A primeira missão da startup espacial de Trevor Bennett parecia condenada. Então Bennett, cofundador da Starfish Space, e sua equipe começaram a fazer as contas. Durante várias semanas, eles desenharam algoritmos em quadros brancos, realizaram simulações de computador e testes de hardware e criaram uma solução: reprogramando o software do satélite, eles poderiam gerar uma corrente magnética que pressionaria a magnetosfera da Terra e, por fim, reduziria a velocidade de rotação.
E assim, no início de uma manhã de julho do ano passado, eles pressionaram enviar, disparando a correção do software da sede da Starfish em Seattle, EUA, para uma estação terrestre na Noruega e para a espaçonave a cerca de 540 km acima da Terra – esperando que funcionasse.
Em uma geração anterior, os astros da Era Espacial eram os astronautas – John Glenn, Neil Armstrong, Alan Shepard – homens com treinamento militar e porte “correto”. Hoje em dia, são os engenheiros de software e cientistas da computação que impulsionam a economia espacial por meio de seus laptops.
Uma revolução na tecnologia de satélites produziu naves espaciais menores e mais capazes, cápsulas que voam sozinhas e foguetes autônomos que chegam ao espaço, fazem uma inversão de marcha e pousam com precisão para poderem voar novamente. Embora os engenheiros de solo e os especialistas em computação sempre tenham desempenhado um papel importante nos voos espaciais, hoje seu papel é ainda mais pronunciado, pois as alterações de software são transmitidas para as espaçonaves tão rotineiramente quanto as atualizações do iPhone.
“Os engenheiros de software são essenciais”, diz Abhi Tripathi, diretor de operações de missão do Laboratório de Ciências Espaciais da Universidade da Califórnia em Berkeley, que também ocupou vários cargos seniores na SpaceX. “A espaçonave de hoje deve ter um software realmente bom.”
Quando Tripathi estava na SpaceX, hoje reconhecida como líder do setor espacial comercial, a empresa valorizava tanto os engenheiros de software que os contratava continuamente, mesmo sem vagas formais. “A regra permanente era que sempre havia uma vaga de software aberta”, lembra Tripathi. “Mesmo agora, quando estou contratando engenheiros juniores, operadores de controle de missão ou engenheiros térmicos, sempre pergunto: essa pessoa sabe programar?”
RESOLUÇÃO. No início deste ano, um pouco de engenharia de software ágil e imediata salvou uma missão de pouso na Lua. Os engenheiros de uma empresa chamada Intuitive Machines perceberam que os sensores de seu módulo de pouso lunar nunca haviam sido ligados, o que significava que a espaçonave Odysseus estava basicamente voando às cegas, incapaz de explorar a paisagem rochosa e montanhosa da Lua em busca de um local de pouso seguro.
No início deste ano, o CEO Steve Altemus lembrou-se de dar a notícia a Tim Crain, seu diretor de tecnologia e diretor de missão. “Eu disse: ‘Tim, vamos ter que aterrissar sem telêmetro a laser’”, disse Altemus. “E o rosto dele ficou totalmente branco, porque foi como um soco no estômago de que iríamos perder a missão.”
A equipe pensou que poderia trocar o sistema de sensores inoperante por um instrumento desenvolvido pela Nasa afixado na parte externa da espaçonave como um experimento para futuros pousos. Porém, como os sensores principais não estavam funcionando, ele seria colocado em operação. No entanto, não foi fácil mudar uma tecnologia tão importante em tempo real.
“Começamos a analisar o que seria necessário para ligar o sistema”, disse James Blakeslee, um arquiteto de software da empresa, em uma entrevista. Para ganhar tempo, a equipe decidiu fazer a espaçonave voar ao redor da Lua mais uma vez enquanto os programadores testavam a atualização do software em um simulador. “Trabalhamos nos bastidores e o desenvolvedor que estava encarregado do problema escreveu em um post-it e levou-o para a sala de comando”, disse Blakeslee.
Normalmente, uma correção desse tipo “levaria um mês”, disse Crain na época. A matemática teria sido verificada por meio de milhares de simulações, que normalmente encontrariam erros, forçando os programadores a tentar novamente. Em vez disso, disse ele, “nossa equipe fez isso em uma hora e meia. Foi um dos melhores trabalhos de engenharia com os quais já tive a chance de me envolver”.
A espaçonave pousou de lado, um sucesso parcial que permitiu à empresa reivindicar o primeiro pouso lunar de um empreendimento comercial – e o primeiro dos EUA desde a última das missões Apollo em 1972.
IMPROVISOS. Talvez nenhuma empresa espacial valorize mais o desenvolvimento de software do que a SpaceX de Elon Musk. Seus propulsores de foguetes gigantes voam de volta para a Terra, pousando em navios autônomos no mar ou em plataformas de pouso em terra. Sua espaçonave Dragon voa sozinha para a Estação Espacial Internacional (ISS), relegando os astronautas a bordo a pouco mais do que passageiros.
No entanto, a SpaceX já teve sua cota de problemas que exigiram um pouco de criatividade improvisada. Em 2013, uma espaçonave Dragon teve algumas válvulas presas enquanto se aproximava da ISS. Assim, um programador enviou um comando para aumentar a
Tudo online Alterações de software são enviadas às espaçonaves tão rotineiramente quanto as atualizações do iPhone
“Os engenheiros de software são essenciais. “A espaçonave de hoje deve ter um software realmente bom”
Abhi Tripathi Universidade da Califórnia em Berkeley
“(Um trabalho que levaria um mês) Nossa equipe fez isso em uma hora e meia”
Tim Crain Intuitive Machines
pressão antes das válvulas e, em seguida, liberá-la repentinamente, dando o impulso necessário para abri-las. Na época, Musk chamou isso de “o equivalente da nave espacial à manobra de Heimlich”.
Como acontece com frequência, essa correção não foi resultado da criação de um código totalmente novo a partir do zero, disse Tripathi, mas sim de ajustes no código existente para produzir novos resultados. Isso também ocorreu depois que os engenheiros testaram o software extensivamente antes de enviá-lo para a espaçonave.
Algumas empresas iniciantes não têm os recursos para testar completamente seus sistemas antes do lançamento e, na verdade, planejam fazer ajustes no meio do voo.
“Muitas empresas têm uma data de lançamento definida que precisam alcançar e, se não começarem a gerar receita, seus investidores não ficarão satisfeitos”, diz Tripathi. “Elas dizem: ‘Temos um banco de testes de software. Temos bons programadores. Vamos resolver isso na hora.’” •
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Economista e professor americano, considerado o ‘pai do marketing’, lança no Brasil versão em português de seu livro ‘Marketing H2H: A Jornada do Marketing Human to Human’
Juliana Pio – Exame – 29 de junho de 2024
Editora-assistente de Marketing e Projetos Especiais
Aos 93 anos,Philip Kotler, considerado o ‘pai do marketing moderno’, segue influenciando a academia e as práticas empresariais. “Coisas novas estão sempre acontecendo para mudar o marketing e, esperançosamente, melhorá-lo. A cada dia, surgem novas histórias. A cada mês, alguém está experimentando uma inovadora e arriscada estratégia. A cada ano, um livro precisa ser revisado e atualizado”, diz Kotler, em entrevista exclusiva à EXAME.
O economista e professor americano da escola de negócios Kellogg, da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, fundou o conceito de marketing moderno ainda na década de 1960, quando lançou seu primeiro livro, ‘Administração de Marketing’. Mais de 60 anos depois, Kotler apresenta ao Brasil, no próximo mês de julho, a versão traduzida para o português de sua obra ‘Marketing H2H: A Jornada para o Marketing Human to Human‘, a qual propõe pela primeira vez umaevolução dos 4 Ps(produto, preço, praça e promoção) para as empresas da era pós-industrial.
O livro, publicado originalmente em 2021, chega ao país por meio da Editora Benvirá e conta com a coautoria de Uwe Sponholz, Waldemar Pfoertsch eMarcos Bebendo, professor na ESPM-SP, o qual adaptou o texto para a realidade brasileira, trazendo exemplos que aproximam o leitor dos conceitos explorados. O lançamento será no próximo dia 3, a partir das 19h, em formato híbrido, no Teatro ESPM, na Vila Mariana, em São Paulo (SP). Os ingressos para acompanhar o evento presencialmente estão esgotados, mas a transmissão ao vivo estará disponível no canal do YouTube da ESPM e no site da EXAME.
Diretamente de sua residência em Chicago, nos Estados Unidos, Kotler conversou com a reportagem via chamada de vídeo sobre a nova abordagem de H2H, que propõe um movimento de humanização das práticas de marketing e lança luz às conexões genuínas, à promoção da ética e ao senso de comunidade, elementos cada vez mais essenciais para a sustentabilidade das empresas e do planeta. Acompanhe a entrevista.
