‘Aliados’ descobrem o preço do protecionismo americano

Taiwan, França e Alemanha veem suas fábricas se transferirem para os EUA, atrás dos subsídios de Joe Biden

Nelson de Sá – Folha – 2.dez.2022

O Dianzi Shibao (DigiTimes), conhecida publicação taiwanesa sobre tecnologia, informa que Joe Biden e Tim Cook, CEO da Apple, visitam o Arizona na próxima terça para a inauguração formal da fábrica americana da gigante de chips de Taiwan, TSMC.

O fundador da TSMC, Zhang Zhongmou (Morris Chang), resistiu à pressão dos EUA pela fábrica desde o início do ano, inclusive com dados sobre a produtividade inviável no país, 50% inferior. Mas os bilhões de subsídio de Washington falaram mais alto. E a nova fábrica, no fim, vai tentar transplantar a produtividade de Taiwan.

Foi o que revelou há duas semanas a revista taiwanesa Shangye Zhoukan (Business Weekly, acima), com o embarque de 300 pessoas ligadas à TSMC em voo fretado, para morar nos EUA, a tempo de se apresentarem para as fotos com Biden e Cook.

Está ficando caro, para o governo de Taiwan. Nas eleições locais, logo em seguida, o partido governista foi derrotado pelo opositor Kuomintang na capital e na cidade da própria TSMC.

Segundo o jornal Zhongguo Shibao (China Times), de Taipé, as imagens dos engenheiros sendo “enviados continuamente”, com suas famílias, “fizeram os taiwaneses sentirem que Taiwan estava se esvaziando, e os eleitores expressaram sua insatisfação”.

Outro motivo seria o temor de guerra como na Ucrânia, sobretudo depois da visita da presidente da Câmara dos EUA e do cerco à ilha pelos militares chineses. Mas o esvaziamento da TSMC é mais persistente, na repercussão.

Zhang, o fundador, já aceitou uma segunda fábrica no Arizona e, sob pressão da Apple, segundo a Bloomberg, vai produzir chips de tecnologia mais avançada, que ele queria restringir a Taiwan. Pior, 70% da TSMC está agora sob controle de capital externo.

Mais especificamente, segundo o Financial Times, entraram na composição da gigante, após sua aceitação da produção nos EUA, Warren Buffett, George Soros e os fundos Tiger Global e Bridgewater. A TSMC, critica o Zhongguo, está virando USMC —de “United States”.

O protecionismo industrial de Biden, que rendeu capa crítica da inglesa The Economist (acima), atinge outros “aliados”. Os subsídios à fabricação de carros elétricos nos EUA estão levando Alemanha e França a ameaçar com “guerra comercial”.

Na quinta, o presidente americano estendeu tapete vermelho na Casa Branca para o francês Emmanuel Macron —que tentou resistir aos afagos, repisando que os subsídios começam a desindustrializar a Europa e “vão dividir o Ocidente”.

O financeiro alemão Handelsblatt destacou na sexta que “não há quase nada de substancial para reportar da reunião entre os dois, só mais banalidades”, sem concessões efetivas de Biden. Ele que até falou, como ressaltou o alemão Die Welt no título entre aspas:

“Os Estados Unidos não pedem desculpas. E eu também não.”

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nelsondesa/2022/12/aliados-descobrem-o-preco-do-protecionismo-americano.shtml

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App Lensa vira febre nas redes sociais com avatares criados com IA; veja como fazer

Por Rebecca Crepaldi – Estadão – 02/12/2022 | 

Famosos aderiram à tendência e transformaram suas fotos; recurso é pago, mas há alternativas gratuitas

Quem é usuário das redes sociais deve ter esbarrado, nos últimos dias, com ilustrações de pessoas com maquiagens coloridas ou adereços diferentes, como coroas de flores e roupas futuristas. A nova tendência da internet veio do aplicativo de edição de fotos Lensa, que viralizou entre os internautas devido ao recurso de criação de avatares mágicos por meio de Inteligência Artificial (IA).

Com base em fotos enviadas pelos usuários, o aplicativo gera desenhos realistas que brincam com diferentes estilos e adicionam características físicas, variações de cores de roupa, cabelo e fundos. Celebridades como os cantores Luan Santana, Ivete Sangalo e Claudia Leitte, o influenciador Felipe Neto e a humorista Tatá Werneck aderiram à tendência e compartilharam os resultados da IA em suas redes sociais.

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O aplicativo é gratuito para baixar, mas a ferramenta para criar o avatar é paga. Em aparelhos Android, o pacote de 50 avatares custa R$ 31,99, enquanto o de 100 pode ser adquirido por R$ 41,99 e o de 200 por R$ 63,99. Já em celulares da Apple (iOS), os pacotes custam R$ 34,90, R$ 44,90 e R$ 69,90, respectivamente.

O app registrou mais de 10 milhões de downloads da Play Store e alcançou a marca do aplicativo de foto e vídeo mais baixado na Apple Store nesta quinta-feira, 1. O Lensa foi lançado no fim de 2018 pela empresa estadunidense Prisma Labs, e este é o passo a passo de como usar:

  1. Baixe o app Lensa na loja do seu celular;
  2. Dentro do app, clique na ferramenta ‘magic avatars’;
  3. Insira entre 10 e 20 fotos suas no formato de selfies ou retratos;
  4. Não coloque fotos em que outras pessoas apareçam;
  5. Tente variar em ângulos, fundos e expressões;
  6. Não coloque fotos com nudez;
  7. O aplicativo não permite fotos de criança;
  8. Escolha o gênero com qual se identifica;
  9. Prossiga até o passo de pagamento;
  10. Baixe o pacote de avatares gerados.

Apesar da fama repentina, alguns internautas criticaram a falta de semelhança com a aparência real do usuário e as distorções geradas pelo próprio algoritmo. No aplicativo, durante os passos para a criação dos avatares, a empresa alerta sobre a possibilidade de erros. O Estadão também separou três alternativas semelhantes e gratuitas para criar o seu próprio avatar. Confira:

ToonMe

App ToonMe é uma das alternativas onde usuários conseguem criar avatares gratuitamente

App ToonMe é uma das alternativas onde usuários conseguem criar avatares gratuitamente 

O ToonMe está disponível tanto na Google Play como na AppStore. A parte gratuita do aplicativo disponibiliza mais de 100 possibilidades de estilos de avatares, e cada uma das opções possibilita fundos e efeitos diferentes entre si. Nesta parte, as ilustrações podem ser criadas após o usuário assistir a diversos anúncios – e, quando baixada, a marca d’água vai junto. Já a seção paga permite o download das fotos sem anúncios ou marcas, além de mais efeitos.

Voilà Al Artist Foto Editor

Com uma interface que facilita a navegação, app Voilà também oferece ferramentas para criação de avatares por meio de IA

Com uma interface que facilita a navegação, app Voilà também oferece ferramentas para criação de avatares por meio de IA 

O que esse app tem de dificuldade no nome, tem de facilidade no uso. Com uma interface simples, o Voilà também utiliza a foto do usuário para criar avatares de diferentes estilos. Com 10 opções, que incluem cartoon em 3D e em 2D, pinturas renascentistas e caricaturas, o aplicativo gera quatro avatares para cada estilo que podem ser baixados gratuitamente em smartphones com sistema Android ou iOS.

Artisan

App Artisan oferece 10 estilos para criação de avatares

App Artisan oferece 10 estilos para criação de avatares 

Também disponível para Android e iOS, o aplicativo Artisan é outra alternativa para os usuários que desejam transformar suas fotos em ilustrações. Entre as 10 opções de estilos disponíveis, o usuário pode brincar com a mudança de textura, fundo e cores da imagem. A versão gratuita também inclui a necessidade de assistir a anúncios para baixar a foto e a marca d’água no resultado final.

