O plano da Vale para tirar o diesel da mineração – em parceria com a Caterpillar 

André Jankavski – Brasil Journal – 30 de abril de 2024 

A Vale e a Caterpillar vão desenvolver e testar caminhões elétricos e híbridos (movidos a diesel e etanol) de grande porte para uso em minas. O acordo é uma das estratégias para a Vale cumprir suas metas de redução de emissões de carbono diretas e indiretas em 33% até 2030 – e se tornar net zero em 2050. Atualmente, as emissões de diesel das operações de mina correspondem a 15% do total de CO2 emitido pela Vale. Os caminhões são os responsáveis pela maior parte desta emissão, disse ao Brazil Journal o vice-presidente executivo de operações, Carlos Medeiros. 

A Vale é a maior consumidora de diesel do Brasil. A mineradora consome 1 bilhão de litros de diesel por ano: metade é usada por caminhões, e a outra metade por trens que transportam a produção da companhia – daí a importância de fazer essa transição o mais rápido possível. Mas a parceria não deve render frutos no curto prazo: Medeiros disse que os primeiros caminhões elétricos e híbridos devem começar a ser testados somente em 2026. “A Vale vai ter acesso a essas soluções em um momento que estamos cada vez mais próximos do nosso deadline, que é em 2030,” disse o executivo. 

E mesmo quando os veículos estiverem devidamente testados e forem disponibilizados no mercado, a substituição não será toda de uma vez, pois o custo seria altíssimo. Cada caminhão com capacidade de 240 toneladas – o mais usado pelas mineradoras – custa cerca de US$ 8 milhões após o pagamento de impostos, e tem vida útil de cerca de 20 anos. 

Enquanto o caminhão elétrico e o híbrido ainda estão no papel, a Vale já está testando o modelo autônomo. A mineradora tem 28 deles (sendo 14 produzidos pela própria Caterpillar outros 14 pela japonesa Komatsu) operando na mina de Brucutu em Minas Gerais. Segundo Medeiros, os caminhões autônomos já têm métricas que mostram o aumento de eficiência: operação de maneira contínua 24 horas por dia, aumento da vida útil dos motores em 40% e dos pneus em 25%. 

Esses ganhos não são triviais: a troca de um motor custa R$ 2,5 milhões, e a de um jogo de pneus, que costuma durar um ano, cerca de R$ 500 mil. O projeto de eletrificação com a Caterpillar também inclui pesquisas para criar uma versão elétrica dos caminhões autônomos. Esse é o segundo grande movimento para a diminuição do uso do diesel que a Vale fez em menos de um ano. Em julho, a mineradora anunciou uma parceria com a Wabtec Corporation para desenvolver um motor movido a amônia para locomotivas. 

“Esses acordos são fundamentais para a nossa estratégia de descarbonização. A nossa jornada é de estudar várias soluções e adotar as mais viáveis,” disse Ludmila Nascimento, diretora de energia e descarbonização da Vale. O acordo com a Wabtec também inclui um pedido de três locomotivas a bateria FLXDrive que serão usadas na Estrada de Ferro de Carajás. Hoje a composição é puxada por quatro locomotivas a diesel.

Leia mais em https://braziljournal.com/os-planos-da-vale-e-da-caterpillar-para-eletrificar-caminhoes-para-mineracao/ .

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O Brasil deveria liderar a inteligência artificial (aberta)

O País não precisa perder o trem da IA como aconteceu em outras ondas tecnológicas: se direcionarmos bem leis e estratégias, dá tempo de liderarmos a frente da IA open source

Fabro Steibel – MIT Sloan Management Review – 26 de Abril

Artigo O Brasil deveria liderar a inteligência artificial (aberta)

Se o fizermos, largamos primeiro, e ganhamos reconhecimento internacional. Mas é bom correr, porque já cresce o olho de governos e venture capital em liderar esse mercado também.

IA aberta não é algo novo, mas ganhou momentum recentemente. A Databricks, que lançou o mais poderoso modelo de IA até o momento, investirá US$ 10 milhões para promover a tecnologia para que seja usada livremente. O Hugging Face, marketplace de modelos de IA aberta, já tem mais de 350 mil componentes disponibilizados, e recebeu investimentos de US$ 100 milhões para crescer. A União Europeia liberou de carga regulatória grande parte da IA aberta, pensando em inovação. A corrida está começando, e o Brasil está em boa posição para se destacar.

E por que a IA aberta é tão interessante? Dados e software aberto possuem diversas licenças, mas em geral pensamos dados e código como aberto ou fechado. Na IA aberta já é melhor falar de gradientes de abertura, componentes intermediários que podem ser abertos ou fechados. É possível ter uma IA inteiramente aberta? Sim. Mas é muito mais eficiente ter “degraus” de desenvolvimento abertos. Essa é uma opção mais escalável, econômica e promotora de inovação que opções de ID completas ou fechadas.

IA aberta é abrir camadas da construção da tecnologia, antes de tudo. A Noruega, por exemplo, em suas estratégias de IA incluiu a criação de um “banco de língua norueguesa”, o que é útil para inúmeros processos intermediários que envolvem acesso, leitura e processamento de dados, sem contar o potencial para chatbots e outros mecanismos de interação entre governo e sociedade. A Noruega inclusive colocou a meta de 80% das instituições públicas com algum uso de IA até o ano que vem.

Quando a União Europeia propôs a primeira versão da Lei de Inteligência Artificial, em 2021, o mundo todo passou a pensar em IA como um modelo fechado, uma “coisa” usada para um fim específico. Ledo engano. IA até pode também ser pensada como um modelo fechado, como qualquer produto vendido no mercado. Mas IA é melhor descrita como um conjunto de partes e componentes. O estudo do BAIR, da University of Berkeley, mostra inclusive como muitas das IAs que conhecemos são resultados de combinações de camadas abertas e interoperáveis.

Exemplo: SABIÁ

A inteligência artificial aberta é uma boa inspiração para a infraestrutura digital pública. É claro que processamento em nuvem e acesso a placas de GPU são essenciais, mas as criações nacionais como Pix ou o Gov.br são muito mais que meros dados processados. Aprendemos ali o poder da infraestrutura digital, que faz com que os ecossistemas digitais floresçam. Imagine se criamos o “pix” ou “gov.br” da inteligência artificial, algo que o mundo aprenda conosco.

Já temos alguns exemplos de como a IA aberta está sendo feita no País. Inspirada na OpenAI, a Maritaca, sediada na Unicamp, já oferece o Sábia, um modelo de linguagem de larga escala (LLM) 45 vezes mais barato do que opções estrangeiras populares (e apenas 16% menos eficiente).

Inspirado no portal dados.gov.br, que tem bases de dados públicas para fomento de ecossistema, devíamos ter o “Hugging Face” brasileiro. Ou fazer com que esses portais de componentes sejam recheados de IA aberta nacional. O ganho aqui é na escala: quanto mais atores adotarem modelos abertos, mais acessível a solução é. E, quanto mais modelos falarem “Brasil” ou português, mais protegidos estaremos.

