Enxame de satélites de Musk aflige astronomia

Starlink multiplica objetos em órbita que atrapalham telescópios como o Vera C. Rubin

Marcelo Leite – Folha – 23.mar.2025 

Jornalista de ciência e ambiente, autor de “Psiconautas – Viagens com a Ciência Psicodélica Brasileira” (ed. Fósforo)

A cada enxadada, uma minhoca. Basta voltar atenção a qualquer coisa bolada por Elon Musk para topar com coisa ruim. Além de exterminar o serviço público nos EUA, o Doge de Trump também está no encalço da astronomia.

Neste caso é o empresário, e não o mandachuva sul-africano não eleito, que põe em risco todo um setor de pesquisa. Sua empresa Starlink pôs em órbita uma muvuca de satélites que prejudica a visão dos maiores telescópios do mundo.

O enxame de artefatos em torno da Terra teve crescimento exponencial em cinco anos, chegando a 11 mil. Desses, 7.000 abastecem com terabits as pequenas antenas da Starlink, que levam cobertura a lugares remotos como a amazônia. A firma de Musk e outras têm planos para lançar dezenas de milhares de satélites.

Toda tecnologia benéfica tem efeitos não pretendidos. Conexão à internet é uma dádiva para comunidades indígenas ou ribeirinhas isoladas, mas também facilita a vida de garimpeiros, madeireiros, traficantes e grileiros.

Os satélites da Starlink e outras empresas riscam o céu noturno com quantidade crescente de pontos mais, ou menos, brilhantes, a depender de tamanho, formato e distância. Em 2017, o reflexo de um fragmento de satélite foi confundido com uma rajada de raios gama, informa Alexandra Witze na Nature.

Não é brincadeira: satélites obrigam astrônomos a monitorar seus percursos, de modo a evitar observações quando os objetos estão passando. Existem bancos de dados para mapear trajetórias, mas não são ultraprecisos, porque elas podem mudar pelo atrito com a atmosfera ou por manobras de posicionamento.

Um dos focos de preocupação está no topo de uma montanha no Chile, o Observatório Vera C. Rubin, que custou US$ 810 milhões (R$ 4,6 bilhões). Dotado de telescópio com espelho de 8,4 m, pode registrar um milhar de instantâneos detalhados por noite, para compor um levantamento do céu austral em dez anos e, por exemplo, captar asteroides na rota da Terra. Nesse período, estima-se que até 40 mil satélites poderão estar circulando sobre o Rubin. Caso isso se concretize, cerca de um décimo das imagens geradas flagrarão a passagem de pelo menos um desses aparelhos.

O desenvolvimento das tecnologias de telecomunicação pode criar outros problemas. Novas versões de satélites precisarão ser lançadas, e os obsoletos passarão a integrar o lixo espacial em órbita.

Há mais. Além de refletirem luz, alguns artefatos emitem radiação eletromagnética que atrapalha estudos por radiotelescópios. A interferência tende a piorar com o advento de satélites que se comunicam direto com celulares, como fazem antenas em terra.

Não bastasse, a explosão populacional de satélites também gera poluição química, não só radiante. Além do monóxido de carbono e do CO2 emitidos em sua produção e por foguetes de lançamento, a reentrada dos aparatos aposentados pulveriza e espalha um monte de compostos pela atmosfera, como metais.

Mais uma razão para regular internacionalmente o lançamento de satélites. Só que não: estamos em pleno retrocesso na concertação de esforços para resolver problema muito mais grave, a crise do clima. Se não mantemos nem a casa terrena limpa, é vão esperar disciplina do capitalismo da porta para fora –no espaço.

Enxame de satélites de Musk aflige astronomia – 23/03/2025 – Marcelo Leite – Folha

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Conselhos de empresas no Brasil ficam mais profissionais e oferecem remuneração milionária

Estudo mostra crescimento na profissionalização dos colegiados, com contratação de conselheiros independentes, busca por mais diversidade e pagamento anual que pode ultrapassar R$ 1 milhão

Por Shagaly Ferreira – Estadão – 21/03/2025 

Ao longo da última década, o perfil do conselheiro de administração buscado pelas grandes empresas no Brasil teve uma transformação importante. Atualmente, esse é um profissional com atuação cada vez mais ativa junto à área executiva e mais atento às agendas urgentes do mercado. A prova disso aparece em um cenário corporativo marcado por conselhos com mais mulheres, mais membros recrutados fora dos núcleos familiares e com ofertas de remuneração tão atrativas quanto as recebidas nas funções executivas.

Os dados da pesquisa anual da consultoria Korn Ferry intitulada “Práticas de Governança e Remuneração de Conselhos” mostram que, em 2024, 6 em cada 10 membros dos conselhos de administração no País eram independentes (profissionais que não possuem vínculo pessoal ou financeiro com a empresa); 20% desses conselheiros eram mulheres; e parte deles tinha remuneração anual acima de R$ 1 milhão.

As informações da pesquisa são compiladas desde 2014. Em 2024, o levantamento, que está na 12.ª edição, mapeou mais de 100 grandes companhias no Brasil, tendo como maioria de sua base amostral dados não públicos, coletados diretamente com as empresas.

Ao catalogar as informações, a pesquisa observou de forma panorâmica informações gerais sobre remuneração de conselheiros, além de aspectos de governança e da estrutura dos conselhos. A maior parte das companhias ouvidas pertence ao segmento industrial, seguida das representantes de áreas de varejo, holding, serviços, finanças e de mais nove setores.

O líder da prática de serviços para conselhos da Korn Ferry, Jorge Maluf, explica, que ao longo do tempo, controladores das empresas no Brasil, que costumavam deter uma grande fatia das ações, passaram a abrir capital e ceder até 50% de sua parte para novos investidores. Com esses novos acionistas, vieram também novas exigências para governança, demandando mais membros independentes e mais diversidade de gênero.

“As empresas começaram a avançar na governança justamente para atender a essas demandas”, afirma.

Avanço na diversidade

Entre 2014 e 2024, a presença de mulheres nos conselhos saltou de 7% para 20%, segundo o estudo. O número é ainda inferior ao de mercados internacionais, como os dos EUA (25%) e da Europa (39%), mas aponta para uma tendência de aumento. Na presidência dos conselhos, as mulheres estavam em sete cadeiras em 2024, ante seis em 2023.

Segundo Maluf, essa rota de crescimento já era esperada, uma vez que houve forte influência da agenda ESG no mercado, principalmente por exigências de acionistas.

“Os investidores, lá fora, esperavam ver que os conselhos das empresas tivessem gradativamente um aumento de participação feminina. E, quando nos referimos aos conselheiros independentes, foi muito mais acelerada essa curva de crescimento de diversidade de gênero”, diz.

Membros independentes

O porcentual de membros independentes nos conselhos de administração quase dobrou em dez anos. Em 2014, eles eram 35% na composição desses colegiados. Agora, chegam a 60%. O estudo também registrou aumento no número de presidentes independentes. Entre 2023 e 2024, eles passaram de 27 para 34 entre as empresas mapeadas.

O aumento desse tipo de conselheiro nas empresas reflete a profissionalização e a mudança estratégica dos conselhos no Brasil, diz Maluf. A composição passou a exigir pessoas que pudessem apoiar não só decisões de auditoria, mas colaborar com a gestão efetivamente em novas e diversificadas demandas.

“A agenda temática dos conselhos começou a aumentar. Antes, ele se reunia para aprovar as contas, os demonstrativos financeiros. Era uma agenda de controle, de supervisão. Agora, o conselho tem de discutir transição energética, transformação digital, ESG, geopolítica global.”

Houve, com isso, a exigência de novos perfis, geralmente vindos de fora dos núcleos familiares. “Os conselhos passaram a perceber que aquele perfil tradicional de conselheiro, geralmente alguém com background em finanças e em direito, não dava mais conta de atender a essas demandas. Então, começaram a trazer pessoas de fora, que pudessem contribuir com essas outras discussões. Com isso, o conselho passou a ser mais atuante.”

Remuneração competitiva

A demanda por profissionais especialistas em diversas áreas não só influenciou o aumento de membros independentes, como também a oferta de remuneração mais competitiva, para atração de profissionais e maior dedicação de tempo deles às funções dos conselhos.

O estudo não apresenta uma série histórica sobre remuneração, mas aponta que, em 2024, o pagamento anual de um conselheiro independente podia atingir cifras milionárias. Um total de 25% das empresas com receita líquida de até R$ 5 bilhões oferecia mais de R$ 639 mil anuais para seus membros independentes, enquanto 25% das empresas com receita líquida acima de R$ 30 bilhões pagavam mais de R$ 1,1 milhão por ano para esse perfil de conselheiro.

“Há 15 anos, a remuneração de um conselheiro não era uma preocupação, pois essa não era uma profissão. Quem estava lá havia sido convidado ou tinha relação com o controlador, como uma espécie de clube”, explica Maluf. “Hoje, os conselhos se reúnem muito, e a dedicação de tempo dos conselheiros é muito intensa. Eles têm de estar muito preparados para participar de uma reunião.”