Leia também:

https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/app-lensa-vira-febre-nas-redes-sociais-com-avatares-criados-com-ia-veja-como-fazer/

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‘Empregos verdes’ crescem no Brasil; setor solar deve fechar o ano com 200 mil novos postos

Por Renée Pereira – Estadão – 04/12/2022 

País já responde por 10% da geração de emprego sustentável no mundo e fica atrás somente da China

A qualidade da matriz energética, com quase 50% de energia renovável, e o potencial da economia verde podem alavancar o desenvolvimento do Brasil nos próximos anos, com uma geração de emprego mais sustentável. Para se ter ideia, hoje o País já responde por 10% de todos os empregos verdes no mundo, ocupando a segunda colocação entre os maiores empregadores da indústria de biocombustíveis, solar, hidrelétrica e eólica.

O mercado brasileiro perde apenas para a China, que tem 42% dos 12,7 milhões de postos de trabalho do planeta, segundo dados da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), compilados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A expectativa é de que, até 2030, as energias renováveis criem 38,2 milhões de empregos no mundo.

Os cálculos consideram uma transição energética ambiciosa e a aceleração de novos investimentos para reduzir o aquecimento global do planeta. No Brasil, além da eólica e da solar, há a aposta no hidrogênio verde – área em que o País pode se tornar líder mundial – e no comércio do crédito de carbono.

“O potencial do trabalho verde no Brasil é enorme, seja pelo tamanho da economia ou pelo fato de ser o lar de ecossistemas dos mais relevantes do planeta, rico em recursos naturais e biodiversidade”, diz o economista sênior da divisão de Mercados de Trabalho e Seguridade Social do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Oliver Azuara.

Para ele, o benefício de “enverdecer” a economia no Brasil será maior do que em qualquer parte do mundo. Isso porque o potencial de crescimento das fontes renováveis, ao contrário de outras partes do mundo, ainda é muito alto no País. No setor eólico, por exemplo, a energia offshore (em alto-mar) nem começou a ser explorada ainda, mas tem potencial de 700 mil MW no País. Cada MW de energia offshore gera 17 postos de trabalho ao longo de 25 anos de vida útil de um projeto.

Mais sobre energia

Na eólica convencional, em terra, esse número é um pouco menor: 11,7 empregos por MW instalado. A expectativa é de que, nos próximos dez anos, o setor acrescente no mínimo 3 mil novos MW por ano (em 2022, serão 5 mil MW), diz a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum. Isso significa cerca de 35 mil novos postos de trabalho anuais.

No setor solar, hoje o que mais cresce no Brasil e no mundo, a geração de empregos em toda cadeia ultrapassou os 170 mil postos em 2021, e pode superar os 200 mil neste ano, segundo o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia. Segundo ele, 60% dos empregos do setor vêm da instalação de sistemas – empregos de nível técnico, com renda média de dois salários mínimos e carteira assinada. Outros 40% vêm da fabricação de componentes, projetos, engenharia, administração, comercial, vendas e marketing.

Maiores empregadores

Apesar de as novas fontes serem as que mais acrescentam postos de trabalho hoje em dia, em termos consolidados são os biocombustíveis e as hidrelétricas que empregam mais no Brasil, segundo a Irena. De 1,27 milhão de empregos verdes, 68% vêm da indústria de combustíveis sustentáveis e 14%, das usinas hídricas – duas áreas tradicionais no setor energético desde os anos 60 e 70.

“O País já se encontra em posição de vanguarda nesse tema em relação às demais nações, e segue uma trajetória sustentável, ampliando cada vez mais o uso de fontes limpas, como eólica e solar, além de apostar em novas tecnologias, como o hidrogênio verde”, diz o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.

O potencial de investimento do produto é de US$ 200 bilhões até 2040 no Brasil. Só em Pecém (CE), três empresas anunciaram investimentos de US$ 14 bilhões em planta de hidrogênio verde. Outro destaque é o crédito de carbono. A consultoria Mckinsey estima que, para cada dólar proveniente dos benefícios da ação climática, a comunidade local recebe um retorno socioambiental líquido de US$ 1 a US$ 4 em termos de criação de empregos, desenvolvimento local e serviços de ecossistema.

“Esse impacto se traduz na geração de 550 mil a 880 mil empregos líquidos por ano através de projetos de restauração, agroflorestas e REDD+ (incentivo para compensar países em desenvolvimento por medidas de redução de emissões)”, diz o sócio e líder da prática de sustentabilidade da McKinsey, Henrique Ceotto. Segundo ele, 57% desses empregos são diretos e concentrados no local de implementação dos projetos. O executivo afirma ainda que profissionais com experiência no mercado de carbono voluntário estão com demanda alta.

https://www.estadao.com.br/economia/sua-carreira/emprego-verde-no-brasil/

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Empresas têm dificuldade de contratar até para posições de menor qualificação

Metade da mão de obra jovem é despreparada, diz pesquisador. Para especialistas, ‘não há bala de prata’. No curto prazo, empresas têm de investir em treinamento para suprir carências

Por Glauce Cavalcanti e Letycia Cardoso — O Globo – 04/12/2022 

Apesar do desemprego ainda alto no país, as empresas estão enfrentando dificuldades para preencher até mesmo vagas que demandam menor qualificação, que são geralmente as portas de entrada dos jovens no mercado de trabalho. É uma contradição que se aprofundou após a pandemia com a combinação de perda no aprendizado escolar, principalmente no ensino médio, e a menor chance de ganhar competências com experiências profissionais.

Sem formação e experiência adequadas, os candidatos chegam às seleções com agravantes, apontam os recrutadores. A falta de interação social limitou o desenvolvimento de habilidades de relacionamento, o que dificulta a atuação em serviços de atendimento ao público, por exemplo. E muita gente tem limitações de lidar com dispositivos tecnológicos, cada vez mais presentes em negócios de todos os tipos.

Dessa forma, apesar dos muitos currículos e filas nas portas das seleções, comércio e serviços em geral, como restaurantes, hotéis e supermercados, têm mais dificuldades para contratar e experimentam alta rotatividade. Já empresas de eventos não conseguem encontrar jovens profissionais para receber convidados. No terceiro trimestre, a taxa de desemprego ficou em 8,7% no país. Na faixa etária de 18 a 24 anos, alcançou 18%. Entre os que têm ensino médio incompleto, foi de 15,3%.

100 dias para selecionar

Para o economista Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco e professor associado da Fundação Dom Cabral, é esperado que essa geração entrando no mercado de trabalho agora, e desde 2021, tenha dois agravantes na assimetria entre a formação e o que esperam as empresas:

— O primeiro é (um prejuízo) cognitivo, e passa pelas disciplinas, pelo ensino. A aprendizagem ficou ainda aquém daquilo que a gente tinha. O segundo, que se sobrepõe e agrava o primeiro, é a redução da interação desses jovens com seus pares e professores. Isso fragilizou ainda mais a capacidade de serem formados para entrarem no mercado de trabalho, inclusive em competências comportamentais.

A Gupy, plataforma de recrutamento via inteligência artificial, recebe dez milhões de aplicações para vagas de trabalho por mês. No mesmo período, gera 70 mil contratações. Dez mil vagas, porém, permanecem abertas, por falta de pessoas qualificadas, mesmo com o grande contingente em busca de uma chance. Há postos que levam mais de cem dias para serem preenchidos, como os de operadores de produção e de máquinas ou consultores de qualidade.

Guilherme Dias, cofundador da Gupy, lembra que pesa nessa situação uma transformação no perfil de pessoas buscado pelo mercado de trabalho em todas as faixas de qualificação:

— Não faltam pessoas, faltam as habilidades técnicas e emocionais. O vendedor que o mercado quer não é o mesmo de antes. Ele tem de saber analisar dados, ser versátil, interagir, dialogar. As companhias exigem requisitos que temos menos em nosso mercado. É uma questão global, mas aqui é pior.

Márcio Delgado, gerente-geral do Hotel Nacional, na Zona Sul do Rio, não tem dúvidas ao afirmar que “há uma escassez geral de mão de obra”, incluindo as vagas que exigem menor qualificação, mesmo diante das estatísticas de desemprego. Antes da pandemia, conseguia preencher vagas como as de garçom e camareira em uma semana. Agora, a média subiu para três, sendo que, às vezes, as vagas ficam em aberto por mais tempo.

Solução é treinar

O número de frequentadores do empreendimento triplicou este ano em comparação com 2021, mas a ampliação do quadro é mais lenta. Subiu de 150 para 213 empregados, e Delgado segue contratando.