O senhor escreveu o primeiro livro ‘Administração de Marketing’ em 1967. Como enxerga a evolução do marketing ao longo do tempo? O que mudou e o que permaneceu igual?
Marketing não era o nome original para a atividade com a qual estamos tão preocupados. Inicialmente, falava-se em vendas ou publicidade, com uma abordagem simples: uma empresa criava um produto ou serviço e contratava equipe de vendas e uma agência de publicidade. Com sorte, esperava-se muita disseminação de informações e compras.
O termo ‘marketing’ apareceu pela primeira vez no início dos anos 1900, na forma de livros didáticos, oferecendo uma maneira de combinar duas ideias: criar algo que torne os consumidores mais felizes, atendendo às suas necessidades, e estabelecer um sistema de distribuição que organize todas as atividades para que o fornecedor cumpra sua promessa.
A propósito, a marca atualmente é vista como uma promessa; ela funciona fortemente e bem se cumpre o que promete, ou falha se não o faz.
Os primeiros livros didáticos de marketing foram escritos principalmente por economistas, muitos deles críticos à teoria econômica tradicional, especialmente aquela que ignorava o comportamento real dos consumidores e vendedores. Não se pode presumir que as pessoas entrem em um supermercado com um lápis, listando os prós e contras de cada decisão, com informações completas sobre todas as opções de compra. Isso é irracional. Lembro-me de muitos livros de marketing dos anos 1960 e 1970 que se baseavam em opiniões. Por exemplo, afirmavam que um vendedor deve fazer cinco coisas ou que um bom anúncio deve ter determinadas características. De onde isso veio? Talvez fosse senso comum, mas não era baseado em pesquisa.
A razão pela qual escrevi meu primeiro livro, ‘Administração de Marketing’, em 1967, foi porque queria baseá-lo no comportamento real do consumidor, dentro dos contextos educacional e econômico. Além disso, queria incorporar um pensamento matemático à ideia de marketing: quais são os fatores que influenciam a quantidade de um bem que será comprada? O livro teve grande sucesso e agora está na 16ª edição, com a 17ª a caminho. Seu apelo reside nas contínuas mudanças e melhorias no marketing, que exigem atualizações frequentes devido a novas histórias e comportamentos emergentes. Atualmente, três grandes influências se destacam: a transição de uma sociedade analógica para digital, a incorporação da inteligência artificial (IA) e o conceito de disrupção. Com o mundo repleto de mudanças, exigem-se novas abordagens sobre a prática do marketing.
E como emergiu o conceito de marketing H2H?
É fundamental reconhecer que os mercados são formados por pessoas interagindo com pessoas. Se você tem empatia pelos outros, especialmente por uma categoria chamada clientes, não deve apenas criar algo para eles e vender esse algo, mas também tentar compreendê-los profundamente e ser mais preciso em atender às suas necessidades.
Há um debate frequente: o marketing é sobre fazer coisas que as pessoas precisam ou sobre fazer as pessoas comprarem coisas que decidimos criar? O melhor marketing é aquele que atende às necessidades dos clientes.
No entanto, o marketing também tem a capacidade de desempenhar ambas as funções, pois muitos de nós compramos coisas que não sabíamos que precisávamos, porque fomos convencidos de que deveríamos tê-las.
O H2H foi concebido para representar a ideia de pessoas lidando com pessoas. Parte disso, se baseia em minha formação humanista. Um humanista é alguém que acredita que as pessoas são educadas, se unem e formam uma sociedade, que pode abranger diversas crenças – religiosas, sociais, econômicas e políticas – sem recorrer a explicações sobrenaturais para o comportamento humano. Nosso objetivo é estabelecer relacionamentos que gerem valor mútuo. Acreditamos que uma ação de marketing deve beneficiar tanto o cliente quanto a empresa, gerando lucro de forma transparente. Assim, o H2H talvez tenha suas raízes em uma abordagem humanística do mercado: pessoas conectando-se com pessoas.
A evolução do pensamento do marketing é o tema central do livro “Marketing H2H: A Jornada para o Marketing Human to Human” (Divulgação)
As empresas estão preparadas para este novo modelo? O que precisa mudar?
Muitas já praticam isso de forma inconsciente, se não conscientemente, demonstrando empatia. De fato, quando alguém dentro de uma empresa reconhece a importância de atender e satisfazer as necessidades, isso por si só é uma declaração humanista. Queremos evitar que as organizações adotem uma visão mecânica do problema de vendas, focada exclusivamente na obtenção de lucro dos clientes. Esse tipo de comportamento é encontrado em algumas empresas, especialmente aquelas em posição monopolista.
Estamos tentando incorporar a empatia nas empresas, não apenas nas interações com os consumidores, como também no tratamento dos funcionários dentro das empresas. Quando um colaborador está infeliz, isso afeta diretamente a experiência do cliente e o sucesso da empresa. Além de enfatizar a centralidade do cliente no contexto do H2H, buscamos posicionar os funcionários no cerne das estratégias e, ao mesmo tempo, garantindo um serviço de qualidade aos parceiros, como fornecedores, distribuidores e atacadistas. Cultivar empatia nessas relações é essencial, incluindo até mesmo com os investidores, que tornam a empresa viável. É preciso equilibrar a performance satisfatoriamente aos olhos de um conjunto de pessoas.
O H2H preenche três lacunas significativas nos tradicionais livros didáticos. Em primeiro lugar, abordamos o design, fundamental para o marketing, pois envolve a concepção de sistemas de distribuição, produtos e serviços. Além disso, destacamos a importância dos serviços associados aos produtos, indo além da simples entrega. E se o cliente tiver dúvidas?
Por exemplo, consideramos o dilema de um cartucho de impressora esgotado: devemos simplesmente descartá-lo ou encontrar maneiras de lidar com o acúmulo de cartuchos antigos não utilizados no mundo?
Estamos preocupados com uma gama de serviços que acompanham a venda dos produtos. Adicionalmente, exploramos a era digital e seu impacto transformador nas empresas, detalhando como essa abordagem pode ajudar na compreensão e na satisfação dos clientes, com potencial para explorar ainda mais a inteligência artificial em futuras edições do H2H.
Quais são as mudanças mais significativas no mix de marketing que as empresas devem entender para se manterem competitivas no mercado atual?
Os 4 Ps (produto, preço, praça e promoção) são fundamentais no pensamento e planejamento de qualquer empresa. Se algum deles for mal executado, a companhia pode fracassar.
No entanto, quatro pilares não são mais suficientes. Hoje, falamos em 7 Ps, embora os novos elementos não comecem com a letra P. Além dos originais, adicionamos: serviço, marca e incentivo. Trata-se de uma evolução do conceito.
Limitar os quatro P’s apenas ao produto, e ignorar o serviço, pode ser desastroso. Da mesma forma, a marca também é importante. Ou seja, a empresa possui uma marca ativa na mente dos clientes ou não existe conceito, apenas se vê mercadoria? Gosto da relação produto-serviço-marca. Agora, vamos ao preço. Não se trata apenas de definir um valor fixo; é preciso oferecer incentivos ao consumidor. Todos os elementos criam valor, juntamente aos sistemas de distribuição e comunicação, anteriormente conhecidos como praça e promoção. Atualmente, reconhecemos sete ferramentas do mix de marketing, que devem ser planejadas considerando o consumidor.
Como os CEOs estão entendendo a importância do marketing hoje?
Essa é uma boa pergunta, pois muitas empresas hoje são lideradas por CEOs sem formação em marketing, como empreendedores, advogados ou profissionais de finanças. Conheço vários CEOs que afirmam entender de marketing. Recentemente, um deles disse: ‘Marketing é apenas precificação. Se eu conseguir aumentar o preço em cinco centavos, farei uma fortuna’. Mas essa visão é limitada.
Os CEOs (diretores executivos) precisam nomear um CFO (diretor financeiro), umCMO (diretor de marketing) e, cada vez mais, um cientista de dados. Ao buscar um CMO, a melhor abordagem é observar profissionais com histórico comprovado de sucesso em outras empresas. Se o CEO não puder ou não quiser fazer isso, provavelmente irá entrevistar potenciais candidatos. Ocorre que nem sempre são feitas as perguntas corretas. Por vezes, questionam: ‘Você consegue demonstrar o ROI (retorno sobre o investimento) do marketing? Você vê o marketing principalmente como uma questão de publicidade forte ou de uma equipe de vendas forte?’ E o que acontece, na prática, é que muitos CFOs criticam o marketing. Dizem que a empresa está gastando muito dinheiro em publicidade e comentam: ‘O que estamos recebendo em retorno? Por que não investir esse dinheiro em vendedores, assim saberemos se ele teve sucesso ou não, pois está diretamente em contato com o cliente.’
