AIE prevê pico da demanda mundial de petróleo até o fim da década

Folha/AFP 14/06/2023

A demanda mundial de petróleo pode alcançar o pico até o fim da atual década, porque a crise energética acelerou a transição para tecnologias menos poluentes, anunciou nesta quarta-feira (14) a AIE (Agência Internacional de Energia).

A AIE prevê em seu relatório anual sobre o mercado de petróleo que o crescimento da demanda de petróleo vai registrar uma desaceleração significativa nos próximos cinco anos.

“A transição para uma economia de energia limpa está acelerando, com um pico na demanda global de petróleo previsto para antes do final desta década, à medida que os veículos elétricos, a eficiência energética e outras tecnologias avançam”, afirmou o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, em um comunicado.

No relatório de 2023, um estudo de mercado para os próximos cinco anos, a AIE projeta que a demanda mundial de petróleo vai continuar aumentando, mas que a expansão “deve desacelerar significativamente até 2028”.

As estimativas apontam o pico da demanda para antes do que era previsto nos relatórios anteriores. No documento “Perspectivas da Energia no Mundo” de 2022, a AIE havia projetado um “avanço da demanda mundial de petróleo, apesar dos preços elevados, com um pico e a estabilização depois de 2035”.

No entanto, a crise energética iniciada durante a recuperação pós-pandemia em 2021, agravada com a Guerra da Ucrânia em 2022, afetou as previsões.

“Os preços elevados da energia e os problemas de segurança do fornecimento evidenciados pela crise energética mundial”, agravada pelo conflito na Ucrânia, aceleram a transição para tecnologias de energia mais limpas”, destacou a AIE, que tem sede em Paris e é uma agência autônoma da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos).

Segundo as novas previsões, a demanda por gasolina vai cair a partir de 2023, e o “uso de petróleo com combustível de transporte deve cair depois de 2026”.

Entre os países da OCDE –grupo de 38 nações, que inclui Estados Unidos, Japão, entre outros–, o cenário pode representar uma redução da demanda de petróleo a partir de 2024.

(AFP)

https://aovivo.folha.uol.com.br/mercado/2023/06/01/6329-dolar-empresas-e-bolsas-acompanhe-ao-vivo-o-mercado.shtml#post430560

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Israel aposta em startups para combater crise climática

Instituto Weizmann de Ciências planeja transferir descobertas para criação rápida de produtos que ajudem o meio ambiente

Reinaldo José Lopes – Folha13.jun.2023 

O principal centro de pesquisa de Israel vai dedicar boa parte de seus esforços, nos próximos dez anos, a desenvolver novas tecnologias que possam ser aplicadas rapidamente para enfrentar a crise climática. A aposta do Instituto Weizmann de Ciências, cujos pesquisadores já conquistaram seis prêmios Nobel até hoje, é transferir suas descobertas para startups que consigam transformá-las em produtos logo em seguida.

Um dos líderes da iniciativa é o biofísico Ron Milo, diretor do recém-criado IES (Instituto de Sustentabilidade Ambiental, na sigla inglesa) do Weizmann.

Em visita recente ao Brasil, Milo disse à Folha que não vê contradição entre a proposta do instituto e a ideia de que tecnologias para enfrentar a emergência do clima e outros problemas ambientais com eficácia já existem, mas não são aplicadas na escala necessária por razões políticas e econômicas.

Pessoas em uma passarela de madeira em cima do oceano ao lado de corais

Corais em Eilat, em Israel; recifes são ameaçados pelas mudanças climáticas – Wang Zhuolun – 1º.jun.2023/Xinhua

“Eu diria que, nessa discussão, nós não deveríamos cair na armadilha de pensar apenas em termos de preto e branco, de escolher uma coisa ou outra. É verdade que temos muitos caminhos para soluções que exigem mais vontade política. Outros necessitam de mudanças comportamentais e outros, por fim, só exigem uma adoção e uma aceitação mais amplas”, pondera ele.

“Mas também é verdade que soluções melhores, a partir de descobertas revolucionárias, vão ajudar no que diz respeito a decisões econômicas e a alinhar os interesses de todos os envolvidos. Então, precisamos das duas coisas.”

O plano é que o IES atue em pesquisa básica e inovação tecnológica em sete frentes: energia renovável, segurança alimentar, materiais verdes, mudança climática global, ambiente e saúde, pesquisa marinha e biodiversidade.

Milo tem um pé em mais de uma dessas canoas, por assim dizer. Ele e seus colaboradores foram responsáveis por demonstrar, por exemplo, que a massa dos materiais produzidos artificialmente pela humanidade ao longo de sua história já superou a massa de todos os seres vivos da Terra (incluindo os seres humanos, suas plantações e seus animais domésticos).

Dois homens e uma mulher posam para retrato em um campo com ovelhas ao fundo

À direita, o biofísico Ron Milo, diretor do recém-criado IES (Instituto de Sustentabilidade Ambiental, na sigla inglesa) do Instituto Weizmann, de Israel; à esquerda, Eyal Krieger, e, ao centro, Lior Greenspoon, também cientistas do Weizmann – Instituto Weizmann de Ciências/Divulgação

Ao mesmo tempo, a equipe liderada por ele tem investigado aspectos fundamentais do metabolismo do carbono nas células vegetais.

Dito desse jeito, não parece muito emocionante, mas a maneira como o organismo das plantas lida com o carbono é a pedra fundamental da fotossíntese —o processo do qual quase todos os seres vivos da Terra dependem, direta ou indiretamente, para obter energia e construir seus corpos.

Compreender melhor a fotossíntese pode ser a chave para criar lavouras mais produtivas e plantas capazes de retirar mais CO2 (gás carbônico ou dióxido de carbono) da atmosfera, minimizando assim o aquecimento global causado pelo gás.

“Uma das coisas que nos intriga é saber quais são os limites da produtividade primária [a capacidade de produzir biomassa pela fotossíntese] das plantas”, conta ele.

“Parece que, pelo que indicam nossas análises e a de outros grupos mundo afora, ainda não atingimos esse limiar. Há vários tipos de esforços sobre a possibilidade de estocar mais carbono nas raízes das plantas conforme elas crescem, por exemplo.”

Outra abordagem é o estudo detalhado da enzima (molécula aceleradora de reações bioquímicas) designada pela sigla Rubisco. “É como se ela fosse uma máquina molecular que está no coração dos processos da fotossíntese que produzem nossa comida, e estamos tentando entender suas propriedades e quão rapidamente ela poderia funcionar.”

Segundo ele, não há razão para restringir esse tipo de abordagem à terra firme. Para Milo, os estudos sobre alimentos de origem microbiana, produzidos a partir de bactérias aquáticas que fazem fotossíntese, também podem ser promissores.

“Algumas estimativas mostram que os recursos necessários em termos de água e outros insumos poderiam ser muito menores do que o que gastamos com lavouras convencionais. Acho que é nossa responsabilidade não deixar de lado esse potencial.”

Aliás, entre as tecnologias contra a crise ambiental que o diretor do IES vê como mais próximas de ganharem escala comercial em breve está a produção de fontes alternativas de proteína com capacidade de alcançar públicos maiores —um ponto-chave, já que a pecuária é uma das grandes fontes de produção de gases-estufa, além de estimular o desmatamento.

“Vai ser uma combinação entre ciência, tecnologia e maneiras de conseguir uma maior aceitação por parte do público”, pondera ele.

Milo também vê avanços importantes nas tecnologias que permitem o armazenamento de energia derivada de fontes renováveis e, o que é igualmente crucial, nas técnicas que permitirão reciclar os componentes de baterias, células de energia e outros aparelhos eletrônicos que serão chave para a transição energética.

Só assim será possível minimizar os impactos ambientais do uso dessas tecnologias inovadoras numa escala muito mais ampla que a atual.

Para o pesquisador do Weizmann, a seriedade da emergência climática atual significa que não se deve descartar totalmente nenhum tipo de abordagem. Isso vale inclusive para a chamada geoengenharia, na qual a ideia seria usar meios tecnológicos para tentar diminuir a temperatura do planeta.

Os riscos dessa estratégia estão ligados a uma alta probabilidade de efeitos não pretendidos, que poderiam alterar, por exemplo, o regime de chuvas em diferentes regiões do globo.

“Infelizmente, no ritmo em que as coisas estão indo, pode ser que fiquemos desesperados para encher soluções. Por isso, creio que é importante fazer pesquisa básica sobre o que esse tipo de abordagem implicaria com muita antecedência. Isso nos ajudaria a compreender claramente tanto os perigos quanto o potencial de algo assim logo, antes que precisemos tomar uma decisão a respeito”, argumenta.

“Decidir que simplesmente não vamos pensar a respeito pode acabar criando um problema ainda maior”, completa.

O projeto Planeta em Transe é apoiado pela Open Society Foundations.

https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2023/06/israel-aposta-em-startups-para-combater-crise-climatica.shtml

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LinkedIn aposta que a moeda do mercado de trabalho vai mudar nos próximos anos; entenda

Rede social vê um futuro em que os empregadores estarão dispostos a olhar além dos requisitos de entrada há muito estabelecidos, como diplomas universitários e cargos anteriores

Por Valor/Bloomberg 09/06/2023

À medida que o mundo do trabalho se transforma, o LinkedIn aposta que a forma como os empregadores contratam e como as pessoas encontram empregos também mudará radicalmente nos próximos anos e décadas.

