Inteligência artificial altera setor de TI, que não é mais imune ao desemprego

Onda de reestruturação em empresas, incluindo as startups, deixa profissionais de tecnologia sem lugar no mercado

Por Luana Reis* – O Globo – 24/12/2023 

Quem nunca ouviu que na Tecnologia da Informação (TI) ninguém fica desempregado? Com a introdução de inovações em inteligência artificial (IA) e a multiplicação de startups, seria esperada uma explosão de vagas no setor, mas não é necessariamente a realidade. Têm sido frequentes no LinkedIn relatos de profissionais de TI se queixando de demissões e da dificuldade de encontrar boas propostas de recolocação.

Segundo recrutadores e consultores de Recursos Humanos (RH), TI continua um dos setores que mais empregam, mas os profissionais mais voltados para suporte, atendimento e outras demandas que a IA pode resolver começam a perder espaço para os mais especializados nessa nova tecnologia.

Além disso, 2023 foi de juros ainda altos e termina com desaceleração econômica. Isso desestimulou investimentos e contratações nas empresas, incluindo as startups, enquanto mais gente era atraída para a TI.

Contingente maior

Dados da plataforma de recrutamento e seleção Gupy mostram que, entre 2020 e 2023, houve alta de mais de 800% no número de inscritos para vagas de desenvolvedor, por exemplo, mas o de contratações permaneceu estável.

Karenyn Menezes, de 33 anos, que está desempregada desde agosto, já acumula 60 candidaturas em uma plataforma de vagas e sequer foi chamada para uma entrevista. Formada em Ciências Contábeis, atua há 4 anos na área de TI, com análise de dados, mas se surpreendeu com a dificuldade de achar trabalho agora:

— Achava que nunca ficaria sem oportunidade. No começo da carreira, via muita vaga de TI em todo o canto do país. Tenho procurado no LinkedIn e nas plataformas de vagas, mas o retorno é muito difícil, fora que os processos seletivos são muito cansativos. Fiz oito testes de uma hora para uma vaga e nem tive retorno.

Formado em Ciências da Computação, Magno Lessa, de 36 anos, foi demitido no começo do ano. Levou dois meses para encontrar nova vaga.

— Até meados de 2022, eu sempre recebia ofertas no LinkedIn. Neste ano, comecei a aplicar para muitas vagas e não fui chamado para entrevistas. Muitas vezes, a descrição da vaga batia com minha experiência. No final, só consegui uma oportunidade porque uma pessoa que já trabalhou comigo fez uma indicação — relata. — Muitos amigos meus estão fora do mercado. Muitas empresas demitiram, o que acabou inflando a quantidade de pessoas em busca de emprego. Vi vagas com 50 a 100 candidaturas menos de uma hora depois de postadas.

Salários estagnados

Segundo levantamento da consultoria Bain & Company, houve estagnação nos salários da área de dados após alta de 40% entre 2019 e 2021. Em 2022, a variação média da remuneração foi de 4%, abaixo da inflação de 5,8%. A pesquisa apontou que 74% dos trabalhadores de TI estão satisfeitos com seus empregos atuais, embora 65% estejam abertos a mudar. Principalmente por falta de oportunidades de crescimento (44%) e remuneração incompatível (39,2%).

Um mapeamento da consultoria de RH Michael Page concluiu que 7 em cada 10 cargos da área de TI tiveram aumento acima da inflação em 2023, mas 16% não tiveram reajuste e 8% tiveram redução salarial.

— Os cargos em tecnologia que tiveram queda de salário são mais da área de suporte. Provavelmente essa queda tem muito a ver com a IA. São cargos de suporte, atendimento e de uma série de coisas que a IA “resolve”. Por isso o profissional tem a sensação de estar perdendo espaço e valor para a IA — explica Luciana Carvalho, CEO da HRtech Chiefs.

Mão dupla

Por outro lado, ela aponta que é alta a demanda agora por especialidades mais avançadas, como machine learning (aprendizado de máquina), segurança da informação e desenvolvimento de tecnologias.

— Pode ser que haja vários profissionais disponíveis, mas não necessariamente têm o que o mercado está buscando — diz. — Ainda há escassez grande de profissionais de tecnologia qualificados no país.

A executiva também aponta uma mudança no cenário econômico, que interrompeu a fase de expansão do setor liderada pelas startups desde 2019, o que afeta as contratações.

— No atual cenário, diminuiu o apetite ao risco, o que fez os investidores cobrarem resultados mais concretos. Isso desacelerou os investimentos aqui e no mundo, e vimos muitas demissões no começo do ano — diz Luciana, que prevê melhora em 2024.

*Estagiária sob supervisão de Danielle Nogueira

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/12/24/inteligencia-artificial-altera-setor-de-ti-que-nao-e-mais-imune-ao-desemprego.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Amazon – o SUS americano

Em coluna, Omarson Costa fala sobre a movimentações da empresa de Jeff Bezos dentro do setor da saúde

Omarson Costa* – Exame – 18 de dezembro de 2023 

Quem respira inovação segue a máxima: “a única constante é a mudança”, de Heráclito de Éfeso.

Há dez anos, ninguém imaginaria que varejistas entrariam no mercado de Saúde. Porém, em 2015, Jeff Bezos decidiu que a Amazon iniciaria sua investida na área.

Um mês atrás, a empresa anunciou que oferecerá aos assinantes do Amazon Prime dos EUA o plano de saúde One Medical, por US$ 9 por mês ou US$ 99 por ano. (O custo padrão é US$ 199 anuais.)

A One Medical foi comprada no início deste ano para a Amazon reunir nela a prestação de cuidado primário presencial nas clínicas; viabilizar atendimento de telemedicina; ter farmácias físicas; e fazer entregas médicas por drones.

Analistas do Morgan Stanley estimam que o mercado de saúde endereçável da Amazon seja de US$ 119 bilhões. Em 2023, a empresa deve aumentar sua receita em 10,32% e ultrapassar US$ 550 bilhões em vendas. Isso sem contabilizar o novo serviço médico.

Não é coincidência que o CEO Andy Jassy tenha dito que a Saúde é uma das novas áreas de negócios que podem ser um pilar da empresa.

Sem ver os números da Amazon e da Saúde americana, é difícil dimensionar o impacto que, a meu ver, será enorme. Então, vamos a eles!

