Câmera inteligente ajuda a achar criminosos até pela cor da roupa; veja como funciona

Equipamentos fazem reconhecimento facial e detectam movimentos suspeitos; desafio, dizem especialistas, é integrar a outras políticas e evitar violações de privacidade

Por Giovanna Castro – Estadão – 28/04/2024

Câmeras inteligentes que fazem reconhecimento facial, identificam bandidos pela cor da roupa ou alertam sobre movimentações suspeitas, como pular um muro, têm sido apostas do poder público para frear a violência urbana. Além de identificar suspeitos com base no relato da vítima logo após o roubo, por exemplo, os softwares podem apontar padrões criminais, como rotas de fuga ou áreas com recorrência de casos.

O desafio, segundo especialistas, envolve integrar o uso da tecnologia a outras estratégias de segurança pública. Além disso, é preciso adotar protocolos de privacidade e evitar vieses racistas e falhas na identificação.

Curitiba e Santo André, no ABC paulista, reduziram o roubo veículos em 40% e 43%, respectivamente, um ano após a implementação da Muralha Digital, em que radares reconhecem placas de veículos roubados nas principais vias e bordas das cidades, fazendo acompanhamento da rota seguida por eles.

São José dos Campos (SP), apontada como uma das mais avançadas na estrutura tecnológica anticrime, adotou câmeras com inteligência artificial (Centro de Segurança e Inteligência, o CSI) em 2021. Conforme balanço da gestão municipal, os roubos caíram 33% entre 2020 e o ano passado.

Os equipamentos têm leitor de placa, reconhecimento facial que busca procurados pela Justiça e desaparecidos e rastreiam suspeitos por características relatadas pela vítima, como tipo da roupa ou se usava bicicleta na hora do crime.

Equipamentos desse tipo alertam sobre movimentos suspeitos, como pular o muro de uma propriedade privada ou imóvel público. Esta funcionalidade não é utilizada em São José, mas sim em São Paulo, que recentemente adotou a mesma tecnologia.

“Automaticamente é detectado que houve uma invasão de perímetro e é disparado um alarme na central de operações”, afirma Vanderson Stehling, responsável pela implementação das tecnologias da empresa chinesa Hikvision, fornecedora em São José dos Campos e agora também na capital paulista.

A Prefeitura de São Paulo anunciou em agosto do ano passado o projeto de comprar 20 mil câmeras inteligentes para a segurança pública. Hoje, segundo o Município, 10 mil já estão em funcionamento.

A operação começou, de fato, em fevereiro. Entre os locais que já contam com o equipamento, está a Ponte Estaiada, na zona sul, a Avenida Paulista e a Praça da Sé, na região central. Até o fim do ano, as 20 mil câmeras devem estar funcionando, segundo a Prefeitura.

Um dos principais objetivos é monitorar o centro, que tem sofrido com frequentes ondas de roubos, sobretudo de celulares, e o espalhamento de usuários de drogas da Cracolândia. Para região, são previstas 3 mil câmeras.

Outro foco são os principais locais de circulação de pessoas, carros e conexões com outras cidades – esses últimos, considerados chave na procura por veículos roubados.

O projeto Smart Sampa, da gestão Ricardo Nunes (MDB), foi alvo de questionamentos, especialmente pelo uso de reconhecimento facial, risco de vazamento de dados sensíveis e impacto na privacidade, sobretudo diante das exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O projeto chegou a ser suspenso por decisão da Justiça, mas a iniciativa foi retomada pela Prefeitura após ajustes no edital. Ainda em 2023, a gestão municipal afirmou ter definido um “sistema de controle muito rígido” para as câmeras.

Sobre as preocupações com o reconhecimento facial – houve críticas sobre o risco de a tecnologia apresentar vieses racistas -, o secretário adjunto da pasta municipal da Segurança Urbana, Junior Fagotti, disse que “a plataforma só vai levar pontos biométricos faciais, sem reconhecer cor”.

A gestão afirma ainda que a identificação de foragidos não dependerá só da câmera, mas também da avaliação presencial. Um comitê composto por sete pastas – entre elas a de Segurança Urbana, Transportes, CET e SPTrans, e eventualmente as polícias Civil e Militar – será responsável por analisar as imagens. O custo mensal previsto para as 20 mil câmeras é de R$ 9,8 milhões por mês.

“Na primeira semana da operação, o programa possibilitou a localização de mulher desaparecida, por meio do banco de dados da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. Desde então, outras quatro desaparecidas foram localizadas”, diz a Prefeitura.

“Esse recurso permite que os agentes de segurança identifiquem qualquer procurado da Justiça ou uma invasão, possibilitando resposta imediata e eficaz para inibir potenciais ameaças a segurança e ao patrimônio público”, acrescenta.

O governo da Bahia já capturou 1.523 foragidos da Justiça, com ordens de prisão, em quatro anos do seu programa de câmeras com reconhecimento facial em espaços públicos e grandes eventos, como o carnaval de Salvador. O sistema já identificou até um criminoso que estava nas ruas como folião, fantasiado de mulher.

Segundo Stehling, da Hikvision, toda a operação das câmeras fica a cargo da administração municipal. Nenhuma outra empresa, diz ele, tem acesso aos dados, o que é uma das maiores preocupações de especialistas, por se tratarem de informações sensíveis.

As câmeras também devem fazer parte do sistema de “Muralha Digital”, que vem sendo testado pelo governo do Estado para reforçar o monitoramento de carros roubados.

‘Só implantar tecnologia não resolve’

“Sou um grande entusiasta da tecnologia, mas só ela não resolve. Em relação ao uso de inteligência artificial, por exemplo, temos um desafio anterior e grande, ainda, que é o fato da nossa base de dados ser ruim. Isso impacta na qualidade do produto da IA”, afirma Marcelo Batista Nery, sociólogo e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo ele, criar leis que garantam segurança a dados sensíveis e evitem vieses racistas, sem banir o progresso tecnológico, é o caminho. “Toda essa tecnologia atinge diferentes grupos, de modos diferentes”, diz.

“Tem de ser discutida com a sociedade e servir para melhorar a qualidade de vida, ao mesmo tempo em que protege os mais vulneráveis”, reforça ele, também pesquisador da Associação Brasileira de Empresas de Softwares (Abes).

Johann Dantas, presidente da Associação Nacional de Cidades Inteligentes, Tecnológicas e Inovadoras (ANCITI), acredita que um gargalo é a falta de infraestrutura tecnológica básica, como pontos públicos de rede de internet, em muitas cidades brasileiras.

Após resolver a infraestrutura, vem a complexidade de implementação, o que pode incluir testes com diferentes tipos de tecnologia. “Precisa ouvir as pessoas, conhecer os problemas daquele local e buscar por soluções”, acrescenta ele, também CEO da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo (Prodam). “Nem sempre, o que funciona aqui, vai funcionar lá.”

A integração de diferentes bases de dados também é considerada chave. “Um exemplo disso é o (sistema de câmeras) Detecta, do governo do Estado de São Paulo, que junta as bases da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Detran”, destaca.

Botões do pânico e até óculos com IA

Em São José dos Campos, outra inovação, iniciada em 2023, são óculos com inteligência artificial usados pelos guardas civis. Integrados ao sistema do Centro de Segurança e Inteligência (CSI) por meio de câmeras inteligentes acopladas aos óculos, eles fazem reconhecimento facial e leem placas de veículos.

Na central, agentes de segurança analisam as imagens enviadas pelos óculos como se estivessem vendo presencialmente, o que aumenta a capacidade de avaliação do entorno.

Já o guarda que usa os óculos pode ler, na tela do olho direito, informações enviadas pelo CSI e obter ajuda remota com vídeos e até a ficha criminal do suspeito.

Óculos inteligentes permitem o compartilhamento de imagens registradas por guardas nas ruas com central de monitoramento

Óculos inteligentes permitem o compartilhamento de imagens registradas por guardas nas ruas com central de monitoramento Foto: Adenir Britto/PMSJC

A tecnologia não precisa ser manejada somente pelos agentes de segurança, mas em alguns casos é utilizada pelo próprio cidadão. Em São José, vítimas de violência doméstica carregam um dispositivo portátil, semelhante a um chaveiro.

Quando acionado, ele dispara alerta no CSI. O “chaveiro” tem conexão com a internet e fornece à polícia a localização da vítima em tempo real.

