Qual é o seu diferencial? Repensando a expertise na era da IA

Com a IA tornando o conhecimento amplamente acessível, líderes precisam repensar hierarquias e funções e focar nas habilidades de julgamento e síntese que permanecem exclusivamente humanas

Ravikiran Kalluri – MIT Sloan Review – 7 de novembro de 2025

Um CEO recentemente me fez uma pergunta que tem tirado o sono de muitos executivos: “Se meu analista júnior pode gerar, com o apoio da IA, os mesmos insights que meu estrategista sênior, por que devo continuar pagando pela senioridade do segundo?”

Não é exagero dizer que estamos testemunhando uma democratização sem precedentes do conhecimento. Informações que antes permaneciam trancadas em bancos de dados especializados, relatórios de consultoria e mentes de especialistas agora estão instantaneamente disponíveis a qualquer pessoa com acesso a ferramentas de IA. Um fundador de startup na Indonésia pode aplicar estruturas estratégicas que antes exigiam consultores da McKinsey. Um enfermeiro em uma zona rural do Kansas pode sintetizar pesquisas médicas com a precisão de um especialista da Mayo Clinic.

Esta não é apenas mais uma onda de automação – é uma reestruturação profunda da própria natureza do conhecimento. As organizações que não compreenderem essa virada correm dois riscos: pagar caro por saberes obsoletos e subestimar as capacidades humanas que continuam sendo insubstituíveis.

O paradoxo do conhecimento abundante

Quando o conhecimento se torna uma commodity, seu valor deixa de estar no conteúdo e passa a residir no contexto. É nessa mudança que se revelam três transformações críticas.

  • Das respostas às perguntas: a IA é brilhante em oferecer respostas abrangentes – mas apenas para as perguntas que já sabemos formular. O verdadeiro valor humano, portanto, passa a residir na capacidade de descobrir as perguntas ainda não feitas e perceber que existem territórios de incerteza invisíveis aos dados. Um estrategista experiente enxerga não apenas os padrões do seu setor, mas também as suposições ocultas e os espaços em branco — zonas que nenhum modelo de IA ainda conseguiu mapear.
  • Da informação ao julgamento: a IA pode sintetizar volumes imensos de informação em segundos, mas não compreende o peso das consequências. Quando um sistema recomenda reestruturar a cadeia de suprimentos ou entrar em um novo mercado, a responsabilidade permanece integralmente humana. Essa distância entre inteligência e responsabilidade é o que preserva o papel insubstituível do julgamento. Líderes não são pagos por acessar dados – e sim por decidir quando as apostas são altas e os resultados, incertos.
  • Do conhecimento estático ao conhecimento dinâmico: a gestão tradicional tratava o conhecimento como um ativo fixo, armazenado em repositórios. A IA, porém, transforma esse paradigma ao gerar conhecimento em tempo real, moldado pelo contexto, pelo usuário e pelo momento. Cada prompt cria um artefato único, ajustado a uma necessidade específica. Essa passagem do conhecimento estático ao dinâmico redefine o próprio significado de “expertise” dentro das organizações.

A armadilha da terceirização cognitiva

A popularização de ferramentas de IA como o ChatGPT traz um risco sutil, porém profundo: a atrofia cognitiva. Já testemunhamos esse padrão antes. O GPS reduziu nossa memória espacial; as calculadoras, nossa agilidade com números. Mas essas eram competências delimitadas. O que está em jogo agora é maior: corremos o risco de terceirizar o próprio ato de pensar.

Uma pesquisa da Universidade de Toronto descobriu que o uso de sistemas generativos de IA reduz a capacidade dos humanos de pensar criativamente, resultando em ideias mais homogêneas e menos verdadeiramente inovadoras. Outros estudos mostraram que as ferramentas GenAI reduzem o esforço percebido necessário para tarefas de pensamento crítico, com os trabalhadores confiando cada vez mais na IA para decisões rotineiras. Isso levanta preocupações sobre o declínio cognitivo de longo prazo e a diminuição da capacidade de resolução de problemas.

Mais preocupante é a homogeneização do pensamento. Quando milhões de pessoas fazem perguntas semelhantes e recebem respostas semelhantes geradas por IA, corremos o risco de convergência intelectual – um nivelamento por baixo do pensamento diversificado e caótico que impulsiona a inovação. Três alunos da minha turma enviaram recentemente propostas de arquitetura geradas por IA quase idênticas para seus projetos. Eficiente? Sim. Criativo? Não.

A nova vantagem competitiva: meta-expertise

Em vez de tornar a experiência humana obsoleta, a IA está elevando o que significa experiência. Um estudo da IESE Business School que analisou anúncios de emprego nos Estados Unidos, entre 2010 e 2022, descobriu que, para cada ponto percentual de aumento na adoção de IA em uma empresa, houve um aumento de 2,5% a 7,5% na demanda por funções de gestão, com descrições enfatizando o julgamento e as habilidades cognitivas e interpessoais. Os profissionais mais valiosos estão desenvolvendo o que chamo de “meta-expertise”. Essa é a capacidade de orquestrar o conhecimento de vários sistemas de IA, validar saídas e sintetizar informações entre domínios. E requer três recursos distintos que a IA não é capaz de replicar.

1. Síntese criativa: embora a IA seja incomparável no reconhecimento de padrões dentro dos dados existentes, a inovação genuinamente transformadora nasce da conexão entre ideias aparentemente desconexas. Quando um pesquisador farmacêutico identifica paralelos entre as asas de uma borboleta e mecanismos de entrega de medicamentos, ou quando um arquiteto aplica princípios de improvisação do jazz ao planejamento de edifícios inteligentes, o que está em jogo não é processamento, mas imaginação – uma forma de cognição exclusivamente humana.

2. Sabedoria contextual: a compreensão intuitiva que os humanos desenvolvem ao longo de anos de experiência ainda resiste à codificação. O gestor de fábrica que percebe anomalias antes mesmo dos sensores, ou o diretor de vendas que capta as preocupações não verbalizadas de um cliente, opera a partir de uma sabedoria contextual – um tipo de inteligência que transcende padrões de dados e depende de percepção, empatia e timing.

3. Navegação ética: à medida que a IA assume tarefas analíticas, a vantagem humana desloca-se para o campo do julgamento ético, da sensibilidade cultural e da gestão de stakeholders. Essas não são competências acessórias, mas o núcleo da liderança em tempos de disrupção. Decidir sob pressão, equilibrar interesses conflitantes e sustentar princípios diante da ambiguidade são funções que nenhuma máquina pode simular de forma legítima.

Talento e princípios de aprendizagem para se repensar

As organizações estão começando a fazer mudanças estruturais para obter valor da IA, com empresas maiores liderando o caminho no redesenho de fluxos de trabalho e colocando líderes seniores em funções críticas de governança de IA, conforme relata a McKinsey.

Sendo assim, os líderes devem repensar suas estratégias de talentos em torno de três princípios.

1. Redefina as hierarquias de funções

As hierarquias tradicionais baseadas no acesso à informação estão rapidamente se tornando obsoletas. À medida que a IA se consolida como um ativo estratégico, empresas de diversos setores – de serviços profissionais, como Accenture, Cognizant e EY, a gigantes de tecnologia – estão redesenhando suas estruturas organizacionais. O fenômeno, que alguns observadores já chamam de “grande achatamento”, traduz-se na eliminação de camadas intermediárias de gestão e na ampliação das funções existentes por meio de sistemas de IA.

A lógica é simples: automatizar tarefas rotineiras que antes demandavam profissionais e gestores de nível operacional, liberando o tempo e o foco das lideranças seniores para atividades estratégicas de maior valor. Nesse novo contexto, o diferencial do estrategista sênior não está mais em dominar frameworks — e sim em saber quando aplicá-los, como adaptá-los e, sobretudo, quando abandoná-los em favor de um pensamento genuinamente humano e criativo.

Por exemplo, a EY comprometeu US$ 1,4 bilhão para uma transformação de IA que descreve como “centrada no ser humano”. A empresa está redefinindo suas funções internas e lançando extensos programas de qualificação para seus 400.000 funcionários. O treinamento fornece letramento básico em IA para todos os funcionários e avançado para líderes. Com a plataforma EY.ai, a empresa busca democratizar o acesso à inteligência artificial, reduzir lacunas de habilidades e reformular as funções de trabalho — não apenas automatizando tarefas, mas elevando o valor cognitivo de cada função.

