Conteúdo feito por IA venceu: a internet não é mais humana

  • Empresas de IA passaram a querer ‘engajamento’ para aumentar o uso da plataforma, como redes sociais
  • Setor aposta em IAs que atuem como ‘namorada’, ‘terapeuta’, ‘amiga’ para gerar dependências emocionais

Ronaldo lemos – Folha – 26.out.2025

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro

Há uma virada histórica em curso. Pela primeira vez, o número de artigos escritos por inteligência artificial superou os textos produzidos por humanos na internet. Em 2025, 53,5% do conteúdo textual da web passou a ser gerado por máquinas. Vale notar que textos são só a ponta da lança. Áudio e vídeo estão indo na mesma direção.

Em paralelo, há uma mudança rápida no modelo de negócios das empresas de inteligência artificial. A IA até agora era vendida como uma ferramenta a ser aplicada em tarefas práticas. Não mais. As empresas de IA passaram a querer “engajamento“, isto é, aumentar o tempo de uso da plataforma. Tudo para reter a atenção do usuário ao máximo.

Soa familiar? Sim. Esse é o modelo de negócio das redes sociais. Só que agora movido por IA. Por exemplo, a OpenAI anunciou que vai permitir conversas sexuais da sua IA com adultos. Lançou também o Sora, aplicativo focado em vídeos curtos, como o TikTok, só que produzidos com IA.

As empresas do setor como um todo estão apostando em IAs que atuem como “companheira”, “terapeuta”, “amiga”, “namorada” e outros antropomorfismos capazes de gerar dependências emocionais entre humanos e máquinas. Se a expressão dos últimos anos foi “capitalismo de vigilância”, a dos próximos pode ser “capitalismo de dependência”.

Isso porque a IA ocupa uma posição privilegiada para explorar vulnerabilidades humanas: solidão, luto, tristeza, frustração. Especialmente entre os mais jovens. Em um mundo com pessoas cada vez mais solitárias e atomizadas, a IA estará sempre à espreita. Alguém que perde um parente próximo, tem um dissabor profissional, separa-se do companheiro, pode se sentir tentada a “se abrir” com a IA. É um ato mais fácil (e “sem fricção”) do que buscar conversar com outro ser humano.

A relação emocional das IAs com seres humanos é o triunfo do behaviorismo. Ao hiperfocar só no que pode ser observado externamente (ações, estímulos, respostas, palavras) e desincumbir-se dos processos mentais internos e verdadeiros, a IA assume um lugar de domínio estrutural. A partir da capacidade de testar seu aguilhão em centenas de milhões de pessoas, captando sinais objetivos e verificáveis e respondendo a eles em tempo real, converte-se em uma ferramenta de condicionamento sem precedentes.

Há exatos quatro anos escrevi na Folha o artigo sobre a “grande ruptura” (“Como as redes digitais demolem a cultura e ampliam a ansiedade“). Nele falava de como as mídias vinham sendo “instrumentalizadas para produzir manipulação emocional do que para comunicar”. E como “a informação ou conteúdo textual, quando presentes, servem apenas de veículo para transportar efeitos emocionais”. Estamos agora vivendo a grande ruptura com esteroides.

Conversando com o amigo Hermano Vianna sobre tudo isso, ele me falou: “A internet precisa de uma Revolução Francesa –estamos numa nova Bastilha–, é preciso reconstruir as praças públicas, os ‘Commons’, os rocios. Seria um bom projeto europeu”.

Seu comentário é apropriado. Nesta terça-feira (28) vou jantar com Emmanuel Macron no Palácio Eliseu. Vou propor exatamente isso. Talvez ele seja a pessoa certa para ouvir essa ideia.

Já era – democracias estáveis

Já é – falar no risco da desinformação para as democracias

Já vem – falar no risco da distração (e da atenção capturada) para as democracias

Conteúdo feito por IA venceu: a internet não é humana – 26/10/2025 – Ronaldo Lemos – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

‘Leitura performática’: entenda como ostentar livros virou mania entre celebridades, tiktokers e até personagens de ‘Vale Tudo’

Leitura deixou de ser experiência íntima na era das redes sociais: ‘Muitos priorizam quantidade em vez de qualidade’, diz booktoker

Por Bolívar Torres – O Globo – 20/09/2025

Uma selfie com um livro, uma estante instagramável, um post com a lista de “leituras do mês”. Na era das redes sociais, o ato de ler virou espetáculo. A exibição pública do livro pesa tanto ou mais do que a experiência íntima da leitura.

Esta mudança cultural tem nome: “performative reading” (leitura performática, em tradução livre). A expressão não indica, necessariamente, o hábito de simular leituras, mas o de compartilhar sua fome de livros para o restante do mundo.

Entre os leitores performativos, encontram-se celebridades globais como a diva pop Dua Lipa, que compartilha listas de títulos favoritos. Ou a cantora teen Olivia Rodrigo, que fez questão de mostrar o exemplar de “A hora da estrela” que carregava na bolsa.

O fenômeno também é impulsionado pelo BookTok, como é conhecida a comunidade dedicada a livros no TikTok. No Brasil, chegou à novela das 21h da TV Globo, que trata as obras literárias lidas pelas personagens como uma espécie de extensão da personalidade delas. Em episódio recente de “Vale tudo”, a aspirante a influencer Maria de Fátima (Bella Campos) se fotografou com um título da poeta Cecília Meireles. Mesmo não sendo muito chegada à literatura, a personagem usou a obra para performar uma aura cult.

— Na sociedade do espetáculo, não importa tanto a experiência emocional que um livro desperta, mas a imagem que ele projeta para o olhar do outro — diz o psicanalista e pesquisador André Alves, cofundador da página @floatvibes, que analisa tendências contemporâneas. — Tudo é feito para esse olhar publicizado, que convoca o engajamento o tempo todo.

Hábito da leitura em queda

Enquanto registros de livros se multiplicam, pesquisas sobre hábitos de leitura assustam especialistas. A última edição do Retratos da Leitura registrou a maior queda já medida desde o início da pesquisa no Brasil. E um levantamento feito pelo University College London e pela Universidade da Flórida mostrou que o número de pessoas que leem por prazer despencou 40% em 20 anos nos EUA. No TikTok, um vídeo viral dá dicas de como “ler” títulos em um dia usando o ChatGPT. Basta anexar um PDF da obra e pedir para a plataforma resumir tópicos, tramas, personagens etc.

— A necessidade de produzir conteúdo constante faz com que muitos priorizem quantidade em vez de qualidade — diz o jornalista e booktoker Rodrigo De Lorenzi. — Muitas vezes, a “leitura” se resume a folhear páginas, fotografar a capa ou citar um trecho fora de contexto, sem aprofundamento ou real compreensão do conteúdo.