— É difícil conseguir pessoas para alguns cargos, principalmente cozinheiro e garçom. Então, abrimos mão da experiência para contratar porque precisamos dessas pessoas para ajudar nos atendimentos. Depois, treinamos continuamente. Quem tem mais experiência atua como tutor dos novos — conta.

É o que acontece com Fabiana Fontenele, 29 anos, há seis meses contratada como camareira pelo Hotel Nacional.

— Parei de trabalhar na pandemia, após mais de seis anos em outra rede hoteleira. Essa experiência facilitou meu retorno, agora ajudo outros mais novos — diz ela.

Metade da mão de obra jovem é despreparada, diz pesquisador

Para suprir a carência de mão de obra nas posições de menor qualificação em pouco tempo, as empresas não têm outra saída a não ser investir em capacitação e adotar maior flexibilidade na seleção, apontam especialistas. O Brasil tem cerca de 20 milhões de jovens com 18 a 24 anos de idade. Desse grupo, seis milhões não concluíram o ensino médio.

Outros quatro milhões completaram esse ciclo, mas não conseguem trabalho, explica Naércio Menezes Filho, diretor do Centro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância do Insper e professor da USP.

Na avaliação do pesquisador, metade da mão de obra nessa faixa etária hoje não está preparada adequadamente para o mercado de trabalho, o que é um limitador para a autonomia pessoal dos jovens, mas também para a produtividade do país.

— Numa comparação com um jogo de futebol, é como se o Brasil entrasse em campo para enfrentar a França, por exemplo, só com seis jogadores. Os outros foram perdidos no caminho porque aproximadamente metade não tem preparo para entrar no mercado de trabalho. São jovens que não vão empreender, não vão inovar, não vão ajudar a desenvolver a economia — destaca.

Guilherme Dias, da plataforma de recrutamento Gupy, diz que não há “bala de prata” para resolver essa situação:

— As empresas terão de ser protagonistas, porque não dá tempo de esperar as pessoas chegarem prontas ao mercado. É preciso criar conjuntos de treinamento. Às vezes, vale a pena rebaixar a vaga para não ficar sem o profissional, contratando alguém com potencial para chegar ao que se quer com mais agilidade.

Danielle Lemos, coordenadora de Treinamento e Desenvolvimento da rede de supermercados Mundial, diz que, nesse cenário, a empresa tem a vantagem de não impor restrições curriculares para contratar para posições operacionais. A empresa foca em habilidades sociais e investe em treinamento para as funções.

— No varejo de alimentos, ampliamos contratações na pandemia. Como focamos em competência comportamental e possibilidade de ir além, não temos problema. Se só buscássemos ensino médio completo, não teria gente — ela reconhece. — Aqui, entra na base da pirâmide e vamos qualificando sempre, o que pode demandar outros requisitos adiante. Agora há ainda mais esforço em treinamento.

Ônus demográfico

Para o pesquisador Marcelo Neri, diretor da FGV Social, investir em treinamento e qualificação é uma forma de as empresas compensarem as perdas recentes, sabendo que esse prejuízo ocorre na entrada do país no chamado ônus demográfico.

É uma situação oposta à da vantagem produtiva que o país tinha há até pouco tempo, em que um grande contingente de jovens caracterizava um bônus demográfico. Com o envelhecimento acelerado da população, a tendência é que as empresas tenham cada vez mais dificuldade de contratar jovens para posições de entrada.

— Estão faltando jovens. Estamos entrando numa fase de ônus demográfico, fenômeno global, porém mais acelerado no país. No pós-pandemia, as empresas estão vendo, na prática, a redução acelerada do número de jovens. Faltam jovens em quantidade e, principalmente, na qualidade desejada pelas empresas. A pandemia vai deixar cicatrizes no mercado de trabalho. Os menos qualificados estão tendo maior dificuldade para trabalhar — destaca Neri.

As empresas sempre funcionaram como um espaço de compensação das deficiências escolares, com o treinamento de jovens por meio de estágios, programas de aprendizes e empregos de entrada. No entanto, apontam os especialistas, a pandemia também reduziu esse tipo de oportunidade de iniciação. No auge das restrições, em 2020, o desemprego entre trabalhadores com ensino médio incompleto chegou a 24,1%.

Neri sublinha que a lacuna de experiência e aprendizado prático se aprofundou na pandemia, impedindo que o jovem vivenciasse o “aprender fazendo”. Não por acaso, como o IBGE divulgou na última sexta-feira, a parcela de jovens entre 18 e 24 anos que não estudam nem trabalham — os chamados nem-nem — é de 31,1% no Brasil.

André Barros, sócio da empresa de eventos Party Industry, elegeu a “sagacidade” pessoal como principal qualidade para selecionar colaboradores. Entre a Copa do Mundo e o réveillon, a empresa dele está organizando 60 eventos. Cada um deles mobiliza, em média, 600 profissionais, entre empregos diretos e indiretos.

— Está muito difícil achar cenógrafos e produtores bons para trabalhar. A gente não acha mão de obra. Na pandemia, perdemos muitas pessoas para outros setores. A gente não tem feito distinção quanto a ter faculdade. O que vale é o grau de experiência da pessoa, ter habilidade de resolver adversidades que surgem no meio de um evento. Mesmo assim, faltam profissionais, e olha que a remuneração chega a R$ 5 mil por evento — diz o empresário.

A crise no mercado de trabalho, por outro lado, abre oportunidade para os mais qualificados, como Glauber Hilário, de 29 anos, há um mês trabalhando como instrutor de esportes no Hotel Nacional. A experiência dele e o currículo com curso superior fizeram diferença.

— Há seis anos não trabalho com carteira assinada. Tenho uma empresa de eventos, mas o setor retraiu na pandemia, mas sei lidar com pessoas e sou formado em educação física e dança, então juntei o útil ao agradável para crescer — diz.

Política educacional

Enquanto as empresas tentam compensar deficiências da mão de obra com treinamento, Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco e professor da Fundação Dom Cabral, avalia que é preciso que a política educacional do novo governo tenha, de imediato, estratégias para acelerar a compensação das perdas da pandemia, da recomposição de aprendizagem ao uso de bolsas para fixar os jovens na escola.

— As empresas, ao lidarem com esses jovens mais punidos pelo descaso da política do Ministério da Educação (na pandemia), terão de ter processos de acolhimento mais atentos, mais cursos, investir em treinamento e desenvolvimento de carreira — pontua o especialista.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2022/12/empresas-tem-dificuldade-de-contratar-ate-para-posicoes-de-menor-qualificacao.ghtml

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Como a inteligência artificial generativa vai impactar o futuro do trabalho

O que é IA generativa e o que ela significa para o futuro de nossos empregos


Erol Toker – Fast Company Brasil – 01-12-2022 | 

A inteligência artificial generativa está se tornando a nova menina dos olhos do Vale do Silício. Especialistas acreditam que em breve ela vai estar presente nos escritórios e em outros locais de trabalho: a Sequoia Capital, empresa focada em investimentos de alto risco, prevê que até 2023 a IA generativa será capaz de reunir artigos científicos e maquetes de design visual; até 2030, será capaz de escrever, projetar e codificar melhor do que os profissionais humanos das mesmas áreas.

No entanto, ninguém tem uma ideia muito clara de como isso vai se dar.  Depois de ter passado mais de duas mil horas trabalhando com IA generativa e de ter fundado uma empresa que cria bots de IA para transformar o futuro do trabalho, passei a ter certeza de que provavelmente essa tecnologia será a maior impulsionadora da produtividade desde o advento da máquina a vapor. Mas isso só vai acontecer se entendermos tanto o seu potencial quanto as suas limitações.

Para começo de conversa, não há motivos para desespero: não acredito que a IA generativa vai tirar os empregos dos trabalhadores criativos. Contudo, ela mudará a maneira como eles trabalham e onde seu tempo e energia estarão concentrados.

A seguir, formulei algumas perguntas que nos ajudam a compreender o que uma IA generativa pode (e não pode) fazer e como isso afetará a maneira como trabalhamos:

O QUE É IA GENERATIVA?

