Espírito Santo do Pinhal: cidade do interior de SP troca o café pelo vinho e vive ‘corrida do ouro’

Movimento foi iniciado com chegada da vinícola Guaspari, em 2001; hoje o município já é reconhecido pelo enoturismo e possui nove vinícolas em funcionamento, além de vários outros projetos

Por Wesley Gonsalves- Estadão – 04/10/2023 

A pequena cidade de Espírito Santo do Pinhal, a 190 km da capital paulista, construiu, em mais de 100 anos, a sua economia em volta do café – como outros inúmeros municípios do Brasil. Essa realidade, porém, está sendo alterada com a chegada de uma nova cultura na região – as uvas para produção de vinhos.

Se no passado, as terras pinhalenses abrigavam grandes fazendas cafeicultoras, agora, o rico terroir – o conjunto de características do solo para o cultivo de uma cultura – da região da Serra da Mantiqueira se transformou no “point” de imensos parreirais, dando lugar às uvas e passando do bom e velho “cafezinho” matinal para taças de cristal regadas a vinhos premiados mundo afora.

Com uma forte influência da imigração italiana na região, que dominou a produção de café por décadas, Espírito Santo do Pinhal viu a viticultura transformar a sua economia local. A cidade está deixando para trás o passado de exportadora de commodity para se transformar num ponto do enoturismo no País.

O que marca essa virada de chave na história de Espírito Santo do Pinhal foi a chegada da Vinícola Guaspari, em 2001, após membros da família Brito – tradicional no agronegócio- adquirirem uma área antes utilizada para o plantio do café. Primeira a investir na plantação de videiras e na vinificação, a empresa capitaneou um movimento que hoje atrai dezenas de outros empreendimentos para a região.

Esse mergulho no universo dos vinhos já começa aparecer em números de investimentos direcionados ao pequeno município de pouco mais de 40 mil habitantes, que vive uma espécie de “corrida do ouro”, com empresários em busca de terras férteis para plantação de videiras e outros negócios.

Um levantamento feito pela prefeitura local, a pedido do Estadão, mapeou cerca de R$ 500 milhões em investimentos ligados ao setor de turismo, como novas vinícolas, wine bars, hotéis, restaurantes, entre outros estabelecimentos que já se encontram em algum estágio de implementação do negócio na cidade.

O professor de viticultura do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Fábio Lenk, explica que, diferentemente de outras cidades conhecidas pela produção de vinho, como São Roque e Jundiaí, que tem produções focadas nas uvas de mesa, Pinhal conseguiu se destacar por ter boas condições para o desenvolvimento das uvas de inverno, algo “herdado” da sua prévia cafeicultura. “Onde se faz um bom café também se faz um bom vinho”, diz Lenk.

Segundo o especialista, com o sucesso das primeiras empreitadas ligadas ao vinho, outros empresários sem experiência na viticultura começaram a se interessar pela região, comprando terras antes ocupadas apenas pelo café e passando a usá-las para as uvas. “São empresários da soja, da cana, da tecnologia, dos bancos, pessoas que acabaram sendo atraídas pelo negócio do vinho e muito pela expansão do enoturismo”, afirma.

Da xícara à taça

Mas, como uma cidade que passou tanto tempo exportando um único fruto muda “do café para o vinho”? A diretora de turismo de Espírito Santo do Pinhal, Loriane Salvi, conta que a mudança de plano do município teve início em 2014, quando a administração local decidiu investir para se transformar de um polo exportador de commodity para uma região turística, apostando no crescimento do enoturismo.

Para essa nova fase, a chegada da Guaspari foi fundamental. “A Vinícola Guaspari é o projeto âncora da cidade”, diz. “O turismo estava adormecido por aqui, algo que foi revivido com a cultura do vinho trazida por eles”

A história da Vinícola Guaspari começa em 2001, quando membros da família Brito adquiriram as primeiras terras na cidade. Cinco anos mais tarde, em 2006, foram plantadas as primeiras videiras. Com o resultado da extração da primeira leva, ainda artesanal, a família se surpreendeu com a qualidade do vinho gerado na região e decidiu dar início a um projeto mais ambicioso, de transformar a propriedade em uma grande produtora de vinhos. Atualmente, são 60 hectares de vinhedos plantados na propriedade e uma estimativa de engarrafar cerca de 150 mil garrafas de vinho nos próximos anos.

Solo, clima e tecnologia

A diretora executiva da vinícola, Fabrizia Zucherato, conta que a qualidade do vinho local está ligada à junção de fatores biológicos, climáticos e um pouco de inovação. O primeiro fator é o “terroir da região”, que são as características biológicas do solo pinhalense, às margens da Serra da Mantiqueira, de terras graníticas, profundas e altamente drenadas. O segundo diz respeito à amplitude térmica na cidade, que registra, no inverno, dias quentes e noites frescas, um tipo de clima comum no verão europeu, em grandes regiões produtoras de vinho, como Itália e França. “Essa amplitude é ideal para a maturação das uvas, que faz a concentração dos açúcares”, diz Fabrizia, que é engenheira agrônoma. “Isso, junto da tecnologia, gera um bom vinho.”

Segundo a diretora executiva da Vinícola Guaspari, a expectativa é chegar a 150 mil garrafas envazadas por safra nos próximos anos

Segundo a diretora executiva da Vinícola Guaspari, a expectativa é chegar a 150 mil garrafas envazadas por safra nos próximos anos Foto: Tiago Queiroz

E, por último, tem a questão de inovação: a empresa usa uma tecnologia desenvolvida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), conhecida como “dupla poda” das videiras. A grosso modo, nesse método, a primeira “poda” dos galhos da videira serve para evitar que ela gere frutos no verão -quando há maior quantidade de chuvas, o que dilui os açúcares da fruta. Dessa forma, a planta é “enganada”, e os sabores das uvas ficam concentrados para a segunda poda, entre maio e junho, feita no período de temperaturas mais baixas.

Desde que foi iniciada a produção de vinhos da vinícola, os rótulos da marca já garantiram algumas premiações internacionais, como na Decanter World Wine Awards. Isso logo atraiu olhares de novos apaixonados pelo vinho, que começaram a investir nas terras de Espírito Santo do Pinhal. Na Guaspari, uma garrafa de vinho produzida na região pode custar de “meros” R$ 150 a até R$ 800, a depender do tipo da uva, tempo de engarrafamento e outras questões técnicas.

De acordo com a administração local, atualmente o município possui 28 projetos de vinícola em andamento, das quais nove deles já estão em fase de operação. Vale ressaltar, que, apesar do crescimento dos negócios ligados ao vinho, o número de produtores de café ainda é predominante na cidade: são, atualmente, cerca de 950 produtores de cafés especiais cadastrados.

Um desses novos negócios é a Vinícola Amana, formada por um grupo de 40 investidores de todo o Brasil e também do exterior. Já no período de envasamento das primeiras safras, a expectativa da companhia é alcançar a meta de 120 mil garrafas de vinho nos próximos anos.

Dores do crescimento

Como diversas cidades que passam pelo processo de crescimento, em meio ao boom do enoturismo, Espírito Santo do Pinhal também enfrenta algumas das “dores do crescimento”, como falta de mão de obra qualificada, insumos para a vinificação e estrutura para expansão dos negócios.