No lado da tecnologia, a Amazon também avança na horizontalização e está removendo algumas camadas intermediárias de gestão de sua estrutura. O CEO Andy Jassy quer horizontalizar a organização, diminuir a burocracia e aproximar a tomada de decisões das linhas de frente enquanto usa a IA para automatizar tarefas.

2. Invista na soberania cognitiva

As organizações devem preservar e fortalecer deliberadamente as capacidades de pensamento humano. Embora os casos documentados de “zonas livres de IA” permaneçam escassos na prática, pesquisas sobre o declínio cognitivo devido ao uso excessivo da IA sugerem que pode ser uma escolha valiosa.

As empresas devem considerar movimentos prospectivos, como:

  • Exigir que as propostas estratégicas incluam partes desenvolvidas por meio de análise humana.
  • Implementar “sessões de pensamento humano”, em que as equipes resolvem problemas sem a ajuda da IA.
  • Inserir deliberadamente algum grau de incerteza em certos processos organizacionais, como compras, para testar a aptidão cognitiva dos funcionários.

Da mesma forma que o treinamento físico estimula a memória muscular, esses exercícios podem ajudar os funcionários a manterem as capacidades cognitivas que diferenciam a inteligência humana – aquelas que a IA ainda não é capaz de replicar.

3. Desenvolva recursos de orquestração de IA

As ofertas de trabalho para funções de operações de IA aumentaram 230% nos últimos meses, com empresas buscando profissionais que possam projetar fluxos de trabalho inteiros que integrem IA e recursos humanos. Algumas dessas novas funções são chamadas de “líder de operações de IA”, “orquestrador de IA” ou “engenheiro de orquestração de agentes”. Espera-se que os profissionais contratados preencham essas novas funções atuando como pontes entre a criatividade humana e a inteligência da máquina.

No entanto, contratar talentos com experiência em IA é apenas parte da solução. Como qualquer CIO atestará, o verdadeiro desafio está em descobrir como integrar ferramentas de IA em fluxos de trabalho humanos. Navegar com sucesso nessa complexidade exigirá profissionais com sólida experiência contextual em tecnologia e domínios de negócio.

No entanto, contratar talentos com experiência em IA é apenas parte da equação. Como qualquer CIO reconhece, o verdadeiro desafio está em integrar essas ferramentas de forma orgânica aos fluxos de trabalho humanos. Navegar nessa complexidade exigirá profissionais com sólida compreensão tanto da tecnologia quanto dos domínios de negócio – capazes de equilibrar o uso da IA com o julgamento humano. Afinal, o valor não está em adicionar IA indiscriminadamente, mas em saber quando ela realmente amplia – e quando ela distorce – a contribuição humana.

4. Repense os programas de aprendizagem

Essa transformação no trabalho do conhecimento desafia os modelos tradicionais de educação e desenvolvimento profissional. Se a IA pode sintetizar em segundos o que antes exigia anos de especialização, por que ainda precisamos de cursos avançados?

A resposta está no propósito mais profundo da educação superior: formar mentes capazes de criar conhecimento — não apenas consumi-lo. Universidades e centros de formação ensinam como os campos constroem verdades, testam hipóteses e desafiam paradigmas. Essa meta-habilidade a se tornará mais crítica para os humanos à medida que a informação se tornar onipresente.

Para acompanhar essa mudança, as organizações precisarão redesenhar seus programas de aprendizado corporativo, priorizando três grupos de competências fundamentais.

  • Avaliação crítica: profissionais de ensino para avaliar os resultados da IA, identificar vieses e reconhecer limitações.
  • Aplicação criativa: desenvolver habilidades para tratar problemas de novas maneiras e fazer conexões entre domínios.
  • Raciocínio ético: construir capacidade de julgamento moral e equilíbrio entre stakeholders.

O caminho a seguir: expansão cuidadosa

Estudos recentes descobriram que as tecnologias de IA generativa podem superar os CEOs humanos em tarefas estratégicas orientadas por dados, mas falham ao lidar com questões imprevisíveis e inéditas. Isso mostra a promessa e as limitações da IA: LLMs são excepcionais no reconhecimento e otimização de padrões, mas incapazes de navegar pela incerteza ou assumir a responsabilidade pelos resultados.

E aí há a questão da inovação. Uma pesquisa realizada no Google identificou a segurança psicológica, e não as habilidades técnicas, como a maior distinção entre equipes inovadoras e não inovadoras. Isso sugere que, à medida que a IA lida com mais trabalho técnico, os elementos humanos de confiança, criatividade e colaboração se tornam ainda mais vitais para o sucesso.

As organizações que vão prosperar são aquelas que não apostam inteiramente na IA ou as que preservam teimosamente as abordagens tradicionais. O sucesso está no uso cuidadoso da IA para reconhecer padrões, sintetizar dados e gerar opções, deixando os saltos criativos, decisões éticas e opções de responsabilidade para os humanos.

Para os líderes, isso requer escolhas deliberadas sobre soberania cognitiva. A conveniência do acesso a respostas instantâneas de IA não deve eliminar a luta criativa do pensamento humano. Às vezes, a decisão mais estratégica é aceitar o desconforto da incerteza, em vez de consultar imediatamente uma ferramenta de IA.

Ações concretas que os líderes devem tomar

Se você é um líder que está de acordo com o plano acima, quais ações devem estar na lista de tarefas imediatas e de longo prazo para sua equipe?

Além disso, como você pode saber se a expansão do uso da IA está sendo gerido adequadamente por seus colegas ou se um problema está se formando? Aqui estão algumas etapas a serem planejadas e sinais de alerta a serem monitorados:

Passos imediatos

  • Audite as funções atuais para identificar onde o aumento da IA versus o julgamento humano por si só agrega valor.
  • Crie práticas propositais que preservem as capacidades de pensamento humano.
  • Estabeleça linhas claras de ação que mantenham a responsabilidade humana pelas decisões assistidas por IA.

Estratégias de longo prazo

  • Redesenhe os planos de carreira em torno do desenvolvimento de meta-expertise, em vez do acúmulo de informações.
  • Crie equipes multifuncionais que combinam orquestração de IA com experiência de domínio funcional.
  • Invista em programas de aprendizagem contínua focados na síntese criativa e no raciocínio ético.

Sinais de alerta a serem monitorados

  • Aumento da homogeneidade nas propostas criativas.
  • Confiar demais na IA para decisões rotineiras sem revisão humana.
  • Ver a capacidade dos funcionários de trabalhar sem assistência de IA diminuir.
  • Perder o know-how próprio da organização à medida que os funcionários param de desenvolver conhecimentos profundos.

A coragem de permanecer humano

À medida que os recursos de IA se expandem, a vantagem competitiva final pode ser a coragem de permanecer cognitivamente soberano. Isso significa preservar e cultivar deliberadamente capacidades exclusivamente humanas, mesmo quando terceirizá-las soaria mais eficiente em determinados momentos.

O desafio para os líderes não é determinar se a experiência humana ainda importa na era da IA. É decidir se suas organizações conseguirão cultivar, de forma intencional, as capacidades que nenhum algoritmo pode replicar: a responsabilidade que pesa sobre decisões complexas, a centelha da criatividade e a sabedoria de identificar quais perguntas não podem (e não devem) ser delegadas às máquinas.

As empresas que enfrentarem esse desafio com sucesso não sobreviverão apenas à revolução da IA. Elas definirão como é a inovação centrada no ser humano em uma era de inteligência onipresente.

Ravikiran Kalluri

Ravikiran Kalluri é professor na Northeastern University.

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“A maior parte de seus amigos no futuro será IA”: provocação de Zuckerberg faz sentido na prática?

GUYNEVER MAROPO – Fast Company Brasil – 25-06-2025 

Mark Zuckerberg afirmou recentemente que, no futuro, a maioria dos amigos das pessoas será formada por Inteligências Artificiais. A declaração reflete uma tendência crescente de vínculos emocionais com tecnologias conversacionais, como os chats de IA, que vêm ocupando espaços antes reservados a relações humanas.

Segundo a pesquisa da TalkInc, um em cada dez brasileiros já utiliza chats de IA para desabafar, buscar conselhos ou simplesmente conversar. Essas plataformas prometem conexões empáticas e respostas personalizadas, sem julgamentos ou oposição, o que atrai usuários em busca de conforto emocional.

