5 lições de felicidade do país mais feliz do mundo

A Finlândia lidera, pelo oitavo ano consecutivo, o ranking de felicidade realizado pela ONU a partir de análises de especialistas; veja quais os segredos do país europeu

Por Gabriela Caputo – Estadão – 21/03/2025 

A Finlândia segue ostentando o título de país mais feliz do mundo, de acordo com o relatório divulgado nesta quinta-feira, 20. O estudo é realizado anualmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com o instituto de pesquisa Gallup e a universidade de Oxford, no Reino Unido.

Este é o oitavo ano consecutivo que o país lidera a lista, seguido pelos vizinhos nórdicos Dinamarca, Islândia e Suécia. A Noruega fica um pouco atrás, na sétima colocação. O relatório é feito a partir de uma avaliação média da qualidade de vida da população, e especialistas analisam o cenário a partir de fatores diversos, como PIB per capta, expectativa de vida saudável, senso de liberdade, generosidade e percepção de corrupção.

A Finlândia, assim como os países vizinhos, funciona no modelo nórdico, com forte Estado de bem-estar social. É um país com baixa desigualdade social e de gênero. Ou seja, o segredo para a felicidade pode estar, sim, no bom desempenho das políticas sociais e econômicas, aspectos que fogem do controle individual.

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Ainda assim, é possível extrair algumas lições de felicidade a partir da experiência da nação mais feliz do mundo. Confira:

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Prazer nas pequenas coisas

A valorização da simplicidade é característica marcante da cultura finlandesa. Há até uma palavra para isso: sisu. O termo, sem tradução exata, remete à filosofia que exalta a coragem, a determinação silenciosa e a resiliência. Essa mentalidade está refletida, por exemplo, no minimalismo e funcionalidade do design escandinavo, e na moda finlandesa, que valoriza a inovação e a sustentabilidade. Mas aparece também, e principalmente, na vida cotidiana – se levada com praticidade, sobra tempo para dar atenção ao que realmente importa.

Apreciar a natureza

Apesar do frio extremo do inverno nórdico, estar ao ar livre faz parte do modo de vida finlandês, em um território com florestas profundas e mais de 160 mil lagos. De acordo com o Finnish Happiness Institute, nas pesquisas que avaliam os motivos de felicidade da população, sempre são mencionadas a proximidade com a natureza e as oportunidades para lazer e relaxamento. O fácil acesso a parques ou florestas, bem preservados, contribuem para a diminuição do estresse e alimentam a criatividade.

Descansar

Talvez a lição mais complexa de seguir em um mundo acelerado e hiperconectado. A cultura finlandesa valoriza a comunhão com a natureza tanto quanto os momentos de silêncio. O descanso e o relaxamento não são vistos de forma negativa como em muitas sociedades ocidentais; não são uma recompensa pelo trabalho árduo – e sim parte essencial da vida. Algo que ilustra muito bem esse pensamento é a tradição milenar finlandesa da sauna. O ambiente fechado e aquecido, um ritual simples, é usado para relaxar e também para socializar com amigos e familiares.

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Estar em comunidade

Essa apreciação da presença do outro é justamente um dos aspectos mais valiosos para a felicidade. O relatório da ONU deste ano traz enfoque sobre o impacto do cuidado e do compartilhamento na felicidade das pessoas. O estudo aponta a prevalência da desconexão social sobretudo entre jovens adultos, enquanto, na verdade, as conexões sociais são “vitais para o bem-estar pois fornecem uma proteção contra os efeitos tóxicos do estresse”.

Os especialistas destacam a corriqueira arte de comer em companhia, apontando a existência de diferenças profundas nas taxas de compartilhamento de refeições ao redor do mundo, que “não são totalmente explicadas por diferenças de renda, educação ou emprego”. Essa atividade tem forte impacto no bem-estar. “Aqueles que compartilham mais refeições com outros relatam níveis significativamente mais altos de satisfação com a vida e afeto positivo, e níveis mais baixos de afeto negativo. Isso é verdade em todas as idades, gêneros, países, culturas e regiões”, resumem os autores.

‘Gentileza gera gentileza’

A frase é clichê, mas apropriada. No relatório de felicidade da ONU, especialistas afirmam ter novas evidências de que atos de generosidade e a crença na bondade dos outros são “previsores significativos da felicidade, inclusive mais do que receber um salário maior”. As pessoas costumam ser muito pessimistas sobre a bondade alheia, e acabam se surpreendendo: experimentos feitos com carteiras perdidas e devoluções inesperadas mostram que os países nórdicos estão “entre os melhores lugares em termos de taxas esperadas e reais de devolução de carteiras perdidas”.

De acordo com o Business Finland, a felicidade finlandesa é explicada, em parte, pelos altos níveis de confiança e liberdade em sua sociedade, “o que pesquisas mostram que contribui para o bem-estar e a produtividade”. Essa confiança reflete o que é visto em âmbito coletivo no país, que apresenta índices positivos quanto à transparência e à percepção sobre corrupção. / COM AFP

5 lições de felicidade do país mais feliz do mundo – Estadão

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Como o CESAR se reinventou com o venture building

Primeiro foram as startups. Então vieram os projetos de hardware e software. Agora as startups voltam a ser o foco de um dos principais centros de inovação do País, que as transforma em ativos estratégicos para o horizonte 3 de inovação

Eduardo Peixoto – MIT Sloan Management Review Brasil – 6/10/2025

Se esta história que vou contar agora fosse um documentário, nossa cena de abertura teria como plano de fundo o início dos anos 2000, em meio ao fervor das inovações tecnológicas e experimentações ainda tímidas com os primeiros computadores e celulares. Lá atrás, além do trabalho do CESAR com tecnologia da informação, também se fortalecia a nossa missão de transformar problemas reais em soluções concretas, criando empresas a partir da inovação aplicada ao mercado.

No começo, nossa abordagem era clássica: criar startups a partir de desafios identificados em grandes organizações. A lógica era simples: se uma empresa tem um problema, provavelmente outras também têm. Se criarmos uma solução replicável, podemos transformá-la em um negócio independente, capaz de atender diversos clientes.

Foi assim que surgiram algumas iniciativas que prosperaram além do que imaginamos, como a Tempest, focada em cibersegurança, e a Neurotech, que atua com inteligência artificial e dados para avaliação de riscos no setor financeiro. Mas também outras que ficaram pelo caminho. O Meantime, por exemplo, nosso projeto de gamificação com a Motorola, tinha muito potencial, mas estava à frente do tempo –  nosso mercado não era maduro o suficiente  e tinha poucos investidores dispostos a oferecer um aporte capaz de fazer com que a solução resistisse mais tempo. Na época, o Brasil ainda não tinha uma estrutura consolidada de venture capital como no Vale do Silício.

Até que, em meio a esses horizontes incertos, aconteceu a chegada da Lei de Informática e, com ela, a estratégia do CESAR tomou outro rumo. Passamos a desenvolver o que hoje chamamos de soluções robustas com software e hardware e as iniciativas de startups ficaram em segundo plano por um bom tempo. Até que aconteceu um outro momento de inflexão na nossa história.

O estalo: Por que mudamos de rota?

Startups são essenciais para movimentar a economia e desafiar empresas maduras, e nós como um hub de inovação precisamos contribuir significativamente para o ecossistema. Embora o empreendedorismo sempre tenha sido parte do DNA do CESAR, nossa abordagem precisava de mais estrutura e direção. Estávamos experimentando, testando caminhos, mas sem uma estratégia consolidada.

Foi nesse processo que entendemos: não bastava apenas acelerar startups, precisávamos construir um modelo mais sólido, que combinasse nossa expertise em tecnologia com um olhar estratégico para investimento e crescimento sustentável. Foi então que nos perguntamos:  e se, em vez de apenas acelerar startups, nós nos tornássemos parte da construção delas?

Com o tech venture building, a lógica não foi mais a de apoiar startups do modo tradicional; passamos a criar negócios junto com os empreendedores, trocando tecnologia por participação

A partir dessa provocação, o conceito de “tech venture building” ganhou força. A lógica mudou. Em vez de apenas apoiar startups de maneira tradicional, como antes, começamos a criar negócios junto aos empreendedores, trocando tecnologia por participação. Além disso, já éramos aptos a captar recursos de fomento (como Embrapii) para financiar o desenvolvimento da tecnologia, garantindo que no momento do exit, o CESAR também capturasse o valor gerado. O match estava feito.

Entre erros e acertos, o que aprendemos

Os primeiros experimentos deram certo. Ajustamos o processo, eliminamos distrações  e consolidamos um time dedicado ao modelo de Ventures. Começamos a promover ações de impulsionamento de startups, como eventos, workshops e mentorias. E, enquanto apoiávamos o ecossistema, também estávamos avaliando e selecionando startups de base tecnológica compatíveis com o nosso novo modelo de venture building.

