Drone adaptado ‘caça’ árvores amazônicas que viram perfume

Startup Bioverse desenvolveu tecnologia em projeto em parceria com a Natura

Por Cleyton Vilarino – Globo Rural – 04/02/2025 

drone-nauru-Bioverse

drone-nauru-Bioverse — Foto: Divulgação

Um trabalho que até então se fazia manualmente, exigindo deslocamentos floresta adentro de vários quilômetros para a identificação de espécies de árvores de potencial econômico para comunidades extrativistas da Amazônia, agora ocorre a uma velocidade 200 vezes maior graças ao uso de inteligência artificial. Em um projeto em parceria com a Natura, a startup Bioverse adaptou um drone usado no monitoramento de áreas florestais para que a aeronave passasse a viajar com a tecnologia de identificação das árvores.

O drone mapeou áreas das comunidades extrativistas de Irituia e Abaetetuba, no Pará. Nos 600 quilômetros quadrados que já cobriu, o equipamento identificou sobretudo espécies de tucumã e açaí, que a Natura usa para fazer perfumes e cosméticos. “Para fazer o levantamento da maneira habitual seriam necessários 25 anos de rastreio”, diz Rômulo Zamberlan, diretor de pesquisa avançada da Natura.

Segundo ele, a empresa consome centenas de toneladas de açaí e tucumã por ano. Com o mapeamento em larga escala, a companhia quer ter mais segurança na obtenção dessas duas matérias-primas e também de outras oito espécies de interesse econômico, afirma Zamberlan. A Natura fornece às comunidades extrativistas os dados que obtém no levantamento. O grau de precisão da ferramenta da Bioverse é de 95%.

História

A tecnologia nasceu da vontade de Francisco D’Elia, cofundador e diretor-executivo da startup, de desenvolver uma tecnologia que permitisse identificar e quantificar a biodiversidade em biomas como a Amazônia. D’Elia, que é engenheiro cartógrafo, tem 25 anos de experiência em diferentes tipos de mapeamento.

“A perda de biodiversidade e a destruição de ecossistemas, problemas que existem há décadas, me preocupava muito desde meus tempos de graduação”, conta D’Elia, “e a Amazônia sempre foi um objeto de interesse para mim”. A partir de imagens de satélite, ele segmentou diferentes copas de árvores para treinar a inteligência artificial que a Bioverse usa atualmente.

O passo seguinte foi aumentar em dez vezes a resolução da imagem, um ajuste necessário para a identificação de espécies de menor porte. “Passamos a pensar em como usar drones de asa fixa que conseguissem fazer um mapeamento contínuo em grande escala no nível de detalhe de que precisávamos”, relata o executivo.

Foi a partir daí que surgiu a ideia de adaptar uma aeronave usada no monitoramento de áreas florestais. “Os drones convencionais de mapeamento agrícola são configurados para operar em áreas da ordem de mil hectares, enquanto na Amazônia essa aplicações são de 100 mil, 200 mil hectares”, explica Giovani Amianti , fundador e diretor executivo da Xmobots, fabricante da aeronave.

Financiamento

A Bioverse investiu R$ 2,6 milhões para desenvolver a tecnologia. A Natura — empresa que teve orçamento de pesquisa e desenvolvimento de R$ 292 milhões em 2023 — financiou parcialmente o valor do projeto. A outra parte ficou a cargo da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão ligado ao governo federal.

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‘Pessoas seguem pessoas’: a filosofia de liderança que guia o CEO do Google Brasil há 14 anos

Ele já liderou uma equipe só de americanos nos Estados Unidos e há mais de uma década lidera o Google no Brasil. Veja os desafios, as conquistas e os planos de Fábio Coelho para 2025 – ano em que o Google completa 20 anos no mercado brasileiro

Layane Serrano – Exame – 5 de fevereiro de 2025 

O Google Brasil completa 20 anos neste ano, e boa parte dessa história foi escrita sob a liderança de Fábio Coelho, que está à frente da empresa há 14 anos.

A frase de Larry Page, cofundador do Google, guia Coelho até hoje. Um artigo que ele leu enquanto liderava uma equipe só de americanos nos Estados Unidos o ajudou a definir uma boa liderança em 4 pilares. Sua família o inspirou a chegar em um cargo de gestão de uma das maiores empresas do mundo. E a aproximação e apoio com novos parceiros, como startups, são algumas das suas grandes conquistas – e ele segue contando.

Em entrevista exclusiva à EXAME, Fábio Coelho, CEO do Google no Brasil, compartilhou detalhes sobre sua jornada profissional, sua filosofia de liderança e os desafios de manter a empresa relevante no Brasil em um setor que se transforma constantemente.

Um legado familiar

Nascido em Vitória, Espírito Santo, Coelho carrega em sua história um forte legado de dedicação e empatia, influências diretas de seus pais. Seu pai, José Jacques Coelho, engenheiro da Vale, teve uma carreira de destaque e, mesmo após a aposentadoria, fundou um negócio de energias alternativas aos 60 anos. “Meu pai era um homem de reputação impecável, sempre muito bem-quisto. Ele e minha mãe ajudaram a educar mais de 15 sobrinhos, trazendo a família para dentro de casa. Esse exemplo de generosidade e trabalho me marcou profundamente”, diz o CEO.

A influência paterna também esteve presente na escolha da primeira carreira de Coelho. Aos 16 anos, ele se mudou para o Rio de Janeiro para cursar engenharia. “Meu pai se formou aos 29 anos; eu, aos 21. Ele trabalhou em uma empresa pública, e eu no ramo privado, que exigia uma atualização constante e uma busca incessante por crescimento”, conta o executivo que passou por grandes empresas.

A trajetória profissional

O primeiro emprego de Coelho foi como estagiário de engenharia. No entanto, ao longo dos anos, ele percebeu que seu interesse maior estava no entendimento de pessoas e dados. “Meu primeiro grande projeto no marketing foi o lançamento do Gatorade no Brasil, em 1993. Depois, fui para o Citibank, onde aprofundei meu conhecimento sobre comportamento do consumidor usando dados”, conta.

A carreira o levou a atuar por 10 anos na AT&T, nos Estados Unidos, onde foi presidente do negócio de internet da empresa por cinco anos. Durante esse período, teve contato constante com o Google, Yahoo e Microsoft. Essa experiência o colocou no radar do Google, que, ao saber de sua volta ao Brasil, o convidou para liderar a operação no país em 2011.

Gerenciando uma equipe nos EUA

Antes de assumir a liderança do Google Brasil, Coelho teve a experiência de gerenciar uma equipe nos Estados Unidos, composta majoritariamente por americanos. Na AT&T, onde trabalhou por uma década, ele chegou a liderar uma equipe de mais de mil pessoas.

“No início, eram cerca de 250 pessoas, e nenhuma delas era brasileira. Foi um grande desafio me estabelecer como líder em um ambiente diferente. Muitas dessas pessoas deviam pensar o que levou a empresa a colocar um estrangeiro nessa cadeira? Foi aí que decidi ler muito sobre liderança”.

Foi neste período que Coelho aprendeu muito sobre gestão intercultural e a importância de criar confiança em um time diverso.

“Nesta época eu li um artigo que me marcou muito. Por que pessoas seguem pessoas? E foi aí que eu conheci os quatro pilares fundamentais que fazem com que pessoas sejam um bom líder”, diz o presidente.

A filosofia da boa liderança

O artigo que falava sobre os “Strengths Based Leadership” (Liderança Beseada em Pontos Fortes) explicava que uma boa liderança se baseia em quatro pilares fundamentais: confiança, esperança, estabilidade e compaixão.

“As pessoas seguem líderes que transmitem esses valores. A confiança é essencial para relações saudáveis, a esperança inspira crescimento, a compaixão fortalece o ambiente de trabalho e a estabilidade dá segurança nos momentos difíceis”, conta o presidente do Google no Brasil.

