País segue no mesmo patamar desde 2018, com quase um terço da população com dificuldade de entender um texto simples ou fazer contas
Isabela Palhares – Folha – 5.mai.2025
O Brasil estagnou na redução do analfabetismo funcional e a condição atinge 29% da população de 15 a 64 anos. Esse é o mesmo patamar que o país tinha em 2018 e ainda um recuo em relação a 2009, quando alcançava 27% dos brasileiros.
O resultado é do Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional), estudo coordenado pela Ação Educativa e que teve início em 2001. Até 2009, o indicador seguiu em contínua queda na proporção de analfabetos funcionais no país, mas desde então segue praticamente inalterado.
O estudo entrevistou 2.544 pessoas em todas as regiões do país. As entrevistas foram feitas pessoalmente com a aplicação de testes com perguntas que refletem situações do cotidiano, em diferentes graus de dificuldade. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
O indicador considera que o analfabetismo funcional pode ser dividido em dois níveis: absoluto e rudimentar.
Na última edição, 7% da população dessa faixa etária é considerada analfabeta absoluta, são aqueles que não conseguem ler palavras ou um número de telefone. Outros 22% ficam no nível de alfabetismo rudimentar, que é quando sabem ler e escrever, mas têm dificuldade para entender textos mais longos ou fazer contas com números maiores.
“A alfabetização é um processo contínuo, por isso, consideramos que existem níveis de proficiência dentro dele. É bastante preocupante que a proporção de jovens e adultos brasileiros no analfabetismo funcional esteja estática há tanto tempo. De 2018 para cá, não houve avanço”, diz Ana Lima, coordenadora do estudo.
O estudo indica que a maioria dos analfabetos funcionais são pessoas mais velhas, 65% deles têm entre 40 e 64 anos. Mas há ainda uma proporção significativa entre os jovens de 15 e 29 anos e com os que têm entre 30 e 39 anos, ambos com 17%.
Os dados também indicam uma transformação no cenário educacional brasileiro. Para os pesquisadores, a queda do analfabetismo funcional nos primeiros anos do indicador são reflexo da ampliação do acesso ao ensino fundamental e médio e a ampliação de jovens que concluem a educação básica.
No entanto, a estagnação do indicador nos últimos anos reflete a baixa qualidade da educação brasileira, já que os dados mostram uma proporção grande de pessoas que passaram pela escola e, mesmo assim, não tiveram garantido o direito de serem plenamente alfabetizadas.
O estudo identificou que 17% da população que concluiu o ensino médio ainda está no nível do analfabetismo funcional. Até mesmo entre os que concluíram o ensino superior, 12% estão nessa condição.
“Uma percentual grande da nossa população jovem está saindo da escola condenada a passar a vida toda como analfabetos funcionais. A pandemia justifica uma parte desse problema, já que as escolas ficaram fechadas por dois anos e atrapalhou o aprendizado, mas não é isso”, avalia Ana.
Para ela, só garantir o acesso dos jovens à educação não é suficiente, mas é preciso que o país invista de fato na oferta de um ensino de qualidade e significativo. “Muitos jovens na periferia enxergam a escola como algo que atrapalha a vida deles, como algo sem sentido.”
“Há alguns anos, se associava à EJA como a educação voltada para a alfabetização de adultos. Nosso problema é que agora não temos só apenas aquele idoso que não aprendeu a ler e escrever porque teve que trabalhar na roça quando era criança, agora a gente tem jovens de 16 ou 17 anos saindo da escola sem ser plenamente alfabetizado.”
ALFABETIZAÇÃO NO CONTEXTO DIGITAL
Pela primeira vez, o Inaf também avaliou a inclusão do alfabetismo da população no contexto digital. De uma maneira geral, os dados indicam que 25% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos têm baixo desempenho em atividades digitais.
Essa proporção, no entanto, aumenta conforme o menor grau de alfabetismo que possuem. Os dados mostram que 40% dos alfabetizados proficientes apresentaram médio ou baixo desempenho em tarefas digitais e 95% dos analfabetos tem um desempenho baixo.
Para avaliar as habilidades digitais, o estudo pediu aos entrevistados que realizassem tarefas corriqueiras usando um celular. Em uma delas, eles precisavam fazer uma compra e pagar via pix. Em outra, eles precisavam fazer um cadastro em um site.
“A grande constatação é que, quanto mais frágil é o alfabetismo tradicional, mais aquela pessoa fica vulnerável no ambiente digital. Incluímos a avaliação do alfabetismo no contexto digital porque cada vez mais as pessoas estão sendo obrigadas a entrar para esse mundo e, se não dominam essas habilidades, acabam até mesmo por perder direitos básicos.”
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É necessário um esforço mais amplo para alinhar a formação acadêmica às demandas do mercado e reverter a crise na Engenharia
Por Ana Maria Diniz – Valor – 05/05/2025
Fundadora do Instituto Península, que atua na formação de professores, é empresária e conselheira do Todos pela Educação e Parceiros pela Educação
Eu muito tenho escrito sobre a necessidade de reforçar a disciplina de Matemática e das Ciências Exatas em geral na formação de nossos alunos da educação básica. Nos últimos anos, o Brasil vem enfrentando uma preocupante redução no número de estudantes ingressando em cursos de Engenharia, um fenômeno que reflete não apenas o nosso retrocesso educacional, mas é também um entrave ao desenvolvimento do país. Em 2014, 469 mil calouros iniciaram cursos de Engenharia; em 2023, esse número caiu para 358 mil, uma queda de 23%. Dados ainda mais alarmantes mostram que, entre 2014 e 2020, as matrículas em cursos presenciais de Engenharia nas universidades particulares despencaram 44,5%.
Para além da questão do número de formandos em Engenharia, temos que olhar também para as escolhas que os jovens estão fazendo na hora de decidir qual faculdade querem fazer. Existe um descompasso profundo entre as escolhas dos candidatos e as reais demandas do mercado de trabalho. Mas quais são os cursos que estão bombando e ganhado alunos a cada ano? Pedagogia, Administração e Direito, os quais concentram mais de 60% dos formados atualmente. Mas aqui temos que separar o joio do trigo. Muito provavelmente os cursos de Pedagogia e Administração são escolhidos porque são mais fáceis de entrar. Já Direito, provavelmente, é mais difícil de entrar, mas traz uma remuneração melhor e mais tangível para os formados.
De qualquer forma, o fato é que muitos dos formados atualmente acabam em ocupações desalinhadas com suas formações e é muito comum encontramos administradores trabalhando como copeiros, pedagogos trabalhando em supermercado e até advogados atuando como balconistas. Enquanto isso, a Confederação Nacional da indústria (CNI) estima um déficit de 75 mil engenheiros no Brasil, com alta demanda em setores como tecnologia, infraestrutura e energias renováveis.
A raiz desse problema está nas nossas escolas. O Pisa de 2022 revelou que 70% dos estudantes brasileiros de 15 anos têm dificuldades com matemática simples, uma base essencial para carreiras em engenharia. A abordagem rígida e pouco prática do ensino contribui para o desinteresse dos jovens pelas Ciências Exatas. Além disso, a situação econômica do país e a busca por respostas rápidas no mercado de trabalho levam muitos a optarem por cursos de curta duração ou profissões percebidas como “mais simples”, como as que predominam nos cursos de educação a distância (EAD), que hoje respondem por 66% das matrículas no ensino superior. No entanto, o perfil dos alunos de EAD – majoritariamente adultos acima de 24 anos, muitos com lacunas educacionais profundas – não favorece a escolha por engenharia, e a evasão nesses cursos chega a 40%.
As consequências desse cenário são graves. Engenheiros não apenas constroem pontes; eles criam soluções inovadoras para problemas complexos, impulsionando o desenvolvimento econômico e tecnológico. Países como Coreia do Sul e Estados Unidos, que investem fortemente nesses profissionais, colhem os frutos em forma de infraestrutura robusta, avanços tecnológicos e competitividade global. No Brasil, a escassez de engenheiros ameaça setores estratégicos, como energia renovável e tecnologia, e perpetua a dependência de soluções externas.
