CEOs vão para a linha de frente das empresas para se aproximar dos clientes

Alta liderança vive dia a dia de funcionários e extrai aprendizados para entender melhor os clientes

Por Yasemin Craggs Mersinoglu, Financial Times/Valor 12/05/2022 

Em março, Andy Fang, cofundador e diretor de engenharia de consumo da DoorDash, foi visto entregando um pedido de um restaurante de sushi no apartamento de um cliente em São Francisco. O aplicativo de entrega de alimentos havia reiniciado seu programa WeDash, que exige que todos os seus funcionários assalariados nos EUA, Canadá e Austrália saiam para a rua e façam entregas. “Isso é importante para o DNA da nossa empresa, está vinculado a um de nossos valores, o de sermos obcecados pelos clientes”, diz Fang. O ato de testar os próprios produtos ou serviços é chamado de “dogfooding” no mundo da tecnologia. Tradicionalmente, acontecia no desenvolvimento de softwares, mas o uso do termo foi ampliado para se referir a iniciativas de funcionários de passar um tempo em funções na linha de frente.

Quando a DoorDash foi criada, em 2013, os fundadores faziam as entregas eles mesmo por pura necessidade. A iniciativa WeDash, que começou em 2015, antes de ser interrompida na pandemia, transformou uma necessidade em uma política da companhia.

Brian Chesky, cofundador e presidente executivo do Airbnb, que anunciou em janeiro que se hospedaria em propriedades alugadas por meio do Airbnb a cada poucas semanas — Foto: David Paul Morris/Bloomberg

Segundo Fang, “uma coisa que torna esse programa tão eficiente aqui é o fato de que os fundadores e a liderança da companhia se envolvem nele com muita paixão”. Ele recentemente usou o programa para testar a viabilidade do uso de e-bikes nas entregas, em parte como resposta ao aumento dos preços da gasolina e às preocupações com a sustentabilidade ambiental. Fang descreve o WeDash como uma maneira de os funcionários entenderem a cultura da companhia, permanecer em contato com as mudanças frequentes nos produtos e fornecer “feedback” de como melhorar os serviços.

A empresa pede aos funcionários que completem ao menos quatro entregas e eles também podem acompanhar colegas da área de experiência do cliente para realizar dez corridas por ano.

Outro adepto do “dogfooding” é Brian Chesky, cofundador e presidente executivo do Airbnb, que anunciou em janeiro que se hospedaria em propriedades alugadas por meio do Airbnb a cada poucas semanas – ele fez uma experiência parecida em 2010. Mais um é John Zimmer, cofundador e presidente da Lyft, que tem a tradição de dirigir um carro do aplicativo de transporte na virada do ano, algo que vem fazendo há dez anos.

Jennifer McFadden, professora de empreendedorismo na Yale School of Management, diz que os empregadores precisam se perguntar se tais práticas são o melhor uso do tempo dos funcionários de altos salários, por causa do custo que isso tem para a companhia. “Pessoalmente, eu diria que sim”, afirma ela. “Qualquer coisa que você fizer para se aproximar dos seus clientes é ótimo.”

No entanto, ela levanta preocupações sobre a capacidade de os funcionários entenderem os problemas experimentados pelos trabalhadores da “gig economy”, a economia sob demanda. “Acho que isso ajuda a criar empatia com os usuários finais, mas você realmente não tem como entender essa função se não mergulhar nela. Seu salário depende disso, você está alimentando sua família com base nesse salário, você está trabalhando 14 horas por dia.”

A frase “comer sua própria comida de cachorro” foi popularizada na Microsoft em 1988 pelo ex-gerente Paul Maritz. Ele enviou um e-mail sobre a necessidade de testar um novo software de rede internamente usando a frase na linha de assunto e, como brincadeira, o gerente de testes nomeou o servidor de teste de “dogfood”. “De alguma forma isso ganhou vida própria e começou a se espalhar para outras áreas da Microsoft, e de lá para outros setores”, lembra Maritz. “Às vezes tenho medo de que, quando eu morrer, escrevam na minha lápide: ‘Ele comia sua própria comida de cachorro’.”

Ilma Nur Chowdhury, professora de marketing da Faculdade de Negócios Alliance Manchester, diz que as empresas deveriam avaliar se escalaram uma equipe inclusiva de “dogfooding”, capaz de refletir as diferentes necessidades e perfis tanto dos funcionários quanto dos grupos de clientes. “É possível ver uma empresa tentando se tornar mais responsável socialmente quando tenta levar em consideração a diversidade nesse processo.”

Ela acredita que programas de “dogfooding” mal arquitetados podem levar a problemas como fadiga e ressentimento da equipe. Mas afirma que esses reveses podem ser evitados se os funcionários não forem obrigados a cumprir horas-extras e se o quadro da linha de frente não experimentar desestruturações de suas equipes.

Na empresa de automação de fluxos de trabalho Zapier, todos os funcionários são solicitados a ajudar no suporte aos clientes todas as semanas. Wade Foster, seu cofundador e executivo-chefe, diz: “Isso os ajuda a se sentir muito mais ligados ao trabalho que está em curso”. Ele afirma que a política levou a entender melhor as exigências do cliente e a conceber soluções mais rápidas para os problemas mencionados nos chamados. Também propiciou a construção de um espírito de união entre a equipe, que inclui confiança e maior respeito para com os funcionários de assistência ao cliente.

Foster acha que a política ajuda que todos “vejam através das mesmas lentes” e a entender por que outros departamentos defendem determinadas mudanças. No começo da pandemia, funcionários da equipe de suporte ao cliente e de outros departamentos da Zapier identificaram o impacto que a covid-19 teria sobre as empresas de pequeno porte e, em menos de uma semana, a companhia lançou um programa de assistência. “Ele nos permite avaliar melhor as oportunidades e adotar aquelas que consideramos interessantes talvez um pouquinho antes do que a maioria das empresas.”

Essas práticas não se restringem ao setor de tecnologia. Antes de se tornar CEO do Burger King, em 2013, Daniel Schwartz trabalhou nos restaurantes da empresa, fritando hambúrgueres e aprendendo como funcionavam outras funções na empresa.

A varejista britânica John Lewis promove sua própria iniciativa nesse sentido, chamada Helping Hands, desde 2006 – primordialmente centrada em torno da equipe do escritório.

Na primeira década de funcionamento do método, pediu-se aos funcionários que ajudassem nos espaços de vendas das lojas de departamentos da John Lewis e dos supermercados Waitrose, nos últimos dias da contagem regressiva para os festejos de Natal. O programa foi em seguida adaptado com a mudança da natureza do setor de varejo, na guinada para as compras on-line. Agora, os funcionários também podem se inscrever para ajudar em seus armazéns, centros de atendimento ao cliente e em entregas residenciais por alguns dias durante os períodos de maior movimento. “Isso faz a empresa ganhar vida na frente deles”, diz Ben Farrell, diretor de planejamento de operações e de entrega.

Enquanto comandava a reação à pandemia, a própria experiência de Farrell ao ajudar nas entregas influenciou seus métodos para garantir a segurança de funcionários e clientes. “O detalhamento que se obtém ao executar todas essas tarefas ajuda de verdade a pessoa a tomar decisões melhores”, diz.

(Tradução Mario Zamarian e Rachel Warszawski)

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/05/12/ceos-experimentam-a-linha-de-frente.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Negócios sem atendentes buscam simplificar experiência de compra

Lojas autônomas e máquina de algodão-doce ‘instagramável’ usam tecnologia para atrair cliente

Isabela Lobato – Folha – 3.abr.2022 

BELO HORIZONTE

Com forte uso de tecnologia, empresas estão oferecendo estruturas de autoatendimento sem funcionários pensadas para facilitar a experiência de compra, com cada vez menos obstáculos entre a escolha do produto e o pagamento.

Um exemplo é a Zaitt, franquia de lojas de conveniência autônomas. Para ter acesso ao espaço, o cliente baixa e cadastra-se no aplicativo da marca e tem sua entrada liberada por meio da leitura de um QR code.

Dentro do estabelecimento, escolhe e escaneia seus produtos com o celular. Depois, paga pelo próprio aplicativo e deixa a loja, tudo isso sem ter tido contato com ninguém.

Durante todo esse processo, seu comportamento é monitorado remotamente, levando em conta variáveis que informam à empresa casos suspeitos de fraude. Fatores como local, horário, tempo de cadastro e de permanência são levados em consideração.

Rodrigo Miranda, fundador da Zaitt, empresa de lojas autônomas, na unidade da Vila Nova Conceição (zona sul de São Paulo) 

Rodrigo Miranda, fundador da Zaitt, empresa de lojas autônomas, na unidade da Vila Nova Conceição (zona sul de São Paulo) – Gabriel Cabral/Folhapress

Rodrigo Miranda, fundador da empresa, criada em 2016, conta que o aporte inicial foi de R$ 10 milhões, vindos de diversos investidores. Ele não revela o faturamento atual, mas diz que planeja mais que dobrar o número de lojas em 2022. Hoje, há 14 delas em funcionamento em nove estados, e mais 30 em implantação. Na capital de São Paulo, há lojas no Brooklin e na Vila Nova Conceição (ambos na zona sul).

Embora não haja funcionários nos estabelecimentos em si, a Zaitt tem uma equipe remota que fica de plantão durante o funcionamento das lojas, abertas 24 horas por dia. Os funcionários, cerca de 60, estão preparados para intervir caso haja problemas, como furtos. Em situações assim, a empresa entrega as filmagens de segurança à polícia.

Uma equipe também precisa ir até as unidades para realizar tarefas como renovação de estoque e limpeza.

Já nas lojas sem funcionários da Be Honest, há apenas câmeras de monitoramento,, mas não uma equipe de prontidão contra eventuais furtos e fraudes. A empresa aposta numa mudança de cultura. É parte do chamado mercado de ‘honest market’, ou mercado honesto: seus mercadinhos, com itens de mercearia, são dispostos em prédios comerciais, grandes condomínios e hospitais, e todas as vendas são feitas com base na confiança no consumidor, que pega os itens desejados, paga e vai embora sem ser abordado por ninguém.

