Google diz que vai melhorar respostas geradas por IA após erros na busca

Recurso AI Overviews, lançado nesta semana, repercutiu nas redes sociais após gerar resultados errados

Folha/AFP – 24.mai.2024 

O Google anunciou nesta sexta-feira (24) que está tomando “medidas rápidas” para melhorar seus novos resultados de busca elaborados com inteligência artificial (IA) generativa, após usuários zombarem de erros como o de que Barack Obama foi o primeiro presidente muçulmano dos Estados Unidos

Os usuários do Google recorreram às redes sociais para criticar as respostas errôneas geradas pelos AI Overviews (resumos de IA) a perguntas como se as pessoas deveriam comer pedras, olhar para o sol ou quantos presidentes muçulmanos os Estados Unidos já tiveram. “Muitos dos exemplos que vimos eram consultas pouco comuns, e também vimos exemplos manipulados ou que não conseguimos reproduzir”, afirmou um porta-voz do Google em resposta a uma pergunta da AFP. 

“Estamos tomando medidas rápidas quando apropriado em virtude de nossas políticas de conteúdo e usando esses exemplos para desenvolver melhorias mais amplas em nossos sistemas, algumas das quais já começaram a ser implementadas”, completou. O exemplo de Obama apontado ao Google violava suas políticas e foi retirado, segundo o porta-voz. Uma das respostas dos Overviews, na qual se afirmava que adicionar cola não tóxica ao molho da pizza era uma forma de evitar que o queijo escorregasse, foi rastreada até a publicação de uma criança no Reddit, o que levou alguns usuários de redes sociais a se perguntarem se a IA era tão ingênua a ponto de acreditar em tudo que lê na internet

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Segundo a gigante do Vale do Silício, a imensa maioria das respostas elaboradas por sua IA fornece informações confiáveis e as barreiras de segurança integradas na tecnologia estão projetadas para evitar que apareçam conteúdos nocivos. 

A recente introdução desses resumos do Google em seu motor de busca nos Estados Unidos foi uma das maiores mudanças desde sua criação. Em breve, será expandida para outros países. A partir de seu lançamento, os tradicionais resultados de busca do Google começaram a mostrar um resumo elaborado pela IA na parte superior da página antes da exibição mais típica de links. 

https://www1.folha.uol.com.br/tec/2024/05/google-diz-que-vai-melhorar-respostas-geradas-por-ia-apos-erros-na-busca.shtml

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Mineração verde precisa de engenheiros, designers de algoritmo e especialistas em carbono e clima

Empresas do setor apostam na tecnologia para se adaptar às novas demandas e cuidados trazidos pela economia verde

Por João Scheller – Estadão – 25/04/2024 

Com novos critérios regulatórios e um investimento pesado em novas tecnologias, o mercado de mineração tem apostado na inovação para aumentar a produtividade, causando o menor impacto possível no meio ambiente e contribuindo para a criação de produtos essenciais para uma nova economia verde. O setor vê um crescimento muito forte na demanda por minerais como lítio, alumínio e cobre, para produção de baterias e painéis solares, por exemplo.

Se antes o setor era dominado por engenheiros e técnicos das mais diversas áreas, hoje há espaço também para profissionais como analistas de mudanças climáticas ou especialistas de mercado de carbono.

“Esse mix de conhecimentos é o que se incentiva dentro da companhia”, afirma Rodrigo Lauria, diretor de mudanças climáticas da Vale. Segundo ele, além de a economia verde abrir novas posições para profissionais especializados, há uma demanda do mercado por profissionais multidisciplinares.

A ideia é que essas pessoas adaptem seus conhecimentos especializados a esta nova lógica de mercado, entendendo, por exemplo, de aspectos regulatórios do setor, enquanto também são capazes de lidar bem com tecnologia, cada vez mais presente no dia a dia da mineração.

“Atualmente, o setor está passando por uma transição de tecnologia forte”, diz Julio Nery, diretor de sustentabilidade do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), que representa empresas do setor. “Procura-se por um profissional que seja mais adaptado a esse perfil tecnológico”, afirma, ao citar a relevância cada vez maior de ferramentas digitais no dia a dia do setor.

Nery pontua que o gerenciamento de rejeitos da mineração é quase todo controlado de forma remota, por exemplo, e habilidades para lidar com esses sistemas é essencial para quem deseja trabalhar na área. A demanda, segundo ele, se aplica tanto ao engenheiro e analista, quanto ao próprio operário. “O motorista de caminhão, que antes estava atrás do volante, hoje está guiando com um joystick”, afirma.

Segundo eles, parte desse avanço tecnológico se deu na esteira de novas regulações que foram definidas após os recentes desastres envolvendo empresas do setor, como as tragédias em Mariana e Brumadinho, ambas em Minas Gerais.

“O avanço tecnológico vem para garantir que a extração dos minérios ocorra de forma mais limpa. Não se trata de não explorar, mas sim de como explorar. Temos que ser mais inteligentes com nossos recursos naturais”

Onara Lima

especialista em sustentabilidade e gestão ambiental

A própria reputação da mineração é uma preocupação de agentes da área, que buscam mostrar ao público o avanço das técnicas usadas no setor. “Quando você tem desastres como esses que aconteceram, a gente vê uma retração do interesse do jovem para trabalhar na mineração”, afirma Nery. “Temos que mostrar que acidentes acontecem, mas trabalhar para que eles não aconteçam. Para que esse potencial de risco não se realize”, complementa.

Essa desconfiança do público com o papel das empresas pode ser vista em números. Segundo pesquisa financiada pela 3M sobre as percepções do público brasileiro sobre “empregos verdes”, apesar de 88% dos entrevistados afirmarem que esperam que essas posições cresçam nos próximos cinco anos, 57% dizem que as empresas não estão equipadas para fazer escolhas que promovam a sustentabilidade.


Profissionais devem ir além da formação

Com a velocidade das mudanças tecnológicas, vem se tornando cada vez mais difícil para os profissionais buscarem somente uma formação que contemple todas as habilidades necessárias para se destacar no mercado de trabalho.

Para Lauria, é fundamental que os profissionais busquem ressignificar suas formações e não deixem de estudar. “Você não vai conseguir achar tudo numa formação tradicional, mas há uma série de formações extras”, afirma o diretor da Vale.