Outro agravante é a desconexão entre a oferta de cursos e as necessidades do mercado. Enquanto se formam cinco vezes mais pedagogos do que o sistema educacional absorve, há uma carência crítica de professores especializados em Matemática, Física e Química, o que compromete a qualidade da educação básica e cria um ciclo vicioso. Este seria um bom lugar para o governo atuar e criar regulamentações e incentivos para que mais pessoas preparadas tivessem vontade de serem bons professores de matemática, garantiindo assim o aprendizado dos alunos das nossas escolas brasileiras.
Iniciativas como o campus avançado do ITA em Fortaleza, criado em 2024, com turmas iniciais de 25 alunos em cursos de energias renováveis e sistemas de computação, são passos positivos, mas insuficientes para reverter o déficit de engenheiros.
Da mesma forma, o Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli), fundado em 2021 por sócios do BTG Pactual, surge como uma proposta inovadora. Localizado em São Paulo, o Inteli oferece cinco cursos de graduação presenciais de quatro anos: Engenharia de Computação, Engenharia de Software, Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Administração com ênfase em tecnologia. Seu diferencial está na metodologia 100% baseada em projetos, inspirada em instituições como MIT e Stanford, onde os alunos trabalham em desafios reais propostos por mais de 80 empresas parceiras, como Vale, IBM e BTG Pactual, desde o primeiro dia. Com foco em competências de computação (inteligência artificial, ciência de dados, cibersegurança), negócios (finanças corporativas, marketing digital) e habilidades comportamentais (comunicação, ética), o Inteli já formou 307 projetos para 57 parceiros e mantém um robusto programa de bolsas, beneficiando mais da metade de seus alunos.
Porém, apesar de projetos como esses, é necessário um esforço mais amplo para alinhar a formação acadêmica às demandas do mercado e reverter a crise na engenharia. Para mudar esse cenário, o Brasil precisa de ações estruturadas. Primeiro, é essencial melhorar o ensino básica, com foco em ciências exatas e metodologias que despertem o interesse dos jovens. Políticas de incentivo, como bolsas de estudo e campanhas de valorização da engenharia, também podem atrair mais estudantes. Por fim, o governo deve alinhar a oferta de cursos superiores às demandas do mercado, regulando melhor a expansão do EAD e priorizando áreas estratégicas.
Quem viveu os anos 80, a década da economia brasileira engolida pela inflação galopante, deve se lembrar do “engenheiro que virou suco” – profissional então recém-formado pelo Mackenzie que, sem achar trabalho, abriu um bar na Avenida Paulista, de mesmo nome. No século 21, quem está, de fato, “virando suco” é a engenharia brasileira. É muito louvável a nossa veia empreendedora que tem sim que ser incentivada! Mas para além dos empreendedores temos que ter engenheiros espalhados por todas as nossas empresas, criando novas tecnologias e soluções para os problemas reais do mundo, pois certamente eles são os mais preparados para isso.
Ainda há tempo de reverter essa trajetória. Cabe ao Brasil decidir se quer ser um país que anda para trás ou um que constrói pontes para o futuro.
*Ana Maria Diniz é fundadora do Instituto Península, que atua na formação de professores; empresária e conselheira do Todos pela Educação e Parceiros pela Educação.
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É uma manhã ensolarada de primavera em Hanover, na Alemanha, e estou a caminho de um encontro com um robô.
Fui convidado para ver o G1, um robô humanoide construído pela empresa chinesa Unitree, na Hannover Messe, uma das maiores feiras industriais do mundo.
Com cerca de 1,30 m de altura, o G1 é menor e mais acessível do que outros robôs humanoides do mercado e possui uma amplitude de movimento e destreza tão fluidas que vídeos dele realizando números de dança e artes marciais viralizaram.
Hoje, o G1 está sendo controlado remotamente por Pedro Zheng, gerente de vendas da Unitree. Ele explica que os clientes devem programar cada G1 para funções autônomas.
Transeuntes param e tentam ativamente interagir com o G1, o que não se pode dizer de muitas das outras máquinas exibidas na sala de conferências cavernosa.
Eles estendem a mão para cumprimentá-lo, fazem movimentos bruscos para ver se ele responde, riem quando o G1 acena ou se inclina para trás, pedem desculpas se esbarram nele. Há algo em seu formato humano que, por mais estranho que seja, tranquiliza as pessoas.
A Unitree é apenas uma das dezenas de empresas ao redor do mundo que desenvolvem robôs com forma humana.
O potencial é enorme – para as empresas, promete uma força de trabalho que não precisa de férias ou aumentos salariais.
Também pode ser o eletrodoméstico definitivo. Afinal, quem não gostaria de uma máquina que lavasse roupa e enchesse a máquina de lavar louça?
Mas a tecnologia ainda está um pouco distante. Embora braços robóticos e robôs móveis sejam comuns em fábricas e armazéns há décadas, as condições nesses locais de trabalho podem ser controladas e os trabalhadores podem ser mantidos em segurança.
Introduzir um robô humanoide em um ambiente menos previsível, como um restaurante ou uma casa, é um problema muito mais difícil.
Para serem úteis, robôs humanoides teriam que ser fortes, mas isso também os torna potencialmente perigosos – simplesmente cair na hora errada pode ser perigoso.
Muito trabalho precisa ser feito na inteligência artificial (IA) que controlaria tal máquina.
“A IA simplesmente ainda não atingiu o ponto de virada”, disse um porta-voz da Unitree à BBC.
“A IA robótica atual considera a lógica e o raciocínio básicos – como para entender e concluir tarefas complexas de forma lógica – um desafio”, disseram eles.
No momento, o G1 é comercializado para instituições de pesquisa e empresas de tecnologia, que podem usar o software de código aberto da Unitree para desenvolvimento.
Por enquanto, os empreendedores estão concentrando seus esforços em robôs humanoides para armazéns e fábricas.
O mais famoso desses empresários é Elon Musk. Sua montadora, a Tesla, está desenvolvendo um robô humanoide chamado Optimus.
Em janeiro, ele afirmou que “vários milhares” serão construídos este ano e espera que eles façam “coisas úteis” nas fábricas da Tesla.
Outras montadoras estão seguindo um caminho semelhante.
A BMW introduziu recentemente robôs humanoides em uma fábrica nos EUA. Enquanto isso, a montadora sul-coreana Hyundai encomendou dezenas de milhares de robôs da Boston Dynamics, a empresa de robôs que comprou em 2021.
Thomas Andersson, fundador da empresa de pesquisa STIQ, acompanha 49 empresas que desenvolvem robôs humanoides – aqueles com dois braços e pernas.
Se ampliarmos a definição para robôs com dois braços, mas que se impulsionam sobre rodas, ele analisa mais de 100 empresas.
Andersson acredita que as empresas chinesas provavelmente dominarão o mercado.
“A cadeia de suprimentos e todo o ecossistema de robótica na China são enormes, e é muito fácil aperfeiçoar desenvolvimentos e fazer P&D [pesquisa e desenvolvimento]”, diz Andersson.
A Unitree demonstra essa vantagem: seu G1 é barato (para um robô), com um preço anunciado de US$ 16 mil (R$ 90,9 mil).
Além disso, Andersson ressalta que o investimento favorece os países asiáticos.
Em um relatório recente, a STIQ observa que quase 60% de todo o financiamento para robôs humanoides foi captado na Ásia, com os EUA atraindo a maior parte do restante.
As empresas chinesas têm o benefício adicional do apoio do governo nacional e local.
Por exemplo, em Xangai, há um centro de treinamento para robôs apoiado pelo Estado, onde dezenas de robôs humanoides estão aprendendo a realizar tarefas.
Então, como os fabricantes de robôs americanos e europeus podem competir com isso?
Bren Pierce, com sede em Bristol, fundou três empresas de robótica e a mais recente, a Kinisi, acaba de lançar o robô KR1.
Embora o robô tenha sido projetado e desenvolvido no Reino Unido, ele será fabricado na Ásia.
“O problema que você enfrenta como empresa europeia ou americana é que você tem que comprar todos esses subcomponentes da China para começar”, diz Pierce.
“Então se torna estúpido comprar motores, comprar baterias, comprar resistores, transportá-los para o outro lado do mundo para montá-los, quando você poderia simplesmente juntá-los na fonte, que fica na Ásia.”
