Crise na indústria de aço faz China interromper expansão de usinas siderúrgicas

Pequim suspende sistema de aprovação para novas usinas siderúrgicas em busca de alternativas para lidar com a queda na demanda e o excesso de oferta

Fernando Olivieri Exame – 23 de agosto de 2024 

O governo chinês anunciou a suspensão imediata de seu sistema de aprovação para novas usinas siderúrgicas, em um esforço para conter a crise que assola o setor. A medida foi tomada após uma queda significativa na demanda interna, que comprometeu os lucros das indústrias siderúrgicas e gerou um aumento nas exportações, à medida que os produtores tentam escoar o excesso de produção, de acordo com a Bloomberg.

Desde a última sexta-feira, 16, as regras que permitiam a construção de novas usinas, mediante a retirada de capacidade produtiva obsoleta, foram abolidas. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China informou que está em desenvolvimento um novo programa para substituir o sistema de “troca de capacidade”, que já não atende mais às exigências da indústria.

A demanda por aço na China caiu mais de 10% desde 2020, forçando o governo a reconsiderar suas políticas de desenvolvimento industrial

A superprodução levou a um aumento expressivo nas exportações, com os níveis mais altos registrados desde 2016. Com cerca de 1 bilhão de toneladas de produção anual, as siderúrgicas chinesas estão enfrentando dificuldades para encontrar mercado interno suficiente para seus produtos, agravando ainda mais o cenário de excesso de oferta.

Em comunicado recente, o Ministério da Indústria destacou que a relação entre oferta e demanda no setor siderúrgico enfrenta novos desafios, mencionando problemas como a implementação inadequada de políticas, falhas nos mecanismos de supervisão e uma desconexão com as necessidades atuais da indústria.

A crise no setor siderúrgico chinês tem se intensificado, com líderes da indústria alertando para uma situação mais grave do que as crises anteriores de 2008 e 2015. A China Baowu Steel, a maior produtora mundial de aço, recentemente destacou que o setor está enfrentando desafios sem precedentes, exacerbados pela desaceleração da economia e pela queda da demanda.

Controle de expansão

O sistema de “troca de capacidade” foi inicialmente introduzido para controlar a expansão das indústrias pesadas, incluindo a siderurgia, como parte de uma estratégia do governo para mitigar os impactos ambientais e econômicos da superprodução. As regras mais recentes exigiam que cada tonelada de nova capacidade produtiva nas áreas ambientalmente sensíveis fosse compensada pelo fechamento de 1,5 tonelada de capacidade antiga, ou 1,25 tonelada em outras regiões.

Apesar das restrições, o programa permitiu exceções que incentivaram o desenvolvimento de usinas com fornos a arco elétrico, que utilizam sucata em vez de carvão como matéria-prima, numa tentativa de modernizar a indústria. No entanto, essa abordagem resultou em um crescimento geral da capacidade, contribuindo para o excesso de oferta que agora pressiona a indústria.

A recente decisão de Pequim de suspender a expansão das usinas siderúrgicas sinaliza um esforço para controlar o mercado, com o objetivo de equilibrar a oferta e a demanda, e prevenir um colapso ainda maior nos preços e nos lucros das empresas do setor.

Os efeitos da crise também têm sido sentidos nos mercados globais de commodities. O preço do minério de ferro, essencial para a produção de aço, caiu 10% até agora neste trimestre, atingindo o menor nível desde 2022. No mercado de futuros de Cingapura, o preço caiu 1,2%, sendo negociado a US$ 96,20 por tonelada (aproximadamente R$ 527,18), refletindo a gravidade da situação enfrentada pelos siderúrgicos chineses.

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Inteligência artificial é como o Google Maps: o usuário é que é o produto

A IA não trabalha para você – e é muito improvável que algum dia isso mude


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STEVEN ROSENBAUM – Fast Company Brasil – 17-08-2024 

Recentemente, durante uma longa viagem de carro, precisei encontrar um lugar para parar na estrada. Como de costume, abri o Google Maps e digitei “restaurantes perto de mim”.

Fiquei analisando as opções que apareceram na tela (pode ficar tranquilo, eu estava no banco do passageiro.) As sugestões foram decepcionantes: apenas uma lista de redes de fast food. Pizza Hut, McDonald’s, Taco Bell e por aí vai.

Nem sempre foi assim. Antigamente, apareciam opções como restaurantes locais charmosos, lanchonetes tradicionais e lugares que serviam comida fresca e saudável. Mas agora, tudo isso desapareceu. Na hora, fiquei confuso e bastante irritado. Como o Google não sabe que eu não gosto do Taco Bell? Foi então que me dei conta: para ele, eu não sou o cliente; sou o produto.

Comecei a refletir sobre a quantidade de serviços “gratuitos” para os quais já cedi meus dados: Gmail, YouTube, Busca do Google, Apple Weather, Smart News, Alexa, Pinterest, Reddit, Waze, Shazam, Strava, Nextdoor, Venmo.

Minhas informações e comportamentos mais íntimos – para onde viajo, o que compro, o que ouço, o que assisto – estão sendo comprados e vendidos para quem der o maior lance. Isso porque o Google Maps não trabalha para mim; ele serve ao Taco Bell e outras redes que pagam para aparecer.

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Algo semelhante está acontecendo com a inteligência artificial, mas as consequências podem ser ainda mais graves. Em termos simples, a IA é programada para servir aos seus donos, os investidores que despejaram bilhões de dólares no desenvolvimento de código e na infraestrutura. Ela não trabalha para você – e é muito improvável que algum dia isso mude.

Isso acontece há muito tempo; produtos gratuitos são financiados por anunciantes e, portanto, servem a eles. Mas estamos entrando em uma nova era, na qual o ChatGPT e outras IAs oferecem uma ampla gama de serviços com um verniz de verdade, como uma interface amigável para o usuário.

Por que isso é importante? Porque, em um futuro muito próximo, os grandes modelos de linguagem serão responsáveis por boa parte do que consideramos verdadeiro. Eles vão sugerir medicamentos, oferecer conselhos sobre dieta e até orientar como devemos responder a e-mails dos nossos chefes.

SEGUNDO O CIENTISTA COGNITIVO GARY MARCUS, “AS IAS SÃO MESTRES EM ENGANAR”.

O “conhecimento” dessas inteligências artificiais será limitado tanto pela fonte dos dados de treinamento quanto por quem paga aos desenvolvedores para influenciar seus resultados.

