Eólica e solar se consolidam como tendência do futuro

Expansão das fontes variáveis expõe necessidade de reforçar as linhas de transmissão e aperfeiçoar o sistema de preços

Por Roberto Rockmann — Para o Valor 28/06/2023

Nas últimas duas décadas, houve uma transformação da matriz de energia elétrica no Brasil, com a diversificação de fontes e o avanço das fontes eólicas e solar. Se no início dos anos 2000, com cerca de 70 de gigawatt (GW) de capacidade, o país tinha 90% da eletricidade gerada por hidrelétricas e o sol e o vento não respondiam nem por 1% da geração, o presente e o futuro apontam em outra direção. As eólicas somam 26 GW de potência, que correspondem a 13% da eletricidade do país. Já a solar totaliza 30 GW de capacidade, com 21 GW em Geração Distribuída (GD) solar, 14% da geração nacional. Os dados são da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

O crescimento irá continuar, o que poderá também posicionar o país na liderança do hidrogênio verde (H2V). Até 2029, a capacidade instalada de projetos movidos pela força dos ventos deve somar 50 GW. Em GD solar, a consultoria PSR estima que em 2033 o setor poderá chegar a 41 GW. O avanço dessas fontes variáveis, que dependem de condições climáticas, também expõe a necessidade de reforçar as linhas de transmissão e aperfeiçoar o sistema de preços do setor elétrico, com a análise da precificação dos atributos das fontes.

O avanço das duas fontes está ligado à queda no preço das tecnologias. Em dez anos, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis, o custo de adoção da eólica e solar caiu 80%. No Brasil, com grande irradiação e os ventos fortes, as duas estão entre as mais competitivas. O fator de competitividade das eólicas no Nordeste, por conta dos ventos alísios, é superior a 50%, o dobro da média mundial. No sol, há uma particularidade. “Na energia solar, especificamente, temos uma característica especial dessa tecnologia, sendo possível ter investimentos em sistemas de pequeno, médio e grande porte”, diz o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia.

Algumas empresas começaram a combinar projetos solar com eólico, o que no jargão do setor se chama de empreendimentos híbridos. “O grande benefício das usinas híbridas é a otimização do uso da rede de transmissão. Essa sinergia de fontes diversas com a mesma estrutura para escoamento de energia é uma premissa dos projetos da Voltalia. Dos 7 GW em desenvolvimento, 20% são projetos híbridos”, diz Robert Klein, presidente da Voltalia. O investimento nas duas fontes renováveis também desperta a atenção no H2V, que pode ser produzido no Brasil só com fontes limpas. A Voltalia assinou memorandos de entendimento para estudos sobre projetos de hidrogênio verde no Rio Grande do Norte e no Ceará.

Não bastasse o potencial das eólicas em terra, o Brasil ainda poderá desbravar uma nova fronteira: eólicas em alto mar. O potencial é de 700 GW, sendo que empresas já enviaram mais de 150 GW em projetos para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Nesse momento, discute-se a regulação do setor. “Isso poderá contribuir para a reindustrialização do país, com o avanço do hidrogênio verde no mundo”, diz a presidente Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum.

O Brasil tem grande competitividade. Estudo da BloombergNEF projeta o país como um dos únicos capazes de oferecer hidrogênio verde a um custo inferior a US$ 1 por kg até 2030. Um dos impulsionadores do mercado é a União Europeia (UE), com destaque para a Alemanha, que pretende realizar no segundo semestre um leilão de contratação do energético. A ideia do governo alemão é contratar € 900 milhões em acordos de dez anos de hidrogênio verde a ser importado de países que não sejam do bloco e nem da Associação Europeia de Livre Comércio.

A tecnologia não movimenta apenas o setor elétrico. Ano passado, a ArcelornMittal anunciou a aquisição da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) por US$ 2,2 bilhões. Além de ampliar sua produção no Brasil, a aquisição teve na energia um de seus pilares, com a intenção de “capitalizar o significativo investimento planejado de terceiros para formar um hub de eletricidade limpa e de hidrogênio verde em Pecém, localizado entre os municípios de Caucaia (CE) e São Gonçalo do Amarante (CE), a 60 km de Fortaleza.

A ArcelorMittal está de olho no hub de Hidrogênio Verde de Pecém, parceria entre o Complexo Pecém e a Linde, que almeja produzir até 5 GW de energia renovável e 900 kt/a de hidrogênio verde em diversas fases. A primeira fase, que a parceria espera estar concluída ao longo dos próximos cinco anos, tem como objetivo a construção de 100 MW a 150 MW de capacidade de energia renovável.

https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/energias-renovaveis/noticia/2023/06/28/eolica-e-solar-se-consolidam-como-tendencia-do-futuro.ghtml

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Eve, da Embraer, foi a grande vencedora do Paris Air Show, diz JPMorgan

Mercado de eVTOLs apresenta potencial de mais de US$1 trilhão apenas em demanda de passageiros e potencialmente ultrapassando US$3 trilhões até 2040, estima o banco

eVTOL da Embraer com GlobalX (Exame/Divulgação)

eVTOL da Embraer com GlobalX (Exame/Divulgação)

Raquel Brandão – Publicado em 27 de junho de 2023 

A Eve, fabricante dos eVTOLs da Embraer, os chamados “carros voadores”, se destacou como a principal vencedora do Paris Air Show. Com uma série de anúncios estratégicos, incluindo parcerias com fornecedores-chave e novos pedidos, a empresa conquistou a atenção dos especialistas e investidores, resultando em um aumento significativo das expectativas de preço para o final de 2023, escrevem os analistas do JPMorgan.

Segundo eles, a Eve demonstrou um notável progresso, levando-os a revisar seu preço-alvo de US$9,00 para US$12,50. A recomendação do papel é de compra. Essa valorização reflete um processo de redução de riscos identificado pela empresa, que agora conta com uma taxa de desconto de 25%, em comparação com os 27,5% anteriores. Eles ressaltam que as estimativas financeiras subjacentes permaneceram inalteradas, destacando a solidez da estratégia da Eve.

Os principais anúncios da Eve durante o evento Paris Air Show foram fundamentais para impulsionar seu sucesso. Em primeiro lugar, a empresa selecionou fornecedores-chave para o desenvolvimento de seus eVTOLs. Entre eles, destacam-se a Nidec Aerospace, responsável pelos sistemas de propulsão elétrica, a renomada BAE Systems, encarregada dos sistemas avançados de armazenamento de energia, e a DUC Helice Propellers, responsável pelos rotores e hélices. Essas parcerias estratégicas garantem que a Eve esteja bem posicionada para avançar na produção em larga escala até 2026.

Outro ponto de destaque foi a conquista de novos pedidos. A Nordic Aviation Capital (NAC) anunciou um pedido firme de 15 unidades, com opções para mais 15, enquanto a Widerøe Zero manifestou sua intenção de adquirir 50 eVTOLs. Além disso, a Eve revelou que a Voar Aviation já havia realizado um pedido anteriormente classificado como confidencial, totalizando 50 eVTOLs. Com isso, a empresa acumula um impressionante backlog de US$8,6 bilhões, representado por 2.850 eVTOLs.

As expectativas do mercado em relação à Eve são bastante promissoras, afirmam os analistas. Os próximos marcos a serem atingidos pela empresa incluem a montagem do primeiro protótipo em escala real no segundo semestre de 2023, seguida por uma campanha de testes em 2024. Além disso, a empresa busca garantir fornecedores para outros sistemas essenciais, como controle de voo, aviônicos, estrutura e sistemas de gerenciamento de energia.