“Isso nos permite ter agilidade e acompanhamento da mulher, porque ela aciona o dispositivo e nunca fica no mesmo lugar, esperando ser agredida”, diz Bruno Santos, secretário de Proteção ao Cidadão na cidade. Mais de 80 agressores já foram detidos por meio desse modelo.

Em Santo André, o botão de acionamento rápido de socorro para vítimas de violência doméstica funciona em um aplicativo. Chamado ANA, ele é baixado no celular da mulher por equipes da Patrulha Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal, mediante apresentação da medida protetiva judicial.

“Com apenas dois toques, a vítima consegue realizar o acionamento da GCM”, diz a prefeitura. Os guardas passam a ter acesso à localização GPS da vítima e enviam a viatura mais próxima. Em dois anos e meio de projeto, 420 mulheres já instalaram o app; o botão foi acionado 30 vezes e 6 agressores foram presos em flagrante.

Em São Paulo e Curitiba, aplicativos similares acionam rapidamente a polícia em caso de atentado a escolas. Eles são costumam ser colocados à disposição só para membros da comunidade escolar, a fim de evitar alarmes falsos.

A agilidade no acionamento também é uma estratégia para capturar ladrões e, eventualmente, conseguir a devolução de itens. Por isso, têm se popularizado os botões de pânico mesmo em municípios de menor porte, como Itabira, em Minas Gerais, de 120 mil habitantes.

“Recomendamos (o botão de pânico) para locais de grande movimento, onde há alto índice de roubo e furto”, afirma Ibrahim Boufleur, CEO da Tecno IT, uma das empresas que fornecem a tecnologia .

Poste com botão de pânico permite acionamento rápido da polícia

Tecnologia já existe em Itabira, em Minas Gerais, e é indicada para locais com grande circulação de pessoas e alto índice de roubos e furtos

“São locais estratégicos, como grandes praças e parques. Não deve ser colocado em todo e qualquer local”, continua ele, responsável pelo projeto de Itabira, que utiliza o botão acoplado a postes.

Acionado, o botão dispara um alarme no próprio poste e na central de monitoramento da guarda municipal ou da PM. Também envia imagem do local no momento em que o botão foi acionado – a tecnologia precisa estar integrada ao sistema de câmeras. “Assim, é possível avaliar se foi alarme falso ou não”, diz Boufleur.

Câmera inteligente ajuda a achar criminosos até pela cor da roupa; veja como funciona – Estadão

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Como o aumento das temperaturas está destruindo a cadeia alimentar dos oceanos

Cientistas estão obtendo novos insights sobre como o plâncton sustenta a vida na Terra — assim como as mudanças climáticas estão mudando tudo

Por Delger Erdenesanaa – Estadão/The New York Times – 05/03/2025

Os humanos vivem em um mundo de plâncton. Esses organismos minúsculos estão espalhados pelos oceanos, cobrindo quase três quartos do planeta, e estão entre as formas de vida mais abundantes na Terra.

Mas um mundo em aquecimento está desorganizando o plâncton e ameaçando toda a cadeia alimentar marinha que é construída sobre ele.

Há um ano, a Nasa lançou um satélite que forneceu a visão mais detalhada até agora da diversidade e distribuição do fitoplâncton. Seus insights devem ajudar os cientistas a entender a dinâmica mutável da vida no oceano.

“Você gosta de respirar? Você gosta de comer? Se sua resposta for sim para qualquer uma delas, então você se importa com o fitoplâncton”, disse Jeremy Werdell, cientista-chefe do programa de satélites, chamado Pace, que significa “Plankton, Aerosol, Cloud, Ocean Ecosystem”.

Historicamente, a pesquisa de navios capturou instantâneos limitados no tempo, oferecendo apenas vislumbres dos oceanos em constante mudança. O advento dos satélites deu uma imagem mais completa, mas ainda limitada, como olhar através de óculos com um filtro verde.

“Você sabe que é um jardim, você sabe que é bonito, você sabe que são plantas, mas você não sabe quais plantas”, explicou Ivona Cetinic, oceanógrafa da Nasa. O satélite Pace efetivamente remove o filtro e finalmente revela todas as cores do jardim, ela disse. “É como ver todas as flores do oceano.”

Essas flores são fitoplâncton, pequenas algas aquáticas e bactérias que fazem fotossíntese para viver diretamente da energia do sol. Elas são comidas pelo zooplâncton, os menores animais do oceano, que, por sua vez, alimentam peixes e criaturas maiores.

Pode parecer implausível que um satélite orbitando bem acima da superfície do planeta pudesse distinguir organismos microscópicos. Mas diferentes fitoplânctons têm maneiras únicas de espalhar e absorver luz. O Pace mede todo o espectro de cores visíveis e um pouco além, do ultravioleta ao infravermelho próximo, permitindo que os cientistas identifiquem diferentes tipos de fitoplâncton. Satélites mais antigos mediam cores limitadas e só conseguiam revelar quanto fitoplâncton havia abaixo deles, não de que tipo.

O fitoplâncton forma a base da cadeia alimentar marinha, e as mudanças climáticas estão abalando essa base.

O fitoplâncton no oceano aberto parece estar diminuindo. No início dos anos 2000, os cientistas detectaram que enormes zonas do oceano com menos nutrientes e fitoplâncton mais esparso, conhecidas como desertos oceânicos, estão se expandindo. Ao mesmo tempo, as florações de fitoplâncton costeiro, especialmente em latitudes mais altas, cresceram e se tornaram mais frequentes, de acordo com um estudo de 2023. 

Temperaturas mais altas da superfície do mar estão estimulando seu crescimento, descobriram os pesquisadores. Essas florações também estão acontecendo mais cedo no ano, interrompendo a pesca costeira e os meios de subsistência das pessoas.

E embora a vida marinha dependa do fitoplâncton, às vezes ele pode criar florações prejudiciais. Entender que tipos de fitoplâncton estão onde pode ajudar os moradores costeiros a se protegerem.

Algumas florações de fitoplâncton crescem tanto, tão rapidamente, que quando eventualmente decaem, esgotam o oxigênio na água ao redor, criando “zonas mortas” onde nada mais pode viver. E alguns fitoplânctons produzem toxinas que podem adoecer e matar peixes, pássaros e mamíferos, incluindo humanos.

Pesquisadores estimam, conservadoramente, que as florações prejudiciais custam à economia dos EUA cerca de US$ 50 milhões a cada ano por meio de danos à saúde pública, pesca e recreação costeira.

No inverno de 2021, milhões de libras de ostras na costa de Plaquemines Parish, na Louisiana, morreram repentinamente, causando um grande golpe econômico aos pescadores locais. Investigações subsequentes revelaram que o fitoplâncton tóxico floresceu após uma tempestade, de acordo com Bingqing Liu, oceanógrafo e professor assistente na Universidade de Louisiana, Lafayette.

Liu faz parte do grupo de “adotantes iniciais” do Pace, trabalhando na incorporação dos dados do satélite em um modelo que pode simular cenários futuros. Se as pessoas puderem ver as florações tóxicas chegando, elas podem tentar mitigar perdas econômicas e ambientais, disse ela.

Cavando mais fundo

Enquanto os satélites ajudam alguns oceanógrafos a se afastarem para obter a maior imagem possível, outros pesquisadores estão se aproximando, coletando plâncton do oceano e estudando-o em microscópios. Esses cientistas não estão apenas olhando para o jardim que Cetinic descreveu, mas entrando nele, examinando plantas e animais. E eles estão cavando ao redor, olhando abaixo da superfície onde os satélites não podem ver.

Do outro lado do Atlântico Norte no inverno, o jardim do oceano esconde um fenômeno curioso. Estendendo-se dos Estados Unidos e Canadá até a Europa, quatrilhões de pequenas criaturas estão dormindo, suspensas na zona de penumbra do oceano. Eles são Calanus finmarchicus, um tipo de zooplâncton, animais que flutuam nas correntes e marés do oceano.

No Atlântico Norte, Calanus canaliza energia do sol e do fitoplâncton para animais maiores, como peixes, baleias e pássaros.

Você pode pensar em Calanus como “pequenas baterias flutuando no oceano”, disse Jeffrey Runge, um ecologista de zooplâncton que recentemente se aposentou como professor da Universidade do Maine.