O movimento, conforme o especialista, criou um mercado de conselheiros, com a remuneração crescendo em um ritmo maior do que a remuneração executiva, embora o valor final ainda seja menor. A tendência é que o mercado atraia cada vez mais interessados. “O resultado da pesquisa é muito mais o efeito do que uma causa. A causa é essa mudança que os conselhos vêm vivendo e o efeito é que a remuneração reflete esse contexto. Ela começa a refletir o tamanho da contribuição esperada desses conselheiros.

Conselhos de empresas no Brasil ficam mais profissionais e oferecem remuneração milionária – Estadão

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O pequeno vilarejo da Dinamarca transformado pelo Ozempic

Adrienne Murray – BBC Worklife – 13 março 2025

Apenas dois anos atrás, o nome da empresa dinamarquesa Novo Nordisk dificilmente chamaria a atenção.

Mas a disparada das vendas de dois medicamentos para o tratamento de diabetes e obesidadeWegovy e Ozempic – transformou a gigante farmacêutica em uma das empresas mais valiosas da Europa.

A companhia divulgou, no início de fevereiro, que seus lucros antes dos impostos aumentaram em 22%, atingindo US$ 17,8 bilhões (cerca de R$ 103,4 bilhões).

O sucesso também trouxe enorme impulso para a economia da Dinamarca, que passou a ser um dos países de maior crescimento na região. Da criação de novos empregos até a redução das taxas de financiamento imobiliário, os efeitos cascata da estratosférica demanda pelos dois medicamentos vêm sendo sentidos em todo o país.

Isso sem falar na minúscula cidade portuária de Kalundborg, uma comunidade com menos de 17 mil habitantes, onde agora se concentra um dos maiores investimentos da história da Dinamarca.

Quando descem do trem nas proximidades de Kalundborg, a uma hora a noroeste da capital do país, Copenhague, os passageiros são recebidos pelo canto dos pássaros e pelo barulho das construções. É neste local improvável que, hoje, fica o epicentro de uma revolução global da perda de peso.

No outro lado da ponte ferroviária, ficam os edifícios quadrados e cinzentos da extensa fábrica da Novo Nordisk. Ali, é produzida a metade da insulina do planeta. E também a semaglutida, o ingrediente ativo revolucionário do Ozempic e do Wegovy.

“Somos o centro onde se inicia o remédio, a substância principal”, conta o prefeito de Kalundborg, Martin Damm. Ele nos leva para visitar o perímetro da fábrica, um vasto terreno de 1,6 milhão de metros quadrados, equivalente a 224 campos de futebol.

“Agora, você está entrando na terra dos guindastes”, anuncia Damm. Conto rapidamente cerca de 20 deles, erguendo novas estruturas de concreto e cabines temporárias.

Aqui, será gasto o surpreendente valor de US$ 8,6 bilhões (cerca de R$ 49,9 bilhões) nos próximos anos, gerando 1.250 novos empregos, além dos 4,4 mil funcionários atuais da empresa. A obra também atraiu 3 mil operários da construção civil para a região.

“Temos uma regra geral: cada emprego dentro da indústria gera três empregos fora dela”, explica Damm.

A economia de Kalundborg enfrentou altos e baixos ao longo do tempo. A cidade era um centro de construção naval e floresceu nos anos 1960, com a fabricação dos Carmen Curlers, uma espécie de bóbi para ondular os cabelos que era popular nos Estados Unidos, mas depois saiu de moda.

Agora, parece que a cidade está revivendo. Enquanto dirigimos, Damm aponta para um posto de gasolina.

“Todas as manhãs, o proprietário precisa assar 30 kg de carne de porco para os sanduíches. Todos esses operários gostam de sanduíches de carne de porco.”

Existem várias histórias de crescimento repentino do comércio. Um supermercado local aumentou suas vendas em cinco vezes e uma lanchonete fast food vendeu 17,5 mil cachorros-quentes em pouco mais de um mês, para operários da construção famintos em busca de um lanche rápido.

Crédito,

Dois terços do crescimento do PIB dinamarquês vieram de apenas dois municípios. Ambos têm um ponto em comum: instalações da Novo Nordisk.

Entre eles, Kalundborg observou uma taxa de crescimento surpreendente de 27% em 2022, segundo os dados mais recentes disponíveis. “Somos a número 1”, declarou Damm.

O prefeito destaca que o desemprego local, que era alto uma década atrás, agora é um dos mais baixos da região.

A crescente arrecadação de impostos corporativos da Novo Nordisk ergueu as finanças do município. Isso permitiu a construção de uma piscina pública e a elaboração de planos para uma nova casa de cultura e biblioteca. Serão construídas mais de 1.250 residências e foi aberto o caminho para uma nova estrada até Copenhague.

Mas, apesar de toda essa receita, as escolas primárias locais ainda estão atrasadas em matérias como Matemática. E há na região um alto índice de crianças acima do peso, o que vem gerando críticas.

A BBC conversou com moradores de Kalundborg, que foram reticentes quanto aos benefícios verificados até aqui.

“Empresas estão abrindo e fechando, é a mesma coisa”, afirma Lonny Frederiksen, dona de um salão de cabeleireiros na cidade. “Mas os jovens, agora, têm mais oportunidades.”

Muitos trabalhadores usam o transporte público, em vez de morarem em Kalundborg, destaca Gitte Pedersen, cliente do salão. Ela também se desloca e lamenta o tráfego pesado. “Às vezes, preciso esperar [devido às] filas e não gosto disso.”

Mas ela está otimista sobre o futuro da cidade. “Irá trazer muitos empregos. Veremos a diferença daqui a alguns anos.”

Demanda insaciável

Por um século, os negócios da Novo Nordisk se basearam na produção de insulina. Mas a descoberta do efeito da semaglutida para a perda de peso gerou uma reviravolta.

“Ela está realmente se transformando em uma nova empresa”, segundo o professor Kurt Jacobsen, da Escola de Negócios de Copenhague. Ele é o autor de um livro sobre a companhia.

O Wegovy e o Ozempic pertencem a uma classe de drogas chamada GLP-1s. Elas ajudam a controlar o açúcar do corpo e a suprimir o apetite.

O Ozempic foi aprovado nos Estados Unidos em 2017. E, em 2021, foi a vez do Wegovy, hoje disponível em 13 países, incluindo a China.

As vendas da injeção semanal para perda de peso cresceram em 86% no ano passado. Já o Ozempic é o remédio para diabetes mais vendido do mundo e 45 milhões de pessoas fazem uso dos tratamentos oferecidos pela empresa.

Mais da metade das vendas da Novo Nordisk foram para os Estados Unidos, onde dezenas de milhares de novos usuários de Wegovy se inscrevem a cada semana para conseguir a receita.

O tratamento custa no país mais de US$ 1 mil (cerca de R$ 5,8 mil) por mês, em comparação com apenas US$ 92 (cerca de R$ 534) na Alemanha. Por isso, muitas seguradoras americanas se recusam a cobrir os custos do tratamento.

Durante uma audiência no Congresso americano no ano passado, o senador Bernie Sanders perguntou repetidamente ao CEO (presidente-executivo) da Novo Nordisk, Lars Fruergaard Jørgensen, por que os americanos pagam mais pelo medicamento. Ele exigiu que a empresa “pare de nos espoliar!”

Em resposta, a companhia culpou as complexidades e os “intermediários” do sistema de saúde americano.

Cerca de 800 milhões de pessoas vivem com obesidade em todo o mundo. Estima-se que o mercado global de tratamentos para perda de peso possa atingir US$ 150 bilhões (cerca de R$ 871 bilhões) em 2030.

Este imenso mercado alimenta uma verdadeira corrida do ouro em toda a indústria, com as grandes empresas farmacêuticas em busca da próxima geração de medicações contra a obesidade.

As líderes até o momento são a Novo Nordisk e a sua concorrente americana Eli Lilly, que produz medicamentos similares. Mas as duas fabricantes têm dificuldade para atender à demanda insaciável por seus produtos.

Para ampliar a capacidade de produção, a Novo Nordisk deu início a uma onda colossal de gastos, totalizando vários bilhões de dólares.

A empresa está ampliando suas fábricas na Dinamarca e construindo uma nova instalação no país. Além das fronteiras locais, ela também está conduzindo ampliações na França e nos Estados Unidos e adquiriu três fábricas de medicamentos da empresa americana Catalent.

Grande impacto sobre uma economia pequena

Para uma empresa sediada em um pequeno país com menos de seis milhões de habitantes, o crescimento da Novo Nordisk trouxe impactos desproporcionais.

“Existem outras empresas com participação importante na economia, especialmente a [companhia de navegação] Maersk, mas nenhuma nesta escala”, afirma o economista-chefe do Danske Bank, Las Olsen. “É a maior da história.”

Em 2023, a Dinamarca foi uma das economias que mais cresceram na Europa. O PIB do país aumentou em 2,5% – e metade deste crescimento foi gerado pelo setor farmacêutico.

Após a grande expansão das exportações de medicamentos, o governo agora anuncia que o crescimento em 2024 foi de 3,0% e prevê 2,9% para este ano.

O setor farmacêutico também é o que paga mais impostos no país. Ele é responsável por 20% de todos os novos empregos e muitos fundos de pensão e cidadãos dinamarqueses possuem ações de empresas do setor.