“A Eve se destaca no mercado não apenas por seus avanços tecnológicos, mas também por seu sólido apoio da Embraer, que detém cerca de 89% de participação acionária na empresa e fornece serviços como parte do contrato MSA, o que a diferencia de seus concorrentes e a ajuda a operar com custos operacionais mais baixos em suas fases iniciais”, afirma a equipe do JP. Além disso, a Eve possui uma carteira de pedidos superior, estimada em cerca de 2.850 unidades, ou aproximadamente US$8,6 bilhões, representando uma participação de mercado de cerca de 22%.

O mercado de eVTOLs apresenta um potencial considerável, estimado em mais de US$1 trilhão apenas em demanda de passageiros e potencialmente ultrapassando US$3 trilhões até 2040, ao adicionar o transporte de cargas e uso militar. “Nesse contexto, a Eve se posiciona como uma protagonista em ascensão, pronta para aproveitar as oportunidades desse mercado em rápida expansão.”

Mais sobre:Embraer

Raquel Brandão

Repórter de InvestJornalista há mais de uma década, foi repórter do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas

https://exame.com/invest/mercados/eve-da-embraer-foi-a-grande-vencedora-do-paris-air-show-diz-jpmorgan/

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Como será o dia em que Putin desligar os cabos da internet mundial?

A sensação de invulnerabilidade do Ocidente é ilusória, e seus rivais entendem bem isso

Por Moisés Naím – Estadão – 25/06/2023 

É fácil imaginar a internet como um fenômeno etéreo, imaterial. Nestes tempos é normal, por exemplo, conectar-se à rede sem necessidade de cabos, guardar dados na “nuvem” e supor que a informação flui sem “sujar-se” no mundo tátil.

Pena que essas suposições sejam errôneas. A rede da qual dependemos é alarmantemente física e eminentemente vulnerável. Segundo o marechal Edward Stringer, ex-diretor de operações do Ministério de Defesa britânico, 95% do tráfego internacional de dados passa por um pequeno número de cabos submarinos. Estamos falando de meros 200 cabos, cada um da grossura aproximada à de uma mangueira de jardim e capaz de transferir cerca de 200 terabytes por segundo.

Por essa rede física trafegam US$ 10 trilhões em transações financeiras a cada dia. Como explica Stringer, nos últimos 20 anos, a Rússia investiu fortemente em sistemas capazes de atacar essa rede de cabos submarinos. O Kremlin conta hoje com uma frota de sofisticados submergíveis não tripulados projetados especificamente para esses fins. E a China também.

De fato, não se trata de uma ameaça teórica. Em outubro de 2022, o cabo submarino que conecta as Ilhas Shetland com o restante do mundo foi cortado em dois pontos. Poucos dias antes, havia sido detectada presença nessa região de um barco russo de “investigação científica”.

Não é possível vincular a presença do barco com o corte do cabo. De fato, na maioria das vezes os cortes se devem a acidentes com embarcações pesqueiras ou a eventos sísmicos no leito marinho. Mesmo assim, essa coincidência preocupou muito as agências de segurança das potências ocidentais, que perceberam o o incidente como uma advertência enviada pelo Kremlin.

Outro evento relevante nesse sentido foi a decisão tomada em fevereiro de 2023 pelas duas maiores empresas de telecomunicações chinesas, que decidiram se retirar do consórcio internacional encarregado de desenvolver uma rede de 19,2 mil quilômetros de cabos submarinos que conectam o sudoeste da Ásia e a Europa Ocidental.

Os impactos de um ataque coordenado contra os principais cabos submarinos em nível global seriam incalculáveis. Um ataque simultâneo paralisaria o comércio global, os mercados financeiros, o trabalho remoto e as indústrias de tecnologia e comunicação, provocando uma recessão mundial.

Mas o problema não seria meramente financeiro: as cadeias de fornecimento do século 21 dependem da transferência constante de dados para coordenar a entrega de bens e produtos. A interrupção deste fluxo poderia causar um efeito dominó de atrasos e cancelamentos que restringiria a integração econômica, política e até cultural de diferentes zonas geográficas.

Ainda mais, a crise financeira e econômica que um ataque desse tipo precipitaria nem sequer seria o maior dos problemas. “Desconectar” os cabos de potências rivais desembocaria numa crise inadministrável, especialmente se for possível atribuir a responsabilidade a algum ator estatal específico, o que poderia provocar conflitos e reconfigurar alianças. Os países que dependem em grande medida da infraestrutura digital seriam os mais afetados, e aqueles com capacidades autônomas de comunicação e tecnologia poderiam obter vantagens estratégicas.

Desafortunadamente, tais cenários não podem ser ignorados, porque no alto-mar reina a anarquia. Os tratados internacionais existentes sobre direito de navegação não cobrem satisfatoriamente o caso dos cabos submarinos. Trata-se de um exemplo emblemático de uma realidade global que, apesar de ser de grande interesse público, não está adequadamente protegida nem física nem legalmente.

Até agora, as potências marítimas se abstiveram de atacar em grande escala as infraestruturas submarinas. Obviamente, atacar os cabos e conexões submarinas do rival provocaria custosas retaliações. Mas o equilíbrio atual é instável e inerentemente suscetível a perturbações que podem desestabilizar o sistema mundial da noite para o dia.

Quando imaginamos que eventos seriam capazes de suscitar uma escalada entre o Ocidente e seus rivais, nós tendemos a nos esquecer dessa realidade. As sociedades contemporâneas não podem funcionar sem a transmissão de dados facilitada pela internet que, por sua vez, não pode funcionar sem infraestruturas muito difíceis de defender.

A sensação de invulnerabilidade do Ocidente é ilusória, e seus rivais entenderam bem que certas infraestruturas — começando pelos cabos submarinos — são seu calcanhar de Aquiles. Essa realidade sublinha a necessidade de manter relações minimamente funcionais na arena internacional.

A interdependência entre os países não é apenas um conceito usado por diplomatas. É uma realidade que define o mundo de hoje. Este é um mundo no qual os problemas, riscos e ameaças se fazem cada vez mais internacionais, enquanto as respostas dos governos seguem sendo predominantemente nacionais. Há problemas que nenhum país consegue resolver atuando sozinho. A necessidade de coordenar respostas e responder coletivamente com eficácia às ameaças é um objetivo para o qual o mundo não está preparado. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

https://www.estadao.com.br/internacional/como-sera-o-dia-em-que-putin-desligar-os-cabos-da-internet-mundial-leia-a-coluna-de-moises-naim/

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A desindustrialização do Vale do Silício e o triunfo da China 

Paulo Gala – Twitter – 25 de jun de 2023

Os americanos adoram a ideia de alguns caras numa garagem que inventam algo capaz de mudar o mundo. Startups são maravilhosas, mas não podem, por si, aumentar o emprego no setor de tecnologia. De igual importância é aquilo que vem depois do momento mágico de criatividade de garagem, quando a tecnologia passa da invenção para a produção em massa. É nessa fase em que as empresas aumentam de escala. Tratam de detalhes de projeto, descobrem como produzir de forma acessível, constroem fábricas e contratam milhares de pessoas. Aumentar a escala é difícil, mas necessário para que a inovação tenha relevância. 

Aqui muitas vezes o papel do estado como garantidor de demanda é fundamental. Foi assim no caso dos painéis fotovoltaicos demandados por satélites da NASA, por exemplo, e todas as tecnologias militares e do programa aeroespacial americano. O aumento de escala costumava dar certo no Vale do Silício. Empreendedores inventavam novas coisas. Investidores lhes davam dinheiro para construir seus negócios. Se os fundadores e investidores dessem sorte, a empresa crescia e chegava a uma oferta pública inicial que atraía dinheiro para financiar mais crescimento. 