O resultado? Nossas ações de impulsionamento já alcançaram mais de 1200 negócios e hoje temos um portfólio crescente de mais de 50 startups. Deste montante, 10 estão ativas e as demais já fizemos exits, com diversos casos de sucesso – assim como write-offs (retirada do portfólio após o período de cinco anos sem “rampar”).  Além disso, lançamos o Dates, uma plataforma que utiliza IA para conexão entre negócios, investidores e empresas, com mais de 1500 startups cadastradas. Com nosso sistema de match ágil e preciso, ajudamos a conectar empreendimentos promissores com as melhores oportunidades de negócios.

O principal erro foi a falta de foco estratégico. No início, tentamos executar o modelo de aceleração clássica ao mesmo tempo que estávamos estruturando outros negócios do CESAR. Também não definimos, de forma clara, como iríamos atuar e contribuir para as startups, se seria por aceleração, investimento, consultoria, entre tantas outras abordagens. 

Com o passar dos anos e um estudo mais aprofundado no cenário de ventures, suas necessidades, lacunas e objetivos, ficou evidente que precisávamos direcionar nossos esforços. Entendemos que não dava para ser tudo ao mesmo tempo—ou éramos uma aceleradora, ou nos tornávamos Venture Builders. Escolhemos a segunda opção. Foi um divisor de águas.

Outro aprendizado foi entender que venture building exige paciência. O ciclo de retorno é diferente do de uma consultoria ou serviço tradicional. O valor real aparece no longo prazo, conforme as startups crescem e chegam ao exit. Mas os primeiros sinais já mostram que a aposta foi acertada: no último ano, o CESAR Ventures gerou cerca de 3% da receita do CESAR, porém foi responsável por 19% do superávit da organização. 

Um dos nossos maiores resultados se deu com o exit da Tallos, startup que impulsionamos, que ao ser comprada pela TOTVS, gerou um múltiplo de capital investido (MOIC)  de 93x para o CESAR.

O futuro do CESAR Ventures

Se projetarmos o CESAR Ventures cinco anos à frente, a visão é clara: um portfólio robusto de startups, exits acontecendo regularmente, e um modelo cada vez mais refinado de criação de negócios de base tecnológica.

Nosso papel não é apenas melhorar processos existentes, mas criar empresas que desafiem o status quo

Porém o mais importante é o impacto que queremos gerar. Nosso papel não é apenas melhorar processos existentes, mas criar empresas que desafiem o status quo. Queremos atuar dentro do que McKinsey define como horizontes de inovação: navegar no chamado horizonte 3, aquele espaço onde surgem negócios que realmente causam ruptura. Mas, ao mesmo tempo, equilibramos isso com projetos de horizonte 2, que promovem inovação incremental e garantem um crescimento sustentável. É esse equilíbrio que torna um centro de inovação como o CESAR relevante no longo prazo.

Startups são o motor da inovação. Se uma economia sem novas empresas está fadada à estagnação, um ecossistema de inovação sem venture building perde a chance de gerar mudanças profundas. E é exatamente esse espaço que queremos ocupar. A jornada é incerta, mas os resultados compensam. E nós estamos apenas começando.

Eduardo Peixoto

Eduardo Peixoto é CEO do CESAR Centro de Inovação e professor da CESAR School. Mestre em comunicação de dados pela Technical University of Eindhoven-Holanda, com MBA na Kellogg School of Management e na Columbia Business School, atua há 30 anos na área de tecnologias da informação e comunicação (TICs). Trabalhou como executivo no exterior, na Philips da Holanda e na Ascom Business System AG (Suíça).

Como o CESAR se reinventou com o venture building – MIT Sloan Management Review Brasil

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Google apresenta auxiliar digital que trabalha em hospital e quer popularizar funcionários de IA

Big tech mostra ferramenta para criar apps sem conhecimento em programação entre outros recursos

Pedro S. Teixeira – Folha – 10.abr.2025

Os médicos de um hospital pediátrico de Seattle, nos Estados Unidos, já recebem auxílio de um funcionário digital criado com IA (inteligência artificial).

O avanço da digitalização no trabalho foi um dos anúncios do Google, durante um evento realizado em Las Vegas na quarta-feira (9) para clientes corporativos.

Entre os lançamentos apresentados, destacaram-se uma plataforma para criar agentes (como são chamados os funcionários digitais) de maneira intuitiva e outra, cujo objetivo é permitir a criação de aplicativos sem conhecimento avançado em programação.

O chamado kit de desenvolvimento de agentes é um conjunto de ferramentas para personalizar a atuação dos agentes. Esses funcionários digitais são modelos de IA generativa que trocam comandos e informações entre si automaticamente para simular uma atuação autônoma.

O assistente do hospital americano, por exemplo, pesquisa informações de histórico clínico (em texto e imagens) e de literatura médica, de forma autônoma, para fornecer ao profissional da saúde avaliações baseadas em evidências.

De acordo com o Google, o kit permite criar um agente com menos de cem linhas de código de programação.

Outro destaque do evento foi o Firebase Studio, plataforma que permite a criação de aplicativos por meio de comandos em texto, no lugar de código de programação.

O gigante americano afirma que o recurso aumenta a produtividade de programadores.

Além disso, ferramentas similares são usadas por pessoas sem conhecimento técnico para a criação dos próprios apps sem precisar contratar terceiros —a prática é conhecida como vibe coding, algo como programar pela vibração.

O Google diz que criou esse programador digital, que também chamou de agente, ao unir as habilidades de programação do modelo Firebase (especialista em programação) com a criatividade do Gemini (o chatbot da big tech)

Interessados em testar a ferramenta podem criar até três ambientes de trabalho gratuitamente. Os programadores que pagam o serviço especializado do Google (US$ 299 por ano) podem gerar 30 ambientes.

No evento, o Google anunciou que pretende investir US$ 75 bilhões (R$ 443 bilhões) neste ano, sobretudo para acelerar o desenvolvimento e funcionamento de produtos de IA.

“Estamos muito confiantes em nosso próprio destino”, disse o CEO do Google Cloud (serviço de nuvem do gigante das buscas) em entrevista à agência Bloomberg. “Estamos conversando com clientes e parceiros ao redor do mundo. Ainda é muito cedo. Eu não tiraria conclusões precipitadas sobre a situação agora. Mas, no final das contas, tudo se resume a quão bem você reage a uma situação inesperada.”

Analistas da imprensa internacional avaliam que os lançamentos de Las Vegas reposicionaram o Google na disputa, contra Microsoft e Amazon, pelo mercado de IA para negócios.

IA: Google quer popularizar funcionários digitais – 10/04/2025 – Tec – Folha

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Computação quântica: materiais magnéticos e a próxima revolução tecnológica

Os avanços na criação de novos materiais magnéticos são promissores e importantes para tornar a computação quântica mais acessível

Lívia Batista Lopes Escobar – O Globo/The Conversation* — 8/04/2025 

A computação quântica promete transformar a forma como processamos informações e lidamos com problemas complexos. Nos últimos anos, essa tecnologia avançou rapidamente, saindo do campo teórico para experimentos cada vez mais sofisticados.

Empresas e instituições de pesquisa têm investido pesado em protótipos de computadores quânticos, buscando superar os limites da computação clássica.

Recentemente, cientistas demonstraram a chamada supremacia quântica em tarefas específicas, resolvendo em poucos minutos problemas que levariam bilhões de anos para serem solucionados pelos melhores supercomputadores atuais.

Apesar de ainda estar em fase experimental, a computação quântica está cada vez mais próxima de aplicações reais. Um dos desafios centrais para esse avanço está na busca por materiais magnéticos mais estáveis e eficientes.

Bits quânticos: o segredo da velocidade

Para entender a potência dos computadores quânticos, podemos compará-los aos convencionais. Nos computadores clássicos, a informação é armazenada em bits, que podem assumir os valores 0 ou 1. Já nos computadores quânticos, a menor unidade de informação é o qubit, que pode estar em qualquer combinação entre 0 e 1 ao mesmo tempo, devido ao princípio da superposição quântica.

Uma forma de visualizar isso é pensar num globo terrestre: um bit clássico poderia estar apenas nos polos Norte (0) ou Sul (1). Já um qubit pode estar em qualquer ponto da superfície do globo, que combinam diferentes posições de Norte e Sul. Essa propriedade aumenta exponencialmente a capacidade de cálculo dos computadores quânticos, permitindo resolver problemas que seriam impossíveis para as máquinas convencionais.

O papel do magnetismo na computação quântica

O funcionamento dos qubits depende de fenômenos magnéticos. O magnetismo dos materiais surge do comportamento dos elétrons desemparelhados, que possuem uma propriedade quântica chamada spin. O spin funciona como um pequeno ímã microscópico: quando esses pequenos imãs se alinham em uma direção, o material se torna magnético. Quando estão desorganizados ou se cancelam mutuamente, o material se encontra desmagnetizado.