Criada em 2020, a Be Honest tem hoje mais de 200 mercadinhos em 25 cidades, a maior parte na zona metropolitana de Belo Horizonte. Emprega 75 funcionários ao todo. O cofundador, Marcelo Carneiro, não revela o faturamento.

A expansão da franquia é focada em cidades com mais de 200 mil habitantes, com um franqueador por cidade. Embora o perfil de cada local seja analisado individualmente, a maior parte dos mercadinhos fica em condomínios com mais de 70 unidades habitacionais ou empresas com mais de cem funcionários. Os produtos mais vendidos pela Be Honest são cervejas e refrigerantes.

Marcelo explica que as lojas são o canal que escolheram para falar dos ideais de honestidade, com a intenção ambiciosa de mudar a cultura do “jeitinho brasileiro”. Carneiro conta que, quando há muitos furtos acontecendo num ponto, a empresa organiza intervenções educativas com o público do local e que, até hoje, não precisou fechar nenhuma loja por esse tipo de problema.

Para Roberto e Nicole Lemos, casal fundador da franquia de máquinas de algodão-doce Cololido, a redução dos custos e do trabalho de administração de funcionários é um dos elementos mais importantes do negócio. A Cololido é uma empresa de vending machines que fogem do padrão de entrega de snacks dessas máquinas: fabricam, ao vivo, diferentes cores e sabores de algodão-doce.

As máquinas são colocadas em shoppings e, geralmente, causam curiosidade e, portanto, filas longas. A empresa nasceu em abril de 2021, com aporte inicial de R$ 40 mil, e faturou quase R$ 4 milhões nos oito meses finais do ano passado.

Já há 30 máquinas em operação, entre as operadas pela própria empresa e as de franqueados. A Cololido tem nove funcionários. Quando necessário, eles também renovam os insumos das máquinas e consertam eventuais falhas de funcionamento.

A empresa tem planos de expansão em outros ambientes além dos shoppings, como parques temáticos e hipermercados. Nicole explica que o valor da franquia varia por região, mas a média é de R$ 110 mil, com retorno médio previsto em 19 meses e margem de lucro de 47%.

A empresa foca também a experiência do consumidor. Para além de comodidade e rapidez, a ideia é que a compra seja prazerosa.

Isso significa entregar “não só um algodão doce, mas uma experiência completa, que envolve os cinco sentidos”, explica Roberto Lemos. O empresário descobriu a máquina da Cololido em uma feira de inovações que visitou na China, e, na hora, soube que era um investimento que queria trazer para o Brasil.

Durante a compra, o cliente pode interagir com telas e escolher cores, sabores e formatos para então assistir ao algodão-doce sendo feito ao som de uma música e sentindo o cheiro do sabor escolhido. Como o cofundador gosta de definir, “100% instagramável“, ou seja, com um forte apelo estético nas redes sociais.

A maior parte das lojas é no Paraná, estado onde o casal vive. Em São Paulo, podem ser encontradas no Morumbi Shopping, Shopping Pátio Paulista e no Shopping Bourbon.

Para Lemos, a necessidade da descoberta de uma nova cultura e de uma nova forma de comprar é um dos principais desafios para fazer as pessoas experimentarem seu produto.

De acordo com Flávio Petry, especialista em varejo do Sebrae-SP, o autoatendimento é uma tendência que veio para ficar, já que uma parte do público já se fidelizou e se acostumou ao modelo, mais cômodo e rápido.

Ele diz, porém, que, durante muito tempo, o receio do mercado atrasou a chegada dessas tecnologias ao Brasil. Mas os fundadores da Zaitt e da Be Honest dizem ter bons resultados, com baixos índices de furtos e perdas em seus estabelecimentos. No caso da Zaitt, a cifra é inferior a 1,5% do faturamento; na Be Honest, fica em 3%.

https://www1.folha.uol.com.br/mpme/2022/04/negocios-sem-atendentes-buscam-simplificar-experiencia-de-compra.shtml?origin=folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

‘Economia do mar é a nova fronteira no século XXI’, diz pesquisador

Estudioso dos oceanos, o professor da Escola de Guerra Naval Thauan Santos trabalha com IBGE para mensurar o peso das atividades econômicas no mar no PIB brasileiro

Naiara Bertão O Globo 04/05/2022 

SÃO PAULO – Economia do mar ou economia azul (blue economy) não é algo que se ouve tanto no Brasil quanto agropecuária, indústria de bens de consumo ou serviços, apesar de o país ter uma costa com quase 11 mil quilômetros de extensão. Os oceanos cobrem 71% da Terra e contêm 99% do espaço habitado por vidas no planeta. Isso dá a dimensão de seu potencial.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta que a economia oceânica crescerá para US$ 3 trilhões até 2030. Apesar disso, com exceção de países nórdicos e do Japão, poucos se preocupam em mensurar as atividades econômicas marinhas, entender seu potencial e se preocupar com a sustentabilidade dos oceanos.

Thauan Santos, professor doutor do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval (PPGEM/EGN) e um dos fundadores — e atual coordenador — do Grupo Economia do Mar (GEM), é um dos poucos que estudam a fundo a temática no Brasil. A pós-graduação na qual leciona, por exemplo, é a única em estudos marítimos do país.

Thauan Santos, professor doutor do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval Foto: Leo Pinheiro/Valor

Thauan Santos, professor doutor do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval Foto: Leo Pinheiro/Valor

Nesta entrevista, ele explica que os problemas vão além de canudinhos em narizes de tartarugas. E que as oportunidades de negócio são pouco comentadas. “É necessário ampliar o conhecimento de empreendedores e financiadores sobre os potenciais do setor, seja por sua relevância em termos de agregação de valor, seja pela criação de empregos”, diz. Leia trechos da entrevista:

Por que as empresas devem olhar para o tema economia do mar?

A economia do mar pode ser entendida como a nova fronteira da economia no século XXI. A diversidade de setores econômicos que depende direta e indiretamente dos mares e oceano, bem como a riqueza de recursos vivos e não vivos, renováveis ou não, no ambiente marinho já são objeto de amplo interesse, pesquisa e investimento em diferentes países do mundo.

 Além do plástico, quais são outros problemas e preocupações em termos de sustentabilidade?

Embora muito se fale do consumo de plástico, que é uma ameaça real à sustentabilidade e à vida marinha, é imprescindível entender que os mares e o oceano são, frequentemente, “a ponta” de diversas atividades econômicas (que resultam no) despejo de rejeitos de diferentes processos produtivos. É por isso que, no atual contexto da Agenda 2030 e da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), ambas promovidas pela ONU, a sustentabilidade da economia do mar tem sido tão buscada.

Quais atividades são mais poluentes?

De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos EUA, 80% da poluição marinha vêm da terra. Dentre as atividades mais poluentes e que ameaçam a vida marinha, destacam-se fertilizantes, pesticidas agrícolas, derramamentos de óleo, plásticos e esgoto não tratado.

Como o mundo avança na proteção ao oceano?

No mundo, é crescente a discussão sobre governança do oceano, que envolve uma série de regras e atores públicos e privados, sejam eles nacionais, regionais e/ou globais. Apesar de essa discussão já ter algumas décadas, novas atividades e ameaças ampliam constantemente o desafio de regular as atividades que ocorrem para além das fronteiras nacionais. Nesse contexto, destaca-se o papel da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), assinada em dezembro de 1982.

E o Brasil?

Ainda há pouca discussão sobre o assunto. O GEM foi criado em 2019 para isso, e a Brasfi (Aliança Brasileira de Pesquisa em Finanças e Investimentos Sustentáveis) está na vanguarda do debate. É necessário ampliar o conhecimento de empreendedores e financiadores sobre os potenciais do setor, seja pela sua relevância em termos de agregação de valor, seja pela criação de empregos. Mas posso dizer que essa discussão está ganhando mais fôlego no Brasil, com o mar passando a ser objeto central de políticas públicas em escala estadual e federal. Como representante da Marinha do Brasil no “GT PIB do Mar”, coordenado pelo Ministério da Economia, destaco que fizemos avanços no último ano junto à Comissão Interministerial dos Recursos do Mar (CIRM).

No que estão trabalhando?

Estamos elaborando um conceito oficial brasileiro sobre economia do mar, bem como um método de mensuração oficial da relevância do mar na economia nacional, junto ao IBGE. Mas ainda não há previsão de quando ficarão prontos.

No Brasil, quais as principais preocupações em termos de ESG (sigla para ambiental, social e governança)?

Por aqui, ainda associamos pouco o oceano como um meio que precisa ser pensado à luz das práticas ESG. Diferentes indústrias observam riscos e oportunidades. O setor de transporte se volta, por exemplo, para redução das emissões e consumo energético na questão ambiental (E); direitos trabalhistas, saúde e diversidade na perspectiva social (S); e, em termos de governança (G), transparência e accountability. Já a indústria de pescado está relacionada à preservação da biodiversidade e poluição local (E); segurança alimentar (S); e governança corporativa (G).

Em um momento em que se fala na redução de gases poluentes, os oceanos podem ser a chave por serem o ‘pulmão do mundo’ (por causa do fitoplâncton)?

Quando falamos do oceano no contexto da economia azul, estamos já considerando seu papel-chave na questão climática, particularmente na luta contra o aquecimento global. Em fevereiro, o sexto relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) trouxe conclusões de que houve mudanças em características fundamentais das águas salgadas nos últimos anos. Com o aquecimento, a eutrofização (concentração de nutrientes) torna-se mais intensa, o que muitas vezes leva à diminuição dos níveis de oxigênio da água. Aparecem “zonas mortas”, áreas onde há baixa taxa de vida. Ações como a sobrepesca e urbanização das faixas litorâneas aumentam o estresse já presente em ecossistemas fragilizados.

Qual a consequência disso?

Como alguns dos principais afetados, podem-se citar os predadores de topo de cadeia alimentar, praias arenosas, pântanos salgados e manguezais. O oceano absorve quase um quarto das emissões do homem de CO2, razão pela qual as zonas costeiras e marinhas desempenham papel decisivo na regulação climática.