Para ele, além de buscar uma formação que contemple disciplinas de sustentabilidade e aspectos regulatórios, é fundamental continuar buscando conhecimento no decorrer da carreira e saber conectá-los com sua área de atuação.

“Como é que insiro a engenharia dentro do universo do carbono e como isso se conecta com meu custo reduzido no futuro? Que impactos posso ter com as regulações que estão sendo discutidas na Europa, por exemplo? Essa capacidade de adaptação e conexão é algo que ajuda a formar esse novo profissional”

Rodrigo Lauria,

diretor de mudanças climáticas da Vale

Nery destaca também a necessidade de expandir essas habilidades para profissionais de nível técnico. Ele diz que cerca de 90% das vagas no setor são para esses profissionais e que aspectos de automatização e gerenciamento de sistemas tecnológicos já fazem parte do dia a dia do trabalho nas minas. “A formação tem que ser muito mais avançada do que existia antes”, afirma.


Setor demanda engenheiros, analistas e profissionais ligados a tecnologia

Segundo especialistas, a demanda por engenheiros e profissionais técnicos deve continuar alta, tendo em vista o crescimento do setor. Isso abre oportunidade para profissionais com diferentes especializações como:

Engenheiros Eletricistas;

Engenheiros Mecânicos;

Engenheiros de Minas;

Engenheiros Ambientais;

Engenheiros de Produção;

Geólogos;

Geotécnicos.

Para Leandro Oliveira, coordenador de Desenho Organizacional e RH Analytics da mineradora Anglo American no Brasil, alguns cargos específicos do setor de tecnologia também começam a ser demandados pelo setor, dentre eles:

Operadores de Equipamentos Remotos,

Técnicos de Drones;

Mecânicos de Robótica;

Técnicos de IoT (internet das coisas);

Designer de Algoritmos.

Enquanto os mecânicos de robótica podem contribuir para os ajustes em equipamentos que fazem manutenção e inspeção nas minas, por exemplo, os técnicos de IoT certificam que todas essas ferramentas se comuniquem apropriadamente com a internet, recebendo dos servidores comandos enviados à distância e armazenando dados. Além disso, os designers de algoritmo ficam responsáveis pela programação e implementação de comandos que automatizam tarefas.

“Essas novas funções buscam incorporar os avanços tecnológicos dos últimos anos como já foi feito por outras indústrias, como óleo e gás e agropecuária”, afirma Oliveira. “Além disso, oferecem maior segurança ao reduzir a exposição das pessoas aos ambientes com potencial de risco da atividade mineradora”, complementa.

No que se refere a cargos mais analíticos, alguns profissionais também devem ser requisitados, como:

Analistas de Mudanças Climáticas;

Especialistas em Mercado de Carbono;

Economistas;

Administradores.

De acordo com Nery, a demanda por profissionais ligados a áreas ambientais e sociais também tem crescido consideravelmente, assim como os esforços das companhias para incluir esses profissionais dentro de seus processos.

Já os salários praticados no setor podem variar conforme a empresa contratante e o nível de senioridade e especialização de cada profissional. Segundo o guia salarial publicado anualmente pela consultoria Robert Half, um Engenheiro de Produção, por exemplo, pode ganhar de R$ 6,2 mil mensais, em uma vaga de nível júnior em uma empresa de pequeno e médio porte, a até R$ 13,3 mil mensais, em nível sênior em uma grande empresa.

Seguindo esta mesma lógica, o salário de um Engenheiro de ESG, por exemplo, pode variar de R$ 8,6 mil a R$ 19,3 mil. Os dados dizem respeito a empresas que trabalham no ramo de engenharia, sem estarem ligadas, necessariamente, à mineração.

Questionadas pela reportagem, nenhuma das companhias consultadas revelou os salários médios pagos a seus funcionários, alegando, em sua maioria, se tratarem de dados estratégicos para seus negócios.

Editores-Executivos: Leonardo Cruz e Ricardo Grinbaum; Editor de Economia: Alexandre Calais; Editora-assistente de Economia: Renée Pereira; Diretor de Estratégias Digitais: André Furlanetto; Project Manager: Edegard Utrera; Reportagem: João Scheller; Editor de Carreiras e PME: Armando Pereira; Editora de infografia: Regina Elisabeth Silva; Editores-assistentes de infografia: Adriano Araujo e William Mariotto; Designer multimídia: Lucas Almeida; Editor de fotografia: Clayton de Souza; Fotos: Daniel Teixeira e Felipe Rau; Editor do núcleo de vídeo: Gabriel Pinheiro; Edição de vídeo: Cláudio da Luz.

https://www.estadao.com.br/economia/sua-carreira/mineracao-verde-precisa-de-engenheiros-designers-de-algoritmo-e-especialistas-em-carbono-e-clima/

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Guerra nas estrelas? EUA ampliam investimentos para conter ameaças em órbita

“Se não tivermos o espaço, perdemos”, disse o chefe de operações espaciais da Força Espacial norte-americana em março

Agência o Globo – 18 de maio de 2024 

O Pentágono está intensificando suas capacidades para travar guerras no espaço, convencido de que os avanços recentes da China e da Rússia são uma crescente ameaça aos EUA em solo e aos satélites do país em órbita.

Os detalhes dos planos são sigilosos, mas integrantes do Departamento de Defesa têm reconhecido que eles refletem uma mudança crucial nas operações, com o espaço se tornando um campo de batalha.

Ao invés de se basear apenas em satélites militares, que por décadas deram aos americanos uma vantagem em conflitos, o Pentágono quer adquirir uma nova geração de equipamentos para defender suas redes e, caso necessário, atacar espaçonaves inimigas.

A estratégia se diferencia de programas espaciais militares anteriores, ao expandir as capacidades ofensivas — uma diferença considerável se comparada com as propostas apresentadas nos anos 1980, que tinham como ponto principal o uso de satélites para proteger os EUA de ataques de mísseis nucleares.

“Se não tivermos o espaço, perdemos”

“Precisamos proteger nossas capacidades espaciais, ao mesmo tempo em que precisamos impedir que o adversário use suas capacidades de maneira hostil”, disse em março o general Chance Saltzman, chefe de operações espaciais da Força Espacial, agência criada em 2019 como uma divisão da Força Aérea. “Se não tivermos o espaço, perdemos”.