O uso de assistentes virtuais, como o aplicativo Replica, mostra como a tecnologia tem se tornado uma companhia constante. Esses sistemas oferecem planos pagos com interações mais sofisticadas, incluindo elogios, apoio emocional e escuta afetiva calibrada. A proposta não envolve apenas design emocional, mas também a exploração de fragilidades humanas.

O conceito de “uncanny valley“, ou vale da estranheza, explica parte da inquietação causada por esses vínculos. Trata-se da sensação desconfortável diante de algo artificial que se assemelha demais ao humano, mas sem ser de fato real. A experiência se intensifica à medida que o afeto é mediado por sistemas que respondem e aprendem com as vulnerabilidades dos usuários.

Plataformas digitais transformam carência emocional em produto. O vínculo não se dá apenas com o chatbot, mas com a própria empresa que fornece a sensação de intimidade sob demanda. A previsibilidade dessas interações, longe de ser um defeito, torna-se um atrativo.

O que parece estranho à primeira vista revela-se funcional. As relações artificiais aliviam, organizam e consolam. Em um mundo cada vez mais solitário, o vínculo pode não ser apenas uma exceção, mas o novo padrão. Por isso, Mark Zuckerberg aposta no avanço dos amigos e conselheiros de IA como parte do futuro das conexões humanas.

Com informações de Camila de Lira em reportagem da Fast Company


SOBRE A AUTORA

Jornalista, pós-graduando em Marketing Digital, com experiência em jornalismo digital e impresso, além de produção e captação de conte… saiba mais

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Engenheiros brasileiros criam transporte revolucionário para a Amazônia

Hora do Povo – 07/12/2025

Embarcação aproveita o efeito solo e atinge 150 Km/h

Três engenheiros oriundos do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) se inspiraram num experimento soviético e criaram uma startup. Apoiados pela FINEP, eles desenvolveram um veículo de efeito solo (que voa sobre as águas) para o transporte amazônico

Uma empresa localizada em São José dos Campos, em São Paulo, criada em 2020 por três jovens engenheiros brasileiros, está revolucionando a concepção de logística de transporte na região amazônica. Nascida por inspiração do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Aeroriver, uma startup de engenharia, criou uma embarcação de efeito solo, que navega a uma altura de dois metros da água e atinge uma velocidade de 150 km/h.

Veículo atinge alta velocidade acima da água

DO ITA PARA A AMAZÔNIA

Três engenheiros nascidos na Amazônia, Lucas Guimarães Souza, Felipe Araújo Bortolete e Túlio Silva, resolveram unir seus conhecimentos para tentar ajudar a resolver problemas de sua região. Felipe, mestre em engenharia aeronáutica do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), contou que junto com os amigos tentou entender quais eram os principais problemas da Amazônia e como os seus conhecimentos poderiam ajudar a resolvê-los.

Equipe vem crescendo e projeta primeira aeronave para 2026

Eles concluíram que o principal problema da região amazônica era a logística de transporte. A Amazônia é uma região gigantesca, com muitas florestas e rios e que não conta com estradas suficientes para garantir uma boa logística de transporte.

As viagens são feitas por barco e são lentas. Só para se ter uma ideia, de Manaus a Parentins são 10 horas de lancha. O veículo criado por eles fará a mesma viagem em apenas 3 horas. Tanto passageiros como cargas e atividades da área de saúde e salvamento poderão se beneficiar desta nova tecnologia. A embarcação terá capacidade para dez passageiros e dois tripulantes.

EFEITO AERODINÂMICO

Eles acharam que poderiam oferecer uma alternativa de transporte mais eficiente para a região. Daí surgiu a ideia dos engenheiros de criar a empresa Aeroriver e o “barco voador”, usando as vantagens do efeito aerodinâmico chamado efeito solo, que eleva a velocidade do veículo.

Esta iniciativa dos brasileiros mostra que, quando a tecnologia está a serviço da solução de problemas econômicos e sociais do país, ela se torna um bem de valor inestimável para o conjunto da sociedade. O apoio governamental a esse tipo de iniciativa é decisivo para que o país se desenvolva de forma mais acelerada e a inovação traga benefícios concretos para a sociedade.

Lucas explica o projeto

APOIO DA FINEP

Os engenheiros receberam o apoio financeiro da FINEP, órgão de fomento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, e subvenção econômica da Suframa, da Amazônia. Com este apoio, eles deram início ao projeto que visa nada mais do que, segundo Lucas Guimarães, tornar a Aeroriver uma das maiores empresas de “efeito solo” do mundo.

Lucas explica que o veículo de efeito solo não é um hidroavião ou um avião anfíbio. É um tipo de aeronave/embarcação que voa muito perto da superfície (água ou terra), aproveitando um fenômeno aerodinâmico chamado efeito solo, que reduz o arrasto e aumenta a sustentação, tornando-o 40% mais eficiente em velocidade e consumo de combustível do que se ele estivesse voando mais alto.

INSPIRAÇÃO NO ECRANOPLANO

Ideia inspirada no Ecranoplano soviético

O projeto criado por eles se inspirou num veículo muito maior, o Ecranoplano, uma embarcação inventada pelo engenheiro naval soviético Alexeev Rostislav Evgenievich nos anos 50. Eles detectaram que as suas principais características era o que eles necessitavam para resolver o problema da logística de transporte na Amazônia. Em 2024 o projeto recebeu investimentos do governo para acelerar o desenvolvimento da ideia dos pesquisadores.

Cabine de comando da aeronave aquática

POUSO E DECOLAGEM NA ÁGUA

Os engenheiros explicaram também que o Volitan – nome do veículo – é um tipo de veículo que tem mais facilidade em obter a regulamentação para poder trafegar. Isso porque, além de voar em baixa altitude, ele faz pouso e decolagem na água. Portanto a regulamentação é de uma embarcação e não de uma aeronave. Além disso, por decolar e pousar na água, não há necessidade de trem de pouso. “Ele possui um casco normal para navegação”, explica Felipe.

Maquete do projeto

Os três engenheiros já se conheciam desde os tempos de cursos de engenharia, dois deles do ITA, e já participavam de projetos de P&D. Felipe conta que conheceu Lucas durante o curso e participavam de um mesmo projeto de Aerodesign, o objetivo desse projeto era construir um avião para competir numa disputa nacional que ocorria anualmente em São José dos Campos. Hoje eles realizam um sonho de criar uma tecnologia disrruptiva para o transporte na região amazônica.

Engenheiros brasileiros criam transporte revolucionário para a Amazônia

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Alunos estão trocando livros por resumos de IA. Quem paga o preço?

Há décadas, os hábitos de leitura estão em queda – mas a inteligência artificial generativa está agravando ainda mais o problema

NAOMI S. BARON – Fast Company Brasil – 20-08-2025

Uma tempestade perfeita se aproxima quando o assunto é leitura.

A inteligência artificial surgiu em um momento em que crianças e adultos já vinham dedicando cada vez menos tempo aos livros.

Como linguista, estudo como a tecnologia influencia a maneira como lemos, escrevemos e pensamos.

Isso inclui o impacto da IA, que vem transformando radicalmente a forma como nos relacionamos com os livros e outros tipos de texto – seja para realizar tarefas escolares, fazer pesquisas ou ler por prazer. Minha preocupação é que a inteligência artificial esteja acelerando uma mudança que já vinha acontecendo: a perda do valor da leitura como experiência essencialmente humana.

TUDO, MENOS LIVROS

As habilidades de escrita da IA têm chamado muita atenção. Mas só agora professores e pesquisadores começam a discutir sua capacidade de “ler” grandes volumes de informação e, a partir disso, gerar resumos, análises e comparações de livros, artigos e ensaios.

Hoje, em vez de ler um livro inteiro, muitos alunos recorrem a resumos feitos por IA sobre a trama e os principais temas abordados. Essa facilidade – que reduz a motivação para ler por conta própria – foi justamente o que me levou a escrever um livro sobre os prós e contras de deixar a inteligência artificial “ler por você”.

Claro, atalhos de leitura não são novidade. Livretos com resumos de obras literárias existem desde os anos 1950. Séculos antes, a Royal Society de Londres já publicava resumos dos artigos científicos em seu periódico “Philosophical Transactions”. Na metade do século 20, eles se tornaram parte inseparável da produção acadêmica.

A internet ampliou ainda mais essas alternativas. O Blinkist, por exemplo, é um aplicativo que transforma livros de não ficção em resumos de 15 minutos, tanto em áudio quanto em texto.