Quais as oportunidades para empresas no Brasil?

Do ponto de vista nacional, promover clusters marítimos ao longo do litoral pode ser uma estratégia que otimiza recursos, know-how e conhecimento. Do ponto de vista das empresas, entender que a agenda da economia azul tem estreita relação com o desenvolvimento sustentável, ponto central da agenda global da ONU, pode agregar valor e criar novos nichos de mercado, inclusive pela percepção dos consumidores de que o engajamento empresarial nessas iniciativas cria valor.

O que falta para as empresas aproveitarem oportunidades?

Mais uma vez, é necessário que haja maior conhecimento. Há muitos setores defasados em termos de tecnologia, investimento e financiamento, que, com os estímulos adequados, têm condições de protagonizar um crescimento sustentável pós-pandêmico. Esse tipo de ruptura no modus operandi não é trivial, nem se dá de um dia para o outro, mas exige conhecimento, estratégia e visão de longo prazo.

Que países estão aproveitando melhor essas oportunidades?

A União Europeia é onde a discussão está mais avançada. Há uma estratégia de longo prazo para apoiar o crescimento sustentável nos setores marinho e marítimo, a blue growth (crescimento azul). Estados Unidos e China são outros que têm aproveitado as oportunidades. Vale ainda destacar o engajamento de alguns países em desenvolvimento, sobretudo Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (pequenos países arquipélagos).

Como o setor financeiro pode contribuir?

Conhecimento não basta para que os setores marinhos e as atividades marítimas sejam, efetivamente, promovidos nos diferentes países e nas distintas regiões. Para tal, é essencial que haja recursos dedicados a essa finalidade, razão pela qual o setor financeiro e o crédito são fundamentais nesse processo.

https://oglobo.globo.com/economia/economia-do-mar-a-nova-fronteira-no-seculo-xxi-diz-pesquisador-25499401

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Demanda por chief growth officer cresce; entenda o que é

Profissional responsável pela expansão das organizações capta oportunidades do pós pandemia

Por Jacilio Saraiva — Para o Valor, de São Paulo 16/05/2022 

Um novo posto ganha terreno no alto escalão das empresas. É o de CGO (Chief Growth Officer) ou diretor de crescimento, profissional responsável pela expansão das organizações. O cargo com reporte direto ao CEO conquista importância em um cenário de estresse financeiro e tem como mais nova missão capturar oportunidades de negócios no pós-pandemia. Também é caracterizado por receber uma pressão extra em comparação às outras lideranças, por conta da necessidade de comandar projetos essenciais ao avanço das corporações e ainda mostrar resultados quase diários.

Na Land, companhia de recrutamento do Talenses Group, a demanda por esses currículos aumentou 40% entre 2020 e 2021 – até 80% das solicitações são para startups e 20% vêm de marcas de bens de consumo. De acordo com levantamento exclusivo feito pela empresa a pedido do Valor com 14 CGOs de grandes grupos, 50% estão ocupando o posto pela primeira vez, metade veio da área de marketing e 14,2% deles eram executivos de vendas.

“As contratações continuarão crescendo”, explica Paulo Moraes, diretor geral da Land. “A necessidade de inovação e a busca por diversificação de receitas pressionam as chefias a pensar em novas soluções nos seus organogramas.”

Chief Growth Officer: salário cima de R$ 20 m

É o caso da Sankhya, provedora de sistemas de gestão corporativa (ERP, na sigla em inglês) com 16 mil clientes. A empresa de dois mil funcionários criou a posição de CGO no ano passado a fim de quintuplicar de tamanho até 2025 e se preparar para um possível IPO. Para isso, colocou Breno Riether, diretor nacional de vendas e marketing, na nova cadeira. “Sentimos a necessidade de uma estrutura mais robusta para suportar o crescimento orgânico e uma estratégia de desenvolvimento que inclui a incorporação de empresas”, diz.

Riether, que lidera diretamente 15 executivos, contratou cerca de 100 pessoas, somente no último ano, para alavancar projetos. Em 2022, até o final de abril, recrutou mais sete profissionais, entre diretores, gerentes e analistas, e o plano é selecionar mais 50 até dezembro.

Marina Melemendjian, CGO da Tembici, tem como responsabilidade entender onde mais a empresa pode atuar e firmar parcerias — Foto: Valor

Foram criadas três diretorias “abaixo” dele – comercial, marketing e de canais de vendas, para expandir unidades de negócios no Brasil e no exterior. De um total de 50 canais, 15 foram abertos em 2021. A meta é ter mais 12 até 2023, diz.

O CGO tem o papel de expandir a companhia em novos mercados e ampliar a visão da organização com dados e melhoria de processos, explica. “Sem esquecer de sempre questionar os modelos atuais de negócios.”

O trabalho de Riether também precisa mostrar retornos rápidos para a direção e investidores por conta de um aporte de R$ 425 milhões que o fundo GIG injetou na Sankhya, em 2020. “Entre os principais resultados que espero entregar estão estruturar a máquina de vendas para suportar um crescimento anual de 50% e chegar em 2025 com um faturamento de, pelo menos, R$ 1 bilhão”, detalha. O grupo faturou R$ 215 milhões em 2021 e a expectativa para este ano é alcançar R$ 350 milhões.

A pressão por mais dígitos na receita também faz parte do dia a dia de Marina Melemendjian, CGO da Tembici, empossada em janeiro. A startup de compartilhamento de bicicletas, baseado em sistemas de empréstimo de unidades como o Bike Itaú, soma operações no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília, além de Santiago, no Chile, e Buenos Aires, na Argentina. Faz parte do planejamento investir R$ 53 milhões para deslanchar o serviço em Bogotá, na Colômbia, com 300 estações para usuários e 3,3 mil magrelas.

“Uma das minhas responsabilidades será entender aonde mais podemos ir e quais as parcerias que fazem sentido”, diz a executiva de 32 anos, formada em administração pela FGV e diretora de M&A e novos negócios na Eletromídia, do setor de publicidade, até dezembro de 2021.

Na opinião da gestora, o CGO deve conciliar a execução de projetos de curto prazo, com entregas em até 12 meses, com um olho no futuro. “É um cargo conectado com as outras áreas da companhia, que exige atuação multidisciplinar e boa comunicação.”

Com 900 funcionários, a Tembici faturou R$ 140 milhões em 2021. Oferece mais de 16 mil bicicletas para 300 mil usuários. Além da expansão no Brasil e na América Latina, um dos interesses da startup nascida em São Paulo é aumentar a atuação com bikes elétricas e deslanchar negócios no nicho de cicloentregas – há pouco mais de um ano, fechou um acordo com o iFood para garantir o aluguel exclusivo de unidades para entregadores.

“A meta este ano é praticamente dobrar o número de bicicletas convencionais e elétricas”, resume. Depois que assumiu o posto, Melemendjian realizou duas contratações e tem mais cinco vagas abertas no time.

Moraes, da companhia de recrutamento Land, diz, baseado em reuniões recentes de alinhamento com clientes, que as características mais procuradas nos CGOs são capacidade de pensar “duas ou três casas” à frente dos consumidores e do mercado, além de conseguir moldar as organizações para atender necessidades futuras.

Christiana Mello, Chief Growth Officer da Catho: é preciso ter um equilíbrio entre o planejamento e a execução dos projetos — Foto: Silvia Zamboni/Valor

É o que espera fazer a executiva Christiana Mello, CGO da Catho desde agosto de 2021. A posição foi criada no grupo em meados do ano passado para liderar uma transformação no nicho de recrutadores e criar soluções capazes de tornar os clientes mais produtivos nas contratações, explica Mello, com passagens pelas diretorias de marketing e planejamento em companhias como TIM e Vivo. “O objetivo é aumentar a receita com os recrutadores em 3,5 vezes, nos próximos cinco anos.”

A Catho, marketplace de tecnologia que conecta empresas e candidatos a vagas de emprego, tem 650 funcionários. A carteira de atendimento inclui mais de 360 mil empregadores, com três milhões de currículos registrados. Mello responde pelo negócio B2B (entre empresas), unidade que conta com 200 funcionários e engloba áreas como vendas e atendimento ao cliente.

Em seis meses, a executiva reforçou os departamentos de marketing e produtos, com a contratação de 15 profissionais. “É preciso ter um equilíbrio entre o planejamento e a execução dos projetos”, diz. “E, para isso, é fundamental saber trabalhar com times multifuncionais e conseguir a colaboração de todos nas ações.”

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Não há problema algum em ficar quieto nas reuniões

A colunista Pilita Clark escreve sobre quando é mais sábio permanecer em silêncio nos encontros corporativos

Por Pilita Clark – Valor – 09/05/2022 

Quando o “The New York Times” anunciou que um homem chamado Joe Kahn seria seu próximo editor-executivo, fiz o que todos os jornalistas que conheço fizeram e corri para me informar sobre ele.

Meu artigo favorito, na “New York Magazine”, revelou, entre outras coisas, que Kahn é um conhecedor de vinhos muito rico, que fala mandarim e mora em um prédio de apartamentos em Manhattan onde, segundo consta, Marlon Brando já morou.

Mas havia algo mais. Segundo a revista, “nas reuniões de pauta, que são sempre um grande exercício de bajulação, Kahn faz poucos comentários”. Bingo, pensei, acrescentando mentalmente Kahn a uma lista de pessoas que dizem exatamente o que deveria ser dito por muito mais participantes de reuniões: pouca coisa.

Uma das muitas coisas boas de trabalhar em um jornal diário são os prazos implacáveis. Eles tornam difícil para os aspirantes a tergiversadores satisfazer seus instintos nas reuniões porque, em geral, não há tempo suficiente.

Infelizmente, isso não acontece em outros lugares. Além disso, pesquisas mostram que em uma reunião típica de seis pessoas, mais de 60% da conversa é feita por apenas dois participantes. Para aqueles forçados a sentar e prestar atenção, a experiência pode ser dolorosamente tediosa. Não é de admirar que a visão de uma pessoa quieta em uma reunião seja muitas vezes considerada digna de comentários. Felizmente, Joe Kahn está longe de estar sozinho.