Integrantes do Pentágono e uma análise recentemente liberada ao público do diretor da inteligência nacional disse que Rússia e China já testaram ou implementaram sistemas como lasers de alta energia em solo, mísseis antissatélites e espaçonaves manobráveis, que podem podem ser usadas contra equipamentos americanos.

A preocupação se intensificou com os relatos de que a Rússia pode estar desenvolvendo uma arma nuclear posicionada no espaço que pode eliminar uma série de satélites em órbita, sejam eles militares ou comerciais. O uso de armas de interferência eletrônica na Ucrânia, que afetaram sistemas de armas dos EUA, é citado pelo Pentágono como mais uma razão para intensificar as defesas do país no espaço.

“Não é mais teórico”, afirmou o general Stephen Whiting, responsável pelo Comando Espacial, em encontro com repórteres no mês passado. “É real e está lá posicionado no nosso ambiente”.

Mas a expansão da capacidade militar no espaço está ligada especialmente à China.

“A China implementou uma série de equipamentos para atacar nossas forças no espaço”, afirmou, em entrevista, o secretário da Força Aérea, Frank Kendall. “Não poderemos operar no Oeste do Pacífico se não pudermos derrotá-los”.

O general Whiting disse que a China triplicou sua rede de satélites de inteligência, vigilância e reconhecimento desde 2018, descrita por ele como uma “rede mortífera sobre o Oceano Pacífico para encontrar, rastrear e, sim, alvejar as capacidades dos EUA e aliados”.

“Os EUA têm repetidamente citado a China como uma ‘ameaça no espaço’ para criticar e atacar a China”, disse Pequim em uma declaração emitida no começo do ano, alegando que as alegações americanas eram “uma desculpa para a expansão de suas forças no espaço e manter a hegemonia militar”. Ao tentar rebater os argumentos americanos, China e Rússia tentaram, sem sucesso, pedir ao Conselho de Segurança que agisse para “prevenir, de uma vez por todas, o posicionamento de armas no espaço”.

Programa do governo americano

Integrantes do governo americano adotaram uma iniciativa chamada por eles de “operação contraespacial responsável”, um termo intencionalmente ambíguo que evita confirmar que o país quer posicionar suas armas no espaço. Ao mesmo tempo, ele confirma que o governo tem interesse em ações que não criem campos de destroços resultantes de uma explosão ou míssil usado para explodir um satélite inimigo. Foi o que aconteceu em 2007, quando a China usou um míssil para eliminar um satélite em órbita.

Os EUA usam há muito tempo sistemas capazes de interferir em sinais de rádio, atrapalhando a comunicação com satélites, e tem agido para modernizar esses sistemas. Mas nesta nova abordagem, o Pentágono tem uma tarefa ainda mais ambiciosa: suprimir ameaças inimigas em órbita, da mesma forma como a Marinha o faz nos mares e a Força Aérea nos céus.

Uma das prioridades é evitar que as demais forças militares não sejam ameaçadas pelo uso de satélites por inimigos.

Um relatório do Pentágono, dos anos 1990, sugeriu a criação de um satélite “caçador”, que poderia enviar um raio de energia contra espaçonaves inimigas para queimar seus sistemas eletrônicos, estimando que poderia integrar as operações da Força Aérea em 2025. John Shaw, militar hoje na reserva que trabalhou no Comando Espacial, disse que esses dispositivos provavelmente serão empregados no futuro.

“Eles reduzem os destroços e trabalham na velocidade da luz”, afirmou. “Provavelmente serão as ferramentas preferenciais para atingirmos nossos objetivos”.

Os EUA jamais confirmaram ter armas no espaço. Mas o Pentágono já tem o modelo secreto X37B, uma espaçonave similar ao ônibus espacial que já realizou sete missões, e que levanta suspeitas de que poderia ser usado como uma plataforma de armas. Oficiais disseram que ele está sendo usado para experiências.

https://exame.com/mundo/guerra-nas-estrelas-eua-ampliam-investimentos-para-conter-ameacas-em-orbita/

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Por que este clássico brasileiro lidera as vendas na Amazon dos EUA?

O livro de Machado de Assis, já muito conhecido no Brasil, está ganhando ainda mais fãs pelo mundo após viralizar no TikTok

Letícia Furlan – Exame –  21 de maio de 2024 

Vez ou outra o Brasil viraliza nas redes sociais. Dessa vez, o responsável por isso foi ninguém mais ninguém menos que Machado de Assis. A escritora e podcaster americana Courtney Henning Novak foi ao TikTok indignada, querendo apenas uma resposta dos brasileiros.

“Preciso ter uma conversa com o pessoal do Brasil. Por que não me avisaram antes que este é o melhor livro já escrito? O que vou fazer do resto da minha vida depois que terminá-lo?”, questionou a americana por meio de um vídeo curto em seu perfil.

Ela falava de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, obra publicada pelo autor brasileiro em 1881. Tudo começou porque Courtney se propôs a ler um livro de cada lugar do mundo, seguindo a ordem alfabética da lista de países. Já na segunda letra do alfabeto, a americana se deparou com o livro de Machado de Assis.

“Eu acho que é o melhor livro que eu já li. Acho que é meu novo livro preferido. A experiência de ler este livro é muito prazerosa”, disse ela no vídeo, que já ultrapassou 800 mil visualizações. Com tanto sucesso, a tradução para o inglês de ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’ é o livro mais vendido na Amazon na categoria ficção latino-americana e caribenha.

A tradução lida por Courtney foi a da americana Flora Thompson-DeVeax para o inglês, que ficou muito feliz com a repercussão de sua versão da obra. “Fiquei feliz demais de ver alguém tendo a mesma reação que eu quando eu li ‘Brás Cubas’ pela primeira vez com meu português precário: espanto e indignação de não ter convivido com o Machado desde sempre”, disse. 

Sobre o que é o livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”?

A maior sacada de “Memórias Póstumas” é que o narrador do livro está morto. O personagem principal, Brás Cubas, conta sua própria história direto de seu túmulo. “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”, diz na dedicatória da obra, misturando humor e horror.

Pertencente a uma família rica do século XIX, Cubas começa narrando sua morte e enterro, onde apareceram apenas onze amigos. Em seguida ele relata diversos momentos de sua vida, desde eventos da sua infância, adolescência e fase adulta.

