A revolução industrial nos oceanos e seus perigos

Por João Lara Mesquita – Estadão – 3 de fevereiro de 2023

A revolução industrial nos oceanos e seus perigos

O site outraspalavras.net publicou (2/2/2023) uma interessante entrevista com o  biólogo marinho Dough McCauley. McCauley, que trabalha como pesquisador na Universidade de Santa Bárbara, Califórnia, participa ativamente de fóruns internacionais de conservação dos oceanos. Contudo, ele alerta para a revolução industrial nos oceanos e seus muitos perigos, a maioria dos quais totalmente ignorados pelas pessoas comuns e a mídia tradicional. Até aqui, nada de novo. Desde 2005, quando foi aberto, este site alerta para o fenômeno: a mídia dá pouca atenção aos oceanos logo, o público leigo não tem mesmo como saber. Para Dough McCauley, ‘A maioria das pessoas não sabe, mas o que está acontecendo nos oceanos é uma revolução industrial muito silenciosa.’

A Economia Azul e suas consequências

O Mar Sem Fim já abordou algumas vezes a Economia Azul. Neste post, repercutimos a tese de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Economia e Desenvolvimento, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, de autoria de Andréa Bento Carvalho.

Qual o valor do PIB do Mar brasileiro?

Aos olhos da nova economia que está nascendo, Andréa queria saber qual o valor de nosso PIB do Mar. Foi a primeira vez que nossa economia azul foi avaliada. O ano escolhido para o estudo foi o de 2015.

O resultado foi impressionante. Em 2015, de acordo com a tese, a economia do mar  gerou R$ 1,11 trilhão. O estudo da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul estimou que os setores da economia dos oceanos representaram 19% do PIB nacional, incluindo  segmentos como petróleo, transporte, pesca, cabos submarinos, lazer e turismo.

Entretanto, nosso assunto hoje são as ameaças que isto pode trazer. Vamos por partes.

Definição de Economia Azul

A National Geographic foi feliz em sua definição: ‘Considerar os espaços aquáticos como motores de inovação e crescimento para um desenvolvimento econômico sustentável e rentável é o eixo da chamada economia azul.

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Sobre o conceito, o Banco Mundial afirma que envolve o “uso sustentável dos recursos oceânicos para o crescimento econômico, a melhoria dos meios de subsistência e do emprego, preservando a saúde do ecossistema”.

Economia Azul.Infográfico, http://www.boldbusiness.com.

Antes de mais nada, tanto um como o outro usam a expressão ‘sustentável’. É difícil ler um texto sobre aquecimento global, biodiversidade, etc, sem que a palavra ‘sustentável’ seja usada. Ela, definitivamente, tornou-se uma ‘bengala’.

Contudo, para nós do Mar Sem Fim é muito difícil encontrar algo que seja de fato sustentável acontecendo nos oceanos. Quem nos lê já sabe disso. E parece ser este o enfoque do biólogo californiano.

Novas tecnologias favorecem a exploração

Antes vamos nos lembrar que, como o outraspalavras.net abriu a entrevista, ‘as novas tecnologias favorecem a exploração do ambiente marinho como nunca antes: aquicultura, mineração, transporte, energia ou cidades erguidas sobre o oceano. Uma revolução que já impacta a nossa alimentação e a biodiversidade.’

Segundo Dough McCauley, ‘Ao longo da história, o transporte marítimo e a pesca têm sido os pilares da economia oceânica. Essas atividades têm milhares de anos na indústria humana. Mas isso está mudando. A pesca e o transporte marítimo estão aumentando e várias novas atividades surgiram e registram um crescimento significativo.’

‘Um exemplo é a aquicultura, que aumentou exponencialmente nas últimas duas décadas. Existem também outras indústrias, como a energia marítima, as construções costeiras, a dessalinização ou, mais preocupante, a mineração em alto mar.’

Em conclusão, diz McCauley, ‘Assemelha-se muito com a revolução industrial que ocorreu na terra há 200 anos. Há uma parte estimulante de criação de alimentos, de empregos, de energia limpa, de dados, mas também um grande desafio para que a industrialização não danifique os oceanos.’

Oceanos e a energia limpa

Este é o sonho dos cientistas: criar uma energia limpa que seja prática e a custos compatíveis. McCauley percebe que haverá grande procura por ela também nos oceanos.

‘Veremos cada vez mais centrais de energia no mar, que incluirão não apenas a energia eólica e maremotriz, mas também outras de tipo mais experimental como a energia térmica e ondomotriz.’

Isso significa mais pressão sobre o já hiper pressionado oceano. ‘Mas é preciso reconhecer que isso significará mais atividade humana no oceano que produzirá algumas mudanças. Temos que pensar no que devemos fazer para minimizar o impacto.’

Mineração no fundo do mar

Para quem está ‘por dentro’, esta é a bola da vez. Ou seja, a cada dia que passa as novas tecnologias que nos cercam precisam mais metais de terras raras, ou outras preciosidades já quase esgotadas em terra firme, porém ainda virgens nos oceanos.

A mineração marinha é o terror de pesquisadores como Sylvia Earle, ou Enric Sala. Mas, a despeito de seus inúmeros problemas para a biodiversidade, parece que será inevitável minerar o subsolo marinho.

McCauley faz parte dos que temem a atividade: ‘Recentemente, mais de 650 cientistas marinhos assinaram uma carta alertando que esta indústria criará grandes ameaças à saúde do oceano. Precisamos desacelerar e ver se existe uma maneira sustentável de fazer isso, embora estejamos preocupados em não encontrá-la. Talvez esta seja uma atividade que devemos evitar.’

Aquicultura, o equivalente à agricultura terrestre

O tema acima foi outro dos abordados pelo biólogo da Califórnia. Para ele, ‘ O fator mais importante do nosso impacto vem de como usamos a terra e das práticas agrícolas. Agora estamos iniciando uma nova revolução ao produzir alimentos cultivados no oceano.’

‘Há alguns anos, o número de peixes produzidos para consumo humano superou o da pesca selvagem, o que é um marco importante, similar ao que aconteceu quando deixamos de ser caçadores-coletores para nos tornarmos agricultores.’

‘Sabemos que existem fazendas sujas e outras que utilizam técnicas mais limpas. Destruímos ecossistemas inteiros em países como o Chile ou a Noruega e em muitos lugares da Ásia. Nesse caso, precisamos ser mais inteligentes e rigorosos para garantir que apenas as técnicas mais limpas prosperem.’

Sobre as fazendas ‘sujas’ ou ‘limpas’, no caso da primeira ele se refere à criação de salmão no Chile, que já abordamos, e igualmente na Noruega. Quanto à Ásia, ele não cita mas deixa implícito tratar-se das destrutivas fazendas de criação de camarão.

Finalmente, sobre as fazendas ‘limpas’, apesar dele não dar exemplos, certamente se refere à criação de alguns frutos do mar, especialmente organismos filtrantes como a ostra, o mexilhão, além de vieiras e algas. Estas são de fato sustentáveis, ou seja, ‘limpas’, produzem alimentos sem degradar o meio ambiente.

A revolução industrial nos oceanos e a população morando no litoral

Esta é outra preocupação de Dough McCauley. ‘Um grande crescimento de diversas atividades que irão alterar os litorais. A forma mais extrema são os bairros urbanos construídos no mar em lugares como o Oriente Médio, mas as cidades costeiras e a população dessas áreas estão aumentando em todo o mundo.’

E ele prevê um aumento também nesta área: ‘Haverá também um grande aumento das telecomunicações e hardware nos oceanos, e a dessalinização está aumentando em alguns lugares para garantir o acesso à água.’

‘Por fim, existem outros tipos de novas infraestruturas sendo consideradas, como os data centers submarinos que aproveitam o potencial de resfriamento desse ambiente.’

Ajuda da tecnologia

Apesar das muitas ameaças, McCauley acredita que as novas tecnologias podem ajudar. E cita seu projeto de proteção às baleias.

‘Uma das principais causas de morte de baleias ameaçadas de extinção em muitas partes do mundo são as colisões com navios. É um problema cada vez maior com o aumento do tráfego (Desde 1980, o transporte marítimo aumentou 1.600%).’

‘ A solução que projetamos, chamada Whale Safe, é baseada em hardware que tenta detectar baleias encontradas em rotas marítimas.’

‘O ideal seria que esses navios desacelerassem ao entrar em determinadas regiões, mas como não o fazem, porque tempo é dinheiro para eles, criamos esse sistema de alerta de baleias. O hardware compartilha as informações diretamente com as companhias de navegação, que as repassam aos capitães dos navios para que diminuam a marcha.’

