Estudo de caso Starbucks: como ele se tornou o café mais conhecido do mundo

por: Iara Rodrigues – G4 Educação –  31 de maio de 2022

Starbucks coffee

De um começo humilde em 1971 como uma cafeteria de Seattle, para a maior rede de cafeterias do mundo, com mais de 33.000 pontos de venda em 83 países. Descubra, através do estudo de caso Starbucks, o segredo que fez dessa marca um empreendimento universalmente conhecido.

A Starbucks Corporation é uma cadeia multinacional americana de cafés e reservas de torrefação com sede em Seattle, Washington. Como a maior rede de cafeterias do mundo, é considerada a principal representação da segunda onda da cultura do café nos Estados Unidos.

A marca está classificada em 120º lugar na lista Fortune 500 e tem como alvo pessoas que desejam um espaço tranquilo para tomar café e perder o estresse – uma clientela predominantemente pertencente às classes média-alta e alta.

Por causa de seu ambiente íntimo, ambiente convidativo e serviço incomparável, a experiência de um cliente em uma loja Starbucks é, sem dúvida, diferente de qualquer outra cafeteria. Costuma-se dizer que a Starbucks ensinou a América a beber café e agora está continuamente ensinando o mundo. Vejamos então como a companhia conseguiu conquistar a sua forte posição no mercado.

A jornada de expansão de um império

Fundada em 1971 na cidade de Seattle, nos EUA, a companhia foi criada por 3 amigos: Jerry Baldwin (ex-professor de inglês), Gordon Bowker (escritor) e Zev Siegl (professor de história). Em comum, os três fundadores eram estudantes da Universidade de San Francisco em seus 20 e poucos anos que desejam que a sua cidade tivesse acesso ao delicioso café torrado sem precisar se deslocar até outro município para encontrar.

Inicialmente, além de juntarem as suas economias para investir no novo negócio, também foi necessário pedir dinheiro emprestado para abrirem a sua primeira loja (foram $ 1.350 de cada + $ 5.000 de empréstimo bancário), próxima ao histórico Pike Place Market.

Foto em preto e branco de 1979, com Zev Siegl, Jerry Baldwin and Gordon Bowker de terno, em frente à Starbucks e com uma xícara de café em mãos.(Na imagem: Zev Siegl, Jerry Baldwin and Gordon Bowker em 1979)

(Crédito: Starbucks)

Em seus nove primeiros meses, a companhia importava seu café da Peet’s Coffee e vendia, em uma humilde vitrine, o grão torrado, chá e outros temperos.

O nome do estabelecimento foi definido após uma sessão de brainstorming focada em encontrar o maior número possível de palavras que começassem com as letras “St”. Segundo Bowker, estes eram termos que apareciam com frequência em negócios bem-sucedidos. Assim, Starbucks veio como resultado de uma homenagem ao clássico personagem do romance de Moby Dick.

Em 1983, a Starbucks comprou a Peet’s Coffee e Howard Schultz, contratado em 1982 para gerenciar as vendas e o marketing da companhia, viajou para a Itália, onde se encantou com a cultura e a produção cafeeiras e tentou replicar esse modelo em solo norte-americano.

Infelizmente, os gestores da companhia não apoiaram a sua iniciativa e ele decidiu se desligar da Starbucks. Em 1986, ele abriu o seu próprio café. Pouco tempo depois, cerca de um ano, Schultz estava se tornando um empresário bem-sucedido enquanto a sua ex-empresa não decolava, mesmo já contando com um total de seis estabelecimentos em sua cidade natal.

Como consequência, em 1987, Schultz fez uma proposta para comprar a parte de seus ex-patrões na Starbucks: US$ 4 milhões por todas as unidades. Os três proprietários originais decidiram vender o negócio e a companhia passou por uma reformulação e expansão agressivas.

Inicialmente, suas operações não incluíam serviços de cafeteria, mas apenas um local para a venda de grãos torrados. Foi depois que Schutz assumiu a empresa, que a Starbucks começou a vender bebidas.

Imediatamente, ele possibilitou a abertura do negócio para outros territórios: Vancouver, British Columbia e Chicago. Apenas 2 anos depois, já existiam 46 cafeterias espalhadas pelo oeste dos Estados Unidos e Canadá. 

A expansão global da companhia foi rápida e estratégica. Em 1992, a empresa abriu seu capital com 140 locais e uma receita impressionante de US$ 73,5 milhões. Este foi apenas o começo da ascensão da companhia.  

Nesse sentido, em 1996, a Starbucks abriu a sua primeira loja internacional em Tóquio. Em 1998, adentrou o Reino Unido e, em 2002, penetrou o mercado latino-americano, através do México.

“Acredite em seus sonhos e sonhe grande. Depois que fizer isso, sonhe ainda maior.”

Howard Schutz

Entre 1998 e 2008, a Starbucks cresceu de 1.886 lojas para 16.680. Apesar dessa ascensão meteórica, a recessão global de 2008 comprometeu a história da companhia enquanto as economias do mundo desabavam e parte considerável de suas lojas e colaboradores foram dispensados.

Felizmente, a Starbucks conseguiu ir se recuperando paulatinamente à medida que a crise foi diminuindo. E continuou, sucessivamente, reinaugurando lojas até atingir a marca de 83 países no globo.

Vale salientar que, em 2015, novas lojas foram abertas no Panamá e conquistou-se a marca de 99% de café de origem ética. Além disso, uma solução blockchain da Microsoft permite que os envolvidos na sua cadeia de suprimentos rastreiem tanto o movimento do café quanto sua transformação do grão ao saco final.

Finalmente, em 3 de abril de 2017, seu ex-CEO, Howard Schultz, passou a liderança da empresa para Kevin Johnson. Mesmo com toda essa mudança, a organização continua a executar com sucesso seus planos estratégicos, incluindo inovação em café, opções de alimentos elevados e inovação em chás gelados artesanais premium.

Mapa mundial com os países que possuem o maior numero de lojas Starbucks: EUA, China, Japão, Canadá, Coréia do Sul e Reino Unido.(Na imagem: países com mais lojas Starbucks)

(Crédito: Statista)

Recentemente, a companhia decidiu abandonar o mercado russo, depois de quase 15 anos, como protesto pela invasão da Ucrânia. O seu atual CEO, Kevin Johnson, condenou os “horríveis ataques da Rússia à Ucrânia” e comunicou que tomaria medidas que estivessem em consonância com os seus “valores”.

Mesmo com a sanção, espera-se que a Starbucks mantenha o seu forte ritmo de crescimento e continue desenvolvendo o seu conceito de ser um terceiro lugar entre casa e trabalho, no qual as pessoas podem relaxar, degustar a sua bebida preferida e, de quebra, experimentar uma sensação única. 

Em números, a companhia obteve lucro líquido de US$1,764 bilhão, ou US$1,49 por ação, no quarto trimestre de seu ano fiscal 2021, segundo relatório oficial – um aumento de 349,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Vale lembrar que, ainda em 2021, a companhia atingiu o marco de 50 anos de sua criação.

Quando a experiência é mais importante que o produto em si

A Starbucks alavancou o seu faturamento criando algo que não existia: um espaço sofisticado onde os seus clientes podiam se deliciar com bebidas sofisticadas, além de relaxar e socializar. 

Inicialmente, os pequenos detalhes que a diferenciava de seus concorrentes e que permitiam que fossem cobrados alguns dólares a mais pelos seus produtos foram ridicularizados por muitos. Em especial, a nomenclatura peculiar de seus tamanhos de café: alto, grande e venti para identificar pequeno, médio e grande.

Entretanto, o que a concorrência não percebeu é que a companhia não queria para si uma identidade totalmente americana. Suas nomenclaturas originais eram uma característica de refinamento e elegância.

“A Starbucks era uma maneira acessível de obter luxo”.

Craig Garthwaite, professor associado da Kellogg School of Management da Northwestern

Assim, possuindo uma identidade de marca distinta, cafeterias Starbucks são facilmente reconhecíveis em qualquer lugar do mundo. Para uma marca global, esse é um dos elementos obrigatórios.

Desde o início, o aspecto experiencial da marca foi implementado de forma consistente e eficaz em todas as suas lojas. Além disso, a empresa construiu seu diferencial em coisas que tendem a ser disruptivas, indo além do que é inovação e desafiando consistentemente a sabedoria convencional.

Em parte, isso se deve à sua estratégia de marketing exclusiva, responsável por criar uma base de clientes pronta para fazer fila apenas para tomar café. A abordagem da Starbucks para coletar insights, de igual modo, é bastante peculiar em comparação com outras organizações multimilionárias.

A empresa optou por adotar uma estratégia omnichannel, através de um programa de recompensas que permite a integração e cooperação de vários canais para interagir com os seus consumidores e criar uma experiência de marca consistente e inesquecível.

O aspecto chave a destacar aqui é o fato da organização não ter uma visão rígida e compartimentada de compreensão dos clientes. Pelo contrário, a empresa está sempre “em movimento”, desenvolvendo uma inteligência de reação e velocidade em busca das melhores tendências para saber como reagir adequadamente às oscilações do mercado.

Durante a pandemia, por exemplo, a Starbucks foi ágil e resiliente, conseguindo aplicar e escalar, rapidamente, os conceitos de isolamento social, com o Starbucks Pickup (pedir pelo aplicativo e ir para um local apenas para retirada), drive-thrus (de 60% de suas lojas para 80%), janelas walk-up e pickups ao lado do meio-fio.

Nesse sentido, reinventar-se é a única certeza para aquisição e retenção de clientes. Vejamos como até o seu próprio logotipo foi evoluindo para transmitir cada vez mais uma ideia de flexibilidade:

(Na imagem: timeline de transformação da logo Starbucks)

(Crédito: OpenLab)

No geral, a marca provou ser muito inovadora e significativa com suas escolhas de design. É por causa de seus traços que somos capazes de reconhecer e identificar a cadeia a quilômetros de distância. 

