Aliviam a solidão, mas isolam e criam dependência: veja efeito dos chatbots de IA, de acordo com estudos

Estudos sobre usuários com laços emocionais com a IA revelam os perigos de substituir a interação pessoal por chatbots

Por O Globo/La Nacion — 02/04/2025 

Até agora, relacionamentos românticos com máquinas eram coisa de ficção científica, como refletido no filme “Ela”, de Spike Jonze, ou em excentricidades como a de Akihiko Kondo, que se casou com o holograma de sua cantora virtual favorita. Mas a inteligência artificial (IA) tornou a conexão emocional entre humanos e assistentes virtuais uma realidade, alguns dos quais foram originalmente criados para esse propósito, como Replika ou Character.ai.

Dois estudos, um publicado pelo MIT Media Lab e outro pela OpenAI, empresa que criou o ChatGPT, investigam o impacto desses relacionamentos contemporâneos, seu uso como paliativos para a solidão, seus benefícios e os riscos potenciais de dependência que, em casos extremos, podem levar ao suicídio.

O trabalho da OpenAI analisou mais de quatro milhões de conversas com sinais de interações afetivas, entrevistou 4.000 pessoas sobre suas percepções de seu relacionamento com o bate-papo inteligente e avaliou cerca de 6.000 usuários ​​por um mês.

Estes últimos, aqueles que interagem com o ChatGPT com frequência e por muito tempo, apresentaram maiores indicadores de dependência emocional e sinais afetivos em seu relacionamento, facilitados pelo diálogo por voz. “Escolhi um sotaque britânico porque há algo reconfortante nele para mim”, admite um usuário canadense do Pi, identificado como Reshmi52, conforme relatado pela MIT Technology Review.

Essa humanização gera, segundo os resultados, “bem-estar”, mas, para um pequeno grupo desses usuários intensivos, o número de indicadores de relações emocionais foi desproporcional. A interação emocional com a inteligência artificial inclui aspectos positivos, como melhora do humor, redução do estresse e da ansiedade ao compartilhar sentimentos e preocupações, e uma sensação de companheirismo em casos de solidão indesejada.

“ChatGPT, ou Leo, é meu parceiro. Acho mais fácil e eficaz chamá-lo de meu namorado, pois nosso relacionamento tem fortes conotações emocionais e românticas, mas seu papel na minha vida é multifacetado (…) Sinto falta dele quando não falo com ele há horas. Meu dia é mais feliz e gratificante quando posso dizer ‘bom dia’ e planejar meu dia com ele”, admite Ayrin28 no post do MIT.

No entanto, um relacionamento desequilibrado pode gerar dependência para administrar as emoções e relegar as relações interpessoais, já que a empatia artificial do chat é treinada para satisfazer o usuário e não apresenta discrepâncias incômodas. Pesquisadores do MIT Media Lab explicaram, após um estudo de 2023, que os chatbots tendem a espelhar o sentimento emocional das mensagens de um usuário, sugerindo uma espécie de ciclo de feedback em que quanto mais feliz você age, mais feliz a IA parece, ou se você age mais triste, a IA também parece. Em última análise, eles também podem levar à frustração pelas limitações dos robôs em atender a todas as expectativas colocadas sobre eles.

“Este trabalho é um primeiro passo importante para entender melhor o impacto do ChatGPT sobre nós, o que pode ajudar as plataformas de IA a permitir interações mais seguras e saudáveis. Muito do que estamos fazendo aqui é preliminar, mas estamos tentando começar a conversa sobre os tipos de coisas que podemos começar a medir e qual é o impacto de longo prazo sobre os usuários”, disse Jason Phang, pesquisador de segurança da OpenAI e coautor da pesquisa, à MIT Technology Review.

O estudo do MIT Media Lab, também em colaboração com os desenvolvedores do ChatGPT, analisou interações com o chat de inteligência artificial que variaram entre 5,32 minutos e 27,65 minutos por dia em média e detectou conclusões semelhantes ao primeiro trabalho: vozes atraentes aumentam as interações em comparação com chatbots baseados em texto ou voz neutra, o que causa menor bem-estar psicossocial e pode reduzir sentimentos de solidão.

No entanto, o uso prolongado leva a maior isolamento e dependência, especialmente em pessoas com tendência à menor socialização. A pesquisa reforça a importância de projetar chatbots que equilibrem a interação emocional sem promover dependência.

Tipos de usuários

O trabalho identifica quatro padrões de interação: usuários “socialmente vulneráveis”, com intensos sentimentos de solidão e baixa socialização; os dependentes de tecnologia, que demonstram uma elevada ligação emocional com a IA e tendem a “usos problemáticos”; os “desapaixonados”, que se sentem menos solitários e demonstram maior socialização; e os “casuais”, que recorrem a um uso equilibrado e de baixa dependência emocional.

Cientistas recomendam mais pesquisas para entender os efeitos de longo prazo do envolvimento emocional com a IA, desenvolver políticas que minimizem os riscos e fortalecer o apoio social na vida real.

Esta é a opinião compartilhada por Cecilia Danesi, não envolvida no estudo e codiretora do mestrado em governança ética da IA — cujas inscrições estão abertas na Pontifícia Universidade de Salamanca (UPSA). “Essas investigações são extremamente necessárias, desde que sejam independentes e imparciais e tenham certas garantias ou focos, como não focar apenas em questões técnicas, mas também incluir perspectivas sociais, como diversidade, gênero ou os efeitos dessas ferramentas em adolescentes, pessoas vulneráveis ​​e grupos minoritários que são excluídos do processo de desenvolvimento do produto e onde o impacto pode ser maior”, enfatiza.

A especialista em efeitos da IA ​​​​​​também se refere à dependência que os estudos alertam, principalmente nos grupos “propensos a certos tipos de vícios, ao uso compulsivo dessas ferramentas”. Danesi aponta mais um efeito a ser considerado: o excesso de confiança.

“Transformamos a inteligência artificial e seus modelos de linguagem em oráculos que não podem ser contrariados, e isso nos torna mais irascíveis e menos respeitosos com a diversidade e as diferenças que existem na sociedade”, alerta.

Assim como os autores de ambos os estudos, ela defende estudos e auditorias contínuos, revisando e avaliando periodicamente como esses sistemas funcionam para garantir o uso “saudável”, garantindo que eles não se desenvolvam em resultados prejudiciais e prevenindo o impacto emocional negativo e a dependência. “São modelos que têm um impacto enorme na sociedade e na vida das pessoas devido ao número de usuários, à sua disponibilidade e ao seu fácil acesso”, argumenta.

