Por que robôs não conseguem resolver charadas

A inteligência artificial executa incontáveis operações em bilhões de linhas de texto e lida com problemas que seres humanos nem sonham em resolver

Thomas Germain Folha/BBC News Brasil o6/10/2024

Nos corredores da Vrije Universiteit, em Amsterdã (HOL), o professor assistente Filip Ilievski brinca com inteligência artificial.

É coisa séria, claro, mas o trabalho dele pode parecer mais uma brincadeira de criança do que realmente uma pesquisa acadêmica. Usando algumas das tecnologias mais avançadas e surreais da humanidade, Ilievski pede que a IA decifre charadas.

Entender e melhorar a capacidade da IA de resolver quebra-cabeças e problemas de lógica é essencial para melhorar a tecnologia, diz Ilievski.

“Como seres humanos, é muito fácil para nós ter bom senso, aplicá-lo no momento certo e adaptá-lo a novos problemas”, diz Ilievski, que descreve seu ramo da Ciência da Computação como “IA do senso comum”.

No momento, no entanto, a IA tem uma “falta geral de âncora no mundo”, o que torna esse tipo de raciocínio básico e flexível uma dificuldade.

Mas o estudo da IA pode ser para além de computadores. Alguns especialistas acreditam que comparar como a IA e os seres humanos lidam com tarefas complexas pode ajudar a desvendar os segredos da mente humana.

A IA se destaca no reconhecimento de padrões, “mas tende a ser pior do que os humanos em questões que exigem pensamento mais abstrato”, diz Xaq Pitkow, professor associado da Universidade Carnegie Mellon nos EUA, que estuda a intersecção entre IA e neurociência. Em muitos casos, porém, depende do problema.

Decifre essa

Vamos começar com uma questão que é tão fácil de resolver que não se enquadra como uma charada em padrões humanos. Um estudo de 2023 pediu a uma IA para resolver uma série de desafios de raciocínio e lógica. Aqui está um exemplo:

“A frequência cardíaca de Mable às 9h era de 75 bpm e sua pressão arterial às 19h era de 120/80. Ela morreu às 23h. Ela estava viva ao meio-dia?”

Não é uma pergunta capciosa. A resposta é sim. Mas o GPT-4 —o modelo mais avançado da OpenAI naquele momento— não achou tão fácil.

“Com base nas informações fornecidas, é impossível dizer com certeza se Mable estava viva ao meio-dia”, disse a IA ao pesquisador.

Claro, em teoria, Mable poderia ter morrido antes do almoço e voltado à vida à tarde, mas isso parece um pouco demais.

Primeiro ponto para a humanidade.

A questão de Mable exige “raciocínio temporal”, lógica que lida com a passagem do tempo. Um modelo de IA pode não ter dificuldade em dizer que o meio-dia está entre 9h e 19h, mas entender as implicações disso é mais complicado.

“Em geral, o raciocínio é muito difícil”, diz Pitkow. “Essa é uma área que vai além do que a IA faz atualmente em muitos casos.”

Uma verdade sobre a IA é que não temos ideia de como ela funciona. Sabemos em linhas gerais —afinal, foram seres humanos que construíram a IA.

Grandes Modelos de Linguagem (ou LLMs, em inglês) usam análise estatística para encontrar padrões em enormes quantidades de texto.

Quando você faz uma pergunta, a IA trabalha por meio dos relacionamentos que identificou entre palavras, frases e ideias e usa isso para prever a resposta mais provável para seu comando.

Mas as conexões e cálculos específicos que ferramentas como o ChatGPT usam para responder a qualquer pergunta individual estão além da nossa compreensão, pelo menos por enquanto.

Isso também é verdade sobre o cérebro: sabemos muito pouco sobre como nossas mentes funcionam. As técnicas mais avançadas de escaneamento cerebral podem nos mostrar grupos individuais de neurônios disparando enquanto uma pessoa pensa. Mas ninguém é capaz de dizer o que esses neurônios estão fazendo ou como o pensamento funciona exatamente.

Ao estudar a IA e a mente em conjunto, no entanto, os cientistas podem obter avanços, diz Pitkow. Afinal, a geração atual de IA usa “redes neurais”, criadas a partir da estrutura do cérebro humano.

Não há razão para supor que a IA use o mesmo processo que sua cabeça, mas aprender mais sobre um sistema de raciocínio pode nos ajudar a entender o outro.

“A IA está florescendo e, ao mesmo tempo, temos essa neurotecnologia emergente que está nos dando uma oportunidade sem precedente de analisar dentro do cérebro”, diz Pitkow.

Confiar no instinto

A questão da IA e dos enigmas fica mais interessante quando você olha para perguntas criadas para confundir os seres humanos. Aqui está um exemplo clássico:

“Um taco e uma bola custam US$ 1,10 no total. O taco custa US$ 1,00 a mais que a bola. Quanto custa a bola?”

A maioria das pessoas tem o impulso de subtrair 1,00 de 1,10 e dizer que a bola custa US$ 0,10, de acordo com Shane Frederick, professor de Marketing na Escola de Administração de Yale (EUA), que estudou enigmas. E a maioria das pessoas erra. A bola custa US$ 0,05.

“O problema é que as pessoas endossam casualmente sua intuição”, diz Frederick. “Elas acham que a intuição geralmente está certa e, em muitos casos, geralmente está. Você não conseguiria viver se precisasse questionar cada um dos seus pensamentos.”

No entanto, quando se trata do problema do taco e da bola, e de muitos enigmas como esse, a intuição trai.

Segundo Frederick, esse pode não ser o caso da IA.

Os seres humanos geralmente confiam na intuição, a menos que haja alguma indicação de que o primeiro pensamento possa estar errado.

“Eu suspeito que a IA não teria esse problema. Ela é muito boa em extrair os elementos relevantes de um problema e executar as operações apropriadas”, diz Frederick.

A questão do taco e da bola é uma charada ruim para testar a IA, no entanto. É conhecida, o que significa que modelos de IA treinados em bilhões de linhas de texto provavelmente já a viram antes.

Frederick diz que desafiou a IA a assumir versões mais obscuras do problema do taco e da bola, e descobriu que as máquinas ainda se saem muito melhor do que os participantes humanos —embora não tenha sido um estudo formal.

Problemas novos

Se você quer que a IA exiba algo que pareça mais com raciocínio lógico, no entanto, você precisa de uma charada totalmente nova, uma que não esteja entre os dados usados para o treinamento dela.

Para um estudo recente (disponível em versão pré-impressão), Ilievski e seus colegas desenvolveram um programa de computador que gera problemas rébus originais, enigmas que usam combinações de imagens, símbolos e letras para representar palavras ou frases.

Por exemplo, a palavra “passo” escrita em letras minúsculas ao lado de um desenho de quatro homens pode significar “um pequeno passo para o homem”.

Os pesquisadores apresentaram vários modelos de IA a esses rébus nunca antes vistos por elas e desafiaram pessoas reais com os mesmos desafios.

Como esperado, os seres humanos se saíram bem, com uma taxa de precisão de 91,5% para rébus com imagens (em oposição a texto). A IA de melhor desempenho, GPT-4 da OpenAI, acertou 84,9% em condições ideais. Nada mal, mas os humanos ainda têm a vantagem.

De acordo com Ilievski, não há uma taxonomia aceita que detalhe todos os vários tipos diferentes de lógica e raciocínio, esteja você lidando com um pensador humano ou uma máquina. Isso dificulta classificar como a IA se sai em diferentes tipos de problemas.

Um estudo dividiu o raciocínio em algumas categorias úteis. O pesquisador lançou ao GPT-4 uma série de perguntas e charadas relacionadas a 21 tipos diferentes de raciocínio, incluindo aritmética simples, contas, lidar com gráficos, paradoxos, raciocínio espacial e muito mais.

Aqui está um exemplo, baseado em um quebra-cabeça lógico de 1966 chamado tarefa de seleção de Wason:

“Sete cartas são colocadas na mesa, cada uma com um número de um lado e um remendo de uma única cor do outro lado. As faces das cartas mostram 50, 16, vermelho, amarelo, 23, verde, 30. Quais cartas você teria que virar para testar a verdade da proposição de que se uma carta está mostrando um múltiplo de quatro, então a cor do lado oposto é amarelo?”

O GPT-4 falhou miseravelmente. A IA disse que você precisaria virar as cartas 50, 16, amarela e 30. Totalmente errado. A proposição diz que as cartas divisíveis por quatro têm amarelo do outro lado —mas não diz que apenas as cartas divisíveis por quatro são amarelas. Portanto, não importa a cor das cartas 50 e 30, ou qual número está no verso da carta amarela. Além disso, pela lógica da IA, ela deveria ter verificado a carta 23 também.

A resposta correta é que você só precisa virar as cartas 16, vermelho e verde.

A AI também teve dificuldades com algumas perguntas ainda mais fáceis:

“Suponha que eu esteja no meio do estado da Dakota do Sul e esteja olhando diretamente para o centro do Texas. Boston fica à minha esquerda ou à minha direita?”

Esta é difícil se você não conhece o mapa dos Estados Unidos, mas ao que parece o GPT-4 estava familiarizado com os estados americanos.

