Califórnia volta a obrigar alunos do ensino fundamental a aprender letra cursiva

Lei que entrou em vigor neste mês é tentativa de retomar padrões de escrita esquecidos com avanço da tecnologia

Folha/Reuters – 28.jan.2024 

A partir deste ano, alunos do ensino fundamental da Califórnia serão obrigados a escrever com letra cursiva nas escolas. Com isso, mais de 2,6 milhões de californianos do 1º ao 7º ano, com idades entre 6 e 12 anos, receberão aulas de caligrafia.

A mudança é uma reviravolta para uma geração de crianças que aprendeu a escrever diretamente nas telas de tablets e computadores.

A lei, sancionada em outubro, foi iniciativa de Sharon Quirk-Silva, ex-professora do ensino fundamental e deputada estadual na Califórnia. Ela afirma que se sentiu inspirada a propor o projeto de lei após uma reunião com o ex-governador Jerry Brown, em 2016.

Educado sob orientação jesuítica, Brown ficou animado ao saber que a deputada, reeleita na época, era professora. “Você precisa retomar a escrita cursiva”, disse o ex-governador.

Segundo a deputada, a letra cursiva ainda constava nos padrões exigidos pela Califórnia nas salas de aula, porém a instrução era deficitária e inconsistente.

Especialistas afirmam que aprender letra cursiva melhora o desenvolvimento cognitivo e ajuda na compreensão da leitura e nas habilidades motoras dos alunos. Educadores também acreditam que ler documentos históricos e cartas de familiares de gerações passadas é benéfico para o processo de aprendizagem.

Na escola elementar Orangethorpe, em Fullerton, a 50 km de Los Angeles, a professora Pamela Keller disse que já ensinava letra cursiva aos alunos antes de a lei entrar em vigor no início deste mês.

Ela afirma que algumas crianças reclamam da dificuldade em escrever no papel, mas a professora diz preferir apresentar os benefícios da escrita para o aprendizado.

“Nós dizemos que isso vai deixá-los mais inteligentes, que os ajudará a fazer conexões cerebrais e a avançar para o próximo nível. Os alunos ficam entusiasmados porque querem aprender”, conta a professora.

No processo de aprendizagem, Keller também retoma frases clássicas como “coloque mais força no lápis”, ou “escreva com mais delicadeza” e lembra os alunos de que “a borracha é nossa melhor amiga”.

Alguns deles se divertem. Em visita recente à biblioteca da escola, um aluno ficou animado ao ver que a Constituição dos EUA, de 1787, foi escrita em letra cursiva.

“Eu adoro, porque sinto que escrever é mais sofisticado e é divertido aprender letras novas”, diz Sophie Guardia, 9.

Lá fora

Na sala da professora Nancy Karcher, a reação dos alunos do 3º ano gerou reações como “é divertido”, “é lindo” ou “agora posso entender a letra da minha mãe”. Outros já afirmam que vão utilizar a nova técnica para inscrever seus segredos em diários pessoais.

Retorno ao cursivo

À medida em que teclados e tablets se proliferaram, a letra cursiva desapareceu. Em 2010, os padrões educacionais dos EUA retiraram da lista de obrigatoriedades em sala de aula o processo de aprendizagem desse tipo de escrita.

Segundo Kathleen Wright, fundadora do Handwriting Collective, ONG que promove o ensino de caligrafia, os professores pararam de ensinar as crianças a formarem letras e as faculdades deixaram de preparar professores para o ensino da caligrafia.

Com a lei, a Califórnia se tornou o 22º estado americano a exigir caligrafia e o 14º a promulgar um projeto de lei de instrução cursiva. Neste ano, cinco estados discutem projetos de lei para a retomada da técnica em sala de aula.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2024/01/california-volta-a-obrigar-alunos-do-ensino-fundamental-a-aprender-letra-cursiva.shtml

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Por que ESG?

Por Evandro Milet – Portal ES360 – 28/01/2024

O propósito do Google, no seu planejamento estratégico, é organizar as informações do mundo. É ambicioso, mas eles estão fazendo. Ótimo para todos nós. Quando se coloca uma pauta ampla assim em uma empresa, toda a sua estrutura passa a considerar essa linha, procurando desdobrá-la em ações.

Por que então o mundo não pode ter também seu propósito ambicioso, que paute as ações de todos os países? Mesmo que não se consiga alcançar tudo, o caminho já ajuda quando todos procuram desdobrar o tema em suas políticas e ações.

Essa foi a ideia lançada pela ONU em 2000 como os ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, apoiada por 191 países, com 8 objetivos para serem alcançados até 2015, incluindo temas de educação, fome, miséria, igualdade entre sexos, mortalidade infantil, gestantes, Aids, meio ambiente e parcerias para o desenvolvimento. Os ODM produziram o mais bem-sucedido movimento de redução da pobreza da história e serviram como ponto de partida para a nova agenda de desenvolvimento sustentável.

Em 2015, nova rodada foi lançada, mirando 2030, com o nome de ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, apoiada por todos os 193 países da ONU, e contando com 17 objetivos. O foco de todos eles é acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade.

Antes disso, em 2004, a ONU lançou o desafio para o mercado financeiro de como engajar as empresas nesse movimento. Surgiu o ESG, agregando aspectos ambientais, sociais e de governança, sigla que se espalhou pelo mundo. Se, nos anos 1970, Milton Friedman dizia que o papel social da empresa era dar lucro, por que criava empregos e gerava impostos, hoje há uma clara direção para entender que a empresa tem responsabilidade também com todas as partes interessadas: fornecedores, clientes, comunidade onde atua e com a sociedade em geral.

Há várias maneiras da empresa entender a necessidade de aderir: porque todo mundo está fazendo, porque pode perder clientes, porque pode perder financiamentos, porque entende seu papel social ou porque percebe as ameaças para o seu negócio com as mudanças climáticas, cada vez mais evidentes, ou com as consequências sociais até de segurança para o negócio e a família. E há também o olhar das oportunidades. Uma pessoa da classe A pode comprar cinco TVs, mas para o mercado é melhor ainda que milhões de pessoas possam comprar uma TV.

O movimento pela diversidade provoca situações inéditas: as propagandas, as novelas, os realities e as empresas em geral  estão mais diversas na contratação de pessoal gerando oportunidades de trabalho e renda para uma massa de pessoas discriminadas anteriormente. Quem olhar o site de uma empresa internacional de moda íntima feminina como a Victoria’s Secret, que só contratava modelos padrão Gisele Bundchen agora tem altas, baixas, gordas, magras, pretas, brancas ou com deficiência. Qual é a lógica: as compradoras são assim diversas mesmo e se identificam com a marca. 

O que é um papel aparentemente social das empresas é também negócio na veia. Milton Friedman já era, pelo menos nesse assunto. O caminho agora é ESG.

https://es360.com.br/coluna-inovacao/por-que-esg

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O triunfo da energia verde: protagonista global, a WEG começa a fase mais ambiciosa de sua história

Nenhum país está tão preparado quanto o Brasil para liderar a revolução energética global. Pioneira em eletrificação de baixo carbono, a WEG começa em 2024 a fase mais ambiciosa de sua história

Fábrica da WEG em Jaraguá do Sul (SC): 15.000 funcionários em terreno que lembra uma cidade (Leandro Fonseca/Exame)

Fábrica da WEG em Jaraguá do Sul (SC): 15.000 funcionários em terreno que lembra uma cidade (Leandro Fonseca/Exame)

Lucas Amorim – Exame – Publicado em 25 de janeiro de 2024 

Em uma quinta-feira quente de início de janeiro, os engenheiros eletricistas Harry Schmelzer Jr. e Alberto Yoshikazu Kuba interromperam temporariamente suas férias e colocaram camisa e paletó para uma foto histórica. Durante alguns minutos, posaram para o editor de fotografia da ­EXAME, Leandro Fonseca, na sede da fabricante de motores WEG, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina.

Schmelzer e Kuba representam o presente e o futuro de uma das mais bem-sucedidas empresas brasileiras das últimas décadas. Fundada em 1961 pelos amigos Werner Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus, com o capital equivalente a três Fuscas, a WEG se consolidou ao longo de 60 anos como uma das maiores empresas de tecnologia industrial do planeta. Tem 38.000 funcionários, 52 fábricas em 15 países e clientes em mais de 130, com metade de seu faturamento anual de 30 bilhões de reais vindo de fora do Brasil. Se em seus primeiros dias a WEG fabricava 12 motores elétricos por mês, hoje produz 60.000 por dia.

A empresa não chegaria aonde chegou tratando com desinteresse eventos importantes como a sucessão em sua liderança. Por isso a foto da capa desta edição é tão relevante: após 43 anos de empresa e 16 anos como CEO, Schmelzer vai passar o bastão a Kuba, com 21 anos de casa. Ambos começaram suas carreiras na WEG, e dentro da empresa chegaram ao topo do mercado corporativo. Schmelzer entrega uma empresa com as finanças em dia e tida como um case mundial de sucesso na indústria; Kuba tem o desafio de consolidá-la como protagonista da corrida global por energia sustentável.