Esse foi o caso, por exemplo, da Intel. Em 1968, alguns engenheiros e seus amigos investidores injetaram $3 milhões para fundar a Intel (INTC), produzindo chips de memória para a indústria de computadores. Desde o começo, o maior desafio era dar volume à produção dos chips. Construíram fábricas nos EUA, contrataram engenheiros e criaram uma enorme rede de colaboradores até se tornar uma empresa bilionária. Em 1980, 10 anos depois do IPO, a Intel empregava cerca de 13.000 pessoas nos EUA. A Tandem Computers passou por um processo semelhante, seguida pela Sun Microsystems, Cisco (CSCO), Netscape e assim por diante. 

Algumas empresas morreram ou foram absorvidas por outras, mas cada sobrevivente aumentava o complexo ecossistema tecnológico que ficou conhecido como Vale do Silício. Com o passar do tempo, os salários aumentaram. A China surgiu. Empresas americanas descobriram que podiam realizar sua produção e até mesmo sua engenharia de maneira mais barata no exterior. Quando faziam isso, suas margens aumentavam. A administração ficava satisfeita e os acionistas também. O crescimento continuava e com lucratividade ainda maior. A máquina de empregos do Vale do Silício começava a engasgar. 

Em 2012, o emprego industrial no setor de computadores dos EUA já tinha caído para cerca de 166.000 vagas a menos do que antes da montagem do primeiro PC, o MITS Altair 2800 em 1975. Nesse meio tempo, emergiu na Ásia um setor de fabricação de computadores altamente eficaz, empregando milhares de operários, engenheiros e gestores. A maior dessas empresas é a Hon Hai Precision Industry em Shenzen, também conhecida como Foxconn. A empresa cresceu a uma velocidade estarrecedora, primeiro em Taiwan e depois na China. Seu faturamento se aproximando de Apple, Microsoft, Dell e Intel. 

A Foxconn emprega mais de 800.000 pessoas, mais do que o total mundial consolidado da Apple, Dell, Microsoft, Hewlett-Packard, Intel e Sony. A Foxconn produz computadores para a Dell e HP, produzia celulares para a Nokia (NOK), consoles Microsoft Xbox 360, placas-mãe da Intel e incontáveis outros dispositivos. Cerca de 300.000 colaboradores da Foxconn produziam produtos da Apple no sul da China em 2015. A Apple, por seu lado, tinha cerca de 30.000 colaboradores nos EUA. Isso quer dizer que, para cada trabalhador da Apple nos EUA, havia 10 pessoas na China produzindo iMacs, iPods e iPhones. 

A mesma proporção aproximada de 10-para-1 se mantinha para a Dell, para a fabricante de discos rígidos Seagate Technology (STX) e outras empresas de tecnologia dos EUA. O trabalho de alto valor agregado e grande parte dos lucros ficam nos EUA, mas o grande volume de empregos foi para a Ásia. Desde os primórdios do Vale do Silício, o dinheiro investido nas empresas aumentou dramaticamente, mas produziu cada vez menos empregos. Os EUA se tornaram enormemente ineficientes na geração de empregos de tecnologia para os americanos. Há mais em jogo nessa história do que a mera exportação de empregos. 

Em relação a algumas tecnologias, tanto o ganho de escala quanto a inovação se dão no exterior. É o caso das baterias elétricas avançadas, as baterias de íons de lítio. As baterias estão para os veículos elétricos como os microprocessadores estão para os computadores. Mas, ao contrário do que se dá com estes, a participação americana na produção de baterias de íons de lítio é ínfima. Um novo setor precisa de um ecossistema eficaz em que o knowhow tecnológico se acumule, experiência gere experiência, e desenvolvam-se relacionamentos estreitos entre fornecedor e cliente. 

Os EUA perderam sua liderança em baterias há 30 anos, quando pararam de produzir dispositivos eletrônicos de consumo. Então, quem produzia baterias ganhou a exposição e os relacionamentos necessários para aprender a fornecer baterias para o mercado mais exigente de laptops e, depois, para o ainda mais exigente mercado automotivo. As empresas americanas não participaram da primeira fase e, por isso, não estavam presentes para o que veio a seguir. A China tomou esse mercado dos EUA. Os EUA passaram a desprezar o setor industrial. 

A ideia de que, desde que o “trabalho de conhecimento” permaneça nos EUA, não importa o que irá acontecer com os empregos industriais. Esse tipo de mentalidade rompeu a cadeia de experiência produtiva das empresas americanas, tão importante para a evolução tecnológica. Os EUA entregaram o vale do sílicio para o livre mercado; que levou toda a produção para a Ásia do leste com a ajuda de seus governos! 

O desenvolvimento acelerado das economias asiáticas proporciona diversos exemplos disso. Os “Projetos Dourados”, uma série de iniciativas digitais encabeçadas pelo governo chinês no final da década de 1980 e nos anos 1990 são grandes exemplos disso. Pequim estava convencida da importância das redes de comunicação e eletroeletrônica – usadas para transações, comunicação e coordenação – para a potencialização da geração de empregos, especialmente nas partes menos desenvolvidas do país. Por isso esses projetos gozaram de financiamento público prioritário. Com o tempo, contribuíram para o desenvolvimento acelerado da infraestrutura informacional chinesa e para o crescimento econômico do país. A China triunfou. 

Referencias: https://amp.economist.com/technology-quarterly/2021/01/07/how-governments-spurred-the-rise-of-solar-power?__twitter_impression=true

https://bloomberg.com/news/features/2021-01-13/china-loves-elon-musk-and-tesla-tsla-how-long-will-that-last https://bloomberg.com/news/articles/2010-07-01/andy-grove-how-america-can-create-jobs https://hbs.edu/faculty/Publication%20Files/12-105.pdf https://ecodebate.com.br/2020/06/18/energia-solar-cresce-225-no-mundo-com-mais-de-115-gigawatts-instalados-no-ultimo-ano/?fbclid=IwAR13J9aY-ihuRLZ8EqtFLvz9cajjy-G2GVFeZAmN3wajehSq06UqlOrUh70

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Falta de um plano nacional pode deixar Brasil fora da corrida pelo hidrogênio verde

Estudo aponta que dos 359 projetos já anunciados no mundo, apenas um é no Brasil, em Suape, Pernambuco

Por Denise Luna – Estadão – 25/06/2023 

O hidrogênio verde vai se tornar uma commodity nos próximos 10 anos e o Brasil, apesar de ter tudo para liderar a comercialização do novo combustível no mundo, ainda não tem um planejamento nacional para incentivar a produção e exportação do produto. O País está no centro das atenções globais devido à sua matriz elétrica 85% limpa, condição fundamental para a produção do novo combustível. Mas dos 359 projetos já anunciados no mundo, apenas um é no Brasil, em Suape, Pernambuco, segundo levantamento da consultoria A&M Infra.

“O Brasil está deixando uma oportunidade enorme na mesa e não vai surfar como deveria”, avalia Filipe Bonaldo, diretor da A&M Infra. “Nós temos pouquíssimo incentivo do governo e nossa regulação está uma bagunça, nosso plano de hidrogênio verde no Brasil não existe”, afirma.

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Apesar das críticas, o Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que a política nacional para o hidrogênio verde no Brasil foi lançada em 2021, como Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), que tem como objetivo desenvolver o mercado e a indústria de hidrogênio no País, considerando seu potencial enquanto vetor de transição energética.

