbicida.

Entre os métodos disponíveis, o mais avançado e revolucionário é o CRISPR (acrônimo do inglês: Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats) /Cas9, desenvolvido pelas cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna, laureadas com o Nobel de Química em 2020.

Nepomuceno compara a técnica a um “drone com GPS”: um RNA guia localiza a sequência de DNA que se deseja modificar e conduz a proteína Cas9, a “tesoura molecular”, até o ponto exato do corte. Após a incisão, duas situações são possíveis. Em uma delas, a célula repara o DNA de forma incorreta, desativando o gene. Na outra, é inserido um pequeno trecho de DNA da própria espécie no local da edição. Em ambos os casos, surge uma nova característica no organismo, o que amplia de forma significativa as possibilidades de aplicação da biotecnologia.

Precisão, rapidez e custo

O uso da técnica CRISPR/Cas9 tornou a edição genética mais acessível e eficiente. Enquanto o melhoramento clássico pode levar de 10 a 15 anos para desenvolver uma variedade, a edição genética reduz esse prazo para cerca de três anos. “O potencial da técnica da edição genética é absurdo”, diz Nepomuceno.

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A entrada dos transgênicos, em 1996, foi marcada por legislação considerada burocrática, que elevou os investimentos acima de US$ 100 milhões por produto. Com a edição genética, o cenário muda: por não incluir material de outra espécie, a maioria dos países – entre eles Brasil, Estados Unidos, Canadá e Argentina – não classifica os organismos resultantes como transgênicos. Isso simplifica a regulação e corta custos em até 70%, acelerando a chegada de novas variedades ao mercado.

Esse contexto abre espaço para a participação de instituições públicas, universidades e startups, que antes não tinham condições de competir em biotecnologia. Para o agrônomo Marcos Antônio Machado, ex-pesquisador do IAC, a técnica tem alcance ampliado. “A edição genética é uma técnica democrática. O grande desafio é saber qual gene editar, qual é o alvo.”

Nepomuceno ressalta o impacto da legislação mais assertiva. “A grande potência dessa tecnologia é uma legislação que garante biossegurança e não cria tantas barreiras, como no caso dos transgênicos, com o qual só as grandes companhias conseguem colocar produtos no mercado.”

Com regras claras e investimento em pesquisa, o Brasil abre caminhos para transformar a edição genética em um novo motor de produtividade e reforçar a sua liderança no agronegócio.

Edição genética se consolida como a próxima revolução do agronegócio – Estadão

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Big techs: como as 7 magníficas fizeram dos EUA berço da revolução digital

História de Carol Raciunas – CNN Brasil – 23/09/2025

Big techs: como as 7 magníficas fizeram dos EUA berço da revolução digital

No período pós-guerra, a supremacia dos Estados Unidos se baseou especialmente no desenvolvimento industrial. Quando o setor se consolidou, a economia do país começou a migrar para serviços e tecnologia — até a criação das chamadas “sete magníficas”.

O termo foi criado em 2023 pelo analista Michael Hartnett, do Bank of America, para evidenciar o peso no S&P 500 e a influência como termômetro do mercado financeiro global das sete maiores big techs norte-americanas, formadas por Google, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla.

Mas como foi possível que as sete magníficas, em tão pouco tempo, superassem em valor de mercado e o PIB (Produto Interno Bruto) de muitos países?

O gerente de vendas da divisão Enterprise da Nvidia no Brasil, Marcel Saraiva, explica à CNN que, historicamente, algumas regiões dos EUA unem fatores favoráveis ao desenvolvimento dessas empresas.

“Existe o fator técnico, porque forma muita gente boa do mundo inteiro, e o fator do capital, porque tem uma grande quantidade de investidores e venture capital que tem essa cultura de empreender e inovar. E isso começou já no final dos anos 1960.”

Investimento em educação

Toda tecnologia e revolução digital as quais o mundo está imerso tem uma raíz conhecida: a educação. Para inovar, é preciso ser a vanguarda do conhecimento. Neste ponto, os Estados Unidos dominam.

“Uma vez que nos Estados Unidos as pessoas têm carreiras em ciências e engenharias muito maiores que no Brasil, a gente tem menos talentos que vão querer empreender em empresas de tecnologia”, explica Lucas Abreu, fundador do podcast de empreendedorismo Sunday Drops e investidor de venture capital.

Abreu argumentou que o diferencial entre os dois países reflete um “terreno menos fértil” de oportunidades no Brasil.

José Ronaldo de Castro Souza Júnior, economista-chefe da Leme Consultores, também aponta que uma mão de obra qualificada e o desenvolvimento de tecnologias disruptivas nas universidades norte-americanas são indispensáveis.

