Nova fase da TV aberta promete virar o jogo contra gigantes do streaming

Padrão que funde sinal da TV com o da internet abre janela para marketplace e publicidade individualizada em larga escala em transmissões


Julio Wiziack – Folha – 27.jul.2024 

Raymundo Barros é um dos nomes mais importantes dos bastidores da TV, tendo atuado na evolução dos sistemas de transmissão há quase quatro décadas. Além de ser executivo da TV Globo, ele preside o Fórum SBTVD, grupo que escolheu o padrão tecnológico para a TV 3.0, a chamada TV do Futuro, que abre novas possibilidades de negócios.

A TV digital prometia muito e a publicidade foi para o Google. Isso muda agora?
Não houve absolutamente nenhuma inovação no modelo de negócio [das emissoras] com a TV digital. A TV opera como nos anos 1950 e 1960: com patrocínio, mídia avulsa, merchandising. Mas, hoje, temos mais de 60% dos televisores conectados à internet e 80% deles estão ligados na antena da TV aberta. O novo padrão [3.0] insere definitivamente a TV aberta na economia digital, porque ela passa a ser uma TV baseada no protocolo da internet, os dois sinais se misturam.

Essa será uma vantagem só da TV aberta?
Um evento transmitido exclusivamente pela internet tem uma limitação. É preciso abrir uma transmissão individual, ainda que o conteúdo seja o mesmo, para cada dispositivo conectado. Hoje se celebra quando um jogo de futebol transmitido via internet chega a cinco milhões de aparelhos simultaneamente. Mas não dá para escalar para 100 milhões, como na TV aberta, porque é um peso grande demais na rede das operadoras.

O novo padrão vira o jogo contra o Google na publicidade?
Essa tecnologia é uma revolução porque representa para a TV aberta a possibilidade de buscar receitas publicitárias hoje na internet, no Youtube, e um pouco nas redes sociais, como Instagram e TikTok.

Mas como isso ocorrerá efetivamente?
Imagine que durante o intervalo de uma final do Campeonato Brasileiro, cada um dos espectadores pode, no limite, receber uma publicidade personalizada. O conceito do ecommerce começa a ser disponível também em TV aberta, porque no momento que se assiste à novela, será possível ter uma segunda tela com um carrinho de compras virtuais. Isso significa que o diretor de cena terá de taguear os produtos [postos em cena] que irão para o ecommerce.

Qual a projeção de receitas?
Apesar de toda essa proliferação do streaming e da TV paga no país, a TV aberta tem hoje 70% do tempo consumido dos brasileiros dentro de casa. É uma coisa impressionante a resiliência desse negócio no Brasil, mas ainda estamos mapeando o potencial.


Raio-X | Raymundo Barros

Atua na Globo há 39 anos e é diretor-executivo de Estratégia de Tecnologia da Globo. Participou do processo de migração do sinal analógico para o digital da TV aberta, da implantação de infraestrutura IP e do 4K na produção e distribuição de conteúdo.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2024/07/nova-fase-da-tv-aberta-promete-virar-o-jogo-contra-gigantes-do-streaming.shtml

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O Google sobreviverá?

OpenAI anunciou que pretende mudar por completo como fazemos buscas

Pedro Doria – O Globo – 06/08/2024 

O primeiro caso pesado de antitruste do governo americano contra uma das gigantes do Vale do Silício terminou, ontem, com uma derrota feia do Google. O juiz Amit Mehta, da Corte Distrital da capital, Washington, determinou que a empresa usou de seu poder de monopólio em buscas para bloquear o acesso de seus concorrentes ao mercado. E a decisão veio apenas um dia depois de a OpenAI anunciar que pretende brigar no mercado de buscas, ao colocar no ar o SearchGPT. São duas notícias inteiramente separadas, mas que precisam ser lidas juntas.

O caso apresentado perante o juiz Mehta é sucinto. O Google usa seu poder financeiro para garantir que será o site de busca padrão de dois navegadores, o Safari, da Apple, e o Firefox, da Mozilla. Junte os dois ao Chrome, software do próprio Google, e quase a totalidade dos navegadores da web em número de usuários está na lista. Só o contrato com a Apple sai por US$ 18 bilhões anuais.

Algoritmos de busca não se tornam melhores porque um programador tem mais talento do que o concorrente. O que pesa, como em quaisquer algoritmos de inteligência artificial, é o volume de dados que alimenta o bicho. Ou seja, quanto mais gente usa um site de busca, melhor ele fica. O Google é melhor por ser muito mais usado do que os outros. E é mais usado porque paga para dificultar que as pessoas mudem. “Ao longo de décadas”, afirmou o juiz em sua decisão, “estes acordos deram ao Google acesso a uma escala que seus rivais não conseguem alcançar”.

Ainda não há pena definida — pode chegar ao ponto de forçar o Google a vender parte de seu negócio. E há recurso, a empresa pode tentar ir à Suprema Corte.

Pois é. E, no fim de semana, a OpenAI anunciou que pretende mudar por completo como fazemos buscas. O site SearchGPT ainda está fechado para alguns poucos usuários selecionados, mas uma lista de espera já foi aberta para quem desejar se inscrever. De cara, quem chega depara com uma pergunta: “O que você está procurando?” Há uma caixa para preenchimento. A partir daí, funciona de maneira similar ao ChatGPT. O sistema responde, quem busca faz perguntas complementares. É um diálogo continuado. A diferença para o ChatGPT é só uma, mas crucial. A cada informação que o robô traz, ele a ancora num link para a fonte original.

A diferença não é pequena. Muita gente se habituou a utilizar o ChatGPT como se fosse uma busca, um robô onisciente que tudo sabe e responde com sapiência. Isso, ele não é. Quando entende de um assunto, responde corretamente. Quando não entende, responde assim mesmo, só que inventando. Inventa com riqueza de detalhes uma resposta que parece ter coerência e o faz com convicção. Se quem usa o sistema está desavisado, pode embarcar na incorreção. Tem acontecido com frequência. Neste sentido, SearchGPT é um ChatGPT que cita a fonte onde encontrou a informação para conferência.