Da oralização pública dos escritos sagrados pelos monges aos saraus poéticos, a leitura sempre foi acompanhada de sociabilidade. Essa dimensão comunicacional, porém, ganhou novas configurações e usos com os leitores conectados do século XXI.

— Hoje, o livro pode ser ao mesmo tempo acessório de moda, símbolo de status, artefato cultural, objeto de performance e tantas outras camadas, a depender das características de sua produção, circulação e recepção — diz Jean Silveira Rossi, pesquisador das práticas de leitura e das culturas digitais.

Séculos antes da invenção da fotografia e do Instagram, as damas da sociedade já tinham o costume de posar com livros para pintores. Historiadora da Universidade de São Paulo, Marisa Midori cita o célebre retrato de Madame de Pompadour com uma Enciclopédia de Diderot. Censurada pelo governo da época, a obra aparece como símbolo de distinção, poder e rebeldia.

— A performance da leitura antecede as redes sociais — diz Midori. — A diferença é que agora o celular invadiu as nossas vidas a ponto de registrar até os momentos íntimos. É como se não tivéssemos mais uma separação entre vida pública e privada.

‘Bookshelfie’

Desde que a pandemia popularizou lives e chamadas de vídeo dentro dos lares, as estantes de livros ficaram mais públicas do que nunca. O neologismo bookshelfie combina as palavras inglesas book (livro), shelf (prateleira) e selfie para descrever os registros das nossas bibliotecas. Em julho, a influencer Rafa Kalimann foi alvo de críticas ao pagar R$ 10 mil em livros para supostamente embelezar a casa. A polêmica pôs em evidência o nicho dos coffee table books, ou livros decorativos.

Diretora da Queen Books, referência na importação de livros do segmento, Debora Medeiros diz que as edições de luxo não são apenas objetos de status. Elas ajudam a definir a personalidade dos donos da casa.

— Basta olhar esses livros para entender os interesses da pessoa, sem que ela precise dizer uma palavra — diz ela. — Quem ama viajar pode ter livros sobre destinos marcantes, quem é fascinado por moda pode exibir títulos sobre suas grifes favoritas. Os livros de culinária da editora inglesa Phaidon, lindíssimos, além de informativos, ficam maravilhosos em uma cozinha.

Para Midori, a expressão “leitura performática” traduz o efeito imediato das redes sociais. Ou seja, transforma em instantaneidade uma prática que exige tempo e introspecção. Contudo, o fenômeno teria um lado positivo, de acordo com a historiadora.

— Pelo menos, isso está ajudando a manter os livros em circulação — diz Midori. — Talvez a leitura não tenha desaparecido e apenas tenha sido incorporada ao fluxo das redes. Fotografar, compartilhar e comentar pode ser um novo modo de ler em comunidade.

‘Leitura performática’: entenda como ostentar livros virou mania entre celebridades, tiktokers e até personagens de ‘Vale Tudo’

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Por que a bolha da inteligência artificial é diferente

Descompasso financeiro, ‘valuations’ estratosféricos e adoção hesitante, sinais clássicos de bolha, estão presentes

IA, porém, virou infraestrutura estratégica protegida preventivamente por Estados, ao contrário de 1999 ou 2008

Álvaro Machado Dias – Folha – 19.out.2025 

Neurocientista, professor livre-docente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e sócio do Instituto Locomotiva e da WeMind

Bolha econômica é um consenso diante do futuro sobre fundamentos negados pelo presente.

No caso da inteligência artificial, ela surge de três aros entrelaçados como os anéis olímpicos, prontos para soprar bolhas sem sabão. O primeiro é a desproporção entre investimento e faturamento.

As cinco maiores empresas de tecnologia investiram US$ 560 bilhões em infraestrutura de IA em 2024-2025 e faturaram US$ 35 bilhões, uma proporção de 16 para 1. Em escala global, o último relatório da Bain & Co. diz que são necessários US$ 2 trilhões em receita anual nova até 2030 para financiar o poder computacional necessário, mas as projeções otimistas chegam a apenas US$ 1,2 trilhão.

O segundo aro é o dos “valuations” especulativos. A Nvidia, pilar da IA no Ocidente, vale US$ 4,38 trilhões, mais que todo o mercado de ações britânico. No mês passado, comprometeu-se com US$ 100 bilhões para a OpenAI, empresa privada mais valiosa do mundo, que vai comprar os seus chips, em mais um mega-acordo circular. Ilya Sutskever deixou a empresa de Sam Altman em maio de 2024 e, em dez meses, criou um concorrente de US$ 32 bilhões. Mira Murati fez o mesmo quatro meses depois e, em mais cinco, sua startup estava avaliada em US$ 12 bilhões. Nenhum dos dois tem produto.

O terceiro é a desaceleração na adoção: muitas empresas ainda não conseguem converter investimento em IA em retorno tangível e isso vem gerando uma leve retração.

A discussão do momento, que Vinicius Torres Freire vem trazendo de forma magistral, é sobre os impactos sistêmicos da correção de mercado que tende a ocorrer em 2026 ou 2027. Um fator central é o endividamento no setor de tecnologia. O Goldman Sachs calcula que US$ 141 bilhões dos US$ 500 bilhões gastos pela indústria de IA em 2025 vieram de dívida corporativa direta, superando o investimento total no ano anterior. Isso aumenta a exposição dos bancos e parceiros de infraestrutura, como o governo brasileiro, cujos incentivos fiscais baseados no regime especial de tributação de datacenters (MP 1.318/2025) precisam considerar o risco do abandono desses projetos.

Os três aros —descompasso financeiro, “valuations” estratosféricos e adoção hesitante— formam o retrato clássico de uma bolha. Ainda assim, não acredito que a correção terá a relevância histórica de crises anteriores, como 2008 ou a das pontocom, apesar de estarmos no maior ciclo de investimentos da história da humanidade.

A IA vai transformar setores inteiros e redesenhar cadeias produtivas globais na década que vem. Mesmo antes dessa transformação se concretizar, a conversão da tríade energia, datacenters e inteligência de máquina em infraestrutura do futuro nos planos das grandes potências sugere que não pouparão esforços em preservá-la, ao contrário do que ocorreu em 1999 ou em 2008, cujos salva-vidas massivos foram tardios e reativos.

A visão atual nas economias avançadas é que há uma corrida existencial a ser vencida ao lado dos campeões nacionais, tal como na Segunda Guerra Mundial, o que retroalimenta o declínio do “laissez-faire” em prol do estatismo comprometido com o sucesso dessas empresas. No final, milhares de startups pouco expressivas serão varridas do mapa, mas é bem possível que Jensen Huang esteja certo ao prever que a OpenAI se tornará a empresa mais valiosa da história.