Apesar do conhecimento ser essencial, ele não é suficiente para sustentar exclusivamente um crescimento extraordinário de empresas de tecnologia.

Para inovar, os especialistas explicam que é preciso arriscar tempo, oportunidades e dinheiro.

A força do venture capital

O capital é um dos pilares fundamentais para o surgimento das big techs, destacam os especialistas ouvidos pela CNN. Com um mercado desenvolvido, juros menores e apetite por risco, os investidores ficam mais interessados em se aventurar para tentar ganhar mais.

E é pelo venture capital (capital de risco, em português) que são unidas ideias inovadoras e o dinheiro do mercado financeiro.

O objetivo é atrair investidores dispostos a comprar uma ideia que pode ou não dar certo. É correr um alto risco de perda, mas também a chance de um lucro milionário ou até mesmo bilionário.

Essa estratégia não é tão recente: desde 1946 os Estados Unidos vêm constituindo uma forte cultura de venture capital.

Diego Bonaldo, professor da FIA Business School, destaca que este tipo de investimento entre os norte-americanos ainda está muito à frente daqueles que avançaram na União Europeia.

“A Europa vem avançando no mercado de venture capital, mas está muito distante dos Estados Unidos numa perspectiva de montante”, argumenta.

A grande questão que fica é: por que toda essa evolução só acontece nos Estados Unidos?

A União Europeia se destaca como um dos blocos com grande potencial, mas o resultado não reflete isso. Especialistas ouvidos pela CNN destacam, porém, que a UE tem ficado para trás em diversos sentidos.

O investimento em pesquisa e desenvolvimento do bloco europeu, tanto público quanto privado, é menor que nos EUA.

Além disso, os especialistas apontam que os ambientes acadêmico e corporativo norte-americanos valorizam fortemente a competição e o empreendedorismo, o que não acontece necessariamente do outro lado do Atlântico.

Para Thiago Viana, diretor de inovação do iFood, a Europa foi para um caminho com uma regulação muito dura e forte.

“Essa conduta faz sentido no final do dia, no que diz respeito à segurança do usuário, mas limita o quanto as pessoas conseguem consumir de tecnologia quando olham para esses dados.”

China e o triunfo da inteligência artificial

Fora Estados Unidos e Europa, há outro nome nessa lista: a China. O país tem mostrado uma grande capacidade de inovação, com investimentos eficientes em avanços tecnológicos.

Os celulares chineses estão ganhando cada vez mais o mundo, com marcas como a Xiaomi; enquanto a Tesla foi destronada da liderança de carros elétricos pelas fabricantes da segunda maior economia do mundo.

Em 2024, a gigante chinesa de veículos elétricos BYD registrou receitas de 777 bilhões de yuans (US$ 107 bilhões), ultrapassando a marca de Elon Musk em vendas anuais.

Isso sem contar o avanço da inteligência artificial chinesa. A startup chinesa DeepSeek têm se destacado ao redor do mundo com processadores únicos e aumentando a concorrência com rivais norte-americanas como a OpenAI.

“A questão de inovações disruptivas têm se concentrado em determinados países como a China, que tem disputado muito mais com os Estados Unidos do que com a própria Europa”, aponta José Ronaldo, da Leme Consultores.

Impasse da regulamentação

Enquanto o avanço da inteligência artificial segue impressionando o consumidor, em paralelo se desenvolve o debate sobre a regulamentação das big techs e a gratuidade dos serviços digitais oferecidos por essas empresas.

“Quando os produtos são de graça, o produto sou eu, porque hoje em dia cada minuto do nosso dia está sendo vendido no mercado”, provoca Lucas Abreu, do Sunday Drops.

Essa lógica comercial e de monetização traz resultados impressionantes. Nos últimos 10 anos, o índice industrial dos EUA Dow Jones subiu 178%, ganho percentual próximo do Ibovespa, mas consideravelmente menor que o de Alphabet, Meta e Apple, que cresceram entre 600% e 800% no período.

A Amazon se destaca ainda mais à frente, com salto de 835% na década. Ainda assim, nada chega perto do desempenho da Nvidia, que disparou 30.730%.

O que surpreende também é como o valor dessas empresas bate – por muito – a economia de países como um todo. Um levantamento da Elos Ayta mostra que o valor de mercado atual das Sete Magníficas — US$ 18,25 trilhões em 10 de julho de 2025 — equivale a mais de oito vezes o PIB (Produto Interno Bruto) nominal do Brasil, estimado em cerca de US$ 2,2 trilhões em 2025.