Pouco depois de Joe Biden se tornar presidente dos Estados Unidos, o “The New York Times” publicou um longo relato de como ele trabalhava e em quem ele confiava mais na Casa Branca. Um de seus principais conselheiros políticos era Mike Donilon, um assessor experiente que foi descrito como “a consciência, alter ego e cérebro compartilhado” de Joe Biden.

O “Times” relatou que, nas reuniões, Donilon “tende a ficar em silêncio até o final de uma discussão, momento em que Biden geralmente acata qualquer observação que ele tenha feito”.

Donilon não é o primeiro washingtoniano quieto. Dick Cheney foi frequentemente chamado de o vice-presidente mais poderoso da história dos EUA, quando serviu sob George W Bush de 2001 a 2009.

Há, é claro, uma razão muito boa para falar muito nas reuniões, especialmente para aqueles de nós que não têm a posição de vice-presidente ou presidente-executivo. Falar bastante faz você parecer mais líder. De acordo com um artigo publicado em 2004, Cheney era conhecido por sua capacidade de manter seus pensamentos e sentimentos para si. “Pessoas com bom acesso à Casa Branca dizem que ele raramente fala em reuniões e mostra pouca reação a comentários de outros.”

Há também Sir Simon Stevens, o ex-CEO do Serviço de Saúde da Inglaterra. Entre os elogios que choveram sobre ele quando deixou o cargo, em 2021, estava o de um antigo chefe, Jeremy Hung, ex-secretário da Saúde.

Hunt disse que Stevens era um “operador estupendo”, que tinha o dom de “conseguir permanecer em silêncio em reuniões caso não tivesse algo importante a dizer, uma qualidade rara no governo”.

Falar muito em reuniões, principalmente para aqueles que não possuem cargos pomposos, pode revestir a pessoa de uma aura mais forte de liderança. A ligação entre tempo de fala e autoridade é tão consagrada que alguns pesquisadores a chamam de “a hipótese da tagarelice” da liderança. O efeito parece ocorrer independentemente da inteligência ou da personalidade, segundo estudo para o qual me chamou a atenção Madeleine de Hauke, uma consultora que ajuda organizações a realizar reuniões mais produtivas.

Ela destaca que há custos em deixar faladores entediantes dominarem a reunião. Fomentar a inovação, por exemplo, exige diversidade de pensamento. Mas, se as reuniões forem dominadas por uma minoria ruidosa, “você pode ter uma força de trabalho fantasticamente diversificada e deixar de obter diversidade de pensamento”. Essa é uma constatação útil, que dá peso a uma ideia que creio ser atraente: a de reuniões silenciosas.

Em vez de despejar ideias geniais verbalmente, os participantes anotam ideias, que são expostas em um quadro de maneira a não identificar quais ideia são de quem, e então elas são discutidas. Diz-se que o processo galvaniza introvertidos e neutraliza fanfarrões.

Talvez não funcione para todos os tipos de reuniões, reconheço, mas, seja como for, há um velho ditado que diz algo que muitos participantes de reuniões empoladas poderiam considerar: melhor permanecer em silêncio e correr o risco de ser tido como um tolo do que falar e não deixar qualquer dúvida sobre isso.

Pilita Clark é colunista do Financial Times

https://valor.globo.com/carreira/coluna/nao-ha-problema-algum-em-ficar-quieto-nas-reunioes.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

É possível aprender com o BBB?

Paulo Milet* – Correio da Manhã – 13/05/2022

Em relação ao BBB, e a vários outros “realities”, muitas vezes encontro comentários do tipo: não vejo essa porcaria; não tem nada que preste; não perco meu tempo com isso; e por aí vai. Mas será verdade, ou apenas preconceito dos comentaristas?

Como adepto do lifelong learning, acredito que o aprendizado ocorre sempre, desde que você tenha a mente, os olhos e ouvidos atentos para perceber as várias possibilidades.

No BBB, uma votação intermediária para eliminar um participante gerou 400 mi de votos em 48h e na final, mais de 700 mi, com quase 3 mi de votos por minuto. Isso não seria motivo de reflexão? Profissionais de comunicação e marketing não deveriam estar mergulhados nesse tópico? Ou fecham os olhos para esse fenômeno?

O tiktok, depois de ser sucesso mundial com as “dancinhas”, resolveu usar o “merchan” do BBB para mostrar que, via tiktok, podem ser aprendidas técnicas novas, praticados esportes, ensinados matemática, física, línguas etc. Os profissionais de educação perceberam isso?

A turma do RH teve a chance de analisar 22 pessoas trocando experiências, exercendo  lideranças e administrando conflitos?  Alguns se destacam, outros se retraem, uns trabalham em equipe, outros isolados. Resiliência ou conformismo surgem a cada rodada. Não é um manancial de exemplos a registrar e a usar em técnicas de captação e gestão de pessoas?

E os políticos, gestores, eleitores e estatísticos? Não perceberam que pessoas que eram desconhecidas, em dois meses conseguiram milhões de seguidores? Ainda ficam preocupados em alocar verbas para anúncios em rádio e TV? Fizeram comparações entre as enquetes em dezenas de sites e os resultados finais? Perceberam que quando o voto não é unitário tudo pode acontecer? O voto direto plebiscitário pode chegar às melhores escolhas? Porque alguns que são melhores em todos os aspectos, perdem por votações humilhantes? Fake news sobre a vida dos participantes atrapalham ou nem são percebidas?

Os advogados enxergaram que os conflitos são os mesmos que acontecem aqui, do lado de fora, em relação às leis, normas e portarias? Aquela agressão foi com dolo? A frase foi ofensiva? Qual foi a motivação? A liderança foi obtida por meios justos? A capacidade de influenciar votantes aqui fora pode ser aproveitada ou é um mau exemplo?

Empresários e investidores perceberam as oportunidades? Viram que a adoção de novos tipos de cartões, QR Codes, escolhas automáticas podem ser ensinadas e absorvidas em alguns minutos?

O pessoal de TI não teve bons insights sobre como gerenciar portais com milhões de interações por minuto e com datas inadiáveis para apresentar os resultados? Perceberam a transformação digital do programa e as mudanças dos últimos 20 anos? O pessoal do IOT (internet das coisas) viu que as possibilidades de monitoramento contínuo, medições à distância e sensores nas roupas são de um potencial incrível?

Merchans com horas de duração em uma prova de resistência, onde todas as características de um produto ou serviço podem ser destrinchadas e transmitidas para o cérebro dos consumidores foram analisadas?

A turma da engenharia e arquitetura aprendeu como se montam estruturas, cenários e equipamentos  em alguns pouco dias e horas? Todos adequados a uma excelente UX (user experience)?

E ainda vimos uma pessoa trans ser admitida e reconhecida como mulher de um modo natural e sem preconceitos e a cor da pele não ter nenhuma importância nas decisões do programa. Uma bela lição!

Exemplos de merchandising  realizados pelos próprios competidores foram um sucesso. Os anunciantes pagaram caro e não se arrependem. O programa faturou R$ 600 milhões! Um recorde.

No final teve até exemplo de METAVERSO!

E então, vamos aprender?

 (*) Paulo Milet é presidente do Conselho de Educação da ACRJ.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Demanda por profissionais de experiência do usuário explode

Agora são as empresas que, diante da alta demanda por especialistas em experiência do usuário, entram em um rali por profissionais qualificados dentro – e fora — do Brasil

Por Gabriel Justo – Exame – 28/04/2022 

Apesar de antiga, a máxima do “servimos bem para servir sempre” nunca foi tão levada a sério como na última década. Nesse período, a popularização dos smartphones e o boom de empresas oferecendo serviços por meio de interfaces digitais — como chamar um transporte, pedir comida ou enviar dinheiro para alguém — inundaram o mercado com algo que, até então, era escasso: dados. Com eles, foi possível entender minuciosamente o comportamento dos usuários para entregar uma experiência muito mais agradável, valiosa e digna de transformar o cliente em um genuíno — e poderoso — influenciador.

Essa nova dinâmica, que coloca os consumidores no centro dos negócios, forçou uma transformação nas empresas, que precisam estar sempre atentas às necessidades de seus clientes, que mudam a cada dia. Para isso, estruturas verticais tradicionais e morosas dão lugar a squads ágeis e multidisciplinares, compostas de profissionais cujos cargos, até outro dia, mal existiam: UX/UI designer, UX writer, UX researcher, product owner, arquiteto de informação… E por aí vai.

“Quando eu comecei, em 2005, a atuação de um designer era restrita ao webdesign, quase sempre terceirizada e sem nenhuma visão de produto”, explica Bruno Canato, senior UX manager do Nubank, que hoje emprega quase três centenas de designers. “Com essa expansão do smart­phone, houve um deslocamento muito forte no mercado: designers e pesquisadores deixaram esse lugar de produtor terceirizado para trabalhar diretamente dentro das empresas.”

Quem também viu esse movimento acontecer foi Carolina Trancucci, diretora de clientes da Gol Linhas Aéreas. O departamento nasceu em 2015 com cerca de 20 pessoas e, em sete anos, se tornou a terceira maior diretoria da companhia, com 1.500 pessoas — número que inclui os profissionais de relacionamento com o cliente, mas dá ideia da importância que a experiência do cliente (customer experience, ou CX, na sigla em inglês) vem ganhando ao longo do tempo. Porém, mais importante do que isso, explica Trancucci, foi toda a governança consolidada durante esse período para que a voz do cliente fosse tão importante nas tomadas de decisões quanto as questões de viés operacional que normalmente norteiam uma companhia aérea. “CX não pode ser apenas uma fonte de indicadores para a empresa. É uma construção de governança em conjunto com as outras áreas, para que até mesmo aquelas menos óbvias, como a engenharia, possam agregar valor na jornada do cliente”, explica a diretora.

