A ‘ilusão do conhecimento’ que deixa as pessoas com excesso de confiança

David Robson – BBC WorkLife 25 setembro 2022

Se você se considera razoavelmente inteligente e instruído, talvez acredite que tenha uma boa compreensão das principais formas como o mundo funciona — conhecimento sobre as invenções conhecidas e os fenômenos naturais à nossa volta.

Agora, pense no seguinte: como se forma um arco-íris? Por que os dias de Sol podem ser mais frios que os nublados? Como um helicóptero voa? Como funciona a descarga do vaso sanitário?

Você consegue dar uma resposta detalhada a uma ou mais destas perguntas? Ou você tem apenas uma vaga ideia do que acontece em cada uma destas situações?

Se você for como grande parte das pessoas que participaram de estudos psicológicos sobre este tema, sua primeira impressão pode ser de que se sairia muito bem.

Mas, quando se pede uma resposta detalhada para cada questão, a maioria das pessoas fica totalmente desorientada — como você também pode ter ficado.

Este fenômeno é chamado de “ilusão do conhecimento”. Você pode achar que estes exemplos específicos são triviais — afinal, são o tipo de pergunta que uma criança curiosa pode fazer, e a pior consequência poderia ser ficar com o rosto corado na frente da família.

Mas as ilusões de conhecimento podem prejudicar nosso julgamento em muitos campos. No ambiente de trabalho, por exemplo, podem nos levar a superestimar nosso conhecimento em uma entrevista, menosprezar as contribuições dos nossos colegas e assumir tarefas que somos totalmente incapazes de realizar.

Muitos de nós atravessamos a vida totalmente alheios a essa arrogância intelectual e suas consequências. A boa notícia é que alguns psicólogos indicam que pode haver formas extraordinariamente simples de evitar essa obscura armadilha do pensamento.

A ilusão do conhecimento — também chamada de “ilusão da profundidade de explicação” — foi mencionada pela primeira vez em 2002.

Em uma série de estudos inéditos, os pesquisadores Leonid Rozenblit e Frank Keil, da Universidade Yale, nos Estados Unidos, começaram fornecendo aos participantes exemplos de explicações de fenômenos científicos e mecanismos tecnológicos que foram avaliados em uma escala de 1 (muito vagos) a 7 (muito completos).

Este método permitiu que todos os participantes formassem o mesmo conceito do que significava a compreensão “vaga” ou “completa” de um tema.

Em seguida, veio o teste. Quando confrontados com outras questões técnicas e científicas, os participantes precisavam avaliar o quanto eles achavam que poderiam responder a cada uma delas, usando aquela mesma escala, antes de escrever sua explicação da forma mais detalhada possível.

Rozenblit e Keil descobriram que as avaliações iniciais dos participantes sobre sua própria compreensão eram, muitas vezes, dramaticamente otimistas.

Eles acreditavam que poderiam escrever parágrafos inteiros sobre cada assunto, mas muitas vezes forneciam respostas mínimas — e, depois, muitos ficavam surpresos com o pouco que sabiam sobre os temas questionados.

Os pesquisadores suspeitavam que o excesso de confiança era consequência da capacidade dos participantes de visualizar os conceitos em questão. Não é difícil imaginar o voo de um helicóptero, por exemplo. E a facilidade com que essa imagem vem à mente leva os participantes a sentir mais confiança para explicar a mecânica dos seus movimentos.

Desde este estudo original, diversos psicólogos vêm desvendando ilusões de conhecimento em vários contextos diferentes.

O professor de marketing Matthew Fisher, da Universidade Metodista do Sul, no Texas, Estados Unidos, por exemplo, descobriu que muitos universitários formados superestimam amplamente o alcance da sua formação depois que terminam seus estudos.

Da mesma forma que no primeiro experimento, solicitou-se aos participantes que avaliassem sua compreensão sobre diferentes conceitos antes que fornecessem explicações detalhadas do seu significado.

Mas, desta vez, as questões vieram da matéria que eles próprios haviam estudado anos antes. Uma pessoa formada em Física, por exemplo, precisaria explicar as leis da termodinâmica.

Devido ao desgaste natural das suas memórias, os participantes pareciam ter esquecido muitos detalhes importantes, mas não haviam percebido o quanto de conhecimento haviam perdido — o que os levava a ser excessivamente confiantes nas suas previsões iniciais.

Ao julgarem seu conhecimento, eles acreditavam que detinham o mesmo nível de informação de quando estavam totalmente mergulhados no assunto.

Outras pesquisas demonstraram que a disponibilidade de recursos online pode alimentar nosso excesso de confiança, uma vez que nós confundimos a quantidade de conhecimento disponível na internet com nossas próprias memórias.

Fisher pediu para um grupo de participantes responder perguntas — “como funciona um zíper?”, por exemplo — com o auxílio de uma ferramenta de busca, enquanto outro grupo foi simplesmente solicitado a avaliar sua compreensão do tema sem usar fontes adicionais.

Em seguida, os dois grupos foram submetidos ao teste original de ilusão do conhecimento sobre quatro questões adicionais (“como se formam os tornados?” e “por que as noites nubladas são mais quentes?”, por exemplo).

Fisher concluiu que as pessoas que haviam usado a internet para responder a pergunta inicial demonstraram maior excesso de confiança na tarefa seguinte.

A ilusão da aquisição de habilidades

Mas a consequência mais séria talvez seja que a maioria de nós superestima o quanto aprende observando os demais. Isso resulta na “ilusão da aquisição de habilidades”.

Michael Kardas, que cursa pós-doutorado em administração e marketing na Northwestern University, nos EUA, pediu aos participantes de um estudo para assistirem a vídeos repetidos sobre diversas técnicas, como lançar dardos ou fazer o passo de dança moonwalk, até 20 vezes.

Em seguida, eles precisaram estimar suas habilidades, antes de tentar realizar a tarefa sozinhos. A maioria dos participantes acreditou que a simples observação, ao assistir aos vídeos, os teria ajudado a aprender as técnicas. E, quanto mais eles assistiam, maior era sua confiança inicial.

Mas a realidade foi uma grande decepção.

“As pessoas acreditavam que se sairiam melhor se assistissem ao vídeo 20 vezes, em comparação com assistir apenas uma”, afirma Kardas.

“Mas seu desempenho real não demonstrou nenhuma evidência de aprendizado.”

E, surpreendentemente, a observação passiva pode até aumentar a confiança das pessoas em sua capacidade de realizar tarefas complexas de vida ou morte, como pousar um avião.

Kayla Jordan, estudante de doutorado da Universidade de Waikato, na Nova Zelândia, liderou um estudo inspirado diretamente na pesquisa de Kardas.

“Nós quisemos testar os limites do fenômeno e se ele poderia ser aplicado a técnicas altamente especializadas”, diz Jordan.

Ela explica que pilotar exige centenas de horas de treinamento e profundo conhecimento de física, meteorologia e engenharia, que as pessoas são incapazes de aprender em um vídeo curto.

A primeira instrução para os participantes foi: “Imagine que você está em um avião de pequeno porte. Há uma emergência, o piloto está indisponível, e você é a única pessoa que pode fazer o avião pousar.”

Metade dos participantes assistiu a um vídeo de quatro minutos de um piloto aterrissando um avião, e os demais não viram o vídeo.

Mas o vídeo não mostrava nem sequer o que as mãos do piloto estavam fazendo durante o procedimento — e, portanto, não tinha nenhuma serventia como instrução.

O excesso de confiança no próprio conhecimento pode invadir o ambiente de trabalho e tornar as pessoas mais arrogantes

Mas muitas das pessoas que assistiram ao vídeo ficaram muito mais otimistas sobre sua capacidade de fazer pousar um avião com segurança.

“Elas tinham cerca de 30% mais confiança, em comparação com as pessoas que não assistiram àquele vídeo”, afirma Jordan.

Dilemas da vida real

Essas ilusões de conhecimento podem trazer consequências significativas.

O excesso de confiança no próprio conhecimento pode fazer com que você se prepare menos para uma entrevista ou apresentação, por exemplo, deixando você constrangido quando é pressionado a demonstrar seus conhecimentos.

O excesso de confiança pode ser um problema específico quando você busca uma promoção. Ao observar as pessoas à distância, você pode acreditar que já sabe o que é preciso para o trabalho e que já aprendeu todas as técnicas necessárias.

Mas, ao iniciar o trabalho, você pode descobrir que precisava saber muito mais do que parecia.

A ilusão do conhecimento também pode nos levar a menosprezar nossos colegas. Da mesma forma que confundimos o conhecimento obtido pelo Google com o nosso próprio, podemos não perceber o quanto dependemos do conhecimento e da capacidade das pessoas à nossa volta.

“Ao observar as habilidades e a base de conhecimento dos demais, as pessoas às vezes podem acreditar erroneamente que elas são uma extensão do conhecimento delas próprias”, afirma Jordan.