Para Olsen, “de certa forma, a Dinamarca é como o resto da Europa, mas um pouco mais forte. E, com a Novo Nordisk somos muito mais fortes.”

Os dólares que chegam à Dinamarca provenientes da exportação pressionaram a moeda local. A consequência foi a redução dos custos dos empréstimos.

“Temos taxas de juros levemente abaixo da zona do euro, o que é um resultado direto de todo esse fluxo de entrada de dinheiro”, explica Olsen.

Por outro lado, nos últimos meses, a cotação das ações da empresa, antes estratosférica, desabou. O motivo foi o resultado dos testes de dois novos tratamentos contra a obesidade, que decepcionou os investidores.

O movimento de venda das ações foi tão grande que a própria coroa dinamarquesa sofreu uma rápida baixa. Mas os dados dos testes iniciais bem sucedidos de mais uma nova injeção semanal fizeram com que as ações subissem novamente em janeiro.

Existe também o receio de que a Novo Nordisk esteja ficando maior que a Dinamarca e possa tornar a economia do país mais vulnerável. Surgiram comparações com a economia da Finlândia, que entrou em recessão em 2007, quando a gigante da telefonia celular Nokia não conseguiu competir com os novos smartphones.

Mas a maioria dos especialistas que consultamos não tem tanto receio de um desfecho similar.

“A maioria concorda que existe uma baixa probabilidade”, segundo o presidente do Conselho Econômico da Dinamarca, Carl-Johan Dalgaard.

“É claro que a probabilidade não é zero. Se você tiver uma economia que abriga superastros da indústria, a maioria irá achar que esta é uma grande vantagem.”

Mas, quando algumas empresas grandes dominam a economia do país (como é, cada vez mais, o caso da Dinamarca), podem surgir outras desvantagens, sugere Dalgaard.

“Existe o receio de que, com a influência econômica, você possa também ver eventualmente surgir a influência política, o que pode trazer consequências.”

E existem novos riscos surgindo no horizonte.

Em meio às tensões sobre o controle da Groenlândia, o presidente americano Donald Trump ameaçou impor possíveis tarifas de importação sobre os produtos dinamarqueses. E a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, convocou recentemente os responsáveis pelas maiores companhias do país para uma reunião.

“O lado americano indicou que, infelizmente, pode vir a haver uma situação na qual iremos trabalhar menos em conjunto do que atualmente”, declarou ela.

Entre os presentes à reunião, estava Jørgensen, da Novo Nordisk. Após o anúncio dos lucros da empresa, em 5 de fevereiro, ele declarou aos repórteres que a companhia está preparada, mas “não imune”.

“Tarifas de importação são sempre uma má ideia”, segundo o pesquisador Jacob Funk Kirkegaard, do think tank (centro de pesquisa e debates) americano Instituto Peterson de Economia Internacional.

Mas ele acredita que “de todos os países da União Europeia, certamente nenhum seria mais resiliente às tarifas americanas do que a Dinamarca. Uma empresa sofisticada como a Novo Nordisk (que também produz fora da Dinamarca) seria capaz de se isolar.”

‘Daqui a cinco anos, tudo será diferente’

Além da Novo Nordisk, existem diversas empresas multinacionais na Dinamarca. Elas incluem a gigante da navegação Maersk, a indústria de cerveja Carlsberg e o fabricante de brinquedos Lego. Muitas delas, em parte, são de propriedade de fundações beneficentes.

Este modelo oferece estabilidade a longo prazo e dificulta a dissolução das empresas, segundo a vice-presidente da Câmara Dinamarquesa de Comércio, Mette Feifer.

“Se a Novo Nordisk não fosse de propriedade de uma fundação, acho que ela não seria dinamarquesa hoje em dia”, explica ela. “Ela teria sido vendida 10 ou 20 anos atrás.”

A fundação filantrópica da empresa, atualmente, é a mais rica do mundo. Em 2023, ela distribuiu US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,6 bilhões) em doações para centenas de projetos, na Dinamarca e no exterior.

De volta a Kalundborg, um novo campus educacional se dedica a formar a próxima geração de profissionais de ciências da vida.

Entre outras instituições, a Helix Lab é financiada pela Fundação Novo Nordisk. Ela oferece aos estudantes de mestrado acesso a laboratórios de pesquisa e contratações por empresas locais de biotecnologia.

“Você tem a indústria do outro lado da rua e pode colaborar mais de perto com ela”, afirma a estudante de engenharia química mexicana Maria Riquelme Jiménez. Ela espera, um dia, poder trabalhar na Novo Nordisk.

“Realmente é uma vantagem para seus empregos futuros”, destaca a diretora da Helix Lab, Anette Birck. E também ajuda a atrair talentos e fornecer oportunidades para os jovens de Kalundborg, segundo ela.

Em frente à orla inteligente da cidade, fica a cafeteria Costa Kalundborg Kaffe, de propriedade do neozelandês Shaun Gamble.

“Dirigindo pela área em construção, você fica surpreso com tanta grandiosidade para uma cidade pequena”, ele conta.

Sua cafeteria presenciou o aumento do número de clientes e de estudantes estrangeiros que se mudam para a região, além da abertura de empresas locais.

“Houve uma mudança”, ele conta. “Ainda está no começo, mas posso sentir.”

“Daqui a cinco anos, tudo será diferente por aqui – e melhor.”

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Business

O pequeno vilarejo da Dinamarca transformado pelo Ozempic – BBC News Brasil

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Brasil tem 500 projetos de infraestrutura em elaboração para serem leiloados; veja mapas

Só neste ano, governo federal planeja realizar 82 leilões de empreendimentos incluídos no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI)

Por Luiz Guilherme Gerbelli – Estadão – 20/03/2025 

Apesar da incerteza econômica crescente dos últimos meses, o Brasil tem um longo cardápio de projetos de infraestrutura que pretende transferir para a iniciativa privada com potencial para atrair bilhões em investimentos nos próximos anos.

Os projetos são, em sua maioria, encampados pela União e pelos Estados, mas há também ativos de municípios na lista. Um levantamento realizado pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) apontou que o País tem cerca de 500 projetos em estruturação para migrar para o setor privado. Ao todo, eles podem garantir R$ 750,5 bilhões em investimentos.

Esse investimento bilionário que pode chegar ao Brasil marca uma mudança de patamar e paradigma na infraestrutura brasileira. Por muitas décadas, a transferência para o setor privado era rechaçada no País. “Agora, os governantes tomaram a decisão política de fazer concessões. Não adianta ter um bom projeto se o governante não decidir fazer a concessão para o setor privado daquele ativo público”, afirma Roberto Guimarães, diretor de planejamento e economia da Abdib.

No ano passado, a estimativa da Abdib é a de que o investimento em infraestrutura alcançou R$ 259,3 bilhões, o maior valor já registrado pela série histórica da associação, iniciada em 2010.

Os investimentos privados também bateram recorde e somaram R$ 197,1 bilhões. A associação faz a projeção com base nos dados dos balanços divulgados pelas empresas ao longo do ano. Os dados finais de 2024 ainda serão fechados com base nos últimos números das companhias.

Mais do que uma decisão política de abrir espaço para o setor privado, há ainda outros fatores apontados por especialistas que ajudaram o País a avançar no cenário do investimento em infraestrutura. São eles: a melhora da qualidade dos estudos de viabilidade e estruturação dos projetos, o surgimento das novas fontes de financiamento e o fato de o Brasil ser um dos poucos países com projetos robustos de concessão.

A economia brasileira também lida com uma restrição fiscal importante nos últimos anos, o que ajuda abrir espaço para o setor privado.

“Hoje, temos projetos de concessão com compartilhamento de riscos de demanda, de variação cambial. Isso não existia no passado”, afirma Guimarães.

Em 2025, o governo federal espera realizar 82 leilões de projetos que estão dentro do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Os investimentos a serem contratados são de R$ 130 bilhões.

Do total de projetos, 42 são federais. O restante é de origem de entes subnacionais. Se essa previsão se confirmar, o resultado de 2025 será o melhor já apurado desde que o PPI surgiu, em 2016. Até agora, o melhor resultado é de 2021, quando foram registrados 66 leilões.

No PPI, há projetos previstos para diferentes áreas: portos e hidrovias, mineração, irrigação, óleo e gás, saneamento, iluminação pública, parques, estruturação de parcerias público privadas (PPP) para a educação infantil, entre outros.

“A nossa expectativa é de que esses projetos devem sair”, diz Cleyton Barros, chefe da assessoria especial para o PPI. “Na nossa avaliação, esse é um resultado da (melhora da) estruturação e modelagem e da conversa ao mercado. O processo de governança estabelecido pelo PPI perpassa todo o ciclo de desenvolvimento dos projetos de infraestrutura para que eles possam sair do papel.”

Em 2025, por exemplo, o Ministério dos Transportes pretende colocar de pé 15 leilões de rodovias. O número é maior do que o do ano passado, quando foram realizados sete leilões, a melhor marca em sete anos, e até acima do previsto pela PPI − são 12 na conta do programa.