Há quem encare com preocupação os riscos sociais da IA aberta, e é válido pontuar que existem sim modelos criados para desrespeitar a lei (criando conteúdo tóxico, por exemplo). Mas as pesquisas, uma depois da outra, deixam claro que modelos abertos tendem a gerar melhores soluções de controle. Novamente o ganho é na escala: infraestruturas abertas tendem a ser mais vigiadas que soluções fechadas ou isoladas.

A HORA É AGORA. É agora que discutimos como podemos ter mais ambição na Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (a famosa EBIA). É agora que p Congresso debate que tipo de legislação o Brasil deve ter. Pois a IA aberta é um excelente caminho para nos inspirar. Já temos fama por nossa comunidade de dados e software aberto, está na hora de ficar famoso também por enxergar na IA infraestruturas abertas que façam essa oportunidade mais acessível e segura para todos.

Autoria

Fabro Steibel

Diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio), Fabro Steibel é membro do Conselho Global do Fórum Econômico Mundial, pesquisador independente da Open Government Partnership, fellow da Organização dos Estados Americanos (OEA) para governos abertos, professor da inovação da ESPM e membro do conselho editorial da MIT Sloan Review Brasil.

https://mitsloanreview.com.br/post/o-brasil-deveria-liderar-a-inteligencia-artificial-aberta

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“O cobre é o novo petróleo.” E o preço não para de subir 

Giuliano Guandalini – Brasil Journal – 16 de maio de 2024 

Carros elétricos, baterias, linhas de transmissão e data centers – sem falar no uso mais tradicional, em ligas metálicas, e agora, a inteligência artificial. Todas as principais transformações da economia global nos próximos anos dependem de um mesmo metal: o cobre. 

Mesmo com a adoção global mais lenta do que o previsto dos carros elétricos, a demanda pelo cobre permanecerá em alta, dizem os analistas, e boa parte da explicação está nos investimentos em inteligência artificial. A expansão da tecnologia requer toneladas de servidores e envolve um maior consumo de eletricidade. São duas forças que empurram para cima a demanda de cobre, e, num momento de oferta apertada, os preços estão nas máximas históricas. 

O consumo de eletricidade dos data centers, da inteligência artificial e criptomoedas deverá dobrar nos próximos dois anos, a Agência Internacional de Energia previu em um relatório recente. Isso vai exigir que a oferta mundial de energia tenha um aumento equivalente ao total consumido hoje pelo Japão. Esse é o pano de fundo que sustenta a esticada do cobre, que subiu 20% nos últimos três meses, mesmo com a atividade desacelerando na China, o maior consumidor mundial. 

A tonelada do cobre ultrapassou os US$ 10.000 em Londres e ficou acima de US$ 11.000 em Nova York. De acordo com traders, parte da alta recente nos contratos futuros se deve também a um short squeeze. Os fornecedores estariam com dificuldade para cumprir as entregas físicas programadas para os EUA até julho. 

Para os analistas do Bank of America, está se formando um desequilíbrio entre a produção e o consumo, o que poderá levar a um déficit na oferta até pelo menos 2026. A Goldman Sachs vê um déficit de 454 mil toneladas este ano e de 467 mil toneladas em 2025. Os analistas do banco elevaram o preço-alvo para a tonelada no fim do ano de US$ 10.000 para US$ 12.000, e projetam um preço médio de US$ 15.000 no próximo ano, uma alta de mais de 50% acima em relação à estimativa de US$ 9.800 para 2024. 

Para o Boston Consulting Group, o desequilíbrio poderá perdurar até 2030 caso haja um ritmo de investimento mais agressivo em transição energética. “O cobre, com alta condutividade e resistência à erosão, é um material crítico para produzir desde carros elétricos a painéis solares e cabos de eletricidade,” diz um estudo da BCG. 

O BofA reduziu sua estimativa de vendas de carros elétricos – o que reduziria o consumo esperado de cobre em 200 mil toneladas neste ano e no próximo.“A demanda por cobre no transporte continuará subindo, mas em ritmo menor,” diz o banco. Mas o avanço da IA exige a expansão dos data centers – o que vai consumir mais cobre, tanto em razão dos equipamentos e instalações dos grandes servidores quanto pelo aumento na demanda de energia elétrica. O BofA ressalta que, apesar dos ganhos de eficiência dos últimos anos, são necessários “investimentos urgentes” na transmissão de eletricidade para evitar apagões.

 “O cobre é o novo petróleo,” disse o estrategista-chefe do Carlyle Group, Jeff Currie, em uma entrevista à Bloomberg. A alta na procura pelo metal ocorre num momento em que muitos projetos de novas minas haviam sido colocados em banho maria. A desaceleração da China e a alta dos juros nos EUA – com uma possível recessão na maior economia do planeta – desincentivaram o início de projetos. 

A grande novidade recente foi o advento da inteligência artificial generativa. “Uma pesquisa no ChatGPT consome 30x mais eletricidade do que uma pesquisa no Google. É essa ordem de grandeza,” disse Tiago Cunha, um gestor da Ace Capital que acompanha de perto as commodities metálicas. 

“O problema é que o mercado de cobre está muito apertado e não é de hoje. A oferta é pouco elástica mesmo nos atuais níveis de preço.” O magnata da mineração Robert Friedland, da Ivanhoe, disse que os preços da tonelada precisam ir a US$ 15.000 para destravar os investimentos em novas áreas. Retirar o cobre debaixo da terra é mais caro e complexo do que a exploração do minério de ferro. O desenvolvimento das minas demora, quase sempre, mais de uma década. Mas as indústrias de todo o planeta precisam do metal. E para já. 

A ‘corrida do cobre’ está por trás da oferta de US$ 43 bilhões da BHP para adquirir a Anglo American, controladora de vastas minas do metal no Peru e no Chile. Este foi apenas o movimento mais ruidoso da provável consolidação entre mineradoras interessadas em ampliar suas posições em cobre e aproveitar a tendência de alta. “O cobre é uma história bastante simples,” disse o gestor Stanley Druckenmiller em entrevista à CNBC na semana passada. “Leva cerca de 12 anos para uma nova mina produzir, e você tem carros elétricos, linhas de transmissão, data centers e, acredite ou não, munições. 

Todos os mísseis carregam cobre. O mundo está ficando quente. A situação de oferta-demanda é incrível pelos próximos cinco ou seis anos.” 

A alta nas cotações tem estimulado também a ação de gangues – e não apenas no Brasil. Na África são comuns os roubos de cabos, enquanto nos EUA assaltantes estão atacando as estações de carregamento da Tesla. 

LEIA MAIS Anglo American faz reorganização, de olho no cobre e na energia limpa

Leia mais em https://braziljournal.com/o-cobre-e-o-novo-petroleo-e-o-preco-nao-para-de-subir/?utm_source=Brazil+Journal&utm_campaign=7dc377a0a5-news16052024-2-fo_COPY_02&utm_medium=email&utm_term=0_850f0f7afd-7dc377a0a5-427667149 .