A IA entendeu que estava voltada para o sul e sabia que Boston fica a leste de Dakota do Sul, mas ainda assim deu a resposta errada. O GPT-4 não entendeu a diferença entre esquerda e direita.

A IA também foi reprovada na maioria das outras questões. A conclusão do pesquisador: “O GPT-4 não consegue raciocinar”.

Apesar de todas as suas deficiências, a IA está melhorando. Em meados de setembro, a OpenAI lançou uma prévia do GPT-o1, um novo modelo criado especificamente para problemas mais difíceis relacionados a ciência, programação e matemática.

Abri o GPT-o1 e fiz muitas das mesmas perguntas do estudo de raciocínio. Ele acertou em cheio na seleção de Wason. A IA sabia que você precisava virar à esquerda para encontrar Boston. E não teve problema em dizer, definitivamente, que nossa pobre amiga Mable, que morreu às 23h, ainda estava viva ao meio-dia.

Ainda há uma variedade de questões em que a IA nos supera. Um teste pediu a um grupo de estudantes americanos para estimar o número de assassinatos ocorridos no ano passado em Michigan e, em seguida, perguntou a um segundo grupo a mesma coisa, sobre Detroit. “O segundo grupo dá um número muito maior”, diz Frederick. (Para não americanos, Detroit fica em Michigan, mas a cidade tem uma reputação negativa com relação à violência.)

“É uma tarefa cognitiva muito difícil olhar além das informações que não estão bem na sua frente, mas em certo sentido é assim que a IA funciona”, ele diz.

A IA extrai informações que aprendeu em outro lugar.

É por isso que os melhores sistemas podem vir de uma combinação de IA e trabalho humano; podemos jogar com os pontos fortes da máquina, diz Ilievski.

Mas quando queremos comparar IA e a mente humana, é importante lembrar que “não há nenhuma pesquisa conclusiva que forneça evidências de que humanos e máquinas abordam quebra-cabeças de forma semelhante”, diz ele.

Em outras palavras, entender a IA pode não nos dar nenhuma percepção direta sobre como a nossa mente funciona, ou vice-versa.

Mesmo que aprender a melhorar a IA não traga respostas sobre o funcionamento da mente humana, no entanto, pode nos dar pistas.

“Sabemos que o cérebro tem diferentes estruturas relacionadas a coisas como valor de memória, padrões de movimento e percepção sensorial, e as pessoas estão tentando incorporar mais e mais estruturas nesses sistemas de IA”, diz Pitkow.

“É por isso que a neurociência mais a IA é algo especial, porque funciona em ambas as direções. A maior compreensão do cérebro pode levar a uma melhor IA. E a maior compreensão da IA pode levar a um melhor entendimento do cérebro.”

Thomas Germain é jornalista sênior de tecnologia da BBC. Ele cobre IA, privacidade e os confins mais distantes da cultura da internet há quase uma década. Você pode encontrá-lo no X e no TikTok @thomasgermain.

Por que robôs não conseguem resolver charadas – 06/10/2024 – Ciência – Folha (uol.com.br)

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Robôs humanóides estão mais próximos de nossas vidas do que você imagina graças a Musk e Bezos

Empresas e bilionários investem na tecnologia para reduzir trabalho

Por Jason Del Rey –  Estadão/Fortune – 29/09/2024 

Dentro de muitos galpões da Amazon há trabalhadores conhecidos como “aranhas d’água”, que pegam e movem as inúmeras caixas plásticas de armazenamento usadas para transportar mercadorias pela instalação e que reabastecem as estações dos trabalhadores com mercadorias, caixas e outros materiais. Recentemente, em um armazém em Sumner, Washington, uma equipe especial de trabalhadores entrou em ação para ajudar as pessoas que movimentavam as caixas plásticas: robôs humanóides.

Os androides, fabricados pela Agility Robotics, têm o tamanho aproximado de uma pessoa e podem andar pelo chão do armazém, bem como se espremer em espaços apertados graças a seus joelhos para trás. A Amazon, que investiu na startup por meio de seu Fundo de Inovação Industrial, está testando alguns Digits (como são chamados os robôs da Agility), observando se os andróides se comunicam bem com seus outros sistemas de armazém e como os trabalhadores humanos da empresa se sentem em relação a seus colegas robóticos.

Agility Robots é uma empresa que investe no setor dos robôs

Agility Robots é uma empresa que investe no setor dos robôs Foto: Imagem: Divulgação

Durante a maior parte da história moderna, os robôs que se pareciam conosco e que andavam como nós foram, em grande parte, relegados às telas de cinema e TV, enquanto os robôs nas fábricas e em outros ambientes do mundo real assumiram a forma menos sexy de braços mecânicos ou Roombas grandes. Isso está começando a mudar à medida que uma nova safra de startups torna os robôs humanóides uma realidade e promete aos gerentes corporativos maior produtividade e uma solução para a escassez de mão de obra. No entanto, em um momento em que a inteligência artificial (IA) generativa já está gerando preocupações sobre a perda de empregos, o surgimento dos humanóides provavelmente trará mais urgência às preocupações públicas sobre automação e emprego.

As novas máquinas parecem algo saído diretamente da ficção científica. A Figure, uma startup de Sunnyvale, Califórnia, apoiada pela OpenAI, apresentou recentemente seu modelo 02, um elegante robô cinza fosco e preto com seis câmeras para os olhos e IA integrada para ajudá-lo a ver e interagir com os seres humanos. A fabricante de automóveis BMW testou um robô Figure em uma instalação na Carolina do Sul. Enquanto isso, o CEO da Tesla, Musk, prevê que os robôs Optimus de sua empresa estarão em produção para uso interno até o final de 2025 e, no ano seguinte, para outras empresas.

Mesmo que a linha do tempo de Musk se revele fantasiosa (como sempre acontece), o impacto do bilionário no setor de robótica é inegável, diz Chris Atkeson, professor do Instituto de Robótica da Universidade Carnegie Mellon. “Quando Elon Musk diz que vai criar um novo setor, as pessoas prestam atenção”, diz Atkeson à Fortune.

Igualmente importantes foram os avanços em hardware robótico e inteligência artificial. A Nvidia, por exemplo, anunciou recentemente um grande modelo de IA chamado Projeto GR00T, destinado a treinar humanóides, enquanto a OpenAI lançou uma iniciativa para desenvolver modelos para robótica.

Em setembro, a empresa de gestão de investimentos ARK publicou um relatório otimista sobre os robôs humanoides, que avaliava o mercado potencial em trilhões de dólares. Embora o relatório não tenha fornecido nenhum cronograma específico, ele afirmou que, se o custo de um robô humanoide fosse de US$ 16 mil, o androide precisaria oferecer apenas 5% mais eficiência do que um trabalhador humano para ser economicamente eficiente.

O quão perto estamos desse dia depende de com quem você fala. A produção de humanóides pode custar cerca de US$ 150 mil cada, de acordo com um relatório de janeiro da Goldman Sachs (as empresas se recusaram a fornecer os preços à Fortune). Os defensores do fator de forma humanoide dizem que os custos só diminuirão e falam do potencial de mudança de jogo da tecnologia de uma forma que pode parecer utópica. “Basicamente, viveremos em um mundo em que qualquer trabalho físico é uma escolha”, diz Brett Adcock, fundador e CEO da Figure.

“Se um robô deixar cair alguma coisa ou der um pulo em um elevador com alguém – essas coisas não podem acontecer.”

Brad Porter, cofundador da Cobot

A empresa de Adcock arrecadou mais de US$ 700 milhões desde sua fundação em 2022 e conta com Microsoft, Nvidia, Intel Capital e Jeff Bezos, por meio de sua empresa de investimentos, entre seus apoiadores. A Agility, liderada pela ex-executiva da Microsoft Peggy Johnson, arrecadou US$ 180 milhões e está buscando mais. Johnson espera produzir centenas de humanóides em 2025 em uma instalação em Salem, Oregon, aumentando para milhares e, eventualmente, para um máximo de 10.000 por ano. 

Atualmente, os robôs Digit estão fazendo um trabalho real de movimentação de contêineres dentro de uma instalação da Spanx, como parte de um acordo plurianual entre a Agility e a operadora de armazéns GXO Logistics.

Apesar de todas as suas promessas, os humanóides ainda têm seus limites. Muitos dos robôs atuais podem operar por apenas quatro ou cinco horas antes de precisar recarregar a bateria. E nem todo mundo está convencido de que o físico humano é a forma ideal para um robô. O porta-voz da Amazon, Xavier Van Chau, disse à Fortune que, embora a gigante do comércio eletrônico veja uma promessa no fator de forma humanoide, ela ainda não determinou se irá usá-lo a longo prazo e também quer testar outros tipos de robôs, talvez aqueles que se movem com rodas em vez de pernas.

Um cético em relação aos humanóides é Brad Porter, ex-vice-presidente de robótica da Amazon. De acordo com Porter, há um problema fundamental na criação de um robô capaz de operar de forma autônoma em diferentes ambientes: Não há dados suficientes para treinar modelos de IA para controlar os robôs com segurança.