Além de fabricar seus robôs na Ásia, Pierce está mantendo os custos baixos ao não optar pela forma humanoide completa.
Projetado para armazéns e fábricas, o KR1 não tem pernas.
“Todos esses lugares têm piso plano. Por que você iria querer o gasto adicional de um formato tão complexo… quando você pode simplesmente colocá-lo em uma base móvel?”, ele pergunta.
Sempre que possível, seu KR1 é construído com componentes produzidos em série — as rodas são as mesmas que você encontraria em uma scooter elétrica.
“Minha filosofia é comprar o máximo de coisas possível prontas. Então, todos os nossos motores, baterias, computadores e câmeras são peças disponíveis comercialmente e produzidas em série”, diz ele.
Assim como seus concorrentes na Unitree, Pierce diz que o verdadeiro “ingrediente secreto” é o software que permite que o robô trabalhe com humanos.
“Muitas empresas lançam robôs de alta tecnologia, mas aí você precisa de um doutorado em robótica para poder realmente instalá-los e usá-los”, diz ele.
“O que estamos tentando projetar é um robô muito simples de usar, onde um trabalhador comum de armazém ou fábrica possa aprender a usá-lo em poucas horas”, diz Pierce.
Ele afirma que o KR1 consegue executar uma tarefa após ser guiado por um humano 20 ou 30 vezes.
O KR1 será entregue a clientes-piloto para testes este ano.
Será que os robôs algum dia sairão das fábricas e chegarão às casas? Até mesmo o otimista Pierce diz que isso ainda está longe de acontecer.
“Meu sonho de longo prazo nos últimos 20 anos tem sido construir um robô que faça tudo”, diz o empreendedor.
“Foi a isso que dediquei meu doutorado. Acho que esse é o objetivo final, mas é uma tarefa muito complicada”, diz Pierce.
“Ainda acho que eles chegarão lá, mas isso levará pelo menos 10 a 15 anos.”
Esta reportagem foi traduzida e revisada por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA na tradução, como parte de um projeto piloto.
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Novos dados sugerem que os empregos de nível básico estão enfrentando um evento de extinção graças à inteligência artificial. A partir daí, ela só vai subir no organograma.
Por Nick Bilton – Vanity Fair – 25 de abril de 2025(tradução pelo Google)
No fim de semana, um robô de entregas na altura do joelho passou pela cafeteria do meu bairro em Los Angeles, seus “olhos” brancos e brilhantes piscando enquanto se esgueirava entre uma mãe com um carrinho de bebê e um cachorro. Nem a mãe, nem o bebê, nem o cachorro prestaram atenção ao robô. Era simplesmente normal. E, no entanto, não faz muito tempo que as pessoas saíam de cafés, com os celulares em punho, para filmar esses robôs de entrega em movimento, tirando selfies com eles ou simplesmente observando boquiabertas enquanto um robô de verdade entrava no universo. Hoje eu era a única pessoa a levantar os olhos do meu cappuccino. A frase de William Gibson de que “o futuro já está aqui, só não está distribuído uniformemente” nunca soou tão literal. Em outras palavras, a perda de empregos para robôs não está chegando, ela já começou.
Considere o humilde estagiário. Uma pesquisa realizada pela Intelligent.com descobriu que 70% dos gerentes de contratação acreditam que a inteligência artificial pode fazer o trabalho de um estagiário — e isso foi no ano passado. Naquela época, em abril de 2024, 5% dos entrevistados disseram que já ofereceram estágios, mas não os oferecem mais; quase um terço desse subconjunto culpou a IA e sua capacidade de lidar com o trabalho burocrático antes atribuído a jovens de 22 anos que estavam apenas felizes por estarem lá. Um ano depois, os números são impressionantes: a última Atualização do Mercado de Trabalho do Indeed Hiring Lab relatou no início deste mês que as ofertas de estágio em 3 de abril caíram abaixo da linha de base de 2019 e agora estão 11 pontos percentuais abaixo da mesma data em 2024, um sinal claro de que as vagas de estágio estão desaparecendo antes mesmo que a turma de 2025 receba um diploma.
Pessoas no Vale do Silício chamam essa atual substituição de empregos de “arbitragem de pessoal”, que é uma forma tecnológica de dizer: “não precisamos mais de pessoas!” Assistentes de pesquisa? Modelos de linguagem agora podem ingerir relatórios de mercado de 200 páginas, conferir citações, redigir um PowerPoint e executar projetos de pesquisa inteiros — tudo feito na nuvem e entregue ao seu computador em poucos minutos, no máximo. Aquelas chamadas de atendimento ao cliente em que você grita ao telefone e grita “Eu disse telefonista!!!” provavelmente também serão coisa do passado. A Ikea já está substituindo essas funções de suporte por um novo bot de IA chamado Billie, que pode ajudar você com peças faltantes para sua estante ou agendar entregas. Redação, design de storyboard, consultoria em finanças pessoais e uma longa lista de outras funções já estão sendo substituídas pela IA ou estão prestes a ser substituídas.
A mesma dinâmica está se espalhando para todas as áreas do mercado de trabalho. Na Bacia do Permiano, a Chevron está usando tecnologia de IA em plataformas de perfuração que detectam sinais precoces de mudanças de pressão mais rápido do que os humanos, e a empresa se orgulha de que “a IA ajuda a Chevron a extrair mais petróleo por menos”. O JPMorgan Chase implantou IA para analisar contratos de empréstimos comerciais em segundos — trabalho que antes levava 360.000 horas por ano para advogados e agentes de crédito concluir. Mais de 40 anos de trabalho agora são realizados em segundos.
Departamentos de radiologia estão implementando sistemas de IA que podem detectar anomalias em imagens médicas com uma precisão que rivaliza com a de especialistas humanos. A pesquisa jurídica, antes realizada por exércitos de assistentes jurídicos e associados juniores, está cada vez mais automatizada. Até mesmo as áreas criativas já estão sendo substituídas por IA — agências de publicidade agora usam IA para ajudar a gerar conceitos de campanhas, redação publicitária e designs visuais que antes exigiam equipes de criativos humanos, incluindo Coca-Cola, Heinz e MintMobile.
No entanto, a prova mais tangível de que a força de trabalho humana está alerta anda sobre rodas e, em breve, sobre pernas. Los Angeles se juntou a São Francisco nesta primavera como o mais novo playground para os táxis autônomos da Waymo. A emoção inicial de entrar em um carro sem motorista desaparece rapidamente. Todos que conheço que já pegaram um Waymo dizem a mesma coisa: nunca mais pegarão um Uber dirigido por humanos. “Não preciso falar com ninguém”, celebrou uma amiga após sua viagem inaugural. “Posso peidar, cutucar o nariz, fazer o que eu quiser, e o motorista nunca se ofende. E, honestamente, parece mais seguro do que um humano verificando mensagens de texto.” Ela acrescentou: “E você não precisa dar gorjeta!”
Há dois anos, o Goldman Sachs estimou que a IA generativa sozinha poderia automatizar o equivalente a 300 milhões de empregos em tempo integral em todo o mundo. O Goldman também previu que a IA substituindo humanos poderia aumentar o PIB global em 7%, então acho que há um lado positivo, dependendo de para quem esses 7% forem distribuídos. A McKinsey previu em um relatório de 2017 que potencialmente centenas de milhões de trabalhadores perderiam seus empregos para a automação até 2030.
Escolha qualquer linha do tempo que desejar, a trajetória é clara: primeiro as tarefas, depois os empregos, depois carreiras inteiras, tudo será substituído por máquinas, e isso já está acontecendo.
Os otimistas em tecnologia insistem que cada salto tecnológico eventualmente cria mais empregos do que destrói: a descaroçadora de algodão gerou o engenheiro têxtil, o caixa eletrônico gerou exércitos de designers de produtos financeiros. Isso pode ser verdade ao longo da história, mas não é verdade hoje. Empregos estão desaparecendo em massa e, com a exceção limitada de digitadores rápidos, qualquer novo emprego criado também pode ser substituído pela IA antes que alguém tenha a chance de dominar sua nova área.
