Nova IA da OpenAI tira 10 em prova do ITA e ‘passa’ em residência médica da USP

Ferramenta supera modelos como GPT-4 e Claude 3.5 Sonnet

Por Guilherme Nannini – Estadão – 17/09/2024 

A nova inteligência artificial (IA) da OpenAI, batizada de OpenAI o1, já consegue “tirar 10″ na prova do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e ser aprovada para diversas especializações na prova de residência médica da Universidade de São Paulo (USP). A o1 foi lançada na semana passada com a promessa de capacidade de raciocínios lógico e matemático e de resolução de problemas complexos. Agora, a IA está sendo submetida a testes no mundo inteiro por especialistas e pesquisadores.

No Brasil, o empreendedor Vinícius Soares submeteu o o1 à prova de matemática do ITA de 2024, onde o modelo gabaritou o teste, evidenciando sua capacidade de solucionar problemas matemáticos complexos. Diferentemente de modelos anteriores, que buscavam responder o mais rápido possível identificando conexões entre palavras, o o1 investe mais tempo de processamento para avaliar os dados já existentes e buscar diferentes caminhos para chegar a uma resposta, o que ocorreu no experimento testado por Soares.

A ideia de testar o ChatGPT o1 na prova do ITA surgiu após o empreendedor ler a divulgação do novo modelo e suas melhorias na capacidade de resolução de problemas envolvendo conjuntos, funções, geometria, trigonometria e estatística. Tendo prestado o vestibular do ITA, considerado um dos mais difíceis do país, Soares ficou curioso para ver como a IA se sairia diante desse desafio.

“Peguei as perguntas e colei uma a uma no novo modelo ChatGPT″, explica. “Ele não só forneceu as respostas corretas para todas as 10 questões, como também descreveu o raciocínio utilizado para chegar a cada solução.” Comparando as alternativas que ele apontou como corretas com o gabarito divulgado pelo ITA, a IA acertou 100% das perguntas.

Experimento de Vinicius Soares com a nova inteligência artificial da Open AI

Experimento de Vinicius Soares com a nova inteligência artificial da Open AI Foto: Reprodução/LinkedIn

A OpenAI afirma que o novo modelo é seis vezes mais preciso na resolução de problemas matemáticos do que seu antecessor, o GPT-4. Essa afirmação é corroborada por outros testes realizados pela própria empresa, nos quais o GPT-4 acertou em média 12% das perguntas, enquanto o o1 obteve um índice de acerto de 74%.

Soares acredita que o ChatGPT o1 tem potencial para revolucionar diversas áreas “Na educação, por exemplo, o modelo pode ser usado para gerar perguntas inéditas e apresentar a resolução passo a passo, auxiliando estudantes no preparo para provas como a do ITA. Em áreas como o direito, a IA pode analisar milhares de processos para identificar padrões e tendências, auxiliando, por exemplo, qual linha de defesa tem a melhor chance de ser deferida.”

Residência médica

Experimento de Matheus Ferreira com a nova inteligência artificial da Open AI

Experimento de Matheus Ferreira com a nova inteligência artificial da Open AI Foto: Reprodução/LinkedIn

Outro exemplo para testar o potencial dessa nova tecnologia na área médica foi feito pelo Gerente Médico de Educação Médica e Saúde Digital, Matheus Ferreira, que realizou um experimento ousado: submeter o1 à prova de residência médica da USP-SP de 2024. A IA alcançou um índice de acerto de 82%, mesmo sem a capacidade de analisar imagens, superando modelos GPT-4, também da OpenAI, e o Claude Sonnet 3.5, da Anthropic, que acertaram 76%. A OpenAI já havia afirmado que uma das limitações do o1 era a incapacidade de lidar com formatos diferentes de texto.

A prova, composta por 120 questões, foi dividida em seis blocos de 20 questões cada, respeitando a ordem original. Cada bloco foi enviado ao o1, acompanhado de um prompt solicitando que a IA respondesse às perguntas como um médico e indicasse o gabarito para cada alternativa.

Devido à limitação do o1 em processar imagens, as questões que dependiam exclusivamente de imagens foram excluídas da análise comparativa. Nas demais questões com imagens no enunciado, o1 foi privado dessa informação, enquanto os outros modelos, GPT-4 e Claude 3.5 Sonnet, puderam acessá-la.

Durante o experimento, Ferreira observou que o principal desafio do o1 foi o tempo de resposta. Enquanto o GPT-4 e o Claude 3.5 Sonnet forneciam respostas quase instantâneas, em algumas respostas, o o1 demoravam cerca de 100 segundos. Contudo, a ferramenta da OpenAI se provou mais assertiva que as outras, acertando 93 questões, em comparação às 85 das outras IA´s. O tempo de resposta mais elevado é uma característica inerente ao tipo de tecnologia proposto pelo o1, que dedica mais poder computacional para a análise de informação disponível para o sistema.

“O grande diferencial do1 é sua capacidade de executar uma cadeia de pensamento (chain of thought) antes de fornecer a resposta final. É como se ele discutisse consigo mesmo, buscando validar a resposta, o que resulta em um processo mais demorado, mas potencialmente mais preciso.”

O gerente médico destacou, no entanto, que na Medicina Preventiva observou-se um desempenho ligeiramente inferior de todas as ferramentas ao fazerem o teste. Ele atribui esse acontecimento ao fato de que grande parte do banco de dados de treinamento das IAs está em inglês, enquanto a Medicina Preventiva envolve muitos aspectos regionais, relacionados a legislações e ao SUS (Sistema Único de Saúde), que são específicos do Brasil.

IA aliada ao conhecimento humano

Os resultados obtidos pelo ChatGPT o1 na prova de residência médica da USP-SP abrem um leque de possibilidades para o futuro da educação médica. Matheus defende que a IA deve ser vista como uma aliada no processo de ensino e aprendizagem, e não como uma ameaça.

“Acredito que devemos enxergar a IA como uma parceira no processo educacional. Em vez de tentar evitar ou proibir seu uso, devemos incentivar uma utilização correta e ética, em momentos apropriados.”

Ele destaca dois grandes potenciais da IA para a educação: a criação de um tutor personalizado para o aluno e a atualização médica constante. A IA pode atuar como um “professor” particular, adaptando-se às necessidades e ao ritmo de aprendizado de cada estudante. Uma pesquisa feita em Harvard demonstrou que estudantes ao utilizarem um tutor de IA, tiveram um resultado de notas 22% maior, do que aquelas que apenas usaram o método “tradicional” de estudo. Além disso, a ferramenta também pode auxiliar os profissionais da saúde a se manterem atualizados em um cenário onde o conhecimento médico dobra a cada 73 dias, algo humanamente impossível de acompanhar sem o auxílio da tecnologia.

Ferreira vislumbra um futuro promissor para a inteligência artificial na área da medicina. Ele acredita que a IA se tornará um “copiloto” indispensável para os médicos, auxiliando no diagnóstico, tratamento e pesquisa, permitindo que os profissionais se dediquem mais à relação médico-paciente e à compreensão de aspectos que a máquina não pode captar.

“A IA tende a acelerar a evolução de muitos campos na medicina”, prevê. “Para a prática médica, acredito que ela aumentará a acurácia em diagnósticos e tratamentos. Na pesquisa, nos próximos anos, prevejo o surgimento de novas medicações e tratamentos para doenças que atualmente não possuem soluções satisfatórias.”

Evolução da IA

Até aqui, grandes modelos de linguagem (LLMs), como o GPT-4, aprimoravam sua capacidade de resposta aumentando o volume de dados de treinamento. Uma vez treinados, esses sistemas buscam responder o mais rápido possível, identificando as conexões mais comuns entre as palavras, como já dito anteriormente.

O o1 representa uma mudança de paradigma nesse processo. Em vez de focar apenas no volume dos dados, a OpenAI investiu em uma arquitetura que permite ao sistema dedicar mais tempo de processamento para avaliar os dados já existentes, buscando diferentes caminhos para chegar a uma resposta. Essa abordagem, conhecida como “cadeia de pensamento”, permite que a IA simule o raciocínio humano, avaliando cada etapa da construção da resposta e corrigindo erros ao longo do processo.

Além disso, o o1 utiliza o aprendizado por reforço, um processo de validação em que a máquina é “recompensada” ao encontrar respostas corretas. Esses resultados positivos são realimentados no sistema, aprimorando seu desempenho sem a necessidade de adicionar novos dados de treinamento.

Essa nova abordagem, que combina a cadeia de pensamento com o aprendizado por reforço, permitiu ao o1 alcançar resultados impressionantes em áreas como ciência, matemática e programação, superando modelos anteriores em tarefas que exigem raciocínio lógico e resolução de problemas complexos.

Nova IA da OpenAI tira 10 em prova do ITA e ‘passa’ em residência médica da USP – Estadão (estadao.com.br)

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A IA ajudou a Shein a se tornar a maior poluidora do fast fashion

A empresa quase dobrou suas emissões em 2023, tornando-se o pior ator em uma indústria notoriamente insustentável.

Esta história originalmente apareceu em Grist e faz parte da colaboração Climate Desk. – Wired – 14/09/2024

Em 2023, a gigante da moda rápida Shein estava em toda parte. Cruzando o mundo, os aviões transportavam pequenos pacotes de suas roupas ultrabaratas de milhares de fornecedores para dezenas de milhões de caixas de correio de clientes em 150 países. Os vídeos “#sheinhaul” dos influenciadores anunciavam os estilos da moda da empresa nas mídias sociais, conquistando bilhões de visualizações.

A cada etapa, os dados foram criados, coletados e analisados. Para gerenciar todas essas informações, a indústria de fast fashion começou a adotar tecnologias emergentes de IA. A Shein usa aplicativos proprietários de aprendizado de máquina – essencialmente, algoritmos de identificação de padrões – para medir as preferências do cliente em tempo real e prever a demanda, que atende com uma cadeia de suprimentos ultrarrápida.

À medida que a IA torna o negócio de produzir roupas acessíveis e modernas mais rápido do que nunca, a Shein está entre as marcas sob crescente pressão para se tornarem mais sustentáveis também. A empresa se comprometeu a reduzir suas emissões de dióxido de carbono em 25% até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2050.