E, se começarmos a acreditar que o conhecimento dos colegas é nosso, podemos ficar menos dispostos a lembrar e demonstrar gratidão por suas contribuições — uma forma de arrogância muito comum no ambiente de trabalho.

E superestimar nosso conhecimento, esquecendo o apoio que recebemos dos demais, também pode criar sérios problemas quando tentarmos seguir sozinhos, com um projeto solo.

O que as pessoas podem fazer para evitar essas armadilhas? Uma solução é simples: teste a si próprio.

Se você estiver avaliando sua capacidade de realizar uma tarefa que não é familiar, por exemplo, não confie apenas em uma ideia vaga e resumida do que essa tarefa envolveria. Em vez disso, analise com mais tempo e cuidado as etapas que você precisaria realizar para atingir esse objetivo.

Você pode concluir que há enormes lacunas de conhecimento que você precisará preencher antes de começar o trabalho. E, ainda melhor, você pode consultar um especialista no tema e perguntar o que ele está fazendo — uma conversa que servirá para analisar qualquer pressuposto arrogante de sua parte.

Como as muletas tecnológicas têm o potencial de amplificar a confiança no seu conhecimento, você também pode verificar seus hábitos online. Fisher sugere que você faça uma breve pausa e tente ao máximo se lembrar de um fato antes de recorrer a uma busca na internet. Ao reconhecer conscientemente que “deu branco”, você pode começar a avaliar de forma mais realista a sua memória e os seus limites.

“É preciso ter a disposição de se sentir desorientado”, diz ele.

“Você precisa sentir sua ignorância, o que pode ser desconfortável.”

O objetivo de tudo isso é cultivar um pouco mais de humildade — uma das “virtudes intelectuais” clássicas celebradas pelos filósofos.

Ao reconhecer nossas ilusões de conhecimento e admitir os limites da nossa compreensão, todos nós podemos evitar as inconvenientes armadilhas do pensamento. E podemos pensar e tomar decisões com mais sabedoria.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Worklife.

– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-62985145

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Como o 5G impulsiona a personalização da experiência

O 5G já é uma realidade e trará respostas mais rápidas a empresas e clientes, proporcionando um relacionamento mais personalizado e ágil

Silvio Dantas, Christye Cantero e Daniela Santos – MIT Sloan Review 06 de Outubro 2022

Artigo Como o 5G impulsiona a personalização da experiência

Numa entrevista à Capgemini Consulting em 2014, Tim O’Reilly, um dos nomes mais respeitados da mídia especializada em tecnologia, disse que, se fosse investir US$ 1 milhão em empresas de tecnologia, investiria em sensores leves de baixo custo, drones, tecnologias auto quantificáveis, interfaces móveis, TI para serviços governamentais e TI corporativa. Muito disso diz respeito à experiência do cliente B2C e B2B, e depende da qualidade de conexão, o que muda radicalmente com o 5G.

No Brasil, a rede de quinta geração de telefonia móvel foi implantada, inicialmente, em Brasília no dia 6 de julho. A previsão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é que a nova tecnologia esteja disponível em 15 capitais brasileiras até o dia 27 de novembro de 2022. De acordo com a Anatel, o 5G trará mudanças mais profundas para aplicações industriais e de automação do que para usuários de smartphones. “Esses usuários terão à disposição taxas de transmissão média e de pico muito superiores ao 4G, mas a grande inovação da quinta geração será em aplicações comerciais, como carros autônomos, cirurgias remotas, sensores em parque industrial, entre outras”, informa a agência. Regiane Relva Romano, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), da Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), e da Fundação Dom Cabral (FDC), comenta que com a rede de quinta geração “todos os processos industriais, logísticos e comerciais podem ser automatizados e passam a contar com mais agilidade em toda a cadeia de suprimentos, reduzindo os tempos de entrega, expedição, recebimento, prevenção de perdas, inventário, entre outros”.

Rumo à personalização

Depois da pandemia de covid-19, o e-commerce teve um boom e as pessoas mudaram a forma de se relacionar com as empresas. Ao mesmo tempo em que querem agilidade e eficiência no atendimento, os consumidores querem ser reconhecidos, independente do canal pelo qual entram em contato com as companhias, e isso exige estratégia de dados, que será beneficiada com a chegada do 5G.

Silvio Dantas, diretor de inovação e transformação digital da Capgemini na América Latina, aponta que há algumas tendências interessantes sob a ótica de experiência, principalmente com a difusão da WEB3, mais especificamente metaverso. “Primeiro que, para navegar no mundo 3D, seja via browser, mobile ou óculos de realidade aumentada, é preciso uma boa internet para que a experiência seja fluida e agradável. E quando o avatar do cliente está neste ambiente e começa a interagir com a empresa, o volume de dados gerado é gigantesco, não só para manter este espaço funcionando, mas para que a empresa o reconheça, o coloque neste contexto e responda às suas solicitações em tempo real”, diz.

Nesse sentido, o executivo comenta que tem visto uma grande preocupação das empresas em trabalhar os dados e testar novas tecnologias, como o metaverso, para que possam começar a desenhar soluções e pensar em use cases relevantes para seus clientes. “O 5G permite descentralizar o processamento local e distribuí-lo para uma ou mais redes descentralizadas (Cloud). Isso exige menor capacidade de processamento local para garantir a miniaturização dos devices e aumento de devices conectados no metaverso, fazendo com que todos os dados gerem contexto e proporcionem uma experiências imersivas e personalizadas”.

E quando se fala em aprimorar a experiência, isso vai além das relações de consumo. Um exemplo do que está por vir é a transposição dos edifícios físicos das companhias para prédios no metaverso. Com o modelo híbrido tornando-se realidade, as grandes empresas tendem a diminuir os custos com as instalações físicas. Uma das soluções seria proporcionar aos colaboradores a experiência de estar próximo aos colegas, mas de maneira digital com uso de realidade virtual. “Uma empresa com 20 mil funcionários precisa ter inúmeras salas de reunião, sem contar a logística para participar dos encontros. Há companhias pensando em criar salas de reuniões virtuais, e isso não significa apenas ter uma plataforma. Este ambiente pode representar a sede da empresa e transpor as leis da física para ser mais divertido, já que permite ter a liberdade para criar e tornar a experiência diferenciada. O trabalho que vejo não é só inovação de criar produtos e serviços novos, mas também proporcionar experiências marcantes para os colaboradores”, ressalta. A Capgemini, por exemplo, criou o Metacafé, espaço utilizado tanto para que os executivos falem com seus clientes como também troquem ideias com suas equipes.

Além do metaverso, o 5G também tem pontos interessantes relacionados à internet das coisas (IoT). A professora Romano acredita que as soluções relacionadas à IoT, viabilizadas pelo 5G, permitirão aos gestores a recepção de informações precisas, que suportem a tomada de decisões, melhorando todo o fluxo de negócios. Dantas aponta que a rede de quinta geração é a grande habilitadora para os carros conectados, cidades inteligentes e para impulsionar a quarta revolução industrial com tecnologia e inteligência nas linhas de produção, cidades inteligentes, saúde, conectividade. “Temos visto muitos clientes trabalhando com realidade aumentada, mista e o IoT habilita uma experiência cada vez mais integrada com 5G”, comenta.

Segundo ele, em dois anos as empresas e os provedores de serviços devem ter evoluído em termos de infraestrutura e todos darão um grande salto em relação à modernização. “Vale lembrar que a China já está trabalhando com 6G, que tem latência zero. O 5G é um passo intermediário importante em termos de infraestrutura para se chegar ao tempo de resposta imediata, sem latência. O 5G não é a salvação do mundo. Ele é uma realidade que está acontecendo e a evolução será gradativa, trazendo novas possibilidades de experiências para os usuários”, aponta.

É da China também que vem os principais cases de live shopping, que permite aos consumidores comprarem produtos em tempo real e interagir com as empresas de forma personalizada. “Lá há exemplos fantásticos de influencers que têm vendido mais em um dia do que marcas famosas em um mês. A tecnologia habilitadora disso é um telefone celular com internet rápida e milhares de pessoas conectadas, e sistemas legados preparados para lidar com grande volume de dados e de demanda. É neste ponto de preparação que temos de chegar: avaliar os sistemas legados, revisar e preparar o sistema em nuvem para se integrar com as soluções e oferecer tempo de resposta imediato, plataforma em API e workplace sem fio em múltiplos canais onde a experiência seja contínua e complementar, sendo possível começar em um canal e terminar em outro sendo reconhecido em todos os pontos.”, analisa.

Da estratégia à implementação

As questões relacionadas aos próximos passos que as empresas precisam dar para oferecer uma experiência cada vez melhor ao cliente envolvem nuvem, segurança cibernética, metaverso, análise de dados, e sistemas de CRM conectados. Segundo Dantas, esses são pontos extremamente importantes quando se fala de experiência aprimorada com rede inteligente, orquestração de serviços de voz, e computação de forma inteligente e automatizada com back office automatizado e low code nas soluções, empoderando as áreas de negócios. “A combinação da grande largura de banda e velocidade de processamento permitirá a implementação de aplicativos sensíveis a essa latência, sem deixar de lado as questões da segurança. Vale reforçar a necessidade da resiliência de rede para serviços essenciais com garantias de transações seguras”, ressalta.