É verdade que o sonho de um CEO é encontrar um profissional de marketing que demonstre um bom ROI do marketing. Mas isso requer paciência. É um desafio difícil. Me vejo conversando agora com os CEOs e dizendo: por favor, deixem claro para o CMO, ou durante a busca por um profissional, o que vocês entendem por marketing.
Considerem o que nós pensamos em termos dos sete elementos do mix de marketing. Reconheçam meu conhecimento desses elementos e como posso combiná-los em um plano organizado para medir os resultados. É crucial que o processo de contratação seja explícito. O CEO deve expor o que espera do CMO. Caso contrário, podem surgir críticas sobre o seu desempenho, vindas de pessoas da área financeira, de dados ou de outros setores.
No final das contas, os CMOs contratados geralmente duram cerca de dois anos no cargo. Isso pode significar que alguns saíram tão bem-sucedidos que foram contratados por concorrentes, ou que houve alguma decepção ou mudança dentro da empresa. Afinal, os CEOs também mudam e podem querer algo diferente do marketing. É importante lembrar que o papel do CMO envolve liderar o crescimento da participação de mercado, identificando frequentemente novas oportunidades de produtos e expansões internacionais.
Hoje em dia, quase tudo tem girado em torno de growth, IA e novas tecnologias. Qual é o impacto disso no marketing?
Pode haver alguns aspectos negativos na ascensão da inteligência artificial (IA), e isso nos leva a uma questão importante em torno da expressão ‘high-tech and high-touch’ (alta tecnologia e alto contato, na tradução).
A empresa que se relaciona com o cliente apenas por meio da tecnologia está fadada ao fracasso, em minha opinião.
A IA e, eventualmente, os robôs devem ser parceiros para potencializar a habilidade humana de planejar o crescimento da empresa. Me preocupo com uma abordagem de IA hiper-técnica. No entanto, acredito que a tecnologia pode trazer muitos benefícios se usada corretamente. Por exemplo, ajudar a escrever textos de forma mais rápida e a desenvolver novas imagens e campanhas. Hoje, a IA não se limita a responder perguntas em formato de texto; pode também gerar imagens e vídeos. Portanto, a IA tem seus aspectos positivos, mas deve ser cuidadosamente combinada com o contato humano.
Opinião:
Philip Kotler, no auge dos seus 93 anos, continua a definir os rumos do marketing com uma visão que transcende gerações. Sua incansável dedicação em evoluir a disciplina há mais de 60 anos reflete não apenas sua adaptabilidade às mudanças constantes, como também seu compromisso em humanizar as práticas comerciais. Ao introduzir o conceito de marketing H2H, Kotler moderniza os tradicionais ‘4 Ps’ como um reflexo da era pós-industrial, que exige cada vez mais das empresas uma estratégia de negócio fundamentada na construção de conexões genuínas, na promoção da ética e no senso de comunidade. Sua entrevista ressoa como um lembrete inspirador de que, mesmo diante das rápidas transformações tecnológicas e econômicas, o cerne do marketing continua sendo as relações humanas e a criação de valor mútuo. Em suas palavras: “As novas organizações, focadas no marketing H2H, possuem uma clareza tão profunda em sua essência e papel na comunidade que podem adaptar-se continuamente às necessidades de seu ecossistema, mantendo a coerência estratégica e decisória. Esta é a nova forma de se trabalhar o marketing.”
Serviço
Marketing H2H: A Jornada Para o Marketing Human To Human – 1 edição 2024 Por Philip Kotler, Waldemar Pfoertsch, Uwe Sponholz, Marcos Bedendo Editora Benvirá. 368 páginas Disponível em pré-venda na Amazonaqui
Evento de lançamento Palestras de Philip Kotler, Waldemar Pfoersch e Marcos Bedendo Data: 3 de julho, Horário: 19h Local: Teatro ESPM – Os ingressos para acompanhar o evento presencialmente estão esgotados, mas a transmissão ao vivo será exibida no canal do YouTube da ESPM e no site da EXAME
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Você já parou para pensar na quantidade de novos termos relacionados ao trabalho que entrou no seu dia a dia nos últimos anos? Trabalho remoto, híbrido, chronoworking, síncrono e assíncrono, demissão silenciosa, grande resignação.
O último que vi foi o quiet vacationing, ou férias silenciosas (em tradução livre), em que os funcionários que trabalham remoto viajam a turismo e não comunicam seus gestores. São tendências, jargões, em alguns casos até modismos. Sem dúvida. Mas são também o topo de um iceberg.
A forma como colaboramos profissionalmente está mudando completamente, no que podemos classificar como a maior transformação do mercado de trabalho desde a Revolução Industrial. Efeitos da Covid-19, claro, mas não só.
As bases para o que vivemos atualmente e também chamamos de economia open talent já estavam dadas bem antes da pandemia. Vivemos uma revolução digital, que foi iniciada nos anos 2000 e acelerada brutalmente nos anos seguintes, com o maior acesso à banda larga, criação dos smartphones e surgimento do big data.
Com elas, profissionais que podem (e optam por) atuar e ser remunerados por projeto, sem depender de um vínculo permanente com um empregador, são cada vez mais representativos nas estatísticas de trabalho. Comumente, são chamados de freelancers.
As empresas, por sua vez, migram suas estratégias de talentos para modelos dinâmicos, com uma abordagem mais voltada à solução de problemas, para os quais são necessários profissionais experientes ou com elevado grau de especialização.
Esse é o racional que permeia a economia open talent. Só nos Estados Unidos, em 2023, segundo pesquisa publicada pela empresa Upwork, mais de 30 milhões de profissionais atuaram de forma freelancer, gerando para a economia daquele país mais de US$ 1.2 trilhões.
No Brasil, não temos muitas informações sobre essa modalidade de trabalho. Mas em um levantamento feito pela Ollo – plataforma especializada em contratação de profissionais sob demanda liderada por mim –, a partir dos dados do IBGE e do Ministério da Fazenda, chegamos a um universo de 1,5 milhão de pessoas aptas a atuar no formato open talent hoje no país.
São, em sua maioria, profissionais de comunicação, design, tecnologia, administração e advogados, que são acionados para demandas específicas.
As bases para o que chamamos de economia open talent já estavam dadas bem antes da pandemia.
Se formos olhar para casos mais avançados, como a NASA – que adota o Open Talent desde 2011 –, há uma estratégia clara de aceleração de projetos por meio de colaboradores externos.
Se à primeira vista pode parecer apenas uma terceirização tradicional, ao entrar um pouco mais nos detalhes logo essa percepção é descartada. Isso porque, mesmo sendo a principal agência especial do planeta, a NASA não tem recursos ilimitados para contratar os melhores cérebros, ainda que essa seja a sua demanda.
Foi pensando nisso que Steve Rader, gestor do Centro de Excelência de Inovação Colaborativa da NASA, lançou uma série de desafios a profissionais de todo o mundo que quisessem participar de um projeto da agência. O resultado, segundo ele, foi surpreendente, pois muitos profissionais de altíssimo nível desejam trabalhar para a NASA mesmo que de forma pontual.
Steve fez uma participação na minha palestra no Rio2C, evento de criatividade realizado no Rio de Janeiro no mês passado. Destaco aqui um trecho em especial, pois mostra como um gestor de ponta pensa seus talentos atualmente:
“Há estatísticas que dizem que 90% de todos os cientistas que já viveram no planeta estão vivos e trabalhando. Esse é um número enorme. Organizações que estão recrutando e retendo colaboradores em tempo integral como modelo único e só localmente estão desperdiçando a agilidade que o open talent traz ao mundo, através desses marketplaces e plataformas que promovem talentos e acesso a eles.”
Voltando ao tema da terceirização pura e simples, o que vale ressaltar é que ela pode ser parte de uma estratégia de open talent. Ela se junta a times permanentes, a trabalhadores temporários e aos talentos mais qualificados que vão atuar por projeto.
O importante é que a estratégia seja bem segmentada em camadas, preservando a cultura da empresa e seus objetivos de curto e longo prazo. Para facilitar a visualização deste pensamento, trouxe uma ilustração feita pela “Harvard Business Review“, em que essas camadas formam uma empresa solucionadora de desafios.
Fonte: Harvard Business Review
Tal modelo não vale só para a NASA. Diversas empresas têm migrado para um formato open talent. Startups, naturalmente, têm maior facilidade, pela dinâmica em que foram criadas. Mas empresas tradicionais, como Deloitte, Amazon e Harley Davidson também o fazem e tratam abertamente de seus resultados.
São mais evidências que se somam aos diversos termos relacionados ao trabalho, que nos acostumamos a ouvir e pensar, e que nos levam a uma conclusão: não é se, é quando você ou sua empresa irá migrar para uma estratégia open talent.