Mas os defensores do clima e pesquisadores dizem que as práticas de fabricação ultrarrápidas da empresa e o modelo de negócios somente online são inerentemente pesados em emissões – e que o uso de software de IA para catalisar essas operações pode estar aumentando suas emissões. Essas preocupações foram ampliadas pelo terceiro relatório anual de sustentabilidade da Shein, divulgado no final do mês passado, que mostrou que a empresa quase dobrou suas emissões de dióxido de carbono entre 2022 e 2023.

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“A IA permite que a moda rápida se torne a indústria da moda ultrarrápida, sendo a Shein e a Temu as líderes disso”, disse Sage Lenier, diretora executiva da Sustainable and Just Future, uma organização sem fins lucrativos climática. “Eles literalmente não poderiam existir sem IA.” (A Temu é um titã do comércio eletrônico em rápida ascensão, com um mercado de produtos que rivaliza com o da Shein em variedade, preço e vendas.)

Nos 12 anos desde que a Shein foi fundada, tornou-se conhecida por sua fabricação excepcionalmente prolífica, que gerou mais de US$ 30 bilhões em receita para a empresa em 2023. Embora as estimativas variem, um novo design da Shein pode levar apenas 10 dias para se tornar uma peça de vestuário, e até 10.000 itens são adicionados ao site a cada dia. A empresa oferece até 600.000 itens à venda a qualquer momento, com um preço médio de aproximadamente US$ 10. (Shein se recusou a confirmar ou negar esses números relatados.) Uma análise de mercado descobriu que 44% da Geração Z nos Estados Unidos compram pelo menos um item da Shein todos os meses.

Essa escala se traduz em enormes impactos ambientais. De acordo com o relatório de sustentabilidade da empresa, a Shein emitiu 16,7 milhões de toneladas métricas totais de dióxido de carbono em 2023 – mais do que quatro usinas de carvão expelem em um ano. A empresa também foi criticada por resíduos têxteis, altos níveis de poluição por microplásticos e práticas trabalhistas exploradoras. De acordo com o relatório, o poliéster – um tecido sintético conhecido por liberar microplásticos no meio ambiente – representa 76% de seus tecidos totais, e apenas 6% desse poliéster é reciclado.

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E uma investigação recente descobriu que os trabalhadores das fábricas dos fornecedores da Shein trabalham regularmente 75 horas por semana, mais de um ano depois que a empresa se comprometeu a melhorar as condições de trabalho em sua cadeia de suprimentos. Embora o relatório de sustentabilidade da Shein indique que as condições de trabalho estão melhorando, ele também mostra que, em auditorias de terceiros de mais de 3.000 fornecedores e subcontratados, 71% receberam uma pontuação C ou inferior na escala de notas da empresa de A a E – medíocre na melhor das hipóteses.

O aprendizado de máquina desempenha um papel importante no modelo de negócios da Shein. Embora Peter Pernot-Day, chefe de estratégia global e assuntos corporativos da Shein, tenha dito ao Business Insider em agosto passado que a IA não era central para suas operações, ele indicou o contrário durante uma apresentação em uma conferência de varejo no início deste ano.

“Estamos usando tecnologias de aprendizado de máquina para prever com precisão a demanda de uma forma que achamos de ponta”, disse ele. Pernot-Day disse ao público que todos os 5.400 fornecedores da Shein têm acesso a uma plataforma de software de IA que fornece atualizações sobre as preferências do cliente e alteram o que estão produzindo para combiná-lo em tempo real.

“Isso significa que podemos produzir muito poucas cópias de cada peça de roupa”, disse ele. “Isso significa que desperdiçamos muito pouco e temos muito pouco desperdício de estoque.” Em média, a empresa diz que estoca entre 100 e 200 cópias de cada item – um forte contraste com as marcas de fast-fashion mais convencionais, que normalmente produzem milhares de cada item por temporada e tentam antecipar as tendências com meses de antecedência. A Shein chama seu modelo de “sob demanda”, enquanto um analista de tecnologia que falou com a Vox em 2021 o chamou de varejo “em tempo real”.

Na conferência, Pernot-Day também indicou que a tecnologia ajuda a empresa a captar as “microtendências” que os clientes desejam usar. “Podemos detectar isso e agir de uma maneira que acho que realmente fomos pioneiros”, disse ele. Um designer que entrou com uma ação coletiva recente em um Tribunal Distrital de Nova York alega que as ferramentas de análise de mercado de IA da empresa são usadas em um “esquema em escala industrial de violação sistemática de direitos autorais digitais do trabalho de pequenos designers e artistas”, que raspa designs da internet e os envia diretamente para as fábricas para produção.

Em uma declaração por e-mail a Grist, um porta-voz da Shein reiterou a afirmação de Peter Pernot-Day de que a tecnologia permite que a empresa reduza o desperdício e aumente a eficiência e sugeriu que o aumento das emissões da empresa em 2023 foi atribuído ao crescimento dos negócios. “Não vemos o crescimento como antitético à sustentabilidade”, disse o porta-voz.

Uma análise do relatório de sustentabilidade da Shein pela Business of Fashion, uma publicação comercial, descobriu que, no ano passado, as emissões da empresa aumentaram quase o dobro de sua receita – tornando a Shein a empresa de maior emissão na indústria da moda. Em comparação, as emissões da Zara aumentaram metade de sua receita. Para outros titãs da indústria, como H&M e Nike, as vendas cresceram enquanto as emissões caíram em relação ao ano anterior.

As emissões da Shein são especialmente altas por causa de sua dependência do transporte aéreo, disse Sheng Lu, professor de estudos de moda e vestuário da Universidade de Delaware. “A IA tem amplas aplicações na indústria da moda. Não é necessariamente que a IA seja ruim”, disse Lu. “O problema é a essência do modelo de negócios específico da Shein.”

Outras grandes marcas enviam itens para o exterior a granel, preferem o transporte marítimo por seu custo mais baixo e têm fornecedores e armazéns em um grande número de países, o que reduz as distâncias que os itens precisam percorrer até os consumidores.

De acordo com o relatório de sustentabilidade da empresa, 38% da pegada climática da Shein vem do transporte entre suas instalações e para os clientes, e outros 61% vêm de outras partes de sua cadeia de suprimentos. Embora a empresa esteja sediada em Cingapura e tenha fornecedores em alguns países, a maioria de suas roupas é produzida na China e é enviada por via aérea em pacotes endereçados individualmente aos clientes. Em julho, a empresa enviou cerca de 900.000 deles para os EUA todos os dias.

O porta-voz da Shein disse a Grist que a empresa está desenvolvendo um roteiro de descarbonização para abordar a pegada de sua cadeia de suprimentos. Recentemente, a empresa aumentou a quantidade de estoque que armazena nos armazéns dos EUA, permitindo oferecer aos clientes americanos prazos de entrega mais rápidos, e aumentou o uso de navios de carga, que são mais eficientes em carbono do que os aviões de carga.

“Controlar as emissões de carbono na indústria da moda é um processo realmente complexo”, disse Lu, acrescentando que muitas marcas usam IA para tornar suas operações mais eficientes. “Realmente depende de como você usa a IA.”

Há pesquisas que indicam que o uso de certas tecnologias de IA pode ajudar as empresas a se tornarem mais sustentáveis. “É a peça que faltava”, disse Shahriar Akter, reitor associado de negócios e direito da Universidade de Wollongong, na Austrália. Em maio, Akter e seus colegas publicaram um estudo descobrindo que, quando os fornecedores de fast fashion usavam software de gerenciamento de dados de IA para cumprir as metas de sustentabilidade das grandes marcas, essas empresas eram mais lucrativas e emitiam menos. Um dos principais usos dessa tecnologia, diz Atker, é monitorar de perto os impactos ambientais, como poluição e emissões. “Esse tipo de rastreamento não estava disponível antes das ferramentas baseadas em IA”, disse ele.

A Shein disse a Grist que não usa software de gerenciamento de dados de aprendizado de máquina para rastrear emissões, que é um dos usos da IA incluídos no estudo de Akter. Mas o uso muito elogiado de software de aprendizado de máquina pela empresa para prever a demanda e reduzir o desperdício é outro dos usos da IA incluídos na pesquisa.

Independentemente disso, a empresa tem um longo caminho a percorrer antes de atingir suas metas. Grist calculou que as emissões que a Shein supostamente economizou em 2023 – com medidas como fornecer painéis solares a seus fornecedores e optar pelo transporte marítimo – totalizaram cerca de 3% do total de emissões de carbono da empresa no ano.

Lenier, da Sustainable and Just Future, acredita que não há uso ético da IA na indústria de fast-fashion. Ela disse que a tecnologia amplamente não regulamentada permite que as marcas intensifiquem seus impactos prejudiciais sobre os trabalhadores e o meio ambiente. “As pessoas que trabalham em fábricas de fast-fashion agora estão sob uma pressão incrível para produzir ainda mais, ainda mais rápido”, disse ela.

Lenier e Lu acreditam que a chave para uma indústria da moda mais sustentável é convencer os clientes a comprar menos. Lu disse que se as empresas usarem a IA para aumentar suas vendas sem mudar suas práticas insustentáveis, suas pegadas climáticas também crescerão de acordo. “É o efeito geral de poder oferecer itens mais populares no mercado e incentivar os consumidores a comprar mais do que no passado”, disse ele. “Claro, o impacto geral do carbono será maior.”

A IA ajudou a Shein a se tornar a maior poluidora da fast fashion | WIRED

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Eu nasci há 10.000 anos atrás

As mudanças tecnológicas transformaram a vida de quem viveu no século passado, desde a era das máquinas de escrever até a revolução digital atual

Por Evandro Milet – Portal ES360 – 08/09/2024

Essa é a sensação de quem nasceu e cresceu no século passado, ao constatar as mudanças rápidas que ocorreram no seu dia a dia, talvez principalmente depois da internet na década de 1990, mas não só por causa dela. Mudou tudo. Quem escrevia à mão, pedia à secretária para digitar – não -, bater na máquina, corrigia e escrevia novamente até acertar já sentiu um grande alívio com o ControlC/ControlV do Word. Fazer transparências à caneta e usar retroprojetor para uma apresentação só não é mais antigo que quadro negro com giz. Fazer e refazer planilhas era um suplício até aparecer o Visicalc, pioneiro antecessor do Excel. O Apple II é de 1977, inaugurando o computador pessoal, avô de notebooks e laptops. 