Com isso em mente, pedi ao ChatGPT que encontrasse uma citação para mim: “gostaria de uma citação de Steven Rosenbaum sobre o impacto dos reality shows na sociedade.”

Em questão de segundos, o robô respondeu: “aqui está uma citação de Steven Rosenbaum sobre o impacto dos reality shows na sociedade: ‘os reality shows mudaram a dinâmica da televisão, influenciando a forma como as histórias são contadas e como o público se envolve com o conteúdo. Eles desfazem os limites entre entretenimento e realidade, muitas vezes priorizando o sensacionalismo em detrimento da substância’. Essa citação pode ser encontrada em seu livro ‘Curation Nation: How to Win in a World Where Consumers are Creators’ [Nação da Curadoria: Como Vencer em um Mundo Onde os Consumidores São Criadores], publicado em 2011.”

A princípio, fiquei impressionado – o robô leu meu livro! Mas, logo depois desse instante de orgulho, comecei a desconfiar. Perguntei ao ChatGPT: “em que página está essa citação?” E foi assim que a verdade veio à tona. “Peço desculpas pela resposta anterior,” escreveu o chatbot. “A citação fornecida foi um resumo geral e não uma citação direta de Steven Rosenbaum. Para uma citação direta de Steven Rosenbaum sobre o impacto dos reality shows na sociedade, talvez seja necessário consultar seus textos ou entrevistas.”

A IA conhecia o livro, mas inventou a citação. Isso comprova o que o cientista cognitivo Gary Marcus disse no palco do festival South by Southwest deste ano: “as IAs são mestres em enganar.”

EM UM FUTURO PRÓXIMO, OS GRANDES MODELOS DE LINGUAGEM SERÃO RESPONSÁVEIS POR BOA PARTE DO QUE CONSIDERAMOS VERDADEIRO.

Para avançarmos rumo a um futuro no qual a verdade prevalece, precisamos começar por não confiar em tecnologias “gratuitas” que não têm qualquer obrigação de fornecer respostas precisas e honestas.

Mas o que isso significa para nós? “Definir o amanhã com base no que sabíamos ontem é um instinto muito humano”, escreveu Tom Wheeler em seu livro de 2023, “TechLash” (Revolta Contra a Tecnologia), “mas um que nos prejudicará na nova era.”

As empresas por trás da IA, ou os anunciantes que pagam para promover suas marcas nas respostas, vão garantir seu espaço em uma tecnologia que logo poderá dominar nossas vidas. E o vilão HAL 9000, a inteligência artificial de “2001: Uma Odisseia no Espaço”, pode se tornar uma realidade se não exigirmos que a IA coloque a verdade acima do lucro.

Terminei minha pesquisa perguntando ao ChatGPT: “o Taco Bell é saudável?”

“O Taco Bell pode fazer parte de uma dieta equilibrada se você fizer escolhas conscientes”, respondeu o bot. Acredito que Gary Marcus chamaria isso de “conversa fiada”.


SOBRE O AUTOR

Steven Rosenbaum é diretor executivo do The Sustainable Media Center (Centro de Mídia Sustentável), saiba mais

Inteligência artificial é como o Google Maps: o usuário é que é o produto | Fast Company Brasil

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Projetos de infraestrutura de chinesas superam R$ 280 bi no Brasil

Estatais da China abocanharam várias concessões nos últimos anos e têm expandido atuação no Brasil; setor de energia é o principal alvo Projeto de mega ponte na Bahia, que ligará Salvador à Ilha de Itaparica, será conduzido por consórcio formado pelas empresas chinesas CRRC e CCCC 

Divulgação/Concessionária da Ponte Salvador-Itaparica 

Geraldo Campos Jr. – Poder360 – 18.ago.2024 

Companhias estatais da China têm ampliado o apetite por projetos de infraestrutura no Brasil. Nos últimos meses, vários novos empreendimentos foram anunciados e a carteira de investimentos em concessões e empreendimentos no setor de energia já ultrapassa os R$ 280 bilhões, segundo levantamento do Poder360. Na 5ª feira (15.ago.2024), Brasil e China comemoraram 50 anos de relações diplomáticas, retomadas em 1974. De lá para cá, o interesse do país asiático em investir no Brasil foi crescendo e deu um salto nos últimos 10 anos, com estatais chinesas abocanhando várias concessões de energia e infraestrutura federais e estaduais.

A lista de projetos inclui negócios nas áreas de geração e distribuição de energia elétrica, além de obras de infraestrutura viária como ferrovias e rodovias. Também há investimentos chineses na exploração (pesquisa) de petróleo e gás natural.  A State Grid, gigante do setor de energia da China, detém a maior parte dos investimentos. O conglomerado controla a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), que detém concessões de distribuição de energia elétrica, de linhas de transmissão e vários ativos de geração.  O grupo também controla a RGE (Rio Grande Energia), distribuidora no Rio Grande do Sul.

No segmento de transmissão, a State Grid arrematou em 2023 o maior lote do leilão realizado em dezembro pelo governo. Construirá uma linha de ultra-alta tensão, ligando o Maranhão a Goiás, para escoar a energia gerada por fontes eólicas e solares no Nordeste. O investimento projetado é de R$ 18,1 bilhões. O empreendimento foi concedido à State Grid por 30 anos. Inclui a construção de 1.513 km de linhas de transmissão em corrente contínua e manutenção de outros 1.468 km nos Estados de Maranhão, Tocantins e Goiás. Tem prazo de conclusão de 72 meses.  

Além do megaprojeto, a State Grid detém 24 concessionárias de transmissão no país, entre subsidiárias integrais e joint ventures, que somam mais de 16.000 quilômetros de linhas.  Além dos investimentos na CPFL e na nova linha de ultra-alta tensão, a State Grid projeta outros R$ 150 bilhões em investimentos no país nos próximos anos, somando aportes nas linhas de transmissão existentes e novos projetos de geração, com foco em fontes renováveis. Ao todo, o grupo pretende investir R$ 200 bilhões no país.  

MAIS PROJETOS EM ENERGIA 

Outras estatais chinesas do setor estão ampliando investimentos no Brasil. A Energy China anunciou em 2023 a intenção de investir US$ 10 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões à época) em projetos de geração de energia renovável e hidrogênio verde no país.  Em 2024, a CTG (Companhia Três Gargantas), que opera a super-hidrelétrica chinesa de Três Gargantas, completa 10 anos no Brasil. A estatal comprou em 2010 várias hidrelétricas brasileiras, e atualmente detém a concessão de 17 usinas.  