SearchGPT está também plugado no noticiário, pode responder sobre temas que estão ocorrendo neste momento. E, aí, outra diferença: a OpenAI assinou acordos de licenciamento com pelo menos três empresas jornalísticas. O Wall Street Journal, a Associated Press e o Vox. Não é um acordo que autorize o uso de conteúdo dessas companhias para treinar a inteligência artificial. É exclusivamente para responder a respeito do que está acontecendo no momento. Ou seja, e isso é inédito nesse tipo de negócio, as empresas são pagas pelo jornalismo que produzem. Já não era sem tempo. Resta saber se a cultura se firmará.

Há inúmeras perguntas no ar. A primeira: as pessoas vão se acostumar a fazer buscas dialogando? O mais provável é que sim. Quando procuramos por algo, não é uma página da web que desejamos encontrar. É uma resposta a uma dúvida qualquer. O formato de diálogo, de chat, é mais preciso se for confiável. E este “se for confiável” não é trivial. O próprio Google, assim como a Microsoft, fez experiências usando inteligência artificial para responder a buscas com texto corrido. O resultado foi sugerir uso de cola branca para garantir que o queijo se afixe na massa de pizza. IAs acertam. E erram com convicção.

Foi uma longa jornada, até aqui. O modelo de site de buscas sempre teve mais ou menos a mesma cara, mas houve disputa por quem conseguiria oferecer um produto decente. Altavista, Lycos, Webcrawler, nomes hoje perdidos, pareceram ter chance de ganhar a briga por espaço. Aí veio o Google. Está entre nós, consolidado, faz 20 anos. Os próximos anos serão os mais difíceis da história da companhia. Mas não custa lembrar. Há exatos 20 anos, a Microsoft passou por um processo assim, e perdeu como o Google na primeira instância. Esteve por baixo. Hoje é a maior companhia em valor de mercado do planeta.

https://oglobo.globo.com/opiniao/pedro-doria/coluna/2024/08/o-google-sobrevivera.ghtml

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Doze gestores competem para administrar fundo bilionário do BNDES e Vale

Resultado sai em outubro; valor chega a R$ 1 bilhão para projetos de exploração de minerais críticos

Com Diego Felix – Folha –  6.ago.2024 

Brasília 

A chamada pública do BNDES com a Vale recebeu 12 propostas de interessados em fazer a gestão do Fundo de Minerais Críticos. O resultado final sai em outubro. O banco afirmou que a quantidade de candidatos superou as expectativas. 

O fundo mobilizará R$ 1 bilhão, com aporte inicial de até R$ 250 milhões do BNDES e outros R$ 250 milhões da Vale. Outros R$ 500 milhões serão captados junto ao mercado. 

Os recursos serão investidos em até 20 empresas com projetos de pesquisa mineral, desenvolvimento e implantação de novas minas de minerais críticos no país dentro das boas práticas ambientais, sociais e de governança (ASG). 

Além do minério de ferro de alta qualidade, no país encontram-se cerca de 94% das reservas de nióbio, 22% do grafite, 16% de terras raras e 16% do níquel do mundo. 

“Temos um imenso potencial, e o Brasil tem a oportunidade de ser a principal fronteira de investimento do setor e se posicionar estrategicamente como um parceiro e fornecedor com credibilidade para elevar os padrões sociais e ambientais do mercado global de minerais críticos para transição energética, que é uma prioridade do governo do presidente Lula. Além disso, esses investimentos promovem o desenvolvimento regional, e criam empregos e renda”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2024/08/doze-gestores-competem-para-administrar-fundo-bilionario-do-bndes-e-vale.shtml

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Economia chinesa dá sinais de ‘operar com um só motor’. Entenda

Analistas aguardam dados esta semana para atualizar projeções para o PIB, enquanto Pequim anuncia medidas para estimular o consumo

Por Bloomberg – O Globo – 05/08/2024 

A economia da China tem se apoiado na produção industrial para continuar crescendo este ano, e os dados desta semana fornecerão pistas sobre a força desse suporte. É, como dizem na linguagem da aviação, como se o país estivesse “operando com apenas um dos motores”.

Os números das exportações, que serão divulgados na próxima quarta-feira, 7, podem mostrar algum fortalecimento em julho, destacando como o comércio tem sido um raro ponto positivo.

O volume de embarques dos portos da China no primeiro semestre foi 8,5% maior do que em 2023, com as tarifas de frete de contêineres quadruplicando, de acordo com o índice de fretes marítimos NCFI. As exportações — desde carros até aço e bens de consumo — dispararam.

O panorama futuro, no entanto, parece menos claro. Os dados dos indicadores industriais têm sido instáveis, com uma queda na atividade geral das fábricas. O mais preocupante foi a retração do Caixin, um índice que dá maior peso às empresas privadas e exportadoras: ele contraiu inesperadamente pela primeira vez em nove meses.

O sinal é preocupante, ainda mais porque, no segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) da China já havia ficado abaixo das expectativas. O crescimento foi de 4,7%, enquanto economistas ouvidos pela Bloomberg esperavam 5,1%.

Os exportadores também podem estar vendo retornos decrescentes. Embora os volumes de comércio estejam aumentando, as empresas chinesas não estão necessariamente lucrando, porque também estão reduzindo os preços. Como resultado, o valor total das exportações de mercadorias mal se alterou este ano, subindo apenas cerca de 0,4%.

Mais tarde na semana, os números da inflação devem continuar baixos, com os preços ao produtor caindo pelo 22º mês consecutivo.

