SXSW – Robôs não vão superar pessoas, diz cofundador da OpenAI

Em festival de inovação, Greg Brockman, líder da dona do ChatGPT, diz que foco da empresa é o ‘bem para a Humanidade’

Por André Miranda e Luiza Baptista — Austin, EUA – O Globo 12/03/2023 

Greg Brockman, líder da OpenAI, fala no SXSW, nos EUA: empresa virou o centro das atenções com ChatGPT

Greg Brockman, líder da OpenAI, fala no SXSW, nos EUA: empresa virou o centro das atenções com ChatGPT Jordan Vonderhaar

A fila para acessar um auditório de dois mil lugares no quarto andar do Centro de Convenções de Austin, no Texas, era tão grande que chegou a invadir o terceiro. No palco, a estrela era Greg Brockman, um homem tranquilo mas de fala rápida, na faixa dos 30 anos, cujo nome ainda é pouquíssimo conhecido no mundo, mas cuja empresa cofundada e presidida por ele virou uma sensação desde o fim do ano passado. O grande assunto do primeiro dia do maior festival de inovação do mundo, o South by Southwest (SXSW), foi a OpenAI e suas ferramentas de inteligência artificial, sobretudo o ChatGPT.

Brockman, contudo, deixou mais perguntas no ar do que ofereceu respostas. Numa apresentação mediada pela jornalista Laurie Segall, ele saiu pela tangente quando o assunto foi regulação e desemprego pela automação.

Insistiu que o desejo da OpenAI é fazer o “bem para a Humanidade”, mas admitiu que houve casos de desinformação na plataforma. E afirmou que os robôs não tomarão decisões melhor do que as pessoas.

A OpenAI foi fundada em 2015, mas passou a ser conhecida mesmo em novembro de 2022, quando tornou público o ChatGPT, um sistema de inteligência artificial que responde a qualquer tipo de pergunta de seus usuários e se aperfeiçoa constantemente.

O ChatGPT pode desde explicar para um aluno do ensino médio quem foi Darwin numa linguagem simples, quanto pode criar em segundos os códigos para um profissional de animação fazer um filme sobre a teoria da evolução das espécies. Rapidamente, passou a ser usado por estudantes, publicitários, artistas, advogados, médicos, jornalistas e qualquer outra profissão que exija conhecimento específico e raciocínio.

— Minha mulher teve uma doença misteriosa, foi a vários médicos ao longo de três meses até descobrir o que era. Aí eu fiz um teste no ChatGPT, sinalizando os sintomas e perguntando o que poderia ser. Ele deu algumas opções, a segunda era a correta — disse Brockman. — Mas isso não quer dizer que eu quero substituir os médicos. A inteligência artificial serve para te dar sugestões, ela oferece ideias para que as pessoas tomem suas decisões.

Aportes bilionários

A OpenAi já recebeu investimentos de bilionários da indústria da tecnologia, como Elon Musk, Reid Hoffman (cofundador do Linkedin) e Peter Thiel (cofundador do Paypal).

Recentemente fechou um contrato de bilhões de dólares com a Microsoft, que está incorporando a tecnologia do ChatGPT em seu buscador, o Bing. A empresa também é criadora do DALL-E, ferramenta lançada em 2021, para a geração de imagens por inteligência artificial.

— Eu sinto que nossa missão é ser benéfica para a Humanidade, por isso surgimos como uma empresa sem fins lucrativos. Mas, para ter o impacto que gostaríamos, precisamos de mais e melhores computadores. Foi preciso levantar recursos e não é fácil para uma empresa sem fins lucrativos conseguir centenas de milhões de dólares. Daí somos uma empresa estranha, sem fins lucrativos, mas com um braço que pode trazer lucro para seus investidores e acionistas — explicou Brockman.

No início da apresentação, a jornalista Laurie Segall perguntou quem na plateia utilizava o ChatGPT, e mais da metade levantou a mão imediatamente — a sensação é que o restante ou estava cansado ou era blasé demais para se mexer.

Brockman disse ter consciência do sucesso da plataforma e de quanto isso cria pressão sobre a responsabilidade por possíveis erros.

— Em 2015, nós percebemos que essa tecnologia de inteligência artificial era alcançável. Ainda demorou quase uma década para estarmos onde estamos hoje, mas tínhamos um sentimento de que iria acontecer. Hoje, as pessoas percebem que não é ficção científica — disse Brockman. — Mas sabemos que precisamos ser cuidadosos. Não é porque o ChatGPT diz que uma coisa é verdade que ela é verdade. Isso não serve para humanos, e também não deve servir para a inteligência artificial.

Sobre algumas das críticas e dos temores em torno do ChatGPT, Brockman manteve o mesmo discurso apaziguador de quem jura querer fazer o bem. Assim, tratou de regulação e de automação da mão de obra:

— Estamos bem engajados a conversar com os legisladores sobre regular a inteligência artificial, mas não temos todas as respostas. Há um debate acontecendo agora, estamos construindo um novo tipo de internet — afirmou, antes de ser perguntado se a tecnologia vai tirar empregos. — Sim, vai. A questão é quais empregos. Robôs tiram o trabalho manual de algumas pessoas. Mas os humanos são muito mais capazes de fazer coisas que as máquinas. O ChatGPT não está aqui me entrevistando. Ele não tem a capacidade de fazer julgamentos que você tem.

‘Sistema igualitário’

Outra crítica comum trata dos casos de erros cometidos pela ferramenta. Brockman explicou que o ChatGPT considera várias fontes de informação e que estão trabalhando para aperfeiçoar a plataforma. E disse acreditar que, no futuro, ele vai ajudar o jornalismo a combater notícias falsas.

— Queríamos que um sistema fosse igualitário e tratasse todos os sites convencionais igualmente, mas acho que as pessoas estavam certas em nos criticar — admitiu, ressaltando que é possível utilizar sua tecnologia para combater desinformação. — Eu acho que a tecnologia não tem sido simpática de várias formas ao jornalismo. E acho que a IA pode ser bastante útil para o jornalismo.

https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2023/03/robos-nao-vao-superar-pessoas-diz-cofundador-da-openai.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s(04) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Ninguém avisou. Agora, é tarde demais para parar o TikTok

O algoritmo de recomendação do TikTok está sendo replicado por outras plataformas, colocando-nos em universos individuais, feitos por mãos invisíveis


Mark Wilson – Fast Company – 11-03-2023 

Uma mulher de leggings e botas Ugg posa para uma selfie. Uma jovem anda por uma varanda vestindo uma blusa com estampa de oncinha. Uma poltrona reclinável de couro se estende por uma confortável sala de estar. São algumas das imagens que aparecem em um feed de produtos à venda.

Esta é a nova seção “Inspire” do aplicativo da Amazon. Com lançamento previsto para este ano, é a resposta da empresa ao TikTok: um feed personalizado e com curadoria automática de vídeos de usuários, todos com links para compra. Apesar de ter pouco interesse nos produtos, confesso que me senti atraído.

Nos primeiros anos da internet, cada página, ícone ou conteúdo era meticulosamente projetado e mais ou menos estático, mas muita coisa mudou de lá para cá. Hoje, o que vemos online é cada vez mais criado em tempo real e adaptado para cada usuário.

A internet não é mais a mesma. Ela está cada vez mais automatizada e diferente para cada pessoa.

Os produtos que aparecem na página inicial da Amazon mudam de acordo com os hábitos de compra de cada consumidor. As músicas na lista de reprodução do Spotify são recomendadas a partir do que você ouviu e curtiu recentemente.

Mas o TikTok levou essa ideia ainda mais longe com seu feed. A mistura excêntrica, confusa e cativante de vídeos curtos é otimizada a partir de cada toque na tela, pausa e visualização. O resultado é uma espécie de canal de TV a cabo personalizado, refletindo seus (supostos) gostos.