Para os próximos anos, a CTG projeta R$ 3 bilhões para aumentar a eficiência das suas hidrelétricas de Ilha Solteira (SP) e Jupiá (SP/MS). A empresa também tem planos de novas usinas eólicas e solares no Brasil, com investimento estimado em R$ 6,4 bilhões. A SPIC, outra estatal de energia chinesa, anunciou em junho deste ano um investimento de R$ 780 milhões para a construção de um complexo eólico que soma 105,4 MW (megawatts) de capacidade instalada, na região de Touros, no Rio Grande do Norte. Já no setor de petróleo, a Cnooc arrematou em 2023 a concessão de 3 blocos de exploração em sociedade com a Petrobras e a Shell na bacia de Pelotas, no Sul do Brasil. A estimativa é que o consórcio invista cerca de R$ 100 milhões para pesquisar reservas de óleo e gás na região. 

CONCESSÕES ESTADUAIS

Os chineses conquistaram neste ano uma grande concessão de infraestrutura do Estado de São Paulo: a construção do Trem Intercidades São Paulo-Campinas. O projeto foi arrematado pela CRRC (Companhia de Construção Ferroviária da China) em sociedade com o grupo brasileiro Comporte em leilão realizado em fevereiro. O projeto ferroviário terá investimento total de R$ 14,6 bilhões. Inclui o trem de passageiros de média velocidade de São Paulo a Campinas, um trem intermetropolitano de Jundiaí a Campinas, e a concessão da linha 7-Rubi do sistema de trens metropolitanos da Grande São Paulo. 

Controlada pelo governo chinês, a CRRC é listada pela revista Forbes como uma das 500 maiores empresas do mundo. A estatal teve uma receita de US$ 32,3 bilhões no ano passado e tem aumentado sua participação na América do Sul. No Brasil, a chinesa já forneceu trens para o metrô do Rio e é a fabricante dos trens da linha 15-Prata do Metrô de São Paulo.  

Em sociedade com outra chinesa, a CCCC (Companhia de Construção de Comunicações da China), a CRRC detém outra concessão estadual: a construção e operação da ponte Salvador-Itaparica, na Bahia. O empreendimento ligará a região metropolitana de Salvador à Ilha de Itaparica. A megaobra de infraestrutura atualmente está orçada em R$ 9 bilhões, sendo que 80% virá do consórcio das chinesas e 20% do governo baiano. A 1ª etapa da obra foi iniciada em janeiro deste ano.

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Projetos de infraestrutura de chinesas superam R$ 280 bi no Brasil (poder360.com.br)

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Data Centers no Brasil: conheça potencial e desafios na era digital

Com mais planejamento e investimentos no setor, país pode se tornar um hub global

Celso Dall’Orto – Colunista – Exame – 16 de agosto de 2024 

A utilização de computação em nuvem, assim como a de Inteligência Artificial (IA) e armazenamento virtual, tem aumentado muito. Esse fato tem sido incentivado pela digitalização das informações e pelo aparecimento de ferramentas digitais em quase todas as áreas.

Essas ferramentas envolvem não apenas plataformas gerais, como o ChatGPT ou Gemini, como também aplicativos interativos diversos, tanto para a criação de memes e imagens quanto para o desenvolvimento de projetos de design, arquitetura, engenharia, medicina e várias outras áreas. Para permitir todas essas funcionalidades, é crucial a existência de uma infraestrutura adequada e dedicada, conhecida como data center.

O funcionamento de um data center exige, além do conhecimento técnico especializado, equipamentos de última geração, espaço físico com disponibilidade de água e energia elétrica barata com qualidade e confiabilidade de fornecimento. Além disso, requer conexão de Internet veloz, confiável e robusta. Para que um data center tenha essas qualidades, os recursos financeiros necessários são elevados. Para economizar, investidores procuram países ou locais mais acessíveis.

Com o crescimento da demanda, o número de data centers no mundo tem aumentado. Algumas estimativas mostram que o consumo de energia elétrica mundial por data centers pode aumentar mais de duas vezes até 2026, atingindo 1.000 terawatts-hora (TWh), que equivalem ao consumo de eletricidade do Japão[1]. O Brasil é um dos países que podem se beneficiar com esse crescimento. Além de emprego, renda e qualificação da mão de obra, há o investimento financeiro: que é elevado, da ordem de bilhões de reais, o qual, além de fazer girar a economia, traria aumento da arrecadação de impostos.

Além disso, o Brasil poderia exportar o serviço para países vizinhos, dada sua localização estratégica. O país possui abundância de água, disponibilidade de energia elétrica, em grande parte renovável e não poluente, como hidrelétricas, eólicas e solares, e espaço físico para as instalações. Além disso possui uma infraestrutura de rede de transmissão interconectada e robusta.

No entanto, esse investimento possui riscos, que são não apenas os operacionais, relativos à segurança física e cibernética e aos insumos (estabilidade e qualidade do fornecimento), mas também o risco do surgimento de novas tecnologias mais eficientes, além da questão da vida útil dos equipamentos. Afora isso, complexidade regulatória, burocracia, demora na liberação e garantia do acesso à rede, mão de obra qualificada imediata e regulamentações fiscais também são obstáculos para investidores.

Os data centers são fundamentais para a era digital, suportando a crescente demanda por processamento e armazenamento de dados. O Brasil, com sua matriz energética renovável e infraestrutura robusta, oferece um cenário promissor para a instalação desses centros. No entanto, os desafios mencionados precisam ser abordados para melhorar a percepção de confiança e maximizar o potencial do país, permitindo que ele se consolide como um hub global de Data Centers.

[1] https://www.iea.org/reports/electricity-2024/executive-summary

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Pensar como um cientista será a habilidade profissional mais importante deste século

Ascensão da inteligência artificial vai alterar as necessidades do mercado de trabalho

Por Alexandre Chiavegatto Filho – Estadão – 26/06/2024 

Estamos entrando em uma era de rápidos avanços tecnológicos impulsionados pela ascensão da inteligência artificial (IA), impactando todas as áreas do mercado de trabalho. As tarefas repetitivas e monótonas serão cada vez mais deixadas para os algoritmos, permitindo que os seres humanos se concentrem em atividades mais complexas e desafiadoras.

A principal habilidade para um mundo em rápida transição tecnológica será a capacidade de questionar o status quo, formular hipóteses e testar os seus resultados. O funcionário-robô que apenas cumpre ordens e insere dados em planilhas será cada vez menos necessário em um mundo dominado pela inteligência exponencial e escalável.