“Memórias Póstumas de Brás Cubas” integra com frequência a lista de obras obrigatórias de vestibulares. O livro esteve na relação de livros da Fuvest, da Universidade de São Paulo (USP) de 2013 a 2019.

https://exame.com/pop/por-que-este-classico-brasileiro-lidera-as-vendas-na-amazon-dos-eua/

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A IA está quase humana

O que chama mais a atenção é o GPT 4o, capaz de conversar como se fosse gente

Pedro Doria – O Globo – 21/05/2024 

OpenAI e Google lançaram as novas versões de seus modelos de inteligência artificial (IA) na semana passada, e em ambos os casos representam um novo salto. O que chama mais a atenção é o GPT 4o, capaz de conversar como se fosse gente. Pois é: ficou difícil se comunicar com Alexa, Google Assistente e Siri. Ficaram primitivas demais num estalar de dedos. Mas, do ponto de vista técnico, o relevante é que os dois modelos agora são multimodais. Mais uma palavra importante para nosso vocabulário neste mergulho que a humanidade está dando, agora de mãos dadas com IAs.

Um modelo de IA é multimodal quando é capaz de lidar com texto, som e imagem simultaneamente. Os modelos anteriores operavam em paralelo. Um era de vídeo, outro só de texto, um terceiro convertia texto para fala. Ser multimodal é o que dá ao celular a capacidade de “enxergar” algo com a câmera e descrever o que vê com voz imediatamente — num tempo similar ao que tomaria a nós, humanos.

Aí está a principal diferença entre os dois modelos lançados na semana passada. O “o” minúsculo do GPT 4o, da OpenAI, é de onidirecional. Omni, em grego, é algo para todo lado. Ele é multimodal nas duas direções. Compreende toda informação que chega a ele, não importa se porque falamos, porque mostramos ou escrevemos. E também responde de forma multimodal. É capaz de construir informação em voz, em imagem ou texto. Não importa.

O Gemini 1.5, do Google, é multimodal apenas no sentido da informação que entra. Mas, ao dar suas respostas, ainda precisa recorrer a outros modelos de IA quando sai do texto. Tecnicamente, isso quer dizer apenas que o Google está meio passo atrás da OpenAI. Na maneira como lidamos com um e com o outro, a diferença é entre uma ferramenta útil e conversar com um ser humano.

Ser onimultimodal permite ao novo ChatGPT algumas coisas. Uma é nos ver pela câmera do celular. Com a compreensão que construiu do que é um ser humano, interpreta nossas emoções. Pode, portanto, nos ver, nos sentir e nos responder num tom de voz compatível. Sim, o novo ChatGPT dissimula emoções na maneira como fala. Ri, flerta ligeiro, se mostra aberta e interessada. No feminino. A voz e seu jeito, na apresentação, lembravam Samantha, a IA do filme “Ela”, interpretada na fala pela atriz Scarlett Johansson, dirigida por Spike Jonze. A inspiração de como apresentar foi nítida. E confessada. A ficção científica cria mundos possíveis, os engenheiros implementam o projeto. Parecia um futuro longínquo. Chegou.

Ou chegou — ou está chegando. Nem o poder pleno do GPT 4o nem o Gemini 1.5 estão à disposição do público ainda. As empresas prometem distribuir tudo em pacotes nas próximas semanas e meses. Nisso, o Google escolheu um caminho distinto da OpenAI. Em vez de lançar um pacote de software único, espalhou as possibilidades de seu modelo em muitas implementações diferentes.

Uma delas, apenas insinuada, vem na forma de óculos. Não um aparelho como o Apple Vision Pro, mas uma armação normal, similar ao Ray-Ban da Meta. Não dá para enxergar nada pelas lentes, mas há caixa de som e microfone discretos nas hastes e lentes na frente. É possível andar pelo mundo conversando com a assistente digital, pedindo informação, enquanto ela interage podendo ver o mesmo que nós. Ainda não tem data de lançamento.

Outra novidade virá mais rápido, é muito mais simples, incrivelmente útil — e pode quebrar meia internet. Quem fizer uma busca no Google passará a encontrar não apenas links para páginas relacionadas, mas também um texto com uma resposta detalhada. O número de cliques em links despencará no momento em que o Google responder o que buscamos. Prático, claro. Mas o Google responderá com informação que alguém pagou para produzir. Sites, muitos sites, sem visitas não terão como se sustentar. O risco, sério, é começar a esvaziar a internet de informação.

Esse problema as IAs ainda não resolveram. Quem paga pela informação produzida por toda a humanidade que ela deglute para dissimular ser humana?

https://oglobo.globo.com/opiniao/pedro-doria/coluna/2024/05/a-ia-esta-quase-humana.ghtml

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Indústria projeta falta de 532 mil profissionais para atender à transição energética

Setor automotivo do Brasil precisa de profissionais que saibam lidar com carro elétrico e inteligência artificial

Eduardo Sodré – Folha – 12.mai.2024 

São Paulo Em 2025, o Brasil terá um déficit de 532 mil profissionais em diferentes áreas tecnológicas. Esse número é influenciado pela transição energética, que requer habilidades para lidar com a descarbonização da indústria e a mobilidade eletrificada, por exemplo. A projeção, que faz parte de uma pesquisa da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais), tem sido usada pela Ford para explicar seus investimentos em formação de mão de obra local. 

A empresa norte-americana não está sozinha nesta empreitada. Montadoras, fornecedores e startups vêm desenvolvendo programas de treinamento para, além de capacitar jovens trabalhadores, atrair talentos. Funcionário trabalha no centro de realidade virtual do grupo Stellantis, em Betim (MG)

Funcionário trabalha no centro de realidade virtual do grupo Stellantis, em Betim (MG) – Divulgação 

A Gi Group Holding, multinacional com foco em estudos sobre mercado de trabalho, entrevistou 6.700 profissionais da indústria automotiva em 11 países. O objetivo era saber quais são as competências mais cobiçadas por suas empresas. No Brasil, 53% dos ouvidos afirmaram desejar mão de obra que saiba lidar com tecnologias de veículos elétricos. A média global ficou em 35,1%. 