Conforme divulgado pela prefeitura, uma das principais demandas dos novos empreendimentos são os trabalhadores para o segmento de serviços, por conta da chegada de novos hotéis, bares e restaurantes. Para resolver o problema, o executivo municipal conta com algumas parcerias com entidades de formação profissional e também com as iniciativas particulares de cada companhia.

No caso da Guaspari, para dar conta da demanda pelos profissionais do atendimento do vinho, a companhia tem realizado projetos de formação interna, que vão desde cursos de atendimento ao cliente até aperfeiçoamento dos sommeliers da casa, com a mentoria de um especialista vindo de fora do País. “Nós não tínhamos essa tradição na cidade. Eu tenho gente que era rurícola e passou a trabalhar com atendimento ao público”, diz Fabrizia Zucherato. “O modelo mais sustentável é trazer esses profissionais direito da nossa cidade.”

Para Fábio Lenk, professor do IFSP, além das questões do atendimento, outra demanda considerada importante para o sucesso da nova empreitada de Espírito Santo do Pinhal é a capacidade local de processar toda a uva colhida na região, já que neste tipo de cultivo, diferentemente do tradicional café, não é possível armazenar por muito tempo os insumos. “Ter como processar toda a uva é fundamental para esse setor”, diz. “São problemas que ainda terão de ser resolvidos.”

https://digital.estadao.com.br/article/281998972105816

https://www.estadao.com.br/economia/negocios/espirito-santo-pinhal-cafe-vinhos-corrida-do-ouro/

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Gigantes da tecnologia estão engolindo startups de IA; entenda

Tecnologia exige enormes quantidades de poder de computação, levando essas pequenas empresas a buscar serviços com Microsoft, Google e Amazon

Por Gerrit De Vynck – Estadão/The Washington Post – 06/10/2023 

THE WASHINGTON POST – Em 2021, um grupo de engenheiros abandonou a OpenAI, preocupado com o fato de a empresa pioneira de inteligência artificial (IA) ter se concentrado demais em ganhar dinheiro. Em vez disso, eles formaram a Anthropic, uma corporação de benefício público dedicada a criar uma IA responsável.

Esta semana, os benfeitores da Anthropic se uniram a um parceiro corporativo surpreendente, anunciando um acordo com a Amazon no valor de até US$ 4 bilhões.

O acordo destaca como a necessidade insaciável de poder de computação da IA está empurrando até mesmo as startups mais anticorporativas para os braços das Big Techs. Antes de a Anthropic anunciar a Amazon como seu parceiro de nuvem “preferencial”, ela se gabava, em fevereiro, de ter um relacionamento semelhante com o Google (a postagem do blog da Anthropic em fevereiro não tem mais a palavra “preferencial”).

Os porta-vozes de ambas empresas disseram que o relacionamento entre o Google e a Anthropic não mudou.

O boom da IA é amplamente visto como a próxima revolução na tecnologia, com o potencial de catapultar uma nova onda de startups para a estratosfera do Vale do Silício. Mas, em vez de quebrar o domínio de uma década das Big Techs sobre a economia da Internet, o boom da IA até agora parece estar fazendo o jogo dessas gigantes.

Os armazéns de poderosos chips de computador das grandes empresas de tecnologia (os data centers) são necessários para treinar os complexos algoritmos por trás dos chatbots de IA, dando à Amazon, ao Google e à Microsoft uma imensa influência sobre o mercado. E, embora empresas iniciantes como a Anthropic possam ter criado uma tecnologia inovadora e poderosa, elas ainda precisam do dinheiro e dos recursos de computação em nuvem das Big Techs para fazê-la funcionar.

“Para criar IA em qualquer tipo de escala significativa, qualquer desenvolvedor terá dependências essenciais de recursos que estão concentrados em grande parte em apenas algumas empresas”, disse Sarah Myers West, diretora administrativa do AI Now Institute, que pesquisa os efeitos da IA na sociedade. “Não há realmente um caminho para sair disso.”

Cresce a demanda por IA generativa

O treinamento de sistemas de IA “generativos”, como chatbots e geradores de imagens, é extremamente caro. A tecnologia por trás deles precisa processar trilhões de palavras e imagens antes de poder produzir textos e imagens fotorrealistas semelhantes aos humanos a partir de comandos simples. Esse trabalho exige milhares de chips de computador especializados instalados em enormes data centers que consomem enormes quantidades de energia.

E a demanda só está aumentando. A Virgínia do Norte (a região mais importante do mundo para armazéns de computadores) aumentou em 20% sua capacidade total em 2022, de acordo com a empresa imobiliária CBRE. Ainda assim, as taxas de vacância nos data centers da região eram inferiores a 2% no início deste ano.

Em janeiro, a OpenAI, a startup que deu início ao boom da IA ao lançar o ChatGPT no ano passado, anunciou um acordo multibilionário semelhante com a Microsoft, dando à gigante da tecnologia acesso profundo à nova tecnologia e permitindo que ela lance um chatbot próprio.

O acordo da Anthropic com a Amazon não vincula as duas empresas tão intimamente, mas permite que os engenheiros da Amazon usem os modelos da Anthropic em seus produtos, disse a Amazon em um comunicado à imprensa anunciando o acordo.

A presidente da Comissão Federal de Comércio, Lina Khan, disse que a agência está observando atentamente os sinais de comportamento anticompetitivo. Em março, a FTC abriu uma investigação sobre os provedores de computação em nuvem, perguntando se os produtos de IA dependem do provedor de nuvem em que foram criados. Os órgãos reguladores de outros lugares também estão observando. Os escritórios da Nvidia, que fabrica os chips de computador e o software necessários para treinar grandes modelos de linguagem, foram invadidos na quarta-feira pelas autoridades francesas de concorrência, de acordo com o Wall Street Journal.

Precisamos estar muito atentos para garantir que esse não seja apenas mais um local para as grandes empresas se tornarem maiores e realmente esmagarem seus rivais

Lina Khan, presidente da Comissão Federal de Comércio dos EUA

“Precisamos estar muito atentos para garantir que esse não seja apenas mais um local para as grandes empresas se tornarem maiores e realmente esmagarem seus rivais”, disse Khan na Spring Antitrust Enforcers Summit, em março. “Quando temos esses momentos de transição tecnológica, vemos que as empresas estabelecidas às vezes precisam recorrer a táticas anticompetitivas para proteger seus fossos e seu domínio.”

Russell Wald, diretor de políticas do Institute for Human-Centered AI da Universidade de Stanford, EUA, disse que a concorrência existe, mas somente entre o pequeno grupo de participantes com acesso ao poder de computação. Wald, que organiza um programa para ensinar funcionários do Congresso sobre IA, teme que algumas propostas regulatórias possam piorar a situação: Por exemplo, segundo ele, exigir que as empresas tenham seus modelos de IA licenciados pelo governo poderia ajudar os grandes players e dificultar a concorrência de empresas iniciantes menores.

Alguns líderes empresariais não estão tão preocupados com o controle das Big Techs sobre o poder de computação, argumentando que o custo de execução dos modelos de IA inevitavelmente cairá à medida que a concorrência e a eficiência aumentarem.

“Vamos parar de forçar nosso progresso em IA”, disse Matt Calkins, executivo-chefe da Appian, uma empresa de software de capital aberto que está criando suas próprias ferramentas de IA. “Espero mais eficiência”.

Boom do ChatGPT

Quando o ChatGPT foi lançado em novembro de 2022, ele causou um choque no mundo da tecnologia. Especialistas em tecnologia especularam que o negócio de pesquisa do Google estava em apuros porque as pessoas podiam fazer perguntas ao ChatGPT em vez de pesquisá-las no Google.

