10 razões para investir (e apostar) no Brasil

O mapa dos setores mais estratégicos de uma das economias mais promissoras do mundo

Por EXAME SolutionsPublicado em 27/12/2023

Em meio às turbulências políticas e econômicas que ocorrem ao redor do planeta, agravadas por situações de guerra na Ucrânia e no Oriente Médio, o Brasil desponta como porto seguro confiável e de oportunidades para novos negócios e investimentos estrangeiros.

Após um período desafiador com os efeitos da pandemia de covid-19, o país busca retomar o leme do desenvolvimento sustentável e apresenta melhoria no desempenho de seus índices econômicos, tais como: controle da inflação, queda de juros, aumento do consumo por parte da população, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e plano de médio prazo para a redução do déficit público.

“O cenário macroeconômico apresenta um pouco mais de previsibilidade e estabilidade. São fatores que trazem mais confiança para o investidor estrangeiro, tanto o especulativo, que traz capital para investir em ativos financeiros no Brasil, como também os grandes agentes econômicos que investem realmente no desenvolvimento da indústria, do agronegócio e na área de serviços”, avalia o consultor Acilio Marinello, coordenador de MBA na Trevisan Escola de Negócios.

Parte desse reconhecimento do potencial brasileiro veio em recente declaração do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que o país deve retornar ao ranking das dez maiores economias do mundo ainda em 2023, encerrando o ano na nona posição.

“Há uma política econômica clara, um Banco Central independente que tem atuado de maneira firme para evitar a hiperinflação e, mesmo com todos os programas sociais, existe um projeto para reduzir o déficit do governo. Isso é muito importante para os agentes econômicos”, afirma Marinello.

Crescimento econômico

Em 2022, a economia brasileira cresceu 2,9%, e o Produto Interno Bruto (PIB) fechou em 1,6 trilhão de dólares, segundo dados do IBGE. Para 2023, a projeção do Ministério da Fazenda aponta para um crescimento de 3% do PIB.

O Brasil também se destaca como destino global para investimentos estrangeiros diretos (IED), e somou 86 bilhões de dólares de IED em 2022, o quinto maior beneficiário mundial, segundo dados da  Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

Com mais de 203 milhões de habitantes, segundo o último Censo do IBGE, o país tem registrado aumento do mercado de consumo. “É uma população economicamente ativa. Apesar da grande desigualdade social, mesmo as camadas mais baixas consomem produtos e serviços. Logo, é um mercado consumidor que atrai os investidores estrangeiros”, diz Marinello.

Brasil: um dos cinco polos mais atraentes para investimentos

O Brasil é atualmente o quinto maior destino global para Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). No ano passado, o país somou 86 bilhões de dólares de IED, ficando atrás apenas de Estados Unidos, China, Singapura e Hong Kong — e à frente de países como Austrália, Canadá e França.

Em comparação a 2021, o Brasil galgou uma posição no ranking geral de IED. Naquele ano, os investimentos estrangeiros em território nacional somaram 51 bilhões de dólares. Os dados constam da edição 2023 do Relatório de Investimento Mundial, elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

10 motivos para acreditar (e investir) no Brasil

1. Maior economia da América Latina, o país se reposicionou nas principais agências de classificação de risco do planeta, como Fitch e S&P.

2. Amplo mercado de consumo e fornecimento de mão de obra.

3. Abundância de diversidade energética e sustentabilidade ambiental. Mais de 85% da matriz elétrica brasileira é composta de fontes renováveis e consideradas limpas, como hidrelétrica, eólica e solar.

4. Equilíbrio nas contas públicas: inflação sob controle, avanço de grandes reformas estruturais, como a tributária, e planos de redução do déficit público.

5. Economia altamente diversificada, com destaque para o agronegócio, que contribui com 24,8% do PIB brasileiro. Um dos maiores fornecedores mundiais de commodities, como grãos e minérios.

6. O país é o quinto maior beneficiário mundial de investimentos estrangeiros diretos.

7. Crescimento de investimentos comprometidos com redução de emissão de carbono, em projetos como energia eólica e solar, hidrogênio verde e biomassa. Ao todo, 7% da produção mundial de energia renovável vem do Brasil.

8. Mercado de capitais seguro e regulação equivalente à das grandes economias.

9. Bom relacionamento do país com as demais economias.

10. Protagonismo e comprometimento do Brasil com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

A força

Impulsionado por produção trilionária, agronegócio representa um quarto do PIB brasileiro e lidera exportações globais de commodities estratégicas, como soja e milho

A agropecuária sempre foi forte no Brasil. Mas o avanço de 474% na produção de grãos desde 1990 alçou o país a outro patamar globalmente.

O resultado veio pela combinação entre a abertura de novas áreas agrícolas, o salto em produtividade — 3,18% ao ano, em média, entre 2000 e 2019, à frente de China (2,03%) e Estados Unidos (0,5%) —,  a conquista de novos mercados internacionais, e o diferencial estratégico de poder usar 27,1 milhões de hectares mais de uma vez no mesmo ano-safra — algumas culturas, como o milho, têm até três safras anuais. Esse dinamismo se traduz em oportunidades de investimentos variadas.

O agro se tornou um motor para a economia interna do país, a ponto de representar 24,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2022, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).

O Brasil é hoje um dos líderes mundiais no cultivo de commodities estratégicas, como soja (41% do total global), café (37%) e açúcar (21%). O Ministério da Agricultura projeta que o valor bruto da produção agropecuária atingirá a marca inédita de 1,15 trilhão de reais em 2023.

Força exportadora

Nos últimos dez anos, o faturamento das exportações do setor cresceu 66,1% e atingiu 159,1 bilhões de dólares no ano passado — 47,6% do total do país. Além disso, o saldo da balança comercial de 142 bilhões de dólares fez do Brasil o maior exportador líquido do agro global.

Hoje, o país está na dianteira internacional nas vendas de soja (57% do total global), milho (28%), café (28%), açúcar (41%), suco de laranja (72%), tabaco (31%), carne bovina (25%) e carne de frango (34%). E deve fechar o ciclo 2023/24 como maior exportador mundial de grãos, com 156,4 milhões de toneladas.

Investimento em tecnologia

O investimento maciço em tecnologia e insumos é uma das razões desse sucesso. Entre 1990 e 2022, o crescimento médio anual da demanda foi de 5,2% para fertilizantes e de 8,6% para defensivos agrícolas, segundo a consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio.

Segundo Helena Bonna Brandão, gerente de investimentos da ApexBrasil, o Brasil ocupa hoje a quarta posição mundial do consumo global de fertilizantes. “A estimativa é que 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil sejam importados, e a ideia é diminuir a dependência internacional para 50% até 2050”, diz. “Isso só será possível com soluções inovadoras, estímulo à pesquisa e investimento em tecnologias adequadas ao nosso solo e clima.”

Transição com equilíbrio

O Brasil desponta como uma potência em energia renovável, mas a transição para uma economia de baixo carbono é um processo gradual — no qual o petróleo e o gás ainda têm um papel relevante

O Brasil se destaca como um dos líderes em energia limpa no planeta.

Em 2022, a participação de fontes renováveis na matriz energética do país chegou a 47,4%, de acordo com os dados do mais recente “Balanço Energético Nacional”, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Em comparação, a média global de renováveis na matriz energética é de 14,1%, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). Quando se consideram somente as fontes de energia usadas na geração de eletricidade, a vantagem do país salta ainda mais aos olhos: a energia limpa representa 87,9% da matriz elétrica brasileira, ante a média de 26,6% no mundo.

Atributos não faltam para tornar o país uma potência global em energia renovável e liderar os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa que causam as mudanças climáticas. O país tem grande quantidade de recursos naturais renováveis, como energia solar, eólica, hidrelétrica e biomassa, e apresenta condições para ocupar posição de destaque também nas novas fronteiras de geração de energia limpa, como a produção de hidrogênio verde, obtido a partir da eletrólise da água.

“No setor de energia, podemos afirmar que somos um grande caso de sucesso, dada a amplitude de players internacionais presentes no Brasil, tanto em petróleo e gás quanto em energias renováveis”, diz Ana Paula Repezza, diretora de Negócios da ApexBrasil. “O interesse pelo país está em alta e precisamos aproveitar essa oportunidade de ser líderes globais na transição energética.”

Petróleo e Gás

Atualmente, o Brasil é o nono maior produtor e o oitavo maior exportador de petróleo e derivados do mundo, com receita superior a 56 bilhões de dólares em 2022. Tem potencial para muito mais.

“As projeções da ANP, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, apontam que, mantidos os planos de investimentos no setor pelas operadoras já presentes no país, especialmente a Petrobras, o Brasil ocupará a quinta posição entre os principais produtores mundiais de petróleo até o final da década”, ressalta Ana Paula, da ApexBrasil. “Esse é um setor que representa cerca de 12% do PIB industrial do país, desenvolvendo tecnologias de ponta, gerando empregos e renda de qualidade e garantindo o suprimento de energia para o crescimento da economia.”

Sol e vento prósperos

Brasil tem avançado na diversificação de sua matriz energética. Um dos destaques é a energia eólica, que encerrou 2022 com um parque de  904 usinas e uma capacidade de 25,3 gigawatts (GW), um crescimento de 18,9% em relação a 2021. O país tornou-se o terceiro maior instalador de turbinas eólicas no mundo, abastecendo cerca de 124 milhões de pessoas.