Para proporcionar aos clientes sair do planejamento e experimentar novos modelos de negócios, a Capgemini criou o 5G Labs, disponível em alguns países da Europa, Ásia e nos Estados Unidos. O laboratório oferece workshops e avalia use cases e seus respectivos impactos nas corporações. As empresas que passam pelo laboratório saem de lá com desenho de jornadas, protótipos e um roteiro de arquitetura de rede de ponta a ponta, ou seja, um plano de solução técnica que funcione tanto para captar os dados dos clientes como também um guia de como se preparar para as novas tecnologias. Apesar do 5G Labs não estar presente no Brasil ainda, é possível que os clientes usem toda a infraestrutura disponível tanto remotamente como também visitando os locais para testar novas tecnologias. Assim as empresas vão aprimorando suas estratégias para personalizar cada vez mais a experiência de seus clientes e consumidores.

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Autoria

Silvio Dantas, Christye Cantero e Daniela Santos

Christye Cantero é editora de conteúdos cobranded da MIT Sloan Review Brasil. Daniela Santos é colaboradora da MIT Sloan Review Brasil. Sílvio Dantas é diretor de inovação e transformação digital da Capgemini na América Latina.

https://mitsloanreview.com.br/post/como-o-5g-impulsiona-a-personalizacao-da-experiencia

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Hidrogênio verde promove descarbonização da indústria, diz Bomtempo da CNI

Combustível é considerado peça central para a transição para uma economia de baixo carbono

Por Bússola/Exame 04/10/2022 

Às vésperas da COP27, a conferência anual do clima da ONU, que acontece em novembro, no Egito, multiplica-se o uso de expressões como “economia de baixo carbono”, “descarbonização”, “hidrogênio verde” ou “transição energética”. Em entrevista à Bússola, o gerente executivo de meio ambiente e sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Davi Bomtempo, explica de forma didática cada um desses termos, fala sobre como o Brasil está se organizando rumo a uma transição para uma economia de baixo carbono e como a produção de hidrogênio sustentável pode ajudar o país e o mundo a cumprir metas de redução de emissões assumidas. 

Bússola: Você poderia começar explicando o que é uma economia de baixo carbono? 

Davi Bomtempo: A economia de baixo carbono, em poucas palavras, é o país manter um determinado nível de produção e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões de gases de efeito estufa [GEE]. Alguns países, regiões e mesmo empresas já ambicionam a neutralidade climática a longo prazo, mas precisamos, até 2030, reduzir e compensar as emissões, de forma a cumprir as metas climáticas. Isso já nos traria enormes benefícios. 

Como essas reduções podem ser alcançadas? 

Isso pode ser alcançado por meio de pilares que podem ser implementados. É possível trabalhar a transição energética, ou seja, trabalhar com combustíveis mais sustentáveis, combustíveis mais limpos; trabalhar projetos de eficiência energética e de biocombustíveis; investir em energias renováveis, como eólica, solar e biomassa. São caminhos que as empresas vêm utilizando para reduzir cada vez mais suas emissões. 

A indústria apresentou sua estratégia para uma economia de baixo carbono, em 2021, apoiada em quatro pilares. O pilar da transição energética versa sobre a necessidade de utilizarmos combustíveis que emitem menos carbono em sua cadeia de produção; de apoiarmos projetos de eficiência energética para as plantas industriais energointensivas; e de investirmos em fontes renováveis como a eólica, solar e biomassa, e em novas tecnologias como a do hidrogênio e da captura e armazenamento de carbono (CCS).  

Como a indústria está inserida nessa discussão, inclusive em âmbito internacional? 

A indústria já investe em sustentabilidade há bastante tempo, pois sabe que, incorporada à sua estratégia, a sustentabilidade traz uma vantagem competitiva se comparada ao mercado internacional. Além disso, a indústria hoje precisa atender não só um arcabouço nacional e internacional, mas também atender o desejo do próprio consumidor, que hoje quer saber como as empresas vêm produzindo, ou seja, a quantidade de emissões, se há um programa de eficiência energética, um programa de eficiência hídrica, se trabalha com gestão de resíduos e se contempla também um cuidado com a sociedade que está ao redor da sua planta. Enfim, todas essas variáveis são consideradas na hora da escolha e como fator de competitividade na inserção da empresa brasileira no contexto internacional. 

A indústria já está fazendo sua parte? 

Com certeza. A indústria já identificou o desafio da transição para uma economia de baixo carbono como uma oportunidade para ampliar sua participação no mercado internacional, com produtos de valor ambiental agregado. A indústria analisa seu gasto com energia elétrica e térmica, identifica oportunidades de substituição ou aprimoramento da linha de produção com uso de menos recursos, trazendo o conceito de circularidade para a linha de produção e para a cadeia de fornecedores. Isso significa tratar o resíduo como um recurso para produção na mesma cadeia de valor ou em outras. 

A indústria é parte da solução para alcançar a economia de baixo carbono? 

Certamente a indústria vem fazendo a sua parte. Atualmente a participação da indústria em investimentos em pesquisa e desenvolvimento é de quase 70%. No entanto,  para que possamos cumprir metas nacionais e regionais de redução das emissões de gases de efeito estufa, de forma mais estruturada e fortalecida, precisamos também de alinhamento e coordenação com outros atores, como a sociedade e o governo. 

O que é o hidrogênio sustentável e por que se tem falado tanto nele? 

A CNI está atenta à produção de hidrogênio de diversas fontes energéticas. O hidrogênio sustentável para a indústria abarca não somente o produzido a partir das energias renováveis, como também do gás natural com acoplamento da tecnologia de armazenamento e captura de carbono [CCS], para redução das emissões de carbono. 

O hidrogênio verde é produzido particularmente a partir das fontes eólica e solar. Há também o hidrogênio produzido a partir da biomassa ou biocombustíveis, classificado como hidrogênio verde musgo. O Brasil tem grande potencial de produção desse combustível, seja para consumo no mercado doméstico ou para exportação. Aliás a vantagem competitividade do Brasil para produção de hidrogênio tem colocado o país em posição estratégica nos planos de descarbonização de países europeus. 

A CNI publicou recentemente um estudo sobre o hidrogênio sustentável. Qual é o seu papel na descarbonização? 

O hidrogênio sustentável está inserido na estratégia de descarbonização de vários países que se comprometeram com metas de redução das emissões de gases de efeito estufa por meio de acordos internacionais. Dado o avanço célere do processo de desenvolvimento da indústria de hidrogênio sustentável, são significativas as oportunidades para a indústria brasileira promover a descarbonização de seus processos e a CNI pode ter um papel catalisador no engajamento da indústria para a descarbonização via hidrogênio.  

Desde 2021, foram anunciados 131 novos projetos de larga escala em hidrogênio, com investimentos previstos de cerca de US$ 500 bilhões até 2030. Esse montante é somente inicial. O Brasil tem potencial para receber ainda mais investimentos nessa área, gerando renda, empregos e ativando a economia das regiões próximas. O hidrogênio tem o potencial de colocar o Brasil como um dos grandes players nessa agenda e promover o desenvolvimento regional. 

Como esse estudo da CNI vai ajudar o Brasil a avançar nessa agenda? 

É o primeiro estudo a identificar oportunidades de negócios envolvendo o hidrogênio sustentável. Ele faz um mapeamento e estabelece algumas diretrizes para que possamos desenvolver essa agenda num nível doméstico, ou seja, para que possamos trabalhar todo um arcabouço regulatório para pavimentar o caminho para que o empresário brasileiro desenvolva o seu trabalho, implemente o seu empreendimento com segurança jurídica. 

Como o hidrogênio sustentável pode ajudar o Brasil a alcançar essas metas de redução de emissões? 

O hidrogênio sustentável é um pilar central, ele é uma agenda de muita importância para a economia brasileira. Do lado da oferta, o país dispõe de variados recursos renováveis [energia eólica, solar, etanol e hidráulica] para produção de hidrogênio, tanto via eletrólise quanto via reforma a vapor de gás natural, podendo ambas as rotas serem usadas para impulsionar seu desenvolvimento industrial. 

Ao lado da demanda, a posição geográfica e a dimensão continental do Brasil ampliam as possibilidades de o hidrogênio ser explorado tanto no mercado interno — na cadeia industrial e de transporte — quanto no externo, por meio de exportações especialmente à Europa. Portanto, parece bastante oportuno que o Brasil aproveite a conjunção desses fatores e passe também a promover políticas e estratégias de desenvolvimento da cadeia do hidrogênio sob o prisma da descarbonização da indústria nacional, das mudanças climáticas, da segurança energética, do crescimento econômico e dos benefícios ambientais e sociais associados a menores níveis de emissão de GEE. 

