Empresa é lugar de trabalho ­—­ e de estudo

A receita das empresas de tecnologia dedicadas a resolver lacunas nas habilidades profissionais deve crescer 9% ao ano até 2025

Por Murilo Bomfim Revista Exame Publicado em: 24/09/2020

O mercado de educação corporativa à distância deve passar longe de crise nos próximos anos. A expectativa é que haja uma expansão anual das receitas em pelo menos 9% no setor até 2025, quando deverá ultrapassar 100 bilhões de dólares no mundo, de acordo com dados da consultoria Valuates.

A pandemia está por trás do crescimento acelerado. Segundo o Google Trends, as buscas globais pelo termo “e-learning” aumentaram 400% no primeiro trimestre de 2020, quando a crise sanitária estava se disseminando nos ­países ocidentais.

De lá para cá, as buscas caíram de leve até agosto, época de interesse renovado no tema — talvez pelo entendimento de o ensino à distância ser, de fato, um caminho sem volta. “O ensino superior definitivamente não forma profissionais aptos ao mercado”, diz André Portilho, head da EXAME Academy, plataforma de educação da EXAME. “A pandemia só deixou isso claro.”

As empresas, por sua vez, estão aumentando os investimentos em educação corporativa para fazer frente à demanda. A varejista Amazon, por exemplo, anunciou 700 milhões de dólares para treinamentos online de funcionários durante a pandemia.

A consultoria PwC planeja gastar 3 bilhões de dólares. “Antes, o pensamento era: ‘Preciso me preparar para o futuro’. Agora é: ‘É melhor começar a me preparar o mais rápido possível’”, diz a americana Kelly Palmer, chefe de aprendizado na Degreed, empresa de tecnologia do Vale do Silício, nos Estados Unidos.

Engenheira de produto com quatro anos à frente da educação corporativa na rede social ­Lin­kedIn, Palmer é uma das autoras do livro Expertise Competitiva: Como as Empresas Mais Inteligentes Usam o Aprendizado para Engajar, Competir e Ter Sucesso, lançado no Brasil no ano passado.

Na obra, ela aborda a “economia da expertise”, conjunto de saberes repassados entre colegas de trabalho e que não raro viram tema em universidades corporativas online. “A aprendizagem virtual pode ser poderosa como a tradicional”, diz.

No LinkedIn, a executiva foi uma das responsáveis pelo programa virtual Conscious Business (“negócio consciente”, numa tradução livre) para ensinar habilidades de trabalho aos funcionários. Entre os temas estavam assuntos espinhosos, como dar feedback negativo. Deu para ensinar isso online?

“Fizemos um esquema com 20 alunos por vez, com acesso a livros, artigos, ví­deos e falas de especialistas sobre o tema e, depois disso, todos tinham a tarefa de usar o conhecimento em situações reais”, diz Kelly, que participa de um evento virtual da escola de negócios Startse, com palestras programadas para outubro. “Após a tarefa, eles voltaram para o ambiente virtual para discutir a experiência com os colegas, num ciclo de aprendizado, com exposição, prática e feedback.”

https://exame.com/revista-exame/empresa-e-lugar-de-trabalho-e-de-estudo/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Tecnologia vai acelerar as transformações urbanas

Aplicações avançam na saúde, educação, mobilidade e segurança

Por Erivelto Tadeu — Para o Valor, de São Paulo 29/09/2020 

Além de proporcionar uma gama de serviços mais complexos, especialistas observam que a tecnologia 5G vai possibilitar a transformação digital das cidades, viabilizando uma série de aplicações nas áreas de saúde, educação, segurança pública, monitoramento ambiental e mobilidade urbana, entre outras.

Todas essas aplicações serão impulsionadas pela integração de tecnologias como internet das coisas (IoT), big data, inteligência artificial (IA) e aprendizagem de máquina. A incorporação de inteligência artificial, por exemplo, vai permitir usos como reconhecimento facial e processamento de sensores, enquanto a IoT poderá servir no controle de semáforos inteligentes para uma melhor gestão do tráfego nas cidades, entre diversos outros exemplos.

De acordo com um estudo da Accenture, as soluções de cidades inteligentes aplicadas ao gerenciamento do tráfego de veículos e redes elétricas, por exemplo, podem gerar sozinhas US$ 160 bilhões em economia globalmente devido à redução no uso de energia, congestionamentos e gastos com combustível. Isso sem falar nos ganhos financeiros. Um estudo do BNDES mostra que o Brasil poderia lucrar até US$ 27 bilhões até 2025 se adotar essas tecnologias suportadas pela 5G.

Os principais obstáculos até agora para que esses projetos saiam do papel são a velocidade e latência das redes 4G atuais para lidar com a quantidade de dados gerados por dispositivos IoT e processá-los em tempo real. Essas limitações fizeram com que as poucas iniciativas de smart cities no país, como também são chamadas, fossem desenvolvidas em silos, ou seja, redes próprias dos municípios ou de parceiros.

O diretor de inovação da Cisco , Rodrigo Uchoa, avalia que a tecnologia 5G vai suportar todas as aplicações de cidade inteligente e acabar com os silos, integrando todas as redes. “Ela será o pilar para a implantação de uma cidade inteligente capilarizada, em escala, que cobrirá do centro das cidades à periferia, atendendo desde a iluminação pública, distribuição de água, postos de saúde e escolas, de forma única e integrada”, afirma.

A opinião dos especialistas é que a 5G vai ajudar também a IoT a atingir todo seu potencial e estimular o desenvolvimento de novos projetos e aplicações. “Quando estiverem operacionais, as redes irão possibilitar novos níveis de conectividade ao país”, avalia Thiago Moraes, arquiteto de soluções para telcos da IBM Brasil. Segundo ele, a 5G vai acelerar a implantação de sensores IoT nas zonas urbanas e rurais de forma a permitir novas formas de mobilidade, serviços e monitoramento dos espaços, abrindo caminho para uma gestão mais eficiente, economia de recursos, aumento da produtividade e melhoria do bem-estar social.

A avaliação do coordenador de projetos de cidades inteligentes no CTI Renato Archer, Erico Przeybilovicz, é que a implementação de cidades inteligentes estará bastante atrelada às soluções de IoT. “A 5G vai permitir que vários dispositivos IoT estejam conectados, captando dados e informações em tempo real, e isso dará margem a novas aplicações.”

A possibilidade de ter uma quantidade quase que ilimitada de dispositivos conectados à rede é justamente uma das principais vantagens da 5G quando comparada à 4G, inclusive sem os problemas de atraso, salienta Diego Conti, professor da PUC Campinas. 

Segundo o gerente de tecnologia da Logicalis, Fábio Jardim, a 5G vai possibilitar a sensorização de infraestruturas de distribuição de água para coleta e análise de dados em tempo real, o que terá impacto positivo na sustentabilidade.

Os especialistas alertam, porém, que para os projetos de cidades inteligentes se materializem, o Brasil terá que travar uma verdadeira corrida contra o tempo. Isso porque o leilão da 5G que estava previsto para no final deste ano ficou comprometido em razão da pandemia do novo coronavírus e agora só deve ocorrer no primeiro semestre de 2021. Para eles, a tecnologia será o pilar da transformação digital para diferentes segmentos da economia, e um atraso acarretará enormes prejuízos.

https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2020/09/29/tecnologia-vai-acelerar-as-transformacoes-urbanas.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Black Friday de 2020 deve ser a maior de todos os tempos

Estudo da AppsFlyer enviado com exclusividade à EXAME aponta que os downloads de apps de e-commerce aumentaram 100% durante pandemia

Por Tamires Vitorio Revista Exame Publicado em: 17/09/2020 

A Black Friday de 2020 deve ser a maior de todos os tempos, visto que os downloads de aplicativos de compras no Brasil cresceram 100% durante a pandemia do novo coronavírus. É o que aponta um estudo da empresa americana AppsFlyer, enviado com exclusividade à EXAME. No ano passado, por exemplo, as compras via aplicativos de varejo subiram 84% entre e setembro — mas nos últimos meses o aumento de compras feitas por aplicativos já aumentou o suficiente para indicar um sucesso ainda maior para as varejistas no evento deste ano.

Segundo o estudo, o motivo para esse aumento significativo é o fato de os brasileiros terem se acostumado a fazer compras online em aplicativos ou em sites, ao mesmo tempo em que marcas mais tradicionais tiveram de se digitalizar (rapidamente) para não perder a clientela. Na América Latina, o aumento de instalações de aplicativos de e-commerce foi de 93% — maior crescimento no mundo para apps do tipo entre todas as regiões do planeta.

