Em sua coluna desta semana, Viviane Martins, CEO da Falconi, aponta questões com as quais as corporações terão de lidar no ano que vem
Viviane Martins – Exame – Publicado em 12/12/2022
Ao longo de 2022, temas como propósito e modelos de trabalho continuaram a ganhar espaço na pauta dos gestores: o ato de repensar a forma como as corporações lidam com as pessoas – e com o mundo ao seu redor, no geral – seguiu no topo da agenda dos executivos.
Enquanto isso, logo no início do ano, o mercado passou a lidar com desafios macroeconômicos que solaparam as expectativas de rápida retomada econômica pós-pandêmica, a começar pelo nó logístico que afetou as cadeias de produção e distribuição de insumos e bens a nível global. A guerra na Ucrânia agravou o cenário, afetando o mercado de grãos e o custo dos alimentos, bem como o custo do gás e da energia, com imediata pressão inflacionária.
Não fosse o bastante, o ecossistema global de inovação resolveu arrumar a casa em 2022. Como dito antes neste espaço, após dois anos de capital barato e abundante, e investimentos desenfreados em startups mundo afora, o venture capital tirou o pé do acelerador. Isto mandou ondas de choque no mercado global de tecnologia. Além das demissões em unicórnios, a própria busca por essas empresas altamente escaláveis se tornou menos interessante. A mensagem dos investidores foi direta. Crescer a qualquer custo não faz sentido: é hora de boa gestão e resultados sustentáveis.
Com tanto tempero no complexo caldo de 2022, chegamos à porta de 2023 com cenário menos animador do que muitos gostariam. Para a ‘The Economist’, uma recessão global é inevitável, exatamente por conta dos choques geopolíticos, de uma crise energética sem precedentes na Europa e inflação que no hemisfério norte está próxima a patamares de 50 anos atrás. Mas como toda crise também embute oportunidades, outros vêm a possibilidade de as economias emergentes ditarem o ritmo do crescimento econômico.
Mas se o prato do lado de fora está transbordando de desafios, dentro de casa não é diferente para as corporações. Questionam-se sobre o perfil que os seus líderes devem ter e seguem na indefinição quanto ao (presente do) futuro do trabalho. O que impacta a relação entre colaboradores, propósito e empresas.
Trago três temas que serão importantíssimos em um ano que promete complexidade e, como nunca, exigirá excelência de gestão, fortalecimento das lideranças e times engajados.
CEO na gestão (ao invés do palco):
Na sua lista de 20 grandes tendências para 2023, o LinkedIn incluiu, entre os temas que já têm cadeira cativa no mundo dos negócios (segurança cibernética e open finance, por exemplo), o que batizou como “o fim da era do CEO herói”. Este perfil de CEO pop star atrai as atenções e acaba por transformar gestão quase em uma saga individual.
Os casos mais recorrentes mostram o impacto – positivo e negativo – da fala de líderes empresariais sobretudo nas mídias sociais, afetando valor de mercado, clima organizacional e mesmo transações entre empresas. Exemplo típico é Elon Musk, da Tesla e agora do Twitter, mas já se falou tanto dele que nem vale voltar ao personagem.
A tendência é a de que, em 2023, precisaremos de líderes com espírito de servir e capacidade de execução, que tenham a habilidade de enfrentar incertezas, conduzindo seus times e organizações tanto em mares revoltos como em calmarias, não apenas no presente, mas também garantindo a sustentabilidade dos negócios no longo prazo. Vamos, sim, voltar a sermos justamente cobrados por vários resultados para além de crescimento, nas perspectivas humana, financeira, social e ambiental.
Discussão sobre o modelo de trabalho (sim, ainda)
Se 2020 terminou com quase todo o mundo em trabalho remoto, já 2021 acabou no auge da “Great Resignation” (ou o Grande Pedido de Demissão), termo em inglês que se popularizou para representar uma geração de funcionários que preferia abrir mão do trabalho a não a voltar para os escritórios. Agora, 2022 termina com desligamentos em massa nas empresas tecnológicas e interrogações sem resposta sobre modelos de trabalho, que serão herdadas por 2023.
As pesquisas mais recentes sobre o tema são inconclusivas. Não raro, uma contradiz a outra sobre qual seria o melhor modelo para garantir, no presente, o futuro do trabalho. Continuamos sem garantias de qual seja o melhor caminho para atender tanto os anseios dos profissionais, a produtividade das empresas e a necessidade de engajamento e interação das equipes.
Divulgado na semana passada, um estudo de pesquisadores da Harvard Business School, feito ainda na pandemia, mostrou que o modelo presencial não afetava diretamente a produtividade dos negócios. Já apuração da Reuters, publicada há alguns dias, revelou que muitas companhias querem a retomada dos escritórios, enquanto a mão de obra demanda mais e mais flexibilidade. Uma terceira linha veio da People Management: pesquisa apontou que podem ser infundados os temores de que o trabalho remoto seja menos eficiente, contudo, o melhor caminho talvez seja um modelo híbrido, com mais dias nas empresas do que em casa. Isso pode estimular a colaboração, a proximidade dos times e maior coesão da cultura organizacional.
A discussão promete continuar em 2023, inclusive porque a opção pela manutenção, adoção ou a volta a este ou aquele modelo impacta em pautas como administração de ativos imobiliários, mobilidade urbana e, até mesmo, diversidade e inclusão, sobretudo em negócios que no passado recente buscaram ser geograficamente diversos, o que resolveu também a questão da falta de mão de obra no entorno de suas sedes físicas.
Cenário global (em um mar de incertezas e indicadores negativos)
Por fim, temos nosso mundo globalizado em choque. O conflito entre Rússia e Ucrânia não dá sinal de desfecho próximo. Tampouco é o único a afetar todo o mundo. As tensões, sobretudo no Oriente Médio, aumentam. Um outro tipo de guerra, a comercial, travada entre Estados Unidos e China, também volta a preocupar. Outro motivo de preocupação vem da escalada inflacionária e das instabilidades que pode ocasionar em nações que historicamente estáveis, como a Inglaterra.
O cenário é tão complexo, com ramificações e interligações que afetam desde balança comercial a processos logísticos, passando por preço de commodities e compra de insumos, que muita gente já está juntando várias crises em uma só e usando a expressão “policrise”, que pode aumentar ainda mais as dificuldades no ano que começa. Para enfrentar essa turbulência, nada mais a fazer do que manter firme a mão no leme, corrigir a rota sempre que necessário em direção à estratégia, olho no parabrisas e cuidar de todos os passageiros a bordo.
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Pulmão e coração são os órgãos que mais podem se beneficiar com a aeronave não tripulada, pois devem ser transplantados em até seis horas após morte do doador
Por O GLOBO — 24/12/2022
Pesquisadores registraram voo de drone que levou pulmão em Toronto. Science Robotics/Divulgação
Um drone modificado carregou um pulmão retirado de um doador no Toronto Western Hospital até o Toronto General Hospital. O transporte levou cinco minutos e o órgão foi transplantado com sucesso em um paciente com fibrose pulmonar. O caso foi descrito em um artigo publicado na revista científica Science Robotics.
Embora órgãos de doadores já tenham sido transportados entre hospitais por drone antes, pulmões e corações são considerados particularmente desafiadores. A operação demonstra que os drones são um método prático para mover órgãos para transplante.
Uma equipe da University Health Network, em Toronto, planejava entregar um pulmão por controle remoto há anos, instalando uma caixa de transporte de pulmão especialmente projetada em um M600 Pro Drone. Eles também removeram o trem de pouso e o rack de carga normal para aumentar o peso disponível — os pulmões podem não ser pesados, mas todo o equipamento necessário para mantê-los funcionando, é. Apesar da adição de um sistema de recuperação de paraquedas, câmeras, luzes e rastreadores GPS, todo o sistema pesa menos de 25kg.
Mais de 400 voos de teste foram realizados entre os telhados dos dois hospitais, nenhum dos quais foi projetado para receber helicópteros tripulados. Embora a disponibilização repentina de um órgão seja sempre resultado de uma tragédia, pelo menos nesta ocasião as condições eram excelentes, sem chuva, vento fraco e boa visibilidade.
Dificuldade no transporte
Centenas de pessoas em todo o mundo estão em listas de espera para doar órgãos, e muitas morrerão antes de receberem o que precisam. A escassez de doadores é apenas parte do problema — muitos órgãos são desperdiçados porque não são entregues a um receptor compatível a tempo.
O trânsito é um dos muitos obstáculos para levar cada órgão saudável a uma pessoa que se beneficiará dele. Mesmo com luzes piscando e sirenes tocando, as ambulâncias podem perder um tempo precioso se deslocando entre hospitais em uma grande cidade. Isso pode em breve ser uma coisa do passado.
O primeiro órgão transportado por um drone para transplante foi um rim, entregue a um paciente de 44 anos que estava há oito fazendo diálise. Qualquer órgão tem mais chances de ser bem aceito pelo paciente receptor se for implantado rapidamente, mas os rins podem durar até 48 horas fora do corpo. Economizar alguns minutos no trânsito é útil, mas raramente essencial. A entrega entre cidades é um desafio maior, mas ainda muitas vezes possível.