A energia solar também avançou, com uma capacidade de 34 GW, o correspondente a 15,4% da matriz elétrica. Projeções indicam que, até 2050, a energia solar ultrapassará a capacidade instalada da hidreletricidade no país.

Vale mencionar também a biomassa, proveniente sobretudo da produção do etanol de cana e milho. É uma fonte que apresenta grande potencial de expansão no país, graças à diversidade de culturas agrícolas e à abundância de matéria orgânica que pode ser utilizada na geração de bioenergia.

A fronteira do hidrogênio verde

Outra alternativa que vem ganhando espaço na busca por uma matriz energética mais limpa e sustentável é o hidrogênio verde, também conhecido como H2V. Diversos países, especialmente na Europa, têm investido em projetos nessa fonte de energia.

No Brasil, há expectativas de investimentos significativos nessa área, com projeções indicando uma demanda de 2,8 milhões de toneladas anuais de H2V até 2040. No entanto, a indústria do hidrogênio verde enfrenta diversos desafios tecnológicos, de regulamentação e de mercado, que exigem atenção. A seguir, o leitor encontrará matérias que exploram os temas aqui expostos.

Infraestrutura: a base do desenvolvimento

Números comprovam o potencial da infraestrutura, da logística e da mineração sustentável no Brasil

Motivos para convencer empresas e investidores internacionais a injetar recursos no Brasil não faltam.

Trata-se da maior economia da América Latina e da segunda das Américas. E estamos falando de uma das dez maiores economias do mundo, dona da quarta maior malha rodoviária do planeta.

Para se tornar ainda mais competitivo e continuar crescendo, o país está investindo fortemente em suas redes logísticas e de transporte. E o governo brasileiro espera atrair 10 bilhões de dólares em investimentos privados para ajudar a expandi-las.

Para 2023, estão previstos 51 projetos relacionados a aeroportos, rodovias, portos, infraestrutura hídrica, parques e florestas, mobilidade urbana, saneamento e iluminação pública. Tudo para favorecer novas oportunidades de negócios, além de vantagens comerciais para empresas instaladas de norte a sul. Leia mais aqui.

O boom do mercado de saneamento

Ao prever a universalização dos serviços de água e esgoto até 2033, Marco Legal do Saneamento Básico abre portas para empresas privadas que buscam um ambiente mais seguro e próspero para investir

Poucas vezes o setor de saneamento básico movimentou tanto dinheiro no Brasil.

Só no primeiro semestre do ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinou cerca de 3,7 bilhões de reais para investimentos em saneamento, valor 929% maior do que o financiamento registrado durante o ano de 2020, quando foi aprovado o Marco Legal do Saneamento Básico.

Muita coisa mudou de lá para cá. A nova legislação definiu metas para a melhoria da prestação do serviço por parte das companhias estaduais de água e esgoto, e uma série de indicadores que devem ser levados em conta no momento da renovação de contratos. Na prática, o marco legal abriu o mercado à iniciativa privada, proporcionando diversas oportunidades de investimento.

Nos últimos três anos, foram gerados 64 bilhões de reais em investimentos contratados, segundo a Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon-Sindcon). Pelo menos 18 grandes projetos saíram da gaveta desde 2020, como o leilão da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae), do Rio de Janeiro, que movimentou mais de 22 bilhões de reais.

O leilão de saneamento do consórcio formado por 61 municípios de Alagoas e de Maceió, que atendem mais de 1 milhão de pessoas no Nordeste do país, também chamou atenção do mercado. O projeto foi estruturado pelo BNDES, que preparou um pipeline de concessões no setor.

Agora o BNDES volta a se debruçar sobre estudos relativos a novas concessões e parcerias público-privadas (PPPs). Há pelo menos 12 projetos em estruturação, com destaque para o leilão da companhia de saneamento de Sergipe, a Deso, prevista para o primeiro trimestre de 2024, com investimento estimado de 7 bilhões de reais, e da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), que deve acontecer até o final do ano que vem. Leia mais aqui.

O maior hub de inovação da América Latina

Com 203 milhões de habitantes, Brasil atrai milhares de startups e se destaca como maior hub de inovação da América Latina

Junto da reconhecida potência no agronegócio ou em energia renovável, existe um Brasil líder também em inovação na América Latina e Caribe e em contínua ascensão.

Pelo terceiro ano consecutivo, o país subiu posições no Global Innovation Index (GII), o mais amplo e conceituado ranking internacional de avaliação dos países em relação aos seus ecossistemas de inovação.

Na edição de 2023, divulgada recentemente pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO, na sigla em inglês), que realiza o estudo, o Brasil foi o que mais avançou na classificação — subiu cinco degraus —, consolidando-se entre as 50 economias mais inovadoras do mundo.

Segundo Sacha Wunsch-Vincent, coeditor do GII, o desempenho em inovação do país é tão expressivo que tem consistentemente superado o seu próprio nível de desenvolvimento.

“Isso é fruto de esforços sustentados do Brasil para converter recursos de inovação, como a capacidade do setor corporativo de impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento e, em geral, a excelente infraestrutura nacional de P&D, que leva a resultados como manufatura de alta tecnologia, produção de software e capacidade de produzir unicórnios”, argumenta.

Um ecossistema robusto

Os resultados positivos no GII refletem o papel fundamental da tecnologia em avanços relevantes do país nos últimos anos, permeando todos os setores, desde a inclusão de mais pessoas no sistema financeiro até a melhoria do acesso à saúde na pandemia ou o aumento da produtividade e da sustentabilidade no agronegócio.

O Brasil tem hoje um ecossistema substancialmente mais robusto, na visão de Eduardo Fuentes, chefe de pesquisa da plataforma de inovação Distrito.

“Os empreendedores estão cada vez mais capacitados. Contamos com um número crescente de investidores dispostos a apostar no país, as corporações reconhecem a inovação aberta como um caminho viável para melhorar seus negócios e temos um governo com uma agenda positiva em relação a esse assunto”, diz.

Esse amadurecimento explica a liderança absoluta do Brasil em número de startups na América Latina, firmando-se como o grande hub de inovação da região. São mais de 13.000 startups, representando 62,9% do total, bem à frente do segundo colocado, o México, com 11,7%, de acordo com o estudo Panorama Tech América Latina 2023, realizado pela Distrito.

O país é também o campeão latino-americano em número de unicórnios, startups avaliadas em pelo menos 1 bilhão de dólares antes de abrirem capital: são 24 companhias, segundo o levantamento, o que significa que mais da metade dos unicórnios de toda a América Latina, que somam 45, está aqui.

Fintechs se destacam

O mercado financeiro é historicamente o mais forte em inovação no Brasil, abrigando o maior número de startups e concentrando o maior volume de investimentos. Fuentes salienta que, apesar da maturidade do segmento, avanços consideráveis estão acontecendo, especialmente devido a uma agenda pró-inovação altamente positiva do Banco Central nos últimos anos.

“Essa abordagem tem sido fundamental para garantir um maior acesso da população a produtos financeiros, resultando na inclusão de 75 milhões de brasileiros no sistema bancário nos últimos anos. Com uma diversidade maior de opções, a concorrência se intensificou, elevando o padrão geral para todos os produtos e serviços bancários”, afirma.

Terreno fértil para startups estrangeiras

O dinâmico mercado brasileiro — não só produtor de tecnologia mas grande consumidor de inovação — é também um destino atrativo para startups de fora do país

Apoio à entrada de novas soluções

O dinâmico mercado brasileiro — não só produtor de tecnologia mas grande consumidor de inovação — é também um destino atrativo para startups estrangeiras, que buscam ganhar tração. E há espaço para crescer. Com uma população de 203 milhões de habitantes e o maior Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, o mercado nacional é imenso tanto em número de consumidores quanto em capacidade para abraçar novas soluções. “Também estamos bem colocados quanto à penetração da internet, com uma taxa de 81%, o que facilita o desenvolvimento de soluções tech por aqui”, pontua Eduardo Fuentes.

Esses fatores chamam a atenção de startups de fora, muitas provenientes de mercados vizinhos, que veem no Brasil uma oportunidade de expansão. “O fenômeno é observado em todos os setores, desde o financeiro até o imobiliário”, destaca.

É o caso da Rappi, startup colombiana de delivery, cujo ingresso no mercado brasileiro teve peso relevante para que a empresa atingisse o status de unicórnio em 2018. De acordo com Tijana Jankovic, vice-presidente global de negócios da Rappi, a maior base de usuários é exatamente o Brasil, ao lado do México. “Foram esses dois mercados que colocaram a companhia como um grande player de patamar mundial, na América Latina”, comenta.

Primeiro, porque o Brasil garante fatores macroeconômicos que favorecem a expansão e a sustentabilidade de negócios como o da Rappi, como grande representatividade de população urbana, alta digitalização da população e um segmento de usuários com elevado poder aquisitivo.