No Brasil a situação é ainda mais forte. Entre fevereiro e maio deste ano o download de apps via anúncios foi de 100%, o que, segundo a AppsFlyer, coloca o país como o maior mercado de publicidade de aplicativos na América do Sul. Outro número que pode significar uma boa notícia para os varejistas é que a receita de aplicativos cresceu 125,44% entre março e junho deste ano.

“Já entendemos que a pandemia está acelerando o crescimento das transações online, e o aplicativo é o canal de vendas com maior taxa de conversão. Neste sentido, com o amadurecimento dos profissionais de marketing e a possibilidade de medirem com precisão o ROI [retorno sobre o investimento] das campanhas, cresceu o investimento nas plataformas mobile. A prova disso é que no primeiro semestre, o Brasil foi o país com o maior número de downloads de apps de forma não-orgânica , ou seja, guiados por campanha de marketing, em todo o mundo”, afirma o diretor de marketing da AppsFlyer para América Latina, Marlon Luft.

Na Black Friday de 2019 as sessões de aplicativos de compras subiram 40%; número que foi ultrapassado somente entre abril e junho deste ano, chegando a 50%. O estudo indica que isso mostra a adaptação dos brasileiros a procurar cada vez mais produtos via aplicativos. A expectativa de crescimento do faturamento no evento deste ano, segundo a AppsFlyer, é de cerca de 20% em relação ao ano passado.

Os resultados de 2019 já foram bons, e somente nas primeiras sete horas de vendas da Black Friday no ano passado no e-commerce totalizaram R$ 362,1 milhões, segundo levantamento da Ebit/Nielsen. O número foi 69% superior ao mesmo período de 2018. O volume de pedidos nestas sete horas, segundo o levantamento, foi de 448 mil, variação de 61% frente ao mesmo período de 2018 (278 mil).

Se a tendência em 2020 é que esse número aumento, as varejistas não terão do que reclamar.

https://exame.com/tecnologia/black-friday-de-2020-deve-ser-a-maior-de-todos-os-tempos/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Como a Amazon automatizou o trabalho e fez melhor uso do seu pessoal

  • por Alex Kantrowitz  Harvard Business Review(Tradução Evandro Milet)
  • 16 de setembro, 2020

Em uma conferência de automação no final de 2018, um funcionário bancário de alto escalão ergueu os olhos de seu prato de buffet e declarou seu objetivo sem hesitação: Estou aqui, ele me disse, para eliminar funcionários em tempo integral. Eu estava na conferência porque depois de passar meses pesquisando como a Amazon automatiza o trabalho em sua sede, estava ansioso para saber como outras empresas pensavam sobre essa tecnologia poderosa. Após uma curta interação, ficou claro que alguns entendiam completamente errado.

Na última década, a Amazon tem pressionado para automatizar o trabalho de escritório com um programa agora conhecido como Mãos fora do Volante(Hands off the Wheel). O objetivo não era eliminar empregos, mas automatizar tarefas para que a empresa pudesse realocar pessoas para criar novos produtos – para fazer mais com as pessoas da equipe, em vez de fazer o mesmo com menos pessoas. 

A estratégia parece ter valido a pena: em um momento em que é possível iniciar novos negócios mais rápido e mais barato do que nunca, Hands off the Wheel manteve a Amazon operando com agilidade, impulsionou-a à frente de seus concorrentes e mostrou que automatizar para demitir pode significar perder grandes oportunidades. Conforme as empresas procuram como integrar recursos de IA cada vez mais poderosos em seus negócios, fariam bem em considerar este exemplo.

A ideia animadora por trás do Hands off the Wheel teve origem nas torres de escritórios South Lake Union da Amazon, onde a empresa começou a automatizar o trabalho em meados da década de 2010 sob uma iniciativa chamada Projeto Yoda. Na época, os funcionários da divisão de gerenciamento de varejo da Amazon passavam os dias fazendo negócios e elaborando promoções de produtos, bem como determinando quais itens estocar em seus depósitos, em quais quantidades e por qual preço. Mas com duas décadas de dados de varejo à sua disposição, a liderança da Amazon decidiu usar “a força” (aprendizado de máquina) para lidar com os processos estereotipados envolvidos em manter os depósitos estocados. “Quando você tem ações que podem ser previstas repetidamente, não precisa que as pessoas as façam”, disse-me Neil Ackerman, ex-gerente geral da Amazon.

O projeto começou em 2012, quando a Amazon contratou Ralf Herbrich como seu diretor de aprendizado de máquina e fez do esforço de automação um de seus projetos de lançamento. Fazer com que o software fosse bom em gerenciamento de estoque e previsões de preços levou anos, Herbrich me disse, porque sua equipe teve que dar conta dos pedidos de produtos de baixo volume que confundiam seus algoritmos de aprendizado de máquina ávidos por dados. Em 2015, as previsões de aprendizado de máquina da equipe eram boas o suficiente para que a liderança da Amazon os colocasse nas ferramentas de software dos funcionários, transformando-os em uma espécie de copiloto para trabalhadores humanos. Mas naquele ponto os humanos poderiam ignorar as sugestões, e muitos o fizeram, atrasando o progresso.

Eventualmente, porém, a automação tomou conta. “Demorou alguns anos para implementá-lo lentamente, porque havia um treinamento a ser feito”, disse Herbrich. Se o sistema não pudesse tomar suas próprias decisões, explicou ele, não poderia aprender. A liderança exigia que os funcionários automatizassem um grande número de tarefas, embora isso variasse entre as divisões. “Em 2016, minhas metas para o Hands off the Wheel eram 80% de todas as minhas atividades”, um ex-funcionário me disse. ” Em 2018, o Hands off the Wheel era parte dos negócios normais. Depois de entregar seu projeto, Herbrich deixou a empresa em 2020.

A transição para o Mãos fora do volante(Hands off the Wheel) não foi fácil. Os funcionários da divisão de varejo ficaram desanimados no início, reconhecendo que seus empregos estavam se transformando. “Foi uma mudança total”, disse o ex-funcionário mencionado acima. “Algo que você foi incentivado a fazer, agora está sendo desincentivado a fazer”. No entanto, com o tempo, muitos perceberam a lógica. “Quando soubemos que o pedido seria automatizado por algoritmos, por um lado, é como,‘ OK, o que está acontecendo com meu trabalho? ’” outra ex-funcionária, Elaine Kwon, me disse. “Por outro lado, você também não está surpreso. Você fica tipo, ‘OK, como negócio, isso faz sentido’ ”.

Embora algumas empresas possam ter visto uma oportunidade de reduzir o número de funcionários, a Amazon atribuiu um novo trabalho aos funcionários. Os funcionários da divisão de varejo da empresa passaram a ocupar cargos de gerente de produto e programa – funções de rápido crescimento na Amazon que normalmente pertencem a profissionais criativos. Os gerentes de produto supervisionam o desenvolvimento de novos produtos, enquanto os gerentes de programa supervisionam grupos de projetos. “As pessoas que realizavam essas tarefas rotineiras e repetidas agora estão sendo liberadas para fazer tarefas que envolvem criação”, disse-me Jeff Wilke, CEO da Worldwide Consumer que está saindo da Amazon.  “As coisas que são mais difíceis para as máquinas fazerem.”

”Se a Amazon tivesse eliminado esses empregos, teria tornado seu principal negócio mais lucrativo, mas muito provavelmente teria perdido seus próximos novos negócios. Em vez de automatizar para tirar vantagem de um único ativo, ela se propôs a construir novos. 

Considere a Amazon Go, a loja de conveniência sem caixa da empresa. Go foi fundado, em parte, por Dilip Kumar, um executivo que já foi responsável pelas operações de preços e promoções da empresa. Enquanto Kumar passou dois anos atuando como consultor técnico do CEO Jeff Bezos, os engenheiros de aprendizado de máquina da Amazon começaram a automatizar o trabalho em sua antiga divisão, então ele assumiu um novo papel de liderança em um projeto que visa eliminar a parte mais chata das compras na vida real: pagamento no caixa. Kumar ajudou a conceber Go, que agora é um pilar da estratégia mais ampla da Amazon. 

