O que é Bioeconomia?

Bioeconomia, biotecnologia e produção industrial

Bioeconomia é uma parte da economia que utiliza novos conhecimentos biológicos com propósitos comerciais e industriais e para a melhoria do bem-estar humano (ENRIQUEZ, 1998).

Portal da Indústria 

Bioeconomia é a ciência que estuda os sistemas biológicos e recursos naturais aliados a utilização de novas tecnologias com  propósitos de criar produtos e serviços mais sustentáveis A bioeconomia está presente na produção de vacinas, enzimas industriais, novas variedades vegetais, biocombustíveis, cosméticos entre outros.

A bioeconomia emprega novas tecnologias a fim de originar uma ampla diversidade de produtos. Engloba as indústrias de processamento e serviços e relaciona-se ao desenvolvimento e à produção de fármacos, vacinas, enzimas industriais, novas variedades vegetais e animais, bioplásticos e materiais compósitos, biocombustíveis, produtos químicos de base biológica, cosméticos, alimentos e fibras.

Ela surge como resultado de uma revolução de inovações aplicadas no campo das ciências biológicas. Está diretamente ligada ao desenvolvimento e ao uso de produtos e processos biológicos nas áreas da saúde humana, da produtividade agrícola e da pecuária, bem como da biotecnologia. Envolve, por isso, vários segmentos industriais.

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O que é a bioeconomia?

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Bioeconomia e sustentabilidade

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O Brasil e a bioeconomia

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Benefícios da bioeconomia

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Bioeconomia na indústria

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Protocolo de Nagoia

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Modernização do Marco Regulatório para a Bioeconomia

Aliar biodiversidade com tecnologia e inovação é a base principal da bioeconomia. O Brasil tem forte potencial para desenvolver esse segmento como uma das maiores chances de se desenvolver de maneira sustentada e, assim, estar à frente de outras economias mundiais.

Segundo dados da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), o setor de biotecnologia industrial – um dos segmentos da bioeconomia – pode agregar, nos próximos 20 anos, aproximadamente US$ 53 bilhões anuais à economia brasileira e cerca de 217 mil novos postos de trabalhos qualificados. Para isso, as empresas do setor precisariam investir aproximadamente US$ 132 bilhões ao longo desses 20 anos.

Umas das prioridades para a bioeconomia poder avançar no Brasil está no aprimoramento da legislação, tanto de normas relacionadas ao uso da biodiversidade quanto para inovação e propriedade intelectual.

Outro tema que precisa ser regulamentado é a questão dos bioinsumos para fabricar fertilizantes e defensivos.

Pesquisa da Annual Biocontrol Industry Meeting (Abim) estima que o mercado mundial de bioinsumos gira em torno de US$ 5,2 bilhões, com taxa de crescimento superior a 15% ao ano. A previsão é de que o setor dobre de tamanho até 2025 e chegue a US$ 11,2 bilhões.

Como a bioeconomia pode contribuir com o desenvolvimento sustentável?

O Brasil é detentor de cerca de 20% da biodiversidade do planeta, a maior do mundo, o que deve ser visto como um ativo econômico com muitas oportunidades de negócios.

Transformar esta vantagem comparativa em competitiva exige investimento, conhecimento e estratégia para tornar o país uma potência em bioeconomia.

Ao quantificar o valor econômico da biodiversidade, pode-se propor políticas públicas que a conservem e estimulem seu uso sustentável, de modo a inserir esta atividade em um modelo de desenvolvimento que traga benefícios sociais e econômicos.

Essa perspectiva econômica contribui para uma melhor gestão e restauração dos recursos naturais. Segundo o Panorama Ambiental da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se não houver novos esforços para frear a perda de biodiversidade, mais de 10% desses recursos serão perdidos em quarenta anos, até 2050.

A perda da biodiversidade e o declínio dos serviços ecossistêmicos são fatores de riscos para o setor produtivo, que, cada vez mais, tem buscado meios para diminuir seus impactos na biodiversidade.

A bioeconomia tem tudo para ser o futuro do desenvolvimento do Brasil

Por que a bioeconomia tem tudo para ser o futuro do desenvolvimento do Brasil?

O Brasil conta com vantagens comparativas capazes de proporcionar excelentes oportunidades nesse campo. Sua enorme biodiversidade é fonte importante para a obtenção de vários materiais para a produção, como biomassa, corantes, óleos vegetais, gorduras, fitoterápicos, antioxidantes e óleos essenciais.

Esses itens são matérias-primas para diversos setores industriais, a exemplo de produtos de higiene e limpeza, alimentos, bebidas, fármacos e cosméticos.

O país também apresenta vasta proporção do território cultivável. Com uma agricultura desenvolvida em larga escala, é grande produtor de alimentos, fibras e bioenergia, tem a maior floresta tropical do planeta e uma bem-sucedida experiência em biocombustíveis.

Contamos, ainda, com conhecimento acumulado e com Institutos de Ciência e Tecnologia que, se bem coordenados, são capazes de consolidar o nosso diferencial em Bioeconomia.

Destaca-se aí os institutos SENAI de Inovação e de Tecnologia, que atuam como ponte entre o conhecimento acadêmico e as soluções buscadas pelas empresas.

Para transformar nosso potencial comparativo em vantagens competitivas, fortalecendo experiências exitosas e aperfeiçoando os mecanismos existentes, precisamos remover as barreiras nos setores público e privado que reduzem a nossa capacidade de competir nos mercados interno e externo.

É necessário construir um ambiente de negócios favorável, com regras claras e segurança jurídica.

Veja mais: Por que a bioeconomia tem tudo para ser o futuro do desenvolvimento do Brasil?

Quais os benefícios da bioeconomia?

1 – Mais recursos e estímulo à inovação para uma área em que o Brasil tem potencial;

2 – Estímulo ao avanço tecnológico;

3 – Melhoria da imagem do Brasil no exterior;

4 – Desenvolvimento sustentável;

5 – Consolidação de uma economia de baixo carbono;

6 – Mais investimentos no país;

7 – Geração de emprego;

8 – Maior segurança jurídica e novos modelos de negócios.

Bioeconomia na indústria

A indústria pode ser protagonista no uso eficiente e sustentável dos recursos naturais e no desenvolvimento da bioeconomia no país.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) trabalha na mobilização do setor para que a indústria seja parte da solução no desenvolvimento sustentável do Brasil, tendo como norte o Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Agenda CNI para a bioeconomia

1 – Empreendimentos que envolvam o uso sustentável da biodiversidade necessitam de instrumentos de financiamento e estímulo ao capital de risco.

O novo regime legal de acesso aos recursos genéticos possibilita um cenário mais atrativo para investimento em pesquisa com a biodiversidade brasileira.

É fundamental, no entanto, o desenvolvimento de instrumentos de financiamento e estímulo ao capital de risco para empreendimentos que envolvam o uso sustentável da biodiversidade.

2 – O uso sustentável da biodiversidade minimiza riscos ambientais e gera oportunidades para as empresas.

O setor empresarial tem papel fundamental no enfrentamento dos problemas ambientais, incluindo a perda da biodiversidade.

O uso sustentável da biodiversidade minimiza o risco de extinção das espécies exploradas comercialmente, proporcionando oportunidades de negócios com sustentabilidade.

3 – É fundamental que existam investimentos em P&D relacionados à biodiversidade.

A ampliação de investimentos da indústria em biodiversidade passa pela formação de ecossistemas de inovação.

Esses ecossistemas devem estruturados em P&D, para desenvolvimento de novos bens e serviços com base em recursos da biodiversidade.

4 – É essencial a participação da indústria nas discussões sobre o acesso a patrimônio genético no país.

A Lei da Biodiversidade possibilitou o ingresso da indústria nas discussões sobre patrimônio genético.

Essas discussões contribuem ativamente para a construção de políticas públicas que influenciam o ambiente de negócios.

Quais as propostas da industrial para desenvolver a bioeconomia no Brasil?  

REGULAMENTAÇÃO

– Estrutura de governança;

– Simplificar e fomentar a relação de Institutos de Ciência e Tecnologia com o setor produtivo;

– Apoiar as iniciativas para aumentar a eficiência do INPI;

– Capacitar e alinhar os órgãos e usuários da biodiversidade, estabelecendo metodologias e critérios de reconhecimento tradicional associado.

INOVAÇÃO

– Aproximar a indústria de todos os níveis da educação;

– Incorporar doutores às indústrias;

– Disseminar as oportunidades de negócio da bioeconomia;

– Fazer bioprospecção e o mapeamento de novas espécies da biodiversidade;

– Encontrar novos usos para produtos de origem biológica;

– Desenvolver estratégias de bioconversão consorciada.

INVESTIMENTOS

– Fomentar a articulação de hubs de inovação em bioeconomia;

– Desenvolver mecanismos especializados de financiamento para a inovação;

– Estimular a divisão de discos dos investimentos entre o governo e a indústria em projetos pré-competitivos;

– Estimula o capital de risco corporativo;

– Atrair fundos estrangeiros para o Brasil;

– Fomentar P&D nos diversos estágios do desenvolvimento de novos bens e serviços baseados em recursos da biodiversidade.

Quais as oportunidades para o desenvolvimento sustentável e o crescimento mundial com a bioeconomia?

As oportunidades para o crescimento mundial da bioeconomia estão relacionadas ao aumento da população e ao seu envelhecimento, à renda per capita; à necessidade de ampliação da oferta de alimentos, saúde, energia e água potável; bem como às questões que envolvem as mudanças climáticas.

Esse cenário indica uma expansão na demanda global por bens e serviços nas próximas décadas, o que representa possibilidade de o país se firmar como uma potência competitiva no setor.

Isso exige, porém, planejamento e políticas assertivas, que busquem melhores alternativas no uso de recursos naturais e de tecnologias, e na organização da atividade econômica, sem comprometer a sustentabilidade do ecossistema.

Uma das iniciativas necessárias é a valoração da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. Ao quantificar o valor econômico da biodiversidade, pode-se propor políticas públicas que a conservem e estimulem seu uso sustentável, de modo a inserir esta atividade em um modelo de desenvolvimento que traga benefícios sociais e econômicos.

