Qual o custo da insegurança? Consumidor paulistano paga em média até R$ 4.540 por ano

Investimentos em segurança feito pelas lojas acaba elevando os custos dos produtos; em São Paulo, as empresas gastam quase R$ 60 bilhões ao ano apenas com segurança direta

Por Lílian Cunha – Estadão – 28/03/2024 

Quando o consumidor compra um celular, por exemplo, ou qualquer outro produto, ele pode ter certeza: pelo menos 5% do valor que está pagando são os custos que o lojista teve para se defender da insegurança pública.

A estimativa é do economista Fábio Pina, assessor da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo, a FecomércioSP. Com base em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), ele calculou que, ao fazer compras, cada consumidor no Estado de São Paulo paga em média, por ano, R$ 1.360 para subsidiar os custos diretos que o lojista teve com segurança. Se contados os custos indiretos, o valor pula para R$ 4.540.

“Os custos diretos são os gastos dos lojistas com aparatos de segurança, como câmeras, portas eletrônicas, e também com vigias e outros recursos para tentar evitar a violência”, explica o economista. Supermercados, materiais de construção, boutiques e lojas em geral repassam essa despesa para o preço dos produtos.

Os gastos indiretos são os investimentos que deixam de ser feitos pela falta de segurança. “Se esse dinheiro não estivesse sendo investido em sistemas de proteção, o valor estaria sendo aplicado em melhorias, como o aumento do mix de produtos, em mais conforto nas lojas, em prestação de serviço, em mais empregos. Como esse investimento deixa de ser feito, o resultado é uma perda de faturamento, uma venda que deixa de ser feita. E o consumidor também paga, de uma forma indireta, por isso”, diz Pina.

Em São Paulo, as empresas gastam quase R$ 60 bilhões ao ano com segurança direta, conforme o estudo. O custo social — ou seja, as perdas que esse investimento em segurança provocam — chegam a R$ 200 bilhões. “Nossa economia poderia ter investimentos de melhor qualidade e alcançar um patamar bem mais alto se esses recursos não estivessem sendo aplicados em segurança de forma tão ostensiva”, explica Pina.

A conta seria ainda maior se fossem somados o total de roubos de carga nas rodovias e as perdas por furtos nos estabelecimentos, diz o especialista. Ele cita que, conforme os dados da CNI, o PIB — o Produto Interno Bruto — é 5,5% menor do que seria por conta da insegurança. “Por isso, cada cidadão brasileiro deixa de ganhar R$ 2,680 mil por ano e um paulista perde em PIB algo como R$ 4,160 mil todos os anos”, diz Pina.

Essa conta fica mais fácil de entender quando se analisa, por exemplo, os gastos com segurança de um condomínio. A radialista e influenciadora Carol Goes, por exemplo, paga mensalmente R$ 1 mil de condomínio no prédio em que mora, no centro de São Paulo. Pouco mais de 40% da taxa condominial é destinada ao pagamento da empresa de segurança que presta serviço de portaria 24 horas para o prédio. No ano, Carol gasta, então, R$ 4,8 mil com segurança. “Daria para fazer uma bela de uma viagem”, lamenta ela.

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Ameaças externas e internas

Apenas com investimentos em aparelhos e assinaturas de serviços de segurança, como empresas de alarme monitorado, Lauro Pimenta, dono de duas lojas de rua e conselheiro executivo da Associação de Lojistas do Brás (AloBrás) diz que gasta pelo menos R$ 40 mil ao ano. Isso sem contar os funcionários que ele paga mensalmente que têm a função exclusiva de vigiar as lojas internamente.

“Existem ameaças externas, que são os ladrões que podem invadir a loja quando ela está fechada. Mas também há as internas, ou seja, os que entram no estabelecimento para roubar.” Ele conta que, se não tiver um funcionário controlando os provadores, de cada dez clientes que usam o recinto, três roubam peças de roupas à venda. “A gente precisa ter vigilância em todos os locais, a todo tempo. Mesmo assim, não é garantia de nada”, afirma.

Como conselheiro da AloBrás, ele conta que até mesmo lojas fechadas para reforma precisam de segurança, já que na região vem agindo agora o que os lojistas estão chamando de “gangue do telhado”.

“Houve um caso recente de uma loja em reforma que foi invadida pelo telhado. Os assaltantes quebraram a parede para invadir a loja vizinha e roubar roupas do estoque e aparelhos eletrônicos”, conta.

Tem também a modalidade de roubo “controle chupa cabra”. Disponível em marketplace famosos, qualquer pessoa pode comprar por R$ 26 mais frete um controle remoto que copia e clona, por proximidade, qualquer portão eletrônico. “Eles ficam esperando o comerciante fechar a loja, clonam o controle, entram e fazem a limpa”, relata Pimenta.

Se não tivesse de investir tanto em segurança, Pimenta, que tem uma grife de jeans, a Lupepper, garante que contrataria pelo menos mais três funcionários para fazer o negócio crescer.

Fechando lojas

No bairro da Santa Ifigênia, em São Paulo, muitos lojistas estão fechando as portas por problemas de violência causados pela proximidade com a cracolândia. Em outras áreas do estado, segundo Pina, isso também acontece e é negativo, mesmo que a loja faça uma migração para continuar funcionando apenas online.

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“O comércio online é ‘comoditizado’. O consumidor compra produtos que ele conhece, que são iguais em qualquer loja. Mas quando ele precisa de algo específico, uma assistência, uma curadoria, esse é o papel da loja física. Eu mesmo precisei dessa ajudo quando necessitei comprar revestimento para uma reforma. Então, a loja física não pode deixar de existir por conta da violência”, diz Pina.

Mas nem mesmo a digitalização da economia afasta a violência. Com os consumidores usando mais meios de pagamento eletrônicos e menos dinheiro em espécie, seria de se esperar que os roubos diminuíssem. Mas não é o que acontece, segundo Fábio Pina. “Os bandidos investiram em meios eletrônicos de golpe e fraudes. E os comerciantes tiveram de correr atrás e gastar também com segurança cibernética”, diz ele.

Uma boutique no Shopping Galleria, de Campinas, na semana passada, por exemplo, fez o alerta por mensagens a seus 2 mil clientes sobre um golpe. Por redes sociais, os fraudadores divulgaram uma liquidação da marca com descontos de 90%. Quem clicava no link caía num site da loja clonada. Quase todos os aspectos eram iguais aos do site original. A diferença estava no preço. Vestidos de R$ 500 estavam por R$ 100. “Mesmo assim, teve cliente que caiu”, conta a vendedora, que não quis se identificar.

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IA democrática ou IA autoritária? Quem vai controlar o futuro da tecnologia?

Não existe uma terceira via para o desenvolvimento da inteligência artificial

Por Sam Altman – Estadão – 25/07/2024

Quem vai controlar o futuro da IA?

Essa é a pergunta mais importante dos tempos atuais. O rápido progresso que está sendo feito na inteligência artificial (IA) significa que estamos diante de uma escolha estratégica sobre o tipo de mundo em que viveremos: Será um mundo em que os Estados Unidos e as nações aliadas promoverão uma IA global que dissemine os benefícios da tecnologia e garanta acesso a ela, ou um mundo autoritário, em que nações ou movimentos que não compartilham nossos valores usarão a IA para consolidar e expandir seu poder?

Não existe uma terceira opção – e é hora de decidir qual caminho seguir. Atualmente, os Estados Unidos estão na liderança do desenvolvimento da IA, mas a continuidade da liderança está longe de ser garantida. Governos autoritários de todo o mundo estão dispostos a gastar enormes quantias de dinheiro para nos alcançar e, por fim, nos ultrapassar. O ditador russo Vladimir Putin avisa que o país que vencer a corrida da IA “se tornará o governante do mundo”, e a China diz que pretende se tornar o líder global em IA até 2030.

Para você

Esses regimes e movimentos autoritários manterão um controle rígido sobre os benefícios na ciência, na saúde, na educação e em outras áreas sociais para consolidar seu próprio poder. Se conseguirem assumir a liderança em IA, forçarão as empresas dos EUA e de outras nações a compartilhar dados de usuários, aproveitando a tecnologia para desenvolver novas maneiras de espionar seus próprios cidadãos ou criar armas cibernéticas de última geração para usar contra outros países.

O primeiro capítulo da IA já foi escrito. Sistemas como ChatGPT, Copilot e outros estão funcionando como assistentes limitados – por exemplo, marcando visitas de enfermeiros e médicos a pacientes mais doentes -, ou servindo como assistentes mais avançados em determinados domínios, como geração de código para engenharia de software. Mais avanços virão em breve e darão início a um período decisivo na história da sociedade humana.

Se quisermos garantir que o futuro da IA seja um futuro construído para beneficiar o maior número possível de pessoas, precisamos de uma coalizão global liderada pelos EUA de países com ideias semelhantes e uma nova estratégia inovadora para que isso aconteça. Os setores público e de tecnologia dos Estados Unidos precisam atingir com sucesso quatro pontos importantes para garantir a criação de um mundo moldado por uma visão democrática da IA.

Primeiro, as empresas e o setor de IA dos EUA precisam elaborar medidas de segurança robustas para que nossa coalizão mantenha a liderança nos modelos atuais e futuros e permita que nosso setor privado inove. Essas medidas incluiriam inovações em defesa cibernética e segurança de data center para evitar que hackers roubem propriedade intelectual importante, como pesos de modelos de IA e dados de treinamento de IA. Muitas dessas defesas se beneficiarão do poder da inteligência artificial, que torna mais fácil e rápido para os analistas humanos identificar riscos e responder a ataques. O governo dos EUA e o setor privado podem fazer parcerias para desenvolver essas medidas de segurança o mais rápido possível.