 (Exame/Eduardo Frazão)

(Exame/Eduardo Frazão)

A executiva destaca que, certa vez, deixou o escritório rumo aos hangares de manutenção para buscar uma solução para a sensação de calor excessivo da qual muitos clientes se queixavam. Depois de muito trabalho em conjunto, ela e os técnicos chegaram a uma solução relativamente simples: em dias muito quentes, o embarque seria realizado com as persianas das janelas fechadas, o que melhorou — e muito — a sensação térmica da aeronave no solo. “Como uma pessoa da área de clientes, eu nunca conseguiria definir esse processo sozinha. Mas o engenheiro, com o input que eu levei, chegou a esse resultado”, conta Trancucci. “Essa sinergia vai sendo construída de forma orgânica, com as lideranças mostrando a importância dos processos, estipulando metas, formalizando os combinados com a equipe. Cria-se um enredo dentro da companhia para que a máquina gire para o lado do cliente.”

Quem são esses profissionais

Justamente por essa característica transdisciplinar da experiência do usuário, os profissionais que hoje ocupam cargos nessa área têm diferentes backgrounds: muitos começam no design gráfico, na publicidade ou em áreas completamente exógenas e acabam transicionando a carreira para o UX. Como “experiência” ainda não é um campo de estudo nem possui, por exemplo, uma gradua­ção específica, movimentos como esse são comuns e têm ajudado o mercado a suprir uma demanda por profissionais que não para de crescer — em parte, pela própria expansão do mercado, mas também pela competição com empresas estrangeiras que, pagando em dólar ou em euro, encontram no Brasil uma mão de obra qualificada e relativamente barata, dado o câmbio atual.

“De tão aquecido que esse mercado está, hoje são as empresas que precisam se provar para o candidato, e não o contrário. Até mesmo profissionais com pouca experiência já têm salários muito alavancados”, conta a ­­coordenadora de recrutamento em tecnologia Yasmin Galvão, da Level Executive Search,­ consultoria especializada em fazer o “match” entre candidatos e vagas de tecnologia e marketing — que nos últimos dois anos ganhou uma pegada mais tech. “Apesar de ser historicamente ligado à publicidade, o marketing é um campo de atuação com tecnologias que colaboram muito com uma gestão data-driven, que é um caminho bastante assertivo para tocar uma companhia.”

Recentemente, Tiago Lessa, head de mar­keting, aquisição e engajamento do Globoplay, destacou durante um evento promovido pela Salesforce a importância da integração de times, como os de criação e tecnologia. “Precisamos estar o tempo inteiro medindo, propondo coisas novas, fazendo diferente”, disse. “O marketing hoje é uma área de exatas, com engenheiro de dados, matemáticos… Precisamos dessa galera conversando com os comunicólogos tradicionais da área para alcançar uma comunicação assertiva.”

Com a alta demanda por profissionais não só qualificados mas que conseguem transitar bem entre diferentes áreas, as empresas passaram a competir umas com as outras para não ficarem de mãos abanando. Uma maior participação nos lucros e até stock options são bons atrativos. Mas, como explica Galvão, abrir as portas para desenvolver profissionais mais juniores também é um caminho inevitável. “Perde-se um pouco de tempo, mas vale o esforço. Só querer gente pronta dificulta muito a composição das equipes.”

Alan Dantas, da Ebac: alunos recrutados antes mesmo de terminarem o curso (Eduardo Frazão/Exame)

Isso é maturidade

Nesse cenário, um fator específico é levado em conta pelos profissionais na hora de escolher (sim, escolher) um trabalho: o grau de maturidade das empresas em relação ao UX. Líder mundial desse mercado, o Nielsen Norman Group desenvolveu um modelo que mede essa maturidade em seis estágios, levando em conta diversos aspectos que refletem quão centrada no usuário uma empresa é. Sem benefícios e incentivos significativos, um profissional muito sênior pode se sentir subutilizado em uma empresa pouco madura em UX, enquanto os profissionais mais juniores podem levar algum tempo para se adaptar a equipes e empresas mais consolidadas na área.


76% dos trabalhadores em todo o mundo dizem não estar prontos para o futuro do trabalho

82% planejam aprender novas competências nos próximos cinco anos…

…mas apenas 28% estão ativamente envolvidos em programas de aprendizado e treinamento dessas capacidades

Fonte: Salesforce.


É por isso que, na Porto, segunda maior seguradora do país no Ranking MELHORES E MAIORES 2021 da EXAME, o processo de retenção de talentos começa já no momento da contratação. Há 77 anos no mercado, a empresa é uma das que têm se transformado para manter sua relevância diante das insurtechs que ganham espaço no mercado. O grande desafio, nesse caso, é encontrar profissionais que queiram atuar nesse movimento de transformação. “Se o cara for excelente, mas durante o processo nós identificarmos que ele quer trabalhar em um ambiente totalmente maturado, ele não será a pessoa para a nossa cadeira”, explica Deise Violaro, superintendente de CX e Growth­ da Porto, que recentemente reestruturou sua política de cargos e salários e implementou uma estrutura de Agile Transformation Office (ATO) — um time dedicado a desenvolver o mindset de agilidade nos indivíduos e na empresa como um todo. “Uma vez aqui dentro, esses profissionais não querem que indiquemos como fazer. Querem um propósito, uma missão e autonomia para se desenvolverem e chegarem lá.”

Apesar de ser um indicador da temperatura do mercado, a escassez de profissionais também é uma prova de que há um enorme gap de profissionais qualificados — e preenchê-lo é um desafio e tanto. Segundo um estudo da empresa de software Salesforce, 76% dos trabalhadores em todo o mundo dizem não estar prontos para o futuro do trabalho. E, embora 82% planejem aprender novas competências nos próximos cinco anos, menos de um terço (28%) está ativamente envolvido em programas de aprendizado dessas capacidades.

De olho nessa lacuna, a Escola Britânica de Artes Criativas desembarcou no Brasil em 2016 para sanar as demandas desse “novo” mercado de trabalho. Cinco anos depois, o faturamento da instituição saltou 250%, de 400.000 para 1,5 milhão de dólares. O segredo desse sucesso, diz Alan Dantas, head de educação da Ebac, está na empregabilidade — praticamente garantida. “Muitos de nossos alunos recebem propostas até mesmo antes de terminarem o curso, porque são uma mão de obra realmente em falta no mercado”, explica Dantas, que também vê a carreira de ex-alunos e professores sendo rapidamente alavancada pelo rápido crescimento do mercado. “No Brasil, vemos muitas pessoas trocando de emprego em um curto espaço de tempo, inclusive com promoções. E quem é muito bom acaba sendo cobiçado pelo mercado internacional, que adora a criatividade e o bom nível de inglês dos brasileiros, que, quando falam a língua, falam muito bem.”

Deise Violaro, da Porto: um time inteiro dedicado a métodos ágeis (Divulgacão/Divulgação)

Mas em um mercado ainda tão “em construção”, com profissionais vindos de tantas outras áreas, o que define um bom talento de UX? Para Canato, do Nubank, o principal é ter sensibilidade e empatia para entender quem é o usuário e qual é a dor que ele quer resolver. “Qualquer profissional precisa ter a capacidade­ de saber quem é o usuário final, entender seu problema, para decidir quais são os principais pontos a serem trabalhados, e enfim ter ideias para cada um deles e testá-las antes de lançar”, explica o executivo. “Em um horizonte de alguns poucos anos, todos vamos precisar, mais do que ter a base da nossa profissão, incorporar essa forma de endereçar os problemas, sempre focando o consumidor.”

Cena de O Dilema das Redes: o documentário chamou a atenção para o papel do designer ético (Expsoure Labs/Netflix)

Dilemas éticos

Em uma realidade data-driven, cada ação que você realiza na internet (e até fora dela) é cuidadosamente monitorada e registrada — o que pode levar a sérias consequências. Lançado em 2020, o documentário O Dilema das Redes, da Netflix, mostra como as redes sociais reuniram uma quantidade gigantesca de dados sobre o comportamento de milhões de pessoas — e acabaram fazendo uso deles para viciá-las ainda mais em suas plataformas. “As redes sociais funcionam como caça-níqueis de cassino. Todo o design é feito para viciar você”, explicou no documentário Tristan Harris, ex-designer ético do Google.

Harris é um tipo de profissional ainda raro, mas que em poucos anos deverá compor equipes em muitas empresas no mundo todo. Afinal, um aplicativo desenhado para levá-lo a fazer uma compra que você não quer (o que é chamado de “tecnologia persuasiva”) ou que faz dinheiro exibindo anúncios em meio a várias informações falsas pode até ser lucrativo, mas… No que ele está contribuindo para a sociedade? São preocupações que mesmo as empresas não tão grandes quanto o Google devem ter e que vão demandar profissionais que enderecem essas questões, como um especialista em ética do design ou em ética de dados — responsável por estabelecer um crivo ético acerca de como as empresas usam a tecnologia. “Precisamos de novos modelos e sistemas de responsabilidade para que, conforme o mundo fique melhor e mais persuasivo com o tempo, as pessoas no controle sejam responsáveis e transparentes com o que queremos”, pontuou Harris em um TED Talk.

https://exame.com/revista-exame/o-jogo-virou/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Inteligência artificial vai da faxina à felicidade nas empresas

Tecnologia analisa dados para otimizar processos feitos há décadas da mesma forma

Correção do post de ontem sobre 5G: O Globo usou dados de reportagem antiga que falava em 9 capitais com legislação para rede 5G. Na verdade, hoje são 12 capitais com essa legislação e infraestrutura, incluindo Vitória no Espírito Santo.

Alexandre Aragão – Folha – 12.mai.2022 

Ao abrir a porta do banheiro da academia, a pessoa que vai tomar banho dispara um alerta para a equipe de limpeza —é hora da faxina. Os dados gerados, por sua vez, alimentam um algoritmo, que usa inteligência artificial para organizar a rotina dos trabalhadores e mensurar a sua satisfação.

Essa racionalização do dia a dia do cotidiano de empresas, que parecia uma realidade distante há pouco tempo, é a aposta de startups brasileiras, aproveitando-se da disseminação do 5G e do barateamento de sensores.