Essa perspectiva econômica contribui para uma melhor gestão e restauração dos recursos naturais. Segundo o Panorama Ambiental da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se não houver novos esforços para frear a perda de biodiversidade, mais de 10% desses recursos serão perdidos em quarenta anos, até 2050.

O que é Protocolo de Nagoia?

O Protocolo de Nagoia é o principal acordo internacional que rege o intercâmbio de material genético entre países. É um acordo multilateral acessório à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), resultante da 10ª Conferência das Partes (COP 10) da CDB.

Tem por objetivo viabilizar a realização de um dos objetivos centrais da Convenção: a repartição justa e equitativa de benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos da biodiversidade e dos conhecimentos tradicionais a eles associados.

Dos 196 países integrantes da Convenção sobre Diversidade Biológica, 126 já ratificaram o Protocolo, entre os quais importantes parceiros comerciais do Brasil, como China e União Europeia.

O nosso país, a despeito de possuir a maior biodiversidade do planeta, com cerca de 20% de todas as espécies vegetais, animais e microbianas existentes, ainda está de fora desse acordo. Acordos internacionais, como o Protocolo de Nagoia, representam importantes mecanismos na busca pela sustentabilidade.

A CDB estimula o uso sustentável dos recursos biológicos, através de pesquisas e desenvolvimento tecnológico e o mecanismo de compartilhamento dos ganhos obtidos com esse uso é uma das políticas públicas mais efetivas para a conservação da biodiversidade, pauta extremamente importante para setores industriais como cosméticos, higiene pessoal e fármacos.

A 15ª edição do Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial, de 2020, aponta que 50% dos remédios modernos foram desenvolvidos a partir de recursos da biodiversidade e o Brasil possui um patrimônio genético de 200 mil espécies registradas em seu território, com um total estimado de cerca de 1,8 milhão de espécies.  

Veja mais: 5 razões para o Brasil ratificar o Protocolo de Nagoia

Modernização do Marco Regulatório para a Bioeconomia

O marco regulatório com impacto direto sobre os setores da bioeconomia necessita de aprimoramento.

Adequar e modernizar este conjunto de leis, decretos, regulamentos e normas significa uma ação direta do Estado para articular com diferentes órgãos governamentais, com visões e enfoques próprios.

Neste sentido, merecem especial atenção a legislação de acesso ao patrimônio genético e repartição de benefícios, a de biossegurança, de defesa sanitária, de inovação e de propriedade intelectual.

A principal desvantagem da atual estrutura regulatória para as atividades em bioeconomia é a insegurança jurídica.

Quais as propostas da CNI para aprimorar a legislação para bioeconomia?

 

• Aprimorar o Marco Regulatório de Acesso a Recursos Genéticos e Repartição de Benefícios;

• Aperfeiçoar a Lei de Biossegurança (Lei 11.105/2005);

• Revisar as Resoluções Normativas 02 de 2006 e 05 de 2008 da Comissão Técnica Nacional de Biosegurança – CNTBIO;

• Atualizar a Lei de Propriedade Industrial (Lei 9279/1996);

• Revisar a Lei de Inovação (Lei 10.973/2004);

• Alterar a Lei do Bem (Lei 11.196/2005).

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‘Sem educação de qualidade, não deixaremos de ser um país de renda média’, afirma diretor executivo da Fundação Lemann

Denis Mizne, que também é fundador do Instituto Sou da Paz, ressalta a importância da formação de qualidade para o desenvolvimento do Brasil

Por Josy Fischberg – O Globo – 16/11/2022 

Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann e fundador do Instituto Sou da Paz Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann e fundador do Instituto Sou da Paz Divulgação

Em um país com quase 220 milhões de habitantes, onde todos os anos três milhões de jovens completam 18 anos, o grande diferencial é a população. É o que defende Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann. Se a qualificação dessas pessoas não fosse deixada de lado, o Brasil seria uma grande potência em empreendedorismo, ensino superior e pesquisa em todas as áreas. No entanto, a educação básica brasileira deixa 90% dos seus alunos terminarem a escola sem saber matemática em um nível adequado.

“É como se o carro estivesse andando com o freio de mão puxado”, analisa Mizne. Colocar as pessoas no centro da agenda de desenvolvimento do país é fundamental, e isso deve ser feito a partir da melhoria na qualidade da educação, segundo ele.

O próximo Ministério da Educação terá um orçamento apertado. Quais devem ser as prioridades?

A primeira é salvar a educação básica, que foi abandonada pelo MEC. Durante a pandemia, o ministério não fez nenhum movimento para apoiar as escolas. Pelo contrário, chegou a atrapalhar. Então a prioridade é recompor a educação básica nesse orçamento. Para isso, há duas frentes. A primeira é a alfabetização. O Brasil tem apenas 31% de crianças alfabetizadas na idade certa. A escola não pode ser uma fábrica de crianças analfabetas. Isso é inaceitável. Sem alfabetização, o estudante não aprende mais nada. E é possível terminar os próximos quatro anos com 75% das crianças alfabetizadas na idade certa. Além disso, o Brasil precisa de um plano de emergência para recompor a aprendizagem, especialmente no Fundamental II, o antigo ginásio. As crianças que chegaram ao 6º ano agora, por exemplo, pararam de aprender no 3º ano. E estão em condições difíceis. A prioridade, nesse caso, é mais tempo de aula, mais personalização da aprendizagem para saber onde cada aluno está, diminuir o número de estudantes com cada professor, ter mais tempo para aprender e, eventualmente, usar a tecnologia para isso.

Qual deve ser a atuação de fundações, empresas e do setor privado em geral junto ao MEC e à educação no país?

O primeiro passo é não atrapalhar. A gente brinca dizendo que às vezes esses agentes querem transformar a escola em uma “árvore de Natal”, pendurando um projeto aqui e outro ali. Isso não funciona. A escola tem que ser soberana na determinação de suas prioridades, e quem manda é a aprendizagem. O setor privado deve reconhecer a legitimidade do setor público e apoiar. Quanto maior for o investimento na formação de professores e gestores escolares, melhor. Há ainda oportunidades para se contribuir com a conectividade das escolas ou com questões de infraestrutura, onde o setor privado pode ser mais rápido que o público. E há outras áreas importantes também, como pesquisa e produção de conhecimento.

O senhor defende uma repactuação nacional, passadas as eleições, por meio da melhoria da qualidade da educação e da formação de lideranças qualificadas. Qual a importância desses dois caminhos?

Há 40 anos o Brasil cresce abaixo do mundo. Nestas décadas, tivemos todo tipo de politica econômica. Um país de renda média como o Brasil, emergente, não pode crescer menos do que os outros. Dessa forma, a população brasileira fica mais pobre. Se não capturarmos um pedaço maior do crescimento global, a nossa população vai continuar igualmente ou mais pobre. O debate público está muito focado no micro. Qual é o grande diferencial do Brasil? Temos quase 220 milhões de habitantes, cerca de três milhões de jovens todos os anos fazendo 18 anos. Todas essas pessoas, se estivessem no topo do seu potencial, fariam do país uma potência. Precisamos de uma agenda que institua que o Brasil vai crescer com base nas suas pessoas. Isso requer um acordo nacional amplo para tratar a educação como política de Estado. Já a formação de lideranças garante que, enquanto eu estou trabalhando para que toda criança brasileira aprenda, nossas pessoas mais talentosas estarão dedicando sua vida para resolver os maiores problemas do Brasil. Os problemas mais persistentes na nossa sociedade não dependem só de dinheiro para serem resolvidos. Eles dependem também de gente, de cérebro, de conhecimento complementar. Foi isso que vimos na pandemia.

E como podemos formar essas lideranças qualificadas na prática?

Tivemos o Ciência sem Fronteiras, que foi um programa de desenvolvimento de capital humano. Na minha opinião, era uma ótima ideia que teve alguns grandes acertos, mas também alguns grandes erros. O principal deles foi não selecionar bem para onde as pessoas iam e não ter uma intencionalidade depois, não cuidar da volta, não planejar como as instituições aqui receberiam os participantes. Poderíamos pensar em um programa de bolsas de desenvolvimento, com olhar para a equidade racial e de gênero, abrindo oportunidades para brasileiros que querem se dedicar a trabalhar no governo, na administração pública, no terceiro setor, na academia, atuando nos temas mais críticos para o Brasil. No orçamento público brasileiro, é um dinheiro de nada, uma vírgula. Mas, para a transformação do país, pode ser muito potente.

Qual o impacto de dois anos de pandemia na formação de mão de obra?

Alunos que estavam no 2º e 3º anos do ensino médio, por exemplo, não tiveram aulas e desistiram de ir para a faculdade. As escolas particulares retomaram as aulas mais rapidamente. Ou seja, se a disputa por uma vaga na universidade já era desigual antes, ela ficou quase impossível para estudantes de escolas públicas. A situação econômica das famílias se deteriorou, então os jovens tiveram mais estímulo para abandonar a escola e trabalhar. Uma combinação que terá efeitos no nosso futuro. Sobre os que ainda estão na escola, meu receio é que, no ano que vem, os gestores acreditem que uma criança que está matriculada no 8º ano realmente esteja nessa série. Porque esse é o jeito mais perverso de consolidar a perda de aprendizagem da pandemia. Se não nos prepararmos para reverter a perda, teremos não só um problema de mão de obra ou potencial desperdiçados agora, como vamos garantir isso por uma década.

E a reforma do ensino médio? Conseguiremos conter a evasão e melhorar a formação?

Antes do novo ensino médio, tínhamos um currículo de 13 matérias obrigatórias para quatro horas de aula diárias. Às vezes, quando surge uma uma nova política, o pessoal é rápido para atacar, mas esquece o que tinha antes. Não estava bom. Cerca de 40% dos alunos abandonavam os estudos e, entre os que ficavam, poucos aprendiam. Ainda assim, há problemas na reforma. Um deles é o vício de origem, pois ela foi feita por medida provisória. O novo ensino médio, então, encontra resistência. Por outro lado, há pontos importantes, como a flexibilização do currículo e a possibilidade de fazer o técnico como uma das trilhas. É preciso ter uma política explícita para lidar com a desigualdade. Ou então a escola mais rica vai oferecer cinco itinerários (conjunto de disciplinas, projetos e oficinas que os estudantes podem escolher no ensino médio), e a mais vulnerável ficará com apenas um. E é preciso seguir implementando a política de tempo integral, com mais tempo de aula. O Brasil chama de tempo integral, mas o mundo chama somente de escola. É o lugar, nos outros países, onde os alunos ficam sete horas por dia.