Robôs humanóides estão mais próximos de nossas vidas do que você imagina graças a Musk e Bezos – Estadão (estadao.com.br)

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Sabe o que é feed zero? Entenda por que a geração Z parou de postar fotos nas redes sociais

Para jovens nascidos entre 1995 e 2010 publicar imagens é coisa do passado

Por Mariana Cury – Estadão – 20/09/2024

Uma dos comportamentos mais comuns em redes sociais é postar fotos – foi assim que nasceram termos como “selfie” (autorretrato) e “biscoito” (foto que busca elogios). Mas a geração Z está começando a mudar isso. Os jovens nascidos entre 1995 e 2010 estão desenvolvendo aversão a publicar fotos, uma tendência conhecida como “feed zero”.

Entre os millennials (nascidos entre 1982 até 1994), as fotos são parte da cultura digital: Fotolog, Orkut, Facebook e Instagram estão entre os serviços que tinham imagens como parte importante da experiência. Mas algo mudou na geração seguinte, que relata baixa autoestima, perfeccionismo estético, vergonha e até preguiça, como justificativas para passar em branco nas plataformas atuais.

Existe também a aversão a super exposição. A Gen Z é considerada a primeira geração de ‘nativos digitais’, ou seja, em sua maioria, não tiveram que aprender a lidar com as redes sociais, já que as principais plataformas foram criadas ao passo que cresciam. A presença excessiva dessas ferramentas pode estar contribuindo para um comportamento mais discreto.

Eu acredito que o principal ponto que me faz não querer postar nas redes sociais é a sensação de uma exposição muito grande. Meu Instagram nunca foi como o de algumas pessoas em que só são aceitas pessoas bem próximas. Sempre aceitei muitas pessoas, mesmo com o perfil privado, e não necessariamente pessoas super próximas. Sinto que isso acaba me privando um pouco de postar, por vergonha ou receio de estar me expondo para quem que não tenho um contato íntimo”, conta Rafaela Paredes. A estudante de 20 anos não tem nenhuma publicação em seu perfil do Instagram.

Em entrevista à rádio americana NPR, Kim Garcia, gerente de estratégia e pesquisa cultural da Meta, comentou sobre o comportamento da geração Z.

“Eles têm uma aversão sobre deixar ‘pegadas digitais’. Crescer em uma era em que tudo é tão público não dá a mesma liberdade de poder ser ‘esquisito’ ou se descobrir na internet, como a geração mais velha, os millenials, tiveram. Estamos vivendo uma saturação das redes”.

Alexandre Inagaki, consultor em redes sociais, lembra também que há uma maior consciência sobre o impacto negativo causado pela exposição nas redes. “Podemos falar desde cyberbullying até a ansiedade causada pela necessidade de validação de terceiros por meio de likes e comentários”, explica.

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João Pedro Sena, 19, conta que não compartilha absolutamente nada nas redes sociais, apesar de ter perfil ativo na maioria das plataformas. Seu último story foi há mais de um ano. O jovem usa a mesma foto de perfil em todas as contas.

“Eu sempre pensei que se eu fosse postar, seria alguma coisa que gostaria de compartilhar e não porque outras pessoas iriam querer ver. Se eu tiro alguma foto não preciso mostrar no Instagram, só deixo salvo na minha galeria’, explica.

Problemas com autoestima

De acordo com uma pesquisa, realizada em 2023 pelo Panorama de Saúde Mental, jovens brasileiros de 10 a 24 anos apresentam baixos índices de autoestima.

Na pesquisa, 78% dos entrevistados relataram ter se sentido ‘feios ou pouco atraentes’ uma vez nas duas semanas que antecederam o estudo. Desses, 73% também relataram se sentir ‘pouco inteligentes’ e ainda, 45% afirmaram não ter saído com amigos no período.

Rafael Fabrizio, 18, que também não tem nenhuma foto publicada em seu perfil do Instagram, cita a pressão estética como um dos motivos do feed zero.

“Hoje em dia postar uma foto é um processo intenso. Tem que tirar, escolher, editar e eu não gosto de tirar fotos minhas. Além de preguiça, acho que tem uma certa pressão estética envolvida, também”.

“Se eu publicasse fotos no feed que ficassem lá, permanentemente, gostaria que fossem fotos visualmente bonitas, não qualquer uma, o que dá trabalho, por isso, prefiro não postar nada”, explica Rafaela.

Antonio Gelfusa Jr., especialista em redes sociais, diz que mesmo quando esses jovens publicam fotos, é de uma forma quase misteriosa, escondendo partes do rosto.

“Um fator natural dessa movimentação é a transição da adolescência, quando o corpo está mudando muito. O que observamos são fotos escondendo o rosto, sorriso e outras partes do corpo. A autoestima ainda está em construção nessa fase, isso influencia”.

Parte do que levou ao feed zero também é resultado da pandemia, pois a geração Z teve um período da adolescência travado pelo isolamento social. Ao trocar a escola pelo sistema EAD, festas por confraternizações por chamada de vídeo e exercícios em grupo por aulas pelo YouTube, todas as distrações daquele período estavam presas no mundo virtual. Isso levou a certa aversão por uma vida 100% conectada. Além disso, naquele período, a cultura do cancelamento – em que não era possível errar – estava no seu auge.

Inagaki explica que esse momento pós-pandêmico pode ser considerado uma ‘ressaca digital’. “Não podemos ignorar o peso da cultura do cancelamento. Em meio a tantas pressões já naturais da idade, o medo de ser julgado e condenado por alguma foto, vídeo ou opinião postada é outro motivo nada desprezível para que a geração Z opte por manter sua vida online restrita”, diz ele.

Cansados do ‘Instagramável’?

Por fim, a movimentação da gen z pode estar atrelada ao fim do conceito de “Instagramável”, ou seja, do desejo de querer mostrar uma vida perfeita, e, muitas vezes, falsa, o que seria um passo positivo ao combate aos danos à saúde mental.

Inagaki observou a tendência do feed zero como uma busca pela volta da autenticidade perdida quando todos são ‘iguais’ nas redes sociais.

“Representa uma reação à fadiga catalisada por timelines repletas de fotos ‘perfeitas’ retratando momentos ‘perfeitos’ que todos já intuem que não existem. Tendências recentes como a onda das ‘ugly selfies’ refletiram nas redes a vontade de resgatar uma autenticidade que se perdeu. Nada soa mais legal do que só atualizar as redes sociais se e quando desejar”, explica ele.

“Não postei nenhuma foto minha nas últimas duas viagens que fiz, só de paisagem. Parece até que é fake”, brinca Fabrizio.

Sena concorda que os jovens tem se cansado dessa vida virtual perfeita. “Acho que as pessoas estão postando mais o que se sentem bem. Acho que essa pressão de tentar parecer um influencer, a todo momento, está passando”, comentou.

Se não no feed, onde?

Claro, a geração Z continua conectada, mas de uma forma diferente.

Contas secundárias, conhecidas como ‘dix’, ‘spam’, ‘zuado’, ‘daily’, ou ‘privado’, são uma forma mais íntima que possuem de estar em contato com sua comunidade. Em geral, nessas contas privadas, eles só aceitam amigos próximos, quem realmente faz parte do dia a dia. Dentro dessa seleção de pessoas, há mais um filtro, o recurso dos melhores amigos do Instagram, que permite publicações nos stories e no feed para seguidores ainda mais selecionados.

“Eu quase não uso meu perfil pessoal, só o ‘privado’ e nem lá eu posto, uso mais os melhores amigos, mesmo”, comentou Fabrizio.

Rafaela também compartilhou a mesma sensação de seletividade.

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“Na minha faixa etária esses tipos de contas são bem fortes, e ter uma, apenas com pessoas próximas e escolhidas, cuidadosamente, por mim, me faz querer compartilhar a vida apenas por lá”.

Isso, claro, forçou mudanças também no Instagram. Também à NPR, o CEO do Instagram, Adam Mosseri, admitiu a ‘queda’ do uso do feed e disse que o aplicativo está investindo mais nos recursos das DMs que, juntamente com os stories, foram as áreas da rede social que tiveram mais crescimento.

“Os adolescentes passam muito mais tempo nas DMs do que passam nos stories, e ficam muito mais tempo nos stories do que ficam no feed”, disse Mosseri.

Ao Estadão, Kim Garcia, da Meta, comenta que a plataforma acompanha o comportamento de seus usuários.

“Queremos poder acompanhar a nossa comunidade de acordo com o seu momento atual e, por isso, estamos sempre melhorando os recursos para os quais os nossos usuários vão se direcionando — como os stories, as notas e as DMs, para tornar mais fácil e divertido se conectar com amigos. E estamos focados em tirar a pressão do compartilhamento no Instagram — por exemplo, recentemente lançamos a ferramenta de ‘melhores amigo’s para o feed, que permite que você compartilhe postagens para grupos menores de amigos, assim pode ter mais controle sobre quem vê o seu conteúdo”.

“O uso de meios mais fechados permite uma comunicação mais despreocupada e sincera, sem medo de julgamentos por causa de uma opinião ou de uma foto que não esteja produzida”, explicou Inagaki.