Diferentes tipos de qubits exploram o magnetismo para armazenar e processar informações de formas distintas. Por exemplo, os Qubits de Spin são baseados no spin dos elétrons em materiais semicondutores, onde o estado “para cima” representa 1 e “para baixo”, 0. Esses qubits são manipulados por campos magnéticos e pulsos de micro-ondas.

Já os Qubits supercondutores são usados nos computadores quânticos mais avançados da IBM e do Google. Esses sistemas criam circuitos onde a corrente elétrica pode fluir em superposição de direções, gerando um campo magnético que pode ser controlado para armazenar e processar informação.

Outra abordagem usa átomos carregados eletricamente (íons) presos em campos eletromagnéticos. O magnetismo é essencial para controlar as interações dos íons e manipular os estados quânticos.

Os desafios dos qubits magnéticos

A principal barreira para o avanço dessa tecnologia é que os qubits são extremamente sensíveis à interação com o ambiente externo. Isso pode levar à perda rápida da informação quântica, chamada de “decoerência”. Para contornar esse problema, cientistas estão explorando diferentes materiais e mecanismos físicos para criar qubits mais estáveis, garantindo que os qubits mantenham sua coerência por mais tempo.

Outro problema é a necessidade de temperaturas extremamente baixas para manter a estabilidade dos qubits. Para tornar a computação quântica escalável e viável comercialmente, precisamos desenvolver materiais que mantenham suas propriedades quânticas em temperaturas mais altas.

Novos materiais quânticos: o que estamos estudando

No meu laboratório, no Departamento de Química da PUC-Rio, estudamos materiais magnéticos moleculares, que apresentam propriedades fundamentais que os tornam adequados para aplicações em computação quântica. Ao manipular as sínteses e escolher combinações específicas de metais e ligantes, buscamos criar materiais que mantêm a coerência por mais tempo, contribuindo para a reduzir erros em cálculos quânticos, melhorar a estabilidade e eficiência, permitindo operações lógicas mais rápidas e precisas.

Um dos materiais que descrevemos recentemente é um complexo de cobre, onde dois átomos desse metal estão conectados por um composto orgânico especial, que ajuda a organizar os átomos metálicos de forma específica. Descobrimos que assim os centros de cobre não interagem magneticamente entre si, o que sugere um bom isolamento do meio externo, uma propriedade desejável para a computação quântica.

Estamos também estudando íons de elementos da família dos lantanídeos, elementos que possuem propriedades magnéticas e ópticas interessantes para aplicações quânticas. Esses materiais são usados em lasers, telas de celulares e exames médicos, mas também têm potencial para contribuir no desenvolvimento de qubits mais robustos.

O futuro dos materiais magnéticos na computação quântica

Os avanços na criação de novos materiais magnéticos são promissores e importantes para tornar a computação quântica mais acessível. A expectativa é que, em breve, possamos operar qubits magnéticos em temperaturas mais altas, acelerando o desenvolvimento de sistemas quânticos aplicáveis em larga escala.

Além da computação quântica, esses materiais magnéticos são multifuncionais e extremamente versáteis. Eles também têm grande potencial em outras áreas, como armazenamento de dados, refrigeração magnética e na medicina, em carreamento de fármacos e técnicas de imagem por ressonância magnética.

Acredito que a interseção entre química, física e tecnologia é o que torna esse campo tão fascinante. Ao desvendar os segredos do magnetismo em nível molecular, estamos abrindo caminho para uma revolução tecnológica que pode transformar a maneira como processamos informações e resolvemos problemas complexos.

*Lívia Batista Lopes Escobar é professora e pesquisadora do Departamento de Química da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)

*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons . Leia o artigo original.

Computação quântica: materiais magnéticos e a próxima revolução tecnológica

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‘Novidade mundial’: Com impressora 3D, Japão constrói estação de trem em seis horas

Autoridades apontam que erguer estrutura da maneira tradicional levaria mais de dois meses e custaria o dobro

TOPO

Por O Globo/The New York Times — 08/04/2025 

Nas seis horas entre a partida do último trem da noite e a chegada do primeiro da manhã, trabalhadores no Japão rural construíram uma estação de trem inteiramente nova. Ela substituirá uma estrutura de madeira significativamente maior que atendeu os passageiros desta comunidade remota por mais de 75 anos.

Os componentes da nova estação foram impressos em 3D em outro lugar e montados no local no mês passado, no que os operadores da ferrovia dizem ser uma novidade mundial. Pode parecer mais um abrigo do que uma estação, mas construir uma da maneira tradicional levaria mais de dois meses e custaria o dobro, de acordo com a West Japan Railway Co.

À medida que a população do Japão envelhece e sua força de trabalho diminui, a manutenção da infraestrutura ferroviária, incluindo edifícios de estações desatualizados, é um problema crescente para os operadores ferroviários. Estações rurais com números decrescentes de usuários representam um desafio particular.

A nova estação, Hatsushima, fica em uma tranquila cidade litorânea que faz parte de Arida, uma cidade de 25 mil habitantes sob a prefeitura de Wakayama, que faz fronteira com dois destinos turísticos populares, Osaka e Nara. A estação, servida por uma única linha com trens que circulam de uma a três vezes por hora, atende cerca de 530 passageiros por dia.

Yui Nishino, de 19 anos, usa a estrutura todos os dias para ir à universidade. Ela disse que ficou surpresa quando soube que a primeira estação impressa em 3D do mundo seria construída aqui.

— O trabalho progrediu a uma velocidade que seria impossível com uma construção normal — disse ela. — Espero que eles possam fazer mais edifícios com tecnologia de impressão 3D.

A Serendix, a construtora que a West Japan Railway contratou para o projeto, disse que imprimir as peças e reforçá-las com concreto levou sete dias.

A impressão foi feita em uma fábrica na prefeitura de Kumamoto, na ilha sudoeste de Kyushu. As peças saíram da fábrica na manhã de 24 de março para serem transportadas cerca de 800 quilômetros a nordeste, por estrada, até a Estação Hatsushima.

— Normalmente, a construção ocorre ao longo de vários meses, enquanto os trens não circulam todas as noites — disse Kunihiro Handa, cofundador da Serendix.

O trabalho de construção perto de linhas comerciais está sujeito a restrições rigorosas e geralmente é realizado durante a noite para não atrapalhar os horários.

A construção

Quando os caminhões carregando as peças impressas em 3D começaram a chegar em uma terça-feira à noite, no final de março, várias dezenas de moradores se reuniram para assistir à iniciativa inédita começar, em um lugar profundamente familiar para eles.

Depois que o último trem partiu às 23h57, os trabalhadores se ocuparam construindo a nova estação. Em menos de seis horas, as peças impressas, feitas de uma argamassa especial, foram montadas. Elas foram entregues em caminhões separados, e um grande guindaste foi usado para içar cada uma até onde os trabalhadores as deveriam juntar, a poucos metros da antiga estação.

A nova estação, que mede pouco mais de nove metros quadrados, foi concluída antes da chegada do primeiro trem, às 5h45. É um edifício minimalista e branco, com designs que incluem uma tangerina e um peixe-espada, especialidades de Arida.

A estrutura, porém, ainda precisava de equipamentos como máquinas de bilhetes e leitores de cartão de transporte. A West Japan Railway disse que espera abrir o novo edifício para uso em julho.

Autoridades ferroviárias dizem que esperam que a estação mostre como o serviço pode ser mantido em locais remotos com novas tecnologias e menos trabalhadores.

— Acreditamos que a importância deste projeto reside no fato de que o número total de pessoas necessárias será reduzido significativamente — disse Ryo Kawamoto, presidente da JR West Innovations, uma unidade de capital de risco da operadora ferroviária.

O prédio de madeira que a nova estação substituirá foi concluído em 1948. Desde 2018, ele foi automatizado, como muitas estações menores no Japão.

Toshifumi Norimatsu, de 56 anos, que administra o correio a algumas centenas de metros de distância, tinha sentimentos agridoces sobre o novo prédio.

— Estou um pouco triste com a demolição da antiga estação — disse ele. — Mas ficaria feliz se esta estação pudesse se tornar pioneira e beneficiar outras.

‘Novidade mundial’: Com impressora 3D, Japão constrói estação de trem em seis horas

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Cerco às universidades de Trump incentiva fuga de cérebros e cria novo fenômeno nos EUA

Segundo pesquisa, 75% dos acadêmicos consideram deixar o país após medidas recentes, que incluem cortes de bolsas, caça a estudantes envolvidos em protestos e termos proibidos; movimento já mobiliza governos e instituições em outros países

Por Emanuelle Bordallo – O Globo – 06/04/2025 

Em menos de três meses, o cerco do presidente Donald Trump às universidades americanas acende o alerta para um fenômeno que, até pouco tempo, tinha os Estados Unidos como o maior beneficiário: a fuga de cérebros. Lar de algumas das mais prestigiosas instituições de ensino do planeta, a capacidade dos EUA de atrair estudantes do mundo todo sempre foi vista como um importante soft power. No entanto, diante de uma série de medidas do governo — que incluem cortes em financiamentos, veto a iniciativas de diversidade, caça a estudantes envolvidos em protestos e até proibição do uso de determinadas palavras —, os ventos parecem mudar de direção.