As grandes empresas de tecnologia entraram em ação, movendo-se em uma velocidade que os observadores não viam há anos. O Google pediu aos funcionários que parassem de compartilhar suas pesquisas de IA com o público. A Microsoft lançou um novo chatbot, o Bing, que imediatamente expressou hostilidade em relação aos seus usuários, levantando questões sobre se ele estava pronto para o horário nobre.

Em setembro, uma enxurrada de anúncios do Google, da Microsoft, da Amazon e da OpenAI ilustrou o ritmo frenético da concorrência. O Google integrou seu chatbot Bard ao Gmail, ao Google Docs e a alguns de seus outros produtos; os usuários descobriram que a ferramenta comete erros básicos. A Amazon anunciou um novo modo de conversação para seus alto-falantes Alexa usando tecnologia de chatbot de ponta; em uma demonstração no palco, a ferramenta fez longas pausas entre as respostas.

Mas a capacidade de levar a tecnologia de IA aos clientes por meio de produtos existentes é uma vantagem fundamental, disse Myers West. O ChatGPT ganhou popularidade por meio do boca a boca, publicações em mídias sociais e cobertura de notícias, mas depois de apenas alguns meses já estava perdendo usuários, de acordo com um relatório da empresa de monitoramento de tráfego da Web SimilarWeb. As grandes empresas de tecnologia têm bilhões de usuários chegando até elas todos os dias.

“A propriedade do ecossistema é importante”, disse Myers West.

As parcerias com as grandes empresas de tecnologia geraram angústia entre alguns funcionários e pesquisadores de IA, disse Manoj Vekaria, engenheiro de software em Seattle, EUA. Laboratórios de IA como o OpenAI e o Anthropic podem alegar independência, disse ele, mas é difícil prever quanto tempo isso durará.

“E se a liderança mudar? E se a Amazon tiver um novo CEO? E se a Anthropic tiver um novo CEO?”, disse Vekaria. “Quando você aceita o dinheiro deles, está vendendo sua alma.”

Por enquanto, a Anthropic parece estar tentando manter suas opções em aberto. Em um comunicado anunciando o acordo com a Amazon, a Amazon disse que “a Anthropic planeja executar a maioria de suas cargas de trabalho na AWS”.

Mas, apesar de mudar seu status de “preferencial”, a Anthropic ainda está usando principalmente os servidores do Google, de acordo com uma pessoa familiarizada com a configuração de computação em nuvem da empresa, que falou sob condição de anonimato para discutir assuntos internos. / TRADUÇÃO POR ALICE LABATE

https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/gigantes-da-tecnologia-estao-engolindo-startups-de-ia-entenda/

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Boeing inaugura centro de tecnologia no Brasil com um time de 500 engenheiros

Novo Centro de Engenharia é um dos 15 do gênero mantidos pela empresa ao redor do mundo e que apoiam o desenvolvimento de programas da matriz nos EUA

Por Mariana Barbosa – O Globo – 10/10/2023 

Primeiro centro de pesquisas da Boeing em São José dos Campos Primeiro centro de pesquisas da Boeing em São José dos Campos — Foto: Divulgação

A Boeing inaugurou oficialmente hoje o seu Centro de Engenharia e Tecnologia em São José dos Campos e que nasce com um time de 500 engenheiros contratados. O novo centro brasileiro é um dos 15 que a fabricante de aviões americana mantém ao redor do mundo e que apoiam a companhia nos mais diversos programas de desenvolvimento aeroespacial.

A contratação dos engenheiros ao longo do último ano gerou um desfalque na indústria de aviação e defesa nacional, incluindo a Embraer. Entidades do setor chegaram a entrar com uma ação civil pública para tentar impedir as contratações.

— A parceria de longa data da Boeing com o Brasil remonta a mais de 90 anos e, durante esse período, colaboramos com a indústria aeroespacial e a comunidade brasileira para aproveitar as incríveis habilidades técnicas e capacidades de resolução de problemas dos engenheiros brasileiros — disse em nota Lynne Hopper, vice-presidente de Engenharia, Estratégia e Operações da Boeing.

Quando a Boeing e a Embraer assinaram um acordo para uma possível fusão, que acabou não se concretizando, analistas apontavam que um dos maiores interesses da fabricante americana era justamente a mão-de-obra altamente qualificada dos engenheiros aeronáuticos da Embraer.

O novo centro de engenharia se soma ao Centro de Pesquisa e Tecnologia que a Boeing mantém em São José dos Campos desde 2014 e que tem desenvolvido parcerias com universidades brasileiras, agências reguladoras e companhias aéreas principalmente nas áreas de combustível sustentável de aviação (SAF) e controle de espaço aéreo. O centro também atua junto a escolas e universidades no fomento ao ensino Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) e, em uma década de atuação, obteve o registro de 30 patentes.

A Boeing não revelou o investimento no novo Centro de Engenharia.

https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2023/10/boeing-inaugura-centro-de-tecnologia-no-brasil-com-um-time-de-500-engenheiros.ghtml

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Globo Rural: Agricultores reservam parte das fazendas para uma nova produção: energia solar

Equipamentos instalados em áreas rurais já respondem por 15% da potência gerada no país

Por José Florentino Em Globo Rural — 10/10/2023 

O produtor rural Igor Cândido diz que, como ficou difícil expandir a área agrícola, a energia solar surgiu como um caminho O produtor rural Igor Cândido diz que, como ficou difícil expandir a área agrícola, a energia solar surgiu como um caminho — Foto: Divulgação

No sul goiano, a Agropecuária Vigor investiu R$ 35 milhões em uma produção que ocupa apenas nove hectares. Não se trata de uma cultura de alto valor agregado nem da criação de alguma raça de animal muito cara. A aposta é na geração de energia fotovoltaica, que abastece as fazendas do grupo e ainda ajuda a diversificar a renda da família.

A propriedade é apenas uma das que estão investindo nesse tipo de tecnologia. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), havia cerca de 180 mil sistemas instalados na área rural até julho deste ano. A potência gerada por esses equipamentos cresceu seis vezes em três anos, para 3,36 megawatts, ou quase 15% de toda a energia fotovoltaica produzida no país.

— O valor da terra aumentou muito nos últimos três anos, o que torna difícil expandir a área agrícola, e nos fez buscar outros caminhos que tenham um retorno maior — afirma o produtor rural Igor Cândido.

Igor assumiu o negócio da família ao lado do irmão, Vinicius, em Morrinhos (GO), onde a família vive há 20 anos e produz soja, milho, feijão, tomate e outras culturas, dependendo do momento do ano e dos preços. São cinco mil hectares de área produtiva.

Segundo ele, seria inviável produzir soja em nove hectares isolados, porque a atividade precisa de escala para diluir os investimentos.

— Uma usina de energia solar tem a lógica inversa: área pequena com investimento concentrado. Nosso retorno é muito maior do que o que teríamos com a soja (nessa área).

Foto aérea das granjas do avicultor Flávio de Souza,  no Alto Paraná (PR) — Foto: Divulgação Foto aérea das granjas do avicultor Flávio de Souza, no Alto Paraná (PR) — Foto: Divulgação

O primeiro contato da família Cândido com a energia solar ocorreu sete anos atrás, quando Vinícius, então presidente do Sindicato Rural de Morrinhos, decidiu instalar placas fotovoltaicas para garantir energia para a exposição agropecuária do município.