O LinkedIn Inc. o popular site de redes de emprego, vê um futuro em que os empregadores estarão dispostos a olhar além dos requisitos de entrada há muito estabelecidos, como diplomas universitários e cargos anteriores, para se concentrar nas habilidades comprovadas de um candidato, seja análise de dados, liderança ou narrativa.

Enquanto mais de 80% dos empregadores acreditam que devem contratar com base em habilidades e não em diplomas, mais da metade diz que ainda está contratando graduados porque parece menos arriscado. Isso é de acordo com uma pesquisa realizada no verão passado pelas organizações sem fins lucrativos de desenvolvimento da força de trabalho American Student Assistance e Jobs for the Future.

“A contratação baseada em habilidades é a grande baleia branca, o santo graal do mercado de trabalho”, disse Joseph Fuller, professor de administração da Harvard Business School.

Desde que emergiu do estouro das pontocom, o LinkedIn já ajudou a mover a agulha sobre o que é comportamento aceitável no mercado de trabalho. Não é mais considerado desleal, por exemplo, que um funcionário crie um perfil que permita que os recrutadores procurem – e contratem – pessoas talentosas que não estão procurando ativamente por outro emprego.

“Vinte anos atrás, ou você estava procurando trabalho ativamente ou não estava procurando trabalho”, disse Dan Shapero, diretor de operações do LinkedIn.

O site, que completou 20 anos em maio, acumulou mais de 930 milhões de membros em todo o mundo, tornando-se um lugar onde CEOs e funcionários celebram marcos, queixas e constroem redes – alterando a forma como algumas pessoas e empresas procuram empregos e candidatos a empregos. No ano passado, a plataforma respondeu por cerca de 6% da receita de quase US$ 200 bilhões da controladora Microsoft Corp., uma parte pequena, mas crescente, das vendas.

O LinkedIn lançou um recurso de correspondência de habilidades em fevereiro, permitindo que os usuários vejam como as habilidades exigidas por um trabalho podem se alinhar com seus próprios pontos fortes. Exigidas por um trabalho podem se alinhar com seus próprios pontos fortes. Existem alguns sinais iniciais positivos: mais de 45% dos recrutadores no LinkedIn agora procuram candidatos usando dados de habilidades, de acordo com a empresa. Enquanto isso, o LinkedIn está incorporando inteligência artificial à plataforma, com o objetivo de tornar a correspondência entre candidatos a emprego e empregadores mais eficiente.

A contratação de habilidades em primeiro lugar como um ideal tem uma longa história. É considerada uma forma de expandir as oportunidades econômicas, especialmente para aqueles sem diploma universitário. Mas até agora não houve muito progresso em larga escala nessa direção.

“Skills tem sido uma conversa que vem acontecendo há anos, há décadas”, disse Aneesh Raman, vice-presidente do LinkedIn. “Naquelas conversas, muitas vezes eram as mesmas pessoas: formuladores de políticas, acadêmicos, organizações sem fins lucrativos. Nessas conversas, quase todas, faltavam os patrões.”

O mercado de trabalho extremamente apertado dos últimos dois anos, no entanto, forçou as empresas a ampliar sua busca. Os empregadores agora finalmente entraram na sala, disse ele. Quando se trata de contratação baseada em habilidades, Raman disse: “Os empregadores não estão mais perguntando: ‘O que é isso?’ Eles estão perguntando: ‘Como faço isso?’”

O LinkedIn espera fornecer a resposta, mas não será fácil.

Para começar, uma coisa é dizer que você tem uma habilidade específica e outra é provar isso. “Fora de certos setores, como construção e comércio, não temos licenças que forneçam uma representação de uma habilidade adquirida com a qual os empregadores possam contar”, disse Fuller, de Harvard, que escreveu um artigo intitulado “A contratação baseada em habilidades está em ascensão” na Harvard Business Review no ano passado. Também não há um idioma compartilhado ou um sistema de classificação padrão para habilidades e isso pode causar incompatibilidades entre as formas como as diferentes habilidades são descritas em postagens de trabalho e currículos.

Embora habilidades técnicas como codificação sejam relativamente fáceis de testar, “habilidades interpessoais”, como comunicação ou trabalho em equipe, podem ser especialmente difíceis de validar. Por exemplo, você diz que é um bom ouvinte, mas é mesmo? Essa é uma das razões pelas quais os empregadores se apoiaram fortemente em diplomas universitários como substitutos, embora imperfeitos, para todos os tipos de competências sociais. Algum progresso foi feito, disse Fuller, usando entrevistas estruturadas e avaliações de psicologia comportamental, mas a capacidade das empresas nessa frente ainda é limitada.

O curinga do LinkedIn pode ser sua capacidade de aproveitar o progresso da IA da Microsoft. Isso pode ajudar o site a encontrar candidatos frequentemente negligenciados, como aqueles que não têm um diploma de quatro anos ou têm uma condenação criminal, e combiná-los com sucesso com os empregadores, disse Fuller. “Talvez o deus ex machina aqui seja IA.”

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2023/06/09/linkedin-aposta-que-a-moeda-do-mercado-de-trabalho-vai-mudar-nos-proximos-anos-entenda.ghtml#

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Dezessete mortes e 736 acidentes: o saldo chocante do piloto automático da Tesla

Sistema de assistência ao motorista da empresa esteve envolvido em muito mais acidentes do que o relatado anteriormente

Por Faiz Siddiqui e Jeremy B. Merrill – Estadão/The Washington Post 10/06/2023 

THE WASHINGTON POST – O ônibus escolar exibia o sinal de pare e piscava luzes vermelhas de advertência quando Tillman Mitchell, de 17 anos, desceu do veículo em uma tarde de março. Em seguida, um Tesla Model Y se aproximou na North Carolina Highway 561. O carro — supostamente no modo piloto automático — não reduziu a velocidade.

Mitchell foi atingido a 70 km/h, segundo o relatório da polícia. O adolescente foi arremessado contra o para-brisa, voou no ar e caiu de cara na estrada, segundo sua tia-avó, Dorothy Lynch. O pai de Mitchell ouviu o acidente e saiu correndo da varanda para encontrar seu filho caído no meio da estrada.

“Se fosse uma criança menor”, disse Lynch, “estaria morta”.

O acidente no condado de Halifax, na Carolina do Norte, onde a tecnologia futurística desceu por uma rodovia rural com consequências devastadoras, foi um dos 736 acidentes nos Estados Unidos desde 2019 envolvendo Teslas no modo piloto automático. Os números são de uma análise do Washington Post com base nos dados da Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário.

Esses acidentes aumentaram nos últimos quatro anos, refletindo os perigos associados ao uso cada vez mais generalizado da tecnologia futurista de assistência ao motorista da Tesla, bem como a presença crescente dos carros nas estradas do país.

O número de mortes e ferimentos graves associados ao piloto automático também cresceu significativamente. Quando as autoridades divulgaram, pela primeira vez, um relato parcial de acidentes envolvendo o piloto automático em junho de 2022, contaram apenas três mortes definitivamente ligadas à tecnologia. Os dados mais recentes incluem pelo menos 17 acidentes com morte, 11 deles desde maio, e cinco feridos graves.

Mitchell sobreviveu, mas sofreu uma fratura no pescoço, ficou com uma perna quebrada e teve que ser colocado em um ventilador. Ele ainda sofre de problemas de memória e tem dificuldade para andar. Sua tia-avó disse que o caso deveria servir de alerta sobre os perigos da tecnologia.

“Rezo para que este seja um processo de aprendizado”, disse Lynch. “As pessoas confiam demais quando se trata de uma peça de maquinário.”

O CEO da Tesla, Elon Musk, disse que os carros que operam no modo piloto automático são mais seguros do que aqueles pilotados apenas por motoristas humanos, citando taxas de acidentes quando os modos de direção são comparados.

Ele pressionou a montadora a desenvolver e implantar recursos programados para manobrar nas estradas — navegar em ônibus escolares parados, carros de bombeiros, sinais de parada e pedestres — argumentando que a tecnologia dará início a um futuro mais seguro e virtualmente livre de acidentes.

Embora seja impossível dizer quantos acidentes podem ter sido evitados, os dados mostram falhas claras na tecnologia que está sendo testada em tempo real nas rodovias americanas.

Os 17 acidentes fatais de Tesla revelam padrões distintos, descobriu o Post: quatro envolveram uma motocicleta. Outro envolveu um veículo de emergência.

Enquanto isso, algumas das decisões de Musk — como expandir amplamente a disponibilidade dos recursos e remover os sensores de radar dos veículos — parecem ter contribuído para o aumento relatado de casos, de acordo com especialistas que conversaram com o jornal.

Tesla e Elon Musk não responderam a um pedido de comentário.

A NHTSA (sigla em inglês para Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário) disse que um relatório de um acidente envolvendo assistência ao motorista não implica que a tecnologia tenha sido a causa.

“A NHTSA tem uma investigação ativa sobre o piloto automático da Tesla, incluindo a direção totalmente autônoma”, disse a porta-voz Veronica Morales, observando que a agência não comenta investigações em aberto.