No entanto, corações e pulmões precisam ser transplantados dentro de 4 a 6 horas após a morte do doador. Permitindo o tempo para realizar a operação em cada extremidade, resta pouquíssimo tempo para o processo de retirada, transporte e implantação se doador e receptor prioritário não estiverem no mesmo hospital.
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O ano de 2022 colocou na pauta, de maneira contundente, uma nova visão sobre as relações internacionais de comércio que certamente tomarão forma significativa em 2023.
Por Evandro Milet
As preocupações com o clima afetam vários setores econômicos: energia, indústria, agricultura, construção e transportes. Energias alternativas dominam a pauta com a aceleração das intenções de substituição dos combustíveis fósseis. Na Europa, o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês) pretende criar barreiras com custos para países com políticas climáticas fracas, para proteger os produtores locais. Há possibilidade de os EUA e a Europa imporem tarifas ao aço e alumínio da China. A palavra de ordem agora é aço verde. O Parlamento Europeu também resolveu proibir a importação de uma série de produtos que sejam oriundos de áreas desmatadas, o que pode prejudicar as exportações do agronegócio brasileiro. A lista inclui soja, carne bovina, cacau, café, óleo de palma e alguns derivados, como couro, chocolate, móveis e papel. A importação será proibida caso esses produtos sejam oriundos de áreas desmatadas após dezembro de 2020.
As preocupações geopolíticas com a crescente capacidade tecnológica da China e as ameaças de invasão de Taiwan, grande centro de produção de chips, faz com que os EUA criem programas bilionários para trazer essa indústria estratégica de volta, bem como várias outras indústrias associadas às tendências com o problema climático.
As oportunidades industriais devido à transição energética disparam a mobilização para os países tomarem posição de liderar o processo. Automóveis elétricos, placas solares, usinas de hidrogênio verde, pás eólicas e baterias formam um novo quadro de necessidades de investimento e já provocam ruídos inclusive entre os aliados EUA e Europa.
A guerra na Ucrânia explicitou a necessidade de alternativas energéticas ao gás russo na Europa. E naturalmente a energia subiu de preço por lá criando uma demanda ao mesmo tempo por energia barata, limpa e disponível. Há espaço para exportação de hidrogênio verde para quem conseguir produzir a partir de energia barata. Por outro lado, indústrias que exigem muita energia como aço e alumínio podem precisar de relocalização e o Brasil passa a ser uma opção interessante pela possível disponibilidade de todo tipo de energia limpa, incluindo os biocombustíveis e a hidroeletricidade, além de estar longe de guerras e invasões. Depois do friendshoring e nearshoring reposicionando a localização de indústrias por causa de geopolítica, vem aí o powershoring, quando a localização depende da energia. O powershoring refere-se à descentralização da produção para países próximos a centros de consumo e que oferecem energia limpa, segura, barata e abundante, além de outras virtudes para a atração de investimentos industriais.
As placas tectônicas da globalização estão se movendo. Podem provocar terremotos para quem não se preparar e tsunamis de oportunidades para quem fizer o dever de casa.
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Num cenário de escassez generalizada de mão de obra nos Estados Unidos, a varejista global aposta em tecnologia para continuar crescendo apesar da falta de braços
Por Matt Day, Exame/Bloomberg Businessweek – 23/12/2022
No início deste ano, um recrutador da Amazon recebeu uma mensagem de Seattle: colocar panfletos de “procura-se” em busca de ajuda em escolas secundárias, bancos de alimentos e abrigos para moradores de rua — em qualquer lugar em que alguém possa estar disposto a assumir uma posição de nível de entrada num dos armazéns da gigante do e-commerce.
O recrutador achou a ordem desesperada, mas estava dolorosamente ciente de como era difícil achar pessoas dispostas a trabalhar para a Amazon. Uma conversa que essa pessoa teve com um candidato em potencial numa feira de empregos em Nevada deu um bom exemplo do desafio.
Ao saber que a remuneração inicial era de US$ 18,25 por hora, o homem disse que não ia conseguir pagar o aluguel com esse salário. “Ele simplesmente saiu andando”, disse o recrutador, que pediu anonimato para falar livremente sobre um assunto interno da empresa. “Não é exatamente o emprego dos sonhos”.
A Amazon, que devora trabalhadores em questão de horas em um ritmo frenético, há tempos espera que um dia vá ficar sem corpos quentes para seus centros de atendimento nos Estados Unidos — um problema existencial para uma empresa que fez seu nome oferecendo entregas rápidas e confiáveis.
Embora os armazéns sejam parcialmente automatizados, a Amazon ainda conta com centenas de milhares de pessoas trabalhando em sincronia com as máquinas.
Uma resposta para a escassez de mão de obra, é claro, é usar mais robôs. Contudo, durante anos os engenheiros lutaram para duplicar a destreza manual de um ser humano.
Agora, a Amazon parece ter resolvido o problema com um sistema altamente automatizado com um braço robótico amarelo que a empresa diz ser capaz de pegar milhões de tipos de produtos sem esmagá-los ou soltá-los. O nome do novo robô é Sparrow.
A Amazon não disse exatamente como Sparrow e seus parentes-máquinas vão revolucionar as operações da empresa. Mas os registros de patentes, os posts no blog da empresa e os comentários dos executivos dão um mapa das ambições da empresa.
Os robôs vão armazenar e apanhar itens individuais, mover caixas embaladas em carrinhos para embarque e pilotar esses carrinhos até os caminhões à espera — trabalho hoje feito em sua maioria por seres humanos.
A tecnologia ainda tem problemas, e é provável que a implantação completa demore anos. Mas o sistema automatizado promete reformular fundamentalmente a Amazon, que se tornou o segundo maior empregador privado dos Estados Unidos, atrás do Walmart, e em muitas cidades é ao mesmo tempo o maior empregador e a opção padrão para os trabalhadores que têm poucas habilidades comercializáveis ou foram demitidos de outro emprego.
Automatizar mais da operação logística também exigirá repensar os armazéns simples e em formato de caixa que a Amazon construiu em todo o país.
A Bloomberg informou no início deste ano que a empresa vinha acumulando discretamente milhares de hectares de imóveis industriais perto das principais cidades dos Estados Unidos; parte desses terrenos foi destinada a uma nova geração de centros de atendimento mais amplos e automatizados que a Amazon planeja desenvolver.
Supondo que o plano funcione, é provável que a Amazon passe a ocupar armazéns com equipes menores e mais especializadas, em grande parte compostas por técnicos.
Sensível às críticas de que a automação poderia apagar dezenas de milhares de empregos com o passar do tempo, a empresa insiste que liberará os trabalhadores para tarefas mais estimulantes e ajudará a eliminar as horas de torção e levantamento necessárias hoje — não é pouca coisa para uma empresa sob escrutínio regulatório em função de suas elevadas taxas de lesões.
“Nos 10 anos desde que introduzimos a robótica em nossas instalações, adicionamos centenas de milhares de novos empregos e criamos mais de 700 novas categorias de empregos que tornam nossa tecnologia possível”, disse o porta-voz da Amazon, Xavier Van Chau, em uma nota por e-mail.
“Os funcionários da Amazon no mundo todo trabalham ao lado de robôs e continuarão a fazê-lo no futuro, apoiando a segurança em nosso local de trabalho e nos ajudando a melhorar o serviço prestado aos nossos clientes”.
No início de novembro, Joe Quinlivan, vice-presidente que lidera as equipes de tecnologia de robótica e logística da Amazon, subiu num palco temporário em uma fábrica nos subúrbios de Boston.
A instalação de 32.500 metros quadrados (ou 350.000 square feets, ou pés quadrados) fabrica a geração atual de robôs para os armazéns da empresa e emprega dezenas de engenheiros que trabalham em novas tecnologias. “Então é essa a grande revelação”, disse Quinlivan, enquanto um vídeo mostrava Sparrow escolhendo itens de uma sacola de plástico e colocando-os em outras caixas.
Ele admitiu que não era o filme mais empolgante da história. “Alguém pode achar que isso é uma mera mudança incremental, mas não é”, disse Quinlivan. Ele garantiu ao público que o robô era de fato “um salto enorme”.
Quinlivan chegou à Amazon em 2012, quando a gigante do e-commerce adquiriu seu empregador, a Kiva Systems, então parte de um grupo de fabricantes de robótica da área de Boston que também incluía a Boston Dynamics, criadora de robôs autônomos semelhantes a cães, mais conhecidos por vídeos virais dos “bichos” subindo escadas ou dando cambalhotas.
O que a Amazon ganhou ao apostar em robôs
É difícil exagerar a importância da Kiva para a Amazon. Antes da aquisição, os armazéns da empresa se pareciam com bibliotecas densamente povoadas. Os funcionários seguiam as ordens impressas em bilhetes, empurrando carrinhos por milhas todos os dias através de corredores estreitos, a caminho dos livros ou CDs que os clientes tinham encomendado.