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Equipe de apenas 11 pessoas constroi prédio com tijolos “tipo Lego”

Um prédio com 96 apartamentos foi montado como um conjunto de blocos de montar para crianças

Crédito: Renco EUA


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Nate Berg – Fast Company Brasil – 12-01-2024 

Usando apenas um martelo, uma pistola de cola e um manual de instruções com códigos em cores, uma equipe de 11 trabalhadores não qualificados construiu recentemente um prédio de apartamentos com 96 unidades em menos de dois meses.

A chave para esse projeto de construção super-rápido é um novo material de construção – um sistema de tijolos intertravados que se encaixam como se fossem peças de Lego. Empilhados como blocos de concreto convencionais e afixados no lugar de encaixe, os blocos são uma alternativa à construção de prédios com madeira, concreto e aço.

O material se chama Renco e é feito de uma mistura totalmente reciclável de vidro e plástico reaproveitados, pó de calcita e resina. O nome vem de uma mistura de “renovável” com “composto”. Semelhante à fibra de vidro, os blocos feitos com esse composto têm alta resistência e estabilidade e são capazes de suportar uma ampla gama de forças ambientais. 

Desenvolvido inicialmente na Turquia e usado em mais de 100 projetos de construção desde 2012, o material agora foi licenciado e aprovado para construção nos EUA. 

O prédio de apartamentos com 96 unidades, localizado em Palm Springs, na Flórida, é o primeiro no país a usar o Renco. Em comparação com um projeto convencional construído com concreto, a construção foi 20% mais rápida e 20% mais barata.

O projeto foi desenvolvido e construído pela Coastal Construction, empreiteira especializada em residências e hotéis de grande porte. Patrick Murphy, vice-presidente executivo da empresa, conta que conheceu o Renco em 2010 e logo percebeu seu potencial como um material de construção resistente, que poderia suportar os furacões da Flórida. 

Junto com seu pai, o fundador da Coastal Construction, Tom Murphy Jr., ele viajou para a Turquia para ver o material de perto.

O primeiro projeto que visitaram foi um enorme complexo de apartamentos. “Uma coisa é construir uma casa ou um pequeno depósito”, diz Murphy. “Outra coisa é construir um prédio de vários andares com pessoas morando nele.”

Eles fizeram um acordo com o criador da Renco e trouxeram o material para os EUA com a intenção de estabelecer uma instalação para construir os blocos e, em seguida, usar esses blocos para construir moradias à prova de furacões em toda a Flórida.

Crédito: Renco EUA

A empresa realizou mais de 400 testes com o material para garantir integridade estrutural, segurança contra liberação de gases e outros riscos ambientais. Também foram feitos testes contra infestações de cupins e pragas, mofo, terremotos e, no caso da Flórida, contra furacões. O material é classificado para resistir a uma tempestade de categoria 5.

Sua maior vantagem, porém, é a facilidade de construção. O sistema foi projetado para ser facilmente montado por pessoas que não são experientes em construção, já que esse tipo de mão de obra anda em falta no mercado local. 

As instruções codificadas por cores mostram aos construtores quais blocos vão aonde. Eles são facilmente fixados uns aos outros com um spray de adesivo industrial de metacrilato de metila de dupla face, que sai de uma pistola de cola, e algumas batidas com um martelo.

Os blocos variam em tamanho, de cinco centímetros a um metro de comprimento. O mais pesado pesa 36 quilos, mas a maioria pode ser levantada por uma única pessoa. Para o complexo de apartamentos de Palm Springs, o projeto completo de quatro prédios contou com apenas 22 formatos diferentes de blocos.

Isso pode parecer uma receita para uma estrutura sem graça, mas o sistema é surpreendentemente adaptável a diferentes designs, de acordo com o escritório de arquitetura do projeto, Arquitectonica. “No início, estávamos sendo cautelosos”, diz Bernardo Fort-Brescia, cofundador da empresa. “Agora, percebo que podemos ser muito mais ousados.”

A Coastal Construction acaba de concluir uma unidade de produção na Flórida para produzir blocos Renco. Segundo Murphy, ela tem capacidade para produzir material suficiente para construir cinco mil apartamentos por ano.

“Não estou dizendo que podemos construir todos os tipos de prédios, mas ainda não há nada que não tenhamos conseguido fazer”, afirma Murphy.


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. 

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Brasil é o terceiro maior gerador de energia elétrica renovável no mundo

Considerando a participação percentual de renováveis na matriz elétrica, o Brasil ocupou a sexta posição em 2023, segundo dados da Agência Internacional de Energia

Erik Rego – Exame – 8 de abril de 2024 

Com 42,8% de participação do PIB global (dados do Banco Mundial para o ano de 2022), China e EUA foram os maiores geradores de energia elétrica renovável do mundo entre janeiro e novembro de 2023, com participação conjunta de 50,4% do total.

Somando geração hidrelétrica, eólica, solar, biomassa e geotérmica, a China produziu no período 2,7 milhões de gigawatts-hora (GWh), o equivalente a 37,9% do total global, enquanto os EUA geraram 883 mil GWh (12,6% do total), de acordo com dados publicados pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

Apesar dos dados favoráveis, mais de 60% da geração de eletricidade chinesa ainda é proveniente do carvão. E, nos EUA, gás natural e carvão também respondem por aproximadamente 60% de geração de eletricidade do país.

Como se divide a matriz elétrica no Brasil?

Com menos de 2% de participação no PIB global, mas com 8% da produção de geração renovável mundial (568,4 GWh), o Brasil é o terceiro colocado no ranking. E, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as hidrelétricas responderam por 67,4% da geração total de energia elétrica do país de janeiro a novembro de 2023, com as eólicas contribuindo com 14,5% e as solares, com 6,7%.

Vale destacar que, ainda na primeira década deste século, a fonte hidrelétrica representou, em média, pouco mais de 90% da geração de eletricidade brasileira. Isso mostra que o Brasil promoveu a diversificação de seu parque gerador sem perder sua característica de renovabilidade.

O país com maior uso de energia renovável do mundo
Já no ranking global de participação proporcional de energia elétrica renovável dos países acompanhados pela IEA, a campeã é a Islândia, com praticamente 100% de renovabilidade, seguida de perto pela Costa Rica (quase 100%), Noruega (99%), Luxemburgo (94%), Dinamarca (91%) e o Brasil (90%).

Fecham o grupo de países com mais de 80% de participação de fontes renováveis em suas respectivas matrizes elétricas a Nova Zelândia (88%) e a Áustria (85%).