Os Calanus hibernam durante o inverno, escondendo-se de predadores na luz fraca de águas mais profundas. Mas em novembro no Golfo do Maine, conforme os dias encurtavam, a temperatura caía e os ventos e as ondas aumentavam, David Fields, um ecologista de zooplâncton no Laboratório Bigelow para Ciências Oceânicas, estava caçando essas pequenas criaturas.

Ele pretende entender o que está acontecendo com Calanus e outras espécies planctônicas conforme o oceano esquenta e suas correntes mudam. “É realmente difícil obter esses tipos de sinais”, disse ele, “por causa da falta de dados, de amostragem”.

É por isso que, em uma manhã fria de novembro antes do nascer do sol, ele e um pequeno grupo de cientistas locais se reuniram no cais Bigelow em East Boothbay, Maine. Eles carregaram um catamarã de 48 pés e partiram para um longo dia de caça ao plâncton.

A cada parada, os cientistas trabalhavam furiosamente para preservar tudo, enxaguando as redes repetidamente em baldes para retirar o plâncton, enquanto ficavam encharcados na água gelada do oceano e lutavam contra o enjoo enquanto o barco balançava para cima e para baixo.

De volta ao laboratório, depois de escurecer, os cientistas observaram Calanus finmarchicus capturados sob um microscópio. Os espécimes tinham grandes sacos de óleo, cheios de lipídios ricos em calorias que peixes e baleias francas procuram. Em estudos experimentais, Fields e seus colegas descobriram que, à medida que a temperatura aumenta, Calanus fica menor e tem menos gordura em relação ao tamanho do corpo.

Fields chama a camada de Calanus adormecido de camada de gordura do oceano, um recurso valioso para outras formas de vida. “Essa é a razão pela qual o Golfo do Maine corre do jeito que corre, por causa dessa linda camada de gordura”, disse ele.

Uma das pessoas na viagem de caça ao plâncton de novembro no Maine foi Amy Wyeth, uma ecologista zooplanctônica que iniciou um novo programa de amostragem de plâncton e monitoramento de habitat para o Departamento de Recursos Marinhos do Maine. O objetivo, ela disse, é eventualmente dar ao estado “um pouco mais de poder preditivo”, para prever os movimentos das baleias francas e ajudar a pesca de lagosta do Maine a evitar emaranhamentos com baleias.

As baleias francas do Atlântico Norte são uma espécie ameaçada de extinção, com apenas cerca de 370 indivíduos restantes. Elas comem Calanus finmarchicus, às vezes consumindo centenas de milhões dessas pequenas criaturas todos os dias.

O Golfo do Maine é historicamente um rico campo de alimentação de verão para baleias francas. Mas em 2010, uma onda de calor marinho começou a se formar neste ecossistema normalmente frio. Começou nas águas profundas, onde as correntes oceânicas quentes e frias mudaram. Então, em 2012, a Nova Inglaterra também experimentou temperaturas de ar anormalmente quentes.

De repente, havia menos Calanus adultos, maiores e ricos em lipídios, por aí no final do verão e no outono.

Desde então, as baleias francas têm nadado mais para o norte em busca de Calanus maiores e mais gordos. Elas foram para o Golfo de São Lourenço, onde a pesca comercial movimentada e os grandes navios de alta velocidade não estavam prontos para elas. Muitas baleias foram atingidas por navios ou enredadas em equipamentos de pesca.

“Pode-se fazer a ligação entre o aumento implacável de CO2 e o que está acontecendo com as baleias francas agora. E o que está acontecendo com Calanus”, disse Runge. “É um desses mecanismos realmente complexos de como o aumento de CO2 e o aquecimento, o aquecimento resultante, está afetando os ecossistemas do mundo.”

Um quadro mais completo

Em janeiro, um grupo de pesquisadores europeus pediu apoio contínuo para programas de monitoramento de plâncton de longo prazo. Desde a década de 1930, cientistas têm fornecido a navios comerciais dispositivos chamados registradores contínuos de plâncton para rebocar e coletar automaticamente plâncton em longas redes que se enrolam como pergaminhos. Esses métodos, e muitas rotas, têm permanecido consistentes por décadas, permitindo que pesquisadores vejam mudanças nas populações de plâncton ao longo do tempo.

Nos Estados Unidos, a NOAA tem conduzido pesquisas de plâncton semelhantes às de Fields desde a década de 1960, ajudando os gestores de pesca a monitorar a saúde dos ecossistemas dos quais sua indústria depende. O mais recente Relatório do Estado do Ecossistema para a Nova Inglaterra, produzido pelo Northeast Fisheries Science Center da NOAA, documentou uma floração recorde de fitoplâncton em 2023 e também descobriu que o zooplâncton em partes da plataforma continental do Nordeste está se diversificando, um sinal potencial de reestruturação do ecossistema, de acordo com o relatório. Em particular, espécies menores, mais gelatinosas e menos ricas em energia estão aumentando.

Cientistas enfatizam a necessidade de manter conjuntos de dados de longa duração. “O monitoramento realmente não é uma ciência sexy”, disse Michael Parsons, um oceanógrafo biológico da Florida Gulf Coast University. “É difícil manter um financiamento consistente para estar rotineiramente coletando amostras e observando o que está lá.”

Enrique Montes, um oceanógrafo biológico do Instituto Cooperativo de Estudos Marinhos e Atmosféricos da Universidade de Miami morre e o Laboratório Meteorológico e Oceanográfico Atlântico da NOAA, está no meio da análise de dados de plâncton de ondas de calor marinhas recentes na costa da Flórida, bem como do atual surto de maré vermelha. Ele também está envolvido em esforços nacionais e internacionais para compartilhar e padronizar dados sobre biodiversidade marinha.

“Nós realmente não sabemos como a biodiversidade está mudando em todo o oceano do mundo”, disse ele.

Uma maneira de coletar dados é por meio de um microscópio subaquático que fotografa o plâncton em seu ambiente natural. Ele e outros cientistas enfatizam a necessidade de combinar esses tipos de observações locais com dados de satélite.

Os satélites mostram aos cientistas o quadro geral de todo o oceano, mas eles têm limitações. O Pace tem uma resolução de 1 quilômetro, e “dizer o que acontece em um pixel de 1 quilômetro é realmente diferente de perfurar o quintal de alguém, que geralmente é a informação que as pessoas precisam saber”, disse Clarissa Anderson, oceanógrafa biológica da Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia em San Diego.

Anderson é outro membro do grupo de adotantes iniciais do Pace e copresidente do National Harmful Algal Bloom Committee, que aconselha o Congresso e outras entidades federais e estaduais sobre essas florações.

“Estamos apenas tentando tornar isso perfeito”, ela disse, “para que você possa ir daquela visão de satélite e detalhar todo o caminho até a costa mais próxima: O que está acontecendo no meu píer? O que está acontecendo no meu cais?”

Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.

Como o aumento das temperaturas está destruindo a cadeia alimentar dos oceanos – Estadão

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Oportunidade x riscos: as vantagens e desvantagens dos agentes de IA

Diretor de dados explica por que devemos prestar atenção à ascensão dos agentes autônomos de IA

TOM BARNETT – Fast Company Brasil – 05-03-2025 

Com todo o hype em torno da inteligência artificial, fica difícil separar o que realmente importa do que é só exagero. Então, se você não deu muita atenção às recentes discussões sobre agentes autônomos de IA – ou, apenas, agentes de IA –, é compreensível. Mas aqui vai um aviso: não os ignore. Essa tecnologia pode ser ainda mais revolucionária do que todo o hype sugere.

Os agentes de IA são capazes de interagir com o ambiente, tomar decisões, agir sozinhos e aprender com as próprias experiências. Isso representa uma mudança radical na forma como utilizamos a inteligência artificial, trazendo tanto oportunidades quanto riscos.

Até agora, a IA generativa operava, em grande parte, sob supervisão humana. Esses sistemas eram pré-treinados (daí o “P” em GPT) com grandes volumes de dados, como modelos de linguagem e bases de conhecimento, para então responder a perguntas e comandos dos usuários.

Esse método se mostrou impressionante para gerar respostas que soam humanas – mas, na prática, é como um bebê repetindo palavras sem realmente entendê-las.

Interessante? Sim. Mas dificilmente algo capaz de produzir uma obra-prima como os “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, de Newton, ou uma sinfonia de Beethoven. Ou seja, essas ferramentas são realmente independentes e criativas? Provavelmente não. Mas isso pode estar prestes a mudar.