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Três perguntas de ESG para Feliciano Almeida, da Michelin 

https://exame.com/bussola/hidrogenio-verde-promove-descarbonizacao-da-industria-diz-bomtempo-da-cni/

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Musk promete criar X, ‘o aplicativo de tudo’. Como será? Bem parecido com o chinês WeChat

Com base em comentários do bilionário, ferramenta seguiria os moldes do app usado por milhares de chineses para agendar passeios, fazer reserva em restaurantes e pedir um carro

TOPO

Por OGlobo/Bloomberg — Nova York 05/10/2022 

O bilionário Elon Musk voltou à carga nesta quarta-feira ao afirmar que a compra do Twitter pode ser um propulsor para a criação do ‘X, o aplicativo de tudo’. Com base nos comentários anteriores do homem mais rico do mundo, esse serviço pode se parecer muito com o superaplicativo chinês WeChat.

Na terça-feira, Musk recuou e está propondo comprar o Twitter pelo preço original de US$ 54,20 por ação, o equivalente a US$ 44 bilhões. A proposta de Musk representa uma reviravolta no caso da aquisição da plataforma. O bilionário havia desistido da compra, o que levou o Twitter a entrar na Justiça para que o dono da Tesla cumprisse o acordo.

Musk não forneceu muitos detalhes além de postar um tuíte de uma linha. Mas sabe-se que o dono da Tesla admira abertamente o aplicativo da Tencent, que cresceu de um serviço de mensagens para uma ‘miniinternet’ usada diariamente por mais de um bilhão de chineses.

Musk refletiu em voz alta sobre como tornar o Twitter mais útil, indicando que quer que a plataforma seja mais parecida com WeChat e TikTok, o serviço de compartilhamento de vídeo de propriedade da também chinesa ByteDance que está decolando nos Estados Unidos.

Também traçou paralelos com os chamados superaplicativos comuns em partes da Ásia, permitindo que as pessoas usem um único aplicativo de smartphone para uma série de serviços, desde comunicações até chamar um carro.

Na reunião anual de acionistas da Tesla, em agosto, Musk enfatizou que usa muito o Twitter e que tem ideias sobre maneiras de tornar a plataforma “radicalmente melhor”. Ele comparou suas ambições para o Twitter com a visão que tinha para a X, uma empresa de serviços financeiros que ele cofundou em 1999.

Há uma coisa, porém, que Musk – um defensor das liberdades na internet – provavelmente não se deu conta. O WeChat é fortemente monitorado e censurado: exércitos de Inteligência Artificial e moderadores humanos ajudam a garantir a limpeza do conteúdo que o Partido Comunista considera indesejável: desde posts obscenos a dissidências e críticas ao governo chinês.

5 coisas sobre o WeChat que podem servir de modelo para Musk

  • É muito mais do que uma rede social: É um verdadeiro superaplicativo. Centenas de milhões de pessoas usam o WeChat diariamente para reservar passeios, fazer reservas em restaurantes, pedir comida. Isso é possível por meio de uma rede vibrante de “miniprogramas” ou aplicativos leves que se conectam diretamente à interface do WeChat.
  • O WeChat é uma fintech gigante: É uma das maiores redes de pagamentos e finanças on-line da China. Os usuários enviam dinheiro uns aos outros, pagam por bens e serviços e até pedem dinheiro emprestado.
  • É um dos portais de notícias e entretenimento mais populares do país. Como nos EUA, muitos usuários mais jovens recebem cada vez mais notícias por meio de seus feeds de mídia social, ainda mais na China.
  • As empresas também usam o aplicativo. A economia dos miniprogramas do WeChat vale cerca de US$ 240 bilhões e cresceu cerca de 12,5% para 450 milhões de usuários em 2021.
  • Resumindo: o WeChat funciona como um serviço completo – combinando o uso de aplicativos como Facebook, Twitter, Uber, Instagram e Substack.

https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2022/10/musk-promete-criar-x-o-aplicativo-de-tudo-como-sera-bem-parecido-com-o-chines-wechat.ghtml

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Não existe mais um “chefe” vigiando o trabalho, mas sistemas mais sofisticados de controle

O colunista Claudio Garcia avalia que, enquanto as pessoas celebravam a possibilidade de ter mais flexibilidade no pós-pandemia, acabaram ganhando mais controles

Cláudio Garcia – Valor – 08/09/2022 

Traços de cultura em organizações geralmente levam tempo para mudar. Alguns deles são parte de crenças tão profundas, quase impossíveis de serem transformadas. No início da minha experiência profissional, não era incomum que ficássemos na empresa até que o “chefe” saísse. Se ele ou ela ficava até meia-noite, saíamos algum tempo depois, para ter certeza de que tinha dado tempo dele ou dela ter saído do estacionamento.

“Face time”, em outras palavras: parecer que se está produzindo algo mesmo sem necessidade, é um problema antigo. Aliás, é uma prática tão arraigada na cultura corporativa que, ao longo do tempo, passou a influenciar diretamente em bônus e promoções, às vezes mais do que a performance.

Muitos anos depois, fomos abalados por uma pandemia – e pela necessidade de manter o nível de produtividade mesmo fora do escritório. A adesão ao remoto e híbrido aceleraram. A mensagem de muitos artigos no início era a de que “líderes precisavam repensar abordagens de gestão”, e que “a confiança deveria estar no centro”.

    Mas, sendo repetitivo, alguns traços de cultura são difíceis de mudar. E, sutilmente, se adaptam a novos contextos. Enquanto as pessoas celebravam a possibilidade de ter mais flexibilidade, acabaram ganhando mais controles.

Uma recente reportagem do “The New York Times” mostra como organizações aceleraram a adoção de ferramentas de produtividade na pandemia. Essas ferramentas são utilizadas para registrar e ranquear o quanto as pessoas ficam em frente a um computador ou dedicadas a uma tarefa.

A tendência já vinha de antes. Um caso bastante noticiado foi o da Amazon, que utilizava algoritmos para tomar decisões sobre profissionais em seus armazéns. O tema provocou reações dos trabalhadores que chegavam a ser demitidos sem que a empresa soubesse o que tinha gerado redução de produtividade.

A reportagem do “The New York Times” cita, ainda, quão limitados são esses sistemas para mensurar atividades relacionais ou de reflexão, tão necessárias para profissões do conhecimento. Esses sistemas não computam como produtivas horas de mentoria e aprendizado, ou um atendimento mais longo a um paciente idoso. Pessoas se adaptam também: são comuns os relatos de quem mantém o status “disponível” em aplicativos enquanto estão jantando, ou até aquelas que movimentam o mouse para registrar que estão presentes.

Mesmo com o retorno ao escritório, a adoção dessas ferramentas continua crescendo, e rapidamente estão sendo utilizadas por áreas que não são possíveis de migrar para o trabalho remoto (que, por sinal, é a grande maioria).

    Observamos um intenso experimento de terceirização do “face time”: não existe mais um “chefe” vigiando colaboradores, mas sim, sistemas.

Como essa coluna já comentou em artigos passados, tecnologias são apenas reflexos dos nossos modelos mentais – com a diferença de terem o poder exponencial de acelerar efeitos nocivos. Não à toa essas ferramentas estão diretamente associados aos crescentes casos de burnout, ansiedade e depressão no ambiente de trabalho. Ironicamente, empresas nunca contrataram tanto serviços e consultorias para promover saúde mental e bem-estar. Essa conta simplesmente não fecha.

Confiança é um componente essencial para promover bem-estar e progresso sustentável. Considerando as exceções, confiança é ainda uma oportunidade a ser melhor explorada em organizações.  Confiar que alguém será responsável o suficiente para realizar o seu trabalho parece ser uma mudança grande demais para acontecer. No mínimo é algo para refletir.

Claudio Garcia é professor adjunto de gestão global na Universidade de Nova York

https://valor.globo.com/carreira/coluna/nao-existe-mais-um-chefe-vigiando-mas-sistemas.ghtml

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Semana de 4 dias de trabalho. O que os funcionários fazem nas horas ‘vagas’?

Pesquisa do Boston College investigou hábitos em 180 empresas. E as respostas foram surpreendentes

TOPO

Por O Globo/Bloomberg — Boston – 01/10/2022 

Escritório vazio: Escritório vazio: Bloomberg

Quando a empresa permite que os funcionários reduzam sua semana de trabalho de cinco para quatro dias, o que eles fazem no seu novo tempo livre surpreende: as horas vagas são aproveitadas para dormir.

Os trabalhadores que passaram a trabalhar 32 horas semanais registraram 7,58 horas por noite de sono, quase uma hora inteira a mais do que quando mantinham 40 horas semanais de trabalho, de acordo com a pesquisadora Juliet Schor, socióloga e economista do Boston College, que está monitorando mais de 180 organizações em todo o mundo à medida que mudam para jornada encurtada por meio de programas-piloto de seis meses.

Em outras palavras: eles passaram quase sete de suas oito horas recuperadas por semana cochilando, em vez de mandar mensagens ou socializar com amigos.