O horizonte da Saúde

O mercado global de Saúde foi avaliado em US$ 166,22 trilhões em 2022 e deverá atingir US$ 277,21 trilhões em 2027, de acordo com a Global Data.

Nos EUA, o setor é enorme – gastos na área representavam 18,3% do PIB em 2021, quando atingiram US$ 4,3 trilhões, ou US$ 12.914 dólares por pessoa e mais do que a maioria dos países ricos.

A sensação de que a conta vai estourar permeia toda a sociedade. Uma pesquisa da Statista elenca os problemas mais sérios enfrentados pelos americanos na área – os custos preocupam 30% das pessoas, acima do câncer (13%) e da tão falada e trágica crise dos opioides (16%), retratada no filme “O Retorno de Ben” e nas minisséries “Império da Dor” e “Dopesick”.

No e-commerce, a Amazon já é líder, detém 37,8% market share nos EUA. Ano passado, ela superou a UPS em entrega de pacotes para residências, depois de eclipsar a FedEx, em 2020. E após tentativas frustradas nos últimos anos, ela quer ganhar a Saúde! O retrospecto não é muito auspicioso.

Em 2018, ela abriu a Haven – joint venture com Berkshire Hathaway e JP Morgan, cujo objetivo era reduzir o custo de planos de saúde corporativos – e a encerrou no inicio de 2021.

Ainda em 2018, adquiriu a farmácia digital PillPack (rebatizada de PillPack by Amazon Pharmacy), que produzia e entregava embalagens para criar pacotes de uso de medicamentos, de acordo com hora e dia a serem tomados. Em abril deste ano, foi anunciado que vários produtos seriam descontinuados.

Praticamente no mesmo período, ocorreu a ascensão e derrocada da Amazon Care, que começou em 2019 como um teste de serviços de atendimento virtual de urgência e cuidados primários presenciais para funcionários da empresa, na região de Seattle. Ela expandiu rapidamente, porém, em final de 2022, a empresa decidiu não prosseguir com este negócio.

Agora, com a One Medical, a Amazon frustra quem esperava algo mirabolante. Contudo, justiça seja feita, a verve da empresa sempre foi possibilitar acesso a um serviço melhor e mais barato. Ela nunca foi uma deep tech.

Problema grande, sonho grande

A modelagem do negócio One Medical tem algumas vantagens. Parte de uma penetração de 67,1% do Prime entre os usuários de internet nos EUA e de uma bela base de clientes potenciais – há 167 milhões de assinantes do programa de benefícios da Amazon. Qual líder de Growth Marketing não vibraria com isso?

Não é pouca coisa, ainda mais quando se pensa que o brasileiro SUS – Sistema Único de Saúde é o único do mundo que atende mais de 190 milhões de pessoas e não é uma iniciativa privada.

Nos EUA, a assinatura do Prime custa US$ 14,99 por mês, se juntarmos a isso o valor da One Medical, gasta-se US$ 23,99 (cerca de R$ 120) ao mês para ter acesso a serviços de saúde e entregas gratuitas nas compras pelo e-commerce da Amazon. Para os ouvidos do consumidor estrangulado pelo orçamento é música.

Para termos de comparação, nas startups brasileiras Alice, o plano Conforto sai por R$ 533,01 para um adulto entre 24 e 28 anos de idade; na QSaúde, o plano Qmais II fica R$ 552,36 na mesma faixa etária. Já na Starbem, o plano individual mensal para 1 consulta/mês fica em R$ 39,97.

Hoje, além da Amazon, opera nesse setor o Walmart – com Walmart Health, com 25 centros de saúde; Walmart Insurance Services, que comercializa seguros de saúde; e Walmart Virtual Health Care, de telemedicina.

A diferença para a Amazon é que o programa Walmart+ deve encerrar 2023 com cerca de 29 milhões de assinantes, ou share de 12,5% dos domicílios com acesso a internet.

Entretanto, o desafio para ambas as empresas é o mesmo: convencer quem pensa nelas para fazer compras a recorrer a elas como uma opção de saúde.

*Omarson Costa é Diretor da TNB e conselheiro de administração para empresas dos setores de telecomunicações.

https://exame.com/bussola/amazon-o-sus-americano/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

The Economist: A corrida da China para se tornar uma superpotência robótica

À medida que sua população diminui, país espera que as máquinas consigam assumir o trabalho

Por The Economist/Estadão – 24/12/2023 

A primeira tentativa chinesa de construir um robô humanoide não acertou o alvo. A máquina produzida no ano 2000 por uma equipe da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa parecia uma torradeira ambulante. Tinha olhos arregalados e protuberâncias com formato de canhão perto da virilha. Chamado Xianxingzhe, ou “Precursor”, o robô foi ridicularizado no vizinho Japão, que na época ostentava modelos muito mais elegantes. Os internautas japoneses o descreveram como a arma secreta da China, projetado para matar os inimigos – de tanto rir.

Mas a China persistiu. Em novembro, o governo publicou um plano prevendo a produção em massa de robôs humanoides até 2025. O amor do país pelos robôs vai além daqueles que conseguem andar e falar. No ano passado, metade de todos os robôs industriais do mundo estavam instalados em solo chinês, de acordo com a Federação Internacional de Robótica, um órgão do setor. A China é agora o quinto país mais automatizado do mundo em termos de robôs por trabalhador. Motivada pelo orgulho e pelos desafios demográficos prementes, a China encarou a missão de se tornar uma superpotência robótica.

Muitos dos robôs recentemente instalados no país são braços mecânicos que podem ser programados para soldar, perfurar ou montar componentes nas linhas de produção. Mas, no ano passado, a China também produziu mais de 6 milhões de “robôs de serviço”, que ajudam os humanos em tarefas que vão além da automação industrial. Essas máquinas circulam pelos depósitos, movendo caixas. Outras limpam hotéis. Em um restaurante na cidade de Guangzhou, no sul do país, são os robôs que preparam e servem as refeições.

Pode até parecer mero truque, mas, para o Partido Comunista, liderado por Xi Jinping, os robôs são um negócio sério. As autoridades acreditam que, se a China ficou para trás e foi humilhada pelas potências ocidentais no século 19, foi pelo menos em parte porque não adotou as revoluções tecnológicas que aconteciam em outros lugares. Agora, o país quer liderar essa corrida. Se no passado as autoridades usavam a produção de aço como indicador do progresso econômico, hoje olham para o número de robôs instalados, diz Dan Wang, do Hang Seng Bank.