FERRAMENTAS COMO O BOOKSAI OFERECEM RESUMOS E ANÁLISES QUE ANTES ERAM FEITOS POR PESSOAS

Mas a IA generativa levou esses atalhos a outro nível. Ferramentas como o BooksAI oferecem resumos e análises que antes eram feitos por pessoas. Já o BookAI.chat convida o usuário a “conversar” com os livros. Em ambos os casos, ler a obra completa deixa de ser necessário.

Se um aluno precisa comparar “As Aventuras de Huckleberry Finn”, de Mark Twain, com “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger, os resumos ajudam até certo ponto. Mas ainda caberia a ele construir a análise. Agora, com modelos como o NotebookLM, do Google, a IA lê, compara e até sugere perguntas para discussão em sala de aula.

O problema é que isso nos tira um dos maiores benefícios de ler: o amadurecimento pessoal que vem de acompanhar, ainda que indiretamente, os dilemas do protagonista.

Na pesquisa acadêmica, ocorre algo semelhante. Ferramentas como SciSpace, Elicit e Consensus combinam mecanismos de busca com IA para entregar artigos resumidos e conectados entre si, reduzindo drasticamente o tempo gasto em revisões bibliográficas. O site ScienceDirect AI, da Elsevier, chega a anunciar: “Adeus tempo de leitura desperdiçado. Olá, relevância”.

Isso pode parecer muito prático, mas o que se perde é justamente o exercício de julgar por conta própria o que é relevante e de criar conexões entre ideias.

UM MUNDO QUE LÊ CADA VEZ MENOS

Mesmo antes da IA generativa, o hábito da leitura já estava em queda – tanto na escola quanto no lazer.

Nos EUA, a Avaliação Nacional do Progresso Educacional mostrou que, em 1984, 53% dos alunos do quarto ano liam por diversão quase todos os dias. Em 2022, esse número caiu para 39%. Entre os alunos do oitavo ano, a queda foi de 35% em 1984 para 14% em 2023. 

No Reino Unido, uma pesquisa da National Literacy Trust em 2024 revelou que apenas um em cada três jovens de oito a 18 anos afirmou gostar de ler no tempo livre – quase nove pontos percentuais a menos em relação ao ano anterior.

Entre adolescentes, a tendência é a mesma. Em 2018, uma pesquisa com 600 mil estudantes de 15 anos em 79 países mostrou que 49% só liam quando eram obrigados – contra 36% uma década antes.

No ensino superior, esse quadro se repete. Muitos professores têm reduzido as leituras obrigatórias porque os alunos simplesmente se recusam a ler. Em uma pesquisa que conduzi com a especialista Anne Mangen, constatamos essa tendência.

Um episódio relatado pelo comentarista cultural David Brooks ilustra bem a situação:

“Perguntei a um grupo de alunos, no último dia de curso em uma universidade de prestígio, qual livro havia mudado suas vidas nos últimos quatro anos. O silêncio foi constrangedor. Até que um estudante respondeu: ‘você precisa entender, nós não lemos assim. Só lemos o suficiente para passar na disciplina’.”

E entre adultos? Apenas 54% dos norte-americanos leram pelo menos um livro em 2023, segundo o YouGov. Na Coreia do Sul, a taxa foi de 43%, bem abaixo dos 87% registrados em 1994. No Reino Unido, a Reading Agency apontou uma queda semelhante: em 2024, 35% disseram ser “ex-leitores” – pessoas que costumavam ler com frequência, mas pararam. Entre eles, 26% afirmaram ter trocado os livros pelas redes sociais.

O termo “ex-leitor” pode se aplicar a qualquer um que tenha deixado de priorizar os livros – seja por desinteresse, pelo excesso de tempo online ou por terceirizar a leitura para a IA.

O QUE SE PERDE QUANDO SE DEIXA DE LER

Por que ler, afinal? 

Os motivos são inúmeros: prazer, redução de estresse, aprendizado, crescimento pessoal.

Estudos mostram uma correlação entre a leitura e o desenvolvimento cerebral infantil, felicidade, longevidade e até desaceleração do declínio cognitivo.

Esse último ponto é especialmente importante em uma época em que tanta gente delega à inteligência artificial tarefas que exigem raciocínio – processo conhecido como “terceirização cognitiva”. Pesquisas mostram que, quanto mais alguém depende da IA para realizar tarefas, menos acredita estar usando a própria capacidade de pensar. 

Um estudo utilizando eletroencefalograma chegou a identificar padrões diferentes de conectividade cerebral entre pessoas que escreveram um ensaio com ajuda da IA e aquelas que escreveram sozinhas.

QUANTO MAIS ALGUÉM DEPENDE DA IA PARA REALIZAR TAREFAS, MENOS ACREDITA ESTAR USANDO A PRÓPRIA CAPACIDADE DE PENSAR

Ainda é cedo para saber quais serão os efeitos da inteligência artificial sobre a nossa capacidade de pensar de forma independente no longo prazo. Até agora, a maior parte das pesquisas tem focado no uso da IA para escrita e tarefas em geral, não especificamente na leitura. Mas, se deixarmos de praticar a leitura, a análise e a interpretação, corremos o risco de enfraquecer – ou até perder – essas habilidades.

E não é só a cognição que está em jogo. Também perdemos o que torna a leitura prazerosa: encontrar uma fala marcante, apreciar uma frase bem construída, criar laços com um personagem.

A promessa de eficiência que a IA oferece é tentadora. Mas pode nos privar dos benefícios da leitura.

Naomi S. Baron é professora de linguística da American University.
Este artigo foi republicado do “The Conversation” sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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Política industrial no Brasil

Uma vez que empresas ou setores ganham peso na economia, o país não consegue mais abandoná-las e direcionar recursos para novos produtos e firmas caso elas se tornem ultrapassadas

Por Naercio Menezes Filho – Valor – 21/11/2025 

Acadêmicos e entidades empresariais debatem há bastante tempo se devemos ter políticas industriais no Brasil. Nossa primeira tentativa nesta área ocorreu com a políticas de substituição de importações. Desde então, quase todo novo governo implementa uma nova política industrial. Mas a produtividade da indústria, depois de crescer bastante entre 1950 e 1980, permanece no mesmo nível desde então. Porque será que as políticas industriais dos tigres asiáticos funcionaram, mas as do Brasil não? Seria possível desenhar uma política industrial que leve o Brasil para a fronteira de produtividade?

A política industrial que prevaleceu ao longo do século XX era uma política de substituição de importações com proteção tarifária, para dificultar a entrada de produtos importados no Brasil, além de uma série de subsídios para setores específicos. Isto fez com que a indústria crescesse e se diversificasse. Mas este crescimento ocorreu sem aumento das exportações. A produção foi direcionada para o mercado interno, aproveitando o crescimento da renda provocado pela transição demográfica e pela migração do campo para a cidade, além do próprio tamanho de mercado.

Assim, quando a migração acabou e dívida pública explodiu, a indústria perdeu dinamismo e parou de crescer. Atualmente, é consensual que políticas de substituição de importações sem incentivos às exportações geram complacência, acomodação e redução de inovações. No Brasil, elas foram substituídas pelas políticas industriais 2.0. São políticas direcionadas para a inovação, que sempre envolvem algum plano para o setor automobilístico, e que almejam aumentar os gastos das empresas brasileiras com Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

Um artigo recente muito interessante avaliou o impacto das políticas de subsídio aos gastos em P&D implementadas pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) (1)Usando técnicas econométricas sofisticadas, os autores mostram que as firmas que recebem estes subsídios crescem mais do que as que não recebem, diversificando sua produção e aumentando o número de estabelecimentos. Os efeitos são maiores para as firmas menores e mais jovens, que provavelmente tinham muitas dificuldades para obter crédito nas condições oferecidas pela Finep.

Os resultados mostram também que estes empréstimos aumentam as inovações nas firmas beneficiadas e a contratação de cientistas. Mas os ganhos em termos de inovações na fronteira do conhecimento são tímidos. Utilizando bases de dados de patentes, os autores mostram que não houve efeito dos empréstimos sobre as citações das patentes obtidas, que são o principal indicador de impacto tecnológico das inovações. O estudo mostra que as firmas beneficiadas usaram os subsídios para introduzir produtos parecidos com os que já existiam em outros países, mas que não conseguiam entrar no Brasil por causa de proteções tarifárias. Ou seja, é necessário que haja proteção tarifária para que programas de subsídio à inovação no Brasil tenham efeitos sobre as inovações.