Os analistas estão atentos. Os economistas do Citi rebaixaram sua previsão para o crescimento chinês deste ano de 5% para 4,8%, enquanto o economista do UBS, Wang Tao, agora vê alguma probabilidade de reduzir a previsão de crescimento, hoje em 4,9%.

Lojas de autoatendimento e cuidados com idosos

De olho na economia, o governo chinês anunciou no sábado medidas para estimular o consumo. São 20 pontos, que vão desde estimular lojas de autoatendimento a crédito para micro e pequenas empresas.

As medidas vão tentar explorar o potencial de expansão do consumo em áreas como alimentação, serviços domésticos e cuidados com idosos, de acordo com comunicado publicado no site do governo. Também haverá estímulos a novas formas de consumo, como lojas de autoatendimento e lockers de retirada de compras, além de apoio ao desenvolvimento de esportes eletrônicos e vendas no e-commerce por meio de lives.

O governo também dará suporte financeiro para micro e pequenas empresas do setor de serviços, além de ampliar as deduções tributárias para gastos com cuidados com crianças menores de 3 anos, além de despesas com idosos.

Pequim também pretende estimular o desenvolvimento de novas áreas de turismo, o que inclui cruzeiros, iates e carros voadores.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2024/08/05/economia-chinesa-da-sinais-de-operar-com-um-so-motor-entenda.ghtml

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Febre dos carros elétricos chineses chega agora aos robôs

Desenvolvidos com tecnologia dos próprios veículos, humanoides começam a ser adotados nas fábricas, 

Nelson de Sá – Folha – 4.ago.2024 

Pequim

Leila Navarro, 71, palestrante motivacional e influenciadora, veio pela pela primeira vez à China para a , realizada no início de julho, e voltou com um cão-robô. Pagou 15,5 mil yuans (R$ 11,7 mil) e já está passeando com ele em São Paulo.

Foi a um parque e, conta, o cachorro chamou a atenção dos policiais. “Eu fiquei encantada e comprei para uso doméstico, porque ele dança, fala algumas coisas, pode interagir com as pessoas, trazer um copo d’água”, descreve. “Mas a ideia é ele trabalhar em segurança. Fui andar com ele, no primeiro dia em que saiu comigo, e os policiais vieram falar que seria legal ele ajudar a fazer ronda.”

Mas o que mais chamou a atenção na exposição paralela à conferência em Xangai, inclusive dela, foram os 18 robôs humanoides alinhados na entrada. “Estava cheio deles, e o que percebi é que chinês é muito prático. Estão menos preocupados em humanizar e mais em ganhar escala e ser uma coisa funcional. Robôs que passam roupa, que fazem massagem, que cozinham.”

Apelidados de 18 Arhats, em referência aos primeiros seguidores de Buda, eles refletem uma indústria que em 2023 cresceu 86% em relação ao ano anterior, na China, e que guarda relação com o crescimento do setor de carros elétricos no país. No momento, é nas montadoras que a aplicação dos robôs com aparência humana mais promete.

Não à toa, uma das atrações na exposição foi o Optimus Gen 2, nova versão do robô humanoide da Tesla, mantido numa redoma de vidro distante dos 18 da linha de frente chinesa. A projeção do CEO Elon Musk é que milhares deles ocupem o chão da fábrica no ano que vem, possivelmente na “gigafábrica” em Xangai, a maior da montadora no mundo.

A empresa chinesa de robótica UBTech já tem humanoides trabalhando numa fábrica da montadora de carros elétricos NIO, também chinesa, e anunciou paralelamente à conferência ter fechado contrato com a joint venture da Volkswagen no país para desenvolver uma fábrica sem humanos, só com humanoides, em Qingdao. Entre as tarefas, estão escanear os carros, inspecionar cinto de segurança, montar componentes e manusear peças.

“É muito importante também considerar o papel que a cadeia de suprimentos da indústria de veículos elétricos teve nos robôs de inteligência artificial”, diz TP Huang, analista financeiro especializado no setor automotivo. “Coisas como chips de IA, navegação, Lidars [tecnologia de detecção e alcance de luz, para identificar objetos], câmeras e tudo mais que realmente importa ao construir um robô de IA, seja canino, humanoide ou de entrega de comida.”

Ele sublinha a experiência acumulada com a operação de robotáxis pela Baidu, uma das principais no desenvolvimento de inteligência artificial no país, em cidades como Wuhan, onde acaba de entrar em circulação uma nova frota, agora com mil deles. “Outras, como DiDi, também o farão”, acrescenta, ressaltando a empresa de transporte urbano conhecida no Brasil como 99.

A indústria de robôs ainda está nos primeiros estágios, avalia Huang, sobretudo em relação aos humanoides. “A grande pergunta é onde serão usados.” Há modelos com formato mais adequado do que eles para entrega ou para cozinhar, por exemplo.

Uma área provável, segundo o analista, é o atendimento domiciliar e outras tarefas voltadas a serviços, “em que as pessoas querem interagir com robôs que são de tamanho, locomoção e movimentos semelhantes aos nossos”. No caso de robôs caninos, eles poderiam atuar como guias para cegos na China, onde há falta de cães para a tarefa.

A consultora brasileira em tecnologia Mila Ghattas, estabelecida em Xangai e que organizou a presença de 36 enviados de empresas do Brasil à conferência, concorda que o quadro “ainda está mais naquele primeiro impacto, e a utilidade desses robôs ainda é algo para ser estudado”.

Ela própria se interessou mais por um conceito de robô antropomórfico, com o busto de uma jovem chinesa, que encontrou na exposição. “Eles começaram a aparecer, o que se chama na robótica de ‘uncanny valley’, vale da estranheza. Ela estava pequenininha lá. Você vê, e a sua reação humana é de estranheza, de que tem alguma coisa errada.”