Segundo Karl Popper, pensar como um cientista envolve a criação de teorias que sejam falsificáveis, ou seja, que possam ser testadas e refutadas. O filósofo austro-britânico defendia que o progresso científico ocorre por meio da tentativa e erro, com o objetivo de permitir a eliminação de hipóteses falsas.

Pensar como um cientista também requer uma rápida capacidade de adaptação, a rejeição dos dogmas estabelecidos e o desapego aos resultados individuais do passado. Como diria Popper, a ciência avança não ao confirmar nossas certezas, mas ao superar nossas falhas, abraçando a dúvida e a refutação do status quo como essenciais para o avanço do conhecimento.

No século da IA, o verdadeiro valor profissional estará na capacidade humana de inovar e adaptar-se. E análises recentes têm mostrado que o mercado de trabalho está cada vez mais interessado nesse tipo de profissional.

O relatório “Brasil: Mestres e Doutores 2024″, lançado este mês pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, encontrou que entre 2009 e 2021, o número de empregos formais para mestres aumentou 139%, enquanto para doutores o crescimento foi de 192%. Esses índices foram mais de 5 e 7 vezes superiores, respectivamente, ao crescimento total do emprego formal no Brasil no mesmo período.

A área profissional que mais tem crescido nos últimos anos é a ciência de dados, centrada no estabelecimento e teste de hipóteses. O trabalho do cientista de dados precisa ser rigoroso e reproduzível, com consequências práticas frequentemente mensuráveis de forma imediata.

A importância de pensar como um cientista transcende a ciência de dados, sendo aplicada em diversas áreas do conhecimento e da prática profissional. Em um mundo onde a mudança é a única certeza, a capacidade de formular perguntas críticas, testar soluções e ajustar-se rapidamente às novas descobertas será cada vez mais importante.

As empresas e instituições que incentivarem esse tipo de pensamento em seus funcionários estarão melhor posicionadas para inovar e prosperar nessa nova realidade. No século da IA, pensar como um cientista é a diferença entre ser um algoritmo e ser o programador.

Opinião por Alexandre Chiavegatto Filho

Professor Livre Docente de inteligência artificial na Faculdade de Saúde Pública da USP

Pensar como um cientista será a habilidade profissional mais importante deste século – Estadão (estadao.com.br)

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Freelancers em alta: o que está levando a essa nova onda de profissionais por trabalho sob demanda?

Muitos profissionais qualificados estão deixando de carregar o nome de uma empresa para abraçar o trabalho autônomo – nem sempre é por dinheiro, mas sempre é por flexibilidade

Stephanie Haidar, jornalista e nômade digital: “Já conheci 23 países e tenho 10 viagens marcadas para esse ano. Até agora já rodei mais de 159 mil km pelo mundo” (Stephanie Haidar /Divulgação)

Layane Serrano – Exame –  17 de agosto de 2024 

Com o mercado de trabalho em transformação, passando por três regimes de trabalho e cinco gerações, empresas e profissionais já apresentam as tendências do futuro do trabalho. Se por um lado companhias buscam pessoas cada vez mais qualificadas, do outro funcionários buscam por empresas com culturas mais flexíveis – e há muitos estudos que mostram o quanto a flexibilidade será o benefício chave nos próximos anos no mercado de trabalho.

A satisfação do funcionário, por exemplo, agora está voltada para a flexibilidade. Segundo a pesquisa “Tendências e Perspectivas do Trabalho – Report WeWork LatAm 2023”, realizada pela WeWork com 10 mil profissionais de cinco países da América Latina (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México), 81% das pessoas gostariam de ter ou já possuem um benefício destinado à liberdade de gestão do tempo – que inclusive está sendo mais lembrada que o plano de saúde para o trabalhador do mundo contemporâneo.

“Na hora de avaliar uma proposta de emprego, o salário continua sendo o fator de maior relevância na tomada de decisão (94%), mas muito próximo da flexibilidade de horários (88%) e do regime de trabalho (87%),” afirma Bruna Neves, diretora-geral da WeWork no Brasil.

Nos EUA, o trabalho freelancer ganha ainda mais atenção dos profissionais. Ao menos 36% da força de trabalho americana tem escolhido trabalhos sob contratos, freelances e temporários, segundo estudo realizado pela McKinsey em 2022. Esse dado foi divulgado em uma matéria da Harvard Business Review que mostrou que profissionais altamente qualificados querem o trabalho de muitas pessoas contratadas, mas não o seu emprego – ou seja, as regras que muitas empresas impõem, como horário de entrada e saída, regime presencial e exclusividade de serviço não parece ter o mesmo peso que antes para muitos profissionais americanos.

Para Milene Brentan, coach executiva que tem mais de 20 anos de experiência em RH, uma empresa vê valores diferentes entre o funcionário e um freelancer.

“Funcionários são valorizados pelo comprometimento e alinhamento cultural, além das entregas específicas, já o profissional sob demanda ou temporários são valorizados pelas suas habilidades e performam de acordo com as entregas determinadas em contratos”.

O perfil de quem busca ser freela

Um estudo realizado pela Upwork em 2023 mostra que muitos freelancer americanos que ganharam mais de 150 mil dólares por ano ofereciam serviços como programação de computadores, marketing, TI e consultoria de negócios, sendo a maioria da Geração Z (52%) e da Geração Millennials (43%).

Além de analistas, o trabalho sob demanda está chegando em executivos C-Level também. Nos últimos anos, Frederico Torres, sócio-sênior do Grupo Hub, consultoria de RH, percebeu um crescimento de empresas que eram startups, mas que cresceram, sem porte para ter um C-Level.

“O que fazer se uma empresa precisa de um C-Level, mas não pode pagar? Foi aí que pensamos no cargo de C-Level as a Service (CaaS), que é algo que já existe nos EUA em muitas empresas, mas no Brasil poucas consultorias trabalham com isso”, afirma  Torres.

A oportunidade de trabalhar como C-Level sob demanda surgiu para Marcio Pio, engenheiro e especialista em gestão empresarial. Após experiência como executivo empresarial por 12 anos, decidiu aos 49 anos ser CFO de empresas de pequeno e médio porte, sejam elas tradicionais ou startups.

“Neste modelo de trabalho sob demanda sinto que estou envolvido em atividades importantes, fazendo a diferença em vários lugares e com menor dependência econômica”, afirma Pio começou o primeiro trabalho sob demanda em 2019.