Por que a bolha da inteligência artificial é diferente – 19/10/2025 – Álvaro Machado Dias – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Propósito: a Maior Patente da História

Entrelinhas, por Junior Borneli – out 23, 2025

Algumas invenções mudaram o mundo não apenas pela genialidade de quem as criou, mas pela generosidade de quem as entregou. É o caso da insulina e do cinto de segurança de três pontos da Volvo, duas criações que poderiam ter rendido fortunas, mas que foram compartilhadas com o mundo por um motivo maior: o propósito de salvar vidas.

Em 1922, quando Frederick Banting, Charles Best e James Collip isolaram a insulina pela primeira vez e conseguiram reverter o quadro de um jovem chamado Leonard Thompson, o mundo médico entendeu que estava diante de um milagre científico. O diabetes, que até então era uma sentença de morte, passou a ser tratável. A descoberta tinha valor incalculável. Mas, em vez de registrar uma patente e lucrar com ela, os cientistas venderam os direitos para a Universidade de Toronto por apenas um dólar. Banting explicou o gesto com uma frase que ecoa até hoje: “A insulina não pertence a mim. Ela pertence ao mundo.”

Quarenta anos depois, em 1959, um engenheiro sueco chamado Nils Bohlin, funcionário da Volvo, criou o cinto de segurança de três pontos, um sistema simples e revolucionário que se tornaria o padrão global de segurança automotiva. Ele reduzia drasticamente o número de mortes em acidentes e poderia ter transformado a Volvo na empresa mais lucrativa da história, caso ela tivesse decidido patentear e restringir o uso. Mas a companhia fez o oposto. Abriu a patente para qualquer montadora que quisesse usar o design. A frase oficial da época dizia: “É impossível manter algo que salva vidas só para nós.”

As duas histórias têm um elo invisível: ambas mostram que propósito é quando a inovação encontra a consciência. É o momento em que a tecnologia deixa de ser um produto e se torna uma herança. É quando o criador entende que seu trabalho pode gerar algo muito maior do que lucro, pode gerar legado.

Hoje, a insulina salva milhões de pessoas todos os anos. O cinto de segurança de três pontos, segundo a própria Volvo, já salvou mais de um milhão de vidas desde sua criação. E o mais bonito é que nenhum dos dois atos foi impulsionado por marketing, por estratégia ou por tendência. Foi puro senso de humanidade.

Em um tempo em que o sucesso é medido por valuation e não por contribuição, vale lembrar dessas histórias. A verdadeira inovação não é a que cobra caro pela solução, mas a que entrega valor à humanidade.

Propósito: a Maior Patente da História

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Como a inteligência artificial vai mudar o trabalho do professor?

No País, maioria dos professores considera inteligência artificial uma aliada, só que a adesão em sala de aula ainda é limitada

Por Ocimara Balmant – Estadão -14/10/2024 

Ledo engano se você acredita que utilizar inteligência artificial (IA) em sala de aula se resume ao ChatGPT. As possibilidades que a inteligência artificial oferece estão em todos os níveis da educação, desde dar mais eficiência para os professores até auxiliar na compreensão dos alunos e ajudar no desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Esse movimento já está em curso em instituições de todo o País. Uma pesquisa do Instituto Semesp, realizada com 444 professores da educação básica em março de 2024, mostra que 74,8% dos docentes enxergam a tecnologia e a IA como aliadas no ensino. No entanto, enquanto a tecnologia acelera o acesso à informação, os professores também percebem que ela traz diversos desafios como a dispersão dos alunos.

Curiosamente, apesar do reconhecimento de seus benefícios, apenas 39,2% dos professores afirmam utilizar essas ferramentas com regularidade em sala de aula. Esse dado evidencia que há uma distância entre o potencial da tecnologia e sua implementação cotidiana.

Carlota Boto, diretora da Faculdade de Educação da USP, acredita que essa lacuna se deve à complexidade do uso da IA, que vai além de ser uma simples ferramenta técnica. Para ela, a IA tem o poder de redefinir o modo como o conhecimento é acessado e compartilhado. “A inteligência artificial pode ser uma aliada valiosa no preparo das atividades em sala de aula, mas, para que isso ocorra de forma eficaz, é preciso que o professor tenha domínio tanto da ferramenta quanto do conteúdo a ser trabalhado.”

Essa transformação, para ela, exige que os docentes reavaliem as práticas pedagógicas, desafiando tradições e abraçando a inovação. “A primeira questão a ser pensada é o repertório: o que estamos ensinando e como isso se conecta com o mundo em transformação? É importante respeitar as tradições pedagógicas, mas também integrar novos conteúdos que dialoguem com as demandas atuais.”

Leia também

E de agora em diante?

Na era da IA generativa, o impacto dessa tecnologia é notável na produção de conteúdo. Anderson Soares, coordenador do primeiro bacharelado em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG), observa que “a geração de conteúdo sempre foi algo muito artesanal, mas a IA generativa permite criar músicas, textos e materiais de forma automática”. “Isso abre caminho para que os alunos atuem mais no campo criativo e menos nas tarefas manuais.”

Para Soares, essa nova realidade oferece oportunidades que promovem ações cooperativas e colaborativas, essenciais para o desenvolvimento das competências do futuro. No entanto, o avanço tecnológico também traz um desafio significativo: como trabalhar as habilidades socioemocionais em um ambiente altamente tecnológico?

Para Guilherme Cintra, diretor de inovação e tecnologia da Fundação Lemann, a resposta está na criatividade e na capacidade do professor de criar um ambiente de troca real entre os alunos. “A nossa capacidade de criar e manter relações verdadeiras será o que nos distinguirá das máquinas”, afirma, destacando que o professor precisa ser mais do que um transmissor de conhecimento, atuando como facilitador de interações humanas e reflexões profundas.

Além disso, o sistema educacional como um todo precisa se adaptar para apoiar os professores nessa transformação. “Não podemos esperar que os professores assumam sozinhos a responsabilidade de toda essa mudança”, diz Cintra. Repensar a formação dos docentes, o currículo e a gestão escolar é essencial para que a tecnologia seja usada de forma eficaz, sem sobrecarregar os educadores.

Para o especialista Anderson Soares, embora a tecnologia possa otimizar o aprendizado e personalizar o ensino, o desenvolvimento de habilidades humanas fundamentais como empatia, trabalho em equipe e criatividade ainda depende da capacidade do educador de criar relações significativas. “A educação tem um papel essencial para nos mostrar como tecnologia não vai resolver nenhum problema por nós, mas que a resolução ainda compete ao ser humano, ainda compete a nossas habilidades socioemocionais.”

Integração

Lucas Chao, especialista em IA e educador no Colégio Santa Cruz, demonstra como a tecnologia pode ser uma poderosa aliada no processo de ensino. Ele ministra uma eletiva de inteligência artificial no ensino médio da escola em São Paulo, que aborda desde a história até as aplicações mais avançadas da tecnologia, incluindo programação em Python e criação de conteúdo com IA generativa. “O curso vai além do ensino técnico; ele desafia os alunos a refletir criticamente sobre as implicações éticas da IA.”