Agora, as principais plataformas de tecnologia estão correndo para adaptar seus produtos. Serviços como Instagram, YouTube e até Amazon copiaram o design do TikTok e passaram a ter seus próprios feeds de vídeo. Isso representa uma mudança na internet como um todo. Ela está cada vez mais automatizada – e diferente para cada pessoa.

INTERNET QUÂNTICA

Este é um fenômeno que Mark Rolston e Jared Ficklin, respectivamente fundador e sócio da empresa de design com foco em tecnologia Argodesign, apelidaram de “internet quântica”. O nome vem de pesquisas no campo da física quântica, que demonstram que os átomos apenas se comportam como partículas ou ondas quando são observados.

A internet agora é alimentada por um código de computador autônomo que gera, sob demanda, muitas das coisas que vemos. O conteúdo, em outras palavras, existe apenas para o indivíduo que o observa. “Quando olhamos para esse processo [quântico]”, diz Rolston, “[o software] se torna muito diferente… você nunca tem certeza do que pode aparecer.”

Ou seja, não estamos mais na mesma página. Literalmente.

A segmentação e personalização de conteúdo na internet, na verdade, começaram bem antes de o TikTok virar febre em 2018. Em 2007, o Facebook alterou o feed cronológico para priorizar postagens com base em seu algoritmo.

Uma década depois, a Netflix passou a recomendar filmes e séries de acordo com os “gostos” dos usuários, inclusive personalizando a arte do thumbnail para atrair os espectadores. Em 2018, mais de 70% do conteúdo assistido no YouTube foi recomendado por um algoritmo.

Hoje, milhões de pessoas usam as mesmas plataformas,

as plataformas se tornaram muito eficientes em criar feeds que prendem os usuários, através da curadoria de conteúdo.

mas ninguém recebe o mesmo conteúdo. O que vemos é moldado por nossos hábitos – também conhecidos como dados pessoais, filtrados com base nas metas das empresas por trás dessas plataformas. Nossas preferências e interesses acabam tendo pouca influência nisso.

Na última década, essas empresas nos convenceram, de forma bastante habilidosa, de que o monitoramento de nossos hábitos e gostos serve para tornar a vida mais fácil.

“A internet permitiu que as empresas começassem a coletar dados pessoais, combiná-los em conjuntos e [fazer] inferências sobre nós”, explica Sarah Myers West, diretora administrativa do AI Now Institute da Universidade de Nova York, que estuda as consequências sociais da inteligência artificial.

NÃO EXISTE MÍDIA SOCIAL GRÁTIS

Impulsionadas pelo rápido acúmulo de dados, pelo crescente poder computacional da nuvem e pelo constante aprimoramento da ciência da computação, as plataformas se tornaram extremamente eficientes em criar feeds que prendem os usuários, através da curadoria de produtos e conteúdos.

Mas é claro que nada disso é de graça. “Essas empresas estão otimizando coisas que lhes permitem ganhar dinheiro – sua atenção, vontade de clicar em um anúncio e intenção de efetuar uma compra”, afirma West.

as empresas não revelam como seus algoritmos operam, o que torna quase impossível medir seu impacto total.

Já vimos as consequências disso: bolhas de informação. Apesar de divertidas e, ao que parece, inofensivas, elas podem levar a pensamentos e comportamentos autodestrutivos, radicalização e até genocídio. Mas estamos apenas começando a lidar com seus efeitos.

As empresas de rede social estão sob investigação de legisladores por seu potencial de divulgar desinformação e conteúdo manipulador. Em janeiro, o distrito escolar de Seattle entrou com um processo inédito contra o TikTok, Instagram, Facebook, YouTube e Snapchat, acusando as empresas de direcionar crianças a conteúdos viciantes que causam depressão, ansiedade e incentiva o cyberbullying.

Um dos maiores obstáculos para qualquer tipo de regulamentação é a natureza efêmera desses feeds individualizados. Além disso, as empresas não revelam como seus algoritmos operam, o que torna quase impossível medir seu impacto total.

A curadoria automatizada foi ganhando espaço e hoje está em todos os lugares. E, surpreendentemente, tudo isso aconteceu em um momento no qual o conteúdo ainda é produzido por pessoas.

Crédito: Ibrahim Rayintakath

No ano passado, tivemos uma prévia do que está por vir. Plataformas de IA generativa, como Dall-E, Midjourney e Stable Diffusion, foram lançadas para o grande público e revelaram o quão habilidosas são em produzir imagens detalhadas, fantásticas e convincentes, a partir de apenas algumas palavras.

No final de 2022, quando a OpenAI revelou o ChatGPT, um chatbot que é capaz de fazer pesquisas e escrever artigos, poemas, roteiros e piadas, ficou claro que dentro de alguns anos os algoritmos poderiam muito bem se tornar não só os curadores, mas também os criadores das postagens em nossos feeds.

A curadoria automatizada foi ganhando espaço e hoje está em todos os lugares.

Em novembro do ano passado, o Museu de Arte Moderna de Nova York recebeu a exposição Unsupervised, uma instalação do artista de dados Refik Anadol, que inclui uma tela gigante capaz de gerar uma nova obra de arte 30 vezes por segundo. Seu sistema de IA aprendeu a criá-las a partir das mais de 100 mil peças do acervo do museu.

No entanto, ele não foi alimentado com descrições, títulos ou informações sobre as obras. O resultado é uma animação inspiradora e em constante mudança gerada a partir do pensamento da inteligência artificial.

“É o que acontece quando você não adiciona o viés humano”, observa Anadol. Antes que se possa processar o que está vendo, a máquina já criou uma nova imagem. É como uma corrida sem linha de chegada.

Agora, imagine um feed superalimentado por IA generativa para cada uma das oito bilhões de pessoas na Terra. A cultura pop já se aventurou por esse tema em filmes como “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”, “Homem-Aranha no Aranhaverso” e “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”. Passamos a tentar compreender o infinito desde que os algoritmos começaram a explorá-lo.

IAs DRIBLANDO ALGORITMOS?

No mundo real, esse fenômeno provavelmente resultará em um multiverso de banalidades: seu feed pode acabar se tornando um poço sem fim de episódios de “House Hunters” ou de “The Office” gerados por IA, com milhares de temporadas, enquanto o meu me mostra uma infinidade de dancinhas protagonizadas por influenciadores artificiais com aparência extraterrestre.

Apesar de divertidas, as bolhas de informação podem levar a comportamentos autodestrutivos, radicalização e até genocídio.

Por outro lado, a IA generativa também pode criar terrenos perigosos, com os algoritmos buscando maneiras cada vez mais inovadoras de contornar a moderação de conteúdo. Assim como os humanos aprenderam a driblar a política de não-violência do YouTube postando vídeos com altos teores de crueldade, mas que ainda respeitam as diretrizes da plataforma, a IA pode automatizar esses esforços.

“Teremos vídeos de pessoas se agredindo fisicamente, porém, sem sangue. Ou talvez o sangue não seja vermelho, seja verde”, diz Jeff Allen, ex-cientista de dados da equipe de integridade do Facebook que cofundou o Integrity Institute para abordar os males das redes sociais. “Essa [estratégia] se aplica a todos os campos, como desinformação. Quantas mentiras a IA pode produzir antes que sejam tomadas atitudes?”

Uma coisa é certa: enquanto as grandes empresas estiverem pagando por todo esse machine learning – e lucrando com o engajamento dos usuários – o futuro será moldado por seus objetivos. E, nesse multiverso, a criatividade infinita dos algoritmos pode acabar servindo apenas para vender mais um produto.

A humanidade está prestes a vislumbrar o infinito. Mas, talvez, tudo o que encontremos lá seja um par de botas Ugg.


SOBRE O AUTOR

Mark Wilson é redator sênior da Fast Company. Escreve sobre design, tecnologia e cultura há quase 15 anos

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s(04) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

DNA empreendedor: pode o perfil genético influenciar a decisão de empreender?