Os próximos 12 meses serão impressionantes no que diz respeito à velocidade com que a IA se tornará mais inteligente, rápida e capaz de fazer o que fazemos, só que melhor. OpenAI, Google, Anthropic e Meta estão lançando modelos maiores e mais precisos em um ritmo que rivaliza com as novas listas de tarifas de Donald J. Trump, enquanto empresas chinesas bem financiadas, algumas das quais supostamente são até clones de empresas de IA sediadas nos EUA, estão rapidamente alcançando a inovação americana. Fabricantes de chips não conseguem fabricar silício co
m a rapidez necessária. Capitalistas de risco, entusiasmados com a perspectiva de economia permanente de custos, estão investindo bilhões em qualquer startup cujo discurso combine “GPT-4o” e “arbitragem de número de funcionários” no slide três.
O que me leva — gulp! — à minha própria linha de trabalho. Se um modelo de linguagem pode sintetizar dados de pesquisa, adicionar uma citação de Gibson e produzir uma coluna irônica de mil palavras no estilo impecável da AP, com o que exatamente estou contribuindo além da síndrome do túnel do carpo e da predileção por travessões? A Vanity Fair pode em breve descobrir que seu repórter de tecnologia pode ser substituído por um algoritmo que nunca reclama de edições, nunca apresenta um relatório de despesas e não liga dizendo que está doente — nunca. Porque se o estagiário for realmente o canário na mina de carvão*, eu não estou muito atrás.
*A expressão “canário na mina de carvão” refere-se a um indicador ou alerta precoce de um problema ou perigo iminente, semelhante ao uso histórico de canários em minas de carvão para detectar gases tóxicos. Se um canário morria em uma mina, significava que os mineiros deveriam sair imediatamente, pois o ar era perigoso para respirar.
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Prova Canguru tem mais de 1,5 milhão de inscritos, entre alunos de escolas particulares e públicas; avaliação é focada em resolução de problemas e não em memorização; OBMEP é aplicada em 99,9% das cidades do País
Competições matemáticas têm ganhado força no País nos últimos anos, numa perspectiva de tornar a disciplina mais acessível e instigante para as crianças e adolescentes. Além da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), que já tem 20 anos, a prova internacional Canguru de Matemática bate recorde de inscritos no Brasil. Pesquisas mostram impactos positivos na aprendizagem de estudantes e escolas participantes.
No ano passado, o total foi de 1,3 milhão de alunos na Canguru e aumento de 248% no número de escolas inscritas, cerca de 7 mil. É o país com a maior quantidades de estudantes entre os centenas que fazem o exame no mundo.
A estimativa para este ano – a Canguru está sendo realizada em março e abril – é de 1,8 milhão de estudantes. Entre eles, há alunos de escolas públicas, mas também muitas instituições particulares de elite, com perfil humanista, menos voltadas para o espírito competitivo.
Medalhas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), 2024. Foto: Divulgação/Obmep Foto: Divulgação/Obmep
A OBMEP também teve em 2025 o maior número de escolas e cidades inscritas já registradas em duas décadas de história. A prova é realizada em 99,93% do municípios do País, por 18,6 milhões de estudantes.
Cristina Diaz, CEO da Upmat Educacional, que organiza a Canguru no País, explica que a ideia é fazer uma “grande celebração da Matemática” e diz que os resultados podem ser usados da forma que a escola entender melhor.
“Algumas dão diplomas, medalhas, colocam em outdoor. Outras só levam as questões para debater na sala de aula”, afirma. “O objetivo é que crianças do mundo todo percam o medo da Matemática.”
O exame é o mesmo em todos os países, só traduzidos para língua local, e feito por um grupo de especialistas internacionais. A ideia é uma prova que não é focada em conteúdo e, sim, na resolução de problemas e raciocínio lógico, independentemente da idade ou série do estudante.
É algo semelhante ao que aparece também em provas como o Pisa, feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e que o Brasil fica sempre entre as últimas colocações.
As questões abordam identificação de padrões ou desafios em situações que fazem sentido para as crianças e adolescentes, que estão do 3º ano do fundamental até o último do ensino médio. “Não depende se a criança teve fração na escola ou não, não é uma prova curricular”, explica Cristina.
“Os desafios da Canguru são muito inteligentes, são abertos, obrigam a criança a pensar, o que importa não é a resposta correta somente”, diz a diretora da Escola Vera Cruz, Regina Scarpa, cujos alunos participam da prova de forma voluntária. Os que se saem melhor recebem medalhas. Para ela, competições como a Canguru mobilizam as crianças e jovens para o interesse e estudo da Matemática.
O nome Canguru é em homenagem a um professor australiano que inventou uma prova divertida de matemática nos anos 1990. Cristina acredita que a avaliação está muito conectada à ideia de uma disciplina que é criativa e sem decorebas.
Como o Estadão mostrou, cresce no Brasil e no mundo uma nova abordagem para o ensino da Matemática, que estimula a descoberta, pensamento lógico, criar hipóteses e encontrar o resultado da sua própria maneira. E, além disso, mudar as atitudes diante da disciplina e acabar com a crença de que só algumas pessoas têm jeito para a Matemática. “A gente decora, passa no vestibular, entra na faculdade e vai deixando buracos na vida adulta”, diz Cristina.
Vagas na USP e na Unicamp para medalhistas
Mais antiga, a OBMEP já abre oportunidades até para ingresso no ensino superior. A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), duas das maiores do País, têm vagas específicas para medalhistas dessa e de outras olimpíadas de conhecimento.
O Impa Tech, um bacharelado federal em Matemática da Tecnologia e Inovação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro, reserva 80% das vagas para estudantes medalhistas em olimpíadas científicas.
Pesquisas que já investigaram os efeitos da participação na olimpíada mostram impacto significativo na aprendizagem dos alunos e da escola. Uma delas diz que o benefício aumenta conforme a maior quantidade de vezes que a instituição inscreve seus alunos para a competição.
“O efeito se dá porque as escolas envolvidas com a OBMEP por um período maior de tempo modificaram seu projeto pedagógico para o ensino de Matemática, incluindo na sua rotina atividades que oportunizam o aprendizado dessa disciplina”, diz o estudo realizado pelos pesquisadores Camila M. Machado Soares e Elisabette Leo, sob supervisão do professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Francisco Soares.
A pesquisa afirma ainda que os professores também se qualificam melhor porque se envolvem mais com o ensino da Matemática e aponta que as premiações despertam maior interesse de todos os alunos pela disciplina.
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Seja em um e-mail privado ou em um post no LinkedIn, precisamos admitir que usar descaradamente IA para escrever pode ser uma falta de educação
MARK WILSON – Fast Company Brasil – 01-05-2025
Sou jornalista e, antes, costumava dedicar os primeiros 30 minutos do meu dia a consumir feeds de notícias. Agora, esse hábito mudou: esses minutos são dedicados ao LinkedIn.
Esse é o curso natural da tecnologia e busco um público interessado em textos baseados em reflexão cuidadosa. Descobri que essa pseudo rede social – que eu achava constrangedora – está, na verdade, cheia de pessoas inteligentes, que vão aparecer se eu estiver disposto a dedicar um tempo extra compartilhando meus textos com elas.
Estamos agora na era dos especialistas de LinkedIn que escrevem com IA. Sua especialidade é pegar uma matéria e jogar no ChatGPT, pedindo para resumi-la em um post engraçadinho para o LinkedIn. O próprio LinkedIn tem um assistente de escrita que incentiva as pessoas a “reescrever com IA” para produzir esse tipo de conteúdo.
Eles pegam os pensamentos e pesquisas de outros, reconstroem e apresentam como se fossem seus. Mesmo quando citam referências em links, ainda assim o novo texto parece uma colcha de retalhos. Ou um bife transformado em carne processada.
Além do uso excessivo desse recurso para resumir reuniões do Zoom, posso perceber que os e-mails de apresentações de empresas e projetos que recebo estão cada vez mais sendo escritos com a ajuda da IA, enquanto empresas como a Microsoft promovem o Copilot para ajudar a redigir memorandos corporativos (e posts no LinkedIn!).
O BOTÃO ONIPRESENTE DA IA PROMETENDO FAZER QUALQUER COISA POR VOCÊ É CERTAMENTE TENTADOR.
Parece que todo designer que conheço está usando IA para escrever sobre seus projetos. O Canva acaba de lançar ferramentas para escrever anúncios em massa para você em praticamente todos os idiomas do mundo.