Com apenas dois meses e meio da nova administração, ainda não há números, mas as discussões sobre uma possível fuga de cérebros entraram na pauta do dia. Em uma pesquisa da revista Nature feita com 1,6 mil acadêmicos, 75% disseram considerar sair dos EUA devido à instabilidade causada pelo governo Trump. A tendência é ainda mais forte entre estudantes de mestrado (79%), uns dos mais afetados pelos cortes de bolsas e pesquisas. Se por um lado a fuga de cérebros representa um desafio aos EUA, por outro, já há países aproveitando a oportunidade para oferecer “asilo científico”. Para analistas ouvidos pelo GLOBO, Donald Trump põe em risco não só a atratividade das universidades para estrangeiros — uma fonte de receita para o país — como também a competitividade dos EUA em setores-chave na sua guerra comercial com a China.

Negócio em risco

A caça a cérebros em fuga dos EUA já mobiliza governos e instituições em outros países. Uma das primeiras foi a Universidade Aix-Marseille, na França, que no início de março lançou o programa “Espaço Seguro para a Ciência” para atrair 15 cientistas americanos das áreas de meio ambiente, saúde e astrofísica dispostos a trabalhar por três anos no seu campus. Segundo a instituição, mais de 60 candidatos se inscreveram, 30 deles nas primeiras 24 horas. Duas universidades da Bélgica e o governo da Holanda anunciaram planos semelhantes. Por sua vez, o governo da Catalunha apresentou na segunda-feira um programa trienal de € 30 milhões para atrair cientistas americanos, com 78 vagas em 12 universidades públicas.

Em carta à comissária de Pesquisa da União Europeia, Ekaterina Zaharieva, ministros do setor de 13 países-membros — incluindo de potências da área como Alemanha e França — exortaram o bloco a aproveitar o momento para “dar as boas-vindas a talentos brilhantes do exterior que podem estar sofrendo interferência nas pesquisas e cortes de financiamento brutais e mal motivados”. A arquirrival China, que disputa fortemente com os EUA os avanços na área de tecnologia, também já começou a buscar atrair “os refugiados com PhD dos EUA”, segundo o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, oferecendo “novos caminhos acadêmicos”.

Em fevereiro, a Sociedade Max Planck, um dos maiores institutos de pesquisa no mundo, registrou um aumento no número de candidaturas de cientistas americanos, noticiou a revista alemã Der Spiegel. Ironicamente, a instituição, sediada em Munique, foi uma das mais prejudicadas com a fuga de cérebros durante a Alemanha nazista, perdendo alguns dos seus nomes mais proeminentes para os EUA, incluindo Albert Einstein.

Há uma semana, o professor de Yale Jason Stanley se tornou o rosto do movimento ao anunciar que estava deixando a prestigiosa universidade da Ivy League para assumir um cargo na Universidade de Toronto. Ao site Daily Nous, o autor do livro “Como o fascismo funciona” justificou a decisão afirmando que gostaria de “criar meus filhos em um país que não está se inclinando para uma ditadura fascista”.

— O perigo que os EUA correm é começar a perder pessoal qualificado no médio e longo prazo. Na área de STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) isso não deixa de ser curioso, pois há um esforço para trazer mão de obra de fora devido a um tradicional déficit de profissionais do setor. São eles que abastecem muitas big techs que apoiam Trump — analisa Gustavo Nicolau, advogado de imigração nos EUA, acrescentando que o cerco “pode levar estudantes para outros destinos, como Europa, ou mesmo inimigos americanos, como China e Rússia”.

De acordo com o último censo, 62% dos americanos não têm ensino superior completo. Segundo o advogado, tal cenário criou uma dependência das universidades em relação a estrangeiros, que, em alguns cursos, chegam a ocupar até 80% das vagas. Ao mesmo tempo, eles também contribuem para a economia americana, afirma.

— Há um interesse dos EUA em continuar recebendo estudantes estrangeiros, porque o americano percebeu que não precisa de faculdade para ter uma vida boa — explica. — Também há circulação de capital em solo americano, porque ele vai pagar impostos, alimentação, moradia, consumir em outras áreas. É um baita negócio para os EUA.

Ensino superior nos EUA — Foto: Editoria de Arte/O GloboEnsino superior nos EUA — Foto: Editoria de Arte/O Globo

Os EUA são o principal destino de estudantes internacionais do planeta, com 800 mil estrangeiros no ensino superior. Com sete universidades entre as 20 melhores do mundo no ranking QS World University, o país é o sonho de muitos estudantes que desejam estudar fora. Mas para alguns, a experiência se transformou num pesadelo em questão de meses.

— Eu com certeza estou cogitando outros países quando terminar o doutorado ou até mesmo voltar para o Brasil — contou ao GLOBO a farmacêutica Juliana (nome fictício), que estuda em uma universidade estadual nos EUA.

Segundo a brasileira, que falou sob anonimato por temer represálias, o cenário já reflete no seu comportamento:

— Eu já não postava nada político em rede social, mas ultimamente até em mensagens eu estou tentando evitar.

A estudante de pós-doutorado Flávia (nome fictício), que também falou sob anonimato, contou estar evitando tratar do tema Israel-Palestina, “que parece ser o principal foco da perseguição digital, e criticar o governo diretamente”.

— Recebi sugestões de ‘trancar as redes sociais’, ‘usar um segundo telefone’, mas me recuso. Se for para viver assim, volto para o Brasil logo.

Autocensura

Lucas Martins, professor de história dos EUA na Universidade Temple, classifica o clima como “o mais temeroso possível”. A sua instituição está entre as 60 de ensino superior que receberam uma carta do governo no mês passado exigindo ações para conter o antissemitismo, tema central na cruzada da Casa Branca — especialmente contra universidades que se engajaram nos protestos contra a guerra em Gaza, que tomaram os campi no ano passado.

A Universidade Columbia — palco de algumas das manifestações mais emblemáticas — virou alvo de uma investigação por supostamente ter permitido assédio contra judeus e teve US$ 400 milhões (R$ 2,27 bilhões) em verbas suspensas. Mahmoud Khalil, estudante palestino que liderou os protestos na instituição nova-iorquina, chegou a ser detido por agentes da polícia migratória (ICE) e corre risco de deportação, apesar de ter visto de residência permanente.

— Não é um recado a respeito do antissemitismo, mas um presságio mais amplo de que tudo aquilo que for expressado em um campus universitário será monitorado — pontua. — A autocensura já existe. Agora, há um temor de se engajar em manifestações não só envolvendo o Oriente Médio, mas a vida americana.

É o caso da estudante Clarissa (nome fictício):

— Estão ocorrendo várias manifestações na minha faculdade porque há um mês fecharam o Escritório de Diversidade e Inclusão e várias pessoas perderam o emprego. Eu fui no primeiro protesto, mas agora eu não tenho coragem mais de ir a nenhum.

Entre as orientações da universidade, Clarissa conta ter sido aconselhada a andar sempre com uma cópia do visto e evitar viagens ao exterior. Por medo, Flávia também disse ter cancelado viagens ao México, previstas no seu projeto de pesquisa. Juliana, por sua vez, preferiu adiar a visita que faria ao Brasil no meio do ano apesar da saudade da família, que não vê há dois anos.

Asfixia financeira

As ameaças de suspensão de verbas forçaram departamentos financiados pelo governo federal a se adaptar.

— Trabalho em um laboratório sobre doenças que afetam o sistema reprodutivo feminino e estamos preocupados com a renovação do nosso financiamento, pois termos como ‘women’ (mulheres) e ‘female’ (fêmea) agora estão vetados — conta Juliana.

Flávia, que faz parte de um laboratório que pesquisa meio ambiente, disse que “uma parte significativa do financiamento foi afetada pelos cortes” e temas climáticos estão sob pressão. A revista onde Clarissa trabalha agora precisa ser revisada e aprovada pelo departamento de comunicação da universidade antes de ser publicada.

Segundo Martins, a estratégia da Casa Branca tem sido efetiva em fazer as universidades cederem para evitar a asfixia financeira. No final de março, Columbia concordou em atender às exigências para reverter o corte, anunciando medidas como a presença de agentes dentro do campus e uma supervisão externa do Departamento de Estudos do Oriente Médio.

— Sem recursos para desenvolver pesquisa de qualidade e sem liberdade acadêmica, um acadêmico com poder de escolha não vai querer estar em um ambiente hostil assim — destaca. — A fuga de cérebros é real e o impacto dela no longo prazo é que os EUA vão deixar de ser a referência dos últimos 70 anos e se tornarão um país comum em termos de produção acadêmica.

