QUEM É O PROFISSIONAL DOS SONHOS PARA AS EMPRESAS

Se de um lado as empresas criam uma narrativa dos sonhos para atrair os melhores talentos, do outro o que elas querem em troca dos funcionários e o que vão buscar no mercado 

Marina Dayrell  Estadão 17 de outubro de 2020 

“As empresas estão saindo do lugar do ‘eu estou aqui parado esperando os candidatos virem até mim’. Elas estão sendo proativas, cada vez mais procurando intencionalmente pelos perfis diversos. Um olhar menos massivo e mais assertivo, que se assemelha a busca por executivos, mas que ocorre mesmo para talentos iniciais. Os candidatos se sentem muito mais valorizados”, conta Amanda Aragão, líder da área de recrutamento e seleção da Mais Diversidade (consultoria de diversidade e inclusão para empresas).

A especialista explica que as empresas têm priorizado, principalmente em relação ao público jovem, as soft skills, ou competências comportamentais, em detrimento da experiência. “Não buscam mais o super homem ou mulher maravilha, mas querem entender a maneira como você se coloca: se não sabe responder a uma pergunta, como você vai atrás da resposta? Como você se posiciona no time”, diz.

Para ela, há uma tendência das empresas substituírem os testes técnicos nas etapas iniciais por testes situacionais para entender se o candidato se encaixa na cultura da empresa. A considerar as empresas listadas no capítulo anterior deste especial, a afirmação faz sentido. A maior parte delas, quando questionadas sobre o que buscam em um candidato, afirma que o mais importante é o fit cultural com a empresa – a consonância dos valores do candidato com os valores da marca.

“Cada vez menos técnico e mais comportamental. Estamos chegando à conclusão óbvia de que o técnico eu ensino, mas eu não mudo os valores das pessoas de uma hora para outra. Então, eu contrato pelos motivos certos e vou treinando quando necessário”, explica Amanda, sobre a jornada que a carreira pode ter dentro da empresa, com aprendizado contínuo.

MATCH CULTURAL

Desde que tinha apenas 80 funcionários, em 2014, a Stone – fintech de serviços financeiros e de pagamentos – já mostrava se preocupar com o match de cultura entre funcionários e empresa. Hoje com mais de 5.000 colaboradores e com sedes em São Paulo e no Rio de Janeiro, a empresa privilegia o fit cultural em suas contratações, principalmente no seu principal programa de recrutamento, o Recruta Stone.

“Focamos no fit porque a nossa premissa é: se uma pessoa com inteligência é motivada e íntegra, ela aprende o que for necessário. Você não contrata pelo técnico, contrata pelo jeito e ajuda a formar o técnico dentro de casa. Tem muitos estudos que mostram que a maioria das empresas contratam pelo job fit (técnico), mas demitem pelo cultural fit (comportamental)”, explica Livia Kuga, responsável pela área de talentos da empresa.

Para o Recruta Stone, por exemplo, não há muitos requisitos. Podem se inscrever profissionais de todas as graduações e de todas as idades (acima de 18 anos). O processo semestral também não seleciona para um fim específico, como trainee ou estágio. A premissa é contratar quem tenha cultura e jeito compatíveis com a empresa.

Neste caso, os valores são: responsabilidade, trabalho em equipe, franqueza, capacidade de ver as coisas boas no trabalho e fazer tudo pelo cliente. “Em relação às características individuais, queremos inteligência, energia e integridade. Como essa pessoa lidou com obstáculos, se honrou com compromissos, como lida com fracassos e com angústia? Estamos 100% olhando o jeito com que as pessoas tomam decisões. Cultura é comportamento”, explica Lívia.

Em fevereiro deste ano, a empresa contratou o estudante de Engenharia de Produção Victor Souza, de 22 anos, para uma vaga de backoffice pelo Recruta Stone. Em seu primeiro emprego – antes ele trabalhava em uma empresa júnior -, ele conta que durante o processo seletivo, que durou três meses, foi possível perceber que os testes giravam em torno do fit cultural.

“Cada etapa é uma versão reduzida de situações que você pode vir a enfrentar dentro da empresa. É, de fato, um processo que vai te preparando para situações reais do dia a dia da empresa. O fit cultural nada mais é do que ver se o seu jeito combina com o jeito da empresa de fazer as coisas. É difícil se manter em um lugar onde a gente não combina e onde as coisas são feitas de uma maneira diferente daquelas em que acreditamos. Quanto antes descobrirmos, enquanto candidato, se existe esse ‘match’, melhor será”, acredita.

TESTE DURANTE A SELEÇÃO

Mas como empresas conseguem entender se a cultura do candidato e da empresa são a mesma? No caso da Stone, o processo começa com a realização de um teste que mede preferências, criado pela Mindsight, startup de tecnologia focada na gestão de pessoas.

“No teste, a pessoa é obrigada a priorizar, escolher e ranquear. Com isso, mapeamos a pessoa para entender o que ela valoriza no ambiente de trabalho. São 33 atributos, como foco em metas, estabilidade, ser socialmente responsável, remuneração variável e ser recompensado pela entrega”, destaca o CEO da Mindsight, Thaylan Toth.

Para entender qual é a cultura da empresa é feito um mapeamento do perfil cultural dos funcionários que são referências de cultura empresarial. A empresa aponta entre 30 e 60 embaixadores de cultura para responder a um teste. A partir da resposta deles, a Mindsight analisa os pontos valorizados acima e abaixo da média e cria um algoritmo para usar com os futuros candidatos.

“Quando as empresas nos procuram geralmente é porque as pessoas que elas estão contratando não estão performando como elas queriam ou estão pedindo demissão muito rápido e elas desconfiam que podem ter errado lá no começo da seleção”, diz Toth.

O CEO conta que um de seus clientes, o Grupo Marista, registrou que os seus funcionários que têm pontuação alta de fit cultural ficam 37% mais tempo na empresa.

Mas há pontos de atenção que devem ser observados em relação ao fit cultural: faz parte da empresa ser um lugar saudável para se trabalhar? O requisito cultural é a diversidade e a inclusão?

“Quando as empresas privilegiam o fit cultural, a gente precisa entender que fit cultural é esse. Vai depender do que é a cultura dessa empresa. Se a cultura pressupõe trabalhar 12 horas por dia e ser igual a todo mundo que está ali, não faz sentido. Assim, você não promove a diversidade. O fit cultural precisa estar na lógica da diversidade e da inclusão, senão nada muda”, destaca Cris Kerr, consultora e CEO da CKZ Diversidade.

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A revolução silenciosa das encomendas tecnológicas

Podemos estar vivendo uma revolução silenciosa que poderá nos prover as grandes transformações tecnológicas dos próximos anos, como no passado ocorreu com a criação da Internet e com as missões que levaram o homem ao espaço.

Por Hudson Mendonça MIT Technology Review 19/09/2020

Quando recebi o convite para ser colunista dessa centenária revista, que já teve colaboradores como Thomas Edison e Tim Berners-Lee, meu primeiro desafio foi pensar em um tema que tenha sido tão importante para o mundo da tecnologia quanto essas personalidades foram.

Não foi difícil chegar às Encomendas Tecnológicas, um tema “pouco badalado”, mas que tem norteado boa parte da política de tecnologia e inovação dos EUA desde a aprovação do Buy American Act em 1933. No Brasil o instrumento começa a ganhar mais relevância apenas a partir 2018, quando foi regulamentado o seu uso no Decreto 9.283/18, tendo sido usado, inclusive, para viabilizar o recente arranjo entre a Universidade de Oxford, a farmacêutica AstraZeneca e a Fiocruz/Biomanguinhos para pesquisa, desenvolvimento e produção de uma das mais promissoras apostas mundiais de vacina contra o COVID-19.

Mas o que são as Encomendas Tecnológicas? Em termos simples, são um processo de compra pública de algo que ainda não existe. Ou seja, é um instrumento que permite ao Estado usar seu poder de compra para fomentar e desenvolver soluções inovadoras, que demandem pesquisa e desenvolvimento e que envolvam riscos tecnológicos, mas que tenham uma grande possibilidade de ganhos econômicos, sociais e estratégicos para a nação ou região.

Para se ter uma ideia do que estamos falando, as Nações Unidas estimam que cerca de 15% do PIB Mundial são referentes a compras públicas, cerca de US$ 10 trilhões de dólares. Entre os países da OCDE, 29% dos gastos governamentais são referentes a compras públicas. No Brasil o volume de compras governamentais em 2018 foi de R$ 483 bilhões, cerca de 7% do PIB naquele ano. Obviamente esses valores contemplam todos os tipos de compras e as encomendas tecnológicas são (e serão) apenas uma pequena parte desse montante. Mas eles ilustram bem o potencial do instrumento em uma época em que os governos são cada vez mais demandados a inovar para prestar bons serviços aos seus cidadãos e ganhar competitividade em um mercado globalizado.

Se os valores impressionam, os casos de tecnologias e inovações viabilizadas pelo instrumento não ficam para trás. A própria Internet foi uma delas. No final da década de 1960 a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos EUA (DARPA), fez a encomenda de uma rede de comunicações que pudesse resistir a eventuais ataques nucleares. Nascia assim a ARPANET, responsável pela implementação dos protocolos TCP/IP, precursores da internet como conhecemos hoje. A capacidade de computação distribuída e recálculo frequente das tabelas de roteamento permitiu que a ARPANET pudesse sobreviver a interrupções significativas melhor do que a maior parte das redes de comunicações existentes no período.

