Como empreendedores e CEOs bilionários têm suas melhores ideias

O empresário do setor de tecnologia Josh Linkner apresenta as 8 principais habilidades de grandes inovadores

Por Mariana Martucci – Exame – 15/05/2021 

A pressão para gerar grandes ideias pode ser desgastante. Sabemos que inovações ousadas podem ser alvo de críticas, especialmente em tempos turbulentos e competitivos como o que vivemos. Mas quando se trata de pensamentos inovadores, muitas vezes travamos.

Em seu mais recente livro, o autor de best-sellers e empresário de tecnologia do New York Times, Josh Linkner, sugere uma abordagem mais leve e objetiva sobre o tema. Em vez de buscar um IPO de US$ 10 bilhões ou um Prêmio Nobel, Linkner mostra que os inovadores mais produtivos se concentram em “grandes pequenas descobertas” – pequenos atos criativos que desbloqueiam recompensas massivas ao longo do tempo.

Essas microinovações são menos arriscadas, acessíveis a todos em uma empresa e fornecem resultados significativos enquanto ajudam os indivíduos a desenvolver seu conjunto de habilidades criativas.

Em “Grandes descobertas: como pequenas inovações diárias geram grandes resultados“, Linkner  fornece uma metodologia pragmática para cultivar o pensamento inovador e a resolução criativa de problemas, um passo de cada vez.

Argumentando que todos nós podemos ser “inovadores diários”, Linkner compartilha as mentalidades e táticas de pessoas comuns que fazem coisas excepcionais nos negócios, saúde, ONGs, comunidade e educação. Por meio de milhares de horas de pesquisa e entrevistas com CEOs, bilionários, empresários famosos e músicos vencedores do Grammy, ele compartilha as oito principais obsessões dos inovadores do dia-a-dia. Confira a seleção feita por Marcel Schwantes, publicada no site Inc:

1. Entregue-se ao problema

Em vez de firmar o pé em uma solução específica, use o tempo para examinar e compreender o desafio como um todo. Isso significa estar mais comprometido com a solução do problema do que com uma maneira específica de resolvê-lo. Permaneça sempre flexível e de mente aberta para encontrar a abordagem ideal.

2. Comece antes de estar pronto

Grandes inovadores tomam a iniciativa de começar antes mesmo de permissões, instruções detalhadas ou condições ideais. Eles estão dispostos a corrigir o percurso ao longo do caminho, se adaptar às novas circunstâncias em tempo real e operar com agilidade.

3. Testes são (mais que) permitidos

A inovação é fortalecida por meio da experimentação. Ao construir uma estrutura e condições para teste e exploração criativa, as ideias são cultivadas e otimizadas.

4. Quebre para consertar

Esqueça o antigo conselho “se não está quebrado, não conserte”. Inovadores constantemente se desconstroem, examinam e reconstroem para fornecer produtos, sistemas e processos superiores.

5. Dê espaço para o não-convencional

Preferindo as abordagens inesperadas às óbvias, os inovadores desafiam a sabedoria convencional em busca de ideias não ortodoxas. Eles têm uma tendência para descobrir ideias estranhas, às vezes bizarras, a fim de descobrir resultados melhores.

6. Beba cada gota de suco

Considere esta uma abordagem para fazer mais com menos. Ter recursos limitados pode alimentar avanços criativos. Engenhosidade torna-se uma arma poderosa na luta por inovação.

7. Não se esqueça das borboletas

Adicionar pequenos floreios criativos pode produzir resultados significativamente melhores. Uma dose extra de surpresa e prazer permite novas invenções, vitórias competitivas e conquistas individuais.

8. Caia sete vezes, levante-se oito

Percebendo que os contratempos são inevitáveis, os inovadores usam a resiliência criativa para superar as adversidades. Os erros são uma parte natural e importante do processo de inovação e podem ser transformados em vantagens quando estudados e adotados. Big Little Breakthroughs substitui o mito de que a inovação é apenas para os “marketeiros”, entregando uma dose saudável de criatividade para cada área funcional, problema incômodo e afazeres diários.

https://exame.com/carreira/como-empreendedores-e-ceos-bilionarios-tem-suas-melhores-ideias/

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IA é chave para recuperação dos negócios

Computação em nuvem, análise de dados e segurança são os principais focos de investimentos

Por Ana Luiza Mahlmeister — Para o Valor – 17/05/2021

Em um ano de grandes desafios, a inovação é prioridade para retomar o curso dos negócios. A empresa tradicional se reinventou para competir com os nativos digitais, tendo a tecnologia como base dessa evolução. Após as enormes rupturas causadas pela crise da covid-19, não haverá uma “volta ao normal” na forma de trabalhar, operar cadeias de suprimentos e atender os clientes.

O estudo IDC Predictions, que ouviu 200 empresas entre 2018 e 2021, aponta que a segurança, inteligência (big data, sistemas analíticos, inteligência artificial, aprendizado de máquina) e nuvem pública lideram os investimentos em tecnologia.

Em pesquisa da IBM conduzida pela Morning Consulting em 2021, entre 5,5 mil empresas, 21% dos profissionais de tecnologia da informação entrevistados na América Latina afirmam usar inteligência artificial (IA) em suas empresas. No Brasil, 40% deles relatam ter implantado IA em seus negócios.

A pesquisa anual também descobriu que a falta de habilidades em IA e o aumento da complexidade dos dados são os principais desafios. “IA se tornou mais acessível e será a chave do sucesso no período de recuperação dos negócios, pela capacidade de ajudar as empresas em novas formas de trabalhar e tomar decisões rápidas com base em dados para que possam permanecer relevantes e à frente dos concorrentes”, afirma Silvio Dantas, diretor do applied innovation exchange na Capgemini.

A grande aposta no período pós-pandemia será a convergência de tecnologias com novas realidades de trabalho, experiências, sustentabilidade e responsabilidade social. Nesse período, os administradores aperfeiçoaram a liderança de equipes em trabalho remoto e devem aprofundar esses conhecimentos a partir de agora.

Tecnologias como computação em nuvem, blockchain – que permite rastrear o envio e recebimento de informações em códigos gerados on-line – moedas digitais e segurança cibernética já estavam disponíveis, e tiveram a adoção acelerada pela pandemia de covid-19.

Outras tecnologias que pareciam estar mais distantes – como computação quântica e robótica – começaram a ficar comercialmente viáveis antes do previsto. O estudo Tech Vision 2021 da Accenture mostra que cada vez mais os produtos evoluíram para serviços, e esses para soluções de economia compartilhada. “Essa convergência de complexidades, modelos de negócio e expectativas dos consumidores traz benefícios para a sociedade, enquanto o mercado de trabalho terá que se adaptar constantemente”, aponta Roberto Frossard, diretor-executivo da Accenture Technology.

Além da difusão do trabalho remoto, digitalização e automação, as empresas repensaram a proximidade com as cadeias de produtores e fornecedores. Reconhecem o papel central da IA e buscam conhecimento, capacidades e talentos necessários para utilizar todo o seu potencial. “Estão surgindo novas profissões relacionadas a dados e automação, enquanto as atividades mecânicas deixarão de exi.stir”, prevê Dantas, da Capgemini.

O melhor uso de IA e sistemas analíticos integrados às plataformas de comércio eletrônico, permitem, por exemplo, a análise de sentimentos para personalização das ofertas de produtos e serviços. Outras tendências são soluções sem toque com comando de voz integradas a meios de pagamento virtuais e streaming de vídeo para compras on-line.

As tecnologias que ganharam escala durante a pandemia- como videoconferência, 5G, nuvem e plataformas digitais de comércio eletrônico – tendem a se aprofundar. Marketplaces que viabilizam as vendas on-line e a comunicação das empresas com seu ecossistema se popularizaram.

“A captura de dados aumentou exponencialmente e os sistemas analíticos se tornaram fundamentais para a transformação desses dados em informações relevantes que se traduzem em ganhos de eficiência”, destaca Marcelo Mendes, chief business development officer Latam da consultoria Keyrus. As redes sociais geram ainda mais dados que alimentam as empresas com informações sobre o comportamento do consumidor, aproximando o mundo pessoal do corporativo. “Serão necessários estudos sociológicos para entender as consequências e marcos regulatórios para limitar as possíveis reações adversas para a sociedade”, diz. Mendes.

As redes 5G combinadas com IA terão mais capacidade analítica para respostas em tempo real na oferta de serviços personalizados. “A internet das coisas trará mais oportunidades relacionadas às cidades inteligentes”, afirma David Morrell, sócio da consultoria e auditoria PwC. Na indústria, a realidade aumentada e virtual vai mudar formas de interação em treinamento e manutenção.

