‘Mercado da honestidade’ ganha espaço no Brasil, com multiplicação de lojas do tipo ‘pegue e pague’

País já tem de 5 mil a 6 mil estabelecimentos comerciais, sem caixa ou atendente, instalados em condomínios ou prédios corporativos

Por João Sorima Neto — O Globo – 05/11/2023 

O Brasil já viveu o boom dos hipermercados, dos atacarejos, das lojas de conveniência e agora vê um novo fenômeno, o das lojas de super proximidade, dentro de condomínios ou prédios corporativos. Elas se baseiam no “mercado honesto”, ou seja, não há atendentes e o cliente pega e paga pelos produtos.

Analistas estimam que já existam de 5 mil a 6 mil lojas do tipo no país, com potencial para movimentar até R$ 3,5 bilhões por ano, com salgadinhos, refrigerantes, comida congelada, desodorantes e produtos de limpeza.

— É um modelo que interessa às grandes marcas porque está quase “no sofá das casas” e vai crescer num ritmo de 10% nos próximos anos — diz Jean Paul Rebetez, sócio-diretor da Gouvea Consulting, braço de consultoria da Gouvea de Souza, especializada em varejo.

A Gouvea Consulting fez um estudo sobre essa tendência. Em condomínios com mais de 30 casas já surgem “lojas autônomas”, em cidades do interior do país ou periferias das grandes cidades. Elas se parecem mais com gôndolas de supermercados, e são diferentes das vending machines.

O conceito de mercado honesto foi consolidado pela Amazon, que criou a Amazon.Go, mercado inteligente que usa tecnologia para realizar as vendas sem intervenção humana, e entrou em operação comercial em 2018.

Há lojas similares a minimercados, em locais mais protegidos, com câmeras, e dispositivos antifraudes, como identificação do cliente pelo CPF. Mas as menores ficam em locais como o saguão de empresas ou academias de ginásticas, que contam no máximo com a câmera de vigilância do prédio.

O índice de clientes que “esquecem” de pagar pelos produtos no país fica entre 2,7% e 3,5%, dentro do que acontece em outros países, o que não traz prejuízo às operações. Mas quando esse índice sobe, num condomínio, por exemplo, a empresa pode pedir ajuda do síndico e das câmeras.

A comodidade nas compras, porém, tem custo:

— São (preços) entre 10% e 15% mais altos do que no mercado da esquina. É um prêmio que as pessoas acham que vale pagar — diz Jean Paul, da Gouvea Consulting.

A jornalista Helena Benfica, de 24 anos, de Belo Horizonte, costuma pegar lanches da tarde nas gôndolas de honest market da cidade.

— Ajuda muito quando a fome aperta, mas é preciso saber que os valores são mais altos — afirma.

Grandes redes e startups

Grandes redes de varejo alimentício estão aderindo ao modelo. O Hirota, rede de mercados de São Paulo, tem 120 lojas na capital paulista, em grandes condomínios residenciais, e abriu doze Hirota Office, em empresas como Bradesco, Magalu, Itaú e Santander. A meta é chegar em 2025 com 500 pontos em condomínios residenciais.

— Nossas lojas são em condomínios com mais de 300 apartamentos e vão muito bem, tendo o melhor resultado da companhia — diz Helio Freddi Filho, diretor de expansão do Hirota.

O Carrefour tem 29 mercados autônomos em São Paulo, a maioria em condomínios. Pelo aplicativo, o consumidor tem acesso à loja, escaneia os produtos, consulta preços, fecha o carrinho digital. Suas lojas variam de 15 metros a 50 metros quadrados e este modelo só é operado no Brasil pela rede francesa, diz João Gravada, diretor de proximidade do grupo:

— Essas lojas fazem parte da estratégia do Carrefour de estar disponível onde o consumidor precisar.

As empresas do setor são, na maioria dos casos, startups. Algumas até oferecem franquias de suas lojas, como a Market4u, de Curitiba, com 2,1 mil lojas em 22 estados, sendo 190 próprias e o restante franquias. O investimento inicial fica em R$ 130 mil, com direito à montagem de cinco pontos. O faturamento estimado de cada loja é de cerca de R$ 10 mil.

A empresa faturou R$ 100 milhões ano passado, e já inaugurou um centro de distribuição em Osasco, em São Paulo, para atender 480 pontos de vendas na capital e no ABC paulista. O Market4u mapeou 50 mil condomínios com potencial para mercado autônomo e só um em cada cinco já tem o equipamento.

— Nossa meta, até 2028, é ter 50 mil lojas — diz Eduardo Córdova, CEO do Market4u.

A empresa usa tecnologia como travamento e destravamento das lojas pelo aplicativo e câmeras inteligentes que mostram quantos itens foram retirados e quantos foram pagos.

Com 64 lojas na Grande São Paulo, a Imagine Store quer chegar a 85 no fim do ano, seja em condomínios residenciais ou empresas como Grupo Fleury, BodyTech e Banco BTG Pactual, onde já atua com produtos de alimentação e bebidas, incluindo itens saudáveis. Há planos de se expandir para estados como Rio, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Santa Catarina no próximo ano e chegar a 300 lojas em 2024, com franquias.

Daniele Romero, CEO da empresa, conta que o mobiliário é específico para cada ponto. A Imagine montou loja exclusiva de água mineral na Bienal de São Paulo. E criou comunicação visual, com telas de led, onde as marcas podem apresentar produtos aos consumidores. O pagamento pode ser feito por Pix, cartões de débito ou crédito.

— Desenhamos a loja com design específico para cada espaço. A indústria vende direto ao consumidor e nós fazemos a curadoria dos produtos — conta Romero, que durante 15 anos atuou com logística.

Em Pernambuco, a Mercado Honesto tem 45 lojas em operação no Recife e começa a se instalar em Olinda, com mais de 350 rótulos de produtos. A empresa já tem um centro de distribuição e emprega 12 pessoas, entre pessoal de reposição das lojas e limpeza. Sao 68 fornecedores.

— No começo, usamos até refrigeradores usados — conta o arquiteto Rodrigo Cruz, um dos quatros ócios da empresa.

A Smart Brake tem 650 lojas próprias, em São Paulo, em hotéis, empresas e condomínios. Não oferece franquias. Foi uma das pioneiras do Mercado Honesto no país, em 2018, e já recebeu aportes de mais de R$ 40 milhões de investidores.

Ricardo Colas, CEO e fundador, conta que oferece 900 itens, entre vinho e carnes até desodorante. O mix de produtos varia em cada lugar. Seu índice de não pagamento é de 5%, mas ele diz que com dispositivos de inteligência artificial, e câmeras já consegue detectar atitudes suspeitas.

— Hoje, nas novas construções, assim como é obrigatório um espaço de academia, também já está sendo deixado um espaço para o mercado autônomo no prédio — constata.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/11/05/mercado-da-honestidade-ganha-espaco-no-brasil-com-multiplicacao-de-lojas-do-tipo-pegue-e-pague.ghtml

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Como grandes empresas estão transformando o reflorestamento em um negócio promissor

Perspectivas com o mercado de crédito de carbono e outras fontes de receitas ajudam a explicar por que nomes como Votorantim, BTG, Arminio Fraga e as famílias Moreira Salles e Klabin investem na recuperação florestal

Carlos Eduardo Valim – Estadão – 17/07/2023

São Paulo – Quando o grupo Votorantim transformou, há doze anos, uma área que detinha na Mata Atlântica numa reserva florestal chamada Legado das Águas, no Vale do Ribeira, em São Paulo, tratava-se apenas de mais um custo para o tradicional grupo industrial da família Ermirio de Moraes. Mas a boa ação ambiental, que compreendia a preservação de 31 mil hectares, uma área equivalente à de Belo Horizonte, agora, vem se comprovando um bom negócio.

Integrada a outra reserva em Niquelândia (GO), a Legado Verdes do Cerrado, permitiu a criação da empresa Reservas Votorantim, que agora estrutura um projeto-piloto de reflorestamento de 3 mil hectares para a geração de créditos de carbono. “Nós nos preparamos para isso, sabendo que o momento chegaria. Demorou um pouquinho, mas o momento chegou”, diz o diretor-executivo da Reservas Votorantim, David Canassa. “As promessas feitas no Acordo de Paris, de 2015, estão acontecendo agora. O mercado de conservação vem ganhando impulso e tem grande tendência de desenvolvimento.”