Tudo isso é ok. Tem muita fumaça, mas o ambiente ainda não pegou fogo. Nem toda apresentação ou pitch de vendas precisa ser um soneto shakespeariano. Mesmo especialistas em linguagem dirão que a maior parte dos escritos não passam de fórmulas. É por isso que tecnologias preditivas de autocompletar textos têm sido tão precisas por tanto tempo.
Eu costumava ter medo de que a IA nos aprisionasse em nosso próprio universo. Agora, imagino um futuro bem mais ordinário. Nele, eu uso a IA para escrever algo para você e você pede para a sua IA resumir.
Depois, sua IA escreve de volta. E aí a minha IA resume sua resposta. Por que não foi tudo resumido desde o começo? Qual é a necessidade de alguém chegar a formular qualquer pensamento completo?
LEVA MAIS TEMPO PARA SE LER TEXTOS FEITOS POR IA DO QUE PARA ESCREVER
O que é tão insultante para mim nesses textos gerados por IA é que eles levam menos tempo e consideração para serem produzidos do que para serem lidos. Você está, pela natureza do compartilhamento dessas palavras automatizadas, sinalizando para mim que se importa menos com o meu tempo e atenção do que com o seu próprio.
Claro, você é livre para acreditar nisso o quanto quiser – na sua própria cabeça. Só não jogue isso na minha caixa de entrada ou no meu feed. Porque isso é falta de educação.
Para o pessoal do marketing e design gráfico, por favor, não cancelem seus planos de fim de semana para obter 10 microssegundos a mais do meu engajamento! Quem se importa? (Desculpe, eu realmente gosto de um bom anúncio.)
Mas a leitura simplesmente leva mais tempo do que o processamento visual. Exige mais do público. Apresentar a um amigo ou colega uma mensagem que uma IA escreveu é como convidá-lo para o jantar e esquentar uma lasanha congelada nos microondas.
Um post de IA no LinkedIn é como levar esse mesmo jantar requentado para uma confraternização. Você deveria se envergonhar em ambos os casos. Não pela falta de habilidade ou prática em juntar palavras, mas pela falta de respeito por nem sequer tentar.
ESTAMOS NA ERA DOS ESPECIALISTAS DE LINKEDIN QUE ESCREVEM COM IA.
Agora, para ser justo, reconheço que esse erro não é totalmente sua culpa. O botão onipresente da IA prometendo fazer qualquer coisa por você é certamente tentador. E empresas como OpenAI, Google e Microsoft estão incentivando esse comportamento enquanto esperam provar que valeu a pena seu investimento em ferramentas de IA.
Elas vão nos viciar em automação mesmo quando é indelicado, porque não existe plano de negócios no mundo baseado em moderação.
A verdade, porém, é uma só: se algo não vale a pena o seu trabalho de escrever, então por que raios vai valer a pena eu ler?
SOBRE O AUTOR
Mark Wilson é redator sênior da Fast Company. Escreve sobre design, tecnologia e cultura há quase 15 anos.
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Empresa afirmou que as mudanças não afetarão equipes no Brasil
Por Mariana Cury – Estadão – 30/04/2025
Nesta segunda-feira, 28, o CEO do Duolingo, Luis von Ahn, anunciou, por meio de um e-mail, que foi publicado no LinkedIn, que a empresa substituirá alguns colaboradores por inteligência artificial (IA). A mudança será feita em cargos que a IA consegue desenvolver sem o auxílio humano. Segundo ele, a empresa usará a estratégia de “AI first”, ou seja, tratará a tecnologia como prioridade.
O CEO acredita que o uso das IAs não é apenas uma forma de otimizar serviço, mas também, uma maneira de “aproximar a empresa de sua missão”.
Em nota ao Estadão, a empresa afirmou que as mudanças não afetarão as operações ou a equipe do Duolingo Brasil.
De acordo com ele, as mudanças feitas com IA beneficiarão os alunos da plataforma. “Uma das melhores decisões que tomamos recentemente foi a substituição de um processo lento e manual de criação de conteúdo por um processo alimentado por IA. Sem a IA, levaríamos décadas para expandir nosso conteúdo para mais alunos. Devemos isso aos nossos alunos para que eles recebam esse conteúdo o mais rápido possível”, disse na publicação.
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Ele também comparou a decisão atual com uma de 2012, em que o Duolingo priorizou o desenvolvimento de seu aplicativo para smartphones, o que foi essencial para popularização da plataforma de estudos de línguas ao redor do mundo. Além disso, disse que as mudanças serão uma forma dos funcionários de “focarem em problemas reais, e não em tarefas repetitivas”.
A decisão de Von Ahn lembra as declarações recentes do CEO do Shopify, Tobi Lütke, em que disse que antes dos funcionários solicitarem mais recursos, eles precisam provar “o motivo que pelo qual as IAs não podem exercer essas necessidades”. Nesse mesmo sentido, novas contratações no Duolingo só serão feitas se a tecnologia não conseguir realizar determinado serviço.
Leia na íntegra a publicação do CEO
Eu já disse isso nas perguntas e respostas e em muitas reuniões, mas quero tornar isso oficial: O Duolingo vai priorizar a IA.
A IA já está mudando a forma como o trabalho é feito. Não se trata de uma questão de se ou quando. Isso está acontecendo agora. Quando há uma mudança tão grande, a pior coisa que se pode fazer é esperar. Em 2012, apostamos no celular. Enquanto outros se concentravam em aplicativos móveis complementares para sites, decidimos desenvolver a tecnologia móvel primeiro porque vimos que era o futuro. Essa decisão nos ajudou a ganhar o prêmio de Aplicativo do Ano para iPhone em 2013 e desbloqueou o crescimento orgânico boca a boca que se seguiu.
Apostar no celular fez toda a diferença. Estamos tomando uma decisão semelhante agora e, desta vez, a mudança de plataforma é a IA.
A IA não é apenas um aumento de produtividade. Ela nos ajuda a chegar mais perto de nossa missão. Para ensinar bem, precisamos criar uma quantidade enorme de conteúdo, e fazer isso manualmente não tem escala. Uma das melhores decisões que tomamos recentemente foi a substituição de um processo lento e manual de criação de conteúdo por um processo alimentado por IA. Sem a IA, levaríamos décadas para expandir nosso conteúdo para mais alunos. Devemos isso aos nossos alunos para que eles recebam esse conteúdo o mais rápido possível.
A IA também nos ajuda a criar recursos como a chamada de vídeo, que antes eram impossíveis de criar. Pela primeira vez, ensinar tão bem quanto os melhores tutores humanos está ao nosso alcance.
Ser a IA em primeiro lugar significa que precisaremos repensar grande parte da forma como trabalhamos. Fazer pequenos ajustes em sistemas projetados para humanos não nos levará a isso. Em muitos casos, precisaremos começar do zero. Não vamos reconstruir tudo da noite para o dia, e algumas coisas – como fazer com que a IA entenda nossa base de código – levarão tempo. No entanto, não podemos esperar até que a tecnologia esteja 100% perfeita. Preferimos agir com urgência e sofrer pequenos impactos ocasionais na qualidade do que agir lentamente e perder o momento.
Estaremos implementando algumas restrições construtivas para ajudar a orientar essa mudança:
Gradualmente, deixaremos de usar prestadores de serviços para fazer o trabalho que a IA pode realizar
O uso de IA fará parte do que procuramos nas contratações
O uso da IA fará parte do que avaliamos nas avaliações de desempenho
O número de funcionários só será concedido se uma equipe não puder automatizar mais do seu trabalho
A maioria das funções terá iniciativas específicas para mudar fundamentalmente a forma como trabalham
Dito isso, o Duolingo continuará sendo uma empresa que se preocupa profundamente com seus funcionários. Não se trata de substituir Duos por IA. Trata-se de remover gargalos para que possamos fazer mais com as duplas excelentes que já temos. Queremos que você se concentre no trabalho criativo e em problemas reais, não em tarefas repetitivas. Vamos apoiá-lo com mais treinamento, orientação e ferramentas para IA em sua função.