Da mesma forma que pode ser usada para melhorar nossas vidas, a tecnologia aprofunda diferenças sociais em uma sociedade já assimétrica como a brasileira. A inteligência artificial pode fazer a diferença em solucionar problemas como erradicar doenças, fome e pobreza – questões que hoje não somos capazes de resolver. “Se considerarmos que mais de 20% dos domicílios brasileiros não têm acesso à internet num contexto em que até as aulas são on-line, as diferenças sociais podem se tornar ainda mais impactantes com a crescente dependência tecnológica da sociedade”, ressalta Morrel, da PwC.

Segundo a pesquisa Workforce of the Future da PwC, 37% das pessoas estão preocupadas em ser substituídas por automação tecnológica e 74% estão prontas para treinar novas habilidades. “Devemos tomar medidas práticas para reduzir a diferença social e aumentar o acesso das pessoas às profissões que são criadas pelas novas tecnologias, além de contar com políticas e iniciativas públicas e privadas para seu desenvolvimento nas mais diversas áreas”, afirma Morrel. Existem lacunas importantes em que o país poderia se tornar referência, tais como serviços digitais na saúde e tecnologia aplicada à sustentabilidade, priorizando temas estratégicos.

https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2021/05/17/ia-e-chave-para-recuperacao-dos-negocios.ghtml

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Quem são e o que querem as big techs chinesas

Modelo de negócios na China inspira empresas como a brasileira Magazine Luiza e colombiana Rappi

Amanda Lemos – Folha de São Paulo – 15/05/2021

Para cada empresa de tecnologia do Vale do Silício, nos Estados Unidos, existem dezenas de versões chinesas, mas não são apenas cópias. Com visões de negócio diferentes, a China emergiu no cenário mundial com um conjunto de empresas globais competitivas. Cada vez mais, os modelos de sucesso estão sendo estudados e replicados em outros mercados, como o brasileiro.

Hoje, a China é representada por seis grandes empresas de tecnologia: Tencent, Alibaba, Baidu, ByteDance, Meituan e Didi Xuxing, que controlam dezenas de outras empresas que vão desde serviços de saúde até pagamentos. Por meio de superapps, usando apenas uma plataforma, um cidadão chinês pode fazer compras, realizar pagamentos, agendar consultas e conversar com amigos.

A Alibaba é detentora da taobao.com (ecommerce), KuWo Music (música), Weibo (redes sociais), Alibaba Cloud (nuvem), Alipay (pagamentos), apenas para citar alguns exemplos.

Como é o ecossistema das big techs chinesas

            Ocidente                                                                         China

A fórmula para o sucesso das big techs chinesas tem uma combinação de ingredientes um pouco diferente da adotada em boa parte do Ocidente, explica Otávio Miranda, cientista político formado pela Renmin University, na China.

Primeiro, a competitividade do mercado doméstico é brutal e sem paralelo. Uma boa representação da disputa local são aquelas fotos com milhares de bicicletas enfileiradas —de um número incontável de diferentes marcas.

As empresas cresceram aproveitando investimentos públicos em infraestrutura, e investindo e comprando outras empresas privadas.

“As empresas cresceram sem participação do estado chinês. São fruto de décadas de investimento público na construção da infraestrutura urbana e de redes, fundamental ao crescimento e desenvolvimento de uma nova indústria de serviços pronta para alcançar centenas de milhões de habitantes.”, diz. “Ao mesmo tempo em que tinham liberdade e incentivo para fazer negócios fora da China”.

Também há incentivo a fusões e aquisições. Baidu, Alibaba e Tencent controlam ou investem em pelo menos 50% das startups unicórnios chinesas. “As empresas de tecnologia chinesas funcionam da seguinte forma: ‘sua margem é minha oportunidade’. Uma forma de crescer é via aquisição de novas empresas”, diz Miranda.

Bicicletas de vários serviços de compartilhamento de bicicletas são vistas em um vilarejo urbano em Hangzhou, província de Zhejiang, na China – Reuters

“Tanto Alibaba quanto Tencent e as outras empresas saíram fazendo aquisições assim que uma nova empresa surgia —e esse é o espírito chinês”, explica.

A indústria de venture capital, segmento em que fundos investem em novos negócios, também foi responsável por potencializar a inovação na China. Segundo o South Morning China, que oferece o dado público mais recente sobre o setor, esse tipo de investimento alcançou em 2018 a marca de US$ 70,5 bilhões (R$ 405,7 bilhões), então, 37% do total mundial.

Para efeito de comparação, naquele ano, o Brasil contou com US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões) em investimentos de venture capital, segundo dados da Abvcap, entidade que representa o setor.

“Tecnologia era um setor dominado por americanos, que tinham antes apenas a concorrência europeia”, diz Leonardo Azevedo, professor do departamento de direção geral do ISE Business School. “Agora, a Alibaba já se expandiu para fora da China e é uma nova competidora global”.

Para Azevedo, existe um certo preconceito infundado no Ocidente com empresas da China por causa de sua relação com o Estado.

“Devemos analisar um mercado chinês como vetores de bons negócios, desapegando da ideia de controle estatal”, diz. “Eles investiram para serem um player capaz de falar de igual para igual com os EUA, principalmente no setor de tecnologia”.

Otávio Miranda avalia que o mercado brasileiro tem mais semelhanças com o chinês do que o americano.

“China, Índia, Brasil, Indonésia e Nigéria apresentam as maiores oportunidades para crescimento e transformação digital. Apostar em negócios que integram uma só plataforma é uma tendência bem absorvida no país”, diz.

Para se tornar um superapp, de olho no modelo de negócio do Alibaba, a Magazine Luiza fez mais de 20 aquisições desde 2017, envolvendo ecommerce (Netshoes, Shoestock, Estante Virtual, Época Cosméticos, tonolucro, aiqfome), logística (logbee, GLF, sinclog), serviços financeiros (Hub Fintech), marketing (inlocomedia) e entretenimento (Jovem Nerd, Canaltech, Steal the Look).

“Nem Jack Ma [Alibaba], nem Jeff Bezos [Amazon]; preferimos Luiza Trajano”, diz Eduardo Galanternick, vice-presidente de negócios da Magazine Luiza.

“Assim como o modelo chinês, o brasileiro está conectado através do celular. Acreditamos que a forma mais eficiente para crescer é via aplicativo”, afirma.

Para o executivo, fazer aquisições é uma forma de cortar caminhos e acelerar o crescimento da empresa. “Uma coisa que demoraríamos dois anos para fazer, solucionamos em dois meses”, diz.

Segundo ele, a área de tecnologia é uma das que mais recebem investimentos, e tem uma equipe de 1.500 engenheiros de software.

As aquisições dos últimos anos integram-se às plataformas de serviços Magalupay, Magalu Pagamentos, Magalu Entregas, Magalu Ads, Luizacred, Luizaseg, Parceiro Magalu, Consórcio Magalu, Maga+ e ao Luizalabs.

“O conceito de superapp é o seguinte: as pessoas usam poucos aplicativos por dia, e foi assim que o WeChat começou”, diz Sérgio Saraiva, presidente do Rappi no Brasil. “Como engajar o usuário? Ter um app só garante que o usuário vá entrar milhares de vezes no aplicativo, e é isso que fazemos aqui”, explica.

WeChat é um app chinês que concentra diversos serviços, de mensagens a pagamento.

“Fizemos esse plano de investir em um superapp há cinco anos, e nossa proposta acabou encaixando no momento de crise”, diz Saraiva. O início da plataforma focada em restaurantes foi uma das estratégias para crescer no país, seguido de mercado, farmácia, passagens aéreas e pagamentos.

“Descobrimos que o usuário gosta de cash back [modalidade de venda em que parte do dinheiro gasto é devolvido]. O cliente quer imediatismo, vamos dar imediatismo”, diz “O usuário resolve seus problemas dentro de uma só plataforma.”

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/05/quem-sao-e-o-que-querem-as-big-techs-chinesas.shtml?origin=folha

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Pandemia e o novo escritório, ou ‘o seu microfone está desligado’

Evandro Milet – Gazeta online – 15/05/2021

Ainda não está claro como será o novo escritório depois da pandemia, até porque há sérias dúvidas sobre se e quando poderemos agir como antigamente nos contatos, aglomerações, reuniões ou palestras em auditórios.

Enquanto isso, empresas vão tentando adivinhar o futuro e a tendência mais aceita é o escritório híbrido, com algumas pessoas trabalhando presencialmente e outras remotamente ou todas trabalhando alguns dias no local e outros dias de forma remota.

Essa nova forma de trabalhar exige mudanças em praticamente todos os processos.

O home-office, praticado por aqueles cujo tipo de trabalho permite, é bem aceito pelos que dispõem do ambiente adequado em casa, que administram bem a relação com a família ou por aqueles que economizam muito tempo em deslocamentos para o trabalho.