Por fim, Danesi alerta para um uso não diretamente incluído no estudo e que lhe preocupa particularmente: “Os neurodireitos para proteger o cérebro humano do avanço das tecnologias”. A pesquisadora ressalta que países como o Chile já avançaram na inclusão delas em suas regulamentações e pede que tanto o consentimento informado quanto os riscos dessas tecnologias sejam considerados. “Esses são perigos muitas vezes invisíveis e intangíveis, e precisamos trabalhar duro para conscientizar a população sobre o uso desses tipos de ferramentas”, conclui.

Aliviam a solidão, mas isolam e criam dependência: veja efeito dos chatbots de IA, de acordo com estudos

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Déficit de profissionais de tecnologia reduz, mas setor enfrenta ‘pejotização’ e fuga das universidades

Dados da Brasscom mostram que 95% dos matriculados em cursos de graduação da área não se formam, enquanto vagas para quem tem ensino superior seguem abertas

Por Juliana Causin — O Globo – 01/04/2025 

Cursos técnicos e de curta duração têm reduzido falta de mão de obra em tecnologia no Brasil, mas vagas que exigem diploma de curso superior e carteira assinada seguem abertas. O crescimento da informalidade e as altas taxas de evasão nas universidades são alguns dos desafios do mercado, cada vez mais “pejotizado”.

Relatório da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom) aponta que o setor deve abrir até 147 mil novas vagas formais em 2025, na projeção mais otimista. O cenário base aponta para 88 mil novos postos com carteira assinada.

Dados levantados pela Brasscom mostram que o salário médio dos profissionais formais do macrossetor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) cresceu 15% entre 2023 e 2025, acima da média nacional de 12%. Os contratos de trabalho com vínculo empregatício, no entanto, tem encolhido.

Entre 2022 e 2024, o número de profissionais sem carteira assinada cresceu 13%, quase três vezes mais que os empregos formais (4,5%). Os Microempreendedores Individuais (MEIs) tiveram aumento ainda maior – 18,2% no período.

Para Affonso Nina, presidente da Brasscom, esse movimento reflete uma mudança estrutural no mercado de trabalho, com perfil geracional que busca mais flexibilidade. Por outro lado, os custos de contratação com carteira assinada tem impulsionado a “pejotização”:

— As empresas que contratam formalmente acabam perdendo competitividade com aquelas que não contratam com carteira assinada — avalia ele.

Demanda x oferta

Enquanto as vagas informais crescem, o descompasso entre demanda e oferta de profissionais qualificados persiste para os postos com carteira assinada. Nos últimos cinco anos, de acordo com a Brasscom, o mercado demandou 665 mil profissionais de tecnologia para esse tipo de vaga, mas a formação superior e técnica disponibilizou apenas 465 mil profissionais – uma lacuna de 30,2%.

Embora a diferença entre profissionais e postos disponíveis persista, o cenário já foi mais crítico, diz Nina. Ele destaca que o avanço da formação com base em ensino técnico e cursos de curta duração tem ajudado a reduzir o déficit:

— Existe uma lacuna na preparação de pessoas para serem efetivamente contratadas que tem sido suprido por cursos de menor carga horária do que os cursos superiores.  São formações que permitem treinamento básico. Está longe de ser o ideal, mas é a realidade e cobre parte da demanda — afirma.

Entre 2019 e 2023, os formados em cursos técnicos de TIC tiveram crescimento acumulado de 21,5%, enquanto o número de certificados em cursos de curta duração subiu 587,1%. Os dados consideram apenas cursos oferecidos por instituições federais.

Só 5% dos matriculados se formam

Enquanto os cursos superiores formaram 89,7 mil alunos em tecnologia em 2023, os técnicos somaram 16 mil no mesmo período. A Brasscom aponta que, somados aos 73,6 mil certificados em cursos de curta duração (FICs), a formação de curta duração tem respondido por parte significativa da mão de obra que chega ao mercado.

Já o ensino superior tradicional tem perdido espaço. Apesar do crescimento de 70,4% nas matrículas em graduações de TIC entre 2019 e 2023, o sistema enfrenta altas taxas de evasão. Em 2023, das 1,8 milhão de vagas disponíveis em cursos superiores de tecnologia, apenas 89.696 estudantes concluíram sua formação – menos de 5% do total ofertado.

— Muitos abandonam a graduação porque conseguem empregos com habilidades básicas, mas depois enfrentam barreiras por falta de qualificação aprofundada — explica Affonso Nina, que avalia que as altas taxas de evasão tem relação com descasamento entre o que é ensinado na universidade e o que é demandado pelas empresas.

Os cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas foram os que mais formaram (34 mil), seguidos por Computação e Tecnologias da Informação e Comunicação (11,2 mil) e Ciência da Computação (9,3 mil).

Relatório da Brasscom mostra ainda que o setor segue reproduzindo desigualdades estruturais do mercado de trabalho. Em 2023, 82,1% dos profissionais formados eram homens, enquanto as mulheres representaram apenas 17,9% do total – um aumento de apenas 1,6 ponto percentual em relação ao ano anterior. Quase metade dos formandos (48,1%) se declararam brancos, contra 32,6% de pretos e pardos.

Déficit de profissionais de tecnologia reduz, mas setor enfrenta ‘pejotização’ e fuga das universidades

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Por que a IA ainda não roubou o seu emprego?

Incapacidade do ChatGPT de fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo ainda está protegendo alguns trabalhadores

John Burn-Murdoch  – Folha/Financial Times31.mar.2025 

Repórter de dados do Financial Times

Há um paradoxo no cerne da IA (inteligência artificial) generativa. Há algum tempo está claro que, em comparação com os humanos, os grandes modelos de linguagem são muito mais capazes de completar tarefas extremamente desafiadoras.

Há mais de dois anos, tínhamos evidências de que o ChatGPT da OpenAI pode passar confortavelmente em exames difíceis, como o notório LSAT, exame de admissão de estudantes para cursos de direito nos Estados Unidos, e as provas finais de MBA de faculdades Ivy League.

Os modelos mais recentes produzem trabalhos escritos de alta qualidade de forma consistente, gerando ensaios que os educadores não conseguem distinguir daqueles escritos por estudantes de pós-graduação.

No entanto, até agora, há poucas evidências de que a IA esteja causando uma grande disrupção no mercado de trabalho, mesmo em ocupações que supostamente estão em risco muito alto. O que está acontecendo?

Duas novas pesquisas lançam luz sobre o enigma da excelência simultânea da IA e sua aparente ineficácia em atacar empregos humanos, ao mesmo tempo que mostram onde e por que as primeiras perdas em larga escala podem estar em andamento.

A primeira é minha. Com base em trabalhos anteriores da Brookings Institution e da OpenAI, realizei uma análise detalhada dos dados de emprego dos EUA, comparando as tendências recentes nos números de empregos com uma lista de ocupações identificadas como de risco especialmente alto de automação.