A IA generativa é essencialmente uma forma muito avançada de texto preditivo. Ela permite que os usuários

A IA generativa mudará a maneira como as pessoas trabalham e onde seu tempo e energia estarão concentrados.

insiram prompts (descrições curtas) de texto e recebam de volta uma obra de arte, uma postagem de blog ou uma resposta sarcástica a uma pergunta. Mas como ela produz essa informação? Ela se tornou autônoma, pegando nossas opiniões e nos entregando algo novo de volta? Ela tem um algoritmo para responder a qualquer entrada possível?

Modelos avançados de IA digeriram centenas de bilhões de palavras. Agora, eles já são capazes de prever as combinações de palavras e frases mais prováveis. Isso permite que a IA generativa sugira qual palavra digitar a seguir. Mas, embora você até possa pedir a ela para contar uma piada, a resposta vai se limitar ao conjunto de dados que foram processados. Portanto, embora os bots de IA pareçam entender as nossas instruções, não é algo comparável à compreensão humana. Funciona mais como um preenchimento automático elaborado.

Por exemplo, se você pegar um bot de IA generativa e fornecer a ele o prompt 2+2 =, ele responderá com “2+2 = 4”. Mas não é porque ele tem um algoritmo interno, como uma calculadora, que processou sua solicitação. Ele apenas deduziu, a partir de todas as informações disponíveis na internet, que a resposta mais provável para 2+2 é de fato 4. Nesse caso específico, a resposta também é factualmente correta.

Embora os bots de IA pareçam entender instruções, não é algo comparável à compreensão humana.

Dito isso, um preenchimento automático muito bom pode ser realmente produtivo. Pode pegar suas ideias, anotações e desenhos mal estruturados e produzir algo bonito a partir disso. Um brainstorming bruto pode se tornar o primeiro rascunho de um artigo. Uma lista de notas estratégicas pode se transformar em um plano de ação. Esses resultados podem até ser fantásticos, mas não são o produto final e não devem ser tratados como tal.

A IA GENERATIVA VAI MUDAR A FORMA DE TRABALHAR?

Em resumo, sim. Mas ela é limitada por natureza.  

O primeiro passo para integrar a IA ao seu local de trabalho é entender suas limitações. Depois de receber bilhões de pontos de dados, a IA tem a inteligência teórica de um adulto, mas seu julgamento da vida real é equivalente ao de uma criança de dois anos. Ou seja, essa tecnologia é muito boa em seguir instruções, mas é péssima em saber quando tomar uma decisão ou se é a coisa certa a fazer.

Por causa disso, a IA generativa de hoje só é confiável para assumir atividades muito bem definidas. E, mesmo assim, apenas com uma estrutura robusta e personalizada para orientá-la e para revisar qualquer conteúdo antes de ser implantado. Se você é um CEO esperando que a IA substitua o pensamento de seu melhor funcionário, saiba que é improvável que isso aconteça tão cedo.

COMO APROVEITAR A IA GENERATIVA?

Acredito que, no curto prazo, a inteligência artificial não substituirá a maioria dos empregos. Mas, ao assumir tarefas que não exigem grande esforço mental, mas que consomem muito tempo, pode liberar espaço no dia para que a pessoa consiga fazer todo o resto que uma IA não pode fazer – coisas que exigem percepção humana de alto nível, empatia e pensamento crítico. Aqui estão três exemplos:

1. Escrita mais rápida

A IA generativa pode acelerar o processo de escrita. Você pode anotar alguns assuntos em sua mensagem principal, executá-la por meio de um programa como o copy.AI e obter em segundos um esboço de postagem com dois terços do caminho andado. Isso significa que sobrará mais tempo para você se aprofundar nas histórias, analisando quais tópicos estão despertando interesse e indo mais ao encontro das pessoas.

2. Melhoria no atendimento ao cliente

As funções voltadas para o cliente também têm vários usos para uma IA generativa. Se um funcionário tiver em mãos uma transcrição de qualquer conversa, uma IA generativa poderá produzir um resumo analítico do que foi dito. Ele pode quebrar elementos como: qual é o principal problema trazido pelo cliente? O que ele deseja de você? A IA consegue rapidamente filtrar os detalhes inúteis de uma conversa.

3. Esboços rápidos para produtos 

Designers de produto podem usar a IA generativa para criar modelos visuais básicos de ideias, sem precisar passar horas na frente de um computador. Ao construir uma estrutura básica nos estágios iniciais, antes do feedback e das modificações, essa tecnologia pode dar mais tempo para os funcionários explorarem os aspectos criativos junto aos clientes.

A IA vai devolver às pessoas um tempo inestimável para fazer o trabalho que realmente importa.

Qual é o denominador comum disso tudo? Quando a IA executa todas essas tarefas altamente necessárias, presume-se que um humano está coordenando e idealizando o trabalho a ser feito. Porque a IA ainda não criou sequer um único pensamento original.

Por outro lado, a contribuição que um funcionário traz é um relacionamento mais profundo com o cliente, traduzindo o entendimento dessas conversas em comandos específicos e claramente definidos que a IA pode ajudar a executar.

Esse é o verdadeiro valor da inteligência artificial generativa no local de trabalho: eliminar tarefas demoradas, que não aproveitam a inteligência dos funcionários, e liberar tempo para os seres humanos fazerem tudo o que é “inautomatizável”: interagir com clientes em potencial, descobrir o que faz os olhos deles brilharem, fazer um brainstorming de soluções inovadoras para suas necessidades individuais.

A IA não substituirá os humanos. Mas vai revolucionar o futuro do trabalho, devolvendo às pessoas um tempo inestimável para fazer o trabalho que realmente importa.


SOBRE O AUTOR

Erol Toker é fundador e CEO da Truly, plataforma de hiperautomação criada para equipes de rendimentos.


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Empresa cria ‘bônus de permanência’ para funcionários

Em novo episódio do CBN Professional, Léo Xavier, fundador da Môre Talent Tech descreve iniciativas para atrair e reter talentos na área de tecnologia

Por Jacilio Saraiva — Para o Valor, 28/11/2022

Até que ponto um gestor pode ir para não perder profissionais para a concorrência? Na visão de Léo Xavier, CEO e fundador da Môre Talent Tech, companhia brasileira de serviços e produtos digitais com 194 funcionários, vale divulgar a remuneração dos cargos, aprimorar as tradicionais avaliações de desempenho individual e até distribuir bônus semestrais para quem escolheu dizer não às propostas do mercado.

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“Vivemos hoje um tempo de escassez de profissionais da economia digital e os talentos têm uma nova relação com o trabalho”, explica Xavier no novo episódio do CBN Professional, podcast realizado pelo Valor e a rádio “CBN”. Ele conta que há funcionários na Môre que recebem até 14 propostas de emprego por mês, via LinkedIn – e a tendência é de escala na briga por mão de obra especializada.

A Associação das Empresas de Tecnologia da Informação, Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom) calcula que em cinco anos serão criados quase 800 mil novos postos no setor. Como o Brasil forma, ao ano, pouco mais de 53 mil profissionais de TI, o déficit de currículos na área pode chegar a 532 mil. “Se a gente não entender isso, vamos continuar construindo práticas de trabalho anacrônicas”, diz. “É preciso cuidar dos funcionários de forma diferente, em um momento diferente do mercado.”

Léo Xavier, fundador da Môre Talent Tech, diz que é hora de repensar a gestão de pessoas — Foto: Divulgação

Na Môre, as inovações na gestão de RH já mostram resultados. O turnover no último trimestre foi o mais baixo da história da companhia: marcou 0,8%, ante 4,5% no início do ano. De acordo com Xavier, a prática de publicar a faixa salarial dos cargos – não de cada empregado – pode ser seguida por grandes organizações. “Já fui funcionário de empresa e todo mundo fala de salário no cafezinho”, diz o executivo, 46, que acumulou experiências nos setores de marketing digital e estratégias mobile, antes de fundar a Môre em 2020, às vésperas da pandemia.

Xavier garante que a transparência com os números da folha de pagamento ajuda a solidificar a retenção dos empregados. O funcionário fica sabendo quanto um diretor ganha e pode ser estimulado a almejar a mesma função, diz.

