China acelera exploração do espaço até 3.000 metros de altura

De fábrica de carros voadores à concessão da própria zona aérea, plano é dar salto na chamada ‘economia de baixa altitude’

Nelson de Sá – Folha – 18.jan.2025 

Pequim

Em Xinjiang, nas plantações de algodão, parte do serviço agora é feito por drones da XAG, de Guangzhou. É um dos argumentos contra a acusação americana de que a região abriga “trabalho forçado”. Com drones, a produção de 200 hectares pode ser tocada por duas pessoas. Já alcançando 63 países, o maior mercado externo da XAG é o Brasil, com vendas anuais de milhares de aparelhos, segundo a empresa.

São casos de rápido êxito comercial como esse que sustentam o próximo passo da China, resumido na expressão “economia de baixa altitude”. Drones urbanos de entrega, táxis aéreos autônomos e mesmo dirigíveis estão sendo desenvolvidos e testados para ocupar rotas até mil metros de altura ou no máximo 3.000 metros —que remetem à célebre animação “Os Jetsons”, dos anos 1960.

A administração de aviação civil projeta que a economia de baixa altitude alcance uma receita anual de 2 trilhões de yuans (R$ 1,7 trilhão) até 2030. E a Aliança da Economia de Baixa Altitude da China, que já reúne mais de cem empresas, projeta que o país chegue até 2030 a um total de 100 mil eVTOLs (sigla de veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, em inglês), servindo como táxi aéreo ou carro de família.

Os dispositivos, embora chamem a atenção e garantam publicidade, são o de menos, segundo analistas. “Pequim se destaca na implantação de infraestrutura”, diz Mary Hui, da newsletter a/symmetric, sobre competição industrial, e agora da Bloomberg.

Os investimentos na construção dessa base para a economia de baixa altitude, acrescenta a pesquisadora de Hong Kong, se alinham às duas metas estratégicas de nível nacional: garantir níveis aceitáveis de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e dar à China pioneirismo numa indústria do futuro.

Hui compara com o que aconteceu nas ferrovias de alta velocidade, em que o sucesso chinês em apenas três décadas não veio necessariamente da tecnologia do equipamento, mas da engenharia civil que permitiu sua implantação em tal proporção e velocidade.

Para Kyle Chan, pesquisador sobre política industrial chinesa na Universidade Princeton, nos EUA, uma outra vantagem da China é que o novo setor se baseia em áreas nas quais já avançou, não só drones, mas 5G, inteligência artificial, baterias e LiDAR (usada para detecção em direção autônoma).

“A tecnologia por trás da economia de baixa altitude se sobrepõe à indústria de veículos elétricos da China e ao seu avanço em veículos autônomos”, diz ele, sublinhando que a montadora de carros elétricos XPeng tem até um braço para eVTOL.

A XPeng iniciou há dois meses as obras do que chamou de primeira fábrica de produção em massa de eVTOL, em Guangzhou. Antes dela, a EHang, também de Guangzhou, havia recebido a primeira licença oficial para fabricação. Seus protótipos vêm sendo usados para demonstrações publicitárias de voo vertical autônomo, inclusive em áreas do agro, no interior do Brasil.

A programação oficial chinesa é começar os testes propriamente comerciais dos eVTOL em 2025, em áreas que estão sendo preparadas, com a construção de infraestrutura. Xangai prevê atingir 400 rotas de baixa altitude em atividade até 2027.

Drones de entrega, já bem mais desenvolvidos, vêm sendo usados em cidades como Shenzhen. Até a capital, Pequim, usualmente mais conservadora na adoção de tecnologias, acaba de permitir um serviço de entrega de refrigerante, café e comida na seção Badaling da Grande Muralha, a área mais próxima da capital e foco de turistas.

Além da construção das bases para lançamento e recarga, sobretudo dos eVTOL, Kyle Chan aponta outro desafio aos planos chineses: como desenvolver um sistema nacional de gerenciamento de operações de veículos aéreos não tripulados.

“A China quer integrá-lo ao seu sistema de gerenciamento de tráfego aéreo, com obstáculos regulatórios e logísticos que exigirão grande coordenação entre autoridades nacionais e locais”, detalha.

Na virada do ano, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a principal instituição de planejamento na China, anunciou a criação de um órgão para “formulação e implementação das estratégicas de desenvolvimento da economia de baixa altitude”. O propósito é coordenar o setor.

Uma surpresa aconteceu há cerca de dois meses, quando o condado de Pingyin, parte de cidade de Jinan, anunciou a concessão de seu espaço aéreo. A vencedora foi a Shandong Jinyu, que ofereceu 924 milhões de yuans (R$ 780 milhões) para explorar por 30 anos os serviços de economia de baixa altitude, respondendo por operação e manutenção da grade e até pelo treinamento de pilotos.

Foi divulgado como um teste, na cobertura por mídia estatal e privada, e busca seguir o modelo de financiamento dos governos locais chineses nas últimas décadas —quando concediam terrenos para a expansão urbana e industrial.

A lenta crise imobiliária dos últimos cinco anos na China, em parte forçada por Pequim para evitar risco de bolha, atingiu essa fonte de recursos e agravou o quadro das dívidas locais, que estão entre os principais entraves à economia do país, no momento.

China acelera exploração do espaço até 3.000 metros – 18/01/2025 – Mercado – Folha

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Donald Trump vai anunciar investimento de até US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA

Gigantes da tecnologia OpenAI, SoftBank e Oracle apoiarão a joint venture Stargate

George Hammond/Myles McCormick – Folha/Financial Times – 21.jan.2025 

Donald Trump está prestes a anunciar bilhões de dólares em investimento privado em uma nova empreitada de infraestrutura de inteligência artificial, apoiada pela OpenAI, SoftBank e Oracle.

Batizada de Stargate, a joint venture está prestes a receber uma injeção inicial de US$ 100 bilhões dos gigantes da tecnologia, podendo chegar a até US$ 500 bilhões nos próximos quatro anos, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto.

A Microsoft também está envolvida no projeto como um parceiro de tecnologia, disse um dos interlocutores nesta terça-feira (21).

O programa Stargate deve ser anunciado pelo presidente na Casa Branca na tarde desta terça-feira, com a presença do chefe da SoftBank, Masayoshi Son, do chefe da OpenAI, Sam Altman, e do cofundador da Oracle, Larry Ellison.

Os planos, que foram noticiados pela CBS News, surgem enquanto executivos de tecnologia buscam conquistar Trump, que iniciou um segundo mandato na Casa Branca na segunda-feira (20), cercado por muitos dos maiores nomes do setor.

Stargate visa aumentar a capacidade de treinar e executar novos modelos de IA. Inicialmente, construirá um projeto de centro de dados no Texas antes de se expandir para outros estados, disseram as pessoas informadas sobre os planos.

A OpenAI se recusou a comentar, enquanto a Microsoft, Oracle e SoftBank não responderam aos pedidos de comentário. Outros investidores e parceiros tecnológicos também devem se juntar ao projeto.

  • O rápido desenvolvimento de sistemas de IA nos últimos dois anos tem pressionado a infraestrutura americana, com os centros de dados surgindo como um gargalo particular.

Modelos de ponta como o ChatGPT da OpenAI, o Gemini do Google e os chatbots Claude da Anthropic exigem enormes quantidades de dados e poder computacional para serem treinados e operados.

Isso estimulou discussões entre executivos de IA, seus parceiros comerciais e o governo sobre a atualização da infraestrutura nacional.

No início deste mês, Hussain Sajwani, presidente da desenvolvedora imobiliária Damac, com sede em Dubai, anunciou planos de investir pelo menos US$ 20 bilhões em centros de dados nos EUA, em uma reunião com Trump em seu resort Mar-a-Lago na Flórida.