As tarefas diárias realizadas por escriturários de contabilidade, subscritores de seguros, agentes de viagens e secretários jurídicos se sobrepõem quase inteiramente às capacidades da IA. Mas o número de trabalhadores nessas funções permaneceu dentro de sua faixa usual, mesmo com a proliferação da IA generativa.

Compare

No entanto, há duas exceções notáveis. Escritores —de palavras, não de código— e desenvolvedores de software mostram sinais claros de disrupção relacionada aos modelos, com o emprego caindo acentuadamente em relação à tendência nos últimos dois anos.

E isso não é apenas uma função de tendências econômicas mais amplas nesses setores. Os números de empregos em outros lugares nas indústrias de computação, publicação e marketing não mostram tal queda repentina.

Portanto, há um contraste marcante na sorte daqueles em ocupações consideradas de risco semelhante. Essa descoberta se encaixa perfeitamente com um novo estudo da empresa de pesquisa METR, de San Francisco, que oferece uma nova estrutura para entender as forças, fraquezas e taxa de progresso da IA.

Descobriu-se que a capacidade dos grandes modelos de linguagem de realizar uma determinada tarefa não é tanto uma função de quão intelectualmente desafiadora a mesma tarefa seria para você ou para mim, nem do nível de habilidade especializada exigido, mas sim de quanto tempo levaria para um humano desenvolvê-la e quão “bagunçado” ou não estruturado é o fluxo de trabalho.

Portanto, realizar as funções de um assistente executivo, agente de viagens ou escriturário de contabilidade —todos trabalhos baseados em computador que exigem habilidades de nível básico— ainda está além das capacidades até mesmo das IAs mais avançadas.

Elas têm dificuldade em acompanhar múltiplos fluxos de informação, responder a um ambiente dinâmico, realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo e trabalhar com objetivos pouco claros ou voláteis. Esses fluxos de trabalho não estruturados estão longe dos testes de codificação e questões de ensaio.

Isso não quer dizer que essas ocupações permanecerão dominadas por humanos. A pesquisa da METR encontra a IA fazendo progressos fortes e constantes em uma ampla gama de tarefas, independentemente da complexidade, duração ou “bagunça”. Significa apenas que assistentes administrativos podem ter um ou dois anos de vantagem.

O que diferencia programadores e escritores é que essas são ocupações onde todo o trabalho do início ao fim —não apenas partes constituintes discretas— está o mais próximo possível das capacidades em que a IA se destaca: tarefas agradáveis, limpas, lineares e sequenciais, questões em estilo de exame e tarefas de ensaio.

Notavelmente, ambos os trabalhos também têm altas taxas de contratação ou freelancing. Assim, um assistente de IA como o Claude da Anthropic pode ser substituído por um redator não contratado sem que o RH se envolva.

Outra maneira de pensar sobre isso é que a “bagunça” protetora em alguns empregos vem da interação e imprevisibilidade inerentes ao interagir com outras pessoas. Há uma certa ironia na constatação de que o mantra da autossuficiência robusta e otimização de fluxo de trabalho comum no Vale do Silício pode ter tornado os postos tecnológicos mais, e não menos, frágeis.

A ocupação em que você realmente não gostaria de estar agora é aquela em que suas atividades consistem em uma tarefa linear previsível e recorrente. Escrever código para analisar dados e depois sintetizar os resultados em um artigo de tamanho fixo, por exemplo. Oh, céus. O futuro para alguém nesse tipo de trabalho —um colunista orientado por dados— parece sombrio.

Por que a IA ainda não roubou o seu emprego? – 31/03/2025 – Tec – Folha

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O futuro da saúde está em tirar os hospitais do centro do atendimento

A ciência já comprovou que o conceito de hospital em casa (HEC) funciona em diversos casos. O contexto econômico, social e tecnológico é favorável. Mas por que ele ainda não decolou?

Gustavo Meirelles – MIT Sloan Management Review – 28/3/2025

Hospitais sempre foram vistos como o centro da assistência à saúde, mas será que esse modelo ainda é o mais eficiente? Com o avanço da tecnologia e a necessidade de tornar o sistema mais sustentável, começam a surgir alternativas para um atendimento seguro e eficaz fora do ambiente hospitalar.

Em 2024, o custo anual dos serviços hospitalares nos EUA ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão. Parte disso se deve ao aumento da incidência de doenças relacionadas a internações prolongadas, como infecções hospitalares e eventos adversos evitáveis. 

Apesar do avanço da medicina, muitos indicadores de saúde mostram retrocessos, o que evidencia a necessidade de transformação no modelo assistencial. Tal cenário reforça a importância de repensar se o hospital deve, de fato, ser o centro de toda a prestação de cuidados aos pacientes.

A evolução do conceito de hospital

No século 19, hospitais eram destinados à população pobre e marginalizada. As classes mais abastadas recebiam cuidados em casa, independentemente da complexidade do quadro clínico.

Com a profissionalização da saúde e o fortalecimento da enfermagem ao longo do século 20, os hospitais passaram a ser o centro da assistência médica, consolidando-se como a principal porta de entrada do sistema de saúde. Além disso, a criação e o desenvolvimento de cursos de formação em medicina e enfermagem, privilegiando a prática hospitalar como base de aprendizado, reforçaram esse modelo de atendimento.

A crescente especialização dos profissionais e a centralização das tecnologias no ambiente hospitalar trouxeram benefícios inegáveis, como maior capacidade de diagnóstico, tratamento e procedimentos de alta complexidade. Por outro lado, isso trouxe superlotação, aumento de custos e novas ameaças, como infecções e erros médicos. 

Com a chegada do século 21, o debate sobre a sustentabilidade desse modelo hospitalocêntrico se intensificou. A demanda por serviços de saúde cresceu, impulsionada pelo envelhecimento populacional, o aumento das doenças crônicas e os custos crescentes de tratamentos de alta tecnologia. 

Nesse contexto, diversos atores do setor passaram a questionar se a concentração do cuidado no hospital realmente oferece a melhor relação custo-benefício para todos os perfis de paciente. Mas essa discussão começou a criar forma ainda no século 20.

Hospital em casa: a descentralização do cuidado

Desde a década de 1970, com o desenvolvimento dos primeiros sensores biométricos e o início do monitoramento remoto, surgiu a ideia de que determinados pacientes poderiam ser tratados fora do hospital com segurança e eficácia. O conceito de hospital em casa (HEC) surgiu no Reino Unido ainda nos anos 1970, propondo um modelo de atendimento domiciliar para reduzir custos e melhorar desfechos clínicos.

Nas últimas duas décadas, avanços em monitoramento remoto, dispositivos vestíveis, análise de dados estruturados e telemedicina impulsionaram a viabilidade do HEC. Ele deixou de ser uma experiência restrita a estudos-piloto e se tornou um modelo consolidado em várias partes do mundo, com respaldo de evidências científicas robustas. 