Para limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius até 2050, empresas do mundo inteiro divulgaram, nos últimos anos, metas de zerar as emissões líquidas de carbono em suas operações. O mercado de carbono é o carro-chefe deste desenvolvimento do reflorestamento como um negócio, mas há também outras formas explorar o potencial de receitas para manter a floresta de pé, seja provendo compensação ambiental, como forma de empresas cumprirem o Código Florestal, seja contribuindo para cadeias de negócios locais e para o turismo. Ao recuperarem áreas degradadas ou mesmo mantendo de pé as árvores de locais onde poderiam por lei serem derrubadas, as empresas podem emitir títulos de créditos de carbono. Já quem libera gás na atmosfera precisa comprar esses títulos, para cumprir suas promessas de baixar as suas emissões líquidas. Assim, as reflorestadoras ganham dinheiro vendendo para quem polui.

Segundo a consultoria McKinsey, a demanda por créditos de carbono no mundo pode crescer 15 vezes ou mais até 2030, e até 100 vezes até 2050. Com isso, passaria de uma movimentação de US$ 1 bilhão em 2021 para US$ 50 bilhões em 2030. O Brasil concentra 15% do potencial global de captura de carbono por meios naturais, a forma mais simples e econômica de se fazer isso.

Pesos-pesados

Além do Votorantim, outros grandes grupos e conhecidos pesos-pesados do mundo empresarial brasileiro e reconhecidos investidores entraram no negócio de reflorestamento. Um exemplo é o da startup re.green, fundada em 2021, que atraiu em sua segunda rodada de investimentos, no ano passado, capital de R$ 389 milhões. Os recursos vieram do BW, escritório de investimentos da família Moreira Salles, da Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga e com participação de Fábio Barbosa, CEO da Natura&Co, e das gestoras de recursos Lanx Capital e Dynamo. Neste ano, Guilherme Leal, da Natura, se juntou a eles.

Assim, o seu conselho de administração é dos mais estrelados, com Arminio e João Moreira Salles. O objetivo da empresa é restaurar 1 milhão de hectares da Mata Atlântica e da Amazônia, uma área do tamanho de Sergipe. Para se ter ideia do tamanho do desafio, o compromisso climático feito pelo Brasil em 2015 previa reflorestar 12 milhões de hectares até 2030, como forma de cortar em 43% as emissões de gases-estufa relativas aos níveis de 2005.

Também deve ajudar a cumprir essa promessa a Biomas, que tem investimento de R$ 20 milhões de cada grupo associado, envolvendo Vale, Suzano, Marfrig, Rabobank, Itaú Unibanco e Santander, para reflorestar 2 milhões de hectares. E mais a Mombak, criada por um ex-diretor financeiro do Nubank, Gabriel Haddad Silva, e um ex-CEO da 99, Peter Fernandez, que estruturaram um fundo que busca levantar R$ 520 milhões para reflorestamento.

Já o BTG Pactual garantiu US$ 230 milhões numa rodada de investimentos no ano passado para o seu tradicional fundo americano Timberland Investment Group (TIG), que tem quatro décadas de atuação e agora tem meta de US$ 1 bilhão para reflorestamento na América Latina. Em abril, a Casa Branca anunciou que trabalha na liberação de empréstimo de US$ 50 milhões para essa empreitada do TIG.

No mês seguinte, o BTG anunciou a compra de participação minoritária na Systemica, empresa que estrutura, desenvolve e implementa projetos de redução de emissão de gases efeito estufa, além de comercialização dos ativos ambientais gerados.

Tudo isso faz parte de uma estratégia maior do banco, que olhando para o seu próprio balanço, já contabiliza mais de US$ 1,5 bilhão de linhas do portfólio de crédito ligadas a empresas e investimentos com aspectos sociais ou ambientais positivos, segundo a chefe de investimentos sustentáveis e de impacto do BTG, Patricia Genelhu. “Há toda uma frente na qual a América Latina pode contribuir internacionalmente, de recursos naturais e economia verde, e trazemos iniciativas para estruturar produtos financeiros num cenário global”, diz.

Por sua vez, a família Klabin-Lafer é reconhecida pelos esforços no Pantanal, com o Refúgio Ecológico Caiman, de Roberto Klabin, como forma de garantir a preservação da região. Até a Fazenda da Toca, que recebe investimentos da Península Participações, da família Diniz, e administrada em Itirapina (SP) pelo ex-piloto de Fórmula 1 Pedro Paulo Diniz, tem dedicado parte dos recursos para reflorestar a propriedade.

Potencial de ganhos

Essas são diversas boas ações que, cada vez mais, se caracterizam como negócios de alto potencial. O estudo da McKinsey, realizado em setembro do ano passado, revelou que o Brasil ainda gera menos de 1% da sua capacidade anual de créditos de carbono. E isso ainda acontece principalmente por conta de projetos de conservação e de geração de energia a partir de resíduos. Dessa forma, a atividade de reflorestamento abrirá todo um novo espaço de expansão e de geração de receita.

Cerca de 80% do potencial brasileiro está na restauração florestal, que são projetos geradores do que são considerados créditos de alta qualidade, por terem benefícios associados como de recuperação da biodiversidade e de impacto social para comunidades locais. “Projetos que realmente são sustentáveis e positivos podem receber preços maiores para seus créditos”, diz o executivo-chefe de investimento de impacto do BTG Timberland Investment Group, Mark Wishnie.

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A demanda por eles deve explodir. Segundo a McKinsey, das 80 principais empresas atuando no país, 77% já haviam publicado alguma meta de redução de emissões, até o ano passado. À medida que mais empresas entram em ação para cumprir as suas promessas o mercado de crédito de carbono voluntário se acelera. “Muitos executivos têm hoje remuneração financeira por bônus atrelada a emissões de gás carbônico. Isso muda toda a motivação para eles se engajarem em combater a mudança climática”, afirma o alemão Heiko Spitzeck, professor de sustentabilidade da Fundação Dom Cabral.

Ao mesmo tempo que as transações livres entre empresas evoluem, espera-se que o mercado regulado também ajude a trazer mais negócios. Para o Brasil, a expectativa é de que ocorra logo a criação da regulação do mercado de crédito de carbono, que teve as suas linhas gerais apresentadas na quarta-feira 12, num esforço coordenado envolvendo dez ministérios. Internacionalmente, certificados e padrões globais devem ser estabelecidos, o que vai permitir a compra de créditos gerados em outros países, o que deve beneficiar em muito o Brasil.

Com a demanda global crescente, o preço do crédito de carbono tende a aumentar bastante se a oferta não conseguir acompanhar a tendência na mesma velocidade. Isso, segundo Spitzeck, pode estimular até o agronegócio a atuar com a integração entre lavoura, pecuária e floresta, já que os três negócios podem passar a trazerem rendimentos comparáveis.

Desafio da regularização fundiária

Apesar do imenso potencial brasileiro, há também desafios locais. Um deles é a dificuldade de regularização fundiária em certas regiões, como na Amazônia. É preciso muito cuidado para garantir que a propriedade não será contestada ou que o vendedor da área assumiu a região de forma legal. “Trabalhamos de forma muito cautelosa, sempre com a assessoria jurídica acompanhando tudo”, diz a diretora de relações institucionais da re.green, Mariana Barbosa. “Pretendemos trabalhar com três modelos de acesso a imóveis, a compra, na qual avançamos muito, a parceria e outra que está surgindo, a de concessões florestais.” A empresa já comprou área da Mata Atlântica, no Sul da Bahia, rica em biodiversidade, e outra amazônica, no Noroeste do Maranhão. “Em breve, teremos mais duas ou três áreas”, diz.

Já a riqueza da biodiversidade brasileira, apesar de consistir num grande trunfo, também traz uma dificuldade de operação. “O Brasil é um dos países mais biodiversos do planeta. Quando se fala em construir floresta nativa, num hectare de terra, precisamos ter, às vezes, mais de 100 espécies diferentes. É muito diferente de florestas de eucalipto e pinus da Europa e EUA”, diz Canassa, da Reservas Votorantim. “Apesar disso, eu desafio a minha equipe a termos o mesmo índice de perdas de pinus e eucalipto, de menos de 1%. No Brasil, é muito comum perdas de 20% a 30%. Isso mostra a falta de protocolos de plantio e não faz sentido econômico.”