Mudanças podem ser assustadoras, mas estou confiante de que esse será um grande passo para o Duolingo. Isso nos ajudará a cumprir melhor nossa missão – e, para os Duos, isso significa ficar à frente da curva no uso dessa tecnologia para fazer as coisas.
*Mariana Cury é estagiária sob supervisão do editor Bruno Romani
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Turbinada por inteligência artificial (IA), uma nova leva dessas máquinas já estão operando, ainda em teste, em empresas como Mercedes-Benz, BMW e Amazon
Por Juliana Causin — O Globo – 27/04/2025
Rôbos da chinesa Ubtech trabalhando — Foto: Divulgação
Feitos à imagem e semelhança de seus criadores, eles são bípedes, têm braços articulados, mãos que manipulam objetos e circuitos que aprendem a tomar decisões. Também têm sensores, câmeras e microfones para entender o ambiente ao redor. Forjados em laboratórios ao longo de décadas, os robôs humanoides começam a chegar aos ambientes de trabalho reais para atuar com humanos.
Turbinada por inteligência artificial (IA), uma nova leva dessas máquinas está em testes em montadoras como Mercedes-Benz e BMW e nos centros de distribuição da varejista on-line Amazon nos EUA. São máquinas versáteis, que também poderiam ser úteis para substituir humanos em tarefas insalubres ou repetitivas, cujo desenvolvimento abre nova trincheira na batalha entre EUA e China, já que os principais desenvolvedores são destes dois países.
Segundo o Goldman Sachs, esse mercado deve alcançar US$ 38 bilhões (R$ 215 bilhões) até 2035, com uma redução de 40% no custo atual das máquinas. Desde 2023, os preços de um robô humanoide saíram da faixa entre US$ 50 mil e US$ 250 mil por unidade para algo entre US$ 30 mil e US$ 150 mil.
Essas máquinas inteligentes também poderiam ser a solução para empresas com escassez de mão de obra na manufatura, inclusive a avançada. Robôs que imitam humanos já existem há tempos, mas a inclusão de modelos de IA mais potentes está fazendo a diferença ao aprimorar habilidades, dispensar o controle remoto ou evitar programação constante por um humano. Os humanoides agora têm capacidade de aprender e executar tarefas complexas.
Esther Colombini, professora de robótica e IA do Instituto de Computação da Unicamp, explica que a escolha pelo formato humano não é estética, mas funcional:
— Se a operação acontece em uma estrutura física feita para humanos, posso introduzi-los nesses ambientes sem precisar de adaptações.
A pesquisadora ressalta que robótica e inteligência artificial “sempre andaram juntas”, mas os avanços recentes na IA deram mais capacidade de identificar objetos, reconhecer pessoas e se locomover. Um dos expoentes dessa aliança é o Apollo, humanoide da americana Apptronik, testado desde março pela Mercedes na Alemanha. Com 1,73 metro de altura e 72 quilos, ele transporta kits de peças para montagem de carros de uma linha para a outra.
Plataforma de Hardware
Segundo a Apptronik, a IA permitiu ao robô se tornar uma espécie de “plataforma” de hardware, comparável a um iPhone: ele vem com funções básicas instaladas, mas pode ganhar novas habilidades de acordo com o emprego.
Outras montadoras investem nisso. A BMW adotou em sua operação nos EUA os robôs da Figure AI. A americana Tesla, de Elon Musk, trabalha na fabricação dos humanoides Optimus para atuarem na montadora e fora dela.
A chinesa BYD e a coreana Hyundai, que controla a Boston Dynamics, também têm projetos na área.
A Amazon começou a testar o robô bípede Digit, da Agility Robotics, em galpões dos EUA em 2023. Os primeiros resultados indicam que ele otimiza o movimento de itens e contêineres em espaços complexos, como corredores estreitos e áreas de difícil acesso para os 750 mil robôs tradicionais que já operam regularmente, diz Thomas Kampel, diretor de Comunicação Corporativa da empresa no Brasil.
Pras Velagapudi, diretor de Tecnologia da Agility, diz que a IA permite que cada unidade do Digit se beneficie do aprendizado dos outros robôs da frota, numa evolução coletiva.
— À medida que esses modelos (de IA) avançam, oferecem a possibilidade de reduzir consideravelmente o esforço necessário para ensinar um robô a realizar uma nova tarefa, um dos principais obstáculos à adoção pelos clientes — afirma o executivo, admitindo, no entanto, que ainda há um desafio de confiabilidade em relação à IA.
Além das fábricas, Andréa Janer, CEO da consultoria Oxygen, diz que humanoides avançam em outras frentes, como em tarefas domésticas ou só fazendo companhia, potencializados pela chamada “IA corporificada”:
— Em vez de você interagir por texto ou voz (com IA), você vai ter uma figura que pode te ajudar a resolver problemas. Seria um terceiro passo da IA.
Uma das empresas que quer liderar o segmento de robôs “domésticos” é a norueguesa 1X, criadora do Neo Gamma, feito para executar tarefas como aspirar o chão, regar plantas e servir café. Sim, como a robô de avental dos Jetsons. A startup anunciou que começaria os primeiros testes em casas neste ano.
Para Colombini, da Unicamp, a tecnologia ainda está longe da maturidade necessária para humanoides atuarem de forma autônoma e segura em indústrias e residências. Além de desafios operacionais, ela cita dilemas éticos e regulatórios:
— Você confiaria em deixar uma máquina de 70 quilos de metal sozinha com seu filho pequeno ou seus cachorros?
Chineses à frente
Nessa corrida tecnológica, a China parece despontar. No início deste ano, um relatório do Morgan Stanley mapeou as cem principais empresas e setores ligados a toda a cadeia de desenvolvimento de robôs humanoides: 73% das companhias envolvidas estão na Ásia, sendo 56% na China.
“A China continua a mostrar o progresso mais impressionante em robótica humanoide, onde as startups estão se beneficiando de cadeias de suprimentos estabelecidas, oportunidades de adoção local e altos níveis de apoio do governo”, avaliam os analistas.
Assim como aconteceu com carros elétricos e IA, a China incluiu os humanoides em sua estratégia de crescimento. Em 2023, o governo lançou seu primeiro plano específico para a área, com a meta de, neste ano, ter robôs em produção massiva, com “duas a três empresas com influência global”. Em 2027, Pequim quer ter humanoides “profundamente integrados à economia real”.
Entre as principais fabricantes chinesas de humanoides, estão Ubtech, Unitree e Agibot. Há uma semana, 21 humanoides foram colocados à prova (literalmente) em uma meia maratona nas ruas da capital chinesa. Um exemplar do Centro de Inovação em Robótica Humanoide de Pequim venceu a prova de 21 quilômetros em 2h40. Nada mau.
— Os chineses não querem só liderar do ponto de vista tecnológico, mas trazer o robô para um patamar de preço acessível. Falam em máquinas de US$ 30 mil até 2030, o que seria um feito enorme — avalia José Rizzo, líder de Industry X na Accenture Brasil.
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Facções criminosas e milícias movimentaram em 2022 R$ 61,5 bilhões com a comercialização de gasolina, álcool, diesel e lubrificantes contra R$ 15 bilhões com a droga
Por Roberta Jansen – Estadão – 13/02/2025
O crime organizado no Brasil já movimenta mais dinheiro com a venda irregular de combustível, ouro, cigarro e álcool do que com o tráfico de cocaína, como revela estudo divulgado nesta quinta-feira, 13, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A expansão de atividades criminosas para setores formais da economia é responsável por perdas fiscais na casa dos bilhões e pela ampliação do poder político dos criminosos.
De acordo com o estudo “Rastreamento de Produtos e Enfrentamento ao Crime Organizado no Brasil”, as organizações criminosas movimentaram R$ 146,8 bilhões em 2022 com a comercialização de combustível, ouro, cigarros e bebida. A movimentação financeira do tráfico de cocaína no mesmo período foi estimada em R$ 15 bilhões.
Trata-se do primeiro estudo feito no Brasil a registrar o impacto do crime organizado na economia formal e aos cofres públicos do País. Segundo o novo trabalho, as facções criminosas começaram a investir em produtos do mercado formal para lavar o dinheiro do tráfico de drogas, mas logo perceberam as vantagens financeiras e políticas de diversificar seus negócios.