A frase de Larry Page que vale para todos os líderes

Uma vez líder, o holofote é inevitável. Muitas vezes, Coelho lembra que a expressão dele era interpretada como um sinal para a equipe. “Eu me preocupo se estou sorrindo ou se estou de cara fechada. Muitas vezes, minha expressão pode ser interpretada como um sinal para a equipe sobre o negócio. A forma como um líder se comporta impacta muitas pessoas, dentro e fora da empresa”, afirma.

Esse, inclusive, foi um ensinamento que ele aprendeu com apenas uma frase de Larry Page, cofundador do Google – que se tornou um guia de posicionamento até hoje. Quando Coelho foi promovido a CEO, participou de um treinamento na Califórnia e recebeu uma lembrança especial: duas garrafas de vinho com o logotipo antigo do Google em relevo e um bilhete de Larry Page que dizia: ‘A whisper is a shout’ (‘um sussurro é um grito’).

“Essa frase de Larry Page me marcou muito e me guia ainda hoje, porque entendi que, como líder, cada palavra e gesto têm um impacto amplificado no ambiente de trabalho”, conta.

Os desafios de liderar o Google Brasil

Desde que assumiu o comando da empresa, Fábio enfrentou o desafio de manter a cultura organizacional enquanto a empresa se expandia. “O maior desafio de qualquer organização é crescer mantendo os fundamentos de sua cultura. O Google passou por várias transformações: de uma empresa desktop-centric para mobile-centric e, agora, AI-centric. A chave é se reinventar constantemente”, afirma.

Outro ponto essencial foi o crescimento dos ecossistemas. Segundo o CEO, o Google não tem milhares de funcionários no Brasil, mas tem milhares de produtores de conteúdo, youtubers, desenvolvedores e pequenas empresas que se beneficiam da tecnologia. “Trabalhamos para manter esse ecossistema equilibrado”, diz o CEO.

Entre conquistas, a aposta em statups e a vida pessoal

No campo do empreendedorismo, o Google Campus em São Paulo se tornou um dos maiores hubs de startups da América Latina. “Nos últimos oito anos, aceleramos mais de 450 startups, ajudando essas empresas a crescer e a gerar impacto econômico e social. Algumas dessas empresas se tornaram unicórnios e hoje têm presença global”, afirma Coelho.

Com uma agenda intensa, uma grande conquista de Coelho é ter um trabalho que admira, sem deixar de lado a vida pessoal. “Já trabalhei muito mais do que hoje e achava bonito ser workaholic. Hoje, vejo que não é sustentável. Faço questão de começar cedo e sair no horário. Nos fins de semana, surfo em Trancoso e valorizo os momentos de descanso”, conta.

Para ele, a chave está no conceito de Work-Life Blend, em que trabalho e vida pessoal se integram de maneira equilibrada. “Se preciso resolver algo pessoal durante o dia, eu resolvo. Se precisar trabalhar um pouco à noite, trabalho. O importante é ter disciplina para não se sobrecarregar”, afirma.

Fábio Coelho, CEO do Google Brasil, praticando um dos seus hobbies: o surfe. (Fábio Coelho/Divulgação)

O que o Google busca em um candidato?

Ao falar sobre os atributos desejados em candidatos ao Google, Coelho enfatiza a importância de habilidades que vão além do conhecimento técnico. “Buscamos pessoas que saibam trabalhar bem em um ambiente de ambiguidade. Nem sempre existe uma resposta certa ou errada, e os profissionais mais bem-sucedidos são aqueles que conseguem lidar com a complexidade e tomar decisões baseadas em análise e colaboração”, explica.

Outro ponto fundamental é a capacidade de aprendizado constante. “A tecnologia está sempre mudando, e um candidato ideal é aquele que tem curiosidade intelectual e vontade de se atualizar continuamente. Não queremos apenas especialistas em um tema, mas pessoas com flexibilidade para aprender novos conceitos rapidamente”, afirma.

Coelho também ressalta a relevância das habilidades interpessoais. “Um bom candidato para o Google precisa ser colaborativo. Nosso ambiente exige que as pessoas trabalhem bem em equipe, saibam comunicar ideias de forma clara e estejam abertas a feedbacks”, diz.

Por fim, ele destaca a importância da resiliência e do pensamento inovador. “Valorizamos profissionais que encaram desafios com uma mentalidade positiva, que sabem aprender com os erros e buscar soluções criativas para problemas complexos”, afirma. 

O Google e o futuro no Brasil

Para 2025, o foco do Google Brasil está em três frentes principais: avanço da inteligência artificial, expansão do mercado de nuvem e maior integração da TV conectada com o YouTube. “Estamos investindo na adoção da IA em empresas de todos os tamanhos, atualizando nossas plataformas e fortalecendo nosso centro de engenharia em São Paulo, que será inaugurado em 2026”, afirma o presidente.

Outro destaque é a atuação do Google em projetos de impacto social e sustentabilidade, diz Coelho. “Estamos investindo no uso da IA para prever mudanças climáticas, melhorar a eficiência energética e apoiar iniciativas como a COP30. A tecnologia pode ser uma grande aliada nessas questões”.

Há também um grande projeto do Google previsto para o início de 2026 no Brasil: o lançamento do Centro de Engenharia em São Paulo. Localizado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da USP, o centro contará com uma equipe de 300 a 400 engenheiros e será um dos mais avançados polos de inovação da empresa no país. “Esse centro é um passo estratégico na expansão da nossa capacidade de desenvolvimento local. Ele não apenas fortalecerá a presença do Google na região, mas também contribuirá significativamente para a formação de novos talentos e para a criação de soluções tecnológicas adaptadas às necessidades do Brasil”, afirma o CEO.

Depois de mais de uma década à frente do Google Brasil, Fábio Coelho continua motivado por meio desses projetos que geram impacto na sociedade. “Acredito que as pessoas devem avaliar suas carreiras e empresas com base em três fatores: aprendizado, ambiente e crescimento. Enquanto eu continuar aprendendo e vendo o impacto do nosso trabalho, estarei feliz no Google”.

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Brasil fica para trás na economia espacial

É impossível pensar a economia moderna, digital, sem a infraestrutura e os serviços a partir do espaço

Por Diego Bonomo – Valor – 29/01/2025 

A economia espacial é estimada em cerca de US$ 385 bilhões, com perspectiva de crescimento exponencial, atingindo US$ 1,8 trilhão em 2035. Dos quase US$ 400 bilhões atuais, três quartos correspondem à iniciativa privada – a indústria do espaço – e apenas um quarto a orçamentos de governos. Embora o orçamento público ainda tenha papel fundamental para alavancar a demanda e liderar a exploração científica de alto risco, a era da corrida espacial da Guerra Fria, na qual agências estatais monopolizavam a competição por marcos de domínio tecnológico e exploração do Sistema Solar, ficou para trás.

Hoje, a economia espacial é liderada por um conjunto vibrante de conglomerados empresariais, empresas de médio porte, startups e unicórnios. Além disso, essa economia passou a ser parte integral do cotidiano de governos, empresas e indivíduos. Desde o aplicativo para entrega de comida que utiliza georreferenciamento e o comerciante que usa terminal próprio para conectar seu celular diretamente à uma constelação de satélites, ao agricultor que depende de dados sobre meteorologia para proteger e potencializar suas colheitas e ao banco que realiza pagamentos instantâneos, é impossível pensar a economia moderna, digital, sem a infraestrutura e os serviços a partir do espaço.