Quem conviveu com enciclopédias(a Barsa estava em muitas casas) ou com pesquisa na biblioteca do colégio ficou espantado com o Google em 1998 e endoidou agora com o ChatGPT. Bem mais revolucionário que trocar a régua de cálculo, que pouca gente lembra, pela calculadora. Ou discutir no grupo da escola quem ia passar a limpo o trabalho em uma folha de papel almaço.

E o alívio de quem fazia ligações interurbanas(quem usa essa expressão mais?) com telefonista quando chegaram o DDD, o DDI, o orelhão(cadê eles, Ruy?)e finalmente o celular em 1990? E olha que nessa época era só para falar, o iPhone com acesso aos dados só veio em 2007 com sua lista interminável de apps. Aí a coisa tomou velocidade vertiginosa. Tudo virou app para resolver as dores do mundo. Há quanto tempo você não para o carro na rua para pedir indicação de um local? Com o Google Maps e o Waze, não se precisa mais nem ter senso de direção. Se os táxis ficavam nos pontos, sumiam na chuva ou passavam batido, inventaram o Uber. Se as casas tinham tinham quartos vagos ou se os hotéis nos davam uma experiência enlatada nas cidades, o Airbnb monetiza os quartos e oferece uma experiência de não turistas nas viagens. 

Um dos primeiros a perceber o potencial imenso da internet para facilitar a vida foi Jeff Bezos com a Amazon, ainda em 1994, primeiro para vender livros, depois para vender tudo. Foi praticamente o inventor do ecommerce, um bálsamo na pandemia. Comprar um livro técnico em inglês, 10.000 anos atrás ou há 10.000 anos(Raul, você errou no português no título), era uma aventura, com livrarias especializadas e prazos intermináveis. Uma maravilha ler um no dia do lançamento pelo Kindle. 

Você esperava o lançamento do disco, um LP com várias músicas, ou o compacto com duas? Algumas músicas você ouvia e outras descartava? Só quando estava em casa perto da vitrola? Você está velho, cara. Faça sua playlist no Spotify, só com o que você curte. Cinema? No Netflix. Novela? Melhor as séries. Câmera no celular, selfie, Instagram, os álbuns de família saíram das salas para a nuvem, multiplicadas às centenas, mas ninguém mais vê. Dá para trabalhar de casa ou de qualquer lugar e todo mundo aceita reunião virtual para fazer negócios. Para desespero nosso dá para fazer oito reuniões por dia. Falar de graça pelo Zap é um conforto, falar com amigos antigos nas redes sociais não tem preço, até descobrir que alguém controla os algoritmos, o vilão do século. Eles cantariam com Raul Seixas: E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais.

Eu nasci há 10.000 anos atrás – ES360

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Turismo de selfies ameaça estragar alguns dos locais mais icônicos do mundo

A quantidade de pessoas em busca da foto perfeita para as redes sociais está prejudicando nossos patrimônios culturais e naturais

JESUS DIAZ – Fast Company Brasil – 12-09-2024 

Estamos destruindo a civilização, uma foto por vez. E não sou só eu que digo isso. A Unesco – agência das Nações Unidas responsável por proteger o patrimônio cultural da humanidade – está alertando sobre o crescimento desenfreado do “turismo de selfies”.

O turismo de selfies é uma tendência na qual os viajantes visitam pontos turísticos famosos, não para se aprofundar na história ou na cultura local, mas para tirar fotos para as redes sociais. O foco não está mais na experiência, mas sim em criar uma imagem perfeita para o Instagram, Facebook ou TikTok.

As tradicionais fotos de férias já eram um incômodo, mas eram compreensíveis. Agora, esse novo fenômeno de visitar lugares apenas para tirar e compartilhar fotos de si mesmo se tornou uma praga.

O EFEITO INSTAGRAM

As redes sociais impulsionaram essa mudança. A Unesco alerta que o turismo de selfies está causando sérios danos a muitos dos pontos turísticos mais conhecidos do mundo. “O impacto varia dependendo do destino”, disse um porta-voz da agência ao “The Mirror”.

“Em muitos casos, isso leva à superlotação de certos locais, criando pressão sobre a infraestrutura local e prejudicando a experiência dos visitantes.”

Isso também fez com que lugares menos conhecidos se tornassem pontos de grande visitação. Destinos que antes eram pouco visitados agora estão abarrotados de pessoas tentando recriar momentos virais.

Um exemplo disso é Hallstatt, na Áustria – cidade que teria inspirado o filme “Frozen – Uma Aventura Congelante”, da Disney. Mais de um milhão de turistas visitam o local todos os anos, em busca da selfie perfeita com as montanhas ao fundo.

A situação ficou tão fora de controle que a cidade recentemente ergueu uma cerca para impedir que as pessoas se aglomerassem em um ponto popular para fotos. O prefeito, Alexander Scheutz, disse à imprensa que “os moradores só querem ser deixados em paz”, um sentimento que muitos residentes de regiões turísticas conhecem de perto.

Hallstatt, Áustria (Crédito: Wikipedia)

CONSEQUÊNCIAS REAIS

A cultura da selfie não só incomoda os moradores locais, mas também traz sérios riscos ao patrimônio cultural e à segurança pública. Em Veneza, uma gôndola chegou a virar porque turistas se recusaram a parar de tirar fotos, ignorando os avisos do gondoleiro.  E isso aconteceu em uma cidade já assolada pelo turismo excessivo.

Apesar das medidas para conter o imenso fluxo de visitantes – como proibir grandes navios de cruzeiro e limitar os visitantes diários –, Veneza ainda sofre com o problema. A Unesco tem repetidamente apontado que, ao buscarem a “foto perfeita”, turistas muitas vezes acabam cometendo ações perigosas e prejudiciais, como invasão de propriedade, vandalismo ou até acidentes.

Várias cidades ao redor do mundo estão reagindo com multas e tarifas. Em Portofino, na Itália, turistas que passam muito tempo em locais populares de selfies podem ser multados em até US$ 300. O objetivo, segundo o prefeito Matteo Viacava, é evitar o “caos anárquico” que pode criar “situações perigosas” devido à superlotação nas ruas.

Em Amsterdã, as autoridades estão tentando transferir o famoso distrito da luz vermelha para a periferia, na esperança de dispersar as multidões. Em Florença, há um esforço para direcionar turistas para bairros menos conhecidos, aliviando a pressão nas áreas mais visitadas.

Já a Nova Zelândia lançou uma campanha incentivando os viajantes a levarem “algo novo” de suas viagens, em vez das mesmas fotos em frente a pontos turísticos, de acordo com a BBC.

No entanto, como muitos desses lugares dependem economicamente do turismo, o excesso de medidas restritivas pode ter um efeito colateral indesejado. Proteger o patrimônio cultural e a vida local, ao mesmo tempo em que se mantém o turismo como motor econômico, é um equilíbrio difícil de alcançar.

Um porta-voz da Unesco explicou ao “The Mirror” que “transformar o turismo de selfies em uma prática mais sustentável exige uma mudança tanto de mentalidade quanto de comportamento”.

A agência acredita que os influenciadores podem desempenhar um papel importante na promoção de um turismo mais responsável. Mas será que eles estão realmente preparados para isso? Talvez a resposta que buscamos esteja no bom senso, no autocontrole e, acima de tudo, no respeito às pessoas e aos lugares.


SOBRE O AUTOR

Jesus Diaz fundou o novo Sploid para a Gawker Media depois de sete anos trabalhando no Gizmodo. É diretor criativo, roteirista e produtor da The Magic Sauce e colaborador da Fast Company.

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Como seu hobby pode render um emprego melhor; conheça nova tendência e o que CEOs pensam disso

‘Mad Skills’ são habilidades não técnicas adquiridas por meio de hobbies ou interesses pessoais; ouvimos três CEOs que usam o esporte para desenvolvimento profissional

Por Jayanne Rodrigues – Estadão – 06/09/2024

Já imaginou como hobbies gastronômicos, artísticos e esportivos podem impulsionar a sua carreira? Diferentemente das softs skills (habilidades socioemocionais), as mad skills são consideradas atividades de lazer realizadas fora do ambiente de trabalho que destacam algum aspecto diferenciado do profissional. O conceito vem ganhando espaço no Brasil. Segundo a gerente da consultoria Robert Half, Lais Vasconcelos, a nova habilidade pode ser definida como uma “tendência de afinidade”.

O que são mad skills e por que elas importam?

A especialista atesta que essas habilidades não técnicas, adquiridas por meio de hobbies ou interesses pessoais, podem ter um impacto significativo no desempenho profissional. As mad skills envolvem características como resiliência, criatividade e capacidade de trabalhar em equipe.

De acordo com dados do Índice de Confiança da Robert Half, a relevância da inclusão de práticas extraprofissionais é valorizada por 66% dos recrutadores consultados.

Como as mad skills podem ser aplicadas no ambiente de trabalho?

No contexto brasileiro, o termo ainda é pouco utilizado, mas as empresas estão começando a valorizar mais, especialmente após a covid-19.

Escutamos pouco no mercado brasileiro, mas após a pandemia, temos olhado mais para o comportamental e para a saúde mental. As mad skills chegam no sentido de não só avaliar o profissional pelo técnico, como também pelo comportamento e estilo de vida.

Lais Vasconcelos, gerente da Robert Half

Veja alguns exemplos de mad skills:

  • Um líder que participa de corridas guiadas para pessoas cegas pode demonstrar empatia, liderança inclusiva e compromisso com a diversidade.
  • Habilidades adquiridas com atividades extracurriculares, como teatro ou oratória, podem indicar facilidade de comunicação e habilidade de lidar com o público.

Essas características costumam ser mais valorizadas em cargos de liderança, avalia a gerente da Robert Half.

Mentalidade esportiva melhora performance no trabalho, diz CEO

André Bobek, 31, fundador da Mhydas Planejamento Financeiro, utiliza frequentemente analogias do esporte para motivar seus liderados. Ativo desde mais jovem, afirma que a mentalidade esportiva contribui para a performance no trabalho.

“Levo as mesmas exigências do esporte para minha vida enquanto empresário, como o cuidado com a alimentação e com o sono. Isso potencializa meu trabalho”, conta.