— Tinha um preço mais elevado, mas ainda compensava, pelo que ouvíamos de relatos — relembra Igor.

Sistema de assinatura

Mas foi ao longo do último um ano e meio que a família investiu para valer na construção de usinas em locais com acesso mais fácil à rede da concessionária. O terreno plano de Morrinhos, que no passado atraiu agricultores para a região, facilita a instalação das placas e outros equipamentos.

Atualmente, toda a energia utilizada na propriedade, desde o pivô de irrigação até a luz das casas dos funcionários, vem das usinas próprias. Juntas, as unidades produzem sete megawatts.

Desse total, as fazendas do grupo consomem aproximadamente um terço. O excedente é vendido para consumidores de Goiás por meio da plataforma Nextron. Criada no fim de 2021, ela conecta produtores de energias renováveis a consumidores, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Além da energia solar, também fornece o insumo a partir de biomassa e hidráulica.

A startup compra energia no atacado e distribui em um modelo de assinatura, como o de serviços de streaming, para consumidores que estejam conectados na mesma rede.

Placas fotovoltaicas na granja do avicultor Flávio de Souza,  no Alto Paraná (PR) — Foto: Divulgação Placas fotovoltaicas na granja do avicultor Flávio de Souza, no Alto Paraná (PR) — Foto: Divulgação

Produzir energia solar não é um bom negócio apenas para grandes produtores, afirma Anderson Oliveira, que fundou a EcoPower, junto com a esposa Náchila, dez anos atrás. A empresa, que presta consultoria em energia solar e comercializa equipamentos, já implementou mais de 40 mil projetos de pequenas usinas fotovoltaicas no país, muitas delas para produtores rurais.

— Quando começamos, uma usina de mil metros ficava em torno de R$ 400 mil, e os clientes recebiam R$ 6 mil ao mês. Eu tenho três alqueires de seringueira, são 75 mil metros quadrados, que me dão R$ 2,5 mil por mês. É menos da metade, com uma área bem maior — compara.

A empresa também está testando um novo modelo de negócios, em que vai arrendar áreas de produtores que não têm recursos suficientes para construir suas usinas. Eles recebem de R$ 700 a R$ 1 mil por mês pela área de mil metros quadrados.

Produtores de várias culturas têm optado pela energia fotovoltaica para reduzir custos, garantir abastecimento em locais onde o fornecimento da concessionária é limitado e diversificar sua renda, segundo a Ecopower. Dentre esses, os produtores de aves se destacam.

A energia elétrica representava 24% dos custos da Granja Sagrada Família, no Alto Paraná (PR), conta o avicultor Flávio de Souza. Ele e o pai, Nelson, investiram R$ 2 milhões na construção de seis usinas, que abastecem 12 aviários. Agora, fizeram um aporte de R$ 650 mil em mais duas usinas, para quatro aviários.

Segundo Souza, a produção de frango tem um ciclo de dois meses. No primeiro, a granja gasta menos energia, porque as aves são pequenas. No segundo, o consumo supera a geração. A família tem um acordo com a concessionária de energia, que abate o excedente de um período na conta do mês em que há déficit.

As usinas em operação já reduziram em 80% a conta de luz, que variava entre R$ 10 mil e R$ 14 mil por mês, diz Souza. Ele projeta que o investimento deve se pagar em menos de três anos.

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Por trás da aposta da Casa dos Ventos no hidrogênio verde

Geradora líder em eólica e solar lembra que o caminho para a descarbonização vai aumentar cada vez mais a demanda por energia limpa — para além do consumo em si

Complexo Babilônia: joint-venture com ArcelorMittal vai construir maior contrato de fornecimento de energia renovável do país (Casa dos Ventos/Divulgação)

Complexo Babilônia: joint-venture com ArcelorMittal vai construir maior contrato de fornecimento de energia renovável do país (Casa dos Ventos/Divulgação)

Karina Souza – Exame – 10 de julho de 2023

Em um futuro marcado pela descarbonização, a Casa dos Ventos, geradora líder em eólica e solar, está cada vez mais atenta ao hidrogênio verde (H2V). “Nós, enquanto sociedade, pensamos principalmente em energia renovável quando o assunto é transição energética, e muitas vezes esquecemos da demanda por descarbonização de alguns processos térmicos, que vai envolver eletrificação”, diz Lucas Araripe, diretor executivo da empresa, ao EXAME IN. A companhia começou a dar os primeiros passos nessa direção recentemente. No início deste ano, firmou um contrato junto com a Comerc Eficiência para exportar amônia verde produzida no Pecém à Alemanha. Hoje, as geradoras têm um pré-contrato com o local para instalação de uma planta com capacidade de produção de 960 toneladas de hidrogênio por dia e de 2,2 milhões de toneladas de amônia por ano. Além das conversas para exportação, a companhia tem tido cada vez mais encontros com possíveis clientes brasileiros interessados no combustível verde.

Os números envolvidos nas negociações ajudam a entender o potencial vislumbrado para o futuro da geradora de energia. Em abril deste ano, a Casa dos Ventos firmou uma joint venture com a ArcelorMittal, para desenvolver o maior projeto de fornecimento de energia renovável do país, que deve construir 553,5 MW. O volume deve atender a 38% da demanda por energia da fabricante de aço no Brasil em 2030. Isso sem considerar uma possível produção de aço verde — que demandaria, segundo estimativas da empresa, um consumo dez vezes maior do que o projetado para 2030.

Além das possibilidades a serem exploradas dentro da joint venture, a geradora de energia mantém conversas com diferentes setores que se preparam para cumprir as metas de descarbonização. A energia necessária para fabricar combustível de navios para uma multinacional, por exemplo, equivaleria a 100 GW de capacidade instalada. No caso de uma mineradora, a demanda por combustível verde capaz de substituir o diesel no transporte de material significaria uma necessidade de capacidade instalada de 2,5 GW.

Atender a toda essa demanda significa um potencial de crescimento exponencial para a Casa dos Ventos. Considerando a expertise já adquirida com contratos de longo prazo para fornecimento de energia ao setor privado, aproveitá-lo não parece um sonho tão distante. Hoje, a geradora de energia tem capacidade instalada de 1,5 GW, sendo que 90% desse total está em projetos de longo prazo de venda de energia no mercado livre. No próximo ano, a capacidade subirá para 1,7 GW, com a construção de um projeto de fornecimento de energia para a Braskem e Mosaic.

Ainda em 2023, a empresa começará a construir o projeto da ArcelorMittal (de 553 MW) e mais um parque novo, de 756. Com esses projetos, a geradora de energia prevê chegar a 2025 com 3,1 GW instalados. E a 6 GW até 2027 (um número que não pode ser excedido, pelo menos por enquanto, porque representa o máximo outorgado para a empresa até à data).

A maior parte dos projetos em construção ainda está — como o contrato com a fabricante de aço mostra — no fornecimento de energia renovável para atividades do dia a dia. Mas, na visão de Araripe, esse é um mercado que não representa o maior potencial de crescimento ao longo dos próximos anos. “Hoje, para ter uma ideia, o que o Brasil cresce de carga por causa do PIB equivale ao crescimento da geração distribuída”, diz o executivo.