Os robôs autônomos e atarracados da Kiva reverteram todo o processo, trazendo as mercadorias para os funcionários que agora esperam por elas. Hoje, as mercadorias são armazenadas em prateleiras de malha móveis que os robôs podem buscar e recuperar.
O impacto foi profundo. Acabar com os corredores permitiu à Amazon embalar 40% mais mercadorias em suas áreas de armazenamento.
Não só isso, ao eliminar longas caminhadas até os produtos, a empresa reduziu em cerca de um terço uma métrica interna muito importante chamada custo variável por unidade (essencialmente as horas de trabalho divididas pelo número de unidades embarcadas), de acordo com três pessoas familiarizadas com o número, que pediram anonimato porque a Amazon não divulgou os dados.
“Só aí foram dólares” de economia, disse uma das pessoas, um ex-tecnólogo da Amazon que estava lá quando os robôs da Kiva foram instalados. Em comparação, disse essa pessoa, todas as outras inovações desde então renderam apenas “centavos” em termos de economia.
Agora, graças ao Sparrow e a um novo sistema automatizado de armazenamento, a Amazon pode ter encontrado o próximo dólar metafórico de poupança.
Pouco depois das observações de Quinlivan, Jason Messinger, um dos roboticistas que liderou o desenvolvimento do sistema, conduziu uma demonstração de Sparrow a uma plateia de repórteres.
A ponta do braço do robô tem sete dispositivos de sucção com ponta de borracha, alimentados por vácuo e capazes de se estender ou retrair conforme o tamanho, a forma e a orientação do produto que está sendo agarrado.
Messinger diz que o segredo é a capacidade do robô de reconhecer objetos em uma cesta, fruto de um extenso esforço interno para desenvolver um software capaz de identificar os milhões de itens oferecidos no marketplace da Amazon.
“Este é o resultado de anos de inovação”, disse Messinger, falando em um microfone para ser ouvido por cima do ruído do barulho, dos zumbidos e do estalo repentino de compressores de ar da máquina enquanto agarrava e soltava um item.
Seguindo pistas programadas, Sparrow pegou itens, um por um, e os colocou em outras bolsas.
Um jogo de críquete de brinquedo.
Um DVD.
Um conjunto de mapas para pescadores.
Ele administrou as tarefas sem contratempos.
O braço em si é fabricado por um fornecedor externo, cujo nome a Amazon se recusou a revelar. Os engenheiros da empresa o integraram com a “ferramenta de ponta de braço” e com o software interno de visão computacional.
A Amazon passou anos testando tecnologias que poderiam se aproximar da destreza humana, a certa altura oferecendo um prêmio anual em dinheiro ao construtor do melhor pegador automatizado.
Quais foram as premissas para o desenvolvimento da tecnologia
Uma versão inicial de um braço robótico está em exibição no saguão do prédio de Seattle, que já abrigou os principais executivos de logística da Amazon — um símbolo proeminente das ambições da empresa.
O trabalho passou a ter nova urgência em 2016, depois que uma análise interna projetou que a força de trabalho da Amazon — a maioria composta pelos funcionários de armazéns — ultrapassaria 1 milhão de funcionários até 2021.
A conclusão foi que a Amazon esgotaria o conjunto de pessoas dispostas a trabalhar para a empresa e arriscaria irritar os sindicatos.
A previsão, que se mostrou estranhamente precisa, deu início a um turbilhão de ideias na área das equipes de robótica e automação da Amazon, transformando seu trabalho em um imperativo para o ex-executivo Dave Clark, que à época dirigia a unidade de logística, segundo uma fonte a par da situação.
A equipe foi encarregada de desenvolver uma tecnologia que permitisse dois tipos de edifícios:
um centro de atendimento altamente automatizado
e um totalmente automatizado. Este último — conhecido na indústria como um “armazém escuro” — acabou sendo mais um experimento mental do que uma meta de verdade, segundo várias pessoas que trabalharam no projeto.
Em geral, a Amazon estabelece metas excessivamente ambiciosas ou fora da realidade para inspirar os funcionários a pensar em soluções criativas.
Os avanços na visão computacional e nos braços robóticos colocaram a instalação altamente automatizada ao alcance, mas havia uma pedra persistente no caminho: as prateleiras de malha bem embaladas que contêm os milhões de itens nos principais centros de atendimento da Amazon.
Os seres humanos podem detectar com facilidade uma lacuna nesses cubículos e colocar uma garrafa de Advil entre um pacote de fones de ouvido e um coala empalhado — uma tarefa desafiadora para um robô de ponta.
“Não dá para simplesmente socar uma dessas coisas na lateral de uma prateleira”, disse Rob Hahn, ex-gerente de Armazém da Amazon que viu os primeiros protótipos.
Em junho, a Amazon anunciou que tinha chegado a uma solução, enterrando a inovação no meio de um post no blog que falava de outra invenção robótica. O sistema de armazenamento conteinerizado mantém os produtos em sacolas de plástico profundas, deixando espaço suficiente para que as câmeras vejam claramente os itens e os braços robóticos consigam pegá-los.
O sistema estava instalado e funcionando no mês passado nas instalações da Amazon nos arredores de Boston, realizando simulações com um inventário fictício, para que os engenheiros pudessem resolver os problemas.
Os robôs Hercules, sucessores parrudos das máquinas Kiva originais, transportaram uma imponente prateleira de bolsas cinzentas para um braço robótico com dois recipientes em forma de sacola.
De que maneira a automação já mudou os centros de distribuição
O braço balançou para cima para posicionar sua cesta na frente da estante correta, estendeu um dispositivo de sucção e agarrou uma caixa fora da prateleira. Uma fração de segundo depois, o braço abaixou e colocou a caixa em cima de um robô que aguardava, chamado Xanthus, um primo peso-pena do Hércules.
O que acontece a seguir não foi demonstrado, mas um vídeo do processo feito pela Amazon mostra Xanthus entregando a caixa a um trabalhador humano que estava à espera.
Esse é um processo mais ergonomicamente amigável do que o sistema atual, que exige que os funcionários se contorçam e se estiquem repetidas vezes para alcançar as prateleiras certas, correndo risco de se machucar para conseguir dar conta das metas de produtividade da Amazon.
Em última análise, dizem os roboticistas de fora que assistiram à demonstração, o sistema poderia acabar com esses trabalhadores completamente, com Sparrow colocando e retirando produtos das prateleiras.
A geração dos centros de atendimento que estão sendo construídos agora é projetada para acomodar o novo sistema, afirmou Quinlivan em uma entrevista.
A Amazon também pode reformar armazéns mais antigos, um processo que a empresa vai avaliar local por local, pois pode não fazer sentido reequipar instalações modernas que já conseguem despachar até um milhão de unidades por dia. “Haverá outros locais onde, se não der pra conseguir a mão de obra, isso vai ajudar”, disse ele.
Guardar e retirar produtos — “estiva e colheita”, no jargão da empresa — estão entre os trabalhos mais comuns nos armazéns da Amazon.
“Se eles conseguirem descobrir — quando eles descobrirem — a capacidade de as entranhas do edifício serem armazenadas em contêineres, definitivamente será mais barato” de operar, disse Hahn, o ex-gerente de armazém, que hoje trabalha para a Pattern, empresa de e-commerce.
“Porque eles vão precisar de menos gente.” Alguém familiarizado com os planos da Amazon simplesmente descreveu o armazenamento em contêineres como uma “preocupação grande”.
A Amazon agora tem as peças necessárias para um armazém altamente automatizado se for levado em consideração outros anúncios no ano passado e que incluíram:
braços robóticos que classificam de modo autônomo produtos embalados
e Proteus, um robô capaz de transportar com segurança carrinhos preenchidos por humanos
A empresa diz que é cedo para Sparrow e que não finalizou os planos de como a máquina servirá para os armazéns. O braço atualmente está em fase de testes em uma única instalação na área de Dallas, ajudando a embalar com mais firmeza o estoque nas prateleiras da Amazon, tarefa relativamente marginal.
O robô só consegue lidar com 65% dos itens da Amazon, e às vezes se esforça para pegar produtos soltos ou mal embalados, além de ser suscetível a puxar uma lâmpada para fora de sua embalagem, disse Messinger, chefe de design do sistema.
Ash Sharma, que rastreia a automação do armazém na Interact Analysis, diz que o robô parece ter capacidades semelhantes às dos dispositivos de última geração feitos por outras empresas e suspeita que a implantação esteja “alguns pares de anos à frente”.
Como ficará a relação entre seres humanos e máquinas?
Os roboticistas da Amazon insistiram repetidas vezes que o objetivo é ajudar os trabalhadores, não substituí-los.
“Não poderíamos ter feito o que fizemos durante a pandemia sem a mistura de pessoas e máquinas”, disse Tye Brady, tecnólogo-chefe da Amazon Robotics, um otimista incorrigível no poder da tecnologia que garante que a empresa sempre terá trabalhadores humanos em suas instalações.