O primeiro desses leilões foi realizado no fim de fevereiro. Sem concorrentes e por meio de um consórcio, as gestoras 4UM e Opportunity arremataram a concessão Agro Norte (BR-364/RO). O projeto de concessão da Agro Norte prevê R$ 10,23 bilhões em investimentos durante os 30 anos de contrato.

“O apetite (do investidor) está grande, apesar do juro alto e da preocupação com a inflação e com as contas públicas”, afirma Gesner Oliveira, sócio executivo da consultoria GO Associados.

Há ainda uma grande expectativa por leilões de outros setores, como no saneamento. Estão previstos leilões dos sistemas de Goiás, Rondônia e Paraíba. Fora do PPI, existe a expectativa pelo leilão do sistema de Pernambuco, que deverá ser o maior do País, com investimentos de R$ 18,9 bilhões.

“O saneamento criou uma agenda regulatória. Há uma institucionalidade para conduzir esses programas de concessão e o mercado entendeu isso”, diz Fernando Vernalha, do Vernalha Pereira Advogados, especialista em investimentos em infraestrutura pública.

A carteira cheia de projetos e a sinalização de que os investidores querem investir no País impõem um desafio importante de manter uma estabilidade macroeconômica. Os juros em alta podem tornar os investimentos mais caros, o que contribui para piorar a atratividade dos projetos.

“Tem uma conjuntura que é mais desafiadora do que era há um ano, em razão dos juros altos e do câmbio volátil”, acrescenta Vernalha. “Mas há mecanismos de mitigação de risco cambial, por exemplo. Ele não é perfeito, mas ajuda a mitigar o risco.”

Hiato do investimento

Embora os números sejam positivos, o Brasil ainda tem um grande caminho a percorrer no setor de infraestrutura. Em 2024, a necessidade de investimentos no setor era de R$ 503 bilhões, segundo a Abdib. “Faltam R$ 201 bilhões por ano”, afirma Guimarães.

Esse hiato é maior no setor de transporte e logística. O País investiu R$ 63 bilhões no ano passado, mas precisaria de R$ 264,4 bilhões. A segunda maior necessidade de investimento foi observada no setor de telecomunicações. São necessários R$ 88,9 bilhões, mas o País aportou R$ 43 bilhões em 2024.

Brasil tem 500 projetos de infraestrutura em elaboração para serem leiloados; veja mapas – Estadão

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Em ‘Super Bowl da IA’, Nvidia tenta mostrar que pode ir muito além dos chips. Veja as novas promessas

Fabricante de semicondutores apresentou plano para ‘turbinar desenvolvimento de robôs humanoides’ em seu esperado evento anual

Por Carolina Nalin — O Globo – 19/03/2025 

A Nvidia mostrou ontem que não vai se limitar aos chips para inteligência artificial (IA) generativa e computação quântica. Em sua conferência anual, que começou ontem e vai até sexta-feira, a empresa comandada por Jensen Huang deixou claro que vai navegar pela evolução da IA.

Ela não só apresentou seus planos para chips mais poderosos, como um modelo para robôs humanoides e parcerias para supercomputadores de IA pessoal.

No GPU Technology Conference (GTC), em San José, na Califórnia, Huang disse que a Nvidia está trabalhando com a General Motors para usar IA em carros, fábricas e robôs de última geração.

— A próxima onda já está acontecendo — afirmou Huang. — Hoje vamos falar muito sobre robótica, uma IA que compreende o mundo físico. Essa capacidade de entender o mundo tridimensional permitirá uma nova era da IA.

O evento, que reúne empresários, desenvolvedores e especialistas do setor, foi chamado pelo jornal The New York Times de “Super Bowl da IA”.

Chip Blackwell Ultra

O CEO também revelou um projeto junto com empresas como T-Mobile e Cisco, no qual ajudará a criar hardware de rede sem fio, especialmente criado para uso com IA, para as novas redes 6G, sucessoras do atual 5G. Enquanto isso, Dell, HP e outras empresas farão os novos sistemas de supercomputadores pessoais com base nos chips da Nvidia.

Outra novidade foi uma nova plataforma chamada Isaac GR00T N1, que irá “turbinar o desenvolvimento de robôs humanoides”. O projeto, em parceria com Walt Disney e DeepMind (do Google), será aberto a desenvolvedores externos.

Huang também apresentou o sucessor para o principal processador de IA da Nvidia, o Blackwell Ultra. Essa linha de chips, prevista para o segundo semestre deste ano, será seguida por uma atualização ainda mais avançada, chamada de Vera Rubin, em 2026.

Futuro distante

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, embora os anúncios da Nvidia tenham sido relevantes para o setor de tecnologia, as novidades, especialmente no campo da robótica, não foram suficientes para empolgar o mercado. As ações da empresa, que caíam cerca de 2% antes do início da conferência, fecharam em queda de 3,3%, a US$ 115,53, em Nova York.

— Quando se fala de robótica, parece um ponto mais distante. Não teve um impacto tão relevante positivo na ação, no sentido de trazer novidades — disse Alves.

No caso dos novos chips, Alves lembra que a Nvidia tem reforçado a narrativa de que anualmente lançará uma nova geração. O objetivo é convencer investidores de que essa estratégia garante a continuidade do crescimento e da geração de resultados.

O estrategista-chefe da Avenue destaca que a Nvidia não se limitou a anunciar novos chips, o que pode indicar uma estratégia mais ampla:

— Não acho errado o que a Nvidia está fazendo, de tentar mostrar um pouco mais sobre outros segmentos. Especialmente depois do fenômeno do DeepSeek, que trouxe novos questionamentos.

Ele se referiu à startup chinesa DeepSeek, que disse ter desenvolvido um modelo de IA generativa bem mais barato que os das concorrentes, que usam chips da Nvidia.

Em ‘Super Bowl da IA’, Nvidia tenta mostrar que pode ir muito além dos chips. Veja as novas promessas

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Caráter é mais importante do que qualquer competência – para contratar e para promover

Ter bom caráter não tem a ver somente com ser íntegro e justo; remete sobretudo à capacidade de julgamento da pessoa e possui ao menos 11 dimensões. RH e líderes devem aprender a reconhecer todas elas e começar a avaliar caráter em contratações e promoções; um processo de dez passos pode ajudar

Mary Crossan – MIT Sloan Management Review Brasil – 1 de março de 2025

Olhe a Boeing, derrubada por más decisões de liderança, que comprometeram a qualidade e a segurança de seus aviões e a confiança do público, forçando a saída de seu CEO.  O debate sobre quem deveria ser o próximo CEO da problemática fabricante de aviões, antes de Kelly Ortberg ser escolhido, concentrou-se nos méritos de engenheiros versus contadores. Mais uma vez, foram focadas as competências, mesmo com o aprendizado super recente de que “contratamos por competência e demitimos por caráter” quando deveríamos fazer o contrário. Mais uma vez, faltou um elemento nessa conversa: reconhecer se um líder tem boa capacidade de julgamento, ou discernimento, baseada no caráter. 

Embora os gestores muitas vezes pensem que contratam pelo caráter, a maioria confunde isso com ajuste de valores. Eles tendem a dar muito peso a dimensões como motivação e responsabilidade e pouco a humildade e comedimento.

A falta desses atributos pode trazer toxicidade e julgamento pobre para o DNA da organização. Isso muitas vezes leva indivíduos com caráter forte a deixar a empresa. 

É ainda mais verdade quando a corporação promove alguém com um conjunto limitado ou desequilibrado de comportamentos. Passa uma imagem ruim aos funcionários.

Não há dúvida de que a contratação, a demissão e a promoção moldam a cultura de uma empresa para melhor ou para pior. Simplificando, a cultura organizacional reflete o caráter dos indivíduos dentro dela. 

Logo, levar isso em conta é um ponto de alavancagem. Eu já trabalhei com muitas organizações que buscam valorizar o caráter tanto quanto as competências em suas práticas de RH. Aqui, vou compartilhar algumas lições importantes.

Entenda as diferenças entre competência e caráter

Muitas pessoas acham que estão avaliando o caráter ao entrevistar candidatos porque avaliam alguns de seus elementos isoladamente, como coragem, junto com conhecimentos e habilidades tradicionais. Só que essa é uma perspectiva bastante limitada.

Minha pesquisa mostrou que o caráter compreende 11 dimensões interconectadas, com um conjunto associado de comportamentos observáveis. Além disso, trata-se de algo que pode ser desenvolvido [veja figura a seguir].

As dimensões do caráter

Entenda todos os aspectos do caráter e os comportamentos associados a eles

O ponto crítico está em avaliar o caráter de maneira abrangente, em vez de nomear algumas qualidades desejáveis isoladamente. Isso ocorre porque qualquer uma das dimensões do caráter se manifestará como um vício se não tiver a sustentação das outras dimensões. 

Enfatizar a coragem e não a humildade é um exemplo de onde as coisas podem sair dos trilhos. Se altos níveis de coragem não forem controlados pela força da humildade, o resultado pode ser uma tendência ao julgamento imprudente.