Para chegar lá, não espere estripulias. O plano de Kuba, em linhas gerais, é manter a cultura e a estratégia da gestão Schmelzer, que, por sua vez, manteve o legado de Décio da Silva, presidente da WEG entre 1989 e 2007. Décio, por sua vez, é filho do fundador Eggon João da Silva, e sucessor da cultura de trabalho desenhada nos primórdios da companhia. Parte essencial dessa cultura passa pela formação interna de profissionais. Todos os líderes da empresa têm planos de sucessão com dois ou três candidatos sempre em preparação para assumir cargos futuros.

“A diferença da WEG para nossos concorrentes é que temos um time com muito conhecimento do negócio”, diz Kuba (leia a entrevista completa abaixo). “Passamos por muitas áreas­ da empresa ao longo dos anos, o que cria um senso de pertencer, de trabalhar para criar valor. Ao trazer gente de fora não se constrói vínculo.” A mesma estratégia de formação de liderança foi levada para os 15 países em que a companhia tem fábricas. Na base, todos os anos 800 jovens aprendizes entram na WEG, com formação técnica que pouco a pouco os leva a assumir maiores responsabilidades.

A empresa tem 4.600 engenheiros em seus quadros e um histórico de promoção de técnicos para funções de liderança. À medida que novas tecnologias e novos países ganham espaço dentro dos negócios, especialistas crescem junto. No momento, por exemplo, um grupo de cinco engenheiros está estudando células de baterias de pequenas dimensões para vislumbrar possibilidades de produtos para a WEG.

“Somos industriais, temos uma cultura de querer fazer, de dominar a tecnologia”, diz Schmelzer. “Desde os primeiros anos tivemos como foco a internacionalização, o que nos forçou a ser competitivos para atender mercados mais exigentes.” É uma combinação que remonta à cultura empresarial alemã, base da imigração na região onde a empresa foi criada e de grande influência em sua concepção.

“Na Alemanha não se tolera defeito”, diz Schmelzer. O país segue como motor industrial da Europa, e tem suas fábricas conectadas às comunidades como um diferencial competitivo para o futuro. É uma visão de sociedade que, de certa forma, foi explicada por um diálogo estabelecido dez anos atrás entre a então chanceler alemã Angela Merkel e seu colega britânico David Cameron. Cameron, às vésperas do referendo que tirou o Reino Unido da União Europeia, questionou Merkel sobre qual era a receita do sucesso econômico alemão no longo prazo. Ouviu como resposta algo como “nós ainda fabricamos coisas”.

Num mundo que nas últimas duas décadas mergulhou de cabeça na terceirização, a WEG se manteve como uma potência industrial que fabrica boa parte dos componentes utilizados. A companhia orgulha-se de nunca ter fechado uma fábrica. “Ao longo de nossa história, fomos dominando tecnologias importantes para entrar em novos negócios”, diz Schmelzer. Ao tentar explicar os poucos casos em que a WEG decide não fazer algo dentro de casa, o próprio Schmelzer se trai em frases como “não fazemos, por exemplo, estamparia… espere: isso nós fazemos, sim”.

Durante a pandemia de covid-19, a WEG conseguiu montar em 30 dias uma fábrica para produzir 1.000 respiradores elétricos. Na mesma época, sua unidade de tintas industriais passou a fabricar também álcool em gel em questão de dias. Ao todo, a empresa fabrica 1.500 linhas de produtos, que se dividem em quatro negócios principais: motores comerciais e para eletrodomésticos, equipamentos industriais, equipamentos para energia e tintas e vernizes. Recentemente, começou a investir em novos negócios, como energia eólica e painéis solares, armazenamento de energia, sistemas de tração para veículos elétricos, soluções para casas inteligentes.

Todos tendo a energia como espinha dorsal, mas num número de frentes cada vez maior. “Para assumir a presidência estou em um processo de transição, olhando cada produto, cada negócio, e eu mesmo estou impressionado com a variedade”, diz Kuba. “A WEG está se transformando num ecossistema de soluções completas em energia e eletrificação limpas, com produtos para clientes corporativos, mas também para o consumidor final.”

Parte dessa variedade pode ser vista na sede da companhia, em Jaraguá do Sul, uma cidade industrial no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde estão também as sedes de empresas como a malharia Malwee e a Duas Rodas, de aromas (leia a reportagem na página 54). A WEG é tão relevante para a economia local que o comércio costuma aceitar compras com pagamento programado para as datas de distribuição de bônus da empresa, em março e agosto.

No centro da cidade, a empresa mantém um museu que conta sua história e explica didaticamente suas tecnologias. Uma visita guiada revela que, nos primeiros anos do negócio, a esposa de um dos fundadores se surpreendeu com o tamanho do terreno adquirido para a primeira fábrica: “Vocês pretendem fazer uma fábrica ou uma cidade?”.

Sessenta anos depois, a “cidade” da WEG em Jaraguá emprega 15.000 pessoas, em fábricas que fazem de tomadas e interruptores a gigantescos aerogeradores para energia eólica. Em algumas alas e em alguns laboratórios, conectados com tecnologia 5G, robôs carregam equipamentos para cima e para baixo, e servem também de teste prático para novos negócios em que a companhia possa vir a apostar. “Dizemos que tudo que dá choque é uma oportunidade de negócio”, diz João Paulo da Silva, diretor industrial da WEG. “Num mundo que se eletrifica cada vez mais, as possibilidades se multiplicam. Produzimos energia, mas não vendemos energia. Vendemos a máquina, não o sorvete.”

Fábrica da WEG na Índia: expansão de projetos de aerogeradores abre novas frentes de crescimento

Seguindo essa analogia, a variedade de sabores crescerá como nunca nos próximos anos, que devem testar uma das fortalezas da WEG: a consistência. Uma análise dos resultados trimestrais feita pelo consultor Einar Riveiro mostra a solidez da empresa em equilibrar crescimento no faturamento e no lucro. Dez anos atrás, a empresa faturava cerca de 1,8 bilhão de reais por trimestre, com lucro na casa dos 200 milhões. Cinco anos atrás, a receita passou para 3,2 bilhões; e o lucro, para 400 milhões. No fim de 2023, a primeira linha do balanço já apontou 8 bilhões; e a última, 1,3 bilhão de reais a cada três meses.

É um exemplo acabado da “Marcha das 20 milhas”, estratégia de gestão e crescimento apresentada ao mundo pelo consultor Jim Collins, que mostra empresas capazes de avançar em quaisquer condições de mercado, sem exagerar o ritmo nos dias de sol, nem se deter nos de chuva. “Todos os investimentos que fazemos são mirando o longo prazo. Temos anos e décadas de melhoria diária”, diz Kuba. “Nosso zelo pelo capital é muito grande, basta ver o nível de retorno que entregamos.”

Nos últimos dez anos, a WEG passou de 19a empresa com maior valor de mercado na bolsa brasileira para posições entre o quinto e o oitavo lugar, junto com gigantes como Petrobras, Itaú, Vale e Ambev. Atualmente, vale cerca de 150 bilhões de reais. Faz parte de sua cultura de gestão distribuir a riqueza entre seus mais de 400.000 investidores, com mais de 1,8 bilhão de reais pagos em dividendos tanto em 2021 quanto em 2022.“A WEG é uma empresa única no Brasil. Consegue crescer em dois dígitos a receita, avançar ainda mais no lucro, e ainda dividir os ganhos”, diz Oscar Malvessi, professor de finanças da FGV-Eaesp e autor do livro Como Criar Valor na Sua Empresa.

A distribuição de resultado entre os herdeiros dos fundadores, ao longo das décadas, fez da WEG a empresa brasileira com mais bilionários no ranking da revista Forbes: são 29, segundo estimativas divulgadas no ano passado. A companhia ainda investe 50% de seus resultados em novas fábricas, novos projetos, novos produtos; cerca de metade da receita vem de lançamentos feitos nos últimos cinco anos.

Relatório recente do banco Itaú levantou preocupação quanto aos resultados de curto prazo da WEG, sobretudo na margem, apertada por aumento de custo de matéria-prima, mas manteve a confiança no longo prazo. Em um evento do banco Bradesco BBI no ano passado, Florian Bartunek, um dos mais respeitados gestores de investimento do país, resumiu a previsibilidade de resultados da empresa. “Não sei como a bolsa vai estar em dois anos, mas é fácil saber como a WEG vai estar. O balanço da WEG é melhor que o do Brasil. A WEG não é o Brasil, infelizmente.”

O futuro da WEG e o do Brasil, por sua vez, estão intrinsicamente ligados. Num momento em que se prepara para receber a COP30, a conferência global do clima, em 2025, o Brasil trabalha para se consolidar como potência energética verde no mundo. E poucas empresas brasileiras estão tão bem posicionadas quanto a WEG para assumir uma liderança global na transição para uma economia de baixo carbono.

Segundo as Nações Unidas, os investimentos globais em energias renováveis devem triplicar nos próximos sete anos em relação aos 115 bilhões de dólares investidos de 2015 a 2022. Na última janela, o Brasil recebeu 11% dos investimentos, e sobra otimismo sobre uma ampliação dessa fatia nos próximos anos, como mostra reportagem na página 48.

“O mundo vai precisar de mais energia, mais água e mais alimentos, e nenhum país conseguirá fazer tudo isso, com energia limpa e soluções em larga escala, como o Brasil. Temos uma chance de nos posicionarmos como uma cadeia de valor imbatível. E empresas como a WEG são chave”, diz Jefferson de Oliveira Gomes, diretor de tecnologia e inovação da Confederação Nacional da Indústria. “O desafio, como país, é não só aproveitar o potencial exportador de empresas como a WEG, como também usar suas inovações para turbinar a eficiência e a produtividade de nosso parque industrial interno.”