Cerco às universidades de Trump incentiva fuga de cérebros e cria novo fenômeno nos EUA

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Matemática: a poderosa linguagem invisível

Disciplina sustenta decisões, sistemas e o progresso. Quando falhamos em ensiná-la, condenamos gerações à vulnerabilidade

Por Ana Maria Diniz – Valor – 31/03/2025

Fundadora do Instituto Península, que atua na formação de professores, é empresária e conselheira do Todos pela Educação e Parceiros pela Educação

O Brasil está em uma encruzilhada educacional, e a matemática está no epicentro desse dilema. Em um mundo movido por tecnologia, dados e inovação, nossa incapacidade de ensinar essa disciplina de forma eficaz não é apenas uma questão pedagógica, mas de sobrevivência nacional. Dados alarmantes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) mostram que apenas 15% dos alunos do 9º ano atingem o nível adequado de aprendizagem em matemática, enquanto o Pisa revela que 70% dos estudantes de 15 anos não dominam nem mesmo o básico. No último Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (TIMSS), de 2023, o Brasil ficou nas últimas posições em desempenho matemático entre 72 países do 8º ano. Esses números não são apenas estatísticas, são um grito de alerta sobre o futuro do país.

Na era dos algoritmos e das inteligências artificiais que avançam de forma acelerada e admirável em que vivemos, quem não tem raciocínio lógico e não sabe matemática vai ficar completamente fora do jogo. A matemática já determina grande parte do que acontece ao nosso redor e, muito em breve, impactará absolutamente tudo. Inevitavelmente, o mundo para o qual caminhamos, seja ele qual for, terá matemática em toda a parte. Matemática já é poder – e será cada vez mais. O raciocínio lógico promovido pela matemática determina não só quem tem acesso ao ensino superior de maior qualidade, melhores carreiras e salários. No plano coletivo, ela é decisiva para o futuro de uma sociedade e de um país. Como diversos estudos revelaram, o desenvolvimento de uma nação está diretamente ligado à participação que a matemática tem em sua economia.

Felizmente, há sinais de mudança. Em 17 de março de 2025, o Ministério da Educação (MEC) abriu uma consulta pública a professores do ensino fundamental e médio para mapear boas práticas no ensino de matemática. A iniciativa faz parte do Compromisso Nacional Toda Matemática, lançado no ano passado para tentar reverter o desempenho pífio dos nossos estudantes na matéria, um dos piores do mundo. O programa, nos mesmos moldes do Compromisso Nacional pela Alfabetização, de 2023, aposta em metas claras, disseminação de metodologias e valorização de resultados. Entre as ações já realizadas pelo MEC estão o lançamento de um guia de boas práticas para o ensino da matemática e a criação do Clube de Letramento Matemático, que incentiva ações interdisciplinares para tornar a disciplina mais acessível e envolvente.

Naercio Menezes Filho: A educação transformou o Brasil?

Exemplos inspiradores começam a surgir. Em parceria com o Itaú Social, um edital de outubro de 2024 premiou 18 projetos inovadores de professores de matemática do fundamental 2. Entre os vencedores, anunciados em janeiro, estão Marcia Viana, de Petrópolis, no Rio de Janeiro, que ensina geometria por meio da dança, e Antônio de Souza Silva, de Bacabal, no Maranhão, que usa robótica com materiais reciclados para conectar matemática e sustentabilidade. Cada projeto recebeu até R$ 80 mil para ser ampliado, provando que criatividade e vontade podem transformar a sala de aula. Além disso, uma rede com 1.400 professores será criada para trocar experiências. São passos na direção certa, mas ainda incipientes na resolução de um problema tão complexo.

Mas para complicar ainda mais as coisas, há um agravante: a ansiedade matemática. Segundo o Pisa 2023, 79,5% dos estudantes brasileiros de 15 e 16 anos sentem medo de suas notas na disciplina e 62,3% se sentem desamparados ao enfrentar problemas matemáticos. Todo esse pavor é cultivado por um sistema de ensino que trata a matemática como um “bicho de sete cabeças” e a um suposto “dom” ou “talento natural” para lidar com números. Isso é apenas um grande tabu, porque qualquer pessoa pode aprender matemática. Professores mal preparados, além de métodos e currículos desatualizados, são o cerne da questão.

Essa cultura de exclusão educacional nos mantém como meros espectadores da revolução global. O Compromisso Nacional Toda Matemática é um começo, mas, precisa ir além. A começar pela formação de professores. Segundo estimativas, há uma lacuna de 120 mil professores de matemática com formação adequada no Brasil.

A matemática é a linguagem invisível que sustenta decisões, sistemas e o progresso. Quando falhamos em ensiná-la, condenamos gerações à vulnerabilidade.

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Por dentro da misteriosa ‘empresa mais poderosa’ da China

Jornalista do “Washington Post” lança livro que é um relato detalhado da companhia que se tornou um sinônimo da crescente supremacia tecnológica do país asiático e também um ponto crítico nas relações entre os EUA e a China

Por Eleanor Olcott – Valor/Financial Times – 13/01/2025 

É quase impossível passar um dia na China sem esbarrar em alguma parte do império da Huawei. A gigante de tecnologia chinesa vende uma variedade de produtos eletrônicos de consumo que vai de televisores e sistemas domésticos inteligentes a smartphones. Suas redes de telecomunicações e centros de dados mantêm a população online; seus sistemas de direção autônoma estão incorporados em um número crescente de carros elétricos. Ela projeta semicondutores, fabrica painéis solares e até mesmo tem hotéis. Também opera sistemas de vigilância para governos locais, ao mesmo tempo que aproveita seu enorme poder de compra e distribuição para pressionar fornecedores e concorrentes.

Não é exagero chamá-la de “a empresa mais poderosa da China”, como faz Eva Dou em seu novo livro, “House of Huawei” (Portfolio, 448 págs., R$ 133,36 no Kindle). A jornalista do “The Washington Post” e ex-correspondente na China escreveu um relato detalhado de uma empresa que se tornou um sinônimo da crescente supremacia tecnológica da China e também um ponto crítico nas relações entre os EUA e a China.

A Huawei é uma companhia extremamente ambiciosa. Desde sua fundação em 1987, em Shenzhen, ela passou a dominar as redes globais de telecomunicações por meio de apostas tecnológicas estratégicas. Ao longo do caminho, ela atraiu um escrutínio crescente de governos de várias partes do mundo que temem que o equipamento de rede da Huawei permita a espionagem por Pequim.

No entanto, pouco se sabe sobre o funcionamento interno desta misteriosa companhia. Ela despertou a atenção global em 2018, após a prisão de sua diretora financeira, Meng Wanzhou, no Canadá. Os EUA tentaram extraditar Meng, também filha do enigmático fundador da Huawei, Ren Zhengfei, por seu papel nos negócios da empresa no Irã sob sanções. O livro narra o drama em detalhes e explica por que a Huawei se viu no centro de tanta controvérsia.

É uma narrativa que está no cerne da relação geopolítica mais significativa da atualidade e ajuda o leitor a entender por que Washington e Pequim estão em conflito sobre o destino da companhia que desempenhou um papel crucial no fortalecimento do ecossistema tecnológico da China e na ampliação de sua influência internacional. Washington pressionou aliados a parar de usar os equipamentos 5G da Huawei, ao que o Reino Unido inicialmente resistiu, mas acabou cedendo, ordenando a remoção dos equipamentos das redes públicas.

Donald Trump impôs sanções à Huawei pela primeira vez em 2019, durante seu primeiro mandato, restringindo a capacidade de algumas empresas americanas de fazer negócios com ela por preocupações com a segurança nacional. A medida transformou a Huawei em mártir na China. O ataque de Washington continuou sob o presidente Joe Biden, que aumentou ainda mais as restrições sobre a companhia. Pequim fez grandes esforços para apoiar a Huawei em meio à crise que se seguiu após ela ter sido impedida de obter tecnologias estrangeiras essenciais que usava em seus produtos. O governo concedeu subsídios generosos, pressionou clientes a optarem por seus produtos em vez de alternativas importadas e poupou a Huawei de qualquer ação durante a repressão ao setor de tecnologia que limitou o poder de algumas gigantes chinesas como a Tencent e a Alibaba.

Agora, Marco Rubio, a escolha de Trump para secretário de Estado do novo governo dos EUA, aponta para outros quatro anos turbulentos para a Huawei. Recentemente, Rubio escreveu um artigo de opinião para o “Miami Herald” afirmando que o objetivo da Huawei é a “dominação global”, chamando-a de “menos uma empresa de telecomunicações do que um ativo geopolítico do Partido Comunista chinês”. A Huawei insiste que é uma companhia privada e que o governo não interfere em seus negócios ou na segurança de seus produtos.