No geral, a marca provou ser muito inovadora e significativa com suas escolhas de design. É por causa de seus traços que somos capazes de reconhecer e identificar a cadeia a quilômetros de distância. 

Indo além, entre as várias prioridades da Starbucks para acompanhar os seus consumidores está a expansão do alcance digital da marca. Para isso, por exemplo, suas lojas estão sempre oferecendo Wi-Fi gratuitamente, serviços de pedidos móveis e criando consciência de suas bebidas através de campanhas de marketing baseadas em seus produtos. As campanha #ExtraShotOfPride, que promove a comunidade LGBTQIA+, e a #RedCupArt, com foco no senso de comunidade, são alguns exemplos.

Os desafios e jogos para envolver os clientes e aumentar sua base de fãs são frequentes. E, como se pode ver abaixo, o seu conteúdo e o engajamento tendem a ser consistentes em todas as plataformas sociais:

  • Instagram – mais de 17.7 milhões de seguidores;
  • Facebook – mais de 36 milhões de curtidas;
  • Twitter – mais de 11 milhões de seguidores;
  • Tik Tok – mais de 9.6 milhões de likes;
  • E outras.

Importante ressaltar que o foco na experiência não termina no cliente. Howard Schultz – CEO da companhia de 1986 a 2000 e de 2008 a 2017 – acreditava fortemente no fato de que funcionários felizes levariam a uma maior satisfação do cliente. Por isso, criou-se a cultura de chamar seus colaboradores de parceiros, propositalmente mais bem remunerados do que a média do setor e com um extenso rol de benefícios, bem como o incentivo da diversidade em seus processos de seleção.

A lógica é simples: quando se está no setor de prestação de serviços, a satisfação e o tratamento do cliente são, muitas vezes, mais importantes do que a qualidade do produto em si. Esse ótimo atendimento é evidente na forma como eles se certificam de escrever o nome do consumidor na xícara de café. Nesse sentido, a prioridade é garantir que todos os seus clientes sejam tratados pelo nome e com respeito – são funcionários felizes que fazem clientes felizes.

“Inspirar e nutrir o espírito humano – uma pessoa, uma xícara e um bairro de cada vez”.

A missão da Starbucks

5 lições da Starbucks para a criação de uma marca bem-sucedida

Assim como estudos de caso de outras grandes empresas, a citar: Heineken, Patagonia, Spotify, Red Bull, BlackBerry, Lego, Morning Crew, Blockbuster, Slack, Whatsapp, Amazon etc. é possível identificar inúmeras técnicas de growth hacking incorporadas na sua cultura organizacional para focar nos resultados e acelerar o crescimento. Vejamos como isso se estabeleceu na Starbucks.

Lição 1: mudar é bom

Segundo o Statista, o café continua sendo o maior segmento no mercado de bebidas quentes do mundo e espera-se que atinja uma receita global de US$585 bilhões até 2025.

Desde o início, a estratégia utilizada pela Starbucks foi de trazer um produto já estabelecido em diferentes espaços culturais e geográficos para um novo mercado. Não só a marca precisava fornecer valores claros, mas também educar seu uso.

Pouco a pouco, as suas lojas entenderam a importância de serem flexíveis para mudarem e fornecerem novidades estratégicas para aprimorar a experiência do seu usuário. Hoje, além de café, os seus estabelecimentos servem bebidas quentes e frias, chás, sucos frescos, lances e, também, ofertas sazonais e específicas.

Embora o produto seja um dos principais componentes de um negócio de sucesso, pense em suas possíveis atualizações. Mantendo a essência, você pode diversificar a oferta e adquirir novas fontes de receita.

Lição 2: faça pesquisas de mercado

Com planejamento e estratégia adequados, foi possível naturalizar com sucesso nos EUA o conceito que Schultz viu na Itália. Ao se realizarem diversas pesquisas de mercado, constatou-se que o público-alvo da companhia seriam clientes do sexo masculino e feminino, especialmente urbanos, na faixa etária de 25 a 45 anos, preocupados com a saúde, com consciência de classe e em busca de um local tranquilo para relaxar. 

A partir dessa premissa, o novo mercado se desenvolveu, coletando-se o máximo possível de informações sobre seus consumidores e os locais onde o seu produto seria mais usado e estabelecido para criar intimidade com eles. 

Essa metodologia trouxe muitos insights que ajudaram a construir os principais benefícios e particularidades que elevaram à popularidade da Starbucks não apenas nos EUA, mas em todo o mundo.

Lição 3: mime seus clientes

É fundamental pensar além do produto e identificar o que mais pode ser feito para que o cliente sinta a sua falta. A excelência no atendimento é obrigatória, especialmente pela essência do café e da frequência das visitas – um vínculo que se estabelece muito mais rápido do que em outros estabelecimentos, especialmente porque, nos primeiros anos, a Starbucks não havia concorrência.

Nesse sentido, a organização não costuma oferecer nenhum tipo de desconto ou promoção, para não diminuir a sensação premium da marca. Todas as suas ações estão voltadas para produzir uma conexão positiva com o seu público. Assim, entre os seus ativos mais valiosos, podem citar: a qualidade do produto, a disponibilização de wi-fi confiável e gratuito, assentos confortáveis ​​e mesas comunitárias, baristas amigáveis, cores e materiais para dar a sensação de aconchego e música e cheiros especiais para criar um ambiente agradável.

Como se não fosse o bastante, a companhia dominou a tecnologia móvel na hora certa. Na pesquisa Manifest em 2018, a Starbucks teve o aplicativo mais popular de recompensas de fidelidade – usado diariamente por 48% dos usuários entrevistados.

(Na imagem: maior fidelidade entre aplicativos de restaurantes)

(Crédito: The Manifest)

O sucesso de seu aplicativo veio por agregar valor ao seu usuário, com facilidade de uso e um conteúdo dinâmico e divertido. O CFO da Starbucks, Scott Maw, confirmou que quase todo o crescimento de vendas nas mesmas lojas da empresa veio de clientes que têm relacionamentos digitais com a empresa e aqueles que estão no programa Starbucks Rewards.

Dito isso, retenção é o nome do jogo. Se um cliente confia em você o suficiente para baixar o seu aplicativo, essa é uma oportunidade única de mimá-lo e convertê-lo em um consumidor regular.

Lição 4: o sistema LATTE

Empresas bem-sucedidas adotaram o conceito Flywheel, do clássico livro “Good to Great” de Jim Collins. Simplificando, a ideia central é que seus clientes são seus melhores vendedores. Se você tiver disciplina para os fazer felizes, eles contarão aos amigos e assim por diante, atingindo um crescimento sustentável contínuo.

Pessoas são sempre o elemento nº 1 em qualquer empresa. Some-se a isso a tecnologia como grande catalisador de growth, porém, precisa estar vinculado a um conceito simples e ser disciplinada o suficiente para dizer não a novas oportunidades quando for preciso.

Na prática, quando Schultz sentiu que a qualidade da companhia estava caindo, decidiu fechar centenas de lojas para um dia de treinamento. Foi uma decisão ousada, mas necessária para reorientar, reestruturar e impulsionar os funcionários da Starbucks para trabalhar e entregar a experiência certa.

Pensando nisso, foi desenvolvido o sistema LATTE, para solidificar a cultura da empresa e dar diretrizes para que os colaboradores soubessem como superar um problema (ou um cliente difícil).  Em linhas gerais, o significado da sigla é:

  • Listen to the customer (ouça o cliente);
  • Acknowledge the problem/situation (reconhecer o problema/situação);
  • Take actions and solve the problem (agir e resolver o problema);
  • Thank the customer (agradeça ao cliente);
  • Explain what you did (explique o que você fez).

Apesar de parecer simples, esse é um poderoso método para fornecer diretrizes claras e aumentar a motivação e a força de vontade entre os envolvidos.

Lição 5: delegue seus recursos

Como mencionado anteriormente, a marca investe e acredita fortemente no mobile marketing, com uma presença considerável nas redes sociais e no universo digital. Uma das razões para tal é a necessidade de se envolver melhor com os clientes e, também, estar visível nas plataformas em que seu público gasta a maior parte do seu tempo.

Essa estratégia evolui constantemente para aproveitar os novos e emergentes canais de engajamento, com foco em melhorar o envolvimento com a comunidade e aumentar a responsabilidade social. Isso é semelhante à metodologia emergente de crowd-sourcing no campo da inovação.

Deste modo, ao utilizar as mídias sociais, a Starbucks está sempre identificando qual plataforma traz os melhores resultados e, assim, delega seus melhores recursos ao canal com melhor desempenho.

Desafios futuros para a Starbucks

Sem dúvidas, a Starbucks é uma comerciante global de sucesso com experiência significativa em entrar e se estabelecer em novos mercados. Marcas líderes criam suas estratégias corporativas com um elemento estratégico inerente que engloba a inovação. 

Mas, à medida que a companhia se expande e cresce, precisa reavaliar constantemente e manter os ouvidos atentos ao chão para entender as preferências do consumidor. Inovação e eficiência operacional são a sua base para continuar a obter sucesso internacionalmente e também nos mercados já existentes.

Em 2011, ao redesenhar seu logotipo, a empresa deixou pistas de sua futura estratégia de diversificação. Em 2014, anunciou formalmente o lançamento de um programa intitulado Starbucks Evenings, em que milhares de lojas passarão a vender bebidas alcoólicas ao longo do próximos anos. 

Dessa forma, a diversificação da marca está entre alguns dos desafios futuros da organização para identificar e desbloquear oportunidades de crescimento.