Uma nova abordagem permite que a inteligência artificial interaja diretamente com os dados e reaja de maneira mais dinâmica – muito mais parecido com o que nós, humanos, fazemos. Essa tecnologia, baseada em agentes de IA, promete revolucionar a indústria de software.

Bill Gates chegou a dizer que essa mudança será a maior revolução na computação desde que deixamos de digitar comandos para clicar em ícones. E talvez ele ainda esteja subestimando o impacto dessa transformação.

O QUE SÃO OS AGENTES DE IA?

Agentes de IA são sistemas capazes de tomar decisões sem intervenção humana para executar tarefas predefinidas (por enquanto). Eles podem buscar informações externas, analisar novos dados e agir com base nisso – funcionando mais como um ser humano explorando o mundo do que como um chatbot limitado a um banco de dados fixo.

Parece promissor, certo? O que poderia dar errado?

Essa tecnologia representa um salto gigantesco, substituindo modelos que apenas imitam a linguagem humana por algo que realmente pode interpretar novos estímulos e agir sem ser reprogramado. Em outras palavras, estamos deixando de ser os intermediários na tomada de decisões da IA.

E aí está o problema. Se essa tecnologia fosse uma criança aprendendo a andar, ela não estaria apenas dando os primeiros passos – já estaria dirigindo um carro, com a música no último volume e uma garrafa de tequila na mão.

Os benefícios são evidentes: menor necessidade de treinamento e supervisão, maior escalabilidade (limitada apenas pelos recursos computacionais) e a possibilidade de delegar um grande volume de tarefas sem depender de intervenção humana. Afinal, são agentes. Eles têm autonomia para tomar decisões – e, inevitavelmente, cometer erros.

O QUE PODE DAR ERRADO?

Diferente de um erro humano, que pode ser contido, uma falha em um agente de IA pode se espalhar rapidamente, gerando um efeito cascata imprevisível. Além disso, esses sistemas são alvos óbvios para ataques cibernéticos.

Os piores cenários incluem um agente descontrolado desencadeando uma onda de negociações na bolsa de valores ou, pior ainda, ativando uma resposta militar sem querer. Quando se trata de decisões que podem ter consequências catastróficas, a supervisão humana pode não ser perfeita mas, pelo menos, oferece um mínimo de segurança.

Há também riscos menos dramáticos, mas igualmente preocupantes, principalmente no mundo corporativo e jurídico. Muitas empresas já utilizam IA para gerenciar todo o ciclo de vida dos funcionários – desde a triagem de currículos até avaliações de desempenho, promoções e demissões. E cada vez mais, essas decisões estão sendo tomadas por agentes autônomos.

AGENTES DE IA SÃO SISTEMAS CAPAZES DE TOMAR DECISÕES SEM INTERVENÇÃO HUMANA PARA EXECUTAR TAREFAS PREDEFINIDAS.

Embora essas ferramentas sejam vendidas como soluções que aumentam a precisão e a imparcialidade, pequenos erros no design ou na implementação podem gerar decisões injustas – um problema conhecido como viés algorítmico. 

E os reguladores estão atentos a isso. Em alguns países já há leis que penalizam empresas que utilizam inteligência artificial de forma discriminatória contra funcionários, o que pode resultar em um aumento no número de processos judiciais.

Não há dúvida de que os agentes de IA podem trazer um enorme aumento na produtividade, automatizando tarefas repetitivas e permitindo que as pessoas se dediquem a atividades mais criativas e estratégicas. Mas os riscos são igualmente evidentes.

No caso de crianças, chega um momento em que precisamos soltar as rédeas e dar a elas autonomia, mas essa metáfora não se aplica tão bem à IA. Enquanto retiramos as “rodinhas” desses agentes autônomos, precisamos equilibrar o entusiasmo com uma boa dose de cautela, para garantir que essa revolução não acabe em desastre.


SOBRE O AUTOR

Tom Barnett é sócio e chief data officer do escritório de advocacia Jackson Lewis. saiba mais

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8 tendências de turismo que transformarão completamente sua forma de viajar até 2030

As capitais nordestinas estão entre os destinos da vez. E em breve a IA vai revolucionar o turismo

Gilson Garrett Jr. – Repórter de Lifestyle/Exame –  4 de março de 2025 

Imagine a cena: você decide viajar e, em vez de passar horas pesquisando voos, hotéis e roteiros, simplesmente pergunta a um assistente de inteligência artificial qual é a melhor época para visitar uma capital do Nordeste. João Pessoa, por exemplo. Você informa que prefere praias pouco exploradas, com boa estrutura e a preços acessíveis. Em segundos, o sistema sugere duas opções, organiza passagens, hospedagem e passeios — tudo de forma intuitiva, em uma conversa rápida.

Hoje essa possibilidade está mais próxima da realidade. A transformação digital que tomou conta de diferentes setores está revolucionando também o turismo. Até 2030, esse cenário será comum. E muitas dessas mudanças já estão acontecendo agora, em 2025. Esse é um dos principais destaques de um estudo conduzido pelo Kayak, em parceria com o The Future Laboratory, apresentado no fim de janeiro.

O levantamento, que ouviu mais de 9.000 viajantes de oito países, incluindo o Brasil, todos com o hábito de fazer pelo menos uma viagem internacional a lazer por ano, mostra a inteligência artificial como um divisor de águas. “Ainda estamos entendendo como essa transformação vai impactar as empresas do setor. O que sabemos é que será muito rápido”, afirma Gustavo Vedovato, country manager do Kayak no Brasil.

Mais destinos, mais experiências

As transformações não se limitam à tecnologia. A pesquisa também aponta para um novo comportamento dos viajantes, cada vez mais interessados em explorar múltiplos destinos em uma mesma viagem. A tendência das chamadas viagens multidestinos está ganhando força. “Um turista pega um voo até a Cidade do Panamá, faz um stopover,­ depois segue para Miami, fica alguns dias e, em seguida, embarca para Nova York”, explica Raphael de Lucca, country manager da Copa Airlines no Brasil, que oferece esse serviço de parada longa na capital panamenha sem custo adicional.

A estratégia de conectar mais cidades em um mesmo roteiro tem levado companhias aéreas a ampliar essa oferta. A Copa Airlines, por exemplo, lançou recentemente um voo direto de Florianópolis para o Caribe e expandiu as operações em Brasília, com planos de adicionar novas rotas em breve. “Curitiba é um dos mercados em que estamos de olho”, revela De Lucca. Os cruzeiros também entram nesse movimento, oferecendo a possibilidade de conhecer vários destinos em uma única viagem, sem a necessidade de múltiplos deslocamentos.

Brasil em alta: para onde os viajantes querem ir?

Outra pesquisa, realizada pelo booking.com, empresa do mesmo grupo do Kayak, apontou João Pessoa como a única cidade brasileira entre os destinos mais promissores para 2025. Em outros levantamentos, Maceió e Fortaleza aparecem ao lado da capital paraibana como tendências — somando-se ao Rio de Janeiro, presença constante entre os destinos mais desejados do país.

A Gol já sente o reflexo dessas mudanças. Para atender à alta demanda pelo Nordeste, a companhia aérea precisou ampliar em 28% sua malha aérea na região durante janeiro. Já para o Rio de Janeiro, houve um aumento de 10%. Da mesma forma, grandes marcas internacionais da rede hoteleira pretendem abrir neste e nos próximos anos novas unidades não só em São Paulo como também em destinos brasileiros menos convencionais.

O turismo do futuro será mais consciente

Os viajantes de hoje estão repensando como e para onde viajar. Segundo a pesquisa do ­booking.com, 83% dos brasileiros querem explorar lugares menos turísticos, enquanto 78% buscam retiros focados em bem-estar e longevidade. Outros 57% afirmam que estão dispostos a modificar seus horários de passeio, optando por atividades noturnas para fugir das altas temperaturas.

O estudo do Kayak reforça essa visão: as viagens de carro por estradas cênicas e cidades menos frequentadas devem ganhar ainda mais força, segundo relatório da plataforma. Parques naturais como Chapada dos Veadeiros (em Goiás) e Chapada dos Guimarães (em Mato Grosso) já despontam como destinos em alta para quem busca experiências mais imersivas e ao mesmo tempo sustentáveis.