“A NHTSA lembra ao público que todos os sistemas avançados de assistência ao motorista exigem que o motorista humano esteja no controle e totalmente envolvido na tarefa de dirigir o tempo todo. Consequentemente, todas as leis estaduais responsabilizam o motorista humano pela operação de seus veículos”, afirma o órgão.

Musk defendeu repetidamente sua decisão de levar tecnologias de assistência ao motorista aos proprietários da Tesla, argumentando que o benefício supera o dano.

“Na medida em que você acredita que adicionar autonomia reduz lesões e mortes, acho que você tem uma obrigação moral de implantá-la, mesmo que seja processado e culpado por muitas pessoas”, disse ele no ano passado. “Porque as pessoas cujas vidas você salvou não sabem que suas vidas foram salvas. E as pessoas que ocasionalmente morrem ou se machucam, elas definitivamente sabem.”

A ex-consultora sênior de segurança da NHTSA, Missy Cummings, professora da Faculdade de Engenharia e Computação da Universidade George Mason, disse que o aumento de acidentes com Tesla é preocupante.

“A Tesla está tendo acidentes mais graves — e fatais — do que as pessoas em um conjunto de dados normal”, disse ela em resposta aos números analisados pelo Post. Uma causa provável, afirma, é o lançamento ampliado ao longo do último ano e meio da função full self-driving, que traz assistência ao motorista para cidades e ruas residenciais. “É razoável esperar que isso esteja levando ao aumento das taxas de acidentes com o fato de que qualquer pessoa pode ter acesso à função? Claro, com certeza”, afirma.

Cummings disse que o número de mortes em comparação com os acidentes, em geral, também é uma preocupação.

Não está claro se os dados capturam todos os acidentes envolvendo os sistemas de assistência ao motorista da Tesla. Os dados da NHTSA incluem alguns incidentes em que não se sabe se o piloto automático ou a direção totalmente autônoma estava em uso. Isso inclui três mortes, incluindo uma no ano passado.

A NHTSA, principal reguladora de segurança automotiva do país, começou a coletar os dados depois que uma ordem federal em 2021 exigiu que as montadoras divulgassem acidentes envolvendo tecnologia de assistência ao motorista. O número total de acidentes envolvendo a tecnologia é minúsculo em comparação com todos os incidentes rodoviários (a NHTSA estima que mais de 40 mil pessoas morreram em naufrágios de todos os tipos no ano passado).

Desde que os requisitos dos relatórios foram introduzidos, a grande maioria das “falhas 807″, relacionadas à automação, envolveu a Tesla, mostram os dados. A empresa, que experimentou a automação de forma mais agressiva do que outras montadoras, também está ligada a quase todas as mortes.

A Subaru ocupa o segundo lugar com 23 acidentes relatados desde 2019. O enorme abismo provavelmente reflete uma implantação e uso mais amplos de automação na frota de veículos da Tesla, bem como a ampla gama de circunstâncias em que os motoristas da Tesla são incentivados a usar o piloto automático.

O piloto automático, que a Tesla introduziu em 2014, é um conjunto de recursos que permitem que o carro se mova da rampa de entrada para a de saída da rodovia, mantendo a velocidade e a distância atrás de outros veículos e seguindo as linhas da pista. A companhia o oferece como um recurso padrão em seus veículos, dos quais mais de 800 mil estão equipados com piloto automático nas estradas dos EUA.

O full self-driving, um recurso experimental que os clientes devem adquirir, permite que os Teslas manobrem do ponto A ao B seguindo as instruções passo a passo ao longo de uma rota, parando para sinais de parada e semáforos, fazendo curvas e mudanças de faixa e respondendo aos perigos ao longo do caminho. Com qualquer um dos sistemas, a Tesla diz que os motoristas devem monitorar a estrada e intervir quando necessário.

O aumento nas colisões coincide com o lançamento agressivo do full self-driving, que se expandiu de cerca de 12 mil usuários para quase 400 mil em pouco mais de um ano. Quase dois terços de todas as falhas de assistência ao motorista que a Tesla relatou à NHTSA ocorreram no ano passado.

Philip Koopman, professor da Carnegie Mellon University que conduziu pesquisas sobre segurança de veículos autônomos por 25 anos, disse que a prevalência de Teslas nos dados levanta questões cruciais.

“Um número significativamente maior certamente é motivo de preocupação”, disse ele. “Precisamos entender se é devido a acidentes realmente piores ou se há algum outro fator, como um número dramaticamente maior de milhas percorridas com o piloto automático ativado.”

Em fevereiro, a Tesla emitiu um recall de mais de 360 mil veículos equipados com full self-driving devido a preocupações de que o software levasse seus veículos a desobedecer semáforos, sinais de parada e limites de velocidade.

O descumprimento das leis de trânsito, segundo documentos publicados pela agência de segurança, “pode aumentar o risco de colisão se o motorista não intervir”. A Tesla disse que corrigiu os problemas com uma atualização de software sem fio, abordando remotamente o risco.

Enquanto a Tesla aprimorava constantemente seu software de assistência ao motorista, ela também tomou a medida sem precedentes de eliminar seus sensores de radar de carros novos e desativá-los de veículos já na estrada — privando-os de um sensor crítico enquanto Musk impulsionou um conjunto de hardware mais simples em meio à falta global de chips de computador. “Somente radares de alta resolução são relevantes”, disse Musk no ano passado.

Recentemente, a empresa tomou medidas para reintroduzir sensores de radar, de acordo com registros do governo relatados pela primeira vez pela Electrek.

Em uma apresentação em março, a Tesla alegou que a condução autônoma total trava a uma taxa pelo menos cinco vezes menor do que os veículos em direção normal, em uma comparação de quilômetros percorridos por colisão. Essa afirmação e a caracterização de Musk do piloto automático como “inequivocamente mais seguro” são impossíveis de testar sem acesso aos dados detalhados que a Tesla possui.

O piloto automático, em grande parte um sistema rodoviário, opera em um ambiente menos complexo do que a variedade de situações vivenciadas por um usuário típico da estrada.

Não está claro qual dos sistemas estava em uso nos acidentes fatais: a Tesla pediu à NHTSA que não divulgasse essa informação. Na seção dos dados da NHTSA especificando a versão do software, os incidentes da Tesla são lidos, em letras maiúsculas: “pode conter informações comerciais confidenciais”.

Tanto o piloto automático quanto a direção totalmente autônoma estão sob escrutínio nos últimos anos. O secretário de transporte Pete Buttigieg disse à Associated Press no mês passado que o piloto automático não é um nome apropriado “quando as letras miúdas dizem que você precisa ter as mãos no volante e os olhos na estrada o tempo todo”.

A NHTSA abriu várias investigações sobre as falhas da Tesla e outros problemas com seu software de assistência ao motorista. Um deles se concentrou na “frenagem fantasma”, um fenômeno no qual os veículos desaceleram abruptamente devido a perigos imaginários.

Em um caso no ano passado, detalhado pelo The Intercept, um Tesla Model S supostamente usando assistência ao motorista freou repentinamente no trânsito na ponte São Francisco-Baía de Oakland, resultando em um engavetamento de oito veículos que deixou nove pessoas feridas, incluindo uma criança de 2 anos.

Em outras reclamações apresentadas à NHTSA, os proprietários dizem que os carros pisaram no freio ao encontrar caminhões nas pistas que se aproximavam.

Muitas falhas envolvem configurações e condições semelhantes. A NHTSA recebeu mais de uma dúzia de relatórios de Teslas batendo em veículos de emergência estacionados enquanto estavam no piloto automático. No ano passado, a NHTSA atualizou sua investigação desses incidentes para uma “análise de engenharia”.

Também no ano passado, a NHTSA abriu duas investigações especiais consecutivas sobre acidentes fatais envolvendo veículos e motociclistas da Tesla. Um deles ocorreu em Utah, quando um motociclista em uma Harley-Davidson viajava em uma pista na Interestadual 15, fora de Salt Lake City, pouco depois da 1h, quando foi atingida por trás por um Tesla no piloto automático, segundo as autoridades.

“O motorista do Tesla não viu o motociclista e colidiu com a traseira da motocicleta, que jogou o motociclista para fora da moto”, disse o Departamento de Segurança Pública de Utah. O motociclista morreu no local, disseram as autoridades.

“É muito perigoso para as motocicletas estar perto de Teslas”, disse Cummings.

Das centenas de acidentes de assistência ao motorista da Tesla, a NHTSA concentrou-se em cerca de 40 incidentes para uma análise mais aprofundada, na esperança de obter uma visão mais profunda de como a tecnologia opera. Entre eles estava o acidente na Carolina do Norte envolvendo Mitchell, o aluno que desembarcava do ônibus escolar.

Depois disso, Mitchell acordou no hospital sem se lembrar do que aconteceu. Ele ainda não entendeu a seriedade disso, disse sua tia. Seus problemas de memória o estão atrapalhando enquanto ele tenta voltar à escola. A agência local WRAL informou que o impacto do acidente quebrou o para-brisa do Tesla.

O motorista do Tesla, Howard G. Yee, foi acusado de vários delitos no acidente, incluindo direção imprudente, ultrapassar um ônibus escolar parado e bater em uma pessoa, um crime de classe I, segundo o sargento da Patrulha Rodoviária Estadual da Carolina do Norte, Marcus Bethea.