Figuras de destaque no setor de IA, incluindo Altman da OpenAI, argumentaram que uma melhor infraestrutura é essencial para desenvolver a próxima etapa dos modelos de IA e competir com a China pela dominância da tecnologia.

Altman disse no início deste mês que o governo Trump poderia impulsionar as empresas de IA domésticas com “infraestrutura construída nos EUA e muita dela”.

“A coisa com a qual realmente concordo profundamente com o presidente é que é incrível como se tornou difícil construir coisas nos Estados Unidos. Usinas de energia, centros de dados, qualquer coisa desse tipo”, disse ele em uma entrevista à Bloomberg.

Em seu discurso de posse na segunda-feira, Trump prometeu que os EUA estavam à beira de uma “nova era emocionante de sucesso nacional”, embora não tenha feito menção específica à tecnologia de IA.

No mês passado, Trump chamou uma promessa separada da SoftBank de investir US$ 100 bilhões nos EUA de “uma demonstração monumental de confiança no futuro da América”. Não estava claro se o investimento Stargate faria parte da promessa anterior da SoftBank.

Trump vai anunciar investimento de até US$ 500 bi em IA – 21/01/2025 – Tec – Folha

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Pessoas buscam inteligência artificial para ‘conversar’ e aliviar sofrimento psíquico

Tecnologia pode ajudar, mas especialistas apontam riscos e afirmam que ferramenta não substitui um terapeuta

Giulia Peruzzo – Folha – 18.jan.2025

São Paulo

Três anos após a chegada do ChatGPT ao país, os brasileiros recorrem a soluções de inteligência artificial (IA) para diversos fins, seja na escola, na universidade, no trabalho ou na vida pessoal, inclusive para lidar com questões muito humanas, como o sofrimento psíquico.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que cerca de 300 milhões de pessoas no mundo sofram com depressão. Somado a isso há o uso excessivo de mídias digitais, fenômeno que reflete a sociedade em que vivemos. “Estamos fragmentados, isolados, não encontramos nas pessoas relações que nos satisfazem. A nossa sociedade não dá conforto para ninguém e vivemos em tensão permanente”, avalia Glauco Arbix, sociólogo e professor titular do Departamento de Sociologia da USP.

É nesse cenário que os brasileiros estão recorrendo à tecnologia, mais precisamente à IA, para suprir suas necessidades psicológicas.

Além do ChatGPT, usado por muita gente que deseja desabafar, ferramentas específicas já foram criadas para dar suporte emocional. Em agosto de 2024, a empresa de telemedicina Vibe Saúde lançou a Vivi, “assistente de IA em saúde mental” que hoje conta com 16 mil usuários.

A imagem mostra uma pessoa sentada, cobrindo o rosto com as mãos, expressando tristeza. Ao lado, um robô com um design futurista está estendendo uma mão em direção à pessoa, segurando uma caixa de lenços. O fundo é de uma cor amarela suave, e a pessoa está vestindo uma camiseta preta e calças claras.

IA é usada para terapia e suporte emocional – Catarina Pignato

A IA avalia as mensagens enviadas pelo usuário e sugere um ciclo de cuidado de seis semanas que segue as técnicas da terapia cognitivo-comportamental. De acordo com Felipe Cunha, presidente e cofundador da empresa, os protocolos foram criados por profissionais de saúde, e há ainda uma plataforma de segurança clínica que funciona como uma auditora em tempo real e “pode bloquear uma mensagem que tenha uma conduta clínica não aceitável por parte da inteligência artificial”.

Após oferecer o ciclo terapêutico de seis semanas, a Vivi indica possíveis soluções para as questões levantadas e diz que o contato pode ser retomado a qualquer momento. Se o usuário não precisar da assistência ao longo dos dias, na semana seguinte a própria IA envia uma mensagem no dia e horário previamente combinados. A partir de fevereiro o serviço será cobrado —R$ 2,50 por um pacote de 30 mensagens enviadas pelo usuário, em texto ou áudio.

“Ela [Vivi] não é uma profissional, não substitui o psicólogo e não passa nenhum tipo de diagnóstico ou medicamentos. É uma assistente de suporte emocional para suplementar o trabalho dos profissionais de saúde”, ressalta Cunha.

Alicie Camargo, publicitária de 27 anos, conta que usa o ChatGPT em momentos de ansiedade. Ela avalia que a interação é em geral positiva —por exemplo quando a ferramenta a ajuda a acertar o tom de uma mensagem que deseja enviar a alguém e não sabe como, quando indica exercícios de respiração em momentos de crise e quando aponta algo que ela não enxergaria sozinha em uma situação.

“Mas eu entendo as limitações”, diz ela, citando sugestões oferecidas pela IA que não condizem com a sua personalidade. “Se o problema for cobrar alguém, óbvio que ele [ChatGPT] vai dar a solução de cobrar a atitude, mas emocionalmente eu não estaria pronta para isso. Então o conselho não me serviu de nada.”

A publicitária sabe que a tecnologia não substitui o trabalho de um profissional da psicologia. “Inclusive estou procurando um.”

Um ambiente digital disponível 24 horas por dia pode oferecer alívio em momentos de solidão, mas pesquisadores alertam para o fato de que essas tecnologias são novas e seus efeitos ainda não são conhecidos.

“Se as pessoas podem acessar algo que as fará se sentir menos solitárias porque escutam o que elas têm a dizer, é algo positivo. Mas, a longo prazo, não sabemos ainda se é algo realmente bom”, afirma Christopher Wagstaff, professor sênior na Universidade de Birmingham e autor do artigo “Inteligência Artificial e as relações terapêuticas na saúde mental”.

“Eu gostaria de acreditar que isso nunca irá substituir a interação humana”, acresenta Wagstaff, citando “programas que têm rostos que fingem ouvir, se importar e fazer contato visual de forma empática”.

L., jornalista e redatora publicitária de 21 anos que não quis se identificar, conta que conseguiu contornar o problema das respostas genéricas da tecnologia de forma prática. Acostumada a usar tanto o ChatGPT quanto o Google AI Studio na faculdade e no trabalho, ela diz que desenvolveu técnicas para aprimorar os comandos e, consequentemente, as respostas do robô.

A jovem começou a usar o chatbot para suporte emocional durante um período de luto, após a psicóloga com quem se consultava havia cinco anos morrer. Ela diz ser consciente dos riscos que a IA pode trazer, mas conta que na época foi o único recurso que se via capaz de utilizar, já que não conseguia procurar outro terapeuta. Depois de quatro meses usando a ferramenta, L. diz que se sentiu bem o suficiente para procurar tratamento psicológico e psiquiátrico, retomado há três meses.

Presidente do Conselho Federal de Psicologia, Pedro Paulo Bicalho afirma que a inteligência artificial é bem-vinda como complemento, mas jamais irá substituir um psicólogo no exercício das suas funções clínicas. “É uma ferramenta que tem o limite da palavra manifesta. E nem tudo o ser humano manifesta por palavras, porque nem tudo o que o ser humano sofre é traduzível em palavras”, diz.

A psicóloga Vera Melo conta que usa uma ferramenta de IA como complemento à anamnese, para ajudá-la a enxergar algo que não tenha percebido. Mas também mostra preocupação com a substituição de um profissional qualificado por uma tecnologia. “É uma relação ilusória. Porque a máquina está falando aquilo que você quer ouvir.” Para ela, a presença de uma pessoa de verdade do outro lado e do vínculo que essa interação cria é fundamental para o desenvolvimento da identidade de um sujeito.

Para o sociólogo Glauco Arbix, o uso desenfreado dessas ferramentas pode ter impacto duradouro. “A gente perde pedaços, dimensões, aspectos da nossa humanidade quando a gente se dobra a esse tipo de relacionamento [artificial]. A gente perde a multiplicidade, as contradições, as tensões de quem ama.”