A despeito da economia espacial ser majoritariamente relacionada à órbita da Terra – com a manufatura de satélites e equipamentos, e a prestação de serviços relacionados a eles correspondendo a mais de 70% dessa economia -, há uma fronteira de valor em expansão, em diversas direções. Um exemplo são os serviços de lançamento, hoje liderados pela iniciativa privada e que já somam mais de US$ 7 bilhões por ano. Em 2024, atingiu-se recorde histórico, com 258 lançamentos orbitais bem-sucedidos, mais da metade dos quais para atender à demanda de empresas. Outro exemplo é a emergente base industrial para atividades na Lua, que abrange mais de 50 empresas. Essa economia lunar incluirá transporte de carga e de pessoas, transmissão de dados, geração, transmissão e distribuição de energia, abastecimento e gestão de resíduos, manufatura e extração de recursos naturais.

A economia e a exploração espaciais são lideradas por três países e blocos: Estados Unidos, China e União Europeia. Americanos, chineses e europeus competem em pelo menos três frentes. A primeira é a criação de uma infraestrutura espacial com foco em defesa e segurança, já que o espaço é – também – um domínio de conflito armado. A segunda é a exploração do Sistema Solar, com a busca de novos marcos, como o estabelecimento da primeira presença humana permanente na Lua e o primeiro voo tripulado para Marte. E a terceira é o incentivo para a expansão da indústria do espaço, com políticas públicas voltadas para esse objetivo.

Somam-se a esses três líderes outros países relevantes. A Rússia, por exemplo, tenta impulsionar seu programa de exploração espacial utilizando-se do legado da extinta União Soviética. Já a Índia apresenta-se como futuro competidor entre os líderes, tendo realizado seu primeiro pouso bem-sucedido de sonda e robô móvel na Lua, em 2023, e apresentado, há poucos meses, um programa ambicioso de exploração, que inclui a construção de uma estação espacial própria, além de incentivar a criação de startups.

Diante desse quadro, a pergunta relevante é: e o Brasil?

A resposta é simples e desanimadora: o Brasil ficou para trás. O país, que é uma das dez maiores economias do mundo, possui infraestrutura espacial desde os anos 1960, agência espacial há mais de 30 anos e ativos relevantes, como o Centro Espacial de Alcântara, mas parece ter-se esquecido de participar da nova corrida espacial. Além disso, acumula um histórico que gera pouca esperança.

Por exemplo, em 1996, o Brasil ingressou no projeto de construção da Estação Espacial Internacional, mas, por não realizar as entregas sob sua responsabilidade, foi, na prática, expulso em 2007.

Em 2000, o país assinou um acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos para viabilizar sua entrada na economia espacial, que não foi votado pelo Congresso Nacional. Teve que ser renegociado quase 20 anos depois e foi aprovado apenas em 2019.

Francisco Gaetani e Virgílio Almeida: A Europa se move

Em 2003, o veículo lançador brasileiro foi destruído por um incêndio seguido de explosões. Após a tragédia, em 2006, o país embarcou em uma parceria com a Ucrânia, criou uma empresa binacional para desenvolver um novo veículo, mas nunca produziu e lançou o foguete. A parceria foi interrompida em 2015 e o contribuinte brasileiro não recebeu uma explicação satisfatória sobre o que aconteceu com essa “Itaipu do espaço”.

Em 2018, por falta de pagamento, o Brasil foi expulso do Observatório Europeu do Sul, dedicado à pesquisa científica.

Os fatos recentes carregam ambiguidade. De um lado, há potenciais avanços, como o acordo para encerrar uma disputa por terra de 40 anos envolvendo a base de Alcântara e o novo marco legal de atividades espaciais. De outro lado, há anacronismos, como a recém-publicada política industrial, que tem uma menção tímida à economia espacial e apenas vinculada à atuação das Forças Armadas, sem o foco na iniciativa privada.

O Brasil não tem mais tempo a perder. As órbitas espaciais e as frequências de telecomunicação alocadas para o uso por satélites, ambos recursos finitos, começam a escassear e deverão ser objeto de disputas nas próximas décadas, tanto entre países quanto entre empresas. Assim, o país corre o risco de ficar de fora de uma das principais fronteiras de valor e de um ambiente estratégico fundamental deste século.

É preciso que o governo federal priorize a ampliação da participação do Brasil na economia do espaço como produtor e prestador de serviço. Para tanto, precisa aperfeiçoar as políticas públicas para gerar os incentivos corretos à expansão da indústria espacial, com a participação ativa do capital nacional e estrangeiro, e aprofundar a cooperação com os Estados Unidos, o país-líder no setor e cuja experiência recente de migração para um modelo com ampla atuação da iniciativa privada pode oferecer lições valiosas para o avanço brasileiro.

Diego Bonomo é assessor sênior do Covington & Burling, em Londres.

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Gás demanda R$ 140 bi em investimentos em dez anos e atrai capital privado

Petrobras ainda tem força na oferta do produto, mas outros segmentos já contam com participação de grupos privados, como Eneva e Energisa

Alexa Salomão e Nicola Pamplona – Folha – 2.fev.2025

A disputa de pesos pesados do capital privado brasileiro no setor de gás mira um mercado que vai demandar ao menos R$ 140 bilhões em investimentos nos próximos dez anos apenas da boca do poço para a frente, sem contar com exploração e produção.

Cinco grandes grupos estão se posicionando no setor, não apenas no âmbito dos negócios, mas também nos bastidores da política, uma vez que a disputa envolve concessões públicas.

São eles Eneva, cujo principal acionista é o banco BTG, de André Esteves, Âmbar, braço de energia da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, grupo Cosan, de Rubens Ometto, com Compass e Commit, o grupo Energisa, da Família Botelho, e a Termogás, do empresário Carlos Suarez.

Juntas, essas empresas investiram cerca de R$ 35 bilhões nos últimos dez anos para buscar posições no setor.

Embora seja um combustível fóssil, o gás é visto como alternativa a produtos mais poluentes, como diesel no transporte público e de carga ou carvão na indústria. Também passou a ser considerado fundamental para dar segurança energética à medida que o país passa a depender das renováveis, cuja geração oscila muito. Em outras frentes, é importante para elevar a produção nacional de fertilizantes e é um substituto ao botijão de gás e ao chuveiro elétrico.

O gás natural tem uma cadeia longa e fragmentada. Na ponta inicial estão exploração e extração. Na sequência vem o processamento, para torná-lo apto à venda, ou a reigasificação, caso o produto chegue em navios na versão GNL (Gás Natural Liquefeito). Então, ele é transportado via gasodutos. Na ponta final fica a distribuição ao consumidor final —residências, empresas, postos de combustíveis e usinas térmicas para geração de energia elétrica.

Estão no radar projetos associados a biometano, que quimicamente é similar ao gás natural, mas produzido a partir de resíduos.

“O gás natural é conhecido como um combustível de transição”, diz o CEO da Eneva, Lino Cançado. “O problema do mundo é reduzir emissões, e há alternativas que reduzem emissão e outras que eliminam. A substituição de diesel por gás, por exemplo, reduz bastante.”

A empresa investiu R$ 14 bilhões nos últimos dez anos em exploração e produção de gás e na geração de energia térmica.

É quarta em produção de gás, atrás de Petrobras, Shell e Total, e segunda quando se considera apenas exploração em terra, onshore. Tem 25%, enquanto a Petrobras tem metade.

Energia Limpa

Dona de 11 usinas a gás, que somam 4.455 MW (mega-watt) de potência, tem o equivalente a praticamente 25% da capacidade do parque térmico a gás do país. Ainda aposta na venda do combustível para frotas de caminhões de transporte de grãos e para indústrias.

Em 2024, a empresa passou a ser controlada pelo BTG, do banqueiro André Esteves, em operação que envolveu a incorporação de usinas térmicas do banco. Esteves chegou a pensar em voo solo na área, mas entendeu que seria melhor investir numa empresa focada no setor.