Depois, nas palavras de Tijana, porque dos nove mercados em que a startup atua, o Brasil tem, de longe, o maior nível de exigência de produto, tecnologia e atendimento ao cliente. “Com isso, a Rappi teve que se desenvolver muito no aspecto tecnológico e operacional para, de fato, atender o usuário brasileiro com a melhor experiência possível. Esse know-how adquirido no Brasil fez com que a Rappi se desenvolvesse e se destacasse em todos os mercados onde opera”, afirma.

Outro exemplo bem-sucedido é o da israelense DockTech. Usando inteligência artificial e dados dinâmicos, a empresa reproduz digitalmente as condições do leito marinho de portos e vias de navegação em tempo real, aumentando a eficiência e a segurança das operações marítimas e portuárias.

A startup entrou no mercado brasileiro com o suporte do ScaleUp in Brazil, programa premiado pela ONU da ApexBrasil e da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) que apoia empresas internacionais inovadoras com a metodologia e as ferramentas necessárias para que comecem a operar no país.

“O programa foi fundamental para que a DockTech fosse exposta aos players brasileiros e entendesse a melhor forma de atuar no nosso mercado. O objetivo foi trazer maturidade à empresa para que tivesse sucesso por aqui”, explica Raquel Kibrit, que foi a country manager da startup nesse processo de ingresso no mercado.

Missão cumprida. Associada à Wilson Sons, maior operadora integrada de logística portuária e marítima do Brasil, a israelense acaba de protagonizar um marco no país: depois de um acordo de cooperação técnica com o Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina, a empresa assinou o primeiro contrato comercial de uma autoridade portuária, a Portos RS, com uma startup.

Por meio dos rebocadores da Wilson Sons e outras embarcações que operam na região, a companhia vai monitorar o leito de mais de 754 quilômetros de vias navegáveis administradas pela Portos RS, em Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, no sul do país.

Esses são alguns exemplos de como o Brasil não só é celeiro de startups como também um porto seguro para aquelas que, por aqui, querem atracar. 

https://exame.com/reportagens-especiais/negocios/10-razoes-para-investir-e-apostar-no-brasil/

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Dez tendências que devem moldar os avanços tecnológicos em 2024, segundo Amy Webb

Avanços de IA, inverno das criptomoedas e dispositivos vestíveis são alguns fatores que serão incontornáveis no próximo ano, segundo ela

Por Rafael Faustino – Época Negócios – 20/12/2023 

Difícil discordar da afirmação de que a inteligência artificial generativa foi a tecnologia que marcou 2023. Ainda que o ChatGPT tenha inaugurado esse mercado junto ao público ainda em 2022, foi durante este ano que ele se popularizou, ganhou concorrentes, e a corrida pelos avanços nesse campo geraram uma série de melhorias – e também de preocupações éticas.

Mas e em 2024, em quais inovações devemos ficar de olho? Em sua carta anual de tendências da tecnologia, Amy Webb, famosa futurista norte-americana e fundadora e CEO do Future Today Institute, não responde exatamente a essa pergunta, já que não tem bola de cristal — e a própria IA ainda não faz previsões tão ambiciosas. Mas Webb traz as ferramentas necessárias para imaginarmos o próximo ano: 10 importantes tendências que indicam caminhos para áreas como IA, criptomoedas, biotecnologia e outras, ajudando a entender o que está em alta e o que pode enfrentar dificuldades. Confira a seguir.

1. IA do conceito ao concreto desencadeia uma onda de inovação

Embora tenha avançado e se tornando popular por meio de chatbots em 2023, a inteligência artificial ainda tem poucas manifestações concretas no nosso dia a dia. Isso deve mudar em 2024, com mais tecnologias que transformam comandos humanos em soluções concretas diversas.

Um exemplo dado por Amy Webb é da Pika, ferramenta de IA que transforma textos em vídeos. A plataforma utiliza modelos como ChatGPT e Midjourney para criar cenas inteiras de vídeos com base no texto inserido pelo usuário, incluindo animações 3D, sequências cinematográficas e até animes relacionados ao que foi pedido.

Webb acredita que mais ferramentas como esta deverão surgir no próximo ano para trazer soluções concretas a partir da IA, na medida em que evolui a interação entre humanos e máquinas.

“Imagine que você tenha uma ideia vaga de como transformar os watts gerados pelos aparelhos em uma academia em eletricidade que possa ser vendida de volta à rede elétrica. Usando um sistema do conceito ao concreto, você começaria com essa ideia e trabalharia com a IA para descobrir quais outros inputs seriam necessários, como gerar essa eletricidade de volta para a rede elétrica e a viabilidade de vender energia com base na sua localização geográfica”, exemplifica.

2. Começa o inverno cripto

O ano de 2023 teve episódios embaraçosos para os criptoativos, como a condenação do CEO da corretora FTX, por fraude, e a multa de R$ 13 bilhões à Binance por lavagem de dinheiro. Ainda que tenha havido destaques positivos também, como a alta do Bitcoin, que levou à criptomoeda ao maior valor desde abril de 2022, Webb prevê um 2024 difícil para esses ativos digitais.

“Especialistas em segurança, banqueiros e legisladores afirmam que as criptomoedas são difíceis de rastrear, não possuem regulamentação uniforme e já causaram mais de uma mania financeira. Para que as criptomoedas sobrevivam a longo prazo, será necessário tanto o apoio institucional quanto uma massa crítica de adotantes. É por isso que continuo a acreditar que a mania dará lugar à desilusão e, em última instância, ao desinteresse”, afirma.

Para ela, mais importante do que as criptomoedas em si, será investir na infraestrutura que as sustenta, incluindo o blockchain.

3. Tornar a sustentabilidade sustentável

Promessas ambiciosas de transição energética foram feitas aos montes. Agora é hora de garantir que elas sejam factíveis, diz Amy Webb. Mais do que reduzir as emissões de carbono, é preciso fazer isso com tecnologias que sejam efetivas e também financeiramente viáveis.

“No próximo ano, muito pode ser feito: transformar a rede elétrica para acomodar fontes de energia não despacháveis; buscar materiais alternativos para baterias, células solares e turbinas eólicas; capturar e armazenar carbono; e tornar transparentes e válidos os mercados de carbono são apenas alguns dos gargalos que precisam urgentemente de inovação”, aponta a CEO do Future Today Institute.

Segundo ela, a IA será aliada nesses processos, ajudando a desenvolver fluxos de trabalho, design para novas soluções, planejamento financeiro e gerenciamento de projetos.

4. Algoritmos são nossa força de trabalho e podem precisar de licenças profissionais

Configurem ou não uma inteligência artificial, algoritmos já fazem muito por nós. E, conforme substituem secretárias e centrais de atendimento, entre outras funções operacionais, não é loucura imaginar que eles precisem de registros profissionais, diz Webb.

Quer dizer: uma IA especializada em aconselhamento financeiro precisaria provar que está gabaritada para dar bons conselhos sobre o assunto – assim como é exigido de humanos; um algoritmo que analise decisões judiciais pode precisar passar num exame de ordem de advocacia para que seja usado por profissionais da área; e daí em diante.

Ela justifica a ideia: “Há algumas semanas, um bot de IA treinado no GPT-4 da OpenAI tentou realizar negociações financeiras ilegais e, em seguida, mentiu sobre suas ações. Podemos enviar um corretor humano para a prisão, mas os algoritmos continuam a funcionar.”

5. Os wearables estão de volta. Eles abrirão caminho para uma nova era de respostas visuais e por voz

Estamos no período de trocar os smartphones por dispositivos vestíveis inteligentes, diz Webb. Ela vê mercados maduros, como EUA e Europa, transicionando de um único dispositivo que faz tudo para um ecossistema de aparelhos inteligentes. De forma parecida com o passado recente, quando carregamos, além do telefone, relógios, câmeras digitais e CD players, porém agora com uma experiência muito mais personalizada e guiada por comandos mais rápidos.

“Imagine olhar para um objeto, como uma xícara de chá, e descobrir se ele é livre de cafeína”, cita. Outros exemplos mais concretos são óculos inteligentes que passam informações visual e auditivamente; ou um broche com IA que é comandado por voz e tem uma câmera e um projetor acoplados, para que você leia mensagens nas próprias mãos, como o criado pela Humane.ai.

6. “Inteligência organoide” moldará tanto a computação quanto a geopolítica

Esta é uma das previsões mais ousadas de Amy Webb: o desenvolvimento de uma “inteligência organoide” que ela considera a próxima fronteira da computação – ou computação a partir de comandos humanos biológicos.

O conceito foi criado por cientistas da Universidade Johns Hopkins, utilizando materiais biológicos, como células cerebrais humanas, para o processamento de informações em computadores. Testes iniciais conseguiram que um biocomputador identificasse a voz de uma pessoa específica a partir de 240 clipes de áudio com oito pessoas pronunciando sons de vogais japonesas. Já na Austrália, pesquisadores ensinaram células cerebrais a jogar Pong.

Tal tecnologia seria ferozmente disputada pelas potências internacionais, se tornando um importante ativo geopolítico, diz Webb.

7. Desafios legais estão surgindo novamente para as grandes empresas de tecnologia

Até hoje, as big techs conseguiram permanecer imunes à responsabilidade legal quando se trata do conteúdo gerado pelos usuários. Mas isso pode mudar, alerta a especialista. A Suprema Corte dos EUA está revisitando decisões passadas e se leis estaduais que visam regular as empresas de tecnologia ferem a Constituição norte-americana. Conforme a IA generativa avança, fica mais difícil para as plataformas afirmar que são apenas espaços onde as pessoas se manifestam como querem.