Outro caso emblemático foi o projeto Apollo, que tinha como principal objetivo enviar o homem para a Lua e voltar em segurança. Em valores atualizados foi uma imensa compra de US$ 163 bilhões liderada pela NASA, que fez parte do núcleo da estratégia de soberania americana na corrida espacial disputada entre EUA e União Soviética, um dos temas mais intensamente debatidos mundialmente durante a Guerra Fria.

Mas nem só de “rocket science” e grandes números vive o mundo das encomendas tecnológicas. Em março desse ano, por exemplo, a pequena cidade de Helsingborg na Suécia (com pouco mais de 100 mil habitantes) lançou seu processo no valor de €690.000 (cerca de R$ 4,2 milhões) com o objetivo de comprar alimentos mais nutritivos e sustentáveis para escolas, asilos e enfermarias. Preocupados com o bem estar de sua população, a prefeitura acreditou que poderia encontrar e ajudar a desenvolver soluções inovadoras que atendessem melhor às suas prioridades locais.

Esses casos tão dispares mostram a enorme flexibilidade e o potencial de impacto do instrumento. A racionalidade por trás deles é relativamente simples. Dentre todos os riscos inerentes aos projetos de inovação, dois costumam se sobressair: os riscos tecnológicos e os mercadológicos.

O risco tecnológico é o risco de não se conseguir atingir tecnicamente uma inovação almejada. Seria o risco de não conseguir enviar o homem à Lua com sucesso ou não conseguir encontrar uma vacina funcional contra a COVID-19. Já o risco mercadológico é, uma vez superado o desafio técnico, não haver mercado/demanda suficiente para o produto ou serviço desenvolvido e todos os recursos investidos em P&D se tornarem prejuízos. É o caso do Apple Newton por exemplo que, em 1993, pretendia ser um antecessor dos smartphones, mas por diversas razões teve uma demanda muito baixa e foi rapidamente descontinuado. Mesmo com as inúmeras ferramentas gerencias atuais, as empresas tendem a possuir mais acurácia em prever (não necessariamente mitigar) os riscos tecnológicos do que os risco mercadológicos. Riscos tecnológicos em geral são mais associados às capacidades internas da empresa e de parceiros em superarem desafios técnicos. Já os riscos mercadológicos em geral envolvem muitos fatores exógenos como mudanças na regulação, variação de preço dos fornecedores, preferências dos consumidores etc.

É exatamente nesse ponto que as encomendas tecnológicas se mostram muito eficientes para viabilizar a transformação de invenções em inovações, principalmente as mais ousadas e arriscadas. Com a garantia de compra do Estado em caso de sucesso no atingimento dos requisitos da encomenda, a empresa (ou consórcio de instituições) consegue fazer uma análise focada nas suas competências internas e assim se lançar com 100% de dedicação sobre questão técnica demandada. Combinado com outros instrumentos como subvenções e financiamentos para compartilhamento dos riscos tecnológicos, o instrumento é capaz de ajudar a alcançar praticamente todo espectro da competência humana em solucionar problemas complexos.

Essa lógica é facilmente percebida quando observamos que até 1962, 100% dos circuitos integrados (microchips) vendidos nos EUA foram adquiridos via compras governamentais. Presentes em todos os eletrônicos modernos, de celulares a computadores, passando por aviões e automóveis, as aplicações e o acesso a essa tecnologia eram muito limitados e caros no final dos anos 1950 e início dos anos 1960. Os maciços investimentos governamentais via encomendas tecnológicas foram fundamentais para sustentar o aperfeiçoamento da tecnologia até ela atingir uma escala que a viabilizasse do ponto de vista comercial privado.

Certamente esse “novo mundo” das encomendas tecnológicas, descortinado há dois anos pelo decreto 9.283/18, abre uma enorme gama de possibilidades para o Brasil avançar posições significativas nos rankings globais de inovação nos próximos anos. Casos como o do desenvolvimento e a aquisição de protótipos de sistema de navegação inercial da Agência Espacial Brasileira, do desenvolvimento de sistema processual integrado entre o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o Conselho Nacional de Justiça utilizando Inteligência Artificial, e do próprio arranjo da vacina contra a COVID-19 citado anteriormente já são exemplos concretos do uso da nova legislação, que passa a despertar o interesse de outros órgãos federais, estaduais e municipais que buscam por soluções inovadoras para problemas aparentemente insolúveis com as tecnologias atualmente disponíveis. Ainda é ousado falar, mas podemos já estar vivendo uma revolução silenciosa capaz de semear as “novas internets” e “viagens do homem à Lua” no Brasil. O futuro nos dirá. E mais… Podemos encomendá-lo!

Autor

Hudson Mendonça

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Home office faz profissional querer mudar de cidade

Pesquisa com 1 mil brasileiros mostra que 28% consideram sair dos grandes centros para ter maior qualidade de vida incentivados pelo trabalho remoto parcial ou definitivo

Por Stela Campos Valor Econômico 29/10/2020 

A opção de trabalhar longe do escritório, total ou parcialmente, na pandemia tem feito profissionais repensarem o lugar onde moram. Trocar de cidade e deixar os grandes centros aparece como alternativa para quem busca mais qualidade de vida.

Pesquisa realizada com 1.000 profissionais, entre 26 de setembro e 06 de outubro, pela Ticket, mostra que 28% consideram fazer essa transição levando em conta a menor necessidade de deslocamento à estrutura física da empresa. No levantamento, 7% afirmaram já ter usado casas de veraneio distantes dos grandes centros como home office.

Dos entrevistados, 36% disseram que suas empresas já sinalizaram a adoção permanente do trabalho remoto, 33% devem trabalhar em um modelo híbrido, alternando expedientes no escritório e em casa, e 31% devem voltar presencialmente. Quase metade dos profissionais (44%) afirmaram que preferiam continuar no home office. Entre os participantes, 70% têm entre 25 e 44 anos, 55% são do setor de serviços e 64% da região Sudeste.

Entre os que se adaptaram bem ao trabalho remoto, está Renato Fonseca, 41, gerente de MKT da Ticket. Ele está no grupo que prefere morar em outro local, mesmo com a volta parcial ao trabalho presencial. Na pandemia, ele alugou seu apartamento em São Paulo e mudou definitivamente com a mulher e os filhos, de 3 e 10 anos, para seu apartamento de veraneio no litoral, em Mongaguá (SP).

A família se instalou depois de uma pequena reforma de adaptação para o trabalho. “A conexão de internet é melhor, consegui encontrar escola boa para meus filhos, a qualidade do ar é boa, foi ótimo”, diz. Agora, ele vai levar quarenta minutos a mais para chegar ao escritório em São Paulo, alguns dias por semana, mas o custo benefício, segundo ele, valeu a pena.

Aos poucos, os profissionais estão encontrando novas formas de trabalhar a distância. A pesquisa mostra que 39% contam com um cômodo exclusivo para isso e 57% dispõem de uma ambiente em casa que não precisam dividir com outras pessoas.

Marcelo Roboredo, CFO da Ticket, resolveu trabalhar de sua chácara no interior, em São Roque, porque estava difícil dividir o espaço de trabalho com os filhos de 21 e 19 anos e a mulher, todos tendo que exercer atividades remotas. “Em 30 dias de isolamento já estávamos estressados”, conta. Foi então que teve a ideia de trabalhar da chácara. Sua agenda ficou assim: às 10hs call embaixo da árvore, às 12hs reunião ao lado da churrasqueira, às 18hs chat da sala de jantar.

Dessa maneira, a família passou a se revezar em novos espaços de trabalho. O esquema, uma semana no interior e outra em São Paulo, não funcionou para um dos filhos, que preferiu continuar em casa. O tempo de deslocamento para o trabalho presencial aumentou em uma hora, mas sua intenção é manter essa rotina mesmo no trabalho híbrido.

O diretor de RH da Ticket, José Amaro, conta que a empresa, com 550 funcionários, propôs a volta voluntária ao trabalho presencial no fim de setembro, mas obteve só 50% de adesão. A partir do dia 16, no entanto, acontecerá a volta escalonada, em modelo híbrido, sem a incluir pessoas de grupos de risco. A empresa reduziu o escritório em São Paulo, mudou o layout e entregou dois andares. Ele acredita que para os mais jovens que ingressaram remotamente vai ser importante o contato presencial. “Acreditamos que algumas decisões mais criativas requerem a presença física, vai ser bom poder voltar ao escritório”, diz.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2020/10/29/home-office-faz-profissional-querer-mudar-de-cidade.ghtml

Em home office, milhões de americanos querem mudar para outra cidade

Cerca de 23 milhões de americanos planejam se mudar para outra cidade em meio à expansão do trabalho remoto por causa da pandemia

Por Alexandre Tanzi, da Bloomberg na Exame 30/10/2020 

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A pandemia de coronavírus causou grande impacto em cidades nos EUA e destacou os riscos de transmissão da Covid em lugares com muitos habitantes (Bloomberg/Bloomberg)

Cerca de 23 milhões de americanos planejam se mudar para outra cidade em meio à expansão do trabalho remoto, de acordo com nova pesquisa da plataforma de trabalho freelance Upwork.