Paralelamente, no ensino fundamental 2, Chao lidera uma oficina chamada CodingLab, focada em letramento digital e desenvolvimento de jogos, onde introduz conceitos de IA de maneira prática e crítica. Ele enfatiza a importância de “pensar sobre” a IA, questionando os resultados e visões gerados por ferramentas como ChatGPT e Gemini. Lucas investiga se as representações produzidas por essas ferramentas carregam preconceitos ou vieses.

Uso de IA só funciona no contexto de troca entre aluno e mestre

Mas, afinal, a IA pode substituir o papel do professor? Segundo Guilherme Cintra, diretor de inovação e tecnologia da Fundação Lemann, a interação humana continua sendo fundamental para um aprendizado eficaz. “Usar uma ferramenta por si só, sem um contexto de troca com humanos, em que exista uma relação no centro do processo, não basta”, afirma.

Existem diversas ferramentas de IA que podem potencializar o papel dos professores em suas atividades. A PeerTeach, por exemplo, conecta alunos para colaboração, personalizando o aprendizado. Já a Letrus corrige redações, liberando tempo para que os professores se dediquem a atividades mais estratégicas, como identificar as necessidades individuais de cada aluno. “A inteligência artificial, quando bem usada, centraliza o processo na relação humana e permite a adaptação para diferentes contextos. Isso é não substituir o professor”, diz ele.

Leia também

Como a inteligência artificial vai mudar o trabalho do professor? – Estadão

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Foz do Amazonas pode colocar Brasil entre os quatro maiores produtores de petróleo do mundo

País está hoje na sexta posição do ranking. Se potencial da região for confirmado, produção nacional pode alcançar 5 milhões de barris diários a partir de 2030, atrás apenas de EUA, Arábia Saudita e Rússia

Por Bruno Rosa — O Globo – 21/10/2025

Sonda usada pela Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem EquatorialSonda usada pela Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial — Foto: Divulgação/Foresea/Petrobras

A Bacia da Foz do Amazonas pode ajudar o Brasil a ficar entre os quatro maiores produtores globais de petróleo na próxima década. De acordo com analistas, se o potencial da região for confirmado, o país pode ultrapassar a marca de 5 milhões de barris diários de produção a partir de 2030, ultrapassando Canadá e China e ficando atrás apenas de Estados Unidos, Arábia Saudita e Rússia.

O Ibama autorizou nesta segunda-feira a Petrobras a perfurar o primeiro poço exploratório de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial.

Segundo Rivaldo Moreira Neto, diretor da A&M Infra, a licença dada pelo Ibama indica ainda uma tendência de desenvolvimento de novas áreas na Bacia da Foz do Amazonas. Segundo dados da Trading Economics, o Brasil está hoje na sexta posição no ranking dos maiores produtores de petróleo do mundo, com 3,9 milhões de barris por dia.

Veja o ranking atual:

  • Estados Unidos: 13,6 milhões de barris diários
  • Arábia Saudita: 9,9 milhões de barris por dia
  • Rússia: 9,7 milhões
  • Canadá : 4,8 milhões
  • China: 4,4 milhões
  • Brasil: 3,9 milhões
  • Iraque: 3,8 milhões

Para ele, com base em países vizinhos, como Guiana e Suriname, que já produzem entre um e dois milhões de barris por dia, o Brasil pode alcançar um novo patamar de produção já na próxima década.

— Se a Bacia da Foz do Amazonas apresentar o potencial que é previsto, vai ajudar o Brasil a manter o seu nível de produção, que começa a declinar já no início dessa década, com a queda na produção do pré-sal. Isso vai permitir que o país consiga preservar sua relevância e até alcançar o grupo dos maiores produtores globais de petróleo na próxima década se aproximando de Canadá e ultrapassando a China.

 — Foto: Arte O GLOBO— Foto: Arte O GLOBO

Para Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras e presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), a perspectiva positiva na Bacia da Foz do Amazonas tem potencial para colocar o Brasil entre os cinco maiores produtores globais de petróleo.

— Para o país, é uma fronteira importante. O Brasil tem condição de ficar entre os cinco maiores produtores de petróleo do mundo, com uma reserva nova e relevante. Mas, é claro, isso também vai depender do comportamento e da produção dos outros países.

Variedade de investimentos, diz Prates

Segundo ele, a licença concedida pelo Ibama pode servir ainda como um importante estímulo para novos investimentos na região. Para Prates, o fato de diversas companhias terem arrematado blocos no último certame da Agência Nacional do Petróleo (como Chevron, CNPC e ExxonMobill) demonstra que há um claro interesse pelas oportunidades oferecidas nessa área.

— As empresas cercaram a área por precaução. Mesmo que não encontrem nada, já garantiram a titularidade dos blocos. Existe uma geologia positiva do ponto de vista petrolífero, o que confirma as teses da Petrobras. Mas isso, por si só, ainda não garante nada. A partir do momento em que as empresas começarem a operar na região, realizando estudos sísmicos, perfurando poços de avaliação e desenvolvendo projetos para exploração dos campos, esse movimento certamente vai estimular uma ampla variedade de novos investimentos.

Prates ressalta ainda que o início da perfuração na Bacia da Foz do Amazonas vai provocar uma discussão relevante durante a COP.

— O Brasil precisará assumir uma posição clara e mostrar que é possível produzir petróleo e, ao mesmo tempo, ser líder na transição energética. Isso não é um problema e nem faz o país perder autoridade. Como pioneiro em biocombustíveis, com uma matriz energética limpa e em processo de redução do desmatamento, o Brasil tem plena capacidade de liderar o movimento ambiental, mesmo produzindo petróleo na Bacia da Foz do Amazonass.

Segundo especialistas, a aprovação dada pelo Ibama para que a Petrobras perfure seu primeiro poço exploratório traz um efeito importante para o setor, pois pode aumentar a expectativa das empresas privadas que já arremataram áreas na região no último leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo .

A licença concedida pelo órgão ambiental abre ainda caminho para que o país aprofunde os estudos sobre essa nova fronteira, o que pode elevar a produção nacional na próxima década.

— O movimento cria um cenário mais favorável para o setor, com empresas privadas podendo obter sucesso em suas próximas campanhas exploratórias e impulsionar o interesse em futuros leilões — diz ele.

Em junho deste ano, a ANP realizou um leilão em que foram arrematados 19 blocos na Margem Equatorial, todos localizados na Bacia da Foz do Amazonas. A Petrobras liderou o processo, conquistando 10 blocos, todos em parceria com a americana ExxonMobil. Além disso, a americana Chevron levou nove blocos em parceria com a chinesa CNPC. Os contratos ainda não foram assinados, segundo a ANP.