Pensar em incentivos financeiros para esses estudantes permanecerem na escola ou ainda para professores e gestores que atingirem determinadas metas é uma proposta que funciona?

Incentivos como bolsas para os jovens concluírem os estudos já foram testados inúmeras vezes no Brasil e fazem sentido. O custo para o Brasil de ter milhões de jovens abandonando o ensino médio é muito maior que o custo de um programa de bolsas. Isso está bastante provado. Já sobre o incentivo financeiro como bônus para os professores, não está provado que funcione de fato. Se pensamos em dar bônus para o professor que alfabetizar suas crianças, temos que pensar também que, se ele não souber alfabetizar, não é o bônus que vai garantir isso. Aquilo que não depende só do esforço é difícil de ser mudado apenas com incentivo financeiro. O caminho, nesse caso, é investir na formação. Decisivo mesmo é formar bem o professor. Podemos pensar ainda em incentivos que dão mais recursos aos municípios, por meio de ICMS. Quando o município prioriza a alfabetização, ele ganha uma parte maior do ICMS que é devolvido dos estados para os municípios. Isso acontece no Ceará, por exemplo. Temos apoiado essas políticas em diferentes estados.

Que outros incentivos poderiam ser implementados?

Poderíamos pensar também em usar esses recursos para fazer com que os melhores alunos do ensino médio se formem como professores da educação básica. Por exemplo: se o estudante tirou mais que uma determinada nota no Enem e quiser fazer Pedagogia ou alguma licenciatura, ele pode ganhar um incentivo ao assumir um compromisso de trabalhar pelos próximos cinco ou dez anos na educação pública. Muitos países já fizeram isso para atrair os melhores profissionais para suas salas de aula. O Brasil já faz isso, aliás, mas para outra área, a Polícia Militar. Pagamos um salário para aquele jovem de 18 anos que entra na Academia do Barro Branco, em São Paulo, quando ele passa no vestibular. Por quatro anos ele ganha um salário de policial porque queremos ter gente muito bem formada nos cargos mais altos da polícia. Por que não fazemos isso para as nossas salas de aula também?

Um país pode sair da armadilha da renda média sem uma educação de qualidade?

Não. Sem educação de qualidade, o Brasil não vai deixar de ser um país de renda média e extremamente desigual. Temos que garantir que toda criança aprenda enquanto está na escola. Há vagas, professores e livros didáticos, falta a aprendizagem.É necessário um compromisso de Estado e não de governo. Esse é o caminho para sermos um país que muda de patamar e abre oportunidades para todos os brasileiros.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2022/11/sem-educacao-de-qualidade-nao-deixaremos-de-ser-um-pais-de-renda-media-afirma-denis-mizne.ghtml

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Os robôs vão substituir as pessoas na Amazon?

Exame – Publicado em 11/11/2022

“O que vamos fazer nos próximos cinco anos vai tornar pequeno o que fizemos nos últimos dez anos”, assegura Joe Quinlivan, vice-presidente da Amazon Robótica

Em seu laboratório de robótica em Westborough, nos arredores de Boston (nordeste), a gigante do comércio eletrônico Amazon fabrica os robôs e desenvolve os processos para automatizar seus centros de distribuição e reduzir os prazos de entrega dos pedidos, um objetivo no qual aposta com tecnologia, gerando dúvidas sobre o futuro do trabalho humano em seus armazéns.

“O que vamos fazer nos próximos cinco anos vai tornar pequeno o que fizemos nos últimos dez anos”, assegura Joe Quinlivan, vice-presidente da Amazon Robótica no centro de inovação e manufatura BOS27.

O projeto “Delivering the Future (Entregando o futuro)” quer transformar a empresa fundada por Jeff Bezos há 28 anos para vender livros pela internet na pioneira da distribuição, com tecnologia própria e produção ‘made in USA’.

A gigante da tecnologia conseguiu que um robô manipule produtos com a mesma destreza da mão humana.

Esta semana, diante de mais de uma centena de jornalistas de vários países convidados, a Amazon revelou sua última criação: “Sparrow”, um robô com formato de cabeça de pássaro capaz de detectar, selecionar e gerenciar “milhões de produtos”.

Dotado de câmeras, ele pega os produtos de uma esteira de transporte e os distribui em cestas para serem empacotados.

“Dada a variedade de materiais que temos nos nossos armazéns, Sparrow é um feito significativo”, afirma, orgulhoso, o chefe de robótica da companhia, Tye Brady.

“Sparrow” se soma a outros robôs como “Robin” e “Cardinal” (todos nomes de aves), mas o novo dispositivo consegue, inclusive, manipular produtos dentro de pacotes.

Cerca de 75% das cinco bilhões de encomendas ao ano que a Amazon gerencia são manipulados por algum tipo de robô, segundo Quinlivan.

Ameaça ou complemento?

“Não se trata de que as máquinas substituam as pessoas. Trata-se de que as pessoas e as máquinas trabalhem juntas, colaborando para fazer um trabalho”, assegura Brady.

Acusada de praticar “escravidão moderna” por alguns trabalhadores, a empresa com a segunda maior força de trabalho dos Estados Unidos, atrás do gigante da distribuição Walmart, conseguiu impedir a criação de sindicatos em suas instalações, exceto em um armazém de Nova York.

O Centro de Pesquisa do Trabalho e Educação da Universidade de Berkeley alerta que embora algumas tecnologias possam aliviar as tarefas mais pesadas nos depósitos, também podem contribuir para “aumentar a carga e o ritmo de trabalho, com novos métodos de controle dos trabalhadores”.

E cita expressamente a Amazon e seu programa MissionRacer, “um vídeo game que confronta os trabalhadores entre si para preparar os pedidos dos clientes mais rapidamente”.

Embora no curto e no médio prazos a tecnologia não vá representar uma perda maciça de postos de trabalho nos centros de distribuição, graças ao crescimento da demanda do comércio eletrônico, os que mais podem sofrer no longo prazo são os jovens, os homens, os latinos e os negros.

“Estes trabalhadores serão afetados desproporcionalmente pela mudança tecnológica”, pois estão “sobre-representados” nesta indústria, em particular nos Estados Unidos, alerta o centro universitário.

Os latinos representam 35% da força de trabalho nos centros de armazenamento.

Tecnologia própria e drones

A Amazon controla toda a cadeia tecnológica: desenvolve programas de informática, inteligência artificial, aprendizagem das máquinas, manipulação robótica, simulação, design dos protótipos e até um tradutor simultâneo para mais de 100 idiomas.

Também decidiu fabricar seus robôs em Westborough e North Reading, com capacidade para produzir mil unidades diárias.

A obsessão da Amazon é reduzir ao menor intervalo possível o momento em que o consumidor compra o produto e aquele em que o recebe. Por isso, é de importância vital para o modelo da empresa a chamada “última milha” do processo de distribuição. A companhia conta com 275.000 distribuidores para cobrir 148.000 rotas diárias, que podem aumentar em períodos de pico.

Até o fim deste ano, começará a entregar pacotes com drones em menos de uma hora a partir do pedido em duas localidades na Califórnia e no Texas.

https://exame.com/tecnologia/os-robos-vao-substituir-as-pessoas-na-amazon/

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‘A indústria do futuro é o que nos traz à cop27’, diz José Firmo, CEO do Porto do Açu

Executivo explica como o empreendimento do Norte Fluminense quer usar energia renovável para descarbonizar aço, fertilizantes e logística

Por Glauce Cavalcanti – O Globo – 13/11/2022 

O Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, quer se consolidar como um polo de industrialização do futuro. Hoje ligado à atividade petrolífera, quer ser um porto verde. Uma das apostas é o hidrogênio verde, mas para alimentar indústrias com energia renovável aqui.

“Um ecossistema de novas energias, conectado a uma produção de hidrogênio que não tem por desenho somente exportar, sustentar a necessidade de hidrogênio da Europa, mas, sim, descarbonizar o aço, o fertilizante e as operações portuárias do transporte marítimo”, explica ao GLOBO José Firmo, CEO do empreendimento da Prumo, sucessora da LLX de Eike Batista e controlada desde 2013 pela americana EIG.

O executivo está no Egito, onde apresenta detalhes do projeto na COP27, a conferência climática da ONU. Hoje, o porto responde por 40% do petróleo exportados pelo país e também escoa seis milhões de toneladas de minério de ferro para o exterior. A estratégia para um futuro mais verde está na criação de uma base de geração de energia sustentável, a ser usada como insumo por indústrias interessadas em reduzir suas pegadas de carbono.

Como opera o Açu hoje?

O porto nasce com 130km2, e em 40km² há uma reserva com muitas missões, como ser uma plataforma de compensação ambiental para os clientes e estabelecer um modelo de gestão e licenciamento ambiental único. O terminal portuário já exporta perto de 40% do petróleo brasileiro e seis milhões de toneladas de minério de ferro.

É uma estrutura que já faz dele o segundo maior porto brasileiro em movimentação de carga. Há ainda a estrutura do terminal 2, principalmente de óleo e gás, com a GNA (Gás Natural Açu, que desenvolve e opera projetos sustentáveis em energia a gás) com duas térmicas, uma de 1,3 GW já produzindo e outra de 1,7 GW com previsão de operar em 2025. Já são sete mil pessoas trabalhando. Mas isso é só o começo porque temos 44km2 de área para ser industrializada. São R$ 20 bilhões no plano de investimentos para os próximos dez anos, entre o Açu e as empresas que já estão instaladas no porto.

E como vai crescer?

O que tem à frente é a industrialização. A vertical dessa industrialização que tem chamado mais atenção é a razão de nós virmos à COP27: a industrialização do futuro. A indústria que vai estar aqui em 30 ou 50 anos vai ser muito distinta da que já se instalou até hoje.

