Pesquisa em profundidade é a jogada do Google para ganhar a corrida da IA

O Deep Research é como uma versão em IA de um assistente de pesquisa humano, que responde perguntas difíceis com explicações detalhadas

MARK SULLIVAN – Fast Company Brasil – 02-01-2025 

Muita gente estranhou a lentidão do Google para entrar na onda da IA generativa. Mas isso ficou para trás. Com os modelos de linguagem (LLMs) Gemini e nos novos serviços baseados neles, o Google alcançou – e, em alguns casos, superou – a concorrência.

O sucesso da empresa se deve, em grande parte, à disposição de usar seus próprios pontos fortes. O sistema de pesquisa em profundidade Gemini Deep Research é um bom exemplo dessa estratégia.

Disponível para usuários do Gemini Advanced, o Deep Research é um tipo de versão em IA de um assistente de pesquisa humano. Funciona melhor para perguntas mais difíceis e multifacetadas, que exigem explicação. Por exemplo, fiz a seguinte pergunta: “quais são os desafios de criar robôs humanoides que possam realizar tarefas que não foram executadas em seu treinamento?”.

Primeiro, o Deep Research reformulou a pergunta da seguinte forma: “encontre trabalhos de pesquisa e artigos sobre o tema ‘aprendizagem zero-shot’ em robótica”, com base em uma busca superficial de pesquisas relevantes na web.

Em seguida, gerou um plano com várias etapas, que era uma lista dos principais aspectos da pergunta de pesquisa, junto com os locais onde as informações poderiam ser encontradas.

Depois que concordei com o plano, o agente ficou ocupado. “Estou trabalhando nisso. Avisarei quando sua pesquisa estiver concluída. Enquanto isso, você pode sair deste bate-papo” (há algo de muito satisfatório em assistir a um agente de IA fazendo meu trabalho enquanto tomo café).

Observei enquanto ele varria a internet e começava a compilar uma lista de fontes. Cerca de três minutos depois, ele havia compilado uma lista de 60 itens de artigos e publicações de referência, incluindo trabalhos de pesquisa, artigos de periódicos, publicações no Medium e discussões no Reddit.

A partir de todas essas fontes, o agente sintetizou um ensaio de 2,1 mil palavras, repleto de citações, que respondia à minha pergunta. Impressionante!

Para encontrar todas essas fontes, é necessário um índice muito completo e profundo da web, e ninguém faria isso melhor do que o Google.

Para selecionar e compilar os blocos de informações mais relevantes de cada artigo, é necessário que o modelo Gemini 1.5 Pro, que alimenta o Deep Research, mantenha muitas informações em sua memória ao mesmo tempo. O Gemini 1.5 Pro tem uma janela de contexto de um milhão de tokens (mais de 770 mil palavras) – maior do que qualquer outro LLM voltado para o público. 

Sintetizar todos os dados relevantes em uma resposta completa requer algum planejamento e raciocínio. O Gemini 1.5 Pro faz parte de um pequeno grupo de LLMs com pontuação superior a 85% no benchmark MMLU, que avalia o desempenho dos modelos de aprendizado de máquina. E você pode enviar as respostas do Deep Research diretamente para um Google Doc. 

Continuo achando que o Google se encontra agora na melhor posição para se tornar o líder em IA para o público em geral no longo prazo. O volume de usuários, a experiência e os dados que acumulou ao longo dos anos pode lhe conferir uma boa vantagem.


SOBRE O AUTOR

Mark Sullivan é redator sênior da Fast Company e escreve sobre tecnologia emergente, política, inteligência artificial, grandes empresas de tecnologia e desinformação. Seus trabalhos já foram publicados em grandes veículos como Wired, Al Jazeera, CNN, ABC News e CNET, entre outros.

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Economia mundial em 2025: apertem o cinto

Impactos de medidas de Trump podem moldar significativamente o cenário econômico global

Por Assis Moreira – Valor – 02/01/2025

O ano começa com uma incerteza brutal na economia mundial com o retorno de Donald Trump à Casa Branca a partir do dia 20. A escolha geopolítica mais importante de Trump será mesmo como lidar com a China, concordam analistas. E ele parece não se impor limites para lançar mão de toda a capacidade da maior potência do mundo para enfraquecer seu grande rival. Isso terá evidente impacto no comércio, investimentos, acesso a tecnologias relevantes, entre outros. A pressão sobre parceiros vai crescer em função das relações com a China, incluindo sobre o Brasil.

O Instituto Internacional de Finanças (IFF), reunindo as maiores instituições financeiras do mundo, prevê desaceleração do crescimento global para 2,7%, após 2,9% em 2024 e 3,2% em 2023. Os países emergentes poderiam expandir 3,8% em 2025, abaixo dos 4% em 2024 e 4,3% em 2023. Essas projeções refletem as expectativas em relação às possíveis políticas do novo governo dos EUA, tanto comerciais como fiscais e de imigração mais amplas, e riscos geopolíticos mais elevados. Os impactos previstos podem moldar significativamente o cenário econômico global, se concretizados.

Para Marcello Estevão, economista-chefe do IIF, o crescimento mundial será ainda menor se Trump fizer o choque tarifário exatamente como ameaçado na campanha eleitoral. Aumento de alíquota de importação de 20% sobre todos os países e especificamente de 60% sobre a China “seria uma maluquice” e o instituto aposta em algo menor.

O crescimento projetado para a China é de 4,2% para este ano, ante 4,8% em 2024. Mas diferentes estimativas apontam que a alta tarifária nos EUA poderia tirar até quase um ponto percentual do crescimento chinês neste ano e afetar mais a demanda global.

Em recente viagem à China, Estevão conversou com autoridades e representantes de empresas. Saiu com o sentimento de que a retaliação não é a preferência dos chineses, mas que eles estão preparados para reagir à guinada protecionista de Trump.

O governo chinês sinaliza que vai aumentar o peso de medidas monetárias e fiscais em 2025, para pelo menos manter o crescimento acima de 4% ao ano. Ou seja, vai gastar mais para impulsionar a demanda interna, levando em conta que a demanda internacional por produtos chineses também sofrerá.

Há turbulências à vista, mas é preciso ver como será realmente a economia global depois de 20 de janeiro. Pode ser que os anúncios de Trump não venham a ser tão brutais quanto ele ameaça. Mas a imprevisibilidade incomoda, e ainda mais em Pequim, com o Partido Comunista habituado a trabalhar com um certo grau de estabilidade. O resultado de uma guerra e, depois, de uma negociação entre Washington e Pequim vai afetar todo mundo, no entanto algumas regiões poderão se beneficiar com desvio do comércio.

Para a Associação Americana de Produtores de Soja, uma nova guerra comercial de Trump inicialmente beneficiaria o Brasil e a Argentina com aumento de exportações e ganhos valiosos de participação no mercado global. As tarifas chinesas sobre a soja e o milho dos EUA – mas não do Brasil – incentivariam os agricultores brasileiros a expandir a área de produção ainda mais rapidamente. Prevê uma queda acentuada nos preços da soja e do milho, resultando em impacto em cascata nos EUA.

O cenário nesse caso para o Brasil não é – ainda – para perder o sono, mas também não é para dormir no ponto em relação ao seu principal parceiro comercial. O desempenho das exportações brasileiras para a China precisa, de fato, ser monitorado para três produtos (soja, minério de ferro e petróleo) que representaram 77% das vendas entre janeiro-novembro.

Soja é sobretudo para alimentação animal e não há perspectiva de redução da demanda chinesa. No caso do petróleo, o Brasil foi em 2024 seu sétimo fornecedor e não há ameaça nessas vendas no curtíssimo prazo, mas os chineses estão investindo maciçamente na transição energética. E minério de ferro é uma interrogação; o setor residencial está em crise, e na infraestrutura os chineses já fizeram muito mais do que resta por fazer.