A literatura em empreendedorismo aponta diversos fatores, que vão desde o gosto pelo risco até o anseio por uma atividade profissional menos rotineira

Por Leandro S. Pongeluppe* – Exame – 15 de fevereiro de 2023

O que leva alguém a ser empreendedor(a)? A literatura em gestão e empreendedorismo aponta diversos fatores, que vão desde o gosto pelo risco associado à atividade empreendedora, o desejo de tentar algo novo ou até mesmo o anseio por uma atividade profissional menos rotineira. Em um estudo publicado no periódico Management Science em 2008, Nicos Nicolaou, Scott Shane, Lynn Cherkas, Janice Hunkin, e Tim Spector testaram algo differente, o perfil genético como fator direcionador do empreendedorismo.

Em avaliação de impacto, entendemos a importância de criarmos um grupo contrafactual, ou grupo de controle, para a comparação do que naturalmente aconteceria caso um determinado projeto não existisse. Os autores utilizaram essa lógica em seu estudo. Para testar se características genéticas influenciariam no desenvolvimento de empreendedores, os autores utilizaram o contrafactual mais comum na natureza, gêmeos idênticos.

Nicolaou e seus co-autores compararam as taxas de empreendedorismo entre gêmeos monozigóticos (ou seja, gêmeos idênticos) com as taxas de empreendedorismo entre gêmeos dizigóticos (ou seja, gêmeos intra-uterinos). Note que isso permite aos autores controlarem o teste por uma série de fatores como idade, laços familiares, experiências de vida, dentre outros. Ademais, a comparação entre mono e dizigóticos permitiu isolar apenas o fator genético, dado que gêmeos idênticos compartilham exatamente o mesmo DNA, enquanto gêmeos intra-uterinos possuem DNA até 50% diferente entre si.

Os resultados deste experimento natural mostram que fatores genéticos determinam sim uma maior propensão à atividade empreendedora. Ou seja, não apenas fatores externos do ambiente determinam a escolha profissional das pessoas, mas também fatores genéticos podem influenciar esta decisão, como no caso da escolha de empreender em um novo negócio.

*Leandro S. Pongeluppe é professor assistente da Wharton School, University of Pennsylvania. Especialista em avaliação de impacto socioambiental, Leandro é Ph.D. pelo departamento de gestão estratégica da Rotman School of Management, University of Toronto. Seus principais interesses de pesquisa são compreender como a gestão de organizações pode contribuir com o avanço dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.

https://exame.com/colunistas/impacto-social/dna-empreendedor-pode-o-perfil-genetico-influenciar-a-decisao-de-empreender/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s(04) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Mundo vive transformação sem volta para economia verde, diz especialista em sustentabilidade

Jeremy Oppenheim, que fez palestra no Fórum Ambição 2030, promovido pelo Pacto Global no Brasil, afirma que estamos em momento de inflexão semelhante ao das mudanças digitais nos anos 1990

Por Andrea Vialli* — O Globo – 09/03/2023 

Jeremy Oppenheim diz que atualmente há mais investimento em energia limpa do que em combustíveis fósseis Jeremy Oppenheim diz que atualmente há mais investimento em energia limpa do que em combustíveis fósseis Carol Carquejeiro/Valor

A economia global chegou a um ponto de inflexão: ou se move na direção de um modelo de negócios baseado na baixa emissão de carbono, com matriz energética limpa e restaurando a biodiversidade, ou não vai conseguir lidar com desafios como o aumento da pobreza, as pressões inflacionárias e a crise climática. O momento de transformação é semelhante ao vivido na década de 1990, com a ascensão da economia digital impulsionada pelo acesso à internet: em 20 anos, as atividades e setores econômicos ligados à economia verde serão mainstream, enquanto as atividades mais poluidoras cairão na obsolescência.

Essa é a visão do economista britânico Jeremy Oppenheim, CEO e sócio fundador da consultoria Systemiq, especializada em inovação sistêmica em sustentabilidade e um dos principais palestrantes do Fórum Ambição 2030, realizado pelo Pacto Global no Brasil em parceria com a coalizão Aya Earth Partners, em São Paulo, na terça-feira. Oppenheim, que visita regularmente o Brasil desde 1998, quando trabalhava para o Banco Mundial e hoje atua na estruturação de cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia, vê o momento como único.

“O Brasil tem todos os pré-requisitos para estar no cerne dessa nova economia emergente, com sua combinação de florestas, matriz energética com alto percentual de fontes renováveis e capital humano”, diz.

Qual sua visão sobre o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e da Agenda 2030? Quais são as metas que mais avançaram e quais as que têm progresso mais lento?

Fizemos progressos, mas também tivemos retrocessos importantes nos últimos anos. Se olharmos para os indicadores relacionados a direitos humanos, paz, justiça e democracia, como o ODS 16, não podemos ser ingênuos: a guerra entre Rússia e Ucrânia abalou todo o progresso, e ainda houve perdas da integridade da democracia em muitos países, inclusive no Brasil, que sobreviveu a ataques antidemocráticos às instituições.

Entre os indicadores ligados à dimensão social, temos um cenário muito semelhante no curto prazo, especialmente nos últimos três anos, quando retrocedemos em razão da pandemia, da alta nos preços dos alimentos e da energia em razão da guerra. A pobreza aumentou e há mais pessoas sofrendo de fome crônica, o que criou um cenário muito desafiador. Mas há pontos positivos na área de direitos humanos, com o aumento da informação e da conscientização que a tecnologia e as mídias sociais proporcionam, inclusive denunciando cadeias produtivas problemáticas. Entre os indicadores ambientais, é fácil pintar um cenário sombrio, mas quero trazer um certo otimismo.

Onde é possível ser otimista?

No conjunto de indicadores relacionados ao meio ambiente. Por um lado, os riscos são cada vez maiores. Continuamos a emitir gases de efeito-estufa de forma cumulativa na atmosfera, o desmatamento cresce, continuamos a despejar poluentes químicos e plásticos nos oceanos e no meio ambiente de forma acentuada e estamos perdendo áreas ricas em biodiversidade. Por outro lado, o setor de energia limpa recebe mais investimentos do que os combustíveis fósseis. Vejo essa mudança acontecendo em todos os lugares, até mesmo nos países do Oriente Médio, que têm apostado fortemente em ser um hub da economia de energia verde, com energia solar e hidrogênio obtido de fontes renováveis. Vemos países, empresas e investidores reconhecerem que precisam mudar, isso não acontecerá da noite para o dia porque é um sistema que já dura centenas de anos, mas já está acontecendo.

Os fluxos de capital estão se voltando para essa economia?

Está acontecendo. E é negócio, não é mais só responsabilidade social corporativa ou ESG. Hoje, quem está se ocupando da agenda são os CEOs, os diretores financeiros, diretores de estratégia, pois o assunto tomou uma dimensão estratégica. Isso é uma mudança real e está presente em múltiplos segmentos econômicos: sistemas de produção de alimentos, mercado imobiliário, transportes, energia, bioenergia.

Para onde quer que você olhe, é possível ver que a sustentabilidade está tomando outra proporção. CEOs e investidores sabem que precisam criar novos modelos de negócios, com um uso mais eficiente dos recursos naturais, não apenas fazer greenwashing. Há ainda um contexto geopolítico, pois países como Estados Unidos, China e os da União Europeia agora concorrem para ver quem coloca mais recursos nas atividades ligadas à economia verde e indústrias limpas. É um processo de reindustrialização em novas bases.

Fala-se muito no Brasil como um dos países-chave para a economia do futuro, baseada no baixo carbono e na valorização da biodiversidade. No entanto, nossas emissões de gases de efeito-estufa cresceram 12% em 2021, principalmente por causa do desmatamento. O que é preciso para corrigir a rota?

A maior parte do desmatamento é impulsionada por atividades ilegais, seja para conversão de terras para fins agrícolas ou garimpo. Primeiro, é preciso reconstruir as capacidades de fiscalização do Estado e aplicar as leis ambientais. O governo anterior [de Jair Bolsonaro] fechou os olhos e até encorajou as atividades ilegais na Amazônia, e isso levou a recordes no desmatamento, e isso precisa parar. Além disso, são necessários investimentos para aumentar a produtividade da agropecuária, pois não faz sentido ter um ou dois bois por hectare. Mas para avançar temos que tornar mais economicamente viável manter a floresta em pé do que derrubada.