    A Môre criou ainda um bônus de “permanência ou escolha” para quem preferiu continuar na empresa. Todos os funcionários recebem a partir de R$ 220 por semestre – valor que é multiplicado de acordo com o tempo de casa.

Outra forma para reter os talentos é a realização mensal de “leituras de temperatura” nos squads. A ideia, segundo o CEO, é checar se a pessoa está satisfeita com a área escolhida ou se prefere mudar de projeto – a startup atende clientes em diversas verticais, como finanças e saúde, caso do Itaú e Dasa. “Se o profissional desejar, fazemos uma troca coordenada e todo mundo ganha – a empresa, o funcionário e o cliente.”

As novas “lógicas” nas relações de trabalho também aparecem nas avaliações de desempenho. O objetivo é não seguir o fluxo de performance da organização, mas as fases de entrega dos funcionários, por períodos determinados. “A pessoa está no centro das avaliações”. Os ciclos profissionais estão cada vez mais curtos, caíram de anos para meses, afirma. “O ciclo médio [de produção] de um profissional do ambiente digital está flutuando de onze a 14 meses.”

A ideia é que as avaliações sejam semestrais e aconteçam no sexto ou 12º mês de entregas do empregado, ao contrário da maioria das análises tradicionais do mercado, realizadas no final de cada ano.

Xavier afirma que todas as inovações na “experiência do empregado” são baseadas em três “Es”: escuta, exemplo e escala; que se encaixam em três “Ps” – plataformas, processos e pessoas. “Hoje, tudo é sobre pessoas – e isso não é apenas mais uma frase bacana. É a realidade”, diz. O episódio está disponível nas plataformas de streaming, como Spotify e Apple Podcasts, e no site da CBN.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/11/28/companhia-da-bonus-semestral-para-quem-nao-sai-sembarreira.ghtml

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Como startups estão forçando grandes corporações a tirar a burocracia do caminho

Por Angelica Mari – Estadão – 30/11/2022

Demanda por colaborações aumentaram, mas empresas precisaram mudar processos internos para acomodar formas diferentes de trabalho

ESPECIAL PARA O ESTADÃO – Incrementar negócios com a ajuda de startups é um movimento que tem crescido entre grandes corporações no Brasil. Segundo a 100 Open Startups, foram fechados 4,5 mil contratos do tipo em 2022, alta de 30% em relação a 2021 – o montante total chegou a R$ 2,7 bilhões, ou R$ 260 mil por contrato. Mas a relação entre empresas e startups nem sempre é fácil, o que vem forçando nomes tradicionais a ajustarem seus processos internos para lidar com as novatas tecnológicas.

A Globo, que interagiu com mais de 2 mil startups no Brasil e no Vale do Silício, enfrentou desafios no processo, como o alinhamento de suas próprias prioridades com as das startups. Segundo Carlos Octavio Queiroz, diretor de estratégia corporativa e arquitetura da empresa, a companhia precisou balancear suas metas imediatas com o horizonte de exploração das inovações e a execução da estratégia de longo prazo.

“Criamos um fluxo de experimentação e de processos internos para avaliação mais ágil das startups. Também tivemos que adequar processos jurídicos e de suprimentos, criamos documentos mais leves e bilaterais para gerar agilidade nos processos de maneira geral”, acrescenta o executivo.

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Mudanças nesse sentido aconteceram na Nestlé, que se relacionou com mais de 500 startups nos últimos dois anos em áreas desde automatização de limpeza de tubulações de máquinas de café até logística.

“Durante processos de compras que envolvem startups, ficamos mais próximos. Pagamentos são feitos em prazos menores, pois sabemos que muitas destas empresas não têm caixa para sustentar grandes investimentos”, diz Roberto Boiani, gerente de transformação digital da Nestlé, que investe entre R$ 50mil e R$ 100 mil por prova de conceito conduzida com startups.

A questão dos pagamentos é complexa, diz Jhonata Emerick, CEO da startup de análise de dados Datarisk. “Algumas empresas pagam em mais de 90 dias após o início da prestação de serviço, e isso pode ser difícil para startups no começo da jornada”.

As adaptações são fundamentais para as novatas. Fechar um grande contrato é um dos fatores que pode determinar a sobrevivência de uma startup. Segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), sete em cada 10 startups fecham as portas antes de completar cinco anos de atividade, por motivos como acesso a capital e dificuldades para entrar no mercado.

Carlos Queiroz, da Globo: trabalho com startups para projetar futuros

Carlos Queiroz, da Globo: trabalho com startups para projetar futuros 

Mudança de mentalidade

Processos de transformação mais profundos costumam anteceder o sucesso de empresas que avançaram com startups, um processo conhecido como inovação aberta. Na Ambev (onde 20% da receita vem de novos negócios), as conquistas vieram na esteira de uma transformação interna iniciada em 2018.

Entre os aprendizados da gigante está envolver “o quanto antes” áreas como compliance e jurídico nos projetos com startups, bem como a participação do alto escalão. Bruno Stefani, diretor de inovação da companhia, diz que usa startups em frentes como experiência do consumidor, logística e sustentabilidade. “Reconhecer as áreas transversais envolvidas, com a presença das lideranças, é fundamental para mantermos o engajamento e o trabalho colaborativo”, frisa.

A Gerdau é outra empresa que tem colhido frutos: a Gerdau Next, área criada em 2020 que inclui um braço de investimento e uma aceleradora, gerou mais de R$ 1 bilhão em novas receitas só no primeiro ano de operação. Cerca de 50 startups trabalham com a companhia no Brasil nas Américas em áreas como construção civil, mobilidade, sustentabilidade e logística. Além disso, a empresa criou suas próprias startups, em áreas como grafeno.

Graças à transformação digital promovida desde 2012, a Gerdau automatiza processos como homologação e pagamentos, diz Juliano Prado, vice-presidente da companhia e responsável pela Gerdau Next. “Hoje, as coisas acontecem de forma fluida, porque nos adaptamos dentro de casa. Abraçamos a velocidade, a experimentação, e a mentalidade que fomenta a inovação e colaboração com as startups”, frisa.

Juliano Prado, da Gerdau: R$ 1 bilhão em novas receitas com startups

Juliano Prado, da Gerdau: R$ 1 bilhão em novas receitas com startups 

Sobrevivência

Apesar de casos de sucesso, as corporações ainda precisam evoluir suas abordagens em inovação aberta de forma geral tanto do ponto de vista digital quanto cultural, avalia Hugo Tadeu, professor da Fundação Dom Cabral (FDC). “Ainda há um descompasso entre a quantidade de dinheiro que está na mesa e os resultados. Deveríamos buscar mais profundidade e técnica na relação com startups”, diz o professor.

“Muitas empresas se esforçam para mostrar que estão se relacionando com startups mas nunca terminam um projeto”, dispara Arthur Rufino, CEO da Octa, startup que criou um marketplace circular que conecta frotistas a centros de desmontagem veicular, e atende empresas como a Gerdau, EDP, Audi e Basf. “Ainda vamos ver isso por um tempo, mas precisamos focar na prática e menos no hype.”

Cultura também importa

Além das mudanças processuais, as corporações precisam aplicar uma mudança cultural para trabalhar com startups, Amanda. “Quando se toma uma decisão de trazer startups para perto, não deveria ser só uma agenda de ganhos de eficiência e escala. É também sobre contratar negócios que têm culturas diferentes do seu”, diz.

Parte desta mudança cultural precisa estar relacionada ao trabalho com startups lideradas por times diversos, diz Marina Ratton, CEO da Feel, femtech que desenvolve produtos e serviços com foco na saúde íntima feminina, e trabalha com nomes como Renner e Grupo Boticário.

“(Grandes empresas) precisam considerar, como será possível olhar para este mundo novo de forma realmente abrangente, se o conselho é 100% masculino, branco e hétero? Esta é uma grande contradição, dada a composição da população brasileira”, diz a fundadora.

Corporações ainda têm arestas a aparar quando o assunto é o modus operandi junto a startups, mas Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups, prefere ver o copo meio cheio. “As empresas precisam fazer ajustes internos, alinhar projetos com a estratégia eI fazer uma melhor curadoria das startups. Mas o ponto central é reconhecer que este ecossistema existe, e gera muito resultado”, diz.