Quem tem ambição de traçar caminho similar é a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O grupo entrou no setor em 2015, quando comprou a usina de Cuiabá e criou a Âmbar Energia. Recentemente, acelerou as aquisições. Já possui 16 usinas a gás, cuja potência equivale a pouco mais de 20% do total de térmicas em operação. Nos últimos dez anos, investiu R$ 11 bilhões para ampliar a capacidade de geração própria, R$ 8 bilhões em gás natural.

Desmatamento representa 38% do total de gases de efeito estufa do Brasil, liderando as origens de emissão; valor é superior a todas as emiss 

Em 2023, deu um passo adicional e comprou uma pequena empresa para prospectar gás natural, a Fluxus, que já anunciou a compra de campos produtores na Argentina e na Bolívia, e declarou interesse em atuar na Venezuela. A ideia é entrar também no suprimento para abastecer suas próprias térmicas e eventuais clientes no país.

O investimento de Eneva e J&F para ter o próprio gás faz parte da estratégia de buscar autonomia. Um dos maiores defensores do uso do gás no país, Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infra Estrutura), lembra que o fim do monopólio da Petrobras no gás tem sido lento, especialmente nesse segmento.

“Os investimentos privados estão aí para mostrar que evoluímos, e a concorrência aumenta, mas a Petrobras ainda controla 80% da comercialização do gás, que é parte estratégica”, afirma Pires.

O negócio com distribuidoras de gás tem outro perfil. A Petrobras ainda tem contratos de fornecimento, mas vendeu as suas participações, deixando o ambiente mais competitivo para o investidor privado.

O ano passado, por exemplo, marcou uma aposta maior da Energisa nesse mercado. Forte em distribuição de energia elétrica, o grupo entrou na distribuição de gás em 2023, ao adquirir a ES Gás. A empresa consolidou a presença em 2024 comprando 51% da Norgás, holding com participação em distribuidoras de gás em quatro estados do Nordeste.

“É um posicionamento muito claro da Energisa de colocar o pé nesse mercado, que ela entende como promissor, não só para o gás natural, mas também para o biometano”, afirma Debora Oliver, diretora-presidente de Negócios de Gás da companhia.

Oliver explica que a estratégia é aproveitar o gás produzido localmente para oferecer o combustível a polos industriais no interior. Também almeja usar o gás como alternativa ao diesel em eixos logísticos do transporte de carga. Identifica ainda boas oportunidades no Programa ES Mais+Gás, lançado pelo Governo do Espírito Santo para fomentar a produção de biometano no estado.

Somando aquisições e expansões, o grupo já investiu R$ 2,4 bilhões em gás.

A empresa mais tradicional no setor é a Termogás, fundada em 1998 pelo empresário Carlos Suarez. Pode-se dizer que Suarez é um precursor entre os agentes privados deste mercado. Foi o primeiro a questionar o alto volume de reinjeção de gás no pré-sal, usado para elevar a produção de petróleo e que considera um desperdício da molécula, e também a falta de infraestrutura para transporte —um problema que afeta especialmente as áreas em que atua.

A rede de gasodutos do Brasil é minúscula. Equivale, por exemplo, a cerca de um terço da rede argentina.

Em associações com governos de estado, a Termogás tem participações em oito distribuidoras de gás no Norte, Nordeste e Centro Oeste, mas cinco são qualificadas pela empresa como pré-operacionais, por falta de acesso garantido ao insumo. A Termogás tem ainda autorização para a construção de 8.600 quilômetros de dutos.

O grupo Cosan, muito conhecido pela tradição em renováveis a base de cana, entrou no segmento de gás natural em 2012, ao adquirir a concessão da Comgás, que atende a região metropolitana de São Paulo. Em 2020, consolidou os negócios de gás na Compass, que agora tem novos braços.

A Committ domina o segmento de distribuição no Sul e em parte do Sudeste e a Edge amplia a aposta na comercialização de biometano e gás no mercado livre, seja o GNL importado pelo terminal próprio que instalou na Baixada Santista, seja fornecido por caminhões.

A companhia investiu mais de R$ 10 bilhões no setor desde 2020, com o objetivo de “formar um portfólio robusto de ativos e tornar a empresa um case de geração de valor com resultados consistentes”, disse em nota. O grupo Cosan vive agora uma reestruturação, e ainda não se sabe como fica o gás na equação final.

Gás demanda R$ 140 bi em investimentos em dez anos – 02/02/2025 – Mercado – Folha

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Análise: Cresce especulação de grande barganha entre Trump e China

O enredo sugere que Washington e Pequim poderiam negociar um acordo de divisão do mundo que resolveria vários problemas para ambos, além de evitar um choque direto entre as duas potências

Por Humberto Saccomandi, Para o Valor — 01/02/2025 

Uma grande especulação, que já vem de alguns meses, está ganhando força no mundo diplomático, político e acadêmico global desde a posse de Donald Trump nos EUA. O enredo sugere que Washington e Pequim poderiam negociar um acordo de divisão do mundo que resolveria vários problemas para ambos, além de evitar um choque direto entre as duas potências. Há sinais de que isso pode estar sobre a mesa nas duas capitais.

Uma versão básica dessa negociação envolveria a disposição de Trump de abandonar a proposta de aplicar tarifas punitivas de até 60% sobre produtos chineses em troca de Pequim pressionar a Rússia a encerrar a guerra na Ucrânia, que em 24 de fevereiro fará três anos. Moscou depende do apoio chinês para o seu esforço de guerra, assim como a Ucrânia depende do apoio americano. Isso dá alavancagem a Pequim e Washington para pressionar os dois lados em conflito. A parceria com a Rússia é certamente importante para a China, mas perder o mercado dos EUA e da Europa pode trazer um prejuízo econômico difícil de calcular para os chineses, especialmente num momento em que a economia do país enfrenta dificuldades.

O fim da guerra traria ainda benefícios à economia global, pois poderia reduzir o preço do petróleo, do gás, dos fertilizantes e de commodities agrícolas exportadas pelos países em guerra, como trigo e girassol. Isso poderia gerar queda da inflação e acelerar cortes de juros pelo mundo. O jornal britânico “Financial Times” informou, nesta semana, que a União Europeia está debatendo voltar a comprar gás russo caso haja acordo de paz na Ucrânia. E Trump poderia, assim, reivindicar o seu almejado Nobel da Paz, que ele parece ver como um reconhecimento da sua capacidade de negociação e da sua condição de estadista.

O que mais estaria na pauta do acordo

Uma reportagem publicada na quinta-feira (30) pela revista britânica “The Economist” sugere que uma eventual negociação entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, poderia ser bem mais abrangente. Envolveria ainda: uma solução para o caso da rede social chinesa TikTok; uma possível mudança na política americana para Taiwan, que passaria a se opor à independência da ilha (hoje não há clareza sobre isso); e o possível envio de forças de paz chinesas (e talvez de outros países do Brics, inclusive do Brasil) para a Ucrânia. Em discurso por vídeo no recente Fórum Econômico Mundial de Davos, Trump defendeu ainda a desnuclearização dos EUA, da Rússia e da China, possivelmente se referindo à redução, e não à eliminação, dos arsenais nucleares, que drenam recursos dos países.

Mas, principalmente, uma negociação desse tipo abriria caminho para uma governança global baseada num G2, com EUA e China liderando suas respectivas esferas de influência.

Isso seria algo parecido com o que ocorreu na Conferência de Ialta, que no dia 4 de fevereiro completará 80 anos. Quando a Segunda Guerra Mundial estava acabando, EUA, União Soviética e Reino Unido, as potências vencedoras, na prática dividiram o mundo em dois blocos, um capitalista, sob a liderança de Washington, e outro comunista, com Moscou à frente.