Fazer com que as pessoas que vivem nas bordas da floresta não queiram desmatar, e colocar os incentivos no lugar certo. É preciso criar ativos financeiros a partir dos serviços que a natureza presta, e remunerar as comunidades por esses serviços, e também investir fortemente na educação, especialmente nas vertentes ligadas à tecnologia, para que as pessoas possam ter a opção de permanecer onde vivem e empreender a partir de uma nova visão da economia da floresta.

Como passar do modelo linear de exploração dos recursos naturais para uma abordagem sistêmica?Primeiro, é preciso tornar os negócios da economia limpa, circular e regenerativa mais atraentes. Isso se faz retirando os incentivos ruins, como os subsídios aos combustíveis fósseis e às indústrias lineares e poluentes. Mas é preciso ter em mente que a economia já está em transformação e, em 20 a 25 anos, no máximo, ela será outra. Vejo um paralelo com o que ocorreu com a economia digital nos anos 1990. Estamos exatamente no ponto de inflexão da nova economia.

Quais são os paralelos entre a ascensão da economia da internet e a economia verde?

Um dos paralelos é o aprendizado exponencial que as duas vertentes proporcionam. As sementes da revolução digital deram frutos, de modo que ela se tornou mainstream na década de 2010 e hoje as empresas mais valiosas são do setor de tecnologia da informação. O meio do caminho foi por volta de 2005, quando os smartphones começaram a se popularizar, a era do iPhone veio em seguida, as mídias sociais explodiram e hoje moldam comportamentos.

No que tange à economia verde, em 2023 estamos exatamente nesse meio do caminho, nesse ponto de inflexão. A aceleração desse potencial virá, pois há forças regulatórias e também de mercado levando a esse caminho. Tal como na economia digital, havia os críticos, que diziam que aquilo tudo não passava de uma “bolha da internet”. Hoje existe essa reação, especialmente de políticos e empresários conservadores em relação ao ESG, mas o caminho é sem volta.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/03/mundo-vive-transformacao-sem-volta-para-economia-verde-diz-especialista-em-sustentabilidade.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s(04) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Golpes usam IA para simular vozes de entes queridos e roubar dinheiro

Por Felipe Demartini | Editado por Claudio Yuge | Canaltech 08 de Março de 2023 

Imagine receber uma chamada de emergência de um familiar ou cônjuge, pedindo ajuda financeira após um acidente ou problema com a lei, apenas para perceber, bem depois, se tratar de um robô. A alternativa parece saída diretamente de um filme, mas é bem real, com criminosos utilizando inteligência artificial para simular vozes conhecidas e aplicar golpes.

A evolução da tecnologia levou a uma explosão das chamadas “fraudes do impostor”. De acordo com números da Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês), esse foi o crime digital mais comum nos EUA em 2022, com mais de 36 mil casos registrados ao longo do ano. A prática também trouxe o segundo maior prejuízo aos cidadãos, com mais de US$ 11 milhões perdidos, cerca de R$ 56 milhões.

Uma reportagem do jornal americano The Washington Post demonstrou casos em que a IA foi absolutamente convincente. Em um deles, um casal de idosos perdeu mais de US$ 15 mil, aproximadamente R$ 77 mil, após a falsificação da voz do próprio filho, que estaria sendo acusado de matar um diplomata americano após um acidente de carro. O contato envolveu indivíduos reais, se passando por advogados e policiais, além da tecnologia, com a transferência acontecendo a partir de um caixa eletrônico de criptomoedas.

As situações também começam a chamar a atenção dos bancos. Foi o que impediu um casal de idosos no Canadá de transferir mais de US$ 2,2 mil, ou cerca de R$ 10 mil, após terem o neto supostamente preso e solicitando o pagamento de fiança. O gerente da instituição usada para o saque notou o problema e alertou aos dois sobre o golpe, que já havia sido sofrido por outro cliente na mesma semana.

Mesmo criminosos com pouco conhecimento tecnológico seriam capazes de realizar fraudes desse tipo. Softwares de geração de modelos de voz estão disponíveis ao público e custam pouco, com valores de assinatura a partir de US$ 5 (aproximadamente R$ 25) de acordo com a quantidade de falas geradas; o céu é o limite, assim como as opções de tom, volume, níveis e outros ajustes que tornam a simulação mais realista.

Enquanto softwares de simulação de voz por IA se tornam mais precisos, dados em redes sociais e sites de conteúdo são o que não faltam; também não existem regulamentações sobre o uso dessa tecnologia (Imagem: Gerd Altmann/Pixabay)

Enquanto isso, obter amostras se torna cada vez mais fácil. Meros stories no Instagram ou mensagens de áudio no WhatsApp podem ser usadas para treinar modelos de simulação de voz por inteligência artificial, e a quantidade de informações só aumenta caso a vítima tenha um podcast, canal na Twitch ou goste de publicar vídeos no YouTube e outras redes sociais.

Celebridades, claro, são um alvo usual, mas os cidadãos comuns se tornam cada vez mais o centro da mira, justamente, pela maior possibilidade de ganhos. A fidelidade dos modelos criados é alta, enquanto mesmo indivíduos com conhecimento desse tipo de fraude e da própria tecnologia podem acabar caindo pela tensão de um contato de emergência altamente realista.

Há como se proteger de golpes com IAs que simulam vozes?

Ao falar sobre o aumento dos casos, as próprias autoridades americanas admitem que eles ainda são difíceis de rastrear. As chamadas se originam de diferentes lugares do mundo, enquanto a preferência por criptomoedas faz com que os fundos transferidos sejam rapidamente pulverizados. Além disso, há uma dificuldade técnica, principalmente de forças policiais locais, em lidar com as fraudes altamente tecnológicas.

Enquanto isso, segundo a FTC, a conscientização é o melhor caminho. No Brasil, a dinâmica do crime via inteligência artificial se assemelha à dos velhos golpes do falso sequestro, com a abordagem dos cidadãos, também, devendo ser parecida. É importante se certificar que o contato é legítimo e que o ente querido efetivamente está em perigo antes de ceder a pressões ou realizar transferências. Muitas vezes, basta uma ligação ou mensagem de texto para perceber a fraude.

A FTC possui guias de melhores práticas no uso de inteligência artificial e controle de recursos pelas empresas, com contatos constantes sobre os riscos e danos em potencial envolvidos no uso da tecnologia. Entretanto, não existem regulamentações jurídicas para a atuação de desenvolvedores desse tipo de solução, principalmente quanto à moderação de uso ou penalização caso os softwares sejam usados para fins mal-intencionados.

Fonte: The Washington Post https://www.washingtonpost.com/technology/2023/03/05/ai-voice-scam/

https://canaltech.com.br/seguranca/golpes-usam-ia-para-simular-vozes-de-entes-queridos-e-roubar-dinheiro-242442/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s(04) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Novo pré-sal é a grande aposta da Petrobras para o mercado brasileiro: Região da Margem Equatorial deve receber cerca 49% dos investimentos em exploração da companhia até 2027

Escrito por Ruth Rodrigues em Petróleo e Gás 28 de fevereiro de 2023 

Apelidada de novo pré-sal, a Margem Equatorial é uma das grandes apostas do mercado de óleo e gás brasileiro. A Petrobras planeja aplicar grande parte dos seus investimentos na exploração da região ao longo dos próximos anos. Foto: MS Post

Apelidada de novo pré-sal, a Margem Equatorial é uma das grandes apostas do mercado de óleo e gás brasileiro. A Petrobras planeja aplicar grande parte dos seus investimentos na exploração da região ao longo dos próximos anos.