O impressionante crescimento econômico da China nas últimas décadas foi resultado de três fatores principais: crescente força de trabalho urbana, grande aumento no estoque de capital e explosão da produtividade. Hoje, porém, há menos necessidade de infraestruturas novas. E a população em idade ativa, entre 15 e 64 anos, está encolhendo. Prevê-se que diminua mais de 20% até 2050. No início deste ano, o governo divulgou uma lista de 100 profissões para as quais há escassez de mão de obra. Os cargos industriais somaram 41 delas. Antigamente, um excesso de trabalhadores jovens e baratos realizava esses trabalhos; agora os salários estão mais elevados e os trabalhadores, menos abundantes.

Como resultado, Xi priorizou o aumento da produtividade. O governo vê os robôs desempenhando um papel importante nesse esforço. Por anos, pressionou a indústria a deixar de ser intensiva em mão de obra para se tornar intensiva em robôs. As províncias gastaram bilhões de dólares ajudando fabricantes a se atualizarem. A experiência da China durante a pandemia reforçou essa mentalidade. Os lockdowns intermináveis fizeram com que as fábricas fechassem e as empresas ocidentais repensassem suas cadeias de abastecimento. Quando todos os controles foram suspensos, em 2022, uma onda de covid-19 voltou a atrapalhar as empresas, pois os trabalhadores ainda adoeciam. Com os robôs, a saúde não é mais preocupação.

Muitos dos desafios enfrentados pelas fábricas também se aplicam à agricultura. O agricultor chinês médio está na casa dos 50 anos de idade. Poucos jovens querem ocupar seu lugar no campo. Os países que enfrentam situações semelhantes muitas vezes importam alimentos ou mão de obra barata. Mas a China é paranoica em relação à segurança alimentar e não está interessada em imigração. Os robôs podem ser a resposta. Alguns aspectos da agricultura, como a ordenha das vacas, podem ser automatizados com bastante facilidade. Outros são mais complicados, mas parecem possíveis em pequena escala. A cidade de Chengdu, no sudoeste do país, desenvolveu uma horta sem mão de obra humana que, em tese, poderia produzir dez colheitas por ano.

Com o tempo, os robôs poderão substituir os trabalhadores idosos. E também podem desempenhar um papel importante no cuidado dessas pessoas. A China tem pouquíssimos profissionais cuidando dos 8,1 milhões de moradores de lares de idosos. Um plano da Comissão Nacional de Saúde publicado em 2021 apelava ao desenvolvimento de cuidados inteligentes para os idosos. Algumas das ideias são aspiracionais, como fornecer exoesqueletos eletrônicos a pessoas frágeis, para ajudá-las em seus movimentos. Mas robôs mais simples poderiam ser usados para ajudar os idosos a tomar banho ou a se levantar.

Os gigantes tecnológicos da China estão encarando o desafio. Em 2022, a iFlytek, uma grande empresa de inteligência artificial, disse que queria enviar robôs às casas dos idosos para oferecer companheirismo e gestão de saúde. Idosos de uma casa de repouso em Xangai ficaram felizes com um robô que andava pelos quartos cantando canções revolucionárias da juventude dos moradores, segundo a mídia local.

Mas o governo ficaria ainda mais feliz se a indústria robótica chinesa se tornasse mais autossuficiente. As empresas locais ainda dependem de companhias estrangeiras para obter peças e know-how. A China teme ser excluída dos mercados ocidentais – e por boas razões. Os Estados Unidos impediram que as empresas chinesas comprassem semicondutores avançados e o equipamento utilizado para fabricá-los (os robôs precisam de chips, mas geralmente não do tipo mais avançado). Então, o governo vem tentando estimular a pesquisa em robótica. Em agosto, a cidade de Pequim anunciou um fundo de 10 bilhões de yuans (US$1,4 bilhão) para o desenvolvimento de robôs.

Os esforços estão surtindo efeito. No ano passado, 36% dos robôs industriais instalados na China tinham sido fabricados em solo nacional, ante 25% em 2013. A Shenzhen Inovance Technology, uma grande empresa chinesa, constrói robôs que são usados para fabricar luzes de LED e aparelhos celulares. Ela planeja adquirir todos os componentes necessários de empresas chinesas dentro de cinco anos, diz Zhu Xingming, seu presidente.

Mas, para a maioria das empresas chinesas de robótica, a autossuficiência ainda está um pouco mais distante. Esta é parte da razão pela qual o governo está incentivando o desenvolvimento de robôs humanoides. Estes talvez não venham a ser muito práticos ou acessíveis no curto prazo. Mas as autoridades esperam que o processo de fabricação crie uma cadeia de abastecimento doméstica.

Uma coisa com a qual o governo não precisa se preocupar é com muitas resistências contra seus planos. Pesquisas sugerem que a maioria dos chineses acredita que os robôs vão criar mais empregos do que destruir. Ao que parece, a China é uma terra de tecno-otimistas. É claro que ajuda o fato de os sindicatos independentes serem proibidos no país. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-a-corrida-da-china-para-se-tornar-uma-superpotencia-robotica/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Média empresa precisa de governança corporativa?

Por Evandro Milet – Portal ES360 – 24/12/2023

Grandes empresas estão mais habituadas a organizar sua governança com um Conselho de Administração que faz o meio de campo entre a propriedade e a gestão, com algumas funções que alguns resumem na inesquecível sigla METER(Monitoramento, Estratégia, Talentos, Estrutura de capital e Riscos). A participação de conselheiros independentes é fundamental para trazer uma visão de fora, sem ligação imediata com o negócio ou envolvimento com proprietários.

As pequenas empresas têm mais dificuldade de se organizar dessa maneira por terem estruturas menores e menor disponibilidade para arcar com os custos normais da governança.

As empresas médias, porém, já deveriam seguir esse caminho, e muitas já o fazem, não com estruturas pesadas com responsabilidade formal na administração, mas com Conselhos Consultivos, com pessoas experientes que saibam fazer as perguntas que possam evitar caminhos errados e apontar oportunidades. A experiência traz a intuição para sugerir caminhos, prevenir obstáculos e a maneira de aproveitar comercialmente a rede de relacionamentos construída ao longo da vida.

Na sigla sugerida acima, o monitoramento dos números é fundamental. A vontade de fazer coisas pode levar ao exagero de acreditar demais em certos caminhos. Números, indicadores, são implacáveis para trazer a realidade. CAC, LTV, NPS e o que mais medir só ajudam.