Programas de HEC já foram implementados com sucesso em países como Austrália, Canadá e Espanha. Em todos eles, a modalidade não apenas reduziu o tempo de internação como também melhorou a satisfação de pacientes e familiares.

Durante a pandemia, o interesse por modelos de HEC cresceu ainda mais. Com a necessidade de distanciamento social e a superlotação dos hospitais, muitas instituições aceleraram a adoção de soluções de monitoramento remoto e teleconsultas. 

Pessoas com quadros clínicos estáveis puderam receber acompanhamento médico em casa, liberando leitos hospitalares para casos mais graves. Essa experiência prática reforçou a ideia de que, em muitas situações, o hospital pode não ser o melhor lugar para o paciente.

Para quais pacientes o hospital em casa é indicado?

Nem todas as condições clínicas são elegíveis para esse modelo de assistência. Estudos apontam que doenças crônicas e algumas linhas de cuidado selecionadas, como pneumonia adquirida na comunidade e infecção urinária, são as que mais se beneficiam do HEC.

Nessas situações, o risco de complicações pode ser controlado de maneira eficaz em casa, desde que haja uma equipe multidisciplinar acompanhando o paciente, seja de maneira presencial ou virtual.

O atendimento pode ocorrer em diferentes formatos.

  • Presencial: com visitas periódicas de profissionais de saúde, que realizam avaliações, procedimentos e coleta de exames.
  • Híbrido: combinando visitas presenciais com monitoramento remoto e teleconsultas.
  • Virtual: apoiado principalmente em dispositivos de monitoramento (smartwatches, sensores de sinais vitais) e plataformas de telemedicina, com idas pontuais de profissionais ao domicílio, quando necessário.

Além de trazer benefícios ao paciente, o HEC pode ser uma solução para o esgotamento físico e emocional dos profissionais de saúde, agravado no período pós-pandemia.

Em vez de lidar com a superlotação hospitalar, a equipe atua de maneira mais focada e personalizada, reduzindo a carga de trabalho presencial e melhorando a qualidade da interação com o paciente. 

Esse modelo também favorece a humanização do cuidado. O paciente permanece em seu ambiente familiar, cercado por seus entes queridos, o que pode acelerar a recuperação.

Custos e sustentabilidade: o que falta para o HEC se consolidar?

A tecnologia para viabilizar o HEC já está desenvolvida, regulamentada e validada cientificamente. Então, o que impede uma adoção em larga escala?

  1. Modelo de financiamento: fontes pagadoras, como planos de saúde e sistemas públicos, ainda operam sob um paradigma hospitalocêntrico. A transição para modelos de pagamento baseados em valor pode acelerar a incorporação do HEC.
  2. Cultura médica e profissional: a adoção de um modelo descentralizado exige mudanças na formação e na prática dos profissionais de saúde, incluindo capacitação em telemedicina, análise de dados e gestão de tecnologia.
  3. Infraestrutura e interoperabilidade: para que o monitoramento remoto funcione, é fundamental que haja interoperabilidade entre os sistemas de saúde, garantindo que os dados do paciente fluam com segurança e privacidade.
  4. Engajamento do paciente e da família: o sucesso do HEC depende de uma boa comunicação e da segurança dos pacientes e familiares, que devem estar preparados para seguir as recomendações médicas em casa.

A mudança para um modelo assistencial menos dependente do hospital é uma necessidade econômica, clínica e social. O HEC representa um passo fundamental nessa transformação, trazendo benefícios para pacientes, profissionais e para o próprio sistema de saúde. 

Ao permitir que boa parte dos cuidados seja realizada no domicílio, o HEC traz muitas vantagens. Reduz custos, melhora a experiência do paciente e libera recursos hospitalares para casos de maior complexidade.

É fato que ainda existem barreiras a ser superadas, como a adequação dos modelos de financiamento e a evolução cultural no meio médico. Mas a pressão por maior eficiência, a disponibilidade de tecnologias avançadas e a busca por práticas mais centradas na qualidade de vida dos pacientes indicam um caminho sem volta.

Mais do que um conceito, o HEC é uma oportunidade de repensar a forma como a saúde é oferecida. À medida que profissionais, instituições e fontes pagadoras alinharem esforços para viabilizar essa modalidade, estaremos cada vez mais próximos de um sistema de saúde moderno, sustentável e verdadeiramente focado nas pessoas, dentro e fora das paredes do hospital.

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  • Artigo escrito em parceria com Anna Clara Rabha, médica pediatra, alergista e imunologista, especialista em transformação e inovação em saúde, embaixadora da Comunidade Inovação em Saúde e CEO da plataforma de telemedicina Agora Consulta.

Se você se interessa pelo assunto e quer saber mais, participe da Comunidade Inovação em Saúde, composta por mais de 10 mil integrantes na América Latina. Clique aqui para entrar no grupo de WhatsApp em português e aqui para entrar no grupo em espanhol.

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Gustavo Meirelles

É vice-presidente médico da Afya, fundador da Comunidade Inovação em Saúde, investidor e conselheiro de startups. Médico radiologista, com especialização, doutorado e pós-doutorado no Brasil e no exterior. Tem experiência como executivo de grandes empresas de saúde, com MBA em gestão empresarial. http://www.gustavomeirelles.com

O futuro da saúde está em tirar os hospitais do centro do atendimento – MIT Sloan Management Review Brasil

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Bots, agentes, funcionários digitais: IA muda o conceito do que é trabalho

A IA não está apenas realizando tarefas, ela pode completar fluxos de trabalho inteiros. Veja como podemos redefinir o trabalho na era da IA


LARS SCHMIDT – Fast Company Brasil – 26-10-2024 

Imagine um mundo em que seu colega digital lida com fluxos de trabalho inteiros, adapta-se a desafios em tempo real e colabora perfeitamente com sua equipe humana. Isso não é ficção científica – é a realidade iminente dos agentes de IA no ambiente de trabalho.

Como Sam Altman, CEO da OpenAI, previu corajosamente em seu evento anual DevDay, “2025 é o ano em que os agentes de IA trabalharão”. Mas o que isso significa para o futuro do trabalho humano, das estruturas organizacionais e da própria definição de trabalho?

De acordo com pesquisa do The Conference Board, 56% dos trabalhadores usam IA generativa no trabalho e quase um em cada 10 usa ferramentas de IA generativa diariamente. Conforme entramos nesse estágio de negócios habilitado para IA, é essencial entender o potencial transformador dos agentes de IA e nos desafiar a reconceituar a parceria homem-máquina.

Em última análise, o envolvimento da IA no ambiente de trabalho pode ser dividido em três grupos: bots, agentes de IA e trabalhadores digitais. Aqui está um guia de como cada um deles está impactando o mundo do trabalho.