Assim como o Brasil, a WEG se beneficia agora de investimentos que começaram décadas atrás, como a pesquisa com açúcar e álcool, uma solução que a própria empresa está exportando para países como o Vietnã. A companhia também tem soluções para gerador de energia eólica, energia solar, equipamentos para usinas hidrelétricas, para uso de bagaço de cana na geração de energia.

“O Brasil está adiantado, e podemos usar nossas soluções e escalar para o mundo. Na Índia, por exemplo, vamos começar com aerogeradores, um mercado que vemos com muito potencial para os próximos anos”, diz Kuba. Por outro lado, a WEG investiu 600 milhões de reais numa fábrica de motores para ônibus e caminhões elétricos, na sua sede, em Santa Catarina. Também fabrica produtos para trens elétricos. Motores de automóveis não estão nos planos, mas a companhia já tem uma linha robusta de carregadores para carros elétricos que permitem reserva de vaga, monitoramento da recarga e do pagamento, em parceria com montadoras como GM, Volvo e GWM.

Um dos negócios mais promissores é o de hidrogênio verde, combustível gerado a partir de fontes renováveis. A empresa já participa de alguns dos maiores projetos de hidrogênio verde do mundo. Forneceu, por exemplo, motores para a maior fábrica de hidrogênio liquefeito do planeta, na Coreia do Sul. Também está envolvida em projetos nos Estados Unidos, no Canadá, na França e na Suécia, que já garantiram cerca de 15 milhões de dólares de faturamento em 2023. Mas o país com maior potencial dessa tecnologia é o Brasil, sobretudo o Nordeste. O hidrogênio verde, na visão da WEG, é um caminho para o país exportar energia limpa para o mundo, numa visão de negócios e de desenvolvimento de país que podem se complementar.

O desafio é equilibrar os investimentos em novas tecnologias com a ampliação de receita em negócios maduros. A WEG, como destaca Malvessi, da FGV-Eaesp, é referência em transformar investimentos em geração de valor para o acionista. Faz isso, como explica Kuba, ao seguir apostando também em negócios tradicionais, com mercados amplos, e essenciais na transição para uma economia de baixo carbono.

O exemplo mais recente foi a compra dos negócios de motores elétricos industriais e geradores da americana Regal Rexnord, num valor de 400 milhões de dólares. A transação, que ainda depende de aprovações em alguns órgãos concorrenciais, adicionará ao portfólio da WEG dez fábricas em sete países, além de 2.800 funcionários. É uma aquisição que aproxima a WEG ainda mais da suíça ABB, líder mundial em motores elétricos, e que dá acesso a novos mercados. “A Rexnord é líder em negócios como alternadores a diesel.

Pode não parecer baixo carbono, mas é essencial em países como a África do Sul, em que a energia cai 20 vezes por dia”, diz Kuba. “Estamos partindo de soluções como essa para construir redes integradas, com geração cada vez mais limpa, armazenamento eficiente, estabilidade nas entregas.” O negócio de baterias, integrado a projetos de geração cada vez mais limpa, é uma das grandes apostas para a companhia nos próximos anos. Equilibrar curto e longo prazo, projetos maduros e projetos inovadores, é uma via de mão dupla que deve seguir norteando o crescimento da WEG.

“Vamos seguir crescendo de forma consistente em negócios maduros. São essas frentes que vão nos permitir apostar no que é novo e que vão permitir crescimentos de mais de um dígito”, diz Kuba. “Energia solar, por exemplo, era um negócio pequeno, e virou um mercado de bilhões.” O novo CEO assume no início de abril. À sua frente, uma leva inédita de possibilidades bilionárias — e o desafio de ampliar uma se­quência de bons resultados que se estende por seis décadas.

Créditos

Lucas Amorim

Diretor de redação da Exame

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, começou a carreira no Diário Catarinense. Está na Exame desde 2008, onde começou como repórter de negócios. Já foi editor de negócios e coordenador do aplicativo da Exame

https://exame.com/revista-exame/o-triunfo-da-energia-verde/

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Combate ao desperdício vira negócio entre startups impulsionado por ESG e inteligência artificial

Brasil perde cerca de R$ 24 milhões por mês em alimentos desperdiçados, segundo simulação da startup Frubana; rotas otimizadas e previsão de demanda têm ajudado empresas

Por Beatriz Capirazi – Estadão – 08/01/2024

Cerca de 14% dos alimentos produzidos globalmente são perdidos antes de chegarem aos mercados varejistas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura. Além de aumentar a insegurança alimentar, esse problema impacta toda a cadeia produtiva, do produtor ao consumidor final.

Posicionado entre os maiores produtores mundiais de alimentos, o Brasil é um dos que mais desperdiça comida, segundo dados da ONU. Anualmente, cada brasileiro joga fora aproximadamente 60 quilos de alimentos em perfeito estado para consumo.

O gerente para o Brasil da startup sul-americana Frubana, Otávio Pimentel, afirma que o desperdício se torna um encarecimento dos produtos para o próprio consumidor final. “O desperdício contínuo gera incerteza para o produtor, que não sabe quanto e se vai vender”, afirma.

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Sabendo disso, Pimentel pontua que já virou prática entre os pequenos produtores embutir essa porcentagem do desperdício no preço dos produtos. “Como eu sei que vou ter desperdícios, preciso combater no preço.”

Neste cenário, o consumidor final acaba se tornando um agente de desperdício considerando a quantidade de comida jogada fora pela população. Ele, no entanto, não é o único, já que milhões de toneladas de alimentos são perdidas nas fases de produção, armazenamento, embalagem e transporte, afetando milhares de empreendedores.

Diante desse cenário, diversas empresas passaram a enxergar na pauta uma oportunidade de negócio.

Combate ao desperdício

Especialistas apontam que o investimento em um esquema logístico eficiente e moderno é a chave para transformar o mercado alimentício no Brasil e reduzir drasticamente o desperdício, tornando as rotas de entrega mais otimizadas, além de prever a demanda de alimentos a ser produzida. Isso evitaria que a produção seja maior do que o necessário.

Dentre estas companhias que usam a logística aplicada para evitar o desperdício está a Frubana, que tem como foco central conectar pequenos produtores a restaurantes. Ao fazer a ponte entre as duas partes, a empresa consegue passar para o produtor a exata quantia que o restaurante precisará. Prevendo a demanda, a companhia consegue garantir a compra e diminuir o desperdício em um número maior.

“Conseguimos atacar o desperdício porque damos a certeza da produção necessária e qual preço quero pagar. O preço já é melhor porque a pessoa sabe que vai vender o que produzir”, explica Otávio Pimentel, destacando que, com o uso da inteligência artificial (IA), a marca consegue otimizar rotas de transporte e prever a demanda.

Pimentel explica que, atualmente, os maiores desafios de sanar o desperdício estão na produção, armazenagem inadequada e na distribuição, considerando que muitos dos alimentos acabam se deteriorando graças a problemas no transporte, como longas rotas, por exemplo.

“Com o uso de tecnologia, aprimoramos a eficiência operacional na cadeia de abastecimento, reduzindo para apenas 0,8% de perda dos alimentos”, explica Pimentel. Segundo o executivo, a marca criou uma espécie de sistema de “leilão” com cerca de mil produtores, conseguindo fazer uma cotação do preço justo e adquirir outras informações que ajudem a tornar a demanda o mais previsível possível, diminuindo as perdas desde a produção.

A tecnologia ainda é usada também através da Internet das Coisas (tecnologia que tem como objetivo conectar itens usados no dia a dia, como eletrodomésticos, meios de transporte, tênis, roupas e até maçanetas, à rede mundial de computadores), que monitora as condições de armazenamento e deslocamento. A robótica é empregada para automatizar tarefas, desde a colheita até o empacotamento.

Pimentel destaca que outro “ganho” é a possibilidade de ajustar a demanda para diferentes estações, dosando a temperatura do local onde os produtos são armazenados e a quantia a ser produzida, por exemplo, sendo outro trunfo contra o desperdício.

Imperfeição se torna negócio

Algumas marcas vêm também ressignificando o consumo para evitar o descarte de alimentos em bom estado, como a startup Fruta Imperfeita. A empresa afirma que muitas frutas ou legumes não são considerados padrões para serem comercializados nos mercados por serem muito grandes, pequenos ou não terem os formatos e cores tradicionais.

A marca visa não só disseminar o consumo consciente de alimentos como conectar pequenos produtores diretamente aos consumidores, intermediando a venda direta de produtos que seriam descartados se fossem para grandes mercados.

Outra marca com proposta similar é o Mercado Diferente, cujo objetivo é a venda de frutas e legumes orgânicos considerados “fora do padrão”, mas que estão em perfeitas condições de consumo.

A startup Gooxxy segue o mesmo caminho, com a proposta de conectar empresas ao varejo para evitar o desperdício. Para o diretor de tecnologia da empresa, Thiago Nascimento, essa é uma tendência de mercado dentre as empresas impulsionadas pela ascensão da agenda ESG (sigla em inglês para meio ambiente, social e governança), os avanços tecnológicos e a mudança geracional.