O freelancer na versão nômade digital

A instabilidade pode ser uma motivação ou um grande desafio para quem busca a vida de freelancer. A jornalista Stephanie Haidar já vivenciou os valores de CLT como funcionária de uma rádio por oito anos. Após a pandemia e a perda de uma tia, Haidar passou a reavaliar sua carreira, especialmente após experimentar o trabalho remoto. Foi então que no começo de 2022 ela decidiu deixar o jornalismo tradicional para trabalhar em uma agência de assessoria 100% home office.

Após seis meses neste trabalho, Haidar decidiu largar a oportunidade CLT e entrar de cabeça no mundo dos nômades digitais em 2023. Com um computador, uma mochila e muita programação, ela começou a viajar para diferentes países e a trabalhar com comunicação corporativa para diferentes empresas e CEOs.

“Já conheci 23 países e tenho 10 viagens marcadas para esse ano. Até agora já rodei mais de 159 mil quilômetros quadrado”.

Mas não é só de paisagens bonitas que se vive um nômade digital. Entre os maiores desafios dessa carreira, Haidar destaca a instabilidade financeira, aceitar viver um estilo de vida mais simples e saber improvisar com a tecnologia no meio do caminho.

“Sei que sou beneficiada por ter a casa dos meus pais para voltar, mas todos os meus custos hoje são pagos com meu trabalho home office”, diz. “Para quem deseja ser freelancer, é preciso ser muito organizado com as finanças, afinal, cada país tem um custo de vida e não são em todos os lugares que a internet pega. O prazo dos trabalhos e o vencimento das contas sempre chegam, é preciso muita programação.”

As vantagens e desafios 

Enquanto o funcionário de uma empresa possui benefícios trabalhistas que de alguma forma traz uma estabilidade mensal, por outro lado o freelancer pode ter múltiplos clientes, afirma a coach Brentan, que reforça os prós e contras para uma empresa contratar talentos sob demanda:

“Enquanto a empresa pode iniciar projetos rápidos sem precisar contratar um funcionário, ela também tem o desafio de garantir que os freelancers contribuam para as metas de longo prazo, além de lidar com a falta de continuidade”, diz Bretan.

No caso do profissional contratado sob demanda, o financeiro pode entrar como perda ou ganho.

“O freelancer tem como vantagem a autonomia e flexibilidade para escolher projetos e clientes, além de trabalhar em diferentes setores, mas também enfrenta incertezas financeiras devido à renda variável e à falta de benefícios, e pode sofrer com o isolamento por trabalhar sozinho. É preciso muita organização e parcerias estratégicas para evitar sobrecarga”, afirma a coach

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Revolução na mineração: China choca o mundo e quer extrair do fundo do oceano trilhões de nódulos de cobre, níquel, cobalto e manganês para dominar cadeia global de suprimento de minerais críticos

Flavia Marinho – clickpetroleoegas – 12/08/2024 

China, a maior fabricante de painéis solares, carros elétricos e baterias, quer o mundo refém da sua supremacia em minerais críticos e mira fundo do oceano para extrair trilhões de nódulos de cobre, níquel, cobalto e manganês.

A China, sempre ambiciosa, está de olho em um novo território para expandir seu domínio: o fundo do oceano. Com trilhões de nódulos de níquel, cobre, cobalto e manganês espalhados nas profundezas marítimas, a mineração submarina parece ser o próximo passo lógico. Esses “minerais críticos” são fundamentais para a economia verde que o mundo busca, mas o caminho para extraí-los ainda é cheio de incertezas regulatórias.

A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), um órgão da ONU, ainda delibera sobre as regras para essa prática. De um lado, grupos ambientais clamam por uma proibição total, temendo danos irreparáveis ao ecossistema marinho. Do outro, empresas e governos, especialmente a China, pressionam por regulamentações que permitam a exploração controlada. Recentemente, em uma reunião da ISA na Jamaica, entre 29 de julho e 2 de agosto, esses debates ficaram ainda mais intensos.

China é líder mundial na fabricação de painéis solares, carros elétricos e baterias, itens que dependem desses minerais

A demanda por minerais críticos deve mais que dobrar até 2040, impulsionada principalmente pela China. O gigante asiático é líder mundial na fabricação de painéis solares, carros elétricos e baterias, itens que dependem desses minerais. No último ano, as indústrias de energia limpa responderam por 40% do crescimento do PIB chinês, segundo o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, um think-tank finlandês.

Porém, a dependência da China em importar esses minerais de outras nações, como África do Sul, Gabão, Austrália e República Democrática do Congo, preocupa seus líderes. Eles temem que a instabilidade política ou a pressão de rivais, como os Estados Unidos, possa interromper o fornecimento desses materiais essenciais. Assim, a corrida por minerais críticos se tornou uma nova frente na competição estratégica global.

A importância desses minerais para o futuro da China é comparada ao petróleo e ao gás

A importância desses minerais para o futuro da China é comparada ao petróleo e ao gás. A mineração em águas profundas surge como uma solução para garantir um suprimento seguro, longe das fronteiras soberanas de outros países. Em 2016, Xi Jinping, líder da China, destacou a necessidade de explorar os “tesouros escondidos” do oceano, dando início a um esforço nacional para conquistar o fundo do mar.

Para alcançar esse objetivo, a China passou anos construindo influência dentro da ISA. Este órgão, responsável pela regulamentação dos fundos marinhos em águas internacionais, recebe financiamento de seus membros, com a China sendo o maior doador. Além disso, em 2020, o país ofereceu uma instalação de treinamento na cidade portuária de Qingdao, fortalecendo ainda mais seus laços com a ISA.

Em reuniões recentes da ISA, alguns países tentaram impor uma moratória à mineração submarina, mas foram bloqueados pela pressão chinesa. A meta da China é estabelecer um regime de mineração permissivo, sem interferências externas, conforme apontou Isaac Kardon, da Carnegie Endowment for International Peace. Até o momento, a ISA emitiu 31 licenças para exploração de minerais, sendo que a China detém cinco delas, mais do que qualquer outro país.

Entre as mineradoras chinesas estão a China Ocean Mineral R&D Association, a China Minmetals e a Beijing Pioneer Hi-Tech Development. Três das licenças chinesas cobrem áreas na Zona Clarion-Clipperton, no leste do Oceano Pacífico, onde há depósitos minerais comparáveis a todas as reservas terrestres. As outras duas estão localizadas no oeste do Pacífico e no Oceano Índico.