Grandes portos (com a combinação) energia-indústria mundiais, como os de Houston (EUA) e Antuérpia (Bélgica), estão com 95% a 97% de utilização. Em visita a um deles, vimos algumas áreas vazias. Responderam que ali só se poderia alugar para indústria de transição, de baixo carbono ou a chamada transition-ready, aquela já plugada numa linha de transição energética. Daí, geramos a ideia, uma oportunidade única. Não há porto pronto como o Açu com, ao mesmo tempo, a oportunidade de área e infraestrutura.

E qual é a oportunidade?

O Açu Greenport é uma plataforma que une novas energias, hidrogênio e industrialização. Em geral, iniciativas em curso têm a ideia de manter o Brasil como um grande exportador de commodities. Se o hidrogênio verde ou a amônia vai ser a commodity do futuro, se pararia aqui. Mas estamos falando de muito mais do que isso, da industrialização.

Para isso, no Açu, temos três grandes hubs: a descarbonização do aço, com uma planta de Hot Briquetted Iron (HBI, produzindo a partir de pelotas de minério de ferro, num processo que resulta em baixa emissão de CO2); a descarbonização dos fertilizantes, com uma planta de amônia, e a descarbonização do transporte marítimo, através dos combustíveis limpos. A ideia é ter uma base de energia renovável e outros produtos que são insumos para outras indústrias.

Energia é o ponto de partida?

É o fundamental. Há três hotspots de energia eólica no Brasil: no Sul, no Nordeste e em frente ao Porto do Açu. Do ponto de vista logístico, o Açu faz muito mais sentido do que qualquer outro lugar. Temos 14 projetos pré-licenciados em eólica offshore (no mar).

E há cinco clientes que fecharam memorandos de entendimento e estão desenvolvendo projetos com a gente: Shell, Iberdrola, EDF, TotalEnergies e Equinor. Porque o mais importante para que o eólico offshore seja eficiente é ser integrado à cadeia logística completa. Hoje existem bases logísticas em discussão no Açu. O que já temos é a conexão com o grid (a rede de distribuição de energia).

O projeto no Açu tem a habilidade de injetar diretamente no Sistema Sudeste. O Nordeste já não tem mais capacidade de gerar energia renovável e mandar para o Sudeste, a menos que sejam construídos novos linhões de transporte, que são caríssimos. O desenho é ter bases logísticas e criar uma cadeia de fabricantes de turbinas, blades (pás) e torres (de aerogeradores). Na base logística será preparada a instalação das torres no mar, que representa 40% do custo.

E haverá unidade solar?

Sim, com a Equinor. A decisão de investimento deve sair em julho de 2023. Temos: solar, eólica offshore e agora uma análise nova de (energia de) biomassa e biogás muito promissora. Está se formando em volta do Açu um ecossistema de fontes de energia muito resilientes.

É o que a gente está apresentando na COP como algo muito novo: um ecossistema de novas energias, conectado a uma produção de hidrogênio que não tem por desenho somente exportar, sustentar a necessidade de hidrogênio da Europa, mas, sim, descarbonizar o aço, o fertilizante e as operações portuárias do transporte marítimo.

Iniciamos o licenciamento de 1 milhão de metros quadrados de um cluster para hidrogênio, onde já temos a Shell como primeiro cliente, com o desenvolvimento de uma planta-piloto de 10MW e que pode se expandir a 100 MW. E já assinamos memorandos com Linde, Iberdrola e EDF para o desenvolvimento de plantas-pilotos. A energia solar tem a função de habilitar esse piloto, porque (o hidrogênio verde) tem de ter energia renovável como fonte. O Brasil tem uma das energias renováveis mais eficientes e baratas do mundo. E, com isso, tem condições de produzir o hidrogênio mais barato do mundo.

E como fica o aço?

Os dois segmentos industriais que mais emitem CO2 são o de aço e o de químicos e plásticos. Como já temos seis milhões de toneladas de minério de ferro exportados pelo Açu, a primeira ideia é ajudar a descarbornizar o aço. Na Europa, há produção com fornos elétricos. Aqui, é alto forno convencional. No segmento que usa fornos elétricos, pode gerar zero carbono. Aqui, as plantas podem reduzir suas taxas entre 30% e 50%.

Fertilizantes também?

O Brasil importa 95% de seus fertilizantes nitrogenados. Não vemos como um país agrícola ficar com esse nível de dependência. Temos dois clientes analisando para, em 2023, decidir sobre a instalação de misturadoras no Açu.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2022/11/a-industria-do-futuro-e-o-que-nos-traz-a-cop27-diz-jose-firmo-ceo-do-porto-do-acu.ghtml

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Uma agenda de tecnologia para o Brasil

País precisa de uma agenda incisiva para buscar desenvolvimento

Ronaldo Lemos – Folha – 12.nov.2022

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

Qualquer país que busca o desenvolvimento precisa decidir o que quer da tecnologia. A razão é que, hoje, para se desenvolver é preciso participar da economia do conhecimento. Não dá para viver só da natureza. É preciso viver de ideias, grandes e pequenas. Especialmente porque a economia do conhecimento deve ser acessível a todos. Nesse contexto, a agenda brasileira tem de ser incisiva. 

O primeiro elemento é criar uma política nacional de dados. Os dados públicos são um dos maiores ativos do país para fomentar a inovação. É preciso colocá-los para gerar riqueza e processos de inteligência. Vou dar um exemplo. O país tem a nota fiscal eletrônica, que é uma conquista em si impressionante. No entanto, os dados gerados por esse sistema não são usados em todo seu potencial. 

Brasil precisa ter uma agenda tecnológica incisiva – Daniel Bueno/SoU_Ciência 

Analisando o agregado das notas fiscais do país seria possível medir a atividade econômica de forma granular. Entender quais setores estão decolando, formação de preços, movimentos da demanda e da oferta, competitividades regionais e assim por diante. 

Esses dados, se bem modelados e tratados, poderiam transformar o país em uma potência de inteligência produtiva, criando forças capazes inclusive de fomentar desenvolvimento local. Essa é uma aplicação poderosa. Uma política nacional de dados pode ir muito além. Ela deve olhar os dados públicos como o principal insumo existente no país para a inovação. 

Desenvolvendo mecanismos de acesso, seja na forma de APIs abertas, sandboxes e outros modelos ágeis de parcerias público-privadas. Acesso a dados em si têm tanto poder de desencadear processos de inovação quanto capital intensivo. Precisamos acordar para isso, não temos tempo a perder. Além de uma política nacional de dados, a agenda é ampla. 

O 5G precisa ser aplicado em atividades de grande escopo, como indústria 4.0, administração das cidades, no setor de saúde e na conexão de todas as escolas públicas do país com banda larga de primeira qualidade. Se o 5G ficar orbitando apenas consumidores individuais mais ricos das grandes cidades, vamos falhar miseravelmente. Nesse caso teria sido mais barato ficar com o 4G e aguardar a próxima onda. 

Fomentar GovTech é também essencial. É preciso transformar o setor público em plataforma digital. Inclusive com a criação de uma identidade digital verdadeira e gratuita para todos os cidadãos e cidadãs. 

O país precisa decidir também o que quer fazer com a transição energética. Como balancear as riquezas fósseis do território brasileiro com uma transição para eletricidade, baterias e fontes renováveis. Nosso futuro de longo prazo vai depender desse balanceamento inteligente. 

Precisamos também migrar para um agro de fundamento científico. O país não pode se contentar apenas em ser competitivo na ponta da produção. É preciso competir em patentes agrícolas, em cultivares e nos insumos protegidos por propriedade intelectual. Idealmente, trabalhar a partir da Embrapa para que exista uma Syngenta ou uma Monsanto brasileira. O agro precisa migrar cada vez mais para o lado inteligência produtiva. 

Por fim, mas não menos importante, retomar nossa soberania digital, para que não sejamos só consumidores ou vítimas dos avanços tecnológicos produzidos fora do país. Para isso, é essencial pensar em parcerias internacionais, não apenas com EUA e Europa, mas com China e Índia. Tudo isso é possível. 

Nosso dever como pais é juntar conhecimento, conectividade e infraestrutura para fomentar a economia do conhecimento para todos e todas.  

Já era – Selo azul do Twitter só para pessoas verificadas 

Já é – Selo azul do Twitter para quem quiser comprar 

Já vem – Confusão generalizada e descrédito total do sistema de verificação do Twitter 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2022/11/uma-agenda-de-tecnologia-para-o-brasil.shtml

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Marina Silva: a reindustrialização virá a partir do meio ambiente e do conhecimento ancestral

Em conversa com a EXAME na COP27, a ex-ministra detalha a visão de política ambiental para o Brasil, que ela pode liderar a partir do próximo ano

Marina Silva: “A ideia de uma bioeconomia parte dos modelos de desenvolvimento social, econômico e cultural dos povos indígenas” (Leandro Fonseca/Exame)

Marina Silva: “A ideia de uma bioeconomia parte dos modelos de desenvolvimento social, econômico e cultural dos povos indígenas” (Leandro Fonseca/Exame)

Rodrigo Caetano – Exame – 12/11/2022 

“Eu não gosto muito desse negócio de foto”, disse uma simpática Marina Silva para o fotógrafo Leandro Fonseca, da EXAME. “Então por que sai tão bem nelas?”, respondeu Fonseca, abrindo um sorriso no rosto da fotografada. Na COP27, Marina está, de fato, bem na foto.

Cotada para reassumir o Ministério do Meio Ambiente no próximo governo (ela foi a ministra de Lula no primeiro mandato), Marina está com a agenda lotada em Sharm el-Sheikh, no Egito, sede deste ano da conferência climática da ONU. Se encontrou com John Kerry, enviado especial da Casa Branca para o clima, o homem forte de Joe Biden no meio ambiente; se reuniu com a vice-presidente colombiana, vizinho estratégico em se tratando de Amazônia; e recebeu na sala do Brazil Climate Hub, espaço da sociedade civil na COP, praticamente todas as lideranças sociais presentes no evento.

Marina, no entanto, não está na COP apenas para melhorar a imagem do Brasil, arranhada pela falta de interlocução do Governo Federal na esfera climática – e pelo aumento do desmatamento, é claro. Se o país, institucionalmente, perdeu credibilidade, a ex-ministra, que em sua gestão derrubou o desmatamento da Amazônia para o menor nível da história recente, manteve a influência. Junto com Izabella Teixeira, também ex-ministra de Lula e líder da delegação Brasileira no Acordo de Paris, Marina Silva faz jus à tradição brasileira de ser um soft power climático.