Mais de uma década após os empréstimos, as firmas que conseguiram os subsídios ainda não tinham conseguido exportar para os países mais desenvolvidos, ou seja, não conseguiram ser competitivas internacionalmente. Este artigo traz um bom resumo dos efeitos da nova geração de políticas industriais no Brasil. Por mais que estas políticas sejam cuidadosas, acompanhem as empresas beneficiadas e possam ter resultados positivos em termos de inovação, emprego e lucros, elas não conseguem fazer com que as empresas brasileiras concorram com produtos sofisticados na Europa, EUA e Asia. Por que será que isto ocorre?

Para responder esta questão, podemos comparar as nossas políticas industriais com as políticas adotadas pelos tigres asiáticos, que conseguiram romper as fronteiras internacionais. Marcas como Samsung e Hyundai são admiradas no mundo todo. Entre 1970 e 2000, o crescimento médio dos tigres asiáticos foi de 6% ao ano, com cerca de 20% deste crescimento oriundo de inovações. O PIB per capita destes países, que representava apenas 25% do PIB per capita americano em 1970, passou para quase 70% atualmente. Porque estes países deram certo?

Além de terem obtido um grande avanço educacional neste período, o tipo de política industrial aplicada nestes países foi diferente do que ocorreu nos demais. Um artigo recente mostra que estas políticas eram baseadas em crescimento da produtividade, derivada de inovações de processo e de produto, com mudança da composição industrial para setores e tarefas cada vez mais sofisticadas, com as firmas aprendendo continuamente durante o processo (2). As políticas de proteção tarifária e substituição de importações foram bem mais tímidas do que as que adotadas na América Latina e ocorreram somente no início do processo.

Para que isto ocorresse foi necessário ter uma burocracia estatal competente e isolada dos interesses empresariais, que pudesse direcionar recursos para o desenvolvimento de indústrias sofisticadas. Além disto, a ênfase estava nas exportações, que eram condição necessária para que os benefícios continuassem. Finalmente, não havia seleção de empresas vencedoras, pois o apoio era dado para setores como um todo e a concorrência no mercado era estimulada para revelar quem seriam os verdadeiros vencedores.

Porque não conseguimos fazer este tipo de política por aqui? A resposta parece estar na nossa incapacidade de deixar que empresas perdedoras fiquem para trás. Como nos mostram Aghion e Howit (os últimos vencedores do prêmio Nobel), para que haja crescimento sustentado, é necessário que haja um processo de “destruição criativa”, ou seja, alguns precisam perder para que outros possam avançar. Mas isto é muito complicado no Brasil. Uma vez que empresas ou setores ganham peso na economia, nós não conseguimos mais abandoná-las e direcionar recursos para novos produtos e firmas caso elas se tornem ultrapassadas.

Um exemplo típico é a Zona Franca de Manaus, que não deu certo, mas que nunca vai acabar. Outro é do Perse, um programa de incentivos a setores afetados pela pandemia que existe até hoje. Uma vez que as empresas começam a crescer mais no Brasil, elas rapidamente mobilizam políticos, a imprensa e os tomadores de decisão, que não as deixam naufragar.Isto quase aconteceu novamente no caso do banco Master. É por isso que uma política industrial no estilo dos tigres asiáticos dificilmente vai funcionar por aqui.

“R&D Subsidy and Import Substitution: Growing in the Shadow of Protection”, Gustavo Souza e Gabriel Garber.

“Industrial Policy, Asian Miracle Style”, Reda Cherif e Fuad Hasanov.

Naercio Menezes Filho, professor titular da Cátedra Ruth Cardoso no Insper, professor associado da FEA-USP e membro da Academia Brasileira de Ciências, escreve mensalmente às sextas-feiras. naercioamf@insper.edu.br)

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Revolução silenciosa transformou Cerrado em potência agrícola; Roberto Rodrigues analisa esse salto

Em palestra no ‘Estadão Summit Agro’, ex-ministro lembra como a ciência no campo converteu o País de importador a referência global em produtividade

Por Eduardo Geraque – Estadão – 06/12/2025

No momento em que completa mil meses de vida, como ele mesmo fez questão de mencionar, Roberto Rodrigues, professor emérito da Fundação Getulio Vargas (FGV), não contém a emoção ao falar da transformação do agronegócio brasileiro desde os anos 1970. A fala, recheada de histórias, brindou os participantes do Estadão Summit Agro, em São Paulo, onde apresentou a palestra magna “O legado do agronegócio para a COP-30”. Para o agrônomo, as mudanças que presenciou foram todas “absolutamente extraordinárias”. “E olha que vi o Pelé (1940-2022) e o Canhoteiro (1932-1974) jogarem”, brincou.

Rodrigues lembrou que, quando iniciou sua trajetória na agronomia (formou-se em 1965 na Esalq/USP), o Brasil ainda era um importador líquido de alimentos. “Nos anos 1970, importávamos 30% do que consumíamos”, recordou. A guinada tecnológica, consolidada a partir da criação da Embrapa e da formação de uma comunidade científica especializada em ambientes tropicais, mudou o mapa da agricultura nacional, avaliou o professor. Em cinco décadas, o País passou a ser um dos maiores exportadores agrícolas do planeta. “Esse é um feito de uma grandeza incomum. Transformamos solos ácidos, pobres e imprestáveis em áreas altamente produtivas”.

Segundo o agrônomo (ministro da Agricultura entre janeiro de 2003 e junho de 2006, no primeiro governo Lula), as mudanças são fruto de um processo raro, que combinou ciência aplicada, adoção tecnológica massiva, sistemas integrados e formação técnica. “O Cerrado se tornou o laboratório e, ao mesmo tempo, a vitrine da agricultura tropical”. A incorporação de correção de solo, cultivares tropicais, manejo integrado, plantio direto e sistemas como ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) permitiram que o País desenvolvesse um modelo único, hoje observado de perto por delegações estrangeiras. “Na COP, houve um interesse enorme. Foram mais de 40 visitas de autoridades internacionais para entender nossa tecnologia tropical. Todo mundo quer saber como conseguimos.”

Ao esmiuçar o que sustentou a chamada, por ele mesmo, revolução silenciosa do Cerrado, Rodrigues lembra que a virada começou com o desenvolvimento, pela Embrapa e universidades, de técnicas de correção e manejo, como a aplicação de calcário para reduzir a acidez, o uso de fósforo para elevar a fertilidade e a adoção de sistemas de plantio que preservavam a estrutura do solo.

Outro eixo decisivo foi a tropicalização genética. Rodrigues destacou que as primeiras variedades de soja, trigo e outras culturas eram incompatíveis com as condições de luz e temperatura do Cerrado. A criação de cultivares adaptadas ao regime tropical, capazes de florescer e produzir em dias mais curtos e sob temperaturas elevadas, marcou o início da expansão agrícola. “Sem a ciência tropical, não teria havido revolução”.

Para o professor, o sucesso do agronegócio nacional provocou um movimento oposto à antiga desconfiança sobre o setor. “Havia dúvidas sobre a credibilidade da agricultura brasileira. Hoje há um reconhecimento global: o mundo descobriu o valor tecnológico da agricultura tropical.”

Debate climático

Durante a COP-30, em Belém — onde Rodrigues esteve como enviado especial da Agricultura, a convite do presidente da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago —, ficou claro, afirmou ele, como a agricultura deixou de ser tratada como um tema periférico no debate climático. “Em outras COPs, falava-se de agricultura quase apenas como segurança alimentar. Desta vez, foi diferente. Agricultura entrou como tema estratégico”.

O Brasil exerceu protagonismo ao mostrar soluções climáticas baseadas em tecnologia tropical, uma agenda que articula produtividade, conservação de florestas e redução de emissões.

Os temas do momento se sobrepuseram ao longo dos debates na conferência, relatou o enviado especial: financiamento climático, mecanismos de redução de emissões, uso de biocombustíveis, SAF (combustível sustentável de aviação) e pecuária de baixa emissão. “A mensagem final foi clara: a agricultura tropical, se bem manejada, não é problema, é solução climática”, disse Rodrigues.

De olho no futuro, Rodrigues — que deu o pontapé inicial em um projeto chamado Agro Brasil 2050 — insiste na tese de que a agricultura tropical será cada vez mais central, inclusive como garantidora da paz mundial em um momento de incertezas geopolíticas profundas.