Desafios como esses só devem ser vencidos com a combinação entre ciência, vontade de fazer a diferença num mundo que percebe com cada vez mais clareza os impactos das mudanças climáticas e, claro, um bom volume de investimentos de empresários que entendem muito sobre como fazer bons negócios.

https://www.estadao.com.br/economia/negocios/reflorestamento-carbono-votorantim-btg-klabin-gavea-arminio/

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Fuga de cérebros: Brasil está perdendo talentos em inteligência artificial para exterior, diz ranking

No ramo da inteligência artificial (IA), o Brasil se sai bem quando o assunto é “talentos”. Porém muitos dos melhores profissionais brasileiros trabalham hoje para empresas e governos estrangeiros

Por Filipe Vilicic, BBC News Brasil – 25/10/2023 


O neurocientista Talmo Pereira, líder de laboratório no Salk Institute for Biological Studies, na Califórnia: exemplo de talento brasileiro 'perdido' na área de inteligência artificial — Foto: ARQUIVO PESSOAL/TALMO PEREIRA via BBC O neurocientista Talmo Pereira, líder de laboratório no Salk Institute for Biological Studies, na Califórnia: exemplo de talento brasileiro ‘perdido’ na área de inteligência artificial — Foto: ARQUIVO PESSOAL/TALMO PEREIRA via BBC

No ramo da inteligência artificial (IA), o Brasil se sai bem quando o assunto é “talentos”. Porém muitos dos melhores profissionais brasileiros trabalham hoje para empresas e governos estrangeiros.

Inteligência Artificial:

“É um cenário parecido com o de países como a Índia”, comenta o historiador Joe White, cientista de dados da Tortoise, grupo de mídia inglês, em entrevista à BBC News Brasil. “Nosso levantamento aponta que o talento criado em um país muitas vezes não é retido. Há uma fuga de cérebros, com êxodo para nações mais ricas.”

Essas são conclusões do The Global AI Index, pesquisa da Tortoise coordenada por White e por sua colega Serena Cesareo, também cientista de dados. O estudo avalia o cenário de 62 países no mercado de inteligência artificial, em torno de três pilares principais: investimento, inovação e implementação. O Brasil está no meio do ranking, em 35º lugar.

Os tópicos do ranking são divididos em sete categorias, respectivamente sob cada um desses três pilares: talento, infraestrutura e ambiente de operações (investimento); pesquisa e desenvolvimento (inovação); estratégia governamental e comércio (implementação).

“Nossa principal base de pesquisa para identificar talentos locais foi o Linkedin”, comenta Serena Cesareo. “Ficou evidente como o Brasil possui um grande número de profissionais no campo, tanto em termos absolutos quanto em proporcionais, em relação ao tamanho da população.”

O The Global AI Index se apresenta como a primeira pesquisa global a analisar o cenário dessa tecnologia de forma tão abrangente. Foi criado em 2019 e está em sua quarta edição. Em todas elas, os Estados Unidos lideraram o ranking, seguidos pela China.

O Brasil aparece em 35º lugar no ranking geral. Todavia, no critério “talentos”, está em 21º, à frente de países como Áustria, Bélgica, Portugal e Rússia, todos melhores colocados na listagem geral. E logo atrás da China, em 20ª neste tópico.

“Se um profissional brasileiro se forma em seu país, mora onde nasceu, só que trabalha no dia a dia para o escritório local da Microsoft, que é americana, nós o registramos como um talento brasileiro, mas que não contribui para o mercado nacional de IA, mas, sim, para o dos Estados Unidos”, diz Joe White, da Tortoise.

A comparação realizada por White com a Índia, logo no início desta reportagem, é evidenciada pelos números. Enquanto os indianos garantem um invejável segundo lugar no tópico “talentos”, estão em 14º na classificação geral.

Isso ocorre porque, em outros temas, a Índia não tem desempenho tão bom. Em “infraestrutura”, por exemplo, é quase a lanterninha da lista, na 59ª colocação. O país também vai mal em “estratégia governamental” (38ª) e “pesquisa” (30ª).

No caso do Brasil, em 21º lugar em “talentos”, os dados do levantamento apontam para carência em “estratégia governamental”, com o país em 30º lugar, assim como em indicadores impactados diretamente por ações do Estado, como em “pesquisa” e “desenvolvimento” (em 36º nesses dois âmbitos). “Esse cenário todo está ligado à fuga de cérebros do país”, resume Joe White.

Talentos perdidos

Com 31 anos de idade, e doutorado concluído em 2021 na Universidade de Princeton, o paulista Talmo Pereira rapidamente alcançou uma posição cobiçada no ramo acadêmico: a de líder de seu próprio laboratório.

Todavia, o feito foi conquistado a quase 10 mil quilômetros de distância de sua cidade natal, Campinas (SP).

No Salk Institute for Biological Studies, na cidade californiana de San Diego, nos Estados Unidos, ele está à frente de uma equipe de catorze pesquisadores e que se dedica a usar ferramentas computacionais de aprendizagem profunda (no termo em inglês, deep learning) para solucionar uma variedade de questões das biociências.

Em termos mais leigos, o neurocientista brasileiro usa a inteligência artificial como uma forma de investigar padrões biológicos em animais e humanos.

Talmo Pereira, com a equipe que lidera no Salk Institute for Biological Studies, na Califórnia: 'O Brasil infelizmente tem um contexto sócio-cultural, além de econômico, que prejudica quem ambiciona seguir uma carreira acadêmica', diz o neurocientista — Foto: ARQUIVO PESSOAL/TALMO PEREIRA via BBC Talmo Pereira, com a equipe que lidera no Salk Institute for Biological Studies, na Califórnia: ‘O Brasil infelizmente tem um contexto sócio-cultural, além de econômico, que prejudica quem ambiciona seguir uma carreira acadêmica’, diz o neurocientista — Foto: ARQUIVO PESSOAL/TALMO PEREIRA via BBC

“Criamos, por exemplo, uma tecnologia que prevê movimentos de animais, mesmo de pequenos insetos”, pontua Pereira.

Na sequência, ele continua a enumerar os estudos sob seu cuidado. “Temos avançado no uso dessa ferramenta para detectar doenças, como cânceres, antes que os sintomas apareçam. Em outra pesquisa, em parceria com um museu de Los Angeles, rastreamos como as pessoas se comportam diante de obras de arte. E também temos um trabalho com a Nasa.”

O time do Talmo Lab, o nome de seu laboratório em San Diego, tem realizado estudos sob encomenda da agência espacial americana.

“Vamos enviar experimentos para a Estação Espacial Internacional. Como astronautas permanecem muito tempo no espaço, e há planos de mandá-los a Marte, meu grupo procura criar métodos de prevenir doenças que podem se desenvolver mais rápido em ambientes de baixa gravidade.”

Talmo Pereira é exemplo de um talento brasileiro que foi perdido pelo país. No ranking do The Global AI Index, da Tortoise, todo seu trabalho rende pontos para os Estados Unidos, e não para o Brasil.

“O Brasil infelizmente tem um contexto sócio-cultural, além de econômico, que prejudica quem ambiciona seguir uma carreira acadêmica”, comenta. “Eu e minha mãe migramos para os Estados Unidos em busca de condições melhores para mim.” Pereira imigrou aos 16 anos de idade, com planos de entrar em uma universidade americana. Desde então, não voltou para sua terra natal.

“O Brasil não investe tanto quanto deveria em políticas públicas que incentivem a educação, principalmente para os menos privilegiados”, opina. “Se fosse diferente, se houvesse esse incentivo, eu não teria de ter saído de meu país para procurar pelas melhores oportunidades.”

A fuga de cérebros

“Tanto o sistema público quanto o privado brasileiros têm um cenário complicado para quem trabalha na nossa área”, avalia o economista Alexandre Chiavegatto, professor de aprendizado das máquinas [machine learning] da Universidade de São Paulo (USP).

“As empresas não valorizam o quanto deveriam. O governo, preocupa-se mais em regular e restringir, do que em desenvolvimento.”

Chiavegatto fez da graduação ao doutorado na USP, onde se especializou na área de ciências de dados de saúde. O pós-doutorado, que concluiu em 2012, foi na Universidade de Harvard.

“Decidi não ficar nos Estados Unidos pois passei no concurso público da USP e pude realizar um sonho que eu tinha, de me tornar professor nessa universidade”, diz Chiavegatto. “Mas o cenário lá fora é melhor, com empresas e o governo apostando mais no setor.”

Ele é um talento que permanece no Brasil. Na USP, lidera o Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde. “Somos um time de trinta pesquisadores”, afirma. “Usamos a inteligência artificial para desenvolver algoritmos capazes de predizer e nos ajudar a combater doenças.”

Chiavegatto conta que seus melhores alunos costumam ser recrutados por universidades e empresas estrangeiras, principalmente dos Estados Unidos – o líder do mercado de IA, segundo o The Global AI Index.

“A qualidade dos trabalhos dos brasileiros nessa área é excelente, por isso acabamos por ganhar os empregos lá fora”, diz ele.

Ele cita, como “um de muitos exemplos”, o caso de Helena Schuch, que colaborou em trabalhos de seu laboratório na USP. “Agora, ela está em Harvard.”

Dentista dedicada às pesquisas acadêmicas, a gaúcha Helena, de 33 anos, é pesquisadora da Harvard School of Dental Medicine. À BBC News Brasil, ela conta que utiliza ferramentas de IA para prever incidências de problemas dentais em pacientes, em particular os de camadas mais pobres da sociedade.