Por outro lado, não se pode ignorar que o Brasil foi em 2024 o país para o qual a China mais aumentou suas exportações, com alta de 23%, com o Vietnã em segundo com 18%. O diferencial quase todo nas vendas para o Brasil é de automóveis chineses eletrificados (+352%) ou híbridos (+263%). Os chineses desovaram estoques no país, antecipando um eventual aumento da tarifa de importação de elétricos por Brasília. E certamente vão buscar vender bem mais, em geral, com os EUA e outros mais fechados.

Bom 2025 a todos.

Assis Moreira é correspondente em Genebra e escreve quinzenalmente

E-mail: assis.moreira@valor.com.br

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Crise Marítima: Entenda a Atual Escassez de Contêineres Para Exportação

Conflitos bélicos e fenômenos naturais obstruem rotas comerciais, geram escassez de produtos e encarecem o frete

Yanina Mazzia – Forbes – 03/01/2025

Nos últimos anos, o mundo registrou o maior número de guerras desde a Segunda Guerra Mundial. Somando-se aos problemas climáticos e aos bloqueios econômicos, isso provocou o colapso dos principais portos do planeta, gerando uma escassez de contêineres. O aumento dos custos de seguro e transporte marítimo prejudicou os processos produtivos de várias indústrias.

O encalhe do Ever Given em Suez, a seca no istmo do Panamá, o bloqueio russo dos portos ucranianos no Mar Negro, o embargo econômico à Rússia e os ataques a navios no Mar Vermelho desestabilizaram o comércio internacional.

“Por causa da tensão na região, o Canal de Suez reduziu seu volume de operações em 80%. Isso levou ao desvio do transporte marítimo entre a Ásia-Pacífico e a Europa. Agora, o trajeto inclui 3.500 milhas a mais [entre 10 e 15 dias extras] para chegar aos países europeus. Além disso, passa pelo Golfo da Guiné, onde há registros de pirataria”, diz Alejandro Arroyo Welbers, diretor da especialização em Comércio Internacional da Universidade Austral (UA).

Atualmente, segundo a Organização Marítima Internacional, 90% do transporte de mercadorias é realizado por via marítima. Assim, qualquer transtorno nas rotas afeta diretamente a economia global. “Isso é comum em situações de conflito armado. Por exemplo, São Petersburgo, o principal porto russo, está bloqueado. Isso encarece o transporte para Dinamarca, Estocolmo ou Estônia. Como o comércio exterior nessa região é limitado, muitas empresas não consideram a rota vantajosa, o que eleva o custo do frete”, diz Silvia Notte, diretora do SN Estúdio Aduaneiro.

Os canais de Suez e do Panamá, dois dos três corredores artificiais mais importantes do mundo, não operam hoje em plena capacidade. O primeiro, por questões de segurança, e o segundo, por causa do baixo nível de água. “Cerca de 80% do tráfego marítimo mundial ocorre no eixo leste-oeste entre Ásia-Pacífico, Europa e Estados Unidos. Apenas 20% é no eixo norte-sul [Austrália, Nova Zelândia e América do Sul]. Os maiores problemas estão concentrados na primeira rota”, afirma Welbers.

Congestionamento no Mar

Diante disso, quando os navios chegam a portos espanhóis (Valência, Barcelona, entre outros) ou do restante do Mediterrâneo (Marselha, Gênova, Livorno, etc.), formam um congestionamento. “De fato, Singapura, o segundo maior porto do mundo, está congestionado há desde o início do mês de novembro. De lá, abastece-se todo o sudeste asiático, e outros tantos o utilizam como centro de distribuição global”, diz Welbers.

Os fenômenos climáticos também afetam o comércio marítimo. “É comum que, diante de furacões, os navios desviem de sua rota para evitá-los. Isso prolonga as viagens, afetando o abastecimento de mercadorias e contêineres”, afirma Javier Sagardoy, sócio-gerente da Oceanic International Trade.

Cenários semelhantes ocorreram durante as erupções de vulcões no Chile ou no Etna, na Itália. Aeroportos são fechados, e os serviços de entrega expressa são interrompidos. É importante lembrar que produtos sensíveis e entregas urgentes são transportados por via aérea, incluindo a documentação necessária para exportações. “Na hora de planejar uma importação ou exportação, é fundamental contar com um escritório aduaneiro para coordenar o circuito documental e garantir que a mercadoria atenda às normas técnicas e legais exigidas pelos países envolvidos”, diz Silvia Notte.

Em tempos de tensão, como o atual, o mais crítico é a falta de contêineres. “Isso gera um desequilíbrio entre os portos ao redor do mundo. Em alguns lugares, eles se acumulam; em outros, faltam”, diz Sagardoy.

O estreito de Ormuz, que conecta os golfos Pérsico e de Omã ao Mar Arábico, já enfrentou tensões geopolíticas na década de 1990. Por ali passa, anualmente, cerca de um quinto do consumo global de combustível: aproximadamente 21 milhões de barris de petróleo e 20% do gás natural liquefeito do mundo.

“Durante a Guerra do Golfo, navios que partiam das costas norte-americanas eram obrigados a transportar equipamentos militares e suprimentos para as tropas. Diante dessa situação, exportadores não tinham espaço para seus produtos e precisavam enviá-los até a América do Sul [Santos e Rio de Janeiro, no Brasil, e Montevidéu, no Uruguai,  e Buenos Aires, na Argentina] para, só então, transportá-los ao Oriente Médio, aumentando significativamente os custos”, relembra  Welbers.

Planejamento de Cargas

Para garantir o sucesso de qualquer transação internacional, é crucial planejar cuidadosamente a rota. Não se trata apenas de traçar um mapa, seja por trem, barco, caminhão ou avião.

As rotas marítimas, em particular, dependem de três fatores principais. O primeiro é economizar combustível. Depois, consideram-se questões climáticas e oceanográficas [correntes, ventos, gelo, entre outros]. Também pesa a proximidade de portos para emergências.

Desde fevereiro de 1867, o Canal de Suez [Egito] desempenha um papel estratégico tanto comercial quanto geopolítico. É o corredor mais curto entre Europa e Ásia. Em seus melhores momentos, recebia uma média anual de 20 mil navios.

Em 23 de março de 2021, o porta-contêineres Ever Given, um dos maiores do mundo, encalhou no canal. Navegando de Tanjung Pelepas [Malásia] a Roterdã, o navio de bandeira panamenha e capitais japoneses bloqueou o comércio internacional por seis dias, impedindo o trânsito de outros navios. “Esse incidente não afetou tanto as exportações do Cone Sul, já que o comércio ocorre principalmente pelo Mediterrâneo [Portugal, Gibraltar, Roterdã, Hamburgo, etc.]. Quando destinado ao Oriente Médio, a carga é transbordada em Singapura. Em alguns casos, situações como essa podem até gerar boas oportunidades”, diz Notte.

Além disso, piratas atacaram navios presos em Suez, roubando e sequestrando tripulações para pedir resgate. “Por esses motivos, essa rota quase deixou de ser usada, mesmo que o trajeto pelo canal durasse apenas 15 dias até o Mediterrâneo. Com isso, começou-se a utilizar a rota pelo sul da África, que leva de 35 a 40 dias. Naquele período, registrou-se uma falta significativa de contêineres nos portos europeus, gerando uma das maiores crises dos últimos anos”, relata Sagardoy.

No istmo do Panamá, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, a seca atual reduziu sua operação a 50%. Em 2023, dos 26 navios que passavam diariamente, apenas 18 conseguiram transitar, resultando na perda de mais de 2 mil contêineres em capacidade total.