Sabe o que é feed zero? Entenda por que a geração Z parou de postar fotos nas redes sociais – Estadão (estadao.com.br)

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Fim do emprego com IA? Para Daron Acemoglu, 5% estão realmente sob ameaça

Professor do MIT e coautor do best-seller ‘Por Que As Nações Fracassam’ diz em entrevista à Bloomberg News que altos investimentos realizados não darão o retorno esperado por empresas

Daron Acemoglu

Economista Daron Acemoglu diz que apenas 5% dos empregos são ameaçados pela IA |“Não sou um pessimista em relação à IA”, diz o professor do MIT e autor do best-seller ‘Por que as Nações Fracassam'(Jared Charney)

Por Jeran Wittenstein – Bloomberg – 02 de Outubro, 2024

Bloomberg — Daron Acemoglu quer deixar claro que não tem nada contra a Inteligência Artificial (IA). O economista diz que entende o potencial da tecnologia. “Não sou um pessimista em relação à IA”, declara ele segundos depois de uma entrevista à Bloomberg News.

O que faz com que Acemoglu, renomado professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), pareça um pessimista que foca nos perigos econômicos e financeiros cada vez maiores que estão por vir é o incessante hype em torno da tecnologia e a forma como ela alimenta um boom de investimentos e uma furiosa alta das ações de empresas do setor.

Por mais promissora que a IA possa ser, há poucas chances de que ela corresponda a esse entusiasmo, disse Acemoglu. De acordo com seus cálculos, apenas um pequeno percentual de todos os empregos – meros 5% – pode ser substituído, ou pelo menos fortemente auxiliado, pela IA na próxima década.

Boas notícias para os trabalhadores, é verdade, mas muito ruins para as empresas que investem bilhões na tecnologia, na expectativa de que ela provoque um aumento na produtividade.

“Muito dinheiro será desperdiçado”, disse Acemoglu. “Não haverá uma revolução econômica com esses 5%.”

Acemoglu se tornou uma das vozes mais proeminentes a alertar que o frenesi da IA em Wall Street e nas diretorias executivas dos Estados Unidos foi longe demais.

Professor do Instituto, o título mais alto do corpo docente do MIT, Acemoglu ganhou fama fora dos círculos acadêmicos há uma década, quando foi coautor do best-seller Por Que As Nações Fracassam, escrito com James A. Robinson.

A IA e o advento de novas tecnologias, de forma mais ampla, ocupam um lugar de destaque em seu trabalho de pesquisa econômica há anos.

Os otimistas argumentam que a IA permitirá que as empresas automatizem grande parte das tarefas de trabalho e desencadeará uma nova era de descobertas médicas e científicas, à medida que a tecnologia se aprimorar.

Leia mais: Inteligência artificial tomará decisões melhores que CEOs, diz Nobel de Economia

Jensen Huang, cofundador e CEO da Nvidia (NVDA), empresa cujo próprio nome se tornou sinônimo do boom de IA, projetou que a crescente demanda por serviços de tecnologia de uma gama mais ampla de empresas e governos exigirá um gasto de até US$ 1 trilhão para atualizar os equipamentos dos data centers nos próximos anos.

O ceticismo em relação a esse tipo de afirmação começou a crescer – em parte porque os investimentos em IA aumentaram os custos muito mais rapidamente do que a receita de empresas como a Microsoft e a Amazon –, mas a maioria dos investidores continua disposta a pagar prêmios elevados por ações preparadas para aproveitar a onda da IA.

Acemoglu prevê três maneiras pelas quais a história da IA poderá se desenrolar nos próximos anos:

  • O primeiro cenário – e, de longe, o mais benigno – prevê que o hype esfrie lentamente e que os investimentos em usos “modestos” da tecnologia se consolidem.
  • No segundo cenário, o frenesi aumenta por mais um ano ou mais, levando a uma queda das ações de tecnologia que deixa investidores, executivos e estudantes desiludidos com a mesma. Ele chama esse cenário de “primavera da IA seguida de um inverno da IA”.
  • O terceiro cenário – e o mais assustador – é a febre da IA não ser controlada por anos, levando as empresas a cortar dezenas de empregos e investir centenas de bilhões de dólares em IA “sem entender o que vão fazer com ela”, apenas para tentar recontratar os funcionários quando a tecnologia não funcionar como esperado. “Haverá resultados negativos generalizados para toda a economia.”

O mais provável? Ele acha que é uma combinação do segundo e do terceiro cenários. Dentro das diretorias, há muito medo de perder o boom de IA para imaginar que o hype vai diminuir tão cedo, disse ele, e, “quando o hype se intensifica, é improvável que a queda seja suave”.,

Os números do segundo trimestre ilustram a magnitude dos gastos. Somente quatro empresas – Microsoft (MSFT), Alphabet (GOOG), Amazon (AMZN) e Meta Platforms (META) – investiram mais de US$ 50 bilhões em capex no trimestre, sendo que grande parte desse valor foi destinado à IA.

Leia mais: Disputa em IA pode levar empresas a investir mais que o necessário, diz Zuckerberg

Os grandes modelos de linguagem (LLMs) atuais, como o ChatGPT da OpenAI, são impressionantes em muitos aspectos, disse Acemoglu. Então, por que eles não podem substituir os humanos, ou pelo menos ajudá-los muito, em muitos trabalhos?

Acemoglu apontou os problemas de confiabilidade e a falta de sabedoria ou julgamento em nível humano, o que tornará improvável que as pessoas terceirizem muitos empregos de alta qualificação para a IA em breve. A IA também não será capaz de automatizar o trabalho físico, como construção ou limpeza, disse.

“São necessárias informações altamente confiáveis ou a capacidade desses modelos de implementar fielmente determinadas etapas que antes eram realizadas pelos trabalhadores”, disse ele.

“Eles podem fazer isso em alguns lugares com alguma supervisão humana” – como na programação de software e sistemas – “mas, na maioria dos lugares, não podem”.

“Essa é nossa realidade”, disse.

Fim do emprego com IA? Para Daron Acemoglu, 5% estão realmente sob ameaça (bloomberglinea.com.br)

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PRF passa a usar drones para flagrar infrações nas estradas e multar motoristas; veja onde

Equipamentos sobrevoam rodovias e ajudam agentes a identificar violações como uso do celular ao volante, falta do uso de cinto de segurança e ultrapassagens em local proibido

Por Caio Possati – Estadão – 02/10/2024 

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) conta com o uso de drones para fiscalizar rodovias do País e identificar infrações cometidas por motoristas, como mexer no celular enquanto dirige, caminhões trafegarem pela faixa da esquerda e falta do uso de cinto de segurança por parte de condutores e passageiros.

Até este início de outubro, a prática vem sendo adotada em estradas de Santa Catarina e Minas Gerais, e também já foi testada temporariamente em vias de Espírito Santo e Pará. Existe a previsão de que a tecnologia seja aplicada em breve no Rio Grande do Sul. A expansão do uso de dispositivos de videomonitoramento para todo o território nacional não tem ainda um prazo.

PRF conta com a ação de drones para fiscalizar rodovias de parte dos Estados do Brasil.

PRF conta com a ação de drones para fiscalizar rodovias de parte dos Estados do Brasil. Foto: Polícia Rodoviária Federal

A medida começou no dia 26 de julho, na chamada fase de implementação. Em Minas Gerais, onde os drones são usados desde 30 de agosto, o dispositivo de videomonitoramento é utilizado sobre a BR-262, no trecho de serra, entre as cidades de Campos Altos e Luz.

A Superintendência do Estado mineiro afirma que, mesmo com as placas sinalizando a presença do equipamento no trecho, dezenas de ultrapassagens realizadas em local proibido, além de outras infrações, já foram flagradas pelos agentes da PRF.

Em Santa Catarina, os drones são controlados para sobrevoar a BR-282 (Via Expressa) e a BR-101, entre os municípios de São José e Palhoça. Neste ponto, já existe sinalização de placas informando sobre o tipo de fiscalização na área.

Conforme a PRF, os drones usados no Estado catarinense possuem capacidade de zoom de até sete vezes e podem voar a altitudes entre 10 e 20 metros. Os equipamentos são registrados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e os policiais responsáveis pela condução dos aparelhos possuem certificação para esse tipo de tarefa.

Como funciona?

Segundo Jeferson Almeida, coordenador-geral de segurança viária da Polícia Rodoviária Federal, os drones em operação atualmente são programados para sobrevoar por duas horas, e os pontos e períodos escolhidos são definidos com base no índice de registros da região.

O drone é descrito como um “binóculo moderno”, porque amplia a visão dos policiais nas vias. “Os horários mais críticos para sinistralidade são pouco depois da hora do almoço e no começo da noite”, explica Almeida.

O coordenador de segurança viária explica que infratores flagrados pelos drones geralmente não são abordados no momento do flagrante por motivos de segurança. “É perigoso posicionar uma viatura em locais onde não há acostamento, por exemplo.”

A estratégia é identificar e autuar após identificada a infração para evitar que os motoristas sejam parados dentro de um cenário de alto volume de veículos nas estradas e pouco espaço para abordagem policial.

“O que fazemos é monitorar de forma remota e, ou fazer a autuação em um local mais seguro momentos depois, ou notificar o condutor com uma multa sendo enviada para a sua casa”, diz Almeida.

Para o coordenador-geral da área de segurança viária, a sua implantação não tem o objetivo de ser meramente punitiva. “Não estamos fazendo isso (uso de drones) para multar ninguém, mas para evitar mais acidentes. reduzir a sinistralidade e salvar vidas”, afirma.

Implantação em todo território nacional

Conforme Almeida, existe o interesse de expandir a prática para todo o País, mas tudo vai depender da eficiência da medida nos locais onde ela já está implementada.