A prisão de Meng forçou a Huawei a se abrir para o mundo exterior. Ren, que evita a imprensa, deu entrevistas à mídia estrangeira como parte de um esforço para ajudar no caso de sua filha. Eva Dou narra a vida de Ren — desde a infância pobre em Guizhou, uma província montanhosa no sudoeste da China, até o comando da maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo — de uma maneira que ajuda o leitor a entender o que motiva esse engenheiro notoriamente implacável.

O primeiro negócio da Huawei foi importar centrais telefônicas antes de começar a fabricar suas próprias versões mais baratas, copiando designs estrangeiros no processo. Mais tarde, ela se beneficiou de uma política governamental para eliminar a tecnologia estrangeira das redes de comunicações da China. A Huawei desenvolveu uma reputação de generosidade para com funcionários do governo e executivos de telecomunicações, pagando viagens internacionais e organizando banquetes luxuosos em sua sede. Dou retrata Ren como um mestre em criar redes de contatos, com iniciativas que incluíam enviar bolos de aniversário para especialistas em telecomunicações aposentados que haviam ajudado a Huawei.

Há muitas perguntas sem respostas sobre a Huawei que estão na raiz de seus problemas com os EUA. Qual é a sua relação com o Partido Comunista chinês? Sua tecnologia facilita a espionagem de Pequim no exterior? Qual é a relação de Ren com o Exército de Libertação do Povo, onde ele foi um engenheiro? As primeiras inovações da Huawei em tecnologia de roteadores surgiram, como afirmam seus críticos, do roubo desenfreado de propriedade intelectual de concorrentes ocidentais, que ela então aniquilou?

Dou não oferece uma resposta definitiva a essas perguntas, mas expõe eloquentemente fatos disponíveis e permite aos leitores tirar suas próprias conclusões. Ela também é transparente sobre os limites da reportagem ao tentar compreender essa empresa deliberadamente opaca. O leitor fica com a impressão de que o apoio político foi fundamental para a ascensão da Huawei e que Pequim tem um grande interesse em seu sucesso.

“House of Huawei” é mais impactante ao descrever como a empresa venceu a disputa pela dominação dos sistemas de comunicação de rede globais. As companhias de tecnologia chinesas são famosas por suas longas jornadas de trabalho e pela cultura de dedicação extrema. Mas nenhuma delas tanto quanto a “guerreira-lobo” Huawei, que enviou trabalhadores durante a epidemia de Sars em 2003 para conquistar contratos enquanto empresas estrangeiras retiravam sua força de trabalho durante a crise de saúde, e desafiou avisos oficiais para sair de países em crise durante a Primavera Árabe, enviando engenheiros para consertar equipamentos danificados por manifestantes.

A Huawei reflete a ascensão de muitas outras empresas chinesas que se aventuraram em setores dominados pelo Ocidente. Inicialmente, os concorrentes desdenharam da empresa, dizendo que ela não conseguiria inovar. Isso foi um erro fatal, pois a Huawei acabou dominando a implementação da tecnologia 5G e agora busca projetos cada vez mais ambiciosos.

Embora o livro forneça um relato claro do crescente domínio da Huawei nas comunicações de rede, ele não aborda seus negócios mais novos que vê como o futuro da empresa, como a inteligência artificial generativa e a direção autônoma. Mas ele fornece ao leitor um relato equilibrado e detalhado de uma companhia que resistiu a múltiplas crises existenciais e emergiu cada vez mais poderosa.

Após o retorno de Meng à China no fim de 2021, o breve período de abertura terminou. Ela parou de cortejar jornalistas estrangeiros e de fornecer detalhamentos financeiros nos relatórios anuais. Ela não cooperou com Dou no livro. Com a Huawei se afastando dos holofotes e a cobertura desta empresa se tornando mais difícil, um livro descrevendo suas origens e lugar na história corporativa é mais necessário do que nunca.

(Tradução de Mario Zamarian)

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Por que a mão dos seres humanos é especial — e o maior desafio para robôs ‘perfeitos’

Nossas mãos realizam milhares de tarefas complexas todos os dias — será que a inteligência artificial pode ajudar os robôs a se equiparar a elas?

Claudia Baxter – BBC Future 27 janeiro 2025

A mão humana é uma das partes do corpo mais surpreendentemente sofisticadas e fisiologicamente intrincadas. Ela tem mais de 30 músculos, 27 articulações e uma rede de ligamentos e tendões que proporcionam 27 eixos de movimento. Há mais de 17 mil receptores de toque e terminações nervosas somente na palma da mão. Esses recursos permitem que nossas mãos executem uma variedade impressionante de tarefas altamente complexas por meio de uma ampla gama de movimentos diferentes.

Mas não é preciso dizer nada disso a Sarah de Lagarde.

Em agosto de 2022, ela estava no topo do mundo. Tinha acabado de escalar o Monte Kilimanjaro com o marido, e estava em excelente forma. Mas apenas um mês depois, ela se viu deitada em um leito de hospital, com ferimentos terríveis.

Ao voltar para casa depois do trabalho, De Lagarde escorregou e caiu entre um vagão do metrô e a plataforma na estação High Barnet, em Londres. Esmagada pelo trem que partia e por outro que entrava na estação, ela perdeu o braço direito abaixo do ombro, e parte da perna direita.

Após o longo processo de recuperação, o NHS, serviço público de saúde britânico, ofereceu a ela uma prótese de braço, mas ela proporcionava pouco em termos de movimento normal da mão. Em vez disso, parecia priorizar a forma, em detrimento da funcionalidade.

A prótese apresentava apenas uma única articulação no cotovelo, enquanto a mão em si era uma massa estática na extremidade. Durante nove meses, ela lutou para realizar as tarefas diárias, até que foi oferecido a ela algo transformador: um braço biônico movido a bateria que utiliza inteligência artificial (IA) para prever os movimentos que ela deseja, detectando minúsculos sinais elétricos de seus músculos.

“Toda vez que faço um movimento, ela aprende”, explica De Lagarde.

“A máquina aprende a reconhecer os padrões e, por fim, transforma em inteligência artificial generativa, quando começa a prever qual será meu próximo movimento.”

Até mesmo pegar algo tão simples como uma caneta, e movê-la por nossos dedos até adotar uma posição para escrever envolve uma integração perfeita entre o corpo e o cérebro. As tarefas manuais que realizamos sem pensar exigem uma combinação refinada de controle motor e feedback sensorial — desde abrir uma porta até tocar piano.

Com esse nível de complexidade, não é de se admirar que as tentativas de igualar a versatilidade e a destreza das mãos humanas tenham sido evitadas por profissionais médicos e engenheiros durante séculos. Desde a rudimentar mão de ferro com mola de um cavaleiro alemão do século 16 até a primeira mão robótica do mundo com feedback sensorial criada na Iugoslávia na década de 1960, nada chegou perto de se equiparar às habilidades naturais da mão humana. Até agora.

Os avanços na inteligência artificial estão dando início a uma geração de máquinas que estão chegando perto de corresponder à destreza humana. Próteses inteligentes, como a que De Lagarde recebeu, podem antecipar e refinar os movimentos.

Os robôs de colheita de frutas macias são capazes de colher um morango em um campo e colocá-lo delicadamente em uma caixinha com outras frutas sem amassá-las. Os robôs guiados por visão conseguem até mesmo extrair cuidadosamente resíduos nucleares de reatores. Mas será que eles podem realmente competir com as incríveis capacidades da mão humana?

Inteligência artificial integrada

Recentemente, dei à luz minha primeira filha. Poucos instantes após chegar ao mundo, sua pequena mão envolveu suavemente o dedo indicador do meu companheiro. Incapaz de focar o olhar em algo que esteja a mais do que alguns centímetros à sua frente, seus movimentos de mão e braço são limitados, em geral, a reflexos involuntários que permitem que ela segure um objeto quando ele é colocado na sua palma da mão. Essa é uma ilustração adorável da sensibilidade da nossa destreza, mesmo em nossos primeiros momentos de vida — e sugere o quanto ela melhora à medida que crescemos.

Nos próximos meses, a visão da minha filha vai avançar o suficiente para dar a ela percepção de profundidade, enquanto o córtex motor de seu cérebro vai se desenvolver, oferecendo maior controle sobre seus membros. Suas pegadas involuntárias vão dar lugar a ações de agarrar mais deliberadas, com suas mãos enviando sinais de volta ao cérebro, permitindo que ela faça ajustes finos no movimento à medida que sente e explora o mundo ao seu redor. Serão necessários vários anos de esforço determinado, tentativas, erros e brincadeiras para que minha filha atinja o nível de destreza manual que os adultos possuem.

E, assim como um bebê que aprende a usar as mãos, os robôs habilidosos que utilizam inteligência artificial integrada seguem um roteiro semelhante. Esses robôs devem coexistir com seres humanos em um ambiente e aprender a realizar tarefas físicas com base na experiência anterior. Eles reagem ao ambiente e ajustam seus movimentos em resposta a essas interações. A tentativa e o erro desempenham um papel importante nesse processo.