– Não fiquei surpresa que as pessoas estejam dormindo um pouco mais, mas me surpreendi com o quão robustas foram as mudanças – disse Juliet.

O percentual de pessoas consideradas privadas de sono, com menos de sete horas por noite, caiu de 42,6% para 14,5% nas jornadas de trabalho de quatro dias.

As pesquisas de Juliet com 304 trabalhadores em 16 empresas (três com sede nos EUA, uma na Austrália e 12 na Irlanda) rastreiam um conjunto de testes globais de seis meses realizados por uma organização sem fins lucrativos chamada 4 Day Week Global, que levaram as empresas em todos os setores a repensar como, onde e quando o trabalho é feito.

O conceito de semanas de trabalho reduzidas está ganhando força desde que a pandemia alterou os horários e deu a muitos trabalhadores um vislumbre de como a flexibilidade poderia melhorar suas vidas.

Enquanto chefes mais exigentes, de Elon Musk, da Tesla, a Jamie Dimon, do JPMorgan Chase & Co, estão pressionando para que os funcionários retornem aos horários pré-pandemia, outras vozes de peso estão endossando semanas de trabalho mais curtas.

O quarterback do Tampa Bay Buccaneers, Tom Brady, marido da supermodel brasileira Gisele Bündchen, e Adam Aron, executivo-chefe da AMC Entertainment Holdings, são exemplo, e, recentemente, se manifestaram a favor de mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Nem todas as empresas que iniciam esses testes de quatro dias os concluem. Aproximadamente um em cada cinco empregadores acabam desistindo, a maioria durante a fase de pré-planejamento. Os executivos que realizaram os pilotos dizem que enfrentam o duplo desafio de superar as normas de cinco dias da equipe e da indústria, juntamente com a tarefa complicada de remover o trabalho desnecessário para obter a mesma produção em quatro dias.

Para aqueles que o optam pela semana de trabalho mais curta, o enorme ganho de sono pode parecer contraprodutivo. Será que é por que os funcionários que tiram folga às sextas-feiras acabam dormindo uma hora extra todas as noites da semana em vez de desfrutar de hobbies, família e socialização?

Christopher Barnes, professor de administração da Michael G. Foster School of Business, da Universidade de Washington, afirma que os horários de quatro dias diminuem as restrições de tempo em geral, reduzindo a necessidade de enviar um e-mail ou dobrar a roupa às 22h.

– As pessoas não são apenas funcionários e dorminhocos. Também somos membros da família e cônjuges e membros da comunidade e pais, e se não alocarmos tempo para cada uma dessas funções, as coisas se acumulam – disse Barnes.

Outros estudos mostraram uma conexão entre o sono e as horas de trabalho, especialmente em empregos propensos a longas horas.

– O sono e o trabalho estão em competição um com o outro . E quando você troca o sono pelo trabalho, é problemático. Você sacrifica sua saúde e tem resultados ruins no trabalho – acrescenta Barnes.

Segundo ele, as consequências do sono baixo incluem comportamento antiético, menor envolvimento no trabalho, comportamento menos útil em relação aos colegas, tendências de liderança mais abusivas e agressivas.

Equilíbrio trabalho-família

Os dados preliminares deJuliet Schor mostram que os trabalhadores em jornadas de quatro dias que participaram do estudo viram melhorias em uma variedade de medidas de bem-estar e produtividade, como satisfação com a vida e equilíbrio trabalho-família. Ela disse que esses resultados podem estar correlacionados com o tempo adicional gasto dormindo.

Clete Kushida, professora de medicina do sono da Universidade de Stanford, disse que aumentar o sono noturno provavelmente deve ajudar os trabalhadores a ver uma combinação de melhora do humor, memória e foco aprimorados de curto prazo, habilidades de funções executivas mais altas e menos comportamento de risco.

– Mais sono é sempre bom. As melhorias variam de pessoa para pessoa, mas o maior efeito seria o estado de alerta ao longo do dia – acrescentou a professora da Universidade de Stanford.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2022/10/semana-de-4-dias-de-trabalho-o-que-os-funcionarios-fazem-nas-horas-vagas.ghtml

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Como proteger o cérebro da tecnologia?

Hoje há cinco pilares aceitos para os neurodireitos

Ronaldo Lemos 2.out.2022 Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

Existe um novo campo de batalha para o avanço da tecnologia. Trata-se do cérebro humano. Desde 2010 tem havido uma virada neural na forma como as aplicações tecnológicas se desenvolvem. A atenção tornou-se um recurso precioso e escasso. Se você a dedica para uma coisa, deixa de dedicar a outra. Por isso a competição por atenção hoje é brutal. Filmes, TV, streaming, vídeos curtos, redes sociais, games e aplicativos, todos competem por nossa atenção. Para ganhá-la, está se tornando necessário adentrar nas preferências cerebrais mais profundas, inclusive inconscientes. 

Neurônio piramidal digitalizado na plataforma Neuroglancer. Cientistas lançam mapa interativo do cérebro humano que permite ‘viagem’ pelo órgão. Plataforma interativa criada por pesquisadores do Google e da Universidade Harvard mostra detalhes do sistema nervoso – Google/Lichtman Laboratory-8.jun.2021/Divulgação 

É nesse contexto que surgiu o debate global sobre neurodireitos. Como o nome indica, trata-se do esforço de construir limites para o quanto a tecnologia pode adentrar o cérebro humano para extrair dados e preferências, ou mesmo para influenciar e modular o funcionamento neural. A origem dos neurodireitos é a constatação de que as neurotecnologias estão sendo aplicadas aqui e agora, não são mais só da ficção científica. 

Por exemplo, em 2014 o professor da universidade de Berkeley, Jack Gallant, conseguiu com seu time criar algoritmos que decodificam em tempo real o que o cérebro humano está vendo. Sua equipe exibiu vídeos para pessoas dentro de um equipamento de ressonância magnética. Com os dados captados conseguiu reconstruir com surpreendente sucesso as imagens em movimento que estavam sendo vistas. 

A questão é entender os limites das neurotecnologias. No caso de Gallant, o equipamento usado é caro e pesado (ressonância). No entanto, hoje todos nós carregamos no bolso um dispositivo tecnológico íntimo, com o qual convivemos o tempo todo: nossos celulares. Em que medida o uso de algoritmos e inteligência artificial é capaz de modelar nossas reações cerebrais mais profundas, inconscientes até? Seja pelo deslocamento do olho, pelo deslizamento do dedo sobre tela, pelo movimento das pupilas, expressões faciais, mini-reações físicas, entonações da voz, reflexos involuntários, e assim por diante? Para cada uma dessas áreas existem estudos comportamentais abrangentes, cada vez mais incorporados nas tecnologias que chegam pelo celular. 

O pioneiro em proteger neurodireitos foi o Chile. Fez inclusive uma emenda constitucional em 2021 que determina que o “desenvolvimento tecnológico deve estar a serviço das pessoas, respeitando a integridade psíquica. A lei deverá resguardar a atividade cerebral e a informação proveniente dela”. 

Hoje há cinco pilares aceitos para os neurodireitos. O direito à privacidade mental, à proteção da identidade e da consciência, ao livre arbítrio, à igualdade de acesso ao benefício mental e o direito à proteção contra discriminação feita por algoritmos. Como dá para ver, a preocupação é que o avanço das tecnologias sobre o cérebro possa afetar até mesmo a forma como construímos nossa identidade, nossa percepção do mundo e nossa capacidade de tomar decisões livremente. 

Seriam esses 5 pilares suficientes? Estariam os neurodireitos focados demasiadamente em tecnologias novas, como as interfaces entre cérebro e máquina? E se esquecendo de que tecnologias atuais podem ser também invasivas com relação à integridade cerebral? 

Vale dizer claramente: o que está motivando a corrida tecnológica pela colonização profunda do cérebro em boa medida não é compreender ou melhorar a condição humana, mas sim vender mais anúncios, cada vez mais irresistíveis. 

Já era — não se importar nem com proteção dados nem com privacidade

Já é — leis gerais de proteção de dados sendo adotadas globalmente 

Já vem — neurodireitos 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2022/10/como-proteger-o-cerebro-da-tecnologia.shtml

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CUFA, Dom Cabral e Favela Fundos criam Escola de Negócios da Favela para formar empreendedores

Por meio de uma plataforma digital e com uma linguagem mais próxima dos desafios do dia a dia, os alunos vão aprender conteúdos específicos para cada tipo de empreendimento; a iniciativa nasceu na Expo Favela 2022

Empreendedores de favelas podem se formar em nova iniciativa (Germano Lüders/Exame)

Empreendedores de favelas podem se formar em nova iniciativa (Germano Lüders/Exame)

Marina Filippe – Exame – Publicado em 28/09/2022 

A Escola de Negócios da Favela é uma parceria entre a Central Única das Favelas(CUFA), Fundação Dom Cabral (FDC) e Favela Fundos que reúne jornadas de desenvolvimento para empreendedores das favelas de todo o Brasil. Nesta quarta-feira, 28, em Nova Lima (MG), a primeira turma receberá o diploma de formação da escola, sendo os primeiros alunos os 10 finalistas da Expo Favela 2022.