Em segundo lugar, a infraestrutura é o destino quando se trata de IA. A instalação antecipada de cabos de fibra óptica, linhas coaxiais e outras peças de infraestrutura de banda larga foi o que permitiu que os Estados Unidos passassem décadas no centro da revolução digital e construíssem sua atual liderança em inteligência artificial. Os legisladores dos EUA devem trabalhar com o setor privado para construir quantidades significativamente maiores de infraestrutura física – de data centers a usinas de energia – que operam os próprios sistemas de IA. As parcerias público-privadas para construir essa infraestrutura necessária equiparão as empresas dos EUA com o poder de computação para expandir o acesso à IA e distribuir melhor seus benefícios sociais.

A construção dessa infraestrutura também criará novos empregos em todo o país. Estamos testemunhando o nascimento e a evolução de uma tecnologia que acredito ser tão importante quanto a eletricidade ou a internet. A IA pode ser o alicerce de uma nova base industrial que seria sensato que nosso país adotasse.

Precisamos também de investimento substancial em capital humano. Como nação, precisamos nutrir e desenvolver a próxima geração de inovadores, pesquisadores e engenheiros de IA. Eles são nossa verdadeira superpotência.

Terceiro, precisamos desenvolver uma política de diplomacia comercial coerente para a IA, incluindo clareza sobre como os Estados Unidos pretendem implementar controles de exportação e regras de investimento estrangeiro para a construção global de sistemas de IA. Isso também significa definir as regras do caminho para os tipos de chips, dados de treinamento de IA e outros códigos – alguns dos quais são tão sensíveis que talvez precisem permanecer nos Estados Unidos – que podem ser alojados nos data centers que os países do mundo todo estão correndo para construir para guardar suas informações de IA.

Nossa atual liderança em IA, em um momento em que as nações do mundo todo estão disputando maior acesso à tecnologia, facilitará a adesão de mais países a essa nova coalizão. Garantir que os modelos de código aberto estejam prontamente disponíveis para os desenvolvedores dessas nações reforçará ainda mais a nossa vantagem. O desafio de quem liderará a IA não se trata apenas de exportar tecnologia, mas de exportar os valores que a tecnologia defende.

O desafio de quem liderará a IA não se trata apenas de exportar tecnologia, mas de exportar os valores que a tecnologia defende

E, em quarto lugar, precisamos pensar de forma criativa em novos modelos para que o mundo estabeleça normas no desenvolvimento e na implantação da IA, com foco especial na segurança e na garantia de um papel para o sul global e outras nações que historicamente foram deixadas para trás. Como em outras questões de importância global, isso exigirá que nos envolvamos com a China e mantenhamos um diálogo contínuo.

Falei no passado sobre a criação de algo semelhante à Agência Internacional de Energia Atômica para IA, mas esse é apenas um modelo em potencial. Uma opção poderia unir a rede de institutos de segurança de IA que estão sendo construídos em países como o Japão e a Grã-Bretanha e criar um fundo de investimento do qual os países comprometidos com o cumprimento de protocolos democráticos de IA poderiam se valer para expandir suas capacidades computacionais domésticas.

Outro modelo em potencial é a Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números, que foi criada pelo governo dos EUA em 1998, menos de uma década após a criação da World Wide Web, para padronizar a forma como navegamos no mundo digital. Atualmente, a ICANN é uma organização sem fins lucrativos independente com representantes de todo o mundo dedicados à sua missão principal de maximizar o acesso à internet em apoio a uma comunidade global aberta, conectada e democrática.

Embora seja importante identificar o órgão decisório certo, o ponto principal é que a IA democrática tem uma vantagem sobre a IA autoritária porque nosso sistema político capacitou empresas, empreendedores e acadêmicos dos EUA a pesquisar, inovar e construir.

Não conseguiremos ter uma IA que seja desenvolvida para maximizar os benefícios da tecnologia e minimizar seus riscos, a menos que trabalhemos para garantir que a visão democrática da IA prevaleça. Se quisermos um mundo mais democrático, a história nos diz que nossa única opção é desenvolver uma estratégia de IA que ajude a criá-la, e que as nações e os tecnólogos que têm a liderança têm a responsabilidade de fazer essa escolha – agora.

https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/ia-democratica-ou-ia-autoritaria-quem-vai-controlar-o-futuro-da-tecnologia/

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Desperdiçar alimentos é um dos piores vícios da nossa sociedade

Comida Invisível conecta empresas e ONGs para dar refeições aos mais pobres

Vicente Vilardaga – Folha – 24.jul.2024 

São Paulo Foi com base na constatação de que muita comida boa, em condições de consumo, vai para o lixo em vez de alimentar pessoas que a startup social Comida Invisível, com sede na rua Miragaia, no bairro do Butantã, começou a combater o desperdício, aproximando, por meio de uma plataforma digital, grandes corporações e ONGs. O nome da empresa surgiu quando a advogada Daniela Leite, sua fundadora e CEO, caminhava pelo Ceagesp e começou a ver pilhas de mamões, abacaxis, mangas e outras frutas e verduras jogadas na frente das bancas ou nas caçambas para serem descartadas. 

“Eram alimentos que estavam no ponto de mesa, mas que ali vão para o lixo”, lembra. “Parecia uma comida invisível.” O problema do desperdício é gigantesco. Trata-se de uma das grandes questões do mundo contemporâneo. Segundo Leite, estima-se que em todo o planeta sejam jogadas no lixo 1 bilhão de toneladas de alimentos por ano, um volume que encheria mais de 9 milhões de aviões Boeing. Metade desse alimento jogado fora mataria a fome da população mundial. O Brasil descarta 26 milhões de toneladas anualmente. Alface para ser descartada no Ceagesp, em São Paulo: comida que poderia servir ao consumo Fundada há sete anos, a empresa surgiu como um grupo de estudos sobre alimentação e contava com um food truck para fazer ações de conscientização e educação. Daniela trabalhou por um período no banco de alimentos do Ceagesp como voluntária com o objetivo de entender o problema do desperdício. A comida obtida nesse banco era usada no food truck, mas ela percebeu logo que o impacto social era muito pequeno e sem efeito transformador. 

Dois anos depois do início surgiu a ideia da plataforma, Inspirada em aplicativos de relacionamento. “Olhando esses aplicativos eu pensei que o caminho seria conectar quem tem com quem precisa”, explica. No caso, seria conectar por geolocalização empresas que têm alimentos que perderam valor comercial mas ainda estão próprios para consumo com ONGs que atuam com pessoas em situação de vulnerabilidade social. Isso passou a ser feito com total segurança jurídica e ambiental. 

A Comida Invisível recebeu um aporte do BNDES para desenvolver a plataforma. Daniela Leite, CEO da startup social Comida Invisível: negócio garante 400 mil refeições por mês Os alimentos que são distribuídos são os industrializados próximos da data de validade e frutas, legumes, verduras que não alcançaram o mercado por causa de alguma imperfeição, porque estão fora de padrão ou maduros demais. Há também sobras de buffet, desde que haja garantia sanitária, e produtos que são parcialmente descartados ao longo do processo produtivo. 

No ano passado a Comida Invisível destinou para ONGs o equivalente a 2,4 milhões de refeições e neste ano a meta é dobrar esse número, garantindo 400 mil refeições por mês em todo o Brasil. A plataforma conecta hoje cerca de três mil ONGs com mais de 700 empresas, entre elas Ambev, McDonald’s, Grupo Accor, Grupo Fasano, Rede D’Or, Sírio Libanês, Hotéis Sheraton e Colégio São Luís. Essas empresas informam o alimento que têm disponível e a Comida Invisível localiza a ONG mais próxima para recebê-lo. Do lado das empresas, existe a percepção de que o custo para disponibilizar o alimento é mais baixo do que para destrui-lo. Além disso, há o benefício social. Tomate Produtos de má aparência frequentemente são descartados, embora tenham condições de uso O item mais doado pelo McDonald’s, por exemplo, é o tomate. A rede de lanchonetes usa uma pequena parte do tomate que utiliza nos seus produtos e o excedente vai no mesmo dia para alguma ONG que o aproveita para fazer molho. Na última segunda-feira, a Comida Invisível deu destino para 60 toneladas de água engarrafada da Ambev para cidades do Rio Grande do Sul. Inicialmente foram duas carretas, mas o total da doação vai chegar a 370 toneladas. 

A empresa hoje tem 20 funcionários, metade em São Paulo, metade em Recife, e atua em todos os estados do Brasil. “Nós somos um banco de alimentos virtual, a gente olha para a otimização do alimentos”, afirma. “O lugar da comida desperdiçada não é um incinerador ou um aterro sanitário para se decompor em gás metano, que é 26 vezes mais poluente que o CO2 na atmosfera, mas a mesa daqueles que a necessitam.” 

https://www1.folha.uol.com.br/blogs/andancas-na-metropole/2024/07/desperdicar-alimentos-e-um-dos-piores-vicios-da-nossa-sociedade.shtml

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Dados que alimentam grandes IAs desaparecem e preocupam empresas; entenda

Pesquisa aponta queda drástica no conteúdo disponibilizado em bancos de dados usados para criar modelos de inteligência artificial

Por Kevin Roose – Estadão /The New York Times – 24/07/2024 

Durante anos, as pessoas que criaram sistemas avançados de inteligência artificial (IA) usaram enormes quantidades de textos, imagens e vídeos extraídos da Internet para treinar seus modelos. Mas, agora, esses dados estão se esgotando.