Com a eleição de Lula, a presença de Marina no Egito tem ares de uma volta triunfal. Nos corredores da conferência, o que se especula é qual será o papel dela no novo governo. A maioria, saudosos dos resultados obtidos em sua passagem pela pasta, a quer como ministra. Caso isso aconteça, no entanto, é de se esperar uma Marina diferente, mais complexa, a dialogar com um número maior de stakeholders, que faz referência a economistas como Luiz Carlos Mendonça de Barros, fala de matriz energética, geração de empregos e reindustrialização.

O que o Brasil quer fazer com seu protagonismo?

A primeira pergunta de EXAME para Marina diz respeito ao protagonismo climático do Brasil. A questão não é sobre a recuperação desse protagonismo, uma vez que o país, por ser uma potência agrícola e florestal, será protagonista de um jeito ou de outro. O ponto é como trabalhar essa relevância global. “Você pode ser protagonista destruindo, ou preservando”, respondeu Marina. “Pode enxergar as bases naturais do Brasil como sendo uma grande vantagem comparativa para a transição energética e para a busca de um novo ciclo de prosperidade, ou você pode encarar isso como algo a ser destruído.”

Esse ciclo de prosperidade a que Marina se refere virá a partir de um modelo econômico que considere a questão climática como o vetor do desenvolvimento. Sua ideia é aproveitar a transição para a economia de baixo carbono, um movimento global, posicionando o Brasil como uma potência ambiental, para ir além do papel de soft power e se tornar uma potência da nova economia. Esse plano congrega, além da proteção às florestas, uma reindustrialização do país construída sobre alicerces sustentáveis e impulsionada pela inovação, que virá, em grande parte, do conhecimento ancestral.

“O protagonismo ao qual você se refere pode ser uma oportunidade de inserir o Brasil no mundo pela via de um novo clico de prosperidade, com democracia, combate às desigualdades e sustentabilidade”, disse Marina. “É o protagonismo que considera a preservação das florestas, que aumenta a produção por ganho de produtividade usando tecnologia, que faz com que o país acesse os mercados mais exigentes e consiga atrair investimentos.”

A visão de Marina Silva para a reindustrialização do Brasil

O Brasil pode, na visão de Marina, adotar um processo de reindustrialização baseado nas metas do Acordo de Paris. Ela cita um artigo do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do BNDES, em que ele descreve o processo de reorganização das cadeias globais de suprimentos resultante da pandemia e da guerra na Ucrânia. Há uma tendência de encurtamento dessas cadeias, com a adoção de políticas mais protecionistas pelos países. O cenário abre oportunidades para o Brasil renovar seu parque industrial.

“Podemos fazer um processo de reindustrialização centrado nas metas do Acordo de Paris, fazer uma transição para uma agricultura de baixo carbono, ter uma matriz elétrica limpa e segura, inclusive, para produzir hidrogênio, e podemos ser um enorme lastro para novos parques industriais de produção de carros elétricos”, explicou. “Eu vejo um Brasil fenecendo, mas também vejo um país florescendo, associado a esse novo ciclo de prosperidade.”

Marina Silva recebeu a EXAME no Brazil Climate Hub, espaço da sociedade civil na COP27, em Sharm el-Sheikh, no Egito (Leandro Fonseca/Exame)

Inovação a partir do conhecimento dos povos originários

Esse contexto de mudança demanda novas maneiras de enxergar o mundo. A inovação, segundo, Marina, é fundamental para qualquer país que almeja um lugar de influência na esfera internacional, e expandir o comércio com outras partes do mundo. Se o Brasil tem uma vantagem competitiva na produção de baixo carbono, no campo do conhecimento, o diferencial está no conhecimento ancestral dos povos originários.

“A ideia de uma bioeconomia parte dos modelos de desenvolvimento social, econômico e cultural dos povos indígenas”, afirma. “A união entre o saber narrativo das populações tradicionais, e o conhecimento dos postulados denotativos da ciência ocidental é muito poderosa. Os povos indígenas, cada vez mais, estão nos ensinando a ter processos de resiliência duradouros na relação com os ambientes naturais.”

Marina cita como exemplo as indústrias farmacêutica e de cosméticos. Segundo ela, a ciência ligada ao desenvolvimento de novos produtos de saúde e beleza sempre parte dos conhecimentos tradicionais associados. “Quando você vai fazer uma pesquisa alhures, com o pesquisador indo, ele mesmo, coletar as amostras, são necessárias 10 mil amostras para se chegar a uma que tenha algum indício de valor econômico. Quando ele parte do conhecimento tradicional, ele precisa de apenas 1 mil amostras. É um conhecimento valioso.”

Como senadora, Marina elaborou o projeto da Lei de Acesso aos Recursos Genéticos, de 1998. A legislação confere ao detentor do conhecimento ancestral direitos sobre os produtos desenvolvidos a partir dele. É o mecanismo que garante às populações tradicionais retorno financeiros a partir dessa propriedade intelectual, e dá segurança jurídica às empresas para utilizar de maneira sustentável esse patrimônio. É com esse arcabouço e com sua credibilidade perante a comunidade internacional que Marina pretende liderar sua revolução econômica a partir do enfrentamento da crise climática. O apoio do Governo Federal vai acelerar algumas etapas. Mas, a verdade é que essa transformação está em curso, e tanto Marina, quanto o Brasil, são protagonistas

https://exame.com/esg/marina-silva-a-reindustrializacao-vira-a-partir-do-meio-ambiente-e-do-conhecimento-ancestral/

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A volta ao trabalho dos profissionais 65+: entenda o movimento da “desaposentadoria”

Diante da necessidade de uma renda adicional e da vontade de socializar, pessoas mais velhas estão voltando a procurar empregos – e há empregadores mais do que dispostos a oferecer-lhes flexibilidade

Por Anjli Raval, Financial Times/Valor 10/11/2022

Neil aposentou-se em setembro. Natural de Norfolk, na Inglaterra, 70 anos de idade, ele trabalhava como subgerente de uma fabricante de motores, que fornecia autopeças e acessórios a oficinas mecânicas. Ele havia decidido que, enfim, era hora da aposentadoria, depois de ter começado a trabalhar aos 17 anos e de tê-la adiada por seis anos.

Mal havia passado um mês, entretanto, e Neil (que não quis ter o sobrenome divulgado) percebeu que as contas não batiam. A aposentadoria pública não cobria o custo do aluguel e as contas da eletricidade, do supermercado e de outras despesas. Não demorou muito para ele voltar a procurar um emprego.

Além das preocupações com dinheiro, ele também sentia falta de estar perto dos colegas. “Há sérias preocupações financeiras, é claro, mas sinto falta principalmente do aspecto social do trabalho. Eu costumava trabalhar em uma equipe alegre, de pessoas muito brincalhonas”, diz. Agora, ele procura um emprego de meio período em vendas, área na qual diz ser muito bom. “Atendimento excepcional ao cliente” é no que ele sempre se destacou.

Com a transição para carros elétricos, ele não vê muito futuro no antigo ramo de atividade. Em vez disso, como colecionador de relógios, agora ele gostaria de trabalhar apenas alguns dias por semana, vendendo antiguidades; ou em uma livraria.

“É uma ideia muito ultrapassada, a de que as pessoas vão se aposentar e ficar em casa sem fazer nada”, acrescentou.

    Muitas pessoas com mais de 65 anos, como Neil, querem tornar-se parte dos chamados “não aposentados”. A crise do custo de vida, as oportunidades de trabalho mais flexível e a percepção pós-lockdown da importância do contato social coincidiram, levando muitos a voltar a procurar ocupações e empregos estáveis.

Análises recentes mostram que trabalhadores entre os 50 e os 64 anos vêm deixando a força de trabalho do Reino Unido porque estão optando por se aposentar mais cedo. No entanto, de acordo com a Agência Nacional de Estatísticas, o número de pessoas com mais de 65 anos trabalhando ou procurando trabalho atingiu o nível mais alto já registrado, de cerca de 1,5 milhão, durante o verão europeu, embora depois disso tenha ocorrido um ligeiro recuo. No caso dos que têm mais 50 anos, agora o número está próximo aos 10,5 milhões de pessoas, similar ao que era antes da pandemia.

Há muitos mais na faixa acima dos 65 anos reingressando agora na força de trabalho e um número cada vez maior – curiosamente – à procura de novas oportunidades.

Stuart Lewis, executivo-chefe da Rest Less, uma associação de defesa dos idosos que também funciona como comunidade digital, diz que os dados oficiais do mercado de trabalho parecem mostrar sinais de um retorno a uma tendência de longo prazo de idosos mais economicamente ativos.

    “O que vimos nos últimos meses, principalmente entre aqueles com mais de 65 anos, é que eles estão voltando ao trabalho. Acreditamos que este é o início da grande tendência de ‘desaposentadoria’. Curiosamente, há muitas pessoas pensando em voltar”, diz Lewis.

Os lockdowns da pandemia forçaram muitos – particularmente os mais velhos – a reavaliar prioridades. Eles reformularam as vidas profissionais, desistindo de jornadas de trabalho muito longas, de deslocamentos penosos e de empregos pelos quais não tinham particular apreço. Também procuraram cuidar melhor da própria saúde e se encarregaram mais da responsabilidade de tomar conta de parentes.

À medida que a inflação aumenta, porém, a atual aposentadoria pública, de 9.627 libras esterlinas por ano (quase US$ 11 mil) por ano, vem corroída pelo custo mais alto dos bens e serviços. Diante das contas de energia mais altas e do aumento de custo dos mantimentos básicos – desde o óleo vegetal e macarrão até o leite e pão – muitos trabalhadores mais velhos vêm revertendo os planos de aposentadoria.

Alguns empregadores identificaram uma oportunidade, em meio à escassez de mão de obra e de trabalhadores de alta qualificação no Reino Unido, que foi agravada pelas restrições a trabalhadores estrangeiros.

Ao buscar trabalhadores mais velhos, os empregadores podem conseguir pessoal para turnos mais curtos ou para dias da semana que não são populares entre os mais jovens, geralmente mais interessados nas opções mais lucrativas. Pesquisas também mostram que uma força de trabalho multigeracional é mais criativa e pode ser vantajosa para todos, graças ao conhecimento institucional inestimável de muitas pessoas mais velhas, que podem passar experiências de vida para colegas mais jovens.