O impacto de mídia dos robôs de Xangai foi grande, a ponto de se sobrepor à conferência, que havia reunido CEOs conhecidos da indústria de tecnologia de China e EUA, além de autoridades para discutir governança global de IA. A própria conferência acabou lançando “Normas para a Governança de Robôs Humanoides”, logo comparadas às Três Leis da Robótica do escritor Isaac Asimov (1920-92).

“A China está no protagonismo disso, das leis tanto de robótica como de IA”, diz Ghattas. “Acho fascinante como o país trabalha a questão de lei versus desenvolvimento. Fala, ‘desenvolve, vamos ver o que você consegue’. E só depois começa a regular. Porque, se regular antes do desenvolvimento, limita a criação. Olhe a capacidade a que já chegaram esses robôs.”

As Leis de Xangai, como apelidadas, foram elaboradas por cinco diferentes instituições da cidade, reunindo de advogados a empresas de IA. Têm abordagem mais ampla, como a recomendação de alertas de risco, mas algumas de suas normas ecoam Asimov, como “não ameaçar a segurança humana” (no escritor, “não ferir um ser humano”).

Leila Navarro, satisfeita com seu cão robô, quer retornar à China no ano que vem e comprar um humanoide. “A empresa do cachorro [Unitree Robotics, de Hangzhou] está lançando um, mas não estava pronto para venda”, diz ela. “É o melhor dos que eu vi, até que o do Elon Musk. Ele dobra e fica numa mala. E esse homem lava a louça, limpa a casa, conversa com você. Já pensou, um companheiro de vida?”

Em Xangai, o lançamento de maior repercussão foi o Qinlong ou dragão verde, da Humanoid Robots, da própria cidade. Com 1,85 m e 80 kg, ele combina, segundo a apresentação, “membros inferiores móveis para caminhada ágil”, 1 metro por segundo carregando 40 quilos, “com membros superiores leves e de alta precisão para operações”. Entre outros atrativos, faz café.

Veja vídeo no link

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/08/febre-dos-carros-eletricos-chineses-chega-agora-aos-robos-veja-video.shtml

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Mercado Livre supera Petrobras e se torna a empresa mais valiosa da América Latina

Na esteira de mais um resultado recorde no segundo trimestre, o gigante do e-commerce chegou a US$ 90 bilhões de valor de mercado

Raquel Brandão – Exame – 2 de agosto de 2024 

Os números operacionais fortes do Mercado Livre já não são uma surpresa, mas ainda animam (e muito) os investidores.

Nesta sexta-feira, na esteira de mais um resultado recorde no segundo trimestre, o gigante argentino de e-commerce se tornou a empresa mais valiosa da América Latina, passando a Petrobras.

Negociada na Nasdaq, a ação avançava cerca de 10% na tarde desta-sexta-feira, chegando  a uma market cap de US$ 90 bilhões. Um bom presente para a companhia que completa exatamente neste dia seus 25 anos de operação. A petroleira brasileira é avaliada em US$ 83,88 bilhões.

A varejista online, batizada pelo Wall Street Journal de “Amazon latina” vem reportando crescimento forte de vendas e batendo recorde de lucro trimestre a trimestre. De abril a junho deste ano, repetiu a dose. Lucrou US$ 531 milhões, o dobro do que havia reportado um ano antes e 27% acima das expectativas de mercado.

“Embora não possamos dizer que o valuation é barato, a expansão consistente da lucratividade do Meli, o espaço para crescimento de crédito (principalmente por meio de cartões de crédito) e a perspectiva competitiva no comércio eletrônico da América Latina parecem promissores”, escrevem Luiz Guanais e seu time no BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

Os números vieram puxados pelo avanço de 53% na receita do e-commerce, enquanto a fintech Mercado Pago cresceu 28%. No consolidado a receita cresceu 42%, para US$ 5,1 bilhões, com destaque para a operação brasileira, que representa metade de seu faturamento.

“Este resultado destaca mais uma vez o forte momento operacional da Meli e suas fortes perspectivas de longo prazo”, escreveram os analistas do Itaú BBA, liderados por Thiago Macruz. O banco recomenda compra da ação, com preço-alvo de US$ 2.151,00 , um prêmio de 29% sobre o último fechamento e de 22% considerando o último valor de tela, de US$ 1.762,00.

A lógica é similiar para a equipe do BTG, que elegou o papel como seu preferido, com preço-alvo de US$ 2.040,00.

Irma Sgarz e Felipe Rached, do Goldman Sachs, destacaram a surpresa positiva com o GMV, indicador que mede as vendas brutas de mercadorias. O indicador aumentou 20% em relação ao ano anterior, chegando US$ 12,6 bilhões, sendo puxado especialmente pelo avanço de 36% no Brasil e de 30% no México, onde a companhia tem aumentado suas apostas.

“Embora reconheçamos que o desempenho forte do GMV no trimestre tenha sido um fator-chave para o resultado acima do esperado, acreditamos que o desempenho consistente do GMV pode ser mantido na segunda metade do ano, implicando uma alta nas estimativas de consenso para GMV, receitas e, potencialmente, também margens”, preveem os analistas do Goldman, reforçando o coro de recomendações de compra, com preço-alvo de US$ 2.180,00.

Em entrevista ao INSIGHT, o diretor de relações com investidores, Richard Cathcart — que por anos acompanhou a empresa como analista sell side de varejo no Bradesco BBI —, chamou a atenção para “o crescimento em cima de crescimento no Brasil” e a manutenção de um ritmo intenso no México.

Além do forte crescimento no varejo, a empresa tem conseguido impor um ritmo intenso de avanço para o Mercado Pago, cuja receita líquida chegou aUS$ 2,1 bilhões no segundo trimestre. O TPV, indicador que mede o volume total de pagamentos, aumentou 35% na comparação ano a ano e chegou a US$ 46 bilhões, enquanto o número total de usuários ativos mensais superou a marca de 50 milhões pela primeira vez, chegando a 52 milhões de usuários ativos.