Esses países conseguem esse feito principalmente por causa da geração hidrelétrica, com exceção da Dinamarca, cuja principal fonte de eletricidade é a eólica. Aliás, a Noruega promoveu grande mudança de sua matriz, já que no começo deste século 83% da geração era a partir de carvão, gás natural e óleo. Há ainda duas curiosidades na lista: Islândia e Nova Zelândia apresentam 30% e 20%, respectivamente, de sua geração de eletricidade a partir de geotérmicas.

https://exame.com/esg/brasil-e-o-terceiro-maior-gerador-de-energia-eletrica-renovavel-no-mundo/

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Professores gerados por IA estão dando aulas em uma universidade de Hong Kong

Uma vez que o conteúdo do curso é carregado no programa, este gera automaticamente os professores, cuja aparência, voz e gestos podem ser personalizados

Agência o Globo – Publicado em 12 de maio de 2024 

Com um capacete de realidade virtual, alguns estudantes de uma universidade de Hong Kong viajam para um pavilhão nas nuvens para participar de uma aula de teoria dos jogos explicada por um Albert Einstein criado com inteligência artificial (IA).

A experiência faz parte de um curso piloto da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (HKUST) para testar o uso de “professores” gerados por essa tecnologia em ascensão no mundo. O professor Pan Hui, responsável por este projeto, considera que essa ferramenta pode ser de grande ajuda para as instituições de ensino diante da falta de pessoal em muitos países ao redor do mundo.

“Os professores gerados por IA podem trazer diversidade (…) e até mesmo uma narrativa imersiva”, explica Hui à AFP.

A disseminação de ferramentas como o ChatGPT gerou esperanças de melhorias na produtividade e no ensino, mas também temores sobre as possibilidades de engano, plágio ou substituição de professores.

Neste curso “Redes Sociais para Criativos”, esses professores digitais abordam com cerca de trinta alunos questões relacionadas às tecnologias imersivas e ao impacto das plataformas digitais.

Uma vez que o conteúdo do curso é carregado no programa, este gera automaticamente os professores, cuja aparência, voz e gestos podem ser personalizados. Os avatares podem aparecer em uma tela ou através de capacetes de realidade virtual. O curso é híbrido porque Hui também intervém nas aulas. No entanto, a IA, ele afirma, permitiu-lhe se livrar de suas tarefas mais “pesadas”.

Professores de desenhos animados

A estudante de doutorado Lerry Yang acredita que essa mistura de universos reais e virtuais e a personalização dos professores digitais melhoram sua aprendizagem.

Se um professor digital “me deixa mais receptiva mentalmente ou parece mais acessível e amigável, isso apaga a sensação de distância entre o professor e eu”, afirma à AFP esta jovem que dedica seu doutorado ao metaverso.

Abordar o avanço da IA é um desafio comum para os professores. Alguns decidem limitar seu uso ou tentam identificar de forma confiável o plágio.

Embora inicialmente hesitantes, a maioria das universidades de Hong Kong autorizou seus estudantes a usá-la no ano passado, com condições variadas.

Em seu curso piloto, Hui experimenta com avatares de diferentes gêneros e origens étnicas ou com a aparência de figuras famosas do mundo acadêmico, como o economista John Nash ou o próprio Einstein.

“Até agora, o tipo de professores [gerados por IA] mais populares são mulheres jovens e bonitas”, diz.

Os personagens de desenhos animados japoneses, com os quais também experimentaram, não são unanimidade, explica a estudante de doutorado Christie Pang, que colabora com Hui.

“Alguns alunos sentiam que não podiam confiar no que o avatar digital dizia”, afirma.

Melhor o real

Para Pan Hui, a confiabilidade dos professores gerados por IA pode superar a dos seres humanos reais no futuro. No entanto, ele considera preferível que ambos os tipos de professores convivam.

“Como professores universitários, nós vamos cuidar melhor dos nossos alunos no que diz respeito, por exemplo, à sua inteligência emocional, sua criatividade e seu pensamento crítico”, explica.

Por enquanto, essa tecnologia está longe de representar uma séria ameaça para o pessoal acadêmico.

Os avatares não podem interagir com os alunos e, como todos os conteúdos criados pela IA, podem fornecer respostas falsas ou estranhas, o que alguns chamam de “alucinações”.

Cecilia Chan, professora da Universidade de Hong Kong (KHU), pesquisou no ano passado mais de 400 estudantes: a maioria deles preferia tutores reais.

Os alunos “ainda preferem falar com uma pessoa real porque um professor de verdade pode compartilhar sua experiência, dar feedback e demonstrar empatia”, afirma Chan, cujos trabalhos se concentram no uso da IA na educação.

“Você preferiria ouvir um ‘bravo’ de um computador?”, pergunta a pesquisadora.

No entanto, os estudantes já estão recorrendo a ferramentas baseadas em IA em seu aprendizado, como “todo mundo faz”, diz Chan.

Na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, um dos alunos de Hui, Yang, confirma isso: “Não se pode ir contra o desenvolvimento dessa tecnologia”.

https://exame.com/inteligencia-artificial/professores-gerados-por-ia-estao-dando-aulas-em-uma-universidade-de-hong-kong/

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Geopolítica assume um papel central nas cadeias de abastecimento

Conflitos militares e guerras comerciais forçam busca por locais diferentes dos usuais para fabricação de componentes e compra de matéria-prima, além de rotas mais seguras para o transporte dos produtos

Por Paul Berger Valor/Dow Jones – 05/05/2024

De todas as decisões que o Markus Group está tomando sobre seu novo elevador mecânico para ajudar os americanos a acessar seus sótãos, a mais complicada hoje é onde fabricar o produto.

“Dez anos atrás eu imediatamente teria dito China”, afirma Mark Boone, proprietário dessa fabricante de Raleigh, Carolina do Norte, que opera sob contrato.

A China tem tudo que Boone precisa para o seu elevador Stoaway: aço para a estrutura, máquinas computadorizadas de baixo custo para fabricar as peças, e semicondutores e sistemas de comunicação de rádio para a operação remota dos elevadores.

Mas as relações comerciais dos EUA com a China estão se deteriorando, aumentando a possibilidade de Washington vir a elevar as tarifas sobre os produtos chineses, ou uma guerra eclodir em razão das reivindicações de Pequim sobre Taiwan. Boone está procurando fábricas na Polônia e Romênia, onde é mais difícil encontrar fornecedores e os custos com a mão de obra e matérias-primas são maiores, mas onde os riscos geopolíticos podem ser menores.

“As decisões que tomamos serão tão geopolíticas quanto econômicas”, afirma Boone.

O dilema de Boone está afetando milhares de empresas à medida que os crescentes obstáculos geopolíticos complicam as cadeias de abastecimento — que vão de sobretaxas ocidentais e restrições às importações de matérias-primas de produtos da China e outros países aos ataques houthis a navios comerciais que praticamente fecharam o Canal de Suez.

“Hoje, os gestores de cadeias de abastecimento estão pensando mais no risco geopolítico do que em qualquer outro risco”, diz Brian Bourke, diretor comercial da Seko Logistics, transportadora de carga de Schaumburg, Illinois.