‘No nosso primeiro programa piloto na Universidade de Santa Bárbara, instalado há dois anos, conseguimos chegar a zero colisões. Acho que não resolvemos o problema, mas é encorajador olhar para ele de maneira diferente.’

Conclusão

Perguntado sobre qual a importância da colaboração com as variadas indústrias que trabalham nos oceanos, respondeu: ‘Eu estudo baleias, peixes, corais e esse tipo de coisa, e nunca pensei que passaria tanto tempo conversando com empresas e executivos.’

‘Trata-se de uma peça muito importante: conversar com a indústria e saber exatamente o que ela precisa – quais dados são mais relevantes, em que formato devemos apresentá-los, com que frequência, com que antecedência.’

‘Precisamos lidar com as mudanças climáticas, um tema em relação ao qual, dependendo do dia, me sinto mais ou menos otimista.’

‘Por outro lado, estão ocorrendo algumas discussões internacionais que penso que podem ter uma grande influência na saúde dos oceanos. Uma delas é sobre o tratado internacional sobre biodiversidade em alto mar. Se fosse possível criar um acordo forte, teria grande relevância.’

‘O outro tratado muito interessante é o acordo internacional para acabar com a poluição plástica. O plástico é outro grande problema no mar. Se esse tratado chegasse a ser um acordo sólido e efetivo, poderia administrar uma das maiores externalidades da industrialização.

‘Cidade perdida’ no fundo do oceano é um habitat que pode ter gerado a vida no planeta

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Brasil é o 2º país que mais criou empregos em energias renováveis, atrás apenas da China

Um relatório feito pela Agência Internacional de Energia Renovável em parceria com a Organização Internacional do Trabalho mostrou que o Brasil gerou 1,4 milhão de novos postos de trabalho na indústria

Por Robson Rodrigues, Valor — 30/09/2023

Um relatório feito pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que o Brasil gerou 1,4 milhão de novos postos de trabalho na indústria de energias renováveis em 2022. O país só perde para a China (5,56 milhões) e está à frente dos Estados Unidos (994 mil) e da Índia (988 mil).

O aumento de empregos é reflexo do forte crescimento das fontes renováveis no Brasil, que vêm ditando a expansão do setor elétrico. O destaque ficou para a geração solar, com 241 mil empregos gerados; seguido do segmento de energia hidrelétrica, com 194 mil postos de trabalho; e eólicas, com 68 mil cargos. Já o segmento de biocombustíveis líquidos teve um salto de 856 mil empregos, mas considera empregos indiretos na fabricação de equipamentos, de acordo com a décima edição de Energias Renováveis e Empregos: Revisão Anual 2023.

No caso da fonte solar, o aumento de empregos acompanha o crescimento da capacidade instalada. A fonte saiu de 14 gigawatts (GW) de potência instalada. A fonte saiu de 14 gigawatts (GW) de potência instalada no final de 2021 para 25 GW no final de 2022, somando geração de grande porte (centralizada) e pequenos sistemas fotovoltaicos em telhados e terrenos (geração distribuída). Já a fonte eólica no Brasil, em 2022, teve um recorde de instalações e ultrapassou a barreira de 4 GW de nova capacidade instalada, ao somar as potências em operação comercial e em teste.

Ao que tudo indica, as duas fontes devem continuar impulsionando o crescimento de novos empregos no Brasil. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que a expansão da capacidade instalada da matriz elétrica foi de 7 GW entre janeiro e agosto de 2023. Desse total, 6,2 GW têm origem nas fontes solar e eólica. Na série histórica, este ano apresentou o maior aumento da geração solar e o segundo maior incremento na energia eólica. As fontes renováveis compreendem 83,79% de toda a matriz elétrica do Brasil.

No mundo, a energia solar fotovoltaica também foi a maior empregadora em 2022, alcançando 4,9 milhões de empregos, mais de um terço da força de trabalho total no setor das energias renováveis.

A conclusão do relatório é que as energias renováveis estão cada vez mais atraindo investimentos crescentes, conduzindo à criação de empregos. A maior parte deles está concentrada na China, que representa 41% do total global, seguido de Brasil, União Europeia, Índia e Estados Unidos.

“2022 foi outro ano notável para empregos em energias renováveis, em meio a desafios multiplicadores. Com mais investimentos em tecnologias de transição energética, a criação de milhões de empregos deverá ser feita em um ritmo muito mais rápido”, disse em nota o diretor-geral da Irena, Francesco La Camera. Isso porque, no início deste mês, os líderes do G20 concordaram em acelerar os esforços para triplicar a capacidade global de energias renováveis até 2030.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2023/09/30/brasil-e-o-2o-pais-que-mais-criou-empregos-em-energias-renovaveis-atras-apenas-da-china.ghtml

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OMC: futuro de uma economia global aberta está ameaçado

Comércio internacional está sendo reorientado de acordo com considerações geopolíticas

Assis Moreira – Valor — 12/09/2023

O futuro de uma economia global aberta e previsível está ameaçado, alerta a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, em meio à persistente tensão entre os Estados Unidos e a China que aponta para um começo de fragmentação.

No prefácio do “Relatório do Comércio Mundial 2023”, lançado nesta terça-feira (12) em Genebra, Ngozi nota que a ordem econômica internacional pós-1945 foi construída com base na ideia de que a interdependência entre as nações, pelo aumento do comércio e dos laços econômicos, promoveria a paz e a prosperidade compartilhada.

Durante a maior parte dos últimos 75 anos, essa ideia guiou os formuladores de políticas e ajudou a estabelecer as bases para uma era sem precedentes de crescimento, padrões de vida mais elevados e redução da pobreza.

Mas “hoje essa visão está ameaçada, assim como o futuro de uma economia global aberta e previsível”. Nesse cenário incerto, ela defende a OMC, que “está longe de ser perfeita”. Considera que o argumento para fortalecer o sistema de comércio é muito mais forte do que o argumento para abandoná-lo.

As tensões comerciais entre os EUA e a China, as duas maiores economias do mundo, mudaram seus padrões comerciais, constata a OMC. Apesar do comércio bilateral ter batido recorde no ano passado, os fluxos de mercadorias entre ambos cresceram muito menos lentamente do que no comércio com outros parceiros.

A constatação é de que o comércio internacional está gradualmente sendo reorientado de acordo com as linhas geopolíticas. Para ilustrar essa tendência, a OMC analisa blocos “hipotéticos” com base em índices de similaridade de política externa. O comércio entre esses blocos apresenta taxa de crescimento entre 4% e 6% menor em média do que as trocas dentro dos blocos desde o começo da guerra contra a Ucrânia em fevereiro de 2022, indicando uma mudança em direção do “friendshoring” (encorajar empresas a voltar a produzir em casa ou em países amigos próximos).

A análise sobre Investimento Estrangeiro Direto (IED) também aponta para fragmentação. Os fluxos para economias emergentes e em desenvolvimento são substancialmente menores para parceiros mais distantes geopoliticamente.

Considerações de segurança são um fator cada vez mais influente na política comercial, e contraproducentes se levadas longe demais. A proliferação de tensões comerciais reforça o ceticismo em relação ao comércio internacional na formulação de políticas comerciais, causando retrocessos nos esforços de integração regional e a adoção de medidas unilaterais.

O relatório examina possíveis efeitos da fragmentação sobre a pobreza e a desigualdade e conclui que esse movimento representa um risco significativo para o progresso da economia mundial.

Simulações da OMC apontam impacto negativo considerável especialmente para economias em desenvolvimento e as mais pobres no pior cenário de rivalidade geopolítica total. Em vez de irem na direção de convergência em relação aos países ricos, aquelas economias sofreriam perdas e a diferença do Produto Interno Bruto (PIB) aumentaria em 3,5 pontos percentuais.

Uma fragmentação aumentará os custos nas trocas comerciais. Atualmente, esses custos nas economias em desenvolvimento são quase 30% mais altos do que nas economias desenvolvidas. Os custos comerciais na agricultura são 50% mais altos do que os da indústria. Os custos do comércio de serviços também permanecem elevados, embora com grande variação entre os setores.

A evolução dos custos comerciais após 2018 esteve sujeita a crescentes atritos geopolíticos, bem como à pandemia da covid-19, que provocou aumentos nos custos comerciais por meio da imposição de barreiras comerciais temporárias, custos mais altos de transporte e viagem e maior incerteza.