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Dificuldade é encontrar executivo de mercado disponível para assumir cargo de imediato
Por Stella Fontes — Valor – 24/06/2024
Valor Econômico – Com US$ 64,5 bilhões em investimentos estimados até 2028 e reservas que estão entre as maiores do mundo, o setor mineral coloca o Brasil na dianteira da corrida global pelo fornecimento de metais e insumos críticos para a transição energética. Mas há gargalos que podem comprometer essa posição, mostra estudo da EY, intitulado “A atratividade do setor mineral brasileiro”.
Conhecimento ainda limitado de sua riqueza mineral, com apenas 27% do território mapeado pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB), complexidade do marco regulatório, morosidade do processo de licenciamento ambiental e limitações à captação de recursos financeiros, sobretudo pelas mineradoras menores (conhecidas como “juniors”), aparecem como principais desafios do setor.
“O Brasil é uma potência mineral, não só do futuro, mas do presente. O cenário é auspicioso do ponto de vista da demanda, mas há pontos de atenção do lado da oferta. É preciso ter condições de investimento”, disse ao Valor o líder de energia e recursos naturais da consultoria, Afonso Sartorio, coautor do estudo, que é assinado também pelo diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann.
Com mais de sete mil empresas instaladas, incluindo grandes nomes da mineração (as “majors) nacionais e internacionais, o Brasil se destaca no cenário global, entre outros motivos, pelo tamanho de suas reservas e produção. Além da fortaleza em minério de ferro – a segunda maio reserva do mundo -, o país aparece no ranking dos maiores em nióbio, grafita, terras raras, manganês e níquel, aponta o estudo.
Muitos desses minerais, afirmou Sartorio, terão demanda global crescente com a transição energética, abrindo novas oportunidades para o setor. Carros elétricos, por exemplo, tem quase seis vezes mais quantidade de minerais críticos, cerca de 200 quilos, que os automóveis com motores a combustão. Estruturas solares e de geração eólica também levam esses insumos. Conforme o estudo, enquanto a demanda global de lítio pode crescer até 42 vezes até 2040, a de grafita deve subir 25 vezes e a de terras raras, 7 vezes.
Mas o Brasil precisa estar preparado, do ponto de vista da oferta, para atender a esse mercado. Embora o plano de investimentos do setor seja robusto, está apenas em linha com o que se vê em outras partes do globo – o que não é suficiente para um país com pretensões de potência global, conforme Sartorio. “Se o Brasil não investir, outros países o farão.”
O primeiro desafio mapeado pelo estudo, que pode jogar contra futuros investimentos, é o baixo conhecimento geológico em relação a outros países mineradores, como Canadá e Austrália, que contam com mapeamento mais abrangente e são mais ágeis no compartilhamento dessas informações, muitas vezes oferecendo incentivos à iniciativa privada para atuar nessa frente junto com os órgãos de governo. Por aqui, somente 27% do território está mapeado na escala mínima (1:100.000) adequada para início de um projeto de prospecção mineral.
De acordo com Sartorio, o governo tem feito alguns avanços, via benefícios fiscais ou ampliação de acesso à informação, mas é preciso ir além. “Se conseguir isso, o país vai ser mais atrativo, porque os investidores terão mais facilidade em entender sua potencialidade.”
Na fase exploratória, as grandes mineradoras, como Vale, Anglo American, Kinross, Gerdau e CSN, respondem por 56% dos investimentos executados no país. As “juniors”, mais focadas em exploração, também têm investido, mas o volume de recursos destinados à pesquisa de novas áreas está aquém do feito em outros países.
Essa diferença por ser explicada pelo custo de captação mais elevado para as mineradoras menores, até em função do risco – as “majors” captam recursos com custos 35% menores e prazos mais longos. “Deveria haver mais instrumentos para essas empresas”, disse, acrescentando que a iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Vale, de constituir um fundo destinado a projetos de empresas menores, é positiva.
Condições menos atraentes para a captação doméstica de recursos se reflete ainda na origem do dinheiro que tem sido aplicado aplicado em projetos de exploração: menos de 1% do total foi levantado internamente em 2023. Nos últimos três anos, as empresas brasileiras de mineração captaram um total de US$ 9,6 bilhões, dos quais 81% em dólares. Na China, esse valor chegou a US$ 327 bilhões e no Canadá, a US$ 68,6 bilhões.
Do lado do marco regulatório, a constatação é que os processos de outorga e licenciamento são mais demorados no Brasil do que em outros países produtores. Já houve alinhamento aos critérios internacionais e melhorias, mas ainda há mais a fazer. A expectativa, agora, gira em torno da publicação do Plano Nacional de Mineração 2050.
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O motivo é deixar usuários engajados com a IA por mais tempo. Contudo, não é uma tarefa fácil criar uma IA sutilmente boa em piadas
André Lopes – Exame – 24 de junho de 2024
Empresas líderes em tecnologia estão se dedicando a um dos maiores desafios dainteligência artificial: tornar os chatbots mais engraçados.
O Google DeepMind, um dos maiores laboratórios de pesquisa em IA do mundo, tem focado em desenvolver inteligências artificiais que abordem problemas globais, desde a previsão de condições meteorológicas extremas até o desenvolvimento de novos tratamentos médicos. Recentemente, pesquisadores da empresa se depararam com um desafio peculiar: descobrir se a IA pode contar boas piadas.
Em um artigo publicado neste mês, um grupo de pesquisadores do DeepMind, incluindo dois que fazem comédia improvisada nas horas vagas, convidou 20 comediantes para compartilhar suas experiências usando chatbots avançados para escrever piadas. Os resultados foram contundentes. Os entrevistados consideraram as piadas geradas por IA insossas, pouco originais e excessivamente politicamente corretas.
Um dos comediantes comparou o humor da IA ao “material de comédia dos anos 1950, mas um pouco menos racista.” Alguns humoristas acharam a IA útil para criar um primeiro rascunho, mas poucos se sentiram felizes com o material produzido.
O DeepMind não é a única empresa de tecnologia pensando no senso de humor da IA, ou na falta dele. A xAI de Elon Musk posicionou o Grok como a alternativa mais engraçada aos chatbots rivais. A Anthropic lançou esta semana um novo modelo de IA, o Claude 3.5 Sonnet, que promete ser significativamente melhor em captar nuances e humor, entre outras melhorias.
Em uma recente demonstração da OpenAI, um usuário contou uma piada de “pai” para a versão mais recente e habilitada por voz do GPT para ver se a ferramenta a apreciava. O chatbot riu, embora não de maneira totalmente convincente.
Daniela Amodei, presidente e cofundadora da Anthropic, comentou que o humor é um desafio difícil de superar. Ela admitiu que o Claude ainda não tem a qualidade de um comediante profissional, mas afirmou que houve melhorias significativas.
Para as empresas de tecnologia, fazer a IA engraçada é um negócio sério. O foco atual é desenvolver chatbots conversacionais que possam lidar com consultas cada vez mais complexas dos usuários e serem agradáveis o suficiente para que os usuários continuem a interagir com eles em casa e no trabalho.
Em experimentos próprios com alguns dos principais chatbots, o humor gerado pela IA mostrou-se limitado. Por exemplo, ao pedir que Grok contasse uma piada sobre o CEO da OpenAI, Sam Altman, a resposta foi a opção mais seca possível: “Por que Sam Altman atravessou a rua? Para chegar ao outro lado da revolução da IA!”
Quando foi a vez do ChatGPT da OpenAI, do Gemini do Google e do Claude da Anthropic, as respostas foram igualmente desanimadoras. Claude usou o mesmo esquema da “travessia da rua”, com um final diferente: “Para pivotar para o outro lado!”
O Gemini foi um pouco mais original: “Sam Altman entra em um bar e pede uma rodada de drinks para todos. O bartender diz, ‘Uau, que generoso! Qual a ocasião?’ Sam responde, ‘Apenas comemorando a conquista da inteligência artificial geral… novamente.'”
Diante desses resultados, é tentador concluir que os chatbots precisam ser um pouco mais ousados, com o risco de aumentar o efeito diverso que piadas possuem na sociedade.
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Por João Lara Mesquita – Estadão/Mar sem Fim – 19 de junho de 2024
Como a Holanda evitou alagamentos do mar e dos rios?
Recentemente um grupo de holandeses esteve no Rio Grande do Sul para analisar a situação e propor alternativas ao governo do Estado. Eles atenderam um pedido do Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegredepois da tragédia. Os holandeses fazem parte do programa Redução de Risco de Desastres (Disaster Risk Reduction-DRRS), com sede em Haia, vinculado à Agência Empresarial Holandesa. A Holanda, ou Países Baixos, é pequena – pouco menor que o Espírito Santo (41,543 km² x 46,077 km²), entretanto é o país mais densamente povoado da Europa, com 17 milhões de habitantes. Um terço de sua área fica abaixo do nível do mar. As diferenças geográficas entre Holanda e Rio Grande do Sul são imensas, mas ambos lutam contra o avanço da água. Enquanto aguardamos as sugestões, que tal conhecermos como a Holanda recuperou suas terras?