O mercado brasileiro de petróleo e gás natural se volta cada vez mais para a grande aposta do futuro: o novo pré-sal. Localizada do Amapá ao Rio Grande do Norte, a região da Margem Equatorial é o grande foco da Petrobras para os próximos anos. A companhia voltará quase metade dos seus investimentos em exploração para a área até o ano de 2027. As descobertas recentes de petroleiras como a ExxonMobil reforçam o alto potencial das reservas da região.

Petrobras está de olho na Margem Equatorial para investimentos pesados em campanhas de exploração no novo pré-sal brasileiro nos próximos anos 

Se movimentando para iniciar em breve sua campanha de exploração na Margem Equatorial, a companhia estatal Petrobras está de olho no potencial da área.

Artigos recomendados

Conhecida como o novo pré-sal, a região está localizada na faixa costeira que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte.

No entanto, apesar de receber esse nome, a sua exploração não acontece sob uma camada de sal. O apelido foi dado em razão do alto potencial de produção de petróleo e gás natural, comparável ao pré-sal nacional.

Além disso, as descobertas recentes de reservas por parte de empresas petrolíferas tornam essa área tão atrativa atualmente.

A Petrobras cogita destinar cerca de 49% dos seus investimentos em exploração na Margem Equatorial até o ano de 2027.

A título de exemplo, a companhia ExxonMobil já realizou mais de 25 descobertas de hidrocarbonetos no mar territorial da Guiana. Além disso, a TotalEnergies e a Apache anunciaram a descoberta de reservas próximas ao Suriname.

Os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em relação às descobertas nas bacias da chamada Margem Conjugada Africana, que se assemelha ao novo pré-sal brasileiro, também apontam para um alto potencial de exploração.

“A Margem Equatorial é considerada uma área estratégica para a Petrobras e uma fronteira exploratória promissora em águas ultraprofundas. As descobertas recentes feitas por outras empresas em regiões vizinhas a essa fronteira (offshore das Guianas e do Suriname) corroboram esse potencial”, afirmou a Petrobras.

Novo presidente da estatal, Jean Paul Prates defende os investimentos na exploração da Margem Equatorial, o novo pré-sal do país

Em seu primeiro pronunciamento como novo presidente da Petrobras, Jean Paul Prates destacou seu compromisso com a expansão da fronteira de exploração de óleo e gás no Brasil.

Ele defendeu futuros investimentos em campanhas no novo pré-sal brasileiro, confirmando o alto interesse da estatal nos campos da Margem Equatorial.

Para iniciar as suas atividades na região costeira, a empresa está apenas aguardando uma licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Recentemente, a empresa já recebeu um sinal positivo para iniciar as simulações na Foz do Amazonas, no estado do Pará.

Dessa forma, ela vem avançando de forma significativa nas suas atividades para a exploração da Margem Equatorial em 2023.

Quando obtiver a licença do Ibama, a Petrobras já realizará a sua primeira perfuração na região da Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultra profundas.

Agora, a petroleira estatal aguarda as autorizações para dar continuidade aos seus investimentos na exploração do novo pré-sal brasileiro, a Margem Equatorial.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s(04) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Pequenas empresas usam ‘marketplaces’ de Amazon e Walmart para vender no exterior

Empreendedores aproveitam capilaridade das plataformas e exportam de grãos de café para torrar em casa a adubos orgânicos. Frete pode ser gratuito

Por Cleide Carvalho — O Globo – 06/03/2023 

Bolsas e mochilas confeccionadas na Zona Leste de São Paulo, grãos de café direto de fazendas brasileiras para torrar em casa e até adubos orgânicos para “pais” de plantas. Praticamente tudo o que pequenos empreendedores produzem no Brasil está ao alcance de consumidores em Nova York, Paris ou Madri por meio da internet.

Plataformas globais de comércio eletrônico — os chamados marketplaces —, como Amazon, eBay e Walmart dão aos brasileiros uma chance de exportar, aproveitando a capilaridade de distribuição dessas operadoras pelo mundo, muitas vezes com frete local grátis para o consumidor, o que viabiliza preços finais mais competitivos.

O “mercado da saudade”, de brasileiros que vivem no exterior, é um dos principais nichos, mas as plataformas também permitem alcançar nativos em diferentes mercados. Nas grandes vitrines virtuais, o segredo é aprender a diferenciar seu produto e marca nas buscas ao lado de dezenas de similares de várias origens, principalmente chinesa.

Letícia Ramos, de 28 anos, criou a Lenna’s, marca de pastas, mochilas e bolsas para laptop, há sete anos em São Paulo. Ela aproveitou a estrutura ociosa da fábrica dos pais, voltada para o mercado escolar, em parte do ano para produzir suas peças para venda on-line. O primeiro teste foi feito no marketplace brasileiro Enjoei. A resposta dos consumidores apontou uma demanda por esse tipo de produto para o dia a dia de diferentes profissionais e universitários, independentemente do gênero.

Em 2019, ela migrou para a plataforma da Amazon no Brasil em busca de um frete competitivo para todo o país. O faturamento multiplicou-se por dez, e o desempenho da Lenna’s chamou a atenção do marketplace, que a convidou para levar sua marca ao mercado americano. Em agosto do ano passado, Letícia fez a primeira remessa de produtos para os EUA.

— É uma realização ver um produto feito aqui, na Zona Leste de São Paulo, comprado por alguém em Nova York. Tem sido um aprendizado acompanhar o que o consumidor compra lá — comemora.

Café ‘gourmet’

Exportadora há 28 anos, a Valorização Empresa de Café, sediada no Rio, negocia mais de 200 mil sacas por ano, mas escolheu a Amazon para entrar no mercado gourmet. Vende pacotes de grãos a serem torrados e moídos em casa para consumidores nos EUA com a marca Direct From The Farm há nove meses. A estratégia para se diferenciar dos concorrentes é ressaltar a origem brasileira e dar detalhes sobre as propriedades dos grãos de café e de onde foram colhidos.

— Esse mercado cresce muito nos EUA. É a quarta onda do café, que chega muito fresco à mesa — diz Luiz Otávio Arararipe, diretor da empresa.

O principal portal nessa modalidade é a Amazon, que tem investido na busca de vendedores no Brasil que queiram chegar aos EUA. Além de gerentes que dão mentoria para a internacionalização, o programa Amazon Prime oferece frete grátis ao consumidor americano para produtos de qualquer origem. Entre 2020 e 2021, as vendas de terceiros na Amazon dobraram, atingindo US$ 390 bilhões.

Eduardo Buechem, sócio da Vitamina Terrestre, encontrou na venda de adubo orgânico em pequenas embalagens, de um quilo ou apenas 150 gramas, um negócio capaz de atrair consumidores tanto no Brasil quanto no exterior — Foto: Divulgação

Eduardo Buechem, sócio da Vitamina Terrestre, encontrou na venda de adubo orgânico em pequenas embalagens, de um quilo ou apenas 150 gramas, um negócio capaz de atrair consumidores tanto no Brasil quanto no exterior — Foto: Divulgação

Segundo Miriam Ferraz, coordenadora de Negócios Internacionais do Sebrae-RJ, a Amazon responde por nada menos que metade das vendas pela internet na maior economia do mundo, e 60% dos americanos começam a procurar um produto no site da gigante do bilionário Jeff Bezos.

Cerca de 70% das marcas dos EUA estão presentes na Amazon, cuja experiência de consumo está ligada a poderosos algoritmos. Para Miriam, não há dúvida de que é uma boa oportunidade para empreendedores brasileiros interessados em ampliar os horizontes:

— A certeza é que cada vez mais as empresas optam por marketplaces para entrar no mercado internacional. É um caminho inevitável.

A coordenadora do Sebrae-RJ afirma que o primeiro passo para os interessados é navegar nos sites de venda no exterior para pesquisar a concorrência. Ela alerta ainda que, antes de anunciar, é preciso planejar e estruturar a operação no Brasil para fazer as remessas, pois atrasos nas entregas e problemas nos produtos são punidos pelas plataformas.