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Como a Finlândia usou aulas de matemática e história para derrotar as fake news

Por Redação – Estadão – 29/11/2022

Aulas de matemática ensinam, por exemplo, como estatísticas podem ser distorcidas; em história, os professores explicam como o uso de determinados elementos são usados para influenciar uma população

Quando a Rússia anexou a Crimeia em 2014, a Finlândia, país vizinho e que fez parte do território russo até 1917, passou a conviver com uma onda de desinformação sem precedentes no país. Notícias falsas começaram a surgir nos diversos sites finlandeses e nas redes sociais para influenciar o debate público, levando o governo finlandês a agir para evitar que mentiras se espalhassem. A resposta foi encontrada na educação e, em 2016, a alfabetização midiática foi incluída no currículo escolar.

Como resultado, o país passou a ser considerado o mais resistente à desinformação entre as nações da Europa pelo estudo anual do instituto Open Society e virou uma referência mundial no combate às fake news. Enquanto países como Brasil e Estados Unidos passaram a sofrer com a disseminação das notícias falsas, a Finlândia se manteve resistente, com índices de confiança no governo de 71%, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em comparação, a média de confiança do estudo é de 41% (o Brasil não foi incluído no relatório).

No plano finlandês, a educação midiática passou a ser tratada em todas as disciplinas no ensino básico para desenvolver o pensamento crítico dos alunos. As aulas de matemática ensinam, por exemplo, como estatísticas podem ser distorcidas; em história, campanhas de propaganda são mostradas e os professores explicam como o uso de determinados elementos – palavras, imagens, metáforas – são usados para influenciar uma população.

Os alunos também são desafiados constantemente a pesquisar sobre determinados temas e apresentar fontes sólidas, na intenção de se tornarem “detetives digitais”. Há exercícios para que eles examinem alegações encontradas em vídeos de YouTube e em postagens veiculadas em redes sociais, compare o viés da mídia em uma série de notícias “clickbait” e investigue como a desinformação ataca as emoções dos leitores. Outra proposta é que os alunos tentem escrever notícias falsas.

Em uma entrevista concedida em 2020 ao jornal inglês The Guardian, o então diretor da escola franco-finlandesa em Helsinque, Kari Kivinen, afirmou que o objetivo do governo finlandês ao implementar a educação midiática foi criar cidadãos e eleitores críticos, proativos e responsáveis. “Pensar criticamente, verificar, interpretar e avaliar todas as informações que você recebe, onde quer que elas apareçam, é crucial. Fizemos disso uma parte central do que ensinamos, em todos os assuntos”, explicou.

A implementação das políticas é facilitada pelo histórico da educação na Finlândia, com os índices do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) sendo os mais altos da União Europeia. “Isto (os índices educacionais) constitui uma base particularmente boa para o desenvolvimento e a aplicação deste tipo de iniciativa em larga escala contra a desinformação e a desinformação”, declarou a pesquisadora de notícias falsas e teorias da conspiração da Universidade de Helsinki, Gwenaelle Bauvois.

A inclusão da educação midiática aconteceu em todos o período escolar básico, começando com as crianças e indo até os adolescentes. O objetivo não é fazer que todos os finlandeses desacreditem em tudo que é dito pela Rússia ou acreditem em tudo o que o governo finlandês diz, mas fazer com que a sociedade não aceite todas as informações de forma passiva.

Segundo Kivinen, hoje membro do grupo de combate à desinformação e promoção à educação digital da Comissão Europeia, que desenvolve políticas para toda a União Europeia nesta área desde outubro de 2021, o objetivo é que os alunos se perguntem: quem produziu a notícia? e por quê? há provas do que é dito ou se trata apenas de uma opinião? “Queremos que nossos alunos pensem duas vezes antes de compartilhar uma notícia”, resumiu.

Crianças pegam livros em escola em Helsinki, na Finlândia: matemática para combater a desinformação

Crianças pegam livros em escola em Helsinki, na Finlândia: matemática para combater a desinformação  Foto: Jussi Nukari/Lehtikuva

Em 2014, as propagandas russas na Finlândia estavam relacionadas a questões como imigração, União Europeia e a adesão do país à Otan. De acordo com o diretor de comunicações do Centro Nacional de Segurança Cibernética da Finlândia, Jussi Toivanen, os danos não se restringiam ao governo finlandês, mas a toda sociedade. “Então passou a ser uma tarefa de todos, desde o professor do primário até as autoridades do alto escalão, defender a democracia”, disse.

Além da educação, outro pilar no combate à desinformação é a Agência Nacional de Suprimentos de Emergência. Neste ano, a agência criou um centro de pesquisa que foca na “resiliência da informação” para desenvolver, junto com empresas privadas e ONGs, estratégias de verificação de fatos e informações sobre campanhas de desinformação inovadoras.

O centro é um projeto piloto que vai seguir até 2024. Segundo Gwenaelle Bauvois, as novas estratégias visam, por exemplo, combater a desinformação veiculadas em jogos online. “O principal objetivo desta iniciativa é oferecer ferramentas e procedimentos ao público, às autoridades e aos meios de comunicação para enfrentar e combater a desinformação agora e no futuro”, declarou.

O centro foi criado depois que a agência identificou que a abordagem finlandesa para lidar com as notícias falsas também precisa se dar através de diversas cooperações para desenvolver competências de empresas, autoridades e organizações de comunicação social. O país conta com parcerias entre o governo, empresas privadas e ONGs para auxiliar no combate à desinformação, em trabalhos semelhantes aos desenvolvidos no Brasil pelas agências de checagem.

A mais conhecida delas, a Faktabaari, também realiza projetos na área educacional, produzindo kits de alfabetização midiática para escolas e o público em geral com propostas de exercícios.

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Outra organização relevante no país é a Mediametka, que atua com alfabetização midiática desde 1950, quando os fundadores passaram a alertar sobre os riscos que os quadrinhos podiam causar em crianças. Hoje, a organização também tem projetos na área de inclusão, processo criativo e diversidade cultural para que as crianças e adolescentes do país conheçam os processos midiáticos e saibam como eles funcionam na totalidade.

Essa estrutura, aliada a outras políticas de segurança nacional, como a segurança digital, criam um ambiente que visam reduzir a longo prazo os impactos da desinformação veiculada inclusive nas redes sociais, que funcionam na Finlândia com as mesmas regras de todo o mundo.

As plataformas são as responsáveis por regular e sinalizar potenciais conteúdos falsos e aumentaram a atenção dedicada à desinformação após a pandemia de covid-19, mas essa mediação é vista muitas vezes como falha. Em muitas ocasiões, os conteúdos falsos são removidos somente após viralizar e os danos já terem sido causados.

“É por isso que a abordagem governamental finlandesa que integre segurança na Internet, literacia digital e mediática e a manutenção de uma forte confiança institucional ajuda, a longo prazo, a travar as notícias falsas e a reduzir o seu impacto”, declarou Bauvois.

https://www.estadao.com.br/internacional/como-a-finlandia-usou-as-salas-de-aula-para-derrotar-as-fake-news/

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Setor de TI “rouba” trabalhadores de outras áreas para compensar déficit profissional

O Macaco Elétrico Jornalismo, educação, tecnologia e as combinações disso tudo

Por Paulo Silvestre – Estadão – 28/11/2022 


Mercado de TI sofre com baixa diversidade nas equipes, dominadas por homens brancos

Mercado de TI sofre com baixa diversidade nas equipes, dominadas por homens brancos  

A oferta de empregos de tecnologia vem crescendo de maneira mais acelerada que a de outras áreas no Brasil. Até agosto desse ano, o segmento cresceu 5,1% comparado ao fechamento de 2021, frente a 3,7% de todos os setores. Isso acirra a disputa por talentos em um mercado onde literalmente sobram vagas e para o qual as universidades não conseguem suprir suas demandas.

Com isso, empresas do setor investem na formação dos profissionais que necessitam e até os “roubam” de outras áreas, oferecendo capacitação e condições atraentes para quem tope fazer uma transição de carreira. ONGs e as próprias universidades também investem em capacitações pontuais para diminuir esse déficit e evitar que o setor entre em crise.