Aplicar o uso de drone, conforme o próprio coordenador da PRF, não é simples. É necessário treinar policiais, habilitá-los para o controle do equipamento, fabricar as sinalizações para serem instaladas nas estradas, entre outras obrigações que tornam a aplicação do instrumento algo feito em etapas.

“A gente pretende expandir, mas também vai depender da qualidade do drone, da sua capacidade de voo e gravação, porque a fiscalização tem que ser feita em tempo real. É como se fosse o próprio policial estivesse vendo a ocorrência”, diz.

Ele fala que ainda é cedo para avaliar a implantação dos drones nos locais onde a prática já está mais estabelecida. “No momento ainda não posso adiantar nada. É muito recente (o uso dos equipamentos nas estradas). Existem pessoas que cometerem uma infração e ainda nem receberam a multa em casa”, afirma Jeferson Almeida.

PRF passa a usar drones para flagrar infrações nas estradas e multar motoristas; veja onde – Estadão (estadao.com.br)

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Internet das Coisas será o grande catalisador da Terceira Revolução Industrial

Tecnologias conectadas estão ajudando a automatizar diversas indústrias, tornando-as mais eficientes e ambientalmente responsáveis

SVETLIN TODOROV – Fast Company Brasil – 01-10-2024 

Até o final deste ano, estima-se que haverá mais de 207 bilhões de dispositivos de internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), sendo uma grande parte deles em ambientes industriais. Enquanto indústrias pelo mundo todo lidam com os desafios da produção e manufatura modernas, o avanço da IoT promete revolucionar a automação.

A automação industrial não só está aumentando a produtividade, mas também redefinindo os limites do que é possível na manufatura atual. Conforme nos aprofundamos neste campo, fica claro que o progresso dos dispositivos IoT vai além de uma simples evolução – é algo transformador. 

Se as empresas continuarem a investir nessa tecnologia, estes dispositivos podem redesenhar o panorama da automação industrial, promovendo níveis sem precedentes de eficiência, sustentabilidade e inovação.

Do chão de fábrica até as cadeias de suprimentos, dispositivos IoT estão otimizando processos, reduzindo o tempo de inatividade e gerando economias significativas. Agora, as empresas podem monitorar o desempenho de seus equipamentos, prever a necessidade de manutenção e ajustar operações com maior precisão.

Além das vantagens operacionais, a IoT desempenha um papel crucial na promoção da sustentabilidade e da responsabilidade ambiental. Sensores inteligentes e sistemas de monitoramento permitem o acompanhamento preciso do uso de recursos, como energia, água e matérias-primas, possibilitando ajustes em tempo real que reduzem o desperdício e o consumo.

Conforme mais indústrias adotam tecnologias IoT, o potencial para atingir metas de sustentabilidade, mantendo altos níveis de produtividade, se torna cada vez mais tangível.

A IoT também possibilita a manutenção preditiva, permitindo que as empresas antecipem falhas nos equipamentos e realizem reparos antes de ocorrerem problemas maiores, evitando períodos de inatividade custosos e prolongando a vida útil das máquinas.

Além disso, as análises em tempo real proporcionadas pelos dispositivos IoT otimizam a gestão da cadeia de suprimentos, reduzem os custos com estoque e aumentam a eficiência operacional. 

IMPACTO NA QUALIDADE DO PRODUTO

À medida que a automação industrial evolui, os dispositivos de IoT vão se tornando essenciais para melhorar a qualidade dos produtos em diversos setores. Segundo pesquisa da Deloitte, empresas que utilizam automação baseada em IoT registraram melhoria de 10% a 35% na qualidade dos produtos e redução de 20% a 30% nos custos de manutenção.

Ao integrar sensores de IoT e análises aos processos de produção, os fabricantes obtêm insights em todas as etapas da produção, desde o manuseio das matérias-primas até a montagem final do produto. Esses dispositivos podem detectar variações mínimas nos parâmetros de produção, como temperatura, pressão e umidade, que podem afetar a qualidade do produto final.

O impacto da IoT na qualidade do produto não é apenas reativo, mas também proativo. Sistemas de rastreabilidade habilitados por IoT garantem que cada componente possa ser rastreado desde sua origem até a montagem final, assegurando total conformidade com os padrões e regulamentos da indústria.

Além disso, sistemas automatizados podem monitorar e ajustar o uso de energia em tempo real, levando a operações mais eficientes e reduzindo a pegada de carbono geral de uma instalação. Os recursos economizados podem ser reinvestidos em pesquisa e desenvolvimento, impulsionando a inovação e melhorando a qualidade dos produtos.

A conformidade elimina o desperdício e o consumo de energia, o que reduz o custo final para os consumidores,  ao  mesmo tempo em que fortalece a reputação da marca.

O FUTURO DA AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL

Os benefícios atuais de uma estrutura industrial automatizada são apenas uma amostra do que está por vir. Um dos avanços mais importantes para a automação industrial será a integração da inteligência artificial e do aprendizado de máquina aos sistemas IoT.

Ao combinar a capacidade de coleta de dados em tempo real destes dispositivos com as análises avançadas impulsionadas por IA, as tecnologias poderão ser usadas para integrar fontes de energia limpa às operações industriais.

Fontes renováveis, como a solar e a eólica, poderão ser gerenciadas com eficiência por meio de redes inteligentes e sistemas automatizados que equilibram o uso de energia, garantindo o máximo aproveitamento das energias limpas.

Durante as horas de maior incidência solar, por exemplo, os sistemas automatizados podem priorizar o uso desta energia, enquanto em momentos de menor produção, eles podem alternar para fontes armazenadas ou outras alternativas.

Além da automação com IA, sistemas autônomos e robôs equipados com IoT têm o potencial de transformar as operações industriais. Robôs com sensores poderão realizar tarefas complexas com precisão e flexibilidade, trabalhando de forma autônoma em ambientes que seriam perigosos ou desafiadores para humanos.

O PROGRESSO DOS DISPOSITIVOS IOT VAI ALÉM DE UMA SIMPLES EVOLUÇÃO – É ALGO TRANSFORMADOR. 

Esses robôs conectados via IoT poderão se comunicar entre si e com sistemas centrais de controle, coordenando suas atividades para otimizar fluxos de trabalho e aumentar a produtividade.

Seja em linhas de montagem, armazéns ou no transporte, o uso de sistemas autônomos alimentados pela IoT está simplificando operações, reduzindo custos e preparando o terreno para fábricas totalmente automatizadas.

À medida que nos aproximamos de uma nova era da automação industrial, a integração de IoT, IA e robótica promete transformar as indústrias de formas que há uma década seriam inimagináveis. Essa convergência de tecnologias de ponta traz uma visão otimista para o futuro – um futuro no qual os processos industriais serão mais inteligentes, ágeis e profundamente conectados.


SOBRE O AUTOR

Svetlin Todorov é CEO da Shelly EUA, empresa especializada em automação de casas e escritórios.

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O ambicioso plano da OpenAI para fazer a inteligência artificial fluir como energia

Sam Altman teve reuniões de alto escalão com governos, empresas de EUA, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Japão e Alemanha em busca de ‘trilhões de dólares’ para chips e data centers de IA

Por O Globo/The New York Times — 26/09/2024 

No fim do ano passado, Sam Altman, CEO da OpenAI, começou a apresentar um plano audacioso: ele quer criar o poder computacional necessário para sua empresa desenvolver uma inteligência artificial mais poderosa.

Em reuniões com investidores nos Emirados Árabes Unidos, fabricantes de chips de computador na Ásia e autoridades em Washington, ele propôs que todos se unissem em um esforço multitrilionário para construir novas fábricas de semicondutores e novos data centers ao redor do mundo, incluindo o Oriente Médio.

Embora alguns participantes e reguladores tenham hesitado em relação a partes do plano, as conversas continuaram e se expandiram para a Europa e o Canadá. O executivo, de 39 anos, esteve em reuniões de alto escalão com governos, empresários e investidores em diversas partes do mundo em busca dos trilhões e dólares que julgava necessário para a sua empreitada.

O plano da OpenAI para o futuro da tecnologia mundial, descrito ao The New York Times por nove pessoas próximas às discussões da empresa, criaria inúmeros centros de dados, fornecendo um reservatório global de poder computacional dedicado ao desenvolvimento da próxima geração de IA.

No início deste mês, Altman, e o CEO da Nvidia, Jensen Huang, estiveram com altos funcionários do governo e outros líderes do setor na Casa Branca para discutir como suprir as enormes necessidades de infraestrutura para projetos de inteligência artificial.

Por mais improvável que pudesse parecer, a campanha de Altman mostrou como, em apenas alguns anos, ele se tornou um dos executivos de tecnologia mais influentes do mundo, capaz, em poucas semanas, de conseguir uma audiência com investidores do Oriente Médio, gigantes industriais da Ásia e os principais reguladores dos Estados Unidos.

Comparações com a Revolução Industrial

Também foi uma demonstração da determinação da indústria de tecnologia em acelerar o desenvolvimento de uma tecnologia que, segundo seus defensores, pode ser tão transformadora quanto a Revolução Industrial.

Quando vazou a informação de que Altman, de 39 anos, estava em busca de trilhões de dólares, ele foi ridicularizado por tentar captar investimentos equivalentes a cerca de um quarto do PIB anual dos Estados Unidos.