Até recentemente, as principais preocupação das empresas com as cadeias de abastecimento era como encontrar uma fonte confiável para produtos ao custo mais baixo, diz Oscar de Bok, presidente-executivo da DHL Supply Chain, uma provedora de logística. Isso levou muitas empresas para a China, com sua mão de obra barata e ecossistema incomparável de fábricas, fornecedores de peças e matérias-primas.

De Bok diz que hoje muitas empresas estão priorizando uma cadeia de abastecimento capaz de suportar choques geopolíticos. Esse novo ônus as está levando para outros países e continentes, onde estão estabelecendo cadeias de abastecimento alternativas que reduzem sua dependência de um único país ou região.

Algumas das mudanças em curso foram estimuladas pela pandemia de covid-19, quando o fechamento de fábricas na China, o aumento dos preços do transporte marítimo e os atrasos no transporte provocaram a escassez de peças e prateleiras vazias. Grant Anderson, vice-presidente de gestão de cadeia de abastecimento da Jabil, diz que “a pandemia assustou muitas empresas, que perceberam o quanto dependiam da China”.

As mudanças estão sendo aceleradas pelos choques geopolíticos mais recentes, à medida que aumentam as tensões internacionais e países como China, Rússia e Irã enfrentam o Ocidente.

Companhias que achavam que não tinham qualquer papel no Oriente Médio agora enfrentam prazos de entrega mais longos e custos mais altos de transporte marítimo devido aos ataques dos houthis a navios comerciais em resposta à guerra de Israel contra o Hamas em Gaza.

Os navios porta-contêineres estão percorrendo rotas mais longas e mais caras, contornando a África, para evitar a região, o que está levando mais empresas a transportar bens por via aérea, mais cara, para reduzir os atrasos que vêm afetando a produção na Europa. As companhias marítimas parecem ter reformulado suas operações para um conflito prolongado que remove o Mar Vermelho e o Canal de Suez de seus mapas de rotas.

“É impossível prever por quanto tempo a atual situação continuará, mas agora estamos bem posicionados para suportar essa perturbação por um período mais longo”, disse na quinta-feira Vincent Clerc, presidente-executivo da A.P. Moller-Maersk, quando a companhia anunciou resultados.

As empresas se veem no meio de guerras comerciais crescentes, com a União Europeia (UE), os EUA e outros países elevando suas barreiras a produtos chineses em resposta à inundação de produtos subsidiados por Pequim, de carros elétricos, painéis solares a equipamentos de construção e aço.

Os EUA também levantaram preocupações com a segurança nacional relacionada à sua dependência da China em tecnologias como a de semicondutores, que são essenciais para computadores, veículos elétricos, robôs e outros produtos. Washington proibiu as exportações de alguns chips para a China e está estimulando a fabricação interna de semicondutores e tecnologias verdes com subvenções e incentivos à construção de novas fábricas que limitem o uso de matérias-primas da China e de outros países vistos como hostis.

A Apple, que construiu uma cadeia global de fornecimento de eletrônicos baseada na produção de baixos custos na China, agora está tentando fabricar parte de seus iPhones na Índia, levando junto grandes fornecedores como alternativa contra possíveis rupturas no comércio fora da China.

Enquanto isso, a China também está impondo tarifas e restrições às importações à medida que as disputas comerciais aumentam.

Evan Smith, presidente-executivo da empresa de tecnologia para cadeias de abastecimento Altana AI, diz que as novas regras, regulamentações e tarifas estão complicando os esforços de conformidade comercial, especialmente para as empresas maiores que estão no topo de uma cadeia de abastecimento que pode incluir centenas de milhares de fornecedores.

As empresas estão sendo obrigadas a ir mais fundo em suas redes de fornecedores para identificar matérias-primas e componentes que possam estar sujeitos a sobretaxas ou que possam violar um número crescente de regras e regulamentações que visam países como a Rússia e a China.

A Volkswagen foi surpreendida este ano quando milhares de Audis, Porsches, Bentleys e Lamborghinis foram retidos nos portos marítimos dos EUA. Os carros continham um componente magnético proveniente de um sub-fornecedor que se encontra em uma “lista suja” for estar localizado na região de Xinjiang, na China, onde as autoridades são suspeitas de usar trabalho forçado uigur.

“Nós realmente tentamos, mas isso mostra quão desafiador é saber tudo o que acontece em cadeias de abastecimento complexas”, disse um porta-voz da VW.

As relações comerciais entre os EUA e a China poderão piorar ainda mais nos próximos anos. O presidente Biden disse em abril que pretende mais do que triplicar as tarifas às importações de aço e alumínio da China. Os legisladores dos EUA estão pressionando pela limitação dos negócios da indústria farmacêutica com empresas chinesas de biotecnologia como a WuXi AppTec, fabricante terceirizada com supostas ligações com os militares chineses.

Especialistas em logística afirmam que alguns executivos também se perguntam o que poderá acontecer se Donald Trump vencer as eleições presidenciais de novembro e cumprir a promessa de impor tarifas de dois dígitos a todas as importações, bem como uma tarifa de mais de 60% às importações da China.

As multinacionais não conseguem se desvencilhar facilmente dos riscos geopolíticos, observa Simon Geale, vice-presidente-executivo de compras da consultoria Proxima, especializada em cadeias de abastecimento. Ele observa que a Rússia é um dos maiores fornecedores mundiais de alumínio, níquel e cobre, por exemplo, e que a China fornece cerca de 75% dos minerais de terras raras usados nos semicondutores dos EUA.

“Há essas interdependências enormes entre esses países, que basicamente estão em guerra uns com os outros”, afirma ele.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2024/05/05/geopoltica-assume-um-papel-central-nas-cadeias-de-abastecimento.ghtml

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The Economist: rica e poderosa, a geração Z está assumindo o controle

Eles convivem com uma taxa de desemprego menor e remuneração é maior; além disso, não temem sair de um emprego em busca de algo melhor

Por Estadão/The Economist – 21/04/2024 

A Geração Z está tomando conta de tudo. Na parte rica do mundo, ela representa pelo menos 250 milhões de pessoas nascidas entre 1997 e 2012. Cerca de metade está atualmente empregada. No ambiente de trabalho americano médio, o número de pessoas da Geração Z (às vezes chamados de “Zoomers”) trabalhando em período integral está quase ultrapassando o número de baby boomers (os nascidos entre 1945 e 1964, cuja carreira está chegando ao fim) empregados em período integral. Os Estados Unidos têm atualmente mais de 6 mil Zoomers como diretores executivos e mil Zoomers na política. Conforme esta geração se torna mais influente, as empresas, os governos e os investidores precisam entendê-la.

Os estudiosos produzem muito material a respeito deste recorte da população. “Pesquisas” recentes da fabricante de salgadinhos Frito-Lay revelam que os Zoomers tem uma forte preferência por “salgadinhos que sujam os dedos”, como farelo de queijo. Mas gerações diferentes também demonstram diferenças mais profundas, em parte moldadas pelo contexto econômico em meio ao qual cresceram. Os alemães que chegaram à idade adulta nos anos 1920, de elevada inflação, aprenderam a detestar altas nos preços. Os americanos que viveram durante a Depressão tendiam a evitar investimentos na bolsa de valores.