Mesmo assim há situações novas a serem resolvidas. As empresas devem fornecer as condições materiais para trabalho em casa? Um kit home-office com computador, cadeira ergonômica e pacote de dados, além de subsídio à conta de energia? A economia que ela fará com vale transporte, alimentação e custos de aluguel e manutenção do escritório compensa? Começam a surgir problemas mais complicados. Acidentes domésticos são acidentes de trabalho? Algumas empresas pretendem controlar o ponto remotamente até com reconhecimento facial. Isso funciona? Como criar uma cultura empresarial com pessoas dispersas? Como fazer treinamentos híbridos? Como muda o papel do RH?

Algumas coisas parecem se tornar permanentes. As empresas e as pessoas já se acostumaram com as reuniões virtuais( embora a frase símbolo da pandemia seja: “o seu microfone está desligado”) e fica claro que muitas reuniões deixarão de ser presenciais, principalmente as que envolverem grandes deslocamentos para outras cidades, estados ou países. Mas mesmo assim, algumas coisas terão que ser administradas. Em reuniões presenciais você consegue se distrair eventualmente e recuperar informação com o colega do lado ou levantar para um café. Na plataforma, se você sai de cena fica esquisito e tem que manter cara de atenção, principalmente se a reunião for com o chefe, até porque não tem como recuperar o que perder com um cochicho ao lado.

Reuniões virtuais têm um ritual próprio que começa com a maior exigência de pontualidade. Na presencial, as pessoas se distraem com café ou papo informal até a chegada dos retardatários. Na virtual ficam todos com cara de tacho olhando para a tela e esperando. Há o problema reclamado de forma geral sobre o excesso de reuniões coladas em horários sem intervalo provocando o que se denominou “fadiga do zoom”, além da possível visão inconveniente de algum familiar ou do próprio participante em situações embaraçosas (dress code já era).

A ausência do escritório para alguns pode gerar a criação de panelinhas entre os presentes ou desnível na avaliação de mérito. Os virtuais ficam sem acesso à rádio corredor ou rádio peão, às fundamentais fofocas do escritório e com dificuldade de interagir sobre assuntos mais confidenciais ou tirar dúvidas com colegas, até por medo de registrar opiniões sensíveis ou perguntar bobagens em mídias que não se apagam.

Outras consequências do novo escritório apontam para a devolução de salas ou andares inteiros por empresas, reformulação de espaços para permitir maiores distanciamentos, reformas domésticas para adaptar os ambientes e pessoas se mudando para cidades ou bairros mais tranquilos e mais distantes, praticando o anywhere office.

Há também uma proliferação dos expatriados virtuais, pessoas prestando serviços para empregadores de outros países, recebendo em dólar ou em bitcoins, uma característica marcante na área de TI, que sofre um apagão mundial de desenvolvedores.

Afinal, parece que o escritório híbrido, com todas essas consequências, é realmente a tendência irreversível – enquanto dure.

https://www.agazeta.com.br/colunas/evandro-milet/pandemia-e-o-novo-escritorio-ou-o-seu-microfone-esta-desligado-0521

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A síndrome do apressadinho só atrapalha a comunicação digital

A colunista Stela Campos fala sobre o efeito da ansiedade e do medo de parecer ausente na eficácia das nossas interações a distância no home office

Stela Campos – Valor – 10/05/2021

Se você ainda não encontrou a melhor forma de se expressar nos meios digitais, seja por e-mail, WhatsApp ou nas reuniões de Zoom, corra porque esta talvez seja a habilidade que realmente vai importar daqui para frente. Nesse novo mundo híbrido do trabalho, saber se comunicar com eficiência a distância é o que vai garantir seu emprego, sua promoção, seu futuro. Tudo bem, já usamos tudo isso há muitos anos, mas as gafes continuam acontecendo e parece que só estão piorando.

Na ânsia de nos mostrarmos eficientes e sempre de prontidão, até porque sentimos uma certa culpa por estarmos distantes uns dos outros no home office, a pressa tem vindo antes da razão. Existe uma grande expectativa hoje sobre o tempo de resposta em qualquer meio de comunicação digital. Em poucos minutos, alguém já começa a sofrer porque supõe que foi ignorado. São milhares de suposições que levam a pessoa a mandar uma nova mensagem para se certificar de que o outro recebeu a primeira. Assim nossas caixas postais e aplicativos ficam entupidos e perdemos um tempo precioso fazendo faxina digital.

Poderíamos ser mais práticos estabelecendo regras apenas para não enlouquecer. Alguns assuntos precisam ser tratados em minutos, outros podem esperar horas ou até dias. E tem aqueles que não merecem atenção. Não há demérito em postergar o que não é urgente. Correr para responder para o chefe sem refletir, por exemplo, quase sempre dá errado. Você pode sabotar a própria criatividade e ser pouco estratégico somente porque quis parecer presente e rápido. E as letras trocadas? Uma vergonha. Mas você só se dá conta do que fez, depois.

Como diz Erica Dhawan em seu novo livro “Digital body language”, lançado semana passada: “hold your horses”, em uma tradução livre seria algo como “se segura”. Assisti a uma palestra dela anos atrás e fiquei impressionada com sua habilidade em se comunicar. Há anos ela investiga o poder das conexões nas empresas e a comunicação digital. Em seu último estudo, com mais de 2 mil profissionais, ela estima que as pessoas percam pelo menos quatro horas por semana tentando entender mensagens digitais confusas no trabalho. Ela estima que isso custe, aos EUA, US$ 889 bilhões ao ano. Confesso que ao trocar e-mails com ela esses dias fiquei um pouco tensa de cometer algum deslize, afinal todo mundo tropeça alguma vez.

É muito desperdício de energia e dinheiro com mensagens truncadas. Portanto, pense antes de escrever, use a pontuação correta, perca seu tempo buscando obstinadamente ser claro e objetivo no que quer dizer. Erros na interpretação de mensagens, em qualquer meio de comunicação digital, podem gerar infinitos conflitos e angústias no trabalho, especialmente quando estamos distantes. Um OK, por exemplo, pode ser visto como uma resposta funcional ou extremamente impessoal e antipática, depende de como a pessoa o interpreta. Alguém poderia apenas estar com pressa e preferiu digitar só duas letras, sem pensar nas consequências.

Emojis são sempre um risco e muito já se falou sobre isso. Eles podem ser úteis, simpáticos ou denegrir a sua imagem. Se um jovem usa um emoji na mensagem para um chefe sênior corre o risco de parecer pouco maduro. Se o contrário acontece, o chefe pode ser taxado de tiozinho pelo subordinado. É sabido, no entanto, que uma carinha feliz nesse distanciamento do home office ajuda a expressar sentimentos que não conseguimos demonstrar pessoalmente. Em todas essas situações, a dica é conhecer a sua audiência, a relação de poder, o grau de intimidade. Preste atenção nos detalhes antes de mandar um emoji beijoqueiro:)

Nas mensagens instantâneas, as regras são parecidas. O bom senso deveria prevalecer, mas a afobação dos nossos dias faz muita gente perder o controle. O fato de ficar explícito que você leu ou ouviu e não respondeu imediatamente pode matar alguém de ansiedade. Entender a prioridade do outro faz parte do jogo. Espere e roa as unhas se for preciso. Talvez a pessoa nem saiba o que te responder naquele momento.

As reuniões virtuais são um capítulo à parte. Entenda de uma vez por todas que nem tudo precisa ser resolvido pelo Zoom. Alguns assuntos podem ser tratados por e-mail e outros pelo telefone, como já falei nesta coluna. E quando o encontro virtual for de fato necessário, evite marcar no fim do dia quando todo mundo já está cansado. Ninguém gosta de aparecer destruído na tela.

Se não quiser aparecer, desligue a câmera, mas lembre que se alguém preferiu uma reunião por Zoom é porque provavelmente quer te ver. Não seja antipático, siga a maioria. O mais importante, no entanto, é ter claro o motivo da reunião. Isso vai tornar mais eficaz a sua comunicação digital. E tudo começa na escolha de quem deve participar. Os mais tímidos, no geral, não gostam. O segredo é pensar em quem de fato deveria estar envolvido naquele tema, naquela etapa do projeto ou discussão. Enviar as perguntas com dias de antecedência para os participantes se prepararem e pensarem sobre o assunto ajuda na dinâmica do encontro.