O objetivo de Brady é eliminar o trabalho pesado e as lesões por esforço, automatizando essa parte do processo. “Se eu conseguir acabar com os movimentos repetitivos”, acrescentou, “eu consigo eliminar o mundano”.
Perguntado se a Amazon estava perto do ponto em que começaria a empregar menos trabalhadores em armazéns, o chefe de robótica Quinlivan desconversou, afirmando que estava mais preocupado em achar pessoas suficientes para ajudar a manter e gerenciar a crescente frota de máquinas.
A Amazon está treinando funcionários para preencher algumas dessas vagas. Entre as iniciativas, estão:
O Career Choice, programa da empresa que paga por hora de formação e capacitação profissional de funcionários, e que teve cerca de 50.000 participantes na sua primeira década
Depois que a Amazon expandiu o programa para incluir a emissão de diplomas universitários, foram quase 40.000 participantes só neste ano
Um programa mais focado da Amazon visa treinar futuros operadores de robôs e produziu cerca de 1.400 graduados em seus dois primeiros anos
No evento de imprensa para a apresentação do Sparrow, alguns desses funcionários estavam presentes, enviados para servir como prova viva de que o futuro robótico da Amazon incluiria seres humanos. Um deles era Kory Sellers, gerente de 22 anos de um armazém em Charlotte (Carolina do Norte).
Sua tripulação aposentou recentemente seu primeiro robô Hercules, e escreveu “obrigado” no robô por ter ajudado a manter a operação do armazém funcionando. Situado num canto da fábrica de robótica da Amazon, Sellers não tinha muito a dizer sobre o processo que estava acontecendo na frente dele, mas agradeceu ao empregador pela oportunidade.
“A Amazon Robotics me ajudou na minha vida e na minha carreira”, disse ele.
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Produzir um pequeno texto jornalístico a partir de um boletim de ocorrência será tarefa para as máquinas
Pedro Dória – O Globo – 23/12/2022
Uma das primeiras reações ao lançamento do ChatGPT, aberto ao uso público no início deste mês, foi de professores universitários americanos. O sistema atua como uma janela de chat. Pergunte sobre o conceito de liberdade segundo o filósofo fulano ou peça um resumo de Hamlet, e o sistema não dá apenas uma resposta coerente. A resposta é incrivelmente profunda, às vezes até sensível. Os professores começam a temer que não serão mais capazes de distinguir os trabalhos que alunos de graduação escreveram daqueles produzidos por inteligência artificial. Mas o cenário está posto. Este ano que entra, 2023, será o ano da inteligência artificial generativa — Gen-AI, na sigla habitualmente usada em inglês.
Gen-AI não é novidade. Já estamos faz dois anos brincando com a possibilidade de produzir ilustrações, algumas muito bonitas, a partir de descrições em texto. A popularização dos aplicativos que produzem retratos ao estilo de artistas conhecidos a partir de nossas fotografias está crescendo. Programadores já usam bots para escrever código — descrevem o que querem que a rotina faça, o bot escreve um programinha. ChatGPT é a primeira demonstração pública de que texto com bastante sofisticação, que parece ter sido redigido por alguém que pensa, pode nascer de uma inteligência artificial. Sistemas similares aparecerão com resultados cada vez mais impressionantes.
As consequências vão muito além dos cursos de graduação. Uma versão especializada em Direito poderá produzir sumários da jurisprudência de um caso para um escritório de advogados. A ata de uma reunião, de qualquer reunião, poderá ser redigida a partir da gravação em áudio da conversa. Chats de atendimento ao consumidor se tornarão indistinguíveis de pessoas que tudo sabem e tudo podem resolver. Produzir um pequeno texto jornalístico a partir de um boletim de ocorrência será tarefa para as máquinas fazerem. Um grupo de publicitários poderá convocar o programa a sugerir slogans partindo das características de um produto ou dos valores de uma empresa — se não para usar como resultado final, talvez para se inspirar.
Não há motivo para que a Gen-AI, a inteligência artificial capaz de produzir conteúdo, se limite a texto ou imagens. Pode construir moléculas para a indústria química, circuitos para a área de tecnologia. A imaginação é realmente o limite. A Gen-AI não é criativa, tudo o que ela produz surge a partir do que já foi criado antes. Não é capaz de escrever um parágrafo de Guimarães Rosa ou um verso de Fernando Pessoa, não pinta um Van Gogh, mas boa parte da criação humana não exige esse nível de requinte.
O surgimento da Gen-AI, portanto, começará nesta década a acelerar duas tendências fortes. A primeira é que precisaremos de menos ilustradores, menos advogados, menos jornalistas, menos analistas de RH, menos assistentes de todo tipo. O trabalho mais braçal da criação não dura até 2030. Empresas, cada vez mais, poderão produzir mais com menos gente. E isso tudo graças aos algoritmos de inteligência artificial construídos por algo como dez empresas que dominarão por completo o ambiente, venderão os serviços de seus programas e ganharão dinheiro como nunca antes.
A tecnologia não deixará de ser criada, o mundo não voltará para trás, mas não dá para ignorar que essa é uma máquina aceleradora da concentração de riqueza. As nações precisarão se unir para entender como regular esse espaço e, muito provavelmente, sobretaxar a indústria digital para garantir melhor distribuição do bem-estar que a tecnologia constrói. Se o trabalho será menos necessário, que não seja à custa da miséria.
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Real digital e finanças descentralizadas são previsões para um setor que tende a ser interoperável
Por Danylo Martins — Para o Valor – 19/12/2022
Carlos Augusto de Oliveira, CEO da Certdox: “O mundo caminha para uma sociedade ‘cashless’” — Foto: Divulgação
A maneira de consumir serviços financeiros e de pagamentos vem mudando nos últimos anos, impulsionada por novas tecnologias, regulações e modificações nos hábitos dos clientes. As transações são cada vez mais digitais, e a tendência é que o dinheiro possa, no futuro, ser programável e inteligente.
Essa transformação já vem sendo pavimentada e tende a ganhar força a partir da combinação entre Pix, open finance e real digital, no mesmo compasso em que evoluem tecnologias como blockchain, ‘tokenização’, 5G, inteligência artificial (IA) e internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), além de outras que ainda poderão nascer no meio do caminho.
Na visão de especialistas e executivos do setor, o cenário daqui a alguns anos será de integração e convergência cada vez maior entre as diferentes soluções e plataformas, permitindo transações mais digitais, rápidas, de menor custo e com menos intermediários. “O mundo caminha para uma sociedade ‘cashless’”, observa Carlos Augusto de Oliveira, CEO da fintech Certdox e ex-executivo de bancos como Original e Itaú Unibanco. No futuro, projeta ele, o dinheiro de papel deixará de ter uma função relevante e será substituído, mas não a ponto de desaparecer por completo. “Provavelmente o dinheiro físico vai ser usado de forma irrelevante e marginal, como aconteceu com o cheque.”
O Pix, por exemplo, acelerou a desmaterialização do dinheiro, analisa Bruno Diniz, sócio da consultoria Spiralem. Lançado em novembro de 2020, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central (BC) já movimenta R$ 1 trilhão por mês e é importante instrumento de inclusão financeira. “O próximo passo é termos a programabilidade do dinheiro, e vamos alcançá-la com o real digital”, aponta. Significa permitir, por exemplo, que uma geladeira execute um comando automaticamente para comprar os itens que estão faltando, inclusive com a realização do pagamento.
O caminho até chegarmos a cenas como essa tem diversas etapas. O quadro ainda é de exploração de casos de uso do real digital (a versão brasileira de um CBDC, moeda digital criada por bancos centrais), conta Rodrigo Henriques, diretor de inovação da Fenasbac, a federação dos servidores do BC responsável pela coordenação do Lift Challenge, uma edição especial do laboratório de inovações financeiras e tecnológicas do BC, com foco em avaliar casos de uso do real digital.
Segundo Henriques, a expectativa é iniciar os pilotos no segundo semestre de 2023, fase que deve durar 18 meses e, em sendo bem-sucedida, o real digital será lançado oficialmente entre o fim de 2024 e o início de 2025.
A interoperabilidade entre ativos gerada pela ‘tokenização’, de forma regulada por meio das CBDCs, mudará por completo o que conhecemos por dinheiro, na análise de Guga Stocco, especialista em inovação, um dos criadores da operação digital do Banco Original e hoje cofundador da Futurum Capital, investidora e desenvolvedora de startups. “Quando falamos da tokenização da economia, qual é o grande segredo? Tenho uma infraestrutura única de blockchain, que aceita esse token, que é intercambiável”, explica.
Para Bruno Magrani, presidente da Zetta – associação que representa empresas de tecnologia com atuação no ecossistema de serviços financeiros digitais -, o real digital representará a “terceira onda” na evolução do setor. A primeira é a das fintechs, contribuindo para a inclusão financeira de milhões de brasileiros. A segunda está ligada ao que ele chama de “democratização da infraestrutura do setor financeiro”, com a evolução do Pix e o desenvolvimento do open finance.