Grande parte desse crescimento é atribuída à maior oferta de crédito da companhia, que exigiu aumento no provisionamento e pressionou a margem Ebit. A carteira de cartões de crédito aumentou 146% no segundo trimestre, atingindo US$ 1,8 bilhão, crescimento impulsionado por 1,6 milhão de novos cartões emitidos no Brasil e no México.

Mas a companhia também tem registrado um novo canal de cresimento que está no radar dos investidores, o de retail media. A receita do Mercado Ads cresceu 51% na comparação anual e chegou a uma penetração de 2% sobe a receita total.

Embora ainda pequena, essa fatia deve intensificar o ritmo de crescimento com parcerias como a firmada com a Disney. A partir do terceiro trimestre, anúncios de clientes do Mercado Ads também vão aparecer na plataforma de streaming Disney+, o que Cathcart acredita ampliar o potencial de receita da área.

Exatamente um ano atrás, em 2 de agosto de 2023, o valor de mercado do Mercado Livre era de US$ 58,3 bilhões.

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

https://exame.com/insight/mercado-livre-supera-petrobras-e-se-torna-a-empresa-mais-valiosa-da-america-latina/p

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Com a inteligência artificial, o papel dos criadores de conteúdo vai mudar

Mas os creators continuarão sendo atores vitais no futuro da criatividade impulsionada por IA

Cameron Adams – Fast Company Brasil – 25-07-2024  

 A popularização de plataformas de IA generativa como Sora, DALL-E, ChatGPT e outras, provavelmente faz com que algumas empresas se perguntem se ainda precisam de criadores de conteúdo, designers gráficos, videomakers ou redatores.

Esses papéis têm sido fundamentais no mundo dos negócios por décadas. Mas agora, algumas agências estão tentando seguir sem eles. Como resultado, os chamados creators estão preocupados com a possibilidade de a IA tomar seus empregos.

Até que ponto eles deveriam se preocupar? Não tanto quanto se pode imaginar. O Fórum Econômico Mundial prevê que a IA vai criar 97 milhões de novos empregos até o final de 2025, ou seja, 12 milhões a mais do que os que ela poderá eliminar.

Alguns empregos vão mesmo desaparecer, mas outros serão gerados à medida que as coisas evoluem. Os criadores de conteúdo não vão desaparecer, mas seus papéis – freelancers, funcionários contratados, empreendedores – estão prestes a passar por uma transformação.

Explico aqui algumas mudanças críticas em andamento e o que isso significa para o marketing e a publicidade.

MAIS CRIADORES SERÃO (OU DEVERIAM SER) REMUNERADOS

Primeiro, os criadores só podem sobreviver se forem pagos, e aqueles que usam plataformas tecnológicas para produzir seu trabalho devem ser compensados por seus esforços com royalties.

nada disso importa se os criadores de conteúdo não estiverem preparados para se adaptar com habilidades em IA.

Ao criar conteúdo que alimenta dados nas plataformas, eles tornam os grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) e a IA mais inteligentes, todos os dias. Esse modelo beneficia os criadores com pagamento, as plataformas de criatividade com dados e todos os usuários com uma melhor experiência.

Ainda estamos no início. Programas de pagamento por criação de conteúdo como os da Canva, StabilityAI e Adobe, têm apenas alguns meses. Mas prevejo que levas de criadores visuais se juntarão a essas plataformas, assim como escritores aderiram ao Medium, Substack, Ghost.org e Milyin para ganhar dinheiro com seus textos. É apenas uma questão de tempo.

EXPERTISE IMPULSIONA INSPIRAÇÃO E SUCESSO

A IA é inevitável porque é útil. A IA generativa torna os fluxos de trabalho mais eficientes do que nunca e economiza tempo e dinheiro no processo. Essa utilidade torna improvável que empresas ou criadores de conteúdo optem por não usá-la.

Isso significa que os criadores de conteúdo precisam tornar seus talentos um serviço indispensável, e não apenas um recurso desejável. Eles precisam se tornar indispensáveis.

Em vez de tentar eliminar o uso de IA, os criadores de conteúdo devem aproveitar a tecnologia para ampliar sua produção, permitindo que ela traga à vida mais ideias inspiradas em uma velocidade nunca antes vista.

Por exemplo, um artista pode desenhar um personagem à mão, fazer upload dessa imagem para uma plataforma com IA e usar as ferramentas para produzir 100 poses ou aparências diferentes do personagem, em vez de criar manualmente cada variação. Ainda é o trabalho do criador de conteúdo – sua propriedade intelectual – e ainda representa uma maneira gratificante de ganhar a vida.

Mas nada disso importa se os criadores de conteúdo não estiverem preparados para se adaptar com habilidades em IA, como criação de prompts e um conhecimento prático das ferramentas de texto-para-imagem/vídeo disponíveis.

Compreender como os prompts de IA funcionam e como lidar e direcionar fluxos de trabalho auxiliados por IA serão habilidades especializadas e extremamente valiosas no mercado.

CRIATIVOS MULTITALENTOSOS SUPERAM A IA

Com o tempo, as habilidades em IA serão vitais para empresas focadas em conteúdo, pois o criador pode desempenhar pelo menos dois papéis simultaneamente (se não mais): criador e editor. Isso se aplica a vários setores criativos.

Seja na área de design visual, música, produção de vídeo ou criatividade baseada em texto, os editores são fundamentais para garantir que o conteúdo gerado por IA atenda aos padrões desejados. No longo prazo, o papel de criador-editor permitirá que especialistas em conteúdo supervisionem projetos e garantam que estejam alinhados à marca do início ao fim.