Deixar o chat aberto para as pessoas enviarem respostas é uma regra que Erica Dhawan recomenda. Ela diz que assim o organizador pode selecionar as respostas mais diversas para compartilhar na reunião. Isso ajuda os tímidos e evita que aquele grupo de três ou quatro falantes dominem a tela. Em qualquer meio de comunicação digital, respeitar o silêncio e a pausa para organizar o pensamento e a reflexão pode ser o primeiro e talvez o passo mais importante para qualquer profissional hoje. “Hold your horses”.

https://valor.globo.com/carreira/coluna/a-sindrome-do-apressadinho-so-atrapalha-a-comunicacao-digital.ghtml

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O CEO da Gerdau resolveu encarar o seu maior medo. E isso está mudando a companhia

A empresa, avaliada em quase R$ 60 bilhões, pretende fazer com que 20% de seu faturamento venha de outros negócios que não sejam a produção de aço. Mas, para isso, tem se reinventado. O CEO, Gustavo Werneck, conta ao NeoFeed sobre esse processo e os próximos passos

Carlos Sambrana – Neofeed •13/05/21 • 

O executivo Gustavo Werneck, 47 anos, comanda uma gigante com presença em 10 países, 30 mil funcionários e uma receita líquida que atingiu R$ 43,8 bilhões no ano passado. Mas o CEO da Gerdau, o primeiro a gerir a empresa centenária e a não ser da família que dá nome à companhia, diz que o grupo tem um grande medo. E ele não esconde de ninguém.

“Temos muito medo de desaparecer, tem muita empresa como a nossa, com 120 anos, que fica para trás. E isso gera na gente um sentimento de alerta máximo para estarmos o tempo todo nos reinventando”, diz Werneck em entrevista exclusiva ao NeoFeed.

Não à toa, nos últimos três anos, a companhia passou a avançar em novas áreas que vão além da boa-e-velha produção de vergalhões de aço. Mas isso se intensificou com a criação da Gerdau Next, uma vice-presidência voltada a novos negócios, em julho do ano passado.

Além de investir em 20 startups, ter criado uma companhia de serviços para fundação de construção chamada G2Base e se associado à Tigre e Votorantim na startup Juntos Somos Mais, a Gerdau comprou recentemente uma participação na empresa de construção modular Brasil ao Cubo e passou a atuar fortemente na logística para terceiros com a G2L.

Gustavo Werneck, CEO da Gerdau

O objetivo é muito claro. “Até 2030, queremos que 20% das receitas da Gerdau venham desses novos negócios”, afirma Werneck. Atualmente, já representam 2% do total do grupo.

Esse caminho começou a ser trilhado pela siderúrgica depois de que a empresa tirou um grande peso das costas. Nos últimos cinco anos, a companhia vendeu operações que não eram tão rentáveis em países como Chile, Índia, Espanha e Estados Unidos. No total, levantou R$ 7,4 bilhões com as vendas e usou boa parte desse dinheiro para pagar dívidas.

Isso ajudou a Gerdau a reduzir a sua alavancagem de 4,2 vezes o Ebitda, há cinco anos, para 0,96 vezes o Ebitda neste primeiro trimestre. “Ficamos com operações com as quais temos margens mais elevadas e onde somos mais relevantes”, diz Werneck. São elas, principalmente, o Brasil, que responde por 40% do faturamento, e os Estados Unidos, com 37%.

Prédio construído pela Brasil ao Cubo, uma das investidas da Gerdau

Werneck afirma que a empresa não vai mais operar em países da Europa e da Ásia. O foco está 100% nas Américas. “Vamos olhar oportunidades de aquisição de empresas que acrescentem ao nosso portfólio. Vamos continuar olhando M&As. Vamos criar negócios de nicho, com margens elevadas”, diz ele.

Um exemplo de negócio de nicho é a Gerdau Summit, joint-venture criada em 2017 com a japonesa Sumitomo, que produz peças de aço para a indústria eólica. Nesse caso, o processo envolve produção clássica. Mas a companhia está avançando em outros segmentos, entrando na área de serviços – algo inimaginável para uma empresa forjada na arte de forjar aço.

Há dois anos, a companhia criou uma construtech chamada G2Base, que atua na área de fundações de obras. Se antes a Gerdau vendia o aço para ser concretado, agora ela vende o serviço completo, com a fundação já pronta. “O cliente não precisa buscar vários fornecedores para fazer esse serviço, entregamos tudo de uma vez”, diz Werneck.

Outra que saiu do forno foi a G2L, empresa logística do grupo criada há quatro anos, mas que deixou de trabalhar exclusivamente para a companhia e, no ano passado, intensificou o serviço para terceiros. “Atendemos 33 clientes de setores como construção civil, papel e celulose, alimentação e varejo”, diz Werneck.

A explosão do e-commerce fez com que a G2L ganhasse ainda mais relevância na estrutura e, até o fim de 2021, a frota própria da empresa deve atingir 245 caminhões. Mas essa companhia da Gerdau, considerada uma logitech, não trabalha apenas com veículos próprios.

Com uma abrangência de 2,5 mil cidades brasileiras e 23 unidades espalhadas pelo País, ela tem 375 funcionários e quase 40 mil motoristas cadastrados. A Gerdau não revela o faturamento da operação, mas afirma que saltou 398% de 2018 até 2020.

Nem todos os novos negócios, entretanto, são originados internamente. “Entendemos que existem avenidas de crescimento que não precisam vir da gente mesmo”, diz Werneck. A Brasil ao Cubo, empresa especializada em construções modulares, é um exemplo disso. Em outubro do ano passado, a Gerdau comprou 30% da construtora por R$ 60 milhões.

“Ela é uma companhia revolucionária na construção metálica modular offsite”, diz Werneck. Na prática, a construtora pré-monta um edifício na sua planta industrial e depois monta no lugar. “Há dez dias, eles construíram um prédio de oito pavimentos em tempo recorde, foi o primeiro desse modelo na América Latina”, diz o executivo.

Antonio Salvador, ex-Chief Digital Officer do GPA e autor do livro “Transformação Digital”, analisa a virada da Gerdau sob uma ótica que vai além da tecnologia. “Setores como o financeiro, o varejo e a educação estão no olho do furacão, as empresas que atuam nessas áreas têm de mudar rapidamente”, diz Salvador.

No caso da Gerdau, por mais que as transformações no setor sejam mais lentas, a mudança é necessária até para que ela possa competir por talentos. “Nessa área, ela disputa com todo mundo, o Rappi, o Nubank”, afirma Salvador. “E o mais difícil é transformar a cultura. Não dá para ter líderes que não entendam o espírito do tempo.”

Esse foi o grande desafio de Werneck em todo esse processo. Nenhum desses recentes movimentos da companhia teria sido possível se a Gerdau não tivesse feito uma transformação cultural que deixou a empresa mais leve, com menos hierarquia e mais ágil.

“Tinha muita gente para tomar decisão, uma pirâmide grande. Nessa transformação, demos autonomia. Antes, algumas decisões demoravam 15 dias, hoje resolvemos em 15 minutos.” E prossegue. “Sou mais um Chief Enabling Officer do que um Chief Executive Officer.” Isso foi um desafio enorme e nem todos conseguiram.

Nos últimos cinco anos, 40% dos líderes foram trocados. Nenhum executivo, por exemplo, tem carro. “É meritocracia, aquele que entrega mais, ganha mais e compra o carro que ele quiser. A gente acabou com isso de ter frota e dar carro”, diz Werneck. As despesas de vendas gerais e administrativas foram reduzidas em US$ 300 milhões por ano. Nos últimos três anos, a economia foi de US$ 900 milhões.

Essa transformação cultural foi o gatilho para a transformação digital da empresa. Além de focar na indústria 4.0, a companhia estreitou o relacionamento com as startups. Hoje, a empresa atua por meio da aceleradora Ventures Gerdau e tem um escritório no Vale do Silício. Investe em startups envolvidas em melhoria de habitação, produtividade em construção e componentes como o grafeno – uma área que a empresa entrou recentemente.

Não há um valor definido para os cheques que são assinados para as startups investidas. Os investimentos fazem parte do budget anual estipulado pela empresa para todas as áreas. Neste ano, por exemplo, o total é de R$ 3,5 bilhões. Boa parte desse montante será usada nas operações atuais. E, por mais que a Gerdau esteja se reinventando, é no passado que está o seu presente e seu futuro.

“O aço é um produto que não tem substituto no mundo”, diz Werneck. E o executivo aposta num ciclo positivo para a commodity para 2021 e 2022. Os resultados do primeiro trimestre desse ano já mostram isso.

A Gerdau apresentou um lucro líquido recorde de R$ 2,47 bilhões, 1.006% maior do que no mesmo período do ano passado. A receita líquida da companhia chegou a R$ 16,3 bilhões, 77% a mais do que no primeiro trimestre de 2020.

Os resultados acima da curva vêm a reboque de um mercado animado pela recuperação econômica no exterior. E as projeções apontam para tempos de mais rentabilidade na indústria, principalmente por conta de mudanças no mercado chinês.

Enquanto no Brasil a produção de aço atinge 30 milhões de toneladas por ano, a China produz 1 bilhão de toneladas. “É assustador”, diz Werneck. Nos últimos dez anos, isso causou um problema no mercado, sobrou aço no mundo e o preço e a rentabilidade caíram.