Apesar do cenário atual, a OMC insiste que o comércio internacional continua a prosperar de várias maneiras, e considera exagerado o discurso sobre desglobalização. Em vez disso, defende uma reglobalização, que é um impulso renovado para a integração de mais pessoas, economias e questões urgentes no comércio mundial.

https://valor.globo.com/opiniao/assis-moreira/coluna/omc-futuro-de-uma-economia-global-aberta-esta-ameacado.ghtml

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O impacto de um asteroide de ouro na economia da Terra

O impacto de um asteróide de ouro na economia da Terra

Psyche 16, como foi batizado o objeto espacial, tem mais de 10 mil toneladas de ouro e pode valer trilhões de dólares.

by Christian Aranha – MIT Technology Review – setembro 27, 2023

O telescópio espacial Hubble capturou, durante sua jornada, imagens de um asteroide que chamou a atenção dos cientistas, não só pelo seu tamanho, como por evidências de que sua composição seria, em sua maioria, por metais. 

Batizado de Psyche 16, o asteroide foi mapeado há muito tempo pelo astrônomo italiano Annibale de Gasparis, mais especificamente em 17 de março de 1852, enquanto trabalhava no Observatório de Nápoles. Seu diâmetro é estimado em cerca de 226 quilômetros e está localizado a uma distância de 370 milhões de quilômetros daqui.  

Devido à quantidade de metais, já está na mira da Nasa, que, ao lado da Space X, empresa do bilionário Elon Musk, planeja uma missão de exploração ainda para este ano. 

Missão Psyche 16 

Antes da missão da NASA, cientistas planetários do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) forneceram uma prévia do que a sonda poderá ver quando chegar ao seu destino. Em um estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets, a equipe apresentou o mapeamento das propriedades da superfície do asteroide. A pesquisa foi feita com base em observações realizadas por uma grande variedade de telescópios terrestres no norte do Chile. 

Psyche 16 é um asteroide metálico localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Diferente da maioria dos asteroides compostos por rochas e gelo, Psyche 16 é composto principalmente por metais. Mais do que isso, novas evidências apontam para uma grande porção de ouro, o que o torna uma atração cósmica de valor inestimável. Seu valor já foi estimado em 700 trilhões de dólares, tornando-o uma verdadeira fortuna espacial. 

A Agência Espacial Americana está se preparando para estudar a mineração espacial em um dos empreendimentos mais ambiciosos da história da exploração espacial, a missão Psyche 16. Esta audaciosa expedição tem como objetivo verificar com mais precisão a quantidade de ouro presente e como pode ser possível extraí-lo. 

Mineração Espacial 

O valor estimado de Psyche 16 é de milhares de vezes maior que toda a economia mundial, o que faz dessa missão não apenas um feito científico notável, mas também uma possibilidade de impacto econômico significativo. 

Devido à presença de ouro e outros elementos preciosos em sua composição, o Psyche parece valer alguns bilhões de dólares. Algumas estimativas iniciais apontaram para a presença de 10.000 toneladas de ouro e 100.000 toneladas de platina neste objeto espacial. 

Só essa quantidade de ouro é estimada em 90 bilhões de dólares, enquanto a de platina vale um trilhão de dólares. Isso faz do Psyche um objeto extremamente cobiçado — embora a mineração de asteroides ainda seja inviável. 

Preparativos e lançamento 

A missão Psyche 16 tem sido meticulosamente planejada e elaborada ao longo de anos de pesquisa e desenvolvimento. Após uma série de testes e verificações, os últimos preparativos estão em andamento para o lançamento, que se tudo der certo, deve ocorrer em 5 de outubro deste ano. A espaçonave que levará a missão até Psyche 16 foi projetada para enfrentar os desafios inerentes a uma jornada de proporções épicas. 

Uma vez lançada da Terra, a espaçonave Psyche seguirá uma rota meticulosamente calculada para escapar da gravidade terrestre e iniciar sua jornada rumo a Psyche 16. O tempo estimado para a chegada é de seis anos, o que significa que os cientistas, engenheiros e todo o pessoal envolvido na missão terão que demonstrar paciência e perseverança durante esse período. 

Expectativas científicas e econômicas 

A missão Psyche 16 representa não apenas uma oportunidade única para estudar um asteroide valioso, mas também uma chance de fazer descobertas científicas significativas. Ao explorar a composição interna de Psyche 16, os cientistas esperam obter insights sobre a formação do sistema solar e a origem dos planetas. 

Além disso, do ponto de vista econômico, Psyche 16 poderia revolucionar a indústria de mineração espacial. A abundância de metais preciosos no asteroide poderia fornecer uma fonte quase inesgotável de recursos para a humanidade, abrindo novas possibilidades para a exploração espacial e a colonização de outros corpos celestes. 

Impacto econômico na Terra 

Os que imaginam que todos nós ficaremos ricos com tanto dinheiro podem ficar frustrados. Na economia, a abundância tem o efeito contrário fazendo os metais perderem parte do seu valor. Mais do que isso, só a possibilidade de mineração espacial futura já pode ir impactando aos poucos o preço, mesmo sem chegar até aqui, só pela projeção. 

No caso do ouro, a reserva de valor mais importante do mundo atualmente, é possível calcular a diluição econômica do mineral devido a quantidade disponível. A base monetária e o fornecimento desta moeda aumentariam muito.  

O impacto pode ser maior ainda se fizermos o cálculo com relação ao crescimento do Bitcoin, candidato a nova reserva mundial, pois nesse caso temos uma base monetária fixa que nenhum evento da natureza pode mudar.  

Quantidade de ouro na Terra 

O impacto está diretamente relacionado à quantidade de ouro total na Terra. Este número é difícil de estimar com precisão, mas podemos levar em conta a quantidade de ouro já extraída e em circulação que é de aproximadamente 197 mil toneladas.  

Sabemos também que a mineração de ouro continua em andamento em várias regiões, e novas reservas são descobertas periodicamente, embora em menor escala do que em épocas anteriores. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o estoque subterrâneo de reservas de ouro no planeta é estimado atualmente em cerca de 50 mil toneladas.  

Inflação atual do ouro 

A inflação do ouro refere-se ao aumento do preço do ouro ao longo do tempo. Devido à sua natureza escassa e à demanda por esse metal precioso como reserva de valor, o ouro tende a se valorizar ao longo do tempo. A inflação atual do ouro pode variar em diferentes períodos, sendo influenciada por fatores econômicos globais, políticas monetárias e flutuações cambiais. 

A produção das minas de ouro totalizou 3.531 toneladas em 2019, 1% a menos que em 2018, de acordo com o World Gold Council. 

Capitalização de mercado e inflação do Bitcoin 

A capitalização de mercado, ou marketcap do Bitcoin, é uma medida do valor total de todos os bitcoins em circulação. É calculado multiplicando-se o preço atual de um bitcoin pelo número total de bitcoins em circulação. Como o valor da cripto é altamente volátil, o marketcap pode variar significativamente ao longo do tempo. 

O Bitcoin tem um mecanismo de emissão fixo e previsível, conhecido como halving (redução pela metade). A cada quatro anos, a recompensa em bitcoin concedida aos mineradores por cada bloco minerado é reduzida pela metade. Isso leva a uma inflação decrescente ao longo do tempo, tornando o bitcoin deflacionário em comparação com as moedas fiduciárias, cuja oferta pode ser ampliada pelos bancos centrais. 

O halving do Bitcoin é um evento que ocorre aproximadamente a cada quatro anos, onde a recompensa concedida aos mineradores por cada bloco minerado é reduzida pela metade. Inicialmente, a recompensa era de 50 bitcoins por bloco, mas após o primeiro halving em 2012, tornou-se 25 bitcoins por bloco. Em 2020, ocorreu o terceiro halving, reduzindo a recompensa para 6,25 bitcoins por bloco. Ano que vem, em 2023 ocorrerá mais um, levando a emissão para 3,125 BTC por bloco, levando a inflação de 1,7% para 0,85% em média. Esses números irão diminuir cada vez mais de acordo com a precisão matemática do algoritmo, até chegar a zero, de forma determinística e imutável.  

O futuro, o espaço e o mundo digital 

Eventos da natureza estão repletos de incerteza e novas descobertas podem alterar a situação econômica do planeta a qualquer momento. Porém, um novo mundo digital está sendo construído, um mundo que os humanos tem muito mais controle. À exemplo do Bitcoin, não há como a natureza interferir neste processo. Eventos como este podem reforçar ainda mais a ideia de que a moeda digital será a reserva de valor principal do futuro. 

A missão Psyche 16 representa um marco histórico na exploração espacial e abre caminho para um futuro emocionante em termos científicos e econômicos. O estudo do asteroide de ouro pode fornecer insights fundamentais sobre a formação do sistema solar e, ao mesmo tempo, desencadear novas possibilidades para a exploração e a colonização espacial. Se tudo correr conforme o planejado, a missão Psyche 16 será uma das maiores conquistas da humanidade no campo da ciência espacial e poderá moldar o curso da exploração do espaço profundo para as gerações futuras. 