Até o momento, isso tem sido suficiente, mas a demanda cresce de forma exponencial. Por isso, não há garantia de que esses movimentos continuem “tapando o buraco” de um segmento cada vez mais crítico para a sociedade. Além disso, eles não resolvem uma dor histórica da área, que é a baixíssima diversidade entre os profissionais, o que leva a entregas menos alinhadas com o que o mercado precisa.

Uma pergunta que surge naturalmente é: se há uma demanda explosiva por esses profissionais, por que o Brasil não consegue formá-los?

Esses dados fazem parte de um levantamento recente feito pela Brasscom, a associação das empresas de TI e comunicação. Em dezembro, outro estudo da entidade apontou que o mercado brasileiro demandará 797 mil profissionais de TI entre 2021 e 2025, mas nossas universidades formam apenas 53 mil pessoas no setor por ano. Ou seja, se o país depender apenas dessas graduações, faltará mais de meio milhão de profissionais até 2025.

“Já era para a gente ter colapsado, mas não é o que está acontecendo”, afirma Sergio Paulo Gallindo, presidente da Brasscom. Para esse ano, o estudo previa uma demanda de 132.765 profissionais de TI, o que está se concretizando. E a demanda vem sendo atendida. “São profissionais de outras áreas, profissionais que já estão em cursos superiores e fazem uma capacitação em programação, passam por um processo seletivo e pegam um estágio ou um trabalho”, explica Gallindo.

Essa demanda, entretanto, cresce exponencialmente. Para 2025, o cálculo é de que sejam necessários 206.940 profissionais de TI. Para o executivo, a solução paliativa que está funcionando hoje pode não dar conta daqui a pouco: “a gente tem um dever de casa gigantesco para esse negócio não colapsar”.

Não adianta ficar apenas tentando alargar a saída do funil se, na sua boca, ele capta poucas pessoas para o setor. “No Ensino Básico, a gente incentiva pouco essa curiosidade pela ciência, pela engenharia, pela matemática, deixando de criar a vontade no adolescente de buscar uma faculdade nisso”, sugere Gustavo Bodra, CTO da StartSe. “E, se não há demanda, as universidades não criam mais cursos”, conclui.

Se a digitalização de negócios e de nossas vidas já crescia de maneira rápida antes da pandemia, ela fez com que isso explodisse. É como se todas as empresas, de repente, passassem a ser também uma empresa de TI. Para Bodra, “quem ainda pensa que não é, seu concorrente vai passar na frente”.

“Houve esse boom e o mercado de tecnologia como um todo não conseguiu formar pessoas na mesma velocidade”, explica Fernanda Saraiva, diretora de RH da SAP Brasil. Ela acrescenta ainda outro fator para a oferta insuficiente: muitos jovens entram nas faculdades, mas não as concluem porque não conseguem pagar. “Daí fica todo mundo pescando no mesmo aquário para conseguir profissionais”.

“O interesse dos jovens por carreiras de tecnologia é um dos mais baixos”, afirma Gallindo. Quanto à evasão, o estudo da Brasscom aponta que, para graduações presenciais na área tecnologia, chega a 32%. “E ela afeta muito as camadas menos favorecidas, onde você encontra negros e negras”, explica.

Baixa diversidade

De fato, o setor de tecnologia no Brasil é fortemente dominado por homens brancos, longe de refletir a diversidade da população. Segundo o Censo do Ensino Superior de 2019, realizado pelo INEP, ligado ao Ministério da Educação, as mulheres são maioria no ensino superior no Brasil, respondendo por 56,1%. Mas se considerarmos apenas as carreiras de tecnologia, essa porcentagem desaba para apenas 14,8%. Além disso, para cada estudante negro, há seis estudantes brancos.

“A diversidade nesse mercado vai fazer com que ele tenha uma visão mais holística para soluções de tecnologia que permitam atender a sociedade tão diversa na qual nós vivemos”, explica Cecília Marshall, fundadora do projeto Ser Mulher em Tech, que incentiva meninas a escolher carreiras no setor. “A liderança feminina traz um olhar diferenciado, como se pôde ver na gestão da pandemia, em que países liderados por mulheres tiveram resultados mais positivos”, acrescenta.

De fato, para um setor que respira inovação, ter equipes em que todos são iguais tende a piorar o negócio. “Não tem forma melhor de inovar que trabalhar com diferentes pontos de vista”, afirma Saraiva.

Gallindo acrescenta que as habilidades para tecnologia são equivalentes em todos os gêneros e raças. O predomínio de homens brancos no setor deriva, portanto, de aspectos culturais e econômicos.

Todos eles afirmam que políticas públicas de ensino devem incentivar o gosto pela área entre os jovens e patrocinar a diversidade, mas as empresas têm um papel decisivo nesse processo. Elas devem não apenas apoiar as escolas e os professores, como também os estudantes. E isso pode ser feito com capacitações, bolsas de estudo e iniciativas que mostrem aos jovens que matemática e ciências podem ser divertidas, e têm o poder de mudar o mundo, mas em linguagens que eles entendam. Dentro de casa, as companhias precisam criar métricas de diversidade e promover modelos de liderança com mulheres e negros: eles servem para inspirar jovens desses grupos que pensam em abraçar essas carreiras.

É um dilema enorme e complexo, mas que precisa ser discutido, em busca de uma solução. O mercado exige profissionais mais completos em todos os setores. Se, de um lado, profissionais de TI não podem mais “fugir”, por exemplo, de habilidades de comunicação, os de Humanidades precisam aprender aspectos técnicos para se destacar.

Essa é uma incrível oportunidade, pois a combinação desses recursos cria uma sociedade melhor, o que tem muito valor para quem deseja crescer no mercado. Todos devem, portanto, se envolver no incentivo dos jovens e no fomento à diversidade.

https://www.estadao.com.br/brasil/macaco-eletrico/setor-de-ti-rouba-trabalhadores-de-outras-areas-para-compensar-deficit-profissional/

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Risco de falta de peças faz indústrias buscarem fornecedores locais; movimento já beneficia o Brasil

Por Márcia De Chiara, Luiz Guilherme Gerbelli e Cleide Silva – Estadão – 28/11/2022 

Zona Franca de Manaus sente alta de investimentos em abertura de novas unidades ou em expansão de projetos já existentes; conceito de cadeias globais de fornecimento foi posto à prova pela pandemia e pela guerra entre Rússia e Ucrânia

Começam a surgir no País os primeiros sinais de mudanças nas cadeias de abastecimento da indústria e do comércio, provocadas pelo choque da pandemia e da guerra entre Rússia e Ucrânia. A disparada da inflação global, a interrupção no fluxo de mercadorias e o aumento do preço do frete marítimo estão levando a indústria a investir na verticalização da produção ou a prospectar mercados de mais baixo risco para novos investimentos. Esse movimento deixa de lado o modelo tradicional de globalização e aposta na regionalização.

Desde de 2020, o que se vê na indústria de bens duráveis, como eletroeletrônicos, eletroportáteis, informática, autopeças e motocicletas, é o avanço de novos projetos para produzir localmente parte dos itens que antes eram importados, sobretudo da China.

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Esse movimento já aparece na Zona Franca de Manaus (ZFM), que é a porta de entrada de empresas estrangeiras por oferecer benefícios fiscais. Lá, o número de projetos industriais aprovados não para de crescer desde o início da pandemia. Em 2020, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), aprovou 142 projetos; em 2021, foram 176 e a perspectiva é fechar este ano com 198, segundo o coordenador de projetos industriais da Suframa, o economista Marcelo Pereira.

Os investimentos estão ligados à fabricação de itens de informática, eletroeletrônicos e motocicletas. Neste ano, 36% dos projetos se referem à implantação de novas fábricas e o restante é novos produtos em indústrias já instaladas. “Há sinalização de que mais empresas irão produzir bens finais e componentes na Zona Franca”, observa, ponderando que depois de aprovado, as companhias têm até três anos para colocar o plano em operação.