As autoridades disseram que Yee prendeu pesos no volante para induzir o piloto automático a registrar a presença das mãos do motorista: o piloto automático desativa as funções se a pressão na direção não for aplicada após um longo período. Yee não respondeu a um pedido de comentário.

A NHTSA continua investigando o acidente e uma porta-voz da agência se recusou a oferecer mais detalhes, citando a investigação em andamento. A Tesla pediu à agência que excluísse o resumo da empresa sobre o incidente, dizendo que “pode conter informações comerciais confidenciais”.

Lynch disse que sua família mantém Yee em seus pensamentos e considera suas ações como um erro motivado pela confiança excessiva na tecnologia, o que os especialistas chamam de “complacência de automação”.

“Não queremos que a vida dele seja arruinada por causa desse estúpido acidente”, disse ela.

Mas quando questionado sobre Musk, Lynch teve palavras mais duras: “Acho que eles precisam proibir a direção automatizada”, disse. “Acho que deveria ser proibido.

https://www.estadao.com.br/economia/acidentes-saldo-piloto-automatico-tesla/

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O que médico britânico aprendeu em posto de saúde de Pernambuco e levou para Londres

O pesquisador e clínico geral Matthew Harris passou quatro anos num posto de saúde de uma cidade pernambucana. Ao voltar para casa, resolveu replicar a Estratégia Saúde da Família no sistema público britânico.

Folha/BBC News Brasil – 8.jun.2023 

O médico inglês Matthew Harris hoje trabalha, em Londres, em um projeto inspirado no que aprendeu com o SUS (Sistema Único de Saúde) brasileiro há mais de 20 anos.

Um ano depois de se formar em medicina no Reino Unido, ele se mudou para Pernambuco em 1999 e, após passar pelas provas para revalidar o diploma no país, começou a atuar como clínico geral de uma unidade de saúde no município de Camaragibe, na região metropolitana de Recife.

Harris permaneceu na clínica por quatro anos. À época, ele não tinha ideia de que a experiência mudaria a carreira –e até provocaria transformações no Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) do Reino Unido duas décadas depois.

O médico Matthew Harris passou quatro anos trabalhando em Camaragibe (PE) – Giovanni Bello/BBC News Brasil

Atualmente, ele é pesquisador da Escola de Saúde Pública do Imperial College de Londres e lidera um projeto que pretende implementar os agentes comunitários de saúde, algo que existe no SUS há décadas, em território britânico.

O médico não faz cerimônia para dizer que essa iniciativa é 100% inspirada na Estratégia Saúde da Família (ESF), um programa criado pelo Ministério da Saúde do Brasil nos anos 1990 que segue ativo até hoje – e traz resultados muito celebrados por especialistas da área.

Harris recebeu a equipe da BBC News Brasil numa sala do Departamento de Atenção Primária e Saúde Pública da universidade, localizada no oeste da capital da Inglaterra, para compartilhar um pouco de sua história profissional e da iniciativa britânica inspirada no SUS.

Os primeiros passos

O clínico geral conta que as condições de Camaragibe não eram as melhores lá em 1999. “Eu trabalhava numa área rural com cerca de 5.000 residentes”, contextualiza.

Harris classifica as primeiras experiências práticas que teve na Medicina como “desafiadoras”.

“Eu acabara de sair da universidade, não possuía confiança absoluta para falar português e tinha que fazer meu trabalho numa comunidade muito pobre do Nordeste brasileiro”, lembra ele.

“A clínica possuía apenas alguns poucos medicamentos enviados pela prefeitura. Era uma situação muito diferente da que estava acostumado no Reino Unido.”

Apesar de todas as dificuldades, Harris rapidamente percebeu algo primordial. “Apesar de todos os desafios e da falta de recursos, ainda assim podemos fazer coisas extraordinárias na atenção básica de saúde”, diz.

E, na visão dele, quem faz o elo dessa cadeia da saúde pública brasileira é um profissional chamado agente comunitário.

Esses indivíduos representam a pedra fundamental da ESF (Estratégia Saúde da Família). Criado nos anos 1990, o programa se baseia na premissa de os tais agentes visitarem a casa das pessoas de uma determinada região, de um bairro ou de uma cidade.

O objetivo é entender e acompanhar os principais problemas de saúde que afligem aqueles indivíduos –e, claro, levar essas informações para os enfermeiros, auxiliares de enfermagem, médicos da família e clínicos gerais que estão na Unidade Básica de Saúde responsável por aquela localidade.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que o país conta atualmente com 49.172 equipes de Saúde da Família, que são responsáveis por atender 167 milhões de cidadãos cadastrados (ou 79% da população total) nos serviços de atenção primária, que são considerados pelo governo como “a porta de entrada para o SUS”.

“Quando cheguei, não tinha a mínima noção de como o sistema de saúde pública do Brasil estava baseado nesses agentes comunitários”, confessa Harris.

O médico inglês notou aos poucos como as informações obtidas por esses profissionais eram úteis no dia a dia. “Eles conhecem e compreendem o local onde atuam profundamente, nos mínimos detalhes”, chama a atenção.

“Os agentes comunitários são os primeiros a saber sobre qualquer mudança que acontece. E essas informações são usadas de forma inteligente, antes que os problemas se tornem grandes demais”, complementa.

Os agentes comunitários passam por cursos técnicos de formação organizados por prefeituras e outros órgãos em que aprendem sobre promoção de saúde e prevenção de doenças.

Eles vão usar essas informações durante as entrevistas e conversas feitas nas visitas domiciliares. Se possuírem formação e tiverem a supervisão de um enfermeiro ou médico, eles também podem realizar exames simples, como medir a temperatura corporal, a glicemia e a pressão arterial das pessoas, ou averiguar se tratamentos medicamentosos contra doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, estão sendo tomados.

Vidas salvas pela informação

Questionado pela BBC News Brasil sobre episódios específicos que marcaram sua carreira, Harris lembra da história de um menino de 11 anos que foi parar no pronto-socorro.

“Ele se queixava de dor de cabeça há vários dias. Infelizmente, o serviço de emergência só podia oferecer paracetamol e ‘torcer’ para que ele melhorasse”, relata.

Mas o trabalho de um agente comunitário mudou essa história. “Durante uma visita de rotina, o profissional notou que o menino continuava mal e nos alertou. Os olhos incharam e ele parecia cada vez pior”, conta.

Quando o garoto foi trazido para uma consulta, Harris notou duas coisas: a pressão arterial estava alterada e a criança apresentava um ferimento no pé.

“Ao juntar todas essas peças, pude fazer o diagnóstico de glomerulonefrite pós-estreptocócica”, completa Harris.

Essa doença de nome esquisito é uma complicação que acomete os rins de pacientes que tiveram uma infecção pela bactéria Streptococcus.

No caso desse episódio em Pernambuco, o médico suspeitou da condição ao somar as pistas do corte no pé (um indício de infecção bacteriana) com a pressão baixa e a dor de cabeça (que sugerem algo de errado nos rins).

“Se ele não fosse diagnosticado a tempo, provavelmente teria falência renal e acabaria morrendo”, diz Harris. “Mas a detecção rápida a partir do trabalho do agente comunitário literalmente salvou a vida daquele garoto.”

De volta à casa

Após quatro anos em terras pernambucanas, Harris retornou ao Reino Unido em 2003 com pelo menos uma certeza na bagagem: era necessário replicar a ESF no serviço de saúde pública britânico.

E uma tarefa dessa magnitude carrega uma série de simbolismos e significados.

Um dos principais deles é o fato de a criação do SUS no Brasil lá no final dos anos 1980 ter sido inspirada no NHS do Reino Unido –e, agora, esses papéis se inverterem.

“Mesmo antes de voltar, eu já sabia imediatamente que aprendera algo com os brasileiros e precisava compartilhar isso. Eu necessitava dividir e abrir os olhos dos especialistas sobre os agentes comunitários”, pontua.

“Todos precisam conhecer o modelo de sucesso do Brasil”, recomenda o pesquisador.

Mas a missão mostrou-se mais árdua do que ele imaginava.

“Infelizmente, levei entre 10 e 15 anos para explicar a importância de um sistema como o ESF porque as pessoas daqui não estão acostumadas com a realidade brasileira e têm representações erradas sobre o país”, lamenta ele.

“Mas a verdade é que as realidades de Brasil e Reino Unido estão mais próximas do que se imagina. Há mais coisas que nos unem do que elementos que nos separam”, acredita o médico.

“É claro que não temos aqui doenças como leptospirose, esquistossomose e dengue. Mas também sofremos com diabetes, tuberculose, hipertensão, depressão, asma, diarreia…”, compara.

Harris avalia que um dos fatores que ajudou a acelerar processos e permitiu a instalação de uma ESF britânica preliminar foi a pandemia de Covid-19.

“Nós argumentamos que precisávamos de um sistema de agentes comunitários de saúde como o do Brasil para acompanhar as pessoas de perto”, destaca.

E assim a iniciativa ganhou vida: o projeto-piloto começou em Churchill Gardens Estate, um conjunto habitacional em Westminster, no centro de Londres.

Os primeiros resultados

Segundo Harris, a ideia inicial era checar se as pessoas estariam dispostas a abrir as portas de suas casas para conversar com os agentes de saúde.

“E logo nos seis primeiros meses nós percebemos que isso não apenas era possível, como também os moradores aceitavam muito bem a abordagem”, informa.