A rede de pubs e hotéis Fuller’s lançou recentemente sua primeira campanha de recrutamento voltada para trabalhadores mais velhos.

“Podemos oferecer flexibilidade máxima: se uma pessoa é madrugadora ou de hábitos noturnos, ou se quer trabalhar só na sexta-feira e não na terça-feira, quando cuida dos netos, podemos satisfazer isso”, diz Dawn Browne, diretor de pessoas e talentos da Fuller’s. Com isso, a empresa espera conseguir pessoal para turnos mais curtos e menos populares, cuja remuneração é menor que a de uma jornada integral. Embora os benefícios sejam semelhantes para todos os funcionários, Browne diz que eles exercem um poder de atração ainda maior para as faixas demográficas dos mais velhos, como descontos nos produtos para os funcionários, ajuda nos custos de saúde e um serviço de clínico geral 24 horas por dia, sete dias por semana. “Este é especialmente valioso.”

Esse quadro é corroborado pelo Estudo de Estilo de Vida das pessoas com mais de 50 anos, da Agência Nacional de Estatísticas. A pesquisa mostra que, entre as pessoas com 50 e 65 anos que deixaram o emprego durante a pandemia e considerariam retornar ao trabalho, 58% consideram os horários flexíveis prioridade.

Para Jaci Quennell, de 65 anos, uma psicoterapeuta e assistente social autônoma, a flexibilidade é fundamental. A possibilidade de trabalhar em casa e de realizar consultas e reuniões on-line lhe permitiu trabalhar por mais anos. Depois de ter reduzido o número de dias que trabalhava por semana em razão de uma cirurgia de coluna malsucedida – uma desaceleração efetiva em sua vida profissional – ela agora reverteu o rumo. Em breve, assumirá um cargo de maior hierarquia, preparando lares para crianças pequenas em conjunto com as autoridades locais.

“Vou gerenciar mais de 100 funcionários”, diz Quennell. “Essa faixa demográfica pode ser incrivelmente produtiva se tiver oportunidade e flexibilidade. Ao fazer metade das minhas reuniões remotamente, isso fica menos exigente fisicamente.”

    Quase 35% da força de trabalho na Inglaterra tem 50 anos ou mais, sendo cerca de 9 milhões de pessoas entre 50 e 64 anos e mais de 1,3 milhão com mais de 65 anos. Nem todos os empregadores, contudo, oferecem o suficiente para segurar os trabalhadores mais velhos ou reconhecem a importância de recrutá-los.

Emily Andrews, que atua para criar acesso equitativo ao trabalho para pessoas na casa dos 50 e dos 60 anos na fundação beneficente Center for Aging Better, diz que deveria haver mais idosos na força de trabalho.

“Os empregadores ainda não estão tentando aproveitar o que essa demografia pode trazer”, diz Andrews,, acrescentando que muitos locais de trabalho não têm culturas que deem espaço para funcionários mais velhos e que mostrem como são valorizados. Andrews também destaca que os esforços de recrutamento e a linguagem usada nos anúncios de emprego também estão em grande medida voltados à contratação de trabalhadores mais jovens, e muitos empregadores – apesar da pandemia – não são totalmente flexíveis na forma como os funcionários podem trabalhar. As empresas muitas vezes não oferecem suporte para pessoas – de qualquer idade – com problemas de saúde, acrescenta, e trabalhadores com 50 anos ou mais são os menos propensos a ter cursos e treinamento “fora do local de trabalho”, o que impacta sua capacidade de se manter atualizado com novas capacitações e de ganhar mais tarefas.

Muitas vezes, os trabalhadores mais velhos se veem pegos no “nexo da discriminação pela incapacitação e idade”, segundo Andrews, de forma que podem internalizar alguns dessas questões e sofrer grande golpe em sua confiança.

Thomas Roulet, professor associado de teoria organizacional da Judge Business School, da Universidade de Cambridge, diz que ainda existe um “estigma” no que se refere a contratar trabalhadores mais velhos. Embora uma organização multigeracional possa ser altamente criativa, ela também pode sofrer um aumento de conflitos.

    “Tanto as gerações mais jovens quanto as mais velhas têm preconceito umas com as outras – os trabalhadores mais velhos acreditam que as pessoas da geração Y se acham no direito de ganhar e de esperar de tudo de seu empregador, além de também quererem retornos imediatos. Por sua vez, trabalhadores mais jovens acreditam que tudo era mais fácil para os mais velhos e que eles são incapazes de se adaptar a novas tendências”, diz Roulet.

No entanto, a realidade é que geração Y e as mais velhas compartilham das mesmas fontes de motivação e objetivos de carreira. Embora os trabalhadores mais velhos não queiram tratamento especial, eles querem estar em pé de igualdade com os funcionários mais jovens.

Colin Serlin, de 76 anos, diz que os idosos precisam pensar de forma diferente sobre como trabalham. Após 40 anos no ramo imobiliário, ele fez mestrado em psicoterapia e em breve montará seu próprio consultório, o The Unretiring (os que se desaposentam, em inglês), oferecendo cursos para recém-aposentados, desenvolvidos em conjunto com terapeutas e acadêmicos. “As pessoas ficam entediadas, deprimidas e adoecem de forma ainda mais grave por não saber o que fazer consigo mesmas. Espero mudar isso”, diz.

“As pessoas precisam ter uma postura mais empreendedora. Seja para fazer algo por conta própria ou para ser um chamado ‘intrepreneur’ [ter espírito empreendedor, mesmo sem ser um “entrepreneur”, um empresário dono do próprio negócio] dentro de uma organização maior”, acrescentou. “Quando as pessoas estavam em seus 20 ou 30 anos, muitas vezes eram empurradas a um determinado caminho. O principal agora é reavaliar o que elas querem da vida. “Elas precisam apenas ter uma mentalidade diferente.”

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/11/10/a-volta-ao-trabalho-dos-profissionais-65-entenda-o-movimento-da-desaposentadoria.ghtml

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Depois da fast fashion, chegou a vez das roupas biodegradáveis

Uma série de marcas vem lançando linhas de roupas biodegradáveis, mas ainda há muito o que fazer para tornar a moda mais sustentável


Bridget Shirvell – Fast Company Brasil 17-10-2022 | 

Quando Katie Lopes se dispôs a criar uma marca de roupas íntimas femininas, resolveu que seus produtos seriam modernos, confortáveis e que, um dia, se dissolvessem na terra como as cascas de ovo, a borra de café e os restos de batata que ela usa para adubar seu jardim.

“Estava começando a me tornar mais consciente do dano ambiental causado pela indústria da moda. Seria uma falta de responsabilidade não levar isso em conta”, disse a cofundadora da Stripe & Stare na ocasião do lançamento da marca, em 2017.

Segundo ela, o foco no segmento de roupa íntima foi escolhido porque as pessoas não se sentem confortáveis comprando esse tipo de peça de segunda mão. “Produzir direitinho de modo a evitar que os produtos acabassem no aterro sanitário era muito importante para mim.”

A Stripe & Stare é um exemplo entre o número cada vez maior de fabricantes de vestuário – como H&M e Stella McCartney – que estão investindo em materiais biodegradáveis, com peças que podem ser descartadas no lixo comum.

A indústria da moda é responsável por mais de 8% das emissões globais de CO2, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). É um volume maior do que o emitido pelo transporte marítimo e aéreo juntos. Cerca de 84% das roupas produzidas acabam em aterros sanitários ou são incineradas.

Não precisa ser assim, diz Natalie Patricia, fundadora da Harverst & Mill, marca cujas roupas são feitas apenas com algodão orgânico. “Ele é cultivado em fazendas, exatamente como as frutas, verduras e legumes que comemos. Portanto, pode e deve ir para compostagem e retornar ao solo “, defende ela.

UM PROBLEMA DE DIFÍCIL SOLUÇÃO

Compostagem é o processo de reciclagem de material orgânico. No caso do lixo doméstico, seriam cascas, restos de comida e folhas de árvores, por exemplo, que podem virar fertilizante. Como se trata de um processo aeróbico, não produz metano, um gás de efeito estufa que é emitido pelo material que se decompõem nos aterros sanitários.

No entanto, não basta que o tecido seja feito de fibras naturais, como algodão, seda ou lã, para ser compostável. Muitas empresas usam tratamentos químicos para tornar o tecido à prova d’água, de manchas ou para que não amasse.

“Existem muitas marcas que dizem que são sustentáveis, mas que estão apenas usando algodão, ou linho, ou cânhamo. A tintura e os acabamentos usados em cada peça não são compostáveis”, explica Katherine Quigley, dona da Sustain, confecção que usa tinturas à base de plantas.

Mas mesmo que cada acabamento seja feito de material orgânico, poucas instalações de compostagem recebem material têxtil. É difícil verificar a composição do tecido e não se pode correr o risco de contaminação, detalha Paul Foulkes-Arellano, fundador da  Circuthon, consultoria que auxilia empresas na transição para a economia circular.

Muitas marcas dizem que são sustentáveis, mas a tintura e os acabamentos usados em cada peça não são compostáveis.

“Eles não querem tecidos, nem calçados, nem nada que tenha a ver com a indústria da moda porque estão focados em trabalhar com embalagens e alimentos”, explica.

Para a compostagem de vestuário fazer uma diferença significativa, seria preciso ser realizada em grande escala. Por exemplo, a nível de política pública, e não por cada marca, isoladamente. “A menos que o fabricante garanta que vai coletar todos os acabamentos, ficará tudo no campo das boas intenções”, diz Arellano, que vem estudando o sistema de descarte de têxteis na Europa.

Patricia, da Harvest & Mill, diz que sua companhia está trabalhando com a organização sem fins lucrativos Fibershed para testar as possibilidades em instalações de compostagem públicas e privadas na Califórnia. Se conseguirem fazer com que essas empresas se juntem ao processo, será possível criar um programa de logística reversa para processamento de tecidos.