Estratégia envolve estar antenado com o ambiente. Ter bem claro e difundido à exaustão na empresa – e principalmente praticado -, propósito, cultura, visão, missão, valores. Saber bem seus pontos fortes e fracos, suas ameaças e oportunidades. O Conselho tem que participar e perceber se a estratégia está sendo seguida. Entrar em novo ramo de negócios, exportar, fazer parcerias, vender produtos ou alugar serviços, buscar receita recorrente, entrar em novos mercados, ser o primeiro ou seguir o líder, crescer ou manter o tamanho, manter o foco, inovar, tudo depende de estratégia.

Talentos não podem ficar fora do alcance do Conselho. Fundamental é um ambiente onde todos querem trabalhar na empresa e ninguém quer sair. E dão resultados, é claro. Mas a manutenção de um clima propício deve ser monitorável também.

A estrutura de capital, o balanço entre recursos próprios e de terceiros é tarefa inalienável para um Conselho de Administração formal, mas também tarefa desejável para as considerações de um Conselho Consultivo. Descontrole de empréstimos ou alienação inadequada de parte da empresa podem trazer grandes problemas.

Riscos são de toda ordem: financeiros, trabalhistas, tecnológicos, políticos, comerciais, ambientais ou de reputação. Um descuido quebra a empresa, em uma época onde as coisas se espalham rapidamente, a inovação é exigência, ESG é mandatório, a concorrência é cruel e a transformação digital muda tudo.

Um Conselho diligente, atuante, envolvido com o negócio colabora muito com a ideia de perpetuar a empresa, gerando valor para todas as partes interessadas.

E um Feliz Natal para todos os leitores.

https://es360.com.br/coluna-inovacao/post/media-empresa-precisa-de-governanca-corporativa/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Entenda como funcionam os cabos submarinos que conectam o Brasil na internet

Construção de usina no mar de Fortaleza contraria recomendações da Anatel e impõe riscos ao funcionamento da rede no país

Por Pedro Guimarães — O Globo – 22/12/2023 

A construção de uma usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE), levantou preocupações pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), operadoras e especialistas quanto ao funcionamento da internet no país. E apesar da subida do tom pelo órgão e pelas empresas, a Superintendência do Patrimônio da União (SPU-CE) aprovou a obra. Mas afinal, qual a importância dos cabos para as conexões no país?

Ao contrário do que muita gente imagina, muito pouco da informação que circula na internet é transmitida por satélites que orbitam a Terra. Na verdade, os vídeos de WhatsApp, notícias de portais, filmes e séries do streaming e arquivos na nuvem chegam até nós através dos cabos submarinos. No caso dos celulares, os dados primeiro chegam às centrais dos cabos e só depois vão para as antenas de 5G ou 4G.

Brasil se conecta com o mundo através de cabos submarinos — Foto: Reprodução/Infrapedia Brasil se conecta com o mundo através de cabos submarinos — Foto: Reprodução/Infrapedia

Os cabos são mais rápidos, podem transportar cargas mais altas de dados e são mais econômicos do que as redes de satélite, como explica o diretor de Arquitetura de Rede e Engenharia Óptica do Google, Vijay Vusirikala. Na prática, essa “rodovia” de dados consegue alocar 17,5 milhões de pessoas transmitindo vídeos de alta qualidade ao mesmo tempo, algo que seria impraticável com os satélites.

No mundo, existem cerca de 400 cabos cruzando os oceanos e interligando os continentes. No Brasil, eles se concentram em três hubs (centrais), com destaque para o polo da Praia do Futuro, que recebe 17 deles devido sua proximidade relativa com a Europa, África e o restante do continente americano.

A estrutura do fundo do mar em Fortaleza faz com que a central do Ceará se interligue com os outros hubs do país: Salvador, Rio de Janeiro e Santos.

Hub de Fortaleza é o principal do país e recebe 17 cabos submarinos — Foto: Reprodução/Infrapedia Hub de Fortaleza é o principal do país e recebe 17 cabos submarinos — Foto: Reprodução/Infrapedia

O Google, que investe em 19 dos 400 cabos que cruzam o planeta, afirma que os problemas mais comuns para os cabos submarinos são causados por ações humanas como a pesca; o arrasto, que acontece quando uma rede de pesca é puxada dentro da água por um barco; e arrastos de âncoras, quando um navio se move ainda que tenha sido ancorado. Ataque de tubarão, inclusive, só aconteceu uma vez, há mais de 15 anos.

O vídeo abaixo mostra o cabo “Curie”, do Google, sendo instalado:

Por isso, há preocupação por parte da Anatel com a construção da usina em Fortaleza. O local concentra mais de 90% do tráfego de internet do país, principalmente pelo fato dos servidores das principais empresas de aplicativos e serviços estarem fora do Brasil.

“Com a construção dessa usina, há o risco de haver rompimento dos cabos com a vibração da água caso os dutos da usina não estejam a uma distância segura desses cabos. Além disso, o aumento da demanda por internet no país deve resultar no aumento considerável de cabos submarinos instalados nos próximos anos”, diz a Anatel.

Visão interna dos cabos submarinos: À esquerda, um pedaço do cabo submarino 'Curie', do Google, mostrando a proteção adicional de aço. À direita, uma visão transversal de um cabo submarino típico de águas profundas mostrando as fibras ópticas, o revestimento de cobre e os fios de aço para proteção. — Foto: Reprodução/Google Cloud Visão interna dos cabos submarinos: À esquerda, um pedaço do cabo submarino ‘Curie’, do Google, mostrando a proteção adicional de aço. À direita, uma visão transversal de um cabo submarino típico de águas profundas mostrando as fibras ópticas, o revestimento de cobre e os fios de aço para proteção. — Foto: Reprodução/Google Cloud

O projeto do Governo do Ceará, que já foi aprovado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente, quer aproveitar a água do mar para o consumo humano. A Cagece, Companhia de Água e Esgoto do estado, diz que o projeto já teve modificações e não apresenta nenhum perigo — a distância entre os cabos e a infraestrutura da usina foi ampliada de 40 para 500 metros.

Com a aprovação da União, agora resta a emissão da Licença de Instalação da planta por parte da Semace, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente. Pela previsão, a construção deve iniciar até março do próximo ano.