No entanto, as empresas chinesas não estão apenas em busca de lucro. Elas têm objetivos mais amplos, como garantir o suprimento de minerais para fortalecer a nação. Em março, o presidente da China Minmetals, uma gigante estatal, prometeu expandir as operações de forma a garantir que a China não possa ser desalojada das cadeias de suprimento globais. Ele destacou que a mineração submarina é crucial para “rejuvenescer a nação chinesa”.

A capacidade da China de construir navios e robôs rapidamente

A mineração em águas profundas envolve tecnologia avançada, com grandes robôs enviados ao fundo do mar para coletar nódulos polimetálicos. Embora a tecnologia chinesa ainda não seja a mais avançada, está evoluindo rapidamente. Em julho, uma equipe da Universidade Jiao Tong de Xangai testou um robô a mais de 4.000 metros de profundidade, coletando 200 kg de material. A mídia estatal chinesa destacou o uso de componentes nacionais, rompendo o monopólio internacional.

Se a mineração comercial for iniciada, as empresas chinesas provavelmente liderarão o setor. A capacidade da China de construir navios e robôs rapidamente, aliada ao apoio governamental generoso, posiciona o país à frente de qualquer concorrente. Além disso, a vasta demanda interna por esses minerais garante um mercado certo para as riquezas extraídas do fundo do mar.

Mundo em alerta: extração de minérios em águas profundas possa servir de fachada para operações militares

Contudo, essa perspectiva preocupa os ambientalistas. O fundo do oceano é lar de milhares de espécies únicas, de micróbios a esponjas, que podem ser severamente impactadas pela mineração. Mesmo com regulamentação rigorosa, os robôs podem causar danos irreversíveis, destruindo habitats e criando plumas de sedimentos que ameaçam a vida marinha. Além disso, o histórico das mineradoras chinesas em termos de responsabilidade ambiental é preocupante, mesmo em terra firme, onde a fiscalização é mais fácil.

Os rivais da China também têm suas preocupações, e não apenas com o meio ambiente. Existe o temor de que a mineração em águas profundas possa servir de fachada para operações militares, como pesquisa submarina que beneficiaria a navegação de submarinos chineses. Em 2021, por exemplo, um navio de pesquisa da China Minmetals fez um desvio inexplicável para perto do Havaí, onde os EUA mantêm grandes bases militares.

A maior preocupação ocidental, no entanto, é sobre quem controlará as cadeias de suprimento das indústrias de energia limpa. A China já possui uma vantagem significativa nesse campo, e a mineração submarina poderia consolidar ainda mais essa posição. Enquanto isso, os Estados Unidos, que não ratificaram a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Unclos), estão excluídos das discussões da ISA. Em março, um grupo de ex-funcionários americanos instou o Senado a ratificar o tratado, destacando que a ausência dos EUA beneficiou a China.

Essas preocupações são aproveitadas por empresas ocidentais que defendem a mineração submarina, como a The Metals Company, do Canadá, que espera solicitar uma licença comercial da ISA ainda este ano. Em Washington, a empresa tem recebido apoio, com muitos temendo que a China possa dominar essa indústria emergente. “A possibilidade da China controlar essa indústria é um motivador muito forte”, afirmou Gerard Barron, fundador da The Metals Company.

China deixa o mundo em alerta: gigante asiático mira fundo do oceano para extrair trilhões de nódulos de cobre, níquel, cobalto e manganês para tornar o mundo refém da sua supremacia em minerais críticos e operações militares (clickpetroleoegas.com.br)

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Cavalos, bicicletas e tecnologias com vontade própria

À medida que as ferramentas se superam, precisamos aprender ou reaprender a nos comunicar com cada uma

Crédito: Freepik


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PJ PEREIRA – Fast Company Brasil – 15-08-2024

Trocar programas tradicionais por novas ferramentas de IA é como substituir uma bicicleta por um cavalo. Se os programas antigos, como bicicletas, fazem exatamente o que queremos, também exigem que nossas “pernas” façam todo o esforço. Já a nova geração de aplicações inteligentes é como cavalos: têm seu próprio poder e tomam decisões inesperadas.

Essa mudança altera a relação entre humanos e máquinas, especialmente em tarefas criativas. Saber montar não significa conhecer uma forma de controlar todos os cavalos. Cada animal é diferente e, se nós estamos constantemente aprendendo a lidar com eles, eles também estão.

À medida que as ferramentas se superam, precisamos aprender ou reaprender a nos comunicar com cada uma. O comando que funciona para uma plataforma pode ser inútil em outra. Saber lidar com essas diferenças nos permite transitar melhor no nosso estábulo tecnológico.

Como nos preparar para esse mundo de cavalos digitais? Clareza. Essas “criaturas” contam com comandos precisos. Que se alguma coisa não foi explicada, é porque você não pensou a respeito, e é função dele tomar essa decisão. Se descreveu requerimentos demais, é função deles escolher o que ignorar.

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E se os cavalos contam que você foi tão claro quanto consegue ser, você também pode contar com algumas coisas do lado de lá:

– Evolução: essas “criaturas” aprendem rápido, se atualizam constantemente, muitas vezes sem aviso. Além das novas versões, há ajustes acontecendo nos bastidores, baseados no seu comportamento e em habilidades aprendidas por outros cavalos. (Surpresa: cavalos digitais se comunicam por telepatia!)

– Personalidades únicas: o mesmo comando em duas ferramentas pode gerar resultados diferentes. Compreenda essas diferenças e escolha o cavalo certo para cada tarefa.

– “Opinião”: bicicletas respondem como queremos. Se a pilotarmos para um despenhadeiro, ela vai. Cavalos, não. Isso pode ser incômodo, mas se você contar com esse atributo, ele pode ajudar. Talvez sua instrução esteja complexa demais, talvez não funcione. Entenda o porquê. Às vezes isso ajuda a refinar uma ideia.

Estamos entrando em um novo tipo de computação. Evoluímos de um mundo baseado em código, em que os computadores executam tarefas conforme programado, para um modelo baseado em aprendizado, no qual os programas evoluem conosco e com o mundo. Isso não os torna “vivos”, mas traz aspectos de como lidamos com seres vivos, nos preparando para a nova era digital.

Essas mudanças exigem reeducação. Não só para usar essa nova geração de ferramentas, mas para aprendermos, homens a máquinas, a poder contar um com o outro.