“Há décadas a limpeza é feita do mesmo jeito”, afirma Leandro Simões, CEO da Evolv, que oferece soluções para o mercado de manutenção predial.

 Leandro Simões, CEO da Evolv, que oferece soluções para o mercado de manutenção predial

Leandro Simões, CEO da Evolv, que oferece soluções para o mercado de manutenção predial – Divulgação

Segundo ele, a limpeza é “um processo muito importante, mas que é tão negligenciado que ninguém monitora direito”. Por isso, a startup atua junto aos clientes para definir quais são as métricas certas para acompanhar.

“É um mercado que no Brasil gira mais ou menos R$ 100 bilhões por ano”, diz. “Tem muito dinheiro na mesa para ganhar e muita água desperdiçada para economizar.”

O executivo viu a oportunidade após mais de uma década no setor de telecomunicações, quando atuou na aquisição da Telefônica pela Vivo e em uma startup de antenas, onde teve contato com investidores como a GP Investiments e o fundo Blackstone.

Na Tractian, a oportunidade de negócio foi percebida por uma equipe jovem e recém-saída da faculdade.

“A maioria dos primeiros funcionários se conheceu lá na Escola de Engenharia de São Carlos da USP”, conta João Vitor Granzotti, responsável pela área de dados da startup —ele concluiu o curso no ano passado.

A Tractian criou um hardware e um software capazes de prever, com alto índice de precisão, quando uma máquina industrial está prestes a quebrar, antecipando processos de manutenção e evitando que a linha de produção seja interrompida.

“A ideia da Tractian é dar poder às equipes de manutenção nos processos industriais”, diz Granzotti.

Ao monitorar e registrar em tempo real informações como frequência de vibração, temperatura e parâmetros da rede de energia elétrica, o algoritmo da startup detecta mudanças sensíveis, identifica padrões e alerta os clientes sobre possíveis problemas em uma interface amigável.

Os sensores são capazes de monitorar até 60 tipos de máquinas. Os clientes vão desde indústrias automobilísticas até uma fazenda de camarão, afirma Granzotti.

Fundada durante a pandemia, a startup já atende clientes em países como Argentina, Chile, Estados Unidos e México.

No caso da Fiter, o alvo de otimização não é um processo ou uma máquina, mas os próprios funcionários, por meio de um “índice de felicidade”.

Conheça a Fiter, startup que mede ‘índice de felicidade’ de funcionários

Escritório da Fiter no Centro de Inovação do governo do Estado de São Paulo, na escola Politécnica da USP; a startup mede o 'índice de felicidade' de funcionários   

Escritório da Fiter no Centro de Inovação do governo do Estado de São Paulo, na escola Politécnica da USP; a startup mede o ‘índice de felic 

A metodologia foi desenvolvida pelo CEO Sergio Amad, executivo e professor com mais de dez anos de experiência em recursos humanos e neuropsicologia.

O cálculo é feito a partir das respostas a oito perguntas, que em parte se repetem e em parte se renovam, uma vez por mês. Os trabalhadores respondem se quiserem.

As questões são de múltipla escolha e partem de afirmações como “sinto satisfação com o meu desempenho” e “vejo que o meu perfil é compatível com a função”, com as quais o funcionário pode concordar, discordar ou ser neutro.

Com as respostas de boa parte dos funcionários de uma empresa, o algoritmo é capaz de identificar padrões e perceber quando alguém mudou de humor em relação ao trabalho.

Segundo Amad, os principais resultados são redução de rotatividade e uma medida objetiva para saber se algum funcionário está próximo de ter burnout (esgotamento), situação que se tornou mais frequente durante a pandemia.

“Essa medição de felicidade dá a oportunidade de a gente prestar atenção naquelas pessoas para as quais estávamos um pouquinho distraídos”, explica Toni Gandra, fundador da academia EcoFit, que é cliente da Fiter.

Ele diz já ter revertido duas demissões em potencial graças à análise que o serviço oferece. Weverson Alves, supervisor de capacitação da Live One Trade, afirma que o sistema serve não só para entender a felicidade dos funcionários, mas “também o que a empresa pode oferecer para ele”.

NEGÓCIOS COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ATRAEM INVESTIDORES

A eficiência de empresas SaaS (sigla do inglês “software as a service”, ou “software como serviço”) que utilizam inteligência artificial para melhorar processos de outras companhias, vem chamando a atenção de investidores.

No mês passado, o Goldman Sachs liderou um aporte de R$ 625 milhões na unico, unicórnio brasileiro de identificação digital que hoje é avaliado em US$ 2,6 bilhões. Com mais dinheiro em caixa, a empresa tem investido na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias proprietárias.

Uma das frentes, em parceria com a Universidade Federal do Paraná, investe em biometria periocular (análise de dados da região dos olhos), com o objetivo de melhorar o reconhecimento e mitigar vieses algorítmicos.

“Muitas das tecnologias de reconhecimento facial hoje no mercado foram desenvolvidas em países do norte, baseadas em faces caucasianas e asiáticas”, diz a empresa.

“Nosso time investe no aprimoramento contínuo dessa tecnologia proprietária, justamente com foco em melhoria da experiência e do acesso de todas as pessoas.”

https://www1.folha.uol.com.br/tec/2022/05/inteligencia-artificial-vai-da-faxina-a-felicidade-nas-empresas.shtml?origin=folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Redes 5G enfrentam dificuldade em 17 capitais e devem atrasar início da nova tecnologia. Entenda

País não tem, em ponto algum, a 5ª geração de celular ‘pura’. Previsão era implementá-la nas capitais até julho, mas técnicos da Anatel recomendam adiar inauguração

Manoel Ventura – O Globo – 12/05/2022

BRASÍLIA — Donos de smartphones mais modernos já veem, em seus visores, o símbolo do 5G como padrão de suas redes. Embora muitos acreditem que isso seja um presságio do que está por vir, ainda não é a tecnologia prometida para revolucionar a velocidade da comunicação. O país não tem, em nenhum ponto, a quinta geração celular “pura”.

Infra: Postes viram alvo de disputa bilionária entre telefônicas e empresas de energia às vésperas do 5G

Embora ela seja prometida para inaugurar em dois meses, ainda há muitas dificuldades no caminho. Por isso, técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já cogitam adiar em dois meses o prazo para o início da operação nas capitais.

Leiloado no ano passado, o 5G ainda não está acessível em nenhuma localidade do país, de acordo com dados da Anatel. Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam dificuldades para instalar a tecnologia em 17 capitais do país, segundo levantamento feito pelas operadoras de telefonia no início do mês.

Pelas regras do edital, as vencedoras do leilão (especialmente Claro, Tim e Vivo, as maiores operadoras de redes móveis no país) devem colocar no mínimo uma antena de 5G puro para cada 100 mil habitantes em todas as capitais até o dia 31 de julho deste ano.

5G: Entenda como a revolução na telefonia móvel vai alterar o seu cotidiano e o das empresas

Mas o prazo pode ser estendido em dois meses. Com 12,3 milhões de habitantes, por exemplo, a cidade de São Paulo precisará ter pelo menos 123 antenas de 5G neste ano.

As empresas devem oferecer o chamado 5G standalone (SA), ou o 5G puro. É uma tecnologia que oferece duas características fundamentais das redes móveis de quinta geração: altíssima velocidade e baixa latência (demora entre o envio e o recebimento de uma informação).

Essa versão é conhecida como “pura” por usar uma infraestrutura totalmente nova e dedicada ao 5G, sem aproveitar a estrutura usada até hoje pelo 4G. E esse 5G “impuro” que aparece nos visores dos celulares pelo país.

E você com isso?  Veja 5 coisas que a chegada do 5G pode mudar na sua vida

— É graças ao 5G stand-alone que a inovação nas redes de quinta geração poderá acontecer. O 5G SA tornará possível o desenvolvimento de casos de uso de baixa latência; viabilizará a conexão de milhões de dispositivos por quilômetro quadrado e poderá realizar a agregação de diversas portadoras de 5G. Essas características trarão velocidades muito maiores do que as que atualmente temos nas redes de telecomunicações que utilizam redes sem fio — explica o Wilson Cardoso, Diretor de Tecnologia para a América Latina da Nokia, uma das três maiores fornecedoras de equipamentos para o 5G.

5G: Redes enfrentam dificuldades em 17 capitais. Foto: Lionel Bonaventure / AFP

Na nuvem e sem ‘delay’:  Veja como o 5G vai transformar a sua experiência nos games ao vivo

Por enquanto, as empresas oferecem apenas o 5G DSS, uma combinação de frequências usadas no 4G que permite oferecer velocidades maiores, mas sem as mesmas qualidades da versão “pura”. Há 60 municípios com essa tecnologia, sendo acessada por 1,7 milhões de usuários, segundo a Anatel.

Enquanto não chega o prazo para a implementação definitiva de redes públicas de 5G, as empresas buscam driblar obstáculos para a instalação da tecnologia. O principal deles é a legislação restritiva de diversas cidades, que impede a instalação de um grande número de antenas.

No 4G, uma torre manda o sinal para um bairro inteiro, por exemplo. Já as ondas do 5G são mais curtas (quanto mais curta, maior a velocidade) e, por isso, serão necessárias dez vezes mais dispositivos.

Das 27 capitais, apenas nove já têm leis que permitem instalar os dispositivos em locais como alto de prédios e postes de iluminação pública, permitindo a implementação do 5G, de acordo com levantamento do Conexis, associação que reúne as empresas de telecomunicação.

Embora se precise instalar mais antenas, esses equipamentos são bem menores que as torres tradicionais de comunicação, o que afeta pouco a paisagem das cidades. 

O Ministério das Comunicações afirma que tem trabalhado apoiando as prefeituras para que reduzam barreiras sobre a instalação de infraestrutura necessária à oferta do 5G.