Autor

Christian Aranha

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Para alimentar o desenvolvimento do país

Ao todo o setor do agronegócio tinha, em 2022, 13,9 milhões de postos de trabalho

Por Gilberto Tomazoni – Valor – 14/09/2023

No interior do país, distante dos grandes centros urbanos, se desdobra um movimento que é crucial para as ambições do Brasil. Muito se fala a respeito dos sucessivos recordes para volume de safra, assim como sobre a participação de 25% do agronegócio na economia brasileira. Também é notória nossa liderança mundial na exportação de produtos como soja, café, citrus, frango e carne bovina, para ficar nos mais conhecidos. O ponto crucial, porém, diz respeito ao potencial singular que o setor de alimentos tem de impulsionar a geração de empregos, renda e produção no interior, algo muito relevante diante do desafio persistente do país de promover a inclusão socioeconômica de sua população.

Atualmente, o setor alimentício responde por 1,9 milhão de postos de trabalho diretos e formais, o que equivale a 24,3% das vagas da indústria de transformação. de acordo com dados da Pnad Contínua. Porém, se mapearmos por completo toda essa cadeia de produção, o número é muito maior e vai além dos empregos. Quando se pensa nos elos que permitem que a produção do campo chegue às mesas das famílias brasileiras e do mundo todo, é preciso considerar não só a colheita de grãos e frutos ou a criação de animais. Há equipamentos, logística, insumos e uma infinidade de atividades e serviços especializados que atuam de forma coordenada para que o objetivo de alimentar o país e o mundo seja realizado. A questão aqui é como mensurar tudo isso.

A ciência econômica mapeia o tamanho dessa rede de produção, com seus impactos diretos, indiretos e induzidos por meio do que chama modelagem de insumo-produto. Por essa técnica, se procura mapear a economia com uma série de setores interligados. Produzir alimentos, portanto, no geral se caracteriza por uma longa cadeia de suprimentos. Para cada emprego direto gerado numa unidade produtiva industrial, que podemos considerar como efeito direto, são criados outros pontos de trabalhos em seus fornecedores diretos de insumos, que, por sua vez, acionam uma cadeia de suprimentos, chamados de fornecedores dos fornecedores. Aí está o chamado efeito indireto.

O movimento não para aí. Além desses efeitos diretos e indiretos, existem os induzidos. O salário pago pela indústria para seus colaboradores volta para a economia na forma de consumo – mais produção e mais emprego associados ao que se produziu originalmente. Quando a gente olha para todos esses efeitos – diretos, indiretos e induzidos – ao longo das cadeias produtivas do setor de alimentos, chegamos a um efeito multiplicador muito grande.

Seguindo esse raciocínio, recentemente houve a divulgação de um estudo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e pelo Nereus (Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo) que corroborou a importância desse olhar mais amplo sobre as redes que se formam na produção de alimentos. Como exemplo, a pesquisa indicou que as cadeias produtivas ligadas à JBS movimentaram, em 2021, o equivalente a 2,1% do PIB (Produto Interno Bruto) e contribuíram para a geração de 2,73% dos empregos do país. A companhia, que contrata diretamente 145 mil pessoas em mais de 130 municípios brasileiros, ajuda na formação de 2,9 milhões de postos de trabalho, levando em conta as cadeias produtivas ligadas a ela, segundo esse levantamento. Aqui, citei o caso da empresa que dirijo, mas o mesmo tipo de modelo se aplica a outras companhias que demonstram o potencial do setor de alimentos como motor socioeconômico do interior brasileiro.

Recentemente, a Fundação Getulio Vargas divulgou um estudo que reforça a contribuição cada vez maior da produção de alimentos num dos pilares mais importantes para qualquer economia: a geração de empregos. Entre 2019 e 2022, em que pese ter sido um período de muita turbulência – com a pandemia da covid-19, quebra de safra e conflito na Ucrânia -, o agronegócio brasileiro alcançou a maior taxa de formalidade desde o início da série histórica, em 2016.

Ao todo o setor tinha, em 2022, 13,9 milhões de postos de trabalho, contra 13,6 milhões três anos antes. Nesse intervalo, foram criadas 344 mil novas vagas, expansão de 2,5%, que permitiu superar o total de pessoas ocupadas antes da pandemia. Em igual período, outro dado relevante: o Valor Bruto da Produção Agropecuária, divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, avançou 29,2%. Nesse processo, houve uma expressiva formalização do trabalho, além de uma tendência de maior estabilidade e remunerações mais altas. A taxa de formalidade na agricultura subiu para 23,5%, percentual mais alto da série histórica.

Esses estudos mostram a relevância da produção de alimentos para o crescimento do interior do Brasil. Com novas oportunidades de trabalho, melhora a qualidade de vida como um todo – mudam a renda, a educação, a saúde e a moradia das pessoas. Não só as cidades com unidades industriais instaladas, mas também as de seu entorno, se beneficiam do desenvolvimento de empregos e salários. Há ainda uma indução de ganhos de produtividade quando se analisam dezenas de setores interligados – como produção, capital, insumos, trabalho, terra, consumo das famílias e exportações de centenas de produtos.

Portanto, a ciência é capaz de calcular e de comprovar que o setor de alimentos gera de maneira direta uma quantidade muito relevante de empregos e de desenvolvimento econômico, além de uma infinidade de benefícios indiretos e induzidos também. Isso reforça a importância de se estimular essa indústria para promover a expansão econômica e a inclusão da população brasileira, em especial o interior.

Isso tudo num contexto que conjuga produtividade com responsabilidade. O Brasil tem um papel crucial a desempenhar na missão de alimentar a crescente população mundial num quadro marcado pelas mudanças climáticas. As oportunidades são amplas e, como rede, cada elo da cadeia de produção de alimentos precisa cooperar entre si.

O país vem demonstrando ao longo dos anos que conhece os caminhos para produzir mais com menos, preservando nossa biodiversidade, a mais rica entre todas as nações. Com a disseminação das melhores práticas e apoio sobretudo a quem tem menos acesso a avanços tecnológicos e recursos financeiros, as oportunidades da terra para a Terra vão se multiplicar.

Gilberto Tomazoni é CEO Global da JBS

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/para-alimentar-o-desenvolvimento-do-pais.ghtml

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‘Empresas já leem nossas mentes e vão saber mais com neurotecnologia’, diz pesquisadora

Nita Farahany defende atualização das noções de privacidade que proteja dados extraídos das atividades cerebrais

Shin Suzuki – Folha/BBC News Brasil – 17.set.2023 

Alguns anos atrás, a ideia de “ameaça à privacidade de pensamento” estava mais para “1984”, de George Orwell, e para o terreno da ficção científica distópica. 

Para Nita Farahany, professora da Universidade Duke (EUA) que se especializou em pesquisar as consequências das novas tecnologias e suas implicações éticas, essa ameaça já é presente hoje e deve ser levada a sério. 

A iraniana-americana lançou neste ano o livro “The Battle for your Brain: Defending the Right to Think Freely in the Age of Neurotechnology” (“A Batalha pelo seu Cérebro: Defendendo o Direito de Pensar Livremente na Era da Neurotecnologia”, em tradução livre, sem edição brasileira). 

Mas como é possível ler o nosso cérebro? Bem, de fato ainda não existe, como na ficção, uma supermáquina que entra na cabeça de uma pessoa e entrega uma lista completa de ideias e conceitos. 

Na verdade, explica Farahany, as defesas da nossa privacidade de pensamento começaram a ser derrubadas sem a necessidade de examinar diretamente o cérebro. 

Isso foi possível com a vasta quantidade de dados pessoais compartilhada em redes sociais e outros apps, que é analisada por algoritmos e depois monetizada. 

Hoje as companhias de tecnologia detêm informações importantes sobre nós: quem são nossos amigos, qual conteúdo gera emoção (e, importante, que tipo de emoção), as preferências políticas, em quais produtos clicamos, por onde circulamos ao longo do dia e algumas das transações financeiras. 

“Tudo isso está sendo usado por empresas para criar perfis muito precisos sobre quem somos e assim entender nossas preferências e nossos desejos”, diz Farahany em entrevista à BBC News Brasil. 

“É importante as pessoas entenderem que elas já estão em um mundo onde mentes são lidas.” 

Outra fronteira do nosso funcionamento interno começa a ser explorada com a popularização de smartwatches (relógios inteligentes), que reúnem dados sobre batimento cardíaco, níveis de estresse, qualidade do sono e muito mais. 

Mas o avanço da neurotecnologia, com equipamentos em contato direto com a cabeça, leva tudo isso a um novo patamar, com mais dados e mais precisão. 

Ela explica que sensores cerebrais são justamente parecidos com sensores de frequência cardíaca encontrados nos smartwatches ou em anéis que medem a temperatura do corpo quando captam a atividade elétrica no cérebro.