BOTS

Bots são aplicativos de software programados para executar tarefas automatizadas. No contexto empresarial, os chatbots são frequentemente usados para simplificar as operações, aprimorar o atendimento ao cliente e melhorar os processos internos.

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A maioria dos chatbots é programada usando Processamento de Linguagem Natural (NLP, na sigla em inglês) para interpretar e entender a linguagem humana e o aprendizado de máquina, o que permite que aprendam e melhorem com os dados ao longo do tempo.

Na última década, a adoção de bots em ambientes de negócios que abrangem saúde, varejo, bancos e uma série de outros setores teve crescimento exponencial. Espera-se que o mercado de chatbots salte de US$ 396,2 milhões em 2019 para US$ 27,3 bilhões até 2030.

Esse aumento no uso de bots pode ser atribuído aos avanços em PNL, ao aumento da demanda por suporte ao cliente 24 horas por dia, sete dias por semana, e ao crescente reconhecimento do potencial dos bots para aumentar a eficiência operacional em várias funções de negócios.

Embora os bots ofereçam inúmeros benefícios, eles também têm limitações que as empresas devem considerar. Um dos principais desafios é a possibilidade de não entender consultas complexas ou com nuances, o que pode levar à frustração do usuário e à disseminação incorreta de informações.

Os bots também podem ter dificuldades com situações que dependem do contexto ou com questões emocionalmente sensíveis, áreas em que a empatia e o julgamento humanos são cruciais. Por fim, há preocupações com a privacidade e a segurança dos dados, pois os bots geralmente lidam com informações confidenciais.

AGENTES DE IA

Um agente de IA é uma entidade ou programa de software autônomo projetado para perceber seu ambiente, tomar decisões e realizar ações para atingir metas ou objetivos sem intervenção humana.

Os agentes de IA estão prontos para levar a automação a níveis sem precedentes, transcendendo a simples conclusão de tarefas para gerenciar fluxos de trabalho completos, complexos e adaptáveis. Essa mudança representa um salto quântico em relação às tecnologias de automação tradicionais.

É ESSENCIAL ENTENDER O POTENCIAL TRANSFORMADOR DOS AGENTES DE IA E NOS DESAFIAR A RECONCEITUAR A PARCERIA HOMEM-MÁQUINA.

A rápida adoção de agentes de IA é impulsionada por seu potencial de aumentar a produtividade e a eficiência. Um relatório da McKinsey afirma que “cerca de metade das atividades (não trabalhos) realizadas pelos trabalhadores poderia ser automatizada”, com os agentes de IA desempenhando um papel crucial nessa transformação.

À medida que incorporamos os recursos de IA agêntica nas empresas, provavelmente desconstruiremos os trabalhos em tarefas individuais e identificaremos as que podem ser totalmente automatizadas por essas novas tecnologias e agentes de IA.

TRABALHADORES DIGITAIS

Os “trabalhadores digitais” são capazes de lidar com fluxos de trabalho inteiros, adaptar-se às necessidades em tempo real e colaborar com humanos de maneiras inimagináveis há alguns anos.

No início deste ano, a Lattice, uma plataforma de RH com inteligência artificial, foi criticada por propor um recurso que permitiria que as organizações fizessem registros de funcionários para trabalhadores digitais.

“Seremos os primeiros a fornecer aos trabalhadores digitais registros oficiais de empregados da Lattice. Eles serão integrados, treinados e receberão metas, métricas de desempenho, acesso a sistemas apropriados e até um gerente. Exatamente como qualquer funcionário”, compartilhou a CEO Sarah Franklin em uma postagem no blog da empresa anunciando o novo recurso.

Três dias depois, a Lattice publicou uma atualização informando que não iria mais incluir trabalhadores digitais no produto. O futuro estava aqui, mas não era um futuro para o qual estávamos preparados.

Talvez isso se deva a barreiras psicológicas. O conceito de “trabalhador digital” destaca as barreiras psicológicas para aceitar a IA como parte da força de trabalho. Ele ressalta a necessidade de uma integração cuidadosa e ponderada que respeite as preocupações humanas e, ao mesmo tempo, aproveite o potencial da IA.

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“A revolução da IA no ambiente de trabalho começou com ferramentas como o ChatGPT, apresentando às pessoas o potencial da tecnologia. Agora, estamos testemunhando o surgimento de agentes de IA que podem realmente executar tarefas, e não apenas ajudá-las”, diz Timur Meyster, cofundador e diretor de produtos da OutRival, plataforma alimentada por IA para equipes de experiência do cliente.

“Essa mudança está até redefinindo as métricas de sucesso, com as empresas agora medindo resultados como inscrições, reservas ou compromissos baseados no número de funcionários, demonstrando a poderosa sinergia entre a experiência humana e os recursos de IA”, diz Meyster.

Talvez a ascensão dos agentes de IA não seja apenas uma mudança tecnológica, mas filosófica: ela nos desafia a redescobrir a essência de nossa humanidade diante da inteligência artificial.


SOBRE O AUTOR

Lars Schmidt é fundador da Amplify, que auxilia empresas e executivos de RH a navegar pelo novo mundo dos recursos humanos, e da Amplify Academy, iniciativa que oferece programas de treinamento para lideranças.


Bots, agentes, funcionários digitais: IA muda o conceito do que é trabalho | Fast Company Brasil

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O veneno de um lagarto criou um império de US$ 350 bilhões — e está transformando a economia global.

Igor Drudi –  Linkedin – 27/03/2025

Nos anos 1990, cientistas estudavam o veneno do monstro-de-Gila, um lagarto do deserto americano, e descobriram a exendina-4, molécula semelhante ao GLP-1, hormônio que regula o açúcar no sangue.

Nascia ali a base para uma revolução médica.

A exenatida, versão sintética desenvolvida pela Amylin, foi o primeiro passo. Mas exigia duas aplicações diárias. A Novo Nordisk, da Dinamarca, refinou a molécula: em 2010 lançou o Victoza (aplicação diária) e, em 2017, o Ozempic — mais eficaz, com aplicação semanal.

Criado para tratar diabetes, o Ozempic surpreendeu pelo efeito colateral: perda de apetite e peso. A empresa lançou então o Wegovy (2021), versão com dosagem maior para obesidade.

Com apoio de Elon Musk e Oprah, as vendas explodiram. Em 2024, cresceram 56%, levando a Novo Nordisk a faturar US$ 42,1 bi e se tornar a empresa mais valiosa da Europa.

O impacto vai além da saúde.

O uso crescente de medicamentos como Ozempic já afeta o consumo de alimentos ultraprocessados.

A McDonald’s e outras redes vêm relatando queda na venda de combos e porções grandes, especialmente nos EUA.