“O real digital vai permitir essa terceira onda de digitalização do sistema financeiro ao incluir bens e ativos do mundo real, e será um componente fundamental para a ‘tokenização’ da economia.” Para ele, o real digital será elo entre as finanças tradicionais e as chamadas finanças descentralizadas (DeFi, na sigla em inglês) – nesse universo, os serviços rodam baseados em “contratos inteligentes” (smart contracts) e blockchain, de forma automatizada e sem intermediários.
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No início do século 20, o autor britânico Norman Angell publicou um livro famoso intitulado “A Grande Ilusão”, que declarava que o progresso econômico e o crescente comércio mundial haviam tornado a guerra obsoleta.
As nações, argumentou ele, não podiam mais enriquecer por meio da conquista: os trabalhadores industriais não podiam ser explorados como os camponeses, e mesmo as pequenas nações podiam prosperar importando matérias-primas e vendendo seus produtos nos mercados mundiais. Além disso, a guerra entre nações economicamente interdependentes seria imensamente custosa até mesmo para os vencedores.
Angell não estava prevendo o fim imediato da guerra, o que era bom para sua credibilidade, já que a carnificina da 1ª Guerra estava chegando. Ele esperava, no entanto, persuadir os políticos a abandonar seus sonhos de glória militar. E uma implicação de sua lógica era que laços econômicos mais estreitos entre as nações poderiam promover a paz.
De fato, a ideia de paz por meio do comércio se tornaria a pedra angular da política ocidental após a 2ª Guerra.
Em minha coluna mais recente, falei sobre o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, que rege o comércio mundial desde 1948. Esse sistema comercial deve sua origem em grande parte a Cordell Hull, secretário de Estado de Franklin Roosevelt, que via o comércio mundial como um força para a paz, bem como para a prosperidade.
O caminho para aUnião Europeia começou com a criação da Comunidade do Carvão e do Aço. Um de seus objetivos era criar tanta interdependência entre aFrançae aAlemanhaque uma futura guerra europeia seria impossível.
Mas agora, osEstados Unidos, que em grande parte criaram o sistema de comércio mundial, estão impondo novas restrições ao comércio em nome da segurança nacional e afirmando sem rodeios que têm o direito de fazê-lo sempre que quiserem.
Quando o governo Trump fez isso, podíamos considerar uma aberração:Donald Trump e aqueles ao seu redor eram mercantilistas grosseiros sem noção das razões históricas por trás das regras comerciais existentes. Mas você não pode dizer isso sobre os funcionários de Biden, que entendem tanto de economia quanto de história.
Então este é o fim da paz através do comércio? Não exatamente — mas é uma doutrina que tem perdido muita força ultimamente, por vários motivos.
Primeiro, a ideia de que o comércio promove a paz pode ser verdadeira apenas para as democracias. Os Estados Unidos invadiram oMéxico em 1916 em uma tentativa malsucedida de capturar Pancho Villa; tal coisa seria difícil de conceber hoje em dia, com as fábricas mexicanas como partes integrantes do sistema de manufatura americano. Mas estamos igualmente certos de que a integração igualmente profunda deTaiwanno sistema de manufatura da China exclui qualquer possibilidade de invasão?
E, infelizmente,o autoritarismo vem crescendo em muitos países ao redor do mundo há um bom tempo. Isso ocorre em parte porque algumas democracias frágeis entraram em colapso, em parte porque algumas autocracias – especialmente aChina– se abriram economicamente, embora não politicamente, e em parte porque algumas dessas autocracias (de novo, especialmente a China) experimentaram um rápido crescimento econômico.
E quanto à ideia de que a crescente integração com a economia mundial seria em si uma força para a democratização? Essa ideia foi um pilar fundamental da diplomacia econômica em algumas nações ocidentais, notadamente a Alemanha, que apostou fortemente na doutrina de Wandel durch Handel — a transformação por meio do comércio.
Mas mesmo uma olhada naRússiadeVladimir Putin ou na China deXi Jinping mostra que essa doutrina falhou: a China começou a se abrir para o comércio internacional há mais de 40 anos, a Rússia há 30 anos, mas nenhum dos dois mostra sinais de se tornar uma democracia ou mesmo uma nação com forte estado de direito.
Mais uma vez, não estou sugerindo que a ideia de paz por meio do comércio esteja completamente errada. A guerra no coração da Europa tornou-se difícil de imaginar graças à integração econômica (embora não na periferia europeia); guerras para garantir o acesso a matérias-primas parecem muito menos prováveis do que antes. Mas o sonho de uma “paz comercial” definitivamente perdeu muito de sua força.
Tampouco chegamos aqui porque os economistas persuadiram os políticos de que o livre comércio é bom. Em vez disso, a atual ordem mundial reflete em grande parte considerações estratégicas: os líderes, especialmente nos Estados Unidos, acreditavam que um comércio mais ou menos livre tornaria o mundo mais receptivo aos nossos valores políticos e mais seguro para nós como nação.
Mas, agora, mesmo formuladores de políticas internacionalistas, como funcionários do governo Biden, não têm certeza disso. E esta é uma mudança muito grande
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Apelido para startups avaliadas acima de US$ 1 bilhão foi criado por investidora do Vale do Silício, em 2013; empresas podem conquistar status ao serem compradas, recebendo aportes ou abrindo capital
Os dois novos nomes nasceram em um ano de desaceleração no ritmo de crescimento das startups e demissões em massa de milhares de funcionários pelo mundo. Esse cenário é o contrário de 2021, recheado de aportes que, dado o volume de centenas de milhões de dólares, popularizaram asmegarrodadas de investimentos.
Mas, afinal, o que é um unicórnio e por que se fala tanto deles nas startups brasileiras?
O que é um unicórnio?
Unicórnios, na mitologia, são criaturas raras e mágicas. Foi o jeito que a investidora Aileen Lee, do fundo americano Cowboy Ventures, encontrou para descrever as startups que conseguematingir a marca de US$ 1 bilhão em avaliação de mercado. Startup, vale lembrar, é o nome dado a qualquer empresa de base tecnológica e que consegue crescer seu negócio de maneira escalável rapidamente – o que justifica, para muita gente, que sites de comércio eletrônico não são startups, por exemplo, embora essa seja uma discussão cheia de controvérsias. Outra discussão controversa é se uma empresa pode ser chamada de startup se tiver capital aberto na Bolsa.
O que Aileen buscava era achar uma palavra que demonstrasse como é difícil conseguir que uma empresa alcançasse esse porte. Os números da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) exemplificam bem esse espírito: hoje, no País, existem mais de 16 mil startups, mas apenas 24 delas alcançaram o status “raro”.
Nos EUA e na China, ecossistemas mais desenvolvidos e que recentemente tiveram diversos unicórnios, já há quem busque um animal mais raro: “o decacórnio” – apelido dado às startups que alcançam a marca de US$ 10 bilhões em valor de mercado. A rigor, a única empresa brasileira que chegou a essa cotação foi o Nubank – uma vez que Stone e PagSeguro, ambas com capital aberto na Bolsa de valores americana, só alcançaram esse patamar quando já eram listadas.
Quais são os unicórnios brasileiros?
99
Para Veras, venda da 99 foi como ver um filho crescido partindo Foto: Werther Santana/Estadão
Após ter o crescimento acelerado durante a pandemia de covid-19, a fintech quebrou recordes em 2021: recebeu em junho umaporte de US$ 1,15 bilhão, a maior rodada da América Latina (colocando o “roxinho” como uma das startups mais valiosas do mundo, superior a US$ 40 bilhões); e, em dezembro, abriu capital na Bolsa de Nova York, onde foi avaliada em mais de US$ 50 bilhões, tornando-se omaior banco da América Latina.
Stone
A máquina da Stone: parcerias com Visa e Mastercard Foto: Stone
O que faz: meios de pagamento
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Quando virou unicórnio: outubro de 2018
Fundada pelo carioca André Street em 2012, aStonese beneficiou de uma mudança regulatória para crescer no mercado brasileiro de maquininhas de cartão de crédito. Foi crescendo pelas beiradas e buscando espaço em um setor controlado pela dupla Rede e Cielo. Ao abrir capital nabolsa de valores de Nova York em 2018, chegou à avaliação de unicórnio.
iFood/Movile
iFood,comprado em 2013 pela Movile de Fabrício Bliosi, vale mais de US$ 1 bilhão Foto: Werther Santana/Estadão
Priscila Siqueira, CEO da Gympass no Brasil Foto: Gympass
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O que faz: plataforma de benefício corporativo de bem-estar
Quando virou unicórnio: junho de 2019
Uma semana depois da Loggi, foi a vez de aGympassganhar o status “mítico”:a empresa recebeu um aporte de US$ 300 milhões liderado pelo SoftBank e pelo General Atlantic, fundo americano com experiência em startups. A startup tem um modelo de negócios ousado: oferece um plano de “assinatura de academias, atividade físicas e serviços de bem-estar” a empresas, que, por sua vez, repassam esse sistema como benefício aos funcionários. Disseminada na América Latina, Estados Unidos e Europa, a startup sofreu com o fechamento de academias durante a pandemia de covid-19, quando começou a apostar em conteúdos exclusivamente digitais, como meditação e personal trainer.