Colocar as avaliações de caráter no mesmo nível de importância das avaliações de competências requer uma observação cuidadosa de como esses processos diferem. A pesquisa descobriu que, diferentemente das competências, que variam entre as organizações (e muitas vezes entre os níveis da organização), os atributos de caráter são universais. 

As competências podem ser avaliadas independentemente umas das outras, já os atributos de caráter estão interconectados e precisam ser considerados de maneira holística. Para fazer isso bem, os gestores contratantes e os líderes de RH devem entender o que é caráter, como ele se manifesta e como pode ser desenvolvido.

Ao contratar com base na competência, a abordagem clássica é usar entrevistas estruturadas e padrões de avaliação associados para prever o que alguém pode fazer ou como o faria. Cada pessoa entrevistada durante um determinado processo é avaliada segundo a mesma régua para minimizar o viés do entrevistador e promover a objetividade. 

Em contraste, o caráter é sobre alguém: quem é essa pessoa e como ela se tornou o que é. Ou seja, é exclusivo. 

Não existe uma abordagem única para todos, com uma lista padrão de perguntas para avaliar o caráter de alguém. Em vez disso, as avaliações de caráter são conversas mais fluidas e personalizadas, sem deixar de ser objetivas e rigorosas.

O rigor e a objetividade vêm da extensa ciência que revela o que é caráter, como ele pode ser avaliado e desenvolvido e como pode ser incorporado nas organizações, incluindo as práticas de RH. As diferenças individuais surgem porque a história de vida de cada pessoa é diferente quando se trata do desenvolvimento de seu caráter. 

Há outro ponto importante. Como o caráter não é estático, mas um hábito que está sendo desenvolvido ao longo da vida, a avaliação pode ser contínua e repetida, seja nas decisões de contratação ou promoção.

Como conduzir entrevistas com foco em caráter

A avaliação do caráter como parte do processo de avaliação dos candidatos a emprego precisa ocorrer separadamente da avaliação de competências, pois requer uma abordagem mais conversacional do que uma entrevista típica. Veja os dez pontos que devem ser considerado:

1. Prepare-se para entrevistas sobre caráter a partir do desenvolvimento do seu próprio caráter
Uma das razões pelas quais as empresas enfrentam dificuldade para avaliar o caráter é que a maioria de nós tem uma compreensão bastante superficial do assunto, o que muitas vezes leva aos nossos próprios desequilíbrios nesse aspecto. Parte do trabalho de desenvolver o próprio caráter é observar o caráter dos outros e testemunhar exemplos de como deficiências e excessos se manifestam em certas escolhas e comportamentos. 

Agora, atenção: como muitas pessoas descobrem ao longo da vida, uma vez que você enxerga uma coisa, é muito difícil deixar de enxergá-la. Só que enxergar muitas vezes exige que reconheçamos preconceitos nossos sobre os quais não temos clareza.

2. Trate uma entrevista sobre caráter como uma conversa
Conduzi muitas entrevistas sobre caráter com atletas de alto potencial. Em um caso, eu me reuni com um treinador e um jogador de um time estudantil para uma entrevista. Depois de cerca de 30 minutos de conversa, eu estava pronta para encerrar. 

O jogador ficou um pouco surpreso e perguntou se eu o entrevistaria formalmente, e o coach respondeu: “Acho que ela acabou de fazer isso”. Foi uma conversa tão genuína e interessante que não parecia uma entrevista.

3. Entenda que serão revelados tanto o caráter do entrevistado como o do entrevistador
Não é incomum ouvir que as pessoas entrevistadas ficaram tão impressionadas com o entrevistador que isso as convenceu a ingressar na organização. Só que o oposto também pode acontecer. 

Quantas empresas não afastam candidatos porque seus entrevistadores revelam algum desequilíbrio no caráter? Fique de olho no comportamento “interconectado” (parte da dimensão da colaboração), que é definido como “reconhecer e valorizar conexões profundas com outras pessoas em todos os níveis dentro da organização e da sociedade”. 

Cultivar a capacidade de estar interconectado é um dos principais comportamentos que ajuda a canalizar nossa empatia e flexibilidade para começar a se relacionar com outra pessoa e fazer com que ela confie em nós no processo. Quão interconectado você pode estar ao entrar na conversa? Esse é um comportamento que você exerceu no passado? Se assim for, ótimo. 

Caso contrário, haverá alguma distância que será mais difícil de ser percorrida, mas que pode ser vencida. Pense nos comportamentos associados a curiosidade, respeito e vulnerabilidade (como parte da humildade) e como serão positivos para a troca enquanto você explora a conversa. Comportamentos como pensar criticamente e demonstrar adaptabilidade (parte do julgamento) o ajudarão a processar o desenrolar da história.

As entrevistas sobre caráter são como descascar cebola; as camadas surgem à medida que se explora o passado da pessoa 

4. Use perguntas de sondagem
Não importa por onde você começa, as entrevistas sobre caráter são como descascar cebola, as camadas surgem à medida que se explora o passado da pessoa. 

Por exemplo, se você começasse com uma pergunta ampla como “Por que a posição lhe interessa?”, você pegaria os vários tópicos que lhe permitiriam explorar as dimensões do personagem. Se um candidato falasse sobre quão inovadora é a organização e o quanto ele gosta de ser inovador, as perguntas poderiam buscar de onde vêm esses interesses e as principais influências que os moldaram. 

Essas respostas tornam-se trampolins para explorar outras partes da história do candidato. Em nenhum momento você está perguntando diretamente sobre as dimensões do caráter. Em vez disso, você está tendo uma conversa geral com a pessoa sobre si mesma.

5. Observe os agrupamentos de dimensões e seus pontos fortes e fracos
Podemos observar várias dimensões do caráter durante uma entrevista. Vivenciei isso em um treinamento. A conversa revelou a enorme energia da entrevistada e, portanto, minhas perguntas giravam em torno de descobrir mais sobre sua temperança. 

Perguntei como ela normalmente lidava com frustrações e obstáculos. Em vez de revelar aspectos de paciência e calma, ela começou a falar sobre elementos de humanidade e colaboração, e então eu segui esse fluxo. Ela descreveu o que aprendeu sobre si mesma “como um constante trabalho em andamento”. Explicou que, quando ouvia as histórias das pessoas, conseguia encontrar um terreno comum para uni-las, apesar de suas diferenças. 

Após a entrevista simulada, pedi aos 20 observadores que se reunissem em pequenos grupos para discutirem o que haviam observado do caráter da mulher e, em seguida, considerassem a próxima pergunta que fariam para explorar quaisquer áreas não examinadas. Houve um acordo unânime sobre o que eles viram e para onde iriam em seguida, embora as perguntas que colocariam fossem muito diferentes. Todos queriam explorar a dimensão da temperança.

É muito comum ter interpretações semelhantes de quais são os pontos fortes e fracos do caráter dos entrevistados. Quando há divergência, os entrevistadores podem realizar a devida diligência adicional pedindo referências para explorar áreas de preocupação. 

Aqueles que fornecem as referências normalmente não entendem o que é o caráter ou como ele opera em excesso ou deficiência. Portanto, o entrevistador deve ter conhecimento sobre o caráter para investigar esses pontos.

6. Procure sinais de pontos fortes e fracos nas histórias dos entrevistados
No exemplo anterior, a história da candidata revelou muita motivação, coragem e responsabilidade. Sua transcendência também estava visível porque suas experiências mostravam quem ela era: inspirada, otimista, criativa e orientada para o futuro. 

Embora essas tenham sido as dimensões que apareceram nos primeiros minutos, as perguntas de sondagem revelaram muita colaboração, humanidade, humildade e integridade. Quando um entrevistador sabe como os músculos do caráter operam, ele pode explorar quais músculos uma pessoa flexiona regularmente e quais ela usa menos. 

No caso dessa candidata, a temperança era o elo mais fraco. Sua entrevista revelou que ela estava ciente de que se comprometia além da conta e que às vezes esteve perto do esgotamento.

7. Observe se a integridade e a humildade estão à vista
Essas conversas, que trazem à tona uma riqueza nas experiências autênticas das pessoas, são qualitativamente diferentes das entrevistas por competência, que muitas vezes podem parecer ensaiadas e superficiais. Quando um candidato está falando sobre si mesmo, há várias facetas do caráter que estão sempre em exibição. 

Dentro da dimensão da integridade, você pode observar seu grau de autenticidade, transparência e franqueza. Você também pode observar a humildade e se a pessoa é reflexiva e autoconsciente. Embora cultivar o autoconhecimento seja fundamental, também é importante lembrar que, em excesso, ele pode se transformar em ruminação. Então, mesmo altos níveis de humildade precisam das outras dimensões do caráter para equilibrar essa força.

Muitas vezes me perguntam se alguém que tem maior autoconsciência tem uma vantagem em entrevistas sobre caráter, e a resposta é sim. Como todos os comportamentos de caráter, aqueles associados à autoconsciência afetam a disposição para liderar. Pessoas que não têm autoconsciência, entre outros comportamentos potencialmente fracos, terão sua capacidade de liderança comprometida. 

Também me perguntam se alguém que se sente confortável falando sobre si mesmo tem uma vantagem, e a resposta geralmente é sim. Mas quando as respostas de alguém parecem histórias ensaiadas, isso indica que eles podem não estar dispostos a deixar as pessoas realmente “vê-los” – outra faceta importante da liderança que muitas vezes é negligenciada.

