The Economist: Por que as empresas dos países nórdicos são tão bem-sucedidas?

Da Lego à Novo Nordisk, boa parte das principais empresas da Europa vem da região

Por Estadão/The Economist – 04/01/2025 

Da sala de jantar no andar térreo da “Carl’s Villa”, em Copenhague, os hóspedes têm vista para um jardim encantador adornado com estátuas clássicas. A casa em estilo art nouveau foi construída em 1892 por Carl Jacobsen, filho do fundador da Carlsberg. Desde então, a cervejaria, que atualmente usa a casa para reuniões, tornou-se uma das maiores do mundo.

Jacob Aarup-Andersen, o atual chefe da Carlsberg, admite que o sucesso da empresa faz parte de um quebra-cabeças maior sobre as empresas dinamarquesas. Recentemente, durante um jantar, diz ele, alguém lhe perguntou como um país tão pequeno pode produzir tantas empresas grandes.

O que é verdade para a Dinamarca é verdade para a Finlândia, Noruega e Suécia. Os quatro maiores países nórdicos representam cerca de 1% do PIB mundial e 0,3% de sua população. No entanto, eles produziram uma lista impressionante de gigantes corporativos. A Lego é a maior fabricante de brinquedos do planeta em termos de receita; a ikea é a maior fabricante de móveis do planeta (e, graças às almôndegas suecas, a sexta maior rede de restaurantes). Os países nórdicos abrigam os principais fabricantes de tudo, desde maquinário (Atlas Copco) e equipamentos de telecomunicações (Nokia e Ericsson) até cintos de segurança (Autoliv) e elevadores (kone).

A região também produziu a maior empresa de streaming de música do mundo (Spotify) e o maior serviço de compre agora e pague depois (Klarna). A Novo Nordisk, pioneira dinamarquesa em medicamentos para perda de peso, é a empresa mais valiosa da Europa, mesmo depois que suas ações caíram em dezembro em resposta aos resultados decepcionantes dos testes de um novo medicamento.

As empresas nórdicas superaram o desempenho das empresas do resto da Europa na última década. Em todos os quatro países, as empresas não financeiras listadas geraram retornos para os acionistas maiores do que a média europeia nos últimos dez anos. Atualmente, as empresas nórdicas representam cerca de 13% do Msci Europe, um índice das empresas mais valiosas do continente, em comparação com 10% há cinco anos. Essa participação agora é quase a mesma das empresas alemãs.

As empresas nórdicas também se saem bem em comparação com seus pares globais nos mesmos setores. Comparamos as 20 empresas listadas mais valiosas da região com suas principais rivais no exterior em uma série de medidas. Em média, as empresas nórdicas geraram margens operacionais sete pontos porcentuais mais altas do que a mediana do conjunto de seus pares em 2023, com retornos sobre o capital investido cinco pontos porcentuais mais altos. A dívida em relação aos lucros operacionais (antes da depreciação e amortização) foi menor para 14 das 20 empresas que examinamos quando comparadas com suas rivais. O crescimento anual das vendas foi praticamente igual ao da concorrência.

Obviamente, nem todas as empresas nórdicas foram bem-sucedidas. A Northvolt, fabricante de baterias, recentemente entrou em falência. O negócio de telefones celulares da Nokia foi esmagado pelo iPhone. Há também um elemento de sorte no sucesso dos nórdicos. A região é abençoada com o acesso a vastos recursos naturais, incluindo madeira, minério de ferro e – especialmente na Noruega – petróleo e gás. Mesmo assim, o desempenho superior das empresas nórdicas é impressionante. O que explica isso?

Um fator é que os empresários nórdicos, assim como seus ancestrais vikings, são aventureiros estrangeiros. “Nosso pequeno território é uma bênção no sentido de que torna obrigatória a perspectiva internacional”, diz Aarup-Andersen. Entre as dez empresas mais valiosas dos países nórdicos, para as quais existem dados disponíveis, a participação média das receitas geradas no país é de apenas 2%, em comparação com 12% para suas contrapartes no resto da Europa e 46% para as dos Estados Unidos. Anders Boyer, diretor financeiro da Pandora, a maior fabricante de joias do mundo em volume, diz que sua empresa passou de uma única loja em Copenhague para uma operação global em sete ou oito anos. Atualmente, a Dinamarca responde por 1% de suas vendas.

Um segundo fator é que as empresas nórdicas há muito tempo adotam a tecnologia com entusiasmo. Pouco depois da Segunda Guerra Mundial, o fundador da Lego mudou o material dos brinquedos, a madeira, depois de brincar com uma máquina de moldagem de plástico nova (isso custou um ano de vendas). Hoje, esse espírito persiste. Dados da Eurostat, uma agência de estatísticas, mostram que 45% das empresas da União Europeia que empregam mais de dez pessoas pagam por serviços de computação em nuvem. A média dos quatro países nórdicos, que lideram a classificação, é de 73%.

O fervor nórdico pela tecnologia também é visível no próspero cenário de startups da região. Entre as cidades europeias, apenas Londres, Paris e Berlim atraem mais financiamento de capital de risco do que Estocolmo, que tem muito menos pessoas. Helsinque está repleta de desenvolvedores de jogos, incluindo a Rovio, criadora do “Angry Birds”, e a Supercell, criadora do “Clash of the Clans”. Atualmente, os empreendedores nórdicos podem achar menos assustador assumir riscos sabendo que, se fracassarem, terão acesso a generosos benefícios de desemprego e a sistemas públicos de saúde e educação que funcionam bem.

A política governamental, de forma mais ampla, é um terceiro fator que sustenta o sucesso das empresas nórdicas. Embora as elevadas taxas de imposto pessoal financiem sistemas de bem-estar generosos nos países nórdicos, a taxa sobre os lucros das empresas é aproximadamente a mesma que nos Estados Unidos.

Todos os anos, a Heritage Foundation, um think tank conservador em Washington, compila um índice da liberdade econômica dos países, que captura aspectos como a abertura dos mercados, usando medidas como as taxas tarifárias, e como as empresas podem operar livremente, avaliando regulamentos. Dinamarca, Noruega e Suécia estão entre os dez primeiros. Na Dinamarca, em particular, contratar e demitir trabalhadores é mais fácil do que em outros lugares da Europa. A adesão do governo dinamarquês à digitalização também facilitou fazer negócios lá. Como aponta Vincent Clerc, o chefe da Maersk, gigante dinamarquês do setor de navegação, “Você pode obter um número de IVA em um dia.” Na França, isso pode levar meses.

Um quarto fator no desempenho superior nórdico são os acionistas pacientes. De acordo com a consultoria McKinsey, quatro quintos das grandes empresas nórdicas são propriedade de longo prazo, comparado com três quintos na Europa e apenas um quinto na América. Dinastias empresariais desempenham um papel proeminente na região. Maersk e Lego ainda são controladas, respectivamente, pelas famílias fundadoras Moller e Kristiansen, embora ambas as empresas sejam geridas no dia a dia por pessoas de fora. Na Suécia, os Wallenbergs, cuja fortuna originou-se no setor bancário, possuem grandes participações em várias empresas, incluindo Atlas Copco e Ericsson. Outras grandes empresas nórdicas, incluindo Carlsberg e Novo Nordisk, são controladas por fundações sem fins lucrativos.

Esses arranjos impediram que empresas estrangeiras adquirissem companhias nórdicas, dando-lhes mais tempo para crescer. Eles também facilitaram para as empresas investirem em seu sucesso a longo prazo. A McKinsey calcula que quatro quintos das empresas nórdicas listadas gastam mais em pesquisa e desenvolvimento do que seus rivais fazem em outros lugares no Ocidente. Lars Fruergaard Jørgensen, chefe da Novo Nordisk, disse que seu principal foco é como a empresa estará em 10 a 20 anos.

Isso é bom, porque o modelo de negócios nórdico pode sofrer pressão nos próximos anos. 