Além de ampliar o portfólio de bebidas, a Starbucks planeja comercializar, cada vez mais, produtos alimentícios em suas lojas, posicionando-se não apenas como lojas de café, mas como um café propriamente dito, ultrapassando os limites do que significa ser uma cadeia de café convencional, com a própria companhia visando 55.000 locais em todo o mundo na próxima década. 

Uma coisa é certa, a indústria do café enfrenta novos desafios todos os dias. Das mudanças climáticas que afetam as condições de cultivo às práticas agrícolas insustentáveis. Seja como for,  algo parece estar cristalino: para onde quer que os rumos desse setor vá nas próximas décadas, a Starbucks certamente estará lá, inovando e reconstruindo a maneira de se consumir esse simples grão que, atualmente, é a 2ª bebida mais consumida no Brasil.

Por último, se assim como a Starbucks você quer construir uma curva exponencial clara, indicativa de um alto crescimento para o seu negócio,  é crucial dominar as técnicas e estratégias certas para obter resultados na prática. Pensando nisso, conheça o curso online de Growth do G4 Educação e se estabeleça como referência no seu mercado de atuação.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/HOBnTZ1EH6Z0l2lo0PHYf2 (13) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

A aposta da Weg nos caminhões e ônibus elétricos

Multinacional conhecida pelos motores industriais está se concentrando nos veículos pesados, mas quer estar em todas as etapas da eletrificação

Foto do caminhão eDelivery, equipado com motor Weg

    Por Sérgio Teixeira Jr. – CapitalReset  – 27 de outubro de 2022                   

Fundada há 61 anos por um eletricista, um administrador e um mecânico, a multinacional brasileira Weg aposta nesses três “genes” para entrar num mercado que promete ser um dos mais movimentados das próximas décadas: a mobilidade elétrica.

A empresa de Jaraguá do Sul (SC), uma das maiores fabricantes do mundo de motores elétricos para a indústria, agora está de olho em um negócio maior, com mais visibilidade – e mais concorrência –: o da eletrificação do transporte pesado.

A Weg desenvolveu e fabrica os motores do primeiro caminhão elétrico e 100% brasileiro, o e-Delivery, da Volkswagen. Os primeiros 350 veículos já são usados por empresas como Ambev, Femsa e Heineken para a última milha das entregas em grandes centros urbanos. 

Um investimento de R$ 660 milhões anunciado há um mês vai ser dedicado “em boa parte” para aumentar a produção de motores para esses veículos, diz Valter Luiz Knihs, diretor de sistemas industriais e e-mobility da empresa.

O foco inicial são ônibus e caminhões, pois “a experiência e o know-how” da empresa se aplicam melhor a esse segmento, segundo Knihs.

Mas o mapa desenhado pela Weg vai muito além dos sistemas de tração.

A empresa enxerga um futuro em que caminhões e talvez até mesmo carros de passeio sejam equipados também com  baterias WEG – carregadas em eletropostos também produzidos pela companhia.

“Desde o dia em que foi concebida, o objetivo da WEG é eletrificar”, diz o executivo. Agora, esse também é um objetivo do mundo todo – e uma oportunidade única que se abre para a companhia.

Tesla (o inventor)

A Weg é uma das multinacionais mais bem-sucedidas do país. A empresa emprega 37 mil funcionários em 13 países, faturou R$ 23,5 bilhões no ano passado e tem um valor de mercado de R$ 160 bilhões – uma das dez maiores empresas da bolsa brasileira.

Ontem, as ações da companhia fecharam em alta de quase 8% depois da divulgação dos resultados trimestrais, que apontaram uma receita de R$ 7,2 bilhões, um crescimento de 25% em relação ao mesmo período em 2021. 

Seus produtos ficam longe dos olhos da maioria. Em suas 49 plantas, a empresa fabrica mais de 18 milhões de motores, usados principalmente na indústria, que vão de petroleiras a produtoras de celulose.

Além desses equipamentos industriais, que respondem por quase metade da receita e estão em alta demanda especialmente na Europa, a companhia também produz componentes usados em geração, transmissão e distribuição de energia.

O negócio da mobilidade é tão incipiente em termos de receitas que nem é discriminado nos resultados divulgados pela companhia.

Mas a transição para um mundo sem queima de combustíveis fósseis está provocando uma corrida sem precedentes na centenária indústria automobilística.

O conhecimento acumulado nas últimas décadas é um dos pilares da estratégia da Weg no negócio da mobilidade elétrica. A tecnologia básica, diz Knihs, mudou muito pouco em mais de cem anos.

“É o que o Tesla inventou, lá em 1890”, diz Knihs, se empolgando ao descrever uma das inovações que definem a vida moderna.

O motor de um ventilador e de um carro elétrico podem não ser muito diferentes na essência, mas existem algumas considerações práticas importantes – e são elas que ditam o foco da Weg no transporte pesado.

Como seria muito mais complicado passar dos grandes e pesados motores industriais para um pequeno e leve que sirva para um carro, o caminho lógico para a Weg é apostar nos ônibus e caminhões.

Outro fator importante é a demanda. Com a dominância do transporte rodoviário, o Brasil é um dos maiores mercados de caminhões do mundo.

O foco inicial, com o e-Delivery, é a etapa final da logística. Com as vantagens de custo – além de a eletricidade ser mais barata, veículos elétricos são mecanicamente mais simples e exigem menos manutenção –, a virada deve ser rápida, aposta Knihs.

Ele acredita que o apelo ambiental também deve acelerar a transição. “As grandes cidades precisam limpar seu ar. O diesel é o combustível mais nocivo de todos, e a legislação está cada vez mais apertada no mundo inteiro.”

“Depois do Brasil, estendemos a plataforma para os países vizinhos. Já vemos uma grande expansão de ônibus elétricos no Chile e na Colômbia.”

Weg inside?

O e-Delivery tem uma diferença importante em relação a outros caminhões e carros da Volkswagen: o motor foi desenhado e é produzido por terceiros.

Mesmo antes de a Tesla mostrar que a tendência das fabricantes de elétricos é a verticalização, motores sempre foram um diferencial – e um orgulho – das montadoras.

Todas as gigantes da indústria automobilística estão desenvolvendo novos motores elétricos, inclusive a Volkswagen. Haverá espaço para uma fabricante independente?

Knihs acredita que sim. Em primeiro lugar, porque a transição será gradual, e “não custa nada barato montar uma fábrica”.

Além disso, existe uma nova realidade geopolítica sendo desenhada. Os subsídios para veículos elétricos do pacote climático de Joe Biden são condicionados a um mínimo de componentes made in USA.

Knihs acredita que esses tipos de incentivos para a geração de empregos, além de desafios duradouros na logística internacional, favoreçam quem é capaz de produzir perto de onde está o consumo.

Baterias

Além dos motores, a companhia começou a fabricar baterias no Brasil. A logística desse componente, ainda mais importante que o motor nos veículos elétricos, é especialmente complicada e cara por causa de volume, peso e segurança.

Em fevereiro, um cargueiro com milhares de elétricos de luxo pegou fogo no Atlântico. O incêndio começou na bateria de um deles.

A Weg produz os chamados packs de baterias, um sistema integrado que vai fornecer a energia para o veículo. Ele é composto pelas células de íons de lítio (que armazenam a energia e são parecidas com as pilhas de uso doméstico) e sensores e softwares que controlam a tensão, carga e descarga e temperatura, entre outras variáveis.

Além do uso em veículos, Knihs enxerga um mercado de armazenamento de energia, com contêineres que servirão como backup de emergência, por exemplo.

O primeiro desses sistemas foi implementado no Centro de Lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão, para guardar a energia gerada por uma instalação de painéis solares.

Eletropostos

Mas as baterias que devem ser usadas inicialmente estarão em movimento, dentro de veículos, e precisarão de carregadores – um negócio em que a Weg também quer entrar.

Batizada de Wemob, a linha de estações de recarga tem três modelos com diferentes potências. Quanto mais potente, mais rápida a recarga.

Knihs afirma que o negócio ainda é incipiente, mas potencialmente muito grande. Diferentemente dos postos de combustível, essas “tomadas especiais” estarão em toda parte.

“Muita gente vai carregar o carro em casa, mas também teremos estações em condomínios ou estacionamentos.” A ideia é que a Weg venda o equipamento e eventualmente serviços associados (como sistemas de cobrança), e terceiros operem os terminais.

O mesmo vale para os postos de combustível. “Alguns já criaram consciência e estão instalando essas estações”, diz Knihs. “A margem de lucro é maior do que na gasolina” e, como há uma espera envolvida, o cliente tende a consumir também no restaurante.

Muita calma

Nenhuma companhia consegue estabelecer uma presença global sem inovação.

Mas, no novo mundo da mobilidade elétrica, em vez de competidores atuais como as centenárias Siemens e ABB, a concorrência virá de empresas jovens, ágeis e digitais – algumas que talvez nem tenham sido fundadas.

Knihs afirma que uma das palavras de ordem da companhia é foco: “Em alguns segmentos vamos chegar depois, e outros estamos lá na fronteira, em cima da onda. É o caso dos veículos pesados. Conheço muito bem os projetos em andamento na Europa e na América do Norte.”

“Somos muito bons na capacidade de produzir de forma vertical. Aprendemos o método de melhoria constante da Toyota antes de ela ser essa gigante”, diz Knihs.