Impacto ambiental

A crise marítima também tem um lado ambiental. Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), rotas mais longas não apenas aumentam os custos, mas também prejudicam o meio ambiente devido ao maior consumo de combustível.

De acordo com a UNCTAD, o trajeto de ida e volta Singapura-Roterdã agora emite 70% mais gases de efeito estufa. O transporte marítimo, sozinho, é responsável por 3% da poluição ambiental global.

A situação exige um planejamento cada vez mais cuidadoso por parte de todos os agentes envolvidos no comércio internacional. A logística precisa ser ajustada para minimizar impactos econômicos e ambientais, enquanto as empresas buscam soluções alternativas para enfrentar as dificuldades impostas pelas crises geopolíticas e climáticas.

Importância dos Agentes de Carga

“É nesse contexto que o papel do agente de cargas se torna ainda mais relevante”, explica Silvia Notte. “Eles são responsáveis por buscar rotas alternativas para garantir que a carga chegue ao destino, mesmo diante de dificuldades imprevistas. Essa atuação é crucial para evitar o impacto econômico que pode prejudicar todas as partes envolvidas nas operações comerciais.”

Além disso, a busca por eficiência logística e a diversificação de rotas tornam-se fundamentais. As empresas enfrentam desafios tanto no transporte de mercadorias quanto no abastecimento de insumos para suas fábricas. Isso tem levado a um aumento expressivo nos custos de transporte, com altas de até 256% no preço dos contêineres entre Xangai e a Europa em poucos meses.

Os especialistas enfatizam que crises como essa não devem ser vistas apenas como obstáculos, mas também como oportunidades para repensar a cadeia logística global e investir em inovações que possam mitigar os riscos. Enquanto isso, soluções emergenciais continuam sendo adotadas para contornar os gargalos, ainda que com custos elevados.

Uma Crise Multifacetada

A combinação de fatores, como guerras, mudanças climáticas, congestionamentos nos principais portos do mundo e a escassez de contêineres, criou uma das maiores crises logísticas das últimas décadas. Essa situação revela a fragilidade das cadeias globais de suprimento e a necessidade de uma maior resiliência para enfrentar desafios futuros.

Além do impacto econômico direto, há um alerta ambiental crescente. O prolongamento das rotas marítimas e o aumento no consumo de combustíveis não apenas encarecem os custos, mas também intensificam os danos ao meio ambiente, ampliando as emissões de gases de efeito estufa.

A crise marítima atual evidencia a interconexão entre os desafios globais e destaca a importância de políticas coordenadas, investimentos em infraestrutura e a adoção de práticas mais sustentáveis no comércio internacional. Enquanto soluções de curto prazo continuam sendo implementadas, o setor enfrenta a urgência de transformar os modelos tradicionais de operação para garantir a viabilidade econômica e ambiental no longo prazo.

Leia mais em: https://forbes.com.br/forbesagro/2025/01/crise-maritima-entenda-a-atual-escassez-de-conteineres-para-exportacao/

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O que são as usinas solares flutuantes

Um panorama geral sobre as particularidades da geração solar instalada em reservatórios de hidrelétricas

Rafael Kelman – Exame – 3 de janeiro de 2025 

As usinas solares flutuantes têm atraído bastante interesse global nos últimos anos. O conceito é semelhante ao das usinas instaladas em solo. Entretanto, apesar da crescente competitividade da energia solar (os módulos hoje custam da ordem de 10 centavos de dólar por watt), existem alguns desafios técnicos específicos. Por exemplo, é necessário garantir estabilidade relacionada aos esforços mecânicos provocados por ventos, ondas e variação de nível dos reservatórios, além de proteção para evitar que algas macrófitas se prendam aos módulos.

Por outro lado, como a maioria dos reservatórios está perto de centros populacionais, esses projetos podem trazer ganhos para pequenas vilas e grandes metrópoles. Além disso, usinas solares flutuantes podem apresentar outras vantagens em relação às tradicionais, como não interferir com diversos usos do solo em espaços que podem ser escassos em países menores e com maior densidade populacional.

A eficiência de produção de energia, por sua vez, é maior pelo efeito de temperatura. Devido à proximidade da água, os módulos fotovoltaicos de uma usina flutuante atingem temperaturas menores que as de uma usina no solo, correspondendo a um ganho de 0,4% de potência por grau Celsius. Considerando o aquecimento global, esse deverá ser um benefício crescente ao longo do tempo.

Adicionalmente, as usinas flutuantes reduzem a evaporação de corpos hídricos, o que pode ser um aspecto interessante em países com menor disponibilidade de água. Esses sistemas reduziriam ainda a evaporação global da ordem de 100 bilhões de m3 de água/ano, o que equivale ao volume máximo de três reservatórios de Sobradinho, o maior lago artificial do Brasil.

Segundo um artigo da revista Nature Sustainability, que avaliou bases de dados de reservatórios em todo o mundo a partir de dados climáticos locais, estima-se que se 30% dos mais de 100 mil reservatórios globais fossem cobertos por solares flutuantes, a geração anual de energia elétrica seria da ordem de 9.500 terawatts-hora (TWh) – cerca de um terço da produção global.

Outro artigo da Nature afirma que, se 10% dos reservatórios das hidrelétricas do mundo fossem cobertos com usinas solares flutuantes, a capacidade de geração seria igual à disponibilizada por todas as usinas fósseis existentes no planeta.

Dessa forma, a integração da energia solar flutuante com a hidrelétrica emerge como uma solução potencial para aumentar a eficiência e a capacidade de produção de energia limpa, aproveitando infraestruturas já existentes, podendo compartilhar a mesma subestação e o acesso à rede elétrica, além de reduzir também custos operacionais.

O que são as usinas solares flutuantes | Exame

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‘Em 2050, não vai haver nenhuma economia europeia entre as 10 mais importantes do mundo’

História de Cristina J. Orgaz – BBC News Mundo 

Com a economia estagnada e uma crescente fragilidade política na França e na Alemanha, a Europa enfrenta momentos difíceis.

Somam-se a isso a guerra na Ucrânia e o regresso de Donald Trump à Casa Branca, que já ameaçou impor tarifas às indústrias europeias, o que poderia desencadear uma guerra comercial extremamente prejudicial para os exportadores da região.

“Temos o melhor sistema de saúde, a melhor educação, as melhores estradas, mas isso custa muito caro. Até quando podemos sustentar isso?”, questiona Jorge Dezcallar de Mazarredo, embaixador e ex-diretor dos serviços de inteligência da Espanha.

“A Europa está em decadência, e com a perda de sua influência também desaparecerá o altíssimo padrão de vida”, afirma o diplomata espanhol em entrevista à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.

Em sua avaliação, o mundo está testemunhando o fim de uma era geopolítica, visão que ele explora em seu último livro, O fim de uma era. Ucrânia: a guerra que acelera tudo, no qual aborda como o conflito está precipitando o declínio do domínio ocidental.

“A guerra vai muito além de uma disputa territorial para assegurar áreas estratégicas. Ela reflete forças profundas de mudança na geopolítica que rege o mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Hoje, o Ocidente perde força, enquanto o Sul global ganha peso”, destaca.

A fragilidade política da Europa ocorre em um momento de estagnação econômica: a previsão para 2024 é de um crescimento tímido de 0,9%, deixando uma região que representa um quinto do PIB global atrás de outras partes do globo.

Analistas apontam diversas razões para explicar esse cenário, como a perda de competitividade, o aumento da concorrência internacional e as políticas de austeridade.

A Europa precisa de inúmeras reformas: ampliar sua capacidade militar, reconfigurar seu sistema de energia, reinventar sua indústria tecnológica e repensar sua postura em relação à Rússia e à China. Tudo isso enquanto o descontentamento de seus cidadãos fortalece partidos populistas e de extrema direita em diversos países do continente.