Dada a sua dependência de operações no exterior, as empresas nórdicas estão particularmente expostas a águas geopolíticas mais agitadas. Algumas já foram afetadas. Em 2023, o negócio da Carlsberg na Rússia foi apreendido pelo governo do país e colocado sob “gestão temporária”. Em dezembro, a cervejaria concordou em vender a operação para dois funcionários locais com um grande desconto. A Maersk teve barcos e terminais de contêineres atingidos por mísseis houthis no Mar Vermelho, forçando seus navios a evitar o Canal de Suez, adicionando tempo e despesas.

Fazer negócios no exterior está prestes a se tornar ainda mais difícil durante o segundo mandato de Donald Trump. Na campanha, o presidente eleito dos Estados Unidos prometeu impor uma tarifa de 10% sobre as importações de todos os países. A ameaça pode não se materializar – desde a eleição, Trump tem focado sua ira no México, Canadá e China -, mas uma visão mais cética do comércio certamente permeará a formulação de políticas americanas nos próximos anos. Isso pode ser um problema: um terço das vendas das dez empresas nórdicas mais valiosas é gerado na América.

Lidar com tudo isso exigirá uma última característica das empresas nórdicas. Niels Christiansen, diretor executivo da Lego, invoca Charles Darwin em sua avaliação de por que as empresas da região se saem tão bem. “Não é necessariamente o mais forte que sobrevive”, mas “aquele que se adapta às mudanças”. À medida que as empresas globais se preparam para o retorno de Trump à Casa Branca, essas palavras se tornam mais sábias do que nunca.

The Economist: Por que as empresas dos países nórdicos são tão bem-sucedidas? – Estadão

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: ttps://chat.whatsapp.com/GBBZ1SCBDTkC2uPqSe6kP7 para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

‘Uma grande ideia quase sempre parece ridícula’

Martin Reeves, do BCG Henderson Institute, fala sobre o incentivo estratégico da imaginação

Por Stela Campos — Valor – 13/01/2025 

Martin Reeves é biólogo, estudou música, mas logo descobriu que o que gostava mesmo era de pensar e resolver problemas. Os amigos diziam que nunca conseguiria ser pago para fazer isso, foi então que descobriu o trabalho de consultor. Este ano completa 35 anos no Boston Consulting Group, um dos maiores grupos de consultoria estratégica do mundo.

Pelo BCG, ele já trabalhou na Inglaterra, Europa Oriental, Japão e Estados Unidos, atendendo vários tipos de indústrias. Há 15 anos, tornou-se um pesquisador renomado no comando do BCG Henderson Institute, um think tank que ajudou a fundar e que é dedicado a explorar novas ideias no campo dos negócios, tecnologia, economia e ciências.

Reeves viaja muito, mas quando está em casa separa algumas horas para pensar, tocar gaita de fole e escrever. Um de seus livros mais conhecidos é “Sua estratégia precisa de uma estratégia”. O mais recente, “The imagination machine”, foi escrito com Jack Fuller. Em entrevista ao Valor, em São Paulo, ele falou sobre a importância de as empresas incentivarem a imaginação dos funcionários para inovar. Reeves lembra que a taxa de declínio da vantagem competitiva agora é 10 vezes mais rápida do que há 20 anos. Ser criativo é questão de sobrevivência. A seguir os principais trechos:

Valor: No seu último livro, o senhor fala sobre as pessoas terem momentos de imaginação, reflexão e criatividade nas empresas. Como é possível conseguir isso?

Martin Reeves: Uma empresa é uma máquina que converte as ideias de empreendedores em novas realidades. Antigamente, eram as pequenas que faziam isso, enquanto as grandes não o faziam porque eram bem-sucedidas fazendo a mesma coisa por 100 anos. Mas houve uma grande mudança no campo da estratégia: a durabilidade da vantagem competitiva diminuiu drasticamente devido a mercados de capital mais eficientes e à velocidade da tecnologia. O que isso significa? Significa que todas as grandes empresas agora precisam ser como as pequenas, se reinventar e reimaginar. A razão pela qual isso é difícil na prática é porque envolve fatores como: complacência, se as coisas estão indo bem, você pensa que não precisa fazer nada ou não sente a urgência; hiperespecialização, hoje as grandes empresas são divididas em departamentos e é muito difícil mudar o rumo se cada divisão tem sua própria visão; medo, se você pressiona muito pela performance as pessoas ficam receosas e com horizontes de tempo muito curtos; introversão, muitas empresas grandes pensam mais no que acontece dentro do que fora. Se você não está aberto a surpresas sobre o que concorrentes ou clientes estão fazendo, você não tem motivos para imaginar. A ciência da imaginação mostra que ela é essencialmente a resposta do cérebro humano à surpresa. Coisas que não se encaixam no padrão e que nos levam a reconsiderar nossos modelos mentais.

A inovação tem sempre uma assinatura matemática muito particular, que a torna muito difícil de prever”

Valor: A hierarquia nas grandes empresas pode inibir os funcionários de compartilharem suas ideias? Ter organizações mais horizontais ajudaria a mudar isso?

Reeves: A hierarquia é muito boa – é fácil criticá-la, mas é uma maneira muito eficaz de dividir o trabalho. O problema é que usando a imaginação você pode querer redistribuir o trabalho ou reconsiderá-lo. A hierarquia também está ligada à autoridade. Mas a imaginação precisa estar próxima da linha de frente. Qualquer pessoa pode ter uma boa ideia. Além disso, a hierarquia é uma personificação do status quo, você subdivide o trabalho de acordo com o modelo mental atual. Outro problema da hierarquia é que, ao dividir o trabalho, você não consegue mais enxergar o todo – o modelo de negócio completo. Em uma empresa pequena, todo mundo sabe como tudo funciona. Em uma grande, você sabe como funciona a sua pequena parte, mas não necessariamente o todo. Como contornar isso? Não acho que uma corporação completamente horizontal seja muito viável. Mas acho que você pode ter momentos em que suspende a hierarquia. Você pode ter momentos em que reúne pessoas de diferentes departamentos para pensar horizontes de tempo mais longos. Isso é difícil de fazer, por isso falo sobre jogos, porque você precisa levar as pessoas a um estado mental diferente. Como ex-biólogo, vejo o jogo como algo prazeroso, espontâneo, que acelera o aprendizado. Por exemplo, por que meninos brincam com espadas de plástico? Porque é mais rápido aprender fingindo lutar do que lutando de verdade. Por que os gatos brincam? Eles fingem caçar.Valor: Hoje fala-se muito sobre o conceito de segurança psicológica. Qual é a sua opinião sobre sua eficácia para a inovação?

Reeves: A segurança psicológica tem seus méritos e deméritos. Depende de como você interpreta. Acho que as pessoas devem se sentir seguras para dizer coisas ridículas, porque há dois tipos de “ridículo”. Um é impossível, algo como “esta xícara de café pode voar” – isso desafia as leis da física, nunca vai acontecer. Mas há um outro tipo de ridículo, que é apenas algo não familiar e um pouco ameaçador para o meu modelo mental atual, mas que pode ser uma grande ideia. Então, as pessoas precisam colocar as coisas na mesa. O que chamo de “novos bebês”, as novas ideias, quase sempre são um pouco feias. Quando uma grande ideia, como o próximo computador quântico ou um produto revolucionário, é proposta pela primeira vez, quase sempre parece ridícula. Então, precisa haver segurança. Por outro lado, a segurança psicológica pode não ser tão boa se significar excesso de conforto. Às vezes, ver as coisas de forma diferente envolve desconforto. Um dos jogos que uso é o do mau cliente. Nele, você entende tudo sobre pessoas que odeiam sua empresa, que nunca usariam seus produtos. Isso é desconfortável. Mas, ao se permitir sentir o desconforto, você pode ouvir boas ideias que rompem seu modelo mental atual.Valor: Por que o senhor diz que a inovação tem pouca chance de acontecer em um grupo grande?