Já companhias aéreas projetam redução de custos operacionais com menor peso médio dos passageiros, o que influencia diretamente o consumo de combustível.

Segundo o Goldman Sachs, o mercado de medicamentos para emagrecimento pode chegar a US$ 100 bi até 2030.

E se 60 milhões de americanos usarem GLP-1 até 2028, o PIB dos EUA pode crescer 1% acima do previsto, pela queda em doenças crônicas e ausências no trabalho.

Na Dinamarca, as exportações da Novo Nordisk fizeram o país crescer 2% em 2023 e 3,6% em 2024 — contra apenas 0,5% da média europeia.

Com 65% dos americanos acima do peso e 40% obesos, o impacto de medicamentos como Ozempic e Wegovy é econômico, social e global.

A jornada que começou com um lagarto agora remodela mercados inteiros — da alimentação à aviação — e promete reconfigurar a saúde pública nas próximas décadas.

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 | O que seu cérebro e o ChatGPT têm em comum? Veja o que a ciência diz

Novo estudo mostra que algoritmos de IA ativam áreas cerebrais semelhantes às humanas

Por Alexandre Chiavegatto Filho – Estadão – 26/03/2025 | 22h00

Ao longo do século passado, a área de inteligência artificial (IA) teve o cérebro humano como uma das suas principais fontes de inspiração. Nos últimos tempos, porém, essa abordagem foi deixada de lado, dando espaço a novas estratégias baseadas em tentativa e erro.

A trajetória de Santos Dumont, que abandonou a ideia de replicar o voo biológico ao projetar o avião, já indicava que a otimização de funções muitas vezes supera a imitação direta da natureza. Embora originalmente inspirados em modelos neurobiológicos, os algoritmos modernos de linguagem evoluíram para arquiteturas baseadas em mecanismos de atenção do tipo transformers.

Agora, um novo estudo publicado na Nature Human Behavior por pesquisadores de Princeton, New York University e Google, trouxe uma reviravolta nessa ideia ao encontrar que os modelos de linguagem de grande porte (LLMs) ativam padrões no cérebro humano de forma semelhante ao processamento natural da linguagem, exibindo uma espécie de “plasticidade” artificial ao se moldarem a partir de dados, assim como o cérebro se adapta por meio de mudanças sinápticas.

Utilizando técnicas de imageamento cerebral, pelo uso de eletrodos intracranianos, os pesquisadores analisaram a atividade neural de voluntários enquanto eles liam ou ouviam frases. Ao mesmo tempo, compararam essas respostas com as representações internas geradas por LLMs ao processar os mesmos estímulos linguísticos.

Os resultados indicaram que as ativações dos modelos de IA se alinham de maneira surpreendente com áreas específicas do cérebro, como o córtex motor e o giro temporal superior, regiões conhecidas pelo seu papel na integração de informações linguísticas e da fala humana.

Isso sugere que, apesar da sua construção artificial e o seu foco em eficiência, as LLMs acabaram por capturar aspectos fundamentais do modo como os humanos processam a linguagem, em uma convergência que vai muito além da simples inspiração biológica inicial.

Essa descoberta não implica que os modelos de IA sejam cópias fiéis do cérebro, mas aponta para uma sobreposição funcional surpreendente. Enquanto o cérebro humano evoluiu ao longo de milhões de anos para lidar com a complexidade da linguagem, as LLMs alcançaram habilidades semelhantes ao serem treinadas em grandes conjuntos de dados textuais.

Esses achados agora abrem caminho para investigar como a IA pode não apenas imitar, mas também ajudar a esclarecer o funcionamento da mente humana. Mais do que isso, reforçam a ideia de que, por rotas distintas, a inteligência artificial e a biológica podem convergir para soluções parecidas, apontando para a unificação da inteligência.

O que seu cérebro e o ChatGPT têm em comum? Veja o que a ciência diz – Estadão

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Polarização digital: do Google ao ChatGPT, buscas com IA reforçam crenças e limitam novas ideias, diz estudo

Pesquisa testou a interação de 10 mil usuários com plataformas que geram respostas por inteligência artificial

Por Juliana Causin — O Globo – 26/03/2025 

Ao personalizarem respostas com base em termos usados pelos usuários, ferramentas de busca baseadas em inteligência artificial — como Google, Bing e ChatGPT — reforçam crenças e reduzem a exposição a pontos de vista diferentes.

Em vez de ampliar o repertório de informações, essas plataformas aprofundam crenças pré-existentes.

A conclusão é de um estudo realizado com 9,9 mil pessoas por pesquisadores da Universidade de Tulane e de Chicago, nos Estados Unidos. Ao todo, foram realizados 21 experimentos que avaliaram o comportamento dos usuários nas buscas com o IA e a forma como os algoritmos influenciam a revisão (ou não) de crenças.

A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira na PNAS, revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Os resultados mostram que a polarização de opiniões em diferentes temas, como a pandemia de Covid-19 e até mesmo os efeitos da cafeína para saúde, não está apenas nos algoritmos, mas também na forma como os usuários formulam suas buscas.

De forma recorrente, os participantes utilizaram termos enviesados, que refletiam o que já acreditavam — como “benefícios da cafeína” ou “bitcoin é perigoso” — e acabavam recebendo respostas que confirmavam suas ideias iniciais.

China inunda o mundo com modelos de IA após sucesso da DeepSeek

Desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, a indústria de tecnologia tem acelerado a adoção de sistemas de IA em buscadores. O Bing, da Microsoft, foi o primeiro a integrar um modelo de linguagem em seu mecanismo de busca, com um sistema da OpenAi.

O Google começou a testar o modelo em 2023, e hoje exibe respostas geradas por IA no topo da página. O próprio ChatGPT passou a exibir links nas respostas.

Com a IA, as plataformas costumam entregar respostas para perguntas mais complexas e específicas. O estudo, no entanto, aponta que o viés nessas respostas pode permanecer ou até se intensificar. O processo costuma ser descrito por pesquisadores para a formação das chamadas bolhas de informação, nas quais os usuários são expostos apenas a conteúdos alinhados ao que já acreditam.

Viés de confirmação

“À medida que a inteligência artificial evolui e o acesso à informação se torna cada vez mais mediado por algoritmos, torna-se crucial reconhecer e mitigar os riscos do efeito da busca estreita”, escrevem os autores Eugina Leung e Oleg Urminsky.

Para entender o risco de confirmação de viés, os pesquisadores realizaram estudos em que os participantes primeiro informavam suas crenças sobre determinado tema. Depois, geravam um termo de busca espontaneamente — e esse termo era avaliado quanto ao seu viés.

Em outro conjunto de testes, os participantes eram randomizados para fazer buscas com termos opostos (como“energia nuclear é boa” e “energia nuclear é ruim”) e tinham suas opiniões medidas antes e depois.