Nesta entrevista com Jorge Dezcallar de Mazarredo, analisamos os fatores que levaram o Velho Continente à sua atual crise geopolítica.

Por que a Europa atravessa momentos tão turbulentos?

Em pleno século XXI, testemunhamos um conflito bélico no coração do continente que mais parece uma guerra absurda de expansão territorial em estilo napoleônico.

A invasão da Ucrânia reflete o descontentamento da Rússia com a arquitetura de segurança europeia herdada da Segunda Guerra Mundial.

No entanto, este é um fenômeno muito mais amplo, de alcance global: grande parte dos países do mundo está questionando a distribuição de poder e as regras estabelecidas pelas potências vencedoras após 1945.

Isso significa que estamos diante do fim de uma era geopolítica.

Naquele ano, algumas potências ocidentais criaram as Nações Unidas, o Conselho de Segurança, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, ou seja, repartiram o poder entre si.

Agora, quase 80 anos depois, vemos que França e Reino Unido ainda têm assento permanente no Conselho de Segurança, enquanto países como a Índia, com 1,4 bilhão de habitantes e status de potência nuclear, ficam de fora.

A África não tem nenhum representante, e o mesmo ocorre com a América Latina.

Os Estados Unidos não abrem mão do controle sobre o Fundo Monetário Internacional, e a Itália possui tantos votos quanto a China no Banco Mundial.

E onde a China se encaixa nesse sistema?

A China afirma: “Somos um Estado civilizacional, estamos acima do bem e do mal”. Os Estados Unidos não dizem isso abertamente, mas sempre agiram dessa forma — basta olhar para o que aconteceu no Iraque e em outros lugares.

A Europa hoje reflete o que está ocorrendo no mundo, mas nos surpreende mais porque temos uma visão um tanto pretensiosa sobre ela.

Quando há conflitos mortais na África, isso nos parece quase natural. Mas quando acontecem na Europa, encaramos como um escândalo. Essa perspectiva não deixa de carregar um certo racismo.

Você acredita que a Europa ainda olha para o resto do mundo de forma pretensiosa?

Não tenho dúvida disso. A Europa dominou o mundo por muitos anos, graças à máquina a vapor inventada na Inglaterra, ao domínio dos mares e, em grande parte, à escravidão.

Essa visão de superioridade ainda persiste, mas a Europa está equivocada e perderá relevância.

Atualmente, 62% do PIB mundial e 65% da população estão na região do Indo-Pacífico.

Os mapas costumam colocar a Europa no centro, mas o continente olha para um oceano onde cada vez menos coisas acontecem, enquanto o centro de gravidade econômica do mundo se deslocou do Atlântico para o Indo-Pacífico.

A Europa está claramente em decadência.

Já ouvi você dizer que a Europa tem 6% da população mundial, mas representa 50% do gasto social global. Esse modelo é insustentável? Foi longe demais com o ‘Estado de Bem-Estar’?

Sim, fomos longe demais. Em 1900, a Europa tinha 25% da população mundial, e hoje mal chega a 6%. Mesmo assim, ainda retém 17% do PIB global.

Temos o melhor sistema de saúde, a melhor educação, as melhores estradas, mas isso custa caro. Por quanto tempo conseguiremos sustentar isso?

Causamos inveja no mundo. Mantivemos esse sistema por tanto tempo porque dominávamos o cenário internacional. Mas a realidade é que, em 2050, nenhuma economia europeia estará entre as 10 maiores do mundo.

A Índia acaba de ultrapassar o Reino Unido em Produto Interno Bruto.

Outro fator que aponta para a decadência da Europa é sua população envelhecida e, além disso, cada vez mais reduzida, pois morrem mais pessoas do que nascem.

Em que se traduz essa decadência?

Em uma perda de influência. A Europa não tem uma política externa comum, nem uma capacidade de projeção militar compartilhada, e também não possui uma política energética ou migratória comum.

A Europa precisa se integrar mais se quisermos continuar a ter relevância no mundo.

Em seu livro, o senhor afirma que a guerra na Ucrânia uniu mais a Europa, mas com o Reino Unido fora da União Europeia devido ao Brexit e a provável relutância da Alemanha em continuar a contribuir com tantos recursos devido à sua fraqueza econômica, parece que o que espera a Europa é mais desunião. Qual a sua opinião sobre isso?

É verdade que o Brexit enfraqueceu a Europa, e a fragilidade da Alemanha e da França neste momento também não ajuda. Não acredito que o presidente francês, Emmanuel Macron, complete seu mandato, francamente. Mas o apoio à Ucrânia é inabalável.

Putin quer recuperar para a Rússia a influência global que a União Soviética teve em seu auge. Esse é o seu objetivo. E ele não percebe que não pode. Não pode fazer parte da elite internacional quando não tem o PIB necessário, quando sua população é envelhecida e quando só produz matérias-primas.

E então, com força de vontade e sua potência nuclear, ele tenta se impor. E isso é muito perigoso. Quando a Europa defende a Ucrânia, está, na verdade, se defendendo.

O grande fracasso de todos os europeus foi não ter sido capaz de incorporar a Rússia pós-soviética a uma estrutura de segurança que nos unisse a todos.

Mas é verdade que a Rússia não facilitou isso, pois, em vez de abraçar a democracia, se afastou cada vez mais para formas autoritárias.

Talvez a expansão da OTAN devesse ter sido feita de forma mais gradual, com mais cautela ou com outro tipo de compensações.

Em 8 de dezembro, Donald Trump reiterou que estava disposto a permanecer na OTAN apenas enquanto os europeus “pagarem suas contas”. O que aconteceria se, como ameaçou Trump, os Estados Unidos se retirassem da OTAN?

Os Estados Unidos não podem sair da OTAN, pois, embora Trump tenha ameaçado fazer isso, seria necessário o apoio de dois terços do Senado, o que ele não tem.

O que ele pode fazer, no entanto, é esvaziar a aliança de conteúdo, ou seja, reduzir os fundos, diminuir o número de tropas ou até renunciar à aplicação automática do artigo 5º de defesa coletiva.

Se isso acontecer, a Europa ficará sem dinheiro, sem armas e sem proteção nuclear, estando sozinha diante da Rússia e sem capacidade militar, pois não tem uma defesa comum.

As balas feitas pelos belgas não se encaixam nos fuzis produzidos pelos checos. Os tanques fabricados pelos franceses não são compatíveis com os feitos pelos alemães. Não temos uma indústria unificada.

Porém, de acordo com o Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa da Paz, o gasto militar da Europa superou o da China.

Os Estados Unidos gastam mais de US$ 900 bilhões em defesa, a China, US$ 296 bilhões, e a Rússia, US$ 109 bilhões.

Já os 27 países da União Europeia gastam juntos US$ 321 bilhões, efetivamente mais do que a China. Mas não de forma unificada. Cada um por conta própria.

A Europa precisa se unir e, se não o fizer, perderá sua influência no mundo. E, com essa perda de influência, também se perderá seu elevado nível de vida.

E no plano econômico, o que pode acontecer na Europa com a chegada de Trump?

Alguns aumentos de tarifas, entre 10% e 20%, prejudicarão a economia europeia, mas há mais.

Trump não acredita no aquecimento global. Consequentemente, é provável que ele diminua a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Se isso ocorrer, os europeus estaremos em desvantagem para competir economicamente com as empresas americanas, porque teremos que pagar muito mais pela nossa contribuição na carbonização da atmosfera do que os americanos.

Isso nos colocará em desvantagem na hora de competir nos mercados internacionais.

E isso interessa a Trump?

Sim. Trump também não acredita na Europa. Ele acredita em países europeus como Alemanha, França, Itália ou Espanha, mas não enxerga a União Europeia como um todo.