Não está clara a situação da Rússia numa possível grande barganha entre EUA e China. Nesta semana, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que está pronto para negociar a paz na Ucrânia, mas com Trump, e não com os ucranianos. Segundo a mídia russa, Moscou programou uma intensa celebração dos 80 anos de Ialta, cidade ucraniana que, à época, pertencia à URSS. Parece ser uma tentativa de conseguir um lugar à mesa com EUA e China.

“Nova Ialta”

Repercutiu fortemente na mídia russa, nesta semana, uma análise do colunista Andreas Kluth, da agência de notícias Bloomberg, que dizia que “o mundo está condenado a uma nova Ialta entre Trump, Putin e Xi, isto é, a um novo pacto global pós-guerra”. O colunista chama, porém, os três líderes de imperialistas e diz que “será um pacto entre imperialistas baseado não em uma visão ideológica grandiosa, mas apenas na noção de que a força é certa e a coerção é justa. Isso pode levar à guerra entre eles se não conseguirem chegar a um acordo sobre os despojos. E, certamente, condenará alguns países pequenos que se encontram no meio”.

Um “grande e bonito” acordo com a China, como descreveu a “Economist”, usando uma expressão típica de Trump, poderia abrir caminho ainda para que os EUA assumissem o controle direto da Groenlândia e do Canal do Panamá, contra o qual Pequim não teria muitas objeções.

Em favor dessa especulação há o comportamento cauteloso, quase amistoso, entre Trump e Pequim neste início de novo governo nos EUA. Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu aplicar tarifas punitivas contra produtos chineses, de até 60%. Essa ameaça sumiu do discurso oficial desde a posse. O presidente já anunciou tarifas de 25% contra o México e o Canadá, dois países aliados (mas com governos de esquerda), e somente 10% contra produtos chineses. Xi enviou para a posse de Trump o vice-presidente chinês, Han Zheng, um seu aliado próximo, num sinal de deferência. Nos últimos dois meses, Trump disse em ao menos duas ocasiões que, juntos, EUA e China podem resolver muitos problemas globais. O americano também assinou um decreto dando mais tempo para a resolução do caso TikTok (o app havia sido proibido pela Justiça americana) e pediu ajuda da China para resolver o conflito na Ucrânia.

Divergências de longo prazo

Uma eventual aproximação com a China renegaria as promessas de campanha de Trump de endurecer a disputa estratégica com o rival. E poderia gerar oposição de membros mais anti-China no governo e no Congresso americanos. E causaria imensa preocupação em aliados dos EUA pelo mundo.

Além disso, há divergências de longo prazo entre os países, como a disputa pela primazia em áreas de alta tecnologia, que dificilmente poderiam ser resolvidas. Mas elas podem ser adiadas. Trump precisa apenas que os próximos quatro anos sejam de paz e prosperidade, para avançar a sua agenda conservadora e buscar um lugar entre os maiores presidentes dos EUA (e talvez entre os rostos esculpidos no Monte Rushmore). Afinal, a disputa entre EUA e China marcará este século, mas não precisa, necessariamente, contaminar os próximos anos.

Em favor dessa ampla negociação com Pequim estão a admiração declarada de Trump por sistemas de governo autoritários, como o chinês, e o senso pragmático e negocial do presidente americano, especialmente quando ele percebe um bom acordo em que pode se vangloriar de ser o vencedor.

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DeepSeek chegou ao mercado trazendo medo e ‘drama’ para as empresas americanas

Fabricante de modelos de IA chinês deixou os investidores em pânico. Mas é bom para os usuários de IA

Por Estadão/The Economist – 01/02/2025 

A reação do mercado, quando veio, foi brutal. Em 27 de janeiro, quando os investidores perceberam o quão bons eram os modelos “v3″ e ” R1″ da DeepSeek, eles eliminaram cerca de US$ 1 trilhão da capitalização de mercado das empresas de tecnologia listadas nos Estados Unidos. A Nvidia, fabricante de chips e principal vendedora da corrida do ouro da inteligência artificial (IA), viu seu valor cair em US$ 600 bilhões. No entanto, mesmo que os novos lançamentos da fabricante chinesa de modelos de IA tenham abalado os investidores em um punhado de empresas, eles devem ser um motivo de otimismo para o mundo em geral. A DeepSeek mostra como a competição e a inovação tornarão a IA mais barata e, portanto, mais útil.

Os modelos da DeepSeek são praticamente tão bons quanto os feitos pelo Google e Open AI — e foram produzidos por uma fração do custo. Proibida pelos controles de exportação americanos de usar chips de ponta, a empresa chinesa empreendeu uma campanha de eficiência, até mesmo reprogramando os chips que usou para treinar o modelo para extrair cada gota de energia. O custo de construir um modelo de IA que pode ficar de igual para igual com os melhores despencou. Poucos dias após seu lançamento, o chatbot da DeepSeek foi o aplicativo mais baixado no iPhone.

O contraste com a abordagem dos Estados Unidos não poderia ser mais gritante. Sam Altman, o CEO da OpenAI, passou anos dizendo aos investidores — e ao novo presidente dos Estados Unidos — que grandes somas de dinheiro e poder de computação são necessárias para permanecer na vanguarda da IA. Os investidores têm, portanto, apostado que um punhado de empresas está prestes a colher grandes rendas semelhantes a monopólios. No entanto, se seguidores rápidos como a DeepSeek podem corroer essa liderança por uma fração do custo, então esses lucros potenciais estão em risco.

A Nvidia se tornou a empresa listada mais valiosa do mundo graças a uma crença generalizada de que construir a melhor IA exigia pagar os olhos da cara pelos seus melhores chips (nos quais suas margens de lucro são relatadas como excedendo 90%). Não é de se espantar que o sucesso da DeepSeek tenha levado a uma surra no mercado de ações para a fabricante de chips em 27 de janeiro. Outros no negócio de data center também estão lambendo suas feridas, da Siemens Energy (que teria construído as turbinas para alimentar a construção) à Cameco (que teria fornecido o urânio para abastecer os reatores para girar as turbinas). Se a OpenAI tivesse sido listada na bolsa, suas ações certamente teriam caído também.

No entanto, há muito mais vencedores do que perdedores no drama do DeepSeek. Alguns deles estão até mesmo dentro da tecnologia. A Apple estará comemorando que sua decisão de não investir bilhões na construção de capacidades de IA valeu a pena. Ela pode sentar e escolher os melhores modelos de uma seleção recém-comoditizada. Laboratórios menores, incluindo o Mistral da França e o TII dos Emirados, estarão correndo para ver se conseguem adotar as mesmas melhorias e tentar alcançar seus maiores rivais.

Além disso, ganhos de eficiência provavelmente resultarão em maior uso de IA. O paradoxo de Jevons — a observação de que maior eficiência pode levar a mais, não menos, uso de um insumo industrial — pode entrar em jogo. As possíveis aplicações para um modelo de linguagem com custos de computação tão baratos quanto os da DeepSeek (US$ 1 por milhão de tokens) são muito mais numerosas do que as da Anthropic (US$ 15 por milhão de tokens). Muitos usos para IA mais barata ainda são inimagináveis.

Mesmo a Nvidia pode não sofrer muito a longo prazo. Embora sua influência no mercado possa ser diminuída, ela continuará a vender chips em grandes quantidades. Modelos de raciocínio, incluindo o R1 da DeepSeek e o o3 da OpenAI, exigem muito mais poder de computação do que os modelos convencionais de grandes linguagens para responder a perguntas. A Nvidia espera fornecer um pouco disso.