O médico calcula que, no primeiro ano e meio do projeto, cerca de 70% das moradias do bairro receberam ao menos uma visita dos profissionais da saúde.

“Os agentes conseguem estabelecer uma relação com as pessoas e entender realmente quais são as necessidades dela. O ponto importante é que eles próprios moram ali, então se veem como parte daquela comunidade”, destaca.

Harris diz que a equipe fez alguns estudos para medir os resultados práticos da experiência.

“Quando comparamos os lares que receberam as visitas com aqueles que não fazem parte do projeto-piloto, percebemos que o primeiro grupo participou mais de campanhas de vacinação e fez exames de rotina com maior frequência”, conta.

“Claro, não podemos provar que essa mudança está totalmente relacionada aos agentes de saúde. Mas é no mínimo sugestivo que isso tenha ocorrido a partir do início de trabalho desses profissionais”, complementa.

De acordo com o especialista, os funcionários do programa são capacitados para identificar e até resolver os principais problemas de saúde que estão acometendo cada família.

A partir disso, os indivíduos se veem mais livres e empoderados para cuidar de outros aspectos importantes, mas que estavam negligenciados, como atualizar a carteirinha de vacinação ou fazer os exames que detectam um câncer em estágio precoce.

Aliás, o treinamento oferecido aos agentes comunitários britânicos foi basicamente o mesmo dado aos profissionais brasileiros.

Mas Harris acredita que os efeitos práticos de um projeto como o ESF vão além do aumento na taxa de imunizações ou de checkups.

“Em Churchill Gardens Estate, por exemplo, nós observamos que as pessoas moravam nas mesmas casas há muitos anos, mas não conheciam os vizinhos e nem se falavam. Porém, com as visitas dos agentes comunitários de porta em porta, houve uma mudança de atmosfera. Os moradores passaram a conversar mais e a marcar programas em conjunto, como um café”, acrescenta.

O médico entende que a estratégia criou uma espécie de “coesão social” – algo muito parecido ao que ocorreu no próprio Brasil nas regiões atendidas há décadas pelo ESF.

O projeto-piloto já foi expandido para outras áreas de Londres e deve começar a ser aplicado em bairros de locais como Yorkshire e Liverpool.

Baixo custo, alto valor

Harris aponta que os países mais desenvolvidos, como o próprio Reino Unido, não prestam muita atenção ao que é feito em nações em desenvolvimento.

“Nossa tendência é acompanhar de perto o que acontece em lugares como Estados Unidos, Alemanha, Austrália ou Nova Zelândia e praticamente ignorar as políticas dos países da América Latina, da África e do Sudeste Asiático. Mas não há nenhuma boa razão para que isso seja assim”, protesta.

Para ele, o trabalho dos agentes comunitários de saúde é um exemplo desse cenário.

“A ESF do Brasil é um programa altamente custo-efetivo e ajuda a resolver os problemas mais comuns ao acompanhar as famílias de uma forma holística no lugar mais importante de todos: a casa delas”, afirma Harris.

O especialista calcula que cerca de 40% das necessidades de saúde das pessoas podem ser atendidas pelos agentes comunitários durante as conversas e as visitas domiciliares.

“Eles podem falar das vacinas, ficar atentos a sintomas de doenças crônicas [como hipertensão e diabetes], lidar com feridas, sugerir a realização de exames de rotina ou simplesmente checar se a pessoa está tomando os remédios corretamente”, exemplifica.

Por fim, o pesquisador do Imperial College destaca como, em determinadas situações, soluções simples e baratas em saúde podem trazer resultados extraordinários.

“É claro que temos espaço para tecnologias sofisticadas, que expandem as fronteiras da Medicina”, opina.

“Mas algumas vezes eu sinto que vamos além do necessário e nos esquecemos que as intervenções mais básicas podem fazer toda a diferença”, conclui ele.

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2023/06/o-que-medico-britanico-aprendeu-em-posto-de-saude-de-pernambuco-e-levou-para-londres.shtml

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Apple reinventa o computador de novo com seus óculos de realidade virtual

Vision Pro indica que computador do futuro estará onde pousa o olhar.

Pedro Doria – Estadão -08/06/2023

O Apple Vision Pro, óculos de realidade mista que o CEO Tim Cook anunciou na segunda-feira, 5, a uma plateia na sede da empresa, não é novo. A Microsoft tem já há vários anos seu HoloLens, a Meta também já cumpriu alguns ciclos com os Oculus Quest. É mais um. Só que não. O novo aparelho da Apple é algo completamente distinto do que oferece a concorrência. Ele reinventa radicalmente como usamos, como pensamos computador. Ele mostra que, mais de dez anos após sua morte, o espírito de Steve Jobs segue presente na companhia de Cupertino.

Porque é isto que a Apple faz. A Xerox já tinha computadores com ícones e mouse — eram um fracasso comercial. Jobs visitou os laboratórios da empresa, reempacotou tudo no Macintosh, lançado em 1984. Era caro, mas foi um sucesso imediato. Poucos anos depois, ninguém mais usava computadores escrevendo códigos na tela. Já existiam players de música digital — mas quando o iPod saiu, todo mundo entendeu que queria um. Explodiram. Nokias e Blackberries já se insinuavam como celulares capazes de usar a internet, mas foi o iPhone que mostrou como é um smartphone — reinventando o computador como um aparelho de mão.

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O método Apple é este. Na empresa, não inventam nada novo. Fazem algo bastante mais difícil: dão sentido ao que ainda é novo. A Microsoft sugeriu que seu HoloLens poderia servir para videogames. Terminou encontrando mercado em técnicos que consertam maquinário delicado em grandes plataformas de petróleo e estruturas do tipo. É útil ter informação sobre o que estão fazendo na tela enquanto as duas mãos seguem ocupadas. Na Meta, Mark Zuckerberg ainda tenta convencer alguém a entrar no metaverso. Fora dos departamentos de marketing endinheirados, ninguém comprou a ideia.

Os óculos da Apple têm ambições muito mais simples e, ao mesmo tempo, transformadoras. Filmar as crianças em 3D e depois assistir num ambiente de realidade virtual a cena que capturamos. Poder trabalhar com a tela do tamanho que quisermos, não importa onde. Uma tela pequena e central para bater textos, uma ampla e detalhada para editar imagens. Bote os óculos e crie à sua frente, na sala mesmo, a tela que deseja. E, claro, cinema. Cinema de verdade em casa, cinema imersivo, o Cinemascope de volta, abraçando a gente para rever Lawrence da Arábia ou 2001 ou até mesmo Avatar. Deslumbres visuais.

A Apple batizou sua nova ideia de “computação espacial”. Termos como realidade virtual ou aumentada são pouco práticos. A capacidade de usar o espaço em que estamos para que toda a área possa ser tela, em que mexemos os dedos no ar qual maestros enquanto manipulamos objetos digitais, tudo faz sentido. Após o computador se tornar portátil, daí ir para a palma da mão, o caminho natural estava dado. O computador estará onde pousa o olhar.

Os óculos podem ser, tecnicamente, a mesma tecnologia que os de Microsoft e Meta. Mas a Apple entendeu para que servem.

https://www.estadao.com.br/link/pedro-doria/apple-reinventa-o-computador-de-novo-com-seus-oculos-de-realidade-virtual/

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Custo Brasil chega a R$ 1,7 trilhão, diz novo estudo do MBC e MDIC

De acordo com o levantamento, os entraves para a produção no país chegam a 19,5% do PIB

Luciano Pádua – Exame – 17 de maio de 2023 .

Burocracia, infraestrutura deficiente, dificuldade de pagar impostos, falta de pessoal qualificado… Somadas, essas ineficiências custam anualmente R$ 1,7 trilhão ao país. É o Custo Brasil, medido pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Os números serão apresentados nesta quarta-feira, 17, no Fórum da Competitividade, do MBC, que conta com a parceria de mídia da EXAME.

A cifra se aproxima de um quinto do PIB nacional – 19,5% – e mostra que a economia brasileira precisa trabalhar em questões crônicas para facilitar o ambiente de negócios e criar um ciclo virtuoso de mais oportunidades, empregos e renda.

A mandala, criada pelo MBC em 2020, busca medir os impactos da burocracia em 12 dimensões, que representam o ciclo de vida de uma empresa. Os pesquisadores pegam o desempenho da média dos países da OCDE nesses tópicos e comparam os resultados com o Brasil. A diferença negativa compõe o Custo Brasil.

Decompondo a mandala, chamam a atenção três dimensões que, somadas, correspondem a mais da metade do Custo Brasil:

  • Empregar capital humano
  • Honrar tributos
  • Dispor da infraestrutura

Rogério Caiuby, conselheiro executivo do MBC, diz que o dado deste ano é ambíguo: houve aumento de R$ 200 bilhões no Custo Brasil, e ao mesmo tempo a proporção desse custo na relação com o PIB brasileiro caiu de 22% para 19,5%.

“Custo Brasil são todos aqueles fatores que tiram a competitividade de uma empresa”, afirma Caiuby. “Quando tenho uma logística ruim para transportar meu produto, gasto mais dinheiro do que precisaria. Quando tenho dificuldade de honrar meus tributos tenho que ter uma estrutura administrativa que não adiciona valor ao produto.”