Em números, um levantamento feito pela CCEE com base nos dados de consumo do país mostra que, em 2022, o consumo de energia foi de 67,2 mil MW médios, aumento de 1,5% em relação ao ano anterior. A geração distribuída cresceu 83,6% no mesmo ano, representando 3,5% desse total, ante 1,9% em 2021. A sobreoferta de energia é um fato anunciado no país, inclusive alvo de reclamações de executivos à frente das principais geradoras de energia — como um evento do setor promovido no começo do mês de junho mostrou. Mais um fator que reforça o argumento da empresa de crescer de olho em combustível sustentável.

Os avanços da regulação

A rota para aproveitar a alta da demanda, para a Casa dos Ventos, tem um pouco de momento e um pouco de história. A empresa, que nasceu em 2007 dando os primeiros passos em energia eólica no país e se orgulha de ser uma “empresa de conhecimento”, como define Araripe, quer se manter na vanguarda também na oferta de energia de olho no novo momento do país (e do mundo) em termos de demanda. No meio dos estudos e das conversas com interessados em produzir hidrogênio verde (ou qualquer de seus derivados) a empresa vê espaço para um aprimoramento de regulação.

O Chile é um dos principais exemplos nesse sentido. Em 2021, o país já trouxe a público um plano para aproveitar o sol do Atacama e o vento do Estreito de Magalhães em energia a ser exportada. Para Araripe, o Brasil tem um espaço ainda maior a ser aproveitado, considerando a matriz energética local e a quantidade de recursos naturais.

“É um ponto superinteressante principalmente porque hoje já existe um critério de certificação de hidrogênio verde na Europa que prevê que matrizes com mais de 90% de energia limpa podem conectar parques renováveis no sistema. Ou seja, se a produção para uma empresa está na Bahia, ela pode usar essa energia para produzir o combustível em São Paulo, por exemplo. Fica muito mais eficiente, não precisa construir tudo exatamente do lado de onde a empresa está”, diz o executivo.

Trazer mais regulação a esse cenário atrativo é a chave, na visão de Araripe, para tornar o Brasil ‘a bola da vez’ em energia limpa e, consequentemente, um local atrativo para indústrias de todos os tipos. Um movimento que, no longo prazo, contribui para aumentar a quantidade de consumidores no país.

O executivo não é o único atento a esse aspecto. Passos importantes foram tomados nessa direção há cerca de um mês, quando o Ministério de Minas e Energia divulgou o Programa Nacional do Hidrogênio em um debate promovido pela Frente Parlamentar de Recursos Naturais no Senado. Hoje, estão em andamento: um estudo conjunto da EPE e do BNDES sobre a demanda de hidrogênio para o Brasil, minuta de Projeto de Lei com marco legal para o hidrogênio, uma proposta de Plano de Investimento do Brasil ao Climate Investment Fund, uma consulta pública na Aneel para hidrogênio de baixo carbono, entre outros.

Tudo para não deixar o ‘bonde bilionário’ do H2V passar. O Brasil reúne as características ideais para a produção do combustível e pode atrair, ao todo, US$ 27 bilhões em investimento nesse combustível, como a EXAME ESG mostrou recentemente. De olho no Brasil do amanhã, a Casa dos Ventos mostra, pouco a pouco, que também está preparada para aproveitar tudo que o Brasil do amanhã pode oferecer.

Karina Souza

Repórter Exame INFormada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.

https://exame.com/exame-in/por-tras-da-aposta-da-casa-dos-ventos-no-hidrogenio-verde/

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A vez da geração Z: é hora de as empresas se adaptarem aos nativos digitais

Esta geração tem expectativas diferentes. É importante ouvi-la – para o bem de todos os funcionários


Veja Também

Stephan Scholl – Fast Company Brasil – 26-09-2023

Guiada por valores, destemida e com consciência social, a geração Z está desafiando líderes de novas formas e incentivando as empresas a valorizarem a transparência, a flexibilidade e a autenticidade. Esses jovens motivados, que eram calouros universitários durante o lockdown da pandemia, estão exigindo uma experiência de trabalho diferente – com a tecnologia no centro dela.

Embora possam não estar cientes disso, eles estão causando um impacto positivo nos negócios. Esta geração foi muito influenciada por tudo o que aconteceu nos últimos quatro anos. 

E agora é a vez de trazerem um novo olhar para o mundo corporativo, fazendo perguntas como “por que fazemos as coisas desse jeito?” e “por que não questionamos o status quo?”. Cabe aos líderes escutá-los e dar a eles a oportunidade de mostrar todo o seu potencial.

NATIVOS DIGITAIS

A geração Z passou toda a sua vida em um mundo digital. A tecnologia é algo natural e essencial para sua existência. A maioria nunca experimentou o ambiente de trabalho pré-Covid-19 que muitos de nós consideramos “normal”. Isso tem implicações significativas para as empresas, à medida que essa geração passa a fazer parte da força de trabalho.

Enquanto as organizações buscam atrair, contratar, desenvolver e apoiar esses jovens talentos, também precisam se esforçar para melhorar a experiência tecnológica dos funcionários, assim como fizeram para os clientes há duas décadas.

De acordo com um estudo realizado pela Alight em 2023, apenas metade da geração Z afirma que o aplicativo de benefícios que seus empregadores oferecem tem a mesma qualidade e experiência de usuário dos apps que eles usam fora do trabalho.

Apesar de estarmos falando dessa geração específica, é importante lembrar que uma melhor experiência digital beneficia a todos – desde os baby boomers até os millennials.

Ao ingressar no mercado de trabalho, a geração Z busca empresas que estejam na vanguarda. A expectativa é que até mesmo organizações não relacionadas à tecnologia utilizem ferramentas tecnológicas em seus processos cotidianos, seja um sistema de mensagens ou um aplicativo de benefícios patrocinado pelo empregador. Para atrair e reter esses jovens talentos, é preciso fornecer acesso à informação onde, quando e como eles desejarem.

SAÚDE MENTAL

Esses jovens trabalhadores também valorizam o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal – 45% deles afirmam que isso contribui para uma boa saúde mental.

Mas não é apenas a geração Z que pensa assim. De acordo com o estudo da Alight, nos EUA, 44% dos millennials, 52% da geração X e 61% dos baby boomers concordam.

O estudo também indicou que 15% dos funcionários atualmente sofrem de burnout, um aumento de 50% desde 2020. Para os funcionários dos EUA, um melhor equilíbrio trabalho e vida pessoal, horas suficientes de sono e tempo livre estão entre os aspectos mais importantes para manter a saúde mental.

Ao ingressar no mercado de trabalho, a geração Z busca empresas que estejam na vanguarda.

Cada vez mais, a geração Z espera que os empregadores estejam atentos ao seu bem-estar emocional e ofereçam benefícios, como folgas e acesso a programas de apoio.

A tecnologia e a inteligência artificial ajudam os empregadores a enfrentar a crise de saúde mental automatizando tarefas rotineiras. Ao liberar tempo para o trabalho colaborativo e estratégico, a automação pode ajudar esses jovens a se tornarem membros mais engajados da força de trabalho, construindo relações, liderando equipes e se comunicando de forma eficaz.

Como nativos digitais, eles são mais propensos do que outras gerações a usar aplicativos de bem-estar e programas de saúde mental. A tecnologia permite que busquem ajuda profissional com mais facilidade.

A entrada da geração Z no mercado de trabalho traz consigo uma tremenda oportunidade para as empresas criarem uma experiência do funcionário que incorpore tecnologia e inovação em todos os aspectos do negócio.