Reeves: Se tivéssemos uma reunião nesta sala e quiséssemos apenas gerenciar a empresa, não precisaríamos romper o modelo mental atual. Mas, se quiséssemos reimaginar a empresa, precisaríamos romper o modelo. O que pode atrapalhar? Uma delas é ter pessoas demais. Algumas podem ser tímidas e não participar. Além disso, as pessoas podem querer convergir muito rápido para um consenso. A hierarquia também pode atrapalhar. Jeff Bezos, por exemplo, tem uma política de não falar primeiro em reuniões, porque até as pessoas mais corajosas e inteligentes podem mudar o que planejavam dizer depois de ouvir o chefe. Outro ponto é a falta de familiaridade com o pensamento contrafactual – pensar no que poderia ser verdade, mas ainda não é. Já vi isso com engenheiros quando você propõe ideias contrafactuais. Eles podem dizer: “Mas isso não é verdade”. Claro que não é, estamos explorando possibilidades! Esse processo tem estágios. Primeiro, perceber a fagulha, a surpresa. Segundo, romper o modelo mental atual. Terceiro, desenvolver a ideia. Quarto, testá-la. Quinto, vendê-la para outros. O storytelling é muito importante.

A taxa de declínio da vantagem competitiva agora é aproximadamente 10 vezes mais rápida do que era há 20 anos”

Valor: Reimaginar um processo em um departamento ou equipe é algo mais simples de se incentivar?

Reeves: Sim, a inovação incremental e local não é tão difícil. Por exemplo, em vez de escrever minhas anotações com lápis, uso uma caneta. Isso não é tão desafiador. Mas o que as empresas precisam fazer periodicamente – e com cada vez mais frequência – é reimaginar tudo. Isso é mais difícil e também onde estão os maiores riscos e recompensas. A razão para isso está ligada ao fato técnico de que a taxa de declínio da vantagem competitiva agora é aproximadamente 10 vezes mais rápida do que era há 20 anos.

Valor: Associar metas à inovação pode sabotar o próprio processo inibindo as pessoas de usar livremente a sua imaginação?

Reeves: Acho que se você não tiver nenhuma estrutura e tratar a inovação como algo mágico e criativo que pode acontecer em qualquer momento, não funciona. Por outro lado, se você fingir que é um processo mecânico, sem bagunça, também não funciona. Tem que haver um equilíbrio. As características de cada etapa do processo de imaginação que mencionei são bastante diferentes. Por exemplo,, a etapa de codificação é fascinante. Quando você inventa algo e está tentando industrializá-lo precisa criar procedimentos operacionais padrão. Isso pode parecer nada imaginativo, mas, na verdade, exige o ato de imaginar. Por exemplo, para uma rede de hotéis de luxo, com um ótimo atendimento, replicar isso do outro lado do mundo para clientes e funcionários chineses é difícil. Você não pode dizer tudo às pessoas. Se der a elas 1.000 páginas de instruções, elas se perderão nos detalhes. Se apenas disser algo como “ame o cliente”, isso não é específico o suficiente. Então, desenvolvemos a ideia de roteiros evolutivos, como um roteiro de ator. É algo projetado para ser simples o suficiente para seguir, capturando apenas os elementos essenciais para o sucesso, mas deixando espaço para inovação.

Valor: É preciso improvisar ao lidar com diferentes culturas?

Reeves: Exato. Por isso, o roteiro precisa ter um grau intermediário de estrutura. Um ótimo exemplo é a loja da Apple. O formato de varejo da Apple é o mais produtivo do mundo em termos de vendas por metro quadrado. Isso em si é uma invenção. Cada novo funcionário precisa entender como funciona. Eles têm um roteiro evolutivo, literalmente chamado de Apple, que descreve elementos essenciais sobre como abordar um cliente e resolver problemas. Ele é estruturado o suficiente para ser operacionalizado, mas aberto o suficiente para evoluir e ser customizado. Além disso, é simples o suficiente para ser discutido diariamente. Quando você vê os funcionários da loja da Apple conversando antes de abrir, estão falando sobre como ajustar e compartilhar experiências com base no roteiro.

Valor: O último capítulo do seu livro chama-se “IA: Imaginação Artificial”. Como o senhor vêo avanço da IA e o que ele representa?

Reeves: Estatísticas recentes mostram que apenas cerca de 5% das empresas estão realmente implementando IA. Então, ainda é cedo. A história da tecnologia nos ensina que é um processo imprevisível. O que achamos que funcionará pode acabar não funcionando, e há muita serendipidade na inovação tecnológica. Muitas vezes, os especialistas estão errados, porque seus pensamentos se baseiam na última tecnologia e não na experiência. Devemos tentar e ver o que realmente funciona, porque a realidade geralmente é mais surpreendente do que a teoria. Os maiores ganhos vêm quando você muda estruturas sociais, como o layout das fábricas ou o modelo de negócios. Isso  leva mais tempo.

Valor: Pensando na IA generativa, o senhor acha que ela ajudará os humanos a construir estratégias?

Reeves: Fizemos alguns testes e ela tem funcionalidades úteis, mas não em todas as etapas. Por exemplo, para a criação de narrativas – porque uma estratégia precisa ser compreensível e inspiradora para motivar ações -, encontramosresultados impressionantes. Para um não falante nativo ou para um engenheiro mais técnico do que linguístico, essas tecnologias são excelentes para criar narrativas estratégicas. Elas também são boas para inovações recombinatórias, ou seja, pegar elementos do modelo atual e combiná-los de uma nova forma. Mas não são tão boas para validação. Se vocêquiser saber: “Essa ideia funcionará?”, esses modelos não são eficazes, porque são treinados com base no que as pessoas disseram sobre o passado. Portanto, eles não têm uma noção prática do que é viável. Isso ainda depende dos humanos. Uma de nossas conclusões iniciais é que essas ferramentas serão muito poderosas em estratégia, mas provavelmente mais úteis nas mãos de especialistas do que de amadores. Mas ressalto que estamos descobrindo. A inovação tem sempre uma assinatura matemática muito particular, que a torna difícil de prever.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: ttps://chat.whatsapp.com/GBBZ1SCBDTkC2uPqSe6kP7 para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Nove em cada dez empresas querem trabalhadores com novas habilidades até 2030

No Brasil, de acordo com os dados do relatório “Futuro do Trabalho”, as empresas já planejam aprimorar trabalhadores com foco em inteligência artificial e alfabetização tecnológica entre outras habilidades

Por Rafael Vazquez, Valor — Valor – 08/01/2025 

As transformações proporcionadas por novas tecnologias, principalmente as digitais, já mudaram o mercado de trabalho no mundo e no Brasil e exigem que tanto trabalhadores quanto empresas se adaptem rapidamente por questões de empregabilidade, de um lado, e de produtividade, do outro. Segundo o relatório “Futuro do Trabalho”, elaborado globalmente pelo Fórum Econômico Mundial com parceria da Fundação Dom Cabral (FDC) no Brasil, o movimento terminará com o fim de algumas profissões, mas o saldo entre a destruição de vagas e a criação de outros postos de trabalho mais modernos deixa um saldo positivo de 78 milhões de empregos no mundo.

No Brasil, de acordo com os dados do levantamento, nove em cada dez empresas já planejam, até 2030, aprimorar trabalhadores com foco em inteligência artificial (IA), “big data”, pensamento crítico, alfabetização tecnológica e lógica geral.

“O relatório não é catastrófico, pois estamos dizendo com total clareza que essa demanda por tecnologia vai gerar mais postos de trabalho [do que irá destruir]”, comenta o professor e diretor do núcleo de Inovação e tecnologias digitais da Fundação Dom Cabral, Hugo Tadeu, responsável pelo relatório no Brasil.

Contudo, Tadeu afirma que as empresas terão que patrocinar treinamentos adequados de qualificação e requalificação da mão de obra para que as suas próprias demandas sejam atendidas. Segundo ele, no Brasil, a educação básica e as universidades ainda não se modernizaram suficientemente para formar trabalhadores capacitados para uma demanda que já existe e vai crescer significativamente nos próximos cinco anos.

“A maioria dos trabalhadores já entendeu isso. Inclusive, quem estiver empregado onde a empresa não está oferecendo treinamentos com profundidade de requalificação, deveria fazer por conta própria para garantir a empregabilidade”, observa o professor da FDC.