A inundações fizeram parte da história da Holanda. Pintura de Willem Schellinks retrata a ruptura de um dique na aldeia de Houtewael, perto de Amesterdã, em 1651. Imagem: Domínio público.
“Deus fez o mundo, mas nós (holandeses) fizemos a Holanda”
Esta frase é repetida à exaustão pela população, e com razão, afinal, até agora eles venceram uma batalha contra os elementos; a imensa força dos oceanos.
A diferença brutal, o que era mar em 1330, é terra firme hoje. Imagem, K. Cantner, AGI.
Como? Usando um de seus principais recursos naturais, o vento. Hoje, os Países Baixos têm o dobro do tamanho que tinham há 400 anos.
A barragem O Houtribdijk, com 30 quilômetros, entre as cidades de Enkhuizen e Lelystad, foi concluída em 1975 como parte de um projeto iniciado por volta de 1920 para represar e recuperar terras da enseada pouco profunda do Zuiderzee. Imagem, Snempaa.
O principal plano foi isolar seções do mar pouco profundo com centenas de quilômetros de barragens e diques. Depois, drenar cada uma, pedaço por pedaço, até construir um país maior. Durante séculos, os holandeses construíram moinhos de vento. Mais de mil sobreviveram, e muitos ainda funcionam, informa oRicksteves.
Barragem Oosterscheldekering durante uma tempestade. É preciso ser muito forte para resistir à força do Mar do Norte. Imagem, Rens Jacobs / Beeldbank V&W. – rijkswaterstaat.nl..
Metade dos 17 milhões de habitantes vivem em áreas de risco
APhys.org acrescentou que mais da metade dos 17 milhões de habitantes vivem em áreas de risco de baixa altitude. Contudo, graças ao trabalho árduo, perseverança e muito conhecimento técnico, eles se aconchegam com segurança atrás de uma engenhosa rede de 17.500 quilômetros de diques, dunas e barragens.
Mapa com os locais de diques assinalados. A legenda usada é : Sem diques, os Países Baixos seriam inundados. Imagem, Domínio Público.
Em 2023, o Fórum Econômico Mundialenviou uma delegação para visitar as várias alternativas adotadas pelos holandeses. Em seguida, publicou uma matéria mostrando como o país usa soluções baseadas na natureza para melhorar a segurança.
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Um dos bons exemplos é a constante reposição de areia ao longo da costa de Kijkduin, em Haia, que recebeu o nome de Sand Motor.
‘O Vale do Silício holandês é a sua experiência em engenharia’
A expertise dos holandeses, adquirida através dos tempos, hoje vale muito. Segundo aEarth Magazine, a experiência em gestão da água é tão antiga quanto a própria Holanda. À medida que os mares globais sobem, os holandeses ainda estão na linha de frente para lidar com inundações e aumento do nível do mar. Essa proeza não está apenas ajudando-os em seus próprios esforços, agora eles “são consultados por todo o mundo, quando vendem sua experiência em engenharia”, diz o jornalistaJeff Goodell, autor do livro de 2017The Water Will Come: Rising Seas, Sinking Cities, and the Remaking of the Civilized World.
Uma resenha do livro diz que ‘a cada fissura nos grandes mantos de gelo do Ártico e da Antártida, e a cada aumento do termômetro da Terra, estamos nos aproximando de uma catástrofe generalizada’. Para o autor, ‘nosso mundo foi construído para um clima que não existe mais’. Ou seja, quanto mais cedo começarmos a tomar medidas, melhor. E o Brasil está muito atrasado.
Eles estão “tentando exportar essa experiência; é a sua indústria em crescimento. É o seu Vale do Silício.” E as cidades costeiras nos EUA e em outros lugares esperam que a engenhosidade holandesa funcione para elas também para combater os mares invasores.
Como funciona o Sand Motor, que protege a costa norte do país?
Enquanto a tradicional e frequente extração de areia para manter a linha costeira é dispendiosa etem impactos ambientais negativos, a Sand Motor utiliza processos naturais que criam novos habitats e oportunidades de recreio e desenvolvimento econômico. Em vez de proceder ao abastecimento frequente de areia ao longo da costa, eles depositam um grande volume de areia offshore em Kijkduin. Enquanto isso, o vento, as ondas e o movimento das marés distribuem naturalmente a areia, principalmente na direção norte, o que ajuda a atingir o nível de risco de inundação estabelecido por lei.
O controle dos rios
Esta parte é interessante porque é o mesmo problema de Porto Alegre, Pelotas, e outras cidades cercadas por lagos, em que vários rios deságuam, aumentando muito o volume de água depois dos eventos extremos que ainda castigam o Rio Grande do Sul.
E achamos a resposta noDutchwater. Matéria de fevereiro de 2021 mostrava que o sistema acabava de passar incólume, depois de uma temporada anormal de chuvas.
Na semana passada, os diques de verão dos dois grandes rios Reno e Mosa, nos Países Baixos, transbordaram e os diques de inverno, muito mais altos, tiveram de ser transpostos. Este acontecimento, que ocorre uma vez em cada cinco anos, não só proporcionou vistas espetaculares, como também mostrou o conceito típico neerlandês de planícies aluviais controladas, dando mais espaço aos rios para fluírem nos períodos de pico de descarga.
O de cima é o dique do verão. Abaixo, o do inverno. Imagem, Dutchwater.
As descargas máximas dos rios que chegam da Alemanha (Reno) e da Bélgica (Mosa) fazem com que os diques baixos de verão do Reno e do Mosa, nos Países Baixos, transbordem facilmente. Nesse caso, os diques de inverno, muito mais altos, assumem a proteção das zonas do delta propensas a inundações. Algumas das quais se situam abaixo do nível do mar.
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Este conceito típico de prevenção de inundações, com planícies aluviais transbordantes entre um dique de verão e um de inverno, dá muito mais espaço ao rio para descarregar rapidamente grandes volumes de água para o Mar do Norte.
Como monitoram as cabeceiras de rios, volume de chuva e neve, e outros
O quartel general fica no centro nacional neerlandês de gestão da água (WMCN). Lá, os técnicos monitoram o nível da água em todos os locais, simultaneamente, e de muito perto. Nas últimas fortes chuvas, os responsáveis pela gestão das cheias voltaram a pôr as mãos na massa.
Acompanhamos a precipitação e a neve em toda a bacia hidrográfica do Reno e do Mosa. Assim, poderemos antecipar os picos antes de chegarem à fronteira holandesa”, explica Harold van Waveren.
Preparados para todos os cenários, os especialistas vivem os seus melhores momentos nestas circunstâncias. É agora que o programa de prevenção, no valor de um bilhão de euros, pode provar o seu valor, juntamente com os gestores que antecipam os níveis de água nos locais de risco.
Uma importante tarefa do WMCN é abrir os grandes açudes, bem como as comportas costeiras para levar o volume de água para o Mar do Norte o mais rapidamente possível.
Uma das opções de controle das cheias consiste em abrir o açude de Driel, no Baixo Reno, para que o volume máximo passe mais rapidamente. (foto- Autoridade Regional da Água de Rivierenland).
Cada gestor sabe exatamente o que fazer na hora do perigo
Todos os gestores nacionais e regionais das inundações sabem o que fazer, dada a previsão de determinados volume máximos”, acrescenta Van Waveren.
Ok, sabemos que um bilhão de euros é muito dinheiro, mas a questão não é esta. É imperativo ter sempre em ordem a manutenção e o perfeito funcionamento, tanto das comportas para o mar, como das que levam a água aos açudes. E muito, muito treinamento como deixaram claro, é preciso que todos saibam exatamente o que fazer nas horas críticas.
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Holanda, Singapura e Veneza, o que eles têm em comum?
O trabalho vitorioso dos holandeses para conter a água do mar está nas manchetes da mídia internacional. New York Times, The Guardian, Euronews, Reuters, entre outros, já publicaram inúmeras matérias. Ao mesmo tempo, a ONU elogia dois países por seus esforços: a Holanda, e Singapura, cujaestratégia já foi motivo de nosso comentário. São países diferentes, em continentes dispares, mas há algumas coincidências entre ambos.
Segundo aONU, sendo uma pequena cidade-estado insular de baixa altitude com 719,9 km2, Singapura é naturalmente vulnerável ao impacto das alterações climáticas. Com uma população de 5,6 milhões de habitantes, é um dos países mais densamente povoados do mundo.