QuintoAndar
Gabriel Braga, cofundador do QuintoAndar, em um dos imóveis reformados: ‘Vamos sujar a mão pelos clientes’ Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Arthur Lazarte, de 35 anos: engenheiro aeroespacial deixou BCG para criar estúdio de games na casa dos pais, em 2011 Foto: Wildlife
O que faz: games para dispositivos móveis
Quando virou unicórnio: dezembro de 2019
Fundada em 2011, em São Paulo, ainda como Top Free Games (TFG), o estúdio Wildlife é um dos unicórnios brasileiros de trajetória mais discreta: alcançou a avaliação de mercado de US$ 1,3 bilhão após receber um aporte do Benchmark Capital (conhecido por investir emUber,TwittereSnapchat), em sua segunda rodada na história. Criada pelos irmãos Victor e Arthur Lazartena casa dos pais, com investimento inicial de US$ 100, a empresa faz jogos gratuitos para celular, mas fatura com microtransações – venda de itens cosméticos ou que melhoram o desempenho do jogador nas partidas. Com games populares como Sniper 3D, Colorfy e Tennis Clash, os produtos frequentam o ranking dos mais baixados, no iOS e no Android, em mais de 100 territórios diferentes.
Loft
Florian Hagenbuch e Mate Pencz, fundadores da Loft; startup se tornou o novo unicórnio brasileiro Foto: Tiago Queiroz/Estadão
O que faz: compra, reforma e venda de imóveis residenciais
Quando virou unicórnio: janeiro de 2020
Fundada em agosto de 2018 por Mate Pencz e Florian Hagenbuch, criadores também da gráfica digitalPrinti, aLoftusa tecnologia para dar novo gás a um negócio antigo:comprar, reformar e vender apartamentos. A proptech (como são chamadas as startups do mercado imobiliário) começou em três bairros de São Paulo e, hoje, mira a expansão pelo Brasil e pela América Latina, onde começa a embarcar no México depois daaquisição da mexicana TrueHome.
Vtex
Mariano Gomide de Faria, cofundador e copresidente executivo da Vtex: clientes em mais de 40países Foto: Vtex
O que faz: serviços para e-commerce
Quando virou unicórnio: setembro de 2020
Fundada em 2000, no Rio de Janeiro, a empresa de Mariano Gomes de Faria é dona de um sistema que permite às marcas criarem suas lojas online. Hoje, a empresa tem 3 mil clientes em mais de 40 países diferentes, cuidando das operações de e-commerce de marcas comoSamsung, Whirlpool,C&A,SaraivaeO Boticário. Virou unicórnioao receber uma rodada de aportes de R$ 1,25 bilhão, liderada pelos fundos Tiger Global, Constellation e Lone Pine Capital.
Creditas
Sergio Furio, fundador e presidente executivo da Creditas Foto: Taba Benedicto/Estadão
O que faz: crédito com base em garantias
Quando virou unicórnio: dezembro de 2020
Em 2012, o espanhol Sergio Furio trabalhava em Nova York em uma grande consultoria. Decidiu largar tudo e vir para o Brasil sem falar uma palavra de português para tentar mudar o mercado de crédito local. Meses depois, nascia a
Em 2012, o espanhol Sergio Furio trabalhava em Nova York em uma grande consultoria. Decidiu largar tudo e vir para o Brasil sem falar uma palavra de português para tentar mudar o mercado de crédito local. Meses depois, nascia a BankFácil, que apostou no empréstimo com garantias (como uma casa, um automóvel) para deslanchar. Em 2017, a empresa mudou de nome: virou a Creditas. De lá para cá, a startup cresceu sua proposta de serviços – hoje, oferece também crédito consignado privado e benefícios corporativos, além de serviços para consumidores, como reformas atreladas ao crédito. Em 2019, chegou perto de virar unicórnio com rodada liderada pelo pelo SoftBank, elevando o valuation para US$ 750 milhões. No apagar das luzes de 2020, um novo aporte (de US$ 255 milhões, liderado por fundos de private equity) fez a empresa ser avaliada em US$ 1,75 bilhão, entrando no seleto clube das criaturas mágicas.
MadeiraMadeira
Marcelo Scandian, Daniel Scandian e Robson Privado, fundadores da MadeiraMadeira Foto: MadeiraMadeira
O que faz: e-commerce de produtos para o lar
Quando virou unicórnio: janeiro de 2021
A quarentena forçou muita gente a ficar em casa, o que acabou impulsionando alguns novos hábitos. Reformas e investimentos no lar ganharam força – afinal, a casa virou também escritório e escola. Ao mesmo tempo, o comércio online foi impulsionado. Não é coincidência, portanto, que o primeiro ‘unicórnio’ brasileiro de 2021 esteja ligado a essas duas novas tendências. Especializada em venda online de material de construção e móveis, a startup curitibana MadeiraMadeira anunciou em janeiro de 2021 que o seu valor de mercadosuperou a marca de US$ 1 bilhão, após receber um aporte de US$ 190 milhões liderado peloSoftbanke pela gestora de fundos de ações Dynamo.
Hotmart
João Pedro Resende é o CEO e cofundador da startup mineira Hotmart, avaliada em mais de US$ 1 bilhão Foto: Magê Monteiro
O que faz: plataforma de criação e venda de cursos online
Quando virou unicórnio: fevereiro de 2020 (divulgação em março de 2021)
Um unicórnio misterioso veio à tona em março de 2021. A startup mineiraHotmart, depois de mais de um ano escondendo o título, confirmou pela primeira vez que já havia atingido em 2020 a avaliação superior a US$ 1 bilhão. Fundada por João Pedro Resende e Mateus Bicalho em 2011, a Hotmart ajuda criadores de conteúdo a monetizarem produtos na internet, criando e vendendo conteúdos digitais como cursos online, e-book e clube de assinaturas. Segundo Resende, a empresa optou mesmo por ser discreta em relação ao posto de unicórnio. “É o jeito mineiro de fazer negócios, não gostamos de fazer muito alarde desnecessário”,disse ele ao Estadão.
Mercado Bitcoin
Os irmãos Gustavo e Maurício Chamati são os fundadores da startup Mercado Bitcoin, especializada na comercialização de criptomoedas Foto: Divulgação/Mercado Bitcoin
O que faz: plataforma de comercialização de criptomoedas
Quando virou unicórnio: julho de 2021
OMercado Bitcoin, do grupo 2TM, virou unicórnio em julho de 2021, ano em que critpmoedas começam a ganhar espaço nas transações de grandes empresas, mais interessadas em novas formas de ativos descentralizados e totalmente digitais. À época, após aporte de US$ 200 milhões liderado pelo fundo japonês Softbank, a startup estava avaliada em US$ 2,2 bilhões. Fundada em 2011, a plataforma funciona como uma casa de câmbio, mas de moedas digitais, como bitcoin, doge, ethereum e pax, pelas quais podem ser trocadas por reais.
Unico
Diego Martins, presidente da startup Unico Foto: Unico
O que faz: autenticação digital de identidade
Quando virou unicórnio: agosto de 2021
Criada em 2007 em São Paulo, aUnico, antes conhecida como Acesso Digital, tem cerca de 800 negócios como clientes no Brasil, entre elesMagazine Luiza e Banco Original. A startup tem apostado no desenvolvimento de tecnologias próprias para acelerar o crescimento. Além de aprimorar as soluções de biometria facial e assinatura eletrônica, a Unico desenvolve uma tecnologia que reconhece se, no momento da autenticação de um documento em uma abertura de conta digital, por exemplo, a foto foi tirada naquele momento ou se era uma imagem antiga em mãos de um fraudador. Tornou-se unicórnio em agosto de 2021, apósaporte de R$ 625 milhões, liderado pelos fundos General Atlantic e Softbank.
Frete.com (antiga Cargo-X)
Federico Vega, fundador e presidente da Frete.com, antiga CargoX Foto: Felipe Rau/ Estadão
O que faz: plataforma para transportadoras e caminhoneiros
Quando virou unicórnio: novembro de 2021
Conhecida como o “Uber dos caminhões”, a CargoX conecta transportadoras a caminhoneiros para o transporte de carga em todo o País, além de monitorar o trajeto com geolocalização. O segmento em que atua foi fortemente impactado pela pandemia de covid, que agravou o cenário de baixa atividade econômica no Brasil — motivo pelo qual a startup decidiu colocar o pé no acelerador, tendo recebido US$ 445 milhões em dois diferentes aportes em 2020. Em novembro do ano seguinte, tornou-se unicórnio ao receber cheque de outrosUS$ 200 milhões da chinesa Tencent e do japonês Softbank. A partir de então, a companhia passou a se chamarFrete.com.