“Isso evidencia a magnitude financeira dessas gigantes de tecnologia, que, juntas, valem múltiplos de uma das maiores economias emergentes do mundo. Em outras palavras, o mercado atribui a esse seleto grupo um valor que ultrapassa, com ampla margem, a produção de bens e serviços de todo o território brasileiro em um ano”, comenta Einar Rivero, CEO da consultoria reponsável pelo levantamento.

A Elos Ayta ainda destaca que, de 31 de dezembro de 2024 até 10 de julho de 2025, o valor de mercado agregado dessas sete gigantes saltou de US$ 16,19 trilhões para US$ 18,25 trilhões, um crescimento de US$ 2,06 trilhões.

Para efeito de comparação, o aumento de valor das big techs é mais que o dobro do valor total de todas as empresas listadas na B3, que no mesmo período foi de US$ 623 bilhões para US$ 779 bilhões — uma alta de US$ 156 bilhões.

Desse modo, as big techs se consolidam cada vez mais ao redor do mundo, apoiadas no ambiente norte-americano.

“Essas empresas hoje são mais importantes do que outros países. As pessoas de lá têm maior poder de influência do que presidentes de diversos países”, completou Lucas Abreu.

Colaboração de Fernando Nakagawa, Gustavo Zanfer, João Nakamura, Matheus Oliveira e Rodrigo Monteiro, da CNN

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Troca de favores no ambiente profissional constrói laços que não têm preço

Algoritmos ampliam o alcance e otimizam processos, mas só favores genuínos criam as conexões humanas de que realmente precisamos

RIMJHIM DEY – Fast Company Brasil – 19-09-2025 

Anos atrás, pouco depois de abrir minha própria agência de relações públicas, fui a uma festa e conheci uma jornalista de um grande veículo. Conversamos, trocamos contato e seguimos a vida.

Não nos falamos por anos, até que um dia ela me procurou. Uma fonte de uma reportagem sensível precisava de orientação para lidar com a pressão da imprensa. Não houve contrato, pagamento ou pedido formal – foi apenas alguém precisando de ajuda. Ofereci meus conselhos sem cobrar nada.

Com o tempo, essa jornalista começou a me indicar clientes e me apresentar a colegas que poderiam ser valiosos para o meu trabalho. Mais do que novos negócios, o que se construiu ali foi algo muito mais importante: confiança.

Existe uma “moeda invisível” que gera retornos maiores que qualquer contrato assinado: o poder dos favores – feitos de forma autêntica e recebidos com gratidão.

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Em um mundo no qual a IA escreve e-mails, sugere contatos e agiliza negociações, gestos que não podem ser automatizados se tornam ainda mais preciosos. Um “banco de favores” bem cultivado abre portas para relações duradouras, oportunidades e boa vontade que nenhum dinheiro é capaz de comprar.

Em 2015, pesquisadores do Instituto do Cérebro e Criatividade, da Universidade do Sul da Califórnia, mostraram que até pequenos gestos de gentileza – como segurar a porta com um sorriso – podem despertar uma gratidão genuína e até uma oferta de ajuda em troca.

Esse é o princípio do banco de favores: pequenas atitudes atenciosas influenciam a forma como os outros reagem e, com o tempo, geram retornos muito maiores – pessoais e profissionais. Em uma era na qual a IA cuida da eficiência do dia a dia, é isso que garante que nossas relações não se reduzam a meras transações de negócios.

COMO CONSTRUIR UM BANCO DE FAVORES

Seja autêntico

Todo fim de ano, enviamos presentes personalizados aos clientes. Para uma cliente que não parava de falar sobre os produtos de lã que comprou na Escócia, enviei uma manta artesanal com um bilhete explicando o motivo da escolha. A IA pode até lembrar datas e preferências, mas só você pode transformar essa informação em um gesto verdadeiro.

Compartilhe seu conhecimento

Uma das formas mais eficazes de construir um banco de favores é oferecer sua experiência sem enxergar cada interação como uma oportunidade de negócio. Recentemente, um jovem pesquisador nos ajudou em um projeto complexo de tecnologia de defesa, sem cobrar nada.

Ao entregar um trabalho de qualidade, ele sabia que estava cultivando um círculo de confiança que traria benefícios no futuro. O mesmo vale para empreendedores que usam IA: é possível escalar o que se compartilha publicamente, mas a generosidade individual continua insubstituível.

Quando (e como) pedir um favor

A questão não é tanto quando pedir um favor, mas como. O segredo está na clareza, na confiança e no respeito pela relação construída. Evite rodeios. Não esconda o pedido em longas explicações. Vá direto ao ponto: “você pode me apresentar a X?” ou “você teria 15 minutos para conversar sobre Y?”.