“É difícil conseguir cargo de pesquisadora no Brasil”, opina ela. “Nas universidades brasileiras, é preciso se dedicar integralmente a ser professor, além de pesquisador. Isso não favorece o desenvolvimento da ciência por não aproveitar aqueles que, como eu, tem maior perfil de laboratório, não de dar aulas.”

Pesquisador da Fiocruz, o cientista da computação Paulo Carvalho, líder do laboratório de proteômica da instituição, também identifica o êxodo de talentos. “Um ex-aluno está em uma empresa do Vale do Silício. Tem um que mora no Brasil, mas trabalha para uma startup americana. Outro, na Universidade de Cincinnati. E dois foram para o Uruguai”, diz à BBC Brasil.

Segundo Carvalho contabiliza, a maioria dos estudantes de mestrado e doutorado que passaram por seu laboratório acabaram em vagas em instituições estrangeiras.

“Nos Estados Unidos, um jovem pesquisador pode ganhar três vezes mais que um sênior aqui no Brasil”, estima. “Faltam incentivos para ficar no país.”

Joe White, que elaborou o ranking global, diz que “para os países que querem subir na classificação, um caminho que tem se mostrado produtivo é o do governo criar mais possibilidades e incentivos para o setor de IA”.

Apesar das dificuldades do Brasil, o país tem melhorado no ranking.

Na edição de 2020 do The Global AI Index, o Brasil estava em 46º na classificação geral. Em 2021, avançou para 39º. Na última edição, publicada em junho (em 2022 o levantamento não foi realizado), chegou a 35º.

Os brasileiros sempre se destacam no indicador “talentos”, ficando em 35º em 2020 e em 31º, no penúltimo ranking. “O país está sendo puxado por seus profissionais, mas ao mesmo tempo apresenta dificuldade de mantê-los”, complementa White.

O que está em jogo nesse mercado? Segundo estimativa da consultoria MarketsandMarkets, trata-se de uma indústria que hoje movimenta anualmente cerca de US$ 150 bilhões (R$ 760 bilhões).

Um mercado promissor, que deve ser quase de vez maior em 2030, quando se calcula que chegará próximo de US$ 1,4 trilhão.

https://epocanegocios.globo.com/inteligencia-artificial/noticia/2023/10/fuga-de-cerebros-brasil-esta-perdendo-talentos-em-inteligencia-artificial-para-exterior-diz-ranking.ghtml

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Entrega por drones da Amazon, uma década depois, virou motivo de piada nos EUA

Empresa faz testes em algumas cidades americanas, mas equipamentos têm sido usados para fazer entregas de brindes

David Streitfeld – Estadão – 06/11/2023 

COLLEGE STATION, Texas – Há exatamente uma década, a Amazon anunciou um programa com o objetivo de revolucionar a forma de fazer compras e entregá-las. Drones lançados de um polo central voariam pelos céus, entregando praticamente tudo que alguém pudesse precisar. Eles seriam rápidos, inovadores e onipresentes – todas as características da Amazon.

O anúncio entusiasmado feito por Jeff Bezos na TV durante a Cyber Monday, a segunda-feira após a Black Friday, chamou a atenção do mundo todo. “Sei que isso parece ficção científica. Mas não é”, disse Bezos, fundador e CEO da Amazon na época. Os drones estariam “prontos para participar das operações comerciais assim que as regulamentações necessárias estiverem em vigor”, provavelmente em 2015, disse a empresa.

Oito anos depois daquele prazo, a entrega feita por drones é uma realidade – mais ou menos – nos arredores de College Station, Texas, ao noroeste de Houston. Esta é uma grande conquista para um programa que teve seus altos e baixos ao longo dos anos e que perdeu muitos de seus primeiros líderes para projetos mais recentes e urgentes.

No entanto, a iniciativa atualmente é tão decepcionante que a Amazon só consegue continuar com as entregas por drones ativas presenteando as pessoas. Anos de trabalho de renomados cientistas e especialistas da aviação renderam um programa que transporta pastilhas contra mau-hálito ou uma lata de sopa – porém não ambos ao mesmo tempo – para os clientes como brindes. Se isso é ficção científica, está parecendo mais uma piada.

Uma década é uma eternidade na tecnologia, mas, mesmo assim, a entrega por drones não chega perto da escala ou da simplicidade dos vídeos promocionais originais da Amazon. Esta disparidade entre as promessas espetaculares e a realidade mundana acontece o tempo todo no Vale do Silício. Os carros autônomos, o metaverso, os carros voadores, os robôs, os bairros ou até mesmo as cidades construídas do zero, as universidades virtuais capazes de concorrer com Harvard, a inteligência artificial – a lista de promessas atrasadas e incompletas é longa.

“Ter ideias é fácil”, disse Rodney Brooks, empresário e roboticista, além de crítico frequente da propaganda exagerada das empresas de tecnologia. “Transformá-las em realidade é difícil. Torná-las reais e prontas para serem usadas em grande escala é ainda mais difícil.”

A Amazon disse em outubro que as entregas por drones vão chegar em lugares como a Grã-Bretanha, Itália e outra cidade não identificada dos EUA até o final de 2024. Entretanto, mesmo no limiar do crescimento, uma dúvida permanece: agora que os drones finalmente existem, pelo menos de forma limitada, por que achamos que iríamos precisar deles antes?

Dominique Lord e Leah Silverman vivem na região de College Station que recebe entregas por drones. Eles são fãs da Amazon e costumam fazer compras regulares para serem entregues no modo convencional. Os drones são outra história, mesmo o serviço sendo gratuito para os assinantes do Amazon Prime. Embora seja legal ter coisas literalmente pousando na entrada da sua garagem, pelo menos nas primeiras vezes, há muitos obstáculos para receber as compras dessa maneira.

Apenas um item pode ser entregue por vez. Ele não pode pesar mais de 2,260 kg. Nem ser grande demais. Além de não poder ser algo quebrável, já que o drone libera o item a uma distância de 3,6 m do chão. Os drones não podem voar quando está muito quente, ou ventando demais, ou chovendo bastante.

Você precisa estar em casa para determinar o lugar onde a entrega deve pousar e garantir que ninguém pegue sua encomenda, ou que ela role para o meio da rua (o que já aconteceu com Lord e Leah). Entretanto, seu carro não pode estar na entrada da garagem. Permitir que o drone faça a entrega no seu quintal evitaria alguns desses problemas, a não ser que ele tenha árvores.

A Amazon também avisa aos clientes que a entrega por drones fica indisponível durante períodos de alta demanda do serviço.

Outro local de teste para a modalidade é Lockeford, Califórnia, no Vale Central. Em uma tarde recente, o polo de entregas de Lockeford parecia em grande parte inativo, com apenas três carros no estacionamento. A Amazon disse estar realizando entregas por meio de drones em Lockeford e marcou com um repórter do New York Times uma visita ao local. Assim como uma entrevista com David Carbon, o ex-executivo da Boeing que comanda o programa de drones. Depois, a empresa cancelou ambos sem qualquer explicação.

Uma postagem de 18 de outubro no blog da empresa afirma que os drones têm realizado “centenas” de entregas com segurança de utensílios domésticos em College Station desde dezembro de 2022 e que os clientes agora poderiam receber alguns medicamentos. Lockeford não foi mencionada.

Depois do interesse inicial de Silverman e Leah no programa de drones, a Amazon ofereceu US$ 100 em vale presentes em outubro de 2022 para que eles continuassem optando pelo serviço. No entanto, a modalidade só foi iniciada em junho deste ano e pouco tempo depois foi suspensa durante uma forte onda de calor, quando os drones não podiam voar.

Os incentivos, porém, continuaram chegando. Recentemente, o casal recebeu um e-mail da Amazon promovendo uma manteiga de amendoim que normalmente custaria US$ 5,38, mas seria “grátis”, enquanto durassem os estoques, se a entrega fosse feita por drones. Eles fizeram o pedido e, pouco tempo depois, um drone entregou uma caixa grande com um frasco pequeno do produto. A Amazon disse que “alguns itens promocionais” estão sendo oferecidos “como boas-vindas” ao serviço.

“Na verdade, não precisamos de nada que eles oferecem de graça”, disse Leah, 51 anos, escritora e cuidadora. “Os drones parecem muito mais um brinquedo do que qualquer outra coisa – um brinquedo que desperdiça uma quantidade enorme de papel e papelão.”

O clima do Texas causa estragos na entrega de itens importantes. Lord, 54 anos, professor de engenharia civil da Texas A&M, encomendou um medicamento, mas quando pegou o pacote, ele já tinha derretido. O professor universitário espera que os drones possam mais cedo ou mais tarde resolver problemas como este.