Nove concessões em vigor

Há hoje nove concessões em vigor na Bacia da Foz do Amazonas, segundo a ANP. A Petrobras tem seis. Além do FZA-M-59, que obteve a licença na segunda-feira para perfurar, há ainda blocos vizinhos, como FZA-M-57, FZA-M-86, FZA-M-88, FZA-M-125 e FZA-M-127.

Além disso, segundo a ANP, a Petro Rio Coral (hoje Prio) tem dois blocos em uma área próxima a da Petrobras, com o FZA-M-254 e FZA-M-539. A Enauta tem o bloco FZA-M-90, perto dos da Petrobras.

47 blocos em oferta e 59 em estudo

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, há 47 blocos na Bacia da Foz do Amazonas em águas profundas ou ultraprofundas na oferta permanente. As áreas contam com uma fase de exploração de até sete anos. Além disso, há 59 blocos na Bacia da Foz do Amazonas em águas profundas e ultraprofundas em estudo pela agência.

No modelo de oferta permanente da ANP, a agência disponibiliza uma base de dados com as áreas disponíveis. A petroleira compra um pacote de dados (com informações de sísmica, geologia etc) sobre a região e sinaliza o interesse. Com isso, a ANP coloca a área na lista de blocos que podem ir a leilão.

Segundo Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), a licença obtida pela Petrobras para perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas é muito positiva para o setor. Para ele, essa autorização pode estimular outras empresas do segmento a acelerarem seus investimentos na região. Ardenghy cita o caso das companhias que venceram áreas no último leilão como um exemplo de movimento que tende a se intensificar nos próximos anos.

– O fato de já ter saído a primeira licença dá mais robustez aos projetos e estimula, sim, as companhias a investirem mais, podendo fazer mais investimentos em sísmica para conhecer ainda melhor as áreas que elas arremataram no último leilão. Mas estamos hoje numa fase de otimismo cauteloso, porque não adianta ter apenas petróleo. É preciso ter um volume suficiente para declarar a comercialidade da áreA – afirmou.

Segundo o presidente do IBP, a importância de explorar a Bacia da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial, está em ajudar o Brasil a repor suas reservas de petróleo. Ele cita, por exemplo, o caso da Bacia de Campos, que atualmente produz apenas 50% do que já produziu. Além disso, lembra que o pré-sal, descoberto em 2006, hoje responde por mais de 75% da produção de petróleo no país.

– Talvez isso aconteça também com a Bacia da Foz do Amazonas. E esse será o diferencial do Brasil na próxima década, já que a demanda por petróleo vai continuar – concluiu Ardenghy.

Foz do Amazonas pode colocar Brasil entre os quatro maiores produtores de petróleo do mundo

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

O YouTube está virando a nova televisão

Mais gente assiste à plataforma no aparelho hoje nos EUA do que assiste a canais abertos

No Brasil, última Pnad mostrou que 53,5% acessaram a internet por meio da TV

Ronaldo Lemos – Folha – 19.out.2025 

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro

O YouTube está virando a nova TV. Em fevereiro de 2025 a plataforma comemorou dois anos como o streaming mais visto nos EUA. No mesmo mês conseguiu um feito notável: tornou-se o maior provedor de conteúdo audiovisual, mesmo comparado com a televisão, o cabo e o streaming.

E mais importante: o lugar onde o YouTube é mais acessado hoje não é mais o celular nem o computador. É o aparelho de TV. Mais gente assiste ao YouTube na televisão hoje nos EUA do que assiste a canais abertos.

Essa mudança traz consigo um abalo sísmico na publicidade. Anunciar na TV virou anunciar no YouTube nos EUA. Marcas estão gastando a maior parte do seu orçamento para o YouTube em anúncios veiculados quando o usuário está assistindo a vídeos na TV.

Inclusive, o YouTube criou “breaks” especiais quando é visto pela televisão. Isso inclui anúncios quando conteúdo é pausado (“pause-vertising”) e também publicidades mais longas que não permitem pular nem avançar.

Uma das razões desse sucesso na TV é o conteúdo (já vou falar sobre isso). Mas a razão principal é uma estratégia muito bem desenhada de realizar acordos com fabricantes de TVs para incluir o aplicativo do YouTube diretamente nos aparelhos de todo o planeta. É como se o YouTube viesse “de fábrica”.

O sucesso dessa ação foi tão grande que agora há uma disputa para povoar as TVs com outros aplicativos “de fábrica”. O aparelho que antes era usado só para canais de TV e de cabo agora virou um território de disputa.

Por exemplo, a Meta está trabalhando para colocar o Instagram nos aparelhos, com conteúdo do Reels. O TikTok está fazendo o mesmo, para que seus vídeos curtos sejam assistidos também nas salas de TV.

Com relação ao conteúdo, o YouTube construiu um império silencioso nos últimos anos. A plataforma tem hits globais como o MrBeast ou o IShowSpeed, dentre outros. E tem também hits locais muito bem articulados, como a CazéTV, com audiência de milhões de pessoas.

Esse alcance todo só é possível por causa da infraestrutura fornecida pelo Google: servidores, redes de distribuição de conteúdo em todo o Brasil, plataforma de monetização e de anúncios digitais, recomendação pelo algoritmo, e assim por diante.

Essas mudanças foram capturadas no Brasil pela última Pnad. O percentual de pessoas que “acessaram a internet” por meio do aparelho de TV subiu de 11,3% em 2016, para 53,5% em 2024. Por “acessar a internet” entenda-se justamente assistir a serviços de streaming, incluindo o YouTube, pela TV. Já o acesso à rede pelo computador caiu de 63,2% para 33,4% no mesmo período.

Nas palavras do CEO da empresa, Neal Mohan: “Em apenas duas décadas o YouTube mudou totalmente a forma como assistimos e criamos entretenimento. Tornou-se o epicentro da cultura. E a carreira dos sonhos para milhões de pessoas no mundo todo”.

Milhões é pura modéstia. Só nos EUA, 54% das pessoas entre 18 e 60 anos afirmam que largariam seus empregos se pudessem viver como criadores de conteúdo em tempo integral. Não me surpreenderia com números similares no Brasil.


READER

Já era Comércio só físico

Já é Ecommerce

Já vem A-Commerce (Agentic Commerce, comércio por meio de agentes de IA)

O YouTube está virando a nova televisão – 19/10/2025 – Ronaldo Lemos – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Como carbonaras e tiramisùs engoliram a Itália: conheça os efeitos da ‘turistificação’ da comida

Embora a gastronomia seja essencial para a identidade e a economia do país, italianos temem que o excesso transforme os centros das cidades em algo caricatural

Por Emma Bubola – Estadão/(The New York Times) e Motoko Rich (The New York Times) 18/10/2025 

Parecia não haver fim para a expansão das iguarias italianas. Bolas de arroz arancine fritas, cannoli e Aperol spritz fluorescentes se espalhavam pelas toalhas de mesa quadriculadas em vermelho e verde dos 31 restaurantes lotados em uma única rua de Palermo, alimentando uma multidão poliglota e extasiada. “Este trecho aqui é magnífico: tem restaurante após restaurante”, disse Mark Smith, de 55 anos, turista australiano enquanto saboreava um Aperol spritz na Via Maqueda.