Mais de 11% das famílias pesquisadas disseram que planejam se mudar, o que implica que as taxas de migração nos Estados Unidos serão três a quatro vezes maiores do que o normal, de acordo com a Upwork, que entrevistou 20 mil pessoas para o relatório. É provável que esses americanos se mudem no próximo ano, disse Adam Ozimek, economista-chefe da Upwork.

A pandemia de coronavírus causou grande impacto em cidades nos EUA e destacou os riscos de transmissão da Covid em lugares com muitos habitantes. Com tantos americanos em trabalho remoto, um recente relatório do Federal Reserve Bank de Dallas revelou que há menos demanda por moradias nas cidades densas ou nos arredores.

O mercado imobiliário, um ponto positivo na economia dos EUA, mostra expansão à medida que mais americanos procuram imóveis em cidades menores e mais baratas. Mais de 52% dos americanos querem comprar um imóvel novo que custe 10% menos do que o atual, de acordo com a Upwork, que também deve se beneficiar do aumento do teletrabalho.

O aumento da realocação pode ter consequências econômicas duradouras para as grandes cidades, disse Ozimek.

“Esse é um indicador inicial dos impactos muito maiores que o trabalho remoto pode ter”, disse Ozimek. “Lugares caros costumavam ter o monopólio do acesso a seus valiosos mercados de trabalho e, à medida que o trabalho se torna remoto, já não têm isso.”

trabalho_remoto_estados_unidos_bloomberg O perfil mais comum dos interessados em mudar de cidade nos Estados Unidos é quem mora em grandes cidades – e quer reforçar o distanciamento social no interior

O perfil mais comum dos interessados em mudar de cidade nos Estados Unidos é quem mora em grandes cidades – e quer reforçar o distanciamento social no interior (Reprodução/Bloomberg)

https://exame.com/carreira/em-home-office-milhoes-de-americanos-querem-mudar-para-outra-cidade/

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Venda por lives vira tendência no país e deve liderar comércio no Natal

Rappi inicia venda de produtos por meio de vídeos, modelo de negócio que gira mais de US$ 100 bi na China; diversas varejistas pretendem explorar conceito

Por Felipe Mendes – Revista Veja – Publicado em 30 out 2020 

Há uma revolução silenciosa no comércio eletrônico brasileiro. Em meio à profusão de lives que tomou o lugar das reuniões presenciais no ambiente corporativo durante a pandemia do novo coronavírus, uma nova tendência de consumo desponta no país. Muitos chamam de “live commerce“, alguns de “live shopping“, outros de “shopstreaming“. Embora o termo ainda não esteja claro e dado, o conceito é um só: aproveitar transmissões em vídeo de artistas, influenciadores e formadores de opinião em geral para comercializar os produtos apresentados. Imagine, por exemplo, assistir ao São Paulo Fashion Week e, em meio à transmissão, poder tirar dúvidas e adquirir o vestido da modelo sem abandonar a tela. 

Ainda que inicial no país, esse tipo de modelo de negócio virou lugar-comum na China. Em 2020, o mercado de live commerce deve sair da faixa dos 60 bilhões de dólares alcançados no último ano e movimentar cerca de 170 bilhões de dólares, segundo a consultoria iResearch. No Brasil, o superapp de entregas Rappi iniciou, na última quarta-feira 28, sua atuação por meio desse modelo, o que tende a impulsionar a adoção da nova tecnologia por diversos varejistas. Datas importantes para o comércio varejista nacional, como a Black Friday e o Natal, que já seriam diferentes este ano por conta da pandemia, agora podem ter um caráter ainda mais inédito. 

O pontapé inicial da Rappi nessa jornada foi por meio de uma transmissão realizada em parceria pelo e-commerce de carnes especiais Debetti com a marca de cerveja artesanal Colorado, da Ambev. Na ocasião, um chef preparou receitas de hambúrgueres que harmonizam com a bebida. Em meio à transmissão, os produtos citados eram vendidos pela metade do preço de catálogo. Esse tipo de ação será cada vez mais comum num futuro próximo. 

A ideia é que o espectador possa adquirir os ingredientes durante uma live gastronômica e recebê-los em questão de minutos para que acompanhem o passo a passo, literalmente, com a “mão na massa”. “Estamos implementando uma proposta inovadora, que é ter, de fato, o live shopping no Brasil, da mesma forma como acontece hoje na China”, diz Julia Canalini, head de entretenimento da Rappi. 

Como as transmissões são feitas pelo aplicativo móvel, o cliente não precisa deixar o ambiente para finalizar a compra, já que tem seus cartões de crédito registrados no app. “Algumas marcas falam que estão nesse modelo de negócio, mas o consumidor ainda não consegue fazer a compra sem deixar a live. Mas é claro que isso deve mudar. Ainda estamos no começo dessa história.” 

Na última quinta-feira, 29, foi a vez da Polishop endossar a plataforma com uma live para a comercialização de esteiras. A proposta é ter transmissões diárias num futuro próximo, mas, por ora, as videoconferências servem como uma “feira de testes”. Nesse modelo de negócio, a agilidade para a entrega é determinante e a empresa pretende usar suas lojas para fazer com que os produtos cheguem ao consumidor em um curto espaço de tempo. “Como é um projeto em fase de testes, ainda estamos verificando a aderência dos produtos para ajustar as nossas ofertas ao consumidor. É tudo muito novo ainda, mas eu acredito que, com a capilaridade da nossa rede, conseguiremos entregar os produtos com a agilidade que os clientes desejam”, afirma o empresário João Appolinário, CEO da Polishop. 

Quem também prepara sua inserção no modelo de venda por lives é a Delivery Center, empresa que usa os shopping centers para a entrega de alimentos e produtos. Em parceria com os locatários do MorumbiShopping, empreendimento da Multiplan, em São Paulo, a companhia está em fase final para a implementação de três estúdios localizados no complexo comercial por onde as varejistas alocadas poderão realizar suas videoconferências para a oferta de produtos. A ideia é usar redes sociais, como Facebook, Instagram e WhatsApp, para difundir as transmissões. 

Muito em breve, com a possível aprovação do sistema de pagamentos instantâneo WhatsApp Pay pelo Banco Central, a compra poderá ser finalizada na própria mídia social. Segundo pessoas próximas ao desenvolvimento, o projeto da Delivery Center será lançado logo após a Black Friday com o intuito de impulsionar as vendas do Natal. Mais de 40 lojistas do shopping center devem participar da fase inicial do programa. 

Para Pedro Guasti, cofundador da Ebit, agência de pesquisas que faz parte da Nielsen, os sistemas de pagamentos instantâneos do Facebook e do Banco Central serão fundamentais para a popularização do modelo de negócio no país. “Como o WhatsApp está instalado em 99% dos smartphones no Brasil e ele é de uso intensivo, vai ser uma ferramenta de transferência financeira muito potente. Como o brasileiro gosta muito de novidades, quem adotar as vendas por meio de artistas e influenciadores poderá ver um crescimento interessante em volume e faturamento”, projeta. Ele acredita ainda que é o momento ideal para esse movimento por parte das empresas, já que a pandemia de Covid-19 impulsionou o potencial de consumo na internet, fazendo com que pessoas que nunca haviam comprado de forma on-line, adotassem essa alternativa devido à sua comodidade.

Agora, algumas varejistas deram passos significativos para a implementação de live commerce no país. Em junho, a B2W, dona dos site virtual da Lojas Americanas Ao Vivo, inspirado no que a plataforma de e-commerce chinesa Alibaba faz há alguns anos. Para isso, contou com a influenciadora Camilo Coutinho e decidiu replicar o modelo ao Shoptime, que, assim como a Polishop, surgiu como um canal de vendas na televisão brasileira. 

Outras redes como a fabricante de chocolates Dengo, a franquia de óculos Chilli Beans e o Grupo Soma, dono das marcas Farm e Animale, resolveram impulsionar suas vendas on-line com lives de artistas. Acontece que, como ainda não conseguem finalizar as vendas na própria transmissão, suas propostas não oferecem a mesma experiência vista no varejo eletrônico chinês. Isso tende a mudar, sobretudo com a inserção do WhatsApp Pay nesse jogo. “Essa corrida vai ser emocionante. E o melhor de tudo é que tem mercado para todo mundo”, afirma Julia, da Rappi. 

https://veja.abril.com.br/economia/venda-por-lives-vira-tendencia-no-pais-e-deve-liderar-comercio-no-natal/

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TECNOLOGIA SALTA, MAS PROFISSÕES TRADICIONAIS NÃO SAEM DA CABEÇA DOS ESTUDANTES

Medicina, Direito e Engenharia continuam sendo os cursos mais procurados pelos jovens, apesar do avanço significativo e duradouro das graduações em áreas de tecnologia

Texto: Gonçalo Junior Estadão 24 de outubro de 2020 

PROFISSÕES DO FUTURO

A carinhosa pergunta “o que você vai ser quando crescer?” recebeu respostas parecidas dos estudantes brasileiros na última década. Dados do Censo de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) entre 2010 e 2018 mostram que os jovens estão procurando cada vez mais carreiras ligadas às áreas de Tecnologia, como Computação e TI. Mas, mesmo com esse salto, as profissões tradicionais permanecem no topo da preferência e são aquelas com maior número de formados. Dados de 2019 apontam que 48% dos alunos no País estão matriculados em apenas dez cursos.