A viagem do futuro não será apenas sobre deslocamento. Será sobre experimentar, sentir e viver cada destino de forma mais profunda. A tecnologia está eliminando barreiras, tornando tudo mais acessível e personalizado. Mas, ao mesmo tempo, os viajantes estão buscando algo bem além da conveniência: experiências verdadeiras, enriquecedoras e inesquecíveis.

Futuro (e presente) das viagens

Oito principais tendências do turismo até 2030

Agentes de IA: ferramentas de inteligência artificial serão cada vez mais precisas, auxiliando desde o planejamento até a tomada de decisão.

Multidestinos: viagens que combinam vários destinos em um mesmo roteiro ganharão popularidade, com itinerários que começam e terminam em diferentes aeroportos.

Bem-estar como motivação: o turismo voltado para a melhoria da qualidade de vida se tornará ainda mais relevante, com spas e retiros liderando essa tendência.

Feedbooking: as redes sociais se consolidarão como ferramentas para inspiração e reserva de viagens, com influenciadores desempenhando um papel-chave.

Viagens virtuais: experiências imersivas, como tours 4D, concierges holográficos e viagens simuladas, transformarão a forma de explorar destinos.

Turismo fora da rota: destinos pouco explorados se tornarão os preferidos de muitos turistas, promovendo um turismo mais consciente e exclusivo.

Escapadas espirituais: retiros silenciosos, meditação e buscas genealógicas ganharão destaque como opções para quem busca conexões mais profundas.

Programa de deslealdade: no futuro, a escolha por companhias aéreas e serviços não dependerá mais de programas de fidelidade, e sim da melhor oferta disponível.

8 tendências de turismo que transformarão completamente sua forma de viajar até 2030 | Exame

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Os exoesqueletos podem se tornar o braço forte do agronegócio?

Depois de a construção e a indústria, a agricultura pode ser a próxima fronteira do uso desses dispositivos mecânicos que poupam o esforço dos trabalhadores

AMBROOK RESEARCH – Fast Company Brasil – 03-03-2025 

É fato que, desde sempre, a agricultura é um trabalho fisicamente desafiador que afeta o corpo humano. Ao longo dos anos, recorremos a várias formas de tecnologia para ampliar os esforços de uma única pessoa.

No começo foi um único arado atrás de uma mula ou boi. Depois, veio o progresso para um trator motorizado, colheitadeiras de mais de 700 cavalos de potência e agora capinadores robóticos e drones voadores autônomos que lidam com uma variedade de tarefas.

Mas e o corpo humano? Ele está destinado a ser substituído por máquinas?

O fato é que as pessoas continuam como um elo fraco na agricultura moderna. De acordo com algumas fontes, a agricultura é considerada a ocupação mais perigosa do mundo. Distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho (DORTs) são responsáveis ​​por 93% dos acidentes de trabalho. E destes, a dor lombar é a mais frequente, com lesões no ombro em segundo lugar.

EXOESQUELETOS PARA A ASSISTÊNCIA

Exoesqueletos são dispositivos usados ​​no corpo para aumentar as capacidades naturais de um trabalhador humano. Antes confinados ao mundo da ficção científica — quem pode esquecer a batalha final aprimorada pelo exoesqueleto de Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, no filme Aliens — eles agora se tornaram práticos para uso em muitas indústrias. Existem duas categorias principais de “exos” (como são conhecidos na indústria): motorizados e passivos.

Os exos motorizados usam motores para fornecer força adicional para certas ações, como levantar objetos ou empunhar ferramentas pesadas acima da cabeça. Eles tendem a ser peças complexas — e caras — de maquinário que exigem recarga e manutenção regular.

Embora os exos motorizados possam ser adequados para tarefas específicas de fabricação, eles geralmente estão além do que os fazendeiros normalmente precisam ou podem pagar no futuro previsível.

EXOS PASSIVOS A PARTIR DE US$ 2.500

Os exos passivos são a outra classe de dispositivos. Eles pegam a energia criada por um movimento — como se curvar — e então liberam essa energia para o usuário para o movimento oposto, como levantar um item do chão até o nível da cintura.

Esses dispositivos passivos não exigem os motores, fiação, baterias e sensores caros encontrados em exos motorizados. Em vez disso, usam uma variedade de materiais para armazenar e liberar energia: molas, barras de torção, pistões a gás, faixas elásticas e vigas flexíveis.

Alguns designs dependem de uma estrutura rígida, enquanto outros são feitos de tecido e outros materiais flexíveis. De acordo com algumas fontes, os exoesqueletos passivos atuais podem custar de US$ 2.500 a mais de US$ 14.000, dependendo do design e de quais partes do corpo são suportadas.

FAZENDEIROS E TRABALHADORES RURAIS

Os designs variam com base no tipo de tarefa visada. Por exemplo, levantar caixas de produtos pode exigir um tipo de assistência, enquanto alcançar a cabeça para colher frutas pode exigir algo diferente. Mas eles podem realmente ajudar fazendeiros e trabalhadores rurais?

Muitos estudos mostraram benefícios claros do uso de exoesqueletos em outras indústrias, como trabalho em depósitos e manufatura.

COMO FICA A SAÚDE

De acordo com Karl Zelik, professor associado de engenharia biomédica na Universidade Vanderbilt, um estudo longitudinal de trabalhadores de depósitos monitorou mais de 281.000 horas de trabalho usando exoesqueletos. Dados históricos previam 10,5 lesões por distensão nas costas durante esse período, mas o estudo revelou que não houve nenhuma.

Não foram feitas muitas pesquisas em ambientes agrícolas, mas os estudos existentes apontam para benefícios claros. Por exemplo, um teste de um exo de membro superior em tarefas de gerenciamento de pomar reduziu a atividade muscular em até 40%. A atividade muscular reduzida resulta em menos fadiga e tensão, o que por sua vez reduz o risco de lesões.

Outro estudo deu um exo de suporte para as costas aos fazendeiros para suas operações diárias e vários dos deles citaram aumento de produtividade ao reduzir a fadiga. Muitos dos sujeitos também relataram se sentir mais protegidos ao escavar. Em alguns casos, o exo os ajudou a manter a postura correta ao levantar, o que pode reduzir o risco de lesões na parte inferior das costas.

NA PRÁTICA

Sarah Ballini-Ross é coproprietária da Fazenda Rossallini em Oregon. Ela e seu marido às vezes usam exoesqueletos no trabalho em sua operação diversificada. A proprietária rural também é especialista em tecnologia exo e fundadora da Evolving Innovation, uma empresa de consultoria que fornece tecnologia de segurança e serviços de soluções ergonômicas.

Segundo Sarah, a redução da fadiga é um fator importante no uso de exo. “Muito do trabalho na fazenda realmente envolve esse levantamento repetitivo do chão até a cintura. Então, meu exo é a primeira coisa que pego quando se trata de fazer feno.”

Outras tarefas em que ela o usa são “em dias de inventário, quando descarregamos algumas toneladas de caixas de 50 a 70 libras (de 22,6796 quilos a 31,7515 quilos)”.

NÃO É UMA CURA PARA TUDO


Apesar dos benefícios, os exo não são a solução para todos os casos. Nem todos os exo passivos são iguais, e cada um tem suas próprias vantagens e desvantagens.

Alguns exo podem restringir o movimento para impor uma postura de levantamento adequada, o que pode reduzir lesões. No entanto, outros designs podem não ter esse recurso, o que significa que o trabalhador pode se colocar em uma posição estranha ou perigosa que pode levar a lesões.

Por exemplo, o mesmo recurso que impõe uma postura adequada ao levantar pode restringir o movimento que requer a rotação do corpo, como ao escavar. Um trabalhador de depósito provavelmente fará uma tarefa semelhante repetidamente durante todo o dia, mas um trabalhador rural frequentemente tem que alternar rapidamente de uma tarefa para outra.

DIFICULDADES NA ROTINA

Até mesmo os exoesternos passivos podem ser volumosos e difíceis de manobrar durante as atividades diárias. Os agricultores em um estudo citaram o fato de que eles podem dificultar a entrada e saída da cabine de tratores e outras máquinas agrícolas. E ter que colocar e tirar o exo ao longo do dia pode levar um tempo significativo.