“Ainda vejo com bons olhos este programa, lembrando que está em fase experimental”, afirmou.

A Amazon disse que o serviço com drones vai melhorar com o tempo. A empresa anunciou um novo modelo de drone, o MK30, no ano passado e divulgou fotos dele em outubro. O MK30, que está previsto para começar a operar até o final de 2024, foi anunciado como tendo um alcance maior, a capacidade de voar em condições climáticas adversas e uma redução de 25% no “ruído percebido”.

Quando a Amazon começou a investir nos drones anos atrás, a varejista levava entre dois e três dias para enviar vários itens aos clientes. Ela tinha medo de ficar vulnerável aos possíveis concorrentes cujos fornecedores eram mais locais, entre eles o Google e o eBay. Os drones tinham tudo a ver com velocidade.

“Podemos fazer uma entrega em meia hora”, prometeu Bezos naquele anúncio na TV.

Durante um tempo, os drones foram a próxima grande novidade. O Google criou seu próprio serviço de drones, o Wing, que agora opera para o Walmart na entrega de itens em regiões de Dallas e Frisco, no Texas. As startups receberam verbas; cerca de US$ 2,5 bilhões foram investidos entre 2013 e 2019, de acordo com o Teal Group, uma consultoria aeroespacial. O capitalista de risco veterano Tim Draper disse em 2013 que “tudo, da entrega da pizza até as compras pessoais, poderia ser entregue por drones”. A Uber Eats anunciou a entrega de comida por drones no fim de 2019. O futuro estava em alta e nas alturas.

A Amazon começou a pensar a longo prazo. A empresa idealizou e conseguiu uma patente para um veículo de reabastecimento de drones que pairaria no céu a cerca de 13 quilômetros de altura. Isso fica acima dos aviões comerciais, mas a Amazon disse que poderia usar os veículos para entregar refeições quentes aos clientes.

No entanto, na prática, os avanços foram lentos — às vezes por razões técnicas e outras devido ao DNA corporativo da empresa. A mesma confiança agressiva que criou um negócio de trilhões de dólares prejudicou os esforços da Amazon para trabalhar com a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês).

“A postura deles era: ‘Somos a Amazon. Vamos convencer a FAA’”, disse um ex-executivo do setor de drones da varejista, que pediu anonimato porque não estava autorizado a se manifestar publicamente sobre o tema. “A FAA quer que as empresas cheguem com grande humildade e transparência. Esse não é um ponto forte da Amazon.”

Uma questão mais complicada era fazer a tecnologia ser segura não apenas na maior parte do tempo, mas o tempo todo. O primeiro drone que pousasse na cabeça de alguém ou decolasse agarrando um gato poderia fazer com que o programa atrasasse mais uma década, principalmente se isso fosse filmado.

“Parte do DNA da indústria de tecnologia é realizar coisas que você nunca pensou que conseguiria”, disse Neil Woodward, que atuou como gerente sênior do programa de drones da Amazon durante quatro anos. “Mas a verdade é que as leis da física não mudam.”

Atualmente aposentado, ele passou anos no programa de astronautas da NASA antes de migrar para o setor privado.

“Quando você trabalha para o governo, há 535 pessoas no conselho de administração” — disse ele se referindo ao Congresso — “e uma boa parte delas quer acabar com suas verbas porque têm outras prioridades”, afirmou. “Isso torna as agências governamentais muito avessas ao risco. Na Amazon, eles dão muita corda e você pode acabar agindo impetuosamente.”

No fim, o que é necessário é existir um mercado. Como disse Woodward, usando um velho clichê do Vale do Silício: “Cães gostam da ração que produzem? Às vezes não”, referindo-se à prática das empresas de tecnologia conhecida como “dogfooding” de estimular os funcionários a experimentar os produtos que desejam lançar para ter a experiência do consumidor e entender o que precisam melhorar.

https://www.estadao.com.br/economia/entregas-drones-amazon-testes-texas/

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Mais empresas exigem o expediente 100% presencial no país

Levantamento mostra a evolução na adoção dos modelos de trabalho pelas companhias brasileiras desde dezembro até setembro deste ano. Saiba mais.

Por Adriana Fonseca, Para o Valor — 30/10/2023

Cada vez mais empresas estão exigindo que funcionários trabalhem de forma totalmente presencial. É o que aponta levantamento feito pela consultoria de recrutamento executivo Robert Half a pedido do Valor.

Ao mesmo tempo, o modelo híbrido, que permite alguns dias de trabalho no escritório e outros em casa, está perdendo espaço. Em dezembro do ano passado, 28% das organizações estavam funcionando no formato totalmente presencial e 67%, no modelo híbrido. No levantamento mais recente do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), de setembro deste ano, 35% estão atuando no modelo totalmente presencial e 57%, no híbrido.

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Para Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half para a América do Sul, é difícil dizer se isso é, de fato, uma tendência. “É algo difícil de prever, mas, na minha visão, o mercado de trabalho ainda parece caminhar para um modelo de trabalho híbrido nos segmentos e áreas onde essa modalidade é viável”, afirma. “É importante, portanto, ir encontrando gradativamente, e de forma muito aberta, esse equilíbrio entre os anseios dos colaboradores e as estratégias de negócios.”

A edição mais recente do ICRH mostra que o formato que mescla entre dias remotos e presenciais ainda é o preferido da maior parte dos entrevistados. Entre eles, 72% o consideram como o modelo ideal de trabalho, enquanto 15% indicam o home office e somente 9% o modelo totalmente presencial. Os outros 4% não souberam responder.

Mantovani entende que o mercado continuará a se transformar de maneira cada vez mais veloz, e diz que as empresas que abraçarem as mudanças e olharem para o futuro do trabalho definitivamente terão mais facilidade em atrair, reter e prosperar com equipes talentosas.

O especialista comenta, ainda, que já se vê, na rotina de trabalho dos headhunters, profissionais dizerem não a vagas que exigem a presença no escritório todos os dias. “Sentimos isso na prática”, afirma. “A escolha do modelo de trabalho tornou-se um fator decisivo, capaz de impulsionar pedidos de demissão e mudanças de emprego em prol de bem-estar, qualidade de vida e saúde mental.”

Segundo Mantovani, em muitos casos, o regime de trabalho vem antes da remuneração nas prioridades dos profissionais. “Aqui, acredito ser importante destacar que, ao contrário do que se imagina, os colaboradores também valorizam o contato e a interação, pois demandam, em sua maioria, o modelo híbrido, não o 100% remoto.”

O especialista diz também que adiciona complexidade a essa situação o baixo nível de desemprego entre os profissionais qualificados, que são aqueles com 25 anos ou mais e ensino superior completo. Para essa categoria, ele continua, a taxa de desocupação gira em torno de 3,5%, “algo muito próximo do que podemos chamar de pleno emprego, o que garante maior poder de negociação a esses profissionais”.

Mesmo os executivos que estão liderando a iniciativa de retorno aos escritórios, impulsionados pela percepção de enfraquecimento da cultura organizacional, queda na produtividade e dificuldades com a gestão remota, valorizam a flexibilidade, aponta o ICRH. Nesse sentido, algumas ações estão em curso, como horários flexíveis de entrada e saída, prática adotada nas empresas de 50% das pessoas entrevistadas.

Para os recrutadores entrevistados, as cinco vantagens mais evidentes na promoção da flexibilidade no modelo presencial são: aumento da satisfação dos empregados (56%), melhoria no equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (50%), retenção de talentos-chave (38%), maior atração de candidatos qualificados (37%) e fortalecimento da cultura organizacional baseada em confiança e autonomia (32%). Já na opinião dos profissionais, a flexibilidade no trabalho presencial influencia no bem-estar, na produtividade e no equilíbrio entre vida e trabalho. “Os melhores talentos buscam empresas que compreendem o papel da flexibilidade”, diz Mantovani. “Olhar estrategicamente para isso é uma das chaves para o recrutamento de alto nível.”

A pesquisa ICRH ouviu 387 respondentes para cada uma das três categorias (empregados, desempregados e recrutadores), distribuídos proporcionalmente pelo Brasil de acordo com os dados do mercado de trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad).

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2023/10/30/mais-organizacoes-exigem-o-expediente-100-presencial.ghtml?ref=SaibaMaisMidArticle_Valor_Economico

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A nova Governança Corporativa – com inovação, sustentabilidade e diversidade

Evandro Milet – Portal ES360 – 05/11/2023

(Obs: esse artigo foi enviado para algumas pessoas. Se já recebeu, desconsidere.)