Inteligência artificial é usada como terapia – 18/01/2025 – Equilíbrio – Folha

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Ideia de que a gente usa apenas 10% do cérebro é uma lenda, diz neurocientista na CasaFolha

Na plataforma de streaming, Suzana Herculano-Houzel ensina a explorar melhor o potencial da mente humana

Uirá Machado – Folha – 18.jan.2025 

Suzana Herculano-Houzel estudava genética nos Estados Unidos quando um amigo comentou sobre as perguntas que ele próprio se fazia na neurociência. Formada em biologia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ela se encantou com o novo universo e mergulhou de cabeça.

Logo se deparou com uma questão que, à época, não tinha uma boa resposta: se os humanos não têm o maior cérebro de todos, por que somos mais inteligentes que as demais espécies? Seríamos uma exceção às regras da biologia? Ou, na verdade, não conhecíamos as regras sobre formação dos cérebros?

“Foi isso que me levou a estudar de quantos neurônios os cérebros diferentes são feitos. Começando, aliás, pela lenda de que a gente só usa 10% do cérebro”, diz na CasaFolha, a plataforma de streaming da Folha com cursos exclusivos para assinantes.

Foto de Suzana Herculano-Houzel sentada. ela é um mulher branca com cabelo grisalho levemente ondulado. Usa óculos e veste blusa ferrugem. Está séria e com as mãos cruzadas sobre as pernas

Suzana Herculano-Houzel participa de gravação da CasaFolha, no estúdio da TV Folha – Dirceu Neto/Folhapress

“A gente usa 100% do cérebro o tempo todo”, diz em seu curso chamado “O potencial do cérebro”, no qual fala sobre descobertas de suas pesquisas na neurociência e explora, de forma prática e didática, temas como ansiedade, depressão, bem-estar, felicidade e aprendizagem.

Uma das questões que ela discute é se a gente pode se tornar mais inteligente. “E já vou adiantando que a gente pode, sim”, afirma.

Lançada em setembro, a CasaFolha já reúne 16 cursos de grandes personalidades, como o cineasta José Padilha, que fala sobre a arte de contar histórias, e o ex-ministro Pedro Malan, que explica como analisa a economia.

A plataforma inclui novos conteúdos todos os meses. Neste mês, por exemplo, já teve a estreia do também neurocientista Álvaro Machado Dias, com aulas sobre “Inteligência artificial e o futuro da humanidade”. No dia 30, será a vez do curso “Ironman e a superação dos limites”, com a triatleta Fernanda Keller.

Curso “O potencial do cérebro”, de Suzana Herculano-Houzel

São 10 aulas na CasaFolha

  • Aula 1 – Introdução
  • Aula 2 – Notável, mas não especial
  • Aula 3 – A vantagem humana
  • Aula 4 – O poder do cérebro
  • Aula 5 – Neurociência do aprendizado
  • Aula 6 – Mens sana in corpore sano
  • Aula 7 – O lugar da emoção
  • Aula 8 – Decisões melhores
  • Aula 9 – Estresse e ansiedade
  • Aula 10 – Atitudes positivas e felicidade

Na CasaFolha, Suzana explica o método inovador que desenvolveu para contar neurônios e como descobriu que os humanos têm 86 bilhões dessas unidades fundamentais de funcionamento do cérebro, e não os 100 bilhões que se supunha antes.

Sua pesquisa mostrou também que o mais relevante não é o número total, e sim a quantidade de neurônios presentes no córtex –área do cérebro capaz de guardar memórias, fazer associações novas e criar simulações sobre o que pode acontecer a partir de determinado comportamento.

“Essa capacidade de fazer simulações internas de futuros possíveis é, para mim, a essência da inteligência”, afirma a neurocientista, que é colunista da Folha.

“O córtex cerebral dá para a gente a capacidade de ter flexibilidade comportamental. A capacidade de agir não da maneira que os estímulos sensoriais ditam, e sim da maneira que casa com as projeções para o futuro […]. Quer dizer, inteligência é a flexibilidade de agir em prol daqueles estados futuros que a gente deseja, que a gente acha importantes.”

Isso, porém, é uma capacidade, não uma habilidade —esta precisa ser adquirida pela aprendizagem. Assim como temos a capacidade de usar a linguagem, mas nem por isso somos dispensados de aprendê-la.

Ocorre que, como o cérebro opera no limite de sua capacidade, ele precisa gerenciar o consumo de energia, em uma lógica de cobertor curto: para aprender alguma habilidade, é preciso deslocar mais energia para uma certa área do cérebro e menos para outra.

Dessa constatação decorrem algumas dicas que Suzana ensina na CasaFolha. A primeira é prestar atenção naquilo que se está tentando aprender. “Quando você presta atenção em alguma coisa, isso quer dizer que você desvia mais recursos para aquilo e menos para todo o resto que o cérebro continua fazendo.”

Outra dica é ter alguma forma de retorno positivo para validar a aprendizagem. Na mesma linha, é importante ajustar o nível de dificuldade do que se está tentando aprender. Muito difícil fica frustrante, mas muito fácil não é estimulante —em ambos os casos, o cérebro acha que o retorno não vale a pena.

“O ponto mágico de motivação é aquele ponto dos 50%, onde o seu esforço tem exatamente tanto de chance de dar certo quanto de não conseguir fazer o que você queria.”

Conheça outros cursos da CasaFolha

Em suas aulas na CasaFolha, a neurocientista diz que esses truques podem ser usados tanto para aprender coisas específicas como para aprender a se manter flexível e aprender a aprender.

“A melhor coisa que a gente pode fazer em prol do próprio aprendizado é aprender a se dar mais oportunidades de aprendizado”, afirma.

Como assinar a CasaFolha

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CasaFolha: uso de só 10% do cérebro é lenda, diz cientista – 18/01/2025 – Poder – Folha

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Opinião| Vendendo o Almoço para Comprar o Jantar: Como a Falta de Tempo Sabota a Inovação

Por Eliza Albuquerque – Estadão – 18/01/2025 

Pós-graduanda do Doutorado Profissional em Administração da FGV EAESP – Pós-graduandos – FGV – EAESP

Garantir resultados no presente enquanto se constroi o futuro é essencial para líderes que buscam criar empresas sustentáveis em um mundo em constante transformação. Esse equilíbrio é conhecido como ambidestria organizacional. Embora o conceito de ambidestria seja estudado há mais de trinta anos, sua aplicação prática ainda é escassa. Muitas vezes, líderes e executivos adotam a estratégia de “vender o almoço para comprar o jantar” como um meio de sobrevivência diante das pressões cotidianas e dos incentivos de curto prazo.

É comum ouvir executivos reclamarem sobre a falta de tempo para pensar, tornando ainda mais difícil a inovação. Isso revela a frustração com a abordagem de curto prazo, além de uma compreensão intuitiva de que ideias verdadeiramente inovadoras não surgem em jornadas de trabalho intermináveis, repletas de reuniões e e-mails. De fato, a ciência confirma essa intuição.

O comportamento ambidestro no nosso cérebro envolve, principalmente, duas redes neurais antagônicas, que não são ativadas simultaneamente, embora possam ser alternadas: a Rede Ativada por Tarefas (TPN – Task Positive Network) e a Rede de Modo Padrão (DMN – Default Mode Network). Uma rede neural pode ser explicada como um sistema integrado de regiões interconectadas do cérebro, que trabalha em conjunto para apoiar funções cognitivas e emocionais específicas. A TPN é importante para a resolução de problemas, foco e tomada de decisões. Enquanto a DMN desempenha papel central na autoconsciência emocional, na cognição social e na tomada de decisões éticas, está fortemente relacionada à nossa criatividade, fundamental para inovar e criar valor em longo prazo. 