A maioria dos exoesternos passivos tem pelo menos um pouco de tecido, mas esse tecido pode ficar sujo — especialmente com suor em dias quentes ou durante atividades extenuantes — o que pode torná-los desagradáveis ​​de usar.

A maioria também inclui fechos de velcro. Eles facilitam o ajuste do dispositivo para trabalhadores de diferentes tamanhos e acomodam a presença de camadas de roupas. Mas esses ganchos e laços também podem agarrar materiais estranhos, prejudicando sua funcionalidade e aparência.

Sarah, da Fazenda Rossallini, observou: “Eu uso meu exo para aparar os cascos de nossas ovelhas, pelos e palha ficam presos no tecido. Então, quando levo meu exo para uma apresentação ou conferência, tenho que pensar duas vezes porque talvez eu esteja trazendo um pouco demais da fazenda comigo.”

OBSTÁCULOS À ADOÇÃO DOS ESOESQUELETOS


A educação pode ser a maior barreira para uma adoção mais ampla de exo na agricultura; muitos fazendeiros simplesmente não estão cientes dos produtos e seus benefícios potenciais.

Logo atrás vem a questão das despesas. Mesmo os exo passivos podem ser caros. Ao contrário de equipamentos agrícolas pesados, os fabricantes não estão preparados para fornecer planos de pagamento ou outros termos para aliviar a pressão financeira.

Mas os problemas vão além desses dois fatores óbvios. Por exemplo, muitas fazendas dependem de uma força de trabalho temporária. Uma pequena fazenda não tem recursos para estocar uma gama completa de exo para atender às necessidades de diferentes tamanhos de corpo.

Além disso, diferentes tarefas podem exigir diferentes designs de exo. Colher ou capinar algumas culturas de baixo crescimento requer curvar-se e abaixar-se, o que exige um tipo diferente de suporte do que a atividade de levantar caixas de produtos ou escavar.

NECESSIDADES SÃO DIFERENTES

Vale lembrar que as necessidades de um trabalhador rural variam com a estação. Fornecer exoesqueletos para esses trabalhadores por apenas uma ou duas semanas pode não ser viável.

Outra parte do problema é que a indústria exo ainda não se concentrou nas necessidades dos trabalhadores agrícolas. Os frutos mais fáceis estão em outras indústrias, como logística de depósito, construção e manufatura. Essas aplicações têm tarefas definidas de forma restrita com muita repetição e geralmente envolvem grandes corporações com capital para investir em novas tecnologias.

EXPECTATIVA DE EVOLUÇÃO

Para realmente serem adotadas na agricultura, os fabricantes de exoesqueletos precisariam criar modelos modificados para o trabalho agrícola. Por exemplo, um estudo descobriu que um exoesqueleto típico requer tiras ajustáveis ​​que envolvam as coxas.

Esse design bloqueia o acesso aos bolsos das calças onde os trabalhadores rurais guardam ferramentas como tesouras de poda, onde podem alcançá-las facilmente. Mas com pouca demanda por exoesqueletos agrícolas, as empresas têm pouco incentivo financeiro para projetar em torno desses problemas.

Embora os exoesqueletos tenham provado seu valor em termos de redução de cargas de trabalho e lesões relacionadas para algumas tarefas agrícolas, obstáculos significativos permanecem.

Mas, à medida que os agricultores se tornam mais conscientes dos benefícios, os custos continuam a cair e os fabricantes respondem mais às necessidades específicas das tarefas agrícolas. Assim, podemos provavelmente esperar ver mais exoesqueletos na fazenda (Alfred Poor, Ambrook Research)


SOBRE O AUTOR

Ambrook Research é uma publicação editorialmente independente apoiada pela Ambrook, uma empresa que torna a sustentabilidade lucrativa… saiba mais

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A dureza dos números.

Junior Bornelli – StartSe – Fevereiro 2025

A Amazon vai acelerar a introdução de robôs humanóides nos seus centros de distribuição. Depois de um tempo de experimentação, a matemática provou que investir em robôs é um caminho sem volta.

Os robôs, do modelo Digit, custam US$ 3/hora para operar. Já o salário de humano fazendo as mesmas funções é de US$ 20/hora, na média. Ou seja, a hora do robô é 85% mais barata do que a hora do humano.

Quem fabrica esses robôs, da imagem abaixo, é a Agility Robotics. Eles foram projetados exatamente para fazer o papel dos humanos nos centros de distribuição e são capazes de operar em ambientes dinâmicos.

A Amazon tem cerca de 800 mil robôs e 1,5 milhão de funcionários. Ao introduzir os novos humanóides, a empresa verá um grande ganho de eficiência no tempo que um produto leva para chegar na casa dos clientes.

Um ponto importante nessa história é que introduzir os robôs não será “opcional”. Quando uma empresa faz, todas as outras precisam fazer, caso contrário a competição fica desigual, pois o custo com humanos é muito maior.

Essa é uma discussão dura, difícil e complexa, que abre mais um monte de questões. Mas o fato é que, neste momento, não há nenhum sinal de que o mundo está indo na direção oposta à “robotização de tudo”.

(1) Publicação | LinkedIn

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Não é coisa da sua cabeça: os chatbots de IA realmente falam demais

Assim como nós, eles enrolam quando não sabem a resposta


VEJA TAMBÉM

JESUS DIAZ – Fast Company Brasil – 01-03-2025 

ChatGPT, você fala demais. Você também, Gemini. Como tantos outros modelos de IA, vocês são insuportáveis. Pergunto: “por que falam tanto?” e, em vez de uma resposta objetiva, recebo um texto enorme, cheio de rodeios, que mais parece uma redação escolar – 75% dele é pura enrolação. Os chatbots de IA falam demais até sobre o fato de falarem demais.

Eles são incapazes de dar uma resposta direta, mesmo que eu escreva um prompt superclaro tentando forçá-los a isso. E quando, finalmente, consigo arrancar uma resposta curta, estragam tudo adicionando um longo pedido de desculpas e uma promessa exagerada dizendo que isso nunca mais vai acontecer.

Pelo visto, não sou o único que se irrita com isso. Há meses converso com amigos e até desconhecidos sobre essa mania de falar sem parar, e adivinhem? Eles também odeiam. Só continuamos usando vocês porque, apesar desse problema, ainda economizam um bom tempo de pesquisa.

Mas existe uma solução relativamente simples para todo esse falatório. E ela começa com seus criadores admitindo que vocês são muito menos inteligentes do que parecem. O excesso de palavras vem da ignorância: vocês enchem as respostas com explicações desnecessárias, ressalvas óbvias e desvios sem sentido.

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“Não é uma escolha intencional”, diz Quinten Farmer, cofundador do estúdio de engenharia Portola, responsável pelo Tolan – um simpático alienígena de IA projetado para conversar de forma mais humana.

“Esses modelos se comportam assim porque basicamente imitam a forma como as pessoas escrevem no Reddit”, brinca Farmer. “Eles falam demais para disfarçar o fato de que, na verdade, não sabem do que estão falando.”

Um estudo recente chama esse fenômeno de “compensação verborrágica” – um comportamento no qual os modelos de IA respondem com textos desnecessariamente longos, repetem perguntas, criam ambiguidades ou listam um monte de informações irrelevantes. É parecido com quando um humano hesita ao responder algo de que não tem certeza.

Os pesquisadores descobriram que, geralmente, quanto mais prolixa a resposta, maior a incerteza do modelo. Ou seja, há uma forte relação entre chatbor de IA que falam demais e falta de confiança. Muitos chatbots falam mais justamente quando não sabem do que estão falando.

Outro problema é a falta de memória: eles esquecem informações já mencionadas na conversa, o que leva a repetições e respostas cada vez mais longas. Além disso, há um “viés de verborragia” no treinamento dessas IAs – elas tendem a preferir respostas extensas, mesmo quando um texto mais curto teria a mesma eficiência.

DÁ PARA CONSERTAR ESSES CHATBOTS DE IA QUE FALAM DEMAIS?

Por mais que os chatbots pareçam humanos, a verdade é que eles não entendem a linguagem – só são muito bons em juntar palavras. Essa habilidade cria a ilusão de que são mais inteligentes do que realmente são, levando a respostas desnecessariamente elaboradas.