Enquanto isso, a Anatel alerta para a necessidade de uma política de Segurança Nacional para a infraestrutura de cabos submarinos. O órgão listou uma série de ações estratégicas que o Brasil deve implementar para para “fortalecer a segurança de sua infraestrutura de cabos submarinos”, como:

  1. Vigilância e Patrulha Marítima: reforçar a vigilância marítima para detectar e prevenir potenciais ameaças aos cabos submarinos;
  2. Cooperação Internacional: promover a colaboração com outras nações e operadoras de cabo para compartilhar informações e recursos na proteção de cabos submarinos;
  3. Parcerias Público-Privadas: envolver-se com empresas privadas que operam cabos submarinos para promover práticas de segurança e investir em tecnologias avançadas de monitoramento, aprimorando a qualidade das informações sobre capacidade e quantidade de dados trafegados nos cabos submarinos no Brasil;
  4. Auditorias de segurança e monitoramento contínuo: realizar auditorias regulares para avaliar a eficácia das medidas de segurança e identificar áreas que precisam de maior atenção, além de estabelecer sistemas de monitoramento contínuo para identificar e responder rapidamente a ameaças potenciais;
  5. Medidas de segurança cibernética: implementar medidas robustas de segurança cibernética para proteger contra ataques cibernéticos que comprometam a integridade dos cabos;
  6. Criptografia de dados: garantir criptografia robusta para proteger os dados transmitidos por cabos, propiciando uma comunicação segura;
  7. Firewalls e proteção contra malware: utilizar firewalls e software para proteger os sistemas contra ameaças cibernéticas;
  8. Estudos de resiliência: fundamental para garantir a segurança e a estabilidade da infraestrutura crítica de comunicações no Brasil, salvaguardando a integridade dos serviços essenciais e contribuindo para o desenvolvimento sustentável do país;
  9. Diversificação e redundância de rotas: investir em rotas alternativas e em redundâncias para minimizar o impacto das interrupções de cabos;
  10. Isolamento de rede: segmentar as redes para limitar o acesso, evitando que o comprometimento de uma parte afete todo o sistema;
  11. Resposta rápida a incidentes: desenvolver protocolos de resposta rápida a incidentes para prontamente mitigar danos ou interrupções;
  12. Educação e conscientização: promover a conscientização sobre a importância estratégica dos cabos submarinos tanto para o público em geral como para o corpo técnico envolvido em sua operação;
  13. Revisão da Legislação: atualizar e fortalecer regularmente a legislação relacionada à proteção de cabos submarinos, impondo penalidades rigorosas para atividades ilícitas, sem prejuízos de outras medidas não sancionatórias de cunho responsivo; e
  14. Indústria nacional: avaliar a viabilidade em se estimular a entrada do Brasil no mercado de cabos submarinos de longa distância.

https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2023/12/22/entenda-como-funcionam-os-cabos-submarinos-que-conectam-o-brasil-na-internet.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Escolas sem celulares

Vivemos uma ‘epidemia de distrações’ que comprovadamente prejudica a aprendizagem e a convivência social dos alunos

Por Renan Ferreirinha* – O Globo – 21/12/2023 O 

Brasil é um dos três países que mais usam redes sociais. Fomos denominados “o país do WhatsApp” pelo próprio presidente da empresa do aplicativo de mensagens. Somos também líderes mundiais no uso do celular por crianças e adolescentes, segundo estudo da McAfee. Noventa e seis por cento das crianças brasileiras usam ou já usaram smartphones, 19 pontos percentuais acima da média global. O uso excessivo e sem limites desses aparelhos exige que a sociedade brasileira discuta as seguintes questões: devemos deixar nossas crianças e adolescentes usar celulares nas escolas sem restrição? Ou devemos estabelecer regras e limites?

Vivemos hoje uma “epidemia de distrações”, que comprovadamente prejudica a aprendizagem e a convivência social dos alunos. Estudo em 14 países, destacado no Relatório Global da Educação da Unesco, concluiu que a mera presença de um celular já atrapalha o aprendizado. Evidências alarmantes apontam ansiedade, instabilidade emocional e até diagnósticos de depressão entre crianças. Segundo a OCDE, 80% dos estudantes no Brasil confessaram que ficaram distraídos nas aulas de matemática devido ao celular.

Por isso precisamos adotar medidas concretas para enfrentar esse problema que pode prejudicar o desenvolvimento e a saúde mental de toda uma geração. Interromper essa tendência é essencial para ajudar os alunos a evitar danos permanentes em sua vida. Na cidade do Rio, em agosto, um decreto do prefeito Eduardo Paes determinou a proibição do uso de celulares nas salas de aula da rede municipal — exceto se autorizado pelo professor por razão pedagógica ou em casos de saúde.

Em nova etapa recente, abrimos consulta pública que visa à proibição completa do uso de celulares, pelos alunos, durante todo o horário escolar, incluindo recreio e intervalos. Sem celular, sobra tempo para aprender e conviver, algo que se tem perdido com o isolamento dos estudantes em suas próprias telas.

Uma boa educação dos filhos em casa sempre passa pela família, estabelecendo regras. Na escola, não deve ser diferente. Logo, não se trata de ser contra a tecnologia. Trata-se de usá-la de maneira responsável e saudável. É possível fazer isso. Tanto que no Rio inauguramos 80 escolas onde a tecnologia é um dos pilares da educação — são os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), modelo de ensino mais inovador do país. No ano que vem, chegaremos a 200 GETs na cidade. Precisamos ter a tecnologia como aliada no desenvolvimento dessa nova geração, e não como vilã. Por isso é crucial educar, conscientizar e apoiar as crianças para o novo tempo em que vivemos.

Pelo bem dos nossos pequenos, toda a sociedade brasileira precisa estar unida para preservar o caráter sagrado da escola: lugar de aprendizagem e de convívio social entre os alunos. O tema é urgente. Se não agirmos rápido, a escola perderá seu aspecto central: a interação humana.

*Renan Ferreirinha é secretário municipal de Educação do Rio

https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2023/12/escolas-sem-celulares.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Inteligência artificial pode promover avanços de peso em 2024

Entre as possibilidades estão a decodificação de línguas extintas e a engenharia de proteínas

Álvaro Machado Dias – Folha – 20.dez.2023 

Neurocientista, professor livre-docente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e sócio do Instituto Locomotiva e da WeMind

Outro dia eu estava conversando com um amigo muito inteligente e querido que me lembrou da frase ora atribuída ao físico Niels Bohr, ora ao jogador de beisebol Yogi Berra: “É difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro”. Rimos. Grande verdade.