“E toda vez que você pensa, ou toda vez que sente algo, os neurônios disparam em seu cérebro, emitindo pequenas descargas elétricas. Padrões característicos podem ser usados para tirar conclusões”, afirma.

 “Por exemplo, se você vê uma propaganda e sente alegria ou estresse ou raiva, tédio, envolvimento… todas essas reações podem ser captadas por meio da atividade elétrica em seu cérebro e decodificadas com a inteligência artificial mais avançada.” 

Ou seja, esses sinais cerebrais transmitem o que sentimos, observamos, imaginamos ou pensamos. 

Farahany afirma que as pessoas precisam compreender e aceitar que o cérebro “não é inteiramente delas”. 

Essa situação leva a própria filosofia a questionar o conceito de livre arbítrio, ou seja, o poder de um indivíduo de optar por suas ações. “Imagine que você se proponha no começo da semana a não passar mais de uma hora por dia nas redes sociais. Aí você descobre no final que você gastou quatro horas por dia. O que aconteceu?”, pondera a professora de Direito e Filosofia na Duke. 

“Se existem algoritmos projetados para te capturar quando você quer se desconectar, se existem notificações quando você fica muito tempo fora do celular, se você quer assistir a só um episódio da série e o próximo começa automaticamente, você usou seu livre arbítrio? São ferramentas e técnicas projetadas para prejudicar aquilo com que você se comprometeu.” A especialista em ética e novas tecnologias Nita Farahany
Nita Farahany propõe um “direito à liberdade cognitiva” – Universidade Duke ‘Tecnologia em si raramente é o problema’ 

Farahany, ao contrário do que se possa pensar, é uma grande entusiasta dos avanços da neurotecnologia

Ela enumera ao longo de “The Battle for Your Brain” uma longa lista de contextos em que o monitoramento cerebral poderia melhorar a humanidade e salvar vidas. 

“O que eu proponho é um equilíbrio. É tanto uma forma de as pessoas enxergarem os aspectos positivos da tecnologia, mas também de estarem protegidas contra os riscos mais significativos”, diz.

 “Para chegar lá, é necessário mudar a forma como pensamos a nossa relação com a tecnologia. A tecnologia raramente é o problema. Quase sempre é o mau uso.”

 “Não se trata de encampar posições absolutas do tipo ‘tudo isso é ruim’ ou ‘tudo isso é ótimo’, mas tentar definir quais são as funcionalidades dessa tecnologia para o bem comum e quais são os riscos de uso indevido.” 

Esses cenários de um futuro não tão distante, no entanto, são complexos, cheios de facas de dois gumes. A neurotecnologia poderá reduzir o número de acidentes fatais ao acompanhar os graus de desatenção e, principalmente, de fadiga que atingem caminhoneiros e condutores de trem/metrô, por exemplo. 

Essa mesma funcionalidade pode ser abusada por uma empresa ou escola em busca da produtividade total, em que momentos de distração de um empregado ou aluno são vigiados, registrados e eventualmente punidos. 

Uma pulseira que capta ondas eletromagnéticas enviadas pelo cérebro para movimentar braços e mãos poderá transformar esses impulsos em sinais eletrônicos e tornar experiências digitais ou de realidade virtual muito mais intuitivas e integradas. 

E há um potencial ainda mais importante nesse dispositivo: o de detectar os estágios iniciais de uma doença neurodegenerativa. A análise das atividades cerebrais como um todo poderá representar um salto imenso para a medicina e a longevidade. 

Por outro lado, escreve Farahany no livro, a mesma pulseira também perceberá “se você está envolvido em uma atividade íntima usando suas mãos em seu quarto”. 

E todos esses dados nas mãos de governos? Mas para a professora iraniana-americana a grande preocupação em relação à privacidade individual está em governos de posse de uma gama cada mais ampla de dados pessoais. 

Ela relata que o Departamento de Defesa dos EUA financiou uma empresa que desenvolveu um sistema biométrico que combina dados de ondas cerebrais, estados cognitivos, reconhecimento facial, análise das pupilas dos olhos e mudanças na quantidade de suor produzido. 

Já na China, uma reportagem de 2018 do jornal South China Morning Post contava que trabalhadores de diversos ramos e integrantes de forças militares do país já usavam monitores de ondas cerebrais para detectar picos emocionais como depressão, ansiedade ou raiva. 

Além do uso para melhorar performances e assim o resultado financeiro de empresas, a reportagem dizia que outro objetivo era “manter a estabilidade social” chinesa. 

Farahany afirma que, na maioria dos países, as leis sobre privacidade não contemplam explicitamente o direito à privacidade mental. 

“Acredito que as Nações Unidas precisam avançar no sentido de reconhecer o que chamo de ‘direito à liberdade cognitiva’. Um direito universal que nos direcionaria a uma atualização da privacidade, que diga explicitamente que há direito à privacidade mental, um direito de estar protegido contra interferências na maneira como pensamos e sentimos.” 

Ela diz que “liberdade de pensamento” é hoje aplicada e entendida como sendo estritamente a respeito de liberdade de religião e de crença.

 “Acho que precisamos expandir esse entendimento para haver uma proteção contra a interferência, a manipulação e a punição contra o pensamento.” 

O problema é que a tecnologia se desenvolve sempre mais rápido que o debate e a aprovação de uma legislação, e empresas e governos se aproveitam dos vazios de legalidade.

 “Trata-se realmente de tentar descobrir o quanto antes, e também conforme a tecnologia evolui, quais são seus benefícios e riscos. E depois esclarecer o que está em jogo e desenvolver um regime regulatório que aborde isso. Nem sempre é fácil de fazer”, reconhece Farahany. 

O projeto de Elon Musk O mais visível projeto de neurotecnologia tem vários elementos para a controvérsia: envolve a implantação de um chip no cérebro e tem a liderança de Elon Musk, figura frequente no noticiário e muitas vezes envolto em polêmicas. 

Uma de suas empresas, a Neuralink, quer no futuro implantar esse tipo de dispositivo no órgão mais complexo do ser humano para curar doenças como Alzheimer e permitir que pessoas com doenças neurológicas controlem celulares ou computadores com a mente. 

Alguns especialistas na área demonstram receio com o projeto, levantando dúvidas sobre as implicações desse tipo de tecnologia desenvolvida por uma empresa com fins lucrativos. 

Em maio último, a FDA, a agência norte-americana que controla alimentos e remédios, autorizou o primeiro teste com humanos. 

“Não estou tão preocupada com o projeto de Musk. Na verdade, estou um tanto otimista quanto a isso”, diz Farahany.

 “A Neuralink promete duas inovações: fazer cirurgia via robôs, que executariam as partes mais delicadas e difíceis da operação [de implante de neurotecnologia]. A segunda são eletrodos do tamanho de um fio de cabelo que poderiam ser implantados com muito menos risco para o cérebro humano.” 

Poucos cirurgiões no mundo têm habilidade hoje para executar um procedimento assim. 

“Se eu me tornasse severamente incapacitada a ponto de não conseguir mais me comunicar ou me mexer, eu provavelmente buscaria a oportunidade de ter algum tipo de tecnologia neural implantada.” 

Esse texto foi originalmente publicado aqui

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/09/empresas-ja-leem-nossas-mentes-e-vao-saber-mais-com-neurotecnologia-diz-pesquisadora.shtml

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The Economist: Região central do Brasil agora se parece com o Texas

De acordo com a revista britânica, interior brasileiro é uma terra de ‘brutos’, não de playboys

Por Estadão/The Economist – 24/09/2023 

Pense no Brasil e, se você for como a maioria das pessoas, a imagem de praias com palmeiras, samba e caipirinhas virá à sua mente. Esse clichê precisa ser atualizado. Nas últimas duas décadas, o centro de gravidade da política e da economia começou a mudar das costas úmidas, às quais se dizia que os brasileiros se agarravam “como caranguejos”, para as vastas e áridas planícies da região central do País. A trilha sonora de lá é o sertanejo. A bebida preferida é a cerveja gelada.

O censo do Brasil, o primeiro em 12 anos, mostrou uma tendência importante quando foi publicado em junho. Sete dos dez municípios que mais cresceram estão na região agrícola do Sudeste e no Centro-Oeste do País. A população do Centro-Oeste, que inclui os Estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da capital Brasília, cresceu 1,2% ao ano, mais do que o dobro da taxa nacional.

O Sudeste ainda tem a maior parcela da população brasileira e do dinheiro – o Estado de São Paulo, sozinho, é responsável por um terço do PIB do Brasil e é o lar de um quinto da população nacional. Mas, até mesmo em terras paulistas, é na região agrícola onde a população e a economia estão crescendo mais.