Em termos cerebrais, a ativação constante da TPN, voltada para tarefas imediatas e problemas diários, suprime a atividade da DMN, dificultando a geração de novas ideias.

Embora a TPN possa ser operacionalmente eficiente, gerando bons resultados cognitivos e comportamentais na rotina do executivo, é um estado regido por regras, que pode não ser o melhor para refletir sobre problemas cuja solução não esteja disponível.Assim, é mais difícil desenvolver uma ideia inovadora enquanto se está imerso na resolução de problemas cotidianos. 

Muitas vezes, insights valiosos surgem quando a mente está em repouso ou distraída, como durante um banho, a preparação de uma refeição ou no trânsito. Isso ocorre porque a criatividade floresce quando o cérebro tem a oportunidade de ativar a DMN, encontrando tempo para divagar entre diversos pensamentos, aumentando a possibilidade de conexões inesperadas.Quando a DMN está no comando do nosso cérebro, estamos desprendidos do ambiente externo e focados no ambiente interno, o que promove conexões de longo alcance, permitindo ao cérebro a expansão do repertório cognitivo, unindo diferentes conceitos, imagens, experiências e produzindo novas ideais.

É fato que a qualidade das ideias está fortemente ligada ao repertório existente. No entanto, um repertório rico que não encontra as condições para ser expresso não permite ideias excepcionais. No contexto organizacional, frequentemente observamos que inovações verdadeiras são raras e as ideias são meramente copiadas. Esse padrão sugere que, mesmo com um bom repertório, muitas empresas acabam se contentando com soluções medianas em vez de buscar inovações disruptivas.

Para que uma empresa possa equilibrar resultados atuais e exploração de inovações radicais, é necessário adotar estruturas flexíveis, promover uma cultura de aprendizado contínuo e experimentação, além de estabelecer mecanismos de integração, que permitam tanto a execução de atividades exploratórias quanto a manutenção das operações diárias. 

O sucesso da ambidestria depende da capacidade da empresa de gerenciar recursos, processos e estruturas de modo a sustentar o desempenho a curto prazo e, ao mesmo tempo, garantir a adaptação para o futuro. É crucial garantir que os líderes tenham “espaço mental” suficiente para gerar e refletir sobre novas ideias, ao mesmo tempo em que identificam e superam barreiras à ambidestria organizacional.

Assim, a pressão por resultados imediatos e o ritmo acelerado das agendas executivas levantam uma questão fundamental: até que ponto essa pressão está comprometendo o potencial inovador das empresas? A resposta parece estar em uma gestão mais consciente do tempo e das prioridades. Liderar com ambidestria não significa realizar múltiplas tarefas simultaneamente, mas saber quando focar em diferentes aspectos da gestão. Esse equilíbrio é vital para liberar a criatividade necessária à inovação, enquanto se mantém a eficiência operacional.

Os líderes devem refletir sobre como estão gerenciando seu tempo e o da equipe. Estão criando as condições adequadas para que a inovação possa ocorrer de verdade, ou estão apenas lidando com as demandas urgentes do presente? A capacidade de cultivar uma mentalidade que valorize tanto a eficiência quanto a inovação será determinante para o sucesso das empresas na era moderna. A verdadeira liderança ambidestra exige não apenas a habilidade de resolver problemas imediatos, mas também o espaço e o tempo para fomentar a criatividade e a visão de futuro.

Vendendo o Almoço para Comprar o Jantar: Como a Falta de Tempo Sabota a Inovação – Estadão

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Holograma na loja, tapume luxuoso, fábrica na vitrine: as tendências do varejo em Nova York

Megafeira NRF 2025 destacou o uso da inteligência artificial para melhorar o atendimento ao cliente e alavancar vendas

Daniele Madureira – Folha – 17/12/2025

O uso da inteligência artificial nos pontos de venda dominou as discussões na NRF 2025, a megafeira do varejo realizada todos os anos em janeiro em Nova York, que atrai empresários do mundo todo em busca das principais tendências do setor.

A ideia é empregar a tecnologia não só para entender melhor o comportamento e os gostos do consumidor, entregando opções alinhadas ao seu perfil, mas também para melhorar o atendimento em loja, com uma gestão de estoques otimizada, que impeça a falta de produto (chamada de “ruptura”) no ponto de venda.

A Folha ouviu consultores que integraram a delegação brasileira presente ao evento, que contou com cerca de 3.000 pessoas, a segunda maior, só atrás da delegação americana. Na lista de participantes, nomes de peso do varejo brasileiro, como Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, Paulo Correa, principal executivo da C&A, e Fabio Faccio, presidente da Renner.

Cinco grandes tendências foram apontadas no evento deste ano, realizado entre os dias 11 e 14. São elas:

IA PARA RESPEITAR DIFERENÇAS E ALAVANCAR VENDAS

“O uso da inteligência artificial é o que vai revolucionar o varejo”, diz Daniel Sakamoto, gerente executivo da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas). “É uma forma de melhorar a eficiência operacional e agilizar processos de compra, personalizando o atendimento.” Neste quesito, diz, é possível identificar, por exemplo, o gosto, a frequência de compra e o tíquete médio gasto pelo cliente.

Outra questão em que a IA pode ajudar a resolver está no conflito de convivência entre as diferentes gerações de consumidores. “Por causa da longevidade, hoje temos seis gerações convivendo ao mesmo”, diz Sakamoto. Uma empresa pode atender a todas ou quase todas as faixas etárias ao mesmo tempo, daí a importância de usar a inteligência de dados para oferecer um mix de produtos que atenda preferências distintas.

A Amazon americana deu um passo além no uso de IA, segundo o consultor Alberto Serrentino, da Varese Retail. “Quando você se loga no aplicativo, a busca evoluiu de tal modo que você pode fazer perguntas para descobrir o produto que resolve o seu problema. Isso é muito mais do que buscar uma categoria.”

PROPAGANDA NO PONTO DE VENDA

Nos supermercados, pontas de gôndolas que exibem anúncios com displays de grandes marcas são algo comum. Mas as ideias apresentadas na NRF 2025 vão além: usar hologramas nos pontos de venda, por exemplo. Ou levar luzes de led piscante para a frente dos freezers de bebidas.

“Já ficou comprovado que o índice de conversão de compras é maior no ponto de venda quando o consumidor se depara com uma propaganda do fornecedor”, diz Sakamoto. “A isso agora é agregado tecnologia. Existem cases até de assistentes virtuais de compras, em hologramas, que ajudam a tirar dúvidas do consumidor.”

A iniciativa também é uma maneira de o varejista aumentar seus ganhos, uma vez que a exposição de produtos em pontos de destaque dentro da loja são negociados.

LOJA FÍSICA COM PROPOSTA DE DESCOBERTA

Em um mundo em que o comércio eletrônico cresce, a loja física sobrevive não só servindo como ponto de apoio para as compras online (parte dos produtos vendidos na internet fica estocada nos pontos de venda). Vale fazer com que o cliente use a loja para descobrir curiosidades da marca e ter novas experiências.

“A loja é direcionada para a oferta de experiência e conexão com a marca, promovendo uma sensação positiva no consumidor”, diz Sakamoto.

Eugênio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, concorda. “O tempo do cliente na loja física é muito maior do que na loja virtual. Então a loja precisa justificar a ida do cliente até lá.”

Um exemplo é a rede de donuts Krispy Kreme, na Times Square, em Nova York, que vai além do habitual convite “visite nossa cozinha”. “O trajeto dentro da loja expõe o processo de fabricação, como grandes vitrines abertas ao público, que também sente o cheiro dos produtos no forno”, diz Sakamoto.

Também em Nova York, a loja dos chocolates M&M’s, da Mars, permite que o cliente personalize as pastilhas com a imagem que ele quiser —até mesmo a sua foto. Na cidade, um dos pontos de venda da Starbucks leva o consumidor a uma viagem ao mundo do café, com decoração, displays digitais e embalagens que contam a história do grão, as curiosidades do cultivo em diferentes partes do mundo, o processo de produção.