Em 2008, logo após concluir um curso sobre governança corporativa no IBGC(Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) para receber o selo de Conselheiro de Administração dessa instituição por experiência, escrevi artigo explicando os conceitos do tema. Àquela época, o caso ruidoso da Enron provocou mudanças de legislação e um tsunami nos conceitos de governança, inclusive no Brasil. Os Conselhos de Administração(CA) passaram a ter mais força e os controles aumentaram significativamente, reduzindo os poderes da Diretoria Executiva e aumentando a responsabilidade de todos. 

A literatura de gestão exaltava líderes carismáticos e pouca ênfase atribuía aos conceitos de governança corporativa(GC) definido, na época, pelo IBGC como o sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre acionistas/cotistas, conselho de administração, diretoria, auditoria independente e conselho fiscal. 

O atual Código das Melhores Práticas de GC do IBGC, alterou um pouco essa definição, e é interessante observar os detalhes das mudanças nesses 15 anos. No novo conceito,  GC é “o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas”.

A GC ampliou o papel de instrumento de controle,  traz agora um papel mais ativo de incentivo e abre o leque para incluir, com mais ênfase, as partes interessadas(stakeholders) no relacionamento da empresa. 

Os princípios básicos da GC eram, em 2008: transparência, equidade, prestação de contas(accountability) e responsabilidade corporativa. Agora,  integridade, transparência, equidade, responsabilização(accountability) e sustentabilidade. Certamente a repercussão da Lava-Jato para uma série de empresas provocou a introdução do conceito de integridade nos princípios, entendida como aprimorar a cultura ética, evitar conflitos de interesse, além de manter coerência entre discurso e ação e o cuidado com as partes interessadas e a sociedade em geral.

Por transparência entende-se que mais do que a “obrigação de informar”, a Administração deve cultivar o “desejo de informar” não apenas sobre o desempenho econômico-financeiro, mas também sobre todos os fatores que norteiam a ação empresarial. 

A equidade caracteriza-se pelo tratamento justo e igualitário de todos os grupos minoritários, sejam acionistas ou demais partes interessadas. 

O princípio da  responsabilização, tradução melhor de accountability, prega que os agentes da GC devem prestar contas de sua atuação a quem os elegeu, mas também às partes interessadas e ao meio ambiente e devem responder integralmente por todos os atos que praticarem. 

Finalmente, o princípio da responsabilidade corporativa, agora redefinido para o mais atual termo sustentabilidade, preconiza que conselheiros e executivos devem zelar pela perenidade da organização e assim devem considerar que as organizações atuam em um ambiente de interdependência com os ecossistemas social, econômico e ambiental com responsabilidades perante a sociedade.

Um dos mais importantes aspectos da GC é a separação entre propriedade e gestão, onde os acionistas elegem um CA, formado inclusive por conselheiros independentes, com as atribuições de monitorar resultados, aprovar estratégias, eleger o executivo principal, cuidar do capital humano e remuneração de executivos, definir estrutura de capital e política de dividendos e gerenciar riscos ambientais, trabalhistas, tecnológicos e financeiros. Mas o IBGC introduziu no Código das melhores práticas também a importância da inovação com a sugestão que na composição do CA haja algum especialista no tema, além de conselheiros com competências comportamentais e técnicas. 

E que a empresa pratique a diversidade, inclusive no CA, em termos de raça, gênero, conhecimentos, formação acadêmica, experiências profissionais e demais elementos que contribuam para o fomento da inovação. Pessoas com conhecimentos, origens e vivências diferentes aumentam a capacidade de inovação na organização.

O capitalismo mudou. O mundo dos negócios tem novas regras. O grande economista Joseph Schumpeter foi preciso quando disse: “ A evolução capitalista significa perturbação. O capitalismo é essencialmente um processo de mudança econômica endógena. Neste sentido, o capitalismo estabilizado é uma contradição em termos”.

Nesta semana foi criada a 11ª regional do IBGC, o Núcleo Espírito Santo. Que seja motivador para a profissionalização e crescimento das empresas capixabas.

https://es360.com.br/coluna-inovacao/post/a-nova-governanca-corporativa-com-inovacao-sustentabilidade-e-diversidade/

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É possível corrigir defeitos do nosso genoma? Primeiro tratamento usando edição genômica é aprovado

Órgão dos EUA considerou método eficaz e seguro e recomendou sua liberação

Por Fernando Reinach – Estadão – 03/11/2023 

As primeiras pessoas curadas de uma doença genética através da modificação por edição do seu genoma já estão entre nós. E agora o FDA (Food and Drug Administration) dos EUA deu um passo histórico, aprovando o uso da edição genômica em seres humanos para curar a anemia falciforme.

A anemia falciforme é causada por uma mutação no gene da hemoglobina, a proteína que carrega oxigênio e dá a cor vermelha ao sangue. Pessoas que possuem somente uma cópia do gene defeituoso não têm sintomas, mas transmitem a doença, pois são portadoras do gene alterado.

Quando um portador do gene defeituoso se casa com outro portador, um em cada quatro filhos vai ter dois genes mutados e apresentará a doença. No mundo existem aproximadamente 5 milhões de pessoas com a doença, das quais aproximadamente 110 mil morrem todos os anos. O número de portadores sadios é muito maior.

São as células vermelhas (hemácias) que contêm a hemoglobina e que transportam o oxigênio do pulmão para o resto do corpo. Nos pacientes, ao invés das hemácias serem redondas, elas têm a forma de vírgulas. Devido a essa forma alterada, elas formam pequenos aglomerados de células que entopem os capilares mais finos em todos os órgãos do corpo. Esses pequenos entupimentos causam muitas dores, dificultam a passagem do sangue e a nutrição dos órgãos. A pessoa passa a vida de crise em crise e acaba morrendo mais cedo.

A anemia falciforme aparece na primeira infância. Ela não ocorre enquanto a pessoa está no útero ou logo que nasce, pois nessa fase da vida o gene que produz a proteína defeituosa está desligado e o grosso da hemoglobina que circula no sangue é a hemoglobina fetal, produzida por outro gene. Logo que a criança nasce, a produção da hemoglobina fetal é inibida e o sangue passa a ser composto principalmente pela hemoglobina adulta. Nesse momento a doença aparece. Para aliviar os problemas, a solução é fazer transfusões frequentes de sangue, o que dilui a hemoglobina defeituosa e faz com que os sintomas desapareçam por um tempo.

A ideia que os cientistas tiveram para tentar curar a doença foi baseada na observação de que basta diminuir a quantidade relativa de hemoglobina defeituosa usando hemoglobina normal. É o que ocorre com as transfusões e também em pessoas que possuem um gene normal e um defeituoso. Mas como alterar o genoma dos pacientes para que isso ocorra? Uma solução seria reativar a produção da hemoglobina fetal que foi desligada na infância.

Como sabemos que a produção da hemoglobina fetal é inibida nos adultos porque existe um gene (chamado BCL11A) que impede sua produção, os médicos e cientistas decidiram modificar esse gene imaginando que, destruindo o inibidor, os genes da hemoglobina fetal seriam ativados, a hemoglobina fetal seria produzida, diluiria no sangue a hemoglobina adulta defeituosa, e a pessoa ficaria curada. Para modificar o gene inibidor, decidiram utilizar a tecnologia CRISPR e modificar a sequência de DNA desse gene nos pacientes.

Os experimentos foram primeiro feitos em animais e depois repetidos em seres humanos. Os testes já envolveram mais de 40 pacientes. Funciona assim: primeiro as células que vão se transformar em hemácias, e produzir hemoglobina no seu interior, são retiradas do paciente. Essas células são então levadas ao laboratório e usando a técnica de edição genômica (CRISPR), o gene inibidor (BCL11A) é alterado e deixa de funcionar. Em seguida o paciente recebe uma espécie de quimioterapia para destruir ou reduzir as células no seu corpo que produzem hemácias e então as células modificadas no laboratório são injetadas de volta.

O que os cientistas descobriram é que, assim que se recupera, o paciente começa a produzir hemoglobina fetal em grande quantidade e a hemoglobina fetal em circulação faz com que a doença desapareça. A pessoa fica curada. Ou seja, a estratégia de destruir o inibidor e permitir a produção de hemoglobina fetal funciona e cura o paciente.

Com base no tratamento desses 40 pacientes, os médicos pediram ao FDA que aprove esse tratamento para uso na população. O que ocorreu na semana passada é que o grupo de cientistas e médicos do FDA que avalia esses pedidos considerou o tratamento eficaz e seguro e recomendaram sua liberação. Muito provavelmente o tratamento será liberado nas próximas semanas e deve ficar disponível.

É bom lembrar que esse ainda é um tratamento caro e difícil, pois envolve a retirada de células, sua modificação e sua reintrodução. Por esse motivo, deve levar tempo para ser aprovado e estar disponível no Brasil. Por aqui, temos quase 100 mil pessoas que sofrem com a doença, e mil pessoas nascem por ano com a doença.