“O mundo se volta para não mais produzir em excesso, mas produzir para o que, de fato, é necessário”, explica, apontando que a preocupação social e sustentável das empresas não é mais apenas um diferencial competitivo, mas algo essencial para a sobrevivência das companhias no futuro.

Ele aponta que a perda acaba sendo parte do processo produtivo e que existe uma dificuldade em prever eventos, como um embargo no porto ou a própria pandemia. Mas, segundo ele, a tecnologia ajuda a tornar a escoação dos produtos mais eficiente, controlando com a inteligência artificial e outras tecnologias em tempo real a entrega dos itens, em qual estado o produto se encontra, além de rastrear o lote e a validade.

Impacto financeiro

Especialistas apontam que o desperdício é não só uma pauta sobre desigualdade, mas também financeira. “Além dos gastos para produzir e armazenar, há o custo para incinerar de forma ambiental os produtos que não foram vendidos”, explica Nascimento, destacando que o desperdício acaba se tornando um gasto para o próprio empreendedor.

Pimentel afirma que, como o desperdício já é esperado, especialmente em produtores perecíveis que precisam ser escoados rapidamente, o preço dos produtos que serão desperdiçados já é incorporado no preço final, que acaba sendo pago pelo consumidor.

Além disso, há o impacto financeiro. A pedido do Estadão, a Frubana simulou o quanto as toneladas de comida significariam em perdas de dinheiro. Considerando que o mercado de alimentos tem, atualmente, um desperdício de 30%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor perdido seria de R$ 24 milhões por mês.

O cálculo foi feito com base na comparação do desperdício do mercado alimentício no Brasil versus o desperdício de alimentos que a marca ainda apresenta, de 0,9%, e o faturamento mensal da marca de aproximadamente R$ 80 milhões de reais por mês. Se o desperdício fosse similar ao do mercado, de 30%, o valor perdido seria R$ 24 milhões, o equivalente a R$ 280 milhões em um ano

https://www.estadao.com.br/economia/negocios/combate-ao-desperdicio-vira-negocio-entre-startups-impulsionado-por-esg-e-inteligencia-artificial/

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‘Milagre’ asiático tira 1 bilhão de pessoas da miséria em 20 anos; o que isso pode ensinar ao Brasil

‘Estadão’ publica série de reportagens que mostra o que está por trás da redução da pobreza extrema na Ásia, que vai além da China e da Índia e se espalha por quase todos os países da região

Por José Fucs – Estadão – 24/01/2024 

Desde os primórdios da civilização, a pobreza tem sido um problema capital para a humanidade. Ainda hoje, apesar de a renda per capita global ter crescido de forma exponencial desde a Revolução Industrial, uma parcela significativa da população mundial continua a viver na miséria, colocando a questão no centro do debate político, econômico e intelectual em todo o planeta.

Mas, nos últimos trinta anos, embora muita gente não se tenha dado conta, a pobreza extrema – que engloba o contingente com renda per capita inferior a US$ 2,15 (R$ 10,75) por dia em valores de 2017, pela paridade do poder de compra (PPP) – teve uma redução extraordinária no mundo. Foi a maior queda no número de pessoas em situação de vulnerabilidade, no menor prazo, ocorrida em todos os tempos.

De 1990 a 2022, a população que vive abaixo da linha da pobreza foi praticamente dividida por três, segundo dados do Banco Mundial, caindo de dois bilhões (38% do total) para menos de 700 milhões de pessoas (8,5%) – e grande parte deste resultado notável se deve ao desempenho da Ásia, que concentra 60% dos habitantes e cerca de 40% do PIB (Produto Interno Bruto) globais.

Ambiente estável

A rigor, foi a contribuição da Ásia que fez com que a pobreza extrema diminuísse nesse período. No resto do mundo, embora a miséria tenha caído em termos relativos, o número de pessoas vivendo na miséria cresceu, de 384 milhões para 515 milhões. Enquanto isso, na Ásia, mais especificamente nos países localizados na Ásia Meridional e Oriental e na chamada região do Pacífico, onde a evolução foi mais acentuada, a população mais vulnerável diminuiu também em termos absolutos, de 1,6 bilhão para 166 milhões de pessoas. Ou seja, se não fosse a Ásia, o total de pessoas na pobreza extrema no mundo teria subido e não caído desde 1990.

Só nos últimos 20 anos, a Ásia tirou mais de um bilhão de pessoas da miséria. A população vivendo abaixo da linha de pobreza na Ásia Meridional e Oriental e na região do Pacífico, que representava 70,5% do total global em 2002, agora corresponde a 24,4%. Tal queda aconteceu mesmo num período em que o número de habitantes da região teve um aumento de 46,8%, de 3,2 bilhões para 4,7 bilhões.

Apesar de a China e a Índia, os dois países com a maior população da Ásia e do mundo, terem tido a maior influência na redução da miséria na região desde 1990, com o corte do nível de pobreza extrema de 72% e 47,6% da população para 0,1% e 11,9%, respectivamente, a queda da taxa – insinuada pelo Japão no fim dos anos 1960 e pelos chamados Tigres Asiáticos (República da Coreia, Taiwan, Hong Kong e Cingapura) nos anos 1970 e 1980 – espalhou-se por toda a região (veja os mapas).

Para contribuir para a compreensão do fenômeno, o Estadão decidiu lançar uma série de reportagens especiais sobre a diminuição da pobreza extrema na Ásia. Iniciada com esta reportagem, que apresenta o quadro geral e aborda as razões que levaram a Ásia a obter um resultado tão expressivo neste quesito nas últimas décadas, a série vai dar um mergulho em três casos, que serão publicados nas próximas semanas, que mostram que a redução da miséria na região vai muito além da China e da Índia e se espalha por quase todos os países da região.

O primeiro será o de Bangladesh, que vem ganhando visibilidade internacional nos últimos anos, com o corte da taxa de pobreza de 43% para 9,6% desde 2000. Depois, virá o caso da Indonésia, país com a maior população islâmica do planeta e a terceira maior da Ásia, que diminuiu o número de pessoas vivendo na extrema pobreza de 62,8% do total para 2,5%, entre 1990 e 2022. Por último, será a vez do Vietnã, que, apesar do regime marxista-leninista de partido único em vigor no país, seguiu o caminho da China e abriu sua economia, reduzindo a taxa de pobreza de 45,1% em 1990 para 0,7%.

Além do encolhimento da pobreza extrema, houve o surgimento de uma classe média considerável na Ásia, puxando o consumo de bens e serviços e dinamizando a economia. De acordo com o Banco de Desenvolvimento da Ásia (ADB, na sigla em inglês), que considerou como classe média os indivíduos de famílias com gastos per capita de US$ 3,20 a US$ 32 por dia em valores de 2011, quase 70% da população integravam o grupo em 2015 contra apenas 13% em 1981. “O forte consumo doméstico destes novos consumidores impulsiona o desenvolvimento das economias asiáticas assim como do resto do mundo”, afirma o ADB na publicação A viagem da Ásia para a prosperidade, lançada pela instituição em 2020.

É certo que, nos últimos três anos, desde o auge da pandemia, houve um ligeiro aumento no nível de pobreza na região, como na maior parte do mundo, em decorrência da queda da atividade econômica, da alta dos juros e da inflação, da desaceleração da globalização e mais recentemente das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

Em 2022, conforme uma projeção realizada pela Statista, uma plataforma online alemã especializada em coleta e divulgação de dados, a pobreza extrema atingia cerca de 4% da população da Ásia, ante uma previsão de 2,2% feita antes da pandemia – um resultado que, segundo o Banco Mundial, representou “o maior retrocesso nos esforços para a redução da pobreza global desde 1990″, colocando em risco o cumprimento da meta da ONU de zerar a pobreza extrema no mundo até 2030.

É certo também que as médias da região mascaram a disparidade existente entre os diferentes países asiáticos e os desafios que há pela frente para aprofundar a redução da miséria na região. O Afeganistão, o Timor Leste, o Nepal, o Laos e a própria Índia, com índices de 49,4%, 24,4%, 8,2%, 7,1% e 11,9%, respectivamente, ainda estão bem distantes de países como República da Coreia, China, Malásia e Tailândia, cujos indicadores estão próximos de zero, no enfrentamento da pobreza extrema.

Além disso, quando se sobe um pouco a barra e se considera uma renda ou gasto per capita inferior a US$ 3,65 por dia, em vez de US$ 2,15, o número de pessoas enquadradas na faixa mais baixa da pirâmide aumenta para 930 milhões, quase seis vezes mais do que quando só o grupo mais vulnerável entra na conta. Se a barra subir ainda mais, para US$ 6,85 per capita por dia, o total de pessoas pertencentes à categoria chega a 1,2 bilhão.

As ressalvas, porém, não chegam a ofuscar o saldo acumulado pela Ásia na diminuição da pobreza extrema nos últimos trinta anos. Em 1990, de acordo com um estudo da Brookings Institution, uma ONG com sede em Washington (EUA), havia sete países asiáticos entre os dez primeiros colocados na lista dos que tinham as maiores taxas de pobreza no mundo – China, Índia, Indonésia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Mianmar. Hoje, não há mais nenhum – nove são da África Subsaariana e um da América Latina (Guatemala). O Afeganistão, que é o país asiático mais pobre, com uma taxa de pobreza de 49,4%, ocupa o 18º lugar no ranking.