Muitos argumentam que a Geração Z é definida pela sua ansiedade. O excesso de preocupação afeta também o psicólogo social Jonathan Haidt, da Universidade de Nova York, cujo novo livro, “The Anxious Generation” (A Geração Ansiosa), está causando impacto. Sob certos aspectos, os Zoomers são incomuns. Os jovens de hoje são menos propensos a formar relacionamentos do que os anteriores.

São mais propensos a ter depressão ou a dizer que não se identificam com o sexo de nascimento. São menos propensos a beber, fazer sexo, envolver-se em relacionamento, ou fazer qualquer coisa entusiasmante. Os americanos com idade entre os 15 e os 24 anos passam apenas 38 minutos por dia socializando, tempo que chegava a quase uma hora na década de 2000, de acordo com dados oficiais. Haidt considera isso um efeito dos smartphones, e das redes sociais que eles possibilitam.

O livro dele provocou uma intensa reação. No dia 10 de abril, a governadora do Arkansas, Sarah Huckabee Sanders, ecoou os argumentos de Haidt ao apresentar planos para a regulação do uso de smartphones e redes sociais por crianças. O governo britânico considera aprovar medidas semelhantes. Mas nem todos concordam com a tese de Haidt. E o cabo de guerra envolvendo a ansiedade da Geração Z eclipsou outra distinção deste recorte populacional. Em termos financeiros, a Geração Z está se saindo extremamente bem. Isso, por sua vez, está alterando sua relação com o trabalho.

Pensemos no grupo que precedeu a Geração Z: os Millennials, nascidos entre 1981 e 1996. Muitos entraram para a força de trabalho em um momento em que o mundo sofria com os efeitos da crise financeira de 2007-09, durante a qual os jovens sofreram desproporcionalmente. Em 2012-14 mais da metade dos jovens espanhóis que procuravam emprego não conseguiam trabalho. A taxa de desemprego entre os jovens na Grécia era ainda mais alta. A popular canção “Work Bitch”, de Britney Spears, lançada em 2013, trazia uma mensagem sem massagem para os jovens millennials: quem quiser algo de bom vai ter que ralar.

Os Zoomers que terminaram os estudos enfrentam circunstâncias muito diferentes. O desemprego entre os jovens na parte mais rica do mundo, atualmente na casa dos 13%, é o mais baixo desde 1991. A taxa de desemprego entre os jovens na Grécia é menos da metade da observada no seu auge. Nos hotéis de Kalamata, um destino turístico, há queixas por causa da falta de mão de obra disponível, algo impensável poucos anos atrás. As canções populares refletem o espírito dos tempos. Em 2022, a protagonista de uma música de Beyoncé se gabava, “Acabei de largar o emprego”. Olivia Rodrigo, cantora de 21 anos, popular entre os Zoomers americanos, se queixa de um ex cuja “carreira está decolando”.

Muitos optaram por estudar assuntos que os ajudam a encontrar emprego. No Reino Unido e nos EUA, os Zoomers estão evitando a área de humanas, buscando em vez disso assuntos de utilidade mais óbvia como economia e engenharia. Os testes vocacionais também se tornam cada vez mais populares. Com isso, os jovens podem se beneficiar de um mercado de trabalho de oferta de mão de obra restrita. Como a protagonista de Beyoncé, eles podem largar o emprego e encontrar outro se quiserem mais dinheiro.

Nos EUA, o aumento na remuneração por hora entre empregados de 16 a 24 anos chegou recentemente a 13% ao ano, em comparação com 6% para os trabalhadores com idade entre 25 e 54 anos. É o mais alto “prêmio pela juventude” observado desde o início da série histórica de dados confiáveis. No Reino Unido, onde a remuneração dos jovens é medida de outra forma, a remuneração média por hora para pessoas entre 18 e 21 anos aumentou incríveis 15% no ano passado, ultrapassando os aumentos no pagamento de outras faixas etárias por uma margem incomum. Na Nova Zelândia, a remuneração média por hora para pessoas entre 20 e 24 anos aumentou 10%, em comparação com uma média de 6%.

O ganho salarial sólido aumenta a renda familiar. Um novo estudo de Kevin Corinth, do American Enterprise Institute, e de Jeff Larrimore, do Federal Reserve, analisa a renda dos lares americanos de acordo com a geração, descontado o pagamento de impostos, as transferências do governo e a inflação. Os Millennials tiveram uma situação um pouco melhor do que a Geração X, formada pelos nascidos entre 1965 e 1980, quando tinham a mesma idade. Mas os Zoomers estão em situação muito mais confortável do que os Millennials quando estavam nessa idade. Um típico Zoomer de 25 anos tem uma renda anual do lar superior a US$ 40 mil, mais de 50% acima do que os baby boomers tiveram na mesma idade.

O poderio econômico da Geração Z era fácil de observar em uma apresentação recente de Olivia Rodrigo em Nova York. O público, formado principalmente por moças adolescentes e jovens de 20 e poucos anos, tinha pagado centenas de dólares por cada ingresso. As filas nas bancas de produtos licenciados, oferecendo camisetas por US$ 50, se estendiam por toda a arena de shows.

Olivia não encontrará dificuldade para vender seus produtos licenciados em outras partes do mundo conforme sua turnê atravessa o Atlântico. Isso ocorre em parte porque os Zoomers que entraram no mercado de trabalho estão ganhando bastante em todo o mundo desenvolvido. Em 2007 a renda média dos franceses com idade entre 16 e 24 anos correspondia a 87% da média geral. Agora, corresponde a 92%. Em alguns lugares, como Croácia e Eslovênia, os Zoomers ganham agora o mesmo que a média salarial.

Alguns Zoomers protestam, dizendo que a renda mais alta é uma miragem, pois não leva em conta a explosão no custo do ensino superior e da moradia. Afinal, o preço global dos imóveis está perto do recorde, e os formandos estão mais endividados do que antes. Mas, na realidade, os Zoomers estão enfrentando bem esses desafios porque ganham bastante. Em 2022 ,os americanos com menos de 25 anos gastaram 43% de sua renda já tributada em moradia e ensino, incluindo o pagamento de juros sobre as mensalidades universitárias, pouco abaixo da média para a população com menos de 25 anos de 1989 a 2019. Impulsionados por rendas mais altas, a proporção dos Zoomers americanos que têm casa própria é superior à dos Millennials quando tinham a mesma idade (embora seja mais baixa do que nas gerações anteriores).

O que significa essa riqueza? Pode parecer que os Millennials cresceram pensando que ter um emprego era um privilégio, e agiram de acordo. Eles cedem aos superiores e procuram agradar. Os Zoomers, em comparação, cresceram acreditando que ter um emprego é quase um direito seu, o que significa que sua atitude em relação ao trabalho é diferente. No ano passado os Zoomers se gabavam da chamada “desistência discreta”, investindo no trabalho apenas o esforço suficiente para evitar a demissão.