Sempre se disse que os Estados Unidos não queriam uma Europa forte, e isso é verdade. No entanto, também não é do interesse deles uma Europa excessivamente fraca, como está agora.

Eu o ouvi dizer que a Europa cometeu três erros ao colocar sua segurança nas mãos dos EUA, a energia nas mãos da Rússia e o comércio nas mãos da China. Há alguma forma de reverter essas realidades?

O relatório de Draghi foi muito claro sobre isso. A Europa precisa investir 800 bilhões de euros por ano e criar uma estrutura industrial para salvar sua economia.

Além disso, pela primeira vez, há um comissário responsável por assuntos de defesa, que tentará harmonizar e promover economias de escala na indústria militar europeia.

Estão sendo feitas algumas ações, mas é necessário acelerar o processo. Acredito que este é o momento de dar um grande passo, e talvez a chegada de Donald Trump seja o estímulo de que a Europa precisa para, finalmente, tomar as decisões que sabe que tem que tomar.

Mais união, mais integração, mais Europa. Quanto menos Europa houver, menos influência mundial teremos e mais rapidamente nossa decadência se acelerará. A única forma de evitá-la é nos integrarmos.

‘Em 2050, não vai haver nenhuma economia europeia entre as 10 mais importantes do mundo’

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China, uma viagem ao futuro

Meta do governo é tornar a China líder mundial em IA até 2030

Por Dora Kaufman – Valor – 23/12/2024

É impressionante o progresso da China nas últimas quatro décadas. Xangai, a maior cidade do país, é um símbolo de modernidade, com seus imponentes arranha-céus, carros top de montadoras chinesas e ocidentais, além de lojas-conceito das marcas de luxo internacionais. O ritmo da cidade rivaliza com o das grandes metrópoles ocidentais. O Shanghai Toweer, com 632 metros de altura e 128 andares, é o segundo maior edifício do mundo, ficando atrás apenas do Burj Khalifa, em Dubai. Shenzhen, conhecida como o “Vale do Silício da China”, era uma pequena vila de pescadores nos anos 1980 e hoje abriga 25 milhões de pessoas. Já Pequim, com seus sete milhões de carros em circulação, enfrenta desafios como a escassez de placas de veículos, cujo custo é altíssimo – cerca de € 20 mil euros, com quase um milhão de pessoas disputando as 150 novas placas leiloadas mensalmente. A cidade possui o maior sistema de metrô do mundo, com 800 quilômetros de linhas distribuídas por 25 rotas.

Essas constatações foram feitas durante uma expedição realizada na segunda quinzena de novembro, quando uma delegação de 40 “tripulantes” visitou quatro cidades chinesas – Xangai, Pequim, Shenzhen e Hong Kong – além de Seul, na Coreia do Sul. Com o tema “Uma Viagem ao Futuro”, a “Missão Ásia” foi organizada pela Fundação Itaú, sob a liderança de seu presidente Eduardo Saron, em parceria com a InvestSP, e contou com a presença de 18 instituições do terceiro setor, secretários de Educação e Cultura dos Estados de São Paulo e Espírito Santo, além de quatro especialistas convidados. O objetivo da missão foi investigar como esses países estão utilizando a inteligência artificial (IA) na educação e na cultura.

O crescimento do setor privado chinês deve-se em parte à política de incentivo ao empreendedorismo, que promove uma mentalidade de inovação e dinamismo. A abordagem voltada para a experimentação e adoção das melhores práticas tem sido um motor importante das reformas econômicas, assim como o modelo de desenvolvimento liderado pelo Estado, calcado nos Planos Quinquenais. O governo chinês exerce uma influência significativa sobre as decisões tanto no setor público quanto no privado, com seus representantes participando de comitês de ética em empresas de tecnologia, como a Apollo, divisão de carros autônomos da Baidu. É evidente o alinhamento do setor privado com o modelo de sociedade definido pelo Partido Comunista Chinês.

As empresas de tecnologia chinesas, em sua maioria fundadas neste século, possuem equipes predominantemente jovens, com idades entre 25 e 30 anos. A educação é uma prioridade nacional, e tanto escolas públicas quanto privadas contam com um vasto conjunto de soluções tecnológicas, como lousas interativas com IA embarcada. Essas tecnologias são capazes de criar planos de aula a partir de pesquisas na internet, revisar e digitalizar provas e criar modelos tridimensionais a partir de desenhos geométricos. A inteligência artificial visa personalizar o aprendizado, o que é considerado uma de suas maiores contribuições na educação. No entanto, contraditoriamente, os modelos avaliativos chineses tendem a gerar homogeneização.

Chama a atenção: a) a adoção intensiva de IA sem metodologias inovadoras, resultando apenas em melhorias incrementais em modelos educacionais que já não funcionam; b) o controle excessivo dos professores sobre os alunos, com sistemas que comparam o desempenho entre estudantes, turmas e anos, com acesso total pelos gestores escolares; c) o controle rigoroso dos dirigentes das escolas sobre os professores, com visibilidade total do que acontece nas salas de aula. O propósito da adoção da IA está diretamente ligado a um modelo de sociedade que define, inclusive, o que é eficiência e desempenho (eficiência para quê? Desempenho para quem?).

Chama a atenção a adoção intensiva de Inteligência Artificial sem metodologias inovadoras, resultando apenas em melhorias incrementais em modelos educacionais que já não funcionam e o controle rigoroso dos dirigentes das escolas sobre os professores

A IA entrou oficialmente no radar do governo chinês em março de 2016, quando o sistema AlphaGo, desenvolvido pela Google DeepMind, derrotou o campeão mundial sul-coreano Lee Sedol no jogo de Go, feito acompanhado por mais de 280 milhões de chineses. Em julho de 2017, o Conselho de Estado da China divulgou o “Plano de Desenvolvimento de Inteligência Artificial da Nova Geração” (AIDP), com a meta de tornar a China líder mundial em IA até 2030. Grandes empresas chinesas como Baidu, Alibaba e Tencent foram designadas para liderar áreas específicas, como direção autônoma, cidades inteligentes e diagnósticos médicos por visão computacional, respectivamente. Em contrapartida, o governo chinês ofereceu incentivos como preferência em contratos públicos, financiamento facilitado e proteção no mercado. Além disso, startups de tecnologia receberam apoio e subsídios estatais.

Em 2015, por exemplo, o governo fundou a Cheung Kong Graduate School of Business (CKGSB) com o objetivo de promover a próxima geração de unicórnios – empresas avaliadas em mais de um bilhão de dólares. A partir de 2016, a CKGSB expandiu suas operações para a Europa, Oriente Médio e África, oferecendo programas que ajudaram mais de 200 empreendedores de 30 setores e 37 países. Em 2023, a escola lançou o programa EMBA, voltado para fundadores e CEOs de unicórnios, em parceria com gigantes como Tencent, Baidu, JD.com e Microsoft China. No entanto, em 2024, a China ainda detém apenas 13,14% dos unicórnios globais (164 empresas), enquanto os Estados Unidos possuem 54,17% (676 empresas).

A MiniMax, uma das empresas visitadas, é pioneira na Ásia no desenvolvimento de modelos de linguagem em larga escala (LLMs), com suporte para os principais idiomas asiáticos, além de modelos avançados para música, imagem e vídeo. Considerada um dos novos “tigres da IA” da China, a MiniMax conta com 40% de seus funcionários oriundos de grandes empresas de tecnologia americanas. Entre as outras empresas visitadas, destacam-se a iFlytek, Fosun Foundation, Whalesbot, Alibaba Group, Tianyuan Gongxue, UBTech Education, Artron Art Group, Sensetime, CVTE, Baidu/Apollo, Xueke Wang, Visang Education (Coreia), Naver (Coreia) e KEFA & i-Screen Media (Coreia).