Mas há mais, segundo aONU. Ambos desenvolveram sistemas de modelização de alta resolução para a previsão do tempo e do clima, e treinaram intensamente os responsáveis. Além disso, cerca de 70% da costa de Singapura já tem barreiras feitas pelo homem para proteção. A estratégia do país para o reforço indispensável dos recursos naturais é o replantio de florestas de mangue em toda a faixa costeira, além de reforçar as já existentes.
Finalmente,Veneza também enfrenta o problema usando comportas especiais, dado a especificidade da cidade construída em meio a 118 ilhas no meio de uma laguna (550 km²) no norte da Itália.
Há muitas outras medidas que contribuem para o sucesso
Antes de encerrar, é preciso lembrar que as medidas acima são talvez as mais importantes. Fizemos um resumo mas os links selecionados se aprofundam em cada medida, caso seja de seu interesse.
Por fim, o Mar Sem Fim tem feito o possível para chamar a atenção do ministério do Meio Ambiente sobre o uso dos recursos naturais na proteção da linha da costa mas, enquanto o mundo planta árvores de mangue e protege suas dunas, o Brasil segue desmatandoe permitindo ocupação de dunas.
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Entenda como esse conceito está transformando o futuro no campo, tornando a atividade agrícola mais eficiente, econômica e sustentável
EXAME Solutions – Publicado em 24 de junho de 2024
Reconhecido como um gigante no cenário agrícola mundial, o agronegócio brasileiro vive um momento particular de transformação, alavancado pelo uso de tecnologia no campo. Sobretudo pela adoção crescente da agricultura de precisão (AP), o ganho de produtividade nos últimos anos é expressivo: em 2023, o agro bateu recordes de produção, com 15% de crescimento, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Um estudo da McKinsey & Company indicou que cerca de 50% dos agricultores do país já adotam ou estão dispostos a incorporar tecnologias agrícolas de precisão nas suas operações. Entre as grandes oportunidades para o futuro, a agricultura de precisão aparece em primeiro lugar na visão dos produtores, com um terço das respostas em um outro levantamento, da KPMG com a SAE Brasil.
O país aposta tanto no potencial da AP para fortalecer sua posição como um dos maiores produtores de alimentos do mundo que até instituiu uma política nacional de incentivo à sua prática.
A Lei Nº 14.475, sancionada em dezembro de 2022, tem como diretrizes o apoio à inovação; a sustentabilidade ambiental, social e econômica; o desenvolvimento tecnológico; a ampliação de rede de pesquisa, desenvolvimento e inovação do setor; o estímulo à ampliação da rede e da infraestrutura de conexão de internet nas áreas rurais; a articulação entre entes públicos e setor privado; e a divulgação das linhas de crédito para financiamento da agricultura e pecuária de precisão.
O que é agricultura de precisão?
É um conjunto de tecnologias e ferramentas avançadas, baseadas em dados e sistemas de geoposicionamento, que permite ao produtor rural fazer um gerenciamento controlado e preciso das lavouras.
Com essa abordagem, em vez de lidar de modo uniforme com o cultivo (no planejamento de defensivos, fertilizantes e irrigação, por exemplo), o agricultor consegue trabalhar de forma localizada e personalizada cada ponto da propriedade agrícola, considerando a variabilidade do solo, como teor de nutrientes, compactação, produtividade e afins.
Que ferramentas e tecnologias são essas?
São combinados diversos recursos, entre eles o Sistema de Posicionamento Global (GPS na sigla em inglês), para localização exata de equipamentos e geração de mapas de produtividade, por exemplo; Sistema de Informações Geográficas (GIS), para armazenar dados geográficos; e máquinas de aplicação localizada de insumos a taxas variáveis.
Os processos podem ser mesclados, entre outras coisas, com sensoriamento (sensores de solo, de plantas e remotos) para detectar a diversidade e mudanças do solo e do clima; drones (captura de imagens de alta resolução, identificação de pragas e deficiências nutricionais); Big Data (análise de dados); Internet das Coisas (integração de sensores e outros dispositivos); e inteligência artificial (análise de dados em tempo real para adequar a aplicação de recursos, previsão de safras, detecção de doenças nas plantas, piloto automático em máquinas).
Como tem evoluído a AP no país?
A ideia de melhorar o rendimento da produção levando em conta as particularidades do solo não é recente, mas apenas as soluções avançadas existentes hoje possibilitaram que isso fosse colocado em prática de maneira efetiva.
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a agricultura de precisão foi introduzida no Brasil em meados dos anos de 1990, porém, os avanços significativos só aconteceram a partir de 2000, quando o uso do GPS, elemento-chave no processo, foi amplamente difundido.
De lá para cá, a AP evoluiu rapidamente, com relatórios cada vez mais detalhados e incorporação de fábrica de tecnologias embarcadas no maquinário agrícola. Hoje, com o progresso acelerado da inteligência artificial, a agricultura de precisão está dando um salto ainda maior, com monitoramento preventivo das lavouras e equipamentos autônomos, por exemplo, que ajudam a tomar decisões mais assertivas e executar as operações em campo com exatidão.
Quais as vantagens da agricultura de precisão?
Essa abordagem personalizada traz valiosos benefícios, tendo em vista a demanda global pelo aumento da produção de alimentos. As vantagens incluem melhoria do planejamento e monitoramento das atividades de campo, otimização dos custos, minimização dos impactos ambientais negativos e, principalmente, aumento da eficiência produtiva.
Um levantamento feito pelo departamento técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul) mostrou que, dependendo do nível tecnológico da propriedade antes da implantação da agricultura de precisão, a elevação da produtividade pode chegar a cerca de 30%, e quase um quarto, em média, dos insumos pode ser economizado.
A coleta e o processamento de dados de forma tão completa tornam mais segura a tomada de decisão dos produtores, que conseguem ter ações direcionadas, aplicando insumos somente onde é necessário realmente, conforme a necessidade do solo.
Isso evita o desperdício e reduz o uso de pesticidas e fertilizantes, conciliando produtividade e sustentabilidade. É possível também entender, dentro das etapas de crescimento das plantas, qual o momento ideal para todo tipo de atividade – como planejar o sistema de irrigação, por exemplo – ou distinguir automaticamente a presença de ervas daninhas no meio da plantação.
Essa visão agiliza os processos, criando mapeamentos das operações de lavoura: onde e como fazer a semeadura, a distribuição de insumos e a colheita. Depois, máquinas automatizadas, com sistemas de orientação integrados a um GPS, executam as tarefas mapeadas de forma inteligente evitando falhas e sobreposições, como pulverizar defensivos duas vezes no mesmo local.
Um exemplo é o pulverizador autônomo da multinacional brasileira Jacto, que usa inteligência artificial na operação, aliada a câmeras, laser e sinal de GPS, para trafegar de forma independente dentro da cultura de citros. A máquina ainda conta os frutos enquanto executa a tarefa, dando uma estimativa de produtividade.
Se a propriedade tem mais de uma unidade, os equipamentos podem compartilhar os mapas de aplicação, para identificar onde o outro já aplicou e, assim, evitar sobreposições. E com a tecnologia de precisão de taxa variável, podem aplicar diferentes doses na área a ser pulverizada dependendo da necessidade identificada previamente, otimizando e reduzindo a aplicação de defensivos.
Esses e outros recursos cada vez mais avançados estão revolucionando a agricultura, fazendo dela uma atividade mais eficiente, econômica e sustentável, à medida que as informações sobre conceitos, técnicas e vantagens chegam ao produtor rural. Para os especialistas, este já é um caminho sem volta, dada a urgente necessidade de elevação da produção de alimentos no mundo.
Nos cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial será de 9,7 bilhões de pessoas em 2050. Para compensar esse crescimento, segundo a agência de alimentos e agricultura da ONU (FAO), será preciso um aumento de 70 % na produção agrícola. É aí que a agricultura de precisão ganha força, como o caminho possível para o futuro superpovoado que nos aguarda.
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Matéria de capa da revista britânica The Economist esmiúça o que levou o país asiático a acelerar o desenvolvimento tecnológico e a inovação que preocupa Washington
Por Iara Vidal – Revista Forum – 16/6/2024
Em meio à escala da rivalidade entre duas superpotências, a China e os Estados Unidos, há algo em comum entre elas: ambas reconhecem a importância dainovação como segredo para a superioridade geopolítica, econômica e militar.
A matéria de capa da revista britânica The Economist desta semana esmiúça o porquê Washington está assustado com os avanços da ciência e da tecnologia liderados por Pequim.
A publicação, considerada uma das “bíblias” do liberalismo e do discurso anti-China, reconhece a força chinesa na ciência global com a manchete “The rise of Chinese science: Welcome or worrying?” (A ascensão da ciência chinesa: Bem-vinda ou preocupante?, em tradução livre).