“Inicialmente, essas mercadorias começaram a ser exploradas para lavar o dinheiro da droga, mas acaba gerando uma receita tão grande que a droga deixa de ser o negócio mais rentável, ainda que não deixe de ser o principal”, explicou o diretor-presidente do FBSP, Renato Sérgio de Lima. “O tráfico de droga permite o controle de territórios e, sobretudo, das rotas do comércio ilegal na Amazônia e no Mato Grosso do Sul.”
O estudo analisou o impacto do crime na comercialização de combustível, ouro, cigarro e bebidas, mas há pelo menos outras 18 atividades econômicas do mercado formal nas quais as facções criminosas têm grande protagonismo, caso do setor de transportes, do mercado imobiliário e da pesca.
Entre os quatro mercados formais estudados, o que registra a maior movimentação financeira é o de combustíveis e lubrificantes, com um total estimado de R$ 61,5 bilhões. O crime já está presente em praticamente todos os elos da cadeia: da produção ao posto de gasolina, passando por refino, transporte e logística.
“É um movimento muito grande, inacreditável; estamos cientes do problema e já alertamos as autoridades”, afirmou o presidente do Instituto Combustível Legal, Emerson Kapaz. “Estimamos R$ 14 bilhões por ano em sonegação e outros R$ 15 bilhões em fraudes operacionais, sem falar no prejuízo ao empresariado e à população de forma geral.”
Kapaz explicou que já existem diversas iniciativas junto aos governos e também na área das taxações para mitigar o problema, mas lembra que, “cada vez que a gente fecha uma porta, eles (os criminosos) abrem outras quatro”. Ainda segundo Kapaz, é preciso conscientizar o consumidor.
“Muitos consumidores não ligam para a questão tributária, mas eles precisam se conscientizar que estão contribuindo para o crime organizado quando vão a um posto irregular”, disse. “Vão pagar mais barato agora, mas, lá na frente, pagarão um preço alto na segurança pública porque, indiretamente, financiou o crime organizado.”
No setor de combustíveis, por exemplo, há elo do Primeiro Comando da Capital (PCC) e outras facções na adulteração de combustíveis. Em 2023, a Agência Nacional de Petróleo emitiu 187 autos de infração relacionados à adulteração de combustível por metanol. O número recorde representou um aumento de 73,5% em comparação com 2022. Quando se compara com períodos anteriores, a diferença é ainda maior. Em 2020, por exemplo, foram somente 37 casos desse tipo contabilizados pela agência.
São cerca de 43 mil postos de gasolina no País, segundo levantamento do setor. Há postos que, mesmo não apresentando combustível adulterado ao consumidor, sonegam impostos ou realizam processos fraudulentos para obter os insumos vendidos. Segundo autoridades, há quadrilhas que se aproveitam, por exemplo, de o álcool etílico hidratado, conhecido como carburante (usados nos veículos), ser basicamente o mesmo álcool para fins de indústria, só que normalmente com alíquota maior de imposto.
Diante disso, esses grupos criam empresas fantasmas para importar esse segundo tipo de álcool, supostamente para usar na indústria. Quando as cargas chegam, porém, usam para abastecer redes de postos, de forma a multiplicar os lucros.
Bebidas alcoólicas
Em segundo lugar na lista de atividades criminosas para áreas formais da economia aparece o setor de bebidas alcoólicas, com R$ 56,9 bilhões, seguido da extração e produção do ouro, com R$ 18,2 bilhões, e do cigarro, com R$ 10,3 bilhões.
Segundo o trabalho, isso tem um custo alto para o governo brasileiro. A venda ilícita de até 13 bilhões de litros de combustível em 2022, por exemplo, custou ao País cerca de R$ 23 bilhões em receita. E o contrabando e a falsificação de bebidas geraram perdas fiscais de R$ 72 bilhões no mesmo ano. De acordo com os pesquisadores, nada menos que 40% do mercado de cigarros do País é formado por produtos ilegais – um prejuízo fiscal estimado em R$ 94 bilhões na última década.
Ao ampliarem sua participação em mercados formais, facções e milícias conseguem controlar territórios estratégicos, consolidando domínio político e econômico local. Em regiões com pouca presença do Estado, como na Amazônia, por exemplo, esse domínio “alimenta ciclos de violência, exclusão social, corrupção e crimes ambientais, dificultando a implementação e políticas públicas e do combate à economia do crime”.
O novo estudo mostra também que, atualmente, a principal fonte de renda para o crime organizado são os crimes cibernéticos (os golpes via internet) e o roubo de aparelhos de telefones celulares, com uma movimentação financeira estimada em R$ 186 bilhões.
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Ação integrada combina incentivos financeiros, campanhas de conscientização e regulamentações rígidas
“Já estou acostumada. Para mim, é um hábito.”
Yuna Ku – Folha – 26.abr.2025
é jornalista do serviço coreano da BBC e mora em Seul, capital da Coreia do Sul.
A jovem paga para reciclar seus restos de comida, que deposita em máquinas com sensores espalhadas por diferentes pontos onde mora –um condomínio com 2.000 apartamentos.
O sistema de reciclagem de resíduos alimentares da Coreia do Sul pode parecer estranho à primeira vista, mas transformou o país em exemplo para o resto do mundo.
O sistema sul-coreano se baseia em um princípio básico: paga-se cada vez que restos de comida são jogados fora – Getty Images
Jae-Cheol Jang é professor no Instituto de Agricultura da Universidade Nacional de Gyeongsang, no sul do país, e coator de um estudo recente sobre o sistema coreano de reciclagem de resíduos de alimentos.
“Dados do Sistema Nacional de Manejo de Resíduos de 2022 mostram que a Coreia do Sul processa cerca de 4,56 milhões de toneladas de restos de alimentos por ano (vindo de casas, restaurantes e comércios menores)”, disse Jang à BBC.
“Dessa quantidade, 4,44 milhões de toneladas são recicladas. Isso representa cerca de 97,5% dos resíduos de comida.” O número é impressionante.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a Agência Ambiental americana estima que, das 66 milhões de toneladas de resíduos de comida gerados em 2019 por restaurantes, casas e supermercados, cerca de 60% foram parar em aterros sanitários.
A ONU calcula que, em 2019, o desperdício de alimentos em casas, comércios e restaurantes chegou a 931 milhões de toneladas no mundo.
Em 1996, a Coreia do Sul reciclava menos de 3% dos resíduos alimentares – Getty Images
Mas como a Coreia do Sul consegue reciclar seus resíduos alimentares de forma tão eficiente? E o que ela pode ensinar a outros países?
Campanhas de conscientização e protestos
O sistema sul-coreano é resultado de um trabalho de décadas. Em 1996, o país reciclava apenas 2,6% dos seus resíduos alimentares, mas isso começou a mudar com a transformação econômica iniciada nos anos 1980.
“A década de 1980 foi um período fundamental para o desenvolvimento econômico da Coreia do Sul”, explica o professor Jang.
“Com a industrialização e a urbanização, também surgiram problemas sociais, e um deles foi o manejo de resíduos.”
A Coreia do Sul tem mais de 50 milhões de habitantes e uma densidade populacional alta, de mais de 530 pessoas por quilômetro quadrado.
No Peru, por exemplo, a densidade não chega a 30 habitantes por quilômetro quadrado.
Com as mudanças econômicas, cresceu também o número de aterros sanitários, alguns deles próximos a áreas residenciais, o que gerou muitos protestos.
A industrialização rápida da Coreia do Sul nos anos 1980 gerou problemas sociais, como o aumento de aterros sanitários – Getty Images
Os restos de comida misturados com outros tipos de lixo causam mau cheiro e produzem líquidos poluentes, que contribuem para as mudanças climáticas.
Quando se decompõem, os resíduos liberam metano, um gás de efeito estufa muito mais potente que o dióxido de carbono.
Pressionados pelos cidadãos, o governo teve que buscar uma solução para o problema dos aterros.
“Havia um forte senso de comunidade para enfrentar os problemas sociais da época, e as políticas de gestão de resíduos do governo, combinadas com esforços nacionais, nos trouxeram até aqui”, afirma Jang.
Em 1995, foi aprovado um sistema que cobrava por volume de resíduo gerado, sem separar restos de alimentos de lixos em geral.