CloudWalk
Luis Silva é o fundador e presidente executivo da CloudWalk, startup de maquininhas de pagamentos Foto: Divulgação/CloudWalk
O que faz: startup de meios de pagamento
Quando virou unicórnio: novembro de 2021
A CloudWalk é concorrente direta de outros dois unicórnios brasileiros mais antigos, o PagSeguro e a Stone, do ramo de maquininhas de pagamento, por onde consumidores podem passar cartões para efetuar transações em estabelecimentos comerciais. O diferencial da startup, no entanto, está no uso da tecnologia blockchain (principal aposta do mercado financeiro para os próximos anos), por onde a companhia consegue reduzir custos e tempo de operação, principal atrativo para fisgar novos lojistas. A CloudWalk tornou-se unicórnio após receber o segundo aporte em 2021,de US$ 150 milhões, elevando a avaliação de mercado para US$ 2,15 bilhões.
Daki
Fundadores da Daki: Rafael Vasto, Rodrigo Maroja e Alex Bretzner Foto: Daki
O que faz: startup de entrega ultrarrápida de mercado
Quando virou unicórnio: dezembro de 2021
ADaki, especializada em delivery de itens de mercado em até 15 minutos, tornou-se unicórnio com 10 meses de vida ao receberaporte de US$ 260 milhões. O cheque impulsiona a startup em um setor com diversos gigantes, como iFood,RappieUber Eats — o diferencial da Daki, no entanto, é o uso dedark stores (lojas ocultas
de clientes com estoque) estrategicamente posicionados pela cidade para acelerar as entregas. Ao contrário dos rivais, a startup aposta em um modelo mais “verde”, com pegada de carbono reduzida, diminuição do uso de plástico em sacolas e tentando valorizar os entregadores por meio de áreas de descanso e remuneração por tempo à disposição.
Olist
Olist, de Tiago Dalvi,ultrapassa avaliaçãode US$ 1 bilhão Foto: Divulgação
O que faz: startup de comércio eletrônico
Quando virou unicórnio: dezembro de 2021
Uma das favoritas para se tornar unicórnio em 2021, aOlistconquistou o título nos 45 minutos do segundo tempo,em dezembro, quando levantou cerca de US$ 186 milhões(cerca de R$ 1 bilhão), oito meses após fechar outra rodada de R$ 454 milhões. Fundada em Curitiba em 2015, a companhia nasceu como uma “digitalizadora” de lojas físicas em marketplaces conhecidos, como Amazon e Mercado Livre. Em 2021, porém, ganhou musculatura para atender lojistas nas mais diversas etapas: logística, serviços financeiros e gestão corporativa. Para os anos seguintes, pretende fazer expansão internacional, começando pelo México.
Facily
Diego Dzodan é cofundador da Facily, startup de hipermercado digital com compras coletivas Foto: Facily
O que faz: hipermercado digital de compras coletivas
Quando virou unicórnio: dezembro de 2021
Diego Dzodan largou o cargo de vice-presidente doFacebookna América Latina (pelo qual chegou a ser preso preventivamente por se negar a compartilhar dad
os de usuários com a Justiça brasileira) para fundar em 2018 aFacily, startup que atua como um hipermercado digital de compras coletivas para baixar preços a consumidoresdas classes C, D e E. Por somar mais de 151 mil queixas de clientes, a plataforma quase chegou a ser suspensa pelo Procon-SP, com quem a companhia firmou um acordo no qual concorda em baixar as reclamações em 80%, investir no próprio Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) e ser multada em R$ 1 mil para cada objeção sem resolução. Pouco depois, em dezembro, ao levantar mais US$ 135 milhões, tornou-se unicórnio, com planos de expansão para mais cidades do Brasil e teste de operação no México e Colômbia.
Neon
Pedro Conrade, fundador da Neon Foto: Daniel Teixeira/Estadão
O que faz: serviços financeiros
Quando virou unicórnio: fevereiro de 2022
A fintechNeoné o nome que menos causou surpresa ao se tornar unicórnio. Fundada em 2016 por Pedro Conrade, a startup vinha acumulando aportes volumosos desde 2019, mas preferia manter uma postura discreta em relação a avaliação de mercado. O anúncio só veio após um aporte de US$ 300 milhões do grupo bancário espanhol BBVA. O Estadão, porém, apurou que a Neon chegou à avaliação bilionária logo apóslevantar um aporte de US$ 300 milhões em setembro de 2020, liderado pelo fundo General Atlantic, com participação de investidores como Monashees, Flourish Ventures, PayPal Ventures, Endeavor Catalyst e o próprio BBVA. No momento do anúncio, a empresa exibia números gigantes: 15 milhões de clientes e movimentação de R$ 5,8 bilhões por mês em transações. Com a chegada ao novo status, a Neon enterrou de vez o mais negativo episódio da história:a liquidação extrajudicial do parceiro mineiro Banco Neon (ex-Pottencial), a quem a startup emprestou o nome em uma parceria já desfeita.
Dock
Antonio Soares é presidente executivo e fundador da Dock Foto: Karin Marcitello
O que faz: serviços financeiros
Quando virou unicórnio: maio de 2022
Em meio a um trimestre de operações de startups enxutas,a Dock captou US$ 110 milhões para ser o mais novo unicórnio brasileiro — mesmo que não queira ser reconhecido dessa forma. Fundada há mais de 20 anos, com o nome de Conductor, a empresa se reestruturou sob a alçada de startup e atende clientes com foco em serviços de pagamento, crédito, cartões e APIs bancárias para fintechs. De acordo com a startup, já são 300 clientes e cerca de 65 milhões de contas ativas só na América Latina. O aporte entra para a lista dos maiores cheques investidos em startups brasileiras em 2022, atrás apenas deNeoneCredit
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Não são apenas os trabalhos de natureza repetitiva que estão sob ameaça
Ronaldo Lemos – Folha – 18.dez.2022
Por muito tempo acreditou-se que a inteligência artificial acabaria com os empregos de natureza repetitiva. Em famoso estudo publicado em 2013, Carl Frey e Michael Osborne defendiam que, quanto mais repetitiva fosse a natureza do trabalho, mais suscetível ele estaria à automação. Listavam trabalhadores da área de serviços de manutenção, transporte e operação de máquinas como altamente prováveis de perder seus empregos nos próximos anos. Já os trabalhadores criativos, segmento em que há operações intelectuais complexas envolvidas, como artistas, músicos, fotógrafos, escritores, desenhistas e outros, teriam probabilidade menor de automação.
Estamos vendo agora o oposto do que Osborne e Frey previram. São os trabalhadores criativos (e a indústria cultural) que estão em risco de sofrer uma mudança cataclísmica. A razão é o surgimento de modelos de inteligência artificial acessíveis ao público que são capazes de “criar” praticamente qualquer tipo de conteúdo com alguns poucos comandos de texto, gratuitamente ou por um valor significativamente baixo.
Dentre esses modelos, estão o ChatGPT, o Dall-E, o Stable Diffusion, a Hugging Faces, o AlphaCode e assim por diante. A capacidade desses sistemas é ao mesmo tempo impressionante e assustadora. No ChatGPT, é possível gerar qualquer tipo de texto, bem como pesquisar informações antes impossíveis de serem obtidas de forma automatizada. Por exemplo, perguntei para o ChatGPT quais pratos culinários aparecem citados nos livros de Jorge Amado. Na hora ele soube identificar essas categorias e produzir uma lista coerente: feijoada, moqueca, vatapá, acarajé, bobó de camarão.
Poderia ter pedido para o sistema escrever qualquer tipo de texto ou ensaio, e a resposta seria na maioria dos casos coerente. O ChatGPT e modelos semelhantes podem substituir uma quantidade avassaladora de trabalho criativo humano. Seja na geração de textos jornalísticos, seja na produção de conteúdo para redes sociais e newsletters, seja no atendimento em call centers, e assim por diante. E, claro, na automação de atividades maliciosas, como criação de fake news, conteúdo inflamatório ou trapaça no mundo educacional. Vai ficar cada vez mais difícil para um professor detectar plágio de alunos usando ChatGPT para fazer suas tarefas em qualquer disciplina (matemática, biologia, geografia etc.).
O problema não para por aí. Os modelos de inteligência artificial são capazes de gerar qualquer conteúdo. Fotos, desenhos, imagens, músicas, filmes e animações de excelente qualidade. Por exemplo, um dos modelos já é capaz de gerar playlists no Spotify. Você digita o tipo de clima que quer (“Festa de Réveillon só com música brasileira animada”), e a playlist surge na hora. Por um lado, isso democratiza habilidades que antes eram especializadas.
Por outro, tem o potencial de destruir o valor da criatividade. Por que alguém contrataria um fotógrafo ou compraria imagens de um banco de imagens se posso gerar tudo de graça usando inteligência artificial, com qualidade às vezes melhor do que os conteúdos “reais”? Isso traz também questões, inclusive regulatórias. O Brasil, por exemplo, está discutindo um projeto de lei para regular inteligência artificial. Ele já nasceu obsoleto. Foi feito com base em outros conceitos e preocupações. É praticamente incapaz de lidar com os desafios desses novos modelos que estão entre nós.