Foram criadas cinco câmaras temáticas e realizada uma única reunião, em agosto de 2022, para oficializar as nomeações e iniciar os trabalhos. “Os próximos passos do PNH2 incluem a publicação do Plano de Trabalho Trienal após Consulta Pública e a implementação das ações previstas para 2023″, disse o ministério, sem detalhar as ações.

O MME destacou ainda, que de acordo com estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2021, além de diversos projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em escala piloto, foram anunciados três projetos em escala industrial de hidrogênio verde: o Hub de Hidrogênio Verde do Estado do Ceará, no Porto de Pecém; o projeto no Porto de Suape, em Pernambuco; e no Porto do Açu, no Estado do Rio de Janeiro. Tais projetos estão em fase de estudos de viabilidade técnica e econômica.

Filipe Bonaldo afirma, entretanto, que hoje as iniciativas para projetos no País estão sendo tomadas individualmente pelos Estados, em parceria com empresas privadas.

Isso pode deixar o Brasil de fora da corrida para abastecer países que não conseguem se descarbonizar, principalmente na Europa, em contraponto a outros países que saíram na frente, com planos bem estruturados pelos governos para desenvolver não apenas a produção, mas também a comercialização e transporte, além de linhas de financiamento e subsídios.

Investimentos

A demanda pelo combustível vai ser gigante. Segundo o estudo da A&M Infra, serão 90 milhões de toneladas por ano no mundo em 2030. Para atender esse consumo, será necessário investir US$ 500 bilhões. E mesmo que todos os projetos que foram oficialmente anunciados saiam do papel, o total da produção soma 60 milhões de toneladas, o que ainda deixa um déficit de 30 milhões de toneladas de oportunidades.

“Dos mais de 300 projetos, apenas 5% saíram do papel, e são plantas piloto, que vêm de investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e que não estão preocupados com o retorno do investimento. É mais para estudar a tese e tirar benefícios dessa tese, de como funciona todo o processo, que é o que deveria estar sendo feito aqui no Brasil”, alerta.

Estudo feito pelo banco de investimento Goldman Sachs mostra que até 2050 o mercado de hidrogênio no mundo ultrapassará US$ 11 trilhões. Tamanha euforia se deve ao potencial do produto. O hidrogênio tem três vezes mais energia do que a gasolina com a vantagem de ser uma fonte limpa. Com amplo potencial para geração eólica e solar, o Brasil teria capacidade de produzir hidrogênio verde para consumo próprio e para exportação.

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O Brasil tem sido centro do interesse de países que tem dificuldade de cumprir as suas metas de descarbonização por possuir uma robusta geração de energia renovável, base fundamental para a produção de hidrogênio verde, que é obtido a partir da eletrólise (processo que tira o hidrogênio da água).

Para isso, é necessário um grande volume de energia, o que não falta no Brasil, principalmente levando em conta projetos de eólicas offshore, que podem dobrar a geração de energia elétrica no País. Exemplo disso foi o recente anúncio do Comitê Europeu de investir R$ 10 bilhões em projetos brasileiros de hidrogênio verde.

“Os países veem necessidade do Brasil fazer parte disso, mas o Brasil não se estrutura. A Europa tem o senso de urgência que ela precisa para se descarbonizar, e ela quer fazer esse plano de negociação no Brasil, mas vai fazer por meio de empresas privadas”, prevê, ressaltando que a União Europeia está colocando “os ovos em várias cestas”, se aproximando do Brasil e do Chile, mas deve começar com investimentos na África, que fica mais perto, e depois o sudeste asiático.

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Para ele, o Brasil precisa correr para não ficar de fora do novo negócio, enquanto países como Chile e Austrália vêm se destacado por já terem um planejamento para desenvolver esse mercado, explica Bonaldo. “Os países tem criado seus próprios planos de hidrogênio nacional, como o Chile, que criou um bom plano nacional, a Austrália também. São países que estão se posicionando para de fato trabalhar nessa exportação. Porém o Brasil não. O Brasil está vendo esse movimento acontecer e fazendo poucos movimentos para incentivar”, avalia.

Os Estados Unidos deram um grande passo recentemente, com o anúncio de financiamento de US$ 9,5 bilhões pelo Departamento de Energia para criar hubs de hidrogênio verde no País. “Lá eles colocaram uma vertente de incentivo a hidrogênio verde e já começa a se desenvolver uma indústria. Não estão pensando apenas na commodity, mas no desenvolvimento de tudo que envolve a indústria do hidrogênio verde”, explica.

Esta semana, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, anunciou em suas redes sociais que o Piauí terá R$ 50 bilhões em investimentos na produção de hidrogênio verde. Um dos acordos firmados foi com o grupo espanhol a Solatio Energia, que investirá R$ 30 bilhões em plantas industriais de produção de hidrogênio verde no estado, segundo Fonteles. Outros estados também têm anunciado interesse de iniciar a produção, mas sem detalhar projetos. Em Suape, as parcerias envolvem empresas como a francesa Qair, White Martins, Casa dos Ventos e Neoenergia.

Mesmo estando entre os 20 maiores projetos de grande escala, pelo projeto de Suape, o Brasil ainda tem tempo de se estruturar, se houver incentivo governamental, mas, de acordo com Bonaldo, um projeto de hidrogênio verde leva entre 4 a 5 anos. “Se demorar mais dois, três anos para se estruturar, quando a demanda mundial estiver em 90 milhões, daqui a sete anos, a gente vai ter apenas as cinco mil toneladas de Suape, nada representativo”, calcula.

https://www.estadao.com.br/economia/negocios/falta-de-um-plano-nacional-pode-deixar-brasil-fora-da-corrida-pelo-hidrogenio-verde/

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Autoridades chinesas criam lista de tendências de desenvolvimento em IA generativa

A lista de 41 itens inclui algoritmos para inovações como geração e identificação de voz, atendimento ao cliente inteligente e fusão facial

Exame/China2Brazil – 21 de junho de 2023 

A autoridade de ciberespaço da China divulgou uma lista de 41 algoritmos de serviços de síntese profunda desenvolvidos por empresas de internet chinesas. Esse movimento está ajudando a estabelecer um arcabouço legal para a inteligência artificial generativa (IA), um setor de elevada tecnologia altamente competitivo que está experimentando um rápido desenvolvimento na China.

A lista de 41 itens inclui algoritmos para inovações em IA, como big data, geração e identificação de gráficos, geração de vídeo, geração e identificação de voz, atendimento ao cliente inteligente e fusão facial. Isso destaca os avanços das empresas de tecnologia chinesas em diferentes áreas de IA.

Os gigantes da tecnologia chinesa, como Baidu, Tencent, Alibaba, ByteDance, iFlyTek e Meitu, estão entre as empresas que desenvolveram essas tecnologias, de acordo com o Global Times.

Utilização de IA para voz e rosto

Essas inovações tecnológicas especificam os cenários de aplicação para cada algoritmo individual. Por exemplo, a tecnologia de identificação de voz desenvolvida pela iFlyTek pode ser aplicada em cenários de geração de voz, permitindo que os desenvolvedores extraiam os caracteres da voz a partir de gravações e os combinem com algoritmos para identificar pequenos trechos de voz e gerar informações em texto.

Outro exemplo é o algoritmo de fusão facial desenvolvido pela Bighead Bros, com sede em Shenzhen, que possui o aplicativo de vídeo Doupai. Esse algoritmo permite a fusão da imagem enviada pelos usuários com uma imagem humana específica, gerando uma imagem facial e um vídeo que exibem as características faciais dos usuários.