Na luxuosa 5ª Avenida, a loja da grife francesa Louis Vuitton está sendo reformada. A marca criou uma loja temporária do outro lado da rua. Para chamar a atenção do novo endereço, a Louis Vuitton usou, no lugar dos tradicionais tapumes, gigantescas réplicas de malas de viagem da marca. “A loja temporária não tem nada de especial. Mas os tapumes te deixam com vontade de visitar o espaço”, diz Sakamoto.

AUTENTICIDADE

Em um mundo polarizado, tomado por fake news, os consumidores querem que as empresas entreguem autenticidade. “É importante que as companhias e marcas tenham algo próprio para dizer, se posicionem de forma firme e verdadeira, algo que expresse seus valores e esteja presente nos seus patrocínios, por exemplo”, diz Sakamoto.

Essa é uma maneira de criar vínculos com consumidores, para muito além do preço e do atendimento. “É uma forma de eternizar a marca, garantir que aquele consumidor vai buscá-la em qualquer lugar”.

Nesse sentido, nada mais autêntico do que fazer o básico bem feito, segundo o consultor Eugênio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial. “Por mais tecnologia que você empregue, os fundamentos permanecem como essenciais: ter o produto em loja, facilitar a jornada do cliente, oferecer um bom atendimento e um preço justo”, diz.

Um exemplo são os caixas, diz. “O consumidor, não necessariamente, quer o auto-checkout, algo superautomatizado. Ele só quer um caixa que seja mais rápido —tenha ou não alguém da loja operando.”

LIDERANÇA

Em meio a tantas informações e à pressão contínua por fazer cada vez mais rápido, o papel da liderança emerge. “Do ponto de vista da gestão do varejo, foi muito discutido o papel do líder, que coloca em prática as estratégias e as propostas de inovação, engajando a equipe”, diz Sakamoto.

Diante do uso massivo da tecnologia, é importante motivar a equipe e induzir os processos, porque especialmente no varejo, nada acontece sem o envolvimento das pessoas, afirma. “É preciso lembrar que a inteligência artificial ajuda, mas quem faz diferença são as pessoas.”

Este é o grande desafio, na opinião de Alberto Serrentino. “Especialmente quando se trata de IA, isso gera sentimentos complexos: existem grandes oportunidades, mas também muito medo de ser substituído por uma máquina e se tornar irrelevante. É preciso renovar a cultura da organização.”

As tendências do varejo segundo a NRF 2025 em Nova York – 17/01/2025 – Mercado – Folha

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The Economist: Por que as empresas dos países nórdicos são tão bem-sucedidas?

Da Lego à Novo Nordisk, boa parte das principais empresas da Europa vem da região

Por Estadão/The Economist – 04/01/2025 

Da sala de jantar no andar térreo da “Carl’s Villa”, em Copenhague, os hóspedes têm vista para um jardim encantador adornado com estátuas clássicas. A casa em estilo art nouveau foi construída em 1892 por Carl Jacobsen, filho do fundador da Carlsberg. Desde então, a cervejaria, que atualmente usa a casa para reuniões, tornou-se uma das maiores do mundo.

Jacob Aarup-Andersen, o atual chefe da Carlsberg, admite que o sucesso da empresa faz parte de um quebra-cabeças maior sobre as empresas dinamarquesas. Recentemente, durante um jantar, diz ele, alguém lhe perguntou como um país tão pequeno pode produzir tantas empresas grandes.

O que é verdade para a Dinamarca é verdade para a Finlândia, Noruega e Suécia. Os quatro maiores países nórdicos representam cerca de 1% do PIB mundial e 0,3% de sua população. No entanto, eles produziram uma lista impressionante de gigantes corporativos. A Lego é a maior fabricante de brinquedos do planeta em termos de receita; a ikea é a maior fabricante de móveis do planeta (e, graças às almôndegas suecas, a sexta maior rede de restaurantes). Os países nórdicos abrigam os principais fabricantes de tudo, desde maquinário (Atlas Copco) e equipamentos de telecomunicações (Nokia e Ericsson) até cintos de segurança (Autoliv) e elevadores (kone).

A região também produziu a maior empresa de streaming de música do mundo (Spotify) e o maior serviço de compre agora e pague depois (Klarna). A Novo Nordisk, pioneira dinamarquesa em medicamentos para perda de peso, é a empresa mais valiosa da Europa, mesmo depois que suas ações caíram em dezembro em resposta aos resultados decepcionantes dos testes de um novo medicamento.

As empresas nórdicas superaram o desempenho das empresas do resto da Europa na última década. Em todos os quatro países, as empresas não financeiras listadas geraram retornos para os acionistas maiores do que a média europeia nos últimos dez anos. Atualmente, as empresas nórdicas representam cerca de 13% do Msci Europe, um índice das empresas mais valiosas do continente, em comparação com 10% há cinco anos. Essa participação agora é quase a mesma das empresas alemãs.

As empresas nórdicas também se saem bem em comparação com seus pares globais nos mesmos setores. Comparamos as 20 empresas listadas mais valiosas da região com suas principais rivais no exterior em uma série de medidas. Em média, as empresas nórdicas geraram margens operacionais sete pontos porcentuais mais altas do que a mediana do conjunto de seus pares em 2023, com retornos sobre o capital investido cinco pontos porcentuais mais altos. A dívida em relação aos lucros operacionais (antes da depreciação e amortização) foi menor para 14 das 20 empresas que examinamos quando comparadas com suas rivais. O crescimento anual das vendas foi praticamente igual ao da concorrência.

Obviamente, nem todas as empresas nórdicas foram bem-sucedidas. A Northvolt, fabricante de baterias, recentemente entrou em falência. O negócio de telefones celulares da Nokia foi esmagado pelo iPhone. Há também um elemento de sorte no sucesso dos nórdicos. A região é abençoada com o acesso a vastos recursos naturais, incluindo madeira, minério de ferro e – especialmente na Noruega – petróleo e gás. Mesmo assim, o desempenho superior das empresas nórdicas é impressionante. O que explica isso?

Um fator é que os empresários nórdicos, assim como seus ancestrais vikings, são aventureiros estrangeiros. “Nosso pequeno território é uma bênção no sentido de que torna obrigatória a perspectiva internacional”, diz Aarup-Andersen. Entre as dez empresas mais valiosas dos países nórdicos, para as quais existem dados disponíveis, a participação média das receitas geradas no país é de apenas 2%, em comparação com 12% para suas contrapartes no resto da Europa e 46% para as dos Estados Unidos. Anders Boyer, diretor financeiro da Pandora, a maior fabricante de joias do mundo em volume, diz que sua empresa passou de uma única loja em Copenhague para uma operação global em sete ou oito anos. Atualmente, a Dinamarca responde por 1% de suas vendas.

Um segundo fator é que as empresas nórdicas há muito tempo adotam a tecnologia com entusiasmo. Pouco depois da Segunda Guerra Mundial, o fundador da Lego mudou o material dos brinquedos, a madeira, depois de brincar com uma máquina de moldagem de plástico nova (isso custou um ano de vendas). Hoje, esse espírito persiste. Dados da Eurostat, uma agência de estatísticas, mostram que 45% das empresas da União Europeia que empregam mais de dez pessoas pagam por serviços de computação em nuvem. A média dos quatro países nórdicos, que lideram a classificação, é de 73%.