Conforme mostra o relatório, em termos globais, 65% dos trabalhadores consideram a requalificação como essencial para manter empregabilidade. Além disso, 78% buscam oportunidades de treinamento para aprimorar as habilidades e 70% estão dispostos a dedicar tempo fora do expediente para aprimoramento profissional.

Investimento em qualificação

Do lado das empresas, o relatório aponta que 85% dos executivos entrevistados em 55 países afirmam estar dispostos a investir no aprimoramento das competências dos funcionários. Nesse sentido, as habilidades mais demandadas incluem pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, agilidade, liderança e influência social, além das competências técnicas para o desempenho de cada função.

No recorte brasileiro do estudo, os dados apontam que, até 2030, ao menos 37% das habilidades dos trabalhadores mudarão por exigência das empresas. Além disso, 58% das empresas já pretendem recrutar funcionários com novas habilidades e 48% das companhias planejam “transitar” funcionários de funções em declínio para funções em crescimento. Conforme explica Tadeu, “transitar” significa que as empresas irão demitir profissionais que ficarão obsoletos ou prepará-los para desempenhar novas funções.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: ttps://chat.whatsapp.com/GBBZ1SCBDTkC2uPqSe6kP7 para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

‘Dead malls’ viram monumentos ao fim de uma era

Redes sociais estão caminhando para fim semelhante após a ideia de formar comunidades ter falhado

Ronaldo Lemos – Folha – 12.jan.2025 

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

  • Uma das experiências mais aterrorizantes da internet, ao menos para mim, é passear pelos perfis de “dead malls”. Pessoas que filmam o interior de shopping centers que faliram. Lugares enormes feitos para vender que viraram ruínas. Muitos por não conseguirem competir com as pessoas comprando tudo online. Há vários perfis assim: Urbex Offlimits ou o pioneiro DeadMalls.com.

Um dead mall é um monumento à morte do terceiro lugar. Se o primeiro lugar é a nossa casa e o segundo é o trabalho, o terceiro é o conjunto de espaços privados e públicos em que encontramos pessoas com as quais não necessariamente temos vínculos: cafés, clubes, bibliotecas, parques, livrarias, igrejas, praças e assim por diante. São os espaços que formam comunidades. Shoppings sempre foram uma solução imperfeita. Quando morrem, então, viram mausoléus.

Os “dead malls” estão agora chegando também na Ásia. Após anos de exuberância econômica, os shoppings fraquejam.

Na China, há uma busca por novas atividades que possam revitalizar esses lugares que não conseguem mais viver do comércio.

Em 2022 a China tinha cerca de 6.700 shoppings. Só em 2023, foram inaugurados mais 400. Vários deles hoje lutam para não morrer (um shopping pode ser considerado em estado terminal quando menos de 40% do seu espaço é ocupado).

É nesse contexto que há uma luta enorme na Ásia para reinventar a ideia de shopping, encontrando novas ocupações. Um dos exemplos mais interessantes é o INS, complexo de 7 andares localizado em frente ao parque Fuxing em Xangai.

O espaço abraçou outro conceito e abriga 12 boates, restaurantes, arenas de esportes digitais (esports), um clube de comédia e projetos voltados para o entretenimento. O espaço cobra cerca de US$ 50 de entrada e dá acesso a todas as atividades.

Em entrevista à Radii Media, o empresário chinês Dickson Sezto, que levou as primeiras lojas da Zara e Sephora para a China, disse: “Atualmente é preciso oferecer experiências que promovam conexões sociais. Só assim é possível atrair a geração mais nova”.

Em Singapura a questão se repete. Espaços como o Haw Par Villa precisaram ser reinventados. Agora abrigam não só boates, mas também terror. O lugar construiu um espaço de experiências de terror e oferece três enormes zonas imersivas permanentes dedicadas ao gênero, incluindo um enorme escape room (além de restaurantes e comidas temáticas).

Leia também

Num texto recente de Ted Gioia (sempre interessante), ele usou a ideia dos “dead malls” para falar das redes sociais, que, na visão dele, estão indo por um caminho semelhante.

Como a ideia de formar comunidades falhou, a capacidade de conectar pessoas está sendo substituída pela oferta de entretenimento hipnotizante, que não tem nem origem nem procedência.

Um sintoma disso é que as redes sociais todas estão se uniformizando e ficando praticamente iguais, seja copiando o TikTok (vídeos curtos e viciantes) ou o X. Nesta semana mesmo ficamos sabendo que, tal como em Singapura, o terror será bem-vindo nesses espaços.

READER

Já era Comprar tudo somente em lojas físicas

Já é Comprar tudo online

Já vem Gamificar as compras online, tornando-as parecidas com as bets

‘Dead malls’ viram monumentos ao fim de uma era – 12/01/2025 – Ronaldo Lemos – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GBBZ1SCBDTkC2uPqSe6kP7 para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Os novos amigos do presidente: as razões que uniram as big techs a Trump

Após anos de tensões, líderes do Vale do Silício buscam proximidade com o presidente eleito. Em jogo, multas na UE que já somam €23 bilhões, a possibilidade de impulsionar a energia nuclear para IA e apoio para enfrentar concorrentes globais

André Lopes – Exame – 11 de janeiro 2025

Jantares, doações e acenos públicos são apenas uma parte dos vários sinais de que o Vale do Silício está mais pragmático com Donald Trump. Após anos de tensões que atingiram o ápice com a suspensão de Trump das principais redes sociais americanas em 2021, líderes das big techs parecem ter redirecionado sua estratégia para se alinhar ao presidente eleito. Por trás dessa mudança estão motivações financeiras, políticas e estratégicas, com um pano de fundo de regulação intensificada e competição com outras potências.

Na quarta-feira, 8, Mark Zuckerberg anunciou que a Meta, a empresa-mãe do Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads, estava encerrando seu programa de verificação de fatos e retornando a um modelo mais aberto no gerenciamento de discursos. O sistema de verificação de fatos havia levado a “muita censura”, disse ele. O Brasil respondeu à nova posição oficialmente pela Advocacia-Geral da União, que enviou uma notificação extrajudicial pedindo explicações. O representante da AGU, Jorge Messias, cogitou acionar a empresa judicialmente. “A nossa preocupação neste momento é que a empresa venha em público, já que ela não foi transparente em nenhum momento”, afirmou.

Por trás da decisão de Zuckerberg, há um cerco que se fecha. Em 2023, o setor de tecnologia americano enfrentou um aumento significativo de pressões regulatórias de vários lados. Em novembro, a administração Biden abriu processos antitruste contra o Google e a Amazon, com indicações até mesmo de forçar a venda de alguns dos produtos mais rentáveis dessas empresas. Fora dos EUA, Apple e Meta enfrentam investigações pesadas na União Europeia, que, entre 2023 e 2024, aplicou multas que totalizam €23 bilhões.

Fracionadas, as penalidades variam de centenas de milhões a bilhões de euros, destacando tanto a gravidade das infrações cometidas quanto o enorme poder econômico das empresas envolvidas. Entre os casos notáveis está a multa de €13 bilhões aplicada à Apple por benefícios fiscais ilegais na Irlanda e a penalidade de €1,2 bilhão imposta à Meta por transferências ilegais de dados de usuários europeus para os Estados Unidos. Outras empresas, como a Microsoft e a Uber, também se tornaram alvos das autoridades antitruste.

“Houve um intenso escrutínio sobre as big techs, com o objetivo de proteger a concorrência de mercado, o que é válido, visto que essas empresas podem gerar monopólios. No entanto, é preciso reconhecer que foram elas que criaram esses ambientes”, diz William Castro Alves, sócio e estrategista-chefe da corretora americana Avenue.

Esse movimento regulatório foi acelerado sob a liderança de Teresa Ribera, a nova chefe de concorrência da UE, que implementou as Lei dos Serviços Digitais e Lei dos Mercados Digitais, estabelecendo padrões rígidos para as atividades das plataformas digitais no velho continente.

Nesse contexto, o discurso de Trump de aliviar as empresas do peso regulatório tem atraído uma audiência receptiva. “Essas companhias serão libertadas se você tiver o presidente certo”, declarou Trump, prometendo intervir se necessário.