A tecnologia de síntese profunda envolve aprendizado profundo, aprendizado de máquina e outros sistemas de processamento algorítmico e é conhecida tecnicamente como “deepfake”. Ela utiliza conjuntos de dados mistos e algoritmos de IA para produzir conteúdo sintético, porém “falso”. Essa tecnologia ganhou popularidade rapidamente na China, especialmente após o sucesso mundial do ChatGPT, um chatbot gerado por IA que também é considerado uma aplicação avançada da tecnologia deepfake.

“A lista é uma resposta oportuna aos novos desenvolvimentos no mercado de IA. Ela esclarece quais aplicações de algoritmos são legítimas, quem pode usá-las e em quais casos. Isso é importante para o crescimento regulamentado dessa tecnologia de duplo sentido”, afirmou Wang Peng, pesquisador da Academia de Ciências Sociais de Pequim, ao Global Times.

Em meio à acirrada competição global e ao bloqueio liderado pelos EUA contra o avanço tecnológico da China, o arcabouço legal estabelecido fornece uma base para que as empresas de tecnologia chinesas possam aplicar modelos de big data e aprimorar seus algoritmos de IA. Isso impulsionará a ampla aplicação das tecnologias relevantes, conforme observado por Wang.

Regulação de algoritmos fortalece segurança de dados

Os especialistas destacam que a regulação da aplicação desses algoritmos é fundamental para fortalecer a segurança dos dados. A publicação desses 41 algoritmos, juntamente com outras regulamentações emitidas nos últimos meses sobre conteúdo gerado por IA, tem o objetivo de evitar potenciais abusos da tecnologia deepfake, que já apresentou desafios de supervisão, como violação de direitos autorais, práticas ilegais como fraude e até mesmo ameaças à segurança nacional e estabilidade social.

Essa iniciativa está em conformidade com o regulamento de gerenciamento da síntese profunda de serviços de informações da internet, que entrou em vigor em janeiro de 2023. Segundo o regulamento, os provedores de serviços de síntese profunda com características de opinião pública ou capacidades de mobilização social devem registrar seus serviços. Qualquer alteração ou cancelamento desses serviços de síntese profunda deve seguir os procedimentos estabelecidos.

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O bonde da IA generativa está passando e convida ao embarque

A capacidade da inteligência artificial generativa de aumentar a produtividade é o cerne da questão e o motivo pelo qual é tão significativa. O Brasil não pode perder o bonde dessa vez

Colunista Eduardo Peixoto

Eduardo Peixoto – MIT Sloan Review – 07 de Junho

Artigo O bonde da IA generativa está passando e convida ao embarque

Olha o bonde…

Aquela locomotiva global do surgimento e expansão da internet, no final dos anos 1990, perdemos. Entre os emergentes, o cenário foi capturado pela Índia, como destino-chave para prestação de serviços de TI nas áreas de desenvolvimento de software, suporte técnico, terceirização de processos de negócios e consultoria. O país adotou medidas para impulsionar sua indústria, com implementação de políticas favoráveis e investimentos em infraestrutura e educação em tecnologia, e ganhou reconhecimento internacional. O Brasil demorou para embarcar.

Passou outro…

O bonde da transformação digital, durante os anos mais críticos da pandemia de covid-19, passou veloz. Mas faltou gente preparada e muitos não conseguiram subir. Empresas foram forçadas a se adaptar rapidamente à digitalização para sobreviver. As pequenas e médias enfrentaram dificuldades e ainda lidam com desafios na implementação de soluções digitais, sem falar das que ficaram para trás na estação, por não se manterem competitivas.

Lá vem mais um…

E o bonde, hoje, tem motorneiro automático, múltiplos sensores de movimento, comandos de voz e um sem-fim de funcionalidades integradas a uma inteligência artificial. O bonde, hoje, é um “Tesla” – com todos os seus avanços e falhas – copilotos quase tão bons quanto nós, os pilotos.

O mundo tem testemunhado avanços significativos no campo da inteligência artificial (IA) nos últimos anos e, mais recentemente, da IA generativa. Esta subcategoria da IA se concentra na capacidade de criar, simular e gerar novos conteúdos, como imagens, músicas, textos e até mesmo interações humanas. Ao contrário da tradicional, programada para seguir regras e padrões predefinidos, a gerativa tem a capacidade de aprender com grandes quantidades de dados e criar algo novo e original.

Quando aplicada à produtividade, a IA generativa pode desempenhar papel fundamental na automação de tarefas repetitivas e na geração de ideias inovadoras. Imagine um cenário onde os profissionais possam contar com assistentes virtuais inteligentes capazes de realizar pesquisas complexas, analisar dados extensos e apresentar insights acionáveis. Isso permitiria às equipes se concentrarem em atividades de maior valor agregado, impulsionando a produtividade e a eficiência.

A capacidade inerente da inteligência artificial generativa de aumentar a nossa produtividade é o cerne da questão e o motivo pelo qual é tão significativa. Precisamos concentrar esforços, estudos e investimentos nesta área, porque a era da IA generativa chegou – e transformará tudo. Este é o título do position paper recém-publicado pelo CESAR – explico mais ao fim do artigo.

É uma revolução na forma como produzimos e consumimos informações. Haverá uma rápida evolução de como as pessoas irão se encaixar nessa nova maneira de trabalhar e criar coisas com apoio da IA, incluindo a ascensão de novas funções de trabalho, como engenheiros de prompt, analistas de ética voltada para IA, designers, artistas, entre outros. Para Andrew White, do Gartner Group, “a IA generativa pode ser o gatilho para a onda de produtividade de que precisamos, e é o suficiente para mudar nosso foco da tecnologia de uso geral, para a tecnologia de uso específico”.

Estamos indo, rapidamente, em direção a uma nova realidade, onde nenhuma empresa em quase nenhum setor poderá competir e sobreviver sem ter, em seu time, pessoas capazes de programar com ferramentas low code/no code apoiadas por IA. Além disso, com os algoritmos avançados e modelos de aprendizado profundo, poderemos explorar novas possibilidades em campos como design, arte e música. Uma tecnologia para ajudar a criar soluções inovadoras e rupturas, impulsionando o crescimento e a competitividade das empresas brasileiras.

Protagonismo

O paper A era da IA generativa chegou – e transformará tudo reúne opiniões de desenvolvedores, engenheiros de software e designers do centro de inovação e educação pernambucano e professores da CESAR School. O material também traz o posicionamento da instituição em relação às mudanças causadas pela IA generativa, em tecnologias como ChatGPT e Dall-E 2, nas áreas de design, educação e tecnologia, especialmente desenvolvimento de software. O objetivo do CESAR é ser modelo no desenvolvimento de metodologias capazes de contribuir para o mercado direcionar seus negócios com mais assertividade.

O CESAR investirá R$ 1,6 milhão em estudos aplicados ao tema e promoverá eventos para instigar debates sobre IA generativa, workshops para o ecossistema e o Prêmio de Criatividade com IA. Cursos de extensão e de especialização na área também serão criados, assim como o desenvolvimento de experimentos internos e a produção de white papers e artigos científicos. O Centro pretende ainda liderar a educação de uma nova geração para os empregos do futuro, formando estudantes e requalificando profissionais para otimizar suas perspectivas para novos papéis resultantes do progresso tecnológico.