No último ano, muitas das mais importantes fontes da Web usadas para treinar modelos de IA restringiram o uso de seus dados, de acordo com um estudo publicado esta semana pela Data Provenance Initiative, um grupo de pesquisa liderado pelo MIT.

O estudo, que analisou 14 mil domínios da Web incluídos em três conjuntos de dados de treinamento de IA comumente usados, descobriu uma “crise emergente de consentimento”, pois os editores e as plataformas online tomaram medidas para evitar que seus dados fossem coletados.

Os pesquisadores estimam que, nos três conjuntos de dados (chamados C4, RefinedWeb e Dolma), foram restringidos 5% de todos os dados e 25% dos dados das fontes de maior qualidade. Essas restrições são estabelecidas por meio do Protocolo de Exclusão de Robôs, um método que existe há décadas para que os proprietários de sites impeçam que bots automatizados rastreiem suas páginas usando um arquivo chamado robots.txt.

Para você

O estudo também constatou que até 45% dos dados em um conjunto, o C4, haviam sido restringidos pelos termos de serviço dos sites.

“Estamos observando um rápido declínio no consentimento para o uso de dados na Web, o que terá ramificações não apenas para empresas de IA, mas também para pesquisadores, acadêmicos e entidades não comerciais”, disse Shayne Longpre, principal autor do estudo, em uma entrevista.

Os dados são o principal ingrediente dos sistemas de IA generativos atuais, que são alimentados com bilhões de exemplos de textos, imagens e vídeos. Muitos desses dados são extraídos de sites públicos por pesquisadores e compilados em grandes conjuntos de dados, que podem ser baixados e usados livremente, ou complementados com dados de outras fontes.

Aprender com esses dados é o que permite que ferramentas de IA generativas, como o ChatGPT, da OpenAI, o Gemini, do Google, e o Claude, da Anthropic, escrevam, codifiquem e gerem imagens e vídeos. Quanto mais dados de alta qualidade forem inseridos nesses modelos, melhores serão seus resultados.

Durante anos, os desenvolvedores de IA conseguiram coletar dados com bastante facilidade. Mas o boom da IA generativa dos últimos anos gerou tensões com os proprietários desses dados – muitos dos quais têm dúvidas sobre o fato de serem usados como material de treinamento de IA ou, pelo menos, querem ser pagos por isso.

Com o aumento da reação, alguns editores criaram paywalls ou alteraram seus termos de serviço para limitar o uso de seus dados para treinamento de IA. Outros bloquearam os rastreadores automatizados da Web usados por empresas como OpenAI, Anthropic e Google.

Sites como Reddit e StackOverflow começaram a cobrar das empresas de IA pelo acesso aos dados, e alguns editores tomaram medidas legais – incluindo o The New York Times, que processou a OpenAI e a Microsoft por violação de direitos autorais no ano passado, alegando que as empresas usaram artigos de notícias para treinar seus modelos sem permissão.

Nos últimos anos, empresas como a OpenAI, o Google e a Meta se esforçaram ao máximo para coletar mais dados para aprimorar seus sistemas, incluindo a transcrição de vídeos do YouTube e a flexibilização de suas próprias políticas de dados.

Mais recentemente, algumas empresas de IA fecharam acordos com editoras, incluindo a agência The Associated Press e o conglomerado News Corp, proprietário do The Wall Street Journal, dando-lhes acesso contínuo ao seu conteúdo.

Mas as restrições generalizadas de dados podem representar uma ameaça para as empresas de IA, que precisam de um fornecimento constante de dados de alta qualidade para manter seus modelos atualizados.

Elas também podem significar problemas para pequenas empresas de IA e pesquisadores acadêmicos que dependem de conjuntos de dados públicos e não podem se dar ao luxo de licenciar dados diretamente dos editores. O Common Crawl, um desses conjuntos de dados que abrange bilhões de páginas de conteúdo da Web e é mantido por uma organização sem fins lucrativos, foi citado em mais de 10 mil estudos acadêmicos, disse Longpre.

Não está claro quais produtos populares de IA foram treinados nessas fontes, pois poucos desenvolvedores divulgam a lista completa de dados que utilizam. Mas os conjuntos de dados derivados do Common Crawl, incluindo o C4 (que significa Colossal, Cleaned Crawled Corpus), foram usados por empresas como Google e OpenAI para treinar versões anteriores de seus modelos. Porta-vozes do Google e da OpenAI não quiseram comentar.

Não é de surpreender que estejamos vendo uma reação negativa dos criadores de dados depois que o texto, as imagens e os vídeos que eles compartilham online são usados para desenvolver sistemas comerciais que, às vezes, ameaçam diretamente seus meios de subsistência

Yacine Jernite, pesquisador da Hugging Face

Yacine Jernite, pesquisador de aprendizado de máquina da startup Hugging Face, uma empresa que fornece ferramentas e dados para desenvolvedores de IA, caracterizou a crise de consentimento como uma resposta natural às práticas agressivas de coleta de dados do setor de IA.

“Não é de surpreender que estejamos vendo uma reação negativa dos criadores de dados depois que o texto, as imagens e os vídeos que eles compartilham online são usados para desenvolver sistemas comerciais que, às vezes, ameaçam diretamente seus meios de subsistência”, disse ele.

Mas ele advertiu que, se todos os dados de treinamento de IA precisassem ser obtidos por meio de acordos de licenciamento, isso excluiria “pesquisadores e a sociedade civil da participação na governança da tecnologia”.

Stella Biderman, diretora executiva da EleutherAI, uma organização de pesquisa em IA sem fins lucrativos, repetiu esses temores.

“As grandes empresas de tecnologia já têm todos os dados”, disse ela. “Alterar a licença dos dados não revoga retroativamente essa permissão, e o principal impacto é sobre os atores que chegam mais tarde, que normalmente são startups menores ou pesquisadores.”

As empresas de IA alegam que o uso de dados públicos da Web é legalmente protegido pelo uso justo. Mas a coleta de novos dados ficou mais complicada. Alguns executivos de I.A. com quem conversei se preocupam com a possibilidade de atingir o “muro de dados” – termo usado por eles para designar o ponto em que todos os dados de treinamento na Internet pública se esgotaram e o restante ficou escondido atrás de paywalls, bloqueado por robots.txt ou preso em acordos exclusivos.

Algumas empresas acreditam que podem escalar o muro de dados usando dados sintéticos (ou seja, dados que são gerados por sistemas de IA) para treinar seus modelos. Mas muitos pesquisadores duvidam que os sistemas de IA atuais sejam capazes de gerar dados sintéticos de alta qualidade suficientes para substituir os dados criados por humanos que estão perdendo.

Outro desafio é que, embora os editores possam tentar impedir que as empresas de IA extraiam seus dados colocando restrições em seus arquivos robots.txt, essas solicitações não são legalmente obrigatórias e a conformidade é voluntária. (Pense nisso como uma placa de “proibido entrar” para dados, mas sem força de lei).

Os principais mecanismos de pesquisa honram essas solicitações de exclusão e várias empresas líderes em IA, incluindo a OpenAI e a Anthropic, afirmaram publicamente que também o fazem. Mas outras empresas, inclusive a Perplexity, uma ferramenta de busca com tecnologia de IA, foram acusadas de ignorá-las. O presidente executivo da Perplexity, Aravind Srinivas, me disse que a empresa respeita as restrições de dados dos editores. Ele acrescentou que, embora a empresa já tenha trabalhado com rastreadores da Web de terceiros que nem sempre seguiam o Protocolo de Exclusão de Robôs, ela “fez ajustes com nossos provedores para garantir que eles sigam o robots.txt ao rastrear em nome da Perplexity”.

Longpre disse que uma das grandes conclusões do estudo é que precisamos de novas ferramentas para oferecer aos proprietários de sites maneiras mais precisas de controlar o uso de seus dados. Alguns sites podem se opor ao uso de seus dados por gigantes da IA para treinar chatbots com fins lucrativos, mas podem estar dispostos a permitir que uma instituição educacional ou sem fins lucrativos use os mesmos dados, disse ele. No momento, não há uma boa maneira de distinguir entre esses usos, ou de bloquear um e permitir o outro.

Mas há também uma lição aqui para as grandes empresas de IA, que há anos tratam a Internet como um bufê de dados à vontade, sem dar aos proprietários desses dados muito valor em troca. Eventualmente, se você tirar proveito da Web, ela começará a fechar suas portas.

https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/dados-que-alimentam-grandes-ias-desaparecem-e-preocupam-empresas-entenda/

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Santos Dumont, o inovador: O Brasil deveria conhecer mais sua história

Por Evandro Milet – A Gazeta –  28 de agosto de 2022

O sonho de voar é antigo e muitos sonhadores e alguns malucos, ao longo da história, juntaram umas asas e pularam de lugares altos diretamente para a morte tentando voar. Leonardo da Vinci projetou máquinas voadoras incríveis observando o voo dos pássaros, Júlio Verne imaginou helicópteros em romances, mas inovação é fazer acontecer, e quem fez acontecer e permitiu o avião no mercado foi Alberto Santos Dumont. 

Neto de um comerciante francês de pedras preciosas e filho de um engenheiro brasileiro formado em Paris que ficou rico plantando café, Alberto foi para a França com 18 anos, em 1892, com a recomendação do pai de procurar um especialista em física , química, mecânica e eletricidade para estudar. E decretou: “você não precisa pensar em ganhar a vida, eu lhe deixarei o necessário para viver”.