Energia para a IA

Há também o entendimento de que, em algumas searas, as big techs não prosperariam sem o devido apoio do governo. É o que ocorre com o crescimento acelerado da inteligência artificial (IA), que forçou a demanda por energia para alimentar data centers a saltar 50% desde 2020, respondendo por 4% do consumo de eletricidade nos EUA. Projeções do UBS indicam que essa parcela pode alcançar 9% até 2030.

Logo, além das multas, a energia, um campo bastante estatal, se tornou central para gerar um novo círculo de amizades ao entorno do presidente. Líderes como Sam Altman (OpenAI) e Bill Gates (TerraPower) têm investido pesadamente em soluções nucleares para atender à crescente demanda. Altman, por exemplo, é um dos principais financiadores da Oklo, empresa que desenvolve pequenos reatores nucleares modulares. A Microsoft também entrou nesse jogo. Em setembro, a empresa assinou um acordo para reativar um reator em Three Mile Island, a fim de fornecer energia para seus projetos de IA.

Bill Gates afirmou que “projetos como esses são essenciais para combater as mudanças climáticas e garantir a competitividade econômica dos EUA”. Também em defesa da concorrência global, os líderes do setor esperam que o governo eleito mantenha uma postura firme contra a China. A guerra econômica com Pequim, um dos marcos do governo Trump, resultou no banimento de empresas como a Huawei, do setor de telecomunicações, e impulsionou a expansão de fabricantes de chips como AMD, Qualcomm e Nvidia. No ato mais recente, há a possibilidade de banimento do TikTok.

As medidas, contudo, também tiveram efeitos colaterais, como o desenvolvimento de tecnologias 100% chinesas. Entre os exemplos mais notáveis estão o sistema operacional HarmonyOS, uma alternativa ao Android, do Google; e o sistema de navegação BeiDou, que compete diretamente com o GPS.

Aliados primeiro

No plano financeiro, os agrados a Trump não são menos marcantes. Elon Musk, doador de US$ 277 milhões em apoio à campanha republicana, foi lançado para uma função estratégica como uma espécie de conselheiro informal. Sua influência ganhou ainda mais força ao lado do empresário Vivek Ramaswamy, que está liderando um grupo externo apelidado de “Departamento de Eficiência Governamental” (Department of Government Efficiency). O objetivo do grupo é defender cortes drásticos nos gastos públicos, uma prioridade para Trump.

Seu impacto foi demonstrado de forma clara quando Musk usou o X, sua própria plataforma, para mobilizar legisladores republicanos contra um projeto de lei de gastos que manteria o governo funcionando. Suas mensagens inflamadas e cheias de críticas ressoaram entre eleitores e legisladores, resultando no colapso do acordo inicial e levando à adoção de uma proposta alternativa alinhada às exigências de Trump. Embora a proposta revisada também tenha fracassado, o episódio mostrou como Musk se tornou um agente crucial na política legislativa do Partido Republicano.

Os esforços favoráveis a Trump não devem tardar em serem retribuídos. A dimensão do retorno que aguardam os novos apoiadores pode avaliada em um dos primeiros investimentos estrangeiros anunciados pelo presidente. Na quarta-feira, 7, Trump apresentou um plano de US$ 20 bilhões para a construção de uma série de complexos de data centers em estados-chave como Texas, Ohio e Arizona.

Por trás da novidade, seu parceiro de negócios no Oriente Médio, Hussain Sajwani, o bilionário por trás do Damac Group, especializado no ramo dos clubes de golf. O apoiador de longa data do presidente terá uma série de benefícios fiscais e de licenciamentos para acelerar as obras da nova empreeitada.

Um pouco atrás no tempo, durante o primeiro mandato de Trump, a gigante de software Oracle foi favorecida em um contrato de US$ 10 bilhões com o Pentágono, após esforços diretos de sua CEO, Safra Catz, durante a campanha e administração do republicano. À época, Musk também ganhou uma aproximação facilitada com a Nasa, que garantiu o sucesso da SpaceX com contratos de quase US$ 1 bilhão para viagens espaciais. Os acenos de volta de Trump parecem estar sempre à altura.

Os novos amigos do presidente: as razões que uniram as big techs a Trump | Exame

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GBBZ1SCBDTkC2uPqSe6kP7 para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Em um mundo repleto de IAs, pensamento crítico é mais crucial do que nunca

Não deixe que definam suas escolhas por você. Aprenda a avaliar ideias com clareza e propósito

TONY MARTIGNETTI – Fast Company Brasil – 11-01-2025 

Mesmo vivendo em uma era onde temos acesso quase ilimitado a informações, é impressionante como ainda nos prendemos em bolhas. Acabamos cercados pelas mesmas opiniões, ouvindo as mesmas narrativas repetidamente e, sem perceber, idolatrando falsos especialistas.

Isso não é só frustrante – é perigoso. Confiar cegamente no seu podcaster favorito ou aderir às ideias de um grupo quase sectário são exemplos de como podemos nos fechar em câmaras de eco sem querer.

No livro “Cultos: a Linguagem Secreta do Fanatismo”, Amanda Montell analisa como a linguagem pode nos manipular sutilmente e nos transformar em seguidores fiéis e acríticos. E aqui está o ponto crucial: mesmo que você pense “isso jamais aconteceria comigo”, a realidade é bem diferente.

As mesmas necessidades humanas que levam pessoas a se tornarem membros de uma seita – pertencimento, segurança e orientação – aparecem de forma mais sutil no dia a dia, seja no trabalho ou em relações pessoais.

Como evitar essas armadilhas? O caminho é fortalecer o pensamento crítico, estar disposto a ouvir diferentes perspectivas e manter a humildade intelectual. Sair da bolha não é fácil, mas o esforço vale a pena, tanto para o crescimento pessoal quanto para o impacto positivo que podemos ter no mundo.

O PODER DAS LIDERANÇAS CARISMÁTICAS

Por que seguimos certas pessoas ou ideias sem questionar? Montell explica que grupos sectários – sejam eles religiosos, políticos ou sociais – exploram desejos humanos universais: conexão, propósito e segurança. Enquanto alguns oferecem comunidades positivas e objetivos compartilhados, outros manipulam essas necessidades para exercer controle.

Há alguns anos, um caso envolvendo uma “inovadora” tecnologia de testes de sangue se tornou mundialmente famoso. Elizabeth Holmes enganou o mundo com a Theranos, uma empresa fraudulenta que prometia revolucionar a medicina.

Sua imagem cuidadosamente construída, combinada com uma narrativa convincente, fez com que muitos ignorassem as crescentes evidências de fraude. A confiança que ela transmitia e a promessa revolucionária criou uma câmara de eco onde vozes críticas foram silenciadas.

No dia a dia, também podemos cair na armadilha de seguir influenciadores, líderes ou tendências sem questionar. O culto à produtividade, por exemplo, exalta o excesso de trabalho enquanto ignora os impactos na saúde mental. Reconhecer isso é o primeiro passo para se libertar.

Pesquisas mostram que o pensamento coletivo pode levar a decisões ruins, já que opiniões divergentes são frequentemente ignoradas em favor de um consenso artificial.

Um estudo publicado na “Psychological Science” revelou que a exposição a perspectivas diversas melhora o pensamento crítico e a resolução de problemas, mas muitas pessoas ainda buscam informações que reforcem suas crenças.

COMO SABER O QUE É VERDADE E O QUE É MANIPULAÇÃO

Para não se deixar enganar por informações falsas e líderes carismáticos, é fundamental desenvolver o pensamento crítico e expandir nossos horizontes.

1. Questione a fonte

Toda informação ou opinião deve ser analisada com cuidado. Pergunte a si mesmo:

  • Quem se beneficia dessa narrativa?
  • Que evidências sustentam essa afirmação? Elas foram verificadas por fontes confiáveis?
  • A pessoa ou grupo em questão tem um histórico de integridade ou está apenas vendendo certezas?

2. Amplie seus horizontes sociais e intelectuais

Sempre busque perspectivas diferentes. Participe de grupos, eventos ou debates que desafiem suas crenças. Montell destaca que a verdadeira compreensão exige ouvir vozes fora da sua zona de conforto.