“A IA tradicional lida com informações, enquanto a IA integrada percebe, entende e reage ao mundo físico”, diz Eric Jing Du, professor de engenharia civil da Universidade da Flórida, nos EUA.

“Essencialmente, ela oferece aos robôs a capacidade de ‘ver’ e ‘sentir’ o ambiente ao seu redor, permitindo que eles realizem ações de maneira semelhante à humana.”

Mas essa tecnologia ainda está engatinhando. Os sistemas sensoriais humanos são tão complexos, e nossas habilidades perceptivas tão hábeis, que reproduzir a destreza no mesmo nível da mão humana continua sendo um grande desafio.

“Os sistemas sensoriais humanos podem detectar pequenas mudanças e se adaptar rapidamente às mudanças nas tarefas e nos ambientes”, acrescenta Du.

“Eles integram vários inputs sensoriais, como visão, tato e temperatura. Atualmente, os robôs não têm esse nível de percepção sensorial integrada.”

Mas o nível de sofisticação está aumentando rapidamente. Veja o robô DEX-EE. Desenvolvido pela Shadow Robot Company em colaboração com o Google DeepMind, é uma mão robótica com três dedos que usa drivers do tipo tendão para obter 12 eixos de movimento. A equipe por trás do DEX-EE, projetado para “pesquisa de manipulação hábil”, espera demonstrar como as interações físicas contribuem para o aprendizado e o desenvolvimento da inteligência generalizada.

Cada um de seus três dedos contém sensores na ponta do dedo, que fornecem dados tridimensionais em tempo real sobre o ambiente, além de informações sobre sua posição, força e inércia. O dispositivo pode manusear e manipular objetos delicados, incluindo ovos e balões inflados, sem danificá-los. Ele aprendeu até mesmo a apertar as mãos — algo que exige que reaja à interferência de forças externas e situações imprevisíveis. No momento, o DEX-EE é apenas uma ferramenta de pesquisa, e não para ser usado em situações reais de trabalho em que poderia interagir com seres humanos.

Mas entender como realizar essas funções vai ser essencial à medida que os robôs se tornarem cada vez mais presentes ao lado das pessoas, tanto no trabalho quanto em casa. Com que força, por exemplo, um robô deve segurar um paciente idoso ao colocá-lo em uma cama?

Um projeto de pesquisa do Instituto Fraunhofer IFF em Magdeburg, na Alemanha, configurou um robô simples para “socar” repetidamente voluntários humanos no braço, num total de 19 mil vezes, para ajudar seus algoritmos a aprender a diferença entre uma força potencialmente dolorosa e uma confortável. Mas alguns robôs habilidosos já estão começando a aparecer no mundo real.

A ascensão dos robôs

Há muito tempo, os roboticistas sonham com autômatos com destreza antropomórfica suficientemente boa para realizar tarefas indesejáveis, perigosas ou repetitivas.

Rustam Stolkin, professor de robótica da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, lidera um projeto para desenvolver robôs controlados por inteligência artificial altamente hábeis, capazes de lidar com resíduos nucleares do setor de energia, por exemplo. Embora esse trabalho normalmente use robôs controlados remotamente, Stolkin está desenvolvendo robôs autônomos guiados por visão que podem ir a locais onde é muito perigoso para os seres humanos se aventurarem.

Talvez o exemplo mais conhecido de um androide do mundo real seja o robô humanoide Atlas, da Boston Dynamics, que cativou o mundo em 2013 com suas capacidades atléticas. A versão mais recente do Atlas foi revelada no fim de 2024, e combina visão computacional com uma forma de inteligência artificial conhecida como aprendizado por reforço, na qual o feedback ajuda os sistemas de IA a se tornarem melhores no que fazem. De acordo com a Boston Dynamics, isso permite que o robô execute tarefas complexas, como empacotar ou organizar objetos nas prateleiras.

Mas as habilidades necessárias para realizar muitas das tarefas em setores liderados por seres humanos, nos quais robôs como o Atlas poderiam se destacar, como manufatura, construção e saúde, representam um desafio especial, de acordo com Du.

“Isso acontece porque a maioria das ações motoras manuais nesses setores exige não apenas movimentos precisos, mas também respostas adaptativas a variáveis imprevisíveis, como formas irregulares de objetos, texturas variadas e condições ambientais dinâmicas”, diz ele.

Du e seus colegas estão trabalhando em robôs de construção altamente habilidosos que usam inteligência artificial integrada para aprender habilidades motoras por meio da interação com o mundo real.

Atualmente, a maioria dos robôs é treinada para tarefas específicas, uma de cada vez, o que significa que eles têm dificuldade para se adaptar a situações novas ou imprevisíveis. Isso limita suas aplicações. Mas Du argumenta que isso está mudando.

“Avanços recentes sugerem que os robôs podem, em algum momento, aprender habilidades versáteis e adaptáveis que permitam a eles lidar com uma variedade de tarefas sem treinamento específico prévio”, ele afirma.

A Tesla também deu ao seu próprio robô humanoide Optimus uma nova mão no fim de 2024. A empresa divulgou um vídeo do robô pegando uma bola de tênis em pleno ar. Mas ele foi teleoperado por controle remoto manual — em vez de ser autônomo, de acordo com os engenheiros por trás dele. A mão tem 25 eixos de movimento, segundo eles.

Mas enquanto alguns inovadores tentaram recriar mãos e braços humanos em forma de máquina, outros optaram por abordagens muito diferentes em relação à destreza. A empresa de robótica Dogtooth Technologies, com base em Cambridge, criou robôs de colheita de frutas macias, com braços altamente hábeis e pinças de precisão capazes de colher e embalar frutas delicadas, como morangos e framboesas, na mesma velocidade que os trabalhadores humanos.

O cofundador e CEO da Dogtooth Technologies, Duncan Robertson, teve a ideia dos robôs colhedores de frutas enquanto estava deitado em uma praia no Marrocos. Com experiência em aprendizado de máquina (machine learning) e visão computacional, Robertson queria aplicar suas habilidades para ajudar a limpar o lixo na praia, criando um robô de baixo custo que pudesse identificar, classificar e remover detritos. Quando voltou para casa, ele aplicou a mesma lógica ao cultivo de frutas macias.

Os robôs que ele desenvolveu junto à equipe da Dogtooth usam modelos de aprendizado de máquina para implementar algumas das habilidades que nós, seres humanos, possuímos instintivamente. Cada um dos dois braços do robô possui duas câmeras coloridas, muito parecidas com olhos, que permitem identificar o grau de amadurecimento das frutas e determinar a profundidade de cada uma das frutas-alvo a partir de seu “efetor” final, ou dispositivo de preensão.

Os robôs mapeiam a dispersão e a disposição das frutas maduras no pé e transformam isso em uma sequência de ações, com um planejamento preciso da rota necessária para guiar o braço do colhedor até o caule da fruta para fazer um corte.

Cada um dos braços do robô da Dogtooth tem sete eixos de movimento, o mesmo que o braço humano, o que significa que esses apêndices podem manobrar bem o suficiente para encontrar o ângulo ideal para alcançar cada fruta sem danificar as outras que ainda estão no pé. O dispositivo de preensão agarra, então, suavemente a fruta pelo caule, passando-a para uma câmara de inspeção antes de colocá-la cuidadosamente em uma caixinha para distribuição. Outro sistema de colheita de morangos, criado pela Octinion, usa garras flexíveis para agarrar a fruta enquanto a transfere do pé para a cesta.

Embora muitos de nós saibamos instintivamente quanta força é necessária para manusear um morango sem esmagá-lo, foram necessárias décadas de pesquisa e desenvolvimento para que os robôs alcançassem a mesma destreza. Robertson faz questão de enfatizar que os robôs da sua empresa não substituem os trabalhadores humanos, mas que podem ajudar a solucionar a escassez de mão de obra enfrentada em muitas áreas do setor agrícola, permitindo que pessoas e máquinas façam a colheita juntas.

Robôs capazes de lidar com algumas das tarefas mais delicadas atualmente executadas por seres humanos poderiam proporcionar um importante impulso a vários setores industriais, observa Pulkit Agrawal, professor do departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA.

“Somente no setor de manufatura dos EUA, algumas estimativas preveem [uma] escassez de mais de 2 milhões de trabalhadores”, diz Agrawal, que está desenvolvendo máquinas capazes de manipular objetos.

“Seja em aplicações industriais, busca e salvamento, exploração espacial ou para ajudar a população idosa, o impacto da robótica alimentada por inteligência artificial vai ser transformador — muito mais do que o ChatGPT, na minha opinião.”