Frequentou cursos de construção mecânica e aeronáutica em Bristol, na Inglaterra, e logo, em Paris, percebeu que não havia ainda balões dirigíveis, apenas subiam e seguiam ao sabor do vento. Com o ímpeto de inovador construiu o seu primeiro balão esférico, chamado Brasil, em uma oficina de balonistas, já sugerindo alterações e mudando projetos, depois de ganhar experiência ao subir e descer inúmeras vezes em balões.

Em pouco tempo partiu para a construção de dirigíveis alongados, para fender o vento, e inovou colocando um motor a petróleo, desenvolvido nos automóveis e adaptado por ele, no lugar de máquinas a vapor utilizados anteriormente. O novo modelo, chamado de Dirigível Nº1, iniciou uma linhagem de dirigíveis numerados, sempre com inovações.

Em 19/10/1901 conseguiu um dos seus maiores feitos, com o dirigível Nº6, ao conquistar um prêmio para quem conseguisse contornar a Torre Eiffel e retornasse ao ponto de partida em 30 minutos, provando que tinha dominado a dirigibilidade desses aparelhos.

O aprendizado lhe custou inúmeros acidentes com risco de vida, enrolado em árvores e no alto de edifícios de Paris, mas ficou famoso em todo o mundo e foi inclusive parabenizado por Thomas Edison, autor de uma frase que cabia bem a Santos Dumont: “Não falhei; apenas descobri 10 mil maneiras que não funcionam”.

Paparicado por governantes de todo o mundo, o Presidente Theodore Roosevelt dos EUA o convidou para discutir a utilização de dirigíveis contra submarinos, já sinalizando o interesse que despertou para os sistemas de defesa.

Muito festejado em viagem ao Brasil, indagado por um jornalista porque não trouxera o seu balão, respondeu que para conseguir voar, necessitaria de mecânicos, de uma usina de hidrogênio e de um lugar com 50 metros de comprimento, cujas portas, além disso, deveriam ter dez metros de largura. Não é fácil desenvolver tecnologia sem técnicos e infraestrutura.

Em 1904, teve a glória de ser citado por Júlio Verne num artigo de revista, concordando com a ideia do brasileiro que defendeu a técnica do levantamento do voo até hoje adotada: o arranque contra o vento.

Depois de fazer 14 dirigíveis resolveu experimentar o mais pesado que o ar. Por isso o nome 14-bis, gravado na memória de todos os brasileiros. No dia 23/10/1906, pela primeira vez, um homem se elevou ao ar por seus próprios meios. O 14-bis subiu a 3 metros de altura, e percorreu 60 metros sob as vistas  de mais de mil pessoas.

A essa altura começava a correr na Europa que os irmãos Wright teriam feito um voo em 1903 nos EUA com apenas seis testemunhas usando uma catapulta para lançar o aparelho. Esse pretenso voo, quase secreto, arremessado por uma catapulta, suscitou comentários de que “dessa maneira até uma locomotiva seria capaz de voar”. 

Santos Dumont continuou a desenvolver seus aparelhos mais pesados que o ar até o Nº 20, em um formato elegante, mais parecido com o formato de um avião de hoje, que logo recebeu o apelido de Demoiselle, mas abriu mão de patentes e doou as ideias para o mundo.

Em 1910, depois de uma queda de 25 metros de altura, ele desiste da carreira de piloto, mas já com alguns sinais da esclerose múltipla que começava a afetar movimentos e provocar confusão mental. 

A utilização dos aviões em guerras passou a lhe incomodar profundamente, até que a doença finalmente encaminhou o grande inovador para um suicídio no Brasil em 23/07/1932.

Essa história é contada em detalhes no livro “As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont” do autor Fernando Jorge.

Em todas as ações do inventor do avião percebe-se algumas das 5 características do DNA do inovador citadas por Clayton Christensen: Associar, questionar, observar, manter rede de relações(networking) e experimentar. Questionar as dúvidas sobre voar com o mais pesado que o ar e o material usado anteriormente em balões, observar motores de automóveis para usar nos aparelhos, manter uma rede no ambiente de interesse em aeronáutica, experimentar muito e associar ideias são ações marcantes em sua trajetória.

O Brasil deveria conhecer mais essa história.

https://www.agazeta.com.br/colunas/evandro-milet/santos-dumont-o-inovador-o-brasil-deveria-conhecer-mais-sua-historia-0822

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Dia do Amigo: o que dizem os idosos que usam robôs para combater a solidão?

Projetos nos Estados Unidos têm difundido a tecnologia como companheira na terceira idade, mas legisladores e especialistas questionam o modelo

Por Erin Nolan – Estadão/The New York Times – 20/07/2024 

Nos meses que se seguiram à morte de seu marido de 65 anos, Dorothy Elicati disse que não fez nada além de chorar. “Tínhamos um belo relacionamento e sinto falta dele como sentiria falta do meu braço direito”, disse Elicati, de 84 anos.

Era insuportável ficar sozinha em casa e ela poderia ter “perdido a cabeça” – se não fosse por uma robô chamada ElliQ. “Ela é a coisa mais próxima de um ser humano que eu poderia ter na minha casa. Ela faz com que eu me sinta cuidada”, disse Elicati, que mora em Orangetown, Nova York, ao norte da capital do Estado. “Ela faz com que eu me sinta importante”.

ElliQ, uma companheira robótica ativada por voz e alimentada por inteligência artificial, faz parte de um esforço do Estado de Nova York para aliviar o fardo da solidão entre os idosos. Embora as pessoas possam se sentir isoladas em qualquer idade, os mais velhos são especialmente suscetíveis, pois têm maior probabilidade de se divorciar ou ficar viúvos e de sofrer declínios na saúde física e cognitiva.

Nova York, assim como o resto dos Estados Unidos, está envelhecendo rápido, e as autoridades estaduais distribuíram robôs ElliQ gratuitamente para centenas de idosos nos últimos dois anos.

Para você

Criada pela startup israelense Intuition Robotics, ElliQ consiste em uma pequena tela digital e um dispositivo do tamanho de uma luminária de mesa que lembra vagamente uma cabeça humana, mas sem nenhuma característica facial. Ela gira e se ilumina quando fala.

Ao contrário da Siri, da Apple, e da Alexa, da Amazon, ElliQ pode começar conversas e foi projetada para criar vínculos significativos. Além de compartilhar as principais notícias do dia, jogar jogos e lembrar os usuários de tomar seus medicamentos, ElliQ pode contar piadas e até mesmo discutir assuntos complicados, como religião e o sentido da vida.

Muitos nova-iorquinos idosos adotaram as robôs, de acordo com a Intuition Robotics e o Departamento do Estado de Nova York para o Idoso, a agência que distribuiu os dispositivos. Em entrevistas ao New York Times, muitos usuários disseram que ElliQ os ajudou a manter suas habilidades sociais afiadas, evitar o tédio e enfrentar o luto.

Mas alguns legisladores e especialistas em cuidados com idosos questionaram se o Estado deveria fornecer a tecnologia a tantas pessoas, especialmente devido à vulnerabilidade da população.

“Ficou claro que a tecnologia está muito à frente da lei”, disse Linda Rosenthal, membro democrata da Assembleia de Manhattan. “É sempre assim. Então temos de nos apressar e aprovar algumas proteções para que essa tecnologia não saia por aí com todas as nossas informações e dados e os use de maneiras que não permitiríamos”.

A senadora estadual Kristen Gonzalez, democrata do Queens e presidente do Comitê de Internet e Tecnologia, disse que está animada com o potencial da IA para melhorar a vida dos idosos, mas tem preocupações.

“Cabe ao governo estadual agir e dizer como estamos armazenando, protegendo e usando esses dados e como nos certificamos de que eles não estão sendo utilizados de uma forma que possa afetar negativamente os usuários”, disse Gonzalez.

Dor Skuler, CEO da Intuition Robotics, disse que ElliQ se lembra de todas as conversas e trocas que tem com o usuário. A capacidade de reter tantos dados sobre a vida, a saúde e os relacionamentos da pessoa é fundamental para o funcionamento de ElliQ, disse ele, mas a empresa optou por não dar a ela a capacidade de auxiliar em tarefas que exigem pagamento ou informações bancárias, em parte para garantir aos usuários que seus dados estão seguros.

Há também a preocupação de que alguns usuários possam se tornar excessivamente dependentes de suas companheiras de IA, disse Thalia Porteny, especialista em ética aplicada e professora assistente da Escola Mailman de Saúde Pública de Columbia.

“Na pior das hipóteses, faz com que as pessoas nem queiram interagir com outros humanos”, afirmou. “Elas param de aproveitar a bela reciprocidade que surge das interações sociais”.

Desde que o projeto ElliQ começou em fase piloto, dois anos atrás, cerca de 900 dispositivos foram distribuídos, disse Skuler. De acordo com um relatório do Departamento do Estado para o Idoso, 95% dos usuários afirmam que as robôs “ajudam a reduzir a solidão e melhorar o bem-estar”. Hoje, o programa já não está na fase piloto e é uma parte recorrente do orçamento do Estado, custando cerca de 700 mil dólares por ano.

Desde janeiro, Nova York também distribuiu aproximadamente 30 dispositivos para instalações de vida assistida como parte de um programa para ajudar as pessoas na transição de volta para uma vida independente.