Por exemplo, ao gerar conteúdo de texto-para-vídeo, o criador pode verificar cada saída; e se não estiver alinhado à marca, pode usar suas habilidades de criação de prompts de IA para iterar e ajustar o vídeo conforme necessário. Isso envolve níveis de sensibilidade que a IA nunca poderia computar.

Assim, os criadores de conteúdo podem representar um valor mais lucrativo para um empregador ou cliente – eles podem ser a fonte da ideia, o editor de design e o gestor de fluxos de trabalho de IA. Eles estão assumindo mais funções, se tornando “canivetes suíços humanos” para empregadores e clientes utilizarem.

Portanto, não é hora de medo ou pânico para os criadores de conteúdo, pois são atores vitais no futuro da criatividade impulsionada por IA. Eles podem buscar mais fontes de renda, sempre que possível, e se tornar indispensáveis, oferecendo ao mercado habilidades multifacetadas.


SOBRE O AUTOR

Cameron Adams é co-fundador e chief product officer da plataforma Canva.

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Órgão de vigilância de dados da China planeja controle mais rigoroso dos usuários da internet

Proposta que prevê IDs digitais que cobrem todo tipo de atividade online, desde comércio eletrônico até itinerários de viagem, gerou reação negativa

Eleanor Olcott Wenjie Ding – Folha/Financial Times – 31.jul.2024

O poderoso órgão de vigilância de dados da China propôs controles mais rígidos sobre as informações online dos usuários, incluindo a implementação nacional de IDs digitais, em uma medida que encontrou forte resistência de especialistas em tecnologia.

A CAC (sigla em inglês para Administração do Ciberespaço da China), juntamente com o MPS (Ministério da Segurança Pública) do país, divulgou na última sexta-feira (26) regulamentos preliminares para emitir IDs digitais unificadas para usuários da internet. A preocupação com a ideia aumentou nos últimos dias.

As IDs, que seriam administradas conjuntamente pelo CAC e pela polícia, são inicialmente concebidas como voluntárias e seriam usadas em vez de nomes reais e números de telefone para se registrar em plataformas de internet.

Mas a proposta poderia ampliar drasticamente a supervisão das autoridades sobre o comportamento online, potencialmente cobrindo todo tipo de atividade, desde o histórico de compras na internet até itinerários de viagem.

Tom Nunlist, diretor associado da consultoria Trivium, focada na China, disse que as propostas poderiam “expandir significativamente a capacidade do governo de monitorar a atividade das pessoas online. Isso daria à polícia uma visão muito maior do que as pessoas estão fazendo online.”

Sob as regras existentes, os usuários da internet na China devem usar sua identidade pessoal ou número de telefone para se registrar em plataformas como WeChat e o site de microblogging Weibo. Isso permite que as plataformas e as autoridades policiem a atividade online, como combater o cyberbullying e a desinformação, além de censurar discussões críticas ao governo.

Nunlist disse que confiar em IDs pessoais capacitou as empresas de plataforma a coletar dados de usuários que poderiam ser usados para seu ganho financeiro. Substituir IDs pessoais por IDs digitais anônimas permitiria ao Estado monitorar a atividade online enquanto limita a capacidade das empresas de rastrear o comportamento do consumidor.

Nos últimos anos, Pequim reprimiu o que chamou de práticas abusivas das empresas de internet para coletar dados de consumidores, emitindo multas e introduzindo novas leis que regem a regulamentação de dados.

China, terra do meio

Mas alguns estudiosos do direito questionaram as motivações dos reguladores em enfraquecer o acesso das plataformas aos dados dos usuários. Lao Dongyan, professor de direito penal na Universidade Tsinghua, escreveu no Weibo que a “alegação de proteger informações pessoais é uma fachada” e que a “verdadeira intenção” dos regulamentos preliminares era “regular o comportamento online das pessoas”.

Ela disse que o sistema proposto seria semelhante a “instalar um monitor para o comportamento online de todos, com todos os rastros online, como o histórico de buscas na internet, facilmente coletados”.

Alguns especialistas também questionaram se o governo estava melhor posicionado do que as empresas para gerenciar dados sensíveis. Yu Jianrong, professor aposentado da Academia Chinesa de Ciências Sociais, escreveu no Weibo que as regras preliminares levantavam “riscos sociais”, incluindo a ameaça de criminosos acessarem um banco de dados unificado do comportamento online dos usuários.

A confiança dos usuários da internet chineses no governo para armazenar dados com segurança foi severamente testada em 2022, depois que hackers apreenderam um enorme conjunto de informações pessoais da polícia de Xangai, que especialistas em segurança cibernética na época descobriram que haviam sido deixadas online e desprotegidas por meses.

Yu também questionou a base legal para a mudança, citando uma “falta de autoridade” para a aplicação de IDs online. Lao também disse que as regras propostas “carecem de uma base legal de leis superiores”.

O CAC não respondeu ao pedido de comentário. O MPS não pôde ser contatado para comentar.

James Gong, parceiro e especialista em proteção de dados do escritório de advocacia Bird & Bird, argumentou que as regras propostas ofereciam aos usuários “uma alternativa para fornecer suas informações pessoais mais sensíveis” às empresas de internet e “reduziam a possibilidade de suas informações pessoais sensíveis serem divulgadas ou mal utilizadas”.

Ele acrescentou: “Este é um regime voluntário para os indivíduos, pelo menos neste momento.”

O MPS publicou um aplicativo piloto nas lojas de aplicativos chinesas para testar o esquema de ID digital. De acordo com o aplicativo, a plataforma de mídia social Xiaohongshu e o gigante do comércio eletrônico Taobao, de propriedade da Alibaba, se inscreveram para testar o novo esquema de verificação.

Shen Kui, professor de direito na Universidade de Pequim, escreveu em um artigo publicado na conta WeChat da universidade que uma ID digital unificada que capturasse toda a atividade online faria com que os usuários hesitassem em postar online e limitasse a “vitalidade da economia digital”.