“Podemos não ser competitivos hoje em um determinado mercado, mas amanhã seremos. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.”

https://www-capitalreset-com.cdn.ampproject.org/c/s/www.capitalreset.com/a-aposta-da-weg-nos-caminhoes-e-onibus-eletricos/amp/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/HOBnTZ1EH6Z0l2lo0PHYf2 (13) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

A ciência chega mais perto de desvendar o segredo da sensação de déjà-vu

Estudos investigam a estranha impressão de já ter vivido uma situação que acontece no tempo presente. E as informações surpreendem

Por Cilene Pereira – Veja – 14 out 2022

“Por que algumas cenas despertam pensamentos que parecem pertencer a sonhos de lembranças precoces e sombrias, como meu velho brâmane Moonshie teria atribuído a um estado de existência anterior? São as visões de nossos sonhos que flutuam confusamente em nossa memória e são evocados pela aparência de objetos reais que, em qualquer aspecto, correspondem aos fantasmas que eles apresentavam a nossa imaginação?” Foi assim, dessa maneira tão bela, que o romancista escocês Walter Scott (1771-1832) descreveu, em 1815, no livro Guy Mannering, or the Astrologer, o que hoje se conhece como déjà-vu – em francês, “já visto”.

O escritor estava quase certo ao supor que o fenômeno definido pela inusitada sensação de ter vivido no passado uma situação experimentada no presente esteja atrelado a situações concretas, nem tão etéreas. De acordo com o consenso mais recente da ciência, o acontecimento é mesmo resultado de uma comparação instantânea feita pelo cérebro entre uma experiência anterior e a que ocorre naquele momento e cujo gatilho — eis a novidade — é a similaridade da disposição espacial de móveis, objetos e pessoas. Está no layout, enfim, dizem os estudos, um dos segredos do déjà-vu.

O escritor escocês, portanto, estava correto ao pensar nos objetos como peças capazes de desencadear a sensação. Faltou imaginar que sua distribuição no ambiente fosse decisiva, assim como a de outros elementos que fizeram parte de um cenário visto previamente. “Ainda não sabemos tudo sobre o déjà-vu, mas a semelhança da distribuição espacial entre duas situações contribui para seu surgimento”, explica Anne Cleary, da Universidade do Estado do Colorado, autora do trabalho mais recente sobre o assunto. Um exemplo fácil de entender: uma pessoa chega a um restaurante onde nunca havia ido antes e, por instantes, tem a impressão de que já esteve ali. É uma ilusão. Na verdade, o que seu cérebro fez foi permitir que subissem à tona as sensações guardadas quando, no passado, ela esteve em algum lugar onde mesas, cadeiras e pessoas se encontravam em posições semelhantes.

À primeira vista, a informação pode parecer apenas uma curiosidade a respeito de um evento peculiar que acontece ao menos uma vez na vida de praticamente todo ser humano. Contudo, ela adiciona conhecimento relevante sobre a memória ao iluminar de que maneira os dados espaciais captados pelo cérebro se interligam aos sensoriais e podem ser acionados se necessário. Conhecer profundamente esses mecanismos é uma das empreitadas mais urgentes para a ciência, pressionada a achar soluções para doenças em crescimento caracterizadas por danos à capacidade de guardar as lembranças, como o Alzheimer. Vem dessa necessidade o maior interesse pelo déjà-vu.

Até meados do século XIX, o fenômeno estava mais restrito às discussões filosóficas e religiosas — atribui-se a Santo Agostinho (354-430), aliás, a primeira descrição do evento, considerado pelo teólogo como a eclosão de falsas memórias. O avanço de novos campos da medicina, especialmente a neurologia, expandiu as possibilidades de pesquisa, que passaram a buscar respostas dentro do cérebro. Um dos primeiros achados surgiu com os estudos sobre epilepsia, cujas crises são causadas por distúrbios na transmissão dos sinais elétricos cerebrais. Descobriu-se que os pacientes nos quais o desequilíbrio acontece no lobo temporal têm mais episódios de déjà-vu. Depois, viria a explicação: a região é responsável pelo processamento das informações visuais, auditivas e sensoriais e também pela organização das lembranças. Estava localizado o ponto onde tudo acontece. Agora, conhece-se um de seus gatilhos. Assim, devagar, o mistério fica cada vez menor — e o fascínio, maior.

Publicado em VEJA de 19 de outubro de 2022, edição nº 2811

https://veja.abril.com.br/saude/a-ciencia-chega-mais-perto-de-desvendar-o-segredo-da-sensacao-de-deja-vu/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/HOBnTZ1EH6Z0l2lo0PHYf2 (13) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

O futuro do agronegócio é a ciência

Vamos competir também em propriedade intelectual, patentes, cultivares, insumos?

Ronaldo Lemos* – Folha – 9.out.2022 

Quais os elementos essenciais para um agronegócio competitivo e sustentável? Abundância de água, terra fértil, sol, ciência e tecnologia. De todos esses, o peso começa a crescer para os dois últimos.

O futuro do agronegócio não será de quem tem os melhores recursos naturais, mas sim de quem aplica melhor ciência e tecnologia. Competição por sementes, cultivares, know-how e implementos.

O Brasil sabe disso. Tanto é que a agricultura brasileira é das mais competitivas globalmente, especialmente em razão da Embrapa. No entanto, liderança é, por definição, um lugar instável.

Outros países estão constatando que, com ciência e tecnologia, é possível ganhar mais competitividade no agro, avançando sobre espaços que hoje são detidos pelo Brasil.

Caminhão carregado cana trafega em canavial próximo à Central Energética Moreno, em Luiz Antônio (SP) – Joel Silva – 12.mai/2017/Folhapress

O país mais recente a transformar ciência e tecnologia no agro em prioridade nacional é um velho conhecido dos produtores brasileiros: a China. Nos últimos anos, o país decidiu que não quer mais depender de importações para garantir sua segurança alimentar.

O país abriga hoje 20% da população mundial, mas possui apenas 8% das terras aráveis do planeta. Por isso foi dada a largada para um esforço de aumento da produtividade por hectare. E também por reorganizar a forma como a produção agrícola acontece na China.

No entanto, o passo mais ambicioso do país relaciona-se diretamente à cadeia de suprimentos agrícolas global. Trata-se da aquisição da gigante global de tecnologia agrícola Syngenta. De origem Suíça, e até hoje com sua sede em Basileia, a empresa foi adquirida em 2017 por US$ 43 bilhões pela empresa ChemChina (atualmente Sinochem Holdings). Essa foi a maior aquisição internacional feita por uma empresa chinesa.

A Syngenta tem presença forte globalmente, inclusive no Brasil, no ramo de sementes, pesticidas, herbicidas e outros produtos e cultivares relacionados a lavouras de soja, milho e biocombustíveis.

Na China, a aquisição da empresa tem provocado uma verdadeira revolução agrícola. A empresa está desenvolvendo no país os chamados MAPs (sigla de Plataforma de Agricultura Moderna).

Mais de 500 MAPs foram implantados nas áreas rurais do país. Em cada um deles há sempre centros de pesquisa e aprendizado, onde se destaca a frase “In Science We Trust” (Na ciência nós confiamos).

Cada um deles tem uma estética parecida com a do Vale do Silício e ajuda produtores locais a desenvolver práticas mais “produtivas, eficientes e sustentáveis”. Vale lembrar também que a produção rural é apenas um dos segmentos do agronegócio.

Colunas e Blogs

Receba no seu email uma seleção de colunas e blogs da Folha; exclusiva para assinantes.

Carregando…

Outro segmento fundamental, do qual o Brasil participa pouco, é o da propriedade intelectual, das patentes e dos cultivares. Nesse campo, a Syngenta é gigantesca. Antes da aquisição, a empresa já havia assimilado a Novartis e o braço agrícola da AstraZeneca.

Com isso, detém inúmeras patentes e cultivares, relacionados a milho, soja e alface, além de inúmeros produtos químicos. Até uma variedade de tomate típica da América do Sul a empresa chegou a patentear antes da aquisição, mas depois de muitos protestos a patente foi revogada.

Os produtores brasileiros são clientes da Syngenta com relação a vários produtos, muitos deles essenciais para as lavouras no país. E o Brasil? Apesar de sermos potência agrícola, dominamos só uma parte do setor.

Vamos competir também em propriedade intelectual, em patentes, cultivares, insumos e implementos? O futuro do setor depende da resposta a essa pergunta.

Já era – Pensar em agricultura apenas como exploração direta da natureza

Já é – Agricultura como atividade científica e tecnológica

Já vem – Competidores do Brasil com menos recursos naturais, mas mais tecnologia

*Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2022/10/o-futuro-do-agronegocio-e-a-ciencia.shtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/HOBnTZ1EH6Z0l2lo0PHYf2 (13) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

TikTok substitui o Google como ferramenta de busca entre os mais jovens

Tendência mostra que nenhuma empresa de tecnologia está livre da influência da marca chinesa

Por André Sollitto e Diego Alejandro – Veja –  23 set 2022

De tempos em tempos, uma nova rede social desponta como um foguete, conquista milhões de fãs, ameaça o reinado de rivais mais robustos e, quase na mesma velocidade em que surgiu, desaparece miseravelmente. Foi assim com MSN, MySpace e Orkut, para citar casos ainda frescos na memória. Mas há muitos outros — nomes como Digg, Fotolog e Vine sumiram do mapa num piscar de olhos. 

Nos últimos anos, o exemplo mais rumoroso de sucesso é o aplicativo chinês Tik­Tok. Ele nasceu em 2016 e seduziu de imediato os jovens com vídeos curtos e coreografias aleatórias, as famosas dancinhas. Muita gente torceu o nariz, principalmente os pais da garotada que se contorcia na plataforma, e tantos outros consideraram o TikTok uma moda passageira. 

Desta vez, erraram feio. O app está longe de seguir o roteiro de fracassos do passado. Muito pelo contrário: com 775 milhões de usuários ativos e 3 bilhões de downloads, é a terceira rede social mais espalhada pelo mundo. Isso, porém, já é conhecido. Há agora uma novidade ainda mais espantosa. Os nascidos depois dos anos 2000 — a geração Z, portanto — passaram a usar o TikTok como ferramenta de busca.