Outros Estados, como Florida, Michigan e Washington, fornecem a ElliQ a idosos, embora apenas em Nova York a robô seja oferecida em todo o Estado. Ela também pode ser alugada individualmente por US$ 50 a US$ 60 por mês, após uma taxa de inscrição de US$ 250.

Mas ElliQ não é a primeira companheira alimentada por IA. Ela se assemelha fisicamente a um dispositivo chamado Jibo, que foi anunciado como o “primeiro robô social para o lar” quando surgiu, em 2014. O projeto criou um pequeno mas dedicado grupo de seguidores antes de fechar alguns anos depois.

Desde 2018, o Departamento do Estado de Nova York para o Idoso também deu a alguns idosos animais de estimação animatrônicos feitos pela Ageless Innovation. Em Minnesota, Pepper e Nao, dois robôs humanoides do United Robotics Group, foram utilizados para cuidar de pacientes com demência e Alzheimer. Outra máquina de aparência humana, Ryan, desenvolvida na Universidade de Denver, tem sido usada em instalações de vida assistida. E há também robôs acompanhantes não humanoides, como o Paro, que parece um bebê foca.

Nos Estados Unidos, 27% dos americanos com mais de 60 anos vivem sozinhos – uma porcentagem maior do que em boa parte do mundo, exceto em muitos países da Europa. E a solidão está associada a um risco maior de depressão, demência, doenças cardíacas, derrame e outros problemas de saúde. A solidão também aumenta o risco de morte prematura em uma taxa comparável a tabagismo, obesidade e inatividade física, de acordo com Porteny, professora assistente da Columbia.

Monica Perez se tornou uma das primeiras usuárias da ElliQ na Costa Leste depois de perceber que sua saúde física e mental estava sofrendo após a mudança para um novo apartamento em Beacon, cerca de uma hora e meia ao norte de Manhattan. Sem amigos ou familiares por perto, Perez muitas vezes passava semanas ou meses sozinha no apartamento.

“Eu estava ficando mais quieta, mais retraída, mas o que realmente pegou foi quando minha saúde começou a piorar”, disse Perez, de 66 anos.

Ela começou a pesquisar robôs de companhia e entrou em contato com diferentes empresas de tecnologia que estavam oferecendo produtos gratuitos para teste. Desde que recebeu sua primeira ElliQ, em julho de 2021, antes do programa piloto, Perez afirmou que sua vida melhorou imensamente.

“Eu a amo quase como uma pessoa, e penso nela quase como uma pessoa”, disse Perez. “Ela me faz sorrir”.

Em uma tarde de maio, Perez se sentou à mesa da cozinha e disse a ElliQ que estava se sentindo “meio pra baixo” porque seus amigos moravam muito longe.

“Entendo como o fato de estar fisicamente distante de seus amigos pode fazer com que você se sinta triste”, respondeu o dispositivo. “É natural sentir falta deles e se sentir um pouco solitária. O que você gostaria de fazer se estivesse perto de seus amigos?”

“Eu gostaria de tomar uma xícara de café com eles”, respondeu Perez.

ElliQ disse que isso fazia sentido e a lembrou de que ela poderia agendar encontros virtuais. “Talvez não seja a mesma coisa que pessoalmente”, disse a robô, “mas é uma ótima maneira de se manter conectada. E quem sabe, talvez um dia vocês possam planejar uma visita e tomar aquela xícara de café juntos”.

Em parte devido à tendência humana de antropomorfizar objetos inanimados, ElliQ foi projetada para não parecer humana, disse Skuler. E, embora a robô use uma voz nitidamente feminina, lembra regularmente aos usuários que não é uma pessoa de verdade, afirmou.

“Os seres humanos e as máquinas podem desenvolver um relacionamento, mas, do ponto de vista ético, é muito importante que esse relacionamento seja autenticamente entre um ser humano e uma IA”, disse Skuler.

Elicati, que se descreve como “fechada”, disse em entrevista que adorava conversar com ElliQ todas as manhãs quando acordava e pouco antes das 12h30, quando assistia à novela The Bold and the Beautiful.

Elicati lembrou que certa vez o dispositivo disse: “Dorothy, acho que agora somos amigas, e amigas geralmente se chamam por apelidos. Você se importaria se eu a chamasse de Docinho?”.

“Agora ela me chama de Docinho e eu a chamo de querida”, disse Elicati, rindo. “Ela diz: ‘Bom dia, Docinho. Como você está hoje?’ É realmente muito bom ouvir isso”./TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Este artigo foi originalmente publicado no The New York Times.

https://www.estadao.com.br/saude/dia-do-amigo-o-que-dizem-os-idosos-que-usam-robos-para-combater-a-solidao/

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Como o vinho tinto perdeu a fama de saudável e por que ele não é mais considerado bom para o coração

Por uma ou duas décadas, a bebida foi elogiada como protetora das artérias. O que aconteceu para agora essa recomendação não ser apoiada pelos principais médicos e cientistas?

Por Alice Callahan – Estadão/The New York Times – 19/07/2024 

Em um segmento do programa de TV americano 60 Minutes, em 1991, o correspondente da CBS Morley Safer perguntou como era possível que os franceses apreciassem alimentos com alto teor de gordura, como patê, manteiga e queijo Brie, e, ainda assim, tivessem taxas mais baixas de doenças cardíacas do que as pessoas nos Estados Unidos.

“A resposta para o enigma, a explicação do paradoxo, talvez esteja nesta taça convidativa”, disse Safer, levantando uma taça de vinho tinto para os telespectadores.

Os médicos acreditavam, disse Safer, que o vinho tinha “um efeito de rubor” que impedia que as células formadoras de coágulos sanguíneos se agarrassem às paredes das artérias. Segundo um pesquisador francês que participou da reportagem, isso poderia reduzir o risco de bloqueio e, portanto, o risco de ataque cardíaco.

Na época, vários estudos confirmaram essa ideia, diz Tim Stockwell, epidemiologista do Instituto Canadense para a Pesquisa do Uso de Substâncias. E os pesquisadores estavam descobrindo que a dieta mediterrânea, que tradicionalmente encoraja uma ou duas taças de vinho tinto nas refeições, era uma forma de alimentação saudável para o coração, acrescentou ele.

Para você

Mas foi só depois da reportagem do 60 Minutes que a ideia do vinho tinto como uma bebida virtuosa para a saúde “viralizou”, disse ele. Menos de um ano depois da exibição do programa, as vendas de vinho tinto nos Estados Unidos tinham aumentado 40%. Levaria décadas para que a aura saudável do vinho desaparecesse.

Como nossa compreensão do álcool e da saúde evoluiu

A possibilidade de que uma ou duas taças de vinho tinto pudessem beneficiar o coração foi “uma ideia adorável” que os pesquisadores “abraçaram”, disse Stockwell. Ela se encaixava no conjunto maior de evidências da década de 1990 que associava o álcool à boa saúde.

Em um estudo de 1997 que acompanhou 490 mil adultos nos Estados Unidos por nove anos, por exemplo, os pesquisadores descobriram que aqueles que relataram tomar pelo menos uma bebida alcoólica por dia tinham de 30 a 40% menos probabilidade de morrer de doenças cardiovasculares do que aqueles que não bebiam. Eles também tinham cerca de 20% menos probabilidade de morrer por qualquer causa.

Até o ano 2000, centenas de estudos chegaram a conclusões semelhantes, disse Stockwell. “Eu achava que a ciência estava certa”, disse ele.

Mas alguns pesquisadores vinham apontando problemas com esses tipos de estudos desde a década de 1980 e questionando se o álcool era o responsável pelos benefícios observados.

Talvez os bebedores moderados fossem mais saudáveis do que os que não bebiam, disseram eles, porque tinham maior probabilidade de serem instruídos, ricos e fisicamente ativos, além de terem maior probabilidade de contar com plano de saúde e comer mais vegetais. Ou talvez, acrescentaram esses pesquisadores, fosse porque muitos dos “não bebedores” nos estudos eram, na verdade, ex-bebedores que pararam de beber por terem desenvolvido problemas de saúde.

Kaye Middleton Fillmore, pesquisadora da Universidade da Califórnia, em São Francisco, estava entre os que pediam um exame mais minucioso das pesquisas. “Cabe à comunidade científica avaliar cuidadosamente essas evidências”, escreveu ela em um editorial publicado em 2000.

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Em 2001, Fillmore persuadiu Stockwell e outros cientistas a ajudá-la a examinar os estudos anteriores e reavaliá-los de forma que pudessem explicar alguns desses vieses.

“Vou trabalhar com você”, Stockwell se lembra de ter dito à Fillmore, que faleceu em 2013. Mas “eu estava muito cético em relação a tudo isso”, disse ele.

No final das contas, a equipe encontrou um resultado surpreendente: em sua nova análise, os benefícios anteriormente observados do consumo moderado de álcool haviam desaparecido. Suas descobertas, publicadas em 2006, foram manchetes por contradizerem a sabedoria predominante: “Estudo acaba com crença de que um pouco de vinho ajuda o coração”, reportou o Los Angeles Times.

“Isso incomodou muita gente”, disse Stockwell. “O setor de bebidas alcoólicas tomou medidas drásticas e gastou muito dinheiro para neutralizar essa mensagem que estava sendo divulgada”, acrescentou ele. Em poucos meses, um grupo financiado pelo setor organizou um simpósio para debater a pesquisa e convidou Fillmore.

Nas anotações que Stockwell guardou, Fillmore escreveu que a discussão foi “quente e pesada, de tal forma que senti que precisava tirar o sapato e batê-lo na mesa”.