O importante é que esse é o primeiro tratamento para uma doença genética que utiliza edição genômica (CRISPR) que é considerado seguro e eficaz. É uma enorme porta que se abre para corrigir defeitos presentes no nosso genoma.

https://www.estadao.com.br/ciencia/fernando-reinach/e-possivel-corrigir-defeitos-do-nosso-genoma-primeiro-tratamento-usando-edicao-genomica-e-aprovado/

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Fim das telas pode estar próximo com ascensão da inteligência artificial

Dispositivo portátil acionado por voz é aposta de duas empresas que usam tecnologia inspirada no ChatGPT

Por Pedro Doria – Estadão – 02/11/2023 

No final de setembro foi anunciado que o designer Jony Ive está conversando com a OpenAI, empresa por trás do ChatGPT, para criar “o iPhone da inteligência artificial”. O investimento na ideia já começa com US$ 1 bilhão do Softbank. E há um conceito por trás. É a aposta no fim das telas. Ou, ao menos, na possibilidade de que inteligência artificial nos leve a interagir com o mundo digital sem a necessidade de telas.

O designer inglês bolou o iMac azul translúcido, o iPod, então o iPhone — e o iPad. Até que, em 2019, deixou a Apple para criar um escritório independente. A entrada no jogo de alguém responsável por reinventar nossa vida digital pode, de fato, criar um ambiente no qual passemos a conviver com inteligência artificial sem precisar recorrer a telas. Ive, porém, chegará tarde neste circo. Há duas empresas empenhadas em fazer a mesma coisa.

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A que está mais na frente é a Rewind. Seu produto inicial, um app para Macs que chegará nas próximas semanas ao Windows, grava tudo que você faz no computador. Conversas pelo Zoom, trocas de Zap, buscas na web. Se daqui a três dias você precisar lembrar para quem prometeu um café, a resposta está a uma busca de distância.

Agora, a Rewind tem uma parceria com a OpenAI para criar um ChatGPT individual. Não precisa nem buscar mais — o robô dentro do seu computador gerencia sua agenda, faz uma ata das suas reuniões, sabe de seus e-mails. Basta perguntar. O passo seguinte é um pendente. Um cilindrozinho de pendurar no pescoço. Grava tudo que você ouve e fala no mundo real. O Rewind Pendant já está em pré-venda. Um assistente seu, que registra sua vida e depois responde às suas perguntas. Por apenas US$ 59.

É sempre possível que, assim como ocorreu lá atrás com o Google Glass, as pessoas passem a considerar invasivos esses aparelhos sem telas

Será invasivo demais para as pessoas? Ou nos adaptaremos?

A Humane é a outra concorrente. E como Ive no projeto secreto ou a turma da Rewind, usa o GPT. No início de outubro, a ex-top model Naomi Campbell circulou com o AI Pin da empresa pendurado na lapela de um paletó estiloso pela Paris Fashion Week. Este broche vai ser bem mais caro do que o pendente.

O AI Pin será capaz de projetar numa parede, ou mesmo na mão, imagens. Vem com câmera, gravação de voz, e seu objetivo é rigorosamente o mesmo: tornar-se um assistente pessoal inteligente, capaz de resolver as burocracias do dia a dia, uma memória constante para que não esqueçamos das coisas. Para que não precisemos lembrar. E tudo sem qualquer tela.

Ainda não há uma etiqueta para estes aparelhos. É sempre possível que, assim como ocorreu lá atrás com o Google Glass, as pessoas passem a considerá-los invasivos. E assim a gente olhe torto para quem os usa. Como pode acontecer de a utilidade ficar tão patente que ninguém queira abrir mão.

Ou, bem, que a gente ao menos combine o jogo. Para aqueles momentos um cadinho mais particulares. Pois, agora, é hora de desligar o gravador, tudo bem? Nós, jornalistas, estamos habituados com situações assim.

https://www.estadao.com.br/link/pedro-doria/fim-das-telas-pode-estar-proximo-com-ascensao-da-inteligencia-artificial/

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O poder de um texto bem escrito

A escrita que encanta transmite informação com mais competência. Um texto que foge das chatices e das abstrações faz mágica

Por Isabel Clemente – Valor – 01/11/2023

A loja da Apple em Covent Garden, no centro de Londres, vive cheia de gente como são as lojas da Apple em cidades ricas e turísticas como Londres. Sentada no hall principal –aguardando atendimento com um computador agonizante nos braços – assisti a uma das oficinas gratuitas diárias sobre fotografar com celular.

Por um instante esqueci que eu tinha um problema (uma escritora sem uma máquina para escrever tem um problema) e parei para admirar o óbvio: qualquer pessoa com um bom celular pode fazer fotos impressionantes hoje em dia. Quase profissionais, disse o convincente instrutor, em meio ao entra-e-sai da loja e ao burburinho de clientes e curiosos.

Quase dois anos depois, a cena volta para me lembrar que a tecnologia viabilizou fotos muito mais bonitas. Todo mundo quer sair bem no retrato. Comunicar com imagens que fiquem. O que falta para essa ideia tomar conta da escrita?

A escrita que entretém, seduz e encanta transmite informação com mais competência. Um texto, um ensaio e um artigo que comunicam com clareza e charme, que fogem das chatices e das abstrações fazem mágica. Uma leitura fluida entra na nossa mente como um sinal de wi-fi nos conecta ao mundo. Sem dor.

Tudo isso para dizer que eu continuo inconformada com as regras do Enem para a redação de aspirantes a uma vaga em universidade pública no Brasil. Continuo inconformada com orientações que associam coesão de ideias ao uso obrigatório de conectivos e placas, o que confunde quem escreve sem tanta prática. Não me conformo com essa proposta que enterra a criatividade em nome de uma suposta habilidade de argumentar. Quem diria que o país “do samba e do futebol” proibiria gingados e dribles no texto?

Amy Tan, autora de várias obras de ficção, conta em seu livro “The opposite of fate” sua trajetória de escritora. No capítulo em que aprofunda um debate sobre literatura, ela relata ser incapaz de defender uma ideia num ensaio. Ela escreve por ter perguntas sobre a vida, e não respostas. “Escrevo porque quase sempre não consigo me expressar de outra forma, e acredito que eu implodiria se não encontrasse as palavras. Eu não consigo parafrasear ou oferecer uma moral sucinta sobre amor e esperança, dor e perdas. Eu preciso recorrer a uma caligrafia mental, refletir e trabalhar sob a forma de uma história”, escreve Amy Tan.

A redação do Enem quer um texto dissertativo-argumentativo. Não é contação de história. Tudo certo. A “produção textual” para entrar no nível superior tende a influenciar (e limitar) o ensino da escrita nas escolas. Sempre foi assim. E isso pode ser um problema.

Procure exemplos de redações “nota 1000” e me conte o que achou do texto.

“As sete pragas do ensino de português”, de Carlos Alberto Faraco, é um livro de 1975 que continua atual. A terceira praga, segundo o autor, são as redações. Reproduzo aqui um pequeno trecho que encontrei no livro “A prova de redação e o acesso à UFRJ” (Ed. UFRJ/2013), de Marcelo Macedo Corrêa e Castro:

“Queremos que nossos alunos escrevam, mas não lhes criamos as condições para tal. (…) Todos sabemos o quanto nos custava atingir os limites mínimos de linhas (estes limites são indispensáveis neste processo, do contrário, ninguém escreve nada!). Mas, assim mesmo, continuamos a submeter nossos alunos a essa tortura monstruosa que é escrever sem ter ideias. Consequência: os alunos deixam a escola sem saber redigir, sem ter desenvolvida a capacidade de escrever. (Faraco, 1990, p. 19)”

Graças à pesquisa de Corrêa e Castro, pude resgatar o tema da redação do meu vestibular, em 1990. O texto motivador era uma crônica de Affonso Romano de Sant’anna e a proposta, “discutir”, por meio de uma dissertação, a pergunta do cronista: “a palavra vale ou não vale?”

As crônicas do Veríssimo foram a porta de entrada para eu me interessar pelo resto do jornal. Crônica é o gênero que me levou inteira para a literatura, os livros e para o jornalismo. Dois dos meus livros são de crônicas. Então posso agora reimaginar – porque lembro – o quão à vontade me senti. Eu tinha 17 anos.

A minha filha de 17 anos fará vestibular no próximo domingo. E uma de suas preocupações é chegar ao fim da redação do Enem indicando o que precisa ser feito (proposta de intervenção) para mitigar um problema (que ela ainda não sabe qual é), quem fará a ação, como e para quê. Sem isso, perderá pontos. A capacidade de fazer perguntas, logo elas, tão importantes para expressar curiosidade e inteligência, perdeu a vez entre as competências da escrita. O mais importante é trazer respostas e defender um ponto de vista. Num mundo tão cheio de questões complexas, e tanta gente cheia de certezas, precisamos de assertividade sobre temas que desconhecemos

Por que você escreve?