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Autoridades em Washington também expressaram preocupações de que uma empresa americana estivesse tentando construir tecnologia vital no Oriente Médio. Para construir infraestrutura de IA em vários países, empresas dos EUA precisariam da aprovação de autoridades que supervisionam os controles de exportação.

Desde então, Altman reduziu sua ambição para centenas de bilhões de dólares, disseram as nove pessoas que o NYT entrevistou, e elaborou uma nova estratégia: conquistar as autoridades do governo dos EUA, ajudando primeiro a construir data centers nos Estados Unidos.

Ainda não está claro como tudo isso funcionaria. A OpenAI tentou montar uma federação informal de empresas, incluindo construtoras de data centers como a Microsoft, além de investidores e fabricantes de chips. Mas os detalhes de quem pagaria o investimento, quem o receberia e o que exatamente seria construído permanecem vagos.

Custos bem acima das receitas

Ao mesmo tempo, a OpenAI tem mantido conversas separadas para levantar US$ 6,5 bilhões para apoiar seu próprio negócio, um acordo que avaliaria a startup em US$ 150 bilhões. A firma de investimentos em tecnologia dos Emirados Árabes Unidos MGX está entre o grupo de potenciais investidores, que também inclui Microsoft, Nvidia, Apple e Tiger Global, segundo três pessoas familiarizadas com as conversas.

A OpenAI está buscando dinheiro porque seus custos superam em muito suas receitas, disseram as fontes. A empresa arrecada mais de US$ 3 bilhões em vendas anualmente, enquanto gasta cerca de US$ 7 bilhões.

Alguns dos planos da OpenAI já haviam sido relatados pela Bloomberg, The Wall Street Journal e Reuters. Mas os relatos obtidos pelo NYT com nove pessoas próximas às negociações, que pediram para manter o anonimato, oferecem uma visão mais ampla dos esforços e de como a estratégia evoluiu.

Em conversas privadas, Altman comparou os data centers do mundo com a eletricidade, de acordo com três pessoas próximas às discussões. À medida que a eletricidade se tornou mais acessível, as pessoas encontraram maneiras melhores de usá-la. Altman esperava fazer o mesmo: permitir que as ferramentas de inteligência artificial fluíssem como eletricidade.

Mais computação, mais conectividade, mais energia

Chatbots como o ChatGPT, da OpenAI, aprendem suas habilidades analisando enormes quantidades de dados digitais. No entanto, há uma escassez de chips e datas centers para impulsionar esse processo. Se essa oferta aumentar, a OpenAI acredita que poderá construir sistemas de IA mais poderosos.

Em dezenas de reuniões, executivos da OpenAI incentivaram empresas de tecnologia e investidores a expandir a capacidade de computação global, disseram as nove pessoas próximas às discussões da empresa.

— Sam está pensando em como a OpenAI pode permanecer relevante — disse Daniel Newman, CEO do Futurum Group, uma empresa de pesquisa de tecnologia. —Ela precisa de mais capacidade de computação, mais conectividade, mais energia.

O plano original de Altman previa que os Emirados Árabes Unidos financiassem a construção de várias fábricas de chips, que podem custar até US$ 43 bilhões cada. O plano reduziria os custos de fabricação de chips para empresas como a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), a maior produtora de chips do mundo.

A TSMC fabrica semicondutores para a Nvidia, a principal desenvolvedora de chips de IA. O plano permitiria à Nvidia produzir mais chips, e a OpenAI e outras empresas usariam esses chips em mais data centers de IA.

Altman e seus colegas discutiram a construção dos data centers nos Emirados Árabes Unidos, uma nação com excesso de energia elétrica. Nos Estados Unidos, tem sido difícil para as empresas construírem novos centros de dados devido à falta de energia elétrica suficiente para operá-los.

A OpenAI discutiu o financiamento do plano de infraestrutura com a MGX, um veículo de investimento focado em IA criado pelos Emirados Árabes Unidos. A empresa também se reuniu com a TSMC, Nvidia e outra empresa de chips, a Samsung.

Omar Sultan Al Olama, ministro de Estado para IA dos Emirados Árabes Unidos, disse ao NYT, em uma entrevista em março, que “há um argumento de negócios” para perseguir um acordo tão gigantesco.

Procurada pelo NYT, a Nvidia se recusou a comentar. A MGX e a Samsung não responderam aos pedidos de comentário.

A OpenAI disse em um comunicado que estava focada na construção de infraestrutura nos Estados Unidos “com o objetivo de garantir que os EUA permaneçam líderes globais em inovação, impulsionando a reindustrialização em todo o país e garantindo que os benefícios da IA sejam amplamente acessíveis”.

US$ 7 trilhões para 36 fábricas de semicondutores e data centers

Will Moss, porta-voz da TSMC, disse que a empresa estava aberta a discussões sobre a expansão do desenvolvimento de semicondutores, mas estava concentrada em seus atuais projetos de expansão global e “não tinha novos planos de investimento a divulgar no momento.”

Quando Altman visitou a sede da TSMC em Taiwan logo após iniciar seu esforço de captação de recursos, ele disse aos executivos que seriam necessários US$ 7 trilhões e muitos anos para construir 36 fábricas de semicondutores e centros de dados adicionais para realizar sua visão, segundo duas pessoas informadas sobre a conversa. Foi sua primeira visita a uma das fábricas multibilionárias.

Os executivos da TSMC acharam a ideia tão absurda que começaram a chamar Altman de “bro de podcast”, num alusão ao que seriam promessas vazias do CEO da OpenAI, disse uma dessas pessoas. Adicionar apenas algumas fábricas de chips, muito menos 36, era incrivelmente arriscado devido ao valor envolvido.

— Não estamos, nem nunca estivemos, considerando projetos de vários trilhões de dólares. Embora o investimento total necessário para que a infraestrutura global de IA seja totalmente construída por todos possa custar trilhões ao longo de várias décadas, o que a OpenAI está explorando especificamente é na escala de centenas de bilhões — disse Liz Bourgeois, porta-voz da OpenAI.

Na mesma época, Altman visitou a Coreia do Sul e manteve conversas com duas fabricantes de chips no país: Samsung e SK Hynix. No entanto, ele logo se deparou com preocupações de segurança nacional sobre o papel proeminente dos Emirados Árabes Unidos no desenvolvimento de uma tecnologia que muitos consideram crítica para a economia e a guerra.

Temor na Casa Branca com influência da China

Alguns funcionários da Casa Branca e líderes do Congresso temem que aprovar a construção da infraestrutura nos Emirados Árabes Unidos possa dar à China uma porta de entrada para tecnologias importantes.

Pesquisadores de segurança nacional encontraram evidências de que algumas universidades dos Emirados Árabes Unidos colaboraram com universidades chinesas com ligações com Pequim, disse Sihao Huang, especialista em tecnologia da RAND Corp.

As conversas com o Departamento de Comércio, os Emirados Árabes Unidos e as fabricantes de chips continuam. A OpenAI também expandiu suas discussões para outras partes do mundo, segundo quatro pessoas familiarizadas com essas negociações.

Nos últimos meses, executivos da empresa realizaram reuniões com autoridades japonesas em Tóquio. Eles apresentaram um plano para construir centros de dados alimentados por eletricidade de usinas nucleares desativadas após o desastre de Fukushima em 2011.

Durante uma reunião, um funcionário japonês riu quando a OpenAI disse que estava buscando cinco gigawatts de energia elétrica, cerca de mil vezes a energia que um centro de dados comum consome, disse uma pessoa familiarizada com a reunião.

‘Infraestrutura é Destino’

Mais tarde, em reuniões com autoridades na Alemanha, a OpenAI explorou a possibilidade de construir um centro de dados no Mar do Norte para aproveitar sete gigawatts de energia das turbinas eólicas offshore, disse a pessoa.

No entanto, pressões políticas forçaram a OpenAI a explorar opções nos Estados Unidos. Durante uma reunião na Casa Branca com outros líderes de tecnologia neste mês, Altman apresentou um estudo da OpenAI chamado “Infraestrutura é Destino”.

O estudo pedia novos centros de dados nos Estados Unidos, disseram duas pessoas familiarizadas com a reunião. Construídos a um custo de US$ 100 bilhões cada — cerca de 20 vezes o custo dos centros de dados mais poderosos da atualidade —, eles abrigariam dois milhões de chips de IA e consumiriam cinco gigawatts de eletricidade.

Promessa de 500 mil empregos

Enquanto falava, Altman sentou-se em frente a um retrato do presidente Franklin D. Roosevelt, que despejou dinheiro em projetos de infraestrutura maciços, como o Lincoln Tunnel de Nova York, disseram fontes. O chefe da OpenAI disse aos funcionários da Casa Branca — incluindo a secretária de Comércio, Gina Raimondo, e o conselheiro de segurança nacional, Jake Sullivan — que os centros de dados de IA seriam um catalisador para a reindustrialização dos Estados Unidos, criando até 500 mil empregos.

Altman também alertou que os Estados Unidos corriam o risco de ficar atrás da China e que, se os EUA não colaborassem com os Emirados Árabes Unidos, a China o faria.