O fervor nórdico pela tecnologia também é visível no próspero cenário de startups da região. Entre as cidades europeias, apenas Londres, Paris e Berlim atraem mais financiamento de capital de risco do que Estocolmo, que tem muito menos pessoas. Helsinque está repleta de desenvolvedores de jogos, incluindo a Rovio, criadora do “Angry Birds”, e a Supercell, criadora do “Clash of the Clans”. Atualmente, os empreendedores nórdicos podem achar menos assustador assumir riscos sabendo que, se fracassarem, terão acesso a generosos benefícios de desemprego e a sistemas públicos de saúde e educação que funcionam bem.

A política governamental, de forma mais ampla, é um terceiro fator que sustenta o sucesso das empresas nórdicas. Embora as elevadas taxas de imposto pessoal financiem sistemas de bem-estar generosos nos países nórdicos, a taxa sobre os lucros das empresas é aproximadamente a mesma que nos Estados Unidos.

Todos os anos, a Heritage Foundation, um think tank conservador em Washington, compila um índice da liberdade econômica dos países, que captura aspectos como a abertura dos mercados, usando medidas como as taxas tarifárias, e como as empresas podem operar livremente, avaliando regulamentos. Dinamarca, Noruega e Suécia estão entre os dez primeiros. Na Dinamarca, em particular, contratar e demitir trabalhadores é mais fácil do que em outros lugares da Europa. A adesão do governo dinamarquês à digitalização também facilitou fazer negócios lá. Como aponta Vincent Clerc, o chefe da Maersk, gigante dinamarquês do setor de navegação, “Você pode obter um número de IVA em um dia.” Na França, isso pode levar meses.

Um quarto fator no desempenho superior nórdico são os acionistas pacientes. De acordo com a consultoria McKinsey, quatro quintos das grandes empresas nórdicas são propriedade de longo prazo, comparado com três quintos na Europa e apenas um quinto na América. Dinastias empresariais desempenham um papel proeminente na região. Maersk e Lego ainda são controladas, respectivamente, pelas famílias fundadoras Moller e Kristiansen, embora ambas as empresas sejam geridas no dia a dia por pessoas de fora. Na Suécia, os Wallenbergs, cuja fortuna originou-se no setor bancário, possuem grandes participações em várias empresas, incluindo Atlas Copco e Ericsson. Outras grandes empresas nórdicas, incluindo Carlsberg e Novo Nordisk, são controladas por fundações sem fins lucrativos.

Esses arranjos impediram que empresas estrangeiras adquirissem companhias nórdicas, dando-lhes mais tempo para crescer. Eles também facilitaram para as empresas investirem em seu sucesso a longo prazo. A McKinsey calcula que quatro quintos das empresas nórdicas listadas gastam mais em pesquisa e desenvolvimento do que seus rivais fazem em outros lugares no Ocidente. Lars Fruergaard Jørgensen, chefe da Novo Nordisk, disse que seu principal foco é como a empresa estará em 10 a 20 anos.

Isso é bom, porque o modelo de negócios nórdico pode sofrer pressão nos próximos anos. 

Dada a sua dependência de operações no exterior, as empresas nórdicas estão particularmente expostas a águas geopolíticas mais agitadas. Algumas já foram afetadas. Em 2023, o negócio da Carlsberg na Rússia foi apreendido pelo governo do país e colocado sob “gestão temporária”. Em dezembro, a cervejaria concordou em vender a operação para dois funcionários locais com um grande desconto. A Maersk teve barcos e terminais de contêineres atingidos por mísseis houthis no Mar Vermelho, forçando seus navios a evitar o Canal de Suez, adicionando tempo e despesas.

Fazer negócios no exterior está prestes a se tornar ainda mais difícil durante o segundo mandato de Donald Trump. Na campanha, o presidente eleito dos Estados Unidos prometeu impor uma tarifa de 10% sobre as importações de todos os países. A ameaça pode não se materializar – desde a eleição, Trump tem focado sua ira no México, Canadá e China -, mas uma visão mais cética do comércio certamente permeará a formulação de políticas americanas nos próximos anos. Isso pode ser um problema: um terço das vendas das dez empresas nórdicas mais valiosas é gerado na América.

Lidar com tudo isso exigirá uma última característica das empresas nórdicas. Niels Christiansen, diretor executivo da Lego, invoca Charles Darwin em sua avaliação de por que as empresas da região se saem tão bem. “Não é necessariamente o mais forte que sobrevive”, mas “aquele que se adapta às mudanças”. À medida que as empresas globais se preparam para o retorno de Trump à Casa Branca, essas palavras se tornam mais sábias do que nunca.

The Economist: Por que as empresas dos países nórdicos são tão bem-sucedidas? – Estadão

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‘Uma grande ideia quase sempre parece ridícula’

Martin Reeves, do BCG Henderson Institute, fala sobre o incentivo estratégico da imaginação

Por Stela Campos — Valor – 13/01/2025 

Martin Reeves é biólogo, estudou música, mas logo descobriu que o que gostava mesmo era de pensar e resolver problemas. Os amigos diziam que nunca conseguiria ser pago para fazer isso, foi então que descobriu o trabalho de consultor. Este ano completa 35 anos no Boston Consulting Group, um dos maiores grupos de consultoria estratégica do mundo.

Pelo BCG, ele já trabalhou na Inglaterra, Europa Oriental, Japão e Estados Unidos, atendendo vários tipos de indústrias. Há 15 anos, tornou-se um pesquisador renomado no comando do BCG Henderson Institute, um think tank que ajudou a fundar e que é dedicado a explorar novas ideias no campo dos negócios, tecnologia, economia e ciências.

Reeves viaja muito, mas quando está em casa separa algumas horas para pensar, tocar gaita de fole e escrever. Um de seus livros mais conhecidos é “Sua estratégia precisa de uma estratégia”. O mais recente, “The imagination machine”, foi escrito com Jack Fuller. Em entrevista ao Valor, em São Paulo, ele falou sobre a importância de as empresas incentivarem a imaginação dos funcionários para inovar. Reeves lembra que a taxa de declínio da vantagem competitiva agora é 10 vezes mais rápida do que há 20 anos. Ser criativo é questão de sobrevivência. A seguir os principais trechos:

Valor: No seu último livro, o senhor fala sobre as pessoas terem momentos de imaginação, reflexão e criatividade nas empresas. Como é possível conseguir isso?

Martin Reeves: Uma empresa é uma máquina que converte as ideias de empreendedores em novas realidades. Antigamente, eram as pequenas que faziam isso, enquanto as grandes não o faziam porque eram bem-sucedidas fazendo a mesma coisa por 100 anos. Mas houve uma grande mudança no campo da estratégia: a durabilidade da vantagem competitiva diminuiu drasticamente devido a mercados de capital mais eficientes e à velocidade da tecnologia. O que isso significa? Significa que todas as grandes empresas agora precisam ser como as pequenas, se reinventar e reimaginar. A razão pela qual isso é difícil na prática é porque envolve fatores como: complacência, se as coisas estão indo bem, você pensa que não precisa fazer nada ou não sente a urgência; hiperespecialização, hoje as grandes empresas são divididas em departamentos e é muito difícil mudar o rumo se cada divisão tem sua própria visão; medo, se você pressiona muito pela performance as pessoas ficam receosas e com horizontes de tempo muito curtos; introversão, muitas empresas grandes pensam mais no que acontece dentro do que fora. Se você não está aberto a surpresas sobre o que concorrentes ou clientes estão fazendo, você não tem motivos para imaginar. A ciência da imaginação mostra que ela é essencialmente a resposta do cérebro humano à surpresa. Coisas que não se encaixam no padrão e que nos levam a reconsiderar nossos modelos mentais.

A inovação tem sempre uma assinatura matemática muito particular, que a torna muito difícil de prever”

Valor: A hierarquia nas grandes empresas pode inibir os funcionários de compartilharem suas ideias? Ter organizações mais horizontais ajudaria a mudar isso?