8. Chame de dois a quatro entrevistadores
As entrevistas sobre caráter podem ser conduzidas individualmente, mas, quando outras pessoas participam, elas podem ajudar a validar as observações do entrevistador principal, assim como aliviar a pressão de fazer todas as perguntas. 

Devido à natureza não estruturada dessas entrevistas, é particularmente útil ter alguém mais experiente liderando. Eu recomendo não fazer anotações durante a entrevista e, em vez disso, reservar um tempo imediatamente depois para consolidar as observações.

9. Determine a força geral do caráter com base na entrevista
Após a sessão, os entrevistadores devem discutir e avaliar em qual das quatro categorias a seguir o candidato se enquadra: forte em todas as dimensões; fraco em todas as dimensões; desequilibrado, mas com autoconsciência para fechar as lacunas; e desequilibrado e em risco de se entrincheirar em seu comportamento. 

Como o desenvolvimento explícito do caráter raramente é abordado em ambientes educacionais ou de emprego, não surpreende que muitas pessoas possam ser fracas em algumas áreas. Mas uma descoberta interessante que surgiu da pesquisa é que muitas pessoas que foram marginalizadas por sistemas que as prejudicam ou reprimem tiveram que cultivar com sucesso o caráter para navegar nesses sistemas. 

Eu esperaria ver muito caráter desequilibrado ao entrevistar pessoas em níveis seniores. Afinal, a maioria das organizações tem ênfase rígida em algumas dimensões e não em outras.

10. Forneça feedback ao candidato após uma entrevista sobre caráter
Quando os entrevistadores podem compartilhar feedback pós-entrevista, os candidatos geralmente o recebem como algo útil. Embora as sessões de feedback sejam opcionais, muitos candidatos aproveitam para aprender como seu caráter foi visto. 

Uma candidata disse que, ao longo de sua carreira, ela foi instruída a diminuir o tom, mas isso não a ajudou a entender que ação precisava tomar. Ela finalmente aprendeu, em um contexto de avaliação de caráter, que seu alto impulso e coragem precisavam de mais apoio de sua humanidade e temperança. Em vez de diminuir a intensidade, ela entendeu que precisava fortalecer as duas dimensões.

O foco do feedback é compartilhar o que o comitê viu como pontos fortes e fracos. Como em qualquer cenário de feedback, algumas pessoas estão prontas para receber críticas construtivas, enquanto outras não, e isso por si só pode ser um reflexo do caráter. 

É importante reconhecer que esse feedback é sobre o que foi visto na entrevista e não se destina a definir a pessoa. Por exemplo, alguém que está nervoso e interpretando mal o que está sendo dito e o que o entrevistador está procurando pode não se comportar de maneira autêntica, transparente e sincera (comportamentos associados à dimensão da integridade). Ter consciência disso pode ser uma visão valiosa para um candidato.

Finalmente, saber que existe um caminho claro para ajudar uma pessoa a fortalecer seu caráter é importante para ela pessoal e profissionalmente. Uma das descobertas mais importantes da pesquisa é que ele pode ser desenvolvido: alguém que revela desequilíbrios ou fraquezas em uma entrevista ou no trabalho pode trabalhar no fortalecimento dessas áreas. 

Se desenvolver novas competências toma tempo, com o caráter pode haver uma correção de curso bastante rápida, principalmente em torno de desequilíbrios. Quando uma pessoa está preparada para se comprometer com o desenvolvimento de seu caráter, isso agiliza o processo.

Caráter deve pesar também na promoção

Abordei até aqui a avaliação de caráter em entrevistas de contratação, mas isso também é importante na hora de promover as pessoas. Na verdade, quando se trata de passar uma mensagem sobre quais qualidades a organização valoriza, a promoção é ainda mais importante que a contratação. Afinal, aqueles promovidos já são conhecidos pelos colegas, que têm uma opinião sobre seu caráter.

As decisões de promoção geralmente surgem de uma avaliação do desempenho de uma pessoa e sua prontidão para assumir mais responsabilidades. Muitas vezes, elas se concentram na competência em termos de resultados que ela entregou. 

Aqui, também, podemos incluir o caráter. Uma empresa com a qual trabalhei usou avaliações de caráter e competência de 360 graus para identificar candidatos de alto potencial para promoção. 

Uma avaliação revelou um líder competente, com pontos fortes em muitas dimensões do caráter, mas fraco em humildade, humanidade e colaboração. Ele era a pessoa mais competente na sala e conhecia o lado técnico do trabalho por dentro e por fora. 

Seu desenvolvimento dependeria do fortalecimento de suas dimensões mais fracas de caráter. Ele concordou em assumir um posto no exterior em uma área que não conhecia, para que tivesse que se apoiar mais em sua humildade, humanidade e colaboração para liderar com eficácia. A experiência ajudou a fortalecer seu caráter para prepará-lo para a promoção.

CONSIDERAR EXPLICITAMENTE O CARÁTER, seja na contratação ou na promoção de pessoas, é uma prática incipiente, mas com recompensas significativas. Estou convencida de que colocar o caráter lado a lado com as competências nas organizações pode levar a um maior retorno sobre os ativos, líderes mais eficazes, maior segurança psicológica e maior comprometimento organizacional e engajamento no trabalho. Mas ainda são poucas as pessoas que entendem a visão baseada em pesquisas sobre o que é caráter ou como desenvolvê-lo, o que talvez as faça reagir a essas iniciativas com incerteza e apreensão. 

Isso deve ser um sinal de alerta. É fácil reconhecer e fechar gaps de competência, mas muitas empresas têm voado às cegas em relação a caráter. Ocorre que caráter é algo que pode transformar a cultura de uma organização, para o bem ou para o mal. Trazê-lo abertamente para as práticas de RH, como contratação e promoção, dará aos gestores a oportunidade de transformá-lo em um ativo organizacional.

Mary Crossan

Mary Crossan é professora de liderança estratégica na Ivey Business School, da Western University (Canadá). Ela também é coapresentadora da série de podcasts Question of Character e cofundadora da Leader Character Associates.

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Robôs e humanos vão competir em meia maratona pela primeira vez, anuncia China

Corrida deve reunir 12 mil participantes, incluindo protótipos de 20 empresas, mas há requisitos

Por La Nacion — O Globo – 17/03/2025 

Robô Tiangong corre ao lado de humano em PequimRobô Tiangong corre ao lado de humano em Pequim — Foto: Reprodução La Nacion

Nova York, Paris, Londres, Berlim, Tóquio. Estas são algumas das maiores maratonas do mundo que acontecem anualmente. Mas não são as mais inovadoras. Nesse sentido, a China sai em primeiro lugar ao anunciar a primeira meia maratona em que humanos e robôs disputarão lugares no pódio.

A corrida acontecerá em abril em Pequim, especificamente na Área de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico do Distrito de Daxing, conhecida como Beijing E-Town. A competição atrai 12 mil participantes, incluindo humanos e robôs de mais de 20 empresas diferentes.

Não é qualquer robô que pode participar: há certos requisitos. Por um lado, é essencial que os robôs tenham uma aparência humanoide. Além disso, devem ter entre 0,45 e 2 metros de altura. Também é essencial que as tecnologias tenham uma estrutura mecânica capaz de andar e correr sobre duas pernas. Parece um esclarecimento óbvio, mas não é. Alguns robôs podem vir com rodas, o que deixaria os humanos em total desvantagem.

Embora esta seja a primeira vez que uma corrida é realizada na qual os corredores competem formalmente com robôs, no ano passado, na Meia Maratona de Pequim, “Tiangong” — um robô humanoide — juntou-se aos humanos na reta final da corrida e cruzou a linha de chegada como um pequeno teste do que será visto na próxima edição.

Rivalidade

A grande questão desta era é: quando a tecnologia superará os humanos? De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores especializados em inteligência artificial, há uma grande probabilidade de que inteligência de nível humano esteja presente em máquinas nos próximos 40 anos. E a questão permanece: o que acontecerá com os humanos?

Já existem vários exemplos em que o “aluno” superou o “professor”. Um dos casos mais famosos ocorreu em 1997, quando o Deep Blue, uma máquina desenvolvida pela IBM que conseguia analisar 200 milhões de posições por segundo usando computação bruta, derrotou Garry Kasparov, um histórico jogador russo, em uma partida de xadrez. A partida, disputada na cidade de Nova York, foi uma revanche de uma disputa que já havia ocorrido em 1996, quando Kasparov derrotou a tecnologia.

Seguindo essa linha, a tecnologia AlphaGo, desenvolvida pelo Google DeepMind, enfrentou o campeão mundial sul-coreano Lee Sedol em uma competição de cinco jogos do Go. O resultado terminou em uma vitória de quatro jogos contra uma derrota a favor da máquina, demonstrando seu claro potencial intelectual.

Mais recentemente, em 2018, o robô Curly derrotou um time sul-coreano em uma competição de curling, esporte que envolve lançar uma pedra de 20 quilos o mais próximo possível de um alvo no chão. A tecnologia foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores da Universidade da Coreia do Sul e do Instituto de Tecnologia de Berlim e foi um grande sucesso, vencendo três das quatro partidas disputadas.