Por meio de uma plataforma digital e com uma linguagem mais próxima dos desafios do dia a dia, os alunos vão aprender conteúdos específicos para cada tipo de empreendimento, conectando oportunidades e construindo um ecossistema econômico saudável dentro das favelas. O público-alvo da Escola de Negócios são moradores da favela brasileira, que já tenham seu próprio negócio, independentemente do estágio de maturidade.

Esta é a primeira iniciativa no Brasil que nasce da junção da experiência no território periférico em 20 anos de existência da CUFA, presente em cinco mil favelas brasileiras e em quatro países, com os 46 anos de história da FDC, escola de educação executiva da América Latina.

Desde o ano passado, a FDC oferece educação empreendedora e conhecimento em gestão para um público que histórica e globalmente não tem acesso às escolas de negócios. Com isso, passou a atuar também com empreendedores populares, jovens em situação de vulnerabilidade social, e organizações sociais e seus gestores.

“As escolas de negócios não são isoladas da sociedade – elas precisam seguir os desafios impostos pelo território em que operam. Somos reconhecidos no mundo e temos um compromisso ético com o Brasil. Portanto, não podemos ficar indiferentes diante do persistente ciclo de pobreza e da gigantesca desigualdade social no nosso país. Por isso, nos associamos à CUFA e à Favela Fundos, e suas lideranças, para colocar de pé a primeira escola de negócios para empreendedores da periferia brasileira. É uma honra para a FDC construir, junto com os players da periferia, uma escola que poderá mudar a vida de muita gente”, destaca Ana Carolina Almeida, líder da iniciativa na Fundação Dom Cabral.

“50% da população de favela e periferia sonha em empreender. Empreendedor por necessidade ou não, a verdade é que o caminho do empreendedorismo é árduo, e no dia a dia os empreendedores esbarram com desafios inerentes a todo negócio, como por exemplo: separar caixa pessoal, do caixa profissional, como divulgar seus produtos nas redes sociais, e outros. Há muito conteúdo disponível no mercado, mas, para falar com a favela, precisamos traduzir esse conteúdo para o “favelês”. A Escola de Negócios da Favela nasce com uma abordagem diferenciada, produzindo e curando conteúdo, entregando trilhas de formação numa linguagem que dialoga com o empreendedor da favela”, comenta Celso Athayde.

Histórico

A parceria teve início na realização da primeira edição da Expo Favela, em abril deste ano, no WTC, em São Paulo, que reuniu 30 mil pessoas em três dias de feira. Foram 20 mil inscritos, dois mil empreendedores selecionados e 300 foram classificados para estarem presencialmente na Expo Favela.

Durante o evento, um rigoroso processo de avaliação identificou os dez empreendedores para formarem a primeira turma da Escola de Negócios da Favela, e premiados com uma jornada híbrida de educação empreendedora e mentoria. A capacitação iniciou no mês de agosto e será encerrada no dia 30 de setembro, no Campus Aloysio Faria, sede da FDC.

Como funciona

Os 300 participantes da Expo Favela serão os próximos alunos da Escola de Negócios, que poderão fazer a inscrição nas jornadas digitais nas próximas semanas. Os demais participantes serão selecionados durante as etapas preparatórias da segunda edição da Expo Favela, que será realizada no primeiro semestre de 2023.

A potência da favela

O Brasil possui hoje 13.151 favelas espalhadas por 743 cidades.17,1 milhões de pessoas vivem nas favelas brasileiras.

Empreender para 57% dos empreendedores de favela é questão de sobrevivência. Mas ao empreenderem por necessidade, eles têm poucos recursos formais para embasar os negócios. A maioria dos empreendedores permanece, atualmente, na informalidade: 63% não possuem CNPJ! Ou seja, não têm empresa formalmente aberta para exercer a atividade remunerada.

O acesso a capital para investimento é apontado como uma das dificuldades na condução dos negócios para 40% dos entrevistados, seguidos pela falta de equipamentos adequados, em 25% dos casos. E 14%, a maior dificuldade está em fazer a gestão financeira do empreendimento.

(Fonte: Data Favela, 2022)

Os TOP 10

Conheça os primeiros empreendedores formados na iniciativa:

Empreendedor/Marca: Silvana Santos – La Piel Negra Lingeries – Bahia

Tipo: Negócio Tradicional

Mercado: Vestuário e Acessórios

Resumo: A La Piel Negra é uma marca de lingeries artesanais feitas sob medida e sem limitação de tamanho. Proporcionando a venda de produtos de altíssima qualidade, elaborados com foco na autoestima de todos os tipos de corpos.

Empreendedor/Marca: Liliane Vicente – AMITIS – AL

Tipo: Startup

Mercado: Alimentação e bebidas (Bar, restaurantes, buffet, etc.)

Resumo: A AMITIS chegou para inovar o mercado de alimentos, realizando a venda de hortas hidropônicas e melhorando a distribuição de alimentos no meio urbano, diminuindo os desperdícios gerados na cadeia produtiva. A startup atua na micro-agricultura distribuída, com uma ampla rede de micro agricultores urbanos que vendem e colhem através de delivery virtual, rede de convênio e feiras livres, possibilitando que o alimento chegue a diversas pessoas e espaços e gerando renda.

Empreendedor/Marca: Matheus de Lima – Todas por Uma

Tipo: Startup

Mercado: Tecnologia e informação (Site, aplicativo, etc.)

Resumo: O “Todas Por Um” é um APP 100% nacional feito para mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja doméstica ou não. O app foi feito a partir de uma inteligência artificial que consegue localizar mulheres sequestradas com um simples balanço do celular. O TPU possui funções únicas e o principal papel é conectar e salvar VIDAS, através da construção de redes de apoio/segurança e fortalecendo comunidades de mulheres em todo o mundo.

Empreendedor/Marca: Silvana Aparecida Bento – Trucs

Tipo: Startup

Mercado: Vestuários e Acessórios

Resumo: A Trucs é uma marca de moda íntima e moda praia que se propõe a levar mais conforto e saúde pélvica para as mulheres trans de todo Brasil. A marca surgiu a partir da necessidade deste público de “aquendar a neca” sem riscos à saúde, utilizando calcinhas e biquínis em formato de funil, possibilitando que o volume da região não fique aparente e aumentando a autoestima destas mulheres.

Empreendedor/Marca: Raimundo das Graças – Miritilab

Tipo: Startup

Mercado: Educação e Tecnologia – EduTech

Resumo: Os Kits Educacionais MiritiLab para Aprendizagem Criativa são desenvolvidos para contribuir com o aprendizado mão na massa – o aprender fazendo, buscando o desenvolvimento do processo criativo, de habilidades e de competências que ofereçam oportunidades para pessoas serem protagonistas dentro do processo de ensino-aprendizagem. Além de ajudar na maturação das relações socioemocionais a serem desenvolvidas de forma eficiente, objetivando, também, maior sustentabilidade ao utilizar materiais da natureza em seu processo. Todo material dos kits e sua proposta foram construídos a partir da filosofia educacional do aprender fazendo, pensando e compartilhando com a mão na massa, levando acesso a uma educação diferenciada nas periferias e favelas do Brasil.

Empreendedor/Ariane Santos – Badu Design Circular

Tipo: Startup

Mercado: Sustentabilidade e Meio Ambiente (Reciclagem, Reflorestamento)

Resumo: A Badu Design é um negócio de impacto socioambiental com foco em ESG. A startup tem como propósito gerar economia circular e mobilidade social nas comunidades, através da formação de mulheres periféricas em design circular. Com os conhecimentos técnicos adquiridos, essas profissionais iniciam a produção de peças de design utilizando resíduos industriais, gerando renda e fomentando a consciência ecológica.

Empreendedor/Thais Bernardes – Notícia Preta

Tipo: Startup

Mercado: Comunicação / Redes / Anúncio

Resumo: A Notícia Preta é um portal jornalístico antirracista composto por um coletivo de jornalistas negros e periféricos. Dentro da NP foi construída a incubadora de jovens jornalistas onde são realizadas curadorias de notícias e formação de comunicadores jovens e periféricos.

Empreendedor/ Alan Almeida – Parças Developers School

Tipo: Startup

Mercado: Educação

Resumo: A Parças Developers School tem como proposta reescrever a realidade carcerária brasileira através da educação e da tecnologia. Para isso, a startup oferece treinamento e acompanhamento técnico para egressos do sistema penitenciário e faz a ponte entre as empresas de tecnologia e estes novos profissionais.

Empreendedor/ Victor Garcez – Vision03

Tipo: Startup

Mercado: Tecnologia e Informação

Resumo: A Vision03 é um estúdio de games e marketing que possui como propósito o empoderamento da imaginação de grupos marginalizados a partir da construção de novas narrativas através de jogos digitais. Em suas produções, criações e consultorias, a startup busca ampliar as visões e perspectivas de mundo do usuário e de desenvolvedores de jogos, visando uma mudança social que se inicia no digital.