“Escrevo porque amo palavras desde criança”, escreveu Amy Tan, em meu nome e de tanta gente por aí. A escrita sempre me salvou e continua me salvando. Me ajudou a entrar numa escola pública disputada e a pagar minhas contas, a lidar com dor e a eternizar alegrias, a fazer amizades e conexões inesperadas. Um dos meus maiores prazeres é topar com textos lindamente escritos, ensaios sedutores que transmitem conhecimento sem que eu sofra. Amo histórias que me levam pela mão para lugares que não habito, para a vida de personagens que desconheço. Um texto bem escrito é um presente, um evento, uma paisagem bonita feita de palavras. Em última instância, um texto bem escrito me faz sentir melhor porque me sinto inteligente.

Eu não entendo por que a redação passou a ser algo tão chato. Eu não entendo por que certos grupos, como os acadêmicos, consolam-se com a produção de textos pouco lidos fora da academia. Eu não entendo por que tanta gente acredita estar condenada a escrever sem criatividade, prazer e liberdade. Eu não entendo por que a redação passou a ser algo tão chato. Eu não entendo por que certos grupos, como os acadêmicos, consolam-se com a produção de textos pouco lidos fora da academia. Eu não entendo por que tanta gente acredita estar condenada a escrever sem criatividade, prazer e liberdade. Eu não entendo por que o uso de jargões e abstrações como a tal da metalinguagem ainda são vistos como prova de erudição. Já era tempo de simplicidade ter virado sinônimo inquestionável de sofisticação também na escrita, como fez na moda, na arquitetura, no design, onde menos é mais.

Imagina se a tal oficina de fotografia com celular lá em Covent Garden começasse com o seguinte disclaim:

“Essa aula é exclusiva de profissionais da fotografia, gente que usa a foto como um fim e não um meio. Quem não se encaixa na definição, favor retirar-se do hall, tapar os ouvidos ou virar de costas. Continue tirando fotos sem-graça, sem enfeite, sem poesia, porque você não precisa disso.”

Quem ama palavras precisa de chance para perseguir uma escrita que comunique, informe, inspire e atenda seus propósitos de um jeito cativante e potente, algo que há pouco tempo a gente acreditava ser exclusividade da literatura. Essa paixão pelas palavras extrapola carreiras. Isso que chamamos de escrita criativa é muito mais eficiente para arrastar multidões do que um texto discursivo-argumentativo cravejado de termos antiquados.

Qual a habilidade que a galera universitária vai precisar, afinal, para defender seus pontos de vista?

https://valor.globo.com/opiniao/isabel-clemente/coluna/o-poder-de-um-texto-bem-escrito.ghtml

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O desabafo do CEO da Gerdau 

Em evento em São Paulo, o tema eram as oportunidades verdes do Brasil, mas Gustavo Werneck roubou a cena com discurso sobre a situação “dramática” com a competição chinesa

Ana Costa, Gustavo Werneck, Leonardo Pontes e Vivianne Valente (Tiago Mendes/Divulgação)

Ana Costa, Gustavo Werneck, Leonardo Pontes e Vivianne Valente (Tiago Mendes/Divulgação)

Natalia Viri – Exame –  30 de outubro de 2023 

Na sexta-feira, mais de 100 empresários, congressistas e membros dos governos federal e estadual se reuniram em São Paulo para um evento do Movimento Brasil Competitivo. Em pauta, as oportunidades e os desafios para o Brasil destravar suas vantagens quando o assunto é energia limpa e meio ambiente. Num painel com executivos e executivas de empresas como Cosan, Natura e Tigre o tema era a neoindustrialização verde. Mas um desabafo de Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, que compunha a bancada, roubou a cena (é possível conferi-lo aqui, a partir de 1h56m). 

“A coisa mais importante para descarbonizar o setor industrial é ter indústria. Se não tem indústria, não precisa descarbonizar nada. Eu sinceramente estou num momento em que acredito que estamos indo pelo caminho mais fácil que é não ter indústria no Brasil”, disparou Werneck, dando o tom do que viria pela frente nos próximos 10 minutos. 

Num discurso de indignação, ele usou a palavra “dramático” cinco vezes para ilustrar a situação da indústria nacional e elencou as dificuldades sofridas pelo setor siderúrgico com a enxurrada de aço chinês que tem chegado ao país.

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“Me lembro em 2015, por exemplo, nós tomamos uma decisão muito significativa de investir R$ 5 bilhões em equipamentos para produção de aços planos em nossas usinas em Minas Gerais, na crença de que a gente teria uma indústria naval no Brasil, que nunca veio. Na crença de que teríamos no longo prazo um fornecimento de aço muito significativo para o setor de energia eólica. Nesse momento, não tenho mais nenhum cliente de energia eólica. Todos se foram”, disse. 

E continuou. “Estamos passando por um momento muito difícil de desindustrialização e ela é mais crítica num ano como este no qual temos um recorde de importação de aço chinês no Brasil.”

No primeiro semestre deste ano, a receita da Gerdau caiu 6,2%. Com o menor crescimento no mercado interno, a China tem colocado o pé no acelerador nas exportações, com subsídios que tornam o preço do produto final por vezes menores que o custo dos produtores locais. Hoje, as importações diretas e indiretas correspondem a 29% do mercado brasileiro de aço, metade disso vinda dos chineses. 

Werneck tem sido cada vez mais vocal sobre o impacto da competição e tem batido ponto em Brasília para pleitear o estabelecimento de uma alíquota de 25% para a importação de produtos siderúrgicos – um pedido que não agrada consumidores intensivos em aço, como a indústria automotiva e de máquinas. Até agora, o governo só concordou em retirar incentivos à importação, com antecipação para 1º de outubro do fim da redução de 10% na alíquota de imposto de importação sobre 12 produtos de aço que só acabaria em 31 de dezembro. 

No evento do Movimento Brasil Competitivo – formado há 22 anos e do qual Jorge Gerdau, da família controladora, é chairman –, Werneck também foi enfático sobre o papel das importações de carros chineses sobre a indústria automotiva. Recentemente, a Gerdau concluiu um investimento de US$ 250 milhões na usina de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, para a produção de aços limpos, mais leves e resistentes e utilizados principalmente pela indústria de carros híbridos e elétricos. 

“Fizemos investimentos muito significativos na esperança de que essa indústria aconteceria. E nos deparamos com uma situação em que clientes tradicionais produtores de automóveis no Brasil, como a Ford, deixam o Brasil”, afirmou. “Temos uma penetração muito forte de veículos importados. Tem essa BYD, Build Your Dreams [montadora chinesa]. Talvez ela tenha construído o sonho de alguém, mas certamente não é o meu, porque para um veículo desse a gente não vende sequer um quilo de aço.”

“Em um momento no qual precisamos criar condição para a camada da população brasileira entre 18 e 25 anos que tem um desemprego na faixa de 25%, eu estou na infelicidade de ter demitido 700 pessoas este ano”. 

Segundo o executivo, a Gerdau consegue produzir um aço com um décimo das emissões de carbono da China, por conta tanto da matriz energética brasileira quanto o uso de carvão vegetal nos alto-fornos e da grande utilização de sucata de aço no seu processo.

“Estamos num momento dramático, o que é uma pena porque conseguimos construir uma capacidade produtiva muito competitiva do ponto de vista ambiental e estamos vendo isso ser colocado em xeque”, afirmou. 

Ainda que o foco tenha ficado na competição com a China e na necessidade do que chamou de “medidas de curto prazo” para preservar a competitividade nacional – leia-se aumento de alíquotas –, o CEO da Gerdau falou também sobre as dificuldades tributárias. 

“Hoje aqui no Brasil tenho 118 pessoas na minha área tributária. Na América do Norte, incluindo México, Estados Unidos e Canadá, eu tenho quatro”, afirmou. As operações têm tamanho semelhante – e, nos últimos dois anos, a divisão americana superou inclusive a brasileira em receita pela primeira vez nos 122 anos da companhia. 

Num contraste aparente com o discurso, ele encerrou afirmando que se mantém “otimista” e que a companhia vem buscando sempre os melhores benchmarks internacionais e iniciativas de eficiência operacional para manter a competitividade. 

“Do muro para dentro, dificilmente se encontrará hoje uma indústria no mundo que é tão competitiva como a nossa no Brasil. Mas tudo quando sai dos muros de nossas empresas fica complexo demais.”

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Natalia Viri

Editora do EXAME INJornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

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