Se a Amazon é uma indicação, as empresas que realocam funcionários após automatizarem seu trabalho irão prosperar. Aqueles que não correm o risco de ficar para trás. Em tempos de crise econômica, a necessidade de corte de custos pode tornar tentador substituir as pessoas por máquinas, mas vou deixar um aviso: pense duas vezes antes de fazer isso. É uma mensagem que gostaria de ter compartilhado com o financeiro.

Alex Kantrowitz é o autor de Always Day One, um novo livro sobre a cultura de trabalho dos gigantes da tecnologia. Ele escreve sobre Amazon, Apple, Facebook, Google e Microsoft em seu boletim informativo semanal, Big Technology.

https://hbr.org/2020/09/how-amazon-automated-work-and-put-its-people-to-better-use?ab=hero-main-text

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Retomada do comércio mundial é mais rápida que na crise de 2008

Maior disponibilidade de crédito, injeções trilionárias nas economias e rápida recuperação da China estão entre os principais motivos

Por Luisa Purchio Veja Publicado em 23 set 2020, 15h04 

Sem precedentes na história, a crise econômica causada pela Covid-19 tem uma característica interessante que a difere positivamente da desaceleração mundial que ocorreu em 2008 devido à crise do subprime: o comércio internacional se recupera a todo vapor. Dados do Kiel Institute for the World Economy, enviados a VEJA, mostram que em junho o comércio global de bens estava apenas aproximadamente 9% abaixo ao nível de fevereiro de 2020. Entre fevereiro e abril desse ano, a queda havia sido de 15%. 

A curva de recuperação é muito mais breve que a que ocorreu durante a crise da quebra do Lehman Brothers, quando o comércio global se recuperou apenas após oito meses do início da queda. “O comércio global parece estar reagindo muito mais fortemente hoje”, disse Gabriel Felbermayr, presidente do Instituto. “Em vez de um percurso da crise em formato de ‘U’, uma recuperação mais rápida indica um percurso em forma de ‘V’: queda acentuada e recuperação rápida”, diz ele. 

Outro fator que mostra esse fenômeno é a atividade de navegação medida a partir da capacidade dos navios observados nas regiões de maior circulação de mercadoria do mundo. Na Ásia, na América e na Europa, o trânsito de navios já voltou ao normal e está na faixa esperada para o final do mês de agosto, em um cenário sem crise. Na Ásia, ele não apenas se recuperou, como também superou as expectativas para o mês de julho em volume de comércio. De acordo com a autoridade aduaneira chinesa, em julho de 2020 as exportações em dólar cresceram mais de 7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. “A recuperação do comércio mundial está avançando. A situação atual é bem melhor do que a crise de 2009/09”, diz Felbermayr.

Um dos principais motivos dessa recuperação do comércio global se deve à diferença do papel da China na economia mundial em 2020 e em 2008. 

Há dez anos atrás, os Estados Unidos eram o principal player do mercado global, mas hoje quem detém o maior PIB industrial é a China. Além do crescimento robusto ao longo dos últimos anos, durante a crise da Covid-19 a China foi o país que se recuperou mais rápido do baque que a pandemia causou nas economias. O altíssimo controle da população permitiu que a crise fosse mais controlada, localizada e de menor duração que nas demais nações do mundo.

 “Enquanto alguns países perderam mercado porque tiveram de parar de produzir, a China foi muito esperta e continuou fabricando. Ela está oferecendo produtos para o mundo todo e a preços baixos, ao mesmo tempo em que o mundo está comprando muito mais”, diz Paulo Roberto Feldmann, professor de Economia da USP. Exemplo disso são os recordes batidos esse ano nas exportações brasileiras de soja, que tem a China como principal mercado consumidor. Além disso, o governo chinês, que já apoia muito a sua indústria, aumentou os subsídios significativamente durante a crise. 

Outro fator essencial para essa aceleração do consumo mundial é as injeções trilionárias nas economias pelos bancos centrais de seu governo. Do Brasil à Europa e aos Estados Unidos, em maior ou menor grau, empresas e pessoas físicas receberam montantes significativos dos governos em forma de auxílio emergencial, o que aumentou o consumo da população. Somados os auxílios dados pelos governos dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, do Japão e da zona do euro, o valor é de aproximadamente 3,7 trilhões. No Brasil, por exemplo, o índice de pessoas que vivem na miséria em 2020 atingiu o menor patamar da história graças ao programa de transferência direta de renda.

Além disso, ponto fundamental que difere de maneira drástica a crise do coronavírus da crise do subprime é a oferta de crédito dos bancos, essencial para o comércio internacional. “A crise de 2008 foi financeira. Quando os bancos quebraram, o crédito da economia mundial secou e ninguém sabia de quem emprestava. Quando isso acontece, toda a operação de importação e exportação é impactada, porque ela depende de fluxo financeiro”, diz o economista Roberto Luis Troster. 

Os índices PMI divulgados nesta quarta-feira, 23, pela HIS Markit, que medem a atividade de compras no setor da indústria e dos serviços, são mais uma prova dessa tendência: em setembro o PMI industrial subiu para 53,5 nos Estados Unidos, o nível mais alto em 20 meses. Na Alemanha, o país com a economia mais forte da Europa, a mesma tendência é vista nos dados divulgados hoje: o índice em setembro foi de 56,6 em setembro, o maior nos últimos 26 meses. Não à toa, hoje uma das principais preocupações que pairam no radar dos economistas à frente das políticas monetárias dos países é a inflação. 

https://veja.abril.com.br/economia/retomada-do-comercio-mundial-e-mais-rapida-que-na-crise-de-2008/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Na pandemia, indústrias se mexem rumo à inovação

  • Indústrias brasileiras tradicionais têm modernizado sua produção com o apoio de startups. Essa demanda criou novas oportunidades para o setor de tecnologia
  • Por Carolina Ingizza, Denyse Godoy, Juliana Estigarribia Revista Exame
    11 set 2020

Da noite para o dia, as linhas de produção no tradicional polo automotivo de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, praticamente pararam. Quando a disseminação do novo coronavírus começou a ganhar velocidade no Brasil, a multinacional alemã Mercedes-Benz precisou fechar temporariamente sua fábrica de caminhões no bairro industrial de Pauliceia.

Os diferentes impactos da pandemia não se limitaram a seus cerca de 6.200 funcionários: alcançaram os 280 pontos de venda da marca espalhados pelo país e todo o setor de veículos comerciais. Subitamente, a tendência de digitalização do negócio de venda de caminhões tornou-se uma urgência. Mas a solução encontrada para acelerar a estratégia que lhe permitiria atravessar a crise com menos danos estava do lado de fora dos portões da montadora, na startup Mobiauto, que criou um novo modelo de classificados de veículos.

“Decidimos rasgar o protocolo típico de uma grande empresa para conseguir implementar inovações. Buscar parcerias envolve admitir que não teremos todas as soluções dentro de casa, e esse processo é doloroso, exige desapego”, afirma Roberto Leoncini, vice-presidente da Mercedes-Benz do Brasil.

A colaboração entre a centenária montadora e a startup, que nasceu em 2019 em São Paulo com foco em automóveis, permitiu desenvolver em apenas três semanas o show-room virtual da Mercedes-Benz, catalogando todo o estoque da rede e conectando clientes a concessionários.

O sucesso do site — que acumula, desde maio, mais de 78.000 visitas e 1.000 intenções de compra dos clientes — evidencia o acerto do crescente esforço da indústria de base brasileira em sofisticar processos e também a força das empresas de tecnologia do país, que continuaram muito demandadas durante a pandemia e por isso sofreram menos do que as de outros setores na crise.

“O mais desafiador foi criar um projeto que deveria demorar quatro meses em menos de um”, diz Sant Clair de Castro Junior, um dos dois fundadores da Mobiauto. “Caminhão é um negócio fantástico, que move a economia do país. Para nós, passar a entender desse universo foi um grande aprendizado.” Um legítimo caso de ganha-ganha.

No caos da pandemia, a siderúrgica gaúcha Gerdau, fabricante de vergalhões para a construção civil, também contou com uma startup que já era de casa para um projeto vital: erguer centros de tratamento da covid-19 no ritmo exigido pela maior emergência de saúde pública do país em um século.

Com a Brasil ao Cubo, que inventou um método de construção com módulos pré-fabricados, conseguiu colocar de pé um hospital em São Paulo e outro em Porto Alegre em 60 dias. A construtech foi descoberta em 2019 no meio de 600 startups que participaram de uma seleção para integrar uma aceleradora lançada pela siderúrgica.