Por exemplo, em vez de seguir apenas líderes da indústria de tecnologia, procure pensadores em áreas como sociologia, antropologia ou filosofia, que podem oferecer novas perspectivas sobre seu campo.

3. Tenha humildade intelectual

Pensar criticamente envolve reconhecer quando estamos errados ou quando não sabemos algo. Isso não é sinal de fraqueza, mas de abertura ao aprendizado. Montell aponta que a linguagem sectária se apoia em certezas para manipular. Combata isso se mantendo curioso e disposto a questionar até suas próprias crenças mais arraigadas.

A certeza e o sentimento de pertencimento podem ser sedutores, mas é na aceitação da complexidade e das nuances que encontramos verdadeiro crescimento.

Seja liderando uma equipe, enfrentando desafios pessoais ou interagindo com o mundo, a capacidade de questionar, desafiar e pensar criticamente é o antídoto contra a lealdade cega e a chave para um progresso verdadeiro e transformador.


SOBRE O AUTOR

Tony Martignetti é chief inspiration officer na Inspired Purpose Partners e autor do livro “Climbing the Right Mountain: Navigating the Journey to An Inspired Life” (Escalar a montanha certa: navegando para uma vida mais inspirada).

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GBBZ1SCBDTkC2uPqSe6kP7 para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

‘IA física’ é próxima fronteira, diz CEO da Nvidia

Combinação entre inteligência artificial e robótica vai revolucionar setores de manufatura e logística, que movimentam US$ 50 trilhões, diz Jensen Huang, da Nvidia

Por Daniela Braun — Valor – 08/01/2025 

A aplicação da inteligência artificial em robôs e carros autônomos, ou “IA física”, é a próxima fronteira da IA generativa e terá grande impacto na indústria de manufatura e em logística, setores que movimentam US$ 50 trilhões. Essa é a aposta da fabricante de processadores Nvidia, disse o fundador e executivo-chefe (CEO) da companhia, Jensen Huang, na palestra de abertura oficial da feira de tecnologia CES 2025, ocorrida na noite de segunda-feira, 6, em Las Vegas.

“Estamos ensinando a IA a entender o mundo real”, disse Jensen diante de um estádio com capacidade para 12 mil pessoas, praticamente lotado. Vestido com uma jaqueta preta brilhante, o executivo destacou o Nvidia Cosmos, que denominou como “um modelo global de treinamento de modelos de IA para o mundo físico”, o que inclui robôs humanoides e veículos autônomos.

“A IA física revolucionará indústrias de manufatura e logística de US$ 50 trilhões”, citou o executivo. “Tudo o que se move – de carros e caminhões a fábricas e armazéns – será robótico e incorporado pela IA”.

Huang anunciou a montadora japonesa Toyota como a mais nova parceira da Nvidia na adoção de ferramentas de treinamento de veículos autônomos, que usam dados sintéticos [simulações de realidade geradas por algoritmos] e recursos gráficos para aprimorar a autonomia dos veículos.

É a primeira apresentação do fundador da Nvidia na CES em oito anos. Em 2017, quando a companhia ainda era mais conhecida pelos produtos destinados a fãs de jogos on-line, Huang também usava uma jaqueta de couro, que se tornaria sua marca registrada. Fundada em 1993, a empresa tornou-se famosa, inicialmente, por suas GPUs – semiprocessadores que melhoram imagens e sons, essenciais aos jogos eletrônicos. No evento deste ano, Huang anunciou uma versão turbinada das placas de vídeo GeForce, com uma versão das GPUs Blackwell.

Para ver a apresentação de Huang era preciso esperar duas horas na fila, passar por um esquema de segurança e se misturar a uma multidão digna de um show de rock, todos indicativos da importância assumida pela Nvidia com os chips para IA.]

Cercado de robôs humanoides projetados por parceiros, Huang mostrou que a convivência entre humanos e máquinas descrita pelo escritor e bioquímico russo-americano Isaac Asimov em suas obras de literatura está mais próxima da realidade do que se pensa.

O CEO da Nvidia disse que “a era da robótica está logo ali virando a esquina”, mas ressaltou que há desafios, como treinar os robôs. Ele também anunciou um conjunto de processos para o treinamento de robôs com dados sintéticos, batizado de “Nvidia Isaac Groot”.

O treinamento de movimentos humanos feito por máquinas compreende a criação, pela IA, de 20 milhões de horas de vídeos mostrando diferentes movimentos humanos, como gestos e tarefas com as mãos. É um treinamento feito por máquinas para máquinas. Segundo Huang, trata-se de “uma nova forma de gerar sinteticamente bilhões de movimentos para que os robôs consigam aprender a realizar tarefas”.

Outra novidade anunciada pelo executivo foi um conjunto de modelos amplos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) pré-configurados para facilitar a criação dos chamados “agentes de IA”. Os LLMs estão na base da criação dos chatbots.

Os modelos “Nvidia Llama Nemotron” se baseia no modelo de linguagem de código aberto Llama, da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. Entre os exemplos de agentes de IA pré-configurados estão sistemas de verificação de segurança de software, de monitoramento de tráfego e suporte à área de Recursos Humanos. “Esta será a próxima aplicação gigante a IA”, destacou Huang.

A multiplicação de dados sintéticos e a criação dos “agentes de IA” para tarefas operacionais são vistas como formas de retorno sobre os pesados investimentos na infraestrutura computacional requeridos pela IA.

“Precisamos buscar uma forma de compensar os investimentos massivos [em inteligência artificial] na nuvem”, destacou Huang na apresentação. “No futuro, a IA estará pensando, processando [informações] e refletindo sozinha. Por isso precisamos que a nova geração de tokens avance e que o custo caia”, afirmou o executivo.

‘IA física’ é próxima fronteira, diz CEO da Nvidia | Empresas | Valor Econômico

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GBBZ1SCBDTkC2uPqSe6kP7 para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

4 pilares essenciais para desenvolver e manter uma mente criativa

Em um mundo onde a atenção é o recurso mais valioso, a capacidade de gerar ideias originais e impactantes é o que nos diferencia

Eric Messa – Exame  8 de janeiro de 2025 

No atual cenário da comunicação, onde a inovação e a adaptabilidade são cruciais, manter uma mente criativa tornou-se um diferencial competitivo inegável. Após mais de duas décadas imerso no universo da comunicação social, lecionando e observando as transformações do mercado, cheguei a uma síntese que considero valiosa para profissionais em qualquer estágio de carreira: quatro pilares essenciais para cultivar e manter uma mente criativa.

Esta reflexão nasce não apenas da minha experiência acadêmica, mas também da observação atenta das mudanças no ecossistema da publicidade, relações públicas e jornalismo. É um momento oportuno para compartilhar essas ideias, especialmente quando enfrentamos desafios como o etarismo velado no mercado de trabalho.

É notório como as agências de publicidade e departamentos de marketing corporativos têm privilegiado equipes jovens. Embora a energia e familiaridade digital dessa geração sejam inegáveis, há um valor imenso na experiência que profissionais mais maduros podem oferecer. Na verdade, acredito firmemente que a chave para a criatividade e inovação reside também na diversidade geracional dentro das equipes.

Independentemente de onde você se encontra em sua jornada profissional, estes quatro pilares podem ser um guia valioso para manter sua mente afiada e criativa:

1. Aprendizado contínuo

Em um mundo onde as tecnologias e plataformas de comunicação evoluem rapidamente, o aprendizado constante é essencial. Sugiro a você dedicar diariamente algum tempo para absorver novos conhecimentos.

Criar esse hábito não apenas mantém você relevante, mas também alimenta sua criatividade com novas perspectivas e possibilidades.

2. Pensamento lógico e estratégico

No universo da comunicação, a capacidade de analisar dados, prever tendências e elaborar estratégias eficazes é tão importante quanto a criatividade pura. Exercite seu pensamento crítico regularmente.

Analise campanhas bem-sucedidas, estude cases de branding inovadores ou até mesmo dedique-se a jogos de estratégia. Essas práticas aguçam sua habilidade de planejar e executar ideias criativas de forma estruturada e eficiente.