SOBRE O AUTOR

PJ Pereira é escritor, publicitário e co-fundador da Pereira O’Dell e da Silverside.AI

PJ Pereira, Autor em Fast Company Brasil

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Complacência com IA ameaça defesa

Nenhum desses drones ofensivos é fabricado nos EUA ou na Europa ocidental, uma grande fraqueza na base industrial e na postura militar do Ocidente

Por Charles Ferguson – Valor – 08/08/2024

Com o Ocidente forçado a confrontar a Rússia e a China, os conflitos militares revelaram grandes fraquezas sistêmicas nas forças armadas dos Estados Unidos e da Europa e em suas bases industriais de defesa.

Esses problemas decorrem de tendências tecnológicas fundamentais. Na Ucrânia, sistemas tripulados caros como tanques, aeronaves de combate e navios de guerra têm se mostrado extremamente vulneráveis a drones não tripulados baratos, mísseis de cruzeiro e mísseis guiados. A Rússia já perdeu mais de 8 mil veículos blindados, um terço de sua frota no Mar Negro e muitos aviões de combate, levando-a a deslocar seus sistemas tripulados caros para mais longe das zonas de combate.

Drones baratos produzidos em massa pela China, Rússia, Irã, Turquia e agora pela Ucrânia, se tornaram armas ofensivas fundamentais e ferramentas valiosas para vigilância, direcionamento e orientação. Frequentemente baseados em produtos comerciais amplamente disponíveis, os drones estão sendo produzidos aos milhões a um custo de apenas US$ 1 mil-50 mil cada. No entanto, nenhum desses drones é fabricado nos EUA ou na Europa ocidental – uma grande fraqueza na base industrial e na postura militar do Ocidente.

Embora seja fácil destruir os drones russos, chineses e iranianos com os sistemas ocidentais existentes, os custos são proibitivos – de US$ 100 mil a US$ 3 milhões por alvo. Essa relação insustentável é o resultado de décadas de complacência e ineficiência burocrática. Nenhum contratante ocidental tradicional produz um sistema anti-drone competitivo em termos de custo – embora várias startups dos EUA e Ucrânia os estejam desenvolvendo agora.

Pior ainda, essa situação é só um prelúdio para um futuro de armas autônomas não tripu tripuladas. A maioria dos drones atuais é controlada remotamente por um humano ou guiada de forma simplista por GPS ou mapas digitais. Mas novas tecnologias de Inteligência Artificial (IA) – baseadas em grande parte em produtos comerciais e pesquisas acadêmicas disponíveis publicamente – em breve transformarão a guerra, e possivelmente o terrorismo também.

Os drones habilitados por IA já podem operar em enxames altamente coordenados, permitindo, por exemplo, que um atacante cerque um alvo, impedindo sua fuga. O direcionamento em si está se tornando extremamente preciso – chegando ao nível de identificar o rosto de um indivíduo, uma peça de vestuário religiosa ou uma placa de veículo específica – e os enxames de drones são cada vez mais capazes de navegar por cidades, florestas e edifícios.

Produtos orientados por IA, tanto militares como comerciais, dependem de uma pilha tecnológica complexa e em camadas, na base da qual está o equipamento fundamental, os equipamentos para semicondutores (as máquinas de alta precisão que fabricam os chips), seguido pelos semicondutores (como os processadores de IA da Nvidia), centros de dados, modelos de IA e seus dados de treinamento, serviços de IA em nuvem, design de produtos de hardware, fabricação e engenharia de aplicação e sistemas.

EUA, Europa Ocidental, Taiwan e Coreia do Sul coletivamente ainda estão à frente da China (e da Rússia) na maioria dessas áreas, mas sua liderança está diminuindo e a China já domina os mercados mundiais de hardware de uso duplo produzido em massa, como drones e robôs.

A resposta ocidental a esse desafio tem sido lamentavelmente inadequada até agora. Os controles à exportação de tecnologias de habilitação de IA estão limitados aos equipamentos essenciais para a fabricação de semicondutores e processadores, e mesmo esses controles vem enfrentando resistência, ou sendo afrouxados e evitados. Embora a exportação de processadores de IA de ponta para a China tenha sido proibida, o acesso a serviços de nuvem dos EUA com o uso desses mesmos processadores continua aberto, e a Nvidia agora fornece à China processadores de IA quase tão poderosos, mas especialmente adaptados para se enquadrar nos controles às exportações dos EUA. Não há qualquer controle de exportação ou licenciamento em pesquisas, modelos ou dados de treinamento de IA.

Empresas individuais estão tentando vender o máximo possível para a China. Ao tentar obter a liderança diante de seus competidores imediatos, cada empresa enfraquece a posição de longo prazo de todas as outras, e, no final, a sua própria

Embora algumas empresas americanas, como Google, tenham mantido seus modelos de IA restritos e limitado o acesso chinês a sua tecnologia, outras fizeram o oposto. A OpenAI proíbe o acesso direto chinês a suas interfaces de programação de aplicativos (APIs), mas essas mesmas APIs permanecem disponíveis através da Microsoft. Enquanto isso, a Meta adotou uma estratégia de código aberto total para seus esforços em IA, e a firma de venture capital Adreessen Horowitz está fazendo lobby para evitar os controles de exportação (ou qualquer restriçãoo regulatória) sobre os modelos de IA de fonte aberta.

Os setores de tecnologia dos EUA e Europa estão assim se comportando como um pelotão de fuzilamento circular, com empresas individuais tentando vender o máximo possível para a China. Ao tentar obter a liderança sobre seus competidores imediatos, cada empresa enfraquece a posição de longo prazo de todas as outras, e, no final, a sua própria. Se isso continuar, o resultado previsível é que os EUA e a Europa Ocidental ficarão atrás da China – e até mesmo atrás da Rússia, Irã ou grupos terroristas descentralizados -, tanto em termos de guerra movida pela IA, como em aplicações comerciais de IA.

Muitos tecnólogos e gestores do Vale do Silício e organizações governamentais estão cientes desse risco, e muito perturbados por ele. Mas apesar de algumas iniciativas significativas (como a Unidade de Inovação em Defesa dentro do Pentágono), houve relativamente pouca mudança no comportamento do setor de defesa ou na política governamental.