Nesse contexto, Eduardo Levy Yeyati, autor do livro Automatizados, refletiu em entrevista à RED/ACCIÓN que estamos em um momento em que devemos redefinir a relação que temos com as tecnologias e entender o valor que agregamos à medida que elas se tornam mais sofisticadas e começam a ocupar lugares importantes em nosso ecossistema.

— Não é a máquina no lugar do homem, é o homem como uma interface com a máquina e o homem habilitado pela máquina. Não adianta competir com a máquina. Temos que ser amigos — disse ele.

Mas imaginar um contexto em que vemos competições de robôs em vez de competições humanas é difícil.

“Há algo essencialmente humano que se perde quando atletas robôs praticam esportes”, escreveu Michael Cheng, especialista em IA e filosofia, em um artigo. “Obtemos um valor de entretenimento substancial, ou até mesmo aprendemos mais, ao observar alguém ficar confuso. O fato de os humanos cometerem erros é uma característica, não um defeito”.

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Aqui o retrato da gestão universitária brasileira: 100% transpiração e 0% inspiração.

Anderson Correia – Linkedin – 15/03/2025

Presidente do IPT – Professor Titular e ex-Reitor do ITA

Não existe uma reunião sequer onde discutimos novas metodologias, técnicas de ensino, pesquisas de impacto ou políticas de inovação. Nos encontramos para discutir orçamento, métricas pra enviar para a CAPES, eleição para os cargos e as reformas dos banheiros. Não há líderes, mas gestores com a planilha debaixo do braço.

Sinto falta de ir a uma reunião onde eu saia inspirado e veja meus colegas igualmente. Quero falar sobre como motivar os alunos, quais são as tendências mundiais de pesquisa, para onde o mundo está indo. Se eu, que já tenho 50 anos de idade, estou achando a academia Brasileira puro tédio, imagine alguém de 18 anos de idade.

Sejam honestos, quem tem paciência para ir a um congresso acadêmico hoje em dia? Ver gente ficar passando powerpoint e falar as mesmas coisas de sempre. No final nunca concluem nada e ainda deixam um slide para pesquisa futura. Quando é que vão encontrar alguma descoberta que impacte a indústria? Quero ver patentes se tornando negócios e startups unicórnios.

Já passou da hora de as universidades ganharem autonomia de fato. Que autonomia é essa que não tem orçamento, não podem se autoavaliar e ficam inundados de burocracia, onde o professor na verdade está virando auxiliar administrativo doutor?

O Campus Universitário precisa transbordar de motivação e de novas iniciativas. Quando Kennedy quis anunciar que iriam chegar à lua, foi no ginásio da Universidade que ele fez o discurso, pois ali é um local para se apregoar boas notícias.

Por mais inspiração e menos transpiração em nossas universidades.

(3) Publicação | LinkedIn

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Extração de petróleo na Margem Equatorial, afinal, por que não?

Por João Lara Mesquita – Estadão – 10 de março de 202511

Extração de petróleo na Margem Equatorial, afinal, por que não?

Faz mais de uma década que discute-se a extração de petróleo na Margem Equatorial, a questão não avança. Antes, saiba que Margem Equatorial significa cerca de 2,2 mil quilômetros, desde o Estado do Amapá, na Região Norte, até o Rio Grande do Norte, no Nordeste Em 2023, o governo estimou que seria possível extrair 10 bilhões de barris de petróleo só do bloco 59 na Foz do Amazonas, que fica a 160 km da costa, e a mais de 500 km da foz do rio. No entanto, mesmo pedindo apenas para ‘pesquisar’, sondar a área, e confirmar ou não o potencial de barris, o Ibama negou a licença.

Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) recomendaram que a chefia do órgão negue a licença à Petrobras para explorar a Margem Equatorial na região do Amapá. O Globo revelou a informação, posteriormente confirmada pela CNN.

De todo modo, a capacidade da Margem Equatorial se aproxima da do pré-sal. Este post certamente renderá discussões, mas era uma obrigação com nossos leitores. Também será mais uma oportunidade para o Mar Sem Fim expor seu pensamento e se distanciar ainda mais dos… “ambientalistas”.

23 plataformas na região do pré-sal e 126 bilhões para a sociedade

A propósito, hoje a Petrobras tem 23 plataformas nesta região. Segundo a empresa, ‘o pré-sal é um sucesso que gera resultados para a Petrobras e também para o país. Entre 2008 e 2023, a Petrobras pagou cerca de U$ 63 bilhões em participações governamentais, entre royalties e participações especiais, associados diretamente à produção do pré-sal. Além disso, outros U$ 63 bi foram pagos ao estado, para aquisição de blocos e direitos em ativos da atividade, em um total de 126 bilhões de dólares em retorno do pré-sal para a sociedade civil’. Em outras palavras, foi a sociedade que ganhou estes 126 bilhões de dólares. Será que somos tão ricos assim que não precisamos do dinheiro, possivelmente, ainda mais que nos rendeu o pré-sal?

“Inconsistências preocupantes para a operação segura”

Para o Ibama, há  “inconsistências preocupantes para a operação segura” em uma área de “alta vulnerabilidade socioambiental”. Daí vem a negativa, apoiada pela grande maioria dos ‘ambientalistas’, entre outros. Contudo, para nós, esta é uma decisão ideológica, e não uma análise puramente técnica como deveria.

Veja o caso da Guiana, já abordado nestas páginas. Até então, o país figurava entre os mais pobres da América Latina. Em 2015, um consórcio liderado pela Exxon, que incluía a Hess e a chinesa Cnooc, fez uma grande descoberta no Campo Liza. Segundo o  Financial Times, a produção deve garantir à Exxon um fluxo contínuo de petróleo bruto por décadas. Como resultado, a economia guianense cresceu a impressionantes 62,3% em 2022, a maior taxa do mundo. Na época, analistas de Wall Street classificaram o investimento como “o melhor negócio petrolífero da história moderna”.

Em 2023, a Guiana registrou o sexto maior PIB per capita das Américas, segundo o site especializado Trading Economics. Com um valor de 23.103 dólares, o país ficou atrás, nessa ordem, das Ilhas Caimã, Estados Unidos, Canadá, Bahamas e Porto Rico. No mesmo ano, o Brasil ocupou a 20ª posição, com 9.728 dólares.

Para nós, o maior problema segue sendo a polarização. Essa divisão extrema entre brasileiros apenas atrapalha, prejudica e paralisa o país. Enquanto isso, poucos veículos da imprensa ou perfis nas redes sociais mencionam a importância da Corrente Norte do Brasil.

A Corrente Norte do Brasil

A Corrente Norte do Brasil atravessa o Equador, transportando águas tropicais do hemisfério sul para o hemisfério norte. No entanto, essa dinâmica raramente aparece nas discussões sobre a possível exploração na Margem Equatorial. Em outras palavras, em caso de vazamento, há grande chance de o óleo nem sequer alcançar o litoral do país.

Especialistas falam com o Mar Sem Fim: Ilson da Silveira

O Mar Sem Fim conversou com o especialista Ilson da Silveira, Bacharel em Oceanografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1984), Mestre em Oceanografia (Oceanografia Física) pela Universidade de São Paulo (1990) e Ph. D. em Ciências da Terra – Oceanografia Física pela University of New Hampshire (1996).

A única pergunta foi: Se houver vazamento, para onde iria o óleo? ‘Alguns estudos simples de dispersão precisariam ser conduzidos (ou foram e eu não sei dos resultados) para afirmar com mais propriedade. Mas, em função da distância da costa dos blocos de exploração ao largo do Amapá e a presença da muito intensa Corrente Norte do Brasil, acredito que a grande chance é que o derramamento seja transportado para o hemisfério norte junto à corrente. Talvez este até possa alcançar a costa mais à frente, mas fora de águas territoriais brasileiras  (mas mesmo assim me parece improvável).  Para responder além dos “achismos” e de forma quantitativa, só com estudos de modelagem numérica’.

Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo

Também conversamos com Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, e  Chefe da Cátedra UNESCO de Sustentabilidade Oceânica.

Eis o que ele nos disse: ‘Participo de um grupo que vem buscando identificar contrapartidas que precisarão ser implementadas para que a eventual riqueza trazida pelo óleo trabalhe efetivamente na transformação da região para um futuro cada vez mais sustentável’.

Isso passa por, por exemplo pelo fortalecimento das Unidades de Conservação existentes (elaboração e implementação de planos de manejo, fundo de compensação ambiental…); ampliação das Unidades de Conservação para aumentar a proteção de ambientes pouco representados, fomentar à ciência (ex. aumentar a massa crítica nas universidades e institutos de pesquisa da região (previsão orçamentária), dar mais suporte aos cursos de graduação e pós-graduação sobre a temática na área; aumentar os recursos destinados à ciência; instalação e manutenção do Sistema de Vigilância da Amazônia Azul (SisGAAz/Marinha); fortalecimento do tecido social e dos processos participativos como uma estratégia de controle social para aplicação dos royalties;  promoção da economia sustentável do oceano e zona costeira por meio da criação de uma agência de desenvolvimento da economia azul na região; e, finalmente, a aprovação da Lei do Mar (PL 6.969/2013)’. 