No entanto, ao longo de um dia, as mãos humanas realizam milhares de tarefas diferentes, se adaptando para lidar com uma variedade de formas, tamanhos e materiais diferentes. E a robótica ainda tem um longo caminho pela frente para competir com isso. Um teste recente de uma mão robótica usando componentes de código aberto que custam menos de US$ 5 mil descobriu que ela poderia ser treinada para reorientar objetos no ar. Porém, quando confrontado com um objeto desafiador — um pato de borracha de brinquedo — o robô se atrapalhou, e deixou o pato de borracha cair em cerca de 56% das vezes.

Próteses que preveem

Mas, talvez, a aplicação definitiva da destreza robótica seja nas próteses —substituindo uma mão humana perdida em decorrência de um acidente ou doença, por exemplo. As pioneiras próteses mioelétricas de mão e braço que Sarah de Lagarde recebeu dão algumas dicas do que pode ser possível no futuro.

Uma colaboração entre várias empresas de software e hardware, seu braço usa reconhecimento de padrão mioelétrico, ou decodificação de intenção neurológica, que é uma forma de aprendizado de máquina que permite que sua mão aprenda seus movimentos e faça previsões com base em comportamentos anteriores. Isso significa que De Lagarde é capaz de mover a mão de forma mais instintiva.

“Uma peça de hardware integrada na prótese do braço de Sarah registra os sinais musculares na superfície de sua pele quando ela visualiza um movimento específico”, diz Blair Lock, CEO da Coapt, desenvolvedora do algoritmo de inteligência artificial que impulsiona os movimentos do braço de De Lagarde. Esse hardware decodifica esses sinais musculares para adivinhar que ação De Lagarde pretende fazer com a mão.

“O modelo de reconhecimento de padrões pode detectar a intensidade de determinada ação, a velocidade e a intensidade. Ele é capaz de executar os comandos em menos de 25 milissegundos”, acrescenta Lock.

De Lagarde compara o processo ao uso de um controle de videogame, no qual você pressiona uma sequência de botões para solicitar uma resposta específica do seu avatar na tela. No início, ela achava difícil realizar multitarefas, pois todos os seus pensamentos se concentravam em contrair a sequência certa de fibras musculares no ombro. Mas, por fim, os algoritmos de inteligência artificial se tornaram hábeis em prever suas intenções, o que significa que agora ela pode realizar multitarefas com muito mais facilidade.

“Posso instruí-la a ter um toque muito leve para que eu possa pegar um ovo sem esmagá-lo”, diz De Lagarde.

“Mas, ao mesmo tempo, posso intensificar a pegada e torná-la muito mais forte para que eu possa realmente esmagar uma lata de coca-cola.”

A inteligência artificial também está integrada ao aplicativo acoplado ao braço, que faz sugestões sobre como usar o braço de forma mais otimizada, com base no uso anterior. Embora seja uma grande melhoria, a prótese nunca será tão boa quanto o braço original de De Lagarde, diz ela. Ela é pesada, fica suada nos meses de verão e precisa ser carregada uma vez por dia. Além disso, ainda tem alguns obstáculos a superar em termos de funcionalidade.

Os mecanismos de feedback háptico da prótese ainda são bastante rudimentares, e De Lagarde depende principalmente da visão para manusear objetos. Periodicamente, ela se esquece de que está segurando algo e solta a pegada, deixando cair no chão.

As mãos humanas, em comparação, usam as redes de receptores de toque em nossos dedos e palmas para sentir onde algo está, determinar a força com que precisamos agarrar para pegar um objeto, e perceber se o atrito começa a mudar.

A inteligência artificial integrada está claramente levando a robôs e próteses cada vez mais hábeis. Por enquanto, no entanto, está claro que a tecnologia ainda tem um caminho a percorrer antes de se equiparar ou superar completamente o incrível design do corpo humano. De acordo com Agrawal, os desafios permanecem no hardware robótico físico e no software.

“Embora tenhamos feito avanços significativos nos últimos anos, e a destreza semelhante à humana pareça viável, estamos a pelo menos cinco anos de distância, se não mais”, diz ele.

Mesmo com o aprimoramento da destreza, há outros aspectos a serem considerados, observa Du.

“A segurança é fundamental”, diz ele.

“Isso abrange tanto a segurança física, garantindo que os sistemas robóticos possam operar sem causar danos aos colegas de trabalho humanos, quanto a segurança do sistema, envolvendo proteções robustas contra falhas e redundâncias nos algoritmos de inteligência artificial para evitar mau funcionamento ou ações não intencionais.”

Du também cita considerações éticas, como o impacto sobre os empregos.

Para De Lagarde, as melhorias na destreza das mãos robóticas trouxeram de volta habilidades que ela achava ter perdido — tarefas simples, como servir um copo de água e dar um abraço nos filhos com os dois braços.

Quando pergunto a De Lagarde onde ela gostaria de ver a tecnologia no futuro, ela imagina um futuro em que a ampliação robótica do corpo não se limite apenas àqueles com diferenças nos membros ou deficiência, mas possa ajudar idosos a permanecerem ativos em seus últimos anos de vida, por exemplo.

Embora ela não tenha escolhido ser uma embaixadora da inteligência artificial integrada, a disposição de De Lagarde em adotar a tecnologia também oferece um vislumbre do que pode ser possível.

Por que a mão dos seres humanos é especial – e o maior desafio para robôs ‘perfeitos’ – BBC News Brasil

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‘Setores da indústria brasileira poderão ser varridos do mapa’, diz Spektor, sobre tarifaço de Trump

Maior desafio não serão tarifas, e sim enxurrada de produtos chineses, diz professor, que prevê dilema para o Brasil, entre proteger a produção nacional e evitar retaliações do país asiático

Por Carlos Eduardo Valim – Estadão – 02/04/2025 

Ao ter tarifa linear estabelecida em 10% para as exportações dos seus produtos para os Estados Unidos, a economia brasileira deverá sofrer menos com a imposição de novas taxas criadas pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, do que por uma reconfiguração global do comércio que elas causarão.

Segundo o professor Matias Spektor, fundador da escola de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV) e associado ao Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), alguns setores industriais poderão ser varridos do mapa com “uma enxurrada de produtos chineses” que serão redirecionados para outros mercados, ao ser afetados pelas tarifas americanas.

O grande dilema do governo brasileiro ficará entre proteger setores com maior capacidade de lobby em Brasília e evitar retaliações do país asiático. “A China é o grande parceiro do Brasil, mas um ameaçador parceiro, por que somos muito dependentes deles”, afirma.

Leia os principais trechos da entrevista ao Estadão.

Com a tarifa de 10% para o Brasil, haverá impacto para a economia local?

Haverá um impacto, sem dúvidas, para o Brasil. Trump está aplicando tarifas médias muito mais altas do que o mundo viu nos últimos 60 anos. Isso significa que ele é muito sério no argumento dele, de que vai tentar reindustrializar os EUA, dificultando o acesso de terceiros ao mercado americano.

Alguns setores sofrerão, em particular, como os de aço e alumínio, de suco de laranja, serviços de engenharia, produtos de madeira e de cimento. Mas uma coisa que a imprensa brasileira não está dizendo é que a China é o país que está mais sofrendo com as tarifas, e isso vai causar uma enxurrada de produtos chineses mundo afora. O Brasil viu isso quando o (ex-presidente, Joe) Biden fechou o mercado americano para painéis solares da China. Isso causou uma enxurrada no mercado brasileiro, o que foi bom por um lado, uma vez que derrubou o preço deles e permitiu o crescimento da energia solar no País. Mas, agora, vem uma enxurrada generalizada de produtos chineses.

Então, alguns setores industriais podem ficar ameaçados?

Está se criando uma nova dinâmica irônica, com um grande desafio para a indústria brasileira. Quando a China faz dumping, ela subsidia um setor, e ataca um mercado e alguns países com produtos baratos. O pneu de caminhão chinês acabado, por exemplo, é mais barato que o preço da matéria-prima no Brasil. O próximo capítulo desta novela será o Brasil criando um mecanismo para conseguir se defender da enxurrada de produtos. Ela vai permitir ao Brasil uma redução de preços em dólares de insumos, e até reduzir a inflação, com produtos mais baratos. Mas alguns setores da indústria brasileira poderão ser varridos do mapa.

Como eles vão poder se proteger? E o governo não pode irritar a China se levantar tarifas contra eles?

Eles vão pedir proteção ao governo federal. Os com mais poder de lobby, que financiam campanhas políticas, serão mais atendidos. Haverá um novo protecionismo. Certamente, a China é o grande parceiro do Brasil, mas um ameaçador parceiro, porque somos muito dependentes deles. A ironia disso é que o maior desafio para a indústria brasileira não vem da tarifa do Trump. A China tem muito poder de barganha e, se fechar acessos a mercado, em retaliação a tarifas contra os seus produtos baratos, pode afetar muito o País. Este é o novo drama da política externa brasileira, como lidar com os efeitos não intencionais das tarifas do Trump.

‘Setores da indústria brasileira poderão ser varridos do mapa’, diz Spektor, sobre tarifaço de Trump – Estadão

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