No entanto, os verdadeiros vencedores serão os consumidores. Para que a IA transforme a sociedade, ela precisa ser barata, onipresente e fora do controle de qualquer país ou empresa. O sucesso da DeepSeek sugere que tal mundo é imaginável. Veja a Grã-Bretanha, onde Sir Keir Starmer, o primeiro-ministro, revelou um plano para usar a IA para aumentar a produtividade. Se ele não precisar pagar a maior parte dos ganhos de eficiência de volta à Microsoft em taxas de uso, sua proposta tem uma chance maior de sucesso. Quando os aluguéis dos produtores desaparecem, eles permanecem nos bolsos dos usuários.

Alguns começaram a sugerir que as melhorias do DeepSeek não contam porque são uma consequência da “destilação” da inteligência dos modelos americanos em seu próprio software. Mesmo que fosse assim, o R1 continua sendo uma inovação revolucionária. A facilidade com que a DeepSeek encontrou maior eficiência estimulará a competição. Isso sugere que muitos outros ganhos semelhantes ainda estão para ser descobertos.

Por dois anos, os maiores laboratórios de IA americanos têm competido para fazer melhorias cada vez mais marginais na qualidade de seus modelos, em vez de modelos que são baratos, rápidos e bons. A DeepSeek mostra que há uma maneira melhor./THE ECONOMIST

DeepSeek chegou ao mercado trazendo medo e ‘drama’ para as empresas americanas – Estadão

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Medo da criminalidade afasta negócios e leva regiões do Brasil à desindustrialização

Fuga de investimentos, trabalhadores e turistas é consequência da insegurança; turismo é um dos setores mais prejudicados

Por Carlos Eduardo Valim – Estadão – 26/02/2024

Os gastos diretos das empresas brasileiras para evitar episódios de violência podem ser mensurados por meio dos custos com segurança patrimonial e seguros, sem contar as perdas causadas por roubos de produtos e equipamentos. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que as companhias do País gastam, por ano, cerca de R$ 171 bilhões com segurança, o equivalente a 1,7% do PIB de 2022.

Mas há uma série de outros custos intangíveis que também afetam as empresas e a economia brasileiras. E eles são de diversas naturezas. Devido aos homicídios, por exemplo, trabalhadores precisam ser substituídos. A troca exige treinamento e tempo para uma pessoa nova ocupar a mesma função da anterior. Regiões violentas afastam investimentos, empresas e indústrias, que precisam migrar para locais mais distantes ou menos estratégicos.

A violência pode levar à desindustrialização de certas regiões. E fazer com que terrenos se desvalorizem. “Além de perda por subtração, por roubo, existe a perda de desvalorização. Por questões de segurança, o valor de um imóvel chega a ser 30% menor do que outro com as mesmas amenidades e espaço”, diz o economista Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea e membro do conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Veja ranking de cargas mais procuradas pelos criminosos no Brasil

Além disso, a mão de obra disponível no futuro também poderá apresentar falhas em sua formação, em um cenário, por exemplo, em que crianças precisam faltar às aulas ou encontram escolas fechadas devido à criminalidade. Áreas consideradas mais violentas também podem afastar trabalhadores e executivos e, para contornar isso, empresas podem ter de pagar salários maiores para convencê-los a ficar na vaga.

Insegurança afeta a economia baseada no turismo, com viajantes evitando alguns destinos, apesar do potencial de lazer e de atratividade Foto: Pedro Kirilos/Estadão

A insegurança afeta ainda a economia baseada no turismo, com viajantes evitando alguns destinos, apesar do potencial de lazer e de atratividade. Como efeito, restaurantes e empresas de serviços perdem receita. O medo de ataques criminosos pode interromper a circulação de cidadãos à noite, gerando o fim da vida noturna em algumas regiões.

Os gastos com proteção, segurança patrimonial e seguros poderiam também ser mais bem empregados em atividades que trazem produtividade. Esse aspecto é chamado de custo de oportunidade, conceito que representa o valor perdido ao se fazer uma escolha entre diferentes alternativas de investimento.

Ainda não foi feito no Brasil um estudo amplo abarcando tantas variáveis, mas pesquisas sobre alguns aspectos isolados e análises de estudiosos dão a dimensão do problema. Estudos de 2007 e de 2014 de Cerqueira, reconhecidos pelo Prêmio BNDES e pela Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec), estimaram em 2,3% o custo para o PIB com os homicídios.

O custo intangível é medido pela disposição à tomada de ações por indivíduos e empresas para evitar violência letal. Em relação ao PIB de 2022, o último com dados completos disponíveis, esses custos chegariam a R$ 252 bilhões ao ano.

“Devido ao risco para as pessoas que vivem numa sociedade violenta, há um custo intangível que gera perdas econômicas, à medida que os indivíduos mudam o padrão de consumo e a forma de consumir”, diz Cerqueira. Exemplo disso são quando as pessoas evitam certas regiões ou sair à noite.

“Quantas pessoas deixaram de viver no Rio de Janeiro ou deixaram de investir na cidade por conta da violência?”, questiona a economista Joana Monteiro, coordenadora do Centro de Ciência Aplicada a Segurança da Fundação Getulio Vargas.

Em sua tese de doutorado, a economista estudou como o fechamento de escolas devido a incidentes de segurança prejudicam o aprendizado. “É a violência causando uma armadilha de pobreza. Ela afeta todo mundo”, diz. “É difícil pensar em cidade mais afetada do que o Rio de Janeiro, desde a qualidade de aprendizado dos seus habitantes mais pobres até o turismo.”

Procurada, a Secretaria de Segurança do Estado do Rio informou que ocorrências de crimes contra o patrimônio e contra a vida caíram no ano passado e que estão sendo feitos investimentos.

O turismo, inclusive, é um dos setores mais citados quando se fala de perdas intangíveis. “Infelizmente, o Brasil acabou sofrendo por décadas com uma percepção de insegurança, que muitas vezes era pior até do que de outros países até mais inseguros”, diz a presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) Nacional, Ana Carolina Medeiros. “Agora, o País está trabalhando cada vez mais a sua imagem, mas ainda é um país que atrai menos viajantes do que o México e do que o Chile, relativamente ao seu tamanho, potencial e população.”

Regiões degradadas

A violência também afasta empresas e investimentos de regiões, mesmo que elas tenham localização estratégica próxima a mercados consumidores e a outros elos da cadeia de produção. O bairro do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, por exemplo, se expandiu devido a um polo fabril que contava com a fabricante de fósforos Cruzeiro, a produtora de vidros Cisper e até uma unidade da gigante industrial americana General Electric, a partir dos anos de 1960.

O polo industrial se beneficiava por ser atravessado por uma linha ferroviária. Mas, com o crescimento desordenado da população no entorno e o aumento das incidências de crimes, as empresas foram deixando a região a partir da década de 1990.

“Segurança pública é uma questão de competitividade. Melhores regiões tendem a reter e atrair investimentos. Onde há mais crimes, existe maior dificuldade para isso. As empresas locais postergam investimentos ou até mudam de região”, diz o gerente de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Isaque Ouverney.

“A segurança é um fator preponderante para a tomada de decisões econômicas.” Para três em cada quatro indústrias do Rio de Janeiro, as decisões de investimentos, em termos de localização, são afetadas pelas condições de segurança, segundo sondagem industrial de 2018, da Firjan.

Concebido na década de 1970, mas inaugurado em seu primeiro trecho apenas em 2014, o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro é um exemplo. Ele foi um projeto longamente pensado como um indutor de desenvolvimento para o entorno da cidade e para desviar o tráfego das principais vias da capital fluminense.

Agora, no entanto, os objetivos de atrair fábricas e centros de distribuição para as redondezas estão sendo prejudicados pelo alto nível de ocorrências de roubos ao longo do seu trajeto. “A cidade perde, a população da região perde e a concessionária da via perde com um menor tráfego”, diz Ouverney.