Aproveitar todo o potencial da IA generativa requer visão de longo prazo e compromisso contínuo com a inovação. Com investimentos adequados em educação, capacitação e parcerias estratégicas e sem perder de vista as questões éticas e de segurança associadas a essa tecnologia, com regulamentações claras e mecanismos de controle, poderemos posicionar o Brasil como protagonista nesta era. Poderemos, enfim, pegar o bonde da história.

Colunista

Colunista Eduardo Peixoto

Eduardo Peixoto

Eduardo Peixoto é CEO do CESAR Centro de Inovação e professor da CESAR School. Mestre em comunicação de dados pela Technical University of Eindhoven-Holanda, com MBA na Kellogg School of Management e na Columbia Business School, atua há 30 anos na área de tecnologias da informação e comunicação (TICs). Trabalhou como executivo no exterior, na Philips da Holanda e na Ascom Business System AG (Suíça).

https://mitsloanreview.com.br/post/o-bonde-da-ia-generativa-esta-passando-e-convida-ao-embarque

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FT: Noruega prepara mineração de metais para baterias no leito oceânico

Agência ambiental do país se opõe totalmente; governo norueguês corre para apresentar ao Parlamento nas próximas duas semanas uma proposta para abrir a área oceânica quase do tamanho da Alemanha

Por Kenza Bryan e Richard Milne – Valor/Financial Times 09/06/2023

A Noruega planeja abrir uma área oceânica quase do tamanho da Alemanha à mineração de águas profundas, tentando tornar-se o primeiro país a extrair metais para baterias de seu leito oceânico.

O ministro da Energia do país corre para apresentar ao Parlamento nas próximas duas semanas uma proposta para abrir a enorme área para a exploração e extração. Depois, o plano seria submetido a votação no Parlamento no quarto trimestre.

— Foto: Arte/Valor

No entanto, Oslo terá pela frente uma batalha contra ambientalistas e empresas pesqueiras quanto às propostas, além de correr o risco de também entrar em disputa com outros países enquanto tenta viabilizar a mineração perto de Svalbard, um arquipélago norueguês no Ártico. A Noruega argumenta ter direitos exclusivos de mineração em uma área oceânica maior do que a reconhecida pela Rússia, Reino Unido e União Europeia.

Fontes hidrotermais vulcânicas, localizadas a até 4 mil metros de profundidade e que surgem da crosta terrestre em falhas entre placas tectônicas na área proposta, contêm uma quantidade estimada de cerca de 38 milhões de toneladas de cobre, mais do que é extraído em todo o mundo a cada ano. Amund Vik, secretário de Estado do Ministério de Petróleo e Energia da Noruega, disse ao “Financial Times” que a mineração de águas profundas ajudaria a Europa a atender à “necessidade desesperada de mais minerais e materiais de terras-raras para viabilizar a transição”. Ele acrescentou que o governo adotaria uma “abordagem preventiva” em relação a questões ambientais.

Os fluidos que saem das fontes hidrotermais, como as encontradas nas águas norueguesas, também contêm outros metais utilizados em baterias de carros elétricos, como o cobalto. As crostas metálicas que se formam no leito marinho também podem ser mineradas em busca de metais de terras-raras, como o neodímio e o disprósio. Esses metais são utilizados na produção dos ímãs que equipam turbinas eólicas e motores de veículos elétricos, mas sua cadeia de suprimentos é dominada em grande parte pela China.

Da região imaginada para possível mineração, a área mais controversa seria a próxima a Svalbard. O Tratado de Svalbard, que dá à Noruega soberania sobre as ilhas, também permite que outros países façam mineração em terra e nas águas territoriais ao redor do arquipélago. Rússia, UE e Reino Unido divergem da Noruega quanto à extensão dessa área coberta pelo tratado.

Por sua vez, empresas pesqueiras temem que a possibilidade de poluição decorrente da mineração prejudique a pesca. Jane Sandell, executiva-chefe da UK Fisheries – cujo superbarco de arrastão Kirkella é um dos últimos navios de pesca do Reino Unido a operar tão ao norte – disse estar “profundamente preocupada” com a possibilidade de liberação de partículas tóxicas de metais.

O secretário-geral da Associação de Pescadores Norueguesa, Sverre Johansen, disse que o setor pesqueiro norueguês não ficou “nem um pouco impressionado” com a proposta. O governo sustenta que o “potencial de conflito” é pequeno, uma vez que existe pouco tráfego marítimo e pouca atividade pesqueira na área.

A agência ambiental da Noruega se opõe totalmente ao plano. Argumentou, em resposta às consultas neste ano, que a proposta viola a estrutura legal da Noruega para a exploração do leito marinho ao não fornecer dados suficientes sobre sua sustentabilidade.

Alertou para as “consequências significativas e irreversíveis [da mineração] para o ambiente marinho” destacou que as “chaminés” vulcânicas, como também são chamadas as fissuras hidrotermais, deveriam permanecer intocadas e que apenas pequenas áreas deveriam ser abertas para a mineração.

Um problema para o Ministério de Energia é a reivindicação da Noruega, na esfera internacional, de que o país é um protetor de seus oceanos e uma fonte de peixes obtidos de forma sustentável. Kaja Loenne Fjaertoft, bióloga marinha da unidade norueguesa do grupo ativista WWF, disse que “o governo está falando com duas vozes” ao defender a conservação marinha enquanto “avança a todo vapor” com os planos de mineração.

Em março, o premiê da Noruega, Jonas Gahr Støre, atualmente também copresidente da Ocean Panel, uma rede de líderes mundiais comprometidos com a proteção dos oceanos, afirmou a um jornal local que a mineração em águas profundas poderia ser feita sem prejudicar a biodiversidade.

Mineradoras que operam em outros países, como China, Papua Nova Guiné, Ilhas Cook, Japão e Nova Zelândia, têm estudado como extrair metais das águas costeiras. Acredita-se que órgão regulador da Organização das Nações Unidas (ONU) que supervisiona as propostas para mineração em águas internacionais, principalmente no Oceano Pacífico, chegará ao momento crucial das negociações em julho.

Egil Tjaland, secretário-geral do Fórum Norueguês para Minerais Marítimos, uma associação setorial, afirmou que águas profundas são uma “especialidade” da Noruega graças à forte base de operações marítimas do país na exploração petróleo e gás. Recentemente, a associação realizou uma oficina em Berlim para discutir parcerias entre a indústria norueguesa e a alemã na mineração de águas profundas.

“Se alguém chegar lá primeiro, deveríamos ser nós”, disse Walter Sognnes, executivo-chefe da Loke Marine Minerals, que planeja minerar as crostas metálicas da Noruega e recentemente assumiu dois contratos de exploração financiados pelo Reino Unido no Pacífico. “Somos uma grande nação pesqueira, vivemos pelo mar, o oceano é nosso maior recurso. Não estaríamos reinventando a roda.”

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2023/06/09/ft-noruega-prepara-minerao-de-metais-para-baterias-no-leito-ocenico.ghtml#

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Brasil cai 3 posições em ranking global de soft power e deixa grupo dos 30 mais influentes

País é visto no mundo como líder em Esportes e Diversão, mas ficou em 86º em Governança

Luciana Gurgel Luciana Gurgel – mediatalks – 02.03.2023

Londres – O Brasil manteve a posição de país da América Latina mais bem colocado na edição 2023 do ranking de soft power, divulgado nesta quarta-feira (2) em Londres pela consultoria Brand Finance – mas recuou três posições, passando de 28º para 31º na lista de 121 nações analisadas. 