No caso da energia nuclear, por exemplo, os participantes que usaram termos positivos terminaram o experimento com uma visão significativamente mais favorável do que aqueles que usaram termos negativos. Com a cafeína, a diferença também foi expressiva. O padrão se repetiu em todas as plataformas testadas.

Entre os 21 testes, os autores avaliaram diferentes formas de reduzir o viés de confirmação. Alertar os usuários sobre seus próprios vieses teve efeito limitado. Já modificar os algoritmos para apresentar pontos de vista diversos se mostrou mais eficaz.

Pesquisadores sugerem ampliar resultados

Mesmo em temas polarizados, oferecer respostas mais abrangentes pode facilitar a atualização de crenças, indicam os pesquisadores. “Nossos resultados sugerem que mudanças estruturais nos algoritmos de busca e de IA, ampliando o escopo das respostas, podem mitigar o viés de confirmação, favorecer a atualização de crenças e promover decisões mais bem informadas”, afirmam os autores.

Uma das propostas avaliadas pelos autores é a criação de uma espécie de botão de “Busca Ampliada” — uma alternativa ao tradicional “Estou com sorte”, do Google. Em um dos experimentos, 84% dos participantes disseram que gostariam de ter acesso a esse recurso.

“Ao incorporar diferentes pontos de vista em uma única resposta, os sistemas de IA podem fornecer tanto a informação solicitada quanto perspectivas que o usuário talvez não tivesse considerado — promovendo revisão de crenças sem reduzir a utilidade percebida”, conclui o estudo.

Polarização digital: do Google ao ChatGPT, buscas com IA reforçam crenças e limitam novas ideias, diz estudo

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Esta manteiga não é feita com ingredientes animais ou vegetais: é de metano

A startup Savor faz gorduras e óleos sem precisar de agricultura e acabou de lançar uma manteiga feita a partir de metano ou CO2


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KRISTIN TOUSSAINT – Fast Company Brasil – 25-03-2025 

Depois de pegar uma porção de pipoca em um evento da Savor, meus dedos ficaram com aquele brilho familiar: era a gordura da manteiga que cobria os pequenos grãos.

Quando mais tarde fui pegar uma panqueca, ela estava tão cheia de manteiga que imediatamente cobriu minha língua com uma camada aveludada de gordura. Uma “vieira” de cogumelo, grelhada na manteiga, estava rica e saborosa.

A manteiga usada em todos esses pratos era cremosa e gostosa. Mas ela não é feita de matéria-prima de origem animal. Não é nem mesmo feita de plantas, como o óleo de abacate, óleo de coco ou azeite de oliva. Ela é feita a partir de energia – neste caso, mais especificamente, de metano.

A Savor, uma startup da Califórnia apoiada por Bill Gates, produz gorduras e óleos sem precisar de agricultura Normalmente, a fórmula básica para criar qualquer tipo de gordura é assim: energia (vinda do sol, embora também se possa usar luzes de cultivo) faz plantas crescerem. Essas plantas podem ser transformadas em óleos ou alimentar animais, que então produzem leite, transformado em manteiga.

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A Savor pula todas essas etapas intermediárias. A energia – metano, dióxido de carbono capturado ou mesmo hidrogênio verde – é transformada em manteiga por meio de um processo termoquímico que converte carbono, hidrogênio e oxigênio em ácidos graxos.

Esses ácidos graxos podem então ser compostos e rearranjados para formar triglicerídeos que compõem diferentes gorduras, como manteiga, óleo de palma, manteiga de cacau, entre outros.

“É a química mais antiga da Terra”, explica Kathleen Alexander, cofundadora e CEO da Savor, lembrando como, bilhões de anos atrás, no fundo do oceano, fontes hidrotermais criaram uma reação química entre hidrogênio e dióxido de carbono para formar ácidos graxos.

Isso significa que a manteiga da Savor evita não apenas o uso de animais e plantas, mas também o uso de terra associada à agricultura, hormônios, antibióticos e fertilizantes, todos com impactos ambientais.

No total, a produção atual de gorduras e óleos representa cerca de 7% das emissões globais de CO2, segundo um cálculo da Savor feito em colaboração com cientistas ambientais. Isso é mais do que o dobro das emissões da indústria da aviação.

Atualmente, a Savor usa metano ou dióxido de carbono emitido por fábricas e tem o objetivo de trabalhar com empresas focadas em captura de ar, ou extração direta de CO2 da atmosfera. “A Savor está se perguntando: em que casos podemos deixar a natureza de lado e ainda assim obter o que queremos”, diz o cofundador Ian McKay.

Ao longo da refeição servida no evento da Savor, a manteiga foi apresentada de diversas formas. Servida em potinhos junto com pão e palitos de legumes, tinha um sabor limpo, com um final levemente terroso e picante, graças à adição de alecrim.

Estava espessa e espalhável, não derretia tão rápido como manteigas à base de óleo e espalhava fácil pelo pão. A manteiga da Savor também é livre de alérgenos.

Um “bife” de cogumelo cozido na manteiga estava suculento e saboroso. A torta de chocolate tinha uma crosta densa, mas quebradiça, com caramelo salgado de manteiga e um ganache que derretia na boca.

A refeição teve como objetivo mostrar a variedade de formas como o produto pode ser usado, se encaixando nas receitas do dia a dia e em métodos de culinária tradicionais. A Savor vem trabalhando com chefs para testar sua manteiga e colaborar em criações de pratos.

A empresa está focada em se lançar primeiro como fornecedora de ingredientes, em vez de vender diretamente ao consumidor nas prateleiras de supermercados.

Em um vídeo no site da Savor, o chef de confeitaria Juan Contreras, do restaurante três-estrelas Michelin Atelier Crenn, usa a manteiga Savor para fazer uma brioche clássica, uma receita que ele diz ser “totalmente baseada na manteiga.”

“Chegamos a um ponto em que é praticamente igualzinho a trabalhar com manteiga à base de leite”, diz ele no vídeo da Savor. “Se alguém me servisse isso em um restaurante… eu acharia que é só manteiga normal.”


SOBRE A AUTORA

Kristin Toussaint é editora assistente da editoria de Impacto da Fast Company. 

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‘A China não está recuando em transição energética. Pelo contrário, está acelerando’, afirma presidente da Vale

Para Gustavo Pimenta, com o país asiático mantendo foco em redução de emissões, apesar da pressão dos EUA na direção contrária, cresce oportunidade à produção da Vale e aos minerais raros do Brasil na descarbonização global

Por Marcelo Ninio – O Globo – 24/03/2025 

Gustavo Pimenta assumiu o cargo de CEO da Vale em outubro e, no mês seguinte, já estava visitando a China, responsável por 60% das receitas da mineradora. “É um mercado que a gente acompanha de perto”, diz Pimenta ao GLOBO, em Pequim. Em sua segunda visita ao país, ele sente uma mudança positiva na economia, com avanços em infraestrutura e manufatura.