Ricardo Garrido, diretor da Loja de Vendedores Parceiros da Amazon Brasil, conta que a empresa lançou o programa de vendas internacionais no Brasil em 2021 e já leva produtos daqui a 21 países, embora o foco principal dos empresários brasileiros seja os EUA:

— A proposta é que seja tão fácil vender lá como aqui.

Segundo ele, o primeiro produto brasileiro vendido pela Amazon nos EUA foi uma escrivaninha. Apesar de serem produtos grandes e pesados, a qualidade da madeira e o preço fizeram os móveis brasileiros competitivos por lá.

— A cereja do bolo para ser descoberto na vitrine da Amazon é o serviço de publicidade dentro da plataforma — diz.

Demanda identificada

Marcele Rocha Martins, head de internacionalização fabricante de cosméticos em barra B.O.B, apostou na conscientização do consumidor americano em relação ao meio ambiente para deslanchar as vendas por lá, também via Amazon. O diferencial dos produtos é eliminar embalagens plásticas, tirando a água que corresponde a grande parte do volume de xampus e sabonetes líquidos tradicionais.

A empresa, que já nasceu digital e tem fábricas em Juiz de Fora (MG) e São Roque (SP), identificou que faltam marcas nessa categoria nos EUA e viu uma grande oportunidade após dois anos vendendo apenas no seu site próprio no Brasil.

No ano passado, entrou nos marketplaces internacionais e passou também a vender para pontos de venda físicos. Segundo Marcele, as vendas nos EUA alcançaram US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões no câmbio atual) em 2022, e a previsão é duplicar este ano.

— A ideia sempre foi a internacionalização. Estávamos otimistas com os resultados do ano passado, mas superou o que imaginávamos — diz.

O consultor Marcos Gouvêa de Souza, conselheiro do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), vê grande espaço nos marketplaces para levar produtos brasileiros ao exterior com preços competitivos, graças à capilaridade e eficiência da logística de entrega:

— É uma oportunidade real e que deve ser explorada imediatamente. As empresas precisam olhar o mundo de forma mais abrangente.

Para vender lá fora, as empresas têm de seguir as regras de exportação de cada país, um dever de casa inevitável. A burocracia da exportação é a mesma e as taxas variam em cada país. A facilidade está no fato de que o destino é um só: o armazém do marketplace, que se encarrega de levar o produto ao consumidor.

No caso da Amazon, depois que o produto chega, a empresa se responsabiliza pelo pós-venda, inclusive eventuais trocas. No Brasil, qualquer exportação é isenta de imposto. Nos EUA são isentos de taxas de importação produtos de até US$ 800.

Os canais de comércio transfronteiriços, conhecidos como crossborder, têm sido amplamente usados por fabricantes chineses ao redor do mundo para ingressar em mercados atraentes, incluindo o Brasil. Não é pouca a grita do comércio brasileiro, que reclama de falhas na fiscalização sobre produtos que entram no país a preços muito baixos sem pagar o imposto devido, desafiando produtores e varejistas nacionais. Gouvêa de Souza assinala, porém, que o futuro dessas plataformas está mesmo nas transações legais entre países para comércio de mão dupla.

Eduardo Buechem, sócio da Vitamina Terrestre, encontrou na venda de adubo orgânico em pequenas embalagens, de um quilo ou apenas 150 gramas, um negócio capaz de atrair consumidores tanto no Brasil quanto no exterior. Ideais para uso doméstico — no cultivo de orquídeas a suculentas ou mesmo de hortaliças em pequenas hortas —, os produtos são vendidos lá fora na plataforma do Walmart e em sites segmentados, como os de cooperativas de jardinagem e gardens. Ele também já exporta para lojas físicas.

— O marketplace é uma grande vitrine, mas não abro mão de estar também na loja física. Quando a dona de casa vai lá na loja do Walmart, ela também vê e compra — conta o empresário.

Organização importa

Miriam, do Sebrae, diz que o mercado americano é o mais maduro, mas lembra que há muitas opções de marketplaces segmentados de outros países, tanto na venda ao consumidor final quanto entre empresas (B2B). Na avaliação dela, estar lado a lado com concorrentes internacionais, inclusive os chineses, também ajuda a empresa a se aprimorar e manter seu espaço no mercado interno

— É preciso alertar que quem não se sai bem neste mundo sem fronteiras pode não sobreviver em seu próprio país. É uma chance para criar os diferenciais competitivos para sobreviver diante dessa nova dinâmica de mercado.

https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2023/03/pequenas-empresas-usam-marketplaces-de-amazon-e-walmart-para-vender-no-exterior.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s(04) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Brasil é uma das novas frentes na guerra dos chips entre EUA e China

Washington tenta trazer vizinhos para perto e, por óbvio, provoca Pequim; a Brasília interessa a competição


Patrícia Campos Mello – Folha – 4.mar.2023 

O Brasil é uma das novas frentes da guerra entre Estados Unidos e China para dominar a produção mundial de chips. Nos últimos dois meses, Washington sinalizou várias vezes a integrantes do governo Lula o interesse de promover investimentos na cadeia de semicondutores no Brasil.

Na visita do presidente brasileiro a Joe Biden, no início de fevereiro, a secretária de Comércio americana, Gina Raimondo, levantou o assunto na reunião na Casa Branca. Ela se referiu às oportunidades de investimento nas várias etapas da cadeia de semicondutores que vão surgir com a chamada Lei dos Chips, um pacote de US$ 52 bilhões aprovado pelo Congresso americano para estimular a indústria, reduzir a dependência de países asiáticos e manter o país à frente da China na guerra tecnológica.

No dia 15 de fevereiro, Raimondo telefonou para o vice-presidente Geraldo Alckmin e voltou a falar sobre investimentos na cadeia de semicondutores no Brasil. E na próxima quarta-feira (8) a Representante de Comércio dos EUA, Katherine Tai, vem ao Brasil com uma delegação de empresários que querem investir no país, inclusive na área de semicondutores.

Os semicondutores são minúsculos processadores no centro da tecnologia de celulares, carros autônomos, computação avançada, drones e equipamentos militares. São também o núcleo do conflito tecnológico entre EUA e China. Durante a pandemia, devido às interrupções na cadeia de fornecimento, houve escassez mundial de supercondutores, e diversos países buscam agora reduzir sua dependência de importações e passar a ter fornecedores mais próximos geograficamente (nearshoring).

Além de aprovar o pacote bilionário para incentivar a produção de chips avançados nos EUA, Washington impôs uma série de restrições à exportação de chips, tecnologia e equipamentos para Pequim, com o objetivo de atrasar o desenvolvimento da potência asiática. O país tenta ainda cercar a China globalmente: em janeiro, Holanda e Japão cederam à pressão americana e proibiram a exportação de maquinários de chips para os chineses.

Um eventual investimento dos EUA na cadeia de semicondutores no Brasil viria com várias restrições para exportação ou negócios com a China. Segundo a Lei dos Chips, as empresas que receberem fundos americanos não poderão, no prazo de 10 anos, participar de nenhum negócio envolvendo fabricação ou aumento de capacidade de produção de certos semicondutores na China —excluídos os negócios já existentes, que não poderão ser ampliados.

Essa não seria a única condicionante do investimento. O governo Biden recorre a uma diretriz —a regra do produto estrangeiro direto— que proíbe qualquer indústria que use software, tecnologia ou maquinário americano, em qualquer lugar do mundo, de exportar determinados chips e componentes para a China sem autorização de Washington. O ex-presidente Donald Trump usou a regra para impedir globalmente o fornecimento de componentes para a Huawei, gigante chinês de telecomunicações.

Hoje, o Brasil tem 11 grandes empresas na cadeia de produção de semicondutores, mas com capacidade apenas no chamado backend da cadeia, a finalização –teste, afinamento, corte e encapsulamento dos componentes. O país não atua no frontend, etapa que compreende a fabricação do componente, cuja tecnologia é restrita a poucas nações.