Por trás dessa redução espetacular da pobreza extrema na Ásia nas últimas décadas, como afirmam de forma unânime economistas, cientistas sociais e instituições multilaterais, está o “milagre” econômico que ocorreu na região, puxado pelo crescimento acelerado, principalmente da China, que abriu sua economia em meados dos anos 1970, interrompendo um período de trinta anos de controle absoluto do Estado sobre a produção, iniciado com a implantação do comunismo no país.

Como no caso da redução da pobreza, os números do crescimento asiático no longo prazo são impressionantes, apesar da desaceleração registrada após a pandemia, que ainda aflige os países da região. Segundo a Statista, a Ásia Meridional e Oriental e a região do Pacífico cresceram 5,6% e 4,9% em média ao ano entre 1982 e 2021, enquanto a África Subsaariana cresceu 3%, o Oriente Médio e o Norte da África, 2,9%, a América do Norte, 2,6%, a América Latina e o Caribe, 2,3% e a Europa e a Ásia Central, 1,9%.

“Historicamente, nada funciona mais que o crescimento econômico para as sociedades melhorarem as condições de vida de seus integrantes, incluindo as mais desfavorecidas”, diz o economista Dani Rodrik, professor de Economia Política Internacional na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, em seu livro Uma economia, muitas receitas: globalização, instituições e crescimento econômico.

Um estudo sobre o que move o desempenho dos países de alto crescimento do mundo, divulgado em 2018 pela McKinsey, uma das principais empresas internacionais de consultoria, mostra que apenas sete países e territórios emergentes com mais de cinco milhões de habitantes tiveram um aumento do PIB per capita de mais de 3,5% ao ano, em média, nos últimos 50 anos (entre 1965 e 2016), todos asiáticos – China, Hong Kong, Indonésia, Malásia, Cingapura, República da Coreia e Tailândia.

Entre as 11 economias emergentes que cresceram ao menos 5% de 1995 a 2016, oito são da Ásia Meridional, Central e Oriental – Índia, Cambodja, Vietnã, Mianmar, Laos, Casaquistão, Usbequistão e Turcomenistão. Num período mais curto, entre 2011 e 2018, outros três países asiáticos se destacam no estudo da McKinsey, com crescimento de pelo menos 3,5%, em média, ao ano – Bangladesh, Filipinas e Sri Lanka. Não por acaso, a Ásia contribuiu, de acordo com a consultoria, com 57% do crescimento do PIB global entre 2015 e 2021.

O “milagre” econômico asiático teve um efeito direto no bem-estar da população. Entre 1960 e 2022, o PIB per capita dos países da Ásia Meridional passou de US$ 330, em valores de 2010, para US$ 1.986 em 2022, conforme o Banco Mundial – seis vezes mais. Na Ásia Oriental e na região do Pacífico, o PIB per capita cresceu quase 11 vezes, de US$ 1.112 para US$ 12.090 no mesmo período, enquanto o PIB mundial aumentou apenas três vezes, de US$ 3.613 para US$ 11.314, e o do Brasil, 3,4 vezes, de US$ 2.578 para US$ 8.831, também em valores de 2010.

Além de gerar empregos em profusão e engordar mais rapidamente a renda da população, o crescimento acelerado alavanca o desenvolvimento humano, ao permitir que as pessoas cuidem melhor da saúde, comam melhor e possam viver mais, de acordo com outro estudo sobre a questão, realizado pelo Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido, hoje rebatizado de Escritório para Comunidade Estrangeira e Desenvolvimento (FCDO na sigla em inglês).

O crescimento, conforme o órgão britânico, gera também círculos virtuosos de prosperidade e oportunidade. “Crescimento forte e oportunidades de emprego aumentam os incentivos para os pais investirem na educação de seus filhos colocando-os na escola. Isso pode levar à emergência de um forte e crescente grupo de empreendedores, que podem fazer pressão para melhorar a governança”, diz o estudo. “Há preocupações de que o trabalho informal, tradicionalmente visto como involuntário, aumente com o crescimento da economia, enquanto o trabalhador aguarda uma vaga de emprego formal, que também sobe. Embora o trabalho informal seja melhor do que nada, tem se assumido que ele é a segunda melhor opção, depois do emprego formal. Evidências recentes, porém, sugerem que o trabalho informal não deve ser encarado como algo pior do que o emprego formal, mas como uma alternativa legítima, que fomenta a ambição empreendedora.”

Subsídios polpudos

Ainda que o sistema de proteção social seja pouco desenvolvido na maioria da Ásia Meridional e Oriental e na região do Pacífico, segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), vários países lançaram programas de apoio à população mais vulnerável nos últimos anos, contribuindo para reduzir a taxa de extrema pobreza.

As Filipinas, por exemplo, implementaram um programa nacional de transferência de renda que lembra o Bolsa Família, conforme o livro A viagem da Ásia para a prosperidade, do ADB. Também na Malásia e na Tailândia, de acordo com a publicação, os governos implementaram medidas destinadas aos ajudar mais pobres. A Mongólia lançou, em meados dos anos 1990, novos programas de proteção social, depois de os antigos terem o financiamento comprometido após o fim da União Soviética, que concedida subsídios polpudos ao país.

Na Índia, há um programa que combina transferências de renda com apoio ao emprego. Mesmo na China, onde a rede de proteção social é limitada, em comparação com países mais generosos, houve aumentos no salário mínimo e na ajuda governamental nas áreas rurais, segundo o livro do ADB. Seguindo uma tendência global, a China também lançou seu programa de renda mínima, o Dibao, hoje acusado no Ocidente de servir como ferramenta para o regime de Pequim controlar a população, ao negar ou suspender a concessão do benefício de forma pouco transparente.

‘Consenso asiático’

Agora, apesar de a maioria dos países da Ásia Meridional e Oriental estar colhendo os frutos da industrialização ocorrida nas últimas décadas, em maior ou menor grau, e da abertura da economia, com maior integração nas cadeias globais de produção, os caminhos para alavancar o processo de crescimento, que levou à redução da pobreza extrema na região, variaram muito.

“Não há essa coisa de ‘consenso asiático’”, afirma Takehiko Nakao, que foi presidente executivo e do conselho do ADB entre 2013 e 2020, no prefácio do livro A viagem da Ásia para a prosperidade. “Embora houvesse variações entre os países no mix de políticas e no timing, com retrocessos e tropeços ocasionais, as economias asiáticas bem-sucedidas perseguiram as políticas necessárias para o crescimento sustentável. Ao longo do tempo, elas abriram o comércio exterior, facilitaram o investimento estrangeiro, apoiaram o progresso tecnológico, investiram em saúde e em educação, mobilizaram altos níveis de poupança doméstica para investimentos produtivos, promoveram o desenvolvimento da infraestrutura, praticaram políticas macroeconômicas sólidas e implementaram políticas para inclusão e redução da pobreza.”

Nakao contesta a visão de que o elevado crescimento asiático se deveu à participação ativa do Estado nos negócios e na vida econômica dos diferentes países da região. “Faz tempo que eu acho que as discussões sobre o sucesso econômico asiático são muito simplistas”, diz. “Muitos acadêmicos, especialmente de fora da Ásia, tendem a superenfatizar o papel da intervenção e da liderança do Estado. Mas o sucesso da Ásia se apoiou essencialmente nos mercados e no setor privado como motores do crescimento”, afirma.

A política de substituição de importações foi largamente adotada por países em desenvolvimento sob influência de ideias socialistas

Takehiko Nakao, ex-presidente do ADB

“As economias começaram a crescer mais rápido quando as políticas mudaram da intervenção do Estado para orientação de mercado, enquanto os governos continuaram a desempenhar um papel proativo (na economia). Metas de políticas industriais, se usadas de forma inadequada, podem levar ao patrimonialismo, competição injusta e ineficiência. Políticas indústrias são mais propensas a ter sucesso quando promovem competição e são implementadas de forma transparente, com metas claras e prazos de duração pré-definidos.”

Segundo Nakao, a política de substituição de importações foi largamente adotada por países em desenvolvimento no pós-guerra, sob a influência de ideias socialistas e o desejo de autossuficiência, depois da obtenção da independência dos poderes coloniais. “Mas essa estratégia, proteção comercial, falta de concorrência e taxas de câmbio sobrevalorizadas levaram a sérias ineficiências e algumas vezes até geraram crises na balança de pagamentos, especialmente na América Latina.”

Setor privado

Para a McKinsey, a agenda pró-crescimento dos países de alta performance se desenvolveu pelos setores público e privado com foco nos aumentos de produtividade, renda e demanda. Um traço comum a eles nas últimas décadas, na avaliação da consultoria, foi a ênfase dada à acumulação de poupança pelos indivíduos, que viabilizou a melhoria da infraestrutura, ao desenvolvimento tecnológico, que favoreceu o aumento de produtividade, e à concorrência interna no setor produtivo, que impulsionou os investimentos, além da forte conexão com a economia global, que viabilizou a elevação das exportações e a atração de investimentos estrangeiros, e da flexibilidade para adaptar as práticas macroeconômicas internacionais ao contexto local.