O depoimento de um dos guias ilustra o sentimento predominante entre os chineses, desafiando a visão comumente difundida no Ocidente: “Nasci em 1976 e cresci em um quarto de 16 metros quadrados, compartilhado com meus pais e dois irmãos. Todos dormíamos na mesma cama de 120 x 90 cm. Hoje, minha mãe tem um apartamento de 90 m² e eu tenho um de 100 m², um carro e uma bicicleta elétrica. Não sou comunista, mas sou grato ao meu governo pelas oportunidades que ele me deu. Somos a segunda maior potência econômica do mundo e temos orgulho de ser chineses. Antes, quando viajávamos para o exterior, fingíamos ser japoneses. Dizem que estamos isolados, mas todos os jovens têm acesso a plataformas estrangeiras, existem muitos dispositivos que rompem os bloqueios impostos pelo governo. Falam que não temos liberdade, mas não é fácil governar um país com 1,5 bilhão de habitantes. Não nos importamos com eleições, o importante é que o país funcione bem. Quanto à desigualdade e à ostentação dos novos bilionários – em 2024, são 800 em dólares – isso tem gerado desconforto, e o governo está atento, mas ainda não sabe como agir”.

Dora Kaufman é professora do TIDD PUC-SP, autora do livro “Desmistificando a Inteligência Artificial” e colunista da Época Negócios.

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Rumo à sociedade pós-letrada?

Em teste da OCDE, a proficiência em ler e escrever teve melhoras significativas em apenas dois países (Finlândia e Dinamarca), permaneceu estável em 14 e teve pioras significativas em 11

Por Sarah O’Connor – Valor/Financial Times – 27/12/2024 

“A inteligência humana”, escreveu certa vez o crítico cultural Neil Postman, “está entre as coisas mais frágeis na natureza”. Não é preciso muito para distraí-la, suprimi-la ou mesmo aniquilá-la”.

O ano era 1988, um ex-ator de Hollywood ocupava a Casa Branca e Postman estava preocupado com a ascendência das imagens sobre as palavras nos meios de comunicação, na cultura e na política dos Estados Unidos. A televisão “condiciona nossas mentes a captar o mundo por meio de imagens fragmentadas e força outros meios de comunicação a se orientarem nessa direção”, argumentou em um ensaio de seu livro “Conscientious Objections”. “Uma cultura não precisa forçar a fuga de acadêmicos para deixá-los impotentes. Uma cultura não precisa queimar livros para assegurar que não sejam lidos […] Há outros modos de alcançar a estupidez”.

O que, em 1988, pode ter parecido rabugento, em 2024, soa mais a uma profecia. Em dezembro, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou os resultados de um abrangente estudo: avaliações presenciais sobre as capacidades de ler e escrever, de entender matemática e de resolver problemas de 160 mil adultos, na faixa de 16 a 65 anos, em 31 países e economias diferentes. Em comparação à rodada anterior de avaliações, feita dez anos antes, as tendências observadas na capacidade de ler e escrever foram assombrosas. A proficiência teve melhoras significativas em apenas dois países (Finlândia e Dinamarca), permaneceu estável em 14 e teve pioras significativas em 11. Os maiores declínios ocorreram na Coreia do Sul, Lituânia, Nova Zelândia e Polônia.

Entre adultos com ensino superior (como graduados universitários), a proficiência em leitura diminuiu em 13 países e aumentou apenas na Finlândia. Além disso, quase todos os países e economias tiveram declínios na capacidade de ler e escrever entre adultos com escolaridade abaixo do ensino médio. Cingapura e EUA apresentaram as maiores desigualdades tanto nas capacidades de ler e escrever quanto na de matemática.

“Trinta por cento dos americanos leem em um nível que você esperaria de uma criança de dez anos”, disse Andreas Schleicher, diretor de educação e habilidades pessoais da OCDE, referindo-se à proporção de pessoas nos EUA que tiveram uma nota de nível 1 ou inferior em leitura. “É realmente difícil imaginar – que uma em cada três pessoas que você encontra na rua tem dificuldade até para ler coisas simples”.

Entre adultos com ensino superior, a proficiência em leitura diminuiu em 13 países e aumentou só na Finlândia. Além disso, quase todos os países e economias tiveram declínios na capacidade de ler e escrever entre adultos com escolaridade abaixo do ensino médio

Em alguns países, a deterioração é explicada em parte pelo envelhecimento da população e pelo aumento da imigração, mas Schleicher diz que apenas esses fatores não explicam inteiramente a tendência. A hipótese dele não seria nenhuma surpresa para Postman: a tecnologia mudou a maneira como muitos de nós consumimos informações, com um afastamento em relação aos textos mais longos e complexos, como livros e artigos de jornais, em direção a publicações e vídeos, ambos curtos, em plataformas de relacionamento social on-line.

Ao mesmo tempo, essas plataformas aumentam as chances de que você “leia materiais que confirmam suas opiniões, em vez de se envolver com pontos de vista diversos, e isso é o que você precisa para atingir [os níveis mais altos] na avaliação [de capacidade de ler e escrever da OCDE], na qual você precisa [saber] distinguir fato de opinião, navegar pela ambiguidade, lidar com a complexidade”, explica Schleicher.

As implicações para a política e a qualidade do debate público já são evidentes. Elas também já haviam sido previstas. Em 2007, o escritor Caleb Crain escreveu um artigo chamado “Twilight of the Books” [O crepúsculo dos livros] na revista The New Yorker, sobre como seria uma cultura pós-letrada. Em culturas orais, escreveu Crain, clichês e estereótipos são valorizados, conflitos e insultos são apreciados por serem memoráveis, e os oradores tendem a não corrigir a si mesmos porque “é apenas em uma cultura letrada que se precisa prestar contas pelas inconsistências do passado”. Isso soa familiar?

Essas tendências não são inevitáveis nem irreversíveis. A Finlândia demonstra o potencial de um ensino de alta qualidade e normas sociais fortes para sustentar uma população altamente alfabetizada, mesmo em um mundo onde o TikTok existe. A Inglaterra mostra a diferença que melhorias na educação podem fazer: lá, a proficiência na leitura e na escrita de jovens de 16 a 24 anos foi muito melhor do que há dez anos.

A questão de saber se a inteligência artificial (IA) pode aliviar ou agravar o problema é mais complexa. Sistemas como o ChatGPT podem desempenhar bem muitas tarefas de leitura e de escrita: são capazes de analisar grandes volumes de informações e reduzi-los a resumos.

Vários estudos sinalizam que, quando usadas no ambiente de trabalho, essas ferramentas podem melhorar muito o desempenho de trabalhadores menos qualificados. Em um estudo, pesquisadores monitoraram o impacto de uma ferramenta de IA em funcionários responsáveis por prestar atendimento ao cliente e suporte técnico por meio de janelas de bate-papo por escrito. A ferramenta, treinada a partir dos padrões das conversas dos profissionais de melhor desempenho, fornecia sugestões de texto em tempo real aos funcionários sobre como responder aos clientes. O estudo constatou que trabalhadores menos qualificados se tornaram mais produtivos e seus padrões de comunicação ficaram mais próximos aos dos mais qualificados.

David Autor, professor de economia no MIT, argumenta que ferramentas de IA poderiam capacitar mais trabalhadores a desempenhar funções de maior qualificação e ajudar a restaurar “o cerne do mercado de trabalho dos EUA, de classe média e capacitação média”.

No entanto, observa Autor, para que essas ferramentas sejam bem usadas e “incrementem” as habilidades das pessoas, é necessário ter uma fundação sólida desde o início. Sem isso, Schleicher teme que pessoas com baixa capacidade de leitura e de escrita se tornem “consumidores ingênuos de conteúdo pré-fabricado”.