O cenário é semelhante em universidades públicas de ponta e instituições particulares. Neste ano, na Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que seleciona estudantes para a Universidade de São Paulo (USP), os cursos com maior demanda absoluta foram Medicina, Direito, Engenharia, Economia e Psicologia. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nos últimos cinco anos, as duas carreiras mais concorridas foram Medicina e Arquitetura. A lista é praticamente a mesma na Universidade Estadual Paulista (Unesp): a única diferença é a inclusão da Medicina Veterinária entre as cinco mais disputadas.

OS CAMINHOS DOS UNIVERSITÁRIOS

Evolução do número de cursos, matrículas, inscritos e formados no ensino superior entre 2010 e 2018

Levantamento da consultoria Educa Insight aponta o retrato das particulares. Em 2018, os cursos com mais alunos matriculados nessas instituições foram Direito, Administração, Enfermagem, Engenharia Civil e Psicologia.

A procura por profissões tradicionais se reflete também no Censo de Educação Superior. Em 2018, o número de matriculados no segmento de Negócios e Direito foi oito vezes maior que os matriculados em Computação. A área de Informação, que envolve Jornalismo e Psicologia na categorização do MEC, ostenta aumento de 120% no número de cursos entre 2010 e 2018. Isso significa que o avanço dos cursos de Tecnologia é significativo, representa uma onda duradoura, mas não ameaça a soberania dos cursos clássicos.

Os cursos inovadores representam um pedaço pequeno do bolo. Eles trazem visibilidade para as instituições e servem para o fortalecimento de uma marca

Daniel Infante, sócio da Educa Insights e especialista em mercado educacional

A estudante Fabyanne Lariza Calazans, de 26 anos, escolheu a Saúde, área tradicional de formação que registra aumento de 83% no número de alunos matriculados entre 2010 e 2018. Atuando há três anos como técnica em enfermagem no Hospital Santa Marcelina, na zona leste, ela está no primeiro semestre na faculdade mantida pelo grupo.

Fabyanne Lariza Calazans optou por uma formação em uma graduação tradicional: Enfermagem

“Eu não sei explicar direito o motivo da escolha. Foi uma vontade que sempre esteve comigo, desde pequena. Sempre quis cuidar e ajudar as pessoas”, diz a técnica do setor neonatal. “Eu digo ‘siga em frente’ para quem escolheu esta profissão”, diz a profissional.

Com o canudo nas mãos

O peso da tradição fica evidente quando a lupa está nos formados, quem está saindo com o canudo nas mãos. Em 2018, o País formou 480 mil profissionais nas áreas de Negócios, Administração e Direito. O número representa mais de 10 vezes os formados na área de Tecnologia e 20 vezes o número dos que pegaram diploma no segmento de Ciências Naturais, Matemática e Estatística. Em outras palavras, o Brasil ainda forma mais advogados e administradores do que analistas de sistemas e cientistas.

Em entrevista por videoconferência ao Estadão, a presidente da Microsoft Brasil, Tânia Cosentino, evidenciou a importância de o País se preocupar em resolver a baixa formação de jovens em tecnologia.

“Hoje temos no mundo 40 milhões de profissionais de TI (tecnologia da informação) e acreditamos que até 2025 vamos precisar de 200 milhões”, diz Tânia Cosentino. “No Brasil, em média 17% dos graduandos estão na área de exatas, muito abaixo de 24% nos países ricos. Na China, são 40%. Defendemos a programação desde a educação básica. Mesmo que o aluno não vire programador, isso vai ajudá-lo a desenvolver a parte cognitiva em toda a sua vida.”

Fernando Ferrari Putti, professor de Engenharia de Biossistemas e assessor da Pró-Reitoria de Graduação da Unesp, adiciona mais uma variável à equação: as particularidades do mercado de educação. Para ele, as comparações são difíceis.

Os custos de criação e manutenção de um curso de Administração são menores que os de Engenharia, por exemplo. Além disso, Engenharia é um curso mais demorado. É como tentar comparar os incomparáveis

Fernando Ferrari Putti, professor de Engenharia de Biossistemas e assessor da Pró-Reitoria de Graduação da Unesp

“O setor privado é muito grande e heterogêneo, mas em grande medida concentra as matrículas em cursos cuja oferta envolve menor infraestrutura e custos. O curso de Direito é o maior exemplo disso. No campo da educação, temos o exemplo do curso de pedagogia”, opina Lalo Watanabe Minto, professor da Faculdade de Educação da Unicamp. “Temos uma curta história de maior expansão desse ensino para camadas um pouco mais amplas da população e, portanto, o “peso” dessa tradição ainda é muito alto. Há muito de subjetividade nessa expectativa, mas também de elementos bem objetivos, como perspectivas de ascensão social, de carreiras bem estruturadas, e até mesmo de status”, completa.

O estudante Pedro Homem de Melo, de 17 anos, vislumbra ainda uma terceira via nessa balança entre cursos clássicos e tecnológicos: escolher uma profissão tradicional, mas com uma ponta de modernidade. Por isso, ele vai prestar vestibular para Engenharia Elétrica com ênfase em Computação. Filho de um advogado e uma empresária, o estudante do Colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, decidiu seguir unicamente sua vocação. “Não consigo imaginar minha profissional longe dos números”, sorri. O momento de escolha da carreira é tão importante que os colégios estão ampliando as estratégias para ajudar os adolescentes a encontrar seu caminho profissional.

Para Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP, fatores emocionais também fazem adolescentes sonharem com um jaleco branco ou com seu nome precedido da palavra “doutor”. “A educação superior, ou ter um diploma, significa ascensão social, mesmo que seja de maneira genérica”, diz o especialista. “A aspiração pela formação ainda é muito grande no País, principalmente em regiões como Norte e Nordeste”, concorda Infante.

Tecnologia: de olho no futuro

O avanço dos cursos de tecnologia aparece em vários indicadores. Se você olhar apenas o número de inscritos, gente interessada no curso, o número saltou de 140 mil para 719 mil em dez anos, de acordo com dados do MEC. É um aumento de mais de 500%. O crescimento também é significativo entre os alunos que se matricularam de fato em alguma faculdade pública ou privada. Aqui, o salto foi de 35%. Essa alta pressionou as instituições de ensino. O número de cursos na área quase triplicou, o que significou um aumento de quase oito vezes nas vagas.

Esse cenário não chega a ser totalmente surpreendente, afinal vivemos a era digital. Com a presença massiva das empresas na internet e o uso dos canais virtuais como parte do plano de negócios, os profissionais de tecnologia estão em alta faz tempo. O que chama a atenção é a seta que aponta para o futuro. Estudo desenvolvido pelo Escritório de Carreiras da USP (ECar) aponta as dez carreiras da próxima década. “Estamos preparando profissionais que vão exercer plenamente sua profissão em 2030. O contexto que vivemos, de presença da tecnologia em todas as profissões, vai se acentuar. O mundo será cada vez mais tecnológico”, diz Antonio Freitas, pró-reitor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A pandemia do novo coronavírus abriu um verdadeiro portal para a vida on-line. Como as pessoas tiveram de ficar em casa para diminuir o risco de contaminação, muita coisa passou a ser feita de forma remota. O digital virou a solução para tudo: aprender, trabalhar, fazer compras e ver os amigos e a família. Com isso, analistas de sistemas, cientistas de dados e webmasters passaram a ser ainda mais requisitados. Estudo global do LinkedIn, mais influente rede social corporativa do mundo, mostra que a tecnologia da informação domina o ranking das profissões emergentes em 2020. Elas são 9 em uma lista de 15 atividades.

Pesquisa da multinacional de informática IBM com 3.800 executivos de 20 países aponta que 59% deles afirma que a pandemia acelerou a mudança. Entre os brasileiros, 51% vão apostar em cibersegurança. “As empresas estão olhando para a transformação digital como algo concreto e atual. Antes, elas viam como o futuro”, afirma Alcely Strutz Barroso, líder de Programas Globais para Universidades da IBM na América Latina.

Está aí a pista da principal bússola que influencia a procura por profissões entre os estudantes: o mercado de trabalho. Mostrar um currículo para fazer brilhar os olhos do recrutadores é um fato importante para a escolha do curso.

O professor Ocimar Alavarse considera a educação superior uma etapa da formação profissional. “O mundo do trabalho oferece sinalizações, quase um espécie de chamado para os cursos de educação superior.”

O estudante Kevin Toledo, de 19 anos, ouviu essa voz. Apaixonado por computadores desde criança, ele escolheu o curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ele acredita que não terá problemas para conseguir emprego quando se formar como cientista de dados, profissional capaz de analisar e interpretar grande quantidade de informações, entre outras inúmeras habilidades. “A tecnologia só facilita a vida das pessoas”, diz o jovem, que mora em Mairiporã, cidade na Grande São Paulo.

DE OLHO NA EMPREGABILIDADE

Os bons índices de empregabilidade em cursos estão ligados às parcerias das universidades com grandes empresas. Coordenadores do curso da PUC, por exemplo, dialogam semanalmente com a SAP, Tivit e Oracle, empresas que oferecem estágios, material de treinamento, certificações e palestras para os alunos. “A oferta no mercado de trabalho tem aumentado. Existe uma relação direta com o impacto da tecnologia, que ajuda as empresas a resolver os problemas. As empresas investem em tecnologia, o que gera maior necessidade de profissionais e o aumento da demanda. Isso abre espaço nos cursos de graduação”, analisa Jefferson Silva, coordenador do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial da PUC.