A competição, inclusive entre empresas estatais e privadas, e a disputa pela liderança em diferentes ramos de atividade são pontos-chave nessas economias dinâmicas, segundo a McKinsey, nas quais apenas 45% das empresas que estão entre as maiores geradoras de lucro conseguem manter uma posição de destaque no mercado por mais de uma década, ante 62% em países de alta renda. As grandes empresas, na visão da consultoria, é que turbinam os países de crescimento acelerado. Na média, essas economias têm duas vezes mais companhias com faturamento superior a US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) ao ano do que outros países emergentes.

Ainda que, muitas vezes, o setor privado apareça como coadjuvante nas análises sobre a economia asiática, em especial no caso de países que tiveram um crescimento acelerado nas últimas décadas, ele teve uma importância fundamental no desenvolvimento alcançado nesse período e na redução da pobreza extrema na região. “A maioria dos estudos sobre o desenvolvimento econômico e a redução da pobreza se concentra nas políticas macroeconômicas”, afirma o pesquisador Scott Paul Hipsher, na publicação O papel do setor privado na redução da pobreza na Ásia. “Mas eles dependem tanto das decisões microeconômicas tomadas pelas empresas privadas quanto das decisões macroeconômicas tomadas pelos governos.”

Como se pode observar, os caminhos para alcançar a prosperidade e a redução significativa da pobreza extrema são complexos e cheios de obstáculos. Mas as lições deixadas pela Ásia nas últimas décadas podem dar uma “contribuição milionária”, nas palavras do escritor Oswald de Andrade (1890-1954), para solucionar o problema da miséria no mundo, inclusive no Brasil. Talvez nem tudo sirva para o País, mas muita coisa pode ser útil para enfrentar para valer a questão.

https://www.estadao.com.br/economia/milagre-asiatico-miseria-licoes-brasil/

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Logística ainda trava o potencial de produtos amazônicos no país

Parceria com indústria é primeiro passo para desenvolver cadeias produtivas

Flávia G. Pinho – Folha – 22.jan.2024

Em novembro, a multinacional japonesa Ajinomoto, que faturou US$ 10 bilhões em 2022, anunciou  parceria com a empresa paraense Manioca para comercializar e difundir os ingredientes amazônicos Brasil afora.

O negócio, fechado após dois anos de conversas, tem como objetivo turbinar o alcance da Manioca, fundada em 2014, em Belém do Pará.

Essa marca quer viabilizar ingredientes ainda desconhecidos por boa parcela do país, como o tucupi amarelo (usado para fazer tacacá), molho de tucupi preto (de sabor intenso, que pode ser usado para temperar carnes e saladas), farinha de tapioca, feijão-manteiguinha e cumaru, semente conhecida como
a baunilha da Amazônia — por fazer as vezes desse item em sobremesas e drinques.

“Vamos usar nossa força para impulsionar a distribuição deles. A Manioca, que hoje está em pouco mais de 150 pontos de venda, deve chegar a 1.500 até o fim de 2024. Mas, por enquanto, a nossa marca não vai aparecer nos rótulos dos produtos”, diz Normando Filho, diretor executivo da Ajinomoto do Brasil.

A empresária Joanna Martins, sócia da Manioca, se diz animada com a possibilidade de ver seus produtos chegarem a mercados que sua foodtech não conseguia alcançar.

Todos os fornecedores são do Pará, espalhados por 12 municípios, alguns a mais de 1.000 quilômetros de distância da capital, Belém. “A parceria vai acelerar muito nossas ambições. Queremos chegar à casa das pessoas, para que nossos produtos deixem de ser vistos como exóticos.”

Não foi por acaso que a Ajinomoto escolheu os ingredientes amazônicos para o que eles anunciam co mo o primeiro investimento da multinacional em uma foodtech fora do Japão —em uma aposta para destravar o potencial desses ingredientes.

Outro bom exemplo é a expedição que a pesquisadora Anna Guasti empreendeu em março de 2022. Financiada pela Misereor —obra episcopal da Igreja Católica da Alemanha, que apoia instituições como o Slow Food—, a entidade colombiana Fucai contratou Guasti para mapear frutas amazônicas que têm potencial de geração de renda para comunidades indígenas.

Depois de se embrenhar na floresta e pernoitar em aldeias, ela voltou para casa com nada menos do que 98 frutas listadas —um inventário que também serve para nós, já que os frutos ocorrem na tríplice fronteira entre o Brasil, a Colômbia e o Peru.

Comidas do Pará

Entre suas descobertas estão espécies com nomes e sabores surpreendentes. O feioso zapote, ou sapota-do-solimões, revela uma polpa laranja vibrante, úmida e macia, sem acidez. O pequenino cupuí, ou cupuaçu-silvestre, cabe na palma da mão e tem casca tão dura que precisa ser golpeado para abrir a polpa amarela e lembrar uma banana com notas cítricas.

Tem também o madroño amarillo, de casca sextavada, que os brasileiros chamam de cambucá, e  a rara mano-de-tigre, ou pé de jabuti, cuja casca em forma de gomos esconde a polpa alaranjada e o centro oco.

O umari-vermelho, com alto teor de gordura, é uma espécie de manteiga vegana natural, usada inclusive para passar no pão. O macombo esconde castanhas que, torradas, têm sabor de avelã.

“Até o camu-camu, que custa caro no Sudeste, cresce em arbustos que inundam as bordas dos rios. A variedade é impressionante, mas algumas estão ameaçadas de extinção, porque não há replantio ou  qualquer forma de manejo.”

Banda de tambaqui do DaSelva, servida com baião de dois com feijão-manteiguinha, banana-da-terra, vinagrete e molho de pimenta com tucupi

Banda de tambaqui do DaSelva, servida com baião de dois com feijão-manteiguinha, banana-da-terra, vinagrete e molho de pimenta com tucupi – Divulgação

Chef do restaurante Banzeiro, com matriz em Manaus (AM) e filial em São Paulo (SP), Felipe Schaedler é conhecedor da diversidade dos ingredientes amazônicos —mas só uma parcela mínima entra em  seus cardápios. Culpa, ele diz, das enormes distâncias e da falta de produção em escala.

“Conheci o cupuí em São Gabriel da Cachoeira, que fica a sete dias de barco da capital. Muitas frutas, nem os manauaras conhecem. No Mercado Municipal o que se vê é uma quantidade impressionante de maçã e pera”, diz ele.

Filha de Paulo Martins (1946-2010), fundador do restaurante Lá em Casa, em Belém, considerado o embaixador da cozinha amazônica, Joanna Martins também lida diariamente com os desafios da região —e nem sempre consegue vencê-los.

Menu

“Tenho mais de cem ingredientes listados que poderiam virar produtos. Mas, para que cheguem ao mercado, há todo um trabalho de desenvolvimento da cadeia produtiva a ser feito. A gente tem que investir na capacitação. Já contratei até arquiteto para fazer planta de casa de farinha.”

A importância da difusão dos ingredientes amazônicos não é só gastronômica. Para André Noronha, coordenador de projetos da Fundação Certi, que tem como objetivo fomentar o empreendedorismo na bioeconomia, eles ajudam a manter a floresta em pé.

“O segmento de alimentos e bebidas é o mais relevante da Amazônia, onde há mais novidades e as maiores oportunidades em curto prazo. Mas, além de estimular empresas, o caminho para qualificar cadeias produtivas é trazer a indústria e financiadores.”

Aliada à Ajinomoto, Joanna Martins acredita que terá fôlego para investir em pesquisas de mercado e novas estratégias de marketing. Seu alvo não são os chefs de cozinha da alta gastronomia que costumam ser ávidos por novidades, já conhecem esses produtos e estão mais do que conquistados.

“Quero ver nosso molho de tucupi entrar na cozinha do restaurante a quilo e no PF do bar. Se todo mundo já consome shoyu, por que não?”

https://www1.folha.uol.com.br/comida/2024/01/por-que-ainda-nao-consumimos-ingredientes-amazonicos-no-sudeste.shtml

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Por que a USP recebe 8 mil alunos idosos por ano? ‘Vivo no mundo atual; não me sinto sozinha’

Eles participam do programa voltado para público com 60 anos ou mais; iniciativa contribui com saúde física e mental dos participantes, além de integrar instituição com a comunidade

Por Roberta Jansen – Estadão – 23/01/2024 

Ao se aposentar, após trinta anos como professora de Biologia, Neuza Guerreiro Carvalho decidiu se dedicar a tudo o que nunca tinha estudado até então. Para concretizar o plano ousado, Neuza buscou o USP60+, programa de extensão que oferece cursos e atividades para o público mais velho, além de participação em disciplinas regulares das graduações, junto com os jovens universitários.

Ao longo de uma década, participou de mais de 50 formações: História, Artes Plásticas, Sociologia, Literatura. Foram tantos que Neuza se tornou, ela mesma, professora de um dos cursos oferecidos ao público mais idoso: Resgate de Memórias Autobiográficas, que será ministrado este ano.

“Teve época em que fazia cursos de manhã e de tarde”, lembra Neuza, prestes a completar 94 anos – quatro a mais que a própria Universidade de São Paulo, que faz aniversário nesta semana. “É ótimo para complementar conhecimento, manter a cabeça ativa. Sempre fui viciada em estudar. A verdade é que não tenho tempo de fazer tudo o que tenho vontade.”