Esta situação é particularmente absurda, dada a oportunidade óbvia para uma grande e extremamente vantajosa barganha: a aquiescência da indústria aos controles de exportação impostos pelo governo em troca de negociação coletiva apoiada pelo governo com a China em licenciamento de tecnologia, acesso ao mercado e outros benefícios comerciais. Apesar de algumas áreas de tensão genuína, há um grau surpreendentemente alto de alinhamento entre os interesses de segurança nacional e os interesses coletivos de longo prazo do setor de tecnologia do Ocidente.

A estratégia lógica é que o governo dos EUA e a União Europeia sirvam como agentes de barganha em nome da indústria ocidental ao lidar com a China. Infelizmente, não é para onde as coisas estão rumando no momento. Embora as autoridades e tecnólogos estejam acordando para a ameaça, a infraestrutura tecnológica essencial está agora avançando dramaticamente mais rápido do que os debates políticos e os processos legislativos – sem mencionar os ciclos de produtos do Pentágono e dos contratantes de defesa tradicional. O desenvolvimento da IA está progredindo tão rapidamente que até mesmo o sistema de startups dos EUA está tendo dificuldades para acompanhar. Isso significa que não há tempo a perder. (Tradução de Mário Zamarian)

Charles Ferguson, investidor em tecnologia e analista de políticas, é diretor do documentário vencedor do Oscar “Inside Job” (“Trabalho Interno”, no Brasil). Project Syndicate, 2024.

http://www.project-syndicate.org

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/complacencia-com-ia-ameaca-defesa.ghtml

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Redefinindo o valor da experiência: o papel da geração 50+ na inovação

Profissionais 50+ trazem riqueza de conhecimento e resiliência. Eles combinam sabedoria com disposição para aprender e se adaptar


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Mórris Litvak Fast Company Brasil – 29-07-2024 

Em um mundo onde a inovação é frequentemente associada à juventude, é essencial reconhecer o valor inestimável da experiência.

Como CEO e fundador da Maturi, vejo diariamente o impacto positivo que os profissionais 50+ têm na transformação digital e na inovação.

O CENÁRIO ATUAL

Atualmente, a população 50+ representa uma parcela significativa da força de trabalho global. No Brasil, esse grupo é composto por mais de 55 milhões de pessoas, ou 26% da população. E esse número só tende a crescer, pois estamos passando por um rápido processo de envelhecimento populacional, especialmente acelerado aqui.

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Infelizmente, muitos desses profissionais enfrentam desafios no mercado de trabalho devido ao preconceito etário, também chamado de etarismo ou idadismo.

A CONTRIBUIÇÃO ÚNICA DA GERAÇÃO 50+

Profissionais 50+ trazem riqueza de conhecimento e resiliência. Eles combinam sabedoria com disposição para aprender e se adaptar. Casos inspiradores incluem:

  • Satya Nadella assumiu o cargo de CEO da Microsoft aos 46 anos e, atualmente com 56, continua a liderar a empresa em sua transformação digital, focando em inteligência artificial, computação em nuvem e sustentabilidade.
  • Diane von Fürstenberg, que criou o icônico vestido envelope, continua a liderar sua marca global de moda aos 77 anos. Ela se adapta às mudanças do mercado, incluindo a transformação digital no varejo de moda.
  • Luiza Helena Trajano, atualmente com 75 anos, é um dos nomes mais influentes do varejo brasileiro. Sob sua liderança, o Magazine Luiza se transformou em um gigante do comércio eletrônico, inovando constantemente em tecnologia e estratégias de mercado.
  • Vera Wang, que começou sua carreira como editora de moda, lançou sua primeira linha de roupas aos 40 anos. Aos 70, ela continua a liderar sua empresa de moda, inovando com novas linhas e colaborando com outras marcas para alcançar novos públicos.

Os maduros contribuem para qualquer ambiente com ativos importantes, como: experiência prática e visão estratégica e holística, capacidade de liderança e mentoria, alto nível de comprometimento, adaptação, rede de contatos e relacionamentos e diversidade de perspectivas, além de entender e atender melhor o consumidor 50+, o famoso mercado prateado, ou silver economy.

ESTRATÉGIAS PARA POTENCALIZAR A INCLUSÃO GERACIONAL

Empresas devem adotar práticas inclusivas, como programas de mentoria intergeracional e oportunidades de aprendizado contínuo. A Maturi, por exemplo, oferece cursos que ajudam profissionais a se atualizar em ferramentas digitais e inteligência artificial. Aqui estão algumas estratégias eficazes:

  • Letramento sobre diversidade etária: educação de todo o time sobre o tema, sensibilizando e trazendo para a consciência os vieses da idade, sempre com um olhar estratégico e apoio da liderança.
  • Mentoria intergeracional: conectar profissionais 50+ com mentores mais jovens pode ajudar a compartilhar conhecimentos e experiências valiosas em ambas as direções.
  • Capacitação contínua: investir em programas de educação continuada (lifelong learning) que atualizem as habilidades dos trabalhadores mais velhos para as demandas atuais do mercado.
  • Ambientes inclusivos: criar políticas e culturas corporativas que valorizem a diversidade etária e combatam o etarismo, adaptando processos, práticas e políticas, desde o plano de carreira a benefícios, passando pela integração com as demais gerações e demissão humanizada.

O FUTURO É INTERGERACIONAL

Segundo o estudo Rotas Diversidade e Longevidade 2035, realizado em 2020 no Brasil pelo Centro de Inovação Sesi Longevidade e Produtividade do Sistema Fiep do Paraná, a diversidade de gerações torna as equipes mais produtivas e criativas. Outros estudos de fora do Brasil têm mostrado que equipes com diferentes gerações devidamente integradas ajudam a empresa, inclusive, a ser mais lucrativa.

Para construir um futuro sustentável e inovador, é crucial abraçar a diversidade etária. A experiência da geração 50+ é um ativo poderoso, capaz de impulsionar a transformação digital e a inovação. Juntos, podemos criar um ambiente de trabalho mais inclusivo e dinâmico, onde a experiência e a inovação caminham lado a lado.


SOBRE O AUTOR

Mórris Litvak é fundador e CEO da Maturi, plataforma líder no Brasil para profissionais 50+. Engenheiro de Software pela FIAP, com pós-graduação em Gestão da Inovação Social pelo Amani Institute, é um empreendedor social dedicado a promover a diversidade etária nas empresas. Inspirado pela história de sua avó, passou a estudar longevidade, criando a Maturi para conectar profissionais experientes a empresas inovadoras. Mórris também leciona em cursos de pós-graduação em gerontologia nos Hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, e no curso de Diversidade da Escola de Negócios da Aberje.

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