A competição pela atenção máxima dos usuários de redes sociais acirrou-se nos últimos anos, mas ela sempre esteve circunscrita às plataformas que permitem a interação entre pessoas. O que diferencia o TikTok agora é o fato de avançar sobre um território que pertence ao Google, que detém cerca de 90% do mercado mundial de buscadores. 

A revelação foi feita, meio sem querer, por Prabhakar Raghavan, executivo da área de conhecimento e informação do gigante de tecnologia, em evento promovido pela revista americana Fortune. Ele contou que estudos feitos pela própria empresa descobriram que 40% dos jovens não vão à ferramenta de busca do Google quando procuram, por exemplo, um lugar para almoçar. Na verdade, eles recorrem ao TikTok.

Parece algo inusitado, mas uma rápida vasculhada no TikTok confirma que a plataforma funciona para esse propósito. Basta digitar, digamos, passeios perto de uma determinada região para uma enxurrada de vídeos sobre o assunto aparecer na timeline. Dúvidas sobre saúde, receitas gastronômicas, informações sobre pets, dicas sobre como trocar pneu de carro — está tudo ali, em clipes sempre rápidos e diretos. 

Para especialistas, esse é o motivo que seduz a molecada. Os resultados da busca sempre surgem na forma de vídeos, e não textos, e a geração Z habituou-se a ver mais e ler menos. Eis aqui o grande defeito do buscador. Em geral, os resultados da busca são superficiais. Como esmiuçar uma nova descoberta astronômica em um videozinho de um minuto ou explicar os métodos anticoncepcionais em um período tão curto?

O modelo de vídeos feitos de forma simples, até toscos, reforça a autenticidade que muitos jovens associam à rede chinesa. “O TikTok surgiu em oposição à estética de outras redes, e vem lidando bem com uma reivindicação por parte dos usuários de outras plataformas por conteúdos mais genuínos”, afirma Issaaf Karhawi, pesquisadora em comunicação digital da USP. O funcionamento do aplicativo é diferente do de outras redes sociais. No Facebook, o algoritmo é criado a partir de uma intrincada rede de contatos com familiares, amigos, colegas de trabalho e outros conhecidos que os usuários vão lentamente construindo. É o mesmo princípio do Twitter, que cresceu graças ao envolvimento de celebridades, especialistas e outras fontes de informação capazes de atrair a atenção dos usuários.

Entretenimento é o foco. Quem abre o TikTok recebe conteúdos de desconhecidos, impulsionados simplesmente pela capacidade de viralização. É uma ferramenta que atrai a atenção de forma mais primitiva, e o algoritmo é treinado para compreender as preferências de cada um com surpreendente rapidez e eficiência. Por isso funciona tanto. 

O crescimento acelerado da rede chinesa fez com que o mercado se movimentasse para tentar replicar o sucesso do rival. O Instagram e o Facebook incorporaram um modelo semelhante de vídeos curtos, o Reels, e o Instagram chegou a anunciar que o feed, onde o usuário vê os novos conteúdos, seria transformado para priorizar os vídeos. No fim, voltou atrás.

A intenção de desafiar o Google e outras redes está na gênese da ByteDance, dona do TikTok. Seu fundador, Zhang Yiming, afirmou na ocasião do lançamento do app que o objetivo era criar uma empresa sem fronteiras, exatamente como fez o Google. Yiming tem sido bem-sucedido na empreitada. “O principal objetivo do TikTok é se tornar um super-app capaz de tocar em todos os aspectos de nossa vida e assumir o monopólio de nosso tempo”, afirmou a VEJA o jornalista britânico Chris Stokel-Walker, autor de TikTok Boom: um Aplicativo Viciante e a Corrida Chinesa pelo Domínio das Redes Sociais (Editora Intrínseca).

Os próximos passos rumo à dominação já foram dados. Nos últimos dias, a empresa chinesa anunciou o TikTok Now, uma ferramenta para capturar fotos e vídeos sem filtro, com um formato semelhante ao de outra rede social que vem ganhando espaço entre os jovens, a BeReal. O objetivo é reforçar a imagem de autenticidade. Além disso, o Tik­Tok também sinalizou que criará uma plataforma de strea­ming de música para competir com os gigantes do setor, como o Spotify, e vem fazendo testes com jogos on-line.

A crescente ameaça a outras redes tornou o TikTok alvo da ira dos maiores empreendedores do setor de tecnologia, especialmente Mark Zuckerberg. Em outubro de 2019, o fundador do Facebook participou de um jantar privado com o então presidente Donald Trump, e argumentou que as empresas chinesas são uma ameaça aos Estados Unidos. De acordo com o The Wall Street Journal, Zuckerberg repetiu a afirmação em encontros com senadores bem na época em que o Tik­Tok esteve sob escrutínio das agências de segurança americanas, quando quase foi banido.

A revolta faz sentido especialmente quando se olha para o dinheiro investido nas diferentes plataformas. Um relatório da Insider Intelligence, especialista em pesquisas de mercado, mostra que em 2022 o TikTok deverá superar o Facebook em receitas geradas por influenciadores. Serão 775 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos, contra 739 milhões no Facebook. Até 2024, a rede chinesa ultrapassará o YouTube e ficará atrás apenas do Instagram. “No TikTok, os influenciadores vendem entretenimento”, afirma o publicitário Rafael Coca, cofundador da Spark, agência focada em marketing de influência. “Ninguém fica vendo likes ou seguidores, mas sim a capacidade de cada um de engajar os usuários.”

A velocidade dos novos tempos tem feito com que os ciclos de dominação das empresas de tecnologia se tornem cada vez mais curtos. Quando surgiu, o YouTube representou um caminho rápido para o sucesso, com produtores de conteúdo virando celebridades da noite para o dia. A perda da relevância, porém, tem sido igualmente veloz. “Por isso seria fácil imaginar que o sucesso do TikTok teria vida curta”, afirma Chris Stokel-­Walker. “Mas não há nenhum concorrente à vista”. Talvez a empresa que ocupará o lugar do Tik­Tok sequer tenha nascido.

Publicado em VEJA de 28 de setembro de 2022, edição nº 2808

https://veja.abril.com.br/tecnologia/tiktok-substitui-o-google-como-ferramenta-de-busca-entre-os-mais-jovens/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/HOBnTZ1EH6Z0l2lo0PHYf2 (13) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Inteligência artificial que desenha vai sacudir o mundo

Você digita uma frase, e a IA materializa as palavras em imagens

Ronaldo Lemos* – Folha – 23.out.2022 

A tecnologia mais disruptiva da atualidade não é nem o metaverso nem a Web 3. A revolução que está sendo cozinhada para valer —com profundo impacto social, econômico e político— está ocorrendo no campo da inteligência artificial. Trata-se da disseminação das ferramentas de criação chamadas “generativas”.

Elas funcionam da seguinte forma: você digita uma frase descrevendo alguns elementos, e a inteligência artificial, como que por mágica, cria imagens materializando as palavras que você acabou de escrever. Por exemplo, para escrever este artigo, digitei a seguinte frase: “Professor esnobe e estúpido sentado em um cacto comendo cana de açúcar”.

Imagem criada pela inteligência artificial Dall-e

Imagem criada pela inteligência artificial Dall-e – Reprodução

Na mesma hora a inteligência artificial produziu a imagem automaticamente. Representou o “professor esnobe e burro” como um homem de meia-idade com barba e bigode, usando óculos, terno e gravata. Esse professor está sentado sobre um cacto verde com espinhos, enquanto sua mão vai em busca de um galho marrom.

Vale notar que não especifiquei nenhum dos elementos da imagem. Tudo que entrei no sistema foi a frase acima. A inteligência artificial fez todo o resto, materializando com base em seu algoritmos e no seu banco de dados a imagem que melhor representava esses elementos na sua “visão”.

A plataforma que utilizei chama-se Dall-E (uma corruptela de “Dali”, em homenagem ao surrealista catalão). Ela foi desenvolvida pela empresa Open AI, que possui investimentos de pesos-pesados, inclusive a Microsoft. Até há uma semana a plataforma era fechada só para especialistas e convidados.

Há alguns dias ela se tornou pública e já conta com 1,5 milhão de usuários. Não será surpresa se em pouco tempo atingir algumas centenas de milhões.

Essas ferramentas podem gerar questões hoje difíceis de imaginar. A primeira é que democratizam habilidades restritas a grupos específicos. Por exemplo, o número de pessoas capazes de desenhar bem é um contingente delimitado e relativamente pequeno. Com essas ferramentas, a habilidade de desenhar se democratiza. Alguém totalmente inábil passa a conseguir criar imagens satisfatórias usando inteligência artificial.

O segundo ponto é que essa democratização pode desvalorizar o trabalho especializado de quem desenha. Isso reduz empregos, oportunidades e trivializa uma habilidade humana admirável.

Outro problema é o uso dessas plataformas para finalidades maliciosas, incluindo fake news e manipulação social. Nesse sentido, o Dall-e possui salvaguardas. Não permite a criação de imagens violentas, de cunho sexual, difamatório ou baseadas em pessoas comuns ou personalidades políticas.

No entanto, já existem outras plataformas concorrentes que não possuem esses filtros e permitem o uso irrestrito desse tipo de ferramenta para a criação de pornografia, deep fakes ou violência, de modos inconcebíveis. Muitas dessas imagens já começam a inundar a internet e as mídias sociais. Além disso, em breve essas ferramentas poderão ser usadas não apenas para gerar imagens mas também música e filmes autogerados por inteligência artificial.

Tudo isso é sinal de que o mundo está prestes a ser sacudido de novo por uma tecnologia nova, com consequências difíceis de prever.

*Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2022/10/inteligencia-artificial-que-desenha-vai-sacudir-o-mundo.shtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/HOBnTZ1EH6Z0l2lo0PHYf2 (13) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Biden acaba de golpear a indústria de chips da China

Farhad Manjoo – New York Times – 20 de outubro de 2022(Tradução Google Tradutor)

Os semicondutores estão entre as ferramentas mais complexas que os seres humanos já inventaram. Eles também estão entre os mais caros de fazer.

Os chips mais recentes – do tipo que alimenta supercomputadores e smartphones de última geração – são densamente embalados com transistores tão pequenos que são medidos em nanômetros. Talvez as únicas coisas mais engenhosas do que os próprios chips sejam as máquinas usadas para construí-los. Esses dispositivos são capazes de trabalhar em escalas quase inimaginavelmente minúsculas, uma fração do tamanho da maioria dos vírus. Algumas das máquinas de construção de chips levam anos para serem construídas e custam centenas de milhões de dólares cada uma; a empresa holandesa ASML, que fabrica as únicas máquinas de litografia do mundo capazes de inscrever projetos para os chips mais rápidos, produziu apenas 140 desses dispositivos na última década.

O que nos leva a outro detalhe incrível sobre os microchips: eles são um triunfo não apenas da tecnologia, mas também do comércio e da cooperação global. No recém-publicado “Chip War: The Fight for the World’s Most Critical Technology”, Chris Miller, professor de história da Tufts University, descreve a expansão geográfica da cadeia de suprimentos de semicondutores:

Um chip típico pode ser projetado com projetos da empresa japonesa chamada Arm, com sede no Reino Unido, por uma equipe de engenheiros da Califórnia e de Israel, usando software de design dos Estados Unidos. Quando um projeto é concluído, ele é enviado para uma instalação em Taiwan, que compra pastilhas de silício ultrapuro e gases especializados do Japão. O design é esculpido em silício usando algumas das máquinas mais precisas do mundo, que podem gravar, depositar e medir camadas de materiais com alguns átomos de espessura. Essas ferramentas são produzidas principalmente por cinco empresas, uma holandesa, uma japonesa e três californianas, sem as quais os chips avançados são basicamente impossíveis de fabricar. Em seguida, o chip é embalado e testado, geralmente no Sudeste Asiático, antes de ser enviado à China para montagem em um telefone ou computador.

A fragilidade desse processo complicado ficou aparente na escassez de chips induzida pelo Covid no ano passado, que a Casa Branca estimou custar aos Estados Unidos um ponto percentual total da produção econômica, ou centenas de bilhões de dólares. Mas também há algo elegante e até reconfortante na diversidade global do negócio de chips. Tal como acontece com o petróleo, os porta-aviões ou as armas nucleares, a questão de quem controla a indústria de semicondutores tem significado geopolítico. Os chips são ingredientes cruciais não apenas em smartphones e laptops, mas em quase tudo no mundo moderno – incluindo, principalmente, armas, tecnologia de vigilância e sistemas de inteligência artificial. O domínio da indústria nas mãos erradas pode ser desastroso.

É por isso que fiquei tão impressionado com a forma agressiva e criativa que o governo Biden tem feito para reduzir o alarmante esforço de décadas da China para construir uma indústria doméstica de semicondutores independente do resto do mundo. Este mês, o Departamento de Comércio anunciou um conjunto de restrições que impedem a China de obter muito do que precisa para estabelecer uma posição de comando no negócio de chips. O governo disse que as regras visam impedir que “tecnologias sensíveis com aplicações militares” sejam adquiridas pelos serviços militares e de segurança da China. Com poucas exceções, as sanções proíbem a China de comprar os melhores chips americanos e as máquinas para construí-los, e até mesmo de contratar americanos para trabalhar neles. Analistas com quem conversei disseram que as regras vão devastar a indústria doméstica de chips da China, potencialmente atrasando décadas.

A IBM recebeu o presidente Biden em suas instalações em Poughkeepsie, NY, para comemorar o anúncio de um investimento de US$ 20 bilhões em semicondutores, computação quântica e outras tecnologias de ponta no estado.

A IBM recebeu o presidente Biden em suas instalações em Poughkeepsie, NY, para comemorar o anúncio de um investimento de US$ 20 bilhões em semicondutores, computação quântica e outras tecnologias de ponta no estado.

As regras “são um marco histórico absoluto”, disse Gregory Allen, membro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais e ex-diretor da A.I. estratégia do Departamento de Defesa. Em um relatório recente, Allen escreve que as restrições de Biden “iniciam uma nova política dos EUA de estrangular ativamente grandes segmentos da indústria de tecnologia chinesa – estrangular com a intenção de matar”. Considerando as maneiras pelas quais a China pode usar os chips avançados – inclusive na expansão de seu regime distópico de vigilância e repressão com inteligência artificial – o estrangulamento é justificado.

Os semicondutores são um dos poucos setores dos quais a China ainda depende do resto do mundo; o país gasta mais dinheiro importando microchips a cada ano do que petróleo. O governo chinês investiu bilhões de dólares para “indigenizar” a indústria, mas seu progresso tem sido lento. E em algumas das áreas mais avançadas do negócio, os fabricantes chineses de semicondutores estão muito atrás de seus concorrentes internacionais.

Allen diz que, até agora, a maioria das restrições americanas ao acesso da China aos melhores semicondutores visava principalmente os militares chineses. Mas as corporações da China estão intimamente aliadas aos militares da China, permitindo que os militares evitem facilmente as restrições. A nova política deve tornar isso substancialmente mais difícil, pois suas restrições se aplicam a qualquer entidade na China, seja um ramo militar ou uma corporação teoricamente “civil”.

E as regras não impedem apenas a China de comprar tecnologia americana de semicondutores. Por meio da Regra de Produto Direto Estrangeiro, partes dos regulamentos se aplicam a qualquer empresa no mundo que use tecnologia de semicondutores americana. Portanto, se um fabricante de chips não americano concordar em fabricar chips projetados na China, poderá perder o acesso a máquinas americanas de fabricação de chips que não pode obter em nenhum outro lugar.

Finalmente, há as restrições ao pessoal americano. A China está desesperadamente com falta de engenheiros e executivos com experiência no negócio de semicondutores, e muitas de suas empresas do setor empregam americanos em cargos de alto escalão. As novas restrições proíbem todos os “U.S. pessoas” – tanto cidadãos americanos quanto portadores de green card – de continuarem a trabalhar na indústria chinesa de semicondutores. (As regras permitem que as pessoas solicitem isenções à política.)

Como a China pode responder? Uma maneira é fugir das regras. O país há muito tempo é mestre em contornar as sanções, e os microchips são pequenos e potencialmente fáceis de contrabandear. Também não está claro o quão bem o Bureau of Industry and Security, a agência do Departamento de Comércio responsável pelos controles de exportação, será capaz de fazer cumprir as regras. “A lista de tarefas do B.I.S. aumentou enormemente, e seu orçamento não aumentou nada”, disse Allen.

Allen também alertou que não sabemos quão grave é uma provocação que a China pode considerar essas regras. Ele ressaltou que, no período que antecedeu o ataque a Pearl Harbor, foi a recusa dos Estados Unidos em vender petróleo ao Japão Imperial que levou este último a concluir que estava “funcionalmente em guerra” com os Estados Unidos. As regras de semicondutores são mais restritas do que nossas restrições de petróleo no Japão. “Mas a China vai ver dessa forma?” perguntou Allan. “Eu meio que duvido.”

Por outro lado, que escolha têm os Estados Unidos?

“Essas tecnologias serão a base da força econômica nas próximas décadas, e há preocupações significativas sobre como seria o mundo se a China ganhasse vantagem”, Martijn Rasser, membro sênior do Center for a New American Segurança, me disse. “Não seria um mundo em que eu gostaria de viver, e não acho que a maioria dos americanos ou a maioria de nossos amigos e aliados também gostariam de viver nele.”

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/HOBnTZ1EH6Z0l2lo0PHYf2 (13) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Porto Digital terá novo centro tecnológico em Portugal

Iniciativa busca reter fuga de mão de obra qualificada para outros países

Giuliana Miranda – Folha – Lisboa 21.out.2022 

Um dos principais polos de tecnologia do Brasil, o Porto Digital de Recife ganhará um hub de inovação em Aveiro, no centro de Portugal. Além de internacionalizar o projeto, a iniciativa também quer estancar a perda de profissionais qualificados para outros países.

“Portugal nos pareceu o lugar mais claro por vários motivos, sendo o primeiro deles a língua e, depois, porque é a porta da Europa. Nós vimos que era mais fácil entrar para competir no continente europeu, que tem espaço para as empresas de software crescerem, do que ir tentar no mercado dos Estados Unidos, que é muito mais competitivo”, diz Pierre Lucena, presidente do Porto Digital.

A pandemia da Covid-19 impulsionou a digitalização de vários serviços e acelerou ainda mais o crescimento do Porto Digital, que abriga atualmente mais de 350 empresas, organizações de fomento e órgãos de governo. São cerca de 14,7 mil profissionais e empreendedores, com faturamento anual de mais de R$ 3,67 bilhões em 2021.

0

Área de trabalho da startup In Loco Media, instalada no parque tecnológico Porto Digital, no centro histórico do Recife – Bernardo Dantas/Folhapress

Segundo Lucena, a existência de um hub europeu ajudará a contratar talentos que, hoje, não mostram disposição de mudança para Recife, além de atingir em cheio aqueles que se sentem atraídos pela ideia de trabalhar no exterior. “Tem muita gente que quer morar fora, mesmo que seja só por uma temporada. Com o centro em Aveiro, vamos poder atrair esse profissional”, afirma.

Outra vantagem de ter um braço do Porto Digital em Portugal é a possibilidade de acesso aos generosos fundos de inovação concedidos pela União Europeia e outras instituições do velho continente.