As migrações no Brasil não são novidade. O deslocamento daqueles do Nordeste pobre para o polo industrial em torno da cidade de São Paulo influenciou bastante a economia e a cultura do País na segunda metade do século 20. O atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, é o mais famoso dos milhões que fizeram essa travessia. Depois de a fome assolar sua cidade natal em Pernambuco, sua mãe colocou os oito filhos em um pau-de-arara e seguiu em direção ao sul do País.

Lula ganhou destaque como líder sindical na indústria automobilística nas proximidades de São Paulo. Agora, quando as pessoas saem do Nordeste, elas tendem a ir para a região central do Brasil. O que mudou foi a percepção de quais atividades podem proporcionar uma vida melhor, disse Carlos Vian, da Universidade de São Paulo (USP). “Antes, era a indústria; não mais.”

O ímã que atraiu Lula para São Paulo perdeu força. Em meados da década de 1980, a indústria representava um terço do PIB do Brasil; hoje ela responde por apenas 10%. O superávit do País no setor, US$ 6 bilhões em 2005, tornou-se um déficit de US$ 108 bilhões em 2019. A produção na indústria e nos serviços estagnou ou encolheu.

A agricultura, a base da economia brasileira no século 19, está de volta. O País ainda exporta café e açúcar, que já foram cultivados em plantações onde pessoas escravizadas trabalhavam. Desde o início dos anos 2000, a demanda voraz da China tem estimulado um aumento da produção de soja, grãos e carne. As exportações agrícolas, como parte do total, mais do que quadruplicaram desde 2000, para 40%.

Atualmente, o setor é responsável por um quarto do PIB e emprega uma parcela semelhante de trabalhadores. De 2002 a 2020, a economia de Mato Grosso, o reduto da soja, cresceu 4,7% ao ano em termos reais, mais do que a de qualquer outro Estado e mais do que o dobro da taxa nacional.

O boom do agronegócio está mudando aos poucos a demografia e a cultura. Na década de 1970, mais de quatro quintos do crescimento populacional ocorriam nas maiores cidades. Nos últimos 12 anos, durante os quais a população cresceu mais lentamente, dois terços do crescimento ocorreram em cidades de médio porte.

A cidade de Sinop, um polo da soja em Mato Grosso, é um exemplo da tendência. O Estado tinha poucos habitantes até meados do século 20. Sucessivos governos se propuseram a povoar a região central do País. Órgãos foram criados para oferecer terrenos e crédito baratos às pessoas que se mudassem para lá. Eles se multiplicaram durante a ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. Sinop, fundada em 1974, tem o nome de uma das empresas que se propôs a povoar esta parte do País.

No início, a vida era difícil para esses novos moradores (embora tenha sido ainda mais difícil para os povos indígenas que eles expulsaram). A terra cor de ferrugem produzia pouco e as doenças se alastravam depressa. A tecnologia veio para ajudá-los. Na década de 1980, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu uma variedade de soja que prosperava nos solos ácidos da região. Entre os beneficiários estava o pai de Juliano Antoniolli, que chegou em Sinop em 1981, antes de as fazendas terem acesso à eletricidade. Naquela época, o centro da cidade era “apenas uma grande poça de lama”, disse Antoniolli, fazendeiro, 38 anos.

Agora, quatro mil cabeças de gado perambulam ao lado das plantações de soja e milho em sua propriedade de 2.400 hectares perto de Sinop. Drones pulverizam fertilizantes e tratores John Deere puxam arados. Três receptores da Starlink, empresa de internet via satélite de Elon Musk, conectam a fazenda à internet. Antoniolli emprega 12 pessoas em tempo integral e outros trabalhadores temporários durante a época da colheita. Ele paga em média um salário de RS 8 mil por mês, três vezes o salário médio do Brasil. Ele vende a maior parte de seus produtos para a Cofco, uma gigante chinesa do setor de alimentos.

O soft power do sertanejo

Graças ao dinheiro e aos empregos trazidos pelo boom agrícola, não apenas para os agricultores, mas para os trabalhadores da construção civil e outros, a população de Sinop aumentou 73% nos últimos 12 anos, chegando a 200 mil. Hoje uma cidade com rotatórias e concessionárias de automóveis, ela se assemelha mais a um povoado no sul dos Estados Unidos do que às metrópoles na costa do Brasil. Um posto de gasolina se autodenomina Texas, e um açougue, Super Beef.

Com a influência econômica vêm outros tipos de influência. O sertanejo tornou-se o estilo musical mais popular do Brasil. Em 2003, 16% das músicas mais tocadas nas rádios brasileiras eram desse gênero. Em 2022, três quartos delas eram sertanejo. Um subgênero, o agronejo, faz referências ao agronegócio. O cantor Luan Pereira compôs um hit com menções a uma Dodge Ram, uma caminhonete americana robusta e a favorita dos barões da soja.

O vídeo teve quase 100 milhões de visualizações nos últimos seis meses no YouTube. Alguns cantores sertanejos se autodenominam “brutos”, em oposição aos “playboys” da cidade. “Cinco playboy não faz o que um bruto faz (sic)”, vangloria-se na música o DJ Kévin, usando um chapéu de cowboy, ao lado de Pereira.

A confiança do sertanejo representa um desafio para Lula e seu governo. Por um lado, o Planalto acolhe o crescimento econômico que acompanha a expansão agrícola. Por outro, preocupa-se com seu custo ambiental e suas implicações políticas. A agricultura está crescendo em parte às custas do cerrado, o segundo maior bioma do Brasil, ficando atrás apenas da Amazônia.

Os donos dessas terras tendem a ser fãs de Jair Bolsonaro, o presidente de direita que Lula derrotou nas eleições do ano passado. (Aliás, segundo um site de notícias, Antoniolli estava entre os apoiadores do ex-presidente que atacaram as sedes dos três poderes em Brasília, em janeiro, em protesto contra a posse de Lula. Ele disse ao site ter saído dali assim que o vandalismo começou.)

Em resposta ao censo, o Supremo Tribunal Federal do Brasil fixou um prazo em agosto para a primeira redistribuição de cadeiras na Câmara desde 1993. O Nordeste favorável a Lula sairá perdendo, enquanto a região central agrícola ganhará.

Lula iniciou seu terceiro mandato em janeiro (ele esteve no poder de 2003 a 2010) como inimigo da agropecuária. Durante a campanha eleitoral, propôs limitar as exportações de carne bovina para manter os preços no País baixos. No entanto, desde então, tem tentado melhorar a relação com o agronegócio, oferecendo mais apoio e, ao mesmo tempo, persuadindo-o a ser mais sustentável. No dia 27 de junho, anunciou que o governo disponibilizaria R$ 364 bilhões em empréstimos subsidiados a agricultores, o maior plano de crédito rural do Brasil. Os produtores que utilizam energia renovável e agrotóxicos não químicos serão beneficiados com os empréstimos mais baratos.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criado na década de 1950 para promover a indústria, está mudando o foco para o financiamento da agricultura. Em 2009, o agronegócio recebeu apenas 5% dos empréstimos do banco. No ano passado, quase um quarto dos recursos financeiros do BNDES foram destinados à agricultura e menos de um quinto à indústria. É improvável que a distribuição volte a mudar sob o governo de Lula.

Muitos produtores afirmam apoiar o esforço do governo em tornar a agricultura mais sustentável. Daniel Freire, chefe de uma rede de frigoríficos no Pará, disse que sua empresa precisa de licenças ambientais para as exportações com destino à Europa e aos EUA.

“Para exportar para os melhores mercados do mundo, é importante melhorar nossos padrões sanitários e ambientais”, afirmou. Em abril, o Parlamento Europeu aprovou uma lei que, a partir do final do próximo ano, obrigará os produtores de commodities a comprovar se seus produtos contribuem ou não para o desmatamento desde 2020.

Contudo, em particular, muitos produtores reclamam da legislação ambiental. Eles se opõem, e às vezes desrespeitam, ao Código Florestal que obriga os agricultores do cerrado a manter entre 20% e 35% de vegetação nativa em suas propriedades. Alguns produtores e fazendeiros avançam para dentro da floresta tropical em Estados como o Pará, onde a exigência é mais rigorosa (80% da sua floresta devem ser preservadas), porém a fiscalização é ainda mais fraca.

O Brasil é um dos poucos países onde as terras para cultivo continuam em expansão. O Departamento de Agricultura dos EUA estima que até 2031 outros 20 milhões de hectares, cerca de um quarto da área atual de cultivos, estarão produzindo. Mas o crescimento não precisa significar derrubar árvores. Acredita-se que cerca de 170 milhões de hectares de pastagens sejam subutilizados.