Reeves: A hierarquia é muito boa – é fácil criticá-la, mas é uma maneira muito eficaz de dividir o trabalho. O problema é que usando a imaginação você pode querer redistribuir o trabalho ou reconsiderá-lo. A hierarquia também está ligada à autoridade. Mas a imaginação precisa estar próxima da linha de frente. Qualquer pessoa pode ter uma boa ideia. Além disso, a hierarquia é uma personificação do status quo, você subdivide o trabalho de acordo com o modelo mental atual. Outro problema da hierarquia é que, ao dividir o trabalho, você não consegue mais enxergar o todo – o modelo de negócio completo. Em uma empresa pequena, todo mundo sabe como tudo funciona. Em uma grande, você sabe como funciona a sua pequena parte, mas não necessariamente o todo. Como contornar isso? Não acho que uma corporação completamente horizontal seja muito viável. Mas acho que você pode ter momentos em que suspende a hierarquia. Você pode ter momentos em que reúne pessoas de diferentes departamentos para pensar horizontes de tempo mais longos. Isso é difícil de fazer, por isso falo sobre jogos, porque você precisa levar as pessoas a um estado mental diferente. Como ex-biólogo, vejo o jogo como algo prazeroso, espontâneo, que acelera o aprendizado. Por exemplo, por que meninos brincam com espadas de plástico? Porque é mais rápido aprender fingindo lutar do que lutando de verdade. Por que os gatos brincam? Eles fingem caçar.Valor: Hoje fala-se muito sobre o conceito de segurança psicológica. Qual é a sua opinião sobre sua eficácia para a inovação?

Reeves: A segurança psicológica tem seus méritos e deméritos. Depende de como você interpreta. Acho que as pessoas devem se sentir seguras para dizer coisas ridículas, porque há dois tipos de “ridículo”. Um é impossível, algo como “esta xícara de café pode voar” – isso desafia as leis da física, nunca vai acontecer. Mas há um outro tipo de ridículo, que é apenas algo não familiar e um pouco ameaçador para o meu modelo mental atual, mas que pode ser uma grande ideia. Então, as pessoas precisam colocar as coisas na mesa. O que chamo de “novos bebês”, as novas ideias, quase sempre são um pouco feias. Quando uma grande ideia, como o próximo computador quântico ou um produto revolucionário, é proposta pela primeira vez, quase sempre parece ridícula. Então, precisa haver segurança. Por outro lado, a segurança psicológica pode não ser tão boa se significar excesso de conforto. Às vezes, ver as coisas de forma diferente envolve desconforto. Um dos jogos que uso é o do mau cliente. Nele, você entende tudo sobre pessoas que odeiam sua empresa, que nunca usariam seus produtos. Isso é desconfortável. Mas, ao se permitir sentir o desconforto, você pode ouvir boas ideias que rompem seu modelo mental atual.Valor: Por que o senhor diz que a inovação tem pouca chance de acontecer em um grupo grande?

Reeves: Se tivéssemos uma reunião nesta sala e quiséssemos apenas gerenciar a empresa, não precisaríamos romper o modelo mental atual. Mas, se quiséssemos reimaginar a empresa, precisaríamos romper o modelo. O que pode atrapalhar? Uma delas é ter pessoas demais. Algumas podem ser tímidas e não participar. Além disso, as pessoas podem querer convergir muito rápido para um consenso. A hierarquia também pode atrapalhar. Jeff Bezos, por exemplo, tem uma política de não falar primeiro em reuniões, porque até as pessoas mais corajosas e inteligentes podem mudar o que planejavam dizer depois de ouvir o chefe. Outro ponto é a falta de familiaridade com o pensamento contrafactual – pensar no que poderia ser verdade, mas ainda não é. Já vi isso com engenheiros quando você propõe ideias contrafactuais. Eles podem dizer: “Mas isso não é verdade”. Claro que não é, estamos explorando possibilidades! Esse processo tem estágios. Primeiro, perceber a fagulha, a surpresa. Segundo, romper o modelo mental atual. Terceiro, desenvolver a ideia. Quarto, testá-la. Quinto, vendê-la para outros. O storytelling é muito importante.

A taxa de declínio da vantagem competitiva agora é aproximadamente 10 vezes mais rápida do que era há 20 anos”

Valor: Reimaginar um processo em um departamento ou equipe é algo mais simples de se incentivar?

Reeves: Sim, a inovação incremental e local não é tão difícil. Por exemplo, em vez de escrever minhas anotações com lápis, uso uma caneta. Isso não é tão desafiador. Mas o que as empresas precisam fazer periodicamente – e com cada vez mais frequência – é reimaginar tudo. Isso é mais difícil e também onde estão os maiores riscos e recompensas. A razão para isso está ligada ao fato técnico de que a taxa de declínio da vantagem competitiva agora é aproximadamente 10 vezes mais rápida do que era há 20 anos.

Valor: Associar metas à inovação pode sabotar o próprio processo inibindo as pessoas de usar livremente a sua imaginação?

Reeves: Acho que se você não tiver nenhuma estrutura e tratar a inovação como algo mágico e criativo que pode acontecer em qualquer momento, não funciona. Por outro lado, se você fingir que é um processo mecânico, sem bagunça, também não funciona. Tem que haver um equilíbrio. As características de cada etapa do processo de imaginação que mencionei são bastante diferentes. Por exemplo,, a etapa de codificação é fascinante. Quando você inventa algo e está tentando industrializá-lo precisa criar procedimentos operacionais padrão. Isso pode parecer nada imaginativo, mas, na verdade, exige o ato de imaginar. Por exemplo, para uma rede de hotéis de luxo, com um ótimo atendimento, replicar isso do outro lado do mundo para clientes e funcionários chineses é difícil. Você não pode dizer tudo às pessoas. Se der a elas 1.000 páginas de instruções, elas se perderão nos detalhes. Se apenas disser algo como “ame o cliente”, isso não é específico o suficiente. Então, desenvolvemos a ideia de roteiros evolutivos, como um roteiro de ator. É algo projetado para ser simples o suficiente para seguir, capturando apenas os elementos essenciais para o sucesso, mas deixando espaço para inovação.

Valor: É preciso improvisar ao lidar com diferentes culturas?

Reeves: Exato. Por isso, o roteiro precisa ter um grau intermediário de estrutura. Um ótimo exemplo é a loja da Apple. O formato de varejo da Apple é o mais produtivo do mundo em termos de vendas por metro quadrado. Isso em si é uma invenção. Cada novo funcionário precisa entender como funciona. Eles têm um roteiro evolutivo, literalmente chamado de Apple, que descreve elementos essenciais sobre como abordar um cliente e resolver problemas. Ele é estruturado o suficiente para ser operacionalizado, mas aberto o suficiente para evoluir e ser customizado. Além disso, é simples o suficiente para ser discutido diariamente. Quando você vê os funcionários da loja da Apple conversando antes de abrir, estão falando sobre como ajustar e compartilhar experiências com base no roteiro.

Valor: O último capítulo do seu livro chama-se “IA: Imaginação Artificial”. Como o senhor vêo avanço da IA e o que ele representa?

Reeves: Estatísticas recentes mostram que apenas cerca de 5% das empresas estão realmente implementando IA. Então, ainda é cedo. A história da tecnologia nos ensina que é um processo imprevisível. O que achamos que funcionará pode acabar não funcionando, e há muita serendipidade na inovação tecnológica. Muitas vezes, os especialistas estão errados, porque seus pensamentos se baseiam na última tecnologia e não na experiência. Devemos tentar e ver o que realmente funciona, porque a realidade geralmente é mais surpreendente do que a teoria. Os maiores ganhos vêm quando você muda estruturas sociais, como o layout das fábricas ou o modelo de negócios. Isso  leva mais tempo.

Valor: Pensando na IA generativa, o senhor acha que ela ajudará os humanos a construir estratégias?