Até 2030, espera-se uma escassez global de talentos de mais de 85 milhões de pessoas. Buscar inspiração nessa nova geração – e implementar estruturas que atendam às suas perspectivas e preferências – levará a uma maior retenção e agregará valor ao resultado final.


SOBRE O AUTOR

Stephan Scholl é CEO da empresa de benefícios corporativos para trabalhadores Alight Solutions.

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Como a China espera proteger sua cadeia de suprimentos de minerais essenciais

O país está aumentando a produção doméstica de quartzo ultrapuro, que atualmente é produzido predominantemente na Carolina do Norte.

by Gustavo Caetano MIT Technology Review – setembro 29, 2023

Quando a China anunciou, em julho, que estava restringindo as exportações de germânio e gálio, foi um lembrete da influência que exerce na cadeia de suprimentos global de minerais críticos, um grupo de 50 materiais considerados de alta importância estratégica pelo governo dos EUA. 

Esses minerais são usados em chips de computador e armas de precisão, mas também são importantes para a tecnologia limpa, aquelas que vão ajudar o mundo a fazer a transição para a energia renovável para combater as mudanças climáticas. Recentemente, conversei com Seaver Wang, codiretor da equipe de clima e energia do Breakthrough Institute, um think tank ambiental com sede na Califórnia que financia pesquisas sobre políticas energéticas, para entender melhor o papel desempenhado pelos minerais essenciais. 

Aqui estão cinco grandes perguntas que fiz a Wang sobre as políticas da China com relação a minerais essenciais. A conversa foi levemente editada para maior extensão e clareza. 

A China depende da cadeia de suprimentos global para minerais essenciais?  

Wang: Quando falamos sobre o domínio da China em minerais essenciais, geralmente é no estágio de processamento. Mas a China está importando minério bruto para ser processado. 

Os minerais mais importantes e interessantes do ponto de vista da tecnologia limpa são os metais do grupo da platina [que são usados em tecnologias que transformam hidrogênio em energia]. Assim, metais como irídio, platina, paládio [e] zircônio são usados em várias tecnologias de células de combustível e nos próprios eletrolisadores. Uma grande parte dessa produção vem, na verdade, da África do Sul. 

E depois o cobalto — 75% vêm da República Democrática do Congo. Quartzo de alta pureza [que é usado em todo o setor de fabricação de energia solar e também em chips de computador] — a maior parte vem dos EUA. Um interessante é o tório para [usinas] nucleares, porque a China está experimentando reatores rápidos alimentados por tório como parte dos projetos de demonstração nuclear. E o níquel — uma grande quantidade dele vem da Indonésia.  

O governo chinês considera uma vulnerabilidade o fato de ter de importar muitos minerais? 

Wang: A liderança da China no desenvolvimento de novas tecnologias de baterias, como as baterias de íons de sódio, deve-se aos esforços para garantir a resiliência da cadeia de suprimentos. Uma bateria de íon de sódio o isola da incerteza da cadeia de suprimentos de lítio e de níquel e cobalto. Muitos dos esforços de P&D foram fortemente apoiados porque eles têm vantagens na cadeia de suprimentos. 

[O quartzo ultrapuro] é, na verdade, um exemplo em que houve muitos esforços conjuntos público-privados para desenvolver mais capacidade de quartzo ultrapuro na China. Eles estão investindo na produção doméstica porque esse é um setor em que a América do Norte domina a produção atual. [Duas empresas americanas na Carolina do Norte] produzem cerca de 180.000 toneladas de quartzo ultrapuro por ano; a Jiangsu Pacific Quartz Products, uma empresa chinesa], está ampliando [sua capacidade] este ano de 5.000 para 20.000 toneladas; e isso representa basicamente toda a produção global. 

E, curiosamente, os EUA não têm restrições de exportação de quartzo ultrapuro para a China, [mas] a China, na verdade, tem uma tarifa de importação de 16% sobre o quartzo ultrapuro dos EUA porque quer incentivar mais dependência doméstica. 

A China quer criar uma cadeia de suprimentos de tecnologia limpa doméstica autossuficiente? 

Wang: Seja nos EUA ou na China, embora ambos sejam países grandes, qualquer fantasia de autossuficiência total é claramente apenas uma fantasia. 

Acho que os formuladores de políticas inteligentes de ambos os países estão pensando mais em se preparar para alguma dissociação ou guerra comercial, mas não estão tentando elaborar uma política industrial em torno de uma ruptura completa. Eles estão tentando [ter] algum know-how doméstico, capacidade e outras fontes de suprimento de modo que, se houvesse uma restrição à exportação de algo, ainda assim haveria um pico de preços, e esse setor ainda poderia passar por alguns momentos difíceis, mas sobreviveria. 

Mas os EUA e a China ainda estão conversando regularmente sobre como colaborar com o clima. Isso não é inconsistente com o planejamento da dissociação?  

Wang: Os defensores e ativistas do clima podem ter uma expectativa um pouco irrealista de que ambos os lados possam buscar o final de Hollywood, em que todos trabalhamos juntos para combater o desafio global da mudança climática. 

Isso provavelmente é um pouco irrealista, porque os EUA e a China têm muitas áreas de política em que há fortes divergências. Portanto, acho que temos que concordar em discordar, e o melhor caminho a seguir seria estabelecer boas barreiras para a concorrência. 

Acredito que muitos formuladores de políticas dos EUA relutam em ser muito rígidos em relação à tecnologia limpa, pelo menos no lado democrata, porque consideram que as metas climáticas dos EUA estão muito ligadas às importações de tecnologia limpa chinesa e não querem prejudicar essas importações. E eu me pergunto se, do lado chinês, há alguma relutância em ser competitivo demais, porque esses são, na verdade, setores de exportação muito lucrativos para a China. Fiquei impressionado quando soube disso, mas os produtos solares fotovoltaicos são, na verdade, responsáveis por uma parcela surpreendentemente grande  (7%) do superávit comercial da China. 

Além dos EUA e da China, quais são as funções de outros países na cadeia de suprimentos global de tecnologia limpa? 

Wang: Uma coisa a se ter em mente são os países pobres e de renda média que atualmente exportam muito minério, mas não se beneficiam de nenhum dos setores de valor agregado a jusante. 

O Zimbábue instituiu algumas restrições à exportação de minério não refinado. Eles queriam incentivar o investimento financeiro internacional em refinarias no país para exportar produtos refinados que beneficiassem mais sua população. E a Indonésia fez a mesma coisa com o níquel.  

Nas economias emergentes, há um enorme desejo de entrar nesses setores industriais, participar da transição para a energia limpa e se beneficiar economicamente. Isso pode ser visto na Índia, Indonésia, Zâmbia, RDC e Zimbábue. Parte de mim se pergunta, às vezes, se daqui a cinco ou dez anos, ao olharmos para trás, para esse debate, ansiedade, paranoia ou qualquer outra coisa sobre a cadeia de suprimentos EUA-China, tudo parecerá bobagem, porque as cadeias de suprimentos serão completamente diferentes. 