O que vem se mostrando cada vez mais viável é a possibilidade de usar indicadores como investimentos, capital intelectual alocado, impacto econômico e viabilidade científica da inovação para modelar cenários e assim reduzir um pouco a incerteza.

Em paralelo, estou convencido de que é fundamental incorporar o “espírito do tempo” nessas análises. A mentalidade de uma época torna certas coisas mais propícias do que outras, a despeito do que indicam os cálculos utilitários baseados em indicadores frios.

Aplicando esse raciocínio, cheguei às quatro tendências abaixo, pelo critério de máxima abrangência nos mais amplos domínios do conhecimento.

Engenharia de proteínas com IA gerando novas estratégias terapêuticas

Aminoácidos ligados de maneira especial apresentam propriedades que não podem ser encontradas em seus componentes e, por isso, recebem um nome específico: proteína. A compreensão das ligações que geram estas propriedades é essencial para o desenvolvimento das mais variadas terapias celulares, eliminação de substâncias tóxicas e muito mais.

Em 2022, o problema da modelagem de proteínas passou a ser considerado “resolvido”, com o registro da estrutura tridimensional de todas as conhecidas. O principal responsável foi o AlphaFold, da DeepMind, que vem sendo usado para desvendar centenas de desafios biológicos, da resistência a antibióticos ao surgimento da doença de Parkinson.

Acontece que o objetivo mais amplo não é entender, mas sim prevenir e curar. Esta é a tendência que deve ganhar força em 2024, pelo desdobramento do processo acima na criação em escala de proteínas com funções terapêuticas. Tratamentos clínicos moleculares devem proliferar.

Desenvolvimento de materiais novos usando IA

No finalzinho deste ano, a engenharia de materiais foi chacoalhada pela descoberta de 2,2 milhões de novos materiais, dos quais pelo menos 381 mil têm potencial aplicado.

O feito veio novamente da DeepMind, que desenvolveu a IA GNoME, cuja produção imediata os autores argumentam valer por 800 anos de trabalho humano. Neste momento, há uma intensa movimentação de empresas e governos para converter estes achados em protótipos e mesmo produtos no ano que vem, principalmente em duas áreas: semicondutores e baterias.

A ideia é extrapolar os princípios que levaram à descoberta dos materiais para a simulação de suas propriedades em cenários realistas e também determinar seus encaixes ideais em placas de silício e outras plataformas com IA. A guerra dos chips certamente vai ferver.

Se você é bom(a) observador(a), deve ter notado que existe uma relação profunda entre esta tendência e a anterior. Este é o tal efeito do espírito do tempo. Nós estamos passando da fase da descoberta de coisas que existem, mas que nos dão muito trabalho identificar manualmente, para o de sua translação à prática usando deep learning.

Decodificação de línguas extintas e sistemas de comunicação em outras espécies

Compreender o que as baleias estão dizendo, assim como corvos, elefantes e outros, é o objetivo de iniciativas que usam algoritmos generativos modificados para refinar e dar escala a pesquisas em comportamento animal. Finalmente, as senhoras dos Jardins poderão receber mensagens do seu cachorro no celular.

Dezenas de milhares de horas de empenho estão sendo condensadas pela IA, que deve nos levar aos primeiros resultados em 2024. Parece bastante esforço humano condensado, mas é apenas uma fração do que já investimos em outro processo de decodificação: o das línguas extintas. Basta notar que a tradução dos hieroglifos de uma única fonte, a Pedra de Roseta, tomou 23 anos.

Pois este processo também está começando a mudar pelo uso da IA para a sua decodificação em massa, o que por sua vez deve expor relações ocultas no quebra-cabeças sociolinguístico do passado. Arqueologia, antropologia, história e linguística viverão uma explosão de conhecimento, a partir do ano que vem, com a metodologia que começou a tomar forma pela tradução algorítmica de um milhão de peças da língua acádia para o inglês.

IAs equipando robôs que aprendem por transmissão cultural

Existem muitos desafios que não podem ser enfrentados por algoritmos isolados em servidores, posto que são irredutíveis a registros escritos e mesmo audiovisuais. Exemplos incluem sutilezas relacionais, decodificação contextualizada de moléculas aromáticas (e.g., queijo putrefato pode ser bom, carne putrefata é ruim) e deslocamento em espaços complexos. Nós aprendemos estas coisas por meio de dinâmicas culturais que envolvem os nossos atos e corpos.

A consciência disso deve levar a uma nova fase da IA que chamei de corporificada. O primeiro estudo mostrando como robôs equipados com algoritmos recém-desenvolvidos podem aprender por transmissão cultural acaba de ser publicado, sugerindo que esta abordagem transformadora da mecatrônica e da ciência da computação deve ganhar força no ano que vem, em combinação com o uso de algoritmos generativos do tipo ChatGPT para que robôs “etiquetem o mundo” e assim entendam do que estamos falando quando nos referimos àquilo que existe no mundo real.

Tal como o primeiro par de tendências, este último também é fortemente correlacionado; no caso, pela ampliação do escopo dos algoritmos generativos. Sinal dos tempos, sem dúvida.

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/12/inteligencia-artificial-pode-promover-avancos-de-peso-em-2024.shtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

IA vai mudar o mercado de trabalho global, mas não como você imagina

As habilidades com IA e as habilidades interpessoais são as mais buscadas por recrutadores, com demanda de praticamente todos os setores

Karin Kimbrough – Fast Company Brasil – 20-12-2023

Estamos caminhando para um mundo em que os diplomas não serão mais necessários – ou, pelo menos, não serão o suficiente para manter os profissionais em suas carreiras. Todos precisaremos estar continuamente aprendendo e desenvolvendo habilidades conforme as novas tecnologias evoluírem. 

Há muito otimismo nas mudanças do mundo futuro. No LinkedIn, nossa análise sugere que o aumento do uso de IA deverá transformar significativamente mais da metade de todos os empregos, e que as habilidades necessárias para realizar todo tipo de trabalho mudarão em até 65% até 2030.

Essa transformação vai aparecer na tecnologia que usamos nas tarefas diárias, no conhecimento de que precisamos para realizar nosso trabalho de forma eficaz e nas habilidades pessoais e técnicas necessárias para continuar a ser bem-sucedido profissionalmente.