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Facebook e Instagram tentam reagir à ascensão do TikTok, mas o modo como eles prendem nossa atenção é alvo de controvérsias
Harry McCracken – Fast Company Brasil – 03-12-2022
A fotógrafa e influenciadora Tati Bruening, de 21 anos, costumava usar o Instagram para postar fotos de si mesma e para mostrar os bastidores de seus ensaios fotográficos para seus 320 mil seguidores. Mas em julho, ela usou o Instagram para fazer um protesto.
Como no TikTok, Tati começou a ver seu feed repleto de vídeos de pessoas que ela não seguia em seu feed, e se irritou com o esvaziamento do aspecto social que a tinha atraído inicialmente para o Instagram. Ela expressou sua insatisfação em uma postagem que viralizou por toda a plataforma.
“Façam o Instagram ser Instagram de novo” (pare de tentar virar o tiktok, eu só quero ver fotos fofas dos meus amigos.) Atenciosamente, Todo mundo”
Logo ficou claro que esse “Todo mundo” também incluía os superusuários do Instagram Kylie Jenner e Kim Kardashian, que compartilharam o apelo de Bruening com seus 360 milhões e 326 milhões de seguidores, respectivamente. Essa repercussão transformou a aparente crise de identidade do aplicativo em uma notícia global.
Houve um tempo em que parecia que o Instagram ia se contentar em deixar seus usuários postarem fotos fofas para os amigos. Assim como seu primo Facebook, ele se fundamentava no poder do “engajamento social” – são as conexões que os membros estabelecem uns com os outros que tornam a rede exponencialmente mais valiosa, conforme mais usuários se juntam e compartilham conteúdo com pessoas que conhecem.
A Meta, empresa que comanda o aplicativo, intensificou seu controle sobre essas vastas redes de pessoas conectadas – quase três bilhões no Facebook, mais de dois bilhões no Instagram – com a intenção de se tornar uma gigante do negócio de publicidade online, perdendo apenas para o Google.
Acontece que a Meta começou a enxergar no TikTok um novo rival ameaçador. Em setembro de 2021, a proprietária do TikTok, a chinesa ByteDance, anunciou que o aplicativo atingiu um bilhão de usuários mensais no mundo. A ByteDance não revelou nenhum número oficial desde então, mas está claro que o TikTok ainda está crescendo.
Crédito: ByteDance/ Divulgação
A Meta reconhece o tamanho da ameaça. Em fevereiro, quando a empresa divulgou que a base de usuários ativos do Facebook havia diminuído pela primeira vez, o CEO Mark Zuckerberg também apontou o crescimento do TikTok. Ele ainda mencionou o Reels – o recurso de vídeos curtos da Meta que claramente se assemelha ao TikTok – como uma estratégia crucial para o futuro do Facebook e do Instagram.
FOR YOU
A ascensão do TikTok e a reação da Meta levantam questões que antes eram improváveis. E se os enormes gráficos sociais do Facebook e do Instagram tiverem perdido sua vantagem esmagadora? Será que esses aplicativos serão capazes de evoluir adotando uma direção mais semelhante à do TikTok, mas sem perder o apelo responsável por tê-los tornado gigantes?
E o que acontece com uma rede social quando a empresa que a controla luta publicamente contra a essência de sua própria proposta inicial? As respostas a essas perguntas podem redefinir nossa vida online – nos aplicativos da Meta e para além deles.
Escritório da ByteDance em São Paulo (Crédito: ByteDance/ Divulgação)
Aparentemente, o TikTok não é tão diferente assim do Facebook, do Instagram ou de outros aplicativos sociais que conhecíamos. Ele oferece outra maneira de matar o tempo percorrendo pequenas porções de conteúdo gerado pelos usuários. Mas há uma diferença fundamental.
O feed padrão do TikTok, chamado For You (Para Você), não é determinado pelo que as pessoas que você segue estão postando. Isso porque simplesmente reunir esse material em um feed não garantiria uma experiência satisfatória: é provável que seus amigos postem muitos conteúdos pelos quais você não se interessa.
O algoritmo For You é um loop de feedback que exibe incansavelmente vídeos de que você pode gostar com base naquilo que assistiu antes, independentemente de quem os criou. Essas recomendações puramente algorítmicas são um sistema de entrega altamente eficaz para administrar as pequenas doses de dopamina que mantêm os usuários grudados em suas telas.
Quando um aplicativo remove as conexões estritamente sociais da equação, ele ajuda a “garantir que, se você receber um conteúdo, há uma grande chance de ele conquistar sua atenção”, diz Michael Mignano, sócio da empresa de capital de risco Lightspeed.
A prova do poder dessa abordagem está na popularidade do TikTok. De acordo com o Pew Research Center, 67% dos adolescentes norte-americanos agora usam o aplicativo, contra 62% que usam o Instagram e apenas 32% que usam o Facebook. Em 2014-2015, antes do TikTok existir, 71% dos adolescentes ainda usavam o Facebook.
PARA ONDE VAI O DINHEIRO
Mas, para a Meta, o problema vai além dessas estatísticas frias. O consumo solitário do feed do TikTok está se sobrepondo ao contato humano do Facebook e do Instagram. Esse é um sinal preocupante de que a era dos gráficos de engajamento baseados em conexões interpessoais pode ter ficado para trás, já que a próxima geração se relaciona com o conteúdo escolhido pela ciência da computação – e não por seus amigos.
Essa tendência pode ajudar o TikTok a absorver as verbas da publicidade online da Meta: a eMarketer estima que o TikTok lucrou US$ 3,88 bilhões com anúncios em 2021, em comparação com US$ 115 bilhões da Meta, e prevê que chegará a US$ 23,6 bilhões em receita de anúncios até 2024. A Meta registrou seu primeiro declínio na receita no segundo trimestre de 2022, seguido por outro no terceiro.
Escritório da ByteDance em Londres (Crédito: ByteDance/ Divulgação)
A Meta sempre enfrentou novos concorrentes copiando descaradamente as suas ideias – uma estratégia que muitas vezes valeu a pena, como quando o Instagram clonou com sucesso o recurso “Stories” do Snapchat. Nos últimos meses, ela aumentou drasticamente o impacto dos Reels no Instagram e no Facebook.
Em uma tática igualmente crucial, a empresa adotou o conceito de “mecanismo de descoberta” — um feed que não é totalmente moldado pelas contas que os usuários escolheram seguir. Isso deu a ambas as plataformas liberdade para incorporar recomendações puramente algorítmicas.
Mas a “TikTok-ização” das redes sociais da Meta é uma jogada arriscada. A empresa acabou desistindo de ir adiante em uma versão-teste centrada em vídeos para o Instagram assim que Kim Kardashian e Jenner se posicionaram contra a mudança.
A diretora de gerenciamento de produtos do Instagram, Tessa Lyons, defende que, de qualquer forma, esse foi um experimento produtivo: “ele serviu ao seu propósito. Provamos algumas de nossas hipóteses e refutamos outras, e seguimos em frente.”
Lyons afirma que a empresa está “fazendo um avanço muito rápido” em direção a algoritmos cujos itens recomendados são bem aceitos pelos usuários. Se ela atingir esse objetivo com uma regularidade semelhante à do TikTok, a angústia sobre as mudanças nos feeds do Facebook e do Instagram pode se dissipar. Como ela diz: “Ninguém reclama de ver conteúdos que curte”.
A Meta pode até conseguir se proteger da ameaça do TikTok, mas o desafio é não se perder de seus princípios no caminho. Mesmo atravessando todas as inúmeras controvérsias, a empresa manteve sua missão de “[dar] às pessoas o poder de construir comunidades e aproximar o mundo”.
Até mesmo a pesada aposta no metaverso parte do princípio de que os seres humanos vão querer interagir uns com os outros em mundos virtuais 3D. Só que vencer essa guerra algorítmica para mantê-los viciados em vídeos curtos tem pouco a ver com construir uma comunidade.
Evento do TikTok para criativos no Brasil (Crédito: ByteDance)
Se os maiores aplicativos estão avançando “na direção da mídia de recomendação e para longe das mídias sociais, é fácil prever que há uma chance de que a próxima grande rede social esteja sendo construída agora”, diz Mignano. “Há uma janela de oportunidades para algum ator novo ter sucesso.”
Onde quer que a Meta chegue depois de tantas alterações na fórmula por trás de seus feeds, é fato que seu domínio de longo prazo do cenário social tem prejudicado a inovação. Na verdade, sua onipresença tem desencorajado os novatos a buscar ideias que possam bater de frente com sua hegemonia.
Contudo, se a ameaça do TikTok sobre o Facebook e o Instagram deixa todos os seus aplicativos cada vez menos sociais, pode ser que as startups comecem a se sentir menos intimidadas com a perspectiva de competir em seu território tradicional. Em vez de marcar o fim da era das redes sociais, talvez a guerra entre as gigantes possa desencadear algo mais inesperado e intrigante: um novo começo.
SOBRE O AUTOR
Harry McCracken é editor de tecnologia da Fast Company baseado em San Francisco. Em vidas passadas, foi editor da Time
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