EXCESSO DE PRODUÇÃO

“São poucas as peças de roupa que podem ir para a compostagem com segurança”, diz Alden Wicker, autora do livro (ainda não lançado) “To Dye For: How Toxic Fashion is Making Us Sick” (Como a indústria da moda está nos deixando doentes, em tradução livre). Segundo ela, quando a roupa se decompõe, há o risco de contaminação do solo por elementos tóxicos presentes nas tinturas.

Adotar padrões universais de compostagem para produtos têxteis poderia ser uma forma de ajudar os consumidores a descartar suas roupas de maneira responsável. Arellano diz que está otimista quanto ao aumento na reciclagem de tecidos. “Acredito no reaproveitamento de materiais, e o algodão é um que pode ser reciclado.”

Na Suécia, uma empresa de reciclagem de têxteis recentemente adaptou uma fábrica de papel para o processamento de roupas. “Eles conseguem aproveitar jeans, camisetas e meias de algodão com as máquinas de reciclagem de papel, que transformam todo esse material em tecido de algodão”, conta Arellano.

O fato é que a quantidade de roupas recicladas, compostadas ou enviadas para aterros sanitários, na verdade, aponta para a raiz do problema: o excesso de produção, que é prejudicial não só ao meio ambiente. Esse volume de produção demanda trabalhadores mal remunerados (e, muitas vezes, irregulares). Estima-se que 98% dos trabalhadores de confecções mal ganhem para viver.

Uma camiseta de algodão da Sustain custa cerca de US$ 48, ou quase o dobrode uma similar da GAP. Kathrine Quigley acredita que novas políticas públicas poderiam equiparar a disputa entre as empresas de fast fashion e companhias como a dela. A empresária defende impostos mais altos para as marcas de moda rápida poluentes ou incentivos para as manufaturas domésticas.

“Uma coisa que poderia ajudar é se o governo começasse a fazer com que as fabricantes de roupas se responsabilizassem pelo ciclo completo do produto. Se uma peça de poliéster realmente incorporasse o custo da reciclagem ou do seu descarte correto, ela fatalmente custaria mais”, diz a sócia da Sustain.

Quando o consumidor desembolsa US$ 56 por uma camiseta da Stripe & Stare, ele está pagando por eliminação de carbono, remuneração justa para os trabalhadores e o melhor que há hoje em dia em termos de materiais biodegradáveis, diz Katie Lopes.

As pessoas podem não gostar muito de ter que gastar mais, admite ela. “Estamos tentando, com todo empenho, difundir a ideia de comprar menos, mas comprar melhor.”


SOBRE A AUTORA

Bridget Shirvell é jornalista e consultora editorial especializada em temas como alimentação e mudanças climáticas.    saiba mais

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Por que toda empresa está virando uma empresa de mídia

Esse fenômeno das organizações é uma tendência reconhecida internacionalmente e no Brasil. E tem crescido cada vez mais

Sandra Regina da Silva – MIT Sloan Review – 07 de Novembro 2022

Artigo Por que toda empresa está virando uma empresa de mídia

Em 2015, Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse num evento em São Paulo, que, no futuro, “toda empresa seria uma empresa de tecnologia”. Cinco anos depois, Steve Brown publicou o livro The Innovation Ultimatum, afirmando que seis tecnologias estratégicas vão remodelar todos os negócios nesta década de 2020 – e que aqueles que não as adotarem terão dificuldades para se manter competitivos. Então, veio a pandemia, que agilizou a digitalização de todas as empresas, as quais, forçosamente ou não, precisaram abraçar diversas tecnologias para não sucumbir.

Mesmo que não tenham ouvido Nadella ou lido Brown, as empresas ouviram os consumidores durante a crise do coronavírus e, bem ou mal, conseguiram avançar em tecnologia. No entanto, muito antes dessa máxima, outra já vinha se construindo, pelo menos desde o início de 2005: a de que toda empresa é uma empresa de mídia. Em 2005, o então repórter do Financial Times e hoje empreendedor do setor, Tom Forenski, visitou a Cisco Systems, especificamente para entrevistar Dan Scheiman, diretor de M&A da empresa (que estava fazendo um grande volume de fusões e aquisições) e descobrir que ele também era um diretor de comunicação corporativa. Era um dos cargos mais poderosos do Vale do Silício, pois o volume de fusões e aquisições da empresa era gigantesco.

Olhando para a Cisco e para outra gigante de tecnologia, a IBM, Forenski teve um insight: as empresas usavam uma poderosa máquina de comunicação para garantir que os empreendedores trabalhassem em aplicativos que dessem suporte ao seu crescimento. Tanto Dan Scheiman fazia isso na Cisco, como Drew Clark na IBM. O grupo de venture capital então liderado por Drew Clark levava aos empreendedores, por meio da comunicação, a informação sobre os tipos de tecnologias desejáveis para a IBM crescer mais e mais.

O insight de Forenski foi, na verdade, sobre a nova natureza da mídia e o papel das empresas nela. Muito antes de Nadella, Forenski decretou: “daqui para a frente, toda empresa passará a ser uma empresa de mídia”.

Essa percepção vinha levando as companhias a buscar três caminhos como mídias: • Fazer parcerias de conteúdo com empresas de mídia. • Comprar empresas de conteúdo. • Ter fornecedores de conteúdo de maneira corrente, especializados em inbound marketing. • Criar unidades internas de conteúdo do zero (porém isso é bem mais raro).

As grandes companhias estão entendendo que, aos poucos, têm de se posicionar como empresa de mídia, acredita Gabrielle Teco, CEO da Qura Editora, responsável pela publicação das revistas MIT Sloan Management Review Brasil e HSM Management. “E, cada vez mais, encaram isso com um olhar omnichannel, o que significa comunicar-se não apenas pelo site da empresa e nem somente por texto ou imagem; elas constroem e distribuem educativo de todas as maneiras, de áudios (podcasts) e vídeos a textos de blog e newsletters.”

Vitor Peçanha, cofundador da empresa de marketing de conteúdo Rock Content, adiciona que o marketing de conteúdo está sendo menos marketing e mais conteúdo. “Em vez de as empresas pensarem apenas em quem me visita, quantos leads são gerados e quantos são convertidos em clientes, elas também querem educar e entreter para fazer com que as pessoas queiram de fato consumir os conteúdos.” E isso vale para modelos de negócio B2B e B2C.

Além da pandemia, há outra explicação para a maior valorização do conteúdo, como lembram os líderes da Qura Editora e da Rock Content. “Com as limitações da Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, o conteúdo precisa ser desejado e ativamente procurado pelo cliente, e isso só acontece quando o conteúdo é útil e tem total credibilidade”, afirma a CEO da Qura. “O consumidor é que deve acessar o conteúdo, ir atrás, ser entretido por ele”, confirma Peçanha.

E o exemplo de conteúdo in-house? Um bom estudo de caso vem da pioneira Red Bull, que montou a Red Bull Media House para produzir um conteúdo ligado a esportes radicais. Essa media house produz, entre outros, os conteúdos da Red Bull TV e a revista digital The Red Bulletin. Mas seria possível apresentar a fábrica de conteúdos da empresa de energéticos também como um modelo híbrido, porque também se vale de parcerias de longo prazo. Por exemplo, no futebol do Brasil, associou-se ao time de futebol Red Bull Bragantino. Na Fórmula 1, sua escuderia, a Red Bull Racing, é fruto de uma parceria com a Jaguar Racing.

É tendência e está crescendo

O fenômeno “toda empresa é uma empresa de mídia” pode ser reconhecido tanto internacionalmente como no Brasil.

Exemplo de parcerias com empresas de mídia são as estabelecidas entre a MIT Sloan Management Review americana e empresas como Deloitte, BCG, IBM, AWS, entre outras, com a proposta de oferecer, a gestores seniores, um conteúdo de apoio a decisões e à transição para a nova economia.

A edição brasileira da MIT Sloan Management Review , à qual este blog é ligado, segue o mesmo caminho, tendo parcerias duradouras com organizações como Pinheiro Neto Advogados, Capgemini, Accenture e Zendesk, entre outras. “Há cada vez mais demanda para essas parcerias. A nosso ver, isso acontece porque o público gosta muito do conteúdo resultante dessas parcerias: estamos lidando com empresas especialistas em seu produto e em seu mercado, o que nos permite aprofundamento dos conteúdos e nós entramos com a abrangência desses conteúdos e a melhor experiência de comunicação, que a gente brinca de chamar de ‘ComX’”, diz Gabrielle Teco. Segundo Teco, “são marcas fortes oferecendo, juntas, uma credibilidade de conteúdo que as distancia da visão de propaganda ainda associada ao conteúdo de marca”.

As aquisições também são uma estratégia bastante acionada. A HubSpot, plataforma SaaS de CRM, é uma das empresas que faz isso muito bem nos Estados Unidos: adquiriu a newsletter The Hustle e lançou a HubSpot Creators, que investe e apoia criadores de conteúdo como parcerias. No Brasil, temos visto movimentos crescentes nessa direção. Em termos de aquisições, a XP Investimentos comprou o portal InfoMoney, Magazine Luiza adquiriu o Jovem Nerd (plataforma multimídia), assim como fez a Centauro com a NWB (dona de canais digitais, entre eles Desimpedidos e Acelerados).

Os fornecedores de conteúdo, que atuam no âmbito do inbound marketing, são a estratégia mais consolidada, provavelmente, com especial ênfase em conteúdo para blogs corporativos. Nos Estados Unidos, todo ano é divulgado um ranking das melhores agências desse segmento; o de 2022 foi liderado por SmartBug Media, KlientBoost e SmartSites, por exemplo.

É uma modalidade tão consolidada, e popularizada, que algumas empresas começavam a ver um certo cansaço nesse modelo. Mas o inbound marketing teve grande impulso com a covid-19. “A pandemia e o fato de ter de comprar online trouxe insegurança”, afirma Peçanha, da Rock Content, uma das empresas de marketing de conteúdo líderes no Brasil. Antes de comprar algo, o consumidor passou a ir atrás de informações. “As campanhas publicitárias pagas perderam eficiência, diante do menor interesse de compra”, analisa ele. As empresas, de modo geral, reduziram investimentos em marketing.