Acompanhe a China 

  1. Um ano após o cientista do “bebê CRISPR”, He Jiankui, ter sido libertado da prisão, ele está voltando discretamente às funções acadêmicas. Enquanto isso, as tecnologias de edição de genes no Ocidente evoluíram além do que He fez, gerando novas perguntas. (New Yorker $)
  • Meu colega Antonio Regalado divulgou pela primeira vez a história do experimento de He Jiankui com bebês editados geneticamente em 2018. (MIT Technology Review) 
  1. No enorme salão do automóvel em Munique, marcas alemãs como a Volkswagen estavam sentindo a concorrência das empresas chinesas de carros elétricos. (Bloomberg $)
  • O setor de EV substituiu a Internet do consumidor para se tornar o novo queridinho dos investidores na China. (Wall Street Journal $) 
  1. As operações de mídia social ligadas ao governo chinês estão usando IAs de criação de imagens para criar conteúdo visual, de acordo com um relatório da Microsoft. (Washington Post $)
  1. Pequim ordenou que os funcionários do governo central parassem de usar iPhones e outros smartphones estrangeiros no trabalho, a fim de reduzir a dependência do país de tecnologias estrangeiras. (Wall Street Journal $)

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Brasileiros ganham mais de empresas estrangeiras, mas preferem ficar no país

Pesquisa aponta que, apesar de ganharem em média R$ 29 mil por mês, esses trabalhadores preferem aproveitar o custo de vida daqui


Rafael Farias Teixeira – Fast Company Brasil – 28-09-2023 

Trabalhar para empresas de qualquer lugar do mundo, hoje, é uma realidade para muitos brasileiros. Além de conseguirem uma remuneração acima da média de boa parte dos seus conterrâneos, esses “trabalhadores globais” ganharam muito espaço:“A pandemia impulsionou a experiência do trabalho remoto para muitas empresas, sobretudo na área de tecnologia. Com o retorno aos escritórios, o trabalho presencial se tornou mais um fator que influencia a escolha dos profissionais brasileiros por vagas internacionais”, explica Tiago Santos, CEO da Husky.

A fintech, especializada em facilitar transferências internacionais, ouviu1.629 pessoas em fevereiro para a primeira edição da pesquisa “Global Workers 2023 – Panorama sobre os profissionais brasileiros que trabalham para o exterior”. O estudo revelou as características dessas pessoas que trabalham remotamente, viajam e procuram vagas em qualquer país.

Segundo o levantamento, a maioria (81,5%) são homens, sem filhos e com idade média de 31 anos, que moram com seus parceiros (67,9%) e têm nível superior de escolaridade (94,9%), com destaque para a área de Exatas e cursos ligados à tecnologia (75,7%).

A motivação principal para se tornar um global worker é a remuneração: 90% consideram o salário mais atrativo do que o oferecido pelas empresas no Brasil. Acrescente-se a isso o fato de que oito em cada 10 deles recebem em dólar. De acordo com a pesquisa, um global worker brasileiro ganha em média R$ 29 mil por mês.

“Descobrimos que eles também se preocupam com o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. O fenômeno da ‘fuga de cérebros’, ou fuga de talentos para o exterior tende a aumentar se as empresas não se mostrarem competitivas diante das propostas internacionais”, diz Santos.

Entretanto, um terço dos entrevistados afirma que o pacote de benefícios das empresas estrangeiras é pior quando comparado aos dos empregadores brasileiros.

DIFERENÇAS CULTURAIS

Grande parte (87%) é contratada como pessoa jurídica (PJ). Embora a maioria prefira esse tipo de contrato, também existem aqueles que atuam no modelo CLT ou como freelancers.

Um dos grandes desafios identificados são as diferenças culturais entre as organizações brasileiras e estrangeiras, acentuadas quando há times compostos por pessoas de diversas nacionalidades. Para as empresas, a questão é contratar pessoas que operam em fusos horários diferentes, o que torna a rotina síncrona mais complexa.

Mesmo com a possibilidade de trabalhar remotamente de qualquer lugar, o global worker prefere ter residência fixa. Apenas um em cada cinco se considera nômade digital. A maioria (98,1%), inclusive, prefere permanecer no Brasil.

A razão é um combinado de custo-benefício com comodidade: 41,5% querem estar próximos do seu círculo de relações e 33,2% aproveitam a vantagem de viver no Brasil sendo remunerado com uma moeda mais valorizada que o real.

“Os dados reforçam o quanto esses profissionais valorizam relações de trabalho mais flexíveis, nas quais possam conciliar experiências pessoais e profissionais com viagens e momentos de lazer, sem deixar de lado a parte financeira”, diz Santos.

SALÁRIO EM MOEDA ESTRANGEIRA

Sobre as áreas de atuação, no topo do ranking aparecem ciência da computação, seguida de sistemas de informação e engenharia da computação. Segundo uma pesquisa anterior da Husky, a maioria dos profissionais que têm uma carreira remota no exterior trabalha no segmento de tecnologia, atuando principalmente como desenvolvedores de software.

A motivação principal para se tornar um global worker é a remuneração.

Ainda em termos de carreira, a maioria se formou há menos de 10 anos, o que derruba o mito de que é preciso ser um profissional sênior ou especialista em alguma área para ser contratado por empresas de fora.

Vale destacar que 37,4% foram prospectados por recrutadores em plataformas como o LinkedIn, sem que precisassem se candidatar às vagas. Outros 25,7% foram indicados por alguém para ocupar a vaga atual. “Isso mostra a importância do networking e uma tendência de que mais brasileiros sejam contratados por indicação de seus conterrâneos”, aponta Santos.


SOBRE O AUTOR

Rafael Teixeira Farias tem mais de 14 anos de carreira em jornalismo e marketing digital, além de sete livros de ficção já publicados.


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Uma breve história do tempo

A energia verde, segura, barata e abundante está cada vez mais no centro das decisões da localização da produção

Jorge Arbache* – Valor – 09/06/2023

A década de 1980 testemunhou o início de mudanças que alterariam para sempre os destinos da economia global. A China de então entrava numa era de profundas transformações políticas e econômicas e buscava atrair investimentos estrangeiros aproveitando-se da extraordinária quantidade de mão de obra disponível e extremamente barata. Foi também naquela altura que começavam a tomar impulso mudanças tecnológicas que acelerariam o comércio e o investimento, ali incluídos a digitalização e a internet, avanços logísticos, como a conteinerização do comércio, integração dos mercados, adoção de padrões e certificações, dentre tantas outras.

Empresas americanas logo perceberiam a oportunidade de ganhos de eficiência e promoveriam o offshoring, ou estratégia de transferência de plantas industriais para a China, processo que se ampliaria e se sofisticaria dando fulcro à formação de cadeias globais de valor. Esta coluna é uma brevíssima história do tempo, o tempo da globalização, tal como ficaria conhecido aquele conjunto de mudanças.

A energia verde, segura, barata e abundante está cada vez mais no centro das decisões da localização da produção

De fato, entre 1990 e 2021, as exportações globais se aceleraram e cresceram 6,5 vezes. Estados Unidos, Alemanha e Japão, então os três maiores no setor, viram as suas vendas externas aumentarem 4,5, 5,1 e 2,8 vezes, respectivamente. Mas as exportações da China cresceram nada menos que 80 vezes, o país se tornaria o maior vendedor e viria a ser conhecido como a “fábrica do mundo”.

Mas o tempo passou, muita coisa aconteceu e, desde meados da década passada, a concentração da produção na China começou a ser questionada e mostrar excessiva exposição a fatores externos como o populismo, a geopolítica e a pandemia, que levariam ao rompimento de contratos e a problemas de abastecimento de insumoss e produtos. Para reduzir a dependência da China, governos ocidentais passaram a promover estratégias como o reshoring e o nearshoring, que visam trazer de volta para casa ou para perto de casa plantas industriais estacionadas naquele país asiático.