Leonardo Capdeville, diretor-técnico da Tim Brasil, diz que a empresa defendeu a adoção do padrão 5G standalone por acreditar que é o melhor modelo para o Brasil. Para a instalação, afirma, aguarda apenas a liberação da frequência pela Anatel 

— A operadora acredita que a chegada do 5G de verdade trará uma série de benefícios e soluções para a sociedade e para a indústria, sendo o mais relevante a habilitação do IoT de forma massiva e a geração de mais negócios e empreendimentos também em cidades inteligentes, saúde, educação, energia, logística e demais áreas — afirma.

5G: CONHEÇA OS PRIMEIROS SMARTPHONES VENDIDOS NO BRASIL APTOS À NOVA REDE

1 de 9

Samsung tem o S21 Ultra 5G. Modelo custa a partir de R$ 7.199,10 e é apto à nova frequência do 5G standalone Foto: DivulgaçãoSamsung tem o S21 Ultra 5G. Modelo custa a partir de R$ 7.199,10 e é apto à nova frequência do 5G standalone Foto: DivulgaçãoiPhone 13 5G da Apple é apto à nova frequência 3,5 GHZ do 5G e tem preço a partir de R$ 6.299 Foto: Jeenah Moon / BloombergiPhone 13 5G da Apple é apto à nova frequência 3,5 GHZ do 5G e tem preço a partir de R$ 6.299 Foto: Jeenah Moon / BloombergSamsung tem o Galaxy Z Fold3 5G, a partir de R$ 11,5 mil. Modelo vai funcionar na nova rede 5G standalone Foto: DivulgaçãoSamsung tem o Galaxy Z Fold3 5G, a partir de R$ 11,5 mil. Modelo vai funcionar na nova rede 5G standalone Foto: Divulgação

O iPhone 12 é habilitado para a nova rede 5G standalone (em 3,5 GHz) Foto: DivulgaçãoO iPhone 12 é habilitado para a nova rede 5G standalone (em 3,5 GHz) Foto: Divulgação

O Galaxy Z Flip3 5G, da Samsung, é apto à nova frequência standalone (em 3,5 GHz) do 5G e tem preço a partir de R$ 6.299 Foto: DivulgaçãoO Galaxy Z Flip3 5G, da Samsung, é apto à nova frequência standalone (em 3,5 GHz) do 5G e tem preço a partir de R$ 6.299 Foto: Divulgação

PUBLICIDADE

O Realme 8 5G, com preço a partir de R$ 1.599, vai funcionar na futura rede 5G standalone (em 3,5 GHz), diz empresa Foto: DivulgaçãoO Realme 8 5G, com preço a partir de R$ 1.599, vai funcionar na futura rede 5G standalone (em 3,5 GHz), diz empresa Foto: DivulgaçãoA chinesa Realme tem o modelo GTME 5G,a partir de R$ 3.699. Modelo é habilitado na frequência nova do 5G standalone (em 3,5 GHz) Foto: DivulgaçãoA chinesa Realme tem o modelo GTME 5G,a partir de R$ 3.699. Modelo é habilitado na frequência nova do 5G standalone (em 3,5 GHz) Foto: DivulgaçãoO Motorola Edge 20 5G, a partir de R$ 3.999, já é apto a rodar na frequência nova do 5G standalone (em 3,5 GHz) Foto: DivulgaçãoO Motorola Edge 20 5G, a partir de R$ 3.999, já é apto a rodar na frequência nova do 5G standalone (em 3,5 GHz) Foto: DivulgaçãoO modelo Xiaomi11 Lite 5G NE tem a frequência da nova rede 5G standalone (em 3,5 GHz) e custa a partir de R$ 3.679,99 Foto: DivulgaçãoO modelo Xiaomi11 Lite 5G NE tem a frequência da nova rede 5G standalone (em 3,5 GHz) e custa a partir de R$ 3.679,99 Foto: Divulgação

O cronograma da Anatel determina a ampliação do 5G todos os anos até 2029, quando será preciso atender 100% dos municípios, inclusive aqueles com população abaixo de 30 mil habitantes.

A Claro afirma que já lançou redes standalone em São Paulo e em Brasília na frequência de 2,3 GHz (que não é a principal frequência do leilão). A empresa diz que tem feito testes aplicados à indústria, agricultura, saúde e entretenimento com excelentes resultados”.

A Claro reforça que está plenamente preparada para a implantação do 5G Standalone na faixa de 3,5Ghz e, para isso, aguarda as liberações das entidades responsáveis. A empresa informa ainda que irá cumprir os prazos de implementação do 5G determinados no leilão realizado pela Anatel”, diz a empresa.

Já a Vivo afirma que dedica todos os seus esforços para antecipar o lançamento do 5G, usando a faixa de 2,3 GHz. Para tal, está adequando sua rede e, desde o início de dezembro de 2021, seus clientes podem experimentar o 5G DSS, inicialmente em algumas regiões de bairros das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

PUBLICIDADE

Nova frequência 5G Foto: Marcos Alves / Agência O GloboNova frequência 5G Foto: Marcos Alves / Agência O Globo

Para a faixa de 3,5 GHz, principal ofertada pela Anatel, a Vivo diz que seguirá o cronograma pós-leilão e está pronta para cumprir com o que está no edital, contemplando a cobertura das capitais, prevista para julho deste ano.

Sem redes públicas disponíveis, operadoras de telefonia e fornecedoras de equipamentos na implantação das primeiras redes 5G com foco empresarial. São redes privadas e dedicadas a um cliente.

Nesses casos, a tecnologia é utilizada para conectar máquinas, veículos, dispositivos, sensores e trabalhadores num ambiente onde o alto desempenho e a segurança são críticos. 

— Cada cliente tem seu próprio plano de como vai investir e monetizar o 5G, mas alguns pontos são comuns. O 5G vai melhorar o desempenho de metas, apoiar novos negócios e automatizar indústrias em áreas como agricultura, serviços públicos, saúde e educação, entre outros — afirma Rodrigo Dienstmann, Presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina.

Metaverso:  Entenda por que alta velocidade e baixa latência do 5G são decisivos para a internet 3.0

A Huawei também tem aplicações privadas do 5G, como o projeto “Cidade 5G”, em Curitiba.

— Um dos objetivos é mapear oportunidades para aprimorar a experiência dos usuários por meio do desenvolvimento de equipamentos, soluções sustentáveis como estudos de casos de aplicação da tecnologia 5G, de baixo consumo de energia e custo, e que mantenham a alta qualidade de entrega de serviços — disse Gustavo H. Nogueira, diretor de vendas da Huawei.

https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/redes-5g-enfrentam-dificuldade-em-17-capitais-devem-atrasar-inicio-da-nova-tecnologia-entenda-25507137

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

O metaverso já está entre nós. Terá o mesmo futuro do seu precursor Second Life?

O conceito do Second Life e do metaverso de um mundo virtual é muito semelhante. Mas para por aí. o Second Life é uma plataforma centralizada, desenvolvida e pertencente a uma empresa, com protocolos fechados. Já o metaverso é um ambiente digital de código aberto e descentralizado, desenvolvido em blockchain

Por Laelya Longo, Valor Investe — São Paulo 10/05/2022


O termo ganhou projeção mundial quando Mark Zuckerberg anunciou a mudança do nome de sua organização de Facebook para Meta, justificando que iria focar na criação do mundo virtual conhecido como metaverso. A ideia de um mundo virtual que reproduza nossa realidade existe há muito tempo e frequentemente está presente em filmes e séries de grande audiência e bilheterias e sua primeira versão nasceu ainda nos primórdios da internet.

No início dos anos 2000, o Second Life causou furor com sua proposta revolucionária de levar para o meio digital a rotina, atividades e relacionamentos que se tem na vida real. Teve recordes de acessos, girou milhões de dólares, empresas abriram “filiais”, tinha sistema financeiro, negócios imobiliários e até uma moeda digital própria. Até que, por diversos acontecimentos negativos, desregulação das transações financeiras, operações ilícitas e até crimes, o Second Life praticamente desapareceu. Paralelamente, o ritmo do desenvolvimento tecnológico e a ascensão das redes sociais, redirecionaram os usuários para outras plataformas.

Seria o metaverso, então, uma versão mais elaborada tecnologicamente do Second Life, mas com um destino igual? Especialistas ouvidos pelo Valor Investe concordam que o conceito do Second Life e do metaverso de um mundo virtual é muito semelhante. Mas para por aí.

A primeira – e fundamental – diferença entre ambos é que o Second Life é (sim, ainda existe e está em atividade) uma plataforma centralizada, desenvolvida e pertencente a uma única empresa, com protocolos preestabelecidos e fechados.

Já o metaverso é um ambiente digital de código aberto e descentralizado, desenvolvido em blockchain (uma espécie de banco de dados compartilhado e inviolável que utiliza criptografia para garantir a segurança e a confiança nas informações registradas). Ou seja, não pertence a uma única pessoa ou empresa e seu código de programação é aberto para todos que quiserem desenvolver aplicações diversas, complementares ou não.

O princípio básico do metaverso é o código aberto (‘open source’). Cripto é código aberto, blockchain é código aberto”, reforça Guto Martino, diretor de marketing da Hathor Labs, empresa de consultoria da blockchain Hathor Network. O código aberto permite que qualquer pessoa (com os conhecimentos necessários) acesse o código de programação de determinado software, leia e modifique seu conteúdo, otimizando ou criando novas funcionalidades, sem ter de pagar por licenças de uso ou direitos autorais. “A pessoa se torna um construtor dentro do ambiente digital”, explica Martino.

O código aberto, característico também dos chamados softwares livres, aqueles que são baixados de graça, já fazem parte do dia a dia de muita gente. O ‘pai’ do código aberto é o sistema operacional Linux, que nasceu para se contrapor ao monopólio do Windows, da Microsoft. Outros exemplos são o navegador Firefox, da Fundação Mozilla, o PDF Creator (concorrente da Adobe), o OpenOffice (concorrente do Office da Microsoft), o Gimp (conhecido como a versão gratuita do Photoshop), entre milhares de outros. Cada nova versão desses programas foi realizada de forma colaborativa, distribuída de forma gratuita, promovendo acessibilidade a recursos que seria permitida somente a quem pudesse pagar.