Para o prefeito de Palermo, isso foi spritz demais. Ele proibiu a abertura de novas cantinas na Via Maqueda e nas ruas adjacentes neste ano, admitindo que mesmo o santo Graal italiano da culinária havia atingido seu ponto de saturação. “Muito açúcar estraga o café”, afirmou o prefeito, Roberto Lagalla, mastigando ocasionalmente um charuto apagado durante uma entrevista num palazzo no centro histórico da capital da Sicília. O centro de Palermo “não deve se transformar numa vila gastronômica”, declarou ele.

Embora os italianos sejam fãs fervorosos de sua culinária nacional, muitos agora temem que ela esteja inundando os centros das cidades, sufocando o comércio local e a vida cotidiana em favor do turismo. Em Bolonha, Florença, Roma e Turim, as ruas foram transformadas no que os críticos veem como infinitos restaurantes ao ar livre servindo carbonara em frigideiras instagramáveis, enquanto mulheres esticam tagliatelle atrás de vitrines, em simulações num estilo de “zoológico de nonas”.

A massificação da imagem

As preocupações dos italianos não são simplesmente um desdém pelos turistas ou uma disputa estética, e sim uma questão que as autoridades têm levado a sério. As autoridades de Florença também proibiram a abertura de restaurantes em mais de 50 ruas. Embora a comida seja central para a identidade e a economia da Itália, alguns governantes e moradores temem que o excesso possa minar a própria autenticidade que ela celebra, transformando partes da Itália em uma versão caricatural e anacrônica de si mesma. “É um parque de diversões, não uma cidade”, disse Karen Basile, assistente social e moradora de Palermo, sobre a Via Maqueda.

Na última década, o aumento do turismo transformou os centros históricos das cidades italianas. Algumas se tornaram mais animadas e multiculturais. Outras começaram a se esvaziar por dentro. O centro de Roma perdeu mais de um quarto de seus residentes nos últimos 15 anos, e a população local caiu nas áreas centrais de Veneza e de Florença em taxas muito mais rápidas do que em outros bairros. As cidades italianas dependem cada vez mais do turismo, que representa 13% da economia do país, e as viagens enogastronômicas quase triplicaram na última década, de acordo com a agência nacional de turismo.

A mudança é visível nas placas de bed & breakfasts que lotam as entradas de edifícios de apartamentos residenciais e em frotas de minivans, carrinhos de golfe de dez lugares e malas extragrandes batendo nos paralelepípedos em vielas estreitas. E uma das manifestações urbanas mais invasivas da era do turismo é uma explosão de lojas de limoncello, tiras de tiramisù e onipresentes travessas de spaghetti que sobrecarregaram as ruas centrais. Na última década, centenas de novos restaurantes foram abertos nos destinos urbanos maiores e mais visitados, bem como em lugares que antes eram menos populares.

A participação dos italianos

O turismo por si só não é responsável pelo fechamento de lojas tradicionais ou mercadinhos. Os italianos frequentemente compram em supermercados, shopping centers ou online. No entanto, para muitos vendedores de alimentos, oferecer uma culinária italiana estereotipada para multidões de alto consumo, fáceis de agradar e que desembarcam de navios de cruzeiro se provou ser mais lucrativo do que sobreviver com uma banca de frutas ou peixes que atende a uma clientela local em declínio.

“É como se em uma rua aparecessem consumidores que fossem cegos, sem papilas gustativas e com um estômago de ferro”, disse Maurizio Carta, arquiteto de Palermo encarregado do planejamento urbano. “Os empresários se aproveitaram.”

Em Palermo, onde o turismo é responsável por quase 10% da economia, o número de restaurantes no centro da cidade dobrou nos últimos dez anos, de acordo com a Fipe, a federação italiana de empresas de alimentação e turismo. Depois que a Unesco reconheceu como Patrimônio da Humanidade a arquitetura normanda e árabe da cidade, em 2015, o número de visitantes passou a aumentar. No ano passado, passaram de 1 milhão, um salto de 50% em relação a cinco anos antes.

Em um dia do mês passado, alguns visitantes se maravilhavam com a opulenta catedral e a casa de ópera da cidade ou com as magnólias em seu jardim botânico. Para outros, a visita se concentrava mais nas arancine. “A ideia é aproveitar a comida e a bebida e estar com os amigos”, disse Jack McAuley, de 71 anos, controlador de tráfego aéreo aposentado da Força Aérea da Flórida, num mercado de alimentos no centro de Palermo, entre degustações de croquetes. “Eu não me importei muito com a história.”

Especialistas dizem que um frenesi alimentar global contribuiu para o que chamam de foodfication, ou gentrificação por meio da comida. O governo italiano abraçou a obsessão culinária, apresentando recentemente uma candidatura de patrimônio da Unesco para sua culinária variada e saborosa. “Às vezes, o Coliseu é uma desculpa para um americano entre um cacio e pepe e uma amatriciana”, disse Roberto Calugi, diretor-geral da Fipe, referindo-se a alguns dos pratos de massa mais populares da Itália.

Em vez de culpar os turistas, os anti-pasta italianos dizem que o governo fez muito pouco para desenvolver outras indústrias. De acordo com um ranking recente da European House-Ambrosetti, uma consultoria italiana, o país europeu está atrasado em inovação, pontuando abaixo de todas as principais economias europeias. “Por que não tentamos conseguir um novo Galileu em vez de apenas um monte de excelentes chefs?”, perguntou Salvatore Settis, ex-diretor da Scuola Normale Superiore, universidade em Pisa.

Os dois lados da moeda

Ao mesmo tempo, o turismo oferece uma tábua de salvação essencial para o emprego de muitos. Em uma conferência da indústria em Roma em setembro, a primeira-ministra, Giorgia Meloni, chamou o turismo de um “extraordinário gerador de riqueza e bem-estar”. Autoridades em Palermo disseram que as reformas destinadas a atrair turistas aprimoraram uma área que estava dilapidada e perigosa até o início dos anos 2000, ainda ostentando as cicatrizes dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial e de uma história de assassinatos da Máfia.