3. Lazer e desconexão

Paradoxalmente, para ser mais criativo, às vezes é necessário se afastar do trabalho. O ócio criativo, tempo de qualidade com a família e até os momentos de tédio são cruciais para recarregar sua energia criativa.

Resista à tentação de preencher cada momento livre com o scroll infinito das redes sociais. Permita-se experimentar o tédio; é também nestes momentos que ideias inovadoras surgem.

4. Cultivo da criatividade

Neste mundo das redes, em que a autenticidade e a originalidade são valorizadas mais do que nunca, cultivar ativamente sua criatividade é essencial. Pratique exercícios de associação livre, explore novas formas de expressão artística, ou simplesmente reserve um tempo para brainstorming sem julgamentos. A criatividade é como um músculo – quanto mais você a exercita, mais forte ela se torna.

Esses pilares não operam de forma isolada. Na verdade, as atividades mais enriquecedoras geralmente englobam mais de um dos pilares acima.

Por exemplo, explorar uma nova plataforma de criação de conteúdo pode ser simultaneamente um exercício de aprendizado e criatividade. Assistir a uma série de documentários sobre inovações tecnológicas combina lazer com aprendizado.

Ao integrar esses pilares em sua rotina, você não apenas potencializa sua criatividade profissional, mas também enriquece sua vida pessoal. Eles ajudam a navegar com mais habilidade pela avalanche de informações e estímulos da era digital, capacitando-o a criar conteúdo e estratégias de comunicação que realmente ressoam com o público.

Em um mundo onde a atenção é o recurso mais valioso, a capacidade de gerar ideias originais e impactantes é o que nos diferencia. Convido você – seja um jovem e, início de carreira buscando deixar sua marca ou um experiente profissional à procura de reinvenção – a abraçar esses quatro pilares. Incorpore-os no seu dia a dia e veja sua criatividade florescer, trazendo novas perspectivas e soluções inovadoras para os desafios da comunicação moderna.

4 pilares essenciais para desenvolver e manter uma mente criativa | Exame

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GBBZ1SCBDTkC2uPqSe6kP7 para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Guerra híbrida? Cabos submarinos se tornam alvo de tensão entre EUA, China, Rússia e Otan em mundo hiperconectado

Cerca de 99% do tráfego global de internet passam por essas infraestruturas críticas ‘invisíveis’, cuja importância foi militarizada nos últimos anos

Por Thayz Guimarães – O Globo – 05/01/2025 

Uma rede “invisível” com mais de 500 conexões e 1,7 milhão de quilômetros de extensão — equivalentes a mais de quatro vezes a distância entre a Terra e a Lua — está no centro das tensões geopolíticas que envolvem os EUA e a China na região da Ásia-Pacífico, e a Rússia e a Otan (aliança militar liderada pelos EUA) no Mar Báltico. Enquanto sucessivas investigações nos últimos anos não apontaram culpados intencionais pelo rompimento de diversos cabos submarinos no leito dos oceanos, não faltaram acusações de sabotagem vindas de todos os cantos.

Cerca de 99% do tráfego global de internet passam por essas infraestruturas críticas, que se tornaram alvos estratégicos em um mundo cada vez mais conectado. Mas resta saber se o que está em curso é apenas uma guerra de narrativas ou se há, como alegam europeus e americanos, uma guerra híbrida — conflito que combina táticas convencionais com outras estratégias de combate e influência.

Corte repentino de sinal

Em meados de novembro, o navio graneleiro Yi Peng 3, de propriedade e bandeira chinesas, foi ancorado em águas internacionais no Estreito de Kattegat, entre a Dinamarca e o litoral ocidental da Suécia, suspeito de ter conexões com o corte repentino do sinal de dois cabos submarinos.

Um desses cabos, o BCS East-West Interlink, conecta a ilha sueca de Gotland com a Lituânia, onde a Otan constrói uma base militar de US$ 1 bilhão para abrigar 5 mil soldados até 2027. O outro, o C-Lion, conecta a Alemanha à Finlândia, um dos mais recentes países a concluir sua adesão à aliança militar transatlântica, em abril de 2023 — um movimento de expansão que ainda incluiu a Suécia, em março de 2024, e mais do que dobrou a fronteira entre a Rússia e o Ocidente.

De acordo com informações do portal VesselFinder, de vigilância do tráfego marítimo global, a embarcação chinesa zarpou do porto russo de Ust-Luga, a oeste de São Petersburgo, em 15 de novembro, e estava na região do Báltico quando os cabos foram danificados.

Investigações ainda em curso não encontraram evidências de que a tripulação do Yi Peng 3 tenha agido de maneira intencional e coordenada. Dados históricos também mostram que as principais causas de danos aos cabos submarinos em todo o mundo são acidentais, com aproximadamente 70% a 80% dos incidentes atribuídos a atividades de pesca comercial e âncoras de navios. As falhas restantes são normalmente causadas por outros fatores como abrasão, falha de equipamento ou riscos naturais (correntes no fundo do mar, tempestades, deslizamentos submarinos, fluxos de sedimentos).

Investigações ainda em curso não encontraram evidências de que a tripulação do Yi Peng 3 tenha agido de maneira intencional e coordenada. Dados históricos também mostram que as principais causas de danos aos cabos submarinos em todo o mundo são acidentais, com aproximadamente 70% a 80% dos incidentes atribuídos a atividades de pesca comercial e âncoras de navios. As falhas restantes são normalmente causadas por outros fatores como abrasão, falha de equipamento ou riscos naturais (correntes no fundo do mar, tempestades, deslizamentos submarinos, fluxos de sedimentos).

— Danos aos cabos submarinos não são incomuns, acontecem em torno de 150 a 200 por ano — disse ao GLOBO John Wrottesley, gerente de operações do Comitê Internacional de Proteção aos Cabos (ICPC). — E a sabotagem não é necessariamente política, há casos recentes de vandalismo e roubo de equipamentos.

Infraestruturas críticas

A última vez que houve um caso comprovado de sabotagem de cabos submarinos foi durante a Segunda Guerra Mundial, destacou Wrottesley. Mas, em um contexto de crescente tensão geopolítica desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, nada disso bastou para afastar o clima de desconfiança sobre o caso. Há algumas semanas, Pequim autorizou uma investigação internacional a bordo do barco. As conversas têm sido sigilosas.

— Os cabos submarinos e os incidentes relacionados a eles não podem ser entendidos fora do contexto de competição entre as grandes potências e de importância do mar nessa disputa, porque esses cabos são essenciais para a manutenção do sistema internacional — afirma o almirante da reserva Antonio Ruy de Almeida Silva, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense.

Além da movimentação de dados por grandes distâncias através de um fio, o praticamente desconhecido mundo dos cabos submarinos envolve política, dinheiro, meio ambiente e comércio global. Em setembro de 2024, eram impressionantes 532 sistemas em serviço, com outros 77 planejados, segundo dados da Telegeography, uma empresa de análise de telecomunicações que mantém a plataforma Submarine Cable Map.

Por esse emaranhado de fios submersos — infraestruturas críticas que medem em torno de 25 milímetros de diâmetro, mas podem atingir distâncias de até 45 mil quilômetros, dando um giro completo em torno da África —, transitam diariamente US$ 15 trilhões.

A militarização do assunto, no entanto, é recente. Em 17 de junho de 2020, a Team Telecom, responsável por avaliar a participação estrangeira nos serviços de telecomunicações dos EUA, recomendou à agência reguladora do país, a FCC, que rejeitasse parcialmente o desembarque da rede de cabos submarinos PLCN, proposto pela Meta e pelo Google como a primeira conexão direta entre os EUA e Hong Kong, um território semiautônomo na China — o trecho ligado a Taiwan foi autorizado. A ilha, que tem governo autônomo, mas é reivindicada por Pequim, conta com o apoio dos americanos.

— Ali começaram as tensões entre os EUA e a China — afirma o coordenador do Comitê Brasileiro de Proteção de Cabos Submarinos, Rogério Mariano, especializado no tema há quase 20 anos. — Como resposta, houve um movimento grande de milícias navais no Mar Amarelo que resultou em alguns cortes de cabos entre 2021 e 2022. A isso somou-se o episódio do gasoduto Nord Stream, que culminou, em janeiro de 2024, na criação do primeiro grupo de proteção de infraestruturas críticas da Otan.