Empreendedor/ José Márcio Macêdo- Avia! Delivery de comida

Tipo: Startup

Mercado: Tecnologia e Informação

Resumo: A Avia é uma ferramenta de transformação social que tem como propósito solucionar o problema da exclusão e distanciamento dos serviços de delivery tradicionais via aplicativo dos empreendedores do setor da alimentação, sejam eles autônomos ou donos de pequenos negócios, residentes em regiões que estão à margem dos grandes centros urbanos (cidades do interior, periferias e favelas). A Startup conecta consumidores a empreendedores e cria uma rede marginal de consumo fortalecendo a microeconomia emergente, gerando autonomia, renda e emprego para famílias e comunidade

https://exame.com/esg/cufa-dom-cabral-e-favela-fundos-criam-escola-de-negocios-da-favela-para-formar-empreendedores/

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A globalização não está morrendo, está mudando

O comércio de bens pode estar desacelerando, mas o potencial do comércio de serviços viabilizado pela tecnologia continua enorme

Martin Wolf 13/09/2022 Comentarista-chefe de economia no Financial Times, doutor em economia pela London School of Economics.

Qual é o futuro da globalização? Esta é uma das maiores perguntas do nosso tempo. Em junho, argumentei que, contrariamente à opinião cada vez mais difundida, “a globalização não está morta. Talvez nem esteja morrendo. Mas está mudando”. Entre as formas mais importantes de mudança está o crescimento dos serviços prestados à distância.

Desde a revolução industrial, vimos, como argumenta Richard Baldwin em seu livro The Great Convergence (A grande convergência), três ondas de oportunidades para o comércio.

Primeiro, a industrialização e a revolução nos transportes geraram oportunidades para o comércio de mercadorias. Mais recentemente, as novas tecnologias da informação permitiram o “comércio de fábricas”: tornou-se lucrativo deslocar fábricas inteiras para onde a mão de obra era barata.

Hoje, no entanto, a internet de banda larga permite o “comércio de escritórios”: se alguém pode trabalhar para seu empregador em casa, alguém na Índia também pode fazê-lo.

Além disso, uma diferença importante entre a primeira e a segunda ondas, que exigem o deslocamento de objetos, e a terceira, que movimenta a informação virtualmente, é que é muito mais fácil impor obstáculos ao comércio físico do que ao comércio virtual. Não é impossível impor os últimos, como mostra a China. Mas exige um grande esforço.

Como argumentou Baldwin em quatro blogs recentes, essa estrutura analítica nos permite ver o futuro do comércio sob uma luz diferente daquela que está na moda. Em particular, o que ele chama de visão “preguiçosa” da história da globalização e do comércio é enganosa em várias dimensões. Qual é essa visão? É que, após cerca de duas décadas de crescimento muito rápido, o comércio mundial de bens atingiu o pico em 2008, sob o golpe mortal da crise financeira, quando o mundo se afastou do comércio.

Essa visão do que aconteceu e do porquê é enganosa.

Primeiro, a proporção do comércio do segundo maior comerciante de bens do mundo, a China, atingiu o pico antes de 2008 (em 2006). As do terceiro e quarto maiores comerciantes de bens, Estados Unidos e Japão, atingiram o pico após 2008 (em 2011 e 2014). A proporção do maior comerciante, a União Europeia, não atingiu o pico, embora tenha estagnado.

Em segundo lugar, a maior queda na proporção do comércio é na China. Mas isso não reflete o protecionismo no exterior ou um afastamento deliberado do comércio pela própria China. O país apenas normalizou a dependência do comércio em relação a seu tamanho econômico.

Terceiro, em termos monetários, a maior causa do declínio da proporção do comércio foi a queda no preço das commodities, não uma redução no volume de comércio. Essa queda de preços foi responsável por 5,7 pontos percentuais da queda de 9,1 pontos na proporção entre o comércio de bens e a produção mundial entre 2008 e 2020.

Finalmente, há de fato evidências de um desmanche das cadeias de suprimentos transfronteiriças, mas o ponto de virada parece ser em 2013, após a crise financeira, mas antes da eleição de Donald Trump. A principal explicação é a mudança das cadeias de suprimentos dentro dos novos fornecedores, especialmente a China, a predominante. Em vez de montar intermediários importados, a China agora os produz ela mesma.

Ao todo, existem explicações perfeitamente naturais para a queda na proporção do comércio mundial de bens em relação à produção. Mas a desaceleração na desagregação da cadeia de suprimentos é real. Entre outras explicações, muitas dessas cadeias agora mudaram dentro da China.

Os serviços são uma história diferente. A proporção entre o comércio de serviços e a produção mundial, embora muito menor que a de bens, continuou a aumentar. Os serviços são um conjunto muito heterogêneo de atividades, algumas das quais requerem movimentação de pessoas (turismo, por exemplo). Mas atividades na categoria excepcionalmente dinâmica de “outros serviços comerciais” (OCS) podem, em grande parte, ser fornecidas virtualmente. Estes incluem uma gama muito diversificada de atividades. O crescimento do comércio de OCS também é excepcionalmente dinâmico: entre 1990 e 2020, o comércio de mercadorias quintuplicou enquanto o de OCS multiplicou 11 vezes.

Um ponto crucial é que a expansão do comércio desses serviços dependeu pouco de acordos comerciais. A regulação das atividades de serviços se concentra nos serviços finais, não nos intermediários. Existem, por exemplo, regras rígidas sobre a venda de serviços contábeis nos Estados Unidos. No entanto, há poucas regras sobre a qualificação dos trabalhadores que fazem a papelada por trás da prestação desses serviços.

Assim, um “contador americano pode empregar praticamente qualquer pessoa para contabilizar as despesas de viagem de um cliente e compará-las com os recibos de despesas”. Exemplos de ocupações que fornecem serviços intermediários em oposição aos finais incluem guarda-livros, contadores forenses, revisores de currículos, assistentes administrativos, pessoal de ajuda online, designers gráficos, editores de texto, assistentes pessoais, leitores de raios-X, consultores de segurança de TI, engenheiros de software, advogados que verificam contratos, analistas financeiros que escrevem relatórios. A lista continua.

Como argumenta Baldwin em The Globotics Upheaval (A revolução da globótica), o potencial desse tipo de comércio habilitado pela tecnologia é enorme. Também será altamente perturbador: os trabalhadores de colarinho branco que prestam esses serviços em países de alta renda são uma parte importante da classe média. Mas será difícil protegê-los.

Ao todo, as evidências sugerem que as forças econômicas naturais foram em grande parte responsáveis pelas mudanças no padrão do comércio mundial. A crescente preocupação com a segurança das cadeias de suprimentos sem dúvida aumentará essas mudanças, embora seja duvidoso se o resultado será “reshoring” [o retorno da terceirização aos países de origem] ou “friendshoring” [terceirização para amigos]. O mais provável é um padrão complexo de diversificação. Enquanto isso, a tecnologia está abrindo novas áreas de crescimento em serviços.

Desnecessário dizer que desastres podem mudar esse quadro: a Covid foi disruptiva; o mesmo acontece com a atual crise energética; e a guerra ou a ameaça dela perturbaria ainda mais. O comércio global saudável é um sinal de paz, mesmo que não possa causá-la. Ninguém em sã consciência desejaria as alternativas sombrias.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/martinwolf/2022/09/a-globalizacao-nao-esta-morrendo-esta-mudando.shtml

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Governadores republicanos lideram reação anti-ESG nos EUA; especialistas veem riscos às economias

Por Luis Filipe Santos – Estadão – 29/09/2022 | 

Estados como Texas e Flórida adotaram medidas contra a pauta que defende que empresas tenham responsabilidade social e ambiental

O avanço da pauta ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês) é um fato e está cada vez mais presente no mercado financeiro. As empresas que seguem os padrões ESG buscam privilegiar o stakeholder – as pessoas interessadas, que podem ser investidores, clientes, fornecedores, comunidades afetadas pelos negócios, etc. – em vez do shareholder, apenas os acionistas. Os EUA estão passando por um momento em que governadores e legisladores estaduais, principalmente republicanos, estão tomando atitudes contra a pauta ESG. Estas decisões podem prejudicar a economia americana como um todo, pensando nas próximas gerações e na concorrência que o país deve sofrer de outras nações (veja mais abaixo).

Procuradores de 19 Estados pediram informações à empresa de análise de riscos Morningstar neste mês de setembro para definir se ela violou as leis de proteção aos consumidores com suas avaliações ESG, como forma de iniciar uma investigação. Na Flórida, o governador Ron DeSantis determinou que os fundos de pensão administrados pelo Estado abandonem as considerações ESG ao definir onde serão feitos os investimentos, e as avaliações considerem unicamente o potencial de retorno.