Tudo isso mudará bastante até 2030. E esta é uma grande oportunidade para profissionais e empresas que estejam dispostos a investir no desenvolvimento da alfabetização em IA, bem como em habilidades pessoais.

ALFABETIZAÇÃO EM IA

As mudanças no mercado de trabalho nos últimos cinco anos nos deram vários indícios do impacto que essa nova era vai causar. Observamos uma mudança crescente em direção à contratação que prioriza as habilidades.

Sabemos que isso amplia o conjunto de talentos, democratiza o acesso a empregos e torna o mercado e a força de trabalho mais resilientes. De fato, cerca de uma em cada cinco vagas de emprego nos EUA não exige mais um diploma (contra 15% em 2021).

Desde o ano passado, habilidades com IA e interpessoais têm sido as mais procuradas, com demanda proveniente de praticamente todos os setores e abrangendo funções técnicas e não técnicas.

Paralelamente, a demanda por habilidades interpessoais que complementam a IA também está aumentando. A maioria (92%) dos executivos dos EUA concorda que as habilidades interpessoais são mais importantes do que nunca. 

Estudo do Linkedin mostra que as habilidades necessárias para realizar todo tipo de trabalho mudarão em até 65% até 2030.

Embora a IA certamente traga mudanças para os trabalhadores e para os diversos setores, acredito que a ampla disponibilidade e a adoção de ferramentas de IA também vão criar novos espaços de oportunidade para todos os profissionais. A inteligência artificial também fará com que a mobilidade profissional seja mais viável para muita gente.

Com o aumento da adoção da IA, o conhecimento e as habilidades necessárias para realizar um trabalho com sucesso mudarão. Em muitos casos, será menos importante ter um profundo conhecimento ou experiência em um determinado setor. Mais importante será saber como aplicar as ferramentas de IA em uma função.

Isso significa que as habilidades podem se tornar mais independentes de um setor específico, e que os profissionais que são alfabetizados em IA e sabem como usá-la de forma eficaz para gerar resultados poderão transitar mais livremente entre funções, setores ou empresas. 

INVESTIMENTO EM FORMAÇÃO

A alfabetização em IA – ou seja, ter conhecimento prático de ferramentas e tecnologias baseadas em IA – também vai reduzir o tempo gasto em tarefas como pesquisa, análise de documentos, gerenciamento de cronogramas e proporcionar muito mais eficiência em funções rotineiras.

De fato, 74% dos executivos norte-americanos preveem pelo menos uma maneira pela qual a inteligência artificial generativa beneficiará suas empresas e seus funcionários, incluindo o aumento da produtividade e o surgimento de mais oportunidades de crescimento e receita.

Por esse motivo, os empregadores e líderes empresariais precisarão priorizar o aprendizado dos trabalhadores e adotar uma mentalidade de “treinar para promover” que incentive o aprimoramento das habilidades e a transição para novos cargos e funções.

Os empregadores têm um papel importante a desempenhar para garantir que os funcionários de todos os níveis tenham acesso aos recursos necessários para se tornarem alfabetizados em IA e aproveitarem essa onda futura de oportunidades impulsionadas pela tecnologia. 

A inteligência artificial também fará com que a mobilidade profissional seja mais viável para muita gente.

Em uma força de trabalho habilitada para lidar com a IA, as pessoas capazes de utilizá-la com sucesso vão se destacar e estarão prontas para acessar as oportunidades que devem surgir nesse momento de transformação. É por isso que é tão importante que os profissionais invistam em si mesmos e no aprendizado do conjunto certo de habilidades complementares e de IA.

Mas muitos não estão tomando essa atitude no momento. De acordo com uma pesquisa do LinkedIn, menos da metade das pessoas afirma ter começado a experimentar ferramentas de IA e menos de um terço fez um curso online para entender a IA.

Aproveitar programas de certificação ou cursos online por meio de plataformas como o LinkedIn Learning, experimentar ferramentas populares de IA, como o ChatGPT ou o Copilot (para o Microsoft 365), ler artigos sobre IA, seguir formadores de opinião no assunto e obter uma sólida compreensão de como usá-la nos negócios permitirá que os profissionais capitalizem essa onda de oportunidades que está apenas começando.


SOBRE A AUTORA

Karin Kimbrough é economista-chefe do LinkedIn

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/


Google vai ampliar controle de semáforos com IA em 2024

Projeto propõe mudança no tempo do semáforo para diminuir parada nos cruzamentos e reduzir em 30% a emissão de CO2, diz a empresa

Por Ivone Santana — Valor – 19/12/2023

As longas paradas em cruzamentos das grandes cidades deixam cada vez mais motoristas e passageiros cansados e irritados pela perda de tempo, que chega a ser de horas, ao longo do dia. Mas outro fator também preocupante no trânsito é relacionado ao ambiente. A emissão de gás carbônico (CO2) é 29 vezes maior quando o veículo está parado em um cruzamento na comparação com o fluxo contínuo.

Com base nesse dado, a direção do Google Maps decidiu ampliar para todo o mundo, a partir de 2024, seu projeto Green Light (Luz Verde, na tradução literal). Levantamentos iniciais da empresa indicam que nos locais onde a iniciativa foi ativada há um potencial de reduzir as paradas dos veículos em 30% e as emissões de CO2 nos cruzamentos em mais de 10%. Como consequência disso, o Google calcula que o projeto pode trazer economia de combustível e redução das emissões de CO2 em até 30 milhões de viagens de carro por mês.

O Green Light começou a ser implantado há três anos. Chegou a 70 cruzamentos em 12 cidades – inclusive no Brasil – de quatro continentes. “O grupo de pesquisa fica majoritariamente em Israel e nós trocamos uma ideia”, diz Ivan Patriota, líder de parcerias de Google Maps para América Latina. A partir de sua sala em São Paulo, batizada de “Senhor Incrível” – o herói das histórias em quadrinhos que foi para o cinema -, o executivo interage com os engenheiros de Israel e das cidades parceiras. No prédio de 17 andares da gigante de tecnologia, todas as salas de reunião recebem nomes de super-heróis.

No Brasil, o Google fez uma parceria com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) para implantar em 2024 o Green Light nessa cidade do interior de São Paulo. Mas quem saiu na frente foi o Rio de Janeiro, como a primeira cidade com o Green Light na América Latina, em 2021. O projeto está ativo em seis cruzamentos considerados importantes para testar a ferramenta, diz Rubens Borborema, coordenador técnico de monitoramento de tráfego da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio). É o caso, por exemplo, das avenidas Atlântica e Prado Júnior.