Nunlist disse que a forte resposta à mudança proposta destacou a importância da proteção de dados. “Há uma visão equivocada de que os chineses se importam menos com sua privacidade e intrusão do Estado do que em outros lugares. A apreensão sobre essa mudança de regra é uma demonstração bastante poderosa de que isso não é verdade.”

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/07/orgao-de-vigilancia-de-dados-da-china-planeja-controle-mais-rigoroso-dos-usuarios-da-internet.shtml

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Projeto Ocean of Things, o futuro da exploração marinha

Por – João Lara Mesquita – Estadão/Mar sem fim – 30 de julho de 2024

Projeto Ocean of Things, o futuro da exploração marinha

Parece ficção científica mas não é, o Ocean of Things é o futuro da exploração marinha. Quem acompanha o drama dos oceanos e da vida marinha sabe que conhecemos muito pouco sobre o funcionamento do maior ecossistema da Terra. Até hoje conhecemos apenas 5% do subsolo marinho. E, a cada dia que passa, novas informações vêm à tona confirmando nossa ignorância. Na semana passada, por exemplo, a ciência espantou o mundo ao revelar a produção de oxigênio a 4 mil metros de profundidade, onde a luz não chega. Como é possível a produção de oxigênio sem fotossíntese? A descoberta é tão espetacular que alguns especialistas disseram que ela pode ajudar a desvendar as origens da vida.

Ilustração remete a tecnologia na pesquisa marinha Imagem, http://www.ship.technology.com.

Sabemos muito pouco sobre a vida marinha

O problema não é apenas não conhecer. Os oceanos são um ecossistema extremamente complexo que, por seu tamanho, profundidade, logística e custos altos, acaba sendo mais estudado  através de modelos matemáticos.  Por isso, somos ignorantes também sobre a vida marinha, não sabemos sequer quantas espécies existem. Segundo o Censo da Vida Marinha a estimativa é de algo em torno de 2,2 milhões de espécies, mas apenas pouco mais de 10% foram descritas e catalogadas.

Por estes motivos, a saída é a tecnologia. Não muito tempo atrás,  mostramos outra descoberta que espantou até mesmo cientistas. Uma missão que explorava a vida marinha a 4 mil metros de profundidade, onde até pouco tempo pensava-se que não existiria vida, descobriu cerca de 5 mil novas espécies, muitas delas desconhecidas, e outras, endêmicas.

Ou seja, ainda  estamos engatinhando na pesquisa marinha. Contudo, agora surgiu uma luz no fim do túnel com o Ocean of Things. Mas antes, é preciso conhecer os conceitos da Internet das Coisas.

A Internet das Coisas e o Ocean of Things

Segundo a IBM, a Internet das Coisas é uma rede de dispositivos físicos, veículos, eletrodomésticos e outros objetos físicos que são incorporados com sensores, software e conectividade de rede, permitindo coletar e compartilhar dados.

A Internet das Coisas  permite que esses dispositivos inteligentes se comuniquem entre si e com outros dispositivos habilitados para Internet. Como smartphones e gateways, criando uma vasta rede de dispositivos interligados que podem trocar dados e realizar diversas tarefas de forma autônoma.

Alguns exemplos da Internet das Coisas já ao nosso alcance incluem smartwatches, smart homes, carros inteligentes, sensores industriais, etc. Finalmente, algumas estimativas indicam que, até 2035, mais de um trilhão de receptores de dados autônomos serão integrados a todas as atividades humanas como parte da “Internet das Coisas” Foi pensando nas dificuldades da exploração marinha, e na imensa amplitude da Internet das Coisas, que a U.S. Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) lançou o programa Ocean of Things.

O que fará o Ocean of Things?

De acordo com o site da DARPA, o programa Oceano das Coisas procura permitir um conhecimento marítimo persistente em grandes áreas oceânicas, através da implantação de milhares de pequenos flutuadores de baixo custo que formam uma rede de sensores distribuídos. Cada boia inteligente contém um conjunto de sensores disponíveis no mercado para recolher dados ambientais – como a temperatura da superfície do mar, o estado do mar e a localização – bem como dados de atividade sobre navios comerciais, aeronaves e até mamíferos marítimos que se deslocam na área. Os drones transmitem periodicamente os dados via satélite para uma rede em nuvem para armazenamento e análise em tempo real.

Em outras palavras, será uma mudança brutal. Sempre dissemos que uma das dificuldades em saber o que acontece na superfície dos oceanos, e em suas entranhas, é o seu tamanho ou seja, 70% do planeta Terra. Para resolver este ‘buraco’ só mesmo com  novas tecnologias.

Gráfico ocean of ThingsImagem, DARPA.

Por exemplo, em 2019 drones não tripulados, e equipados com 42 sensores de pesquisa, entraram em ação, começando a facilitar o recolhimento de dados. Em 2018, mostramos outra novidade, desta vez privilegiando a vida marinha. Os pesquisadores tinham um grande problema: como trazer criaturas marinhas vivas de profundidades abissais sem matá-las? Para responder a esta questão, surgiu o SubCAS (ou Submersible Chamber for Ascending Specimens), uma câmara pressurizada, projetada pelos cientistas exatamente para isso.

Hoje já existem navios autônomos que estão em fase de teste, estações submarinas permanentes e, mais recentemente, os cientistas viram na Inteligência Artificial uma ajuda fantástica na pesquisa submarina. Para estes especialistas, pequenos submersíveis, muitas vezes não tripulados e impulsionados pela inteligência artificial (IA), podem ser o futuro.

A Internet das Coisas pode ser a resposta que procuramos

Finalmente, o que mais? A Internet das Coisas, ou no caso, a Ocean of Things pode ser a resposta que procuramos. Para o site da DARPA, o  desafio técnico reside em duas áreas fundamentais: o desenvolvimento dos flutuadores e a análise dos dados. No âmbito do desenvolvimento de flutuadores inteligentes o desafio é alojar um conjunto de sensores passivos que possa sobreviver em ambientes marítimos adversos.