Após os 30 anos, Marcelo Johas decidiu fazer uma nova graduação e apostou na novidade: Tech, na ESPM

As oportunidades na área de Tecnologia não atraem apenas quem está saindo do ensino médio. Formado em Administração de Empresas com MBA em Gestão de Mercados, Marcelo Johas decidiu dar uma guinada na sua carreira aos 32 anos. Hoje, ele está no 3º semestre do curso Tech da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e trabalha numa plataforma sueca de campeonatos de e-sports (jogos eletrônicos) que está chegando ao Brasil.

‘Formamos estrategistas digitais’, diz o coordenador da ESPM Flávio Azevedo Marques

O curso que oferece currículo de Sistemas da Informação com liberdade para o aluno trilhar seu próprio caminho com disciplinas eletivas é outro exemplo da proximidade com o mercado. “Mesmo sendo uma escola tradicional de comunicação, a ESPM decidiu se posicionar estrategicamente com cursos que envolvessem tecnologia”, diz o coordenador Flávio Azevedo Marques. “Hoje, nós formamos estrategistas digitais, uma nomenclatura ampla que dá uma ideia da variedade de papéis que o aluno poderá desempenhar.”

Falta mão de obra em Tecnologia

De acordo com relatório setorial da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) de 2019, já estão sobrando vagas na área de Tecnologia. O setor deve demandar 420 mil novos profissionais até 2024, mas a oferta de capacitados gira em torno de 42 mil por ano.

WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Um estagiário na área tem remuneração que gira entre R$ 1,3 mil a R$ 2,4 mil. “Hoje, a demanda por profissionais de tecnologia é maior que a oferta. Por isso, as universidades estão se movimentando”, opina Alcely Strutz Barroso, líder de Programas Globais para Universidades da IBM América Latina.

Em 2018, o segmento tech empregou mais de 1 milhão de pessoas, gerando 43 mil novos empregos no Brasil. Uma das áreas com maior carência de profissionais é o mercado de jogos eletrônicos (e-sports). Com base nesse indicador, a ESPM pretende criar uma disciplina eletiva a partir do próximo semestre voltada para o segmento dentro do curso Tech.

A iniciativa privada e as universidades desenvolvem parcerias para aperfeiçoar e acelerar a formação. Uma das iniciativas da IBM oferece um curso de 75 horas com cases reais do mundo corporativo que foi incorporado ao currículo de graduação da Faculdade Impacta, especializada no setor. “Nossa visão é aperfeiçoar o conteúdo que as faculdades oferecem. Queremos fortalecer o sistema de ensino”, explica Alcely.

https://www.estadao.com.br/infograficos/educacao,tecnologia-salta-mas-carreiras-classicas-nao-saem-da-cabeca-dos-estudantes,1129545

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Novos gestores cuidam do bem-estar dos funcionários

Áreas específicas surgem para criar experiências positivas e de impacto para os empregados

Por Adriana Fonseca — Para o Valor Econômico 26/10/2020 

Assim como existe, dentro do RH, uma gerência para desenvolvimento profissional, outra para remuneração e benefícios e uma para atração de talentos, a BASF estabeleceu, em janeiro último, uma gerência de recursos humanos para a área de bem-estar. O objetivo é ter uma equipe pensando exclusivamente a criação e adaptação de ações que impactem o bem-estar dos funcionários. “Há mais de 40 anos a empresa tem uma associação que cuida do lazer e esporte para o colaborador. Percebendo grandes oportunidades, reposicionou essa estrutura para o bem-estar, pois quando se tem uma área, fica mais fácil criar ofertas”, diz Vivian Navarro, gerente de RH da área de bem-estar da BASF.

O bem-estar, na concepção da multinacional, é dividido em diferentes frentes: desenvolvimento da carreira, físico, mental, lazer, social, financeiro e comunidade – onde entra a questão do propósito e o senso de contribuição com a sociedade. “Entendemos que a felicidade é consequência do bem-estar nessas áreas”, afirma Vivian.

Dentro desse escopo, e durante o isolamento social, foram pensadas atividades como aulas on-line de ginástica e de luta, sessões de mindfulness, de karaokê e lives aos sábados com programação para os filhos dos funcionários. A empresa também levou aos empregados palestras virtuais com psicólogos e especialistas em temas como ansiedade e felicidade.

A programação é pensada para neutralizar as emoções negativas, o que é medido por meio de questionários que exploram como os funcionários estão se sentindo. “O bem-estar veio para ficar, não é só na pandemia”, diz Vivian. “Quando você está forte, quando você se cuida, atravessa melhor períodos de crise ou caóticos.”

A Ativy, uma empresa de tecnologia, também designou um cargo para olhar especificamente o bem-estar de seus funcionários: é o analista de bem-estar e felicidade. Tiago Garbim, CEO da Ativy, explica que a empresa sempre se preocupou com a satisfação de suas equipes, mas, com o crescimento do negócio – hoje são mais de 160 funcionários -, Garbim estava com dificuldade de acompanhar esse tema de perto, como sempre gostou de fazer. “Às vezes, no dia a dia, não consigo olhar para todo mundo. A função desse cargo é garantir que as pessoas estejam bem”, diz.

Assegurar o bem-estar passa por diferentes aspectos, desde a posição adequada da mesa de trabalho e a temperatura adequada da água até o emocional do funcionário. “Os líderes são orientados a conversar, mas às vezes a pessoa não se sente bem para falar disso com o gestor. A nova analista está ali para ouvir.”

Por meio da analista de bem-estar e felicidade a empresa descobriu, por exemplo, uma funcionária que estava morando em uma casa que “não era muito legal” – ela havia se mudado recentemente de São Paulo para Campinas, onde fica a Ativy. Garbim conta que a empresa procurou um apartamento melhor para ela, cuidou do aluguel e customizou a casa do jeito que ela queria. “Pegamos os detalhes e preparamos a casa.”

A nova analista de bem-estar passou por 12 entrevistas antes de ser contratada – normalmente, para outros cargos, a média são cinco conversas durante o processo. “Nesse caso, ela passou por todos os ‘heads’ de área”, diz Garbim. A empresa queria alguém que fosse um bom ouvinte.

Olhar para a experiência do funcionário como um todo – o que inclui bem-estar e felicidade, mas não se resume a isso – foi o caminho adotado por outras companhias, como Magazine Luiza e Salesforce.

Na multinacional de tecnologia, a área de RH se chama “employee success”, ou “sucesso do funcionário”. “Isso porque, todos os dias, a gente pensa no que é preciso para o colaborador ter sucesso e se desenvolver dentro da empresa”, afirma Priscila Castanho, diretora de employee success para América Latina na Salesforce. “Como o cliente está no centro da empresa, prezamos o sucesso do cliente interno também.” Essa jornada vai desde a busca do candidato no mercado até o “onboarding” e a integração. Uma vez dentro da companhia, existem benefícios específicos para apoiar o bem-estar do funcionário, como um valor de R$ 400 que pode ser gasto pelo empregado ou um familiar com atividades como yoga, pilates ou aluguel de bicicleta. As pesquisas de clima medem, entre outros aspectos, o bem-estar e balizam os programas. “Usamos para entender o que está acontecendo e, se é preciso, alteramos o programa.”

No Magazine Luiza, em maio do ano passado foi criado o cargo de especialista em employee experience. A psicóloga e psicanalista Cristina Mestres, que ocupa o posto, diz que entrou na companhia justamente para levar o conceito de experiência do funcionário para a empresa. “O conceito de experiência do funcionário para a empresa. “O conceito de experiência do colaborador nasce do mesmo conceito de experiência do consumidor. É alguém olhar, do ponto de vista do colaborador, a experiência de ponta a ponta”, afirma.

O papel de Cristina é diminuir a fricção entre os processos, para que o funcionário tenha uma experiência melhor. Somente o processo de “onboarding”, ela conta, envolve 21 áreas diferentes da empresa – seleção, departamento pessoal, saúde e segurança, TI, compras, integração de cultura, integridade e compliance, para citar alguns. O objetivo da área de “employee experience” é fazer dessa experiência a melhor possível para o funcionário, analisando tudo o que envolve o empregado.

Uma plataforma de gestão da experiência do funcionário e pesquisas internas ajudam a equipe a ter dados para aprimorar a jornada do empregado. Com base nisso, na pandemia, o Magazine Luiza passou a oferecer o serviço de psicologia a distância. Desde o começo do isolamento social já foram cinco pesquisas. “Vimos que os colaboradores têm dores diferentes,” diz Cristina. “Eu não sei se a gente dá conta da felicidade das pessoas, mas entendemos que a performance está ligada ao bem-estar e usamos indicadores para saber como estão as equipes.”

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2020/10/26/novos-gestores-cuidam-do-bem-estar-dos-funcionarios.ghtml

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Examinando: entenda como a tecnologia 5G pode mudar a vida na sociedade

O que é e como funciona o 5G? Qual é a diferença para o 4G ou o 3G? 

Por Beatriz Correia RevistaExame Publicado em: 26/10/2020 

Imagina você baixar um filme em alta definição em apenas um minuto. Ou fazer uma reunião por chamada de vídeo sem falhas na conexão, sem travar a imagem ou o som. A ideia é bem interessante. É mais ou menos isso o que promete a famosa rede 5G. A nova tecnologia é a aposta das empresas desse setor e teve um empurrãozinho durante as necessidades da vida na pandemia. Tem gente afirmando até que o futuro chegou mais rápido do que o esperado.