Outros falam na “segunda-feira minimalista”. O arquétipo da “girlboss” ou “poderosa”, que busca capturar o controle corporativo das mãos de homens controladores, interessa às Millennials. As mulheres da Geração Z são mais propensas a debater a ideia de serem “lesmas”, levando as coisas com calma e dando prioridade ao autocuidado.

Os dados concordam com os memes. Em 2022, os americanos com idade entre 15 e 24 passaram 25% menos tempo “no trabalho e em atividades ligadas a ele” do que em 2007. Um novo estudo publicado pelo FMI analisa o número de horas que as pessoas dizem considerar desejável para uma jornada de trabalho.

Não faz muito tempo, os jovens queriam trabalhar muito mais do que os mais velhos. De acordo com uma análise de Jean Twenge, da Universidade San Diego State, a parcela de americanos no último ano do ensino médio (17 ou 18 anos) para quem o trabalho é visto como “parte central da vida” teve uma queda acentuada.

Outra consequência é que os Zoomers são menos propensos ao empreendedorismo. Estimamos que apenas 1,1% das pessoas na casa dos 20 e poucos anos na União Europeia administre um negócio que empregue outra pessoa, e nos anos mais recentes essa proporção encolheu. No fim da década de 2000 mais de 1% dos bilionários do mundo eram Millenials, de acordo com a revista Forbes.

Na época, os estudiosos ficaram obcecados com fundadores muito jovens de empresas de tecnologia, como Mark Zuckerberg (Facebook), Patrick Collison (Stripe) e Evan Spiegel (Snapchat). Hoje, em comparação, menos de 0,5% da lista da Forbes são Zoomers. Quem sabe o nome de um famoso fundador de uma startup que seja da Geração Z?

Os Zoomers também estão produzindo menos inovações. De acordo com Russell Funk, da Universidade de Minnesota, os jovens de hoje são menos propensos a solicitar o registro de patentes do que no passado. Ou pensemos na parada de sucessos Billboard Hot 100, que mede as canções mais populares nos EUA.

Em 2008, 42% dos sucessos eram interpretados por Millennials; 15 anos mais tarde, apenas 29% eram interpretados por Zoomers. Taylor Swift, a cantora e compositora mais famosa do mundo, batizou seu álbum mais famoso de “1989″, pensando no ano em que nasceu. O mundo segue aguardando que alguém produza um álbum intitulado “2004″.

Por quanto tempo a vantagem econômica da Geração Z vai durar? Uma recessão afetaria os jovens mais do que o restante, como sempre ocorre com as recessões. A inteligência artificial pode desestabilizar a economia global, mesmo se os jovens acabarem ficando melhor colocados para enfrentar essas perturbações.

Mas, por enquanto, os Zoomers têm muito o que celebrar. Entre as canções apresentadas no Madison Square Garden, Olivia Rodrigo se senta ao piano e aconselha os fãs a agradecerem pelo que têm. “Crescer é bom pra cacete”, diz ela. “Temos todo o tempo do mundo para fazer o que queremos.” O tempo e o dinheiro. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-rica-e-poderosa-a-geracao-z-esta-assumindo-o-controle/

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Escutar com atenção para comunicar melhor

Escuta atenta entrou na lista das habilidades mais demandadas de um relatório sobre o futuro do emprego do Fórum Econômico Mundial que se tornou referência sobre as tendências do mercado global

Por Isabel Clemente – Valor – 21/03/2024 

Carioca, é formada em Jornalismo pela PUC-Rio e mestre em Escrita Criativa pela Royal Holloway, University of London

Não existe hipótese de Mia Couto participar de evento no Brasil e não estar cercado por uma pequena multidão. E lá estava ele com prêmios-fama-reconhecimento-e-simpatia participando de um debate tímido, com uma entrevistadora e vinte pessoas – se tantas – na pequena sala. Quando acabou, aguardei um grupinho ou outro se dissipar e me aproximei.

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Não lembro como o abordei. Devo ter dito o quanto eu admirava seus livros e sua escrita poética tentando não soar exagerada e não usando a palavra poética. Lembro muito bem, no entanto, como Mia Couto inverteu o foco da conversa. De repente, era o escritor que entrevistava a desconhecida. Com olhos atentos e pausas mais longas do que sua fala, queria saber o que levara a brasileira até o Norte de Portugal, onde estávamos. Ele se interessou pelo meu percurso, minha história, meus livros. Pensei em dizer que eu não tinha importância, mas não consegui diante daquele perturbador poder de observação.

Escuta atenta entrou na lista das habilidades mais demandadas da Pesquisa sobre o Futuro dos Empregos 2023, do Fórum Econômico Mundial, um relatório que se tornou referência sobre as tendências do mercado global. Mais de 800 empresas foram ouvidas. Juntas, elas empregam mais de 11,3 milhões de pessoas em todas as regiões do planeta. Lá estava a escuta, ao lado de empatia, no grupo das habilidades que importam.

Nem sempre é assim. Da lista das competências citadas em vagas do LinkedIn, sondagens de mercado e anúncios de emprego, costuma constar comunicação, uma ideia guarda-chuva que embute conhecimentos distintos, como oratória, escrita e escuta. Infelizmente, o combo não está garantido numa pessoa. Nem sempre quem discursa lindamente consegue se traduzir por escrito, e vice-versa. Gente sedutora no palco às vezes não percebe que o holofote precisa girar numa reunião e esquece de dar a vez. Bons ouvintes, então, são produtos raros. Atropelos, falta de autopercepção e ansiedade para concluir raciocínios são alguns dos ingredientes da indelicadeza social e da falta de traquejo profissional.

Escutar não é simples. Pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, ficaram anos acompanhando milhares de estudantes e profissionais para verificar a capacidade de entendimento e retenção do que haviam escutado em exposições orais de curta duração. O grupo testado lembrava só de metade do que ouvira, por mais atenção que acreditasse ter dado a quem falava. Outras pesquisas, da Florida State University e de Michigan, concluíram que, dois meses depois de uma palestra, as pessoas lembravam, no máximo, de 25% do conteúdo. As pesquisas – que você pode conhecer um pouco mais aqui – confirmaram a hipótese inicial: estudantes precisam ser ensinados a escutar porque o sistema educacional focou demais na leitura e pouco na capacidade de ouvir.

Quanto a nós, que não estamos nas fileiras acadêmicas, resta aprender e praticar também. Não faltam cursos, livros e ótimas palestras sobre essa arte. Escutar, como bem diz William Ury, neste TED, “é a parte que falta na comunicação, absolutamente necessária mas geralmente negligenciada.” Ury, prestigiado especialista em negociações, cofundador do programa de Harvard no mesmo tema, lista três motivos para desenvolvermos nossa escuta.