“Há muito tempo a Gerdau vinha buscando uma solução para a baixa produtividade na construção civil e nós a trouxemos. A inovação aberta [com parceiros externos à empresa] acabou aproximando os agentes do ecossistema empreendedor”, diz Ricardo Mateus, presidente da Brasil ao Cubo, que usa o aço da Gerdau em suas obras.

“Para as startups, as parcerias também são muito importantes, pois funcionam como um selo de aprovação para investidores e outros potenciais clientes, além de uma forma de testar um produto com um grande público”, afirma Giovanna Fiorini, coordenadora de inovação aberta da Endeavor Brasil, organização global de fomento ao empreendedorismo.

A digitalização das vendas dos caminhões Mercedes-Benz e a parceria entre a Gerdau e a Brasil ao Cubo são os mais recentes exemplos do movimento de modernização da indústria pesada que ganhou velocidade nos últimos anos. Cada vez mais frequentemente, o caminho da inovação é percorrido com o apoio de empresas seminais de tecnologia.

Segundo a 100 Open Startups, empresa que monitora o ecossistema brasileiro de inovação aberta, o número de contratos entre startups e grandes empresas de todos os setores cresceu 20 vezes nos últimos cinco anos. Só nos últimos 12 meses, 1.635 empresas fecharam parcerias com startups brasileiras.

A fabricante de cosméticos Natura, a siderúrgica ArcelorMittal e o banco BMG foram os grupos com maior número de contratos fechados no período. “A inovação aberta passou a ser sinônimo de relacionamento com startups.

Outros tipos de inovação, com centros de pesquisa e universidades, continuam existindo, mas a busca por parcerias com startups cresceu de forma exponencial”, diz Bruno Rondani, fundador da 100 Open Startups. Segundo levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 44% das indústrias entrevistadas não têm uma área dedicada à inovação.

Cerca de 90% nunca se aliaram a uma startup para inovar e 51% nem sequer têm interesse em estabelecer uma parceria com elas. “Setores altamente regulados são mais difíceis para uma startup entrar e se desenvolver, por isso é menos comum ver parcerias com a indústria. No geral, os processos de inovação se limitam ao administrativo, como na área de recursos humanos ou no jurídico”, afirma Ilana Nasser, diretora de relações institucionais da Endeavor Brasil.

Esse foi o primeiro passo dado na inovação aberta pela fabricante de balanças Toledo, fundada em 1956. A companhia acaba de contratar a Gupy, startup criada por quatro empreendedores, incluindo a administradora de empresas Mariana Dias, para realizar processos de recrutamento e seleção de profissionais com o uso de inteligência artificial.

Em busca de soluções tecnológicas para reinventar seu negócio ou entrar em novas áreas, as manufaturas brasileiras se inspiram em gigantes internacionais, como o buscador Google, mas têm na fabricante de motores elétricos catarinense WEG seu maior modelo nacional, segundo a pesquisa da CNI.

Com um departamento interno de inovação, a catarinense teve 44% da receita de 2019 proveniente de produtos lançados ou atualizados nos últimos anos. Em 2020, decidiu pisar no acelerador: mais do que simplesmente contratar empresas de tecnologia para desenvolver soluções, decidiu absorver startups.

Anunciou em julho a aquisição da BirminD, que usa inteligência artificial para otimizar processos, um mês depois de comprar a Mvisia, de controle de qualidade de produção. Comprar startups é uma tática para ganhar agilidade no processo de inovação também bastante usada pelas grandes empresas. Em 2020, 78 fusões e aquisições de startups já foram realizadas no país, um número recorde segundo análise da Distrito, organização que faz pesquisas sobre empreendedorismo no Brasil. O volume acumulado em 2020 é 27,8% superior ao de todo o ano de 2019.

A crise pode ter apressado o esforço de inovação de algumas manufaturas, mas a maioria ainda enxerga a área como não sendo essencial para o negócio. Essa é a conclusão possível de tirar de um estudo realizado pela Fundação Dom Cabral em parceria com a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), em julho deste ano, que mostra que os trabalhos de pesquisa e desenvolvimento da indústria foram mais afetados pela pandemia do que em outros setores.

Enquanto 55% dos industriais afirmaram que a área de P&D foi negativamente afetada pela crise, 42% das companhias de serviços efetuaram cortes nesse departamento. A taxa entre as empresas de tecnologia foi de apenas 24% — assim como a Mobiauto, que precisou desbravar um novo campo de atuação durante a pandemia, muitas outras startups usaram a oportunidade para crescer.

As principais razões apontadas pelos entrevistados para reduzir os investimentos em P&D são a pressão para resolver problemas de curto prazo e a dificuldade de acessar laboratórios e espaços de trabalho próprios.

“Anteriormente, muitas empresas já sabiam que buscar inovação aberta era importante, mas ainda tentavam inovar sozinhas. Agora isso ficou ultrapassado. Com a pandemia, os lançamentos precisam ser acelerados até para a sobrevivência do negócio”, afirma Rafael Navarro, presidente da Anpei.

O êxito das parcerias com as startups pode mostrar para um número maior de manufaturas que ficou mais fácil e barato inovar. O investimento em tecnologia não tem sido prioridade para a maioria, um erro de avaliação que o surto do novo coronavírus evidenciou.

Antes da pandemia, apenas 2% das empresas locais aplicavam os conceitos da indústria 4.0 em suas linhas de produção, segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. De acordo com o ranking do Índice Global de Inovação 2020, divulgado no início de setembro, o Brasil ocupa a 62a posição entre os 131 países analisados. Apesar de uma melhora de quatro posições em relação a 2019, o país continua 15 posições atrás da 47a colocação que ocupava em 2011.

“Essa situação não corresponde ao tamanho e à importância da economia brasileira. O esforço tecnológico de nossa indústria encolheu de forma acentuada e as empresas tiveram menos acesso a recursos públicos destinados à inovação”, afirma Gianna Sagazio, diretora de inovação da CNI.

O dado mais recente da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre os investimentos dos países em pesquisa e desenvolvimento escancaram o atraso do Brasil. O setor público e a iniciativa privada dos Estados Unidos investiram, juntos, mais de 550 bilhões de dólares em P&D em 2017. Valor semelhante foi aplicado pela China no mesmo período. Por aqui, o montante foi de apenas 40 bilhões de dólares naquele ano.

As vantagens de inovar são claras. Mas formar essa consciência é apenas o primeiro passo de um longo e complexo processo. Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, reforça a importância de departamentos ou áreas dentro da empresa que possam fazer a mediação entre os parceiros.

“A cultura mais flexível e ágil de uma startup se contrapõe à estrutura tradicional e hierarquizada das grandes empresas”, diz o especialista. “As duas equipes têm de trabalhar juntas para desenvolver as soluções, pois uma boa ideia precisa ser adaptada e customizada para determinado produto ou serviço.”

As particularidades do setor industrial, que usa muitas patentes e segredos de produção, às vezes podem limitar a inovação aberta. “As indústrias de grande porte têm bastante receio de abrir informações sobre a manufatura para terceiros, com medo de fraudes ou roubo de dados sobre o negócio”, diz Romeu Gadotti, diretor de projetos da Supero Tecnologia, consultoria de software de Santa Catarina.

A empresa, fundada há 17 anos, tem conquistado gradualmente grandes clientes na indústria, mostrando que é possível haver segurança no processo de inovação aberta. Um de seus maiores clientes atualmente é a ArcelorMittal, que há dois anos usa um de seus programas para monitorar a qualidade da produção do aço antes da entrega ao cliente.

O software da Supero, desenvolvido em parceria com a siderúrgica, consegue indicar quais bobinas precisam ser testadas, selecionar os testes adequados para cada caso e registrar os resultados. “Conseguimos agregar valor ao processo produtivo e evitar gastos desnecessários de logística reversa, pois diminuímos o risco de o cliente precisar devolver um produto para reparos”, diz Gadotti.

A jornada de inovação aberta da Ocyan, que opera equipamentos como navios-sonda para a extração de petróleo no mar, pode ser definitiva para convencer e animar outras empresas de base a se abrir para esse tipo de parceria. Em 2019, lançou um concurso para startups apresentarem soluções para alguns dos dilemas vividos pela companhia em seu dia a dia, desde administrativos até operacionais. Atuou, assim, como um “cliente-anjo”.

Das oito startups que foram até a fase final de desenvolvimento de projetos, seis se tornaram fornecedores da companhia — como a Delfos, de Fortaleza, que atuava no ramo de energia eólica mas resolveu dar um salto para a indústria petrolífera usando essa oportunidade.