Reeves: Fizemos alguns testes e ela tem funcionalidades úteis, mas não em todas as etapas. Por exemplo, para a criação de narrativas – porque uma estratégia precisa ser compreensível e inspiradora para motivar ações -, encontramosresultados impressionantes. Para um não falante nativo ou para um engenheiro mais técnico do que linguístico, essas tecnologias são excelentes para criar narrativas estratégicas. Elas também são boas para inovações recombinatórias, ou seja, pegar elementos do modelo atual e combiná-los de uma nova forma. Mas não são tão boas para validação. Se vocêquiser saber: “Essa ideia funcionará?”, esses modelos não são eficazes, porque são treinados com base no que as pessoas disseram sobre o passado. Portanto, eles não têm uma noção prática do que é viável. Isso ainda depende dos humanos. Uma de nossas conclusões iniciais é que essas ferramentas serão muito poderosas em estratégia, mas provavelmente mais úteis nas mãos de especialistas do que de amadores. Mas ressalto que estamos descobrindo. A inovação tem sempre uma assinatura matemática muito particular, que a torna difícil de prever.

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Nove em cada dez empresas querem trabalhadores com novas habilidades até 2030

No Brasil, de acordo com os dados do relatório “Futuro do Trabalho”, as empresas já planejam aprimorar trabalhadores com foco em inteligência artificial e alfabetização tecnológica entre outras habilidades

Por Rafael Vazquez, Valor — Valor – 08/01/2025 

As transformações proporcionadas por novas tecnologias, principalmente as digitais, já mudaram o mercado de trabalho no mundo e no Brasil e exigem que tanto trabalhadores quanto empresas se adaptem rapidamente por questões de empregabilidade, de um lado, e de produtividade, do outro. Segundo o relatório “Futuro do Trabalho”, elaborado globalmente pelo Fórum Econômico Mundial com parceria da Fundação Dom Cabral (FDC) no Brasil, o movimento terminará com o fim de algumas profissões, mas o saldo entre a destruição de vagas e a criação de outros postos de trabalho mais modernos deixa um saldo positivo de 78 milhões de empregos no mundo.

No Brasil, de acordo com os dados do levantamento, nove em cada dez empresas já planejam, até 2030, aprimorar trabalhadores com foco em inteligência artificial (IA), “big data”, pensamento crítico, alfabetização tecnológica e lógica geral.

“O relatório não é catastrófico, pois estamos dizendo com total clareza que essa demanda por tecnologia vai gerar mais postos de trabalho [do que irá destruir]”, comenta o professor e diretor do núcleo de Inovação e tecnologias digitais da Fundação Dom Cabral, Hugo Tadeu, responsável pelo relatório no Brasil.

Contudo, Tadeu afirma que as empresas terão que patrocinar treinamentos adequados de qualificação e requalificação da mão de obra para que as suas próprias demandas sejam atendidas. Segundo ele, no Brasil, a educação básica e as universidades ainda não se modernizaram suficientemente para formar trabalhadores capacitados para uma demanda que já existe e vai crescer significativamente nos próximos cinco anos.

“A maioria dos trabalhadores já entendeu isso. Inclusive, quem estiver empregado onde a empresa não está oferecendo treinamentos com profundidade de requalificação, deveria fazer por conta própria para garantir a empregabilidade”, observa o professor da FDC.

Conforme mostra o relatório, em termos globais, 65% dos trabalhadores consideram a requalificação como essencial para manter empregabilidade. Além disso, 78% buscam oportunidades de treinamento para aprimorar as habilidades e 70% estão dispostos a dedicar tempo fora do expediente para aprimoramento profissional.

Investimento em qualificação

Do lado das empresas, o relatório aponta que 85% dos executivos entrevistados em 55 países afirmam estar dispostos a investir no aprimoramento das competências dos funcionários. Nesse sentido, as habilidades mais demandadas incluem pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, agilidade, liderança e influência social, além das competências técnicas para o desempenho de cada função.

No recorte brasileiro do estudo, os dados apontam que, até 2030, ao menos 37% das habilidades dos trabalhadores mudarão por exigência das empresas. Além disso, 58% das empresas já pretendem recrutar funcionários com novas habilidades e 48% das companhias planejam “transitar” funcionários de funções em declínio para funções em crescimento. Conforme explica Tadeu, “transitar” significa que as empresas irão demitir profissionais que ficarão obsoletos ou prepará-los para desempenhar novas funções.

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‘Dead malls’ viram monumentos ao fim de uma era

Redes sociais estão caminhando para fim semelhante após a ideia de formar comunidades ter falhado

Ronaldo Lemos – Folha – 12.jan.2025 

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

  • Uma das experiências mais aterrorizantes da internet, ao menos para mim, é passear pelos perfis de “dead malls”. Pessoas que filmam o interior de shopping centers que faliram. Lugares enormes feitos para vender que viraram ruínas. Muitos por não conseguirem competir com as pessoas comprando tudo online. Há vários perfis assim: Urbex Offlimits ou o pioneiro DeadMalls.com.

Um dead mall é um monumento à morte do terceiro lugar. Se o primeiro lugar é a nossa casa e o segundo é o trabalho, o terceiro é o conjunto de espaços privados e públicos em que encontramos pessoas com as quais não necessariamente temos vínculos: cafés, clubes, bibliotecas, parques, livrarias, igrejas, praças e assim por diante. São os espaços que formam comunidades. Shoppings sempre foram uma solução imperfeita. Quando morrem, então, viram mausoléus.

Os “dead malls” estão agora chegando também na Ásia. Após anos de exuberância econômica, os shoppings fraquejam.

Na China, há uma busca por novas atividades que possam revitalizar esses lugares que não conseguem mais viver do comércio.

Em 2022 a China tinha cerca de 6.700 shoppings. Só em 2023, foram inaugurados mais 400. Vários deles hoje lutam para não morrer (um shopping pode ser considerado em estado terminal quando menos de 40% do seu espaço é ocupado).

É nesse contexto que há uma luta enorme na Ásia para reinventar a ideia de shopping, encontrando novas ocupações. Um dos exemplos mais interessantes é o INS, complexo de 7 andares localizado em frente ao parque Fuxing em Xangai.

O espaço abraçou outro conceito e abriga 12 boates, restaurantes, arenas de esportes digitais (esports), um clube de comédia e projetos voltados para o entretenimento. O espaço cobra cerca de US$ 50 de entrada e dá acesso a todas as atividades.

Em entrevista à Radii Media, o empresário chinês Dickson Sezto, que levou as primeiras lojas da Zara e Sephora para a China, disse: “Atualmente é preciso oferecer experiências que promovam conexões sociais. Só assim é possível atrair a geração mais nova”.

Em Singapura a questão se repete. Espaços como o Haw Par Villa precisaram ser reinventados. Agora abrigam não só boates, mas também terror. O lugar construiu um espaço de experiências de terror e oferece três enormes zonas imersivas permanentes dedicadas ao gênero, incluindo um enorme escape room (além de restaurantes e comidas temáticas).

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Num texto recente de Ted Gioia (sempre interessante), ele usou a ideia dos “dead malls” para falar das redes sociais, que, na visão dele, estão indo por um caminho semelhante.

Como a ideia de formar comunidades falhou, a capacidade de conectar pessoas está sendo substituída pela oferta de entretenimento hipnotizante, que não tem nem origem nem procedência.

Um sintoma disso é que as redes sociais todas estão se uniformizando e ficando praticamente iguais, seja copiando o TikTok (vídeos curtos e viciantes) ou o X. Nesta semana mesmo ficamos sabendo que, tal como em Singapura, o terror será bem-vindo nesses espaços.

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‘Dead malls’ viram monumentos ao fim de uma era – 12/01/2025 – Ronaldo Lemos – Folha

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