O metaverso são todos os mundos virtuais que visitamos on-line, que têm uma espinha dorsal econômica apoiada pelo blockchain”, afirma Gabby Dizon, co-fundador da Yield Guild Games (YGG). “Este não é apenas o futuro dos jogos, mas também o futuro do trabalho”, vislumbra. “Quando as economias subjacentes desses mundos virtuais são construídas no blockchain, com padrões ‘interoperáveis’, isso permite que ativos digitais e itens do jogo sejam transportados entre mundos.” Em tecnologia, a interoperabilidade permite que vários sistemas “rodem” com outros, por meio de padrões abertos, independentemente de qual linguagem de programação utilizem e de onde estão instalados. Segundo Dizon, esse conceito é imprescindível quando se trata de propriedade de ativos digitais.

Nesse contexto, Martino reforça que o metaverso é uma coisa muito maior do que o projeto da Meta Plataforms – a não ser que, depois de desenvolvido, Zuckerberg abra o código de programação para quem quiser desenvolver novas funcionalidades a partir dele.

 

Percepção, imersão e tecnologia

Além da parte conceitual e estrutural, diferentemente do Second Life, no qual a interface gráfica era basicamente uma figurinha animada, como um desenho, a experiência pessoal dentro do metaverso conta ainda com equipamentos tecnológicos – que também já foram itens de ficção científica -, como óculos de realidade virtual, holografia e realidade aumentada, que proporcionam uma interação 3D, como na vida real.

O fatigado ambiente 2D das reuniões virtuais, adotado por todas as empresas do mundo em função da pandemia, pode ser substituído por uma reunião 3D, em alta resolução. “Com um avatar e um óculos de realidade virtual, uma reunião poderá ser realizada em qualquer tipo de cenário, em uma sala virtual reproduzida com todas as características de uma sala normal da empresa – ou, em Marte”, ilustra Alex Buelau, diretor de tecnologia da Parfin.

Apesar de parecer algo além do alcance do cidadão comum, um óculos de realidade virtual já custa, no Brasil, praticamente metade de um iPhone recém-lançado.

“Nas plataformas tradicionais de reunião por vídeo, por exemplo, o que vemos basicamente é um álbum de fotos em que podemos ver e ouvir o outro”, descreve Buelau. “No 3D do metaverso, você vira a cabeça, você vê o corpo da outra pessoa sentada em uma mesa e você tem a sensação que está lá mesmo. Sensorialmente, isso faz uma diferença gigante.”

A tecnologia G5 vai permitir conexões ultrarrápidas, com capacidade de banda para uma quantidade muito maior de dados. Da mesma forma, a velocidade e a capacidade de processamento de dados dos computadores e celulares cresce exponencialmente.

Para Buelau, veremos uma “curva de adoção” em que o estranhamento da ideia vai dando lugar à aceitação, uso e consolidação, assim como ocorreu em tão pouco tempo com as plataformas de vídeo, como o Zoom, e até o próprio celular. “Quando o celular foi lançado, tinha um monte de gente falando que nunca iria ter ou precisar. Se você não tem celular, hoje, está fora do mundo.”

Mas essa aceitação não é para todo mundo. Os chamados “nativos digitais” já nascem sabendo. Eles cresceram com a internet, com os games, com a tecnologia como parte de seu próprio desenvolvimento. Os nativos digitais são os habitantes dos metaversos representados atualmente por games como Axie Infinity, Fortnite, Free Fire, Roblox, Minecraft, entre outros, tão populares e populosos que atraem outros tipos de atividades tão comuns no mundo real.

O cantor Travis Scott fez uma apresentação virtual no Fortnite, em abril de 2020, vista por pelo menos 14 milhões de pessoas. Além do entretenimento, toda uma nova economia começa a se desenhar dentro do multiverso, como o “play to earn”, pelo qual a pessoa é remunerada com tokens para jogar.

 

A “nova” nova economia

O conceito de Nova Economia surgiu com a digitalização de processos produtivos e atividades comerciais e da adoção da internet como instrumentos social e econômico no mundo. O metaverso vai criar uma nova economia dentro desse conceito. Uma loja on-line já está inserida dentro da nova economia digital. Poder entrar nessa loja com seu avatar (representação individual por meios virtuais), experimentar uma roupa ou testar um carro, e realizar a compra com uma criptomoeda vai ser a atualização da Nova Economia – e ainda transformar empregos e profissões.

A construtora Tecnisa inaugurou seu stand de vendas no Second Life em 2007. “Tínhamos um stand com apartamento decorado para visitar, onde o avatar de um corretor atendia os interessados – avatares também”, conta Joseph Nigri, vice-presidente do Conselho da companhia. “Instalamos um stand de um empreendimento localizado na Barra Funda [bairro da capital paulista], o Inovarte. Recebemos muitas visitas de curiosos e realizamos algumas vendas.”

“Antigamente, a pessoa que ia comprar um imóvel, comprava o jornal, abria os classificados, selecionava os anúncios, pegava o carro e ia até o local conhecer”, lembra Nigri. “Hoje, ninguém começa a buscar um imóvel sem entrar na internet. O Second Life foi uma forma de as pessoas que estavam buscando imóveis, conhecerem um stand sem ter que sair de casa.” Segundo o executivo, foi uma iniciativa pioneira que, por um custo muito baixo, gerou muita atenção e alguns negócios.

No entanto, a efetivação da compra propriamente dita não podia ser realizada dentro da plataforma do Second Life. “Com o blockchain, a efetivação da compra/venda vai poder acontecer diretamente no ambiente digital. Com o blockchain, você registra seus ativos, transfere a propriedade, tem as criptomoedas para comprar ou vender, transacionar valores”, descreve Nigri.

Mesmo ainda fora de uma blockchain, a Tecnisa já está aplicando os conceitos do metaverso em seus lançamentos imobiliários. O cliente que compra uma unidade de um empreendimento pode fazer a personalização do imóvel, com seu avatar escolhendo e testando acabamentos “dentro do apartamento”. “O projeto final é encaminhado para a obra e o cliente recebe o imóvel pronto do jeito que queria, sem pisar na obra real”, conta Nigri.

Nigri avalia que, para o mercado imobiliário, o metaverso pode significar uma grande transformação. “É possível que, no futuro, os imóveis sejam tokenizados e vendidos no metaverso. A partir daí, acaba a escritura de um imóvel como conhecemos hoje. O blockchain será o registro, o cartório.”

Dizon, da YGG, aponta que a nova economia do metaverso vai ainda transformar o trabalho e as profissões. “Os empregos já estavam se tornando cada vez mais baseados em computador, ou seja, não estão fisicamente vinculados à empresa, com equipes globais e remotas se coordenando em todo o mundo”, aponta. “Esses empregos poderão ser movidos para o metaverso”, afirma, acrescentando que novas profissões surgirão, como arquitetos de metaverso, designers de moda digital, criadores de avatares, moderadores de comunidades, e assim por diante.

 

Finanças e segurança

A nova economia que o metaverso vai gerar – já está gerando, na verdade – passa fundamentalmente pela adoção das criptomoedas para transações comerciais e financeiras. A mais conhecida é o bitcoin, mas já existem mais de 10 mil criptomoedas no mundo. É quase certo que, nos próximos anos, outras tantas irão ser criadas e muitas mais deixarão de existir, conforme essa nova economia for se consolidando e peneirando o joio do trigo.

No ambiente criptografado, descentralizado e sem fronteiras do metaverso, baseado em blockchain, não faria sentido pagar ou receber em dólar ou euro ou real. “Se você está no metaverso, monta uma galeria de NFTs de arte digital e cobra 1 centavo de entrada, não vai poder cobrar 1 centavo de dólar. Vai cobrar 0,000001 bitcoin. Dólar é a moeda do norte-americano. Se você está na Indonésia, você vai ter que comprar dólar para pagar o serviço?”, exemplifica Buelau, da Parfin.

No Second Life também havia um certo fluxo econômico em que, na maior parte das transações, quem faturava era a plataforma. “No dia em que a plataforma morreu, morreu a economia de lá”, diz Buelau. Justamente porque era uma plataforma centralizada, com um dono.

Dizon ressalta que, com a moeda virtual do Second Life, o Linden, podia se comprar ou vender itens, mas a posse dos ativos era “fictícia”. “O Second Life existia apenas no banco de dados do desenvolvedor, então seus residentes não possuíam verdadeiramente os ativos digitais que eles compraram. Com mundos virtuais baseados em blockchain, os ativos serão realmente de propriedade do usuário.

Com o desmantelamento do mundo no Second Life, até uma crise financeira aconteceu. O Ginko Financial, um “banco” não regulamentado que prometia a investidores retornos astronômicos, administrado por um proprietário cuja identidade ainda é um mistério, declarou falência em 2007, após a plataforma estabelecer regras mais rígidas sobre apostas em jogos.

Os residentes do Second Life teriam “depositados” cerca de 200 milhões de Lindens, algo em torno de US$ 750 mil, na época, ou mais de US$ 1 milhão, atualmente. A plataforma chegou a ter mais de uma dezena de “instituições financeiras” que operavam da mesma forma que o Ginko e que, na verdade, eram pirâmides.

Buelau lembra que ilícitos existem tanto na vida real quanto na digital e, talvez, cheguem ao metaverso. “A deep web e a dark web existem e provavelmente vão migrar para o metaverso, mas assim como as regras e leis foram se aprimorando para a internet, também vão acontecer coisas nesse sentido no metaverso.”

Em outra avaliação, Dizon acredita que a própria estrutura do metaverso vai minimizar a necessidade de “policiamento”. “No blockchain, se um ativo digital estiver na minha carteira, ninguém mais poderá tomá-lo. Seu registro é público e não há nada que alguém possa fazer para tirá-lo de mim, exceto roubar minha carteira.”

https://valorinveste.globo.com/mercados/cripto/noticia/2022/05/10/o-metaverso-ja-esta-entre-nos-tera-o-mesmo-futuro-do-seu-precursor-second-life.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/