Andando de lado

De mais a mais, ele avalia que o país “andou de lado”. Um destaque positivo no comparativo com 2020 foi o aumento de acesso à banda larga. “Avançamos bem. Não estamos no mesmo patamar da OCDE, mas reduzimos em 30% o gap”, afirma o conselheiro-executivo do MBC.

Por outro lado, o Brasil, embora tenha avançado, teve queda nas métricas de custo logístico na comparação com a OCDE. “A beleza do estudo é que não compara a gente conosco, mas com nossos concorrentes”, diz Cauiby. “O Plano Nacional de Logística está bem estruturado, faz reequilíbrio da matriz logística. O que precisamos é tirar do papel.”

Segundo Caiuby, o enfrentamento aos custos que diminuem a competitividade das empresas brasileiras terá de ser feito por meio da parceria dos setores público – incluídos aqui o Executivo e o Legislativo — e privado e a capacidade de avaliação sobre o que funcionou ou não.

“A lei do gás, por exemplo, não saiu do papel, apesar de ter sido aprovada. Ela precisa ser aprovada também em nível estadual”, afirma. “Mesmo reformas estruturantes têm um tempo para ser implementadas. O importante é manter o observatório.”

No projeto inicial, de 2020, o MBC já havia identificado projetos que poderiam diminuir o Custo Brasil em R$ 500 bilhões. Agora, em maio, assinará um novo acordo de cooperação com o MDIC para mapear outras propostas que possam reduzir em R$ 300 bilhões adicionais.

‘One in, one out’

Segundo a Secretaria de Competitividade e Regulação do MDIC, Andrea Macera, com os novos dados do estudo, a ideia é combater de forma estratégica e dentro do escopo da pasta o Custo Brasil.

“É essencial ter um indicador. Só podemos mudar o que medimos e monitoramos. A mandala do custo Brasil tem 12 indicadores, que representam o ciclo de vida de uma empresa”, diz Macera.

Segundo ela, o primeiro passo é monitorar e diagnosticar o problema — que se encerra com o lançamento do novo estudo. A segunda etapa vai até meados de junho: o governo recebe indicações de setores da economia e da sociedade civil em uma consulta pública desde abril (veja aqui). Finalizadas as contribuições, a ideia é incorporar as sugestões e montar um observatório do Custo Brasil junto com o MBC no segundo semestre.

A partir da consulta pública, a secretária prevê criar uma metodologia de combate à burocracia com metas anuais até 2026. Ela divide a tarefa em três dimensões:

  • Dialogar com diferentes órgãos os atos normativos que podem derrubar barreiras ao mercado
  • Guilhotina regulatória para eliminar os atos que trazem custo excessivo
  • One in, one out: a construção de regras para racionalizar o custo regulatório

“A lógica do one in, one out é que cada real de custo o órgão em questão tem de eliminar outro real de custo das normas antigas”, afirma Macera.

Segundo a secretária, desde 2006 as agências reguladoras receberam capacitação e evoluíram para dar conta dos desafios regulatórios. “Em nosso mapeamento interno, há mais de 130 órgãos reguladores no Executivo federal”, diz Macera. Ela lembra do Pro-Reg, programa que de 2007 a 2013 tentou melhorar a qualidade regulatória no Brasil em uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. “Agora queremos um novo Pro-Reg”, afirma a secretária.

A referência diz respeito a secretarias do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Ibama ou do Ministério de Meio Ambiente, dentre tantas outras com poder regulatório — e cuja racionalização do estoque de normativos pode auxiliar em novos negócios e diminuir as tensões entre o público e o privado.

A ideia é introduzir ainda mais na gestão as boas práticas regulatórias. Alguns instrumentos – velhos conhecidos das agências reguladoras – como a análise de impacto regulatório e revisão do estoque regulatório são vistos como essenciais nessa jornada. 

Luciano Pádua

Editor de Macroeconomia. Formado pela UFRJ e mestre em administração pública pela Harvard Kennedy School. Tem passagens pelo JOTA, revista VEJA, Jornal do Brasil e O Antagonista. Atualmente, é responsável pelas editorias EXAME Agro, Brasil, Economia e Mundo.

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‘Social commerce’: influenciadores faturam alto e abrem nova era no varejo on-line

Avanços na tecnologia permitem que seguidores efetuem compras diretamente em lojas e perfis de blogueiros nas redes sociais

Por João Sorima Neto – O Globo – 28/05/2023 

Um mês depois do nascimento de sua filha, Lua, os ex-BBBs Viih Tube e Eliezer — que se tornaram influenciadores digitais com milhões de seguidores após o reality —, aproveitaram o último Dia das Mães para lançar uma marca de brinquedos e acessórios infantis. O casal apresentou itens como chocalhos, mordedores e “naninhas” em seus perfis nas redes sociais, principalmente o Instagram, que somam mais de 32 milhões de seguidores. Em 24 horas, foram cerca de 30 mil pedidos e um faturamento de ao menos R$ 2 milhões em um só dia.

Acredite, a cifra não surpreende no mundo do marketing digital. Influencers estão evoluindo de meros garotos-propaganda para vendedores diretos de produtos, muitas vezes com suas marcas próprias, e faturando alto com avanços na tecnologia que permitem que seus seguidores efetuem compras diretamente em suas lojas personalizadas e perfis nas redes sociais. É o chamado social commerce.

Trata-se de um filão que cresce rápido na esteira do carisma das celebridades da internet, abrindo uma nova era no comércio eletrônico. Nesse ecossistema, há espaço tanto para os superinfluencers quanto para os nanoinfluenciadores, gente comum que não fala para milhões, mas é capaz de convencer muita gente em nichos de mercado pela internet. Grandes plataformas de e-commerce estão em busca desse tipo de vendedor digital.

Na China, as vendas em transmissões ao vivo de influenciadores nas redes sociais já representam 25% do comércio eletrônico do país. Um relatório do banco Goldman Sachs estima que a chamada economia da influência deverá dobrar de tamanho até 2027. Os recursos movimentados passarão dos atuais US$ 250 bilhões para US$ 480 bilhões, globalmente, em quatro anos.

O Brasil, cuja população é uma das mais aderentes às redes sociais, é uma das principais frentes dessa expansão, mas ainda não há dados precisos sobre quanto o social commerce já movimenta por aqui. Mas uma live feita em abril pela influenciadora Virginia Fonseca mostrou a força dessa tendência no país. Depois de uma transmissão de 13 horas nas redes sociais, ela vendeu nada menos de R$ 22 milhões em produtos de sua marca de beleza e fez questão de exibir um recibo do total de vendas nas redes. O número parece fora da realidade, mas especialistas no ramo dizem que não.

No Brasil, influenciadores encontram grande mercado para produtos recomendados — Foto: Infografia

— O potencial do Brasil é enorme, e o país poderá movimentar algo como R$ 75 bilhões com essas vendas por ano até 2028, especialmente quando os consumidores puderem fechar a compra na própria plataforma, como acontece na China — estima In Hsieh, da Chinnovation, uma aceleradora de negócios digitais entre Brasil e China, lembrando que, no país asiático, há até cursos para formar influencers com foco em vendas, conhecidos pela sigla KOL, do inglês key opinion leader (“líder de opinião-chave”).

No Brasil, as vendas dos influencers ainda não podem ser fechadas diretamente em seus perfis nas principais redes, mas isso já é possível em EUA, Reino Unido, China e alguns países do Sudeste Asiático. Essa evolução poderá aumentar ainda mais os negócios por aqui, onde os influenciadores operam links para lojas virtuais patrocinadas e cupons.

Uma das vantagens do social commerce é a possibilidade de interação entre influenciador e cliente em chats, uma diferença em relação ao modelo de vendas na TV, no qual o apresentador só mostra itens, não conversa. Hsieh diz que, para converter vendas, as lives têm de oferecer entretenimento, conteúdo (instruções de uso e qualidades do produto) e algum benefício, como desconto ou frete grátis:

— Os consumidores confiam nas redes e no influenciador, principalmente se ele se posiciona como um curador e não representante das marcas.

Pequenos importam

Micro e nanoinfluenciadores acabam escalando essa tendência. É o caso de Gisele Fernandes, a Gisa, influenciadora da papelaria on-line Cícero, do Rio. Ela também é vendedora da grife Farm, e faz renda extra no social commerce. Começou a postar fotos e vídeos na pandemia pelo Instagram (onde hoje tem quase 13 mil seguidores), e o interesse pelas cadernetas e agendas surgiu. Quando um consumidor é “influenciado” por seus posts, coloca o código de identificação dela ao fechar uma compra pelo link do e-commerce que ela indica, que dá vantagens como frete grátis ou descontos. Na outra ponta, Gisa recebe comissões.

— Procuro explicar cada produto e faço postagens constantes. Num mês bom, consigo tirar até R$ 3,5 mil — conta.

Um levantamento da Meta (dona de Facebook e Instagram) mostra que o Brasil tem cerca de 20 milhões de pessoas que produzem algum tipo de conteúdo digital. As redes mais focadas no social commerce são as chinesas, que já oferecem ferramentas de vendas por aqui e buscam dados sobre os hábitos dos brasileiros.

