Globo Rural: Agricultores reservam parte das fazendas para uma nova produção: energia solar


Equipamentos instalados em áreas rurais já respondem por 15% da potência gerada no país

Por José Florentino Em Globo Rural — 10/10/2023 

O produtor rural Igor Cândido diz que, como ficou difícil expandir a área agrícola, a energia solar surgiu como um caminho O produtor rural Igor Cândido diz que, como ficou difícil expandir a área agrícola, a energia solar surgiu como um caminho — Foto: Divulgação

No sul goiano, a Agropecuária Vigor investiu R$ 35 milhões em uma produção que ocupa apenas nove hectares. Não se trata de uma cultura de alto valor agregado nem da criação de alguma raça de animal muito cara. A aposta é na geração de energia fotovoltaica, que abastece as fazendas do grupo e ainda ajuda a diversificar a renda da família.

A propriedade é apenas uma das que estão investindo nesse tipo de tecnologia. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), havia cerca de 180 mil sistemas instalados na área rural até julho deste ano. A potência gerada por esses equipamentos cresceu seis vezes em três anos, para 3,36 megawatts, ou quase 15% de toda a energia fotovoltaica produzida no país.

— O valor da terra aumentou muito nos últimos três anos, o que torna difícil expandir a área agrícola, e nos fez buscar outros caminhos que tenham um retorno maior — afirma o produtor rural Igor Cândido.

Igor assumiu o negócio da família ao lado do irmão, Vinicius, em Morrinhos (GO), onde a família vive há 20 anos e produz soja, milho, feijão, tomate e outras culturas, dependendo do momento do ano e dos preços. São cinco mil hectares de área produtiva.

Segundo ele, seria inviável produzir soja em nove hectares isolados, porque a atividade precisa de escala para diluir os investimentos.

— Uma usina de energia solar tem a lógica inversa: área pequena com investimento concentrado. Nosso retorno é muito maior do que o que teríamos com a soja (nessa área).

Foto aérea das granjas do avicultor Flávio de Souza,  no Alto Paraná (PR) — Foto: Divulgação Foto aérea das granjas do avicultor Flávio de Souza, no Alto Paraná (PR) — Foto: Divulgação

O primeiro contato da família Cândido com a energia solar ocorreu sete anos atrás, quando Vinícius, então presidente do Sindicato Rural de Morrinhos, decidiu instalar placas fotovoltaicas para garantir energia para a exposição agropecuária do município.

— Tinha um preço mais elevado, mas ainda compensava, pelo que ouvíamos de relatos — relembra Igor.

Sistema de assinatura

Mas foi ao longo do último um ano e meio que a família investiu para valer na construção de usinas em locais com acesso mais fácil à rede da concessionária. O terreno plano de Morrinhos, que no passado atraiu agricultores para a região, facilita a instalação das placas e outros equipamentos.

Atualmente, toda a energia utilizada na propriedade, desde o pivô de irrigação até a luz das casas dos funcionários, vem das usinas próprias. Juntas, as unidades produzem sete megawatts.

Desse total, as fazendas do grupo consomem aproximadamente um terço. O excedente é vendido para consumidores de Goiás por meio da plataforma Nextron. Criada no fim de 2021, ela conecta produtores de energias renováveis a consumidores, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Além da energia solar, também fornece o insumo a partir de biomassa e hidráulica.

A startup compra energia no atacado e distribui em um modelo de assinatura, como o de serviços de streaming, para consumidores que estejam conectados na mesma rede.

Placas fotovoltaicas na granja do avicultor Flávio de Souza,  no Alto Paraná (PR) — Foto: Divulgação Placas fotovoltaicas na granja do avicultor Flávio de Souza, no Alto Paraná (PR) — Foto: Divulgação

Produzir energia solar não é um bom negócio apenas para grandes produtores, afirma Anderson Oliveira, que fundou a EcoPower, junto com a esposa Náchila, dez anos atrás. A empresa, que presta consultoria em energia solar e comercializa equipamentos, já implementou mais de 40 mil projetos de pequenas usinas fotovoltaicas no país, muitas delas para produtores rurais.

— Quando começamos, uma usina de mil metros ficava em torno de R$ 400 mil, e os clientes recebiam R$ 6 mil ao mês. Eu tenho três alqueires de seringueira, são 75 mil metros quadrados, que me dão R$ 2,5 mil por mês. É menos da metade, com uma área bem maior — compara.

A empresa também está testando um novo modelo de negócios, em que vai arrendar áreas de produtores que não têm recursos suficientes para construir suas usinas. Eles recebem de R$ 700 a R$ 1 mil por mês pela área de mil metros quadrados.

Produtores de várias culturas têm optado pela energia fotovoltaica para reduzir custos, garantir abastecimento em locais onde o fornecimento da concessionária é limitado e diversificar sua renda, segundo a Ecopower. Dentre esses, os produtores de aves se destacam.

A energia elétrica representava 24% dos custos da Granja Sagrada Família, no Alto Paraná (PR), conta o avicultor Flávio de Souza. Ele e o pai, Nelson, investiram R$ 2 milhões na construção de seis usinas, que abastecem 12 aviários. Agora, fizeram um aporte de R$ 650 mil em mais duas usinas, para quatro aviários.

Segundo Souza, a produção de frango tem um ciclo de dois meses. No primeiro, a granja gasta menos energia, porque as aves são pequenas. No segundo, o consumo supera a geração. A família tem um acordo com a concessionária de energia, que abate o excedente de um período na conta do mês em que há déficit.

As usinas em operação já reduziram em 80% a conta de luz, que variava entre R$ 10 mil e R$ 14 mil por mês, diz Souza. Ele projeta que o investimento deve se pagar em menos de três anos.

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