Para ele, a busca dos consumidores por informações fez com que as grandes organizações percebessem que não estavam dando a atenção devida a isso, passando a investir em conteúdo informativo e em novos canais, o que foi positivo para a empresa e para os clientes. “O marketing de conteúdo tem de gerar valor para sua audiência, para que se sinta atraída pelo que a marca tem a dizer e que entenda o seu produto, tornando-se cliente”, explica o cofundador da Rock Content. As pessoas veem mais valor no que é compartilhado, e “não quando são bombardeadas por propaganda”. Segundo Peçanha, até pequenas e médias empresas têm surfado no marketing de conteúdo. Elas têm tido bons resultados quando geram conteúdo desde que saibam escolher bem a audiência.

“Não há uma única regra quanto a formato ou canal”, afirma ele, mas o blog, enquanto canal, tem atraído mais empresas. Entretanto há cases de sucesso em todas as frentes. Para Peçanha, uma coisa é certa: “Se uma empresa não estiver presente educando, os clientes não vão se lembrar da marca na decisão de compra. O conteúdo, quando é bom, dá visibilidade.”

IBM: reality show a partir de uma hackaton

A edição 2020 da Maratona Behind the Code, da IBM, poderia ser uma hackaton como outra qualquer, talvez diferenciada apenas pela duração (42 dias) e extensão (a região da América Latina). Mas a IBM aproveitou para transformá-la na minissérie C0d3rs Championship, em oito episódios em formato de reality show, e disponiblizá-la em um popular serviço de streaming – o Prime Video –, numa parceria com a agência Ogilvy Argentina. (Veja o trailer aqui.)

A ideia surgiu enquanto a IBM definia uma estratégia de marketing com a Ogilvy Argentina, quando todas as indústrias carecem de talentos na área de tecnologia e inovação. Graciela Di Rado, CMO da IBM Latin America, conta que o projeto contou com a instalação de equipes e equipamentos nas casas de 20 participantes (metade deles do Brasil e os demais em outros seis países latino-americanos) da maratona, que acompanharam os desenvolvedores resolvendo os desafios que eram propostos na competição.

O formato de reality show foi o escolhido para gerar atratividade e entreter o telespectador. O conteúdo audiovisual se propôs, pela ótica dos coders, a “contar sobre a tecnologia, como se usa e para que serve a inteligência artificial, por exemplo, inclusive para atrair pessoas para a indústria”, relembra Di Rado.

O projeto envolveu mais parcerias: a Story Lab, na produção, e a EOM, na distribuição. Di Rado conta que o maior desafio foi a logística e a operação para instalar e captar as imagens dos coders em diferentes países, que inclusive assinaram termo de consentimento para isso.

Além disso, havia a grande expectativa de que o campeão da Maratona Behind the Code estivesse entre os 20 escolhidos entre os classificados em top 100 da competição, que teve ao todo 70 mil inscritos de diferentes etnias, idades, gêneros e até de conhecimento em tecnologia. E foi certeiro: não só o primeiro como também quem ficou em segundo lugar estavam entre eles.

C0d3rs Championship tem um enredo. Mostra como os desenvolvedores trabalham sob pressão numa competição para entregar soluções inovadoras a problemas reais que a IBM apresenta, como por exemplo uma que deveria, num modelo de conhecimento visual, identificar pragas na agricultura. O desafio final dos coders foi como identificar exoplanetas usando a inteligência artificial.

A minissérie também tem cenas com desafios pessoais, como um participante que teve pane no seu computador pouco antes de finalizar um desafio – e como ele vibrou quando uma amiga lhe levou um computador para que terminasse a tarefa em tempo. Tem até decisões difíceis, como a de outro jovem brasileiro que optou por abandonar a competição porque seu projeto, com viés social, ligado ao sistema de ensino precisava de sua total dedicação para “socorrer” uma escola que precisava ter aulas online no início da pandemia de covid-19.

A IBM está experimentando vários tipos de conteúdo em parceria. Outro exemplo é sua parceria com o Museu Catavento, de São Paulo, resultando na exposição “Ensinando Robôs”. A mostra, de longa duração, tem o propósito de introduzir conceitos de inteligência artificial de forma interativa e lúdica, explicando como funciona o machine learning e a importância do ser humano nesse processo.

CONTEÚDO DE MARCA NÃO É ALGO NOVO. Mas essa visão estratégica de que toda empresa é uma empresa de mídia é, assim como, a ideia de toda empresa é uma empresa de tecnologia. A relação de desafios que as empresas têm de enfrentar sem dúvida está aumentando – fala-se em toda empresa ser uma fintech também. Mas essa complexidade não deveria surpreender: é resultado das demandas de agilidade da nova economia, sendo que a principal delas é que toda empresa derruba fronteiras e passa a se ver como um ecossistema de negócios. Talvez isso esteja acontecendo, inclusive, para dar alguma estabilidade em meio às incertezas. Ao menos, essa é a opinião de alguns analistas.

Autoria

Sandra Regina da Silva

Jornalista com 30 anos de experiência em cobertura de negócios e inovação.

https://mitsloanreview.com.br/post/por-que-toda-empresa-esta-virando-uma-empresa-de-midia

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Escuta ativa é ingrediente básico na gestão de pessoas

Em sua coluna desta semana, Viviane Martins, CEO da Falconi, traz caminhos para empresas que almejam “ouvir” melhor suas equipes

Viviane Martins – Exame – Publicado em 06/10/2022 

O Facebook foi lançado em fevereiro de 2004. O Twitter, em março de 2006. Dois meses depois, o LinkedIn. Alto-falantes que levaram a voz de pessoas comuns a reverberar até distâncias antes inimagináveis, as principais redes sociais chegaram ou estão chegando à maioridade. Uns mais, outros menos, aprendemos a falar (e a opinar, questionar, criticar…) utilizando essas caixas de ressonância para ampliar o alcance de nossa voz.  

Mas e escutar? A contraparte que garante a existência de um diálogo ficou quase à deriva, a ponto de o ato de escutar ter se transformado em tarefa complexa, uma “nova” habilidade a ser aprendida face às exigências do mercado de trabalho no futuro.  

Como as pessoas, nesses anos as companhias também passaram a buscar incessantemente likes e seguidores, e a falar com estes. Como as pessoas, passaram a ser cobradas por suas palavras e silêncios — sobretudo quando o ativismo chegou à pauta do C-level.   

Mas para comunicar, é preciso saber escutar — e as empresas se deram conta que, para tal, precisam mais do que de um SAC bem azeitado. Muito já se fez para ajudar as corporações a “ouvir” melhor a voz dos seus clientes: ferramentas de Customer Experience, por exemplo, mudaram a forma como as companhias assimilam o que os consumidores têm a dizer.  

No Brasil, segundo a pesquisa CX Maturity Report 2021, realizada pela Zendesk,  nossa maturidade em gestão da experiência se destaca em relação à média global: 16% das nossas médias e grandes empresas estão posicionadas no nível máximo de maturidade em gestão da experiência, enquanto a média mundial é de 9%.  

Mas e da porta para dentro? Da mesma forma que ouvir atentamente os consumidores, é preciso escutar o que fala o próprio corpo funcional, para manter a saúde do sistema — e a salubridade do ambiente.  

Mas, como as pessoas, as empresas podem praticar várias formas de escutar.  Há a “Escuta Atenta” — em que o ouvinte elimina distrações (outra “habilidade a aprender”) e se concentra em quem fala. Há também a “Escuta Responsiva” — em que o ouvinte não só foca no que está sendo dito, mas demonstra ao interlocutor que compreende sua mensagem e o encoraja a continuar. 

Finalmente, há a “Escuta Ativa”, que combina as habilidades de ouvir e responder sem invalidar os comentários alheios, oferecendo a quem fala opinião e conselho. E é esta que faz toda a diferença em uma organização. Quem pratica a escuta ativa não só presta atenção ao que é dito, mas também ao como e ao porquê. 

É crucial que a organização pratique, e bem, a escuta ativa se quer crescer. Precisa ouvir e entender o que se comunica — inclusive pelo ritmo, as pausas e a escolha de palavras, ou mesmo pelo que não é verbalizado nas elipses do diálogo. E uma escuta neste nível, ainda que arte rara em meio à cacofonia corporativa, pode mudar fundamentalmente relações e dinâmicas.  

Porque a escuta ativa ajuda a promover, no time, o sentimento de ser valorizado e ouvido. Ajuda a criar sentimento de confiança, fortalece as relações de trabalho e diminui conflitos internos. E acaba por, mais que melhorar o clima organizacional, fomentar um ambiente mais criativo e inclusivo. Com isso, consegue-se levar o trabalho em equipe a um novo patamar.  

Individualmente, a escuta ativa também ajuda a diminuir os erros na execução de tarefas diversas. E, ao evitar retrabalho e dar espaço ao surgimento de novas ideias, a empresa ganha fôlego para arrancar rumo à uma efetiva transformação organizacional.  

O fato é que a escuta ativa cria coesão social, enquanto ouvir de forma distraída ou crítica pode gerar desconfiança social. Mas, na prática, o que faz de um interlocutor alguém que pratica a escuta ativa?  

  1. Foca na interação com quem fala e na compreensão de sua perspectiva — inclusive parafraseando a sua mensagem de volta, para ratificar sua compreensão do conteúdo, antes de oferecer a sua própria resposta.  
  2. Participa da conversa de mente aberta, sem qualquer pré-julgamento sobre o que pode vir a ser comunicado.  
  3. Para estar 100% atento ao que é comunicado, desliga-se de qualquer fonte de distração — o celular, inclusive.  
  4. Não interrompe o interlocutor e com seu silêncio lhe dá espaço a quem fala para que se torne mais aberto e confiante.  
  5. Dá mostras ao interlocutor que lhe escuta intensamente, através de pequenos gestos, como acenos de cabeça, ou expressões faciais, que revelam interesse e postura aberta.  
  6. Finalmente, quando responde ao que lhe foi dito, fala com respeito, honestidade e abertura.   

Ouvir ativamente não apenas permite a identificação precoce de problemas e, consequentemente, sua mais rápida solução, mas também elimina o risco de que informação relevante se perca. Assim, ouvindo, a empresa fortalece um dos seus maiores ativos: conhecimento

https://exame.com/colunistas/viviane-martins/escuta-ativa-e-ingrediente-basico-na-gestao-de-pessoas/

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