Os roubos podem causar até falências. Foi o que aconteceu com diversas transportadoras, durante o pico de roubo de cargas no Rio de Janeiro, em 2017. Segundo o estudo Atlas da Violência, do Ipea, 13% das empresas transportadoras faliram, ao mesmo tempo que os preços de algumas mercadorias podem ter aumentado até 30%, devido ao custo do frete e do seguro.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio informou que os números de roubos de cargas “estão em constante queda”, chegando em 2023 ao menor patamar desde 1999, e que os crimes contra a vida também vêm registrando redução.

“A letalidade violenta (homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte, morte por intervenção de agente do Estado e roubo seguido de morte) apresentou queda significativa em 2023, alcançando a menor marca em 32 anos”, informou a secretaria.

“As reduções dos crimes contra o patrimônio e contra a vida são resultado do forte investimento — R$ 2,5 bilhões — que o governo do Estado do Rio vem fazendo em tecnologia, inteligência e treinamento das forças policiais e do trabalho integrado das polícias Civil e Militar”, concluiu.

A segurança no Arco Metropolitano, ainda segundo o governo fluminense, é de atribuição da Polícia Rodoviária Federal.

Medo da criminalidade afasta negócios e leva regiões do Brasil à desindustrialização – Estadão

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Temos tanto a dizer?

Precisamos de uma alternativa intelectualmente mais sustentável, ambientalmente mais amigável e mentalmente mais saudável do que o dilema das redes

Por Isabel Clemente – Valor – 31/01/2025 Carioca, é formada em Jornalismo pela PUC-Rio e mestre em Escrita Criativa pela Royal Holloway, University of London

Você não vai postar nada sobre a peça que assistiu? Já faz quatro dias. Grava logo um vídeo sobre este livro porque você já terminou dois e não escreveu nada. Essa é a voz na minha cabeça me cobrando mais conteúdo para as redes sociais. Tem uma outra voz aqui dentro, no entanto, que enxerga problemas nessa acelerada produção e é ela quem vai falar agora.

Primeiro: a criação infinita de conteúdo usa uma quantidade cavalar de energia para manter nuvens que, de nuvens, não têm nada. São concretas e ocupam infraestrutura terrena. Produzem lixo. Gastam água. E precisam de energia, quase sempre gerada com emissão de gases do efeito estufa, que se vingam de nós na forma de incêndios florestais, inundações e tufões.

Segundo: produzir cada vez mais empurra a sociedade para o uso sem limites da inteligência artificial, porque poupa tempo e pensamento. O neurocientista Miguel Nicolelis, aquele do exoesqueleto, disse, numa entrevista ao Deu Tilt, podcast do UOL, que o marketing da inteligência artificial está muito bem-feito. “Se tudo o que você vai fazer daqui pra frente é baseado em um banco de dados do que já foi feito, você não tem futuro”, afirmou Nicolelis.

Terceiro: tudo o que é demais enjoa, como dizia minha mãe na tentativa de frear meus afãs juvenis. Eu achava aquele papo chatíssimo e cá estou décadas depois do fim da minha adolescência me achando um pouco adolescente e concordando com ela. Há um excesso de conteúdos enjoativos, porque repetitivos, porque feitos para constar.

Especialistas em marketing digital já me disseram que, para tornar meu trabalho mais conhecido, eu deveria postar um vídeo por dia, de preferência, três. Dois problemas aí. Primeiro: nem eu me aguento tanto. Segundo: como fica a vida lá fora? Estou com mania de enumerar problemas hoje.

Os especialistas me contam que, no caso dos livros digitais, que pagam por página lida, eu poderia faturar publicando um livro por mês. Tem quem faça e você sabe à custa de quê: qualidade do texto e saúde mental. Esse ritmo é insano. Ninguém tem tanto a dizer em tão pouco tempo. Ninguém consegue ser relevante com essa frequência nem viver em paz com essa pressão. Textos precisam dormir e ideias, assimiladas. Tem um processo de decantamento do conhecimento que está sendo atropelado em nome da quantidade.

Máquinas de produzir conteúdo podem funcionar bem com mais gente envolvida. A qualidade tende a melhorar. Tem muita coisa boa em meio ao frenesi. Tem improviso que presta. Já a turma do eu sozinho, que é a maioria, com boleto para pagar e que só quer sobreviver, vai se esforçar e se repetir e baixar a guarda e opinar sobre tudo e prometer algo fantástico para o fim do vídeo e chegar ao fim sem ter o que dizer de novidade porque haja conteúdo.

A filósofa e escritora Marilena Chauí, em entrevista recente, explica o que chamou de “nova subjetividade produzida pelo mundo digital”, onde é preciso ser visto para existir. “Ser visto é a primeira marca do narcisismo. Mas, como para ser visto você depende do olhar do outro, algo que a gente não controla, como Freud dizia, o narcisismo é inseparável da depressão”, diz. Logo, essa subjetividade nova “é narcisista, depressiva e depende desesperadamente do olhar alheio”.

Eu vivo o dilema das redes. Preciso e rejeito. Conheci pessoas incríveis e desperdicei meu tempo. Estou na turma do eu sozinho tentando dissociar meu terabyte na nuvem da mudança climática. Alimento a fera com reservas e me sinto numa encruzilhada. Desaparecer não é uma opção. Produzir loucamente também não.

Talvez parte da solução esteja nos movimentos de resistência, aqueles do slow alguma coisa. Ou quem sabe as big techs um dia (devidamente pressionadas) revertam a lógica em vigor, apostando num critério que desacelere todo mundo em nome da qualidade. Em defesa do meu direito de ser utópica, lembro que, quando eu era menina, ninguém imaginou onde estaríamos agora. Mentira. Imaginar até imaginou, mas não com o grau de perversão que a humanidade acrescentou. Se a capacidade humana para surpreender é ilimitada, para fazer o certo também tem que ser.

Precisamos de uma alternativa intelectualmente mais sustentável, ambientalmente mais amigável e mentalmente mais saudável. Desconfio que é no mundo de verdade, onde comemos, dormimos, amamos e sofremos, lá onde poucos têm a chance de nos espiar e onde somos erros e acertos, que o conhecimento se esconde. É lá, portanto, onde encontraremos as respostas para as perguntas em aberto. E essa procura não rende três reels por dia.

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Operação de portos marítimos está no centro das acusações de Trump sobre influência chinesa no Canal do Panamá

Rota é controlada por estatal panamenha, mas depende de investimentos estrangeiros para melhorar sua infraestrutura; EUA há anos não participam das grandes licitações

Por Thayz Guimarães – O Globo – 25/01/2025   

Desde que foi eleito, Donald Trump tem dito que irá retomar o controle do Canal do Panamá e que, para isso, poderia usar a força militar. Ele alega que o controle efetivo da via é feito pela China, o que infringiria os acordos de neutralidade que envolvem o canal. Não há nenhuma evidência pública que sugira isso, mas o que as acusações de Trump revelam é uma preocupação com o aumento da presença chinesa no entorno estratégico dos EUA.

O canal é administrado pela Autoridade do Canal do Panamá, uma entidade estatal que controla o tráfego e as operações da via marítima. Nos últimos anos, porém, empresas chinesas têm aumentado sua influência em diversos negócios na região e o governo chinês estreitado relações com o Panamá, cobrindo demandas de infraestrutura na região.

Inaugurado em 1914, o Canal do Panamá é vital para o transporte marítimo global, sendo a rota mais segura e eficaz entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Por ele passam cerca de 6% do comércio mundial, nos cerca de 14 mil navios que fazem a rota todos os anos. O estreito de 82 quilômetros também conecta 1.920 portos em todo o mundo.

— A China opera o Canal do Panamá, e não demos ele à China, demos ao Panamá. E vamos recuperá-lo — ameaçou Trump em sua posse.