Do total de projetos, 34% são de empresas que estão chegando ao Brasil. É a maior fatia de companhias estreando no País nos últimos cinco anos. Antes da pandemia, a participação dos estrangeiros girava em torno de 20% e, em 2020, subiu para 30%. A maior parte das novas empresas estrangeiras com projetos aprovados é da China, que está novamente às voltas com o lockdown. Mas há também companhias da Índia, dos Estados Unidos, do Japão e do Peru. “Muitas estão chegando à Zona Franca porque querem diversificar o negócio, tirando parte da produção antes concentrada em um único continente”, explica Pereira.

O Brasil, na visão de especialistas, aparece na lista dos destinos com mais chance de fazer parte desse novo modelo de regionalização da cadeia de produção, ao lado de México, Vietnã e Austrália. O País é favorecido por ter potencial para produzir com uma matriz energética limpa, não ter conflitos geopolíticos, ser capaz de abastecer a América Latina e estar relativamente próximo dos Estados Unidos e da Europa.

“Com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, as placas tectônicas se moveram e, depois, com a pandemia, as empresas perceberam que não dá para produzir num lugar que só é mais barato”, afirma Pedro Renault, economista do banco Itaú. Para Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), ficou claro com a pandemia que o peso dado para o risco de ruptura precisa ser maior dentro das estratégias das empresas.

Maior procura por máquinas

Outro sinal da regionalização da produção aparece na forte demanda por máquinas importadas pelas indústrias. ”Este ano, vamos crescer as vendas entre 8% e 12% e seguimos batendo recordes a cada mês”, afirma o economista Paulo Castelo Branco, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei).

Os associados da entidade precisam hoje ao menos de 180 dias para conseguir entregar as máquinas que vendem, o dobro do prazo médio normal. O aquecimento das vendas do setor, segundo Castelo Branco, ocorre porque as empresas estão demandando mais máquinas para produzir localmente manufaturados. “É um começo de reindustrialização”, afirma.

No segmento de máquinas e equipamentos – um dos termômetros mais importantes da indústria -, o movimento de substituição de importação fez o faturamento do setor crescer nos últimos três anos. Em 2021, a alta foi de 28%. “Houve um surto de investimentos com os nossos clientes aumentando a produção local e querendo ficar fora do risco trazido pela importação e alta de custos”, afirma José Velloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Em 2022, o setor deve ter uma queda de 5% no faturamento – no início do ano, a expectativa era de alta de 5%. “Mas esse resultado é mais ocasionado pelo aperto (de juros) do Banco Central do que pela falta de vontade de investir”, diz Velloso.

Entre os setores que lideram a compra de novas máquinas importadas, estão o automotivo, de motocicletas, eletrodomésticos da linha branca, implementos rodoviários, móveis, eletroeletrônicos e embalagens. Castelo Branco, da Abimei, observa que, se não faltassem semicondutores, componente chave dos veículos, a demanda do setor automotivo por máquinas poderia ser ainda maior.

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O setor automotivo tem um grande projeto de atrair fabricantes de componentes que são importados, principalmente da Ásia. Com a crise pela falta de semicondutores – que levou à paralisação de fábricas de veículos no mundo todo –, a indústria brasileira colocou todos os seus esforços nesses projetos para ficar menos dependente dos países daquela região.

A Stellantis, por exemplo, dona das marcas Fiat, Jeep, Citroën e Peugeot, desenvolve atualmente um projeto de componentes para o novo Citroën C3, que começou a ser produzido em sua fábrica em Porto Real (RJ). Segundo a empresa, já foram nacionalizados com fornecedores em Minas Gerais e São Paulo os itens alavanca de abertura do capô, mola a gás, kit de ferramentas, pedal de freio e berço motor, antes importados da Índia. O projeto continua e novas peças também passarão a ser produzidas no País, como componentes de suspensão.

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Mondial investiu em sua fábrica em Conceição do Jacuípe (BA) para nacionalizar a produção de ferro elétrico, air fryer, multiprocessador e caixa acústica Foto: Divulgação/Mondial

Geração de emprego

“A globalização está sendo substituída pela regionalização tanto pelas multinacionais como pelas empresas brasileiras”, afirma o presidente da Abimei. E esse movimento, frisa, é positivo para o País, pois gera empregos e pode ampliar a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB), elevando ao maior crescimento da economia.

A Mondial, fabricante de eletroportáteis, por exemplo, acelerou a nacionalização a partir de 2020. Passou a fabricar no Brasil ferro elétrico, air-fryers, multiprocessadores e caixas acústicas, antes importados da China. Com isso, abriu mais de mil postos de trabalho em sua fábrica em Conceição do Jacuípe (BA).

“Era algo que estava previsto para fazermos em quatro anos e fizemos em um”, afirma Giovanni Marins Cardoso, sócio-fundador da empresa, que hoje lidera o segmento no País. Com a pandemia, diz ele, aumentaram o custo e a dificuldade de trazer esses eletroportáteis da China e a opção foi produzir no Brasil. Com a produção local, a empresa ganhou agilidade para atender a demanda. “Se a venda no varejo vai bem, a fábrica começa a produzir mais no dia seguinte, mas se dependermos da importação da China uma nova remessa demora entre 90 e 120 dias para chegar.”

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Para viabilizar a produção doméstica dos quatro eletroportáteis, foram investidos em um ano e meio R$ 80 milhões em máquinas e equipamentos. “Dobramos o nosso parque de injetoras e desenvolvemos fornecedores locais de resistência elétrica, termostato e embalagens”, conta Cardoso. A companhia planeja uma nova rodada de nacionalização para fabricar localmente secador de cabelo, escova secadora, aspirador de pó e cafeteira.

“O setor (de eletroeletrônico) passa por uma profunda transformação porque esse modelo de globalização tornou vulnerável a indústria do mundo inteiro”, diz Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Elétrica e Eletrônica (Abinee). “Nós, inclusive, estamos esperando para os próximos dias que seja editada a Medida Provisória que vai incentivar a vinda da produção de semicondutores para o Brasil, porque, do ponto de vista estratégico, o País está muito mais próximo da Europa e dos Estados Unidos do que a Ásia. E, portanto, nós teríamos uma vantagem comparativa.”

Comércio substitui parceiro comercial

Enquanto a indústria ensaia substituir importações para vencer os obstáculos da inflação global e da dificuldade de fornecimento, o comércio não pode esperar. Por isso, saiu em busca de importar mais produtos acabados de países onde os preços recuaram.

Um estudo feito pelo economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, que compara as quantidades médias importadas de 3,7 mil bens de consumo de janeiro a outubro, entre 2012 e 2019, período pré-pandemia, com janeiro a outubro, entre 2020 e 2022, revela que houve substituição de países fornecedores desses produtos.

As quantidades importadas de parceiros comerciais tradicionais do Brasil, como Estados Unidos, Países Baixos, França e Coreia do Sul, por exemplo, registraram quedas na faixa de dois dígitos na pandemia em relação ao período anterior. A explicação para o recuo nas compras externas, segundo o economista, foi o forte aumento dos preços em dólar nesses países no período analisado.

A saída dos varejistas foi ampliar as quantidades compradas de outros países, onde os preços recuaram em dólar no período, como Índia, Bélgica, Portugal, Turquia e Vietnã, por exemplo. Na lista dos parceiros comerciais com maiores crescimento de volumes importados no período em análise aparecem também os vizinhos Peru, Paraguai e Chile. “Os parceiros comerciais mais próximos do Brasil estão ganhando força”, observa Bentes. Ele ressalta que, no curtíssimo prazo, a estratégia do varejo para driblar a alta de preços e problemas logísticos foi substituir parceiros comerciais.

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“Não houve uma substituição do manufaturado importado pelo nacional ainda”, diz Bentes. Ele lembra que esse processo leva algum tempo para que as novas fábricas entrem em operação. Aliás, os números mostram exatamente isso. Apesar de o volume de manufaturados importados ter recuado 5% em dois anos de pandemia, a produção industrial doméstica está ainda 11% abaixo das vésperas da decretação do estado de emergência sanitária.

https://www.estadao.com.br/economia/globalizacao-nacionalizacao-industria-reindustrializacao/

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