Mas muitos analistas e estrategistas corporativos apontam que essa nova estratégia repete o erro anterior da concentração. Além disto, apontam que os tempos atuais requerem uma estratégia adaptada às novas circunstâncias e condições, ali incluídos o aumento do custo da energia, o aumento da intensidade e frequência dos eventos naturais extremos, o crescente endurecimento do compliance ambiental e as crescentes preocupações com temas geopolíticos, como a guerra na Europa e as tensões entre Estados Unidos e China.

Como consequência, tem emergido, e com cada vez mais força, a visão de que é necessário promover a diversificação geográfica, e não a concentração das plantas industriais e das cadeias de produção, de tal forma a garantir a resiliência e proteger, desta maneira, os interesses das empresas e dos consumidores. Já a eficiência está ganhando novos contornos. Se, antes, os custos laborais eram o fator mais crítico para a geografia das plantas, agora, é a energia que está ganhando protagonismo na agenda de competitividade das empresas. Afinal, o compliance ambiental, os custos energéticos e a mudança do perfil do consumo estão entrando em cena influenciando os investimentos e a localização da produção. A energia verde, segura, barata e abundante está cada vez mais no centro das decisões da localização da produção.

Alguns analistas pleiteiam que a globalização tal como a conhecemos teria chegado ao fim e que o comércio e o fluxo de capitais e investimentos deverão até mesmo diminuir. A hipótese parece exagerada, pois não considera os interesses das empresas e dos mercados. O que, provavelmente, veremos é uma nova etapa da globalização, que combinará elementos de resiliência com a moderna agenda de eficiência, embora com algum contorno político-regional e, talvez, com escopo menos amplo. O powershoring é a expressão mais visível dessa “neoglobalização”, posto que é uma estratégia de localização de plantas industriais ancorada na resiliência e na eficiência associada à energia verde.

Em razão da sua singular condição para produzir energia limpa e renovável, de já ter uma matriz energética relativamente limpa para padrões mundiais, de estar desenvolvendo ambiciosas carteiras de projetos na área, de já ter ambiciosos planos e projetos de produção de hidrogênio verde (H2V), de liderar a agenda de biocombustíveis e de estar desenvolvendo novos modelos de negócios e novas tecnologias para o setor energético, a região da América Latina e o Caribe (ALC) desponta como um dos grandes potenciais participantes da neoglobalização. Além disso, a ALC tem localização geográfica privilegiada, está distante de temas geopolíticos e tem governantes cada vez mais conscientes da relevância estratégica da agenda ambiental para o desenvolvimento econômico e social.

Neoglobalização poderia ser a ponta de lança da industrialização da região, que poderia ter quatro eixos sinergéticos e complementares: a atração de plantas industriais em razão do powershoring; a atração de novos investimentos em energias renováveis e H2V; sediar a formação de um hub global de produção de equipamentos, serviços e manutenção de energias renováveis e H2V; e a atração de investimentos que miram a agenda de biocombustíveis e novas tecnologias. Portanto, trata-se de um processo de industrialização em que a energia limpa, os investimentos verdes, as vantagens comparativas, o compliance ambiental, o capital estrangeiro, a exportação, a tecnologia e a inovação exerceriam papel determinante, ao tempo em que combina o respeito e a proteção ao meio ambiente com a agenda do desenvolvimento.

Investimentos no âmbito da neoglobalização poderão “arrastar” e dar tração a negócios de muitos setores industriais e de serviços, financeiros e não financeiros, e poderão ser decisivos para a geração de emprego e renda e para o desenvolvimento regional. Para sacar todos esses potenciais benefícios, os governos da região precisarão entender a oportunidade que toca à porta, preparar estratégias adequadas, definir prioridades, trabalhar de maneira muito próxima ao setor privado e colocar em curso uma agenda executiva que viabilize a incorporação dos benefícios o mais rapidamente possível desta que poderá ser a maior e mais potente fonte de transformação das economias da região.

Jorge Arbache é vice-presidente de setor privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e escreve mensalmente neste espaço.

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/uma-breve-historia-do-tempo.ghtml

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Cinco marketplaces detêm quase 80% das vendas online no Brasil; veja quais são

Empresas faturaram juntas, no ano passado, R$ 203,4 bilhões, aponta estudo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo

Por Márcia De Chiara – Estadão – 16/08/2023 

Os cinco maiores shoppings virtuais responderam no ano passado por quase 80% das vendas do comércio online brasileiro. Juntos, Mercado Livre, Americanas, Magazine Luiza, Via e Amazon faturaram R$ 203,4 bilhões. A cifra, que inclui vendas de produtos de estoque do próprio varejista e de terceiros, representou no ano passado 78% do e-commerce nacional.

A informação faz parte do ranking das 300 maiores varejistas em faturamento feito pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). O estudo avaliou a fatia dos marketplaces em relação às vendas totais online apuradas pela consultoria NielsenIQ.

“O peso e a relevância das grandes plataformas explodiram na pandemia e não pararam de crescer, mesmo num ano no qual o e-commerce avançou menos do que o varejo”, afirma Alberto Serrentino, vice-presidente da SBVC e responsável pelo estudo.

Na 9ª edição do levantamento, pela primeira vez o Mercado Livre, o maior marketplace do varejo nacional, informou o volume de vendas. A empresa, de origem argentina, que liderou a lista dos shoppings virtuais, faturou no País R$ 80,5 bilhões no ano passado.

Na sequência, estão Americanas (R$ 44,3 bilhões), Magazine Luiza (R$ 43,3 bilhões), Via (R$ 20,5 bilhões) e Amazon (R$ 14,6 bilhões). Os dados das Americanas são anteriores à crise que atingiu a empresa após a revelação de inconsistências contábeis, em janeiro deste ano.

Eduardo Terra, presidente da SBVC, ressalta que, pela primeira vez, foi estimado quanto a Amazon vendeu no País. A projeção foi feita com base na venda de redes de segmento e perfil similares ou o faturamento divulgado pelas empresas em publicações setoriais.

O estudo também traz o ranking das dez maiores varejistas online, considerando apenas o faturamento obtido com estoque próprio. Essa lista é liderada pelo Magazine Luiza. A varejista de Franca (SP) vendeu no ano passado R$ 27,9 bilhões no varejo online. Na sequência estão Americanas (R$ 18,7 bilhões), Via (R$ 15,2 bilhões), Amazon (R$ 9,4 bilhões) e a Shein (R$ 7 bilhões), esta última também estreante no ranking.

Digitalização acelerada

Serrentino destaca a forte digitalização do varejo brasileiro. Das 300 maiores varejistas, 74% vendem online. Essa fatia sobe para 91%, sem considerar as empresas que não comercializam alimentos. Nos supermercados, esse índice está em 57%. “A pauta online está contaminada para baixo pelo varejo alimentar, porque tem empresa que não vende pela internet”, observa.

Outro ponto de destaque é a diversificação dos canais online. No geral, 39% das varejistas online vendem por meio do WhatsApp. Quando se exclui o comércio de alimentos, esse índice sobe para 57%.

O grande destaque é o setor de materiais de construção, onde o comércio por meio do aplicativo de mensagens é uma realidade para 70% das varejistas desse segmento. “Legado da pandemia foi a multiplicação das vendas digitais não só por meio do e-commerce”, diz Serrentino.

https://www.estadao.com.br/economia/maiores-marketplaces-80-comercio-online/

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