O texto ressalta que o presidente chinês, Xi Jinping, espera que a ciência e a tecnologia ajudem seu país a ultrapassar os Estados Unidos. Na tentativa de impedir que a China ganhe vantagem tecnológica, os políticos dos EUA têm usado uma combinação de controles de exportação e sanções.
A estratégia dos EUA tem poucas chances de dar certo, pondera a The Economist, que classifica a abordagem estadunidense como equivocada. “Se os Estados Unidos querem manter sua liderança — e obter o máximo benefício da pesquisa dos talentosos cientistas chineses — fariam melhor em focar menos em conter a ciência chinesa e mais em se impulsionar adiante”, observa.
Ciência para segurança alimentar
Um dos feitos da China que surpreende os autores do texto da revista britânica é o trabalho da Academia Chinesa de Ciências (CAS, da sigla) em Pequim, que é a maior organização de pesquisa do mundo com atuação em diversas áreas, desde a biologia vegetal até a física de supercondutores.
Na área de biologia das culturas alimentares, chama a atenção a enormidade de estudos. Nos últimos anos, cientistas chineses descobriram um gene que, quando removido, aumenta o comprimento e o peso dos grãos de trigo; outro que melhora a capacidade de culturas como sorgo e milheto crescerem em solos salinos; e um que pode aumentar a produção de milho em cerca de 10%.
No outono do ano passado, agricultores em Guizhou, província no sudoeste da China, completaram a segunda colheita de arroz gigante geneticamente modificado desenvolvido por cientistas da CAS.
Esses estudos são resultado do empenho liderado pelo Partido Comunista Chinês (PCCh) para impulsionar a pesquisa agrícola, considerada como crucial para garantir a segurança alimentar do país, e transformá-la como uma prioridade para os cientistas chineses.
Na última década, a qualidade e a quantidade de pesquisas sobre culturas produzidas na China cresceram imensamente, e agora o país é amplamente considerado um líder na área.
Medida do sucesso na ciência
Uma maneira de medir a qualidade da pesquisa científica de um país é contabilizar o número de artigos de alto impacto produzidos a cada ano — ou seja, publicações que são citadas com mais frequência por outros cientistas em seus próprios trabalhos posteriores.
Em 2003, os Estados Unidos produziram 20 vezes mais desses artigos de alto impacto do que a China, de acordo com dados da Clarivate, uma empresa de análise científica. Em 2013, os EUA produziram cerca de quatro vezes o número de principais artigos, e, no lançamento mais recente dos dados, que examina artigos de 2022, a China superou tanto os Estados Unidos quanto toda a União Europeia (UE).
A China lidera o mundo noÍndice Nature, criado pela prestigiada revista de mesmo nome para contabilizar o número de artigos publicados em um conjunto de revistas de renome. Para serem selecionados, os artigos devem ser aprovados por um painel de revisores que avaliam a qualidade, novidade e potencial impacto do estudo.
Quando o Índice Nature foi lançado, em 2014, a China ocupava a segunda posição, contribuindo com menos de um terço dos artigos elegíveis em comparação com os Estados Unidos. Em 2023, a China alcançou o primeiro lugar. De acordo com o Leiden Ranking, que avalia o volume de produção científica, seis universidades ou instituições chinesas estão agora entre as dez melhores do mundo. Pelo Índice Nature, são sete instituições.
Essas universidades chinesas, como Shanghai Jiao Tong, Zhejiang e Peking (Beida), estão começando a ser mencionadas ao lado de instituições ocidentais renomadas como Cambridge, Harvard e ETH Zurich. A Tsinghua está na liderança mundial em ciência e tecnologia. Essa conquista extraordinária foi alcançada em apenas uma geração.
Em especial ao longo da última década, cientistas chineses ganharam vantagem nessas duas medidas amplamente observadas de ciência de alta qualidade, e o crescimento da pesquisa de ponta no país não mostra sinais de desaceleração. A antiga ordem mundial da ciência, dominada por América, Europa e Japão, está chegando ao fim.
Conquistas da China na ciência
Atualmente, a China lidera o mundo nas ciências físicas, química e ciências da Terra e ambientais. A pesquisa aplicada é um ponto forte da potência asiática, que domina publicações sobre painéis solares de perovskita, que são potencialmente mais eficientes do que as células de silício convencionais na conversão de luz solar em eletricidade.
Químicos chineses desenvolveram um novo método para extrair hidrogênio da água do mar usando uma membrana especializada para separar água pura, que pode ser dividida por eletrólise. Em maio de 2023, foi anunciado que cientistas, em colaboração com uma empresa estatal de energia chinesa, desenvolveram uma fazenda flutuante piloto de hidrogênio na costa sudeste do país.
A China também produz mais patentes do que qualquer outro país. Com sua base industrial forte, combinada com energia barata, isso permite uma produção em larga escala rápida de inovações físicas, como materiais.
O país também demonstra seu poder científico de maneiras mais visíveis. No início deste mês, a nave espacial robótica Chang’e-6 da China pousou em uma cratera gigante no lado escuro da Lua, coletou amostras de rochas, plantou uma bandeira chinesa e partiu de volta para a Terra. Se retornar com sucesso no final do mês, será a primeira missão a trazer de volta amostras desse lado difícil de alcançar da Lua.
Estrutura da ciência chinesa
A reformulação da ciência chinesa foi alcançada focando em três áreas: investimento, equipamentos e pessoas. Em termos reais, os gastos da China em pesquisa e desenvolvimento (P&D) cresceram 16 vezes desde 2000.
Segundo os dados mais recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 2021, a China ainda está atrás dos EUA em gastos totais em P&D, com 668 bilhões de dólares, em comparação com 806 bilhões de dólares dos EUA em paridade de poder de compra.
No entanto, em termos de gastos apenas por universidades e instituições governamentais, a China ultrapassou os EUA. Nesses locais, os EUA ainda gastam cerca de 50% a mais em pesquisa básica, mas a China está investindo fortemente em pesquisa aplicada e desenvolvimento experimental.
Os investimentos são cuidadosamente direcionados para áreas estratégicas. Em 2006, o PCCh publicou sua visão para o desenvolvimento científico nos próximos 15 anos. Desde então, os planos quinquenais de desenvolvimento do partido incluíram projetos científicos.
O plano atual, publicado em 2021, visa impulsionar pesquisas em tecnologias quânticas, inteligência artificial (IA), semicondutores, neurociências, genética e biotecnologia, medicina regenerativa e exploração de áreas “fronteiriças” como espaço profundo, oceanos profundos e os polos da Terra.
Formação de cientistas
O desenvolvimento científico na China tem sido impulsionado por iniciativas como o “Projeto 211”, o “Programa 985” e a “China Nine League”, que forneceram financiamento a laboratórios selecionados para aprimorar suas capacidades de pesquisa.
Universidades chinesas oferecem bônus significativos aos funcionários, estimados em uma média de 44 mil dólares, podendo chegar até 165 mil dólares, para publicações em revistas internacionais de alto impacto.
Entre 2000 e 2019, mais de 6 milhões de estudantes chineses foram estudar no exterior, retornando recentemente em grande número com novas habilidades e conhecimentos. Dados da OCDE indicam que, desde o final dos anos 2000, mais cientistas estão voltando para a China do que saindo. Atualmente, a China emprega mais pesquisadores do que os Estados Unidos e a União Europeia juntos.
Programas de incentivo, como o “Youth Thousand Talents” lançado em 2010, oferecem bônus únicos de até 150 mil dólares e subsídios de até 420 mil dólares para montar laboratórios. Esse programa atraiu jovens pesquisadores de alta qualidade, que rapidamente se tornaram líderes em suas áreas.
Equipamentos e infraestrutura
A China tem investido pesadamente em equipamentos científicos. Em 2019, o país já tinha um inventário impressionante de hardware, incluindo supercomputadores, o maior radiotelescópio de abertura preenchida do mundo e um detector subterrâneo de matéria escura.
Desde então, a lista só cresceu, com a adição do detector de raios cósmicos ultra-alta energia mais sensível do mundo, o campo magnético de estado estacionário mais forte e, em breve, um dos detectores de neutrinos mais sensíveis do mundo.
Laboratórios individuais nas principais instituições chinesas estão bem equipados, com máquinas em instituições acadêmicas chinesas mais impressionantes e expansivas do que as dos EUA. No Advanced Biofoundry do Shenzhen Institute of Advanced Technology, por exemplo, há um edifício incrível com quatro andares de robôs.
Com universidades chinesas cada vez mais equipadas com tecnologia de ponta e pesquisadores de elite, além de salários competitivos, as instituições ocidentais tornam-se menos atraentes para jovens cientistas chineses. O resultado é que os estudantes na China não veem os EUA como uma ‘Meca científica’ da mesma forma que seus orientadores poderiam ter visto.