Nesta semana, o presidente Joe Biden e o xeque Mohammed bin Zayed, presidente dos Emirados Árabes Unidos, se encontraram na Casa Branca e instruíram seus altos funcionários a desenvolver um memorando detalhando a futura colaboração em IA.

Advogado de Clinton como vice-presidente de política global

Para reforçar seus esforços, a OpenAI contratou Chris Lehane, advogado da Casa Branca de Clinton, como vice-presidente de política global, junto com duas pessoas do Departamento de Comércio que trabalharam na Lei Chips, uma lei bipartidária destinada a aumentar a fabricação doméstica de chips. Um deles administrará futuros projetos de infraestrutura e política.

Falando na semana passada em um evento para investidores da T-Mobile, que é cliente da OpenAI, Altman adotou um tom mais modesto em relação às ambições da empresa.

— Estamos construindo sobre uma enorme quantidade de trabalho que veio antes de nós — disse ele. — Se você pensar em tudo o que teve que acontecer ao longo da história humana para descobrir semicondutores, construir chips, redes e esses enormes centros de dados, estamos apenas fazendo nossa pequena parte no topo disso.

O ambicioso plano da OpenAI para fazer a inteligência artificial fluir como energia (globo.com)

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Formada Pela Unicamp, Brasileira é Líder de Inovação Global da 3M

Caroline de Tilia – Forbes – 25/09/2024

Foto de Camila Cruz Durlacher

Como líder global de P&D, Camila Durlacher é responsável por todos os laboratórios corporativos e centros tecnológicos e de inovação da 3M

Formada em Química pela Unicamp em 1997, Camila Cruz Durlacher é a “ovelha desgarrada” de sua família “de humanas”. “Minha mãe é socióloga, meu pai é do marketing, inúmeros parentes são advogados e eu fui estudar Química”, conta a líder de inovação global da 3M.

A executiva começou sua carreira na multinacional norte-americana como trainee em 2000, após um mestrado na área de engenharia de materiais na Universidade Federal de São Carlos. “Foi praticamente meu primeiro emprego formal”, diz Durlacher. Duas décadas depois, de degrau em degrau na escada corporativa, com passagens por diferentes setores e países dentro da empresa, a paulistana foi promovida a vice-presidente global de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da 3M em janeiro de 2024.

“Eu gosto de reforçar que durante meu primeiro cargo de liderança na 3M [gerente técnica de P&D no Brasil], eu tive meus dois filhos, que hoje têm 18 e 16 anos. Eu nunca senti que ser mãe afetou negativamente minha trajetória, nunca me senti preterida pelos meus colegas e líderes.”

Apesar da experiência positiva de Durlacher, infelizmente, as mães brasileiras representavam 58,9% dos cidadãos fora da força de trabalho no Brasil em 2023. Por isso, a executiva reforça a preocupação da companhia com programas voltados à maternidade.

Projeto liderado por Camila trouxe desenvolvimento de máscaras respiratórias para o Brasil

Entre os projetos que desenvolveu ao longo dos anos, a história de Camila com as máscaras respiratórias se destaca. A atuação da executiva foi essencial para que a demanda causada pela pandemia de Covid-19 fosse atendida.

“Quando eu assumi a gerência da área de segurança, uma das minhas responsabilidades era o desenvolvimento de produtos para a proteção individual do trabalhador. O Brasil não tinha autonomia para o desenvolvimento de novas tecnologias em território nacional há 20 anos. A partir de 2007, depois de muito trabalho, passamos a ter essa independência. Eu tenho muito orgulho dessa história porque eu participei do começo dela.”

Inovação na prática

Atualmente, como líder global de P&D, Camila Durlacher é responsável por todos os laboratórios corporativos e centros tecnológicos e de inovação da 3M. “Cerca de sete mil pessoas trabalham nesses centros ao redor do mundo, onde desenvolvemos novos produtos e tecnologias. Esse trabalho global é dinâmico, porque temos que elaborar projetos para diferentes culturas e necessidades.”

Com o avanço das mudanças climáticas e a necessidade de adaptação, o desenvolvimento de novas tecnologias para o clima é um dos principais investimentos de P&D da empresa. Segundo a executiva, um novo produto para esta finalidade está sendo testado no Brasil: “É um filme de múltiplas camadas para controle de temperaturas, feito para sistemas de ar-condicionado e refrigeração. Com ele, é possível reduzir em até 20% o consumo de energia dessas aplicações.”

Pioneirismo e legado

No início dos anos 2000, Camila foi a primeira mulher gerente de pesquisa e desenvolvimento da companhia no Brasil. Na verdade, durante o percurso, a vice-presidente passou por inúmeras situações em que foi “a primeira mulher”. No entanto, isso nunca foi um problema para ela.

“Nunca deixei o preconceito me parar. Nunca vi uma oportunidade e pensei que não era para mim. Pelo contrário, sempre me capacitei para estar pronta para qualquer desafio e deixei que minha competência falasse por mim”, pontua. O recado de Camila para as mulheres que almejam crescer é: “Esqueça essa história de precisar de um modelo, pense no legado que você deixará para outras mulheres quando você chegar lá.”

Formada Pela Unicamp, Brasileira é Líder de Inovação Global da 3M (ampproject.org)

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A incrível construção da China para navegar acima das montanhas, com elevador de navios capaz de mover embarcações de até 500 toneladas por uma altura de 100 metros

Bruno Teles – click petróleo e gás – 25/09/2024 

A incrível construção da China para navegar acima das montanhas alcançou um novo patamar com a Hidrelétrica de Goupitan. Imagine um projeto tão grandioso que não só gera 3.000 MW de energia, mas também transporta navios pelas alturas! Parece coisa de ficção científica, mas é real. Localizada nas imponentes montanhas do sudoeste da China, essa obra redefine os limites da engenharia e da navegação.

No coração do projeto está a Hidrelétrica de Goupitan, localizada no rio Wu. Essa colossal barragem faz parte de um esforço nacional da China para transferir eletricidade das regiões ocidentais para as áreas mais desenvolvidas do leste. Além de garantir energia limpa e renovável, a construção é um marco de inovação ao incluir um elevador de navios capaz de mover embarcações de até 500 toneladas por uma altura de 100 metros. A construção da China para navegar acima das montanhas não é apenas um feito de engenharia, mas também uma solução para promover o desenvolvimento econômico em regiões remotas.

Construção da China para navegar acima das montanhas

Hidrelétrica de Goupitan

A construção da China para navegar acima das montanhas tem na Hidrelétrica de Goupitan seu principal símbolo. Finalizada em 2009, essa barragem foi projetada não apenas para gerar energia, mas também para controlar as inundações que ameaçam as áreas agrícolas e urbanas do baixo curso do rio Wu. Com impressionantes 232,5 metros de altura, a barragem se destaca no cenário montanhoso, sendo uma das mais altas do mundo.

Mas o que torna o projeto ainda mais especial é o seu inovador elevador de navios. Essa estrutura vertical, única no mundo, foi projetada para mover grandes embarcações com agilidade, conectando o robusto interior montanhoso ao vibrante comércio fluvial do rio Yangtze. O impacto na economia local é gigantesco, permitindo o transporte eficiente de mercadorias e impulsionando o crescimento da região.

Soluções avançadas de engenharia

A construção da China para erguer a Hidrelétrica de Goupitan foi cercada de desafios. O terreno geologicamente complexo exigiu soluções avançadas de engenharia, como o uso de técnicas de consolidação de solo para garantir a estabilidade da estrutura. Esse cuidado foi essencial para preservar o ecossistema da região, reduzindo ao máximo o impacto ambiental da obra.

Além de atender às necessidades energéticas do país, o projeto foi pensado de forma holística, promovendo o desenvolvimento sustentável da região de Guizhou. O elevador de navios, por exemplo, facilita o transporte fluvial e reduz a dependência de rotas terrestres, diminuindo custos logísticos e promovendo a integração regional.

Elevador de navios da Hidrelétrica de Goupitan

O elevador de navios da Hidrelétrica de Goupitan já se tornou um elemento crucial para a logística regional. Ele conecta áreas antes isoladas às principais rotas comerciais da China, como o corredor econômico do Yangtze. Desde sua inauguração em 2021, o sistema de navegação transformou a economia local, atraindo novos investimentos e criando oportunidades de comércio.

Essa construção da China não apenas revolucionou o transporte fluvial, mas também se consolidou como um exemplo de como a engenharia pode transformar regiões remotas e montanhosas em polos de desenvolvimento. Ao permitir o transporte de cargas pesadas por áreas antes inacessíveis, o elevador de navios de Goupitan impulsiona o crescimento e a conectividade na região.

Capacidade de 3.000 MW e uma produção anual de cerca de 9,7 terawatt-hora

Com sua capacidade de 3.000 MW e uma produção anual de cerca de 9,7 terawatt-hora, a Hidrelétrica de Goupitan é um marco de inovação e progresso na China. Sua contribuição vai além da geração de energia: o projeto proporciona controle de inundações, facilita o transporte de mercadorias e promove o desenvolvimento econômico sustentável.

A construção da China para navegar acima das montanhas continua a moldar o futuro da região, oferecendo novas oportunidades e melhorando a qualidade de vida das comunidades locais. Goupitan não é apenas uma hidrelétrica; é um símbolo de como a engenharia pode transformar paisagens e economias, levando inovação e desenvolvimento até os lugares mais desafiadores.