Os conhecimentos para trabalhar com IA (inteligência artificial) e machine learning foram mencionados por 40% dos entrevistados no país –novamente acima da média (33,6%). “O déficit já era algo esperado, mas acabou sendo potencializado devido à modernização dos veículos, que receberam itens de segurança e sistemas autônomos”, diz Djansen Alexandre Dias, gerente da divisão de indústria na Gi Group Holding. 

“Esse movimento já vinha acontecendo há algum tempo, e calhou de, no mesmo momento, ter início a eletrificação dos veículos em meio à transição energética.” Para as empresas, o momento é de reconquista. “O setor automotivo vive esse desafio e compete com fintechs e startups”. Afirma Dias. “Além disso, a pandemia acelerou o processo de globalização da mão de obra especializada por meio do trabalho remoto. A consequência é que o Brasil não é o mais atrativo em termos de salário, então os profissionais moram aqui e trabalham para outros países.” 

Daí vem a importância de as fabricantes oferecerem programas de formação. Além de mostrarem que a demanda por mão de obra, mesmo no nível técnico, não se limita às linhas de produção tradicionais. “Existe essa concorrência com startups, e às vezes nem há como competir, temos a questão da moeda. Mas o que nós fazemos é demonstrar que não somos somente uma montadora de veículos, somos também uma desenvolvedora de veículos”, diz Márcio Tonani, vice-presidente sênior dos centros técnicos de engenharia do grupo Stellantis para a América do Sul. 

O executivo afirma que a formação de profissionais é uma característica das montadoras, e que a eletrificação, embora não seja exatamente uma novidade, traz outros pontos que exigem capacitação. “A Indústria evolui tecnologicamente com o carro elétrico, embora esse automóvel seja até mais velho que outros. Mas há outras etapas do desenvolvimento, que envolvem redução de peso, baterias, pneus e aerodinâmica.” 

A empresa tem parcerias com instituições de ensino superior e técnico em diferentes estados, como a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), a Unicamp (Universidade de Campinas) e o CIT Senai (Centro de Inovação e Tecnologia, em Minas Gerais). 

“Promovemos seminários para despertar o interesse sobre o quanto a indústria automotiva é tecnológica. Ministramos cursos dentro das grandes faculdades de engenharia e parcerias vão sendo criadas, como as desenvolvidas com a Bosch e a ZF”, afirma Tonani, citando dois dos principais fornecedores de componentes eletrônicos do setor. Portanto, a mão de obra que começa a ser formada nas faculdades e nos cursos técnicos não é voltada exclusivamente para as montadoras. 

No caso da Ford, por exemplo, os jovens capacitados no programa Enter, lançado em 2023, são direcionados para o mercado de trabalho por meio da parceria com o Senai-SP. “É uma grande oportunidade para nós, temos pessoas que foram treinadas e hoje são nossas estagiárias. Ficamos de olho nos talentos, mas não é só para a Ford”, diz Rogelio Golfarb, vice-presidente da montadora na América do Sul. 

Em seu primeiro ano, o programa Ford Enter ofereceu 200 vagas na área de tecnologia da informação e teve mais de 9.000 inscritos. A montadora afirma que cerca de 50% dos egressos das duas primeiras turmas já foram inseridos no mercado de trabalho, e a maioria seguiu com os estudos, segundo a empresa. Embora não tenha mais fábricas de automóveis instaladas no Brasil, a montadora americana mantém centros de pesquisa e desenvolvimento globais em São Paulo e na Bahia, além de empregar cerca de 1.500 engenheiros no país. 

O público-alvo da Ford é formado por jovens de baixa renda que têm dificuldade em acessar os cursos de formação que envolvem as habilidades mais desejadas pela indústria atualmente. “As tendências de contratações indicam que, nos próximos cinco anos, haverá maior demanda no mercado automotivo brasileiro por especialistas em tecnologia da informação e engenheiros automotivos, ambos empatados com 47%, seguidos por designers automotivos (34%)”, diz o estudo divulgado pelo Gi Group Holding. 

Apesar de os dados da pesquisa mostrarem um cenário positivo quando analisados como oportunidades de emprego, as informações divulgadas pela Ford ao apresentar o programa Enter são preocupantes. Com base em uma pesquisa do ManpowerGroup, o material preparado pela empresa mostrou que o Brasil está entre os dez países com maior dificuldade em preencher vagas qualificadas, principalmente no segmento de tecnologia da informação. 

A Ford cita ainda um estudo da Amcham publicado em dezembro de 2023, que entrevistou 153 empresas. Dessas, 97% relataram dificuldades para contratar profissionais capacitados na área de tecnologia, sendo que 37% disseram ter muita dificuldade. Ainda segundo esse levantamento, 25% das companhias relataram que a falta de capacitação é a maior dificuldade para contratação de profissionais em áreas relacionadas a tecnologias. 

Com a transição energética em curso, jovens profissionais que possuam as habilidades demandadas tendem a ser aproveitados em vagas que, antes, estariam nas operações fabris. Mas para que isso ocorra, é necessário que a formação e o parque tecnológico da indústria nacional evoluam. “Vemos muitos estrangeiros nas grandes empresas do Brasil. Por quê? Por falta de formação”, diz Valter Pieracciani, sócio-fundador da empresa especializada em gestão que leva o seu sobrenome. 

“O programa Mover [Mobilidade Verde e Sustentabilidade] talvez promova a relocalização de linhas de produção e preserve empregos, mas não dá para ter essa relocalização com baixa produtividade. Em vez de sermos produtivos em enormes volumes, podemos ser competitivos em pequenos volumes e desenvolvendo tecnologias a etanol, por exemplo”, afirma o especialista. 

“O cenário de 2035 não é de eletrificação plena, e não seremos campeões de carros elétricos no mundo. Teremos uma combinação de várias soluções juntas, como o hidrogênio verde, o biodiesel e o carro híbrido flex. Eu apostaria no que fazemos bem, e se pelo menos algumas das novas tecnologias não forem brasileiras, não teremos empregos.” 

Para Francisco Tripodi, sócio-diretor da Pieracciani, há ações de capacitação elencadas no programa Mover, que estão ligadas, principalmente, ao setor de autopeças. “Estão terceirizando para as empresas beneficiárias do programa, mas acredito que seria mais estruturante que [os incentivos] fossem direcionados também para as instituições de ensino que promovem a formação [dos profissionais]”, afirma Tripodi. 

Segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), a capacitação de mão de obra –por meio de treinamentos, cursos profissionalizantes, graduação e pós-graduação– está incluída nas etapas de pesquisa e desenvolvimento elegíveis para a apuração de créditos financeiros. Na regulamentação do Mover, publicada no dia 26 de março, o ministério destaca programas de residência tecnológica e parcerias entre empresas e instituições de ensino de diferentes níveis (com inserção no mercado de trabalho por meio de estágio, por exemplo) como parte das atividades que podem ser consideradas para concessão de benefícios tributários. 

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O plano da Vale para tirar o diesel da mineração – em parceria com a Caterpillar 

André Jankavski – Brasil Journal – 30 de abril de 2024 

A Vale e a Caterpillar vão desenvolver e testar caminhões elétricos e híbridos (movidos a diesel e etanol) de grande porte para uso em minas. O acordo é uma das estratégias para a Vale cumprir suas metas de redução de emissões de carbono diretas e indiretas em 33% até 2030 – e se tornar net zero em 2050. Atualmente, as emissões de diesel das operações de mina correspondem a 15% do total de CO2 emitido pela Vale. Os caminhões são os responsáveis pela maior parte desta emissão, disse ao Brazil Journal o vice-presidente executivo de operações, Carlos Medeiros. 

A Vale é a maior consumidora de diesel do Brasil. A mineradora consome 1 bilhão de litros de diesel por ano: metade é usada por caminhões, e a outra metade por trens que transportam a produção da companhia – daí a importância de fazer essa transição o mais rápido possível. Mas a parceria não deve render frutos no curto prazo: Medeiros disse que os primeiros caminhões elétricos e híbridos devem começar a ser testados somente em 2026. “A Vale vai ter acesso a essas soluções em um momento que estamos cada vez mais próximos do nosso deadline, que é em 2030,” disse o executivo. 

E mesmo quando os veículos estiverem devidamente testados e forem disponibilizados no mercado, a substituição não será toda de uma vez, pois o custo seria altíssimo. Cada caminhão com capacidade de 240 toneladas – o mais usado pelas mineradoras – custa cerca de US$ 8 milhões após o pagamento de impostos, e tem vida útil de cerca de 20 anos. 

Enquanto o caminhão elétrico e o híbrido ainda estão no papel, a Vale já está testando o modelo autônomo. A mineradora tem 28 deles (sendo 14 produzidos pela própria Caterpillar outros 14 pela japonesa Komatsu) operando na mina de Brucutu em Minas Gerais. Segundo Medeiros, os caminhões autônomos já têm métricas que mostram o aumento de eficiência: operação de maneira contínua 24 horas por dia, aumento da vida útil dos motores em 40% e dos pneus em 25%. 

Esses ganhos não são triviais: a troca de um motor custa R$ 2,5 milhões, e a de um jogo de pneus, que costuma durar um ano, cerca de R$ 500 mil. O projeto de eletrificação com a Caterpillar também inclui pesquisas para criar uma versão elétrica dos caminhões autônomos. Esse é o segundo grande movimento para a diminuição do uso do diesel que a Vale fez em menos de um ano. Em julho, a mineradora anunciou uma parceria com a Wabtec Corporation para desenvolver um motor movido a amônia para locomotivas. 

“Esses acordos são fundamentais para a nossa estratégia de descarbonização. A nossa jornada é de estudar várias soluções e adotar as mais viáveis,” disse Ludmila Nascimento, diretora de energia e descarbonização da Vale. O acordo com a Wabtec também inclui um pedido de três locomotivas a bateria FLXDrive que serão usadas na Estrada de Ferro de Carajás. Hoje a composição é puxada por quatro locomotivas a diesel.

Leia mais em https://braziljournal.com/os-planos-da-vale-e-da-caterpillar-para-eletrificar-caminhoes-para-mineracao/ .

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O Brasil deveria liderar a inteligência artificial (aberta)

O País não precisa perder o trem da IA como aconteceu em outras ondas tecnológicas: se direcionarmos bem leis e estratégias, dá tempo de liderarmos a frente da IA open source

Fabro Steibel – MIT Sloan Management Review – 26 de Abril

Artigo O Brasil deveria liderar a inteligência artificial (aberta)

Se o fizermos, largamos primeiro, e ganhamos reconhecimento internacional. Mas é bom correr, porque já cresce o olho de governos e venture capital em liderar esse mercado também.

IA aberta não é algo novo, mas ganhou momentum recentemente. A Databricks, que lançou o mais poderoso modelo de IA até o momento, investirá US$ 10 milhões para promover a tecnologia para que seja usada livremente. O Hugging Face, marketplace de modelos de IA aberta, já tem mais de 350 mil componentes disponibilizados, e recebeu investimentos de US$ 100 milhões para crescer. A União Europeia liberou de carga regulatória grande parte da IA aberta, pensando em inovação. A corrida está começando, e o Brasil está em boa posição para se destacar.

E por que a IA aberta é tão interessante? Dados e software aberto possuem diversas licenças, mas em geral pensamos dados e código como aberto ou fechado. Na IA aberta já é melhor falar de gradientes de abertura, componentes intermediários que podem ser abertos ou fechados. É possível ter uma IA inteiramente aberta? Sim. Mas é muito mais eficiente ter “degraus” de desenvolvimento abertos. Essa é uma opção mais escalável, econômica e promotora de inovação que opções de ID completas ou fechadas.

IA aberta é abrir camadas da construção da tecnologia, antes de tudo. A Noruega, por exemplo, em suas estratégias de IA incluiu a criação de um “banco de língua norueguesa”, o que é útil para inúmeros processos intermediários que envolvem acesso, leitura e processamento de dados, sem contar o potencial para chatbots e outros mecanismos de interação entre governo e sociedade. A Noruega inclusive colocou a meta de 80% das instituições públicas com algum uso de IA até o ano que vem.

Quando a União Europeia propôs a primeira versão da Lei de Inteligência Artificial, em 2021, o mundo todo passou a pensar em IA como um modelo fechado, uma “coisa” usada para um fim específico. Ledo engano. IA até pode também ser pensada como um modelo fechado, como qualquer produto vendido no mercado. Mas IA é melhor descrita como um conjunto de partes e componentes. O estudo do BAIR, da University of Berkeley, mostra inclusive como muitas das IAs que conhecemos são resultados de combinações de camadas abertas e interoperáveis.