Em outras palavras, se você não tiver suas próprias habilidades sólidas, há poucos passos de distância entre ser apoiado pela máquina e acabar dependente dela, ou sujeitado a ela. (Tradução de Sabino Ahumada)

Sarah O’Connor é repórter e colunista do Financial Times.

Rumo à sociedade pós-letrada? | Opinião | Valor Econômico

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Lembra da Enciclopédia Britânica? Ela também virou empresa de inteligência artificial

Fabricante de enciclopédias poderia ter se tornado uma vítima da era da Wikipédia, mas se transformou em uma gigante do aprendizado

Por Michael J. de la Merced – Estadão/The New York Times – 29/12/2024

Por quase 250 anos, a Enciclopédia Britânica foi uma série de tomos com letras douradas que lotavam as estantes, muitas vezes comprados para mostrar que seus proprietários se importavam com o conhecimento.

Era o tipo de mídia física que se esperava que morresse na era da internet e, de fato, a editora da enciclopédia anunciou que estava encerrando a edição impressa em 2012. Os céticos se perguntavam como a Britannica, a empresa por trás das enciclopédias, poderia sobreviver na era da Wikipédia.

A resposta foi adaptar-se aos tempos.

O Britannica Group, como a empresa é conhecida atualmente, administra sites, incluindo o Britannica.com e o dicionário online Merriam-Webster, e vende software educacional para escolas e bibliotecas. Ele também vende software de agentes de inteligência artificial (IA) que sustenta aplicativos como chatbots de atendimento ao cliente e recuperação de dados.

A Britannica descobriu não apenas como sobreviver, mas também como se sair bem financeiramente. Jorge Cauz, seu CEO disse em uma entrevista que a editora teve margens de lucro de cerca de 45%.

A empresa está avaliando abrir seu capital, na qual poderia buscar uma avaliação de cerca de US$ 1 bilhão, de acordo com uma pessoa com conhecimento das deliberações. Isso poderia proporcionar um retorno considerável para o proprietário da empresa, o investidor suíço Jacob E. Safra, que adquiriu a editora em 1995 e, em uma ação judicial movida em 2022, citou um banco de investimentos ao avaliar a Britannica em US$ 500 milhões.

A empresa diz que seus sites atraem mais de sete bilhões de visualizações de páginas por ano, com usuários em mais de 150 países.

“Temos mais usuários agora do que jamais tivemos”, disse Cauz.

A Britannica foi muito além de suas origens no século 18, como editora de uma obra de referência elaborada por três impressores escoceses. Com o passar dos anos, a enciclopédia Britannica se tornou um peso pesado do setor de conhecimento, tanto literalmente – a edição de 32 volumes de 2010, a última a ser impressa, pesava 58,5 kg – quanto figurativamente, contando com contribuições de milhares de especialistas. Ela também se tornou um símbolo de status aspiracional, com clientes pagando quase US$ 1.400 por essa edição.

A Wikipédia, com seu conteúdo gratuito e dezenas de milhares de editores ativos, interrompeu esse antigo modelo de negócios, especialmente depois que um estudo de 2005 – contestado pela Britannica – descobriu que as duas enciclopédias não estavam muito distantes uma da outra em termos de precisão. Ao eliminar o produto que definiu a empresa por mais de dois séculos, disseram os executivos, eles puderam investir mais recursos em produtos feitos para a era digital.

Quando a última Enciclopédia Britannica foi impressa, a empresa já havia iniciado seu conjunto de sites e softwares educacionais. Agora, ela vê uma oportunidade potencialmente ainda maior no crescimento das ferramentas de IA generativas, que, segundo a empresa, podem ajudar a tornar o aprendizado mais dinâmico e, portanto, mais desejável.

Cauz disse que a Britannica fez experimentos com essa tecnologia nas últimas décadas. Ela adquiriu a Melingo, a empresa que produz seu software de agente de IA, em 2000, devido à sua força em processamento de linguagem natural e aprendizado de máquina. Além disso, possui duas equipes de tecnologia, sediadas em Chicago e em Tel Aviv.

A popularidade de chatbots como o ChatGPT convenceu os executivos de que precisavam investir mais nesse espaço. A Britannica agora usa IA na criação, verificação de fatos e tradução de conteúdo para seus produtos, incluindo a enciclopédia online Britannica.

A empresa também criou um chatbot da Britannica que se baseia nos estoques de informações da enciclopédia online, o que, segundo Cauz, tem maior probabilidade de ser preciso do que os chatbots mais generalizados, que podem ser propensos a “alucinações”, um termo oficial para inventar coisas. Dito isso, o site da Britannica adverte os usuários a “verificar todas as informações importantes”.

A empresa tem mais projetos alimentados por IA generativa em andamento: um software de ensino de inglês que usará a tecnologia para alimentar avatares e personalizar lições para cada aluno, um programa para ajudar os professores a criar planos de aula e um dicionário de sinônimos renovado para o site Merriam-Webster que pode lidar com frases, não apenas com palavras.

A empresa se beneficiou da maior atenção dada ao software educacional, especialmente depois que o isolamento da era da pandemia aproximou mais professores e alunos às ferramentas de aprendizagem virtual.

Mas para Wall Street, uma grande questão é quando o Britannica Group tentará transformar suas conquistas comerciais em um grande negócio.

Em janeiro, a Britannica disse que havia apresentado documentação confidencial para a venda de ações, embora não tenha estabelecido um cronograma. A empresa ainda está avaliando a possibilidade de abrir o capital, disse a pessoa com conhecimento da deliberação, embora o momento não seja claro.

No meio do ano, a Bloomberg News informou que a editora estava considerando levantar centenas de milhões em dívidas e financiamento de capital, em parte para pagar as dívidas de Safra. Esses esforços continuam, disse a pessoa.

Cauz se recusou a comentar sobre uma possível oferta inicial, dizendo apenas que o Grupo Britannica não estava precisando de capital adicional.

Lembra da Enciclopédia Britânica? Ela também virou empresa de inteligência artificial – Estadão

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Um robô sentado à mesa na noite de Natal

Em 2025 a sua ceia já poderá ser preparada por uma máquina que fala e pensa

Rodrigo Tavares – Folha – 24.dez.2024

Professor catedrático convidado na NOVA School of Business and Economics, em Portugal. Nomeado Young Global Leader pelo Fórum Econômico Mundial, em 2017

Os robôs não são o futuro, são o presente. Na última contagem, 4,3 milhões zumbiam em fábricas em todo o mundo realizando as atividades automatizadas para as quais foram programados (dados International Federation of Robotics). Mais de metade estão instalados na China.

São um insaciável sobe-desce-põe-tira-monta-desmonta, mais produtivos que qualquer homo sapiens. Há muitos anos que os robôs são ferramentas à nossa disposição. Um alicate mais caro. Uma coisa qualquer rodante que varre o chão da sala enquanto eu escrevo esta coluna.

Mas em 2025 os robôs vão começar a pensar. A fusão da robótica com a inteligência artificial permitirá que possam entender e responder a situações complexas, processar linguagem natural e até mesmo demonstrar pensamento criativo por meio de recursos aprimorados de IA. A sua capacidade de apreender padrões e generalizá-los para outras tarefas fará com que os robôs possam tomar decisões soberanas.

Os robôs da Physical Intelligence já lavam, passam e arrumam a roupa no armário apesar de não terem sido explicitamente treinados a fazê-lo. Os robôs humanoides da SoftBank Robotics borram a linha divisória entre instrumento e colega de trabalho. O Optimus da Tesla foi desenvolvido para ajudar nas tarefas diárias, como limpar, cozinhar, cuidar de idosos e crianças, passear o cão ou cortar a grama. Custarão de US$ 20 mil a US$ 30 mil (cerca de R$ 123 mil a R$ 186 mil). Elon Musk prevê que em 2040 haja mais robôs do que seres humanos.