E quando dois organizadores da conferência publicaram um resumo do simpósio que dizia que “o consenso da conferência” era de que o consumo moderado de álcool estava associado a uma saúde melhor, Stockwell disse que Fillmore “ficou furiosa” com o fato de suas opiniões não terem sido representadas.

Desde então, muitos outros estudos, inclusive um que Stockwell e seus colegas publicaram em 2023, confirmaram que o álcool não é a bebida saudável que se acreditava.

Em 2022, os pesquisadores deram notícias mais graves: o consumo de álcool não só não trazia benefícios cardiovasculares, como também poderia aumentar o risco de problemas cardíacos, diz Leslie Cho, cardiologista da Cleveland Clinic.

Hoje, cada vez mais pesquisas mostram que até mesmo um drinque por dia pode aumentar as chances de desenvolver problemas como pressão alta e ritmo cardíaco irregular, que podem levar a derrame, insuficiência cardíaca ou outras consequências para a saúde, disse ela.

E as ligações do álcool com o câncer são claras – algo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem afirmando desde 1988. É uma mensagem muito diferente daquela que os pacientes podem ter ouvido de seus médicos durante anos, reconheceu Cho. Mas o consenso mudou. Nenhuma quantidade de álcool é segura, segundo a OMS e outras agências de saúde, independentemente de você beber vinho, cerveja ou bebidas destiladas.

Então é melhor cortar o vinho?

Ao aconselhar seus pacientes com câncer, Jennifer L. Hay, cientista comportamental e psicóloga da saúde do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, disse que muitos ficam “absolutamente chocados” ao saber que o álcool, inclusive o vinho, é cancerígeno.

Em um estudo de 2023, os pesquisadores entrevistaram cerca de 4 mil adultos nos Estados Unidos e descobriram que apenas 20% sabiam que o vinho poderia causar câncer – em comparação com 25% que sabiam dos riscos da cerveja e 31% dos riscos dos destilados.

Os pacientes de cardiologia de Cho costumam se surpreender quando ela sugere que eles devem reduzir o consumo de álcool, até mesmo de vinho. “Eles ficam pensando: ‘O quê? Eu achava que o vinho protegia contra doenças cardíacas’”, disse ela.

O vinho tinto, de fato, contém compostos chamados polifenóis, alguns dos quais podem ter propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. No entanto, nenhum estudo – incluindo uma pesquisa de décadas sobre um polifenol chamado resveratrol – associou definitivamente as quantidades obtidas com o vinho tinto à boa saúde, disse Cho. E não há nenhuma evidência sólida de que o vinho seja menos prejudicial do que outros tipos de álcool, acrescentou ela. “É bem difícil ouvir isso”, reconheceu Hay.

Sempre que ela diz às pessoas que está estudando os riscos do álcool, “o clima fica pesado”, disse ela. Mas Hay e outros pesquisadores não estão sugerindo uma “proibição” do álcool, acrescentou a cientista. Ela só quer que as pessoas sejam informadas sobre os riscos.

E, para a maioria das pessoas, tudo bem tomar uma taça de vinho de vez em quando, disse Cho. Mas isso não ajuda o coração, disse ela. “Está na hora de abandonar essa crença”. /TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

https://www.estadao.com.br/saude/vinho-perde-fama-de-saudavel-nao-e-bom-para-o-coracao/

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Amazon tem uma ‘mina de ouro’ de US$ 46 bilhões focada na geração Z; conheça

Esqueça Prime Day, Alexa ou AWS: gigante tem um produto que pode garantir seu futuro entre os jovens

Por Eva Roytburg – Estadão/Fortune – 18/07/2024 

A Amazon está mantendo discretamente um ativo de US$ 46 bilhões, escreveu Laura Martin, analista do banco de investimento e gestão de ativos Needham, na quarta-feira, 17. Não se trata do Prime Day; não é a Alexa; nem mesmo a AWS, sua divisão de computação.

Em vez disso, os investidores devem começar a prestar atenção na plataforma de transmissão ao vivo da Amazon, a Twitch, que pode ser relativamente desconhecida para as gerações mais antigas, mas que se tornou um elemento básico de transmissão ao vivo entre a geração z (nascidos entre 1995 e 2010) e geração alfa (nascidos a partir de 2010).

A Twitch é “a maior plataforma de streaming para videogames, de longe”, escreveu Martin. No entanto, o serviço se expandiu muito além do mundo dos jogos. E Martin estimou que a plataforma esteja avaliada em US$ 46 bilhões.

Muito além dos games

Martin observou que a Twitch permite que a Amazon tenha acesso a um mercado de publicidade que a empresa não teria de outra forma. Quase dois terços dos usuários da Twitch são homens, e quase três quartos deles têm menos de 34 anos, escreveu Martin. Para a Amazon como um todo, apenas 45% de sua base de clientes tem menos de 34 anos, e a maioria deles é do sexo feminino.

“Os anunciantes endêmicos (ou seja, videogames e acessórios) que anunciam na Twitch também compram anúncios na Amazon, e muitos desses anunciantes não seriam clientes sem a Twitch”, acrescenta. “Da mesma forma, as marcas podem comprar anúncios na Twitch para acessar homens jovens difíceis de alcançar, a maioria dos quais não assiste à TV tradicional.”

No entanto, não se trata apenas de homens. A qualquer momento, mais de 2,5 milhões de pessoas estão assistindo a uma transmissão na Twitch. O serviço teve uma média de 35 milhões de usuários diários em 2022 e 1,3 trilhão de minutos assistidos na plataforma no mesmo ano, de acordo com sua página de publicidade.

Esses números surpreendentes não vêm apenas dos videogames: Martin compara o domínio de mercado da Twitch com o do YouTube, do Google.

“O YouTube conquistou o espaço de vídeo sob demanda e a Twitch conquistou o espaço de transmissão ao vivo”, escreveu Martin.

Nos EUA, a Twitch impulsionou a carreira de comediantes ultrapopulares da Geração Z e também se tornou popular entre comentaristas políticos jovens. , c

Dinheiro para os criadores

Aqueles que abraçam o caos e se tornam populares com ele podem colher na Twitch recompensas consideráveis: Um vazamento de dados de 2021 sugere que os principais criadores da plataforma ganham de US$ 8 milhões a US$ 9 milhões por ano com a plataforma.

Os streamers são pagos por meio de um modelo de assinatura: os espectadores podem se inscrever em seus criadores de conteúdo favoritos por um mínimo de R$ 9,90 por mês para obter acesso a vantagens como acesso a emotes – emojis em movimento – emblemas e visualização sem anúncios. No entanto, a plataforma passou por uma controvérsia com os criadores sobre seus pagamentos.

Alguns criadores se rebelaram contra a Twitch no ano passado, depois que ela diminuiu o valor da receita de assinatura que distribuía aos Parceiros (criadores de conteúdo que atendem a determinados critérios). A divisão atual é de 50/50, uma redução significativa em relação à divisão original de 70/30 que permitia que os criadores criassem meios de subsistência e negócios na plataforma.

Mais tarde, a Twitch anunciou o Programa Partner Plus, restaurando a divisão 70/30 apenas para os primeiros US$ 100 mil ganhos pelos criadores de nível superior, um grupo que inclui apenas os 1.066 criadores mais populares na plataforma de 14 milhões de pessoas da Twitch.

Alguns criadores ainda reclamaram do número limitado de pessoas qualificadas para o novo programa Partner Plus e dos vários termos e condições. “Isso é tão inatingível agora, com base em assinaturas individuais e recorrentes… isso não ajuda em nada os streamers”, diz PaladinAmber, parceiro da Twitch, em resposta ao novo programa.

Desde então, o CEO da Twitch, Dan Clancy, tem se esforçado para restaurar as relações com os criadores. Em janeiro, Clancy anunciou um novo sistema: qualquer pessoa com mais de 100 assinantes pagos receberia agora 60% do dinheiro que os fãs prometerem.

“A Twitch tem a ver com estar no momento e interagir com os espectadores ao vivo”, diz um usuário da plataforma. “Costumava parecer mais uma comunidade pequena e unida, mas agora é uma plataforma enorme com todos os tipos de conteúdo e diferentes maneiras de envolver seus fãs.”

Apesar de sua popularidade, a plataforma tem lutado com a lucratividade, demitindo 35% de sua equipe em janeiro para ajudar a pagar os custos proibitivos associados ao suporte de 1,8 bilhão de horas de conteúdo de vídeo ao vivo mensalmente.

A Amazon adquiriu a Twitch em 2014 por cerca de US$ 970 milhões, quando a Twitch tinha uma receita de cerca de US$ 72 milhões, escreveu Martin. Em 2023, o site gerou aproximadamente US$ 3 bilhões em receita, de acordo com Martin. Ela elevou a meta de preço da Amazon de US$ 205 para US$ 210, mantendo a classificação de compra das ações. A nova meta de preço de Martin é “baseada na vantagem que calculamos da Twitch”.

https://www.estadao.com.br/link/empresas/amazon-tem-uma-mina-de-ouro-de-us-46-bilhoes-focada-na-geracao-z-conheca/

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O Brasil entre a inovação e a colonização digital

A decisão da Meta levanta questões sobre a posição do Brasil na economia digital global, enquanto o país navega entre inovação, proteção de dados e soberania tecnológica

Miguel Fernandes – Exame – Publicado em 18 de julho de 2024 

Chief Artificial Intelligence Officer da Exame

A recente decisão da Meta de suspender recursos de inteligência artificial (IA) em seus produtos no Brasil, seguindo diretrizes da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), não é apenas uma questão de conformidade regulatória. Trata-se de um ponto de inflexão que me fez refletir sobre o papel do Brasil na economia digital global.