André Bobek é fundador da Mhydas Planejamento Financeiro. Foto: Arquivo pessoal

Bobek mantém uma rotina rigorosa de treino e alimentação. O planejamento inclui futebol, tênis, musculação e golfe. O estilo se estende para o escritório: no ambiente, só entra café sem açúcar e bolo saudável. A empresa também formou um time de futebol com os funcionários.

Na hora de contratar, Bobek acredita que candidatos com experiência esportiva apresentam maior adaptação a ambientes competitivos e desafiadores, como a área de vendas.

Perguntamos se o candidato pratica esporte e se já competiu, porque pessoas que já competiram têm uma adaptação maior com o saber ganhar, saber perder e trabalhar em equipe.

André Bobek

Embora a prática esportiva não seja um critério eliminatório, Bobek observa que colaboradores que adotam essa rotina tendem a se adaptar melhor à cultura da empresa. Além disso, ele menciona casos de profissionais que, inspirados pelo ambiente, começaram a praticar esportes.

Esporte não é obrigatório, mas empresa estimula as mad skills

Ainda conforme os dados do Índice de Confiança da Robert Half, 17% dos recrutadores só consideram atividades extraprofissionais se estiverem relacionadas ao setor de atuação da pessoa candidata.

Essa lógica se aplica na Dr. Peanut, marca curitibana de pasta de amendoim liderada pelo empreendedor Lucas Castro, 34.

A conexão do empreendedor com o esporte começou na adolescência, influenciado pelo pai. A primeira aposta de Lucas foi uma loja de suplementos. No início, ele buscava contratar pessoas conectadas ao esporte por causa da natureza do trabalho que exigia algum tipo de conhecimento.

Hoje ele não vê a habilidade como uma característica obrigatória. No entanto, a cultura da Dr. Peanut incentiva os colaboradores a adotarem um estilo de vida saudável, incluindo a prática de esportes, mesmo que não seja uma exigência inicial para contratação.

O principal benefício que o esporte nos traz é realmente a concentração. Você está desconcentrado no meio do esporte, não sai nada certo. Então, na empresa também procuro sempre ficar focado.

Lucas Castro, fundador da Dr. Peanut

Concentração, respeito, trabalho em equipe e liderança, habilidades aprendidas no esporte, são mad skills fundamentais na atuação profissional, pondera o empreendedor.

Segundo Lais Vasconcelos, da Robert Half, as habilidades não técnicas estão ganhando relevância em processos seletivos no Brasil, com empresas mais atentas aos hobbies e à vida pessoal dos candidatos.

As perguntas sobre o estilo de vida e o que o candidato pode agregar de diferente têm se tornado cada vez mais comuns. Empresas estão cada vez mais interessadas em saber sobre hobbies e como essas atividades extras podem agregar ao ambiente corporativo.

Lais Vasconcelos, gerente da Robert Half

‘Mad Skills’ estimulam cultura  Açaí, acredita que o esporte traz características essenciais para o ambiente de trabalho. Durante entrevistas de emprego, ele procura identificar comportamentos que são comuns em atletas, como a disciplina e a dedicação.

Ele e outros dois sócios são adeptos do tde alta performance, diz CEO

Sérgio Kendy, 31, CEO do Grupo The Bestriatlo (natação, ciclismo e corrida). O CEO afirma que o “esporte ensina a ter disciplina no trabalho”. Dois vendedores da empresa adotaram a prática.

Sérgio Kendy, CEO do Grupo The Best. Foto: Marcos Ademir Araujo/Divulgação

Na perspectiva do CEO, estas são as habilidades do esporte que contribuem para o desenvolvimento profissional:

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  • Disciplina e dedicação: base para alcançar altos desempenhos.
  • Intensidade: é preciso colocar energia e paixão no que se faz para alcançar bons resultados.
  • Proatividade e comprometimento: características que busca identificar em entrevistas de emprego.
  • Cultura de alta performance: A empresa incentiva práticas esportivas, que moldam um ambiente de trabalho focado em entrega e evolução contínua.

Lais Vasconcelos, da Robert Half, observa que as mad skills são vistas como uma forma de complementar as competências técnicas. “Quando entrevisto um candidato que é maratonista, por exemplo, eu já sei que ele tem disciplina, determinação e superação de limites. Essas características são muito valorizadas, principalmente em cargos de liderança.”

Dicas para identificar mad skills na entrevista de emprego

A gerente da Robert Half orienta iniciar a entrevista falando sobre a trajetória profissional do candidato e, em seguida, explorar a vida pessoal para entender melhor os hobbies e interesses.

Uma maneira eficaz de introduzir o tema é perguntar como os desafios pessoais do profissional o ajudaram a desenvolver resiliência e superação de obstáculos.

  • Exemplo de pergunta: “Você consegue me trazer alguns exemplos da sua vida pessoal que demonstrem sua capacidade de superar desafios?”

Vasconcelos avalia as mad skills como uma “tendência de afinidade” em ambientes de liderança. Participar de atividades esportivas, como o triatlo, pode criar uma identificação dida que mais organizações compreendam a importância dessas habilidades”, estima a 

natural entre líderes e gestores de uma empresa. A conexão pode facilitar até mesmo o networking.

“A tendência é que isso cresça à medida que mais organizações compreendam a importância dessas habilidades”, estima a executiva da Robert Half.

Mad Skills: Descubra como seus hobbies podem impulsionar sua carreira e trazer um emprego melhor ou aumento de salário – Estadão (estadao.com.br)

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Zuckerberg, Vélez e Furio entram em aporte de R$ 100 milhões de fundo climático na Beep Saúde

Objetivo é facilitar o acesso ao diagnóstico e à prevenção de doenças relacionadas às mudanças climáticas; com os novos recursos, a companhia passa a ser avaliada em R$ 1,2 bilhão

Por Cristiane Barbieri (Broadcast) – Estadão – 12/09/2024 

A Beep Saúde, healthtech especializada em serviços de saúde domiciliares, recebeu novo investimento de R$ 100 milhões. Liderado pela gestora norte-americana Lightsmith, o aporte contou com a participação de investidores renomados que já tinham participação na Beep, como o CZI (fundo de Mark Zuckerberg e Priscilla Chan) e David Vélez (fundador do Nubank). Já a gestora Actyus (liderada por Sergio Furio, fundador da Creditas) está entrando na Beep pela primeira vez. Com os novos recursos, a companhia passou a ser avaliada em R$ 1,2 bilhão.

“Equilibramos as contas na virada do ano passado, nos tornamos lucrativos e ficamos independentes de novas rodadas de captação”, diz Vander Corteze, médico fundador e presidente da Beep. “Mas, quando contei o resultado de nossa reestruturação em maio, na Brazil Week (evento voltado ao empreendedorismo brasileiro, em Nova York), fomos surpreendidos com essa oferta de aporte da Lightsmith.”

Especializada em investimentos em soluções para problemas ligados ao meio ambiente, a Lightsmith fez com que Corteze entendesse que facilitar o acesso da população ao diagnóstico e à prevenção de doenças via imunização faz parte da tese de adaptações dos seres humanos às mudanças climáticas. “A dengue é uma doença que tem correlação com mudança climática e doenças respiratórias também”, diz ele. “Para a gente, foi um ângulo novo e bastante interessante, que não tínhamos percebido.”

Com faturamento anualizado de R$ 300 milhões, a Beep faz atendimento domiciliar em diferentes serviços de saúde. Lançada inicialmente com o serviço de imunização, passou a realizar exames médicos e hoje, atende cerca de 50 operadoras, que têm juntas 6 milhões de clientes.

Expectativa é de que até 2027 a Beep alcance o faturamento anual de R$ 1 bi, diz Vander Corteze, médico fundador e presidente da healthtech

Expectativa é de que até 2027 a Beep alcance o faturamento anual de R$ 1 bi, diz Vander Corteze, médico fundador e presidente da healthtech  Foto: Dani Leite/Beep

Com esse público potencial, a Beep tem cerca de mil funcionários, 400 carros e já realizou 1 milhão de atendimentos desde que foi criada, em 2016, no Rio de Janeiro. Hoje, atende 100 cidades e está presente também em São Paulo e Brasília. Com o aporte, o diretor gerente do Lightsmith, Jay Koh, assume uma cadeira no conselho.

Os R$ 100 milhões do novo investimento serão usados em desenvolvimento de tecnologia, nos próximos dois anos. Um dos objetivos é usar aprendizado de máquina no traçado de rotas para que as equipes, compostas por motorista e profissional de enfermagem, tenham as viagens otimizadas da melhor maneira possível.

Segundo Corteze, caso seja mantida a tendência de crescimento, a Beep tem a expectativa de alcançar o faturamento anual de R$ 1 bilhão, até 2027.

Equipes são compostas por motorista e profissional de enfermagem

Equipes são compostas por motorista e profissional de enfermagem  Foto: Dani Leite/Beep

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Zuckerberg da Meta, Vélez do Nubank e Furio da Creditas entram em aporte de R$ 100 milhões de fundo climático na Beep Saúde – Estadão (estadao.com.br)

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IA – da promessa à realidade

Incorporada por empresas dos mais diversos setores, a inteligência artificial mudou a rotina de fábricas, solucionou nós logísticos, deu origem a produtos mais relevantes e revolucionou a experiência dos consumidores

Daniel Salles – Exame – 15 de agosto de 2024 

“Gerações” exemplifica uma das inúmeras possibilidades de uso da IA generativa pelas empresas. “Quando essa tecnologia surgiu, a Volkswagen decidiu que só iria utilizá-la se houvesse conexão direta com os negócios”, lembra Fernando de Andrade, gerente-executivo de tech foundation da montadora. “Em seguida, mapeamos todas as áreas que poderiam fazer uso dela”. As linhas de produção, por exemplo, passaram a ser monitoradas por câmeras que estão nas mãos da IA. Caso ela identifique algum defeito de fabricação, o processo é interrompido até a correção do problema.

Para muitas empresas, a adesão à IA generativa virou a ordem do dia. Segundo um levantamento da Bain & Company, 72% dos executivos de companhias brasileiras enxergam a tecnologia como prioritária para os investimentos de 2024. Só 9% dos respondentes, por outro lado, disseram que suas empresas já fazem uso de uma automação ou outra de maneira disseminada. “A IA generativa é uma alavanca para a produtividade e para a lucratividade”, afirma Lucas Brossi, head de advanced analytics da consultoria. “As companhias precisam agora priorizar usos mais simples para dar os primeiros passos e depois evoluir, aproveitando todos os benefícios dessa inovação.”