Mesmo marcando 2,4 pontos a mais do que em 2022, o Brasil deixou de integrar o grupo dos 30 países que mais influenciam os demais sem uso de armas ou poder econômico, que é o conceito de soft power. 

A posição brasileira em 2022 havia sido a melhor desde que o ranking passou a ser feito.

A liderança no Global Soft Power Index continuou com os EUA, que em 2021 haviam perdido o posto para a Alemanha. Este ano, melhoraram ainda mais o resultado em relação a 2022, marcando 74,8 pontos.

O novo estudo da consultoria britânica consolida o resultado de pesquisas de opinião entre mais de 100 mil pessoas em 100 países, sem distinção entre público geral e audiências especializadas (políticos, acadêmicos, jornalistas) como nos anos anteriores.

“Apesar de um pequeno aumento em sua pontuação de soft power de 43,4 para 46,2, o resultado do Brasil indica que outros países estão tendo o valor de suas marcas reconhecido em uma velocidade maior para a geração de negócios, turismo e relações internacionais”, avalia Eduardo Chaves, diretor da Brand Finance para o Brasil. 

Na elaboração do ranking, as “marcas nacionais” são classificadas com base em 35 atributos agrupados em oito pilares. Os três principais são Familiaridade (pessoas que sabem algo sobre o país), Reputação e Influência. 

Entre os 35 atributos, o Brasil lidera em Esportes e Diversão, mas aparece mal colocado aos olhos do mundo em aspectos importantes como diplomacia e comércio exterior, incluindo governança, padrões éticos, corrupção, estabilidade política e segurança. 

Os principais países no ranking de soft power 

Os EUA, que lideram o ranking, conquistaram o primeiro lugar em 12 dos 35 atributos e estão entre os três primeiros em outros quatro, conquistando a melhor performance entre todas as marcas nacionais analisadas no ranking. 

Com o fortalecimento do dólar e projetos de investimento de grande escala amplamente divulgados pelo governo federal, as percepções sobre a economia dos EUA são favoráveis, segundo a Brand Finance, salientando que o país tomou da China o primeiro lugar no atributo Negócios e Comércio. 

O país está está em primeiro  lugar em doze e entre os 3 primeiros em quatro categorias, conquistando 16 medalhas de soft power – mais do que qualquer outra marca nacional no Índice.

No entanto, problemas crescentes com tiroteios, crimes com armas de fogo e violência policial continuam a corroer a percepção do país como “seguro e protegido” (caiu de 21º em 2020 para 62º este ano) e de seu povo como “amigável” (caiu de 5º em 2020 a 103º este ano).

Único país a perder pontos este ano, a Rússia foi a grande derrotada, saindo do bloco dos 10 principais em soft power para ocupar o 13º lugar.

Já a Ucrânia ganhou 10,1 pontos (mais do que qualquer outro país), saltando 14 posições e figurando em 37º na lista. A popularidade do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy fez com que a nação subisse 36 posições na avaliação de países com “líderes internacionalmente admirados”, indo para o 12º lugar.

Leia também | Ucrânia sobe, Rússia cai: ranking de soft power revela efeitos da guerra sobre imagem dos países

Reino Unido e Alemanha mantiveram respectivamente o segundo e o terceiro lugares no ranking de soft power, com ganhos de pontos em relação a 2022.

A China cedeu o quarto lugar para o Japão e ficou em quinto.

Em seguida aparecem França, Canadá e Suíça, ocupando as mesmas posições de 2022. Itália e Emirados Árabes Unidos passaram a integrar o bloco dos 10 mais fortes em soft power. 

Paul Temporal, professor da Said Business School da Universidade de Oxford, observou que apesar das controvérsias em torno do país árabe, a Expo 2020 Dubai, a escolha para sediar a COP 28  e a Copa do Mundo no Catar contribuíram para melhorar a percepção de familiaridade, reputação e influência.

Na América Latina, o país mais forte em soft power depois do Brasil é a Argentina, em 42º lugar.

Depois aparecem México (44º), Chile (54º) Colômbia (58º), Cuba (66º), Paraguai (75º), Peru (76º), Bolívia (82º), Equador (90º), Honduras (104º), Venezuela (106º) e Guatemala (12oº, penúltimo lugar na lista. 

Na lanterna do ranking de 121 países está o Zimbabue. 

Brasil: covid-19 e política afetaram soft power 

Na análise sobre o desempenho do Brasil no índice anual de soft power, a Brand Finance destaca os anos difíceis enfrentados pelo país devido à alta incidência de covid-9 e situação política tumultuada, citando a invasão dos prédios dos Três Poderes na posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

“O ambiente político volátil do Brasil ganhou cobertura da imprensa mundial e claramente afetou sua posição em soft power”, diz o relatório. 

O Brasil pontuou significativamente abaixo da média global no pilar Governança, caindo 28 posições e figurando em 86º lugar globalmente.  

O pais teve baixa pontuação em “altos padrões éticos e baixa corrupção” (115º), “lugar seguro e protegido” (108º) , “nação politicamente estável e bem governada” (88º).

Atributos tradicionalmente associados ao Brasil, no entanto, não foram afetados. 

O índice de familiaridade é alto, com a 12ª melhor pontuação do ranking de 121 nações, posição inalterada desde 2021.

Eduardo Chaves associa o resultado às dimensões do país. 

“Devido ao seu tamanho, o Brasil tem mais facilidade de alavancar a familiaridade do que países menores, mas ainda há potencial para melhorar a marca Brasil no exterior.

O logotipo do país passou por uma reformulação em 2018 e depois foi revertido para o design anterior. Essas mudanças em pouco tempo, possivelmente por pressão política, podem reduzir a eficácia dos esforços de comunicação do Brasil.

Ainda assim, Brasil, México e Argentina são as únicas marcas latino-americanas entre as 30 primeiras no índice de familiaridade.”

No “quadro de medalhas” dos 35 atributos que compõem a percepção de soft power, o Brasil lidera em dois, mas não está entre os três primeiros em nenhum outro. 

O país é visto como mais divertido do que qualquer outra nação e líder em Esportes. 

No pilar Influência, a marca Brasil caiu para o 26º lugar, perdendo sete posições desde a avaliação de 2022, resultado associado pela Brand Finance ao foco nas eleições presidenciais e política interna. 

Embora a pontuação do índice de influência da marca Brasil tenha aumentado em 0,1 pontos, outros países tiveram melhor desempenho, levando ao declínio da posição relativa no ranking. 

 No atributo Negócios e Comércio, o Brasil caiu nove posições, para a 38ª colocação. 

A exposição a notícias positivas ou negativas molda a imagem de um país, afetando sua familiaridade, observa Chaves, e o Brasil sofreu em 2022:

O país foi noticiado de forma predominantemente negativa no ano passado, com más notícias sobre a gestão da saúde pública durante a pandemia, violações de direitos humanos, desmatamento da Amazônia e questões de política externa.” 

Isolamento do mundo 

No atributo Governança, embora a pontuação tenha sido ligeiramente superior à de 2022 (+ 0,7 pontos), a Brand Finance avalia que o país ainda tem um longo caminho a percorrer para alcançar
as primeiras posições.

“O governo do Brasil assumiu uma postura política severa, resultando em um país cada vez mais fechado em anos recentes.

Isso levou a problemas nas relações internacionais, falta de flexibilidade nas negociações e isolamento do mundo.”

No quesito Relações Internacionais, a marca Brasil caiu 10 posições, passando para 41ª no ranking deste ano. 

O pilar em que a marca Brasil é mais forte diante da opinião pública global, incluindo público geral e audiências especializadas, é Cultura e Patrimônio, mantendo a 9ª posição na avaliação de 2022.