“Diferentemente do conteúdo gerado tradicionalmente pelos usuários, a IA generativa está produzindo resultados de busca, postagens em redes sociais e outros tipos de conteúdo sem a necessidade de autores ou criadores externos, eliminando o papel intermediário [que as plataformas dizem exercer]”, aponta.

8. Biotecnologia cria acidentalmente um novo sistema genético de castas

Vários avanços em biotecnologia foram comemorados recentemente, como a primeira terapia de edição genética aprovada nos EUA. Medicações como o Ozempic explodiram em vendas e estão sendo usadas em testes diversos para o combate à obesidade. Mas o que parecem ser boas notícias podem representar algo mais sombrio se não forem democratizadas, diz a CEO do Future Today Institute.

“Sem uma visão estratégica, essas inovações de ponta em biotecnologia provavelmente aumentarão as desigualdades existentes na área da saúde. Os altos custos associados a esses novos tratamentos e tecnologias podem torná-los inacessíveis para uma parte significativa da população”, afirma.

Nesse cenário, aqueles que podem pagar por esses tratamentos avançados terão acesso aos cuidados de saúde mais eficazes e modernos, enquanto aqueles que não podem ficariam sem. “Para evitar isso, devemos fazer perguntas sobre a ética e a equidade da distribuição de cuidados de saúde diante do rápido progresso da tecnologia”, aponta ela.

9. Um mundo de novos materiais

Um lançamento pouco comentado deste ano foi feito pela DeepMind: uma ferramenta chamada Redes Gráficas para Exploração de Materiais (Gnome, na sigla em inglês), que usa deep learning para acelerar a descoberta de materiais que poderiam aprimorar células solares, baterias, chips de computador e muito mais.

A tecnologia já sugeriu estruturas para 2,2 milhões de novos materiais, e 700 deles já vêm sendo testados, com variáveis níveis de sucesso. Avanços nessa área poderiam trazer inúmeros benefícios para o mundo físico, diz Amy Webb.

“Já se perguntou por que podemos enviar pessoas ao espaço, mas parece que não conseguimos fazer a bateria de um iPhone durar mais do que um dia? A ciência dos materiais é realmente muito difícil, e é caro e perigoso projetar, testar e construir coisas com materiais inovadores”, explica.

Com o Gnome podendo simular a criação de materiais para oferecer os resultados mais certeiros para testes, boa parte desses custos poderia ser reduzida.

10. Eleições e desinformação não intencional

2024 terá mais de 70 eleições, com 4,2 bilhões de pessoas votando ao redor do mundo, lembra Webb. Isso inclui as eleições presidenciais dos EUA e as municipais brasileiras, por exemplo.

Com esses importantes pleitos, a desinformação e as fake news voltam a ser assunto urgente. Enquanto deepfakes e manipulação intencional já estão na mira das autoridades, outro tipo de desinformação pode não ter esse objetivo, mas também deve gerar preocupação.

Os modelos de IA generativa, por exemplo, emitem informações falsas por falhas no seu treinamento. Com a demanda crescente por informações, empresas de tecnologia estão recorrendo a profissionais autônomos para atividades como rotulagem de dados, e essas pessoas podem simplesmente não ter o contexto necessário para lidar com temas políticos.

https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2023/12/dez-tendencias-que-devem-moldar-os-avancos-tecnologicos-em-2024-segundo-amy-webb.ghtml

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Quem são as chaebol, famílias que controlam há décadas a economia da Coreia do Sul

Samsung, LG e Hyundai são algumas das empresas cujos donos tem sido os mesmos por gerações

Victoria Kim Daisuke Wakabayashi Seul | Folha/The New York Times – 28.dez.2023

Por décadas, a economia da Coreia do Sul tem sido dominada por um punhado de conglomerados familiares que possuem riqueza e influência desproporcionais e estão presentes em quase todos os aspectos da vida no país. 

Devido ao seu peso político, as chaebol, como essas famílias são conhecidas, têm sido há muito tempo um assunto de imenso interesse público. Os casamentos, mortes, desentendimentos e problemas legais dessas famílias são registrados na imprensa sul-coreana. Famílias chaebol fictícias são retratadas em dramas coreanos. 

A família Lee da Samsung, os Koos da LG, os Cheys da SK, os Shins da Lotte e os Chungs da Hyundai são nomes conhecidos que têm mantido firmemente as rédeas das empresas que são alguns dos maiores empregadores do setor privado do país. 

Seu poder tem sido cada vez mais examinado —tanto dentro quanto fora da Coreia do Sul— como uma vulnerabilidade econômica, aprofundando desigualdades e fomentando a corrupção. 

As chaebol controlam as maiores empresas da Coreia do Sul por gerações 

O sistema chaebol é um legado da história da Coreia do Sul. Após um armistício que encerrou a Guerra da Coreia em 1953, os ditadores militares do país nomearam algumas famílias para empréstimos especiais e apoio financeiro para reconstruir a economia. 

As suas empresas expandiram rapidamente e passaram de setor em setor até se transformarem em conglomerados gigantescos. 

Mesmo à medida que as empresas cresciam em tamanho, riqueza e influência, e vendiam ações em bolsas de valores, elas permaneciam sob controle familiar —geralmente administradas por um presidente que também presidia como chefe da família. 

Mudanças de liderança geracionais às vezes perturbaram as famílias chaebol, forçando as empresas a se dividirem ou se desmembrarem em grupos menores. Há mais de duas décadas, durante uma luta familiar, a Hyundai foi dividida entre os seis filhos do fundador. 

O filho mais velho assumiu o controle da Hyundai Motor, agora uma das maiores empresas da Coreia do Sul. Sob Chung Eui-sun, neto do fundador, a família ainda está no comando da montadora multinacional. 

Os conglomerados são parte significativa da economia do país 

O rápido crescimento da Coreia do Sul, da pobreza pós-guerra a uma economia desenvolvida importante em algumas décadas, esteve intimamente ligado ao surgimento das empresas chaebol. Seus primeiros sucessos impulsionaram os salários e os padrões de vida e impulsionaram as exportações do país. 

As vendas totais dos cinco maiores conglomerados têm consistentemente representado mais da metade do PIB da Coreia do Sul nos últimos 15 anos, ultrapassando 70% em 2012, de acordo com o livro “Republic of Chaebol”, do economista Park Sang-in. 

Seus negócios também permeiam a vida sul-coreana —de hospitais a seguros de vida, de complexos de apartamentos a cartões de crédito e varejo, de alimentos a entretenimento e mídia, sem mencionar eletrônicos. 

As chaebol tiveram relacionamentos estreitos com políticos 

O patrocínio de líderes políticos foi crucial para o crescimento das empresas chaebol em conglomerados industriais, especialmente durante o regime de Park Chung-hee, que chegou ao poder por meio de um golpe e governou o país por duas décadas até seu assassinato em 1979. 

Para Park, os chaebol eram uma parte instrumental de sua ambição de enriquecer e industrializar a Coreia do Sul. Para isso, seu governo direcionou fundos para empresas que cooperavam com sua agenda, protegendo-as da concorrência e poupando-as de responsabilidade pública. 

Embora os laços estreitos entre o governo e as empresas tenham diminuído nas últimas décadas, os líderes políticos ainda frequentemente recorrem a eles em busca de apoio ou conselhos. 

Por sua vez, as empresas às vezes foram protegidas por serem consideradas vitais demais para a economia para serem desmembradas ou examinadas —algo que os críticos têm criticado como um problema “too big to jail” [grande demais para prender]. 

Neste verão, os chefes das chaebol viajaram com o presidente sul-coreano, Yoon Suk Yeol, em uma viagem à Europa como parte da candidatura da Coreia do Sul para a Expo Mundial. Eles também o acompanharam em sua visita aos Estados Unidos para se encontrar com o presidente Joe Biden e estiveram entre os convidados de um jantar de Estado na Casa Branca. 

Vários escândalos mancharam a imagem pública das chaebol 

As empresas chaebol se envolveram em casos de corrupção. Um dos maiores escândalos políticos da Coreia do Sul nos últimos anos demonstrou os laços estreitos entre os líderes políticos e os conglomerados familiares. 

Park Geun-hye, ex-presidente do país, foi destituída do cargo em 2017 e posteriormente condenada a prisão após ser considerada culpada de suborno, abuso de poder e outras acusações criminais. 

Park e uma amiga de longa data foram acusadas de receber ou exigir subornos de três conglomerados chaebol: Samsung, SK e Lotte. Park foi perdoada em 2021 após cumprir quase cinco anos de uma sentença de 20 anos de prisão. 

Lee Jae-yong, presidente da Samsung Electronics, o maior chaebol do país, também foi condenado a 2 anos e meio de prisão por seu papel. Ele foi liberado condicionalmente e posteriormente perdoado por Yoon em 2022, uma medida que permitiu que ele voltasse a comandar a empresa. 