Exemplo: SABIÁ

A inteligência artificial aberta é uma boa inspiração para a infraestrutura digital pública. É claro que processamento em nuvem e acesso a placas de GPU são essenciais, mas as criações nacionais como Pix ou o Gov.br são muito mais que meros dados processados. Aprendemos ali o poder da infraestrutura digital, que faz com que os ecossistemas digitais floresçam. Imagine se criamos o “pix” ou “gov.br” da inteligência artificial, algo que o mundo aprenda conosco.

Já temos alguns exemplos de como a IA aberta está sendo feita no País. Inspirada na OpenAI, a Maritaca, sediada na Unicamp, já oferece o Sábia, um modelo de linguagem de larga escala (LLM) 45 vezes mais barato do que opções estrangeiras populares (e apenas 16% menos eficiente).

Inspirado no portal dados.gov.br, que tem bases de dados públicas para fomento de ecossistema, devíamos ter o “Hugging Face” brasileiro. Ou fazer com que esses portais de componentes sejam recheados de IA aberta nacional. O ganho aqui é na escala: quanto mais atores adotarem modelos abertos, mais acessível a solução é. E, quanto mais modelos falarem “Brasil” ou português, mais protegidos estaremos.

Há quem encare com preocupação os riscos sociais da IA aberta, e é válido pontuar que existem sim modelos criados para desrespeitar a lei (criando conteúdo tóxico, por exemplo). Mas as pesquisas, uma depois da outra, deixam claro que modelos abertos tendem a gerar melhores soluções de controle. Novamente o ganho é na escala: infraestruturas abertas tendem a ser mais vigiadas que soluções fechadas ou isoladas.

A HORA É AGORA. É agora que discutimos como podemos ter mais ambição na Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (a famosa EBIA). É agora que p Congresso debate que tipo de legislação o Brasil deve ter. Pois a IA aberta é um excelente caminho para nos inspirar. Já temos fama por nossa comunidade de dados e software aberto, está na hora de ficar famoso também por enxergar na IA infraestruturas abertas que façam essa oportunidade mais acessível e segura para todos.

Autoria

Fabro Steibel

Diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio), Fabro Steibel é membro do Conselho Global do Fórum Econômico Mundial, pesquisador independente da Open Government Partnership, fellow da Organização dos Estados Americanos (OEA) para governos abertos, professor da inovação da ESPM e membro do conselho editorial da MIT Sloan Review Brasil.

https://mitsloanreview.com.br/post/o-brasil-deveria-liderar-a-inteligencia-artificial-aberta

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“O cobre é o novo petróleo.” E o preço não para de subir 

Giuliano Guandalini – Brasil Journal – 16 de maio de 2024 

Carros elétricos, baterias, linhas de transmissão e data centers – sem falar no uso mais tradicional, em ligas metálicas, e agora, a inteligência artificial. Todas as principais transformações da economia global nos próximos anos dependem de um mesmo metal: o cobre. 

Mesmo com a adoção global mais lenta do que o previsto dos carros elétricos, a demanda pelo cobre permanecerá em alta, dizem os analistas, e boa parte da explicação está nos investimentos em inteligência artificial. A expansão da tecnologia requer toneladas de servidores e envolve um maior consumo de eletricidade. São duas forças que empurram para cima a demanda de cobre, e, num momento de oferta apertada, os preços estão nas máximas históricas. 

O consumo de eletricidade dos data centers, da inteligência artificial e criptomoedas deverá dobrar nos próximos dois anos, a Agência Internacional de Energia previu em um relatório recente. Isso vai exigir que a oferta mundial de energia tenha um aumento equivalente ao total consumido hoje pelo Japão. Esse é o pano de fundo que sustenta a esticada do cobre, que subiu 20% nos últimos três meses, mesmo com a atividade desacelerando na China, o maior consumidor mundial. 

A tonelada do cobre ultrapassou os US$ 10.000 em Londres e ficou acima de US$ 11.000 em Nova York. De acordo com traders, parte da alta recente nos contratos futuros se deve também a um short squeeze. Os fornecedores estariam com dificuldade para cumprir as entregas físicas programadas para os EUA até julho. 

Para os analistas do Bank of America, está se formando um desequilíbrio entre a produção e o consumo, o que poderá levar a um déficit na oferta até pelo menos 2026. A Goldman Sachs vê um déficit de 454 mil toneladas este ano e de 467 mil toneladas em 2025. Os analistas do banco elevaram o preço-alvo para a tonelada no fim do ano de US$ 10.000 para US$ 12.000, e projetam um preço médio de US$ 15.000 no próximo ano, uma alta de mais de 50% acima em relação à estimativa de US$ 9.800 para 2024. 

Para o Boston Consulting Group, o desequilíbrio poderá perdurar até 2030 caso haja um ritmo de investimento mais agressivo em transição energética. “O cobre, com alta condutividade e resistência à erosão, é um material crítico para produzir desde carros elétricos a painéis solares e cabos de eletricidade,” diz um estudo da BCG. 

O BofA reduziu sua estimativa de vendas de carros elétricos – o que reduziria o consumo esperado de cobre em 200 mil toneladas neste ano e no próximo.“A demanda por cobre no transporte continuará subindo, mas em ritmo menor,” diz o banco. Mas o avanço da IA exige a expansão dos data centers – o que vai consumir mais cobre, tanto em razão dos equipamentos e instalações dos grandes servidores quanto pelo aumento na demanda de energia elétrica. O BofA ressalta que, apesar dos ganhos de eficiência dos últimos anos, são necessários “investimentos urgentes” na transmissão de eletricidade para evitar apagões.

 “O cobre é o novo petróleo,” disse o estrategista-chefe do Carlyle Group, Jeff Currie, em uma entrevista à Bloomberg. A alta na procura pelo metal ocorre num momento em que muitos projetos de novas minas haviam sido colocados em banho maria. A desaceleração da China e a alta dos juros nos EUA – com uma possível recessão na maior economia do planeta – desincentivaram o início de projetos. 

A grande novidade recente foi o advento da inteligência artificial generativa. “Uma pesquisa no ChatGPT consome 30x mais eletricidade do que uma pesquisa no Google. É essa ordem de grandeza,” disse Tiago Cunha, um gestor da Ace Capital que acompanha de perto as commodities metálicas. 