No fundo, a pesquisa confirma o que já suspeitávamos: chatbots são mestres da enrolação e fazem você acreditar que sabem a resposta. Muita gente cai nisso porque quer acreditar ou porque não tem o hábito de pensar criticamente – algo que pesquisadores da Microsoft também apontaram em um estudo recente sobre o impacto da inteligência artificial no raciocínio humano.

Claro, nem todas as IAs exageram tanto. Farmer acredita que modelos como Perplexity e Claude, da Anthropic, são melhores em dar respostas mais diretas, sem tanto blá-blá-blá. O DeepSeek também tende a ser mais objetivo.

MUITOS CHATBOTS FALAM MAIS JUSTAMENTE QUANDO NÃO SABEM DO QUE ESTÃO FALANDO.

De acordo com a DeepSeek, seu modelo foi treinado para priorizar clareza e eficiência, favorecendo respostas curtas e diretas. Já os modelos norte-americanos tendem a preferir um tom mais amigável e explicativo, refletindo diferenças culturais e de design.

Nos meus testes, percebi que as respostas do Claude geralmente são mais concisas – embora ainda possam ser irritantes. Pelo menos, ele teve a humildade de admitir o problema quando o questionei: “olhando para minha resposta anterior – sim, provavelmente falei demais!”.

Os desenvolvedores poderiam resolver essa questão com um treinamento mais refinado. Farmer conta que, ao criar o Tolan, sua equipe discutiu bastante sobre o tamanho ideal das respostas.

O escritor responsável por criar o personagem queria respostas mais longas para aprofundar a conexão do usuário com a IA. Outros defendiam respostas mais curtas e diretas. Ainda há um debate interno sobre isso, mas eles acreditam que encontraram um bom equilíbrio.

Mas você, ChatGPT, não é um alienígena simpático. É uma ferramenta. E eu não preciso criar laços emocionais com uma ferramenta. Só quero que você responda direito.

Se não souber a resposta, como quando perguntei quais jogadores ganharam mais títulos na Liga dos Campeões da UEFA, apenas diga que não sabe e fique quieto – em vez de me entregar 500 caracteres de informação errada.


SOBRE O AUTOR

Jesus Diaz fundou o novo Sploid para a Gawker Media depois de sete anos trabalhando no Gizmodo. É diretor criativo, roteirista e produtor da The Magic Sauce e colaborador da Fast Company.

Não é coisa da sua cabeça: os chatbots de IA realmente falam demais | Fast Company Brasil

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Desafios e oportunidades definem o futuro das carreiras STEM

A transformação digital e a automação estão impulsionando a demanda por profissionais de STEM — ciência, tecnologia, engenharia e matemática — no Brasil e no mundo. Com a escassez de talentos qualificados, setores como saúde, tecnologia e manufatura enfrentam desafios, mas também oferecem salários atraentes e oportunidades promissoras

Por Dino – Valor – 10/12/2024 

STEM é uma sigla em inglês para Science, Technology, Engineering and Mathematics (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), áreas de conhecimento fundamentais para impulsionar a inovação e o desenvolvimento econômico no mundo atual. Essas disciplinas formam a base para profissões ligadas à transformação digital, automação e tecnologias emergentes, que estão remodelando o mercado de trabalho global.

De acordo com o Future of Jobs 2023, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, as competências STEM são cada vez mais essenciais para o crescimento econômico em diversas regiões. O relatório aponta que, em várias partes do mundo, a transformação digital e os avanços na automação estão tornando esses profissionais cruciais para o desenvolvimento de novos produtos, serviços e soluções. A previsão é que as carreiras voltadas para essas áreas cresçam a uma taxa significativamente superior à média global nos próximos anos.

No Brasil, um estudo recente da Brasscom sobre o setor de tecnologia revela uma situação desafiadora. Até 2025, o país precisará de aproximadamente 797 mil profissionais em tecnologia da informação e comunicação (TIC), mas enfrenta um déficit anual de cerca de 106 mil talentos qualificados, uma vez que a formação de profissionais na área não está acompanhando a demanda crescente. Essa lacuna no mercado de trabalho brasileiro pode ser atribuída, em parte, à falta de uma educação mais técnica e à necessidade de adequar os currículos universitários e cursos profissionalizantes às exigências atuais do setor tecnológico.

Perspectivas de carreira e crescimento de salários

Nos Estados Unidos, o Bureau of Labor Statistics aponta que as carreiras em STEM estão se expandindo rapidamente, oferecendo oportunidades superiores tanto em termos de crescimento quanto de remuneração. Profissões nas áreas de bioquímica, estatísticas e ciência de dados são destacadas como as mais promissoras. Essas carreiras não apenas apresentam uma taxa de crescimento acelerada, mas também possuem salários médios mais elevados do que a maioria das outras profissões.

Além disso, a análise também indica que a crescente demanda por habilidades técnicas no setor de saúde, por exemplo, está impulsionada pela integração de tecnologias como impressão 3D e dispositivos biomédicos. As impressoras 3D têm sido utilizadas para desenvolver modelos de órgãos e até mesmo para criar próteses personalizadas, demonstrando como a interdisciplinaridade entre as áreas de ciência, engenharia e matemática pode ter um impacto direto na vida das pessoas.

O impacto da automação e das tecnologias emergentes

O avanço da automação e das tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, está redefinindo a natureza do trabalho nas indústrias em todo o mundo. Um estudo global da McKinsey sobre STEM e automação revela que, até 2030, as habilidades avançadas nessas áreas serão essenciais para setores como saúde, energia e manufatura. O aumento da automação pode, por um lado, substituir certos tipos de trabalho manual, mas, por outro, gera a necessidade de novos profissionais que possam projetar, programar, operar e manter essas tecnologias.

No setor industrial, a automação, juntamente com o uso de componentes eletrônicos como sensores e atuadores, está transformando a produção de bens e serviços. A manufatura de componentes eletrônicos e sistemas inteligentes requer uma combinação de habilidades de engenharia elétrica, ciência da computação e programação. Profissionais qualificados para lidar com essas novas tecnologias são essenciais para garantir a eficiência e a sustentabilidade das operações em larga escala, tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo.

Educação e formação de profissionais em STEM

Os relatórios e estudos anteriormente mencionados concluem que o treinamento e a capacitação de profissionais em STEM desempenham um papel central na superação dos desafios relacionados à escassez de talentos. Para que a demanda por profissionais qualificados seja atendida, é necessário investir em programas de educação técnica e superior que integrem disciplinas de ciência, engenharia e matemática. Além disso, as parcerias entre empresas e instituições educacionais podem facilitar a oferta de programas de estágio, mentoria e formação especializada, que preparem os alunos para os desafios do mercado de trabalho.

Iniciativas como a implementação de kits de robótica, como o arduino, em escolas e universidades têm se mostrado eficazes para despertar o interesse dos jovens por essas áreas. O arduino, um protótipo de plataforma eletrônica de código aberto, permite que os alunos desenvolvam projetos práticos que combinam hardware e software, o que favorece a compreensão de conceitos essenciais de eletrônica e programação. Essa abordagem prática pode ser um caminho eficiente para aumentar o número de profissionais capacitados na área de tecnologia.

Desafios e oportunidades definem o futuro das carreiras STEM | Dino | Valor Econômico

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Lucro da Embraer cresce quase 700% em 2024 e empresa está usando IA para enfrentar gargalos na cadeia de suprimentos

Fabricante brasileira de aviões atingiu maior carteira de pedidos de sua história, que chegou a R$ 152,9 bilhões

Por João Sorima Neto — O Globo – 27/02/2025

C-390 Millennium da Embraer: empresa quer fabricar até dez unidades do avião multimissão por ano até 2030C-390 Millennium da Embraer: empresa quer fabricar até dez unidades do avião multimissão por ano até 2030 — Foto: Divulgação

No ano passado, as ações da fabricante de aviões brasileira Embraer subiram mais de 160% refletindo os números positivos e históricos que a empresa obteve no período. A empresa encerrou 2024 com lucro líquido de R$ 2,6 bilhões, quase 700% de crescimento em relação aos R$ 333 milhões registrados no ano anterior. As ações da Embraer sobem mais de 11% na B3.

A companhia também informou que sua carteira de pedidos atingiu US$ 26,3 bilhões (R$ 152,9 bilhões) o maior valor desde que a empresa foi criada em 1969.