Mas você sabe realmente o que é o 5G? Como ele funciona? Qual é a diferença para o 4 ou o 3G? Ou então você fazia ideia de que essa tecnologia é motivo de conflitos entre duas grandes nações mundiais? No Examinando de hoje além de te explicar tudo isso, vamos te mostrar como o 5G vai mudar a sua vida.

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Você já teve a impressão de estar sendo espionado pelo seu celular? Você falou no telefone ou mandou uma mensagem sobre algum produto, ou mesmo só conversou pessoalmente com alguém e de repente suas redes sociais e seu navegador foram bombardeados com anúncios sobre isso. Geralmente há um responsável por essa situação: os dados. O monte de informações que a gente deposita na internet todos os dias. Eles parecem inofensivos, mas são o principal material da internet do futuro, a tal da rede 5G.

O 5G nada mais é do que a próxima geração de rede de internet móvel. Pra gente entender, vamos voltar um pouco no tempo. O 2G permitiu o envio de SMS e de e-mails sem precisar de um computador. Com o 3G, foi possível pela primeira vez enviar fotos e vídeos para outros aparelhos. Já o 4G aumentou bastante a velocidade, permitindo baixar conteúdo, fazer transmissões online, além de atividades como ouvir música, assistir séries.

A promessa revolucionária do 5G é a velocidade. A tecnologia pode ser até 20 vezes mais rápida do que as redes atuais, além de ter uma cobertura mais ampla e conexões mais estáveis. Tudo o que todo mundo quer. Mas como isso funciona? Imagina uma grande avenida, com várias pistas, mas algumas estão bloqueadas. As pistas já ocupadas seriam as redes que já existem, e as pistas bloqueadas seriam o 5G. A comparação não é tão fora assim porque essas pistas representam as ondas eletromagnéticas, ou ondas de rádio, que é por onde o sinal de internet passa da antena da operadora até o seu celular.

As vantagens da tecnologia 5G em comparação à 4G são duas: maior velocidade e capacidade para conectar mais dispositivos. De uma forma simples, funciona assim, as ondas do 5G são mais largas do que as do 4G, mas são mais curtas. Então ela suporta mais dispositivos conectados ao mesmo tempo, mas não alcançam grandes distâncias.

E por que o 5G vai ser essencial daqui uns tempos e também vai mudar a sua vida? Dá pra gente entender isso olhando para o momento de crise como o atual, e considerando que daqui para a frente a vida vai ser cada vez mais digital. Hoje as reuniões são online, as compras são feitas pela internet, pedidos, serviços, exercícios físicos e até encontros entre amigos.

Usando 5G é possível transmitir volumes massivos de dados pelo celular. As empresas de todos os setores terão mais conhecimento dos hábitos dos clientes, poderão atender o consumidor de maneira mais rápida e personalizada. Ou seja, você vai ser ainda mais bombardeado por anúncios sobre exatamente o que você quer comprar.

O ensino à distância também vai se enriquecer muito e a telemedicina será mais acessível. E isso é só parte da mudança, a parte que nós podemos ver. Da mesma maneira que surgiram Uber, Waze, WhatsApp e Spotify quando o 3G e o 4G foram desenvolvidos, novos aplicativos vão surgir para aproveitar totalmente essa tecnologia.

O 5G ainda é um ponto chave em uma guerra tecnológica entre os Estados Unidos e a China. Uma empresa chinesa de tecnologia, a Huawei, tem investido muito no desenvolvimento de um chip com a tecnologia 5G e por isso ela saiu na frente das empresas de outros países. Nesse contexto, os Estados Unidos acusaram a Huawei de fazer espionagem industrial e de roubar tecnologias de outras nações. Já os chineses negam tudo.

Como uma forma de retardar o avanço da chinesa no desenvolvimento do 5G, os americanos proibiram que empresas dos Estados Unidos fizessem qualquer comércio com a rival. Mas qual o problema disso? É simples, a Huawei introduziu a tecnologia 5G nos chips, mas a base de construção de um chip se mantém a mesma, e precisa de peças produzidas por empresas americanas. Essa guerra tecnológica entre os dois países também é uma pequena parte da chamada guerra comercial.

E como o 5G está no Brasil? Por aqui, a maior questão é a regularização. A tecnologia nós vamos comprar dessas empresas que estão desenvolvendo lá fora, mas e as regras de uso? O primeiro passo é fazer um leilão das frequências pelas quais são distribuídas a internet. Lembra do exemplo das pistas bloqueadas? Então, esse leilão é para vender, para quem oferecer mais dinheiro, essas pistas bloqueadas. Essa operação pode render de 20 a 25 bilhões de reais ao governo federal. O setor espera que aconteça até o final deste ano, mas a falta de acordo sobre as condições do leilão pode atrasar a transação.

Mas no fim, o que todo mundo quer saber é: vou ter que trocar meu celular para ter o 5G? Provavelmente sim. As empresas precisarão fazer novos aparelhos que suportem essa tecnologia. A rede 5G é uma das grandes evoluções tecnológicas do século 21. Ela vai possibilitar a geração de novos modelos de negócio e vai mudar totalmente a relação com a vida em sociedade.

Mas a parte disso tudo, não podemos esquecer que a internet está longe de chegar a todas as pessoas. Aqui no Brasil, uma em cada quatro pessoas não tem acesso à internet, o que ficou mais difícil durante a pandemia. Crianças de áreas remotas têm dificuldades para acessar aulas e conteúdos de ensino, assim como funcionários não conseguem um acesso à rede suficiente pra trabalhar. O que mostra que além das grandes invenções de novas tecnologias, o acesso e a distribuição igualitária da internet na sociedade também é um grande desafio a ser solucionado pelas empresas.

https://exame.com/videos/examinando/examinando-entenda-como-a-tecnologia-5g-pode-mudar-a-vida-na-sociedade/

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Home office derruba limites de empresas em busca de novos talentos

Profissionais também se beneficiam do aumento do trabalho remoto, pois podem se candidatar a vagas que antes eram inimagináveis

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo 27 de outubro de 2020 

RIO – Ainda é cedo para apontar se o trabalho remoto se tornará regra no País pós-pandemia, mas executivos e especialistas em recursos humanos já têm uma certeza: o fim das fronteiras físicas do trabalho está ajudando a tornar as vagas mais inclusivas e abrindo portas para a descoberta de novos talentos. E estar aberto ao home office será uma vantagem tanto para empresas quanto para quem está em busca de um novo emprego.

O modelo de trabalho remoto vinha crescendo no Brasil, em especial em grandes centros urbanos. Ele era relativamente comum em empresas de tecnologia, mas mesmo em outras áreas já tinha muitos adeptos. Em março, quando a pandemia de covid-19 ganhou força no País, o trabalho à distância se disseminou por obrigação e acabou servindo como um grande laboratório.

“A pandemia ajudou a fortalecer e a quebrar certos paradigmas sobre a funcionalidade do trabalho remoto”, avalia Alexandre Benedetti, diretor do Talenses Group, empresa especializada em recrutamento e seleção. “Uma das questões é permitir que a visão de quem contrata seja um pouco amplificada. Você pode contratar profissionais de todo o mundo. Há casos como o Google, por exemplo, contratando gente na Índia.”

Alexandre BenedettiPandemia ajudou a quebrar paradigmas sobre o trabalho remoto, afirma Alexandre Benedetti, diretor da Talenses Group. Foto: Felipe Rau/Estadão

O maior acesso a profissionais tem potencial para acirrar a concorrência entre candidatos – afinal, se antes a disputa por uma vaga era basicamente entre profissionais de uma mesma cidade ou região, agora não há limites. Mas, naquela velha história do copo meio cheio ou meio vazio, quem contrata prefere ver por outro prisma: os candidatos agora podem concorrer a postos de trabalho a partir de qualquer ponto do País (ou do mundo) sem a necessidade de ter que se mudar.

“Isso me facilitou muito. Eu tinha uma base de candidatos que me limitava, porque íamos buscá-los dentro de uma zona que atendesse aos nossos escritórios ou aos dos nossos clientes. Com esse modelo eu posso contratar em qualquer lugar”, afirma Carla Catelan, diretora de Recrutamento e Seleção da Cognizant no Brasil.

Responsável também pelas áreas de voluntariado, diversidade e inclusão da empresa, Carla destaca ainda outro ponto. “Expandir esse modelo de trabalho remoto é fundamental porque a gente consegue atrair mais diversidade cultural, trazendo candidatos de outras localidades, mas também atrair candidatos com deficiência que muitas vezes não tiveram a oportunidade de estar aqui em São Paulo”, pondera.

Adequação à tecnologia e empatia em alta

O conhecimento técnico continua sendo fator importante para quem busca uma vaga no mercado de trabalho, mas há outros aspectos que cada vez mais são buscados por quem contrata: a capacidade de se adequar às novas tecnologias e a empatia.

“O mundo é muito mais volátil hoje, com ciclos econômicos mais curtos, e a necessidade de adaptação do profissional é muito mais forte em todos os sentidos. É uma adaptação técnica, mas também comportamental”, diz Benedetti. “Tem outra questão que é a empatia. Como você trabalha empatia num mundo mais volátil, com maior necessidade de adaptação, para liderar e engajar pessoas? O desafio para mim cada vez mais vai estar no desenvolvimento das competências comportamentais.”