O Kwai diz que oferece o serviço de live commerce no Brasil desde 2021 e que vê a modalidade como a mais nova tendência global. Cerca de 85% dos usuários do TikTok no Brasil dizem confiar no que veem nos vídeos da rede, segundo pesquisa citada por Daniela Okuma, diretora-geral de Negócios da plataforma no país:

— O elemento de autenticidade gera engajamento e acaba desencadeando a compra.

Marca própria

Pesquisa da Accenture com dez mil internautas no mundo aponta que 59% estão mais propensos a comprar de marcas menores nas redes. A consultoria prevê que o social commerce movimentará US$ 1,2 trilhão por ano até 2025.

Nos EUA, a Amazon lançou, no fim de 2022, um aplicativo batizado de “Inspire” com recursos iguais aos do TikTok, como recursos para vídeos curtos e fotos personalizadas que podem ser usadas em lives de vendas, mas ainda não há data para a chegada ao Brasil. O Google lançou, no início do mês, a aba “Perspectives”. Quando um usuário faz uma pesquisa sobre temas como compras, viagens ou dicas de como fazer algo, o buscador oferece entre as respostas links com vídeos de influencers testando produtos no YouTube.

A Mynd, que agencia mais de 400 influencers no Brasil, abriu recentemente uma unidade só para cuidar do licenciamento de marcas de seus contratados. Entre eles está Mari Maria, que começou gravando tutoriais de maquiagem no YouTube e logo chegou a outras plataformas. Com o interesse pelos itens que mostrava, ela decidiu criar um pincel de maquiagem com sua própria marca. Atualmente, tem uma linha inteira de cosméticos, a Mari Maria Makeup, é embaixadora da marca de produtos para cabelo Hair Care OX e ainda apresenta de sabão em pó a biscoito.

Mari Maria, fenômeno entre os perfis voltados para beleza nas redes, vende sua própria marca de cosméticos — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo

— Atualmente, minhas redes sociais somam mais de 30 milhões de seguidores. E temos também o Instagram da marca Mari Maria, com mais de 2 milhões de interessados — diz a influencer, que tem equipe para edição de vídeos e vê a venda nas redes crescendo. — Nossos pedidos mensais triplicaram no último ano.

Saulo Sampaio, ou Sausampaio, como se identifica nas redes, trabalhava com marketing para empresas de tecnologia em 2020, quando começou a postar no TikTok. Ele já recebia muitos vídeos pelo WhatsApp e resolveu se dedicar a conteúdo para redes. Hoje, tem quase 6 milhões de seguidores, principalmente no TikTok e no YouTube, onde faz de 12 a 25 vídeos por mês.

Com faturamento mensal de R$ 75 mil, tem cinco funcionários. Seu foco agora é crescer no Instagram, onde tem “apenas” 200 mil. Ele tem sido tão procurado por marcas para vendas com cupons e lives, de banco a fabricante de biscoito, que já pensa em vender produtos com sua própria marca em áreas como alimentos e bebidas, seus principais focos, mas também roupas e óculos.

— Vejo esse segmento se profissionalizar e muitos criadores buscando produtos próprios, mas que façam sentido para seu público — observa.

Suporte técnico

No suporte tecnológico às parcerias entre marcas e influenciadores, pequenas empresas brasileiras começam a crescer. É o caso da 4Show, que surgiu para ajudar a indústria de calçados do Rio Grande do Sul em meio ao fechamento do comércio no início da pandemia, em 2020. Os fabricantes movimentaram R$ 20 milhões nas primeiras lives, e Rogério Correa, fundador e dono de uma empresa de softwares, viu no ramo uma oportunidade. Investiu R$ 2,5 milhões na 4Show, que dá suporte e consultoria a empresas interessadas em lives com influencers.

— Ainda vejo por aqui muitas empresas querendo superprodução, mas, nesse segmento, as lives são simples e podem ser feitas por pequenos influenciadores, que não têm milhões de seguidores — diz.

A Moneri, outra plataforma de gestão de social commerce, surgiu operando cashback. A pandemia a levou ao varejo nas redes. Em dois anos, já transacionou R$ 50 milhões em vendas promovidas por mais de 50 mil influenciadores e cem varejistas cadastrados. Para alguns deles, a Moneri representa em torno de 30% de suas vendas digitais.

— É um caminho irreversível, inclusive para os varejistas. Queremos crescer até cinco vezes em 2023, escalando o mercado — diz Paulo Stohler, CEO da Moneri, observando que influência vende de itens de beleza a imóveis na planta.

Para Raphael Avellar, fundador da plataforma BrandLovrs, que já levantou R$ 10 milhões em investimentos, o social commerce está mudando o relacionamento entre marcas e consumidores e como as pessoas podem ganhar dinheiro:

— Todos vão monetizar influência na internet. O que foi para poucos na última década será democratizado.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/05/social-commerce-influenciadores-faturam-alto-e-abrem-nova-era-no-varejo-on-line.ghtml

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Profissionais usam ‘ChatGPT para elaborar currículos mais atrativos’

Candidatos dizem que IA ajuda a ser chamado para mais entrevistas de emprego

Por Bárbara Nór — Para o Valor – 05/06/2023

O ChatGPT pode acabar com o seu emprego. Essa frase vem se tornando lugar comum desde o lançamento da ferramenta de inteligência artificial, em novembro do ano passado. E não à toa. A IBM, por exemplo, anunciou que, em cinco anos, a expectativa é substituir pelo menos 30% dos cargos administrativos com a tecnologia. Já o banco Goldman Sachs concluiu, em um estudo, que ferramentas como o ChatGPT devem impactar 300 mil profissionais no mundo todo nos próximos anos.

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Humildade na era das máquinas inteligentes

Mas há também quem veja na ferramenta um aliado da carreira. Fazer currrículos, melhorar e-mails para o chefe ou simular entrevistas de emprego são alguns exemplos das tarefas que podem ser realizadas pelo ChatGPT.

Em um levantamento com 5.635 profissionais feito para o Valor pelo Infojobs, 27% afirmaram já ter usado o ChatGPT em alguma fase do processo de seleção, e 15% disseram que ainda pretendem usar a ferramenta para esse fim.

Lá fora, os números são ainda mais expressivos: em um estudo feito pela ResumeBuilder nos Estados Unidos, 46% dos candidatos disseram usar a tecnologia para escrever currículos ou cartas de apresentação. Entre estes, sete em cada dez afirmaram ter alcançado uma taxa de resposta mais alta das empresas ao usar o currículo feito pela IA – e 59% foram contratados.

Ramon Ferreira, 23, engenheiro de processos de desenvolvimento em São Paulo, experimentou a tecnologia. Desde março em busca de uma nova posição, conta que já havia experimentado o ChatGPT por hobby, para ajudar na criação de um site. “Percebi que o LinkedIn, assim como outros meios de pesquisa, tenta indexar palavras principais que os recrutadores usam para encontrar candidatos”, diz. Ele teve a ideia, então, de refazer seu perfil na rede social usando palavras-chave importantes para sua área. Primeiro, usou um programa chamado WordCloud para descobrir quais palavras-chave eram essas a partir de vagas e perfis que ele considerava interessantes. Com isso, conseguiu ter uma ideia do que os recrutadores mais procuram em profissionais da sua área.

O próximo passo foi pedir para o ChatGPT reescrever seu perfil no LinkedIn usando aqueles termos. “Depois que fiz a mudança, passei a receber mais contatos, fiz entrevistas com várias empresas, e recebi proposta até para trabalhar fora do Brasil”, afirma.E isso sem interagir mais na rede, o que, para ele, é sinal de que o ChatGPT é que teria feito a diferença. “Ficou mais fácil chegar na etapa da entrevista.”

Adriano Mussa, reitor e diretor acadêmico da escola de negócios Saint Paul, explica que o ChatGPT é preditivo, então busca predizer respostas com base no que aprendeu. “Mas não está pre ocupado se é verdade ou não”, diz. “Ele requer que o usuário tenha capacidade de curadoria para avaliar se a resposta está adequada”. Um dos perigos, comenta, é ficar impressionado com o texto bem-escrito da IA e acabar deixando passar detalhes que não estão corretos ou foram simplesmente “inventados”, para usar uma ou outra palavra-chave.

Saber formular as perguntas corretas também pode fazer toda a diferença. E quanto mais informações fornecidas para a ferramenta, como dizer a área em que se quer atuar e o que a empresa desejada valoriza, melhor tende a ser o resultado. “Se você fizer perguntas bem-feitas, ele pode dar informações sobre a empresa e sobre a vaga de forma mais rápida do que você mesmo buscar na internet”, diz Paulo Lemos, diretor de educação executiva da Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo. “Mas ele não pode ser o instrumento final, é preciso colocar a sua criatividade e os seus conhecimentos em cima do que ele trouxer.”

Para Mussa, um uso ainda melhor da IA seria para simular entrevistas de emprego. “Você pode dizer que vai participar de uma entrevista, descrever o cargo, o setor, trazer elementos que estão no site da empresa, como preocupação com transformação digital e sustentabilidade”, diz. “Quando se detalha o contexto, é surpreendente o quanto o ChatGPT pode ser útil.”

Um uso ainda melhor da ferramenta seria simular entrevistas de emprego

— Adriano Mussa

Essa foi a experiência de Yago Viveiros, 28, analista de planejamento em uma empresa de educação no Rio de Janeiro. “Pode ter sido coincidência, mas duas semanas depois de mudar meu perfil [no LinkedIn] com o ChatGPT, consegui mais engajamento sem eu publicar nada.”