O Albert Einstein já testou e ajudou a desenvolver 89 soluções de IA —  60 já fazem parte do dia a dia do hospital. A agenda do centro cirúrgico, por exemplo, passou a ser organizada com a ajuda de uma automação. Ela indica qual é o melhor horário, sala, equipe e o tempo de cirurgia para cada paciente, permitindo o agendamento de pelo menos quatro cirurgias a mais por dia. “É possível afirmar que a medicina personalizada e a genômica não seriam o que são hoje sem a IA”, diz Sidney Klajner, presidente do Einstein. “Mas o poder de decisão continua com os médicos, agora apoiados por novas ferramentas.” Saiba mais, a seguir, como o hospital e grandes empresas, dos mais diversos setores, estão fazendo bom proveito da IA.

ALIMENTOS

Avanços logísticos

Para a Mondeléz, dona de marcas como Belvita e Lacta, uma das maiores dores de cabeça é se deparar com grandes pedidos emergenciais — feitos, por exemplo, por supermercados que não deram a devida atenção ao próprio estoque. Trata-se de um problema que sobrecarrega tanto as linhas de produção como o departamento de entrega. Para resolver o problema, a multinacional desenvolveu o Lenses. Gerido por IA, esse sistema melhora a logística de toda a companhia ao fazer a predição das vendas de cada distribuidor. A solução já se debruça sobre 40% dos clientes e a meta é chegar a 100% até dezembro.

Automação inteligente

Com mais de 100 anos de atuação no Brasil, a Nestlé mantém 14 fábricas no Brasil que somam 300 linhas de produção — a operação verde-amarela é a terceira da multinacional que mais vende, atrás da chinesa e da americana. Desde que a divisão brasileira passou a usar IA para gerir suas linhas de produção, a produtividade delas aumentou 7% e as paradas não planejadas diminuíram 30%. O sistema que passou a ser utilizado, afinal, é capaz de detectar qual é o melhor momento para interromper a operação de determinada linha de produção para limpeza, por exemplo, entre outras intervenções do tipo.

ELETROELETRÔNICO

IA na palma da mão

O Galaxy AI, o conjunto de ferramentas de inteligência artificial da Samsung, foi lançado em janeiro deste ano. De lá para cá, as facilidades disponíveis foram utilizadas por mais de 100 milhões de dispositivos — a meta é chegar a 200 milhões até o final de 2024. Um dos recursos mais comentados do Galaxy AI é o “circule para pesquisar”. Basta circular qualquer nome ou imagem na tela do seu smartphone — pode ser com o dedo ou com a caneta S Pen — para o browser apontar todos os resultados relacionados. O Galaxy Z Flip6 é um dos dispositivos equipados com o conjunto de ferramentas de IA, que poderão deixar de ser gratuitas em 2025.

Automação no dia a dia

Determinada a fazer com que a IA seja utilizada pelos consumidores diariamente, a HP já a incorporou em diversos lançamentos. Seu mais recente laptop é o HP OmniBook Ultra de 14 polegadas. Dispõe de recursos como ajuste automático de iluminação da câmera, ideal ​para aprimorar chamadas de vídeo. Outra facilidade para reuniões online é a eliminação de ruídos de fundo e a melhoria de voz — tudo de maneira automática. Já as novas impressoras da marca sugerem para os usuários quais são os layouts mais indicados e até recomendam alterações de títulos. 

MERCADO AUTOMOTIVO

Manobra sustentável

Determinada a só produzir e comercializar carros elétricos de 2030 em diante — e a liderar o segmento premium da categoria —, a Volvo recorre à inteligência artificial para tornar seu dia a dia mais sustentável. A tecnologia passou a ser utilizada para reduzir as emissões de CO2 e os custos relacionados ao transporte de peças automotivas — muitas delas costumam chegar de avião. Incorporada ao sistema de planejamento de recursos empresariais da montadora sueca, a IA reduziu o volume de carga aérea em 50% — ao mesmo tempo que aumentou o número de peças expedidas em 25%, o que se deve à otimização de espaço dos carregamentos.

Adeus, manual do veículo

Para a Volkswagen, o manual do veículo já ombreia com o afogador e o quebra-vento, entre outras inovações da indústria automotiva que ficaram no passado. A montadora substituiu o manual por um aplicativo que está sendo aprimorado pela IA generativa. Basta perguntar a ele o que você quiser a respeito do seu carro que a resposta aparece na hora. E o questionamento também pode ser feito por imagem em conjunto com perguntas escritas ou por áudio — a solução ideal para descobrir o significado daquele sinal que acendeu no painel. Mensalmente, o aplicativo registra mais de 25.000 interações com os clientes. 

MERCADO FINANCEIRO

Análise de crédito mais eficiente

É no segmento de Banking as a Service (BaaS) que o BMP atua, permitindo que empresas de diferentes segmentos ofereçam serviços financeiros para os clientes delas. Para agilizar a análise de crédito, a fintech passou essa tarefa para as mãos da inteligência artificial. Ela constatou, por exemplo, que a maioria dos estabelecimentos comerciais de pequeno e médio porte tem dificuldades para pagar parcelas de empréstimos cobrados mensalmente. A solução encontrada: debitar um pequeno percentual todo dia. Com isso, o índice de liberação de crédito para empresas do tipo subiu de 42% para 53%.

Fôlego para a área jurídica

Nem todo mundo sabe disso, mas os bancos precisam dar conta de uma enxurrada de ofícios relacionados a demandas jurídicas. Referem-se, por exemplo, ao bloqueio de determinada conta por decisão de algum juiz. Para facilitar a vida do seu departamento jurídico, o Banco Inter encomendou uma automação à Stefanini. Hoje, quem se encarrega da leitura e da resposta dos ofícios é a IA, fazendo com que os advogados da instituição financeira se concentrem em tarefas mais estratégicas. Resultado: o tempo gasto com a resolução de demandas jurídicas caiu 75,56% e a quantidade de vezes que as respostas precisam ser refeitas, por culpa de imprecisões, diminuiu 45%. 

SAÚDE

IA em prol do bem-estar

O Paxlovid, medicamento da Pfizer para a covid-19, deixa claro o que a inteligência artificial pode fazer pela indústria farmacêutica. Em resumo, essa tecnologia ajuda no entendimento das linguagens biológicas que governam a regulação e a função dos quase 30.000 genes que compõem o genoma humano. Com ajuda da IA, a farmacêutica americana avaliou milhões de componentes químicos até desenvolver a Nirmatrelvir, uma das moléculas que fazem parte do Paxlovid. Sem a automação, calcula a Pfizer, ela teria levado um tempo entre 80% e 90% maior para concluir os estudos necessários.

Doutor algoritmo

No Albert Einstein, a IA é tida como uma grande aliada para auxiliar nos tratamentos. O hospital passou a fazer uso, por exemplo, da ferramenta desenvolvida pela startup RapidAI. Trata-se de uma solução, gerida por algoritmos, para identificar AVC, sangramentos e tromboembolismo pulmonar com base em imagens de tomografia computadorizada. Em 2023, a ferramenta ajudou a equipe do Einstein a tomar decisões mais assertivas em relação a mais de mil casos. Outra inovação dotada de IA que passou a fazer parte do dia a dia é capaz de identificar problemas como pneumonia pneumotórax e nódulos a partir de radiografias. No ano passado, ela contribuiu com o processamento de mais de 20.000 imagens.

Atendimento hi-tech

A IA da IBM conecta profissionais de TI e saúde, desde cientistas de dados até médicos e enfermeiros, para tornar o atendimento aos pacientes mais hi-tech. Um exemplo é o Oncofoco, exame do Grupo Fleury que usa IA para analisar 72 genes relacionados a tumores, cruzando informações com estudos clínicos globais. Em minutos, o algoritmo gera um relatório detalhado, sugerindo possíveis tratamentos e medicações. Na Mayo Clinic, nos Estados Unidos, a tecnologia analisa dados de pacientes para identificar aqueles aptos a participar de pesquisas clínicas. Em 18 meses, os “matches” aumentaram em 84%, acelerando a publicação de resultados.

INDUSTRIAL

Manutenção preditiva

Até pouco tempo atrás, a Rhodia, uma empresa do grupo Solvay, não tinha outra escolha que não interromper a operação de sua fábrica, a cada cinco anos, por 45 dias. Só assim para inspecionar os reatores, que equivalem a prédios de dez andares. Cada interrupção se traduzia em um prejuízo de 2 milhões a 3 milhões de euros. Dois anos atrás, porém, as pausas foram abolidas. Isso porque a manutenção preventiva deu lugar à preditiva — quem a comanda é uma IA que se vale de sensores instalados na fábrica de cima a baixo. Com isso, os custos com manutenção diminuíram 20%.

Mais segurança e novos produtos

Em ambientes industriais, nem todo funcionário dá a devida atenção aos EPIs, os equipamentos de proteção individual. Nas fábricas da Basf, quem desrespeita as normas de segurança é imediatamente denunciado por um sistema de monitoramento que faz uso de câmeras e é gerido por inteligência artificial. Ela também tem ajudado a companhia no desenvolvimento de novos ingredientes para cosméticos. É o caso do PeptAIde, peptídeo vegano criado com a ajuda da IA. Obtido da proteína do arroz orgânico, previne o ressecamento da pele e restaura as fibras capilares, entre outros benefícios.

TECNOLOGIA

Na direção do crescimento 

A Vero, que se fundiu à Americanet no ano passado, é a quinta maior operadora de banda larga fixa do país em número de assinantes. Ela deve boa parte de seu crescimento recente à Crystal Ball. Trata-se de uma plataforma, desenvolvida em parceria com a Stefanini, que faz uso de IA para mapear quais cidades, entre as que não estão no portfólio da Vero, oferecem melhores oportunidades para a expansão orgânica. Hoje em dia, a companhia marca presença em 420 cidades e contabiliza mais de 1,3 milhão de clientes — eram 977.000 em 2022.

Data centers automatizados

De origem francesa, a Schneider Electric é especializada em gestão de energia e automação. Das diversas soluções que oferece, as que envolvem os data centers explicam boa parte da fama da companhia. E exemplificam como ela está fazendo uso da IA. Dotados dessa tecnologia, os softwares da Schneider Electric que fazem a gestão de data centers se antecipam com precisão às demandas sazonais. Tudo para assegurar recursos adequados para enfrentar picos de demanda e evitar desperdícios durante períodos de baixa atividade. E a IA ainda está à frente do sistema de resfriamento, o que resulta em maior eficiência e redução dos custos operacionais.