A seleção para a segunda rodada do Ocyan Waves Challenge, neste ano, já recebeu 125 inscrições. “Ficamos surpresos com a qualidade dos trabalhos apresentados. As startups brasileiras têm todas as condições de enfrentar esses desafios”, diz Rodrigo Lemos, diretor de produção offshore da Ocyan e líder do concurso. Para essas empresas de tecnologia, não vai faltar trabalho para ajudar a indústria nacional.

https://exame-com.cdn.ampproject.org/c/s/exame.com/revista-exame/as-pesadas-se-mexem/amp/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Medo da opinião alheia, denominado FOPO, invade as redes sociais

Cultura do cancelamento amplifica sintoma, que já havia sido ‘classificado’ na vida real, e postar ou não postar se torna uma questão

Marcia Disitzer 18/09/2020 – O Globo

O termo que vem à baila lembra FOMO (sigla em inglês para o “medo de estar perdendo alguma coisa”), síndrome do mundo moderno antes da pandemia, em que todos estavam lindos e felizes em fotos fartamente distribuídas nas redes sociais. Agora, outra sigla parecida ganha espaço por detectar um comportamento. Chama-se FOPO (“fear of other people’s opinion” ou medo das opiniões alheias). Foi cunhado pelo psicólogo americano Michael Gervais e se refere a um receio que pode virar uma “obsessão irracional”. 

O sintoma agora se expande, contagia as redes sociais e o postar ou não postar vira uma das principais questões contemporâneas. E não é para menos: estamos vivendo uma era, potencializada pela pandemia, em que atitudes individuais — como, por exemplo, a festa promovida pela influenciadora Gabriela Pugliesi em plena quarentena — podem ganhar imensa (e negativa) repercussão. O pavor de ser “cancelado” acaba comprometendo o discernimento e até o “correto”, sob a lente do medo, corre o risco de parecer equivocado.

O consultor de moda e escritor André Carvalhal vem questionando o assunto. “Vale se perguntar se a pessoa que deixa de fazer uma determinada publicação on-line, por não ter segurança ou para ser socialmente aceita, está, de fato, repensando suas ações no mundo real”, explica. “Por exemplo, tem um monte de gente indo a festas durante a pandemia. Elas não postam o que estão vivendo, como fariam em outros períodos, mas seguem na aglomeração, sem questionamento algum”, dispara Carvalhal. 

Segundo o consultor, o FOPO é resultado de tudo que a web intensificou. “Até pouco tempo, o ‘cancelamento’ vinha da imprensa, daqueles que eram chamados de formadores de opinião e faziam a curadoria do que era ou não válido. Hoje, a pirâmide se inverteu”, observa. “E aí entra o medo da opinião dos outros e o consequente receio de expressar a sua, já que todos podem fazer julgamentos a respeito”, continua. Para ele, a novíssima geração já emergiu sob esses novos códigos, e está mais preparada do que os “millennials antigos”.

De acordo com o psicanalista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Christian Dunker, a reflexão a respeito das publicações na internet está em curso e é mais do que bem-vinda. “Estamos aprendendo a ocupar esse espaço”, analisa. “O indivíduo pensar antes de postar e investigar o significado do post para si e para os outros é sinal de que está desenvolvendo consciência crítica”, acredita.

Com 98 mil seguidores no Instagram no perfil @mequetrefismos, a influenciadora Luiza Brasil acredita que a pandemia da Covid-19 deixou as desigualdades sociais ainda mais latentes e transformou o sentido do verbo postar. Ela diz estar tendo ainda mais cuidado neste momento. “Por estarmos todos em casa, surgiu o questionamento do quanto da minha intimidade devo revelar. Percebi que também posso silenciar”, afirma. “Tudo isso está provocando uma mudança de mentalidade. Muitas vezes, eu me pergunto: ‘Preciso mesmo postar isso ou é melhor viver?’”, avalia.

 Antes da pandemia, existia a vangloriação do lifestyle. “Hoje, o que conta é como você está conduzindo a sua vivência, ser mais educativa e empática”, emenda. Luiza acredita que esta reflexão deveria avançar mais algumas casinhas. “O tribunal vazio da internet faz com que as pessoas sintam medo, mas, na maioria das vezes, não altera a conduta nem o caráter do indivíduo. O papo deveria ser outro. São poucos os que investigam a origem do real problema simbolizado no receio de ser ‘cancelado’.”

Carvalhal — que no fim do mês vai lançar o livro “Como salvar o futuro” — diz que todo o processo de postar ou não postar deveria ser utilizado como ferramenta de autoconhecimento. “Procuro pensar no que a dúvida diz sobre mim e não sobre os possíveis comentários negativos”, explica.

Para a antropóloga Carol Delgado, o FOPO tem a ver com a evolução das redes. “Principalmente por causa do confinamento, o virtual tornou-se ainda mais parte do real”, analisa. Porém, ela não crê que este ‘sintoma’ mobilize a população brasileira, e destaca o poder das fakes news no país como prova disso. “A sociedade do Brasil é organizada para ser cara de pau. Não acho que exista uma orientação pautada pelo medo e, sim, pelo medo de passar vergonha”, ressalta.

Medo de passar vergonha é exatamente o que não tem a criadora de conteúdo digital Kika Gama Lobo. À frente do Atitude 50, ela conta que a vida inteira foi julgada pelas opiniões bélicas. “A minha voz sempre precisou sair e rapidamente entendi que pagaria um preço por isso”, observa Kika, que diz ter sido constantemente “patrulhada” no mundo e na web. Nos últimos tempos, ela — que criou, em 2009, a hashtag #riodemerda para chamar atenção para os problemas da cidade — confessa ter ficado mais atenta. 

“O FOPO não me inibe na hora de postar, mas passei a pensar com cuidado nas palavras que utilizo. Eu me preocupo em não ferir ninguém”, explica. “Continuo rebelde, mas penso mais no outro. Existe uma nova etiqueta e procuro encontrar um meio-termo”, admite. Mesmo assim, volta e meia, ela recebe mensagens de conhecidas falando para ela ser mais “cordata” para conseguir contratos. “Dizem que sou louca por misturar maturidade com boletos e política.”

O professor de Filosofia Renato Noguera aponta o debate pouco qualificado das redes sociais como uma das possíveis causas para o FOPO. “Muita gente prefere se manter reservada para não correr o risco de ser mal interpretada e virar alvo dos haters”, pondera. Ele acha que ainda é cedo para avaliar o fenômeno. “É preciso analisar caso a caso. Existe a influência do politicamente correto, que é a celebração da democracia, mas também pode revelar um moralismo ideológico. Há sim um grau de pressão, mas vamos ter que esperar um tempo para entender melhor.” A conferir.

https://oglobo.globo.com/ela/gente/medo-da-opiniao-alheia-denominado-fopo-invade-as-redes-sociais-24645025

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Natura: O impacto positivo da sustentabilidade

A líder do ranking investiu 2,4% da receita de R$ 14,4 bilhões em P&D e fez da inovação um meio para gerar benefícios econômicos, ambientais e para a comunidade

Por Luciana Marinelli, Valor 18/09/2020

Pioneira em integrar metas de sustentabilidade ao seu negócio, a Natura se impôs nos últimos anos um desafio mais ambicioso: gerar impacto econômico, social e ambiental positivo com sua atividade. É mais do que compensar as emissões de carbono decorrentes da produção e distribuição de cremes, xampus e batons com o plantio de árvores ou projetos de recuperação de nascentes. É considerar, por exemplo, que benefício será gerado para a comunidade da região de onde é extraído o insumo de um produto, antes de investir em seu lançamento. Ou pesquisar um uso novo (e rentável) para um material que seria descartado em determinado processo produtivo.

Este é o norte do trabalho de inovação da companhia. “Para nós, só é inovação se tiver impacto positivo”, diz Roseli Mello, diretora global de inovação da Natura. A importância de olhar para o todo ficou mais atual do que nunca, diante da disseminação global da covid-19.

“Acho que a pandemia trouxe muito dessa interdependência”, acrescenta a executiva. “Não adianta eu estar sozinha bem, num ambiente que não está bem.” Não à toa, a Natura alcançou neste ano a primeira posição no ranking das 150 empresas mais inovadoras, elaborado pela Strategy& – consultoria estratégica da PwC – para o anuário Valor Inovação Brasil.