Capaz de analisar milhares de cruzamentos simultaneamente, o sistema foi criado para buscar a melhoria do fluxo de tráfego com base em recomendações feitas por inteligência artificial (IA).

No Rio, economia de R$ 30 mil com equipamentos para cada cruzamento, diz Rubens Borborema

As recomendações são atreladas à sinalização semafórica e aos sistemas de controle de tráfego existentes na cidade. O modelo de algoritmo leva em conta, entre outros critérios, padrões de tráfego (aceleração e frenagem), a programação dos semáforos e como o fluxo do tráfego se comporta ao longo do dia. “Nós criamos a potencial chance de melhoria nos semáforos e vamos fazendo ajustes. Os engenheiros [dos municípios] implantam, mandam resultados e fazemos outras melhorias. É uma troca”, explica Patriota.

O Google Maps já é conhecido por boa parte dos motoristas. Trata-se de um serviço de pesquisa e visualização de mapas e imagens de satélite da Terra que, entre outras funções, orienta as melhores rotas no trânsito. A IA do Green Light interage com os dados do Google Maps para fazer análises e sugestões, como fechar ou abrir o sinal do semáforo no cruzamento, um pouco antes do habitual. Uma mudança de 10 a 15 segundos pode acelerar o fluxo.

O Google Maps possui 1 bilhão de usuários ativos por mês no mundo e está presente em mais de 250 países e territórios.

O Green Light cria condições para que o motorista pegue todos os semáforos verdes na trajetória sob estudo, mantendo o fluxo de veículos contínuo. No futuro, deverá estender a análise para toda a rota.

A equipe israelense faz a pesquisa para os cruzamentos em todas as cidades onde o serviço foi ativado. “O sistema não é automático e a inteligência artificial não atua sozinha. São engenheiros que entendem de IA e tráfego”, diz Patriota. O ser humano vê se faz sentido o que a IA sugeriu e decide se aplica.

Borborema, da CET-Rio, diz que a cidade tem 2,9 mil cruzamentos com 2,6 mil equipamentos. Sua expectativa é expandir o Green Light para a cidade toda. Isso também traria economia para o município, segundo o coordenador. Só para instalar, em um cruzamento, postes, colunas, cabeamento e câmeras para observação tradicional do trânsito, o custo é de R$ 30 mil, diz ele. Com o Google, o serviço é colaborativo e as cidades não pagam por isso, ao menos por enquanto. O ganho da empresa está no reforço para alcançar sua meta de carbono zero até 2030.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2023/12/19/google-vai-ampliar-controle-de-semaforos-com-ia-em-2024.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Inovação brasileira embarca nos aviões da Boeing e ajuda na economia de combustível

INPI acaba de conceder duas patentes para inovações desenvolvidas no centro de pesquisas da Boeing no Brasil

Por Mariana Barbosa – O Globo – 18/12/2023 

A Boeing acaba de conquistar suas duas primeiras patentes junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), resultado de pesquisas desenvolvidas pelo seu time de engenharia no país. Desde que o Centro de Pesquisas e Tecnologia da empresa foi inaugurado no Brasil, há 9 anos, os engenheiros depositaram estas e mais 30 patentes, que ainda aguardam os trâmites do INPI, embora já sejam reconhecidas nos EUA, Europa, China e Canadá.

As duas patentes permitem aos operadores economizar combustível — algo crucial nessa indústria — melhorando processos. Uma consiste em uma fórmula para calcular a rota ideal na decolagem a partir de parâmetros como densidade do ar e ângulo de subida. A segunda permite calcular de forma mais precisa o peso da aeronave no planejamento de voo e com isso realizar apenas o abastecimento do combustível efetivamente necessário.

As duas patentes são assinadas por José Alexandre Fregnani, gerente técnico do centro de Pesquisa e Tecnologia da Boeing.

O volume de invenções da Boeing no Brasil deve acelerar com a inauguração do Centro de Engenharia da empresa em São José dos Campos e que já conta com um time de 500 engenheiros. O novo centro, inaugurado em outubro, se soma ao CP&T, mas é ainda mais estratégico para a companhia, uma vez que os engenheiros trabalham de forma integrada no desenvolvimento de programas com o time global.

O centro é parte da estratégia traçada pela fabricante para superar a crise com os acidentes com o jato 737 Max e a alta da demanda pós-Covid.

— Na pandemia, a crise era a frota no chão. Mas sabíamos que depois viria uma crise de demanda forte e não tínhamos capacidade suficiente. Era preciso uma estratégia global — diz Landon Loomis, presidente da Boeing para a América Latina e Caribe.

Só no ano passado, a empresa contratou 15 mil pessoas, sendo 9 mil engenheiros, dos quais 2,5 mil fora dos EUA. Este ano, serão mais 15 mil funcionários globalmente (do quadro global de 156 mil funcionários, 50 mil são engenheiros).

— Há uma guerra por talentos a nível global. E o Brasil certamente está entre os países mais potentes em engenharia aeronáutica, além de ser geopoliticamente estável e ter uma cultura muito parecida com a nossa — diz Loomis.

Na crise da Ucrânia, o centro que a empresa tinha na Rússia, com 2,5 mil engenheiros, precisou ser fechado.

O centro brasileiro provocou um desfalque no mercado: a Embraer e outras empresas do setor aeronáutico chegaram a apelar para o Ministério Público para tentar coibir as contratações, sem sucesso. Mas nem todos os 500 engenheiros saíram de empresas locais. — Repatriados 50 engenheiros que estavam fora do país. Estamos transformando o Brasil em um pólo para atrair excelência — diz.

A ideia é seguir investindo no centro e, para isso, a empresa lançou recentemente um programa de estágios para engenheiros. A empresa também tem se aproximado de escolas e universidades, numa tentativa de atrair para a indústria aeronáutica talentos que muitas vezes vão parar na Faria Lima. No mês passado, foi anunciada uma parceria para a construção de um laboratório de sistemas aeronáuticos no Instituto Mauá de Engenharia, em São Paulo. A empresa também organizou um seminário e doou recursos para o laboratório do curso de engenharia aeronáutica da UFMG.

https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2023/12/inovacao-brasileira-embarca-nos-avioes-da-boeing-e-ajuda-na-economia-de-combustivel.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/