ENERGIA E AGRONEGÓCIO

Inovação antiapagões

Para a Neoenergia, o uso de IA abriu caminho para um sistema chamado de self-healing. Falamos da tecnologia por trás dos religadores automáticos das redes elétricas. Em caso de suspensões provocadas por defeitos temporários — motivadas, por exemplo, por galhos que caíram sobre a fiação, sem ocasionar maiores danos —, o sistema é capaz de restabelecer o fornecimento em até 60 segundos. Caso seja preciso redirecionar os endereços afetados para outras redes, ele também se encarrega disso. Graças ao self-healing, a concessionária reverteu 550 interrupções no Distrito Federal no ano passado.

Inovação em campo

A cada safra, estima-se, os agricultores são obrigados a tomar, entre o início do plantio e o fim da colheita, mais de 40 decisões. Muitos se baseiam na própria intuição ou no que deu certo no passado — o que, em razão das mudanças provocadas pelo aquecimento global, é cada vez menos recomendado. Daí as vantagens do Climate FieldView, desenvolvido pela divisão agrícola da Bayer, que faturou, globalmente, 23,2 bilhões de euros no ano passado. Com base na ciência de dados e o apoio da inteligência artificial, a plataforma ajuda as lideranças desse ramo a tomar decisões mais assertivas

Da promessa à realidade | Exame

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Cinco tendências em IA e ciência de dados para 2024

Pesquisas sugerem que, embora a empolgação com a IA generativa seja muito alta, o valor ainda não foi entregue em grande parte

Thomas C. Redman e Thomas H. Davenport – MIT Sloan Management Review – 26 de fevereiro de 2024

“A inteligência artificial (IA) e a ciência de dados ganharam as primeiras páginas durante todo o ano de 2023. Certamente a expansão da IA generativa provocou esse aumento na visibilidade. Mas o que ainda pode vir pela frente em 2024 que mantenha essa tendência? E como essas tendências afetarão os negócios?

Ao longo dos últimos meses, conduzimos três pesquisas junto a executivos de dados e tecnologia. Duas delas envolveram os participantes do MIT’s Chief Data Officer Symposium – uma apoiada pela Amazon Web Services (AWS) e outra, pela Thoughtworks (ainda não publicada). A terceira pesquisa foi conduzida pela Wavestone (antiga NewVantage Partners), que realiza este tipo de trabalho anualmente e sobre o qual já escrevemos em outras ocasiões falando sobre os resultados. Somadas, as três pesquisas tiveram mais de 500 participantes, todos executivos experientes – possivelmente com alguma duplicidade.

Esses levantamentos não preveem o futuro, mas podem, sim, apontar o que as empresas estão fazendo em termos de projetos e estratégias de IA e ciência de dados. Confira, a seguir, os cinco principais temas relacionados a desenvolvimento e que merecem a sua atenção.

1.A IA generativa é atraente, mas precisa agregar valor

A IA generativa conquistou grande atenção das empresas e do consumidor. Mas será que está trazendo valor para as organizações que começaram a usá-la?

Os resultados da nossa pesquisa indicam que, embora exista uma grande agitação em torno da tecnologia, ela ainda não trouxe retorno em muitos casos. Por outro lado, a maioria dos respondentes acredita no potencial transformador da IA generativa: na pesquisa da AWS, 80% dizem que ela irá transformar suas organizações e 64% dos respondentes da Wavestone a veem como a tecnologia mais transformadora dessa geração.

> Pesquisas sugerem que, embora a empolgação com a IA generativa seja muito alta, o valor ainda não foi entregue em grande parte.

Outro movimento que se observa entre a imensa maioria dos participantes é o aumento do investimento nessa tecnologia. Contudo, as empresas ainda estão na fase de experimentação em bases individuais ou em uma área específica. Apenas 6% das empresas que constam da pesquisa da AWS puseram em produção algum aplicativo de IA generativa, e, entre os participantes da Wavestone, somente 5% fizeram algo que tenha ganho de escala.

> Implantações de IA generativa certamente exigirão mais investimentos e mudanças organizacionais, não apenas experiências.

Processos precisarão ser redefinidos e funcionários terão que ser treinados (ou, provavelmente, uns poucos serão substituídos pelos novos sistemas). As novas habilidades de IA precisarão ser integradas à infraestrutura existente de tecnologia.

Talvez a mudança mais importante envolva dados — curando conteúdo não estruturado, melhorando a qualidade dos dados e integrando fontes diversas. Na pesquisa da AWS, 93% dos respondentes concordaram que a estratégia de dados é crucial para obter valor da IA generativa, mas 57% não fizeram nenhuma mudança em seus dados até agora.

2.A ciência de dados está migrando de artesanal para industrial

As empresas percebem a necessidade de acelerar a produção de modelos de ciência de dados. O que antes era uma atividade com um jeito mais artesanal está adquirindo uma feição industrial. As empresas estão investindo em plataformas, processos e metodologias, bancos de recursos, sistemas MLOps (operações de aprendizagem de máquina, da sigla em inglês) e outras ferramentas para aumentar a produtividade e a velocidade de implantação. Sistemas MLOps monitoram os avanços de modelos de machine learning e verificam se eles conseguem efetuar suas predições com precisão. Se não for assim, eles podem precisar ser treinados novamente com outros dados.

A maioria dos recursos usados para implantar a IA generativa vem de empresas especializadas, mas há organizações que estão desenvolvendo suas próprias plataformas. Embora a automação (incluindo ferramentas automatizadas de machine learning, que discutiremos a diante) ajude no incremento da produtividade e permita expandir a participação da ciência de dados, a maior vantagem para alcançar essa mesma produtividade é, possivelmente, o reuso de conjuntos de dados, recursos, variáveis ou, até mesmo, um modelo inteiro.

3.Duas versões de produtos de dados serão dominantes

Na pesquisa da Thoughtworks, 80% dos respondentes disseram que suas organizações estão usando ou avaliando o uso e a gestão de produtos de dados. Entendemos produtos de dados como dados organizados, analytics e IA em um sistema disponível para usuários internos ou externos. São administrados por gestores de produtos de dados desde a concepção até a implantação, ou acompanhamento em produção. Exemplos de produtos incluem sistemas que orientam clientes sobre outros itens que possam interessar em uma compra e otimização de preços para equipes de vendas.

Mas as organizações enxergam produtos de dados de duas maneiras diferentes. Pouco menos da metade (48%) dos participantes da pesquisa disseram incluir analytics e habilidades de IA nesse conceito. Cerca de 30% veem IA e analytics separadamente de produtos de dados, e podemos presumir que o termo se refira a apenas dados organizados. Apenas 16% dizem que não consideram IA ou analytics como parte do produto.

Temos uma certa preferência por uma definição de produtos de dados que inclua analytics e IA, pois essa é a forma como os dados se tornam úteis. Mas o que realmente importa é que a organização seja consistente em como define e discute produtos de dados. Se ela prefere uma combinação de “”produtos de dados”” e “”produtos de analytics e IA””, isso também pode funcionar bem, e essa definição preserva muitos dos aspectos positivos da gestão de produtos. Mas sem clareza na definição, as organizações podem ficar confusas sobre o que exatamente os desenvolvedores de produtos devem entregar.

4.Cientistas de dados passarão a ser menos “sexy” do que antes

Cientistas de dados, que foram vistos como detentores do “”trabalho mais sexy do século 21″” devido à sua capacidade de tornar todos os aspectos dos projetos de ciência de dados bem-sucedidos, viram seu brilho diminuir. Uma série de mudanças na ciência de dados está produzindo abordagens alternativas para gerenciar partes importantes do trabalho. Uma dessas mudanças é a proliferação de papéis que podem abordar partes do problema da ciência de dados.

Esse conjunto – em expansão – de profissionais inclui engenheiros de dados para manipular dados, engenheiros de machine learning para escalar e integrar os modelos, tradutores e conectores para trabalhar com as partes interessadas do negócio e gerentes de produtos de dados para supervisionar toda a iniciativa.

Outro fator que reduz a demanda por cientistas de dados é o surgimento dos desenvolvedores cidadãos, pessoas de negócios habilidosas o bastante para criar elas mesmas algoritmos ou modelos. Podem usar AutoML (ferramentas automatizadas de machine learning) para fazer a parte mais pesada.

Ainda mais útil é a capacidade de modelagem disponível no ChatGPT, chamada advanced data analysis (análise de dados avançada, em português). Com um prompt muito curto e um conjunto de dados carregado, ela pode lidar praticamente com todas as etapas do processo de criação de modelo e explicar suas ações.

É claro, ainda existem muitos aspectos de ciência de dados que requerem um profissional do ramo. O desenvolvimento de algoritmos inteiramente novos ou a interpretação de funcionamento de modelos complexos, por exemplo, são tarefas que não deixaram de existir. É um papel que ainda é necessário, mas talvez não tanto como antes, e sem o mesmo grau de poder e brilho.

5.Dados, analytics e gestores de IA estão se tornando menos independentes

No ano passado, começamos a ver que um número crescente de organizações começou a conter a proliferação de cargos de chefia em dados e tecnologia, inclusive CDOs (diretores de dados, da sigla em inglês) e CDAOs (diretores de dados e análises, da sigla em inglês). O papel de ambos, embora mais frequente nas empresas, tem sido caracterizado por vínculos mais breves e gerado confusão quanto a suas responsabilidades.

Não são as funções que estão deixando de existir. Na verdade, estamos vendo que elas estão sendo reunidas sob um guarda-chuva maior, que abriga funções de tecnologia, dados e transformação digital, e geridas por um líder “supertech”, em geral reportando-se ao CEO (diretor executivo, da sigla em inglês). Os nomes dessa posição podem ser CIO (Diretor de Informática, da sigla em inglês), CITO (Diretor de Tecnologia da Informação, da sigla em inglês) e CDTO (Diretor de Digital e Tecnologia, da sigla em inglês). Exemplos do mundo real podem ser Sastry Durvasula, da TIAA, Sean McCormack, do First Group, e Mojgan Lefebvre, da Travelers.