“O problema é que o mercado de cobre está muito apertado e não é de hoje. A oferta é pouco elástica mesmo nos atuais níveis de preço.” O magnata da mineração Robert Friedland, da Ivanhoe, disse que os preços da tonelada precisam ir a US$ 15.000 para destravar os investimentos em novas áreas. Retirar o cobre debaixo da terra é mais caro e complexo do que a exploração do minério de ferro. O desenvolvimento das minas demora, quase sempre, mais de uma década. Mas as indústrias de todo o planeta precisam do metal. E para já. 

A ‘corrida do cobre’ está por trás da oferta de US$ 43 bilhões da BHP para adquirir a Anglo American, controladora de vastas minas do metal no Peru e no Chile. Este foi apenas o movimento mais ruidoso da provável consolidação entre mineradoras interessadas em ampliar suas posições em cobre e aproveitar a tendência de alta. “O cobre é uma história bastante simples,” disse o gestor Stanley Druckenmiller em entrevista à CNBC na semana passada. “Leva cerca de 12 anos para uma nova mina produzir, e você tem carros elétricos, linhas de transmissão, data centers e, acredite ou não, munições. 

Todos os mísseis carregam cobre. O mundo está ficando quente. A situação de oferta-demanda é incrível pelos próximos cinco ou seis anos.” 

A alta nas cotações tem estimulado também a ação de gangues – e não apenas no Brasil. Na África são comuns os roubos de cabos, enquanto nos EUA assaltantes estão atacando as estações de carregamento da Tesla. 

LEIA MAIS Anglo American faz reorganização, de olho no cobre e na energia limpa

Leia mais em https://braziljournal.com/o-cobre-e-o-novo-petroleo-e-o-preco-nao-para-de-subir/?utm_source=Brazil+Journal&utm_campaign=7dc377a0a5-news16052024-2-fo_COPY_02&utm_medium=email&utm_term=0_850f0f7afd-7dc377a0a5-427667149 .

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Equipe de apenas 11 pessoas constroi prédio com tijolos “tipo Lego”

Um prédio com 96 apartamentos foi montado como um conjunto de blocos de montar para crianças

Crédito: Renco EUA


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Nate Berg – Fast Company Brasil – 12-01-2024 

Usando apenas um martelo, uma pistola de cola e um manual de instruções com códigos em cores, uma equipe de 11 trabalhadores não qualificados construiu recentemente um prédio de apartamentos com 96 unidades em menos de dois meses.

A chave para esse projeto de construção super-rápido é um novo material de construção – um sistema de tijolos intertravados que se encaixam como se fossem peças de Lego. Empilhados como blocos de concreto convencionais e afixados no lugar de encaixe, os blocos são uma alternativa à construção de prédios com madeira, concreto e aço.

O material se chama Renco e é feito de uma mistura totalmente reciclável de vidro e plástico reaproveitados, pó de calcita e resina. O nome vem de uma mistura de “renovável” com “composto”. Semelhante à fibra de vidro, os blocos feitos com esse composto têm alta resistência e estabilidade e são capazes de suportar uma ampla gama de forças ambientais. 

Desenvolvido inicialmente na Turquia e usado em mais de 100 projetos de construção desde 2012, o material agora foi licenciado e aprovado para construção nos EUA. 

O prédio de apartamentos com 96 unidades, localizado em Palm Springs, na Flórida, é o primeiro no país a usar o Renco. Em comparação com um projeto convencional construído com concreto, a construção foi 20% mais rápida e 20% mais barata.

O projeto foi desenvolvido e construído pela Coastal Construction, empreiteira especializada em residências e hotéis de grande porte. Patrick Murphy, vice-presidente executivo da empresa, conta que conheceu o Renco em 2010 e logo percebeu seu potencial como um material de construção resistente, que poderia suportar os furacões da Flórida. 

Junto com seu pai, o fundador da Coastal Construction, Tom Murphy Jr., ele viajou para a Turquia para ver o material de perto.

O primeiro projeto que visitaram foi um enorme complexo de apartamentos. “Uma coisa é construir uma casa ou um pequeno depósito”, diz Murphy. “Outra coisa é construir um prédio de vários andares com pessoas morando nele.”

Eles fizeram um acordo com o criador da Renco e trouxeram o material para os EUA com a intenção de estabelecer uma instalação para construir os blocos e, em seguida, usar esses blocos para construir moradias à prova de furacões em toda a Flórida.

Crédito: Renco EUA

A empresa realizou mais de 400 testes com o material para garantir integridade estrutural, segurança contra liberação de gases e outros riscos ambientais. Também foram feitos testes contra infestações de cupins e pragas, mofo, terremotos e, no caso da Flórida, contra furacões. O material é classificado para resistir a uma tempestade de categoria 5.

Sua maior vantagem, porém, é a facilidade de construção. O sistema foi projetado para ser facilmente montado por pessoas que não são experientes em construção, já que esse tipo de mão de obra anda em falta no mercado local. 

As instruções codificadas por cores mostram aos construtores quais blocos vão aonde. Eles são facilmente fixados uns aos outros com um spray de adesivo industrial de metacrilato de metila de dupla face, que sai de uma pistola de cola, e algumas batidas com um martelo.

Os blocos variam em tamanho, de cinco centímetros a um metro de comprimento. O mais pesado pesa 36 quilos, mas a maioria pode ser levantada por uma única pessoa. Para o complexo de apartamentos de Palm Springs, o projeto completo de quatro prédios contou com apenas 22 formatos diferentes de blocos.

Isso pode parecer uma receita para uma estrutura sem graça, mas o sistema é surpreendentemente adaptável a diferentes designs, de acordo com o escritório de arquitetura do projeto, Arquitectonica. “No início, estávamos sendo cautelosos”, diz Bernardo Fort-Brescia, cofundador da empresa. “Agora, percebo que podemos ser muito mais ousados.”

A Coastal Construction acaba de concluir uma unidade de produção na Flórida para produzir blocos Renco. Segundo Murphy, ela tem capacidade para produzir material suficiente para construir cinco mil apartamentos por ano.

“Não estou dizendo que podemos construir todos os tipos de prédios, mas ainda não há nada que não tenhamos conseguido fazer”, afirma Murphy.


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. 

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