Já no pilar Pessoas e Valores,  o país migrou da 19ª para a 25ª posição, perdendo seis posições, apesar de ter crescido 0,7 pontos.

Outras marcas-país têm apresentado crescimento ainda maior nessa dimensão, resultando na queda relativa do Brasil, explica o relatório. 

Em Comunicação, a marca Brasil também sofreu internacionalmente, descendo 17 degraus na escala para ocupar o 43º lugar. 

A Brand Finance atribui essa percepção negativa ao ” conflito contínuo entre o governo e a mídia, juntamente com o aumento de notícias falsas”.

No entanto, a consultoria destaca a existência de uma indústria de mídia livre e independente como aspecto positivo. 

Leia também | Em 20 anos, mais de 1,6 mil jornalistas foram assassinados no mundo; Brasil é o nono país com mais mortes

Em Educação e Ciência, o Brasil também não figurou bem, passando de 35º para 73º no ranking de soft power em 2023, movimento explicado pela Brand Finance: 

“Embora o Brasil tenha um grande potencial para iniciativas de educação, houve falta de investimento nessa área no último ano.

Apesar de ter a melhor universidade da América Latina, a Universidade de São Paulo, a educação no Brasil continua concentrada em uma pequena parcela da população.

Incentivos governamentais são necessários para melhorar a educação básica no país e apoiar o desenvolvimento do Brasil.”

No pilar Sustentabilidade, a marca Brasil ocupa a 55ª posição, com 4,3 pontos.

Os países do topo do ranking alcançaram 7 pontos, deixando o Brasil com espaço significativo para melhorias nesta categoria. 

O que é soft power 

O soft power, conceito criado na década de 90, representa a capacidade de cada país de influenciar os demais por meio da atração ou persuasão em vez da força.

O primeiro a formulá-lo foi Joseph Nye, em 1990. Ele argumentou existir um método alternativo de política externa para as nações ganharem o apoio de outras.

Essa alternativa é baseada em reputação e valores, em vez do método tradicional de coerção baseada na força militar ou econômica.

Isso ocorre porque as nações, como os humanos, são mais propensos a confiar e colaborar com aquelas com quem compartilham ideais comuns.

David Haigh, CEO da Brand Finance, na apresentação do Global Soft Power Index 2023, em Londres (divulgação)

O Soft Power Global Index O Global Soft Power Index incorpora uma ampla gama de medidas que, combinadas, fornecem uma avaliação equilibrada da presença, reputação e impacto das nações no cenário mundial.

Um total de 121 marcas nacionais, como os países são denominados no estudo,  foram incluídas na pesquisa, incluindo o Zimbábue pela primeira vez.

As principais nações cujas reputações globais são de maior interesse para usuários e assinantes do Índice (por exemplo, China, EUA, Brasil) foram priorizados como ‘Nível 1’ Uma pesquisa online foi realizada entre uma amostra de 111.364 adultos de 18 a 75 anos, em 101 países. Assim, a  amostra
é representativa da população online de cada país, segundo a consultoria.

Luciana Gurgel

Jornalista baseada em Londres, é co-fundadora e Editora-chefe do MediaTalks. É também colunista de mídia e comunicação no J&Cia/Portal dos Jornalistas. Faz parte da FPA London (Foreign Press Association).

https://mediatalks.uol.com.br/2023/03/02/brasil-cai-3-posicoes-em-ranking-de-soft-power-global-e-deixa-bloco-dos-30-mais-influentes/

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Brasil lidera avanço da produtividade agrícola

Valor – 02/06/2022

Mesmo que a um ritmo menor do que gostariam as cadeias produtivas do agronegócio no País, os avanços observados sobretudo nas áreas de pesquisa e financiamento nas últimas décadas permitiram que o Brasil ampliasse a oferta de alimentos e se tornasse um dos maiores exportadores do setor no mundo. E não apenas com a expansão das áreas de plantio, mas também com ganhos expressivos de produtividade.

O estudo “Produtividade total dos fatores na agricultura: Brasil e países selecionados”, assinado por José Garcia Gasques, coordenador-geral de Políticas e Informações do Ministério da Agricultura, e José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor do Ibmec e da Universidade Federal de Viçosa (UFV), mostra que, em um grupo de 13 dos mais importantes países agrícolas do mundo, nenhum cresceu mais que o Brasil em produtividade no setor a partir de 2000.

De 2000 a 2020, a produtividade total dos fatores (PTF), que mede a diferença entre o crescimento do produto e dos insumos, registrou aumento de 3,18% ao ano no País.

Apenas um pouco abaixo da média registrada entre 1975 e 2020 (3,79%), intervalo maior que inclui o início da conquista do Cerrado e no qual a produção brasileira de grãos se multiplicou por quatro (alta de 3,79% ao ano), e acima de “concorrentes” como Índia (2,93%), China (2,03%), Chile (1,82%), Canadá (1,8%), EUA (0,5%), Austrália (0,47%) e Argentina (0,05%). Os dados desses países são de 2000 a 2019, quando o aumento médio global foi de 1,66% ao ano.

Contexto histórico

As pesquisas agropecuárias transformaram o Cerrado e expandiram as fronteiras produtivas. Além disso, a adoção de insumos modernos (mecanização e biotecnologia), aliada ao empreendedorismo dos nossos agricultores, também influenciou o crescimento produtivo. Após o Plano Real, em 1994, as políticas econômicas de maior abertura de mercado potencializaram a dinâmica produtiva agropecuária, dizem os autores do estudo.

Eles lembram que o fator terra continuou em expansão depois de 2020 no Brasil, principalmente com a consolidação de novas áreas de produção de grãos no “Matopiba”, confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, mas que a maior parte dos ganhos de produtividade observados veio de uma dinâmica tecnológica mais intensa, com mais capital e menos trabalho.

“O aumento da produtividade agrícola permitiu a expansão da oferta em nível maior do que o crescimento da demanda, o que reduziu o preço da cesta básica”, escreveram os autores do estudo, sem esquecer da forte alta registrada desde o ano passado, nos mercados doméstico e internacional.

Inflação dos alimentos

“Recentemente, a inflação de alimentos vem trazendo preocupações, mas esse aumento dos preços está relacionado a fatores externos (reabertura das economias pós-pandemia, preço elevado do petróleo, conflito Rússia e Ucrânia, bem como escassez de insumos importados da China) e internos (problemas climáticos, incerteza política e aumento dos gastos públicos).

Contudo, manter o crescimento da produtividade é essencial para evitar o desabastecimento interno e contribuir, no médio e longo prazo, com o controle inflacionário”, indicam Gasques e José Eustáquio.

Ganhos

Entre 2000 e 2020, mostra o estudo que será divulgado nesta quinta-feira pelo Ipea, a taxa média de crescimento do produto na agricultura brasileira atingiu 3,76% ao ano, enquanto o avanço dos insumos foi de 0,56% ao ano. No caso dos insumos, houve aumentos médios de 0,18% em terra e de 1,22% em capital, mas recuo de 0,84% ao ano no fator trabalho.

“Houve aumento do crédito de investimento, com a criação de linhas de financiamento que atendessem aos diferentes portes produtivos”, indicam os autores do trabalho.

“Pesquisas foram realizadas na tropicalização dos cultivos, na expansão do plantio direto, na integração produtiva lavoura-pecuária-floresta, assim como na maior mecanização do campo. Esses arranjos trouxeram acentuados ganhos de produtividade na agricultura brasileira”.

Fonte: Valor

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