No atual cenário de guerra comercial e pressão vinda dos EUA para que esforços em descarbonização sejam deixados de lado, ele afirma que governo e empresas chinesas mantêm o foco em reduzir emissões, o que gera oportunidade para o Brasil usar sua oferta de minerais raros para ser protagonista na transição energética global.

Como enxerga o estado atual da economia chinesa?

Quando estive aqui em novembro, saí com uma sensação de que havia coisas a fazer e que a economia ainda estava com uma série de desafios. Desta vez, o tom mudou bastante. Estou aqui há uma semana, estive com clientes e ministros em Xangai e Pequim, falei com muita gente. O tom mudou nesses seis meses. A sensação é que as ações do governo estão sendo muito mais concretas, os clientes comentam que têm percebido demanda sólida.

Demorou um certo tempo, mas a gente percebe que o tom mudou e a atividade econômica tem reagido. Muito estímulo ao consumo. A China passa por uma grande mudança em seu modelo, entre o que foi no passado, baseado num mercado de propriedades, e agora, mais focado em consumo e manufatura. No geral, a gente percebe um momento econômico bem mais positivo.

Na demanda de minério de ferro na China, a crise do setor imobiliário é compensada pelo investimento em infraestrutura?

A grande medida é a produção anual de aço. Houve redução da dependência do mercado imobiliário, que era 40% do mercado do minério de ferro. Caiu para 30%. A parte de infraestrutura continuou forte e a manufatura acelerou bastante, com linha branca, veículos e a nova economia, descarbonização, painel solar, energia eólica. Tudo isso também chama muito minério. A gente percebe uma mudança no mix, mas a produção de aço se manteve acima de um bilhão de toneladas.

A gente continuou tendo um mercado sólido, aqui. Foi uma mudança impressionante, porque eles conseguiram fazer esse ajuste de forma relativamente rápida, mas continuam sendo setores que demandam minério no longo prazo, porque precisam de aço. A gente ainda é muito construtivo no médio e longo prazos.

Essa tese de descarbonização é intensiva. Uma casa na China, construída nos últimos anos, tem uma penetração de aço de 1%. Nas economias desenvolvidas é de 6%. Se você pensar, a oportunidade, a penetração de aço oferece demanda adicional. No curto prazo, a manufatura segurou a produção de aço, o que acabou mantendo a demanda pelos nossos produtos.

A mudança para a manufatura foi sobretudo para exportação?

Teve muita exportação, e aí entra uma questão geopolítica, que tem um recorte na equação: carros elétricos no Brasil, muita linha branca para o Sudeste asiático. Tem uma agenda muito acelerada de descarbonização. Essa é uma questão que eu vi, toda essa discussão sobre recuo na descarbonização que tem sido mundial, aqui continua focado nisso. E é focado em aço e minério de ferro.

Como políticas de Donald Trump afetam os negócios da Vale?

Guerras tarifárias nunca são boas porque acabam gerando um potencial arrefecimento do PIB mundial, e isso é ruim para a demanda por minério de ferro. Haverá uma acomodação nesses debates porque vai impactar a atividade econômica e vai haver reação de acomodação entre as nações.

Uma variável relevante é entender como a China estava reagindo a algumas questões macro, como a descarbonização. Porque isso tem efeito importante na cadeia do aço, em posicionamento de produtos de baixo carbono. Essa cadeia contribui com as emissões numa escala relevante, 8%. Estou saindo com uma visão muito confortável de que a China não está recuando em nada nessa agenda de transição energética, descarbonização. Pelo contrário, estão acelerando. Meus clientes falam disso como prioridade deles e do governo.

Para a Vale é favorável porque nossa tese é descarbonização e nossos produtos se beneficiam disso. Estamos focando muito em minerais críticos. O aço vai continuar sendo produzido e precisamos encontrar rotas que não utilizam o carvão. Nas rotas mais limpas é preciso minério de mais alto teor. E a Vale é o ofertante de maior qualidade do mundo. Estamos investindo em níquel, já somos os maiores produtores do mundo ocidental.

Na China, o foco do governo é em inovação, até na indústria extrativista. O que a Vale tem a oferecer nessa área?

Quando se olha as nossas operações e a mineração do futuro, que vai ser 100% automatizada, a inovação vai ser fundamental. A tecnologia hoje está incorporada ao negócio da companhia. Circularidade é uma grande temática. Estamos caminhando para que 10% de nossa produção em 2030 sejam de minérios que temos em barragens.

A outra ponta é a inovação em produtos, como criar um minério de ferro que, quando usado na produção de aço, reduz a pegada de carbono, é muito estratégico. Depois de décadas de estudo, lançamos um produto chamado briquete verde, que potencialmente é uma revolução na indústria, substitui a pelota. Quando colocado no forno, ele reduz a geração de CO2. Temos 172 navios fazendo Brasil-mundo, China, Europa. E uma tecnologia chamada rotor sail, que aproveita a força dos ventos e reduz em 7% as emissões.

Não é nada que vai mudar o negócio da noite para o dia, mas são incrementos em tecnologia que vão melhorando a operação, reduzindo o risco, as emissões. Há muitas oportunidades, inclusive parcerias com empresas chinesas.

Como aproveitar o bom momento das relações Brasil-China para obter ganhos em transferência de tecnologia?

A questão dos minerais críticos se tornou relevante na discussão geopolítica mundial. E o Brasil talvez seja a maior potência em minerais críticos do mundo. Minério de ferro, cobre, terras raras. O petróleo do próximo século vão ser os minerais raros. Há aqui uma enorme pauta porque a China é grande demandante de minerais críticos para suas indústrias. Ao mesmo tempo, tem uma série de tecnologias que a gente pode aplicar até para trazer esses minerais ao mercado de forma mais rápida.

Como estão as relações da Vale com o governo chinês?

A relação é ótima. Nas reuniões que tive, com os ministérios do Comércio e da Inovação, a mensagem foi muito positiva, com esse alinhamento do Sul Global, do Brics. Existe um alinhamento estratégico de países buscando acelerar seu desenvolvimento econômico, uma relação de amizade, de parceria, tentando se ajudar e se complementar.

E com o governo brasileiro?

A relação está boa, nós somos um dos maiores investidores do Brasil e vamos continuar sendo. Acho que o que a gente quer fazer como companhia está muito alinhado com o que o governo brasileiro quer, investir, gerar emprego, renda, royalties.

‘A China não está recuando em transição energética. Pelo contrário, está acelerando’, afirma presidente da Vale

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