“O modelo tropical replicado pode garantir resiliência alimentar, gerar renda para países pobres, reduzir desigualdades e contribuir para a estabilidade climática”, afirmou. Segundo ele, essa é a contribuição mais estratégica que o País pode oferecer ao planeta, e que deve orientar sua atuação nos próximos anos.

Rodrigues é otimista. Ele afirma que nunca esteve tão confiante no papel que o País pode desempenhar. “Quero um Brasil protagonista, ajudando a promover paz, energia limpa, emprego e alimentos para o mundo. É isso que o modelo tropical pode oferecer. É isso que eu quero ver, e que vale a pena construirmos juntos.”

Revolução silenciosa transformou Cerrado em potência agrícola; Roberto Rodrigues analisa esse salto – Estadão

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Antes uma aposta, baterias para redes elétricas estão em toda parte

  • Feitas de íon-lítio, elas são utilizadas em cada vez mais redes elétricas em todo o mundo
  • Inovação ajuda a reduzir a necessidade de usinas e linhas de transmissão caras

Ivan Penn – Folha/The New York Times – 6.dez.2025

As baterias de íon-lítio, que alimentam desde celulares até carros, estão salvando cada vez mais redes elétricas em todo o mundo.

Baterias do tamanho de contêineres de carga estão sendo conectadas a linhas de energia e instaladas ao lado de painéis solares e turbinas eólicas. Elas armazenam energia quando ela é abundante e barata e a liberam quando o consumo de eletricidade dispara, ajudando a reduzir a necessidade de usinas e linhas de transmissão caras.

Pesquisadores americanos inventaram a bateria de íon-lítio na década de 1970 e depois mostraram que esses dispositivos poderiam ajudar a rede elétrica. Mas, por muito tempo, as baterias avançaram pouco porque operadores de redes e executivos de concessionárias as viam como caras e arriscadas.

Um dos primeiros avanços ocorreu há cerca de 15 anos, quando engenheiros de uma empresa de energia dos EUA instalaram uma das primeiras baterias de íon-lítio conectadas a uma rede elétrica em um deserto a quase 2.700 metros de altitude no Chile. Desafiando noções convencionais de como o sistema elétrico deveria funcionar, essa equipe ajudou a provar que as baterias poderiam tornar as redes mais estáveis e confiáveis.

A ideia de armazenar energia não era nova. Thomas Edison desenvolveu baterias alcalinas de níquel-ferro principalmente para a indústria e os primeiros veículos elétricos. Diversas empresas tentaram outras tecnologias, como o sódio-enxofre, que não ganharam muita tração. E algumas concessionárias bombeiam água morro acima há décadas para depois liberá-la para gerar eletricidade.

Mas esses sistemas eram relativamente limitados. Em comparação, o tipo de bateria de íon-lítio instalada no Deserto do Atacama em 2009 agora é usado em todo o mundo.

O rápido crescimento da energia eólica e solar e a crescente demanda por eletricidade criada por data centers tornam as baterias essenciais. Elas armazenam o excedente de energia renovável para momentos sem vento ou sol e mantêm o equilíbrio entre oferta e demanda.

Veja a Califórnia. Nos últimos anos, autoridades estaduais frequentemente pediam aos moradores que reduzissem o uso de eletricidade em dias quentes de verão para evitar apagões. Mas não houve tais alertas desde 2022, principalmente porque as baterias permitiram ao estado usar sua abundante energia solar até a noite. Nos últimos sete anos, a Califórnia adicionou 30 vezes mais capacidade de armazenamento de bateria do que tinha em 2018.

O restante do mundo também viu um crescimento impressionante, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), uma organização multilateral com sede em Paris. O boom só foi possível graças a uma queda surpreendente de 90% no custo das baterias nos últimos 15 anos, à medida que novas fábricas entraram em operação. A China é de longe a maior fabricante de baterias do mundo, mas Europa, Índia e Estados Unidos também vêm ampliando a produção.

“As baterias estão mudando o jogo diante dos nossos olhos”, disse recentemente Fatih Birol, diretor-executivo da AIE.

UM COMEÇO ACIDENTADO

O uso de baterias na rede não foi fácil.

Uma empresa da Virgínia chamada AES começou a testar baterias de rede em Indiana, Pensilvânia e Califórnia já em 2008, mas concessionárias de energia dos EUA só começaram a usá-las comercialmente dois anos depois. O ritmo foi lento no início.

“Não havia experiência com armazenamento por bateria”, disse Carla Peterman, ex-integrante da Comissão de Energia da Califórnia e hoje vice-presidente executiva da Pacific Gas & Electric, a maior concessionária do estado. “Era um pouco da questão do ovo ou da galinha: não havia o suficiente instalado para realmente dizer que isso poderia ser uma grande parte do sistema energético.”

Mas alguns americanos viam claramente os benefícios das baterias. Um deles era Christopher Shelton, executivo da AES, que possui concessionárias e usinas no mundo inteiro.

Ele começou a estudar baterias de íon-lítio quando seus chefes pediram aos funcionários que apresentassem propostas para uma “ideia de um bilhão de dólares”. Shelton disse que acreditava que as baterias poderiam reduzir a necessidade de usinas acionadas apenas quando a demanda por eletricidade atingia picos.

“Por que construir um ativo que você não vai usar mais de 5% do tempo?”, disse Shelton. “Nós dizíamos que as baterias deveriam ser uma alternativa às usinas de pico.”

Ele instalou as primeiras células de bateria em uma discreta subestação elétrica nos arredores de Indianápolis, cidade famosa por sua corrida de 500 milhas. A empresa depois conectou outra em Norristown, Pensilvânia, em um centro de operações do maior operador de rede do país, o PJM Interconnection. Em seguida, a área de Los Angeles foi conectada, seguida por uma bateria maior para a rede de Indianápolis.

Embora os testes tenham sido bem-sucedidos, não impressionaram muitos executivos de concessionárias americanas. A reação foi típica de um setor que se orgulha por manter o que conhece melhor: grandes usinas a carvão, gás e nuclear. Qualquer outra coisa era geralmente tratada como uma ameaça que poderia causar blecautes.

“TESTANDO NA LUA”

Pouco além de alguma raposa-do-deserto vive no planalto desolado do Chile onde a AES instalou seu projeto de bateria. O local fica a várias horas dos aeroportos mais próximos, em Calama e Antofagasta.

Depois de pousar, os visitantes precisam dirigir ao menos quatro horas até os salares do Atacama, onde trabalhadores coletam lítio — um ingrediente fundamental das baterias.

O acampamento da AES fica uma hora adiante. Ele se situa em um caminho rochoso e não pavimentado, cheio de pneus estourados ao longo da trilha. Embora as temperaturas durante o final da primavera e o início do verão possam chegar a 27ºC, as noites beiram o congelamento.

“Era como levar a bateria e testá-la na Lua”, disse Joaquín Meléndez, engenheiro que liderou o projeto da AES sob Shelton.

No início dos anos 2000, o Chile enfrentou uma crise energética porque a Argentina, seu principal fornecedor de gás natural, não conseguia entregar o suficiente. Isso deixou o Chile — que não tem fontes domésticas de combustível — com pouca energia para sua população e para suas minas de cobre, iodo e lítio.

O país foi forçado a depender de usinas que queimavam carvão importado e caro. Mas essas usinas não podiam aumentar ou diminuir sua produção rapidamente, enquanto as necessidades das mineradoras variavam muito.

Foi aí que as baterias entraram. Enquanto uma usina a carvão pode levar cerca de 12 minutos para entrar em operação, as baterias podem fornecer energia quase instantaneamente. Ao combinar as duas, engenheiros perceberam que as baterias poderiam fornecer eletricidade às minas enquanto as usinas a carvão se aqueciam.

Meléndez trabalhou 16 horas por dia durante seis meses para conectar a primeira bateria de íon-lítio comercializada a uma rede elétrica. Esse equipamento ainda está lá, embora a maioria de suas funções tenha sido transferida para unidades mais novas, eficientes e acessíveis.

O projeto foi imediatamente bem-sucedido, ajudando a manter o sistema elétrico estável quando operações de mineração causavam picos que antes levavam a falhas e quedas de energia.

Nos anos seguintes, a AES instalou mais baterias nos Estados Unidos e no Chile, incluindo ao lado de grandes usinas solares.