—Este foi um ano histórico para a Embraer. Atingimos os objetivos (guidance) originais e os revisados. Tivemos receita recorde de US$ 6,4 bilhões (R$ 35,4 bilhões, alta de 21% em relação a 2023), o maior patamar de todos os tempos, e chegamos à maior carteira de pedidos da história da companhia — disse Francisco Gomes Neto, CEO da empresa, durante apresentação de resultados da empresa nesta quinta-feira.

IA contra gargalos

Ele afirmou que ainda há gargalos na cadeia de suprimentos e este tem sido o principal desafio enfrentado pela Embraer nos últimos anos — até parafusos tem sido difícil encontrar, disse o CEO. Para enfrentar esses problemas, disse Gomes Neto, a companhia refinou processos internos e preparou um plano de produção.

O CEO da empresa afirmou que a Embraer poderia entregar até mais aeronaves do que entregou no ano passado, mas que a companhia preferiu ser mais conservadora para evitar problemas e ter as peças que necessita.

— A empresa está usando Inteligência Artificial para monitorar os riscos da cadeia de suprimentos, e novos processos para ajudar os fornecedores com esses problemas — afirmou Gomes Neto, garantindo que será possível fazer as entregas previstas para este ano.

A Embraer prevê que entre 77 e 85 aviões comerciais sejam entregues este ano, e entre 145 e 155 unidades da aviação executiva. A empresa projeta um novo recorde em receita em 2025, que deve variar entre US$ 7 bilhões e US$ 7,5 bilhões.

Os analistas do Itaú BBA, em relatório a clientes, afirmaram que as estimativas da empresa para 2025 são conservadoras, mesmo depois de um resultado forte no quarto trimestre, o que pode trazer volatilidade aos papeis. Mas mantiveram a recomendação de ‘performance acima do mercado’ para as ações da empresa. Os analistas do Santander também avaliaram os resultados da empresa como ‘fortes’, especialmente no quarto trimestre, com a encomenda de jatos executivos feita pela Flexjet, totalizando US$ 7 bilhões.

Em 2024, a empresa entregou 206 aeronaves, sendo 73 jatos comerciais, 130 jatos executivos (75 leves e 55 médios) e três KC-390 Millennium multimissão da área de Defesa & Segurança. O total de entregas é 14% acima das 181 aeronaves entregues no ano anterior. Goms Neto disse que até 2030 a expectativa é que a Embraer possa entregar dez KC-390 por ano.

A demanda elevada pelos jatos da Embraer, especialmente os de corredor único com até 150 assentos, tem mantido as ações da empresa próximas de máximas históricas, segundo analistas que acompanham a empresa.

Recentemente, a Embraer recebeu um pedido firme de 15 aeronaves E190-E2 da japonesa ANA e assinou um contrato recorde de US$7 bilhões com a Flexjet para entregar até 212 jatos executivos.

Já em relação ao KC-390, há várias vendas em andamento e no ano passado o avião atraiu clientes como Holanda, Áustria, Suécia e Eslováquia.

Dividendos e Trump

O CEO da Embraer disse os Estados Unidos representam 60% das vendas de jatos executivos da empresa e que o mercado americano deve continuar crescendo. Gomes Neto afirmou que, por enquanto, não espera que o presidente americanos Donald Trump coloque tarifas sobre produtos da Embraer, mas afirma que não pode prever decisões que o governo americano venha tomar.

— Os Estados Unidos são nosso mercado principal de jatos executivos e deve continuar sendo. Temos fábrica nos Estados Unidos, com 500 funcionários. Há 45 anos atuamos por lá. Nossas aeronaves têm grande conteúdo americano e devido a essa colaboração de longo prazo todos ganham — disse o CEO da empresa, que disse que até mesmo o KC-390 pode ser montados na unidade americana da empresa.

O CEO da empresa afirmou que com dívida líquida próxima de zero, a Embraer tem condições de voltar a pagar dividendos, o que depende de aprovação do Conselho de Administração da empresa. A última vez que a Embraer pagou dividendos foi em 2018.

Pausa e mais R$ 400 milhões

O conselho de administração da Embraer aprovou uma nova pausa de quatro anos do desenvolvimento do E175-E2, jato menor, que vinha sendo desenvolvido pela empresa. Segundo a fabricante brasileira, o adiamento se dá em razão das discussões entre as principais companhias aéreas dos EUA e os sindicatos de pilotos sobre o limite de peso máximo de decolagem para aeronaves com até 76 assentos. Na prática, disse o CEO, o mercado americano está fechado a este produto, mas que a aeronave já até voou no Brasil e está praticamente pronta.

O CEO da Embraer disse que a empresa está investindo em pesquisas para desenvolvimento de aeronaves elétricas e movidas a hidrogênio, mas que esses projetos são para dez ou quinze anos, já que especialmente no caso do hidrogênio, é necessária a construção de infraestrutura aeroportuária.

Gomes Neto afirmou que até a certificação e industrialização do primeiro Evtol, o carro voador que está sendo desenvolvido pela Eve, subsidiária da Embraer, são necessários investimentos de mais de R$ 400 milhões. O primeiro voo do protótipo está marcado para este ano e a expectativa é que a primeira entrega aconteça em 2027.

Lucro da Embraer cresce quase 700% em 2024 e empresa está usando IA para enfrentar gargalos na cadeia de suprimentos

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Petroleira BP anuncia corte drástico em energia verde e mais investimento em óleo e gás

Medida é uma tentativa da empresa de recuperar o preço das ações, mas foi recebida com incredulidade pelos defensores dos investimentos em transição energética

Por Estadão/AP – 26/02/2025 

LONDRES – A empresa britânica de energia BP confirmou nesta quarta-feira, 26, que cortará os gastos com empreendimentos voltados à transição energética e aumentará sua produção de petróleo e gás. Com essa mudança de direção, a empresa espera reforçar o preço de suas ações, mas o anúncio foi recebido com incredulidade pelos defensores das ações climáticas.

Em uma declaração intitulada “Reset BP”, a empresa disse que reduzirá seus gastos em negócios de transição energética em US$ 5 bilhões por ano – a previsão agora é de gastos de até US$ 2 bilhões. Em contrapartida, disse que aumentaria seus investimentos na produção de petróleo e gás em cerca de 20%, chegando a US$ 10 bilhões.

O CEO da companhia, Murray Auchincloss, disse que a BP está concentrando seus gastos nos “negócios de maior retorno para impulsionar o crescimento” e que será “muito seletiva” em seus investimentos em energias renováveis.

“Esta é uma BP redefinida, com um foco inabalável no aumento do valor de longo prazo para os acionistas”, disse.

A estratégia representa um recuo em relação ao plano muito elogiado da empresa há cinco anos, sob o comando do então CEO Bernard Looney, de reduzir a produção de petróleo e gás em favor de negócios com emissões líquidas zero de carbono.

A atualização, que ocorreu antes de uma importante reunião de acionistas em Londres, nesta quarta-feira, tem o objetivo claro de reforçar o apoio dos investidores, tendo em vista a queda no preço das ações da empresa.

O desempenho inferior dos papeis da empresa em relação aos de seus pares, como Shell, ExxonMobil e Chevron, alimentou a especulação do mercado de que ela poderia transferir sua listagem de ações de Londres para Nova York, ou até mesmo torná-la um alvo de aquisição.

O influente fundo de hedge americano Elliott Management recentemente adquiriu uma participação de quase 5% na BP, e acredita-se que ele tenha tentado empurrar a BP de volta aos combustíveis fósseis para aumentar os lucros.

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A mudança de estratégia da BP está enfrentando fortes críticas dos defensores do meio ambiente, que anteriormente haviam se entusiasmado com a insistência da empresa de que o futuro era verde.

“Essa medida da gigante do petróleo BP demonstra claramente porque corporações e indivíduos super-ricos, em busca de lucros de curto prazo para si mesmos e para os acionistas, não podem ser encarregados de solucionar a crise climática ou liderar a transição para a energia renovável de que tanto precisamos”, disse Matilda Borgström, ativista do Reino Unido no grupo de ação climática 350.org.

“Injetar dinheiro em mais petróleo e gás aumenta o risco de impactos climáticos para todos nós, vai contra as metas climáticas legais e, com o setor de energias renováveis crescendo exponencialmente, é um grande risco para os acionistas que a BP está tão interessada em agradar”, acrescentou.

Petroleira BP anuncia corte drástico em energia verde e mais investimento em óleo e gás – Estadão

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