Uma conquista recente retrata bem como esse conceito é colocado em prática. A Natura foi a primeira empresa brasileira de cosméticos a obter, no ano passado, o registro de uma “patente verde” do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), ligado ao Ministério da Economia.

Pesquisadores da empresa, em conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, desenvolveram uma técnica para aproveitar os resíduos gerados com a extração de óleo de um ingrediente da Amazônia usado em cosméticos da marca. Antes, a biomassa formada por essas sobras era usada como adubo ou como ração. Agora, servirá de insumo para um novo produto para a pele, a ser lançado até o início do ano que vem.

“Temos várias linhas de pesquisa em biotecnologia que buscam um destino mais nobre para os resíduos que a gente gera, porque aí aumentamos também a renda e o desenvolvimento na comunidade onde acessamos nossos ingredientes”, explica Roseli. “Foi o que aconteceu com essa biomassa específica para a qual conseguimos a patente verde.” O ingrediente que serviu de base para a pesquisa ainda é mantido em sigilo pela empresa.

No ano passado, a companhia investiu 2,4% de sua receita líquida, de R$ 14,4 bilhões, em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Os estudos culminaram no lançamento de 330 produtos, 41% mais que em 2018. Quase 60% da receita bruta do grupo é gerada por itens colocados no mercado nos últimos dois anos. Os projetos são desenvolvidos nos dois centros de inovação da Natura no país: um localizado em sua sede, em Cajamar (SP), e outro em Benevides, no Pará, no meio da floresta amazônica. O trabalho com ativos da biodiversidade brasileira é uma das marcas da companhia. A empresa tem registrados mais de 30 ativos proprietários.

Segundo Roseli, os avanços da área de P&D do grupo têm sido impulsionados principalmente pela combinação de genômica – ramo da genética que faz o sequenciamento do DNA – com ciência de dados. “Hoje, praticamente não tem projeto que a gente não use a ciência de dados. Aumenta a produtividade, porque permite olhar para muitos genes ao mesmo tempo”, afirma. Essa combinação, trabalhada mais intensamente pela companhia a partir de 2016, reduz em 40% o tempo de análise para se chegar à vocação de um ativo e sua aplicação ideal.

Desde o momento de bioprospecção, quando o estudo de uma semente ou planta começa, com a extração de seu óleo, manteiga ou extrato, até a composição de uma fórmula que será o protótipo de um cosmético, são feitas análises físico-químicas e sensoriais, que revelam diversas características – se o ingrediente ativa a fabricação de colágeno ou se tem ação no folículo capilar, por exemplo. Todas estas informações compõem um grande banco de dados, cujo cruzamento e simulações permitem chegar às melhores combinações antes da fórmula ir para a bancada do laboratório.

Tome-se como exemplo o patauá, um fruto originado de uma palmeira da Amazônia que é a base de uma linha de produtos lançada em 2018. Por meio do mapeamento dos genes desse ingrediente, a Natura descobriu propriedades capazes de aumentar a velocidade de crescimento do fio de cabelo. “Com todas essas pesquisas, sei exatamente o que deve entrar na formulação, nem mais, nem menos, para chegar a esse resultado”, conta Roseli.

“Em paralelo, uma equipe identifica como vamos manejar essa árvore, em qual época do ano tirar a semente, como deve ser conservada para estruturarmos uma cadeia de comércio justo com rastreabilidade, em que o benefício volte para a comunidade de onde tiramos esse ativo”, acrescenta.

Este processo ficou ainda mais ágil no ano passado, com a inauguração de um novo laboratório de fórmulas em Cajamar, que permite integrar todos os dados gerados desde a fabricação de protótipos, que são as fórmulas testadas para dar origem a um produto. Por ano, a área de inovação trabalha com cerca de dois mil protótipos em diferentes fases de desenvolvimento. “A gente chega a usar o equivalente a 300 computadores para poder processar os dados”, conta Roseli. A empresa tem um acordo com o Google, que disponibiliza espaço na “nuvem” computacional de acordo com a necessidade para aquela semana ou dia.

Além do investimento interno em P&D, a companhia também se apoia na inovação aberta, fomentando contribuições da comunidade acadêmica, fornecedores e startups de diversas áreas. A gama de atores envolvidos nesse processo aumenta a cada ano. Em outubro do ano passado, a Natura fez o maior chamado de inovação aberta de sua história, o desafio “Natura Innovation Challenge – Zero Waste Packaging”. O objetivo era receber projetos que envolvessem a redução de resíduos e de embalagens em qualquer uma das etapas da atividade cosmética, do desenvolvimento de produtos e sua fabricação, até sua distribuição e consumo.

O programa teve participação da comunidade científica, empresas e startups, colaboradores, consultoras da marca e até do público em geral. Ao final, recebeu 570 propostas, de 35 países. “Essa é a expansão [que temos buscado], usar de fato toda a rede que está conectada à Natura e que pode contribuir olhando o desafio de resíduos cada um do seu lugar”, afirma Roseli. Oito projetos foram pré-selecionados e três foram escolhidos para seguir em desenvolvimento conjunto com pesquisadores da Natura. No momento, estão em fase de testes.

A capacidade de olhar o todo e entender demandas diversas de toda sua cadeia de relações – dos funcionários e consultoras ao consumidor – ajudou a companhia a obter bons resultados mesmo durante a pandemia. A empresa criou protocolos e se organizou de forma a manter, de maneira segura, a produção de itens de higiene e viabilizar a fabricação de álcool em gel. Paralelamente, desenvolveu novas ferramentas digitais para que suas 1,5 milhão de consultoras mantivessem o contato com seus clientes. Com estas e outras medidas, a receita da marca Natura cresceu 7,9% no Brasil no segundo trimestre do ano. As vendas, que chegaram a cair 23,5% em abril – período de adaptação ao novo cenário –, cresceram 23,6% em maio e 29,4% em junho, na comparação com os mesmos períodos de 2019.

https://valor.globo.com/inovacao/noticia/2020/09/18/natura-o-impacto-positivo-da-sustentabilidade.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Quem são os empreendedores nas redes sociais

Como muitas pessoas fizeram das mídias sociais digitais o seu emprego e viram nas redes a oportunidade de empreender

Por Beatriz Correia Revista Exame Publicado em: 25/08/2020

Um escritório, um computador, muita papelada e um celular tocando toda hora. É assim que você pode imaginar um empreendedor. Isso até poderia ser real se nós estivéssemos algumas décadas atrás. Mas a verdade é que agora, o perfil de quem abre um próprio negócio pode ser ainda mais variado. E inclusive, o empreendedor pode ter como ferramenta apenas um celular com acesso à internet e com uns aplicativos instalados. 

As redes sociais surgiram com o objetivo de entreter e criar conexões entre as pessoas, mas para muitos as plataformas se tornaram o “local de trabalho”. No Examinando de hoje, vamos mostrar como muitas pessoas fizeram das mídias sociais o seu emprego e viram nas redes a oportunidade de empreender. 

Eu aposto que qualquer dia que você sair de casa, seja para onde for, no meio do caminho você vai encontrar pelo menos uma pessoa com o celular na mão. O aparelho virou essencial no dia a dia das pessoas porque resolve muita coisa. Hoje, o celular é telefone, câmera fotográfica, computador e até banco. Mas apesar de tantas funções, as pessoas gastam boa parte do tempo que passam nesse aparelho nas redes sociais. 

Uma pesquisa mostrou que em uma média mundial, as pessoas gastam mais de 140 minutos por dia nas redes sociais. E esse número altera de região para região. A América Latina é onde mais se usa as redes. A média diária é de 212 minutos. O nível mais baixo foi registrado na América do Norte, com 116 minutos.

E o Brasil está no top 3. Nós somos o segundo lugar no mundo que mais se usa as redes sociais. Perdemos apenas para as Filipinas. A gente gasta nada menos do que 225 minutos por dia nas redes. Isso significa que pode ser que você passe quase 4 horas do seu dia só nisso. Mas não é só o tempo nas redes sociais que é grande não. 

Uma outra pesquisa mostrou que quase metade do planeta está nas redes. É por isso que é difícil encontrar alguém que não tenha perfil em nenhuma rede social. Afinal, são mais de 3,5 milhões de pessoas conectadas. A maior parte dos usuários está no Instagram e no Facebook. 