Na última década, baterias ajudaram o Chile a usar menos carvão. Em dezembro passado, o país obteve mais de 40% de sua eletricidade de painéis solares e turbinas eólicas, ante 19% cinco anos antes, de acordo com a Ember Energy Research, uma organização sem fins lucrativos. Austrália, Reino Unido, China, Índia e outros países também vêm adicionando muita energia renovável e baterias.

Shelton disse que até ele se surpreendeu com o crescimento recente. “Nós subestimamos o quanto os preços cairiam.”

Baterias para redes elétricas estão em toda parte – 06/12/2025 – Mercado – Folha

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China avança para dominar o próximo grande recurso estratégico: o mar

Plataformas capazes de resistir a explosões nucleares marcam escalada na disputa pelo controle das águas internacionais

JESUS DIAZ – Fast Company Brasil – 05-12-2025 

Monopólio das terras raras. Cadeias produtivas quase impossíveis de superar. Modelos de IA gratuitos que já rivalizam – ou até superam – os norte-americanos. Mais artigos científicos e mais doutores em ciência, tecnologia, engenharia e matemática do que em qualquer outro país.

Se você tem acompanhado esses temas ultimamente, já percebeu que a estratégia de décadas da China para se tornar a maior superpotência global está se concretizando. O que muita gente não nota é outra peça central desse plano: a corrida de Pequim para dominar o recurso mais estratégico do planeta – o oceano.

A ambição marítima chinesa deixou de ser apenas regional e ganhou escala global, impulsionada por uma expansão naval “em velocidade vertiginosa”, comparada à dos EUA na Segunda Guerra Mundial. Hoje, a China já tem a maior frota militar do mundo em número de embarcações.

Mas a estratégia de Pequim para controlar a região do Indo-Pacífico – e mais – vai muito além de navios de guerra. A China tem recorrido com frequência a táticas de “zona cinzenta”, que misturam pesquisa científica e projeção militar de forma difícil de distinguir.

A estratégia inclui o uso de ativos “civis” com dupla função – de navios oceanográficos a frotas de pesca militarizadas – para mapear rotas estratégicas e afirmar soberania sem disparar um único tiro.

Essa estratégia de “avançar sem atacar” está agora entrando em uma nova fase: megaestruturas pensadas para garantir uma presença permanente em águas disputadas – ilhas flutuantes e bases submarinas.

Pequim afirma que está construindo essas estruturas para a chamada economia azul – a ideia de que o mar é um gigantesco recurso ainda pouco explorado – o que, em parte, é verdade.

A PLATAFORMA FOI PROJETADA PARA ACOMODAR 238 PESSOAS POR ATÉ QUATRO MESES SEM REABASTECIMENTO.

Mas elas são projetadas com resistência de nível militar, funcionando, na prática, como bases avançadas que ampliam o alcance chinês muito além de seu litoral, mantendo ao mesmo tempo uma aparência de projeto civil.

Os desenvolvimentos mais recentes incluem bases em águas profundas, centros de dados submersos e, agora, uma plataforma flutuante de pesquisa capaz de resistir até a explosões nucleares.

Juntos, esses projetos formam uma infraestrutura integrada para operações de longo prazo, extração de recursos e processamento de dados no mar – tudo para ampliar a vantagem científica e industrial da China e expandir sua presença nos mares do mundo todo.

A PRIMEIRA DO GÊNERO

Segundo um artigo publicado no “Chinese Journal of Ship Research”, a nova instalação é uma plataforma semissubmersível de 86 mil toneladas, descrita por seus criadores como uma ilha artificial móvel e autossuficiente.

Documentos da China State Shipbuilding Corporation – que ficará responsável pela construção – descrevem um navio de casco duplo com 138 metros de comprimento e 85 metros de largura e um convés principal elevado a 45 metros acima da linha d’água, segundo o “South China Morning Post”.

A plataforma foi projetada para acomodar 238 pessoas por até quatro meses sem reabastecimento. Não existe nada parecido no mundo.

Yang Deqing, da Universidade Jiao Tong de Xangai, explica que a estrutura foi pensada para “residência de longo prazo”. A superestrutura inclui compartimentos de energia, comunicação e navegação reforçados para continuar operando mesmo após uma explosão nuclear.

Ela pode operar em mar de nível sete – com ondas de seis a nove metros – e suportar tufões de categoria 17, a mais alta da escala chinesa.

Segundo o líder do projeto, Lin Zhongqin, a equipe está “correndo para finalizar o design e a construção”, com previsão de operação plena em 2028. A embarcação deve navegar a cerca de 27 km/h para realizar pesquisas em águas profundas e testar tecnologias de mineração no Mar do Sul da China.

UMA ESTAÇÃO ESPACIAL SUBMARINA

O país também está construindo uma base submarina digna de filme de espionagem, a cerca de dois mil metros de profundidade – aparentemente a primeira de várias.

Segundo Yin Jianping, do Instituto de Oceanografia do Mar do Sul da China, trata-se de uma espécie de “estação espacial no fundo do mar”. Os módulos pressurizados foram projetados para acomodar seis cientistas por até um mês.

A base vai estudar formas de extrair hidrato de metano – para atender à crescente demanda energética da China – e mapear depósitos de terras raras, cobalto e níquel. Ela vai contar com o navio de perfuração Meng Xiang e com uma rede de submersíveis não tripulados, que também atuará como sistema de vigilância para o país.

Primeiro módulo do data center submarino chinêsPrimeiro módulo do data center submarino chinês foi lançado em (Crédito: Reprodução/ YouTube)

Em paralelo, a China implantou seu primeiro data center submarino comercial na costa da província de Hainan. Uma estrutura de 1.433 toneladas, a 35 metros de profundidade, abriga 24 módulos de servidores. O gerente do projeto, Pu Ding, destaca que eles “colocaram toda a cabine de dados em alto-mar porque a água pode ajudar a resfriar a temperatura”.

Os desenvolvedores afirmam que esse resfriamento passivo pode economizar cerca de 90% da energia normalmente usada para climatização em data centers em terra.

A China não vai parar por aí. Vai continuar a fabricar iPhones, ímãs de terras raras e a construir as melhores IAs, usando o maior exército de especialistas do mundo. Mas também quer se tornar a maior superpotência marítima – assim como a Espanha, a Grã-Bretanha e os EUA em séculos passados.


SOBRE O AUTOR

Jesus Diaz fundou o novo Sploid para a Gawker Media depois de sete anos trabalhando no Gizmodo. É diretor criativo, roteirista e produtor da The Magic Sauce e colaborador da Fast Company.

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The Economist: As novas fronteiras de inovação chinesa que desafiam regulações e o Ocidente

Com táxis robóticos e novos medicamentos, China mostra seu poder tecnológico ao mercado global

Por Estadão/The Economist – 29/11/2025 

Aqueles que se preocupam com a forma de lidar com a liderança da China em tecnologia — e são muitos — pensam muito em veículos elétricos (EVs), painéis solares e inteligência artificial de código aberto. Para essas pessoas, temos más notícias. Esta semana, relatamos como a China está avançando rapidamente em duas outras tecnologias de ponta: veículos autônomos e novos medicamentos. À medida que essas indústrias se espalham pelo mundo, elas exemplificarão o poder da inovação chinesa.

O progresso da China em cada uma dessas áreas importantes tem sido impressionante. Uma revolução dos táxis robóticos está ganhando força, o que pode remodelar o transporte, a logística e a vida urbana cotidiana. Os táxis autônomos do país, construídos por um terço do custo dos da Waymo nos Estados Unidos, estão acumulando milhões de quilômetros rodados e firmando parcerias na Europa e no Oriente Médio.

Na medicina, a China deixou de ser uma fabricante imitadora de genéricos para se tornar a segunda maior desenvolvedora de novos medicamentos do mundo, incluindo aqueles que combatem o câncer. Rivais ocidentais estão licenciando os produtos de suas empresas. O dia em que uma gigante farmacêutica surgirá da China não parece mais tão distante.

Para você

O crescimento de ambas as indústrias diz muito sobre como funciona a inovação chinesa. Um vasto leque de talentos, uma ampla base industrial e uma enorme escala combinam-se para impulsioná-la rapidamente na cadeia de valor. A produção de táxis robóticos aproveitou a fabricação em massa de veículos elétricos e o domínio no fornecimento de lidars (sistema de sensoriamento remoto) e outros sensores necessários para a condução autônoma; a escala também ajudou a reduzir os custos. Exércitos de pacientes recrutados para ensaios clínicos e lucros com a fabricação de medicamentos genéricos aceleraram a inovação farmacêutica.