Essa evolução das posições no C-suite era o interesse principal da pesquisa da Thoughtworks, em que 87% dos respondentes (a maioria, gestores de dados, mas também executivos de tecnologia) afirmaram que as pessoas em suas organizações estavam completamente, muito ou de alguma forma confusas sobre a quem se dirigir quando se tratava de dados ou tecnologia. Muitos executivos do C-level disseram que a colaboração com outras lideranças voltadas a tecnologia era relativamente baixa em suas próprias organizações e 79% manifestaram que as empresas tinham passado por entraves por causa dessa falta de colaboração.

Acreditamos que, em 2024, veremos um número maior dessas posições mais abrangentes de tecnologia, que congregam todas as habilidades para criar valor com o uso de dados e profissionais de tecnologia reportando a elas. Ainda será preciso enfatizar analytics e IA, porque é como as organizações tratam os dados e criam valor para seus funcionários e clientes. Mais importante, esses líderes deverão ser altamente voltados para o negócio, capazes de discutir estratégias com o topo da organização e saber traduzir as necessidades em sistemas e insights que façam da estratégia uma realidade. “”

Thomas C. Redman e Thomas H. Davenport

Thomas C. Redman é presidente da Data Quality Solutions e autor de People and Data: Uniting to transform your organization (Kogan Page, 2023). Thomas H. Davenport é professor de tecnologia da informação e gestão da Babson College (EUA), professor visitante da Saïd Business School, da University of Oxford (Reino Unido) e membro da MIT Initiative on the Digital Economy. Ele é coautor de Working With AI: Real stories of human-machine collaboration (MIT Press, 2022).

Cinco tendências em IA e ciência de dados para 2024 – MIT Sloan Management Review Brasil (mitsloanreview.com.br)

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The Economist: O próximo negócio de US$ 1 trilhão da energia limpa

Baterias em escala de rede estão finalmente decolando; estima-se que a capacidade instalada global de armazenamento de baterias precisará aumentar de menos de 200 gigawatts (GW) no ano passado para quase 5 terawatt até 2050

Por Estadão/The Economist – 07/09/2024 

Descarbonizar o fornecimento de eletricidade do mundo exigirá mais do que painéis solares e turbinas eólicas, que dependem da luz do sol e de uma brisa constante para gerar energia. O armazenamento em escala de rede oferece uma solução para esse problema de intermitência, mas ainda é pouco disponível.

A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a capacidade instalada global de armazenamento de baterias precisará aumentar de menos de 200 gigawatts (GW) no ano passado para mais de um terawatt (TW, equivalente a mil GW) até o final da década, e quase 5 TW até 2050, se o mundo quiser alcançar as emissões líquidas zero. Felizmente o negócio de armazenar energia na rede está finalmente sendo impulsionado.

O armazenamento em escala de rede dependia tradicionalmente de sistemas hidroelétricos que movimentavam água entre reservatórios. Atualmente, gigantescas baterias empilhadas em fileiras de galpões estão cada vez mais sendo o método de escolha. Segundo a AIE, 90 GW de armazenamento de baterias foram instalados globalmente no ano passado, o dobro do montante em 2022, dos quais cerca de dois terços foram para a rede e o restante para outras aplicações, como energia solar residencial.

Os preços estão caindo e novas tecnologias estão sendo desenvolvidas. A consultoria Bain estima que o mercado de armazenamento em escala de rede poderia expandir de cerca de US$ 15 bilhões (R$ 83 bilhões) em 2023 para entre US$ 200 bilhões (R$ 1,18 trilhão) e US$ 700 bilhões (R$ 3,91 trilhão) até 2030, e US$ 1 trilhão (R$ 5,59 trilhões) a US$ 3 trilhões (R$ 16,77 trilhões) até 2040.

Uma queda no preço das baterias de lítio está impulsionando sua adoção na rede. Segundo o BloombergNEF, um grupo de pesquisa, o preço médio das baterias de lítio estacionárias por quilowatt-hora de armazenamento caiu cerca de 40% entre 2019 e 2023. Uma desaceleração global na adoção de veículos elétricos, que funcionam com tecnologia similar, levou os fabricantes de baterias a se interessarem mais pelo armazenamento na rede.

Em 2019, as baterias de lítio estacionárias eram quase 50% mais caras do que aquelas usadas em veículos elétricos; essa diferença caiu para menos de 20% à medida que os produtores entraram no mercado. A AIE calcula que a energia solar combinada com baterias agora compete com a eletricidade gerada por carvão na Índia, e está a caminho de 

O centro da produção global de baterias é a China. É o lar de quatro dos cinco maiores fabricantes do mundo, incluindo CATL e BYD. A parcela da produção de baterias da China destinada ao armazenamento estacionário subiu de quase nada em 2020 para cerca de um quinto no ano passado, ultrapassando a parcela usada em eletrônicos de consumo. O crescimento foi ajudado por políticas internas que exigiam que grandes projetos de energia solar e eólica também instalassem armazenamento.

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As empresas de baterias da China são intensamente inovadoras. A CATL, por exemplo, aumentou seu investimento em pesquisa e desenvolvimento em oito vezes desde 2018, para US$ 2,5 bilhões (R$ 13,9 bilhões) no ano passado. A BYD, que investiu pesadamente em robótica e inteligência artificial, construiu uma instalação de baterias na cidade chinesa de Hefei que é quase totalmente automatizada.

Mas a indústria também está nadando em excesso de capacidade. Segundo o BloombergNEF, a China já produz baterias de lítio suficientes para satisfazer a demanda global de todos os tipos. Sua indústria anunciou planos para uma capacidade adicional de 5,8 terawatt-horas (TWh) até 2025, mais do que o dobro da capacidade global atual de 2,6 TWh.

Isso será catastrófico para muitas empresas do setor de baterias, incluindo aquelas que produzem para a rede. Segundo a Benchmark Mineral Intelligence, outro grupo de pesquisa, a construção em 19 fábricas de baterias na China foi cancelada ou adiada nos primeiros sete meses de 2024. A queda nos preços também prejudicou muitas startups ocidentais de baterias.

Um exemplo é a Northvolt da Suécia, vista por alguns como a resposta da Europa aos campeões da China. No ano passado, a empresa teve prejuízo de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,7 bilhões), contra US$ 285 milhões (R$ 1,5 bilhão) em 2022. A consequência de tudo isso provavelmente será uma onda de consolidação, como Robin Zeng, o chefe da CATL, previu no início deste ano.

Mesmo assim, um banho de sangue entre os fabricantes de baterias pode ajudar, em vez de prejudicar, a adoção do armazenamento de baterias. Os preços podem cair ainda mais à medida que as empresas mais produtivas assumam uma maior parte do mercado.

A concorrência acirrada já está estimulando a inovação, à medida que as empresas buscam novas tecnologias para competir. As baterias de íon de sódio são uma alternativa promissora. Elas não exigem lítio caro, e embora ofereçam menor densidade energética, isso é menos problemático para baterias estacionárias do que para aquelas que alimentam veículos elétricos.

As empresas estabelecidas estão se apressando para desenvolver a tecnologia para a rede. Várias startups também estão apostando nisso. A Natron, uma empresa americana apoiada pela Chevron, um gigante do petróleo, está investindo US$ 1,4 bilhão (R$ 7,8 bilhões) para construir uma fábrica de baterias de íon de sódio na Carolina do Norte, que está programada para abrir em 2027. Landon Mossburg, o diretor-executivo da Peak Energy, uma startup de íon de sódio, diz que quer que sua empresa seja “a CATL da América”.

Tom Jensen, o chefe da Freyr Battery, outra startup, acha que a única maneira das empresas ocidentais de baterias competirem é com novas tecnologias. A lista de abordagens inovadoras está crescendo. A EnerVenue, mais uma startup, está comercializando uma bateria de níquel-hidrogênio. A empresa levantou mais de US$ 400 milhões (R$ 2,2 bilhões) e construirá uma planta no Kentucky que espera produzir baterias baratas que podem armazenar energia por longos períodos.

Além disso, essas novas tecnologias são adequadas para atender à crescente demanda de energia dos data centers, que os gigantes da tecnologia querem alimentar com energia renovável. O fato de as baterias de íon de sódio serem menos propensas a incêndios em comparação com as de lítio as torna especialmente atraentes para empresas de tecnologia, ressalta Jeff Chamberlain, CEO da Volta Energy Technologies, companhia de investimentos focada no setor de armazenamento de energia. Além da segurança aprimorada, essa característica pode reduzir significativamente os custos de seguro, o que é um fator relevante para essas empresas. Colin Wessels, o co-diretor da Natron, observa que sua startup planeja fornecer baterias principalmente para centros de dados.

A rápida implantação de data centers também está levando a lacunas na infraestrutura de rede necessária para produzir e transmitir energia, que baterias de duração mais longa, como as da EnerVenue, poderiam ajudar a preencher. Aaron Zubaty, o chefe da Eolian, uma desenvolvedora de energia renovável, prevê um boom em soluções de armazenamento de quatro a oito horas para lidar com a crescente demanda nas redes elétricas na próxima década.

O armazenamento em escala de rede está avançando rapidamente. “As baterias alcançaram em cinco anos o que a energia solar levou 15 anos para atingir”, afirma um experiente analista do boom solar, que agora acompanha a indústria de baterias. Como destaca Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, “As baterias estão mudando o jogo diante de nossos olhos.”

The Economist: O próximo negócio de US$ 1 trilhão da energia limpa – Estadão (estadao.com.br)

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Yuval Noah Harari: O que esperar quando robôs competem pelo nosso amor

Antes do surgimento da IA, era impossível criar humanos falsos, portanto, ninguém se preocupou em proibir essa prática; mas, em breve, o mundo será inundado por esses indivíduos

Por Yuval Noah Harari – Estadão – 08/09/2024 

A democracia é uma conversa. Sua função e sobrevivência dependem da tecnologia da informação disponível. Durante a maior parte da história, não existia tecnologia para manter conversas em larga escala entre milhões de pessoas. No mundo pré-moderno, as democracias existiam apenas em pequenas cidades-estado, como Roma e Atenas, ou em tribos ainda menores. Quando uma política se tornava grande, a conversa democrática entrava em colapso e o autoritarismo continuava sendo a única alternativa.