Unidade de produção da Gerdau, nos Estados Unidos

Agora, por conta das questões ambientais, a China deverá reduzir sua produção. “A China não quer ser vista como um país que polui. Então está fechando capacidade e mantendo as usinas mais novas que emitem menos gases estufa”, diz Werneck. E isso vai ajustar os preços.

Além disso, o novo pacote de infraestrutura anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, vai adicionar um consumo de 5 milhões de toneladas de aço no mercado americano. Isso vai ajudar a manter a rentabilidade em alta.

“Com a expectativa de recuperação da economia americana/pacotes de estímulos e recuperação da economia interna, esperamos aumento de demanda e de resultados para os próximos trimestres”, dizem em relatório os analistas Fernando Bresciani e Pedro Galdi, da Mirae Asset.

“Continuamos otimistas com o setor de commodities. Mantemos a recomendação de compra para a GGBR4, com preço alvo de R$ 38,00”, afirmaram. Na quarta-feira, 12 de maio, seus papéis fecharam cotados a R$ 36,65 e seu valor de mercado era de R$ 58,7 bilhões.

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Como despertar criatividade: as 5 melhores maneiras

 Por Melanie Pinola | Publicado em 22 de Março de 2016 

Já pensou em por que algumas ideias chegam a nós sem razão, do nada? E outras vezes, temos dificuldade em encontrar a palavra perfeita ou encontrar uma solução mais original para um problema? Afinal, como despertar criatividade? Existe uma receita?

Mesmo que não haja uma fórmula secreta para gerar ideias incríveis, cientistas e artistas têm compartilhado algumas maneiras de turbinar a criatividade, para que possamos ter mais desses momentos eureca.

A genialidade pode atacar nos lugares mais inesperados

R. Keith Sawyer, psicólogo da Universidade de Washington, conta a história de uma equipe da NASA nos anos 1990 que estavam tentando consertar o telescópio Hubble. Ninguém conseguia descobrir como encaixar os minúsculos espelhos necessários para corrigir as lentes distorcidas dentro daquele espaço de difícil acesso.

A solução do engenheiro Jim Crocker foi literalmente inspirada pelo seu chuveiro: notando a ducha de estilo europeu no hotel alemão onde estava hospedado, Crocker se deu conta de que a equipe poderia estender os espelhos dentro do telescópio utilizando um tipo de braço articulado parecido.

As ideias que temos no chuveiro são geralmente diferentes das que temos no trabalho. Isso se dá, dizem pesquisadores, porque estamos menos preocupados em gerar ideias. Paradoxal, não? Uma maneira de como despertar criatividade é não se preocupar em despertá-la!

Quanto mais distraídos estivermos, mais criativos podemos ser. Mark Fenske, um professor de neurociência e coautor de The Winner’s Brain, diz que às vezes podemos estar concentrados demais.

Como despertar criatividade

Atividades onde somente executamos uma tarefa, como tomar banho “não requerem muito foco cognitivo,” diz Fenske, então “outras partes do cérebro podem começar a contribuir.” Quando sua mente vaga, ela tem mais chances de criar associações livres e criar ideias e conexões novas.

O chuveiro é igualmente o ambiente perfeito porque é quentinho, e fatores relaxante podem fazer com que seu cérebro libere dopamina, que acelera a criatividade e as sensações boas.

Então, se você quer saber como ter criatividade, tome mais banhos, que durem mais tempo, e invista talvez em Aqua Notes, blocos de nota à prova d’água que você pode colocar no chuveiro para que suas ideias não vão por água abaixo.

Como despertar criatividade com um passeio no parque

Em 2014, pesquisadores da Stanford deram a voluntários testes padronizados de criatividade, e em seguida pediram que caminhassem (em uma esteira, e do lado de fora) e depois pediram para realizarem o teste novamente.

Após caminhar na esteira, 81% dos voluntários tiveram um resultado melhor nos testes de pensamento divergente. Porém, os efeitos mais significativos, foram vistos uma vez que os participantes caminharam do lado de fora, e os pesquisadores concluíram:

Talvez seja uma consequência do aumento no fluxo sanguíneo para o cérebro que ajuda a aumentar a criatividade, ou pode ser simplesmente uma mudança de ambiente que deixa que sua mente vague. Bem, qualquer que seja a razão para explicar como despertar criatividade, parece que Nietzsche estava à frente de seu tempo quando escreveu, “todos os pensamentos realmente grandes foram concebidos durante uma caminhada”.

Às vezes, boas ideias são um pedido difícil

Várias pesquisas mostraram que beber um pouquinho pode liberar nossa criatividade. Como escreve Mikael Cho no blog da Crew:

  • A melhor hora de tomar uma cerveja (ou duas) seria quando você está procurando uma ideia inicial. Porque o álcool ajuda a diminuir sua memória operacional (fazendo que você se sinta relaxado e menos preocupado com o que está acontecendo ao seu redor), você terá mais poder cerebral dedicado a realizar conexões mais profundas.
  • […]Pesquisadores descobriram que 5 segundos antes de ter um ‘momento eureca’ há um aumento considerável nas ondas alfa [do cérebro] que ativam o giro temporal anterior superior [responsável por pensamentos criativos].
  • Essas ondas alfa estão associadas ao relaxamento, o que explica por que você muitas vezes tem ideias enquanto caminha, toma banho ou vai ao banheiro.
  • O álcool é uma substância que relaxa seu corpo, então ele produz um efeito similar nas ondas alfa, o que nos ajuda a ter ideias criativas.

Tudo com moderação, claro; e você provavelmente não deveria beber durante o expediente se não for permitido. Porém, isso pode explicar por que tantos artistas famosos gostam de beber. Pode ser também uma desculpa para tomar uma cervejinha ou uma taça de vinho antes de trabalhar no seu projeto criativo. Saúde!

Dê um tempo

Como você pode ter adivinhado, uma maneira de despertar criatividade é baixar sua guarda – permitindo que você se distraia e relaxe. Este é um componente chave para um fluxo de ideias melhor. Aquelas horas justo antes de dormir, quando você está começando a apagar, ou quando você está acordando e ainda está sonhando, são momentos ideais para acessar sua criatividade.

O sono ajuda a fomentar conexões inabituais, nota a BBC. Em uma das experiências, pesquisadores descobriram que voluntários que fizeram testes de criatividade durante a manhã após dormir tiveram resultados melhores que os que fizeram o teste à noite:

“A experiência ilustra que combinar o que sabemos para gerar novas visões requer tempo, algo que muitos podem ter adivinhado. Talvez mais revelador ainda, também mostra o poder do sono em construir associações remotas. Realizar vínculos entre pedaços de informação que nossas mentes racionais diurnas vêm como separados parece ser mais fácil enquanto estamos desligados, flutuando no mundo dos sonhos.”

Dormir nos dá o tempo de incubação necessário para que ideias maturem, e, como mostra outra pesquisa, seu cérebro subconsciente tem maior probabilidade de criar conexões entre coisas que sua mente acordada rejeitaria ou filtraria.

O filme O Exterminador do Futuro, ‘Yesterday’ dos Beatles, Frankenstein de Mary Shelley, e até a tabela periódica estão entre as inovações marcantes atribuídas ao sono de seus criadores.

Volte ao trabalho… com ou sem os outros

Mesmo que possa parecer que a criatividade se trata somente de momentos eureca, as pessoas mais prolíficas e bem-sucedidas têm uma coisa em comum: eles tinham rotinas sólidas e dedicavam tempo todos os dias para trabalhar em sua arte.

Como dizia Pablo Picasso, “a inspiração existe, mas ela tem que te encontrar trabalhando”. Não se preocupe em produzir ideias ruins, porque para ter boas ideias você precisa ter ideias ruins.

“Você não pode ficar esperando pela inspiração. Você tem que caçá-la com um bastão.”

– Jack London

Alguns dizem que é um ótimo método de como despertar criatividade é trabalhar sozinho. Leo Babauta, do Zen Habit, argumenta:

“A criatividade floresce na solidão. No silêncio, você pode ouvir seus pensamentos, você pode procurar em suas profundezas, você pode se concentrar.”

Contudo, haverá momentos em que colaborar com outros e obter inspiração deles será igualmente importante. Boas ideias e criatividade, essencialmente, podem vir também de criar conexões: A questão é que se você não estiver sentindo a faísca, então mude de ambiente. Se você estiver sozinho, organize um brainstorm com outros. Se você estiver se sentindo distraído, vá encontrar seu lugar quieto, zen.

Se aquela faísca de criatividade não estiver aparecendo, vá caminhar, tomar banho, cochilar ou beber e deixe que sua mente vague, mas depois volte àquela folha de papel branca e mão à obra.

https://blog.trello.com/br/como-despertar-criatividade

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A importância das Soft Skills, e porquê nunca foram prioridade

O conhecimento técnico continua valorizado, mas o grande salto acontece quando as habilidades humanas são verdadeiramente desenvolvidas. Mas como medir, avaliar e potencializar essas habilidades?

by Andrea Iorio Março 18, 2021

Pense na seguinte situação, que tenho certeza já aconteceu com você no trabalho: a sua gestora chega até você, durante uma sessão de feedback de fim de ano, e te coloca alguns objetivos para o ano que está por vir. Após colocar uma meta de crescimento de vendas da sua unidade de negócios de 15% no primeiro trimestre, ela encerra com metas comportamentais. Essas, normalmente, ficam para o final, mesmo.  Em particular, ela te diz: “sua meta esse ano é ser mais colaborativo”. Você não diz nada, agradece, e ela vai embora para a próxima sessão de feedbacks. Você, porém, fica em dúvida sobre o que significa “ser mais colaborativo”.

Algo parecido aconteceu comigo alguns anos atrás, quando meu gestor me pediu para ser mais “proativo”. Ele, VP de Operações Internacionais, ficava em Los Angeles e eu no Brasil, e obviamente esperava que eu tomasse mais a iniciativa e reportasse para ele com frequência as novidades. Mas, a mim, parecia que nunca era suficiente, pois esse feedback se repetia a cada trimestre.

Em situações assim a gente sai da sala atordoado, com muitas dúvidas. Na cabeça ressoam perguntas como, por exemplo, “como vou conseguir demonstrar ser mais colaborativo? Como consigo medir o quão colaborativo sou agora? E de quanto preciso aumentar esse nível?”. São todas perguntas muito apropriadas, e a verdade é que é muito difícil medir nossa evolução neste sentido — bem diferente de um pedido de gestor como “até o fim do ano você tem que alcançar um faturamento de 7 milhões na sua região”. Bem mais objetivo e mensurável, não é?

Mesmo que desafiadoras, paradoxalmente preferimos essas metas objetivas porque assim fica tudo claro e não sofremos com a dúvida, como no caso dessas metas comportamentais. Imagine: após um tempo desse feedback abstrato, você está otimista por demonstrar ser mais colaborativo na empresa, já que depois dessa conversa você ajudou um colega em um projeto, certo dia ficou até mais tarde participando de um encontro de jovens aprendizes, compartilhando sua experiência com eles e se prontificou a estar disponível em muitos outros aspectos. Mas, ao falar novamente com sua gestora, você descobre que ela não concorda: segundo ela, você precisa melhorar ainda mais. “Mais, mas como? Em qual nível? Quando ela ficará satisfeita?”, você se pergunta.

E não sem razão.

A Esther Perel, uma das maiores experts em relacionamentos do mundo, nos aponta justamente essa desvantagem que as habilidades comportamentais desde sempre carregam: por serem tão difíceis de medir, essas  soft skills,  como são definidas no termo em inglês, não são priorizadas no ambiente de trabalho desde sempre, enquanto focamos e medimos principalmente eficiência, produtividade e resultado.

O que são soft skills?

Segundo o livro “Fundamentals of Human Resources Management” (Noe, Hollenbeck & Gerhart, 2015), as habilidades se referem ao nível de desempenho de um indivíduo em uma tarefa específica, ou à capacidade de realizar bem um trabalho que pode ser dividido em elementos técnicos e elementos comportamentais.

Aqui já notamos duas grandes categorias de habilidades como reflexo de elementos técnicos e comportamentais na realização de tarefas: por um lado, temos as habilidades técnicas, ou Hard Skills, e por outro as habilidades comportamentais, ou Soft Skills, que não dependem de conhecimentos adquiridos e incluem bom senso, capacidade de lidar com as pessoas e uma atitude positiva e flexível.

Mais importante ainda do que a definição, porém, são as características específicas das Soft Skills a respeito das habilidades técnicas, ou  hard skills. Em particular, separei três características das soft skills:

  • Amplas  (vs. as  hard skills,  que são específicas): enquanto as hard skills são focadas para o cumprimento de tarefas específicas, as soft skills são aplicáveis em qualquer situação de negócios (e de vida!).
  • Difíceis de transferir  (vs. as  hard skills, que são fáceis de transferir e de ensinar): enquanto alguém que tem uma habilidade técnica consegue transmitir esse conhecimento para ajudar outra pessoa no desenvolvimento da mesma hard skill, isso não ocorre na soft skill com tanta facilidade: o desenvolvimento delas é um processo muito mais interno e pessoal, do que externo e ensinado.
  • Difíceis de medir  (vs. as hard skills, que são fáceis de medir): voltando ao ponto que já mencionamos, enquanto é possível medir as competências técnicas de um desenvolvedor de software ou a proficiência de idioma inglês de um candidato, é muito difícil medir soft skills como o grau de colaboração ou pensamento crítico de um colaborador.

Parece óbvio então que, em um mundo analógico, pré-digital, onde a especialização, a educação formal e medição de QI como indicador de inteligência dominavam os ambientes de trabalho, as Soft Skills nunca fossem prioridade — e essa é a herança que carregamos conosco.

Mas algo mudou: nos últimos anos, começou-se a criar um consenso de que Soft Skills são tão fundamentais no trabalho quanto as habilidades técnicas, a partir da popularização do conceito de Inteligência Emocional pelo psicólogo Daniel Goleman nos anos 1990. O que é a Inteligência Emocional? É a capacidade, inata ou desenvolvida, de identificar, compreender, rotular, expressar e regular emoções humanas de maneira saudável e produtiva.

Ele demonstrou que não existia uma correlação clara e proporcional entre QI e sucesso profissional após um certo ponto. Pois, sim, é preciso ter uma inteligência acima da média (QI de cerca de 115, segundo Goleman) para dominar o conhecimento técnico necessário para ser médico, advogado ou executivo de negócios. Mas, depois que as pessoas entram no mercado de trabalho, o QI e as habilidades técnicas de quem está na ativa são mais próximas, e a Inteligência Emocional se torna um diferencial importante. Na verdade, a inteligência emocional é responsável por quase 90% das movimentações de carreira nas situações onde QI e habilidades técnicas são aproximadamente semelhantes entre candidatos, segundo a Harvard Business Review.  A Inteligência Emocional é o terreno fértil das Soft Skills; sem ela, habilidades comportamentais não conseguem prosperar.

A pesquisa Global Trends Report do Linkedin, de 2019, aponta que 92% dos gestores de Recrutamento e Seleção acham que as soft skills são igualmente importantes, senão mais importantes, que as hard skills; 80% deles pensam que as habilidades sociais são cada vez mais essenciais para o sucesso de uma empresa, enquanto 89% das “contratações ruins” são atribuídas a funcionários com habilidades sociais ruins.  Pesquisa da Harris Poll aponta que ter Soft Skills sem ter a experiência necessária parece ser mais desejável do que ter a experiência ou as qualificações certas para um trabalho, mas sem habilidades sociais, e que 75% dos americanos provavelmente contratariam um candidato que tenha habilidades sociais, e não a experiência ou as qualificações certas.

O “Soft Skills gap”

Porém, os relatórios nos mostram, também, o outro lado da moeda: embora cada vez mais importantes, as habilidades pessoais ainda permanecem bastante ambíguas, principalmente porque são difíceis de medir. Dos profissionais de RH entrevistados pelo LinkedIn, apenas 41% afirmaram que sua empresa possui um processo formal de avaliação de Soft Skills; 57% dos entrevistados disseram que lutam para avaliar com precisão as habilidades pessoais e 68% pontuam que os indicadores sociais no processo de entrevista são o principal método de avaliação. Fazer perguntas comportamentais está no topo da lista de como a empresa testa as soft skills durante o processo de entrevista, mas as respostas a essas perguntas podem ser facilmente ensaiadas ou difíceis de interpretar de forma objetiva — o que significa que não são necessariamente preditivas ou indicativas das Soft Skills do candidato.

Essa dificuldade de medição, e essa ambiguidade em identificá-las, cria um ciclo vicioso que explica porque as Soft Skills nunca foram prioridade no trabalho: uma vez que o que importa aos nossos olhos é ao que prestamos atenção, as hard skills — mais fáceis de medir — se tornam nossa realidade. Nosso foco. Elas são os fatores em que nos concentramos, assim como ao medir sucesso nos focamos em lucratividade, crescimento e produtividade, e não necessariamente em impacto social, propósito ou sustentabilidade.

A gente faz a mesma coisa ao medir nosso sucesso pessoal: o medimos através de dinheiro e status, mesmo que eles não estejam atrelados a nossa felicidade. Por quê? Porque são mais fáceis de medir, e nos permitem a comparação com os outros.  É muito mais fácil medir o dinheiro em nossa conta e concluir se somos bem-sucedidos ou não do que medir nossa felicidade: a gente não tem 100% tangibilização disso. É muito mais fácil a gente se apegar a cargos organizacionais e dizer “sou mais poderoso que você, então melhor sucedido” do que “eu sou mais feliz que você, então mais bem sucedido”.

A melhor forma de explicar essa falha é por meio de uma história que vem da tradição budista: certa noite um homem perdeu as chaves de casa, e um amigo o encontra buscando furiosamente por elas na rua, embaixo de um poste iluminado. O amigo lhe pergunta se ele lembra onde pegou nas chaves da última vez, e o homem responde, apontando para longe: “Lá, naquele campo de arroz”. Então o amigo indaga, surpreso: “Por que não está procurando lá?”. O homem responde, como se fosse óbvio: “Porque a luz está melhor aqui”.

Será que estamos medindo o sucesso com dinheiro e poder porque são itens mais “luminosos e fáceis de achar” ou precisamos ir até o campo de arroz achar outras fontes mais “abstratas” de sucesso na vida? Ou, no caso do conflito entre hard skills e soft skills, será que não estamos atrelando o sucesso profissional às habilidades técnicas porque são mais fáceis de medir?

Provavelmente sim. Mas indo a fundo nós achamos as verdadeiras “chaves” para o sucesso.

Até pouco tempo atrás o ambiente de trabalho não tinha espaço para emoções. Por quê?

As razões são provavelmente mais sociológicas e antropológicas do que psicológicas. Volte à Revolução Industrial e à ética de trabalho que surgiu dela e pense em tudo o que implicou criar uma economia de manufatura e linhas de produção eficientes: um dos motores dessa eficiência é que não nos importávamos muito com emoções, ou relações, no local de trabalho. Queríamos ser produtivos. Queríamos ser eficientes. Separamos a esfera pessoal da profissional com duas personalidades diferentes: as emoções ficavam apenas para o horário de volta para casa.

Isso é totalmente contraproducente em muitas frentes: primeiramente, é necessária uma grande quantidade de energia para suprimir suas emoções. Além de desgastar, isso cria relações menos profundas, onde você tem menos confiança e menos conexão emocional com seus pares. Isso não é bom para nenhum tipo de trabalho que envolva relações interpessoais — pré-requisito para praticamente todos os tipos de trabalho. Contudo, isso está começando a mudar porque temos hoje mais economia de serviços, ou de conhecimento, do que jamais tivemos no passado. Nossos trabalhos atuais envolvem muito mais relacionamento e criatividade e cada vez mais pessoas estão reconhecendo que expressar emoções é uma grande parte da realização profissional.

O que podemos fazer?

“Como resolver esse problema e medir melhor as Soft Skills no trabalho?”. Ao mergulhar em leituras, pesquisas e infográficos relacionados, me deparei com o relatório “Meet Your New Leaders: Supportive, Creative and Employee-Focused” da McKinsey, publicado em Novembro 2020, que demonstra claramente que Soft Skills são fundamentais para um mundo digital pós-crise: ao medir a mudança em pontos percentuais no comportamento dos líderes mais bem sucedidos após o começo da pandemia, a pesquisa mostra um aumento de 25% em comportamentos de “apoio e cuidado”, de 15% em demonstrações de “empoderamento e confiança” e 14% em “tomada de decisão rápida e sob um cenário ambíguo”. Ao mesmo tempo, comportamentos de liderança herdados do mundo analógico de comando e controle caíram drasticamente, como “promover competição interna entre times” (-15%) e “exercitar liderança autoritária” (-18%). O estudo deixa claro que os líderes bem mais sucedidos após a crise demonstraram uma forte Inteligência Emocional e um leque robusto de Soft Skills.

A verdade é que o desafio que nós temos para resolver o problema dos Soft Skills é composto por 4 partes sequenciais:

  1. Achar um consenso claro sobre quais são as Soft Skills;
  2. Medir melhor as Soft Skills nos colaboradores;
  3. Desenvolver metodologias para treinar Soft Skills (e medir sua evolução);
  4. Atrelar o impacto das Soft Skills nos resultados de negócio e achar correlações entre comportamentos e resultados.

Tudo isso para já, em um mundo em transformação digital acelerada que precisa de soft skills na mesma rapidez que o mundo está mudando.

https://mittechreview.com.br/a-importancia-das-soft-skills-e-porque-nunca-foram-prioridade/

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O que mais preocupa o brasileiro no trabalho híbrido, segundo a Zoom

Pesquisa feita pela empresa americana de videoconferência sobre o assunto foi realizada com 7.600 pessoas em dez países, incluindo cerca de 1.000 participantes do Brasil

Por Daniela Braun, Valor — 10/05/2021 

Os modelos de trabalho híbrido, que estão nos planos de muitas empresas para o pós-pandemia, preocupam os brasileiros principalmente pela falta de conexão interpessoal bem como de acesso a materiais e recursos do ambiente físico de trabalho. Esta é uma das conclusões de uma pesquisa feita em abril pela empresa americana de videoconferência Zoom.

O levantamento feito com 7.600 pessoas em dez países, incluindo cerca de 1.000 participantes do Brasil, mostra que 53% dos brasileiros se preocupam com a falta de conexões pessoais e 49% com a falta de materiais e recursos de escritório no modelo de trabalho híbrido.

Rotinas de trabalho irregulares e dificuldade de acessar outras equipes e departamentos da empresa também preocupam, respectivamente, 44% e 41% dos respondentes brasileiros sobre o modelo de trabalho dividido entre os ambientes on-line e o presencial.

Quanto à viagens de trabalho, 68% dos pesquisados no país disseram que pretendem retomar as viagens corporativas após a pandemia, sendo que 38% esperam viajar com mais frequência do que antes.

Já no pós-pandemia, somente 7% dos participantes pretendem usar exclusivamente ferramentas de videoconferência para negócios, enquanto 70% disseram que usarão os recursos virtuais e presenciais. Os 23% restantes responderam que pretendem fazer apenas reuniões presenciais com o fim do isolamento social.

Usar ferramentas de videoconferência para acesso a serviços públicos é a prioridade dos brasileiros após a pandemia. Na sequência, os respondentes priorizam as ferramentas colaborativas em serviços financeiros, varejo, negócios e celebrações.

Durante a pandemia, as atividades mais frequentes no uso de softwares de videoconferência são conversas com familiares e amigos, reuniões de trabalho, festas de aniversário, consultas médicas, aulas, encontros religiosos e treinamentos.

Quando perguntados sobre as atividades mais realizadas por videochamadas recentemente, o uso para educação ficou em primeiro lugar para 71% dos brasileiros, seguido por negócios (69%), celebrações (60%), entretenimento, como shows ao vivo (58%), e teleconsultas (29%).

A maior parte dos brasileiros entrevistados planeja retomar as atividades presenciais após a pandemia, especialmente para celebrações, cuidados com a saúde e na busca por imóveis. Quando se trata de serviços do governo, quase um terço dos brasileiros (27%) disseram que preferem o atendimento exclusivamente virtual. Já 15% optaram por continuar acessando conteúdos de entretenimento apenas virtualmente depois da pandemia.

Quando abordados sobre o que sentem a respeito das videochamadas, no futuro, 90% dos brasileiros disseram que o uso das ferramentas terá continuidade, já que “tudo terá um componente virtual”. A segunda resposta mais frequente, para 88% dos participantes, foi que “a videochamada ajudou a combater a solidão”.

A continuidade do uso de ferramentas de videoconferência é vital para os negócios do Zoom, empresa avaliada em US$ 86,7 bilhões. Esse já não é o caso de ferramentas como Meet do Google, Teams da Microsoft, e o WhatsApp do Facebook, que não são as principais fontes de receita destas empresas.

No acumulado do ano fiscal de 2021, que foi de janeiro de 2020 a 31 de janeiro deste ano, a receita do Zoom alcançou R$ 2,6 bilhões, 326% superior ao resultado do ano fiscal anterior. O lucro líquido anual somou US$ 671,5 milhões, ante um lucro de US$ 21,7 milhões no ano anterior.

De acordo com os dados mais recentes divulgados pela empresa, de dezembro de 2019 a abril de 2020, o número de reuniões diárias pelo Zoom saltou de 10 milhões para 300 milhões, refletindo o início da pandemia.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/05/10/o-que-mais-preocupa-o-brasileiro-no-trabalho-hibrido-segundo-a-zoom.ghtml

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Quero ser ‘tech’: empresas brasileiras fazem fila para ingressar na Nasdaq

Negócios dos mais variados segmentos, como educação e gestão de recursos, buscam ser listadas na Bolsa americana como companhias de tecnologia, o que lhes garante acesso a um universo de investidores muito maior que o brasileiro

João Sorima Neto O Globo 09/05/2021 

SÃO PAULO — É crescente nos últimos anos o número de empresas brasileiras que abrem seu capital na Bolsa de Valores — foram 28 só no ano passado e 24 este ano —, mas uma parcela dessas companhias está indo além da B3, em São Paulo.