As melhorias turísticas estão “tornando o centro da cidade melhor do que era antes”, disse Alessandro Anello, à frente do Turismo de Palermo. Valeria Vitrano, guia turística em Palermo, reclamou que seu vendedor de vegetais preferido recentemente converteu sua banca em um restaurante e que o aumento dos aluguéis expulsou seus amigos do centro da cidade. Ainda assim, ela reconheceu que o turismo lhe oferecia um emprego. “Eu estou nisso”, disse ela. “Essa é a luta.”

Recentemente, visitantes passeavam pelas poucas bancas de vegetais e peixes que restavam no Mercato del Capo de Palermo. O mercado, que costumava vender abobrinhas, pêssegos, peixes e carne bovina para moradores locais, agora oferece principalmente macarrão em espiral no palito, biscoitos de marzipan em forma de cannoli e comida de rua frita para turistas.

Uma turista parou para perguntar a um vendedor de frutas se ele lhe daria uma castanha grande e redonda de sua banca enquanto ela empunhava um selfie stick. Paolo di Carlo, de 67 anos, a terceira geração de uma família vendedora de frutas, contou que em alguns dias mal conseguia faturar € 100,. “Perdemos todos os nossos clientes”, disse Di Carlo. “Agora é tudo fast food aqui.”

Autoridades em Palermo disseram que a administração local continuaria a promover o turismo, enquanto também buscava atrair conferências corporativas e fornecer internet de alta velocidade para nômades digitais. Limitar novas licenças de restaurantes, disse Carta, também evitaria que outras ruas se tornassem monoculturas de Aperol spritz. A bebida, aliás, não se originou na Sicília, mas no norte da Itália.

Os visitantes numa noite recente de semana não se importavam. “Normalmente eu bebo cerveja”, disse Gasper Bervar, de 20 anos, um estudante universitário da Eslovênia sentado na Via Maqueda com sua namorada. “Mas já que estou na Sicília, devo tomar um Aperol spritz.”

Como carbonaras e tiramisùs engoliram a Itália: conheça os efeitos da ‘turistificação’ da comida – Estadão

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Serão os leitores as novas tartarugas?

Numerosos estudos mostram que a leitura está em queda livre mesmo em países ricos, como nos EUA e no Reino Unido

Por Isabel Clemente – Valor – 17/10/2025 

Carioca, é formada em Jornalismo pela PUC-Rio e mestre em Escrita Criativa pela Royal Holloway, University of London

Estamos mesmo caminhando para uma sociedade de iletrados, incapazes de ler e interpretar um texto mais longo, de pensar com os próprios neurônios ou de focar numa tarefa intelectual que demande um pouco mais de tempo e massa cinzenta?

Num artigo intitulado “O surgimento da sociedade pós-letrada”, James Marriott, colunista do “Times” inglês, traça um cenário bem pessimista. Ao analisar historicamente o interesse pela leitura, desde a invenção da imprensa em meados do século 18, quando os livros deixaram de ser um privilégio das elites, ao atual descaso generalizado, Marriott adota um tom alarmista. Ele nos lembra que aquela revolução foi “uma democratização sem precedentes da informação; a maior transferência de conhecimento para as mãos de homens e mulheres comuns da história”. Marriott argumenta que a realidade impressa é “ordeira, lógica e racional” porque os livros “classificam o conhecimento” e que, agora, trezentos anos depois, na era digital, “os livros estão morrendo.” Com vários outros exemplos sobre uma geração com vocabulário limitado e perdas cognitivas, o que se vê, diz, é “uma tragédia intelectual”.

E a tragédia afeta a indústria. O mercado editorial passa por adaptações – algumas considero graves, como a substituição do trabalho humano pelo você sabe o quê, quando capas, revisão, textos são terceirizados para a inteligência desumana, sem personalidade. Por mais avançados que os programas estejam, eu detecto na hora a diferença para pior. Mas muita gente não reclama, argumenta um amigo do mercado. É uma escolha de Sofia. Diante de vendas em queda – para não falar de dumping, aquela prática desleal que parece não chatear mais ninguém, quando um livro é vendido abaixo do custo da editora ou de livrarias de rua –, em quem apostar? No conteúdo excelente ou no autor com milhares de seguidores, ainda que escreva bobagem?

Eu, às vezes, recebo pedidos de ajuda de pessoas que não fazem a mínima ideia sobre como publicar seus livros. Sonham em vê-los por aí editados. Mas é cada vez mais difícil para uma pequena editora bancar um livro. Geralmente, os autores precisam investir.

Ao mesmo tempo, acompanho com algum entusiasmo as iniciativas que botam as pessoas para ler. Sabe aqueles vídeos que mostram dezenas de pessoas reunidas num parque em Londres para ler juntas? Sonho. Queria repetir isso por aqui. Infelizmente, quando vemos estatísticas de bestseller, não temos como saber quantas pessoas leram o livro que compraram, o que nem sempre é por falta de mérito do livro. Eu mesma tenho livros esperando por mim nas prateleiras. Uma hora, leio. Outras tantas pessoas compram por comprar. Livros comprados e não lidos reforçam o ocaso do artigo de James Marriott? Ou são um mal menor?

Marriott chama tudo isso de contrarrevolução. “Numerosos estudos mostram que a leitura está em queda livre. Mesmo os críticos mais pessimistas do século 20 da era das telas teriam dificuldade em prever a magnitude da crise atual.” Ele cita pesquisas mostrando que as pessoas estão desistindo de ler por prazer nos Estados Unidos, no Reino Unido, onde o índice de literacia sempre foi mais alto do que o brasileiro. Exames internacionais mostram perdas cognitivas em jovens que passam cada vez mais horas diante das telas.

Bem, eu li esse artigo na tela do meu celular. Leio livros digitais e todos os jornais que assino no computador. Faltam pesquisas qualitativas sobre o que fazemos com nosso tempo de tela?

Já triste e desencantada da vida, terminei de ler o artigo de Marriott, pensando o que dizer para o amigo que me enviou o texto perguntando minha opinião. O amigo é um homem da ciência, pHD, radicado há anos no Canadá. Pensando nele e nas pessoas que continuam produzindo conhecimento enquanto o deserto da leitura se espalha, concluo que não somos um bando de iletrados, afinal. E que, se é verdade que, para cada ação, há uma reação de igual força no sentido contrário, é questão de tempo vermos uma nova revolução. Mais auspiciosa, claro. Está aí a comida de verdade brigando contra a ultraprocessada e outros exemplos.

Há pouco mais de 40 anos, as tartarugas estavam na lista dos animais que corriam risco de desaparecer. Foi preciso um trabalho árduo de dezenas de ativistas para reverter a situação. Não foi da noite para o dia, nem de uma hora para outra, mas isso me traz alguma esperança. Precisamos urgentemente de um trabalho consistente e uma campanha em defesa das pessoas leitoras, para que elas não entrem em extinção. E aí, não me leve a mal, eu acho que ler bobagem também faz parte dessa ação.