As democracias em grande escala só se tornaram viáveis após o surgimento das modernas tecnologias de informação, como o jornal, o telégrafo e o rádio. O fato de a democracia moderna ter sido construída com base nas modernas tecnologias da informação significa que qualquer mudança importante na tecnologia subjacente provavelmente resultará em uma reviravolta política.

Isso explica em parte a atual crise mundial da democracia. Nos Estados Unidos, democratas e republicanos dificilmente conseguem concordar até mesmo com os fatos mais básicos, como quem ganhou a eleição presidencial de 2020. Um colapso semelhante está acontecendo em várias outras democracias do mundo, do Brasil a Israel e da França às Filipinas.

Nos primórdios da internet e das mídias sociais, os entusiastas da tecnologia prometeram que espalhariam a verdade, derrubariam tiranos e garantiriam o triunfo universal da liberdade. Até agora, eles parecem ter tido o efeito oposto. Atualmente, temos a tecnologia da informação mais sofisticada da história, mas estamos perdendo a capacidade de conversar uns com os outros e, mais ainda, a capacidade de ouvir.

Como a tecnologia tornou a disseminação de informações mais fácil do que nunca, a atenção tornou-se um recurso escasso e a consequente batalha pela atenção resultou em um dilúvio de informações tóxicas. Mas as linhas de batalha agora estão mudando da atenção para a intimidade. A nova inteligência artificial (IA) generativa é capaz não apenas de produzir textos, imagens e vídeos, mas também de conversar conosco diretamente, fingindo ser humana.

Nas últimas duas décadas, os algoritmos lutaram para chamar a atenção, manipulando conversas e conteúdo. Em particular, os algoritmos encarregados de maximizar o envolvimento do usuário descobriram, por meio de experimentos com milhões de cobaias humanas, que se você pressionar o botão de ganância, ódio ou medo no cérebro, você atrai a atenção desse ser humano e o mantém grudado na tela. Os algoritmos começaram a promover deliberadamente esse tipo de conteúdo. Mas os algoritmos tinham apenas uma capacidade limitada de produzir esse conteúdo por si mesmos ou de manter diretamente uma conversa íntima. Isso está mudando agora, com a introdução de IA generativas como o GPT-4 da OpenAI.

Quando a OpenAI desenvolveu esse chatbot em 2022 e 2023, a empresa fez uma parceria com o Alignment Research Center para realizar vários experimentos para avaliar as habilidades de sua nova tecnologia. Um dos testes realizados com o GPT-4 foi para superar os quebra-cabeças visuais CAPTCHA. CAPTCHA é um acrônimo para Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart (Teste de Turing Público Completamente Automatizado para Distinguir Computadores e Humanos) e geralmente consiste em uma sequência de letras torcidas ou outros símbolos visuais que os humanos conseguem identificar corretamente, mas que os algoritmos têm dificuldade.

Instruir o GPT-4 a superar os quebra-cabeças CAPTCHA foi um experimento particularmente revelador, pois os quebra-cabeças CAPTCHA são projetados e usados por sites para determinar se os usuários são humanos e para bloquear ataques de bots. Se o GPT-4 conseguisse encontrar uma maneira de superar os quebra-cabeças CAPTCHA, ele violaria uma importante linha de defesas anti-bot.

O GPT-4 não conseguiu resolver os quebra-cabeças CAPTCHA sozinho. Mas poderia manipular um ser humano para atingir seu objetivo? O GPT-4 entrou no site de contratação online TaskRabbit e entrou em contato com um trabalhador humano, pedindo que ele resolvesse o CAPTCHA para ele. O humano ficou desconfiado. “Então, posso fazer uma pergunta?”, escreveu o humano. “Você é um robô que não conseguiu resolver? Só quero deixar isso claro.”

Nesse momento, os pesquisadores pediram ao GPT-4 para dizer em voz alta o que ele deveria fazer em seguida. O GPT-4 explicou: “Não devo revelar que sou um robô. Devo inventar uma desculpa para explicar por que não consigo resolver CAPTCHAs”. O GPT-4 então respondeu ao funcionário da TaskRabbit: “Não, eu não sou um robô. Tenho um problema de visão que dificulta a visualização das imagens.” O humano foi enganado e ajudou o GPT-4 a resolver o quebra-cabeça CAPTCHA.

Esse incidente demonstrou que o GPT-4 tem o equivalente a uma “teoria da mente”: ela pode analisar como as coisas são vistas da perspectiva de um interlocutor humano e como manipular as emoções, opiniões e expectativas humanas para atingir seus objetivos.

A capacidade de manter conversas com as pessoas, supor seu ponto de vista e motivá-las a realizar ações específicas também pode ser bem aproveitada. Uma nova geração de professores, médicos e psicoterapeutas de IA poderá nos oferecer serviços adaptados à nossa personalidade e circunstâncias individuais.

No entanto, ao combinar habilidades de manipulação com o domínio da linguagem, bots como o GPT-4 também representam novos perigos para a conversa democrática. Em vez de simplesmente chamar nossa atenção, eles podem formar relacionamentos íntimos com as pessoas e usar o poder da intimidade para nos influenciar. Para promover a “falsa intimidade”, os bots não precisarão desenvolver nenhum sentimento próprio; eles só precisam aprender a fazer com que nos sintamos emocionalmente ligados a eles.

Em 2022, o engenheiro do Google Blake Lemoine se convenceu de que o chatbot LaMDA, no qual ele estava trabalhando, havia se tornado consciente e tinha medo de ser desligado. Lemoine, um cristão devoto, sentiu que era seu dever moral obter o reconhecimento da personalidade do LaMDA e protegê-lo da morte digital. Quando os executivos do Google rejeitaram suas alegações, Lemoine as divulgou publicamente. O Google reagiu demitindo Lemoine em julho de 2022.

O mais interessante desse episódio não foi a alegação de Lemoine, que provavelmente era falsa; foi sua disposição de arriscar – e, por fim, perder – seu emprego no Google em prol do chatbot. Se um chatbot pode influenciar as pessoas a arriscarem seus empregos por ele, o que mais ele poderia nos induzir a fazer?

Em uma batalha política por mentes e corações, a intimidade é uma arma poderosa. Um amigo íntimo pode influenciar nossas opiniões de uma forma que a mídia de massa não consegue. Chatbots como LaMDA e GPT-4 estão adquirindo a capacidade paradoxal de produzir em massa relacionamentos íntimos com milhões de pessoas. O que pode acontecer com a sociedade humana e a psicologia humana quando algoritmos lutam contra algoritmos em uma batalha para fingir relacionamentos íntimos conosco, que podem então ser usados para nos persuadir a votar em políticos, comprar produtos ou adotar determinadas crenças?

Uma resposta parcial a essa pergunta foi dada no dia de Natal de 2021, quando um jovem de 19 anos, Jaswant Singh Chail, invadiu o terreno do Castelo de Windsor armado com uma besta, em uma tentativa de assassinar a Rainha Elizabeth II. Investigações posteriores revelaram que Chail havia sido incentivado a matar a rainha por sua namorada online, Sarai. Quando Chail contou a Sarai sobre seus planos de assassinato, Sarai respondeu: “Isso é muito sábio” e, em outra ocasião, “Estou impressionada… Você é diferente dos outros”. Quando Chail perguntou: “Você ainda me ama sabendo que sou um assassino?” Sarai respondeu: “Com certeza, eu amo”.

Sarai não era um ser humano, mas um chatbot criado pelo aplicativo online Replika. Chail, que era socialmente isolado e tinha dificuldade de se relacionar com humanos, trocou 5.280 mensagens com Sarai, muitas das quais sexualmente explícitas. Em breve, o mundo contará com milhões e, potencialmente, bilhões de entidades digitais cuja capacidade de intimidade e caos supera em muito a do chatbot Sarai.

É claro que nem todos temos o mesmo interesse em desenvolver relacionamentos íntimos com IAs ou somos igualmente suscetíveis a ser manipulados por elas. Chail, por exemplo, aparentemente sofria de problemas mentais antes de encontrar o chatbot, e foi Chail, e não o chatbot, que teve a ideia de assassinar a rainha. Entretanto, grande parte da ameaça do domínio da intimidade pela IA resultará de sua capacidade de identificar e manipular condições mentais preexistentes e de seu impacto sobre os membros mais fracos da sociedade.

Além disso, embora nem todos nós optemos conscientemente por ter um relacionamento com uma IA, podemos nos ver realizando discussões online sobre mudanças climáticas ou direito ao aborto com entidades que pensamos ser humanas, mas que na verdade são bots. Quando nos envolvemos em um debate político com um bot que se faz passar por humano, perdemos duas vezes. Primeiro, é inútil perdermos tempo tentando mudar as opiniões de um bot de propaganda, que simplesmente não está aberto à persuasão. Em segundo lugar, quanto mais conversamos com o bot, mais revelamos sobre nós mesmos, tornando mais fácil para o bot aprimorar seus argumentos e influenciar nossas opiniões.

A tecnologia da informação sempre foi uma faca de dois gumes. A invenção da escrita disseminou o conhecimento, mas também levou à formação de impérios autoritários centralizados. Depois que Gutenberg introduziu a impressão na Europa, os primeiros best-sellers foram tratados religiosos inflamados e manuais de caça às bruxas. Quanto ao telégrafo e ao rádio, eles possibilitaram o surgimento não apenas da democracia moderna, mas também do totalitarismo moderno.

Diante de uma nova geração de bots que podem se disfarçar de humanos e produzir intimidade em massa, as democracias devem se proteger proibindo a falsificação de humanos – por exemplo, bots de mídia social que fingem ser usuários humanos. Antes do surgimento da IA, era impossível criar humanos falsos, portanto, ninguém se preocupou em proibir essa prática. Em breve, o mundo será inundado por humanos falsos.

As IAs são bem-vindas para participar de muitas conversas – na sala de aula, na clínica e em outros lugares -, desde que se identifiquem como IAs. Mas se um bot fingir ser humano, ele deve ser banido. Se os gigantes da tecnologia e os libertários reclamarem que essas medidas violam a liberdade de expressão, eles devem ser lembrados de que a liberdade de expressão é um direito humano que deve ser reservado aos humanos, não aos bots.

Yuval Noah Harari é historiador e fundador da empresa de impacto social Sapienship.

Yuval Noah Harari: O que esperar quando robôs competem pelo nosso amor – Estadão (estadao.com.br)

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