  • O Programa de Universidade Aberta à Terceira Idade foi criado em 1994 e recebe de 7 mil a 8 mil alunos por ano gratuitamente, o que faz com que seja a maior universidade aberta da América Latina, segundo a USP. Tudo o que o interessado precisa fazer é se inscrever e começar a frequentar as aulas ou atividades.

Para este ano, as inscrições estarão abertas a partir de 29 de janeiro para qualquer pessoa que tiver mais de 60 anos. São mais de duzentas atividades como excursões, palestras e aulas de ginástica, além das disciplinas regulares, sobre os mais variados temas. Os cursos ocorrem na capital e também nos câmpus do interior. Veja abaixo:

  • Lorena;
  • Pirassununga;
  • Ribeirão Preto;
  • Piracicaba;
  • São Carlos.

“A ideia do programa USP60+ é fornecer à população acima dos 60 anos oportunidades para o aprendizado ao longo da vida. Sabemos que o aprendizado contínuo é um dos pilares do envelhecimento ativo”, afirmou o médico Egídio Dórea, coordenador do programa que.

“Outro fator importante é o encontro de gerações. Nós inovamos (em relação a programas do exterior), ao acrescentarmos a intergeracionalidade, essa troca de experiências dentro de sala de aula com alunos da graduação”, destaca ele.

A professora Maria Aparecida Nicoletti, que coordena o programa de palestras na Faculdade de Ciências Farmacêuticas, no Butantã, zona oeste paulistana, contou que os idosos passaram a fazer parte da comunidade acadêmica.

“Eles passaram a nos ver como família, referência de segurança. Ajudamos a pagar boletos, acessar a internet, tudo isso”, afirma

Professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, a USP Leste, Beatriz Aparecida Ozello Gutierrez ministra disciplinas dadas aos idosos. “Há troca rica em sala de aula entre os idosos e os jovens”, relata. “Eles saem juntos, vão a restaurantes, bares, fazem comemorações. É um vínculo forte.”

Segundo ela, o convívio social é importante para o idoso, inclusive do ponto de vista da saúde. “Percebemos que muitos chegam com sintomas de depressão e ansiedade e, com o tempo, o convívio faz com que reduzam medicamentos”, afirma Beatriz. “A partir do momento em que ajudamos o idoso a se valorizar mais, a usar sua autonomia, eles se sentem melhor.”

Viúva há 24 anos, Neuza mora sozinha, mas garante não sentir solidão. Além dos cursos, participa de grupos de leitura. Acaba de descobrir os livros de Walter Hugo Mãe e está extremamente curiosa com o escritor português.

“Já fui procurar por outros livros dele”, conta. “Sempre estou atrás de algo diferente, conhecer coisas novas. Vivo no mundo atual. Embora more sozinha, não me sinto nada sozinha, tenho muitos amigos e interesses.”

Para se inscrever, entre no site: https://prceu.usp.br/usp60

https://www.estadao.com.br/educacao/usp-cursos-idosos-60-anos-ou-mais/

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A Inteligência Artificial e a exploração submarina

Por João Lara Mesquita – Estadão/Mar sem fim – 16 de janeiro de 2024

Há muito se tornou lugar comum dizer que conhecemos mais o espaço sideral do que o fundo dos oceanos. Diversos fatores contribuíram para esta realidade, entre eles a Guerra Fria, e o ‘glamour’ da exploração sideral. Mas não vem ao caso perder tempo com isso. O fato é que até hoje conhecemos apenas 25% do fundo dos oceanos. E desde sempre este conhecimento vem do sonar. A antiga tecnologia usa ondas sonoras para determinar o que está debaixo d’água e como é o fundo do mar. Com essa tecnologia, um navio pode mapear até mesmo os pontos mais profundos do oceano. É o que faz, por exemplo, o projeto Seabed que tem como objetivo  reunir todos os dados batimétricos disponíveis para produzir o mapa definitivo do fundo do oceano até 2030 e disponibilizá-lo. A Inteligência Artificial e a exploração submarina.

O projeto Seabed

O projeto vasculha arquivos de governos, institutos de pesquisa e empresas que tenham mapas do fundo do mar que ainda não foram publicados. Além disso, tenta convencer outros navios a usar seus sistemas de sonar para mapear o fundo do mar e compartilhar esses dados. Contudo, o processo  é lento e demorado. Assim, agora os cientistas apostam na Inteligência Artificial para apressar a exploração submarina.

O desastre do Titan e as dificuldades que se impõem

Em junho de 2023 mais uma vez o mundo parou ao saber do sumiço do submersível Titan. Apesar dos erros do projeto, a tragédia chamou a atenção para as brutais dificuldades da exploração submarina: pressão brutal, ausência de luz, e um vastíssimo espaço que corresponde a quase três vezes o tamanho de todos os continentes juntos.

Assim, depois do acidente com o Titan surgiram diversas matérias na mídia internacional, comentando as novas possibilidades da exploração submarina com a Inteligência Artificial. Afinal, apesar de não conhecermos, sabemos da importância dos fundos marinhos.

O leito do oceano abriga metais como cobalto, cobre e manganês, que são críticos para a transição de energia limpa do planeta. Mesmo com os alertas de cientistas, a corrida por estes metais já começou. A Noruega, cuja economia sempre dependeu dos oceanos, acaba de aprovar a mineração submarina. Em breve, outros países também o farão.

Enquanto a biodiversidade terrestre declina a passos largos, colocando em risco a humanidade, novas espécies de animais e plantas  são constantemente descobertas nas profundezas. Para encerrar, os oceanos interagem fortemente com o clima da Terra e entendê-los melhor poderia oferecer soluções potenciais para as mudanças climáticas.

Assim, a mídia estrangeira abriu espaço para esta aposta dos cientistas, o emprego da IA na exploração submarina. O que descobrimos segue abaixo.

Pequenos submersíveis, não tripulados e impulsionados pela inteligência artificial (IA), podem ser o futuro

A Al Jazeera explorou esta possibilidade na matéria Profundo e perigoso: a IA é o futuro da exploração oceânica? E ela mesma respondeu: a exploração subaquática provavelmente continuará, mesmo após o desastre do Titã. No entanto, pequenos submersíveis, muitas vezes não tripulados e impulsionados pela inteligência artificial (IA), podem ser o futuro, usando uma nova tecnologia para  operar por meses – até anos – a fio.

É por isso que os pesquisadores oceânicos têm grandes esperanças de inteligência artificial. As embarcações, como os submersíveis, que operam de forma autônoma por si só, poderiam tirar muito da mão de obra necessária para explorar os vastos confins de nossos oceanos.

“Um veículo subaquático operado remotamente, controlado à distância por um piloto humano, funciona bem quando você precisa inspecionar um objeto específico, como a base de uma turbina eólica offshore”, disse Helge Renkewitz, pesquisador do instituto de pesquisa alemão Fraunhofer, trabalhando em robótica subaquática. “Mas se você quiser explorar grandes trechos do fundo do mar, os veículos autônomos são o futuro.”

Submersíveis autônomos e alimentados com IA minimizariam os riscos para as vidas humanas da exploração em alto mar e permitiriam um mapeamento mais rápido dos fundos oceânicos, diz a matéria da Al Jazeera. Mas o que os pesquisadores idealmente querem é dar um passo adiante: construir submersíveis que possam explorar por períodos indefinidos de tempo, acelerando assim o processo de digitalização dos pontos mais profundos do planeta.

Analisar e processar informações

O site www.thred.com discutiu recentemente as mudanças na exploração marítima, com destaque na matéria “A IA está prestes a mudar a exploração em alto mar?”. O artigo também aborda o acidente do Titan como um fator chave para essa nova tendência, destacando a lentidão do mapeamento marítimo realizado por sonar.

Jéssica Bryne destaca a importância de baterias avançadas para estender missões submarinas por meses ou até anos. Ela também sugere que, sem acesso rápido a essa tecnologia, seria viável instalar estações flutuantes para recarregar submersíveis conforme necessário.

Equipar esses dispositivos com computadores alimentados por inteligência artificial (IA) permitirá navegação autônoma e mudança de direção usando sensores de dados. Esses robôs ajudarão a aprender mais sobre correntes oceânicas, temperatura da água e vida marinha.

Bryne acredita que, após a coleta de dados pelos robôs, a inteligência artificial (IA) pode analisar e processar essas informações. Ela afirma que treinar a IA para identificar tendências e anormalidades facilitará a compreensão humana sobre as mudanças sazonais e climáticas.

Monitoramento e Conservação Ambiental

O site www.roleplaygpt.com também abordou a IA na exploração submarina. E lembrou que a tecnologia de IA tem imenso potencial no monitoramento e conservação de ecossistemas subaquáticos.

Ao integrar sistemas de IA com sensores subaquáticos, os cientistas podem monitorar continuamente a qualidade da água, a temperatura e a presença de poluentes. A análise de dados em tempo real ajuda a identificar ameaças potenciais à vida marinha e permite esforços proativos de conservação.

Além disso, os algoritmos de IA podem ajudar na identificação de espécies, no rastreio de padrões de migração e na detecção de atividades de pesca ilegais, contribuindo para a preservação dos nossos preciosos recursos marinhos.