Com tanta gente gastando tanto tempo na internet, era quase que inevitável que as redes virassem o foco de muitos negócios. Atualmente 78% das empresas brasileiras estão presentes em pelo menos uma mídia social. Desse total, 57% estão conectadas apenas e exclusivamente para fazer vendas online. Só o Instagram cresceu 57% como plataforma de vendas nos últimos meses. 

Os números não negam que as redes viraram plataforma para empreender. Pelo menos 83% das pessoas já admitiram ter feito compras através do Instagram. E 85% acreditam que a rede é um novo meio de encontrar produtos. Nesse ano, o crescimento das redes sociais ainda teve um impulso com a pandemia. O Instagram, o Facebook e o Whatsapp cresceram em média 40% no Brasil desde a segunda quinzena de março deste ano.

Mas colocar os produtos à venda, não é o único modelo que levou as redes sociais ao posto de plataforma para empreendedores. Muitas pessoas hoje ganham dinheiro e vivem apenas de aparecer no Instagram ou no YouTube. Você já deve ter ouvido falar nos influenciadores digitais. 

São pessoas que têm como trabalho criar conteúdo nas redes sociais. Eles estão nas mais diversas áreas: comédia, saúde, educação, notícias. O segundo maior canal do YouTube no Brasil é de um comediante, o Winderson Nunes. Ele surgiu como celebridade na plataforma de vídeos e hoje faz shows pelo mundo todo. 

Mas há influenciadores sobre praticamente tudo: estilo de vida saudável, que mostram uma rotina de atividades físicas e boa alimentação, moda. Outros que ensinam temas específicos como matemática, biologia ou finanças pessoais. Mas afinal, se ser influenciador digital virou uma profissão, como as pessoas ganham dinheiro com isso? 

Basicamente a renda vem de anúncios e posts publicitários, aqueles em que o influenciador apresenta um produto e faz a propaganda dele. Os profissionais recebem por isso. Mas ainda tem o fato de que ser alguém influente nas redes sociais te faz ser uma pessoa pública, conhecida. E isso pode abrir portas. É por isso que muitos influenciadores viram atores ou atrizes, modelos ou apresentadores, por exemplo. 

Mesmo não sendo fácil se tornar um influenciador, as redes sociais tem sido cada vez mais um ambiente propício para os negócios, sejam eles da forma que forem. Um estudo de uma empresa de marketing de influência mostrou que o engajamento dos usuários no Instagram aumentou 24% em março deste ano. E as lives cresceram 70% no período. Os dados mostram que com o avanço da internet e com o domínio das redes sociais, ter um negócio tem se tornado não mais fácil, mas com certeza mais acessível. 

https://exame.com/videos/examinando/examinando-quem-sao-os-empreendedores-nas-redes-sociais/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

O que está por trás do WeChat, o aplicativo mais usado na China

Misto de WhatsApp com serviços financeiros e loja, aplicativo é verdadeiro canivete suíço para chineses – e está sujeito à influência e vigilância do governo local

20/09/2020  Por Paul Mozu – The New York Times(publicado no Estadão)

Fora da China, o WeChat é, principalmente, um meio de conectar a comunidade chinesa ao seu país de origem

Pouco depois da eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos, Joanne Li percebeu que o aplicativo que a conectava a outros imigrantes chineses a tinha desligado da realidade. Tudo que ela via no aplicativo chinês WeChat indicava que Donald Trump era um líder admirado e empresário impressionante. Ela acreditou que esse era o amplo consenso em relação ao recém-eleito presidente americano. “Mas então comecei a conversar com estrangeiros a respeito dele, com pessoas que não eram chinesas”, disse ela. “Fiquei muito confusa.”

Ela começou a ler mais fontes de notícias, e Joanne, que vivia em Toronto na época, começou a se dar conta que o WeChat estava repleto de fofocas, teorias da conspiração e até mentiras. Um artigo alegava que o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, planejava legalizar as drogas. Outro boato dizia que o Canadá tinha começado a vender maconha nos mercados. Uma publicação de um perfil de notícias de Xangai alertava os chineses para tomarem o cuidado de não trazer a droga acidentalmente do Canadá, correndo o risco de serem presos.

Ela também questionou o que era dito a respeito da China. Quando uma importante executiva da Huawei foi detida no Canadá em 2018, artigos da mídia estrangeira foram rapidamente censurados no WeChat. Seus amigos chineses, tanto dentro como fora do país, começaram a dizer que não havia justiça no Canadá, contrariando a experiência direta dela. “Subitamente, descobri que conversar com os outros a respeito do assunto não fazia sentido”, disse Joanne. “Parecia que, se eu só acompanhasse a mídia chinesa, meus pensamentos seriam diferentes.”

Joanne não tinha muita alternativa além de suportar os defeitos em nome das qualidades. Criado para ser “tudo para todos”, o WeChat é indispensável.

Para a maioria dos chineses na China, o WeChat é uma espécie canivete-suíço dos aplicativos: permite compartilhar histórias, conversar com antigos colegas, pagar contas, coordenar as ações com os colegas de trabalho, publicar imagens das férias dignas de inveja, fazer compras e receber notícias. Para os milhões de integrantes da diáspora chinesa, essa é a ponte que os conecta ao lar, seja no bate-papo com a família ou nas fotos de gastronomia.

Entrelaçado a tudo isso, estão a vigilância e a propaganda do Partido Comunista Chinês, cada vez mais robustas. Conforme o WeChat se tornou onipresente, o aplicativo se converteu em uma importante ferramenta de controle social, uma forma de as autoridades chinesas orientarem e policiarem o que as pessoas dizem, com quem conversam e o que leem. O app chegou até a expandir o alcance de Pequim para além de suas fronteiras. Quando a polícia secreta faz ameaças no exterior, estas são frequentemente feitas por meio do WeChat. 

Quando pesquisadores militares trabalhando infiltrados nos EUA tinham que falar com as embaixadas chinesas, eles usaram o WeChat, de acordo com documentos jurídicos. O partido usa o WeChat para coordenar suas ações com membros estudando no exterior.

Como um dos alicerces do estado de vigilância da China, o WeChat é agora considerado uma ameaça à segurança nacional nos EUA. O governo Trump propôs banir totalmente o WeChat, bem como o aplicativo chinês de vídeos curtos TikTok. Da noite para o dia, duas das maiores inovações chinesas da internet se tornaram uma nova frente no amplo impasse tecnológico entre China e EUA.

Ainda que os dois aplicativos tenham sido misturados na mesma categoria pelo governo Trump, eles representam duas abordagens distintas para a Grande Muralha Eletrônica que bloqueia o acesso chinês aos sites do exterior.

Mais conhecido e voltado ao público jovem, o TikTok foi pensado para o mundo selvagem fora dos limites da claustrofóbica censura da China; existe apenas fora das fronteiras do país. Ao criar um app independente para conquistar usuários em todo o mundo, a ByteDance, proprietária do TikTok, desenvolveu a melhor aposta de uma startup chinesa para concorrer com as gigantes ocidentais da internet. Além da imensa popularidade, a separação entre o TikTok e os aplicativos de sua família na China inspirou campanhas corporativas nos EUA para salvá-lo, mesmo com Pequim potencialmente acabando com qualquer acordo ao declarar a tecnologia central do aplicativo uma prioridade de segurança nacional.

Ainda que o WeChat tenha regras diferentes para os usuários dentro e fora da China, o app continua sendo uma única rede social abrangendo toda a Grande Muralha Eletrônica  da China. Nesse sentido, ajudou a levar a censura chinesa ao restante do mundo. Uma proibição interromperia milhões de conversas entre parentes e amigos, motivo pelo qual um grupo deu entrada em um processo para deter os esforços do governo Trump. Seria também uma vitória fácil para governantes americanos interessados em reagir ao alcance expandido dos tentáculos tecnoautoritários da China.

Joanne sentiu o estalo do chicote do controle chinês sobre a internet quando voltou à China em 2018 para assumir um emprego no setor imobiliário. Depois de ter vivido no exterior, ela buscou equilibrar suas fontes de informação com grupos que compartilhavam artigos a respeito de acontecimentos globais. 

Com a disseminação do coronavírus no início de 2020 desgastando as relações da China com países de todo o mundo, ela publicou no WeChat um artigo da Radio Free Asia, sediada nos EUA, a respeito da deterioração da diplomacia entre China e Canadá, um texto que teria sido censurado. No dia seguinte, quatro policiais foram ao apartamento da família dela, armados e empunhando escudos. “Minha mãe ficou aterrorizada”, disse ela. “Ficou branca quando os viu.”