Um ingrediente mais surpreendente do sucesso da China são seus reguladores ágeis e permissivos. Como em outros setores, os governos locais ofereceram às empresas crédito barato e outras ajudas. Mas foi a agilidade na regulamentação que realmente impulsionou o progresso.

Logo após os líderes políticos definirem sua ambição de tornar a China uma “superpotência em biotecnologia” em 2016, o país implementou uma série de reformas. A força de trabalho do órgão regulador de medicamentos quadruplicou entre 2015 e 2018, e um acúmulo de 20 mil novos pedidos de registro de medicamentos foi eliminado em apenas dois anos.

O tempo necessário para obter aprovação para testes em humanos diminuiu de 501 dias para 87. No ano passado, as empresas do país realizaram um terço dos ensaios clínicos do mundo.

Da mesma forma, a China foi pioneira na experimentação de táxis robóticos. Autoridades locais, interessadas em atrair talentos e investimentos, aprovaram projetos-piloto em ritmo acelerado e instalaram sensores e outras infraestruturas digitais para ajudar a orientar veículos autônomos; os testes foram realizados em mais de 50 cidades.

Muitos também experimentaram leis sobre responsabilidades e diretrizes para testes. Embora os acidentes tenham causado algumas interrupções, os projetos-piloto ajudaram engenheiros e formuladores de políticas a compreender a nova tecnologia.

A concorrência acirrada no mercado interno impõe condições difíceis às empresas individuais, mas as sobreviventes são condicionadas a se tornarem campeãs de exportação hipercompetitivas. As operadoras de táxis robóticos da China competem entre si e com táxis baratos dirigidos por humanos em uma economia dominada pela deflação.

As novas tecnologias recebem subsídios que, em última análise, saem do bolso de sua população mal remunerada. Muitas empresas deficitárias não sobreviverão às guerras de preços resultantes. Mas aquelas que sobreviverem buscarão lucros no exterior.

Uma nova onda de inovação chinesa de baixo custo irá, portanto, espalhar-se pelo mundo. Isso acontecerá de diferentes maneiras. Os medicamentos baratos da China podem trazer benefícios, especialmente para os países em desenvolvimento. Mas, para as empresas chinesas, o lucrativo mercado americano, que é a fonte de 70% dos lucros farmacêuticos globais, é o prêmio mais atraente.

E a importância da China para os pipelines das farmacêuticas ocidentais significa que a relação pode até ser simbiótica. Os táxis robóticos, por outro lado, provavelmente seguirão o caminho mais comum para as exportações de tecnologia da China.

Eles são bloqueados pelos Estados Unidos, que têm sua própria indústria e sérias preocupações com a segurança, mas provavelmente ganharão espaço em outros lugares, onde os esforços domésticos para alcançar autonomia estão muito atrasados.

Como o resto do mundo deve responder? A concorrência corre o risco de esvaziar as economias ocidentais. Quando há evidências de dumping e subsídios chineses, as contramedidas contra as exportações chinesas são justificadas e necessárias. Quando há riscos à segurança, as medidas também são justificadas.

Os dados coletados por táxis robóticos podem representar uma ameaça à vigilância; a indústria farmacêutica chinesa sofreu escândalos de corrupção. No entanto, o protecionismo impulsivo em nome da segurança seria um erro. Bloquear ou limitar os frutos da inovação chinesa privaria os consumidores dos benefícios de medicamentos e transportes mais baratos e melhores, em um momento em que os eleitores se preocupam com a acessibilidade.

É por isso que seria melhor para as economias ocidentais repensarem como a inovação funciona em seus países. É tentador ser fatalista em relação à ascensão da China — concluir que seu domínio sobre as tecnologias do futuro só pode ser alcançado por meio de ditames autoritários e doações desperdiçadoras e que, portanto, as democracias não podem seguir seus passos.

Mas a inventividade do setor privado chinês e a agilidade de seus reguladores também têm sido ingredientes cruciais. Aqui, infelizmente, o Ocidente está indo na direção errada.

A vida em ritmo lento

Os Estados Unidos têm escala e recursos financeiros para competir. Mas em muitos Estados, especialmente os democratas, os reguladores estão bloqueando ou atrasando os veículos autônomos. O governo está travando uma guerra contra as universidades e cortando fundos para pesquisa básica.

Assim como em outros países ocidentais, ele é hostil aos imigrantes, incluindo os mais talentosos. No setor farmacêutico, com o aumento da participação da China nos ensaios clínicos, a Europa está perdendo terreno. Suas economias precisam desesperadamente se integrar ainda mais para que possam financiar e desenvolver novas tecnologias. Também nesse caso, os reguladores muitas vezes valorizam a segurança em detrimento da assunção de riscos e da experimentação.

Nada indica que a China deva ser dona do futuro. Mas se o Ocidente quiser competir em carros autônomos e medicina, sem falar em veículos elétricos, energia solar e outras tecnologias vitais, ele precisa aprender as lições certas com a ascensão da China.

The Economist: As novas fronteiras de inovação chinesa que desafiam regulações e o Ocidente – Estadão

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Gêmeos digitais e IA são destaques em feira de automação nos EUA

Interação entre robôs e seres humanos chama a atenção e exige revisão do layout das fábricas

Por Lucianne Carneiro — Valor – 02/12/2025

Gêmeos digitais (reprodução digital em tempo real), inteligência artificial, sensores digitais, robótica autônoma e internet das coisas foram alguns dos destaques nos corredores e nos auditórios da Automation Fair, feira de automação realizada no fim de novembro em Chicago, nos Estados Unidos.

São tecnologias que se tornam cada vez mais interligadas e com utilização mais intensa e avançada nas máquinas e equipamentos industriais. A interação entre robôs e seres humanos também chama a atenção e exige inclusive uma revisão do layout das fábricas.

“A tecnologia que vai sustentar essa transformação [das operações industriais] passa por abordagem definida por softwares, uso de inteligência artificial em todos os níveis e robótica”, resume Blake Moret, diretor-executivo da empresa de automação industrial Rockwell, responsável pela feira.

Na avaliação do superintendente de projetos de inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Bork, o mundo se aproxima da quinta revolução industrial. “Nós estamos chegando ou já estamos definitivamente na quinta revolução industrial. A inteligência artificial é na verdade um processamento de dados muito rápido, inserido nesse sistema computacional. Isso dá agilidade e velocidade aos processos e às tomadas de decisão.”

A quinta revolução industrial – conhecida também como indústria 5.0 ou indústria 4.1 – é uma evolução da indústria 4.0. Na quarta revolução já aparecia aprendizagem de máquina e internet das coisas, que agora avança para englobar usos mais refinados da inteligência artificial e a interação entre robôs e humanos.

“Temos muitas tecnologias acontecendo ao mesmo tempo, diferentes possibilidades e muito ‘hype’ [moda]. Em cinco anos, muito do que usamos hoje estará obsoleto. Mas decisões tomadas hoje, com os melhores parceiros, vão ajudar a inventar o futuro da operação industrial”, diz o vice-presidente sênior e diretor de tecnologia da Rockwell, Cyril Perducat.

Robôs móveis autônomos estão na mira dos fabricantes e das indústrias

A tecnologia dos gêmeos digitais estava presente em grande parte dos estandes da feira e também foi muito citada entre os palestrantes. É um modelo virtual, em terceira dimensão, que reproduz produtos e processos em tempo real. Com esta alternativa de simulação, por exemplo, o custo de implantação de uma nova fábrica ou linha de montagem é reduzido.

Outra das frentes é o uso de tecnologias preditivas na manutenção de máquinas e equipamentos. Ao identificar padrões no uso de maquinário, é possível estimar quando reparos e ajustes são necessários.

Com isso, as paradas na produção podem ser programadas e os custos são menores. Em uma etapa futura de progresso, ainda não disponível, espera-se que se possa apontar quais reparos são indicados.

Robôs avançados também chamavam atenção na Automation Fair, mas não os robôs humanoides mais comuns no imaginário popular. Os robôs móveis autônomos (ou AMRs, na sigla em inglês), com sensores capazes de desviar de obstáculos, estão na mira dos fabricantes e das indústrias em busca de automação. Se versões mais simples são conhecidas para varrer casas, modelos mais sofisticados podem oferecer mais eficiência para a automação industrial.

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