A China acha que ele está sendo ambicioso. Mas pouco. Este ano, em eventos como a World Artificial Intelligence Conference (Xangai, julho) e a World Robot Conference (Beijing, agosto), o país de Xi Jinping anunciou que se prepara há mais de uma década para ser líder mundial em robótica humanoide.

Empresas como AgiBot, UBTech, Unitree Robotics e Xiaomi apresentaram recentemente as suas versões de robôs humanoides. O da Xiaomi, batizado em cartório civil como CyberOne, tem 177 cm de altura, pesa 52 kg e reconhece 85 sons e 45 emoções. Ou seja, foi concebido para interagir com seres humanos. A venda em larga-escala está prevista para 2025, a tempo da Consoada no final do ano.

Há mais de uma década que os meus colegas na universidade estudam detalhadamente os impactos da robotização no emprego e na escala salarial. Se no início se aventou que o impacto seria cataclísmico, mais tarde conclui-se que foi uma picada de abelha.

Seres humanos reorganizaram a sua contribuição laboral, adaptando-se a novos processos, abraçando novas funções em engenharia, programação e manutenção ou mudando de emprego. Mas agora os robôs não são fabris, mas humanoides, não são automatizados, mas pensantes. Não será uma picada de inseto, mas um atropelo de uma manada de elefantes —todos nós seremos afetados.

A economia planetária continuará a gerar riqueza, mas não dependerá marxistamente de seres humanos para fazê-lo por intermédio do seu trabalho braçal ou cerebral. Seria fundamental que os governos implementassem políticas públicas que mitiguem os impactos negativos da automação, como programas de requalificação profissional e renda básica universal. Mas, como sabemos, a velocidade dos parlamentos e dos gabinetes não é a mesma dos laboratórios.

A minha esposa já me disse, sem-querer-querendo, que hoje à noite receberei como presente “O Mito do Normal” de Gabor Maté. É sobre superação de traumas. Recomendo-o a todos os leitores, com votos de um feliz 2025.

Um robô sentado à mesa na noite de Natal – 24/12/2024 – Rodrigo Tavares – Folha

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Harvard desafia executivos 60+ a voltarem a estudar

Em curso, executivos experientes desenvolvem em classe projetos de impacto social

Por Andrew Jack — Valor/Financial Times – 23/12/2024 

Xavier Rolet já não era CEO em tempo integral, mas tinha cargos em conselhos de administração quando recebeu uma ligação convidando-o para voltar à universidade. Isso o fez pesquisar o número cada vez maior de programas para profissionais bem-sucedidos – muitos deles ricos – que entram na “terceira fase” de suas vidas. Ele acabou assinando com a instituição pioneira na ideia.

O ex-executivo de banco de investimento e ex-chefe da Bolsa de Valores de Londres mudou-se para Cambridge (EUA) e se comprometeu a ficar por um ano, como parte da turma de 2024 de 40 participantes da Iniciativa Avançada de Liderança (ALI, na sigla em inglês), da Universidade Harvard. Eles pagam a taxa normal de pós-graduação de cerca de US$ 80 mil, mais os custos de acomodação, e há bolsas disponíveis para os que precisam. Rolet, de 64 anos, ficou tão impressionado que decidiu permanecer por vários meses a mais para ajudar a próxima turma.

Cada pesquisador chega ao programa com uma ideia para um projeto de impacto social e aproveita a experiência acadêmica de Harvard e suas redes para levar o projeto a cabo. “Você não está aqui para impressionar, mostrar quem tem o maior cérebro ou a carteira mais recheada, mas para criar um ambiente de equipe que permita a cada participante executar seu projeto com sucesso”, diz Rolet.

A ideia da ALI remonta a um artigo acadêmico de Harvard de 2005 – “Um novo modelo para universidades: uma terceira etapa da educação”. Os autores identificaram que há um grupo cada vez maior de líderes experientes para quem “aposentar-se e jogar golfe não é o futuro que anseiam” e para quem “uma escola [poderia] ajudá-los a atender às necessidades sociais”. Eles argumentaram que as universidades deveriam oferecer programas para “criar uma população mais saudável e feliz na terceira idade”, que seja mais realizada e produtiva, e não vista como um custo para a sociedade.

Desde o lançamento da ALI em 2008, mais de 700 pesquisadores concluíram o programa. A demanda é evidente: atualmente, a ALI recebe dez vezes mais inscrições do que vagas disponíveis, e muitos de seus “graduados” já começaram a produzir resultados. Ex-alunos já lançaram organizações que ajudam a colocar migrantes em empregos qualificados, a melhorar a saúde pública, a impulsionar a reabilitação após detenções e a combater o tráfico sexual. Dois deles desenvolveram um modelo de negócios para um programa educativo infantil e ganharam um prêmio de US$ 100 milhões da Fundação MacArthur para apoiar crianças em zonas de conflito, como a Síria.

Muitos participantes têm como foco o meio ambiente, como é o caso de Rolet, que vem aprofundando seus interesses em agricultura regenerativa para reverter a degradação da qualidade dos alimentos e o aumento da pobreza rural.

Todos já fomos bem-sucedidos; agora queremos ser significativos”

— Shelly London

Marcelo Medeiros, um aluno atual, está aprofundando seu entendimento científico para fortalecer a re.green, empresa fundada por ele para vender créditos de carbono com foco na restauração de florestas no Brasil. “Estou realmente me esforçando em tentar usar meu tempo para me concentrar em aprender”, diz.

A ALI já teve outros efeitos, como inspirar outras universidades a lançar iniciativas similares. Quase 30 instituições acadêmicas dos Estados Unidos, Canadá, Suíça e Reino Unido agora são membros da Nexel Collaborative, que reúne “programas universitários de transição para a meia-idade”. São iniciativas com abordagens variadas.

Katherine Connor, que comanda o Distinguished Careers Institute, de Stanford, um programa de acompanhamento criado em 2015, diz que a iniciativa foi fundada por um ex-reitor da faculdade de medicina que vê as questões de propósito, comunidade e bem-estar como chaves para uma vida mais longa. “É pensar mais sobre seu legado do que sobre seu currículo”. Assim como em Harvard, os participantes pagam as taxas usuais de um estudante pelo ano letivo e arcam com os próprios custos de acomodação, embora também existam bolsas disponíveis para aqueles que precisam.

Thomas Schreier, diretor da Inspired Leadership Initiative, da Universidade de Notre Dame (cujos custos são de cerca de US$ 65 mil), explica que na instituição há menos ênfase do que em Harvard em ter um projeto definido desde o início e mais foco na autodescoberta. “As pessoas ainda têm muita gasolina no tanque. Elas querem fazer algo diferente, mas não conseguem descobrir.”

Shelly London, aluna da primeira turma da ALI, teve uma carreira empresarial em marketing, tendo trabalhado na AT&T e American Standard Companies, mas, desde seu período em Harvard, mudou de rumo. Passou a liderar uma fundação, lançou várias ONGs e continua lecionando na escola de negócios da Universidade de Nova York. “À medida que você envelhece, seu mundo fica menor. A ALI permitiu que nossos mundos se expandissem, que conhecêssemos mais pessoas e fizéssemos coisas novas. Ficamos conectados para a vida. Você chega a certa altura e se torna mais reflexivo. Como disse um colega: ‘todos já fomos bem-sucedidos; agora queremos ser significativos’.” (Tradução Sabino Ahumada).

Harvard desafia executivos 60+ a voltarem a estudar | Carreira | Valor Econômico

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