Isabel Clemente é formada em Jornalismo pela PUC-Rio e é mestre em Escrita Criativa pela Royal Holloway, University of London. E-mail: isabelclemente.writer@gmail.com

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Poder do Campo: Agro já responde por 29% da energia ofertada no Brasil; veja gráficos

História de Igor Savenhago – msn – 15/10/2025 

A participação do agronegócio na matriz energética brasileira já representa quase um terço de toda a energia ofertada no País. Segundo estudo do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em maio com base no Balanço Energético Nacional (BEN), recursos oriundos de atividades agropecuárias foram responsáveis por 29,1% da energia usada no Brasil em 2023. Entre as principais fontes estão a biomassa da cana-de-açúcar, o etanol e o biodiesel.

Quando considerada apenas a parcela renovável da matriz — energia gerada a partir de recursos naturais que se regeneram continuamente —, o percentual de participação do agro sobe para 60%. Os outros 40% são preenchidos pelas fontes de energia hidrelétrica (24,02%), eólica (5,24%), solar (3,46%%), lenha de vegetação natural (6,98%) e biogás proveniente de resíduos não agrícolas como o lixo doméstico (0,22%).

Esse protagonismo do agro tem sido impulsionado por iniciativas que ampliam e diversificam as fontes de geração. Em Fortaleza, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) criaram um sistema para transformar em biogás frutas e verduras que seriam descartadas.

Em Santiago (RS), está sendo construída a primeira usina de etanol de trigo do País, com capacidade para processar cem toneladas do cereal por dia e produzir até 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano.

Paralelamente, uma empresa brasileira, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Universidade Estadual de Maringá (PR) e investimentos de um ministério da Alemanha, planeja inaugurar, em 2026, uma planta-piloto para gerar 100 mil litros por ano de combustível sustentável de aviação (SAF), a partir de resíduos orgânicos — principalmente do setor sucroenergético. A meta é atingir, nos próximos anos, volume entre 40 milhões e 80 milhões de litros anuais.

Desde o início da década de 1970, período que antecedeu o lançamento do Proálcool, a trajetória da bioenergia gerada pelo agro tem sido de ascensão contínua: passou de 6,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEP) – unidade usada para comparar diferentes fontes de energia com base no poder calorífico do petróleo — para mais de 91 milhões em 2023. De acordo com Luciano Rodrigues, um dos autores da pesquisa, isso contribui para que o Brasil tenha uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo.

Conforme o estudo, a lenha e o carvão vegetal respondiam, no início dos anos 1970, por 40% da energia proveniente da agropecuária. Esse perfil começou a mudar justamente com o Proálcool, que promoveu um avanço expressivo da cana-de-açúcar.

Entre 1988 e 2003, porém, o mercado canavieiro foi impactado por uma crise no setor de etanol, enquanto a oferta de lixívia (resíduo da indústria de papel e celulose) passou de 1,2 milhão para 3,7 milhões de TEP.

A partir de 2003, a energia canavieira voltou a crescer, graças aos veículos flex e à bioeletricidade gerada com o bagaço — atualmente, a biomassa da cana já corresponde a 48% da energia fornecida por petróleo e derivados no Brasil. Lixívia, lenha e carvão vegetal também cresceram.

“Os números surpreenderam. Eu tinha ideia da importância da bioenergia do agro, mas não com esses resultados. Se tirarmos essa bioenergia da matriz energética, o percentual de energias renováveis no Brasil cai para 20%, próximo da média mundial”, afirma Rodrigues. Para o pesquisador, as condições da agropecuária nacional, como disponibilidade de área, clima favorável, solo fértil e tecnologia adaptada à agricultura tropical, serão determinantes para que esse desempenho seja ainda maior nos próximos anos. “O mundo está procurando soluções para reduzir poluentes. Nós não vamos ter a bala de prata, mas podemos oferecer diversas opções.”

Projeções

Outro estudo, feito pela Imma, organização especializada no desenvolvimento de metodologias para análise de cenários futuros, a pedido da consultoria Treesales e apresentado na Fenasucro & Agrocana, maior feira mundial de bioenergia, realizada em Sertãozinho (SP), em agosto, apontou que os potenciais do segmento estão amparados em três eixos. O primeiro é o da biotecnologia, com avanços previstos para o etanol de milho, o etanol de segunda geração da cana — que pode adicionar 40 bilhões de litros à produção brasileira sem necessidade de expandir área —, o SAF, com o Brasil sendo capaz de assumir 25% do mercado mundial até 2030, além do hidrogênio verde.

O segundo eixo é a digitalização das operações, que permitiria reduzir os custos de produção em 30% e aumentar a produtividade em 20%, também até 2030. O terceiro é a capacidade demonstrada pelo setor para se tornar carbono negativo no mesmo período, sequestrando 50 milhões de toneladas de CO2 anuais por meio de práticas regenerativas. “Com isso, há 65% de chances de que, até lá, o Brasil esteja posicionado como líder global em bioeconomia, com uma produção bastante diversificada”, afirma Luciano Fernandes, CEO da Treesales. Como principais desafios, ele cita a defesa de políticas públicas e de uma legislação capazes de estimular a bioenergia.

Investimentos

A Geo bio gas&carbon vai investir R$ 20 milhões na construção de uma planta-piloto para produção de SAF a partir de resíduos do setor sucroenergético e outros materiais orgânicos. Prevista para operar como anexo de uma das unidades da empresa, a planta deverá entregar combustível de aviação com pelo menos 50% menos emissões de gases do efeito estufa. O projeto se alinha ao PL do Combustível do Futuro, que prevê redução obrigatória nas emissões do setor aéreo a partir de 2027.

Outros empreendimentos também apontam para a diversificação das fontes. A primeira usina de etanol de trigo, em implantação em Santiago (RS), pela CB Bioenergia, conta com investimentos de R$ 100 milhões. A produção inicial, de 12 milhões de litros por ano, deverá se expandir para 45 a 50 milhões de litros até 2027, exigindo novos aportes de R$ 500 milhões. A empresa informou que está em fase final de comissionamento para logo começar as operações.

O que já está em operação é o sistema desenvolvido pela Embrapa e pela Universidade Federal do Ceará, que transforma frutas e verduras impróprias para consumo em biogás. Testado por cinco anos em parceria com a Ceasa de Fortaleza, que descarta de 17 a 25 toneladas de alimentos por dia, o modelo usa reatores anaeróbicos e gera de 40 a 60 litros de biogás por quilo de matéria-prima, segundo o pesquisador Renato Leitão.

Ainda em fase experimental, pode ser expandido para as 57 Centrais de Abastecimento do País e packing houses, ajudando a combater o desperdício, que chega a 42% da produção brasileira, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO

Poder do Campo: Agro já responde por 29% da energia ofertada no Brasil; veja gráficos

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas