Educar para digitalizar

Setor de tecnologia no Brasil deve movimentar 800 mil novos talentos de 2021 a 2025

Por Christian Gebara – Valor – 01/04/2022

A digitalização pode contribuir para corrigir décadas de atraso educacional no Brasil. É a nossa chance de buscar um novo modelo de ensino que reduza rapidamente o abismo que existe entre o nosso país e aqueles com os melhores indicadores socioeconômicos. A partir da conectividade, podemos chegar a mais gente de maneira eficiente e veloz, ampliando o acesso a um conteúdo mais técnico e acadêmico. Além disso, temos uma grande oportunidade para atender à demanda do mercado em geral por profissionais de tecnologia, graças às novas trilhas educacionais do ensino médio, que oferecem aos jovens uma formação voltada à empregabilidade nessa área antes mesmo que eles cheguem à graduação.

Não existe dilema entre digitalizar para educar ou educar para digitalizar. São dois lados da mesma moeda. O avanço da infraestrutura de acesso à internet que proporcione a conexão de um maior número de estudantes a um ensino de qualidade e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento de competências digitais para aumentar a inclusão e a empregabilidade, são complementares e necessários. Estamos, de fato, diante de uma chance histórica para nações desiguais como o Brasil.

Desemprego atinge mais de 11% dos trabalhadores, mas sobram oportunidades na área tecnológica

A pandemia mostrou que o nosso modelo de educação não é digital. Os alunos não tinham os equipamentos mais adequados. A cobertura de internet não chegava a todos os lugares que deveria por uma série de impeditivos como, por exemplo, legislações municipais restritivas à instalação de antenas. Não tínhamos professores preparados para trabalhar nesse ambiente, nem profissionais formados e treinados para atender à demanda explosiva por serviços digitais. Os problemas de conectividade, falta de computadores e capacitação de educadores para digitalização do ensino foram flagrantes.

Uma pesquisa do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) mostrou que um em cada cinco alunos do ensino médio da rede pública ficou sem aulas entre 2020 e 2021 – grande parte por falta de aparelhos apropriados ou conexão à internet. O estudo “O abismo digital no Brasil”, realizado pela consultoria PwC em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgado recentemente pelo próprio Valor Econômico, mostra que 51% dos brasileiros (principalmente negros das classes C, D e E) estão nas categorias de parcialmente conectados, com pacotes que terminam antes do fim do mês, ou subconectados, que ficam sem conexão dez dias por mês. Neste caso, a alta carga tributária do setor de telecomunicações – na casa dos 47% – contribui de forma direta e efetiva para restringir um acesso mais igualitário.

Por outro lado, as empresas também perceberam que precisam ser digitais para seguir crescendo. Seus clientes querem comprar pela internet, suas reuniões não precisam ser sempre presenciais, seus sistemas devem estar na nuvem, a segurança cibernética tornou-se questão crucial. Nos últimos dois anos, 93% dos micro, pequenos e médios negócios aceleraram o processo de transformação digital, segundo a consultoria McKinsey.

Com isso vemos que a digitalização avançou de forma exponencial, sem que o mercado de trabalho tivesse profissionais para suprir essa necessidade. Temos uma equação com as variáveis de oferta e demanda em desequilíbrio. Certamente, não é possível pedir para o mundo parar e segurar a urgência pela transformação digital. Temos que nos debruçar sobre a oferta.

Hoje, algumas iniciativas públicas, como o Bolsa Conexão (Lei 14.172/2021), o Programa Internet Brasil (MP 1.077/2021) e o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações – FUST (Lei 14.109/2020), focam na conectividade e na disponibilidade de infraestrutura e equipamentos para escolas públicas. São esforços importantes, especialmente diante da exigência dos editais do 5G de estender a conexão à internet de alta velocidade a todas essas unidades de ensino até 2024.

Porém, o foco em políticas públicas de conectividade segue deixando em segundo plano o desafio do desenvolvimento das competências digitais. Não basta levar infraestrutura para navegar na internet. O educador precisa conhecer essas novas práticas pedagógicas para pleno uso. O Programa de Inovação  Educação Conectada – PIEC (Lei 14.180/2021) é uma das poucas iniciativas que buscam abordar o uso pedagógico de tecnologias digitais e promovem a capacitação online de professores. Novamente, é uma ação louvável, mas tímida diante da transformação digital e das oportunidades que o país pode abraçar.

Enquanto o desemprego no país atinge mais de 11% dos trabalhadores, observamos abundância de oportunidades na área tecnológica. A Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) estima que o setor de tecnologia no Brasil deva movimentar 800 mil novos talentos de 2021 a 2025, e o déficit projetado neste período chega a 530 mil profissionais.

Soma-se a esse cenário o fato que a maioria das profissões em alta hoje neste mercado não existia há dez anos e que 65% dos jovens em idade escolar vão ocupar cargos que ainda não existem. A lista “Empregos em Alta em 2022”, do LinkedIn, revela que 23 dos 25 cargos com maior demanda atualmente são em Tecnologia da Informação.

É preciso formar o profissional do futuro. A deficiência de conhecimento digital na formação dos jovens brasileiros é um colossal entrave para o desenvolvimento do país, em todos os aspectos. Enquanto a média dos alunos que concluem o ensino médio em cursos profissionalizantes nos países integrantes da OCDE é de 38%, no Brasil resume-se a apenas 9%. E, nesse contingente, as iniciativas de cursos voltados à formação em Ciência de Dados são absolutamente incipientes.

Conectividade e capacitação de professores são necessárias, mas é preciso ir mais a fundo, atingir a transformação cultural desde a base do ensino público, no qual estão 80% das nossas crianças e jovens. Nossa escola precisa urgentemente atingir o nível de excelência sem o qual o Brasil não será capaz de promover o desenvolvimento social e econômico que anseia. Isso inclui construir um plano estruturado de ensino e capacitação profissional que permita a esse grupo avançar no empreendedorismo digital e atender às demandas tecnológicas e socioambientais.

Nas atividades deste ano do B20 (grupo de líderes empresariais internacionais com articulação paralela ao G20) o Taskforce Digitalização, que tenho a satisfação de copresidir, já iniciou análises para a criação de políticas e recomendações que devem, a meu ver, também incluir a educação como um dos pilares da transformação digital. No Brasil, empresas e organizações sociais têm feito um grande trabalho na formação de jovens na área da tecnologia. Mas os números do mercado de trabalho mostram que essas iniciativas também não são suficientes.

Os caminhos para superar as dificuldades existem e vão desde a mudança cultural da sociedade até a renovação da escola pública, capacitando-a a preparar seus alunos para viver em um futuro – e, por que não, um presente – seguramente mais digital. Neste sentido, o papel da iniciativa privada é também o de liderar um movimento de apoio e, ao mesmo tempo de incentivo, para a efetiva criação de políticas educacionais e sua priorização nas agendas governamentais. Este é um movimento fundamental para o desenvolvimento sustentável do país ao longo dos próximos anos. Somente assim a digitalização será acompanhada por inclusão social, com oportunidade e equidade.

Christian Gebara é presidente da Vivo.

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/educar-para-digitalizar.ghtml

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Por que jogos que prometem treinar seu cérebro não funcionam

POR ART MARKMAN- Fast Company Brasil 30.03.2022|GAMES

O sucesso é, muitas vezes, impulsionado pela capacidade de resolver problemas e gerar ideias criativas. Não é à toa que as pessoas estão procurando maneiras de aumentar a capacidade mental. Muitas empresas entraram no vácuo para ajudar as pessoas a melhorar sua aptidão mental.

A analogia por trás de várias dessas atividades de treinamento da mente é o treino físico. Se você deseja melhorar seu desempenho físico, existem exercícios para ficar em forma. A corrida de longa distância, por exemplo, pode beneficiar a capacidade de realizar outras atividades que exigem resistência, como andar de bicicleta. Levantar pesos pode aumentar a força, o que o deve melhorar sua performance em outros esportes que exigem tal habilidade.

Infelizmente, o cérebro não parece funcionar da mesma maneira. Simplesmente, não há maneiras de treinar capacidades gerais que melhorem o desempenho em uma variedade de outras tarefas. Os jogos de treinamento mental geralmente oferecem quebra-cabeças lógicos, listas de coisas para lembrar ou tarefas que exigem atenção. Ao jogá-los, você ficará melhor neles.

No entanto, as melhorias que se obtêm acabam sendo específicas. Ou seja, você fica melhor no jogo e nas coisas que são como o jogo. Contudo, no geral, isso não aprimora sua maneira de pensar. Não significa que não há coisas que se possa fazer para melhorar as habilidades mentais. Significa apenas que os jogos cerebrais não são o caminho para se chegar lá.

INTELIGÊNCIA FLUIDA 

Para entender por quê, é importante saber que os psicólogos distinguem entre dois tipos de inteligência: a fluida e a cristalizada (detesto esses termos, mas são os nomes escolhidos, então estamos presos a eles.)

A inteligência fluida reflete mecanismos psicológicos básicos que influenciam o desempenho. Por exemplo, a memória de trabalho é a quantidade de informações que alguém pode ter em mente de uma só vez. Pessoas com alta capacidade de memória de trabalho geralmente são melhores para resolver problemas complexos do que aquelas com baixa capacidade.

OS PSICÓLOGOS DISTINGUEM ENTRE DOIS TIPOS DE INTELIGÊNCIA: A FLUIDA E A CRISTALIZADA.

Esses mecanismos básicos são aspectos importantes da arquitetura cognitiva que sustentam o bom pensamento. Infelizmente, não parece haver nenhum exercício que se possa fazer para melhorá-los. Assim, em geral, os jogos cerebrais que visam melhorar a capacidade da memória de trabalho, de fato, não afetam essa capacidade. Em vez disso, as pessoas desenvolvem boas estratégias para jogar o jogo em si de maneiras que não beneficiam o pensamento mais amplo.

INTELIGÊNCIA CRISTALIZADA

A inteligência cristalizada reflete os resultados da experiência de vida. Depois de ler este artigo, por exemplo, você conhecerá o conceito de memória de trabalho. Esse conhecimento se torna parte de sua inteligência cristalizada. Da mesma forma, as habilidades de resolução de problemas que aprendeu na escola ou no trabalho tornam-se parte de seu repertório cognitivo.

A inteligência cristalizada continua a crescer ao longo da vida. O conhecimento e as habilidades que possui o tornam mais capaz de lidar com novas situações. Pessoas criativas tendem a ter uma ampla base de conhecimento, que lhes permite encontrar analogias entre coisas que encontraram antes, além de novas situações que lhes possibilitam encontrar novas soluções para problemas difíceis.

Assim, você pode se tornar mais inteligente, mas não jogando jogos que pretendem aumentar sua inteligência fluida. Em vez disso, se quer construir essa inteligência cristalizada, leia livros sobre vários tópicos, encontre podcasts em áreas sobre as quais você não sabe muito e assista a palestras ou faça aulas que ampliem seus conhecimentos e habilidades. Quanto mais você souber e quanto mais puder fazer, mais capaz será de enfrentar os desafios com habilidade.

SOBRE O AUTOR

Art Markman é professor de psicologia e marketing na Universidade do Texas em Austin e diretor fundador do programa na Human Dimensions of Organizations.  

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Guerra entre Rússia e Ucrânia evidencia importância da ‘soberania digital’, dizem especialistas

“Os russos entenderam que eram vulneráveis e estão construindo, há pelo menos oito anos, a possibilidade de desconectar seu segmento da internet da internet global. É uma questão de política pública de cibersegurança”, aponta Luca Belli, pesquisador da FGV

Por Denis Kuck, Valor — 05/03/2022

A Rússia construiu, principalmente depois das revelações do ex-agente da Agência Central de Inteligência (CIA) Edward Snowden, um sistema de comunicações, batizado de ru.net, que pode funcionar desconectado da internet comercial global, o que permite ao país manter alguns serviços digitais aos cidadãos e se proteger de ataques cibernéticos. Essa rede independente, dizem especialistas, foi montada por questões estratégicas e de proteção em casos de conflito, como agora na guerra com a Ucrânia.

Luca Belli, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que as sanções internacionais impostas contra Moscou pela invasão à Ucrânia são mais fortes do que se imaginava, mas esse sistema de comunicações ajuda a Rússia a “sobreviver” ao isolamento, ainda que com dificuldade.

Para Claudio Miceli de Farias, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a questão da “soberania digital” terá que ser enfrentada nos próximos anos pelos Estados, inclusive o Brasil, tendo em vista a maior importância da conectividade no dia a dia e, até mesmo, nas crises geopolíticas como a atual.

“O Snowden não está de férias na Rússia”, diz Belli, que é professor da FGV Direito Rio e coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV. Após revelar, em 2013, segredos de espionagem dos Estados Unidos – que envolveria até mesmo a intercepção de comunicações da ex-presidente Dilma Rousseff –, o ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança (NSA) buscou exílio na Rússia.

“Os russos entenderam que eram vulneráveis e estão construindo, há pelo menos oito anos, a possibilidade de desconectar seu segmento da internet da internet global. É uma questão de política pública de cibersegurança. A abertura da internet poderia causar vulnerabilidades, sobretudo em caso de conflito. No exílio, Snowden ajuda os russos a identificar esses riscos”, afirma Beli.

Farias explica que a internet é uma “rede de redes”, com diversos provedores operando ao redor do mundo. “Países como Rússia e China, no entanto, têm um controle maior do tráfego de sua rede e, se em algum momento, se desligarem da internet, têm uma estrutura interna de comunicação, aplicativos e serviços”, diz Farias, que é professor do Instituto Tércio Pacitti (NCE) e do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (Pesc/Coppe) da UFRJ.

A capacidade de se desligar da rede global garante a manutenção de alguns serviços em caso de sanções tecnológicas, aplicadas contra a Rússia desde 2014, depois da anexação da Crimeia. À época, o sistema Visa e Mastercad foi bloqueado em território russo, o que fez Moscou adotar um sistema de pagamento eletrônico próprio, chamado Mir.

“Imagina o imposto de renda. Se o cidadão quer entregar a declaração, isso não é afetado pelo fato de não haver internet externa. Não ter essa dependência de infraestrutura é algo muito poderoso”, afirma Farias.

Essa resistência, no entanto, não é ilimitada. Para Belli, as sanções impostas por parte da comunidade internacional contra Moscou podem ter sido mais fortes do que o presidente russo, Vladimir Putin, previa. “A Rússia se preparou para continuar a funcionar, diminuindo a dependência da tecnologia estrangeira. Porém, os russos estão vendo como fazer isso é difícil, eles não têm uma autonomia total, como a China”, diz o pesquisador e organizador de estudo sobre cibersegurança nos países dos BRICs.

Para Farias, a digitalização de todos os setores da sociedade, inclusive de segurança, que será aprofundada com o 5G, vai obrigar os países a elaborar políticas públicas de “soberania digital”. De acordo com o especialista, os Estados Unidos também têm essa preocupação: “Apesar de [os EUA] serem super-abertos e da disputa acirrada das operadoras, há um controle estatal sobre a infraestrutura de comunicação”, diz.

Segundo ele, integrantes das Forças Armadas do Brasil discutem o assunto, mas o tema não é uma questão de Estado. “Não vemos isso como um problema. Ainda. Essa pode ser uma das consequências desse conflito: os países olharem para sua infraestrutura de tecnologia da informação e enxergarem um desafio para as próximas décadas. Até onde vai a internet comercial e até onde vai uma internet de valor, estratégica para o país”, diz.

Farias ressalta que o Exército Brasileiro tem uma rede separada da internet comercial. “Isso é o  que podemos chamar de deep web, sempre associada a ataques hackers, a algo negativo, mas que, na verdade, pode ser apenas outro tipo de estrutura”, afirma.

Para Belli, na Europa, a questão da “soberania digital” passou a ser mais discutida recentemente: “Eles se deram conta de que são totalmente dependentes da tecnologia americana.” No Brasil, opesquisador afirma que o assunto foi abandonado. “O país promovia a tecnologia de software livre, que evita a dependência tecnológica, é libertadora. Atualmente, há o uso maciço de softwares americanos”, critica.

Para Danilo Bragança, doutor em ciência política pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em defesa, sobretudo após o caso Snowden, o Exército Brasileiro começou a desenvolver programas institucionais para garantir alguma autonomia digital. 

“Foi criado um centro de defesa cibernética. Mas nosso sistema é frágil, os recursos são poucos. O país não se deu conta da importância do assunto, tanto no âmbito de governo civil, haja vista o vazamento de dados como do Sistema Único de Saúde [SUS], como militar.”

Bragança diz ainda que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ganhou proeminência sob o governo do presidente Jair Bolsonaro, assumindo funções de defesa cibernética que, de acordo com o especialista, deveriam ser do Exército, segundo a Política Nacional de Defesa (PND) e a Estratégia Nacional de Defesa (END).

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/03/05/guerra-evidencia-importncia-da-soberania-digital-dizem-especialistas.ghtml

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O acordo secreto da Vale com a Tesla, de Elon Musk

A mineradora brasileira vai fornecer níquel para a montadora de veículos elétricos do bilionário, mas empresas não deram detalhes

Por Luana Meneghetti – Veja – 31 mar 2022 

A Tesla, empresa de carros elétricos do bilionário Elon Musk, fechou um acordo com a mineradora brasileira Vale para o fornecimento de níquel, elemento essencial para as baterias dos veículos. O contrato de fornecimento é de longo prazo, segundo a agência de notícias Bloomberg, mas até o momento as empresas não se pronunciaram ou deram maiores detalhes sobre o acordo. 

A produção de níquel da Vale está concentrada no Canadá. A estimativa de produção da companhia para este ano é de 175 a 190 quilotoneladas de níquel. Atualmente, a Vale vende cerca de 5% de níquel para o mercado de veículos elétricos, mas a meta é aumentar esse valor para entre 30% e 40% no médio prazo.

O movimento da Tesla na busca de fornecedores de níquel não é recente. Musk vem assinando contrato com fornecedores do metal desde 2021. O fornecimento é uma preocupação, dado que a demanda crescente pode ser maior que a oferta em um futuro próximo. A estimativa é que a demanda cresça 19 vezes até 2040, mas analistas apontam para uma escassez de níquel a partir de 2026.

O conflito no Leste Europeu adiciona mais uma preocupação na oferta do metal. A Rússia detém 17% da capacidade global de níquel refinado Classe 1, de níquel de baixo carbono e alta pureza, utilizado nas baterias de carros. O preço do metal já vinha se elevando, mas chegou a ultrapassar o patamar de 100 dólares com a eclosão da guerra. O preço voltou a se acomodar, mas o níquel subiu quase 60% no primeiro trimestre de 2022.

Tendo em vista o cenário desfavorável para o metal, Musk quer garantir o fornecimento para impulsionar sua meta de aumentar a produção de elétrico em 50%, e a Vale pode ser fundamental aos seus planos. Cerca de 70% da produção de níquel da Vale é do tipo classe 1, tornando a mineradora brasileira líder global na produção desse tipo de metal.

https://veja.abril.com.br/economia/o-acordo-secreto-da-vale-com-a-tesla-de-elon-musk/

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TikTok vai além das dancinhas e hoje forma opinião e gera tendências

Plataforma não é mais só entretenimento e precisa ser levada a sério

Ronaldo Lemos – Folha – 27.mar.2022 

O TikTok consolidou seu espaço como ferramenta de comunicação tanto no Brasil como em outros países. Durante o período da pandemia, foi dos aplicativos mais baixados do planeta, tendo superado a marca de 1,2 bilhão de usuários globalmente. No Brasil, há mais de 70 milhões de usuários.

Em outras palavras, é uma plataforma que precisa ser levada a sério além da questão do entretenimento e das dancinhas. Consegue hoje formar opinião, ecoar debates do momento e, sobretudo, gerar tendências próprias que depois se espalham por toda a sociedade.

Quem tenta migrar para o TikTok esbarra em uma questão interessante. É muito fácil tornar-se consumidor de conteúdo no TikTok, mas muito mais difícil tornar-se produtor. No lado do consumo, o algoritmo rapidamente identifica os gostos pessoais dos novos usuários. Não é preciso criar conta para assistir aos vídeos. É possível compartilhar qualquer conteúdo em redes concorrentes (fazendo propaganda da plataforma). O resultado é uma alta capacidade capturar atenção.

Logos do TikTok – Dado Ruvic – 15.fev.2022/Reuters

Já o lado de produção de conteúdo é bem mais complicado. Não é todo o mundo que se aventura a produzir vídeos curtos, na maioria dos casos até um ou dois minutos, que se valem de ferramentas de edição, remix, filtros, colagens e outros dispositivos para comunicar algo ou provocar experiências sensoriais.

Parte do sucesso do TikTok vem ocorrendo justamente por representar o surgimento de uma linguagem nova. Escrevi uma análise mais aprofundada sobre essas estratégias no artigo sobre “a grande ruptura”, publicado na Ilustríssima da Folha.

Aprender a produzir conteúdo para o TikTok é aprender a falar essa nova linguagem. Sobre isso há elementos importantes. Por exemplo, é preciso capturar a atenção de possíveis espectadores nos primeiros três segundos do vídeo.

O processo de consumo do TikTok é selvagem. O usuário geralmente decide de forma inconsciente se vai dedicar mais tempo de atenção a um vídeo em menos de três segundos. Se o vídeo não provoca interesse, o dedo desliza sobre a tela e outro vídeo é mostrado, competindo novamente por atenção.

Tal como em um aplicativo de paquera, eventuais “candidatos” a serem assistidos desfilam pela tela sob o comando do polegar. Muitas vezes são dezenas de vídeos analisados por minuto, todos dispensados nos primeiros três segundos.

Outro componente do sucesso no TikTok é gerar trends (“tendências”). O algoritmo costuma premiar com mais visualizações quem produz conteúdo que se encaixa nas tendências da semana. Isso tem o poder de fazer viralizar músicas, pessoas, conceitos e ideias.

Aliás, um ponto importante é que o número de seguidores não é determinante para a distribuição dos conteúdos. Um vídeo que produz “engajamento” pode ser distribuído para milhões de pessoas, mesmo se o autor tiver apenas alguns poucos seguidores.

Por fim, o TikTok terá um impacto político no próximo ciclo eleitoral. Haverá “candidatos do TikTok”, alavancando-se a partir do poder de persuasão da plataforma.

Já para as eleições presidenciais a plataforma segue praticamente ignorada. Exceto pelo atual ocupante do Palácio do Planalto, que já amealhou 1,2 milhão de seguidores na plataforma na sua conta oficial. O segundo lugar pertence a Ciro Gomes, com 80 mil seguidores, único outro presidenciável que se aventurou a também publicar vídeos curtos dentro da plataforma.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2022/03/tiktok-vai-alem-das-dancinhas-e-hoje-forma-opiniao-e-gera-tendencias.shtml

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Hacker conta como assumiu controles de carros da Tesla

Alemão de 19 anos descobriu vulnerabilidade em veículos autônomos

Roberto Dias – Folha – 30.mar.2022 às 11h07

DUBAI

“Foi muito interessante fazer isso a partir do meu quarto na Alemanha”, conta David Colombo, 19 anos e status de neocelebridade.

Pudera, o “isso” que ele fez dentro de sua casa foi tomar o controle de várias funções de pelo menos 25 carros da Tesla em 13 países, expondo uma falha de segurança importantíssima para a indústria de veículos com piloto automático.

Moça de terno escuro entrevista garoto, amos sentados em poltronas brancas colocadas sobre dois platôs circulares brancos, iluminados na base por uma luz azul; ao redor, uma plateia formada por homens de roupas árabes e outros de roupas ocidentais assiste

David Colombo, 19, conta sua história no World Government Summit, em Dubai – Roberto Dias/Folhapress

O episódio ocorreu no início deste ano e, diz o hacker, teve início acidental. Dono de uma empresa de cibersegurança, ele prestava serviços para uma companhia francesa quando precisou estudar um determinado software. Nesse processo, acabou encontrando a falha que lhe dava acesso aos veículos.

E o que ele poderia fazer, se quisesse? Abrir portas e janelas, descobrir a localização do veículo, saber se havia ou não alguém dentro, mexer no rádio e piscar luzes. Coisas que afirma não ter feito sem permissão dos donos. Não tinha como dirigi-los remotamente, mas poderia destravá-los e sair guiando os carros se estivesse próximo deles. Além, claro, de conseguir atrapalhar bastante a vida de um motorista que os conduzisse naquele momento.

Detectada a falha, ele avisou a empresa, que respondeu rapidamente, consertando o problema. Só depois disso é que ele tornou pública a história.

Cinco anos atrás, o CEO da Tesla, Elon Musk, fazia piadas com os perigos da segurança digital. “Em tese, se alguém pudesse hackear todos os Teslas autônomos, a pessoa poderia mandá-los todos para Rhode Island [o menor estado dos EUA]”, dizia. “Seria o fim da Tesla e haveria um monte de gente brava em Rhode Island.”

O ocorrido agora mostra que o tempo da piada ficou para trás.

“Estamos ficando cada vez mais vulneráveis, sem dúvida”, afirmou Colombo durante o World Government Summit, evento anual que acontece em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. “Não estamos falando de ciberataques que podem acontecer, mas sim de ataques que já estão acontecendo.”

O hacker precisou convencer a família e a escola de que sua vida profissional passava justamente por esse problema real.

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Carro autônomo

  1. Modelo piloto de carro que funciona sem motorista da Uber; iniciativa causa preocupação devido às escolhas "morais" que a máquina teria de fazer em situações extremas. Estudiosos têm se debruçado sobre a questão.
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Modelo piloto de carro que funciona sem motorista da Uber; iniciativa causa preocupação devido às escolhas “morais” que a máquina teria de fazer em situações extremas. Estudiosos têm se debruçado sobre a questão. Angelo Merendino/AFP

“Fiquei interessado em tecnologia com 9 anos, quando ganhei meu primeiro smartphone”, diz ele. Um ano depois, veio o primeiro laptop. “Isso abriu um mundo novo para mim. Queria saber como ele funciona.”

Começou a programar e descobriu vulnerabilidades no código que escrevia. Nasceu aí o interesse por cibersegurança. “Gastei todo o meu tempo aprendendo. Três da manhã eu estava sentado na frente do meu laptop.”

Naturalmente, faltou tempo para escola. Conseguiu uma permissão especial para ir ao colégio no máximo duas vezes por semana e passou a se dedicar a sua nova empresa.

“Você não precisa ir para a universidade para aprender sobre cibersegurança. Não é como se tornar médico. Pode usar a internet para aprender sobre a internet”, diz ele. “O que está por trás disso não é mágica.”

O jornalista Roberto Dias viajou a convite da Agência de Notícias dos Emirados Árabes Unidos

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/03/hacker-conta-como-assumiu-controles-de-carros-da-tesla.shtml?origin=folha

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Brazil at Silicon Valley: ‘Startups do Brasil são bem-vistas por investidores’

Evento que reúne nos EUA empresários e ‘startupeiros’ brasileiros retoma atividades presenciais e quer ampliar leque de investidores

 Por Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo 28/03/2022

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O Brasil virou um dos lugares preferidos para os investidores estrangeiros especializados no mercado de tecnologia, graças ao sucesso de diversas startups que despontaram nos últimos anos. Além disso, o fechamento da economia chinesa, a exclusão da Rússia dos negócios internacionais e a complexidade da Índia colocam o País como opção natural entre os emergentes mundiais.

“Nesse cenário, o Brasil acaba sobrando. E esse amadurecimento do ecossistema dá certa confiança”, conta ao Estadão a empreendedora carioca Iona Szkurnik, membro do conselho do evento anual Brazil at Silicon Valley, que reúne empresários do País e grandes da tecnologia no Vale do Silício, região na Califórnia conhecida por abrigar as principais companhias do setor no mundo. “O Brasil é muito bem-visto.”

Como bons exemplos de investidores internacionais em atuação País, Iona cita o americano Kevin Efrusy, da Accel (que já desembolsou cheques milionários em QuintoAndar, Olist e Nuvemshop), e o taiwanês Hans Tung, da GGV (responsável por investir em Loggi, Daki e IDWall, por exemplo). Ambos são dois nomes já confirmados para a edição deste ano, que está planejada para ocorrer em 16 e 17 maio em Mountain View, cidade que abriga o Google e o Museu da História da Computação. 

Evento Brazil at Silicon Valley retoma atividades presenciais na Califórnia em 16 e 17 de maio

Evento Brazil at Silicon Valley retoma atividades presenciais na Califórnia em 16 e 17 de maio

Desde 2019, o evento não ocorre de forma presencial, um reflexo da pandemia. De lá para cá, o mercado de inovação no Brasil amadureceu: saímos de dez unicórnios (startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) para os 23 atuais. Além disso, investimentos (nacionais e estrangeiros) em nossas startups saltaram de US$ 2,7 bilhões, em 2019, para o recorde de US$ 9,4 bilhões. Por fim, empresas como Nubank, Ebanx, Gympass, QuintoAndar e Loft tornaram-se pesos pesados do continente latinoamericano.

A expectativa da Brazil at Silicon Valley é acompanhar essas mudanças e trazer novos nomes que despontaram na inovação brasileira. Em edições anteriores, compareceram nomes como David Vélez (Nubank), André Street (Stone), Henrique Dubugras (Brex), Marcelo Claure (então SoftBank) e Hugo Barra (então Facebook), além de Jorge Paulo Lemann e André Esteves.

“Se a quantidade de investimentos e unicórnios aumentou, temos de acompanhar isso dando espaço para novos investidores e empreendedores que não existiam há três anos. Temos um olhar crítico ao ‘clube do bolinha’”, explica Iona

Abaixo, leia trechos da entrevista ao Estadão:

O que esperar da próxima edição do Brazil at Silicon Valley?

O evento tem o intuito de fomentar inovação e tecnologia no Brasil por meio dos melhores casos e das melhores mentes do planeta. O mundo da tecnologia é global, então queremos diminuir barreiras e levantar pontes. Vamos trazer nomes de altíssima excelência interessados de alguma forma no Brasil, como Kevin Efrusy, da Accel, e Hans Tung, da GGV. Queremos oxigenar nosso grupo de pessoas convidadas, trazendo mais diversidade, de olho nos novos investidores que já nasceram com muitos acertos. Esse pessoal merece estar no Brazil at Silicon Valley, porque eles fomentam os cheques-semente, nos quais fundos de primeira classe não investem.

Iona Szkurnik é membro do conselho da Brazil at Silicon Valley, evento anual que reúne nos EUA empresários e 'startupeiros' brasileiros

Iona Szkurnik é membro do conselho da Brazil at Silicon Valley, evento anual que reúne nos EUA empresários e ‘startupeiros’ brasileiros

O evento está de olho nos novatos do ecossistema do Brasil?

Temos um mandato de renovar a lista de convidados dos eventos. Vamos manter a maioria dos tomadores de decisões da outra vez, porque são as pessoas que têm a caneta para investimentos. Mas tem uma parcela que temos obrigação de abrir lugar, como esses investidores de segunda ordem. Sem eles, não teríamos esse celeiro de startups e unicórnios, porque são quem faz o primeiro cheque institucional nessas empresas. 

O que muda diante das edições passadas?

Hoje, o ecossistema do Brasil está muito mais maduro do que há 3 anos. E estamos acompanhando essa maturidade. Se a quantidade de investimentos e unicórnios aumentou, temos de acompanhar isso dando espaço para novos investidores e empreendedores que não existiam há 3 anos. Temos um olhar crítico ao “clube do bolinha”.

Como fugir desse “clube do bolinha”, quando só há fundadores de startups que são homens e brancos?

Sendo intencional. Ter intenção é importante. Se o presidente é homem, temos que abrir espaço para outras pessoas falarem. Temos que sair da nossa zona de conforto. Do contrário, não vai cair no nosso colo uma realidade diferente.

Falando de pandemia, o cenário mudou muito. O setor de tecnologia está muito fortalecido. O que a crise trouxe para a inovação do Brasil?

O homo sapiens se adapta. Muitos preconceitos caíram por terra. Passamos a fazer coisas que não fazíamos antes, porque tivemos de nos adaptar por obrigação. A pandemia chegou de repente e isso aqueceu o ecossistema em todas as verticais. Por exemplo, parece que o ensino à distância e a telemedicina sempre existiram. A tecnologia foi nosso remédio durante a pandemia. 

O Brasil era conhecido por ser “país das fintechs”, mas agora vemos startups de outros setores despontarem. Podemos ter excelência mundial além da inovação no setor financeiro?

Não tenho a menor dúvida. O brasileiro é muito criativo. Estamos acostumados a crises e somos muito interessados e abertos. São soft skills. Costumamos ir para o exterior, bebemos daquela água, voltamos e trocamos entre a gente. O que não falta são coisas para melhorar por aqui.

O que os estrangeiros pensam do País?

O Brasil é muito bem-visto por conta desses motivos que citei. E há a mudança da política de investimentos estrangeiros da China, que é uma tendência de fechar a economia. Os dólares agora procuram outro lugar para ficar e o Brasil é um dos países mais olhados pelos fundos de investimento, ainda mais considerando que a Rússia deixou de ser uma opção (desde a guerra na Ucrânia). A Índia é muito complexa e tem proximidade com investidores da Ásia e do Oriente Médio. Nesse cenário, o Brasil acaba sobrando. E esse amadurecimento do ecossistema dá certa confiança.

Para fomentar a inovação e o empreendedorismo, o que falta ao Brasil?

Faltam políticas amigáveis para os negócios. Por exemplo, nosso sistema tributário assusta investidores. Se a gente não consegue entender, imagine para alguém de fora. Os políticos não fazem boa gestão das contas públicas e não são eficazes na aplicação das leis. Isso é algo muito nocivo para o Brasil: a falta de políticas de incentivos ao empreendedorismo. E a falta de clareza das políticas. As que existem são complicadas e nós precisávamos de outras mais incentivadoras.

Isso espanta os estrangeiros, com esse custo-Brasil?

Espanta os que não são determinados, aquele que acabou de começar e que não tem margem de erro, portanto não arrisca o Brasil. Aí é difícil não cair no clichê de que o Brasil não é para iniciantes. Porque os bons vêm para cá e fazem muito dinheiro.

https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,brazil-at-silicon-valley-startups-do-brasil-sao-bem-vistas-por-investidores,70004020441

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Digitalização radical dos bancos transformou o cliente em indesejável

A população mais velha é que sente o peso claro da desumanização nas relações com os bancos

Luiz Felipe Pondé – Folha – 27.mar.2022 às 14h00

Sei que muitas empresas instituíram departamentos de diversidade. Parabéns. Sem dúvida, para grupos que têm estado fora da cadeia produtiva e de incentivos de carreira é uma boa. Alguns consideram esse fato um indício de humanização nas relações corporativas. Não creio. O que há é uma interação entre políticas de branding e ampliação no aproveitamento da população jovem antes excluída.

Não creio que ocorra hoje um processo de humanização nas relações comerciais ou corporativas. Pelo contrário, acho que está em curso uma nova onda de desumanização radical.

No campo das relações com o consumidor, a desumanização salta aos olhos. Banking é o campeão da desumanização na relação com seus clientes. Interessante notar que o uso de uma expressão em inglês como “banking” para as relações entre os bancos e os clientes —além do tom brega de tudo que opta por termos em inglês para ficar melhor no ranço do marketing e do branding— aponta para uma desumanização gourmetizada.

Falar em banking é como se sua relação com o banco tivesse entrado numa nova era de luz, felicidade e realizações. Basta ver a dimensão solar dos comerciais de banking. O mundo nunca foi tão lindo. Meninos, meninas e menines jovens brilham sob a luz do futuro que emana dos aplicativos dos bancos nos seus celulares. Tudo funciona e todo mundo é feliz. Atendimento 36 horas por dia.

Houve de fato uma disrupção, como gostam de dizer no mundo corporativo, nas relações entre bancos e clientes. Fruto da digitalização radical dos bancos, essa disrupção transformou o cliente num elemento indesejável no cotidiano dos bancos. Um pouco como os alunos já são no cotidiano do sistema de educação: um elemento indesejável, ainda que necessário, na burocracia do MEC, da Capes e do mercado.

No caso do banking há um corte geracional significativo no processo de desumanização em curso. Os mais jovens, acostumados ao mundo digital e aos maus-tratos deste, travestidos de revolução tecnológica colorida, não sabem como era quando falávamos com seres humanos. Não gostam dessa atividade de conversar quando estão fazendo uso do setor de serviços —preferem algoritmos e mensagens.

O banking para eles é normal: não ter ninguém para falar é o melhor dos mundos possível. E se o aplicativo dá pau, tudo bem, esse é o “novo normal” —expressão idiota.

A população mais velha é que sente o peso claro da desumanização nas relações com os bancos. Gerentes que na verdade não existem, aplicativos pouco friendly para quem tem mais de dez anos de idade. A cada dia quatro novas senhas são necessárias, e se você precisar falar com alguém, uma IA meio burra lhe atenderá mal. E caso, enfim, você chegue a um humano, ele não será muito melhor do que a IA meio burra. A pessoa repetirá frases e protocolos e reenviará você para algum aplicativo a mais.

Mas tudo bem, porque além do fato de esse mal-estar não passar de chilique de gente velha, logo morrerão, o banking seguirá seu glorioso curso de rupturas tecnológicas coloridas.

Um dos maiores argumentos usados pelo banking para saturar as relações com distanciamento, indiferença e ferramentas digitais desumanizadoras é a falsa afirmação de que tudo isso é para segurança dos clientes. Mas, como tudo hoje na comunicação corporativa, esse argumento é falacioso. Uma mentira. Por quê?

Simplesmente porque os mecanismos digitais de travamento dos processos estão a serviço dos próprios bancos e suas seguradoras que valem bilhões de dólares. Os bancos, e suas seguradoras, sim querem se proteger dos riscos que são os clientes e da possibilidade de ter que ressarci-los em caso de sinistros.

A comunicação dos bancos hoje é o maior exemplo das mentiras comportamentais que o capitalismo lança mão no seu momento mais glorioso, em que tudo, mesmo a esquerda, mama em suas tetas.

Mesmo que serviços de atendimento ao consumidor existam, todos eles são uma caricatura da realidade.

Não servem para nada. A desumanização no importante setor de serviços é um sinal do futuro que nos espera. Só idiotas de mercado não veem isso.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2022/03/digitalizacao-radical-dos-bancos-transformou-o-cliente-em-indesejavel.shtml?origin=folha

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Expediente das 9h às 17h deve ser próximo pilar corporativo a cair

Especialistas afirmam que permitir aos funcionários ter horários flexíveis traz benefícios como uma mão de obra mais saudável, produtiva, criativa e leal

Emily Laber-Warren, The New York Times/Estadão 27 de março de 2022  

Trinta por cento dos trabalhadores em todo o mundo entrevistados para uma pesquisa no ano passado disseram que considerariam procurar um novo trabalho caso o atual emprego exigisse que eles voltassem para o escritório em tempo integral. Os millennials estão especialmente relutantes. Em resposta à pandemia de covid-19, PepsiCo, Meta e General Motors, além de outras empresas, incorporaram o trabalho remoto em suas culturas corporativas.

Porém, em um local de trabalho flexível de verdade, as pessoas controlariam não apenas onde trabalham, mas também quando. A Southwest Airlines permite que os pilotos escolham voar no período da manhã ou da noite. Algumas empresas de tecnologia, entre elas a Automattic e a DuckDuckGo, têm políticas que não exigem um horário fixo e permitem aos funcionários se tornar nômades e viajar pelo mundo ou simplesmente realizar tarefas durante a semana. Mas essas oportunidades continuam raras.

“Acho realmente uma pena que mais empresas não tirem proveito disso”, afirmou Azad Abbasi-Ruby, analista sênior de pesquisa de mercado da DuckDuckGo. “Conseguimos fazer muita coisa, e acho que boa parte disso tem a ver com essa flexibilidade, deixar as pessoas trabalharem quando são mais produtivas.”

Horário flexível é uma palavra que está na moda nos manuais de funcionários, mas, na prática, ele não é muito utilizado. Embora alguns trabalhos dependam realmente de um horário fixo (professores precisam estar na escola pela manhã), muitos não têm essa necessidade. Segundo os especialistas, se mais empregadores adotassem de verdade os horários flexíveis e permitissem que os empregados trabalhassem quando é melhor para eles, os benefícios seriam uma mão de obra mais saudável, produtiva, criativa e leal.

Existem inúmeras razões para os trabalhadores talvez quererem ter mais controle sobre quando trabalham. As pessoas podem viver em um fuso horário e trabalhar em outro, por exemplo. Analistas financeiros em Seattle ou em Los Angeles talvez não queiram iniciar o expediente às 6h30 da manhã para coincidir com a abertura da Bolsa de Valores de Nova York.

Expediente na empresaExpediente das 9h às 17h nas empresas pode significar deixar muitos de nós fora de sincronia, já que para mais da metade dos adultos a hora de dormir biológica é após a meia-noite.  Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Ou talvez tenham questões em sua vida pessoal, como a responsabilidade de cuidar de alguém com uma deficiência ou de outra pessoa que requer atenção durante o horário padrão de expediente. Cerca de 700 mil pais de crianças pequenas pediram demissão de seus empregos nos Estados Unidos em 2020, muitos deles porque seus filhos de repente começaram a estudar de casa.

Pesquisas do Centro de Pesquisas Pew indicam que, mesmo antes da pandemia, muitas mães, de modo especial, sentiam que os choques de horários entre os compromissos de trabalho e os afazeres do cuidado com a família prejudicavam suas carreiras.

Nossos corpos também se beneficiariam com uma flexibilidade maior. Cada um de nós tem um ritmo personalizado conhecido como cronotipo – um relógio interno que controla quando adormecemos naturalmente e quando estamos mais alertas. Para mais da metade dos adultos, a hora de dormir biológica é após a meia-noite, o que significa que um expediente típico das 9h às 17h deixa muitos de nós fora de sincronia com nosso ritmo.

Nosso padrão de conduta “Deus ajuda a quem cedo madruga” costuma ser aplicado para funcionários de escritório que poderiam fazer seu trabalho com a mesma eficiência seguindo seu próprio ritmo. Um estudo de 2014 descobriu que os supervisores madrugadores veem os funcionários que chegam mais tarde como menos cuidadosos, independentemente de seu desempenho no emprego. Outras pesquisas mostram que os trabalhadores são mais criativos e os líderes mais carismáticos quando não sofrem de privação de sono e quando seus horários de trabalho e sono biológicos estão alinhados.

Adaptação rápida na pandemia

Grandes mudanças recentes durante a pandemia poderiam abrir portas para novos tipos de flexibilidade no trabalho, de acordo com Alex Soojung-Kim Pang, analista de tecnologia e autor dos livros Trabalhe menos, ganhe igual: Como a redução da jornada de trabalho pode revolucionar sua vida e sua empresa e Descansar: a razão pela qual conseguimos fazer mais quando trabalhamos menos.

“Entrevistei donos de empresas que me disseram: “Em fevereiro de 2020, trabalhar de casa era a causa pela qual eu lutava. Mas eu tinha certeza de que minha empresa não conseguiria fazer isso nunca. No entanto, meus funcionários provaram como eu estava errado em três semanas”, ele me disse. “O que isso nos diz é que não há nenhuma premissa em relação a como trabalhamos que não deva ser questionada.”

Pang sugeriu que os empregadores deveriam pensar menos no tempo gasto trabalhando e mais na qualidade do trabalho realizado. Ele identificou cerca de 130 empregadores, entre eles o Kickstarter e o governo da Islândia, que adotaram a semana de trabalho de quatro dias e expediente reduzido sem cortar salários ou sacrificar a produtividade. “A pessoa mais impressionante, mais profissional, não é aquela que precisa de 80 horas por semana para terminar o trabalho”, disse. “É aquela que consegue terminar em 30 horas.”

Com a flexibilidade de horários, os trabalhadores poderiam dedicar seu período do dia com mais energia – normalmente as manhãs para madrugadores e as tardes ou noites para pessoas notívagas – as suas tarefas que exigem mais trabalho intelectual. As pessoas poderiam assistir aos eventos esportivos de seus filhos ou preparar o almoço para um pai doente. Funcionários com doenças crônicas poderiam se ausentar por uma ou duas horas para cuidar de uma crise leve sem precisar se afastar do trabalho durante um dia inteiro.

Dawna Ballard, professora da Universidade do Texas, em Austin, que pesquisa sobre o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, tem uma história que gosta de contar para demonstrar a importância de deixar as pessoas fazerem seus próprios horários de trabalho. Vários anos atrás, sua família ficou viciada nos deliciosos ovos com gemas de laranja brilhante de galinhas criadas com acesso a pasto e não confinadas, que eram vendidos em um supermercado da cidade. Mas, um dia, eles foram ao local e não havia ovos porque, segundo lhe disseram, as galinhas estavam mudando de penugem.

Periodicamente, as galinhas perdem suas penas e elas crescem outras vez, um processo tão exigente do ponto de vista fisiológico, que muitas deixam de botar ovos enquanto ele não acaba. As fazendas industriais aceleram esse processo por meio da fome, mas ali havia evidências sugerindo que, quando permitidas a seguir seu ciclo natural, as galinhas podem produzir ovos excepcionais.

Dawna viu de cara uma analogia com as pessoas. Embora muitas vezes forçados a rotinas rígidas e padronizadas, somos seres vivos cuja produtividade tem altos e baixos não apenas ao longo de um único dia, mas, também, quando semanas de trabalho intenso criam a necessidade de recarregar as baterias.

Para Dawna e outros especialistas, alguns ajustes simples na rotina de trabalho da empresa fariam uma grande diferença. Cancele todas as reuniões, exceto as indispensáveis. Não espere que aqueles no regime de trabalho remoto estejam sempre disponíveis ou use softwares invasivos para mantê-los focados em uma tarefa. Concentre-se nos resultados e se acostume com aqueles que começam a trabalhar mais tarde. Para promover a colaboração entre os funcionários que trabalham em horários diferentes, as empresas podem definir uma janela de expediente comum limitada.

“As galinhas têm um ritmo que gostariam de seguir. Na verdade, todos temos isso”, disse Dawna. “Todos os dias, todos os minutos não podem ser iguais.” Ela disse que isso talvez funcione com máquinas, mas, “não é assim que funcionamos. Nós quebramos.” /TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

https://economia.estadao.com.br/noticias/sua-carreira,expediente-de-trabalho-flexivel-cultura-corporativa,70004019499

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‘Hidrogênio como produto de exportação ficou mais concreto’, diz especialista

Para Luiz Augusto Barroso, conflito no leste europeu deve acelerar o desenvolvimento de tecnologias para substituir o uso do gás natural

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo 26 de março de 2022

O diretor-presidente da consultoria especializada em energia PSR, Luiz Augusto Barroso, acredita que a guerra entre Rússia e Ucrânia vai acelerar o desenvolvimento de tecnologias para substituir o uso do gás natural. E uma de suas principais apostas é o hidrogênio verde. Mas ele também acredita que uma das mudanças para a transição energética resultante da guerra será a maior aceitação da energia nuclear.

A seguir, trechos da entrevista. 

Luiz Augusto Barroso; ‘um preço do petróleo alto deixa algumas tecnologias verdes mais competitivas’, afirma Barroso.  Foto: PSR – 4/6/2019

Qual o efeito da guerra no processo de transição energética?

A Europa já era um dos continentes mais avançados na transição energética antes de a guerra começar. Esse processo pode se acelerar ainda mais, já que o imperativo geopolítico está alinhado e o ambiente atual pressiona ainda mais a redução da dependência dos combustíveis fósseis. Isso pode dar um impulso ao desenvolvimento de novas tecnologias necessárias para substituir alguns usos do gás natural na Europa, como o hidrogênio. Há poucos dias a Comissão Europeia apresentou uma meta de importar 10 milhões de toneladas de hidrogênio em 2030. Antes da guerra, a Rússia se apresentava como um dos principais exportadores do produto para a Europa, aproveitando a proximidade geográfica e a infraestrutura física existente de gás. Agora, a Rússia fica fora do que deve se tornar o principal mercado importador de hidrogênio. 

Mas alguns países já falam em reativar usinas a carvão e nucleares. Isso significa um retrocesso?

Na Europa, a reativação das usinas a carvão é uma decisão pragmática, mirando o curto prazo, num contexto de crise de energia elétrica. Por enquanto, isso não afetou os planos de redução do uso de carvão a médio e longo prazo, o que seria, sim, um retrocesso justificado apenas pela necessidade de independência energética. O caso da nuclear é diferente: é uma tecnologia praticamente sem emissões de gases de efeito estufa, que é social e politicamente aceita em alguns países, mas não em outros. Seu problema é basicamente econômico. A curto prazo, postergar o descomissionamento (retirada) das nucleares em alguns países, como a Alemanha, seria também uma decisão pragmática para reduzir a dependência do gás russo. Mas, até agora, apenas a Bélgica tomou uma decisão neste sentido. Talvez uma das grandes mudanças para a transição energética resultantes dessa guerra será a maior aceitação da energia nuclear.

Qual a sua aposta em termos de novas tecnologias? 

Um preço do petróleo alto deixa algumas tecnologias verdes mais competitivas. Por exemplo, quem dirige carro elétrico está menos exposto ao preço do petróleo, o que pode acelerar a entrada da mobilidade elétrica e a implantação da infraestrutura necessária. Em outros casos, onde as tecnologias não estão maduras ainda, um preço do petróleo mais alto pode acelerar o desenvolvimento e a demonstração de novas tecnologias, como o uso de combustíveis sintéticos para a aviação ou transporte marítimo. O negócio do hidrogênio como commodity de exportação ficou mais concreto. E, nesse contexto, o hidrogênio verde pode ganhar espaço. É também razoável apostar em um renascimento das nucleares e uma aceleração em tecnologias de captura e sequestro de carbono. O cenário atual também traz a importância das ações pelo lado da demanda, abrindo uma oportunidade para organizar a agenda da eficiência energética, onde há espaço para muito ganho no comércio e indústria. Devemos ter ações de transformação da forma como se consome a energia, desde a adoção da eletrificação até o estímulo pelo uso de outros energéticos. De nada adianta termos oferta de hidrogênio e eletricidade abundante, se a maior parte da demanda não funcionar a hidrogênio e eletricidade.

Como fica o Brasil nesse processo?

O Brasil tem uma posição privilegiada nesse processo. Apesar de importar GNL (Gás Natural Liquefeito), que deve ficar mais caro, o País exporta petróleo e pode se beneficiar da alta conjuntural dos preços. O Brasil tem a matriz de geração elétrica com mais renováveis entre as grandes economias mundiais, e o segundo maior uso de renováveis no transporte, vantagens estratégicas que o País pode aproveitar. As fontes limpas de produção de eletricidade já são as mais econômicas. O aumento da ambição nessa área faz sentido, trazendo novamente as hidrelétricas com reservatórios para o planejamento. A aceleração da transição europeia, que vai requerer combustíveis limpos importados, abre oportunidades para o Brasil exportar produtos energéticos e industriais verdes. A meta de importação de hidrogênio da Europa cria grandes oportunidades para o Brasil com o hidrogênio verde, quando o combustível entrar na equação. O valor do hidrogênio para o País pode ser alavancado pela produção de fertilizantes a partir da amônia.

Como a alta de preços de energia vem afetando os ambientes de mercado?

Na Europa o aumento dos preços de eletricidade e gás já vinha ocorrendo antes da guerra. Todos os governos buscaram maneiras de proteger, pelo menos em partes, os consumidores do repasse dos aumentos. Foram criadas operações de financiamento de aumentos tarifários muito parecidas com as que o Brasil fez na pandemia e na crise hídrica. A guerra na Ucrânia trouxe uma nova e maior escalada de preços e que pode se estender por mais de um ano. A Comissão Europeia discute interferir, em caráter emergencial, nos mercados de energia elétrica e gás. Várias são as medidas discutidas como subsídios para alívio nas contas de energia/gás e parcelamentos/postergação de prazos para pagar as faturas. Para financiar esses auxílios, estão na mesa propostas de uma taxa sobre lucros excessivos (“windfall profits”) de empresas do setor de energia, especialmente grupos com geração de energia, além do uso de fundos governamentais, como os obtidos com a taxação do carbono. Outra medida vislumbrada pela Comissão, e que tem ganhado apoio, é a adoção de preços-teto para o gás e para a geração de energia elétrica neste contexto de guerra. 

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,guerra-ucrania-gas-natural-energia-hidrogenio-verde,70004020052

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