Em 2005, o descarte de restos de comida em aterros foi proibido por lei. E em 2013 foi implementado o atual sistema de Weight Based Food Waste Fee, ou cobrança por peso dos restos de comida, na tradução livre para o português.
O sistema continua evoluindo à medida que a tecnologia avança, mas se baseia em um princípio básico: “você tem que pagar cada vez que joga fora seus restos de comida.”
Sacolas, adesivos e radiofrequência: como funciona o sistema na prática
O sistema de cobrança varia de acordo com a região ou distrito, e até mesmo entre diferentes condomínios. Mas, no geral, existem três opções:
1. Usar sacolas autorizadas
Para quem opta por usar sacolas para descartar os restos de comida, é obrigatório fazer isso com sacolas autorizadas.
“É o caso dos meus pais, que moram em casa. Eles compram as sacolas e, quando elas estão cheias, deixam no jardim por causa do cheiro. Elas são recolhidas uma vez por semana pelo serviço municipal”, conta Yuna.
Há sacolas de diferentes tamanhos. Uma de três litros custa 300 won sul-coreanos, cerca de 20 centavos de dólar (menos de R$ 1,20 na cotação atual). Uma de 20 litros custa US$ 1,50 (R$ 8,80).
Sacola amarela usada para descarta resíduos de alimentos na Coreia; uma sacola de três litros custa 300 won sul-coreanos, que equivalem a aproximadamente US$ 0,20 – Yuna Ku
2. Usar adesivos
Comércios e restaurantes geralmente usam adesivos que devem ser comprados com antecedência e colados em cada recipiente de lixo, indicando o peso do conteúdo.
Na Coreia do Sul, os restos de comida nesses locais podem ter um volume bastante significativo devido a uma tradição culinária do país chamada de banchan, em que vários pratos são servidos como acompanhamento dos pratos principais.
Alguns restaurantes usam adesivos, que são colados nos recipientes de lixo de acordo com o peso – BBC
3. Usar máquinas com tecnologia RFID
Até junho de 2024, Yuna comprava sacolas, mas seu condomínio passou a usar um sistema automatizado.
Hoje, ela deposita os restos de comida em máquinas equipadas com RFID (identificação por radiofrequência), que transmite os dados por ondas de rádio para um centro remoto.
“Todo dia coloco os restos de alimentos em um recipiente de aço. E, de tempos em tempos, levo esse recipiente até a máquina, que fica trancada. Para abrir, eu preciso digitar meu endereço ou aproximar um dos cartões que eu recebi quando me mudei para cá, e que identifica cada apartamento”, explica.
No condomínio de Yuna há várias máquinas com sensores que pesam os resíduos e calculam o valor a ser pago – Yuna Ku
A máquina automaticamente pesa os desperdícios. Em alguns casos, o valor é cobrado na hora no cartão de crédito. Em outros, como no caso de Yuna, a máquina registra cada uso feito e o valor final é cobrado em uma conta mensal que inclui outros serviços públicos, como água.
“O que você paga por mês depende da quantidade de comida que você joga fora.”
A jovem, que mora sozinha, paga menos de US$ 5 por mês (cerca de R$ 30) pelos resíduos de alimentos.
“Eu acho as máquinas mais intuitivas que as sacolas”, diz Yuna. “Na minha opinião, esse sistema faz com que a gente fique mais consciente dos nossos desperdícios, porque você vê o peso dos restos de comida na máquina toda vez que joga fora.”
Além das máquinas que ficam nos condomínios, alguns distritos contam com caminhões equipados com RFID, que pesam os recipientes de lixo no momento da coleta, calculando o custo.
As multas
Yuna comenta que, no geral, a população usa corretamente o sistema de reciclagem, que além de regular o desperdício, tem regras específicas para o descarte de alumínio, plástico, papel e outros materiais.
Se alguém descarta restos de comida no lugar errado, pode levar uma multa. No caso de estabelecimentos comerciais, a infração pode ser detectada tanto pela quantidade reduzida de lixo registrada quanto por câmeras de segurança.
“No meu prédio teve um caso de advertência, e apareceu um aviso: ‘recentemente, alguém descartou resíduos de alimentos de forma errada. Temos câmeras de segurança e estamos observando tudo. Se continuar fazendo isso, será multado’.”
No caso das residências, as multas podem superar US$ 70 (R$ 400), a depender da frequência da infração.
Já para empresas, Jang diz que as multas podem superar 10 milhões de wons sul-coreanos, que equivalem a mais de US$ 7 mil (R$ 41 mil).
O desperdício na Coreia do Sul pode ser significativo por causa de uma tradição culinária chamada banchan, que serve vários acompanhamentos com um prato principal – Getty Images
O que é feito com os resíduos
Os restos de comida são reciclados com diferentes finalidades. De acordo com Jang, os principais usos, segundo dados de 2022, são para ração de animais (49%), adubo (25%) e produção de biogás (14%).
Mas o sistema de reciclagem da Coreia do Sul ainda enfrenta alguns desafios. Um deles é o possível risco para a saúde animal, já que as rações feitas com resto de comidas mal processados podem transmitir doenças.
“Atualmente, a maioria dos países industrializados proíbe ou limita o uso de restos de comidas em rações para animais”, afirma Rosa Rolle, especialista em desperdício de alimentos da Organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura, a FAO (na sigla em inglês).
Em 2019, vários países asiáticos, incluindo a Coreia do Sul, enfrentaram um surto de peste suína africana, uma doença viral que causa febre hemorrágica em porcos e leva à morte.
O surto levou o governo sul-coreano a proibir o uso de rações feitas com restos de alimentos em criações de porcos.
Surto de peste suína em 2019 fez com que o governo proibisse o uso de rações feitas com restos de comidas – Getty Images
Rolle esclarece, no entanto, que “há estudos que mostram que, quando são usados os métodos corretos no processamento, as rações feitas a partir de restos de animais são seguras. A indústria suína na Coreia do Sul não foi afetada negativamente pelo uso dessas rações.”
Jang afirma que a Coreia do Sul tem um sistema rigorosamente regulado para processar restos de comida usados como ração, com métodos como o aquecimento e a fermentação.
Outros desafios da reciclagem incluem a alta quantidade de sal nas comidas típicas coreanas (o excesso de sal pode fazer mal aos animais) e a necessidade de melhorar a tecnologia para tornar a produção de biogás mais eficiente.
O que a Coreia do Sul nos ensina
Um dos segredos do sucesso do sistema coreano é o fato de ter diversos pilares, como cobrança por peso de resíduos, multas, campanhas educativas frequentes, que ensinam como separar os resíduos, e conscientização do impacto ambiental do descarte inadequado.
“É uma abordagem integrada, que combina incentivos financeiros, educação pública e regulamentações rigorosas”, explica o professor Jang.
“O sistema tem se monstrado eficaz para reduzir o desperdício de alimentos e pode servir como modelo para outros países que buscam melhorar seus sistemas de gestão de resíduos.”
Outro fator chave é o engajamento por parte da população.
“No geral, os coreanos costumam seguir as regras e têm um forte senso de responsabilidade moral”, diz Yuna.
“Claro que não são todos, mas no geral, é assim. Além disso, comparado com a média salarial na Coreia do Sul, o custo mensal para reciclar os restos de comida não é tão alto.”
Há várias campanhas educativas na Coreia do Sul ensinando as pessoas a usar as máquinas e conscientizando sobre o desperdício – Korea Environment Corporation
Mas será que um sistema de “pagar pelo desperdício” funcionaria em países com uma renda muito menor?
Para Rose Rolle, políticas como a sul-coreana são muito eficazes para conscientizar a população, mudar hábitos e incentivar a reciclagem.
Mas ela pontua que, em países com insegurança alimentar, como muitos da América Latina, o foco deveria ser em maximizar o aproveitamento dos alimentos por meio da redução de perdas, doações e outras medidas.
Os sistemas de cada país “devem se basear em dados sólidos e ter uma compreensão de onde, por que, e em que quantidade ocorrem os desperdícios e perda de alimentos. As soluções precisam estar fundamentadas em evidências científicas e se adaptar à realidade local.”
Para a especialista da FAO, “não existe uma única fórmula que funcione para todos.”
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