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/12/quem-sao-as-chaebol-familias-que-controlam-ha-decadas-a-economia-da-coreia-do-sul.shtml

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Inteligência artificial altera setor de TI, que não é mais imune ao desemprego

Onda de reestruturação em empresas, incluindo as startups, deixa profissionais de tecnologia sem lugar no mercado

Por Luana Reis* – O Globo – 24/12/2023 

Quem nunca ouviu que na Tecnologia da Informação (TI) ninguém fica desempregado? Com a introdução de inovações em inteligência artificial (IA) e a multiplicação de startups, seria esperada uma explosão de vagas no setor, mas não é necessariamente a realidade. Têm sido frequentes no LinkedIn relatos de profissionais de TI se queixando de demissões e da dificuldade de encontrar boas propostas de recolocação.

Segundo recrutadores e consultores de Recursos Humanos (RH), TI continua um dos setores que mais empregam, mas os profissionais mais voltados para suporte, atendimento e outras demandas que a IA pode resolver começam a perder espaço para os mais especializados nessa nova tecnologia.

Além disso, 2023 foi de juros ainda altos e termina com desaceleração econômica. Isso desestimulou investimentos e contratações nas empresas, incluindo as startups, enquanto mais gente era atraída para a TI.

Contingente maior

Dados da plataforma de recrutamento e seleção Gupy mostram que, entre 2020 e 2023, houve alta de mais de 800% no número de inscritos para vagas de desenvolvedor, por exemplo, mas o de contratações permaneceu estável.

Karenyn Menezes, de 33 anos, que está desempregada desde agosto, já acumula 60 candidaturas em uma plataforma de vagas e sequer foi chamada para uma entrevista. Formada em Ciências Contábeis, atua há 4 anos na área de TI, com análise de dados, mas se surpreendeu com a dificuldade de achar trabalho agora:

— Achava que nunca ficaria sem oportunidade. No começo da carreira, via muita vaga de TI em todo o canto do país. Tenho procurado no LinkedIn e nas plataformas de vagas, mas o retorno é muito difícil, fora que os processos seletivos são muito cansativos. Fiz oito testes de uma hora para uma vaga e nem tive retorno.

Formado em Ciências da Computação, Magno Lessa, de 36 anos, foi demitido no começo do ano. Levou dois meses para encontrar nova vaga.

— Até meados de 2022, eu sempre recebia ofertas no LinkedIn. Neste ano, comecei a aplicar para muitas vagas e não fui chamado para entrevistas. Muitas vezes, a descrição da vaga batia com minha experiência. No final, só consegui uma oportunidade porque uma pessoa que já trabalhou comigo fez uma indicação — relata. — Muitos amigos meus estão fora do mercado. Muitas empresas demitiram, o que acabou inflando a quantidade de pessoas em busca de emprego. Vi vagas com 50 a 100 candidaturas menos de uma hora depois de postadas.

Salários estagnados

Segundo levantamento da consultoria Bain & Company, houve estagnação nos salários da área de dados após alta de 40% entre 2019 e 2021. Em 2022, a variação média da remuneração foi de 4%, abaixo da inflação de 5,8%. A pesquisa apontou que 74% dos trabalhadores de TI estão satisfeitos com seus empregos atuais, embora 65% estejam abertos a mudar. Principalmente por falta de oportunidades de crescimento (44%) e remuneração incompatível (39,2%).

Um mapeamento da consultoria de RH Michael Page concluiu que 7 em cada 10 cargos da área de TI tiveram aumento acima da inflação em 2023, mas 16% não tiveram reajuste e 8% tiveram redução salarial.

— Os cargos em tecnologia que tiveram queda de salário são mais da área de suporte. Provavelmente essa queda tem muito a ver com a IA. São cargos de suporte, atendimento e de uma série de coisas que a IA “resolve”. Por isso o profissional tem a sensação de estar perdendo espaço e valor para a IA — explica Luciana Carvalho, CEO da HRtech Chiefs.

Mão dupla

Por outro lado, ela aponta que é alta a demanda agora por especialidades mais avançadas, como machine learning (aprendizado de máquina), segurança da informação e desenvolvimento de tecnologias.

— Pode ser que haja vários profissionais disponíveis, mas não necessariamente têm o que o mercado está buscando — diz. — Ainda há escassez grande de profissionais de tecnologia qualificados no país.

A executiva também aponta uma mudança no cenário econômico, que interrompeu a fase de expansão do setor liderada pelas startups desde 2019, o que afeta as contratações.

— No atual cenário, diminuiu o apetite ao risco, o que fez os investidores cobrarem resultados mais concretos. Isso desacelerou os investimentos aqui e no mundo, e vimos muitas demissões no começo do ano — diz Luciana, que prevê melhora em 2024.

*Estagiária sob supervisão de Danielle Nogueira

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/12/24/inteligencia-artificial-altera-setor-de-ti-que-nao-e-mais-imune-ao-desemprego.ghtml

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Amazon – o SUS americano

Em coluna, Omarson Costa fala sobre a movimentações da empresa de Jeff Bezos dentro do setor da saúde

Omarson Costa* – Exame – 18 de dezembro de 2023 

Quem respira inovação segue a máxima: “a única constante é a mudança”, de Heráclito de Éfeso.

Há dez anos, ninguém imaginaria que varejistas entrariam no mercado de Saúde. Porém, em 2015, Jeff Bezos decidiu que a Amazon iniciaria sua investida na área.

Um mês atrás, a empresa anunciou que oferecerá aos assinantes do Amazon Prime dos EUA o plano de saúde One Medical, por US$ 9 por mês ou US$ 99 por ano. (O custo padrão é US$ 199 anuais.)

A One Medical foi comprada no início deste ano para a Amazon reunir nela a prestação de cuidado primário presencial nas clínicas; viabilizar atendimento de telemedicina; ter farmácias físicas; e fazer entregas médicas por drones.

Analistas do Morgan Stanley estimam que o mercado de saúde endereçável da Amazon seja de US$ 119 bilhões. Em 2023, a empresa deve aumentar sua receita em 10,32% e ultrapassar US$ 550 bilhões em vendas. Isso sem contabilizar o novo serviço médico.

Não é coincidência que o CEO Andy Jassy tenha dito que a Saúde é uma das novas áreas de negócios que podem ser um pilar da empresa.

Sem ver os números da Amazon e da Saúde americana, é difícil dimensionar o impacto que, a meu ver, será enorme. Então, vamos a eles!

O horizonte da Saúde

O mercado global de Saúde foi avaliado em US$ 166,22 trilhões em 2022 e deverá atingir US$ 277,21 trilhões em 2027, de acordo com a Global Data.

Nos EUA, o setor é enorme – gastos na área representavam 18,3% do PIB em 2021, quando atingiram US$ 4,3 trilhões, ou US$ 12.914 dólares por pessoa e mais do que a maioria dos países ricos.

A sensação de que a conta vai estourar permeia toda a sociedade. Uma pesquisa da Statista elenca os problemas mais sérios enfrentados pelos americanos na área – os custos preocupam 30% das pessoas, acima do câncer (13%) e da tão falada e trágica crise dos opioides (16%), retratada no filme “O Retorno de Ben” e nas minisséries “Império da Dor” e “Dopesick”.

No e-commerce, a Amazon já é líder, detém 37,8% market share nos EUA. Ano passado, ela superou a UPS em entrega de pacotes para residências, depois de eclipsar a FedEx, em 2020. E após tentativas frustradas nos últimos anos, ela quer ganhar a Saúde! O retrospecto não é muito auspicioso.

Em 2018, ela abriu a Haven – joint venture com Berkshire Hathaway e JP Morgan, cujo objetivo era reduzir o custo de planos de saúde corporativos – e a encerrou no inicio de 2021.

Ainda em 2018, adquiriu a farmácia digital PillPack (rebatizada de PillPack by Amazon Pharmacy), que produzia e entregava embalagens para criar pacotes de uso de medicamentos, de acordo com hora e dia a serem tomados. Em abril deste ano, foi anunciado que vários produtos seriam descontinuados.

Praticamente no mesmo período, ocorreu a ascensão e derrocada da Amazon Care, que começou em 2019 como um teste de serviços de atendimento virtual de urgência e cuidados primários presenciais para funcionários da empresa, na região de Seattle. Ela expandiu rapidamente, porém, em final de 2022, a empresa decidiu não prosseguir com este negócio.

Agora, com a One Medical, a Amazon frustra quem esperava algo mirabolante. Contudo, justiça seja feita, a verve da empresa sempre foi possibilitar acesso a um serviço melhor e mais barato. Ela nunca foi uma deep tech.

Problema grande, sonho grande

A modelagem do negócio One Medical tem algumas vantagens. Parte de uma penetração de 67,1% do Prime entre os usuários de internet nos EUA e de uma bela base de clientes potenciais – há 167 milhões de assinantes do programa de benefícios da Amazon. Qual líder de Growth Marketing não vibraria com isso?

Não é pouca coisa, ainda mais quando se pensa que o brasileiro SUS – Sistema Único de Saúde é o único do mundo que atende mais de 190 milhões de pessoas e não é uma iniciativa privada.

Nos EUA, a assinatura do Prime custa US$ 14,99 por mês, se juntarmos a isso o valor da One Medical, gasta-se US$ 23,99 (cerca de R$ 120) ao mês para ter acesso a serviços de saúde e entregas gratuitas nas compras pelo e-commerce da Amazon. Para os ouvidos do consumidor estrangulado pelo orçamento é música.