Benefício da dúvida

Concluído em setembro de 2021, o Nord Stream 2 nunca entrou em operação. Sua inauguração foi cancelada pelo governo alemão poucos dias antes da invasão da Ucrânia pela Rússia. Meses depois, em setembro, ele e o Nord Stream 1 — gasodutos russos que vão até a Alemanha pelo Mar Báltico — sofreram explosões. Um instrutor de mergulho ucraniano foi acusado por Berlim de fazer parte da equipe que realizou os ataques.

— Os cabos submarinos são instrumentos de controle, comando e informação e são centrais na comunicação entre Estados e organizações. Portanto, são um alvo estratégico para qualquer ator que queira interagir no nível daquilo que nós chamamos de guerra híbrida, uma guerra sem rosto. Mas é preciso provar a intencionalidade das ações, o que ainda não foi possível — pondera o coronel da reserva do Exército português Luís Bernardino, professor de Relações Internacionais da Universidade Autónoma de Lisboa.

O corte de um ou dois cabos submarinos não é suficiente para causar estragos, já que os sistemas são planejados e projetados com redundância, o que significa que, quando um fio é danificado, o tráfego pode ser rapidamente redirecionado. Para que haja um impacto efetivo é necessário “um ataque complexo que cause a disrupção total do ecossistema digital”, atingindo cabos, pontos de amarração, centros de dados e de energia, explica Mariano.

— Algo nunca ocorrido e muito distante dos incidentes pontuais que ocorrem hoje — reforça.

Mas o benefício da dúvida nem sempre se aplica às dinâmicas geopolíticas — principalmente em tempos polarizados.

Até 2021, apenas dois países tinham legislações sobre cabos submarinos: os insulares Austrália e Nova Zelândia. Desde então, vários Estados-membros da União Europeia lançaram suas próprias iniciativas, os EUA votaram, em novembro, para rever suas regras, e o Panamá, que recebe um alto fluxo de navios, estabeleceu uma multa de US$ 10 mil para quem cortar cabos submarinos. No Brasil, a Marinha realizou seu 1º Exercício de Proteção aos Cabos Submarinos em maio de 2023, após aprovação do Plano Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas, em setembro de 2022.

Guerra híbrida? Cabos submarinos se tornam alvo de tensão entre EUA, China, Rússia e Otan em mundo hiperconectado

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GBBZ1SCBDTkC2uPqSe6kP7 para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Investimentos em data centers devem chegar a quase US$ 2 bilhões até 2026

Levantamento sobre projetos no Brasil é da consultoria JLL

Por Circe Bonatelli (Broadcast) – Estadão – 06/01/2025 

Os investimentos na construção de data centers no Brasil devem movimentar em torno de US$ 400 milhões em 2025 e US$ 1,5 bilhão em 2026, de acordo com levantamento da consultoria JLL. Com isso, o parque instalado caminha para crescer 40% nos próximos dois anos, atingindo um total de 638 megawatts.

A demanda cada vez maior por processamento de dados e a falta de infraestrutura no País são as principais razões para empresas locais e multinacionais – como Odata, Ascenty, Scala, Tecto, Equinix, entre outras – investirem na construção de empreendimentos e na busca por novas localidades.

“O que justifica esses investimentos é a digitalização da economia”, resume o Gerente de Negócios Imobiliários, Logística e Data Center da JLL, Bruno Porto. “São muitas as aplicações que pedem processamento dos dados. E o data center é o local para isso”, diz.

IA impulsiona demanda

A digitalização da economia passa por serviços que se popularizaram, como streaming de vídeo e armazenamento de arquivos na nuvem, e vai até aplicações complexas de conexão entre máquinas na indústria e no agronegócio. Mais recentemente, a demanda teve um salto com a disseminação das aplicações de inteligência artificial generativa – aquela que é capaz de aprender, isto é, criar novos conteúdos, como texto, imagens, áudio, vídeos e aplicações.

Para você

“Ao lançar esses serviços, as empresas precisam ter capacidade de processamento já instalada, porque a base de usuários cresce rapidamente, já que digitalização está bastante capilarizada pela economia”, acrescenta Porto.

Os novos projetos de data centers ficam perto dos principais centros empresariais e de consumidores do País, principalmente em bairros com acesso fácil a fontes de energia e água – essenciais para operação e resfriamento dos equipamentos -, bem como internet rápida.

Grandes centros

Segundo dados da consultoria, os empreendimentos vão para a região metropolitana de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Fortaleza – esta última é o principal ponto de conexão brasileiro com cabos submarinos de fibra ótica que cruzam os oceanos.

A gigante Equinix, maior empresa de data centers do mundo, tem um plano em andamento de US$ 260 milhões para esse tipo de infraestrutura em Barueri e Santana do Parnaíba (SP), enquanto a Scala anunciou recentemente R$ 3 bilhões (US$ 491 milhões) para construção de um novo parque em Eldorado do Sul (RS).

Também é possível notar que as empresas locais têm aumentado a sua participação nos investimentos totais do setor, que, até então, eram predominantemente feitos por empresas multinacionais e fundos estrangeiros. Exemplo disso é a Tecto, que conta com recursos aportados por fundos sob gestão do BTG Pactual.

Plano de US$ 1 bilhão

A Tecto já tem cinco data centers em operação, sendo um no Rio de Janeiro, três em Fortaleza (sendo um em construção) e dois na Colômbia. Ao todo são mais de 80 clientes, entre eles os gigantes tecnológicos. No fim de 2024, a empresa anunciou plano de US$ 1 bilhão.

“Nós temos ambições ainda maiores nesse mercado. Se tudo conspirar e for para o lado certo, teremos oportunidade de aumentar esse investimento”, conta o presidente da Tecto, Pedro Henrique Fragoso. “Pretendemos expandir esse parque para várias cidades no Brasil, a começar pelo Estado de São Paulo.”

Fragoso concorda que o País tem carência de infraestrutura em relação ao tamanho da demanda. “Na medida em que existe uma penetração maior da digitalização, cresce a demanda por data centers”, ressalta. Mas isso não garante que o mercado vai avançar sem riscos.

País pode ter concorrentes

O maior risco para o Brasil seria perder os investimentos para outros países em que as condições de mercado são mais competitivas. O presidente da Tecto cita a necessidade de reduzir a burocracia na liberação de licenças para novos projetos, bem como revisar as tarifas de importação de equipamentos que são feitos apenas no exterior.

Outro ponto de atenção é o projeto de regulamentação da inteligência artificial, em tramitação no Congresso e que definirá parâmetros de desenvolvimento e aplicações da tecnologia. “Nossa concorrência é com data centers do mundo todo. O Brasil precisa definir como vai se posicionar nesse tabuleiro global. É preciso ter harmonia da regulação com o mercado e a tecnologia”, defende o presidente da Tecto.

Por enquanto, o Brasil é um destino bastante atrativo para o setor, uma vez que dispõe de uma matriz energética de energia limpa e a um custo competitivo – algo fundamental, já que os data centers são grandes consumidores de eletricidade.

Pegada de carbono

O mercado de data centers esta concentrado nos Estados Unidos e na Europa, mas ambas as regiões têm enfrentado dificuldades com o fornecimento de energia e água devido aos custos altos e ao peso das emissões de carbono por lá, já que as matrizes empregam mais energia fóssil.

“Acreditamos que, se as empresas transferissem seus data centers para o Brasil, elas teriam uma vantagem competitiva em termos de pegada de carbono”, observam os analistas Maria Paula Cantusio, Aline de Souza Cardoso e Andre Sampaio, em um amplo relatório do Santander sobre o tema, que aponta o Brasil como a bola da vez para o setor. “Além disso, acreditamos que a falta de disponibilidade de água em locais onde alguns data centers estão estabelecidos, lá fora, representa outra oportunidade para o Brasil”, complementam.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GBBZ1SCBDTkC2uPqSe6kP7 para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B