Agora é conosco

Diante dessa realidade, da desigualdade e pobreza do Brasil e da vastidão da região Norte, não tenho dúvidas de que devemos seguir em frente.

Macapá enfrenta a pior infraestrutura de esgoto do país. Segundo o IBGE, apenas 15,5% da população tem acesso a saneamento por meio de rede geral, pluvial ou fossa ligada à rede. Os números são alarmantes: 174.996 pessoas dependem de fossas sépticas ou filtros sem conexão com a rede, 2.813 recorrem a outras soluções improvisadas e 389 sequer têm banheiro ou sanitário. A capital do Amapá ocupa a última posição no ranking de saneamento básico no Brasil. E, de acordo com o Instituto Trata Brasil, a cidade despeja diariamente no rio Amazonas o equivalente a 15 piscinas de esgoto in natura. Em toda a Amazônia, esse número salta para 831 piscinas por dia.

Agora imagine o impacto dos royalties da Petrobras caso as suspeitas se confirmem. Bilhões de reais poderiam transformar Macapá em um exemplo de saneamento universal no Brasil, além de viabilizar outras melhorias essenciais.

Marina Silva

Marina Silva, com seu messianismo e clara posição política, pode protestar, e daí? Sim, Marina é um ícone do ambientalismo nacional e internacional, tem uma trajetória de superação admirável, mas, como ministra do Meio Ambiente, é fraca. Seu foco se limita à Amazônia, ao Pantanal e à criação das famigeradas Reservas Extrativistas. Mesmo após mais de dois anos no cargo, nunca se pronunciou sobre o litoral e o mar territorial brasileiros, que seguem abandonados.

Em seu primeiro mandato, mais uma vez concentrou esforços na Amazônia e obteve sucesso. Foi nessa gestão que o desmatamento atingiu a maior queda já registrada. Em 2012, o governo anunciou uma redução de 83%, enquanto o INPE indicava 72%. Seja qual for o número exato, a queda foi impressionante.

No governo Lula 2, com o apoio decisivo do Itamaraty, Marina Silva consolidou o Brasil como um dos líderes nas discussões ambientais globais. Apesar das críticas à sua atuação interna, é preciso reconhecer esse e outros méritos.

Por outro lado, cometeu um grande erro ao desmembrar o Ibama para criar o ICMBio, numa homenagem a Chico Mendes. No entanto, deixou de estruturar os órgãos ambientais, que já eram precários e acabaram ainda mais sucateados, tornando-se quase inoperantes. E chega de Marina, o assunto é outro.

24 petrolíferas atuam na costa da Guiana e Suriname

É interessante notar que pesquisadores estimam um potencial de 20 a 30 bilhões de barris de óleo cru apenas na bacia Pará-Maranhão. Para comparação, as bacias de Campos e Santos têm reservas comprovadas e contingentes de 40 bilhões de barris.

O Estadão ainda lembrou que ‘desde 2015, 24 petrolíferas atuam na costa da Guiana e do Suriname em 60 pontos de exploração, sem nenhum incidente’.

“Intromissão ideológica”

O problema, diz o jornal em editorial,  é que a zona cinzenta de discricionariedade política é também sujeita à intromissão ideológica. Boa parte da militância ambientalista considera a combinação Amazônia + petróleo – ainda que já haja extração na própria floresta e a perfuração solicitada seja a centenas de quilômetros da foz – inexoravelmente catastrófica, e há indícios de que o Ibama e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, levaram em conta esses humores para transformar a controvérsia em uma espécie de cause célèbre.

Para encerrar, o Estadão lembrou que ‘o próprio Ibama participou do comitê que autorizou, há dez anos, a oferta de mais de 40 blocos na região que agora diz ser inviável.’

Segundo a Petrobras por enquanto o Brasil pretende explorar um poço de óleo e gás no Rio Grande do Norte. A Colômbia abriu onze poços exploratórios e oito descobertas de gás. Trinidad e Tobago tem 37 poços exploratórios e 21 descobertas de óleo e gás. a Guiana, 64 poços exploratórios e 42 descobertas de óleo e gás. O Suriname extrai em 40 poços  e teve 19 descobertas de óleo e gás.Finalmente, a Guiana Francesa trabalha em sete poços exploratórios e teve duas descobertas de óleo. E, até o momento, ainda não houve qualquer acidente. Ou seja, o Brasil não pode ficar atrás, não temos como dispensar os bilhões que a Margem Equatorial pode render.

Potencial do petróleo e gás até 2050

Em outro editorial, o Estadão  levantou questões que vale a pena destacar. Para começar, estima-se que, em 2050, o petróleo e o gás ainda representarão cerca de um terço da matriz energética global. Mesmo no cenário mais agressivo – e improvável – de descarbonização, os combustíveis fósseis ainda responderiam por 15% dessa matriz. A Empresa de Pesquisa Energética alerta que, se o Brasil deixar de explorar suas reservas potenciais, poderá perder R$ 5 trilhões entre 2031 e 2050.

Mais adiante, o editorial revela outros fatos importantes para esta discussão. Por exemplo, ‘o Brasil tem vantagens. Se boa parte do mundo precisa trocar o carvão por fontes limpas, o País já tem 48% de sua matriz energética ligada a fontes renováveis, enquanto a média mundial é de 15%’.

‘No mundo, o setor de energia responde por 70% das emissões de carbono. No Brasil, são 17%. O País tem áreas continentais fartamente servidas por água, vento, luz solar, biomassa e metais cruciais para a transição energética, e tem condições materiais de se tornar um exportador de hidrogênio verde e aproveitar a expertise com o etanol para desenvolver alternativas de biocombustíveis’.

E, então, vamos considerar os argumentos acima, ou persistirá a divisão? Queremos saber a sua opinião, participe, é importante para o País que todos se manifestem. Vamos lá?

Extração de petróleo na Margem Equatorial, afinal, por que não? – Mar Sem Fim

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Tempo é Dinheiro: A Batalha Pela Entrega Rápida no E-commerce

Como a Velocidade de Entrega Define o Sucesso no Varejo Digital

Junior Borneli – Entrelinhas/StartSe – 13/3/2025

Se você acha que preço é o fator decisivo na escolha de uma loja online, pense de novo. No mundo acelerado do e-commerce, a rapidez da entrega tornou-se um diferencial tão ou mais importante do que o valor pago pelo produto.

Pesquisas mostram que consumidores estão dispostos a pagar mais para receber seus pedidos rapidamente e, muitas vezes, preferem uma loja que entregue em um dia, mesmo que tenha um preço um pouco mais alto.

A Amazon e o Mercado Livre entenderam essa nova dinâmica do mercado e transformaram a logística em uma arma estratégica. A Amazon Prime, por exemplo, revolucionou o setor ao oferecer frete grátis em 24 horas para assinantes, o que não só fidelizou clientes como também elevou o padrão de exigência do consumidor.

Para cumprir essa promessa, a empresa investiu em sua própria frota de aviões, os Amazon Air, garantindo que os produtos cruzem países em poucas horas, sem depender de terceiros. São mais de 80 grandes jatos da Boeing.

No Brasil, o Mercado Livre seguiu um caminho similar. A empresa criou uma rede de logística própria, com centros de distribuição espalhados pelo país e, assim como a Amazon, investiu na sua própria frota de aviões, os Meli Air.

O resultado? Entregas ultra-rápidas que fazem com que milhares de consumidores escolham a plataforma apenas pela eficiência na entrega. Tempo é dinheiro, mas é também diferencial competitivo no mundo onde tudo é rápido.

Uma pesquisa da PwC revelou que 41% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por entregas no mesmo dia. Outra pesquisa, da Retail TouchPoints, mostrou que 87% dos consumidores consideram a velocidade da entrega um fator decisivo na escolha de onde comprar. Isso significa que, em muitos casos, o cliente não escolhe pelo preço, mas pelo tempo de espera.

Outras gigantes também entraram na corrida contra o tempo. O Alibaba, na China, criou uma malha de centros logísticos hiperconectados para reduzir ao máximo os prazos de entrega, garantindo que pedidos feitos de manhã cheguem ao consumidor no fim do dia.

Até mesmo empresas mais tradicionais como o Walmart, nos EUA, investiu pesado em sua própria infraestrutura de entrega expressa, permitindo que milhares de produtos sejam entregues em poucas horas.

A velocidade não é apenas um diferencial, é um fator de sobrevivência. No e-commerce, cada minuto conta, e a capacidade de entregar rapidamente define quem cresce e quem fica para trás.

Como disse Jeff Bezos, fundador da Amazon: “A melhor propaganda é um cliente satisfeito”, e nada deixa um cliente mais satisfeito do que receber seu pedido quase instantaneamente.

No fim das contas, a mensagem é clara: quem entrega mais rápido, vende mais. O tempo é o novo dinheiro do e-commerce, e quem não se adaptar a essa realidade vai ver seus clientes escolhendo a concorrência. Afinal, esperar nunca foi tão caro.

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