“É um ponto muito importante para nossas empresas e nossos centros de pesquisa”, diz o executivo. “O Brasil hoje está sem recurso nenhum para inovação. Esse governo que está aí desmontou todos os que tinham. Não tem mais nada.”

“Tecnologia precisa de recursos iniciais de fundos sem fins lucrativos, porque a inovação tem riscos. Estados Unidos fazem isso, Israel faz isso”, completa o executivo.

A escolha de Aveiro, cidade com cerca de 81 mil habitantes a 75 km de distância do Porto, deveu-se à combinação de boa infraestrutura, de uma universidade com forte componente tecnológico e, principalmente, dos preços mais acessíveis do que nas grandes cidades.

A Câmara Municipal (equivalente à prefeitura) também se comprometeu a apoiar o projeto, fornecendo um prédio para instalar o hub tecnológico, além de facilitar matrículas nas escolas e acesso ao serviço de saúde.

“A ideia é de que as pessoas saiam do Brasil já com tudo acertado. Casa, colégios para os filhos, acesso à saúde. Tudo. É só chegar e começar a trabalhar”, diz o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena.

As autoridades municipais se dizem disponíveis ainda para auxiliar na integração dos novos moradores.

“A Câmara Municipal tem o compromisso de cooperar e de apoiar para que as pessoas tenham o tal ‘soft landing’, a chegada tranquila e facilitada”, diz o prefeito de Aveiro, José Ribau Esteves, do PSD (Partido Social-Democrata), de centro-direita.

Como Portugal tem um visto especial destinado aos profissionais de tecnologia, os trâmites relacionados à emissão do documento devem acontecer sem grandes sobressaltos para os interessados.

Devido à alta demanda, a questão da habitação pode ser mais complicada. Com um setor imobiliário bastante aquecido, várias cidades portuguesas têm enfrentado escassez de imóveis e aumento de preços.

“A oferta de habitação está a crescer, mas temos também um aumento muito forte da procura”, reconhece o prefeito.

“A minha convicção é de que, com o que temos em construção, o aumento da oferta será suficiente para acompanhar o aumento da procura que virá junto com o Porto Digital”, diz Ribau Esteves.

Além dos benefícios econômicos, a chegada dos profissionais brasileiros e de suas famílias pode ajudar nos indicadores demográficos de Portugal, que tem uma população envelhecida e com baixa taxa de natalidade.

A emigração de jovens altamente qualificados também é uma realidade portuguesa, ainda que em menor escala do que há uma década, em plena crise econômica.

Embora o mercado de informática tenha uma remuneração superior à média das outras profissões em Portugal, os salários ainda são mais baixos do que em outros países europeus, como Alemanha, Irlanda e França. Por isso, é comum que profissionais portugueses acabem migrando para outros países.

Na avaliação do prefeito de Aveiro, o Porto Digital é uma iniciativa com “sucesso reconhecido internacionalmente”, e a chegada dos profissionais altamente qualificados deve ajudar a impulsionar o já crescente ecossistema de inovação tecnológica da cidade.

“Estamos a falar de um setor de enorme crescimento em Portugal, no Brasil e em todo mundo. Portanto, os profissionais vão encontrar muitas oportunidades aqui”, avalia Ribau Esteves.

O novo hub também facilitaria o acesso das empresas portuguesas ao mercado brasileiro, através da integração do ecossistema do Porto Digital em Recife.

Além da universidade, onde os estudantes brasileiros formam a maior comunidade estrangeira, a cidade tem também um importante polo de pesquisa em telecomunicações.

A ideia é que o hub comece a funcionar no primeiro semestre de 2023. A data exata, e demais detalhes, devem ser acertados em novembro, quando ocorre uma visita de representantes de Aveiro a Recif

https://www1.folha.uol.com.br/tec/2022/10/porto-digital-tera-novo-centro-tecnologico-em-portugal.shtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/HOBnTZ1EH6Z0l2lo0PHYf2 (13) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Trabalhador ou máquina? As 10 ocupações com maior (e menor) chance de sumir no Brasil

Laís Alegretti Da BBC News Brasil em Londres 23 julho 2022

Mais da metade das ocupações que existem hoje no Brasil podem desaparecer em cerca de duas décadas. Esta é a conclusão de pesquisadores brasileiros que usaram como base um modelo da Universidade de Oxford (Reino Unido) e adaptaram os cálculos para a realidade do mercado de trabalho do Brasil.

Eles calculam que 58,1% dos empregos no país podem desaparecer em cerca de vinte anos devido à automação, considerando as tecnologias já existentes. O estudo avança em relação a outros levantamentos ao incluir os postos de trabalho informal, além daqueles com carteira assinada.

O estudo conclui que trabalhadores no setor informal têm maior chance de ver seus empregos serem substituídos por máquinas do que aqueles com carteira assinada.

A pedido da BBC News Brasil, os pesquisadores vinculados à consultoria IDados e ao ISE Business School levantaram as dez ocupações com maiores chances de serem substituídas por máquinas, além das dez que estão menos “ameaçadas” pelos avanços tecnológicos.

Veja as listas e, em seguida, entenda o que essas ocupações têm em comum e como a previsão para o mercado brasileiro se compara com resultados em outros países.

10 ocupações com maiores probabilidades de automação

Operadores de entrada de dados (digitador) – 99%

Profissionais de nível médio de direito e afins (assistente) – 99%

Agentes de seguros – 99%

Operadores de máquinas para fabricar equipamentos fotográficos – 99%

Vendedores por telefone – 99%

Despachantes aduaneiros – 99%

Contabilistas e guarda livros – 98%

Secretários jurídicos – 98%

Condutores de automóveis, táxis e caminhonetes – 98%

Balconistas e vendedores de lojas – 98%

10 ocupações com menores probabilidades de automação

Dietistas e nutricionistas – 0.4%

Gerentes de hotéis – 0.4%

Especialistas em métodos pedagógicos – 0.4%

Médicos especialistas – 0.4%

Médicos gerais – 0.4%

Fonoaudiólogos e logopedistas – 0.5%

Trabalhadores do sexo – 0.6%

Dirigentes de serviços de bem estar social – 0.7%

Psicólogos – 0.7%

Dirigentes de serviços de educação – 0.7%

Fonte: ISE Business School e Consultoria IDados

Línea

O que essas profissões têm em comum?

As ocupações com maior probabilidade de automação “são muito bem definidas, são coisas que você pode especificar com muita precisão o que tem que ser feito e que não precisam de muito juízo, de muita subjetividade humana para tomar uma decisão”, explica o diretor-presidente da consultoria IDados e professor da ISE Business School, Paulo Rocha e Oliveira, um dos autores do artigo.

Por outro lado, as profissões com menor chance de substituição são aquelas com “muita interação e muita subjetividade humana”, que envolvem “saber lidar com pessoas e resolver situações onde as emoções são muito predominantes”, resume Rocha e Oliveira.

O economista Bruno Ottoni, pesquisador do IDados e do Ibre/FGV e um dos autores do artigo, acrescenta que, além das habilidades socioemocionais, outros dois fatores-chave ajudam a entender se um trabalho está mais ou menos suscetível. Um trabalho com grande exigência de criatividade/originalidade está mais protegido, assim como ocupações que exigem habilidades motoras finas ou são realizadas em ambientes pouco estruturados.

Este último ponto explica, segundo Ottoni, porque trabalhos como de jardineiro e empregada doméstica não estão muito ameaçados pela tecnologia no curto prazo.

“Esses são trabalhos que, apesar de serem, em geral, executados por pessoas com menor grau de qualificação, eles exigem habilidade motora fina e exigem que o trabalhador saiba navegar num ambiente de trabalho muito pouco estruturado – por isso, também estão protegidos, porque a máquina não consegue substituir. Ainda não tem aquela coisa do humanóide, um robô com perna e braço e que vai realmente operar como um ser humano.”

Os critérios usados por eles estão baseados nas probabilidades de automação calculadas pelos pesquisadores Carl Benedikt Frey e Michael Osborne, da Universidade de Oxford – aos quais Rocha e Oliveira se refere como “as maiores autoridades mundiais sobre o assunto”. O trabalho deles foi focado no mercado de trabalho dos Estados Unidos, conforme a BBC News Brasil noticiou em 2014.

Países vizinhos

E como a taxa brasileira de empregos que correm risco de desaparecer se compara a outros países? A proporção brasileira de cerca de 58% está pouco abaixo de taxas encontradas em outras pesquisas para países da América do Sul, como Uruguai (63%), Paraguai (63,7%) e Argentina (64,6%).

“Não apenas o Brasil, mas nossos vizinhos aqui têm que olhar para esse tema com atenção”, diz Ottoni.

Na Europa, estão entre as taxas mais baixas a Suécia e o Reino Unido (47% em ambos) e Irlanda e Holanda (49% em ambos). Mas também há países com probabilidades próximas às do Brasil, como Portugal (59%) e Croácia (58%), segundo dados apresentados no artigo.

Os pesquisadores apontam que a proporção de empregos que podem ser automatizados tende a ser maior nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos, devido à alta proporção de ocupações que exigem pouca qualificação e que são mais facilmente substituídas por máquinas.

Trabalho informal versus formal

No Brasil, até 62% dos empregos informais do país podem desaparecer nas próximas duas décadas, por causa da automação, enquanto a probabilidade é de 55% para os empregos formais, segundo os pesquisadores.

E quem são as pessoas que costumam ocupar os empregos sob maior risco de automação? “Em geral, estamos falando de pessoas com menos escolaridade. E, geralmente, o menor grau de escolaridade está relacionado também a algumas populações mais vulneráveis – o negro em vez do branco, e pessoas das regiões mais pobres do Brasil, Nordeste, Norte”, diz Ottoni.