Muitas companhias brasileiras estão ofertando ações na Bolsa americana Nasdaq, a segunda maior do mundo em volume e onde estão ações de gigantes da tecnologia como Apple, Amazon e Google.

Aquisições: Grupos empresariais vão às compras de escolas de educação básica

Negócios de segmentos tão variados como educação e gestão de recursos financeiros têm, em comum, a busca por listagem como empresas de tecnologia, o que lhes garante acesso a um universo de investidores muito maior que o brasileiro. Em nome dessa oportunidade, todos querem ser tech nos EUA.

Americanas é mais nova candidata a um lugar em NY

A Nasdaq movimenta, por dia, US$ 262 bilhões em ações de quase 3 mil companhias. Na Bolsa de São Paulo, a B3, o movimento diário é de cerca de R$ 31 bilhões (ou US$ 6 bilhões), e estão listadas em torno de 400 empresas.

A tendência entre as brasileiras começou em 2017 e vem ganhando força. Pelo menos onze empresas daqui foram para a Nasdaq desde então, entre elas a XP Inc., as fintechs Stone e PagSeguro e a Afya Educacional. Juntas, elas levantaram US$ 8,46 bilhões na Bolsa americana.

— A quantidade de investidores nos EUA é a maior do mundo, e eles já têm a visão de longo prazo. É esse universo que as companhias brasileiras que abrem seu capital nos EUA buscam acessar — diz Guilherme Zanin, estrategista da Avenue Securities, corretora de valores com sede em Miami.

A última empresa a indica que vai buscar o mesmo caminho foi a Lojas Americanas. Há duas semanas, ao anunciar a incorporação da rede pela até então controlada B2W, dona dos sites de vendas Submarino e Shoptime, o grupo apresentou o plano de criar uma empresa controladora que será listada na Nasdaq ou na Bolsa de Nova York (Nyse).

Também estão nessa fila duas empresas de educação, Eleva e Maple Bear, e o PicPay, de meios de pagamento. Essas ofertas inicias de ações (IPO, na sigla em inglês) devem acontecer entre 2021 e 2022.

Investidores dispostos a arriscar (e pagar) mais

Com investidores especializados em tecnologia e dispostos a tomar risco em suas carteiras de investimentos para ter um retorno melhor do que o dos juros dos títulos americanos (que estão entre zero e 0,25% ao ano), o mercado acionário dos EUA tende a avaliar melhor as empresas brasileiras que levam sua tese de negócio para lá, explica Max Bohm, analista da Empiricus Research.

— Os IPOs feitos nos EUA ampliam a possibilidade de a empresa aumentar seu valor de mercado — diz Bohm.

Em média, as companhias tendem a ser avaliadas na Nasdaq por um valor entre 20 e 30 vezes seu Ebitda (que é o lucro antes de impostos, amortizações e depreciações), calculam os especialistas. Isso porque a aposta dos investidores especializados em empresas de tecnologia é no longo prazo.

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No Brasil, onde predominam as companhias ligadas a commodities e bancos no pregão, e muito poucas empresas de tecnologia, a avaliação costuma ser mais conservadora: fica em torno de dez vezes o Ebitda.

— Nossa captação inicial chegou a US$ 300 milhões, superando a meta inicial, que era de US$ 269 milhões. A precificação inicial atingiu U$ 19 dólares por ação, um dólar acima do valor máximo estimado — conta Luis Blanco, diretor financeiro da Afya Educacional, que abriu seu capital na Nasdaq em 2019.

Mãozinha na estratégia global

A Afya é uma companhia que atua no segmento médico, desde a formação até a oferta de ferramentas digitais para o profissional gerenciar o consultório, ajudar na realização de diagnósticos e na virtualização de imagens de anatomia e radiologia. Foi avaliada em US$ 1,6 bilhão no IPO e atualmente vale US$ 2,03 bilhões na Nasdaq. A ação é negociada atualmente a US$ 21,55.

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— Abrir o capital na Nasdaq é um caminho que facilita o crescimento global para quem aposta nesta estratégia — diz Maurício Pedrosa, gestor independente de fundos, lembrando que haverá ainda mais liquidez na economia americana com a aprovação do pacote de estímulo à economia de US$ 3 trilhões do presidente Joe Biden.

Grupo Educacional SEB, do empresário Chaim Zaher, comprou o controle da rede de escolas Maple Bear, de origem canadense, que fatura US$ 270 milhões em 30 países. Foto: DivulgaçãoGrupo Educacional SEB, do empresário Chaim Zaher, comprou o controle da rede de escolas Maple Bear, de origem canadense, que fatura US$ 270 milhões em 30 países. Foto: Divulgação

Em 2020, o grupo Educacional SEB, do empresário Chaim Zaher, comprou o controle da rede de escolas Maple Bear, de origem canadense, que fatura US$ 270 milhões em 30 países. De olho em ampliar sua atuação global, ele estabeleceu como foco o mercado americano e se prepara para buscar sócios na Nasdaq.

— Vamos abrir o capital da Maple Bear na Nasdaq possivelmente no segundo semestre de 2022. Lá eles pagam múltiplos mais altos e em dólares, nossa marca já é internacional e levamos junto a Conexa, nossa plataforma de tecnologia, que permite ensino à distância — conta Zaher, lembrando que o mercado de educação privada nos EUA também é o maior do mundo, o que acaba atraindo empresas do setor para a Bolsa.

Qualquer deslize pode custar caro

Apesar do interesse dos investidores em novidades, o mercado americano é seletivo, e qualquer deslize durante a oferta pode acabar mal. A Netshoes, de artigos esportivos, levantou US$ 149 milhões em seu IPO na Nasdaq, em 2017.

A empresa foi alvo uma ação coletiva que a acusava de fraude por inflar sua receita na oferta inicial. A varejista on-line pagou US$ 8 milhões aos autores da ação. Em 2019, foi vendida ao Magazine Luiza, que comprou 100% das ações e tirou a Netshoes da Nasdaq.

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A carteira digital PicPay, controlada pelo grupo J&F (dono da JBS), registrou em abril seu pedido de IPO nos EUA. A Eleva Educação, que tem Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do país, como sócio, confirma sua intenção de fazer seu IPO na Nasdaq em 2022.

Oportunidade para as start-ups

Mas há empresas menores se candidatando. A fornecedora brasileira de software de atendimento e comunicação de empresas Zenvia quer levantar US$ 100 milhões na Nasdaq e já fez seu pedido de IPO.

O empresário Janguiê Diniz, fundador do grupo Ser Educacional, quer abrir lá o capital da start-up educacional Edulabzz, comprada recentemente. A empresa cresceu cerca de 445% desde o início da pandemia.

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— A Nasdaq é uma Bolsa que aceita empresas menores, até start-ups. Mas isso não significa que o mercado não esteja atento: os investidores são rigorosos — afirma o consultor de investimentos Paulo Bittencourt.

A B3 informou que também tem espaço para empresas de tecnologia abrirem seu capital no Brasil. Nos últimos 6 meses, foram nove IPOs de empresas de tecnologia ou companhias de alto crescimento, em um sinal de interesse dos investidores por negócios inovadores também por aqui.

Investidor brasileiro pode comprar papéis na B3

Quem está no Brasil pode investir em empresas listadas na Nasdaq. Uma forma é comprar os papéis da empresa listada lá diretamente em uma corretora que negocia esses papéis.

No ano passado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado, passou a permitir que empresas americanas e brasileiras listadas nos EUA possam oferecer BDRs (recibos equivalentes a ações de empresas listadas nos EUA) na B3.

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— Para o iniciante que quer aplicar no exterior, mas não tem muito acesso a informação das empresas, o melhor caminho pode ser um ETF (Exchange Traded Fund, fundo que tem como referência um índice da Bolsa ou uma cesta de ações) — diz o consultor de investimentos Paulo Bittencourt.

Maurício Pedrosa, gestor de investimentos independente, lembra que há o risco cambial ao investir em papéis listados lá fora. O investidor paga em reais por um BDR.

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Já para adquirir uma ação de companhia estrangeira é preciso abrir conta em uma corretora no país em que ela está listada e enviar os recursos, que serão convertidos em dólar.

Segundo a B3, o BDR é uma forma muito mais simples de o investidor brasileiro buscar diversificação de riscos, de ativos e até geográfica.

https://oglobo.globo.com/economia/quero-ser-tech-empresas-brasileiras-fazem-fila-para-ingressar-na-nasdaq-25009530

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