Diretora de Recursos Humanos do Grupo Carrefour Brasil, Cristiane Lacerda concorda. “O mercado tem mudado muito e não só por causa do trabalho remoto. O que se busca é um maior desenvolvimento das pessoas, em especial nos temas ligados à tecnologia”, considera.

Desde o ano passado, o Carrefour vinha fazendo testes para migrar boa parte de seu quadro administrativo para o home office. A pandemia acelerou o processo e fará com que o grupo amplie o modelo.

Cristiane também vê o trabalho à distância como uma oportunidade de ampliação na busca por talentos. “Isso ajuda muito porque algumas áreas demandam profissionais mais especializados, e podemos buscá-los inclusive fora do Brasil, como Canadá e Estados Unidos.”

Para Leonardo Freitas, CEO da Hayman-Woodward, uma consultoria especializada em mobilidade global e imigração de profissionais, quem busca uma nova oportunidade de trabalho precisa estar aberto a mudanças – e entender que elas podem ocorrer de forma mais rápida do que se pensava.

“O desenvolvimento tecnológico de uma sociedade depende também do desenvolvimento do ser humano, e a gente está vivendo um momento de quebra de paradigma. Se você olhar para trás, e não precisa ir muito longe, a história do carro que dirige sozinho era inconcebível. Para mim era um episódio dos Jetsons. Hoje o meu carro se dirige sozinho.”

Freitas, no entanto, lembra que o “novo” profissional ainda terá que vivenciar práticas mais tradicionais. “A grande questão talvez seja como adaptar os treinamentos. Se você é um torneiro mecânico, por exemplo, você depende de um preparo presencial. Um cirurgião não aprende a fazer um procedimento simplesmente vendo um vídeo, ele precisa sentir a textura da pele ao fazer o corte”, ressalta.

A boa notícia é que o acesso ao conhecimento está mais fácil também graças ao modelo remoto. Atualmente é possível acompanhar aulas a partir de qualquer ponto do mundo, e isso faz com que a busca por uma nova carreira seja menos tortuosa. “Hoje é mais fácil para o profissional se especializar ou aprender. As próprias empresas oferecem essas oportunidades. A barreira de entrada para uma nova carreira caiu muito”, considera Fábio Costa, general manager da Salesforce no Brasil.

A empresa divulgou uma pesquisa no início do mês que revelou que 52% dos brasileiros trocariam de emprego se pudessem trabalhar remotamente. “Mas é importante entender o que é esse trabalhar remotamente. Acredito que não é apenas trabalhar de casa, e sim ter essa possibilidade. No futuro a gente vai ter que ter um equilíbrio”, considera Costa.

Mais produtividade

Executivos e especialistas em RH ouvidos pelo Estadão foram unânimes em  avaliar que o trabalho home office tende a aumentar a produtividade dos funcionários – desde que haja equilíbrio no modelo.

“O home office aumenta o rendimento do profissional. Não tem a supervisão física, mas tem a supervisão do resultado que ele oferece”, diz Freitas. “Está sendo um grande despertar de que a gente consegue ser mais pró-ativo, atender às necessidades de nossos empregados ou empregadores e também ter um melhor balanço da vida profissional e pessoal.”

O executivo pontua, no entanto, que o trabalho à distância não deve ser exclusivo. “O ser humano tem uma necessidade muito grande de viver em comunidade. Isolar o ser humano muito tempo traz graves problemas. O ideal seria unir as duas  coisas, um pouco de trabalho remoto e um pouco de trabalho in loco. A socialização é necessária”, diz Freitas.

Home officeHome office aumenta o desempenho, mas a convivência pessoal não deve ser anulada por completo, apontam especialistas. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Benedetti vai na mesma linha. “O trabalho de todo mundo não é igual, não é sempre técnico. Você tem trabalhos de gestão, de influência para quem tem grandes times. A questão de trabalhar competências comportamentais, a influência, por mais que o trabalho remoto permita, nós somos latinos, precisamos de contato”, ressalta.

Benedetti complementa: “O home office é mais produtivo para muitas coisas, mas talvez tenha uma efetividade menor quando a gente fala de engajamento no longo prazo. Em recente entrevista, o CEO da Netflix, uma empresa de vanguarda na questão trabalho remoto, diz que não acredita num trabalho 100% remoto. Existem perdas nos extremos”.

https://economia.estadao.com.br/noticias/sua-carreira,home-office-derruba-limites-de-empresas-em-busca-de-novos-talentos,70003490117

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Mercado de startups do Brasil caminha para ter melhor ano da história em 2020

De janeiro a setembro, setor já bateu recorde em aquisição de empresas e passou 80% do volume de aportes registrado em todo o ano passado; a aceleração da digitalização, a onda de liquidez e a aproximação com grandes empresas mudaram o panorama

 Por Bruno Capelas e Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo 26/10/2020 

O ano de 2020 certamente se tornará inesquecível para muita gente – mas, para as startups brasileiras, as lembranças serão positivas. Mesmo com a pandemia e a crise econômica, o ecossistema brasileiro de inovação caminha para ter seu melhor ano da história nesta temporada. Os sinais até aqui são bons: segundo dados da empresa Distrito, que mapeia o setor, aconteceram 100 aquisições de startups entre janeiro e setembro, superando os anos de 2018 e 2019. 

O número de aportes realizados em novatas também já tem recorde histórico de 322 cheques, superando o melhor ano do setor com folga – em 2017, foram 263 investimentos. E o volume total e aportes está em US$ 2,2 bilhões, completando 82% do que foi injetado no mercado em todo o ano de 2019.

Nem as expectativas mais otimistas, no início do ano, davam conta de que 2020 seria um ano tão bom para as startups

Nem as expectativas mais otimistas, no início do ano, davam conta de que 2020 seria um ano tão bom para as startups

“Esperamos que o último trimestre faça superar o ano de 2019, mas mesmo com crise a gente enxerga um mercado forte e muito aquecido”, diz Gustavo Araújo, presidente executivo da Distrito. “Só não estamos maiores em volume porque os investidores ficaram cautelosos no início da pandemia, mas a recuperação é em V, setembro foi um mês muito forte.” Só no mês passado, as startups brasileiras receberam US$ 843 milhões em investimentos. 

“É muito positivo o balanço de 2020 até aqui. É quase como se o ecossistema estivesse à margem da crise que se vive no Brasil”, diz Gilberto Sarfati, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP). “A digitalização já ganharia destaque de qualquer jeito à médio prazo, mas a crise acelerou o processo.” 

Expectativa para 2020 não era tão boa mesmo antes da pandemia começar

O bom desempenho surpreende, inclusive, as expectativas do setor antes da pandemia. No início do ano, o mercado de startups estava cauteloso – supercheques feitos pelo grupo japonês SoftBank em empresas como WeWork e Uber levantaram o risco de uma possível bolha no setor. 

Aqui no Brasil, os japoneses foram o fator principal para o sucesso de 2019, despejando dinheiro no mercado ao investir em empresas como QuintoAndar, Gympass e Loggi – ao todo, eles participaram de rodadas que, somadas, movimentaram US$ 1,3 bilhão. “O SoftBank distorceu um pouco o mercado. Eu achava que 2020 ia ser um ótimo ano, mas difícil de bater por causa disso”, avalia Renato Valente, sócio do fundo Iporanga Ventures e veterano do setor. 

Em março, quando o coronavírus começou a atacar o Brasil, os investimentos foram reduzidos  bruscamente – houve queda de 85% no total de investimentos naquele mês, contra março de 2019, segundo a Distrito. Muitos fundos preferiram focar em ajudar as startups de seu portfólio a sobreviver à crise do que fazer novas apostas. O mercado passou a acelerar de novo em junho, e teve em setembro seu melhor mês, com US$ 843 milhões investidos. “Quando veio a pandemia, todo mundo brecou, mas agora o mercado está acelerado e acho difícil que não supere 2019”, complementa Valente. 

Aceleração da digitalização e liquidez no mercado de capitais mudaram humor

Três fatores, na visão dos especialistas, ajudaram a mudar a cara de 2020. O primeiro é a onda de liquidez pela qual passa hoje o mercado de capitais – o cenário de mínima histórica na taxa Selic proporciona um bom ambiente de negócios. O otimismo é o que levou startups como Méliuz e Enjoei.com a começarem um processo de abertura de capital na bolsa brasileira – um caminho pouco usual para as companhias daqui. 

O segundo é a aceleração da digitalização. Setores como o comércio eletrônico, que já vinham num movimento de crescimento, explodiram por conta do período de isolamento social: segundo relatório do fundo de investimentos Atlantico, a penetração do e-commerce no varejo saltou 5 pontos porcentuais entre março e maio de 2020 – o mesmo crescimento, em termos absolutos, registrado entre 2009 e 2019. 

O segmento de e-commerce, inclusive, gerou um unicórnio – apelido dado a startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão – durante a quarentena. É a Vtex, dona de um software que ajuda mais de 3 mil marcas a abrirem e manterem suas lojas online (e físicas): em setembro, a empresa levantou um aporte de US$ 225 milhões e foi avaliada em US$ 1,7 bilhão. “No nosso segmento, a pandemia encurtou em pelo menos um ano o movimento do mercado. A gente sabia que poderia virar unicórnio, mas se não fosse o coronavírus, talvez isso acontecesse só em 2021 ou 2022”, diz Rafael Forte, presidente executivo da Vtex no Brasil.