A IA já está colhendo bons resultados nos mares

A IA já foi aplicada com ótimos resultados em várias ações nos mares, entre elas melhorar o desempenho e aumentar a eficiência dos parques eólicos offshore, informa o www.altasea.org. Tais desenvolvimentos ajudam a reforçar a indústria das energias renováveis ​​e a combater as alterações climáticas, maximizando a capacidade de colher energia limpa.

Quando se trata de ameaças que os oceanos enfrentam, a IA é utilizada para enfrentar questões tão díspares como a poluição plástica e a pesca ilegal. Atualmente, estima-se que 20% a 32% dos peixes selvagens importados para os Estados Unidos são capturados ilegalmente. Para resolver esta questão, a OceanMind utiliza dados de satélite e IA para rastrear os movimentos dos navios e os métodos de pesca, melhorando a transparência da cadeia de abastecimento de produtos do mar.

A inteligência artificial permitiu aos cientistas realizar tarefas monumentais, como identificar e localizar o canto das baleias jubarte em 180 mil horas de gravações, com uma velocidade relativa que significa que estamos adquirindo mais conhecimento sobre os oceanos e mais rapidamente do que nunca.

A IA também permite aprimorar os serviços já prestados pelos oceanos. Por exemplo,  a empresa Hypergiant criou um biorreator que utiliza IA para otimizar o crescimento de algas sequestradoras de carbono. O sistema usa IA para monitorar seu tanque de algas e ajustar fatores como luz, pH e temperatura para maximizar o crescimento de algas comedoras de CO2. Segundo a Forbes, “o sistema é 400 vezes mais eficaz na absorção de CO2 do que as árvores”.

Por outro lado, pesquisadores do Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) usaram computadores para revelar conexões e padrões nos oceanos, o que de outra forma seria impossível de alcançar pelos seres humanos, informou a www.electronicsforu.com.

Ficção científica

E se você quer um pouco de ficção científica, saiba que a China pretende construir uma colônia em águas profundas para “robôs” executarem operações científicas e de defesa nas profundezas do Mar da China Meridional, e a informação é do www.imoa.ph.

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Perrengues para implantar cultura da inovação

Por Evandro Milet – Portal ES 360 – 21/01/2024

O mercado exige inovação, os consumidores procuram inovação, os profissionais querem trabalhar em empresas inovadoras, todo mundo acha que inovação em empresas exige difundir a cultura da inovação, mas não é todo mundo que consegue. Por que?

Um problema crônico é o envolvimento da alta administração que pode não existir ou ser fake. A prática mostra que os colaboradores(palavra esquisita – não seria melhor chamar de parceiros ou então de empregados, mesmo?) seguem as pernas e não a boca do líder. Se o discurso da inovação não for acompanhado de envolvimento na prática e demonstração de prioridade, a turma vai fazer outra coisa. 

Tem também a história do medo na organização. Muitos anos atrás, o guru da qualidade Edward Deming colocava entre seus 14 princípios o de tirar o medo das organizações. Se uma ideia apresentada for dispensada sem cuidado, o recuo da postura é natural. Como disse Mark Twain: “Um gato que se senta num fogão quente nunca mais se sentará num fogão quente. Mas tampouco se sentará num fogão frio”. A postura ideal seria difundir o lema “é melhor pedir perdão que pedir licença” incentivando a iniciativa e a autonomia. Mas a liderança tem seu stress próprio, que serve de justificativa renovada, afinal o dele é que está na reta. Se todos começarem a dar ideias demais, a empresa pode perder o foco. Ele tem que calibrar o processo sem meter medo, o que aliás era mais comum, hoje dá assédio moral.  Fundamental conseguir separar o urgente, do prioritário e do estratégico. Ambidestria, cuidar do presente e do futuro, horizonte 1, 2 e 3 da inovação.

Outro atraso para a cultura da inovação é o antigo, mas sempre presente, cemitério das boas ideias: isso não funciona aqui/já foi tentado e não deu certo/vai dar muito trabalho/se fosse bom já teriam feito/é uma mudança muito radical/como fica isso na prática?/vai ser difícil de vender/até agora tivemos sucesso assim, não vamos mudar. Se fosse assim, grande parte das startups não existiria, pois arriscam tudo numa ideia vaga, sem legado para carregar nas costas e acabam atropelando os zumbis do cemitério.

Para poder participar da formulação de novas ideias, todo mundo tem que ter informação. Afinal, diz uma lei antiga, a pessoa não faz o que tem que fazer, faz o que sabe. O que a empresa faz, como faz, qual é a missão, qual é o mercado, quem são os concorrentes, quais são os projetos, tudo tem que ser passado. Isso ajuda até a vestir a camisa. Se alguém perguntar o que a pessoa faz na empresa que trabalha, ela pode fazer seu sucesso de botequim dando uma aula. Pertencimento, dir-se-ia hoje. Um dos empresários mais inovadores, Amâncio Ortega, dono da Zara, concorda: “As informações da empresa precisam estar disponíveis para todas as áreas, em qualquer lugar e em todo momento”.

A inovação aberta criou novos perrengues: se a empresa mostrar suas dores, quem não resolveu as dores até agora fica com receio de ter que explicar porquê. Como muitas startups convidadas a resolver essas dores são do setor de TI-Tecnologia da Informação, a área interna de TI fica nervosa e pode boicotar ou achar que pode resolver, mesmo tendo cada vez um backlog maior à sua espera. Na verdade, isso pode acontecer com qualquer área que recebe essa inovação que foi aberta. A liderança tem que pautar o ritmo e promover a cultura da inovação com comprometimento, senão a coisa desanda.

https://es360.com.br/colunas/perrengues-para-implantar-a-cultura-da-inovacao

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Trabalho remoto faz a sociedade mais igualitária

A colunista Vicky Bloch fala sobre o impacto que pode ocorrer nas famílias com nova modalidade

Por Vicky Bloch – Valor – 11/01/2024

Vicky Bloch é professora da FGV, da FIA e fundadora da Vicky Bloch Associados. Coach de CEOs, atua em processos de sucessão familiar e formação de lideranças.

Em um artigo publicado em 2023 pela revista americana Forbes, a jornalista e empresária Erin Grau trouxe uma perspectiva muito interessante sobre o movimento de resistência ao home office que vem sendo liderado por alguns CEOs de grandes empresas globais como Mark Zuckerberg (Meta), Jamie Dimon (JP Morgan) e Marc Benioff (Salesforce).

Enquanto os executivos que impuseram a volta total ao escritório, em sua maioria homens, alegam queda de produtividade e prejuízos à cultura organizacional no modelo remoto estabelecido durante a pandemia, Erin alerta que essa postura reforça arranjos de trabalho ultrapassados e machistas que não contemplam as necessidades das mulheres – e tampouco refletem o sentimento da maioria dos funcionários das organizações.

O trabalho flexível, explica Erin, quando implementado sem penalidades ou preconceitos de gênero, promove uma mudança importante na dinâmica do cuidado e um maior equilíbrio na divisão dos afazeres domésticos, passo essencial para uma sociedade mais igualitária. “O argumento em favor do trabalho flexível tem um imperativo social e moral. Ele ajuda a reter mulheres, reduz o esgotamento profissional e facilita a conciliação entre o trabalho e as responsabilidades de cuidado”, diz ela no artigo.

Seus argumentos são corroborados por pesquisas. Um levantamento realizado com mulheres que adotam o modelo híbrido, combinando trabalho presencial e remoto, apontou que 88% delas acreditam que essa flexibilidade é equalizadora no ambiente de trabalho, e dois terços afirmam que tiveram um impacto positivo em sua trajetória de crescimento profissional.

Além da perspectiva de equidade de gênero, esse artigo me levou também a uma reflexão sobre o quanto essa nova dinâmica de trabalho impactará as novas gerações – não apenas no aspecto profissional, mas também na observação de uma estrutura familiar mais equilibrada. Enquanto os jovens e adultos de hoje presenciaram uma dinâmica doméstica majoritariamente a cargo de suas mães, as crianças da atualidade têm a chance de crescerem em um ambiente onde não existe um pré-conceito em relação a esses exercícios de papéis.

Há ainda outro aspecto a ser considerado: esse formato que permite que se trabalhe de casa alguns dias da semana também tende a alterar o sentido de compromisso profissional transmitido às crianças. Se antes os filhos enxergavam o comprometimento de seus pais a partir do número de horas que passavam na empresa – quanto mais tarde e exaustos chegavam, supostamente mais comprometidos eram -, os exemplos agora são diferentes. O ato de os pais reservarem alguns minutos do dia para brincar com os filhos, cuidar do cachorro ou resolver tarefas domésticas não implica em menor comprometimento com o trabalho ou em menor produtividade. Ao contrário, o que se observa desde os tempos da pandemia é que os profissionais em home office trabalham tanto ou até mais do que trabalhavam dentro de um escritório.

Toda mudança requer ajustes e adaptações, obviamente. Mas acredito que dentro de alguns anos conseguiremos medir com mais clareza o tamanho do impacto do trabalho remoto na nossa realidade social e familiar. Torço para que de fato esteja ocorrendo uma mudança para melhor.

Vicky Bloch é fundadora da Vicky Bloch Associados, professora do IBGC, da FIA e membro de conselhos de administração e consultivos

https://valor.globo.com/carreira/coluna/trabalho-remoto-faz-a-sociedade-mais-igualitaria.ghtml

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