Assim como Ferreira, Viveiros colocou as palavras-chave junto com informações sobre sua carreira e pediu para a IA fazer um texto sobre sua experiência. “O meu medo era que ele fizesse algo igual para todo mundo, que fosse algo pronto”, diz.

Mas, comenta Viveiros, ao trocar com seus colegas sobre a ferramenta, eles perceberam que o sistema nunca devolve o mesmo texto, nem responde da mesma maneira.Além disso, o analista foi aprendendo a pedir para a tecnologia fazer os ajustes necessários. Se o texto gerado é muito formal, por exemplo, é possível pedir para mudar o tom, além de determinar limite de tamanho. “Achei que ajudou a melhorar a linha de raciocínio, a transformar tópicos em um texto que fizesse mais sentido.”

Ferreira viu vantagem similar. “Como engenheiro, nunca fui muito uma pessoa da redação, e fazer textos mais elaborados acaba levando bastante tempo”, afirma. Mas isso não significa que a ferramenta faça tudo sozinha. “Você precisa saber editar e tomar cuidado com o que pede, porque o ChatGPT pode acabar inventando coisas que não foram o que você pediu.”

De fato, de nada adianta chegar à etapa da entrevista se a carreira do profissional não corresponder ao que está em seu perfil ou currículo. “Uma coisa é você expressar de forma mais adequada o que realmente fez”, diz Jacqueline Resch, sócia-diretora da consultoria Resch RH. “Outra é usar todos os termos que você sabe que o recrutador busca, mas sem que seu currículo tenha realmente aquelas competências ou experiências.”

Para ela, usar o ChatGPT pode ser positivo, mas requer cautela. Resch conta que ela mesma fez o teste, para ver quais perguntas o ChatGPT sugeriria a um headhunter que fosse entrevistar um diretor industrial. “Ele me deu uma série de perguntas genéricas, que não são realmente o que buscamos avaliar em uma entrevista”, diz. “Como recrutadora, mais do que os conhecimentos, avalio a forma como você enxerga as coisas, conduz projetos, e se você tem a ver com a cultura do meu cliente.”

Além disso, acrescenta Resch, as perguntas em uma entrevista de emprego não seguem um roteiro fixo, pois dependem das respostas do entrevistado. Para ela, o uso da ferramenta pelos candidatos vai exigir um olhar ainda mais apurado do recrutador. “Isso já acontece remotamente. É difícil saber se o candidato teve ajuda para preencher testes ou fazer uma redação no processo seletivo”, diz. “Um bom entrevistador precisa saber identificar que competências de fato aquele candidato tem, independente de ter usado o ChatGPT.”

Além dos candidatos, as empresas estão de olho na ferramenta para tornar mais fácil a busca por profissionais. No Infojobs, por exemplo, a novidade acabou de ser integrada ao PandaPé, plataforma de recrutamento e seleção. Colocando o título de vaga e se ela é híbrida, remota ou presencial, o sistema gera automaticamente a descrição do perfil buscado, incluindo competências e descrição de atividades básicas do cargo. Depois disso, o recrutador precisa apenas checar as informações para ver se está tudo correto. “Tem se mostrado bastante útil, porque fazer descrição de vaga, principalmente quando é um cargo novo, demanda muita pesquisa”, diz Ana Paula Prado, CEO do Infojobs. “O recrutador, muitas vezes, precisa conversar com o gestor da área e nem sempre ele sabe descrever bem as atividades que o cargo exige.”

Um teste feito internamente pela empresa mostrou que a ferramenta reduziu o tempo de preenchimento de perfil de vaga de 25 para 3 minutos. A ideia, agora, é fazer mais estudos para ver se as vagas geradas por IA são mais efetivas para atrair candidatos e explorar outros usos da ferramenta no processo seletivo.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2023/06/05/profissionais-usam-chatgpt-para-elaborar-curriculos-mais-atrativos.ghtml

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70 mil empregos e 5 mil agências a menos: como a digitalização mudou a cara dos bancos no Brasil

Mudança nos últimos dez anos foi radical; pandemia também ajudou a acelerar processo de transformação digital dos bancos e da população

Por Lucas Agrela – Estadão – 05/06/2023 

A modernização tecnológica levou as empresas do setor financeiro a enxugarem radicalmente suas estruturas nos últimos anos. Entre janeiro de 2014 e fevereiro de 2023, as instituições fecharam 5.716 agências bancárias e eliminaram 70.445 postos de trabalho, segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

A digitalização do setor deu aos clientes mais facilidade para operações como abertura e fechamento de conta, consulta de saldo, realização de transferências (pix, TED ou DOC) e investimentos, como fundos, CDBs ou Tesouro Direto. Ou seja, o autoatendimento nos aplicativos de celular assumiu as funções dos bancários ou mesmo dos caixas eletrônicos.

Hoje, calcula-se que o País tenha mais de um smartphone por habitante, o que facilita a popularização dos aplicativos para fazer operações financeiras. Segundo o professor de Finanças do Insper, Ricardo Rocha, a aceleração no processo de transformação digital dos bancos brasileiros começou a partir da crise do subprime em 2008, que impactou o sistema financeiro global.

Com a digitalização, as instituições começaram uma corrida pela eficiência e inovação. Nesse processo, surgiram os aplicativos com funções de autoatendimento e as fintechs. “A população passou a ter acesso a muitos produtos financeiros, ficou mais bancarizada, enquanto o sistema financeiro em si entrou num processo de desbancarização”, diz Rocha.

Esse movimento ficou mais intenso com a pandemia e o isolamento social. Sem poder sair de casa e ir às agências, boa parte da população foi obrigada a se digitalizar. Mesmo pessoas avessas às operações online tiveram de se render aos aplicativos para pagar suas contas. Essa onda acabou tendo reflexos na mão de obra do setor.

“Os bancos têm feito uma movimentação que se intensificou após a pandemia. As pessoas aprenderam a usar o celular, especialmente as mais idosas. Com isso, muitas agências têm sido fechadas. Hoje, na agência, o número de trabalhadores é cada vez menor, e isso tem a ver com o uso da tecnologia no setor”, diz Ivone Silva, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Segundo ela, o resultado é que quem fica tem uma carga de trabalho enorme nas agências e em outras áreas, porque são cada vez menos pessoas trabalhando. O Sindicato, porém, não soube informar o total de pessoas que trabalham hoje nos bancos.

E esse movimento ainda deve continuar, segundo especialistas. “Ainda há tendência de queda de funcionários e agências. Em uma retomada econômica, alguns bancos podem até voltar a aumentar o número de funcionários, mas não vão abrir novas agências”, diz Ricardo Rocha.

Segundo dados do Novo Caged (o cadastro geral de empregados e desempregados, do Ministério do Trabalho), o volume de demissões no mês de março ficou 39% acima da média mensal de 2022, quando o número de desligamentos chegou a 1.474. Já o número de contratações ficou 16,5% abaixo da média mensal registrada no setor no período. Março foi o sexto mês consecutivo de cortes de postos de trabalho no setor bancário.

No primeiro trimestre deste ano, os bancos eliminaram 2.662 vagas, enquanto haviam aberto 3.160 vagas no mesmo período em 2022. Nos grandes bancos, o corte de pessoal chegou a 2.394, comparando os dados do primeiro trimestre de 2023 com igual período no ano passado.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma, no entanto, que “no primeiro trimestre 2023 houve uma ligeira redução no nível de empregos no setor, de 0,6%, que é equivalente à expansão no nível de emprego que houve de 2021 para 2022, de 0,6%. Portanto, o nível de emprego no setor tem se mantido estável”.

No Banco do Brasil, a equipe foi reduzida de 86.466 para 85.457 em relação ao ano passado, um corte de 1.009. Na Caixa Econômica Federal, a redução foi menor: passou de 86.850 para 86.741, uma diferença de 109 pessoas. Segundo os dois bancos, esse é um decréscimo natural, como pedidos de demissão ou aposentadoria. Procuradas, as demais empresas que fecharam postos de trabalho não comentaram o caso.

Mais vagas na área de tecnologia

De acordo com o relatório do Novo Caged, o impacto maior na eliminação dos postos de trabalho tem ocorrido na categoria dos bancários. Considerando o ramo financeiro como um todo, que inclui gestoras, corretoras e assessores, houve crescimento de vagas. Só em março, foram 925 novos postos de trabalho, número que, apesar de positivo, é 68,5% inferior ao registrado um ano antes. Ao levar em conta os últimos 12 meses, foram criados 28,5 mil postos de trabalho no ramo financeiro, ou seja, a média é a criação de 2,3 mil vagas por mês.

Devido à transformação digital dos bancos e instituições financeiras em geral nos últimos anos, os novos postos de trabalho, na maioria dos casos, foram para profissionais de tecnologia da informação, como programadores, analistas e gerentes de produto.

As instituições que contataram funcionários no período de 12 meses até março disseram que buscam manter suas operações com estrutura para atender a todos os clientes, para lidar com o cenário econômico desafiador e para atender às necessidades dos planos de negócio para 2023

https://www.estadao.com.br/economia/negocios/digitalizacao-bancos-agencias-fechadas-empregos/

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