Reviravolta diplomática

No entorno do canal há quatro importantes portos de contêineres (Manzanillo, Balboa, Cristóbal e Colón), onde os navios esperam a passagem e podem realizar carga e descarga. Dois deles são controlados pela Panama Ports Company, uma subsidiária da Hutchison Ports, com sede em Hong Kong. Um quinto porto está sendo construído e será controlado pelo consórcio chinês Landbridge na Zona Franca de Colón, a maior zona de livre comércio do Ocidente.

A Panama Ports Company venceu uma licitação quase sem concorrência do governo panamenho em 1997 para administrar os portos de Balboa, no Atlântico, e Cristóbal, no Pacífico, por 25 anos — uma concessão que foi prorrogada em 2022 até 2047. Na época, um relatório do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA concluiu que o controle dos portos panamenhos pela Hutchison não era uma ameaça direta à segurança nacional, diz Daniel Runde, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês).

“No entanto, após as restrições impostas pela China à autonomia de Hong Kong em 2020, o fato de dois grandes portos serem gerenciados por uma holding com sede em Hong Kong se tornou uma preocupação de segurança maior”, afirmou em artigo, referindo-se à Lei de Segurança Nacional, que cerceia a autonomia judicial do território.

Soma-se a isso o rompimento diplomático do Panamá com Taiwan e seu posterior reconhecimento do modelo chinês, em junho de 2017. A reviravolta ainda foi seguida, já na semana seguinte, pelo início das obras da Landbridge e, cinco meses depois, pela adesão do Panamá — a primeira da América Latina — à Iniciativa Cinturão e Rota, um projeto de infraestrutura e investimento global trilionário capitaneado por Pequim.

Desde então, a China passou a investir pesadamente em projetos de infraestrutura estratégica que incluem portos em ambas as extremidades do canal — entre eles um porto de cruzeiros de US$ 206 milhões na entrada pelo Pacífico — telecomunicações e projetos rodoviários no valor de mais de US$ 2,5 bilhões. Atualmente, um consórcio chinês também está a cargo da construção da quarta ponte sobre o Canal do Panamá, um megaprojeto avaliado em US$ 1,3 bilhão em 2023 e para o qual as empresas americanas se recusaram a concorrer.

Falta de investimento

O governo Trump teme que esses portos possam ser usados como um gargalo para impedir o comércio internacional ou mesmo como espaço de manobras estratégicas em um cenário hipotético de confronto aberto entre os EUA e a China — navios de guerra são autorizados a cruzar o canal em atividades pacíficas. Também critica as taxas pagas por embarcações americanas para cruzar a via. São uma “piada completa”, declarou o presidente americano.

É verdade que as taxas de trânsito do Canal do Panamá aumentaram nos últimos anos, mas não pelos motivos que Trump alega. Elas são calculadas usando uma fórmula universalmente aplicável que considera, entre outros fatores, o tamanho da embarcação, a urgência da reserva e o produto transportado. Porém, a seca de 2023 e 2024 provocou uma forte restrição ao número de navios que podiam transitar pelo canal, gerando perda de receita, o que a Autoridade do Canal tentou contornar elevando os preços.

— É um argumento fátuo [o de Trump] que encobre a intenção de que o Panamá deve reduzir ao mínimo as relações com a China — disse à AFP o professor panamenho de Relações Internacionais Euclides Tapia.

Os EUA são o principal parceiro comercial e de investimentos do Panamá: em 2023, o comércio entre as duas nações ultrapassou US$ 12 bilhões, e o valor do estoque de investimento estrangeiro direto dos EUA no país caribenho quase chegou a US$ 4 bilhões. Mas há anos os americanos não atendem às necessidades de investimento em infraestrutura do país, enquanto as empresas chinesas entraram em cena para preencher esse vazio, alertam Andrew Sanders e Ryan Berg, do CSIS.

“As empresas privadas americanas não se envolveram em nenhum grande projeto de infraestrutura no Panamá nas últimas décadas. O exemplo mais notável (…) foi durante a enorme expansão da eclusa do canal, que ampliou significativamente sua capacidade. Ela foi inaugurada em 2016 e construída por um consórcio estritamente europeu”, disseram em artigo publicado na semana passada, lembrando ainda que o primeiro navio a transitar por elas foi de propriedade da chinesa Cosco”.

Como parte dos tratados de 1977, nos quais os EUA entregaram o canal ao Panamá em 1999, os panamenhos se comprometeram a garantir que a hidrovia fosse permanentemente aberta a todos os países. Contudo, nestes acordos há emendas introduzidas pelos EUA sobre a possibilidade de Washington usar força militar unilateralmente para “defender o canal contra qualquer ameaça” de fechamento.

— Somente fabricando uma operação de falsa bandeira, por meio de uma operação secreta, Trump poderia justificar o uso de força militar no Panamá, e isso exclusivamente para manter o canal aberto, não para tomá-lo e usá-lo economicamente — diz Tapia.

Operação de portos marítimos está no centro das acusações de Trump sobre influência chinesa no Canal do Panamá

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Cinco tendências de IA que podem mudar a experiência do cliente no futuro

Avanços da IA impactam em áreas do consumo como relação de empresa com clientes e forma como compras são feitas

Por Mauricio Benvenutti – Estadão – 28/01/2025 

Recém voltei da NRF, um dos maiores eventos de varejo do mundo, realizado em Nova York. Diferente do ano passado, em que a inteligência artificial (IA) dividiu os holofotes com outros temas, neste ano ela dominou a agenda. A edição de 2025 encarou a realidade e apresentou a IA como o divisor de águas que está transformando o varejo para sempre.

Além dos insights óbvios relacionados a ganho de eficiência e melhoria da experiência do cliente, destaco cinco tendências que vão além disso.

1) A Nvidia mostrou o Omniverse, plataforma para criar mundos digitais e simular ambientes físicos em tempo real. A rede de materiais de construção Lowe’s, por exemplo, criou Digital Twins das suas 1,7 mil lojas, ou seja, versões digitais de cada uma delas para simular o comportamento dos clientes diante de várias situações, como diferentes preços, layouts ou produtos. Eles desenvolvem, testam e otimizam tudo no gêmeo digital antes e implantam no ambiente físico depois.

2) Segmentar clientes é passado. Afinal, não é porque uma pessoa mora num bairro nobre que ela não pode frequentar lojas de descontos. A tecnologia atual permite a hiperpersonalização em escala, que se tornou possível não apenas por causa dos agentes de IA, mas dos multiagentes de IA. Essa é a conversa de hoje: agentes treinando agentes.

3) Haverá mais compras “invisíveis”, pois tudo surgirá no nosso caminho com muito menos fricção. Sabe quando está calor, você passa por uma sorveteria e decide comprar um sorvete? Você não pensou em comprar isso antes de sair de casa, mas comprou. A hiperpersonalização vai criar essas “compras invisíveis”, esses momentos em que a combinação em tempo real de centenas de fatores fará uma oferta aparecer para um indivíduo no exato momento em que ele está mais disposto a consumi-la.

4) Para as novas gerações, principalmente Z e Alpha, não existe mais físico e digital. O que há é uma coisa só, uma experiência contínua independente do canal. Veja o Dress to Impress da plataforma de jogos Roblox. Milhões de usuários personalizam avatares diariamente e marcas estão começando a capitalizar essa tendência oferecendo versões físicas, produtos tangíveis dessas roupas virtuais.

5) Social Commerce e Live Shopping, que são realidade no Oriente, ganham força no Ocidente. Consumidores tendem a comprar cada vez mais via social media e lives de venda, muito em função da personalização que as redes sociais oferecem, em contraste aos e-commerces padronizados da maioria das empresas.

Opinião por Mauricio Benvenutti

Sócio da plataforma para startups Startse

Cinco tendências de IA que podem mudar a experiência do cliente no futuro – Estadão

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