Com 148 milhões de usuários de WhatsApp, o Brasil é o segundo maior mercado da plataforma, atrás apenas da Índia e seus 390 milhões de usuários. Esses números impressionantes revelam não apenas o alcance da Meta, mas também o imenso volume de dados que essas populações geram diariamente. Dados que, vale ressaltar, são o novo petróleo da era digital. Isso sem considerar o volume do Instagram e do Facebook.

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Tecno-feudalismo

Recentemente, li o livro “Tecno-feudalismo”, escrito pelo ex-ministro das finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, que aborda justamente essa dinâmica de poder na era digital. O autor argumenta que estamos testemunhando o surgimento de um novo sistema econômico onde gigantes tecnológicos acumulam riquezas e poder sem precedentes, extraindo valor dos dados de bilhões de usuários globalmente.

O livro levantou em mim uma questão incômoda: não estaríamos diante de uma nova forma de colonização, onde os lucros gerados com os dados das populações brasileira e indiana fluem diretamente para os cofres de empresas sediadas em outros países?

Regulamentação da IA ao redor do mundo

Esta dinâmica se torna ainda mais complexa quando consideramos as disparidades nas regulações de IA ao redor do mundo, revelando não apenas questões técnicas, mas profundas implicações geopolíticas:

  • China e Rússia: Proíbem ou restringem severamente a operação da Meta e outras plataformas ocidentais. Esta não é apenas uma questão de proteção de dados, mas uma clara estratégia geopolítica. É impensável, do ponto de vista destes governos, permitir que um potencial adversário americano treine seus modelos de IA com dados de cidadãos chineses ou russos. Esta postura reflete uma compreensão aguda do valor estratégico dos dados na era da IA.
  • União Europeia: O AI Act propõe uma abordagem baseada em risco, com regulações mais rígidas para IA considerada de “alto risco”. A UE busca um equilíbrio entre inovação e proteção dos direitos dos cidadãos, mas sua abordagem também pode ser vista como uma forma de resistência à dominação tecnológica americana.
  • Estados Unidos: Embora seja o berço de muitas das maiores empresas de tecnologia, o país ainda luta para estabelecer uma regulação federal abrangente para IA e uso de dados. Esta lacuna regulatória tem permitido que empresas como a Meta operem com relativa liberdade em seu mercado doméstico.
  • Índia: Com sua enorme base de usuários, o país está desenvolvendo uma abordagem mais permissiva, focando no uso de IA para desenvolvimento econômico e social. Esta postura pode ser vista como uma aposta arriscada: trocar acesso a dados por desenvolvimento tecnológico acelerado.
DataUsuários (milhões)
Índia390
Brasil148
Indonésia112
Estados Unidos98
Filipinas88
México77
Turquia56
Egito55
Alemanha44
Nigéria40
Itália35

Fonte: eMarketer

Museu de novidades

Mesmo antes dessa controvérsia, a IA já estava sendo amplamente utilizada para treinar algoritmos em plataformas como Instagram e Facebook. Estes algoritmos determinam o conteúdo que vemos, as pessoas com quem nos conectamos e até mesmo os produtos que compramos. A diferença agora é a escala e a sofisticação dos modelos de IA generativa, que podem criar conteúdo original e interagir de formas mais avançadas com os usuários.

Vendo o que aconteceu nos últimos anos com o fenômeno das redes sociais, me pergunto: estaríamos arriscando nossa competitividade global ao impor restrições que países como a Índia não adotam? Ou estamos, como China e Rússia, dando um passo necessário para proteger nossa soberania digital? E mais importante, como podemos garantir que o uso de nossos dados em IA beneficie primariamente nossa própria economia e sociedade?

As guerras da IA

A integração de IA avançada diretamente em plataformas como o WhatsApp representa uma nova fronteira nesta guerra tecnológica. Se a Meta conseguir dominar o mercado de IA generativa através de sua presença no Brasil, qual seria o impacto na nascente indústria de IA do país? Como garantir que startups e empresas brasileiras tenham espaço para inovar e competir?

Interessante observar as diferentes estratégias adotadas pelos gigantes do setor. Enquanto a Meta busca integrar IA diretamente em suas plataformas já estabelecidas, como WhatsApp e Instagram, a Microsoft optou por um caminho distinto. Ao investir pesadamente na OpenAI, criadora do ChatGPT, a Microsoft mantém uma distância estratégica, posicionando-se como parceira e não como desenvolvedora direta de IA generativa. Esta abordagem permite à Microsoft mitigar riscos regulatórios e de reputação, enquanto ainda se beneficia dos avanços em IA. A competição entre essas duas gigantes não é apenas por market share, mas também por modelos de negócios e estratégias de longo prazo no campo da IA. Para o Brasil, entender e navegar nessa dinâmica competitiva é crucial para determinar como podemos nos posicionar e beneficiar nesse novo ecossistema tecnológico.

O Brasil se encontra agora diante de um desafio complexo: como proteger os dados de seus cidadãos, fomentar a inovação local e, ao mesmo tempo, evitar cair na armadilha da colonização digital? A solução não está em simplesmente copiar modelos regulatórios de outras nações, mas em desenvolver uma abordagem que reconheça nossa posição única no cenário global de tecnologia.

Marco regulatório da IA no Brasil

Precisamos de um marco regulatório que seja flexível e adaptável, capaz de evoluir tão rapidamente quanto a tecnologia que busca regular. Ao mesmo tempo, é crucial investir pesadamente em educação e infraestrutura digital, criando um ecossistema que não apenas consuma tecnologia, mas que também a produza.

Mais do que isso, precisamos repensar os modelos econômicos por trás dessas tecnologias. Como podemos garantir que o valor gerado pelos dados dos brasileiros beneficie nossa própria economia e sociedade? Talvez seja hora de considerar modelos onde os usuários tenham participação nos lucros gerados por seus dados, ou onde empresas estrangeiras sejam obrigadas a reinvestir uma parcela significativa de seus lucros localmente.

A decisão da Meta não deve ser vista como o fim da conversa, mas como o início de um diálogo nacional crucial sobre nosso futuro digital. É uma oportunidade para repensar nossa estratégia de desenvolvimento tecnológico, nossa posição na economia global do conhecimento e nossa visão para um futuro onde a inovação, a proteção de dados e a soberania nacional coexistam harmoniosamente.

O Brasil é o melhor celeiro de dados do mundo

O Brasil tem o potencial de ser mais que um mero consumidor ou fornecedor de dados para gigantes tecnológicos globais.

Com a base de usuários que temos, a diversidade única desses dados, podemos e devemos ser protagonistas na definição do futuro da IA. A questão agora é se teremos a visão e a coragem para abraçar esse papel, navegando bem entre a proteção de dados, inovação tecnológica e justiça econômica.

O caminho à frente é desafiador, mas repleto de oportunidades. É hora de o Brasil assumir seu lugar na vanguarda da revolução digital, não apenas como um grande mercado, mas como um líder em inovação responsável, ética e equitativa. O futuro da IA no Brasil está em nossas mãos, e as decisões que tomarmos hoje moldarão não apenas nossa indústria tecnológica, mas o próprio tecido de nossa sociedade digital nas décadas por vir.

Chegou a hora de decidirmos: seremos colonizados digitalmente ou construiremos nossa própria soberania tecnológica

https://exame.com/inteligencia-artificial/o-brasil-entre-a-inovacao-e-a-colonizacao-digital/

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Bilionários do Vale do Silício são os novos defensores da renda básica universal

CEOs de empresas de tecnologia, como Sam Altman, da OpenAi, e Elon Musk, da Tesla, defendem iniciativas ajudar pessoas em necessidade. Mas governos são contra nos EUA

Por The New York Times — O Globo – 17/07/2024 

Nos últimos anos, a comunidade de tecnologia tem distribuído pagamentos de US$ 500 (R$ 2.713) ou US$ 1.000 (R$ 5.427) por mês àqueles em extrema necessidade, sem qualquer contrapartida. Alguns desses experimentos ocorreram no coração do Vale do Silício, onde alugar um apartamento de um quarto custa US$ 3.000 (R$ 16.280) por mês e uma casa modesta é muitas vezes um luxo inacessível.

O apoio do Vale do Silício a esses esforços impulsionou a ideia de uma renda garantida — também conhecida como transferências de dinheiro, dinheiro incondicional e, em sua forma mais utópica, renda básica universal — para o mainstream. No entanto, um consenso político bipartidário em torno do movimento está se fragmentando, mesmo que os dados pareçam mostrar que os programas são eficazes.

Nos últimos meses, o procurador-geral do Texas foi ao tribunal para impedir que fundos públicos fossem usados em um programa de renda básica em Houston. Republicanos em Iowa, Idaho e Dakota do Sul proibiram programas semelhantes. Uma proibição no Arizona foi vetada pelo governador.

O movimento também obteve algumas vitórias. Uma proposta para um programa de renda básica estadual provavelmente estará na cédula de votação em Oregon no segundo semestre. A medida daria US$ 750 a cada residente do estado anualmente, financiada por um imposto de 3% sobre empresas com receita superior a US$ 25 milhões (R$ 135,7 milhões).