Para termos de comparação, nas startups brasileiras Alice, o plano Conforto sai por R$ 533,01 para um adulto entre 24 e 28 anos de idade; na QSaúde, o plano Qmais II fica R$ 552,36 na mesma faixa etária. Já na Starbem, o plano individual mensal para 1 consulta/mês fica em R$ 39,97.

Hoje, além da Amazon, opera nesse setor o Walmart – com Walmart Health, com 25 centros de saúde; Walmart Insurance Services, que comercializa seguros de saúde; e Walmart Virtual Health Care, de telemedicina.

A diferença para a Amazon é que o programa Walmart+ deve encerrar 2023 com cerca de 29 milhões de assinantes, ou share de 12,5% dos domicílios com acesso a internet.

Entretanto, o desafio para ambas as empresas é o mesmo: convencer quem pensa nelas para fazer compras a recorrer a elas como uma opção de saúde.

*Omarson Costa é Diretor da TNB e conselheiro de administração para empresas dos setores de telecomunicações.

https://exame.com/bussola/amazon-o-sus-americano/

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The Economist: A corrida da China para se tornar uma superpotência robótica

À medida que sua população diminui, país espera que as máquinas consigam assumir o trabalho

Por The Economist/Estadão – 24/12/2023 

A primeira tentativa chinesa de construir um robô humanoide não acertou o alvo. A máquina produzida no ano 2000 por uma equipe da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa parecia uma torradeira ambulante. Tinha olhos arregalados e protuberâncias com formato de canhão perto da virilha. Chamado Xianxingzhe, ou “Precursor”, o robô foi ridicularizado no vizinho Japão, que na época ostentava modelos muito mais elegantes. Os internautas japoneses o descreveram como a arma secreta da China, projetado para matar os inimigos – de tanto rir.

Mas a China persistiu. Em novembro, o governo publicou um plano prevendo a produção em massa de robôs humanoides até 2025. O amor do país pelos robôs vai além daqueles que conseguem andar e falar. No ano passado, metade de todos os robôs industriais do mundo estavam instalados em solo chinês, de acordo com a Federação Internacional de Robótica, um órgão do setor. A China é agora o quinto país mais automatizado do mundo em termos de robôs por trabalhador. Motivada pelo orgulho e pelos desafios demográficos prementes, a China encarou a missão de se tornar uma superpotência robótica.

Muitos dos robôs recentemente instalados no país são braços mecânicos que podem ser programados para soldar, perfurar ou montar componentes nas linhas de produção. Mas, no ano passado, a China também produziu mais de 6 milhões de “robôs de serviço”, que ajudam os humanos em tarefas que vão além da automação industrial. Essas máquinas circulam pelos depósitos, movendo caixas. Outras limpam hotéis. Em um restaurante na cidade de Guangzhou, no sul do país, são os robôs que preparam e servem as refeições.

Pode até parecer mero truque, mas, para o Partido Comunista, liderado por Xi Jinping, os robôs são um negócio sério. As autoridades acreditam que, se a China ficou para trás e foi humilhada pelas potências ocidentais no século 19, foi pelo menos em parte porque não adotou as revoluções tecnológicas que aconteciam em outros lugares. Agora, o país quer liderar essa corrida. Se no passado as autoridades usavam a produção de aço como indicador do progresso econômico, hoje olham para o número de robôs instalados, diz Dan Wang, do Hang Seng Bank.

O impressionante crescimento econômico da China nas últimas décadas foi resultado de três fatores principais: crescente força de trabalho urbana, grande aumento no estoque de capital e explosão da produtividade. Hoje, porém, há menos necessidade de infraestruturas novas. E a população em idade ativa, entre 15 e 64 anos, está encolhendo. Prevê-se que diminua mais de 20% até 2050. No início deste ano, o governo divulgou uma lista de 100 profissões para as quais há escassez de mão de obra. Os cargos industriais somaram 41 delas. Antigamente, um excesso de trabalhadores jovens e baratos realizava esses trabalhos; agora os salários estão mais elevados e os trabalhadores, menos abundantes.

Como resultado, Xi priorizou o aumento da produtividade. O governo vê os robôs desempenhando um papel importante nesse esforço. Por anos, pressionou a indústria a deixar de ser intensiva em mão de obra para se tornar intensiva em robôs. As províncias gastaram bilhões de dólares ajudando fabricantes a se atualizarem. A experiência da China durante a pandemia reforçou essa mentalidade. Os lockdowns intermináveis fizeram com que as fábricas fechassem e as empresas ocidentais repensassem suas cadeias de abastecimento. Quando todos os controles foram suspensos, em 2022, uma onda de covid-19 voltou a atrapalhar as empresas, pois os trabalhadores ainda adoeciam. Com os robôs, a saúde não é mais preocupação.

Muitos dos desafios enfrentados pelas fábricas também se aplicam à agricultura. O agricultor chinês médio está na casa dos 50 anos de idade. Poucos jovens querem ocupar seu lugar no campo. Os países que enfrentam situações semelhantes muitas vezes importam alimentos ou mão de obra barata. Mas a China é paranoica em relação à segurança alimentar e não está interessada em imigração. Os robôs podem ser a resposta. Alguns aspectos da agricultura, como a ordenha das vacas, podem ser automatizados com bastante facilidade. Outros são mais complicados, mas parecem possíveis em pequena escala. A cidade de Chengdu, no sudoeste do país, desenvolveu uma horta sem mão de obra humana que, em tese, poderia produzir dez colheitas por ano.

Com o tempo, os robôs poderão substituir os trabalhadores idosos. E também podem desempenhar um papel importante no cuidado dessas pessoas. A China tem pouquíssimos profissionais cuidando dos 8,1 milhões de moradores de lares de idosos. Um plano da Comissão Nacional de Saúde publicado em 2021 apelava ao desenvolvimento de cuidados inteligentes para os idosos. Algumas das ideias são aspiracionais, como fornecer exoesqueletos eletrônicos a pessoas frágeis, para ajudá-las em seus movimentos. Mas robôs mais simples poderiam ser usados para ajudar os idosos a tomar banho ou a se levantar.

Os gigantes tecnológicos da China estão encarando o desafio. Em 2022, a iFlytek, uma grande empresa de inteligência artificial, disse que queria enviar robôs às casas dos idosos para oferecer companheirismo e gestão de saúde. Idosos de uma casa de repouso em Xangai ficaram felizes com um robô que andava pelos quartos cantando canções revolucionárias da juventude dos moradores, segundo a mídia local.

Mas o governo ficaria ainda mais feliz se a indústria robótica chinesa se tornasse mais autossuficiente. As empresas locais ainda dependem de companhias estrangeiras para obter peças e know-how. A China teme ser excluída dos mercados ocidentais – e por boas razões. Os Estados Unidos impediram que as empresas chinesas comprassem semicondutores avançados e o equipamento utilizado para fabricá-los (os robôs precisam de chips, mas geralmente não do tipo mais avançado). Então, o governo vem tentando estimular a pesquisa em robótica. Em agosto, a cidade de Pequim anunciou um fundo de 10 bilhões de yuans (US$1,4 bilhão) para o desenvolvimento de robôs.

Os esforços estão surtindo efeito. No ano passado, 36% dos robôs industriais instalados na China tinham sido fabricados em solo nacional, ante 25% em 2013. A Shenzhen Inovance Technology, uma grande empresa chinesa, constrói robôs que são usados para fabricar luzes de LED e aparelhos celulares. Ela planeja adquirir todos os componentes necessários de empresas chinesas dentro de cinco anos, diz Zhu Xingming, seu presidente.

Mas, para a maioria das empresas chinesas de robótica, a autossuficiência ainda está um pouco mais distante. Esta é parte da razão pela qual o governo está incentivando o desenvolvimento de robôs humanoides. Estes talvez não venham a ser muito práticos ou acessíveis no curto prazo. Mas as autoridades esperam que o processo de fabricação crie uma cadeia de abastecimento doméstica.

Uma coisa com a qual o governo não precisa se preocupar é com muitas resistências contra seus planos. Pesquisas sugerem que a maioria dos chineses acredita que os robôs vão criar mais empregos do que destruir. Ao que parece, a China é uma terra de tecno-otimistas. É claro que ajuda o fato de os sindicatos independentes serem proibidos no país. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-a-corrida-da-china-para-se-tornar-uma-superpotencia-robotica/

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Média empresa precisa de governança corporativa?

Por Evandro Milet – Portal ES360 – 24/12/2023

Grandes empresas estão mais habituadas a organizar sua governança com um Conselho de Administração que faz o meio de campo entre a propriedade e a gestão, com algumas funções que alguns resumem na inesquecível sigla METER(Monitoramento, Estratégia, Talentos, Estrutura de capital e Riscos). A participação de conselheiros independentes é fundamental para trazer uma visão de fora, sem ligação imediata com o negócio ou envolvimento com proprietários.

As pequenas empresas têm mais dificuldade de se organizar dessa maneira por terem estruturas menores e menor disponibilidade para arcar com os custos normais da governança.