Se os agricultores cultivassem soja em apenas 10 milhões desses hectares, poderiam aumentar a produção em 40 milhões de toneladas por ano na próxima década, praticamente 10% da produção global de hoje, disse Daniel Amaral, da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais.

A produção de cada hectare também pode aumentar. Os produtores brasileiros de milho cultivam uma média de seis toneladas métricas por hectare, metade do que os agricultores americanos plantam. Uma infraestrutura melhor poderia alavancar os lucros e os investimentos. Os caminhões que transportam os grãos do Mato Grosso para o porto precisam percorrer uma estrada de mil quilômetros toda esburacada.

As despesas do Brasil com a logística são equivalentes a 12,1% do Produto Interno Bruto, em comparação com os 7,6% dos EUA. Os produtores têm muito a ganhar com um governo que invista na redução desses gastos.

Em lugares como Sinop, o futuro parece promissor. No entanto, crescem os temores de que o sucesso dos produtores brasileiros possa conter as sementes da sua ruína. O desmatamento do cerrado poderia mais cedo ou mais tarde levar à redução das chuvas. Os sinais da pressão das mudanças climáticas já começaram a surgir. O sertanejo poderia perder sua confiança qualquer dia desses.

https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-regiao-central-brasil-texas/

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Comer, amar e viver cem anos

Conexões reais, um dos pilares para a longevidade, podem não ser facilmente substituídas pelas virtuais

Ronaldo Lemos* – Folha – 24.set.2023 

Está na moda agora falar das “blue zones”. São as regiões do planeta onde as pessoas vivem mais do que o esperado, ultrapassando cem anos. Por exemplo, Icária, a ilha grega no mar Egeu, a península de Nicoya na Costa Rica, as ilhas de Okinawa no Japão, ou ainda, a comunidade adventista Loma Linda na Califórnia. Lugares completamente diferentes, mas com a longevidade (e saúde) dos seus habitantes em comum. No streaming tem até documentário recente sobre o tema (que não vi). 

Vários estudos tentam fazer a “engenharia reversa” dessas regiões, buscando o segredo da vida longa e saudável. Por exemplo, hábitos alimentares. Várias das regiões consomem 90% ou mais de alimentos de origem vegetal, com destaque para feijão preto, batata doce, lentilha e soja (consumida como tofu). Praticamente não consomem leite e derivados nem açúcar. 

O consumo de carne (na maior parte de porco) ocorre cerca de cinco vezes por mês em porções pequenas. Peixe também é consumido em pequenas quantidades. Várias blue zones, mas não todas, consomem vinho, limitado a uma ou duas taças por dia. 

Muita gente olha para esses dados e chega à conclusão: basta adotar a dieta das blue zones para viver mais de cem anos. Nada mais equivocado. O ponto em comum entre todas essas regiões não é a dieta. É a qualidade dos relacionamentos. Em todas as blue zones as pessoas cultivam relações fortes e duradouras entre si. Esse senso de comunidade é o pilar de uma vida mais longa. 

Essa constatação aparece não só observando as blue zones, mas também no famoso estudo multigeracional de Harvard sobre desenvolvimento adulto que acompanha grupos de pessoas e seus filhos há 85 anos. A mesma conclusão está também em pesquisas do Centro de Longevidade de Stanford: relacionamentos fortes e sociabilização são centrais para uma vida saudável. 

A questão que permanece em aberto é justamente o impacto da tecnologia sobre as relações pessoais. Será que o virtual produz efeitos similares às conexões reais? Por exemplo, em Loma Linda os habitantes se unem fortemente por laços religiosos. Em Okinawa as pessoas praticam o “moai”, hábito de cultivar um grupo de cinco amigos, comprometidos pela vida toda. 

Em um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia as pessoas não estariam se tornando individualizadas e desconectadas umas das outras? Seria a tecnologia a força capaz de dinamitar um dos pilares da longevidade? Mesmo que o número de conexões virtuais cresça, sua qualidade decai. 

Um estudo do instituto Gallup determinou que os laços de amizade não são iguais. Há pelo menos oito tipos de amigos que são vitais ao longo da vida. O “construtor”, que ajuda na nossa formação. O “colaborador”, com quem fazemos projetos juntos. O “conector”, que nos apresenta a pessoas importantes, e assim por diante. Dificilmente esses papéis podem ser desempenhados online. 

Vale lembrar também da pesquisa feita nos EUA em 2019, que apontou que 22% dos millenials têm zero amigos. Em gerações anteriores, o número dos sem-amigos girava em torno de 9%. São pessoas que vivem no oposto de uma blue zone. Estão mais próximos de uma zona sombria, de mau presságio para todos nós. 

Já era Valores coletivos e comunidades homogêneas 

Já é Individualismo propelido pela tecnologia 

Já vem Aspiração de restaurar o equilíbrio entre individualismo e coletividade como pilar da política contemporânea 

*Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2023/09/comer-amar-e-viver-cem-anos.shtml

Leia também: Coluna Evandro Milet https://es360.com.br/coluna-inovacao/post/desenvolvimento-e-codinome-de-produtividade/

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A inteligência artificial não quer só seu emprego; quer substituir a realidade

O barateamento da fabricação de conteúdo torna o verídico indistinguível do fake

Joel Pinheiro da Fonseca – Folha – 24.jul.2023

A greve de atores e roteiristas de Hollywood segue a todo vapor. Não sei se será bem-sucedida, mas, no que diz respeito ao diagnóstico, os profissionais do cinema acertaram na mosca: o uso da Inteligência Artificial (IA) ameaça seus empregos.

Muito em breve será possível fazer um filme do zero, gerado inteiramente por IA, que seja indistinguível de um filme com atores reais. E, se é possível usar a voz e imagem de pessoas reais para encenar obras de ficção que eles nunca encenaram, é possível também usar sua imagem para atribuir-lhes falas e atos que nunca praticaram, com a intenção de enganar a opinião pública.

No fim de semana da eleição, um vídeo bombástico mostra um dos candidatos falando algo terrível. Não há tempo hábil para encontrar e punir os responsáveis, nem para circular um desmentido no WhatsApp. Vídeos falsos buscando caluniar ou enaltecer personalidades virão de todos os lados. Estaremos perdidos num mar de versões igualmente realistas.

Deixando claro o que está por vir: não estamos falando de um grupo de profissionais de vídeo que, numa noite de trabalho, conseguem editar um vídeo e colocar nele o rosto de um famoso. Estamos falando de qualquer leigo, em sua casa, em dez minutos, gerar dezenas de vídeos realistas completamente inventados de qualquer pessoa que lhe dê na telha. Esse dia ainda não chegou, mas não está distante.

E ele mudará a maneira a como nos relacionamos com conteúdo em vídeo. Até hoje, o vídeo (bem como áudio e foto) trazia consigo uma expectativa de autenticidade. Primeiro, porque é gerado por um processo puramente mecânico a partir da realidade observável —ao contrário, por exemplo, do desenho, que passa pela mente do autor. E, em segundo lugar, porque forjar ou adulterar um vídeo era complexo, trabalhoso e deixava marcas identificáveis.

Não que fosse impossível enganar a opinião pública com uma foto ou um vídeo. Cortes discretos ou a omissão de contexto podem alterar radicalmente o teor e o significado de um vídeo —e isso sem IA nenhuma. Ainda assim, havia uma expectativa de que, por mais descontextualizado ou recortado que estivesse, um vídeo registrava algo que aconteceu. Essa expectativa vai cair, e com o fim dela nasce um novo mundo.

Que na verdade é o mundo antigo, isto é, o mundo em que a humanidade viveu desde sua origem até a adoção da fotografia. Existiam registros no passado? Claro. Só que o texto escrito e a pintura, ao contrário do vídeo e da foto, não trazem consigo nenhuma expectativa intrínseca de veracidade apenas por terem sido registrados naquele meio. Era, portanto, um mundo com mais divergências possíveis a respeito dos fatos. Daqui em diante vídeos e fotos não serão mais confiáveis que palavras e desenhos.

Fatos já são objeto de controvérsia hoje em dia –com “fatos alternativos” ao gosto do freguês. A tendência é isso se intensificar ainda mais. O barateamento da fabricação de conteúdo audiovisual realista nos distancia da realidade, ao tornar o verídico indistinguível do fake. Ao contrário dos profissionais de cinema americanos, não acredito que esse processo possa ser barrado. O que podemos fazer é nos adaptar à mudança.