Além disso, o setor também impulsionou empresas que lhe prestam serviços – caso da Kestraa, que organiza o comércio exterior, e da Acesso Digital, que faz assinaturas digitais e valida pagamentos pela internet com ajuda de biometria facial. As duas levantaram aportes – de R$ 15 milhões e R$ 580 milhões, respectivamente – nos últimos três meses. 

Alô. Vtex, liderada por Forte no Brasil, foi procurada por clientes com pedidos de ajuda

Alô. Vtex, liderada por Forte no Brasil, foi procurada por clientes com pedidos de ajuda

O período de isolamento social, seja pelo fechamento de lojas ou pela necessidade de trabalho remoto, também levou muitas empresas tradicionais a perceberem que precisavam se digitalizar. Esse movimento é o que explica porque diversas companhias saíram fazendo aquisições – é o caso da aquisição da Triider, um Uber das reformas, por uma joint venture entre Gerdau, Tigre e Votorantim. Outras aproveitaram o momento para pisar no acelerador e intensificar sua transformação – caso, por exemplo, de XP e Magazine Luiza, que encheram o carrinho de compras este ano 

Crise não deve afetar setor, dizem especialistas

Enquanto na economia real as dúvidas sobre o futuro – vacina, eleições aqui e nos EUA e o impacto da crise – deixam tudo complicado de prever, a opinião geral dos especialistas é de que 2021 deve ser um bom ano para as startups. A sensação é de que o cenário cinza da economia não deve afetar tanto as companhias de tecnologia, até porque o ecossistema brasileiro viu seu desenvolvimento acontecer ao longo dos últimos anos justamente num panorama de recessão. 

“A economia real vai sofrer, então todo mundo vai correr atrás de melhores margens de lucro reduzindo custo. É uma oportunidade para empresas que fazem mais com menos e a tecnologia é uma arma para isso”, diz Renato Valente, da Iporanga Ventures.

Na visão de Gilberto Sarfati, professor da FGV, o ecossistema hoje tem um crescimento sustentável. “É um processo que está sendo vivido há duas décadas e, de forma mais intensa, nos últimos cinco anos”. Gustavo Araujo, presidente executivo da empresa de inovação Distrito, também vê o momento de forma otimista. “Em 2021, a movimentação entre grandes empresas e startups crescerá ainda mais. Isso é importante porque injeta mais capital no mercado e gera a criação de novas empresas. Será um ano muito forte para o setor.” 

Proposta do Marco Legal das Startups foi enviada ao Congresso Nacional na última semana

Proposta do Marco Legal das Startups foi enviada ao Congresso Nacional na última semana

O que pode mudar a vida das startups no futuro próximo, dizem os analistas, são questões regulatórias. De um lado, há oportunidades com a criação do Marco Legal das Startups, projeto de lei enviado na semana passada pelo Palácio do Planalto ao Congresso.

O texto promete desburocratizar condições para a criação de empresas inovadoras, bem como sua contratação por agentes públicos. A negociação corrente, no momento, é de que ele seja votado na Câmara até o final do ano. Para entidades do setor, a proposta é bem vinda, mas precisa ser refinada para incluir temas trabalhistas e de tributação, que ficaram de fora inicialmente. 

Repensar as regras do jogo é importante, segundo os especialistas: um dos fatores que ajudaram as startups nos últimos tempos foram, por exemplo, mudanças e inovações no setor financeiro, puxadas por postura pró concorrência do Banco Central. Há ainda muito potencial a partir de inovações como open banking – que facilitará a troca de dados entre instituições (leia mais sobre o tema com a Quanto, startup envolvida no setor) – e o sistema de pagamentos Pix. 

Para Araújo, da Distrito, a falta de mudanças pode travar o mercado. “A telemedicina, que permite consultas médicas online, foi aprovada agora em caráter emergencial, mas pode ser revogada após a pandemia. A regulação é necessária, mas também é um empecilho para o desenvolvimento”, diz.

https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,mercado-de-startups-do-brasil-caminha-para-ter-melhor-ano-da-historia-em-2020,70003488883

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Empresas aéreas preparam o relançamento dos supersônicos

Quase duas décadas depois do fim do Concorde, empresas projetam aviões ainda mais rápidos, de olho nos muito ricos e nos altos executivos que têm pressa

Por Caio Saad – Veja – Publicado em 4 set 2020

VELOCIDADE MÁXIMA – Projeto do avião da Boeing: Londres a Nova York em uma hora – ./Divulgação 

Nos anos 1980 e 1990, quando viajar de avião era um luxo, nada se comparava ao glamour de uma passagem no Concorde, a aeronave supersônica de desenho avançado, capaz de percorrer a rota Londres-Nova York em três horas e meia (menos da metade das oito regulamentares). Com o tempo, o fascínio e as pessoas dispostas a bancar o bilhete aéreo caríssimo foram diminuindo, os problemas se acumularam e, em 2003, o Concorde foi aposentado e virou peça de museu. Os supersônicos, no entanto, continuam vivos em pelo menos seis projetos que pretendem fazer renascer, nos próximos anos, as viagens intercontinentais ultrarrápidas. O anúncio mais recente veio da Virgin Galactic, braço da empresa de aviação britânica que também desenvolve um foguete para passeios espaciais. No início de agosto, ela firmou parceria com a Rolls-­Royce, fabricante dos motores do Concorde, para a criação de um modelo comercial capaz de voar a três vezes a velocidade do som — o Mach 3, equivalente a alucinantes 3 700 quilômetros por hora, que reduziria o itinerário Londres-Nova York a uma hora e meia. “Vamos abrir uma nova fronteira nos trajetos em alta velocidade”, prometeu o chefe de operações da empresa, George Whitesides.

A Boeing, por sua vez, vem trabalhando há dois anos em um projeto ainda mais ousado: operar a Mach 5 — ou a 6 100 quilômetros por hora —, baixando o tempo do voo transatlântico para uma horinha. “Esse avião permitirá que uma pessoa cruze o oceano, ida e volta, em um dia”, diz Kevin Bowcutt, chefe do setor de hipersônicos da Boeing, que prevê o voo inaugural para aproximadamente 2030. Também a Lockheed Martin está desenvolvendo um projeto supersônico, em parceria com a Nasa. O ponto central das pesquisas é como atenuar o tremendo “buuum” que ressoa ao se cruzar a barreira do som. “Definitivamente, o barulho é o mais importante”, afirma Paulo Greco Jr, professor de engenharia aeronáutica na Escola de Engenharia da USP em São Carlos. Por causa dele, o Concorde foi proibido de alcançar velocidade máxima sobre continentes — só podia fazê-lo sobre o mar. Uma das soluções em estudo é mudar a posição dos motores — em vez de estarem embaixo das asas, eles ficariam em cima delas, e sua estrutura funcionaria como um escudo para impedir a propagação do som.

Os novos supersônicos são, em geral, para poucas pessoas. Enquanto o Concorde acomodava de noventa a 120 passageiros, o projeto da Boeing permite no máximo 100 e o da Virgin, dezenove. O Overture, projetado pela Boom, startup em parte financiada pela Virgin, comportará 55 passageiros, atingirá velocidade parecida com o Mach 2 do Concorde e deve entrar em teste em 2025. Os dois mais lentos (Mach 1.4), se é que se pode usar o termo, são o Aerion AS2, com capacidade prevista de doze assentos e estreia estimada em 2027, e o Spike S-512, para dezoito pessoas, esperado em 2025. “Com a eliminação da primeira classe em muitas companhias aéreas, os novos supersônicos têm chance de atrair a clientela muito rica. Mas o grande mercado deve ser o de altos executivos que não podem perder tempo”, diz Guilherme Machado, da consultoria em aviação executiva Asa Consulting. 

APOSENTADO - Concorde: design avançado e rejeição ao estrondo sônico – Daniel Janin/AFP 

O Concorde fez o primeiro voo comercial em 1976, de Paris ao Rio de Janeiro, com escala em Dacar. Tempo de percurso: seis horas, metade do usual. Valor da passagem: cerca de 90 000 reais (ainda não há previsão de preço para os novos supersônicos). Seu interior lembrava muito a classe econômica de hoje. A diferença estava nos serviços, com refeições à base de caviar e champanhe. “Pilotei um voo da British Airways para o Rio de Janeiro em 5 de abril de 1985. A recepção foi fenomenal, animada, viva, simpática. Na partida, sobrevoei a Praia de Copacabana e o Cristo Redentor. Lembro como se fosse hoje”, disse a VEJA o piloto inglês Mike Bannister, que também comandou a última viagem do Concorde, Nova York-­Londres, em outubro de 2003. A martelada supersônica da pandemia sobre a aviação pode atrapalhar os prazos da nova aeronave ultrarrápida, mas, nos EUA, já está em movimento projeto de lei para autorizar os voos acima de Mach 1. Depois disso, o céu não terá limite.

Publicado em VEJA de 9 de setembro de 2020, edição nº 2703 

https://veja.abril.com.br/tecnologia/empresas-aereas-preparam-o-relancamento-dos-supersonicos/

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