As empresas médias, porém, já deveriam seguir esse caminho, e muitas já o fazem, não com estruturas pesadas com responsabilidade formal na administração, mas com Conselhos Consultivos, com pessoas experientes que saibam fazer as perguntas que possam evitar caminhos errados e apontar oportunidades. A experiência traz a intuição para sugerir caminhos, prevenir obstáculos e a maneira de aproveitar comercialmente a rede de relacionamentos construída ao longo da vida.

Na sigla sugerida acima, o monitoramento dos números é fundamental. A vontade de fazer coisas pode levar ao exagero de acreditar demais em certos caminhos. Números, indicadores, são implacáveis para trazer a realidade. CAC, LTV, NPS e o que mais medir só ajudam.

Estratégia envolve estar antenado com o ambiente. Ter bem claro e difundido à exaustão na empresa – e principalmente praticado -, propósito, cultura, visão, missão, valores. Saber bem seus pontos fortes e fracos, suas ameaças e oportunidades. O Conselho tem que participar e perceber se a estratégia está sendo seguida. Entrar em novo ramo de negócios, exportar, fazer parcerias, vender produtos ou alugar serviços, buscar receita recorrente, entrar em novos mercados, ser o primeiro ou seguir o líder, crescer ou manter o tamanho, manter o foco, inovar, tudo depende de estratégia.

Talentos não podem ficar fora do alcance do Conselho. Fundamental é um ambiente onde todos querem trabalhar na empresa e ninguém quer sair. E dão resultados, é claro. Mas a manutenção de um clima propício deve ser monitorável também.

A estrutura de capital, o balanço entre recursos próprios e de terceiros é tarefa inalienável para um Conselho de Administração formal, mas também tarefa desejável para as considerações de um Conselho Consultivo. Descontrole de empréstimos ou alienação inadequada de parte da empresa podem trazer grandes problemas.

Riscos são de toda ordem: financeiros, trabalhistas, tecnológicos, políticos, comerciais, ambientais ou de reputação. Um descuido quebra a empresa, em uma época onde as coisas se espalham rapidamente, a inovação é exigência, ESG é mandatório, a concorrência é cruel e a transformação digital muda tudo.

Um Conselho diligente, atuante, envolvido com o negócio colabora muito com a ideia de perpetuar a empresa, gerando valor para todas as partes interessadas.

E um Feliz Natal para todos os leitores.

https://es360.com.br/coluna-inovacao/post/media-empresa-precisa-de-governanca-corporativa/

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Entenda como funcionam os cabos submarinos que conectam o Brasil na internet

Construção de usina no mar de Fortaleza contraria recomendações da Anatel e impõe riscos ao funcionamento da rede no país

Por Pedro Guimarães — O Globo – 22/12/2023 

A construção de uma usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE), levantou preocupações pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), operadoras e especialistas quanto ao funcionamento da internet no país. E apesar da subida do tom pelo órgão e pelas empresas, a Superintendência do Patrimônio da União (SPU-CE) aprovou a obra. Mas afinal, qual a importância dos cabos para as conexões no país?

Ao contrário do que muita gente imagina, muito pouco da informação que circula na internet é transmitida por satélites que orbitam a Terra. Na verdade, os vídeos de WhatsApp, notícias de portais, filmes e séries do streaming e arquivos na nuvem chegam até nós através dos cabos submarinos. No caso dos celulares, os dados primeiro chegam às centrais dos cabos e só depois vão para as antenas de 5G ou 4G.

Brasil se conecta com o mundo através de cabos submarinos — Foto: Reprodução/Infrapedia Brasil se conecta com o mundo através de cabos submarinos — Foto: Reprodução/Infrapedia

Os cabos são mais rápidos, podem transportar cargas mais altas de dados e são mais econômicos do que as redes de satélite, como explica o diretor de Arquitetura de Rede e Engenharia Óptica do Google, Vijay Vusirikala. Na prática, essa “rodovia” de dados consegue alocar 17,5 milhões de pessoas transmitindo vídeos de alta qualidade ao mesmo tempo, algo que seria impraticável com os satélites.

No mundo, existem cerca de 400 cabos cruzando os oceanos e interligando os continentes. No Brasil, eles se concentram em três hubs (centrais), com destaque para o polo da Praia do Futuro, que recebe 17 deles devido sua proximidade relativa com a Europa, África e o restante do continente americano.

A estrutura do fundo do mar em Fortaleza faz com que a central do Ceará se interligue com os outros hubs do país: Salvador, Rio de Janeiro e Santos.

Hub de Fortaleza é o principal do país e recebe 17 cabos submarinos — Foto: Reprodução/Infrapedia Hub de Fortaleza é o principal do país e recebe 17 cabos submarinos — Foto: Reprodução/Infrapedia

O Google, que investe em 19 dos 400 cabos que cruzam o planeta, afirma que os problemas mais comuns para os cabos submarinos são causados por ações humanas como a pesca; o arrasto, que acontece quando uma rede de pesca é puxada dentro da água por um barco; e arrastos de âncoras, quando um navio se move ainda que tenha sido ancorado. Ataque de tubarão, inclusive, só aconteceu uma vez, há mais de 15 anos.

O vídeo abaixo mostra o cabo “Curie”, do Google, sendo instalado:

Por isso, há preocupação por parte da Anatel com a construção da usina em Fortaleza. O local concentra mais de 90% do tráfego de internet do país, principalmente pelo fato dos servidores das principais empresas de aplicativos e serviços estarem fora do Brasil.

“Com a construção dessa usina, há o risco de haver rompimento dos cabos com a vibração da água caso os dutos da usina não estejam a uma distância segura desses cabos. Além disso, o aumento da demanda por internet no país deve resultar no aumento considerável de cabos submarinos instalados nos próximos anos”, diz a Anatel.

Visão interna dos cabos submarinos: À esquerda, um pedaço do cabo submarino 'Curie', do Google, mostrando a proteção adicional de aço. À direita, uma visão transversal de um cabo submarino típico de águas profundas mostrando as fibras ópticas, o revestimento de cobre e os fios de aço para proteção. — Foto: Reprodução/Google Cloud Visão interna dos cabos submarinos: À esquerda, um pedaço do cabo submarino ‘Curie’, do Google, mostrando a proteção adicional de aço. À direita, uma visão transversal de um cabo submarino típico de águas profundas mostrando as fibras ópticas, o revestimento de cobre e os fios de aço para proteção. — Foto: Reprodução/Google Cloud

O projeto do Governo do Ceará, que já foi aprovado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente, quer aproveitar a água do mar para o consumo humano. A Cagece, Companhia de Água e Esgoto do estado, diz que o projeto já teve modificações e não apresenta nenhum perigo — a distância entre os cabos e a infraestrutura da usina foi ampliada de 40 para 500 metros.

Com a aprovação da União, agora resta a emissão da Licença de Instalação da planta por parte da Semace, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente. Pela previsão, a construção deve iniciar até março do próximo ano.

Enquanto isso, a Anatel alerta para a necessidade de uma política de Segurança Nacional para a infraestrutura de cabos submarinos. O órgão listou uma série de ações estratégicas que o Brasil deve implementar para para “fortalecer a segurança de sua infraestrutura de cabos submarinos”, como:

  1. Vigilância e Patrulha Marítima: reforçar a vigilância marítima para detectar e prevenir potenciais ameaças aos cabos submarinos;
  2. Cooperação Internacional: promover a colaboração com outras nações e operadoras de cabo para compartilhar informações e recursos na proteção de cabos submarinos;
  3. Parcerias Público-Privadas: envolver-se com empresas privadas que operam cabos submarinos para promover práticas de segurança e investir em tecnologias avançadas de monitoramento, aprimorando a qualidade das informações sobre capacidade e quantidade de dados trafegados nos cabos submarinos no Brasil;
  4. Auditorias de segurança e monitoramento contínuo: realizar auditorias regulares para avaliar a eficácia das medidas de segurança e identificar áreas que precisam de maior atenção, além de estabelecer sistemas de monitoramento contínuo para identificar e responder rapidamente a ameaças potenciais;
  5. Medidas de segurança cibernética: implementar medidas robustas de segurança cibernética para proteger contra ataques cibernéticos que comprometam a integridade dos cabos;
  6. Criptografia de dados: garantir criptografia robusta para proteger os dados transmitidos por cabos, propiciando uma comunicação segura;
  7. Firewalls e proteção contra malware: utilizar firewalls e software para proteger os sistemas contra ameaças cibernéticas;
  8. Estudos de resiliência: fundamental para garantir a segurança e a estabilidade da infraestrutura crítica de comunicações no Brasil, salvaguardando a integridade dos serviços essenciais e contribuindo para o desenvolvimento sustentável do país;
  9. Diversificação e redundância de rotas: investir em rotas alternativas e em redundâncias para minimizar o impacto das interrupções de cabos;
  10. Isolamento de rede: segmentar as redes para limitar o acesso, evitando que o comprometimento de uma parte afete todo o sistema;
  11. Resposta rápida a incidentes: desenvolver protocolos de resposta rápida a incidentes para prontamente mitigar danos ou interrupções;
  12. Educação e conscientização: promover a conscientização sobre a importância estratégica dos cabos submarinos tanto para o público em geral como para o corpo técnico envolvido em sua operação;
  13. Revisão da Legislação: atualizar e fortalecer regularmente a legislação relacionada à proteção de cabos submarinos, impondo penalidades rigorosas para atividades ilícitas, sem prejuízos de outras medidas não sancionatórias de cunho responsivo; e
  14. Indústria nacional: avaliar a viabilidade em se estimular a entrada do Brasil no mercado de cabos submarinos de longa distância.

https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2023/12/22/entenda-como-funcionam-os-cabos-submarinos-que-conectam-o-brasil-na-internet.ghtml

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Escolas sem celulares

Vivemos uma ‘epidemia de distrações’ que comprovadamente prejudica a aprendizagem e a convivência social dos alunos

Por Renan Ferreirinha* – O Globo – 21/12/2023 O 

Brasil é um dos três países que mais usam redes sociais. Fomos denominados “o país do WhatsApp” pelo próprio presidente da empresa do aplicativo de mensagens. Somos também líderes mundiais no uso do celular por crianças e adolescentes, segundo estudo da McAfee. Noventa e seis por cento das crianças brasileiras usam ou já usaram smartphones, 19 pontos percentuais acima da média global. O uso excessivo e sem limites desses aparelhos exige que a sociedade brasileira discuta as seguintes questões: devemos deixar nossas crianças e adolescentes usar celulares nas escolas sem restrição? Ou devemos estabelecer regras e limites?