Em Utah, autoridades como o governador Spencer Cox, os senadores Mitt Romney e Mike Lee e o chefe do Tesouro estadual, Marlo M. Oaks, se manifestaram contra a pauta após a consultoria S&P avaliar riscos ambientais para o fornecimento de água no Estado e propuseram uma legislação parecida com a que foi adotada pela Flórida – outras 11 unidades federativas, incluindo algumas governadas por democratas, como a Califórnia, receberam a mesma avaliação.

No Texas, os legisladores aprovaram regras para que os fundos de pensão não possam fazer negócios com corretoras que investissem em produtos ESG anti-combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão) e anti-armas de fogo. Vale lembrar que o petróleo é uma parte importante da economia texana e os fundos de pensão estaduais são alguns dos principais investidores institucionais do país norte-americano.

Uma lei parecida foi proposta em Indiana e recebeu o apoio do ex-vice-presidente Mike Pence, que afirmou que as políticas ESG estão dando prioridade a valores de esquerda em detrimento das corporações e seus funcionários. Já West Virginia aprovou uma lei que visa punir as empresas contrárias à indústria do carvão mineral, e Idaho e Kentucky também discutem o tema em seus congressos locais.

As novas regras atingem alguns dos principais bancos e corretoras de investimentos dos Estados Unidos e do mundo, como BlackRock, JP Morgan Chase, Goldman Sachs e outros. Em resposta à nova lei texana, o chefe de operações da BlackRock nos Estados Unidos, Mark McCombe, defendeu que a medida não faria sentido, que o fundo nunca deixou de financiar projetos de petróleo e gás e que a competitividade das economias locais seria diminuída. “Como tomadores de recursos do mercado de capitais, esses Estados podem ter o perfil de dívida comprometido, com taxas de juros maiores, ou com o acesso a mercado de capitais dificultado. A falta de questões ESG podem afetar qualquer ator público no mercado”, explica Gustavo Pimentel, CEO da Nint, consultoria focada em ESG.

Um estudo feito pelos pesquisadores Ivan T. Ivanov, do Federal Reserve (o Banco Central americano), e Daniel Garrett, professor da Universidade Wharton, na Pensilvânia, caminha para a mesma conclusão. Ivanov e Garrett estimaram que as taxas de juros podem acabar sendo elevadas para as administrações municipais do Texas, levando a um custo extra estimado entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões por ano, ou seja, a um peso a mais no bolso do contribuinte, por deixar de realizar as avaliações de riscos e oportunidades ligadas ao ESG.

Ideologia

Os investimentos ESG se tornaram alvo dos legisladores republicanos tanto por questões práticas, como a importância dos combustíveis fósseis para a economia de alguns Estados, quanto por razões ideológicas: o tema acabou se tornando mais uma pauta da divisão no país norte-americano, em que os conservadores se opõem por considerar como “politicamente correto”. “As reações anti-ESG estão inseridas no contexto da chamada ‘guerra cultural’, na qual diferentes pautas alcançam o extremo da polarização e dividem-se entre republicanos, de um lado, e democratas de outro, o que inviabiliza qualquer forma de negociação entre as partes”, explica Thais Dória, doutoranda em relações internacionais pela USP.

Assim, os republicanos argumentam que as políticas ESG limitam a margem de manobra e a autonomia de indivíduos e corporações, e põem em risco setores chave da economia estadunidense, uma vez que priorizariam investimentos verdes e dificultariam o investimento em setores tradicionais, como o de combustíveis fósseis. Por sua vez, os democratas rebatem que a própria economia dos estados como um todo pode ser prejudicada, ao deixarem de investir em empresas rentáveis. “Entretanto, para avaliar se as decisões acarretarão prejuízos para os estados é necessário tempo, principalmente para avaliar se os fundos de pensão foram investidos em empresas que apresentam tanta rentabilidade, ou até mais, que a BlackRock, por exemplo”, comenta Doria.

Problemas

Ao deixar de levar os fatores ESG em conta, pode-se deixar de considerar riscos capazes de prejudicar a rentabilidade dos negócios no futuro, em questões como escassez de água, esgotamento dos recursos naturais disponíveis e redução de terras cultiváveis, ou aspectos sociais e de governança, menos presentes nos discursos dos governadores.

Também pode-se perder oportunidades para receber investimentos na transição para uma economia de baixo carbono. Pimentel cita como exemplos uma montadora que esteja planejando produzir carros elétricos ou usinas que querem expandir a geração de energia a partir de hidrogênio verde. “A reação pode afetar investimentos estruturantes, que podem acabar indo para territórios que consigam dar uma visão de energia renovável”, afirma.

A população seria afetada devido à perda de dinamismo da economia, como explica Vinicius Dias, pesquisador de economia do meio ambiente do Núcleo de Inovação Meio Ambiente e Sustentabilidade da Universidade Federal Fluminense (NIMAS/UFF). “Para a população em geral, com uma economia que está fortemente ligada à queima de recursos fósseis, caso os governos locais não preparem um plano de transição, serão observados níveis maiores de desemprego e dificuldade de realocação da força de trabalho em outras atividades quando as atividades ligadas às indústrias intensas em emissões perderem de fato tração, além de perda de recursos para o próprio governo que receberá menos impostos e também investimentos”, cita o pesquisador.

Pesquisas apontam que o ESG pode, na verdade, ser benéfico também para a rentabilidade para as companhias. Estudo feito pelos pesquisadores alemães Laura Mervelskemper e Daniel Streit, da Universidade de Ruhr-Bochum, apontaram que a lucratividade das companhias cresce ao publicar relatórios ESG. Já Bahaaeddin-Alareeni e Allam Hamdan, professores da Universidade Técnica do Oriente Médio, analisaram o impacto das questões ESG nas principais empresas dos Estados Unidos, listadas no índice S&P 500, e encontraram resultados positivos operacionais, financeiros e de performance no mercado quando as práticas eram adotadas.

“São temas que fazem parte de uma agenda saudável de negócio e de vida em sociedade que não podem mais ser ignoradas ou deixadas em segundo plano. Os custos de se ignorar essas questões se tornarão cada vez maiores e em algum tempo nos perguntaremos como foi possível não termos pensado nisso, e agido, antes”, avalia Marcos Olmos, sócio e diretor de Venture Capital na VOX Capital, gestora focada em investimentos de impacto.

Divisões internas

As economias estaduais também acabariam afetadas por estarem remando na contramão do direcionamento federal, já que a gestão de Joe Biden apoia agendas ESG, e de outros estados importantes, como Nova York e Califórnia. “Os governadores apostam que podem resistir e conseguir dobrar um movimento que tem avançado no mundo todo. Para mim, parece fazer pouco sentido e é uma aposta bastante arriscada”, analisa Pimentel.

As decisões podem prejudicar a economia americana como um todo, pensando nas próximas gerações e na concorrência que o país deve sofrer de outras nações. “Esses políticos podem empurrar o país na contramão do mundo, considerando o fato que os EUA, apesar de ainda serem a maior e mais dinâmica economia do mundo, vem perdendo espaço para outras potências que ascenderam nas últimas décadas”, prevê Dias.

Outro ponto é que se deixaria de considerar os anseios das novas gerações, que já crescem levando em conta as preocupações ambientais como relevantes para seu futuro- e que, ao final, serão as principais afetadas. “As gerações pós-millenials estão cada vez mais engajadas nos temas afetos à sustentabilidade, e por mais que ainda não sejam representativas economicamente, serão por mudanças nos padrões de consumo”, completa o pesquisador da UFF.

Além do peso que os fundos de investimento estaduais têm para o mercado de capitais nos Estados Unidos, também é importante lembrar que os governadores têm o poder de definir políticas públicas, e não levar as questões a sério pode prejudicar para que a pauta seja adotada pelas companhias privadas que desejarem. “A agenda ESG passa por um envolvimento significativo do governo, não só nas decisões de alocação, mas também na agenda de regulação e mensuração, algo que em muitas jurisdições está em estágios bem iniciais de discussão e desenvolvimento”, comenta Olmos.

Apesar da reação, nada indica que a pauta ESG esteja caindo. Em 2021, o total de dinheiro investido relacionado à pauta chegou a US$ 35 trilhões, cerca de um terço de todos os ativos gerenciados no mundo. Uma pesquisa do instituto Gallup nos Estados Unidos indicou que, apesar de poucas pessoas conhecerem a sigla, as ações ligadas às causas ambientais, sociais e de governança são aprovadas pelo público, com o máximo de 84% afirmando que consideram importante que a empresa leve em conta o bem-estar dos funcionários e o mínimo de 68% aprovando os esforços para tornar mais diversa a base de consumidores e a força de trabalho, entre outras medidas. A situação é parecida com a vista no Brasil, de acordo com uma pesquisa do Google. A conscientização sobre as questões ESG no mundo financeiro e na população segue em crescimento.

https://www.estadao.com.br/economia/governanca/esg-estados-unidos-republicanos/

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