  1. Para aumentar a chance de também sermos ouvidos.
  2. Para demonstrar confiança e confiabilidade.
  3. Para entender o outro lado.

Escutar é a pausa necessária para lermos as outras pessoas. Não só. “Escutar é a concessão mais barata que você pode fazer durante uma negociação”, diz William Ury.

Acontece que comunicação também é uma negociação. Quem fala ou escreve vende alguma coisa, nem que sejam ideias. Negocia algo, nem que seja a atenção da audiência. Propõe novas formas de entender certos assuntos. Quem escreve oferece um texto em troca de atenção. É ou não é uma negociação? Das mais complicadas, por sinal.

Estamos brigando por esse tempo escasso que rouba nossos leitores depois de um minuto de leitura ou menos, alerta o Google Analytics. Estamos negociando espaços em mentes fechadas. Para comunicar bem, escrevendo ou falando, passamos necessariamente pela etapa de ter escutado com atenção. Estão aí os escritores, não qualquer um, mas gente admirável, revelando interesse pelo que a outra pessoa tem a dizer. Como fazem isso?

Em seu livro “Escrever”, uma síntese – pequena até – de mais de 50 anos dedicados ao ofício, a escritora francesa Marguerite Duras nos deixa uma pista para aprendermos a escutar mais. “Escrever é também não falar. É se calar. É berrar sem fazer ruído. Um escritor com frequência é sossegado, e alguém que escuta muito. Não fala demais.”

O livro da Duras e o episódio com Mia Couto me remeteram a outro encontro inesperado e marcante quase três décadas antes. Eu passeava pelo Centro Cultural do Banco do Brasil no Centro do Rio, vazio num dia de semana, quando avistei uma figura familiar. Dei de cara com Gabriel García Márquez. Atrás dele, um pequeno grupo de repórteres guardava certa distância. Nada de multidão.

Mais uma vez, esqueci o que eu disse diante da lenda, do criador de Macondo, do pai de Cándida Eréndira y su abuela desalmada, do autor da mais linda história de amor que eu tinha lido três vezes: nos tempos da vaca louca na Inglaterra, da cólera no Nordeste e da dengue no Brasil inteiro.

De novo, o escritor quis saber de mim. “Periodista de economia, mas quero ser escritora”, respondi. “Escritora? Y qué escribes”? “Cuentos”, disse, quase arrependida da minha ousadia. Maneira de dizer, pensei em consertar. Na falta de assunto, confessei que tinha um conto bem ali comigo. Num gesto silencioso que durou muito mais do que nossa breve conversa, e que eu jamais esqueceria, ele pegou os papéis da minha mão, leu algo, sorriu e pediu uma caneta.

Desenhou e assinou: “Isabel, Trés flores para el cuento que escribiste hoy. Gabo.”

https://valor.globo.com/opiniao/isabel-clemente/coluna/escutar-com-atencao-para-comunicar-melhor.ghtml

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Esta gigantesca impressora 3D pode reinventar o processo de manufatura

Universidade nos EUA desenvolveu uma enorme máquina de manufatura aditiva que pode construir casas e muito mais

Crédito: Universidade do Maine


Nate Berg – Fast Company Brasil – 09-05-2024 

Em um enorme galpão na Universidade do Maine, nos EUA, agora está uma gigantesca máquina de manufatura aditiva chamada Factory of the Future 1.0 (Fábrica do Futuro 1.0). E, se seus desenvolvedores estiverem certos, ela poderia mudar a maneira como construímos diversas coisas.

Em essência, trata-se de uma impressora 3D, com um bocal conectado a uma rede de fios suspensos e presos a um longo chassi de aço próximo ao teto. Esta máquina é uma versão superdimensionada dos robôs de manufatura aditiva que produzem pequenas peças de plástico em laboratórios de prototipagem e estruturas do tamanho de uma casa.

De acordo com a universidade, a Factory of the Future 1.0 é a maior impressora de termoplástico do mundo. Com capacidade para produzir objetos de até 30 metros de comprimento, 10 metros de largura e 5,5 metros de altura, ela pode imprimir até 227 quilos de material por hora – o suficiente para construir uma casa de 56 metros quadrados em menos de quatro dias.

Mas, além de imprimir objetos, esta máquina pode realizar manufatura subtrativa, como fresagem, bem como tarefas mais complexas utilizando um braço robótico.

Um sistema integrado permite que ela incorpore fibras nos objetos impressos, proporcionando maior resistência estrutural e permitindo a construção de estruturas ainda maiores, como prédios impressos em 3D.

“Chamá-la de impressora é um equívoco”, afirma Habib Dagher, diretor executivo do Centro de Estruturas Avançadas e Compósitos (ASCC, na sigla em inglês) da universidade. “É uma célula híbrida de manufatura digital que nos permite reunir vários processos de fabricação para produzir diferentes coisas.”

Um dos principais focos é a habitação. A nova impressora é uma evolução da tecnologia de impressão 3D desenvolvida anteriormente na Universidade do Maine. Os pesquisadores de lá têm explorado métodos e materiais de impressão 3D há anos, com foco em habitação.

Estudos anteriores demonstraram que impressoras em grande escala podem utilizar biomateriais renováveis e até resíduos para a manufatura aditiva. Em 2022, o ASCC apresentou o BioHome3D, uma casa impressa em 3D feita de serragem e bio resina.

Em vez de concreto, os materiais usados neste protótipo são 100% de origem biológica e recicláveis, o que reduz a pegada de carbono total.

IMPRIMINDO SISTEMAS

Com a Factory of the Future 1.0, Dagher e sua equipe conseguem imprimir objetos quatro vezes maiores do que antes. E como ela pode executar diversas tarefas, a nova máquina é capaz de não apenas construir as paredes ou a estrutura de uma casa, mas também integrar a fiação, o encanamento e até instalar a cozinha. “Não estamos imprimindo estruturas, estamos tentando imprimir sistemas”, observa Dagher.

Espera-se que ela seja utilizada em projetos de habitação acessível, bem como na construção de barcos e aeronaves. “O que estamos desenvolvendo com esses processos de fabricação integrados em um único volume de construção nos permite produzir não apenas casas, mas todo o tipo de coisa.”

Garantir a qualidade do que é produzido é essencial para este tipo de fabricação. Dagher diz que sua equipe está integrando sensores e inteligência artificial no sistema para garantir a precisão durante a impressão ou instalação de cabos, por exemplo, mas também fazer correções caso as lacunas fiquem muito grandes ou as peças fiquem desalinhadas.

O próximo passo será expandir o projeto BioHome3D, construindo nove casas acessíveis em parceria com uma organização sem fins lucrativos local chamada Penquis. Dagher espera iniciar o processo de impressão no ano que vem.

Enquanto isso, sua equipe está refinando a máquina e tentando aumentar a velocidade de produção. O objetivo é que ela seja capaz de imprimir o equivalente a uma casa de 56 metros quadrados a cada 48 horas, ou cerca de 453 quilos de material por hora.


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura

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