Os policiais levaram Joanne, seu celular e computador até a delegacia local. Ela disse que teve as pernas presas a uma cadeira enquanto era interrogada. Fizeram-lhe repetidas perguntas a respeito do artigo e de seus contatos do WeChat no exterior antes de a trancarem em uma cela durante a noite.

Ela foi solta duas vezes, mas acabou arrastada novamente à delegacia para novos interrogatórios. Joanne disse que um oficial chegou até a insistir que havia proteção à liberdade de expressão na China enquanto a interrogava a respeito do que tinha dito na internet. “Não disse nada”, respondeu ela. “Só pensei, como será essa liberdade de expressão? Será a liberdade de arrastar para a delegacia para sucessivas madrugadas de interrogatórios?”

Finalmente, a polícia a obrigou a escrever uma confissão e jurar lealdade à China antes de soltá-la.

Muralha

O WeChat começou como simples imitador. Sua criadora, a gigante chinesa da internet Tencent, tinha reunido uma imensa base de usuários a partir de um aplicativo de bate-papo pensado para os computadores pessoais. Mas uma nova geração de aplicativos de mensagens para celular ameaçava seu domínio da forma de comunicação entre os jovens chineses.

O visionário engenheiro Allen Zhang, da Tencent, enviou uma mensagem ao fundador da empresa, Pony Ma, preocupado com o fato de seus produtos serem superados. Esse recado levou a uma nova missão, e Zhang criou um aplicativo faz-tudo que se tornou uma necessidade do cotidiano na China. O WeChat pegou carona na popularidade das outras plataformas online da Tencent, combinando pagamentos, comércio eletrônico e rede social em um único serviço.

O produto se tornou um sucesso, e acabou eclipsando os apps que inspiraram o WeChat. E a Tencent, que lucrou bilhões com os jogos online incluídos em suas diferentes plataformas, teve então uma forma de ganhar dinheiro com praticamente todos os aspectos da identidade digital de uma pessoa — segmentando anúncios, processando pagamentos e facilitando serviços como entregas de comida.

O universo da tecnologia dentro e fora da China ficou maravilhado. A rival da Tencent, Alibaba, apressou-se para criar um produto concorrente. O Vale do Silício estudou essa mistura de serviços e seguiu o mesmo rumo.

Criado para o mundo fechado dos serviços de internet na China, o único tropeço do WeChat ocorreu fora da Grande Muralha Eletrônica. A Tencent promoveu uma intensa campanha de marketing no exterior, chegando a contratar o astro do futebol Lionel Messi como seu porta-voz em determinados mercados. Para os usuários fora da China, foi criado um conjunto de regras à parte. As contas internacionais não seriam sujeitas à censura direta e os dados seriam armazenados em servidores fora da China.

Mas, sem os muitos serviços que o WeChat oferece apenas na China, o app perdeu parte do seu poder de atração. Fora do país, sua aparência era mais prosaica, semelhante aos demais aplicativos de mensagens. No fim, seus principais usuários no exterior seriam os imigrantes chineses. A Tencent não respondeu aos pedidos de contato para esta reportagem.

Com o tempo, as distinções entre as versões chinesa e internacional do app se tornaram cada vez menos importantes. Os chineses que criam suas contas na China e deixam o país levam consigo uma conta censurada e monitorada. Se usuários internacionais conversam com usuários dentro da China, suas publicações podem ser censuradas.

Em termos de notícias e fofocas, a maior parte vem de usuários do WeChat dentro da China, que espalham esse conteúdo pelo mundo. Enquanto a maioria das redes sociais tem uma série de filtros e bolhas que reforçam diferentes pré-concepções, o WeChat é dominado por um superfiltro, seguindo de perto as narrativas da propaganda oficial.

Bolhas

“As bolhas formadas pelos filtros do WeChat não decorrem de algoritmos, e sim do regime fechado do ecossistema chinês da internet e sua censura. Isso as torna piores do que qualquer outra rede social”, disse Fang Kecheng, professor da Faculdade de Comunicação e Jornalismo da Universidade Chinesa de Hong Kong.

Fang começou a reparar nas limitações do WeChat em 2018, quando fazia pós-graduação na Universidade da Pensilvânia, ao lecionar um curso online de alfabetização na mídia para chineses mais jovens.

De fala mansa e bem versado no eco e no ruído da mídia americana e chinesa, Fang tinha a expectativa de ser procurado principalmente por chineses curiosos dentro da China. Um grupo inesperado compareceu às aulas: imigrantes chineses vivendo nos EUA, Canadá e outros países.

“Parecia óbvio. Como estavam todos fora da China, deveria ser fácil desenvolver um entendimento da mídia estrangeira. Seria algo presente no seu cotidiano”, disse Fang. “Percebi que não era bem assim. Eles estavam fora da China, mas todo o seu ambiente de mídia seguia inteiramente dentro da China, e seus canais de informação remetiam todos a contas públicas do WeChat.”

Os cursos online de seis semanas oferecidos por Fang foram inspirados em uma conta do WeChat que ele manteve chamada News Lab, cujo objetivo era ensinar aos leitores a respeito do jornalismo. Com os cursos, ele incluía artigos de veículos como Reuters acompanhados de fichas ensinando aos alunos como analisá-los, levando-os a enxergar a diferença entre comentários de especialistas e fontes primárias.

Em uma aula de 2019, ele fez um amplo alerta para os perigos dos obstáculos ao fluxo de informações. “Agora, a muralha está ficando cada vez mais alta. Está cada vez mais difícil enxergar o mundo exterior”, disse ele. “Isso não vale somente para a China, mas para boa parte do planeta.”

Sem contato

Quando a mãe de Ferkat Jawdat desapareceu na vasta rede de campos de reeducação da China onde os uigures são doutrinados, seu WeChat se tornou uma espécie de memorial.

O aplicativo pode ter sido usado como prova contra ela. Mas, como muitos uigures, ele se viu abrindo o WeChat de novo e de novo. Estavam contidos ali anos de fotos e conversas com a mãe. E seguia viva ali a remota esperança de, um dia, receber uma resposta dela. Quando ela o fez, contrariando todas as probabilidades, a polícia secreta seguiu seu rastro.

Doente e cansada, a mãe de Jawdat foi solta dos campos em meados de 2019. A polícia chinesa deu a ela um celular com acesso ao WeChat. Ao ouvir o som da voz da mãe, Jawdat tentou conter uma enxurrada de emoções. Ele não sabia ao certo nem mesmo se ela estava viva. Apesar do alívio, ele percebeu que havia algo de errado. Ela fez elogios genéricos ao Partido Comunista Chinês.

Então a polícia o procurou. Eles o abordaram com uma solicitação de amizade anônima no WeChat. Quando ele aceitou, um homem se apresentou como oficial do alto escalão das forças de segurança da China na região de Xinjiang, epicentro dos campos de reeducação. O homem tinha uma proposta. Se Jawdat, cidadão americano e ativista uigur, parasse com as tentativas de chamar a atenção do mundo para os campos, sua mãe poderia receber um passaporte e permissão para se reunir com o restante da família nos EUA.

“Foi uma espécie de ameaça”, disse ele. “Fiquei quieto por duas ou três semanas, apenas para ver qual seria a reação dele.” No fim, não deu resultado. Depois de recusar uma entrevista com a imprensa e faltar a uma palestra, Jawdat ficou impaciente e confrontou o homem. “Ele começou a me ameaçar, dizendo, ‘Você é só uma pessoa enfrentando a superpotência. Comparado à China, você não é nada’.”

A experiência fez Jawdat se tornar intolerante com o aplicativo que possibilitou as ameaças, mesmo sendo sua única forma de entrar em contato com a mãe. Ele disse conhecer dois outros uigures americanos que viveram situações parecidas. Relatos de outras pessoas indicam que episódios parecidos ocorreram em todo o mundo.

“Não sei se será carma ou justiça quando os próprios chineses sentirem a dor de perder o contato com os parentes”, disse Jawdat a respeito da proibição proposta pelo governo Trump. “Há muitas autoridades chinesas que têm os filhos morando nos EUA. O WeChat deve ser uma das ferramentas que usam para manter o contato. Se eles sentirem essa dor, talvez consigam se colocar no lugar dos uigures.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

https://link.estadao.com.br/noticias/cultura-digital,o-que-esta-por-tras-do-wechat-o-aplicativo-mais-usado-na-china,70003443393

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/