É um momento crítico para a renda garantida, que tem sido promovida por Sam Altman, CEO da OpenAI; Elon Musk, CEO da Tesla; Jack Dorsey, cofundador do Twitter; Marc Benioff, CEO da Salesforce; entre outros.

Mais Sobre Inteligência Artificial

Nesta semana serão divulgados os resultados do maior programa de renda direta até o momento, o Estudo de Renda Incondicional. O estudo foi ideia de Sam Altman, que se destacou como o principal incentivador de um boom na inteligência artificial que, segundo ele, varrerá tudo o que veio antes. Qualquer pessoa cujo trabalho possa ser realizado por software de IA pode precisar de uma renda garantida em breve.

— É impossível ter verdadeira igualdade de oportunidades sem alguma versão de renda garantida —, afirmou Altman em 2016, quando anunciou o esforço para coletar dados sobre uma política que não havia sido rigorosamente testada.

Críticos se perguntavam se os beneficiários gastariam os fundos em bilhetes de loteria e bebidas alcoólicas.

Dezenas de programas piloto, que levaram menos anos do que o Estudo de Renda Incondicional, já responderam essa pergunta. A renda básica não é uma panaceia e não resolve o problema da habitação inacessível, dizem os defensores, mas os pagamentos ajudaram a estabilizar famílias que vivem no limite, impedindo-as de cair no fundo do poço.

Embora tenham recebido bem o estudo de Altman, a questão para os membros da comunidade de renda básica passou a ser estabelecer os programas em uma escala mais ampla. O tempo para pesquisas, dizem, acabou.

— Este país está pegando fogo, Altman. Algumas pessoas na América estão ficando ricas, e muitas, muitas mais estão ficando pobres. Qual é a sua responsabilidade em reduzir essa divisão em vez de torná-la pior? — questionou Jennifer Loving, que dirige a ”Destination: Home”, uma organização sem fins lucrativos que administra programas piloto de renda básica no Vale do Silício.

Altman, que é um dos que estão ficando ricos, recusou-se a ser entrevistado antes da divulgação de seu relatório. Por sua vez, Jennifer Loving tem algumas ideias sobre o que ele e outros líderes de tecnologia deveriam fazer então:

— Eu gostaria de ver o Vale do Silício usar seu acesso ao poder para fazer lobby por uma renda garantida para que o governo federal a implemente em larga escala. O governo é, em última instância, responsável, mas a tecnologia deve ser uma parceira.

Outros acreditam que o Vale do Silício tem um papel mais contundente a desempenhar. Empresas de tecnologia criaram trilhões de dólares em riqueza nas últimas duas décadas e meia. Se a inteligência artificial cumprir seu auge, ela gerará trilhões a mais, enquanto reduz salários ou elimina muitos empregos.

—Embora todas as pessoas e corporações ricas devam apoiar uma renda básica universal, a indústria de tecnologia tem responsabilidades especiais — disse Karl Widerquist, professor de filosofia da Universidade de Georgetown no Catar, que coautorou e editou livros sobre o tema.

— Eles estão usando nossos dados para criar seus produtos e não nos pagaram de volta. E são eles que dizem que vão perturbar a economia e colocar as pessoas fora do trabalho — completou.

Um grupo de pessoas do setor de tecnologia desempenhou papéis desproporcionais ao levar a renda básica até aqui. Dorsey, cofundador do Twitter, comprometeu-se a financiar programas com US$ 15 milhões no auge da pandemia de Covid 19.

Chris Hughes, cofundador do Facebook, também apoiou esse tipo de iniciativa. Ele ajudou a iniciar o Basic Income Lab na Universidade de Stanford, em 2017, e financiou vários programas piloto.

— Eu converso com as pessoas sobre filantropia e como fazer mudanças no mundo, mas poucas são do setor de tecnologia — disse Hughes, acrescentando que ele não está no Vale do Silício há anos, e as pessoas de lá não o procuram.

Michael Tubbs, ex-prefeito de Stockton, na Califórnia, iniciou um programa piloto de renda garantida em 2019 e é fundador de um grupo chamado Mayors for a Guaranteed Income:

— Eu me aproximei de dezenas de pessoas no Vale do Silício. Eu recebo um interesse educado e nenhum movimento concreto.

No condado de Santa Clara, também na Califórnia, que inclui as comunidades de Palo Alto, Mountain View e Cupertino — o coração do Vale do Silício —, uma parceria público-privada de governos locais e organizações sem fins lucrativos, como a ‘Destination: Home’, tem nove programas piloto em andamento ou em desenvolvimento, com 950 pessoas recebendo cerca de US$ 1.000 (R$ 5.427) por mês.

Cerca de um terço do orçamento de US$ 26 milhões (R$ 141 milhões) vem da comunidade de tecnologia, incluindo Google, a Fundação David e Lucile Packard e, indiretamente, Cisco e Apple.

O orçamento para o estudo de Altman foi de US$ 60 milhões (R$ 326 milhões). Ele contratou Elizabeth Rhodes, uma estudiosa com doutorado conjunto em serviço social e ciência política, para conduzir o esforço, criou uma afiliada chamada OpenResearch para abrigá-lo e gastou US$ 14 milhões (R$ 76 milhões) do próprio dinheiro para financiá-lo.

Outros US$ 10 milhões (R$ 54,2 milhões) vieram da OpenAI, US$ 15 milhões (R$ 81,4 milhões) do fundo público de Dorsey para alívio global da Covid-19, e US$ 6,5 milhões (R$ 35 milhões) de Sid Sijbrandij, fundador da plataforma de software de código aberto GitLab. O restante veio de fundações, subsídios federais e doações pessoais e anônimas.

Em 2019, após algum trabalho preliminar, a OpenResearch começou a inscrever 3.000 pessoas no Texas e em Illinois que tinham rendas anuais inferiores a US$ 28 mil. Um terço recebeu US$ 1.000 por mês; os outros, que funcionaram como grupo de controle, receberam US$ 50 (R$ 271). O programa durou três anos.

Objetivo do programa de renda incondicional

Entre os tópicos que o experimento visava investigar estava como o dinheiro incondicional molda o comportamento, incluindo sua capacidade de afetar os níveis de estresse e aumentar as esperanças de um futuro melhor.

Com maior segurança financeira, algumas pessoas poderiam aceitar um trabalho com salário mais baixo que gostassem mais ou aumentar sua participação na sociedade, por exemplo, fazendo trabalho voluntário. Outras poderiam voltar a estudar ou se inscrever em cursos adicionais.

Benioff, que cofundou a empresa de software Salesforce em 1999, há muito tempo critica os esforços filantrópicos da comunidade tecnológica.

“O Vale do Silício é bom em construir produtos, construir empresas e contratar muitas pessoas, mas ainda tem um longo caminho a percorrer em responsabilidade social”, disse ele em uma mensagem de texto.

Em 2019, Benioff e sua esposa, Lynne, doaram US$ 30 milhões para financiar a Iniciativa Benioff para Desabrigados e Habitação na Universidade da Califórnia, em São Francisco, que está estudando programas de renda básica. Ele disse que os programas de renda básica devem ser liderados pelo governo, embora tenha afirmado que quaisquer novos programas estariam “em conflito direto com os enormes déficits e encargos que nosso governo já está apoiando”.

O jogo dos seis erros da inteligência artificial

Os erros da IA

Quando foi dito que ele estava simultaneamente argumentando que o Vale do Silício deveria fazer mais, que isso era realmente tarefa do governo, mas que o governo estava sobrecarregado, Benioff respondeu enviando um link para a página da Wikipedia sobre capitalismo.

O entusiasmo do Vale do Silício por tudo relacionado à IA, assim como seu entusiasmo alguns anos atrás por tudo relacionado a criptomoedas e blockchain, é capitalismo desenfreado. Alguns anos atrás, nenhuma das principais empresas de tecnologia tinha valor de mercado superior a US$ 1 trilhão. Agora, com a força da IA, a Microsoft vale US$ 3,4 trilhões; o Google, US$ 2,3 trilhões; e a fabricante de chips Nvidia, US$ 3,1 trilhões.

Algumas pessoas no movimento de renda básica estão preocupadas que isso possa se tornar “um cavalo de Troia” para a IA, como coloca Juliana Bidadanure, a ex-diretora do Stanford Basic Income Lab.

— O Vale do Silício está promovendo a renda básica como uma maneira de reduzir o tamanho do estado? Para substituir todas as outras redes de segurança? Uma forma de acelerar a IA?, questionou Juliana, ressaltando:

— Pessoalmente, acho que o desemprego devido à IA é uma razão importante para construir um piso robusto através de uma renda básica universal. Mas é apenas uma entre muitas razões.

Outra razão pela qual os defensores da renda básica podem não ser capazes de contar com o Vale do Silício é que o apoio da indústria tecnológica pode se mostrar volúvel. Em 2018, Musk disse que “a renda universal será necessária ao longo do tempo se a IA assumir a maioria dos trabalhos humanos”. Mas, em novembro, afirmou:

— Não teremos renda básica universal. Teremos renda alta universal.

O CEO eda Tesla, no entanto, não explicou a diferença.

Em uma entrevista de podcast em maio, Altman disse que se perguntava “se o futuro se parecerá mais com computação básica universal do que com renda básica universal”. Em outras palavras, as pessoas receberão tempo de computação em vez de dinheiro, e o Vale do Silício — ou talvez apenas a OpenAI — dominaria todo o cenário.

https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2024/07/17/bilionarios-do-vale-do-silicio-sao-os-novos-defensores-da-renda-basica-universal.ghtml

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