Isso facilita o “sim” e reforça o valor da relação. Você não está pedindo do nada – está acionando um crédito que já conquistou.

Em um mundo cada vez mais movido por algoritmos, IA e interações impessoais, o elemento humano nunca foi tão essencial. Como disse um cliente filósofo: “na era da IA, sigo apostando nos humanos”.

Um banco de favores não se constrói do dia para a noite, mas seus retornos são inestimáveis. Seja ajudando um amigo com seu bebê recém-nascido ou conectando um cliente a alguém estratégico, são esses gestos atenciosos que realmente fazem a diferença – nos negócios e na vida.


SOBRE A AUTORA

Rimjhim Dey é CEO da agência de relações públicas DEY Ideas & Influence.

Troca de favores no ambiente profissional constrói laços que não têm preço | Fast Company Brasil

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OpenAI, Oracle e SoftBank anunciam cinco ‘data centers’ no projeto Stargate

O objetivo do projeto Stargate, apoiado pelo governo Trump, é investir US$ 500 bilhões nos próximos quatro anos para construir 10 gigawatts de capacidade para operações de IA nos EUA

Por Valor/Dow Jones – 23/09/2025

A controladora do ChatGPT, OpenAI, a gigante de nuvem Oracle e a firma de investimentos SoftBank estão abrindo cinco novos “data centers” nos Estados Unidos, expandindo a presença da iniciativa de inteligência artificial (IA) apoiada pelo governo Trump chamada Stargate.

A OpenAI e a Oracle construirão três, que estarão localizados no condado de Shackelford, Texas; no condado de Doña Ana, Novo México; e em algum lugar ainda não anunciado no Meio-Oeste. Outros dois locais, construídos pela OpenAI e pela SoftBank, serão abertos em Lordstown, Ohio; e no condado de Milam, Texas.

“[Estamos] realmente focados em permitir que a IA tenha toda a capacidade computacional de que precisa”, disse o novo copresidente da Oracle, Clay Magouyrk, em uma entrevista coletiva em Abilene, o primeiro local do Stargate, nesta terça-feira (23).

As ações da Oracle subiam 1,22% nas negociações pós-mercado, em Nova York, para US$ 317, após o anúncio. Os papéis caíram 4,36% no pregão regular.

As empresas revelaram a parceria com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em janeiro. O objetivo do Stargate é investir US$ 500 bilhões nos próximos quatro anos para construir 10 gigawatts de capacidade para operações de IA nos EUA.

Os cinco novos locais elevam o projeto Stargate para quase 7 gigawatts de capacidade e mais de US$ 400 bilhões em investimentos nos próximos três anos.

“A IA é diferente da internet de várias maneiras, mas uma delas é o quanto de infraestrutura ela exige”, disse o diretor-presidente da OpenAI, Sam Altman, na coletiva. “Vamos avançar na infraestrutura o máximo possível, porque isso é o que vai impulsionar nossa capacidade de entregar tecnologia incrível, produtos incríveis e serviços.”

Os “data centers” de IA hospedam a infraestrutura necessária para executar cargas de trabalho poderosas de inteligência artificial por meio de redes, servidores e outros equipamentos de hardware. Como essas cargas de trabalho de IA exigem muita energia, os “data centers” são construídos não apenas para transmitir energia ao hardware, mas também par

O local de Abilene deve ser concluído em 2026. Parte desse centro de dados já está em funcionamento na Oracle Cloud Infrastructure. A Oracle e a OpenAI disseram que também estão analisando uma possível expansão do local de Abilene para produzir mais 600 megawatts.

25 mil empregos

Os três locais que estão sendo construídos pela OpenAI e Oracle, juntamente com o centro já existente em Abilene e o local potencial de expansão, poderão entregar mais de 5,5 gigawatts de capacidade, disseram as empresas, e devem criar mais de 25 mil empregos.

A construção do local no condado de Shackelford, que está sendo feita em parceria com a OpenAI e a Oracle, já começou, com o primeiro prédio programado para ser entregue no segundo semestre de 2026.

Ainda não há um cronograma específico para a construção dos centros do Novo México ou do Meio-Oeste, que também estão sendo construídos pela OpenAI e Oracle.

Os outros dois locais que estão sendo construídos com a SoftBank devem começar a escalar no próximo ano.

OpenAI, Oracle e SoftBank anunciam cinco ‘data centers’ no projeto Stargate | Empresas | Valor Econômico

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