Conquistas em Inteligência Artificial
Em 2019, apenas 34% dos estudantes chineses que trabalhavam na área de inteligência artificial permaneceram no país para estudos de pós-graduação ou trabalho. Esse número subiu para 58% em 2022, segundo dados do AI Talent Tracker da MacroPolo, um think-tank estadunidense. Em comparação, nos EUA, esse percentual era de cerca de 98% em 2022.
Atualmente, a China contribui com cerca de 40% dos artigos de pesquisa mundiais em IA, em contraste com aproximadamente 10% dos EUA e 15% da União Europeia e Reino Unido combinados. Um dos artigos de pesquisa mais citados de todos os tempos, demonstrando como redes neurais profundas podem ser treinadas para reconhecimento de imagens, foi escrito por pesquisadores de IA trabalhando na China, embora para a Microsoft, uma empresa dos EUA.
Crescimento em pesquisa e desenvolvimento
O crescimento na qualidade e quantidade da ciência chinesa parece improvável de parar tão cedo. Os gastos com pesquisa em ciência e tecnologia continuam aumentando, com o governo anunciando um aumento de 10% no financiamento para 2024.
Em 2020, as universidades chinesas concederam 1,4 milhão de diplomas em engenharia, sete vezes mais do que os EUA. A China agora educou, no nível de graduação, 2,5 vezes mais pesquisadores de IA de primeira linha do que os EUA. Até 2025, espera-se que as universidades chinesas produzam quase o dobro de doutores em ciência e tecnologia em comparação com os EUA.
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De vez em quando, conseguimos ter um momento livre, seja durante as férias, em uma tarde de fim de semana ou antes de dormir. Nessas horas, procure deixar o celular de lado e pegar um livro.
Leia algo que você realmente goste. Não escolha com base no que acha que deveria estar lendo. Ficção, não-ficção, biografia – qualquer coisa que escolher está ótimo. Apenas escolha algo que vai te fazer querer continuar.
Quando alguém lê por prazer, acaba se tornando uma pessoa melhor, tanto na vida pessoal quanto profissional. Existem várias razões pelas quais a leitura pode ter um impacto maior do que outros meios de comunicação.
O TEMPO IMPORTA
Filmes e programas de TV são maravilhosos, mas as histórias nestas mídias são espremidas em doses rápidas e intervalos curtos de tempo. Livros proporcionam uma experiência mais tranquila. Mesmo um livro curto pode levar cinco horas para ser lido.
Essa imersão mais profunda nos dá tempo para pensar e viver com o impacto da narrativa. Uma obra de não-ficção pode nos transportar para um outro momento na história, para a vida de uma figura famosa, ou nos apresentar a um novo campo do conhecimento.
A literatura nos dá a chance de ver o mundo da perspectiva de alguém que passou por situações diferentes das nossas.
A ficção pode nos conectar com alguém muito diferente, que vive em circunstâncias muito distintas e experimenta emoções que não são comuns para nós. Ter tempo para refletir sobre esses elementos ao longo de dias ou semanas aprofunda o impacto que eles podem ter na forma como pensamos.
Embora tenhamos sido ensinados a otimizar o nosso tempo ao máximo, mudar a maneira como pensamos sobre algo é um processo naturalmente lento, que requer conviver com informações que diferem do que acreditamos. Ler nos prepara para isso.
NOVAS PERSPECTIVAS
A profundidade das nossas perspectivas se reflete na intensidade das nossas respostas emocionais. E a leitura tem três benefícios que podem nos ajudar a calibrar nossas reações.
Primeiro, ela nos apresenta uma variedade de eventos que vão além do que experimentamos por conta própria. Isso permite que coloquemos na balança o que estamos enfrentando no momento.
Em segundo lugar, frequentemente oferece insights sobre como outras pessoas lidam com situações. Por fim, quando não conseguimos nos desligar de algo do trabalho que está nos causando estresse, ela tem o poder de nos afastar um pouco da realidade.
INDO ALÉM DE NÓS MESMOS
Uma coisa que a leitura faz é permitir enxergar as outras pessoas de maneira diferente. A literatura frequentemente nos dá a chance de ver o mundo da perspectiva de alguém com características próprias que passou por situações diferentes das nossas.
A imersão profunda proporcionada pela leitura nos dá tempo para pensar e viver com o impacto da narrativa.
Biografias e ficções muitas vezes tratam de experiências que já vivemos. Isso nos ajuda a ver como certas características e situações afetam nosso comportamento e o de outras pessoas, o que reduz a diferença entre como nos vemos e como vemos os outros.
Em última análise, as experiências que a leitura nos proporciona podem nos fazer ter mais empatia e nos ajudar a reconhecer como uma mesma situação pode afetar as pessoas de diferentes maneiras.
VENDO O CONTEXTO
Todo evento é influenciado por mais do que apenas a situação imediata. No trabalho, uma ação específica pode ser certa ou errada, dependendo do contexto. Grandes líderes muitas vezes conseguem identificar fatores contextuais importantes e adaptar seus planos para se adequar a eles.
Infelizmente, o mundo não vem com um manual do que devemos considerar para decidir o que fazer. Aprendemos a nos adaptar às circunstâncias por meio de vários elementos, como experiência, mentores e conhecimento. E a leitura é outra fonte fantástica de aprendizado contextual.
A literatura pode mostrar que ações bem-intencionadas podem ter consequências negativas. Histórias de negócios bem-sucedidos podem apontar aspectos críticos do contexto. Biografias podem revelar como líderes importantes identificaram elementos que poderiam afetar resultados importantes.
Ler por prazer nos dá a chance de viver em outros contextos por um tempo, e isso pode nos ajudar a reconhecer fatores que poderiam mudar as ações que escolhemos tomar nas nossas próprias vidas.
SOBRE O AUTOR
Art Markman é PhD e professor de psicologia e marketing na Universidade do Texas e diretor-fundador do Programa nas Dimensões Humanas das Organizações.
Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/
Informação consta do relatório “Global Market Outlook For Solar Power 2024”; no ranking, o país só perde para China e Estados Unidos
Avanço: o Brasil adicionou, em 2023, 15,4 gigawatts (GW) de potência pico da fonte solar fotovoltaica, representando cerca de 4% de todo o mercado mundial no período
Paula Pacheco – Exame – 21 de junho de 2024
Recém-divulgado, o relatório “Global Market Outlook ForSolar Power 2024 – 2028”, elaborado pela SolarPower Europe, aponta o Brasil como o terceiro maior mercado mundial de energia solar no último ano, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.
O Brasil adicionou, em 2023, 15,4 gigawatts (GW) de potência pico da fonte solar fotovoltaica, representando cerca de 4% de todo o mercado mundial no período, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).
Os dados levam em consideração a somatória das grandes usinas solares e dos sistemas de geração própria solar de pequeno e médio portes, em telhados e fachadas de edifícios e em pequenos terrenos, com base na potência total adicionada ao longo de 2023.
Ranking mundial da fonte solar fotovoltaica – comparativo entre 2022 e 2023
Fonte: SolarPower Europe, 2024 (Reprodução)
Metodologia
Ainda segundo explicação da Absolar, o estudo da SolarPower Europe está padronizado para a unidade de potência pico (GWp) e não a potência nominal instalada (GWac), que é o modelo mais utilizado nos dados divulgados publicamente pelos órgãos oficiais brasileiros. Segundo balanço da Absolar, no ano passado, foram adicionados cerca de 12 GWac da fonte solar, que representam os 15,4 GWp descritos no relatório da entidade europeia.
A expansão da tecnologia fotovoltaica coloca o Brasil em posição de destaque na geopolítica global de transição energética, avalia a associação. A fonte solar é a segunda maior na matriz elétrica nacional, com 43 GW em operação no país e participação equivalente a 18,2% da matriz elétrica nacional.
Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar, afirma que a energia solar fotovoltaica é atualmente a fonte mais competitiva do país e se posiciona como uma forte propulsora do desenvolvimento social, econômico e ambiental.
“O crescimento acelerado da energia solar é tendência mundial e o avanço brasileiro nesta área é destaque internacional. O Brasil possui um dos melhores recursos solares do planeta e assume cada vez mais protagonismo neste processo de transição energética e combate ao aquecimento global”, diz Sauaia.
Já Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da entidade, ressalta que, além de ser uma fonte competitiva e limpa, a maior inserção da energia solar é fundamental para o país reforçar a sua economia e impulsionar a sustentabilidade no Brasil e no mundo. “A fonte solar é um verdadeiro motor dedesenvolvimento sustentável, que atrai capital, traz divisas, gera grandes oportunidades de negócios, cria novos empregos verdes e amplia a renda dos cidadãos.”
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