O papel de instituições capazes de ir atrás da informação, contactar os envolvidos e as testemunhas para validar uma foto ou vídeo se tornará mais importante. Ou seja, o jornalismo seguirá fundamental. Com a queda da confiabilidade técnica, a reputação pessoal também aumentará de valor. E o mais importante será o aprendizado social de um certo ceticismo: não é porque você está vendo, que aconteceu.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joel-pinheiro-da-fonseca/2023/07/a-inteligencia-artificial-nao-quer-so-seu-emprego-quer-substituir-a-realidade.shtml

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O que é célula de combustível, tecnologia que vai revolucionar a indústria automobilística

País terá em 2024 uma planta-piloto para testar a tecnologia inédita que vai gerar internamente energia para carros elétricos, sem necessidade de carregar na tomada

Por Cleide Silva – Estadão -21/09/2023 

Movido a hidrogênio (H2), o carro a célula de combustível é considerado mundialmente a opção mais viável para o transporte com emissão zero. Uma evolução do veículo elétrico, ele já roda em alguns países, como Japão e EUA, atendendo um nicho ainda pequeno do mercado.

Seu uso em grande escala está distante, principalmente no mercado brasileiro onde, segundo analistas, até mesmo os elétricos devem demorar a se popularizar em razão dos preços e da falta de infraestrutura para carregamento.

Pelo menos na corrida pela fonte geradora do hidrogênio – que vai carregar a bateria do veículo internamente, sem precisar da energia elétrica da tomada –, o Brasil não está tão atrasado.

Enquanto grande parte dos países usa o gás natural para produzir hidrogênio cinza, que vem de fonte fóssil, o Brasil trabalha em projetos para que o etanol seja o vetor do H2 verde.

“Por ser um combustível limpo, não tóxico e com infraestrutura de transporte desenvolvida, o etanol é muito interessante como vetor para o hidrogênio”, afirma Julio Meneghini, diretor científico do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI, na sigla em inglês), da Universidade de São Paulo (USP).

Ele explica que, no futuro, o etanol será entregue ao posto de combustível e este fará o processo de transformação para hidrogênio em um reformador (tanque cilíndrico que, por meio de uma reação química, quebra a molécula do etanol para produzir o hidrogênio). O carro a célula de combustível tem cilindros para receber o H2, e o abastecimento é igual ao de um carro flex (ver infográfico).

Combustível do futuro

Etanol pode ser vetor da produção de hidrogênio verde, hoje feito em sua maioria do gás natural, que é fonte fóssil

Uma parceria liderada pela Shell envolvendo RCGI, Raízen, Hytron, Toyota e Senai Cetiqt anunciou, no mês passado, o início das obras, nas instalações da USP, da primeira estação experimental de abastecimento de hidrogênio renovável do mundo, feito a partir do etanol.

O local também abrigará uma planta de produção de hidrogênio a partir do etanol com um reformador desenvolvido e produzido pela Hytron. A empresa nasceu há cerca de 20 anos como startup dentro da Unicamp e, em 2021, foi adquirida pelo grupo alemão Neuman & Esser (NEA).

Segundo o gerente de tecnologia de baixo carbono da Shell, Alexandre Breda, o mundo inteiro avalia o uso de hidrogênio na mobilidade, inclusive por meio de metanol e amônia. De qualquer forma, é um produto difícil de ser transportado na forma gasosa e muito caro na forma líquida.

O etanol, já usado em carros híbridos flex e em breve em híbridos plug-in, vai ser uma opção, e com vantagens extras, inclusive em relação ao uso de energia eólica e solar no processo, que também começa a ser explorado.

Três plantas de hidrogênio

A Shell e seus parceiros decidiram puxar a agenda para tornar o etanol ainda mais relevante na transição energética, diz Breda. O primeiro passo é a planta-piloto, que receberá investimento de R$ 50 milhões da companhia.

A planta deve entrar em operação no segundo semestre de 2024 e terá capacidade para produzir 50 metros cúbicos de hidrogênio por hora, suficientes para abastecer apenas um automóvel – o Mirai, fabricado no Japão e cedido pela Toyota para os testes – e três ônibus da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), que vão circular no campus da universidade.

“O objetivo da planta-piloto é validar o processo e comprovar a eficiência do etanol”, diz Breda. A validação de cálculos sobre as emissões e custos do processo de produção de hidrogênio, comparativo de desempenho dos veículos e preços ao consumidor ficarão a cargo do RCGI.

“Nossa estimativa no momento é de que o custo da produção de hidrogênio a partir de etanol é comparável ao do hidrogênio do gás natural no contexto brasileiro”, adianta Meneghini. “Já as emissões são comparáveis ao processo de eletrólise da água alimentada com energia eólica.”

No início de 2025, uma segunda planta dez vezes maior, com capacidade para 500 metros cúbicos por hora, será instalada em um cliente industrial da Shell ainda a ser definido. Ela será voltada principalmente ao hidrogênio usado pelas indústrias química, alimentícia, de mineração e siderúrgica, que hoje têm como vetor o gás natural.

Na sequência, há um plano para uma planta capaz de produzir 5 mil metros cúbicos de hidrogênio por hora, mas sua construção dependerá dos resultados de viabilidade da planta experimental e de parcerias com investidores. Não há, ainda, previsão para o fornecimento do hidrogênio sustentável em postos de combustíveis.

Essa fase tem de acompanhar a chegada ao País de automóveis a célula de combustível em maior escala, o que deve demorar, admite Breda. “Principalmente aqui no Brasil, onde ainda vamos passar pela etapa do carro híbrido a etanol, pelos elétricos e depois ir para os de célula a combustível.”

O executivo, no entanto, vê chances de a tecnologia chegar comercialmente mais cedo aos ônibus e caminhões. Seria uma forma de descarbonizar um setor hoje dependente do diesel.

Nossa estimativa no momento é de que o custo da produção de hidrogênio a partir de etanol é comparável ao do hidrogênio do gás natural no contexto brasileiro”

Julio Meneghini, diretor científico do centro de pesquisa da USP

Cerca de 90% do total de hidrogênio usado no mundo é produzido com gás natural. A parte restante está sendo feita por meio de energia eólica e solar, pelo processo de eletrólise. O uso desse tipo de energia renovável deve aumentar ao longo dos próximos anos. Hoje, a produção de hidrogênio verde chega a custar até quatro vezes mais do que a do cinza.

Lá fora, a desvantagem do H2 feito com energia solar e eólica é a intermitência de ventos e sol, dependendo da região. No Brasil, o problema principal é que os locais onde esses fenômenos naturais são frequentes nem sempre são próximos ao mercado consumidor e seu transporte pode encarecer o preço do produto, além de emitir CO2.

Para Meneghini, a logística de transporte do etanol já está disseminada e, com a instalação de reformadores, os próprios postos de combustível poderão produzir o hidrogênio. Já o uso de outro tipo de vetor, como metanol ou gás, exigiria mais estruturas. Um posto de abastecimento de hidrogênio custa cerca de R$ 8 milhões, segundo a GWM.

Em relação aos carros 100% elétricos, a vantagem é que o de célula a combustível, por gerar internamente sua energia, precisa de uma bateria pequena, não recarregável, para dar suporte à transmissão da energia para o motor elétrico.

“Os veículos a hidrogênio são mais leves e poderão ser abastecidos em cinco minutos, enquanto um elétrico precisa ficar a noite inteira na tomada para carregar ou de meia a uma hora se tiver um carregador rápido no posto”, compara Meneghini.

O professor da USP também vê a necessidade de maior urgência dessa tecnologia para caminhões e ônibus. Ele cita que um veículo elétrico desse porte chega a carregar duas toneladas de baterias, o que exige suspensões mais potentes e causa danos no asfalto, por exemplo.

Ele ressalta ainda que o aumento gradual da produção de hidrogênio por meio de energia eólica ou solar também pode trazer vantagens ao Brasil. Em sua opinião, o País pode ser um player mundial na produção de hidrogênio a partir dessas energias renováveis até para exportação.”

Nissan e GWM

A Nissan iniciou, em 2016, testes no Brasil com um carro movido a célula de combustível a etanol e atualmente mantém os estudos no Japão. A empresa informa que “segue nas pesquisas e testes para evoluir a tecnologia para tentar torna-la viável, tanto tecnicamente quanto economicamente”.

Segundo a Nissan, trabalham no projeto equipes de engenharia do Brasil e do Japão. O grupo também avalia usar a mesma tecnologia para célula de combustível para motores estacionários (geradores), que poderão gerar energia para diferentes instalações, como edifícios e fábricas.

A GWM, montadora chinesa que iniciará produção de carros híbridos e elétricos no Brasil a partir do próximo ano, trará para testes ao País, provavelmente no próximo ano, um caminhão movido a hidrogênio já em uso na China. A ideia, segundo a empresa, é que aqui ele use H2 verde gerado a partir de eletrólise da água com energia solar ou eólica ou gerado do etanol.

https://www.estadao.com.br/economia/negocios/carro-eletrico-hidrogenio-etanol/

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