‘Barreiras’ para o uso de novas tecnologias

Rocha e Oliveira defende que, mais do que pensar em profissões que vão sumir, como um todo, é necessário focar em quais atividades feitas por esses profissionais podem ser feitas por máquinas. Ele diz que é a natureza do trabalho que vai mudar, ao exigir que humanos se concentrem em tarefas que os computadores não podem fazer, como já vem ocorrendo.

“Quando a gente fala que o emprego vai desaparecer, o que a gente está dizendo é que muitas das tarefas que as pessoas hoje desempenham naquele emprego poderão ser substituídas por computadores. Isso quer dizer que as pessoas vão ser substituídas por computadores? Umas sim, outras não.”

Ele também aponta que o fato de existir tecnologia disponível para substituir tarefas hoje produzidas por seres humanos não significa que ela necessariamente será aplicada por todas as empresas.

O consultor lista ao menos três fatores que podem ser considerados barreiras para as empresas: dificuldades de importação de alguns equipamentos por empresas brasileiras; necessidade de treinamento de funcionários para usar a nova tecnologia de forma eficiente; e a competitividade de cada área.

“Se nenhum dos meus competidores for fazer esse investimento hoje, talvez não me convenha fazer. Isso pode levar alguns setores a atrasarem a adoção dessas tecnologias ou, eventualmente, até não adotarem”, diz Rocha e Oliveira, que coordena a criação de um centro do ISE Business School e da consultoria iDados para estudar questões de automação e produtividade nas empresas brasileiras.

‘Apagão de mão de obra’?

Os pesquisadores argumentam, no artigo, que os resultados encontrados não devem criar “pânico”, mas funcionar como “alerta”, ao indicar que novas tecnologias são tecnicamente capazes de substituir grande parte dos empregos brasileiros. Apontam que é “por meio de políticas efetivas” que o Brasil pode “aliviar, ou até mesmo evitar, a perda maciça de empregos devido à automação, nas próximas décadas”.

Ottoni diz que “a sociedade como um todo” deve se preparar para lidar com esse cenário – e cita governo, empresas, terceiro setor, academia e o próprio trabalhador. “Para todos os agentes que mencionei, a gente vai não vai ter como escapar de políticas de retreinamento de mão de obra.”

Especialista em mercado de trabalho, ele diz que as novas tecnologias levarão, ao mesmo tempo, a uma destruição de empregos, mas também à criação de novas vagas. O problema, diz o economista, é que haverá um descasamento entre esses tipos de vagas.

Se não houver profissionais retreinados, diz ele, podemos ter um cenário em que haverá muita vaga de emprego aberta, mas sem ser preenchida – ao mesmo tempo em que haverá muitos desempregados sem conseguir recolocação.

“As próprias empresas, se não se preocuparem em treinar, serão as mais afetadas pelo que a gente pode chamar de apagão de mão de obra”, diz Ottoni.

– Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62223093

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62223093

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/HOBnTZ1EH6Z0l2lo0PHYf2 (13) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Grandes empresas buscam startups para acelerar inovação; confira o ranking

Por Renée Pereira – Estadão – 19/10/2022 

Trabalho mostra as companhias que mais fizeram parcerias entre julho de 2021 e junho deste ano; Ambev e Suzano lideram ranking de negócios com empresas de tecnologia

Enquanto os fundos de Venture Capital reduzem os investimentos nas startups, grandes corporações apostam nas parcerias com as empresas para garantir mais inovação no ambiente interno. Entre julho de 2021 e junho deste ano, o número de companhias que contrataram startups cresceu 30% e o volume de relacionamentos declarados, mais de 60% (42.588). Os negócios somaram R$ 2,7 bilhões em contratos no período, o que coloca o País no topo do modelo de open innovation (inovação aberta) no mundo, segundo dados da 100 Open Startups.

“Enquanto na Europa predomina os programas de P&D e nos Estados Unidos, os Venture Capital, por aqui vemos um avanço expressivo do open innovation com startup”, afirma Bruno Rondani, CEO e fundador da 100 Open Startup. O conceito de inovação aberta surgiu na Universidade de Berkeley (EUA) e consiste numa cultura de maior colaboração e parceria com terceiros para criar soluções inovadoras, ou seja, buscar novas opções fora do ambiente interno da empresa.

Num passado não muito distante, diz Rondani, as empresas eram muito fechadas e o nível de interação, baixo. O desenvolvimento de novos produtos e de soluções vinham de programas de P&D e laboratórios criados dentro das companhias. Com o avanço das startups e o surgimento de unicórnios (empresas que superaram US$ 1 bilhão em valor de mercado), o mercado de open innovation explodiu. “Hoje podemos dizer que não existe em nenhum lugar do mundo um ecossistema com mais de 25 mil startups e 4,4 mil empresas (fazendo negócios).”

Desde 2016, quando o primeiro Ranking 100 Open Corps foi lançado, a intensidade das negociações cresceu 94 vezes, com destaque para os setores de bens de consumo e alimentação, construção e imobiliário e serviços financeiros. O trabalho é baseado na pontuação dada às interações entre empresas e startups.

O resultado de 2022 traz a Ambev na liderança pelo segundo ano consecutivo. “Estamos cada vez mais próximos das startups”, diz o diretor de tecnologia da gigante de bebidas, Eduardo Horai. Segundo ele, a empresa fez 573 interações de negócios com 340 startups, o que representa um crescimento de 65% em relação ao ranking de 2021.

Eduardo Horai, diretor de tecnologia da Ambev

Eduardo Horai, diretor de tecnologia da Ambev 

As parcerias resultaram em diversas soluções para melhorar processos e a relação com a cadeia do setor, seja com clientes ou fornecedores. Horai destaca o lançamento o Bees Bank, uma fintech para atender cerca de 1 milhão de pontos de venda em todo País. Outro negócio importante e a Lemon energia – uma startup que ajuda bares e restaurantes a reduzir a conta de luz e, ao mesmo tempo, consumir energia renovável.

“Isso sem contar o Zé Delivery, que “bombou” durante a pandemia, entregando cerveja gelada a preço acessível em 30 minutos”, diz o executivo. Só no ano passado, o aplicativo chegou a 300 cidades e fez mais de 61 milhões de entregas. Neste ano, já conta com 4 milhões de usuários ativos por mês.

Segundo Horai, apesar de a empresa estar pelo segundo ano consecutivo na liderança, ainda há muito para crescer. “Buscamos soluções, por exemplo, para melhorar a logística, na última milha. São mais de 4 mil motoristas para fazer entregas.”

Maior engajamento com startups

Na avaliação de Bruno Rondani, a Ambev passou por uma transformação cultural nos últimos anos e fez a transição para virar uma empresa de tecnologia. “E ganhou o jogo.” Outra que surpreendeu no ranking deste ano foi a maior produtora de celulose do mundo, a Suzano. A empresa subiu nove posições e ficou em segundo lugar entre as companhias com maior engajamento com startups.

Bruno Rondani, CEO e fundador da 100 Open Startup, diz que não existe em nenhum lugar do mundo um ecossistema com mais de 25 mil startups e 4,4 mil empresas fazendo negócios

Bruno Rondani, CEO e fundador da 100 Open Startup, diz que não existe em nenhum lugar do mundo um ecossistema com mais de 25 mil startups e 4,4 mil empresas fazendo negócios 

Neste ano, foram 369 conexões, 275 startups em pitch day e mais de 75 projetos em andamento, diz o gerente executivo Digital da Suzano, Jefferson Ticianelli. “Acreditamos nesse modelo e tivemos um retorno de R$ 30 milhões.” Antes de qualquer operação, diz ele, há sempre a pergunta: “Temos uma solução para esse problema dentro de casa? Se a resposta é não, vamos procurar fora.”

Mais eficiência

Foi o que ocorreu com uma ferramenta para dar mais eficiência ao processo florestal da empresa. A coleta de ocorrência era feita em planilhas. “Quando olhamos e vimos que isso poderia ser feito por uma startup, fomos atrás e encontramos.” Na área industrial, há processos manuais que estão sendo substituídos por sensores que melhoram a qualidade da informação e dá mais segurança na operação. O objetivo, diz Ticianelli, é desburocratizar o processo. E boa parte desse trabalho tem sido feito em parceria com empresas de tecnologia.

Na Suzano, inovação aberta tem o objetivo de desburocratizar processos

Na Suzano, inovação aberta tem o objetivo de desburocratizar processos Foto: Ricardo Teles

A inovação aberta tem um caminho de forte crescimento no Brasil nos próximos anos. Isso porque, até então, esse era um mundo limitado a grandes corporações e que agora começa a ser descoberto por mais empresas. A velocidade das mudanças tecnológicas tende a ser um dos motores desse movimento.

Nos últimos anos, as empresas entenderam que, se ficassem fechadas em seus ambientes, teriam mais dificuldades para inovar e poderiam perder competitividade diante dos concorrentes. Normalmente, o tempo e o dinheiro gastos dentro dos centros de pesquisa das empresas são maiores quando comparados à exploração do ecossistema de startups.

Ranking 2022

1º) Ambev

2º) Suzano

3º) ArcelorMittal

4º) Raízen

5º) BASF

6º) IBM

7º) Stefanini

Continua após a publicidade

8º) Unimed

9º) Vivo

10º) Bradesco

Ranking 2021

1º) Ambev

2º) ArcelorMittal

3º) BMG

4º) BASF

5º) Nestlé

6º) Stefanini

7º) Natura

8º) Unimed

9º) Raízen

10º) Suzano

https://www.estadao.com.br/economia/grandes-empresas-buscam-startups-para-acelerar-inovacao-confira-o-ranking/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/HOBnTZ1EH6Z0l2lo0PHYf2 (13) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/