Vivemos hoje uma “epidemia de distrações”, que comprovadamente prejudica a aprendizagem e a convivência social dos alunos. Estudo em 14 países, destacado no Relatório Global da Educação da Unesco, concluiu que a mera presença de um celular já atrapalha o aprendizado. Evidências alarmantes apontam ansiedade, instabilidade emocional e até diagnósticos de depressão entre crianças. Segundo a OCDE, 80% dos estudantes no Brasil confessaram que ficaram distraídos nas aulas de matemática devido ao celular.

Por isso precisamos adotar medidas concretas para enfrentar esse problema que pode prejudicar o desenvolvimento e a saúde mental de toda uma geração. Interromper essa tendência é essencial para ajudar os alunos a evitar danos permanentes em sua vida. Na cidade do Rio, em agosto, um decreto do prefeito Eduardo Paes determinou a proibição do uso de celulares nas salas de aula da rede municipal — exceto se autorizado pelo professor por razão pedagógica ou em casos de saúde.

Em nova etapa recente, abrimos consulta pública que visa à proibição completa do uso de celulares, pelos alunos, durante todo o horário escolar, incluindo recreio e intervalos. Sem celular, sobra tempo para aprender e conviver, algo que se tem perdido com o isolamento dos estudantes em suas próprias telas.

Uma boa educação dos filhos em casa sempre passa pela família, estabelecendo regras. Na escola, não deve ser diferente. Logo, não se trata de ser contra a tecnologia. Trata-se de usá-la de maneira responsável e saudável. É possível fazer isso. Tanto que no Rio inauguramos 80 escolas onde a tecnologia é um dos pilares da educação — são os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), modelo de ensino mais inovador do país. No ano que vem, chegaremos a 200 GETs na cidade. Precisamos ter a tecnologia como aliada no desenvolvimento dessa nova geração, e não como vilã. Por isso é crucial educar, conscientizar e apoiar as crianças para o novo tempo em que vivemos.

Pelo bem dos nossos pequenos, toda a sociedade brasileira precisa estar unida para preservar o caráter sagrado da escola: lugar de aprendizagem e de convívio social entre os alunos. O tema é urgente. Se não agirmos rápido, a escola perderá seu aspecto central: a interação humana.

*Renan Ferreirinha é secretário municipal de Educação do Rio

https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2023/12/escolas-sem-celulares.ghtml

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Inteligência artificial pode promover avanços de peso em 2024

Entre as possibilidades estão a decodificação de línguas extintas e a engenharia de proteínas

Álvaro Machado Dias – Folha – 20.dez.2023 

Neurocientista, professor livre-docente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e sócio do Instituto Locomotiva e da WeMind

Outro dia eu estava conversando com um amigo muito inteligente e querido que me lembrou da frase ora atribuída ao físico Niels Bohr, ora ao jogador de beisebol Yogi Berra: “É difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro”. Rimos. Grande verdade.

O que vem se mostrando cada vez mais viável é a possibilidade de usar indicadores como investimentos, capital intelectual alocado, impacto econômico e viabilidade científica da inovação para modelar cenários e assim reduzir um pouco a incerteza.

Em paralelo, estou convencido de que é fundamental incorporar o “espírito do tempo” nessas análises. A mentalidade de uma época torna certas coisas mais propícias do que outras, a despeito do que indicam os cálculos utilitários baseados em indicadores frios.

Aplicando esse raciocínio, cheguei às quatro tendências abaixo, pelo critério de máxima abrangência nos mais amplos domínios do conhecimento.

Engenharia de proteínas com IA gerando novas estratégias terapêuticas

Aminoácidos ligados de maneira especial apresentam propriedades que não podem ser encontradas em seus componentes e, por isso, recebem um nome específico: proteína. A compreensão das ligações que geram estas propriedades é essencial para o desenvolvimento das mais variadas terapias celulares, eliminação de substâncias tóxicas e muito mais.

Em 2022, o problema da modelagem de proteínas passou a ser considerado “resolvido”, com o registro da estrutura tridimensional de todas as conhecidas. O principal responsável foi o AlphaFold, da DeepMind, que vem sendo usado para desvendar centenas de desafios biológicos, da resistência a antibióticos ao surgimento da doença de Parkinson.

Acontece que o objetivo mais amplo não é entender, mas sim prevenir e curar. Esta é a tendência que deve ganhar força em 2024, pelo desdobramento do processo acima na criação em escala de proteínas com funções terapêuticas. Tratamentos clínicos moleculares devem proliferar.

Desenvolvimento de materiais novos usando IA

No finalzinho deste ano, a engenharia de materiais foi chacoalhada pela descoberta de 2,2 milhões de novos materiais, dos quais pelo menos 381 mil têm potencial aplicado.

O feito veio novamente da DeepMind, que desenvolveu a IA GNoME, cuja produção imediata os autores argumentam valer por 800 anos de trabalho humano. Neste momento, há uma intensa movimentação de empresas e governos para converter estes achados em protótipos e mesmo produtos no ano que vem, principalmente em duas áreas: semicondutores e baterias.

A ideia é extrapolar os princípios que levaram à descoberta dos materiais para a simulação de suas propriedades em cenários realistas e também determinar seus encaixes ideais em placas de silício e outras plataformas com IA. A guerra dos chips certamente vai ferver.

Se você é bom(a) observador(a), deve ter notado que existe uma relação profunda entre esta tendência e a anterior. Este é o tal efeito do espírito do tempo. Nós estamos passando da fase da descoberta de coisas que existem, mas que nos dão muito trabalho identificar manualmente, para o de sua translação à prática usando deep learning.

Decodificação de línguas extintas e sistemas de comunicação em outras espécies

Compreender o que as baleias estão dizendo, assim como corvos, elefantes e outros, é o objetivo de iniciativas que usam algoritmos generativos modificados para refinar e dar escala a pesquisas em comportamento animal. Finalmente, as senhoras dos Jardins poderão receber mensagens do seu cachorro no celular.

Dezenas de milhares de horas de empenho estão sendo condensadas pela IA, que deve nos levar aos primeiros resultados em 2024. Parece bastante esforço humano condensado, mas é apenas uma fração do que já investimos em outro processo de decodificação: o das línguas extintas. Basta notar que a tradução dos hieroglifos de uma única fonte, a Pedra de Roseta, tomou 23 anos.

Pois este processo também está começando a mudar pelo uso da IA para a sua decodificação em massa, o que por sua vez deve expor relações ocultas no quebra-cabeças sociolinguístico do passado. Arqueologia, antropologia, história e linguística viverão uma explosão de conhecimento, a partir do ano que vem, com a metodologia que começou a tomar forma pela tradução algorítmica de um milhão de peças da língua acádia para o inglês.

IAs equipando robôs que aprendem por transmissão cultural

Existem muitos desafios que não podem ser enfrentados por algoritmos isolados em servidores, posto que são irredutíveis a registros escritos e mesmo audiovisuais. Exemplos incluem sutilezas relacionais, decodificação contextualizada de moléculas aromáticas (e.g., queijo putrefato pode ser bom, carne putrefata é ruim) e deslocamento em espaços complexos. Nós aprendemos estas coisas por meio de dinâmicas culturais que envolvem os nossos atos e corpos.

A consciência disso deve levar a uma nova fase da IA que chamei de corporificada. O primeiro estudo mostrando como robôs equipados com algoritmos recém-desenvolvidos podem aprender por transmissão cultural acaba de ser publicado, sugerindo que esta abordagem transformadora da mecatrônica e da ciência da computação deve ganhar força no ano que vem, em combinação com o uso de algoritmos generativos do tipo ChatGPT para que robôs “etiquetem o mundo” e assim entendam do que estamos falando quando nos referimos àquilo que existe no mundo real.

Tal como o primeiro par de tendências, este último também é fortemente correlacionado; no caso, pela ampliação do escopo dos algoritmos generativos. Sinal dos tempos, sem dúvida.

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/12/inteligencia-artificial-pode-promover-avancos-de-peso-em-2024.shtml

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