Com investimento e transferência de tecnologia, plantas já instaladas no país poderiam passar a atuar no frontend de semicondutores menos avançados e começar a fabricar, no médio prazo (de 10 a 15 anos), chips de 14 nanômetros para abastecer a indústria automobilística doméstica, segundo avaliação do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), chefiado por Alckmin.

O Brasil sente o impacto do déficit global de semicondutores —no mês passado, a Volkswagen anunciou que vai suspender a produção em fábricas no país por falta de componentes. “O Brasil possui todas as condições para receber investimentos na indústria de semicondutores: parque industrial, demanda interna aquecida, mão de obra altamente qualificada e renovará o programa de incentivo”, diz Marcio Elias Rosa, secretário-executivo do MDIC.

Na disputa tecnológica global, a China ainda está atrás de Taiwan, da Coreia do Sul e dos EUA na produção dos chips mais avançados. Apenas Taipé e Seul conseguem fabricar em grande escala os semicondutores de última geração, com processo mais moderno que 7 nanômetros, essenciais para o desenvolvimento de inteligência artificial, carros autônomos e certos armamentos. Pequim, embora seja grande exportadora de chips mais simples, ainda depende de importações para os mais avançados e, por isso, critica a escalada protecionista americana e investe para suprir o déficit domesticamente.

O Brasil, além de iniciar a médio prazo a produção de chips menos avançados para o mercado interno, poderia se beneficiar da estratégia de nearshoring dos EUA. Mais de 60% das indústrias de semicondutores americanas têm a etapa da fabricação dos chips baseada em outros países, principalmente asiáticos. A etapa da finalização também está, em grande parte, no exterior.

Washington quer transferir a produção desses países asiáticos, que são mais distantes geograficamente e poderiam ser mais vulneráveis a pressões da China, para México, Costa Rica, Brasil e outros países do hemisfério ocidental.

“O Brasil não tem condições de ser um player mundial, mas ele pode ocupar elos da cadeia mundial de suprimentos com parcerias”, diz Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC.

A ofensiva americana no Brasil, por óbvio, incomoda Pequim. O regime chinês tem dito que preparará uma recepção histórica para o presidente Lula, que visita o país no final de março. Como parte do pacote de recepção de honra, chineses devem acenar com possibilidade de investimentos e transferência de tecnologia para fábricas de semicondutores no Brasil, com produção voltada para o mercado brasileiro.

Uma ideia seria investir na Ceitec (Centro de Excelência em Eletrônica Avançada), a estatal de semicondutores que entrou em processo de liquidação sob Jair Bolsonaro e que Lula avalia reabrir. Pequim usa uma linguagem que soa como música aos ouvidos petistas —a importância de o Brasil, assim como outros países, ter uma indústria doméstica de chips para garantir sua segurança nacional.

Para os EUA, o nearshoring é estratégico para se manter na dianteira da disputa tecnológica com a China. Em visita ao México em janeiro, Biden falou sobre a importância de investir e integrar a cadeia de semicondutores na região. “Estamos no processo de fortalecer nossas cadeias de fornecimento, para que nem uma pandemia na Ásia nem ninguém possa nos impedir de ter acesso aos elementos essenciais que precisamos para produzir tudo.”

Questionado sobre o interesse dos EUA em investimentos na cadeia de semicondutores no Brasil, Tobias Bradford, porta-voz da embaixada americana em Brasília, enviou nota. “Os presidentes Biden e Lula aproveitam novas oportunidades para impulsionar o comércio e o investimento, bem como ajudar a garantir e expandir as cadeias de abastecimento no hemisfério. A relação econômica Brasil-EUA oferece uma base ideal para explorar essas oportunidades em todos os setores, incluindo semicondutores, nearshoring, energia limpa e muitos outros.”

Na visão do governo brasileiro, que não se inclina para nenhum dos dois lados nessa Guerra Fria tecnológica, interessa manter as duas superpotências em competição.

*A matéria na Folha tem algumas imagens sobre mercado mundial e produção no Brasil, muito interessantes,  que não estão reproduzidas aqui.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/03/brasil-e-uma-das-novas-frentes-na-guerra-dos-chips-entre-eua-e-china.shtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s(04) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

China vence o Ocidente na corrida por tecnologias críticas, diz relatório

3 de março de 2023 Redação Forças de Defesa

A China lidera o mundo em 37 das 44 tecnologias críticas, de acordo com um relatório de um think tank australiano

A China lidera o mundo em 37 das 44 tecnologias críticas, com as democracias ocidentais ficando para trás na corrida por avanços científicos e de pesquisa, revelou um relatório de um think tank australiano.

A China está em posição de se tornar a maior superpotência tecnológica do mundo, com seu domínio já abrangendo defesa, espaço, robótica, energia, meio ambiente, biotecnologia, inteligência artificial (IA), materiais avançados e tecnologia quântica chave, de acordo com o relatório do Australian Strategic Policy Institute (ASPI).

As principais áreas dominadas pela China incluem drones, aprendizado de máquina, baterias elétricas, energia nuclear, fotovoltaica, sensores quânticos e extração de minerais críticos, de acordo com o Critical Technology Tracker divulgado na quinta-feira.

O domínio da China em alguns campos é tão arraigado que todas as 10 principais instituições de pesquisa do mundo para certas tecnologias estão localizadas no país, de acordo com o ASPI.

Em comparação, os Estados Unidos lideram em apenas sete tecnologias críticas, incluindo sistemas de lançamento espacial e computação quântica, de acordo com o ASPI, que recebe financiamento dos governos australiano, britânico e americano, bem como de fontes do setor privado, incluindo as indústrias de defesa e tecnologia. .

O Reino Unido e a Índia estão entre os cinco principais países em 29 das 44 tecnologias, com a Coreia do Sul e a Alemanha entre os cinco primeiros em 20 e 17 tecnologias, respectivamente, disse o relatório.

O ASPI disse que a crescente proeza da China em tecnologias críticas, que o think tank credita ao planejamento de políticas de longo prazo, deve ser um “alerta para as nações democráticas”.

“A longo prazo, a posição de liderança da China em pesquisa significa que ela se estabeleceu para se destacar não apenas no desenvolvimento tecnológico atual em quase todos os setores, mas também em tecnologias futuras que ainda não existem”, disse o ASPI em um comentário que acompanha o relatório.

“Se não for controlado, isso pode mudar não apenas o desenvolvimento e controle tecnológico, mas também o poder global e a influência para um estado autoritário onde o desenvolvimento, teste e aplicação de tecnologias emergentes, críticas e militares não é aberto e transparente e onde não pode ser examinado por sociedade civil independente e mídia”.

O think tank apresentou 23 recomendações para os países ocidentais e seus parceiros e aliados. Eles incluem o estabelecimento de fundos soberanos para financiar pesquisa e desenvolvimento (P&D), facilitar vistos de tecnologia, “friend-shoring” e subsídios de P&D entre nações e buscar novas parcerias público-privadas.

Os EUA e a China estão presos em uma competição acirrada por poder e influência que estimulou movimentos para dissociar suas economias. O governo do presidente dos EUA, Joe Biden, lançou uma série de controles de exportação e incentivos fiscais com o objetivo de prejudicar a indústria de tecnologia da China e restaurar a manufatura doméstica.

Na quinta-feira, o Departamento de Comércio dos EUA adicionou unidades da empresa de genética chinesa BGI e da empresa de computação em nuvem Inspur a uma lista negra comercial por supostamente apoiar os militares chineses e facilitar a vigilância do governo.