Mas, e para analisar estes dados? O DARPA responde: A parte de análise de dados do programa  exige que os executantes desenvolvam software baseado na nuvem e técnicas analíticas avançadas para processar os dados comunicados.

Novo robô autônomo

Segundo o Meteoret, os pesquisadores Anwar Elhadad e Yang Gao, da Universidade de Binghamton, foram capazes de desenvolver um robô aquático autônomo que pode deslizar pela água, oferecendo uma nova abordagem para a robótica aquática.

Choi recebeu financiamento do Office of Naval Research para desenvolver uma tecnologia incrível: Baterias biológicas movidas a bactérias com uma vida útil de até 100 anos, tecnologia muito mais confiável que sistemas de energia solar, cinética ou térmica. O site diz que em breve haverá insetos mecânicos autônomos nos oceanos.

Os insetos mecânicos autoalimentados funcionam através de bactérias oceânicas e têm o potencial de coletar dados ambientais de maneira eficiente, sendo que a mobilidade do inseto é uma vantagem gigantesca em relação aos sensores flutuantes atuais, que permanecem ancorados em um único local do oceano.

A inovação de Choi e sua equipe promete revolucionar a coleta de dados ambientais nos oceanos, oferecendo uma solução mais eficiente e sustentável para monitorar os ecossistemas aquáticos e o clima em regiões inóspitas.

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Plano do governo Lula para inteligência artificial prevê R$ 23 bi e ‘nuvem’ brasileira

No serviço público, documento propõe uso no SUS, em processos da Receita e avaliações sobre Amazônia

Marianna Holanda – Folha – 30.jul.2024 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta terça-feira (30) o esboço de um plano com diferentes medidas governamentais voltadas à Inteligência Artificial (IA). O documento foi elaborado por um órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e tem previsão de R$ 23 bilhões em investimentos até 2028.

Batizado de “Plano IA para o Bem de Todos”, o pacote tem como objetivo desenvolver a IA no país em cinco frentes. São elas infraestrutura tecnológica, capacitação de pessoas, melhorias no serviço público, inovação empresarial e avanço regulatório.

A maior parte dos investimentos será direcionada à inovação empresarial, seção que prevê a criação de datacenters alimentados por fontes de energia renovável no Norte e no Nordeste. Os recursos do plano virão de diferentes fontes, como Orçamento da União e crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Dentre as sugestões, o texto fala na criação de uma estrutura brasileira de nuvem (sistema de armazenamento de dados) vinculado à estatal Dataprev. “A nuvem soberana é para a gente não depender da capacidade de armazenamento que hoje é muito depositada nas grandes empresas internacionais”, disse a ministra Luciana Santos (Ciência e Tecnologia).

No serviço público, a intenção é usar a IA em diagnósticos e prevenção no SUS (Sistema Único de Saúde), em gestão inteligente para controlar frequência escolar e evitar evasão de alunos, no monitoramento da Amazônia e em processos da Receita Federal. O conselho também propõe a compra de um supercomputador de IA e a criação de uma Olimpíada de IA para universitários.

O documento foi elaborado a pedido do próprio presidente pelo Conselho de Ciência e Tecnologia, composto por ministros e representantes do setor, com auxílio de mais de cem entidades.

De acordo com Luciana, o formato jurídico do plano, se será projeto de lei ou decreto, ainda está em estudo e será determinado pelo Planalto.

O secretário-executivo do ministério, Luis Fernandes, disse aos jornalistas que o plano poderia ser ainda superior. Os R$ 23 bilhões são recursos já estão assegurados, com exceção de uma fatia (R$ 2,9 bilhões) no Orçamento que precisa de aprovação pelo Congresso.

“Sinceramente, há mais investimentos em inteligência artificial, inclusive, do que está identificado. Porque nós introduzimos no plano aquilo que foi devidamente identificado e validado”, disse.

Há uma seção na proposta que trata só da estrutura de governança do plano, com a sugestão da criação de um conselho superior, responsável por formular diretrizes, vinculado à Presidência da República e aos ministérios. Há também o comitê executivo, que daria suporte ao conselho, e as câmaras temáticas para acompanhar a execução das ações do plano.

Os R$ 23 bilhões serão distribuídos em infraestrutura e desenvolvimento de IA (R$ 5,79 bilhões); difusão, formação e capacitação (R$ 1,15 bilhão); melhoria dos serviços públicos (R$ 1,76 bilhão); inovação empresarial (R$ 13,79 bilhões); e apoio ao processo regulatório e de governança da IA (R$ 103,25 milhões).

ENTENDA O PLANO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O que é o plano? Batizado de “Plano IA para o Bem de Todos”, o pacote tem como objetivo desenvolver a IA no país em cinco frentes —infraestrutura tecnológica, capacitação de pessoas, melhorias no serviço público, inovação empresarial e avanço regulatório.

Quem elaborou? Foi criado pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, composto por ministros e representantes do setor, com auxílio de diversas entidades.

Quanto será investido? A previsão é de R$ 23 bi de 2024 a 2028, sendo a maior fatia (R$ 13,7 bi) para inovação empresarial —seção que prevê a criação de datacenters alimentados por fontes de energia renovável no Norte e no Nordeste. Os recursos virão de diferentes fontes, como Orçamento da União e crédito do BNDES.

Como será a aplicação no serviço público? Por exemplo, em diagnósticos e prevenção no SUS, em gestão inteligente para controlar frequência de alunos nas escolas e evitar evasão, no monitoramento da Amazônia e em processos da Receita Federal.

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/07/plano-do-governo-lula-para-inteligencia-artificial-preve-r-23-bi-e-conselho-vinculado-ao-planalto.shtml

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