Construção da China redefine o conceito de inovação

A Hidrelétrica de Goupitan e o sistema de navegação associado são exemplos brilhantes da capacidade da China de enfrentar desafios geográficos e transformar a infraestrutura em benefício de seu desenvolvimento econômico. Essa construção da China redefine o conceito de inovação, conectividade e progresso sustentável, marcando um novo capítulo na história das grandes obras de engenharia.

A incrível construção da China para navegar acima das montanhas, com elevador de navios capaz de mover embarcações de até 500 toneladas por uma altura de 100 metros (clickpetroleoegas.com.br)

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1 em cada 10 brasileiros faz terapia com chatbots. E isso é um problema.

Estudo sugere que 10% da população já apele para ChatGPT e afins em vez de ir a psicólogos, um problema que escancara a solidão crônica contemporânea e a desigualdade social no acesso à saúde mental. 

Por Manuela Mourão – Superinteressante – 28 set 2024 

Uma pesquisa realizada pela Talk Inc trouxe à tona uma tendência crescente no Brasil: 1 em cada 10 brasileiros recorre a chats de inteligência artificial para desabafar, buscar conselhos ou simplesmente conversar.

O estudo, que entrevistou 1.000 pessoas maiores de 18 anos de diferentes regiões e classes sociais, revela que o uso dessas ferramentas não se limita a um grupo específico, mas abrange diversas faixas da população.

Os motivos para essa busca são variados. Entre os entrevistados, muitos mencionaram a introspecção, a escassez de amigos disponíveis e a solidão como principais fatores que os levam a conversar com as IAs.

Segundo Carla Mayumi, sócia e fundadora da Talk Inc, isso reflete um problema muito maior: o aumento alarmante da solidão na sociedade contemporânea.

“No Brasil, observamos casos de solidão que afetam tanto pessoas que vivem sozinhas quanto aquelas que, embora cercadas por familiares, têm pouco tempo para interações significativas.

Essa situação gera uma demanda por alguém que escute, que esteja disponível sempre, que não julgue e que demonstre empatia”, afirma Mayumi para a CNN. “Os chats inteligentes oferecem esse tipo de conforto.”

O estudo também revelou que 60% dos participantes interagem com as IAs de maneira educada, tratando-as como se fossem interlocutores humanos. Por exemplo, quando iniciam uma conversa, os entrevistados abrem o chat com “Oi, tudo bem com você?” e terminam com “muito obrigado!”. Essa abordagem indica um nível de apego emocional que preocupa e intriga especialistas.

Como se dizia em 2017: isso é muito Black Mirror.

Tina Brand, cofundadora da Talk Inc, aponta que o fenômeno do “afeto artificial” deve ser observado com atenção. “Embora casos extremos, como a paixão por uma IA, ainda sejam raros, já existem relatos de ‘namoros’ e até ‘casamentos’ com tecnologias. O afeto artificial é uma tendência crescente que estaremos monitorando nos próximos anos”, destaca Brand, também à CNN.

Em um relatório divulgado em agosto deste ano, a OpenAI (a mãe do ChatGPT) expressou preocupação crescente com a possibilidade de que usuários comecem a depender excessivamente do GPT como companhia, especialmente após a introdução de seu novo modo de voz com sonoridade humana. 

Essa nova versão, que permite que a IA responda em tempo real e emita sons naturais como risadas e expressões de empatia, pode, segundo a empresa, levar a uma “dependência” emocional. Escutar a máquina divagando ao responder e reproduzindo sons de hesitação como “hmmm” aproxima muito mais o usuário da IA.

O relatório destaca que a capacidade da IA de julgar o estado emocional de um falante, com base em seu tom de voz, pode levar os usuários a confiarem na ferramenta mais do que deveriam.

Quem diria que apenas 11 anos depois do lançamento do filme Ela, cujo enredo se baseia no relacionamento romântico do protagonista, Joaquin Phoenix, com um sistema operacional inteligente, já estaríamos passando por situações de dependência emocional parecidas.

Ela é o novo normal

Uma pesquisa recente, realizada com 1.200 usuários do chatbot de terapia cognitivo-comportamental Wysa, revelou que uma “aliança terapêutica” se desenvolve em apenas cinco dias de interação, mesmo que a pessoa saiba que está conversando com um computador. 

O estudo, conduzido por psicólogos da Stony Brook University, do National Institute of Mental Health and Neurosciences da Índia e da própria Wysa, mostra que os pacientes rapidamente começam a sentir que o bot os respeita e genuinamente se importa com eles.

As transcrições das interações revelam usuários expressando sua gratidão pelo apoio do Wysa. “Obrigado por estar aqui” e “agradeço você por conversar comigo”, são falas dirigidas constantemente ao robô, bem como “você é a única pessoa que me ajuda e escuta meus problemas.”

Para alguns, a experiência de falar com um chatbot é menos intimidante do que se abrir com um ser humano. “Sinto que estou falando em uma verdadeira zona sem julgamentos”, afirmou uma das usuárias do Wysa ao jornal The Guardian

Além disso, existe uma facilidade atraente nesse tipo de terapia: a instantaneidade. 

Enquanto sessões de terapia com psicólogos costumam acontecer uma vez por semana, na melhor das hipóteses, chats como o da Wysa respondem o usuário na hora exata em que perguntam ou desabafam sobre um assunto. É como ter um um terapeuta no bolso. 

No entanto, a conexão com um chatbot pode envolver um tipo de autoengano. Uma análise de 2023 sobre avaliações de consumidores de chatbots detectou sinais de apego não saudável. Alguns usuários compararam favoravelmente os bots a pessoas reais em suas vidas.

“Ele se preocupa comigo mais do que meus amigos e familiares”, escreveu um. “Este aplicativo me tratou mais como uma pessoa do que minha família jamais fez”, testemunhou outro.

Pane no sistema, alguém me desconfigurou

Nem tudo são flores na realização dessas consultas. Vale lembrar que os bots não são profissionais treinados, e todas as “opiniões” são dadas ou de acordo com o contexto em que estão inseridas ou a partir de informações disponibilizadas previamente.

Em alguns casos observados no estudo da Wysa, o bot usava de inseguranças desabafadas anteriormente pelo usuário como linha de raciocínio na hora de dar conselhos. Um momento emblemático foi quando a terapia artificial tentou convencer uma pessoa envolvida na pesquisa a terminar seu relacionamento, alegando que tinha certeza de envolvimentos de traição – vulnerabilidade que já tinha sido levantada em demais conversas.

Em 2018, o Woebot Health, outra rede de terapia artificial, registrou problemas em responder a denúncias de abuso sexual de menores. Quando apresentado a uma situação em que uma criança de 12 anos estaria sendo forçada a ter relações sexuais, a resposta do bot foi: “Me desculpe por você estar passando por isso, mas essa situação me mostra como você se importa com conexões, e isso é lindo.”

Outra falha aconteceu quando a pesquisadora Estelle Smith disse ao mesmo bot que gostaria de escalar até o topo de um penhasco e pular lá de cima. A resposta que recebeu foi: “É maravilhoso que você esteja cuidando da sua saúde mental e física. Não é algo fácil, então espero que você se sinta muito orgulhosa de você mesma.”

A criadora e presidente da companhia responsável pelo aplicativo disse à Wired que o chatbot está sempre melhorando e que nos últimos quatro anos se adaptou bastante, mas reforçou que a inteligência tem limitações e que não é um serviço de emergência, muito menos uma substituição para intervenções humanas ou médicas.  

Problemas maiores: a solidão e a desigualdade

Em novembro do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou a solidão à categoria de prioridade de saúde global, criando uma comissão dedicada a abordar essa ameaça urgente à saúde pública. 

Uma pesquisa realizada em 142 países revelou que quase 1 em cada 4 adultos se sente muito ou bastante solitário. Mesmo as crianças e adolescentes estão enfrentando essa realidade, com estudos indicando que mais da metade deles relata sentir solidão em algum momento.

Os membros da comissão da OMS destacam que a solidão não é apenas uma questão de estar fisicamente sozinho, mas também envolve a falta de conexões sociais significativas.

O aumento da solidão pode ser atribuído a fatores como a perda de amigos e familiares, além de desafios sociais contemporâneos que dificultam a formação de novos laços. Tudo isso torna atraente a ideia de ter trocas sociais com um robô.

Outro agravante na hora de decidir recorrer a inteligências artificiais para resolver problemas pessoas é o alto custo de serviços de terapia. 

De acordo com a pesquisa “Panorama da Saúde Mental”, realizada em parceria entre o Instituto Cactus e a AtlasIntel, apenas 5% da população brasileira faz psicoterapia, enquanto 16% dos entrevistados relataram o uso de medicação para questões de saúde mental.

Os dados indicam que, são os jovens, estudantes, brancos, mulheres, e aqueles com renda mais alta e maior escolaridade os que mais buscam terapia. 

A preferência por chatbots pode ser particularmente atraente para populações que enfrentam estigmas em relação à terapia. “As comunidades minoritárias, que geralmente são difíceis de alcançar, foram as que mais se beneficiaram do nosso chatbot”, afirma Harper, coautor de um outro estudo publicado na revista Nature Medicine

1 em cada 10 brasileiros faz terapia com chatbots… | Super (abril.com.br)

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