FONTE: Al Jazeera

Tags: China, EUA, Ocidente, Tecnologias críticas

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s(04) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Trem-bala Rio-São Paulo: como a empresa TAV pretende tirar do papel projeto estimado em R$ 50 bi

Por André Borges – Estadão – 03/03/2023 

Construtoras da China e da Espanha procuram a TAV Brasil para discutir parcerias, após ANTT dar sinal verde para o projeto; diretor-presidente da empresa, Bernardo Figueiredo diz que também terá encontro com as nacionais

BRASÍLIA – A TAV Brasil, empresa criada para viabilizar a construção do trem de alta velocidade entre São Paulo e o Rio de Janeiro, já realiza as primeiras conversas com empreiteiras para viabilizar o projeto. Diferentemente do que se via dez anos atrás, quando as transações para viabilizar a obra se concentraram em grandes construtoras nacionais, agora negocia-se, também, com grandes companhias da China e da Espanha, já especializadas em erguer esse tipo de projeto. Os contatos passaram a ser feitos pelas próprias empresas, após vir à tona a confirmação de que o projeto obteve autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Ao Estadão, o diretor-presidente da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo, detalhou os próximos passos da empresa para tirar o projeto do papel e as principais mudanças que o empreendimento passa a ter, agora que se tornou um negócio 100% privado, sem nenhuma participação estatal.

Leia também

‘Trem-bala’: Ministério dos Transportes não pode interferir na autonomia da ANTT, diz ministro

Figueiredo foi diretor da ANTT e comandou o projeto do 1º trem de alta velocidade ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2007. Em 2012, foi indicado pela então presidente Dilma Rousseff à presidência da Etav, estatal que licitaria o projeto do trem de alta velocidade, mas o projeto não vingou. Ele também acabou por não ser reconduzido ao cargo na agência.

Na parte de infraestrutura, uma das principais mudanças que o novo empreendimento prevê diz respeito ao traçado, que retirou estações que estavam desenhadas para os centros das cidades. O projeto original previa, por exemplo, 20 quilômetros de túnel na cidade São Paulo, enquanto o novo não contempla essa obra. A ideia é terminar o trajeto na região de Pirituba. Do lado carioca, a obra acabaria em Santa Cruz, podendo ser acessada, a partir dali, por meio de uma eventual parceria com a rede da Supervia. São 34 estações de Santa Cruz à região central do Rio.

“Essa é uma questão que está resolvida. Não entraremos dentro dos centros urbanos, mas buscaremos parcerias. A partir destes pontos, podemos negociar conexões com outras redes, ou eventuais construções de ramais”, disse Figueiredo.

O número de paradas também foi cortado pela metade. Enquanto o primeiro traçado do trem-bala, desenvolvido durante o primeiro governo Dilma Rousseff, previa a construção de até oito estações em seu trajeto de 400 km, o novo projeto conta com apenas quatro estações – São Paulo, São José dos Campos, Volta Redonda e Rio de Janeiro – prevendo diversos tipo de viagens, como viagens sem parada, por exemplo. O traçado inteiro, de 378 km, poderá ser feito em viagens de 1 hora e 30 minutos, com velocidade aproximada de 350 km por hora, diz Figueiredo.

O detalhamento do trajeto ainda será conhecido durante a elaboração do projeto executivo de engenharia, mas o que já se sabe é que todo percurso será novo, ou seja, não está prevista a exploração paralela de nenhuma outra linha de trem pré-existente.

Diretor-presidente da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo detalhou como empresa vai tirar o projeto do trem-bala do papel.

Diretor-presidente da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo detalhou como empresa vai tirar o projeto do trem-bala do papel.  Foto: Wilton Junior/Estadão

Nesta quarta-feira, 1, a TAV Brasil assinou o contrato de adesão ao projeto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Com esse contrato, a TAV Brasil passa a ter, na prática, o direito de construir e explorar comercialmente o trem-bala, pelo prazo de 99 anos. Trata-se de um passo fundamental do empreendimento, que recebeu aval do poder público para ir adiante. Resta agora ver como o setor privado vai se comportar.

Bernardo Figueiredo disse que, ao longo deste ano, a TAV Brasil, que é uma sociedade de propósito específico (SPE) criada exclusivamente para viabilizar o projeto, vai firmar acordos com empreiteiras e o futuro operador do trem. Com a autorização obtida junto da ANTT, o próximo passo, agora, é contratar uma empresa que fará o estudo de impacto ambiental (EIA) da obra, processo que deverá ser encaminhado ao Ibama, responsável pelo licenciamento ambiental.

Paralelamente, com o avanço das parcerias e investidores, a TAV Brasil vai atrás de alternativas para o financiamento do projeto. A estimativa é de que o empreendimento de R$ 50 bilhões – cifra que o transforma na obra de infraestrutura mais cara do País – tenha entre 72% e 80% de seu valor financiado, em acordos de longo prazo, de 25 a 30 anos.

Questionado se o BNDES será acionado pela empresa, Figueiredo disse que a TAV Brasil deve falar com todos os bancos possíveis para viabilizar a obra, priorizando as alternativas internacionais, além de bancos privados. Entre as portas que devem ser acionadas estão nomes como o Banco Europeu de Investimento (BEI). Outra opção considerada é o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), conhecido como o “banco dos Brics”, em referência ao bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O governo Luiz Inácio Lula da Silva deve indicar a ex-presidente Dilma Rousseff para a presidência da instituição.

Fechada toda a equação financeira e de engenharia, a TAV Brasil precisa viabilizar o licenciamento da obra. É nesta fase, por exemplo, que se estabelece os processos de desapropriação pública de propriedades. Cabe ao poder público indicar o que deve ser desapropriado e, à empresa, indenizar os proprietários.

Figueiredo disse que, dos R$ 50 bilhões previstos no projeto, cerca de 80% estão ligados a custos com a construção da malha, o trem em si e os sistemas de funcionamento. Nos demais 20% entram gastos com indenizações e o próprio licenciamento, entre outros itens.

Continua após a publicidade

Bernardo Figueiredo diz que empresa já iniciou conversas com parceiros potenciais dentro e fora do Brasil.

Bernardo Figueiredo diz que empresa já iniciou conversas com parceiros potenciais dentro e fora do Brasil.  Foto: Wilton Junior/Estadão

Apesar de toda a movimentação empresarial, o início efetivo da obra está previsto para ocorrer somente daqui a cerca de cinco anos, estima Figueiredo. Para que possa cravar o primeiro trilho no chão, o trem-bala precisa obter duas autorizações do Ibama, as licenças prévia e de instalação. Depois, vem a fase da construção em si, estimada entre quatro e seis anos. Na prática, portanto, caso o calendário caminhe como se espera, o trem estaria em operação daqui a cerca de dez anos.

Com uma sucessão de reuniões na agenda desde que recebeu sinal verde da ANTT para tocar o projeto, Bernardo Figueiredo tem a parceria do advogado Marcos Joaquim, sócio-fundador do M.J. Alves e Burle Advogados e Consultores, especializado em estruturar projetos, e da Global Ace, do empresário Daniel Suh, que já apoiou a estruturação de projetos de trem de alta velocidade em parceria com os coreanos.

Os estudos de engenharia apontam que, do ponto de vista de demanda e da distância entre São Paulo e Rio de Janeiro, nenhum outro traçado no mundo reúne hoje condições técnicas e financeiras mais interessantes para viabilizar a obra. Para Bernardo Figueiredo, não há nenhuma sombra de dúvidas de que, dessa vez, o projeto vai sair do papel, e sem depender da injeção de recursos públicos.

Por ser um empreendimento 100% privado, sob risco total do empreendedor, a TAV Brasil ficaria livre para cobrar qualquer tarifa do usuário, diferentemente do que ocorria no modelo original proposto pelo governo, que estabelecia uma tarifa teto para oferta do serviço. No modelo de autorização, cabe à empresa dizer quanto vai cobrar, por qual tipo de viagem, concorrendo com o setor aéreo e o transporte rodoviário. “Passamos a ter, também, essa liberdade a mais, o que atrai a competição”, disse Figueiredo. “Não tenho nenhuma dúvida de que, agora, o projeto vai pra frente. Não trabalho com outra hipótese. Vamos fazer o trem bala virar realidade”, diz.

https://www.estadao.com.br/economia/trem-bala-rio-sao-paulo-empresa-tav-projeto-estimado-50-bilhoes/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s(04) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/