Ensinar a lidar com IA é necessário. Estimular o pensamento crítico é fundamental

Sem pensamento crítico, ética e perspectiva histórica, corremos o risco de formar uma geração que domina a tecnologia, mas ignora suas consequências

FREDERIC BERTLEY – Fast Company Brasil – 14-06-2025 

A inteligência artificial está sacudindo as bases intelectuais, emocionais e econômicas do mundo. Basta olhar as manchetes ou as redes sociais para perceber que o futuro será muito diferente da realidade que conhecemos hoje.

A tecnologia sempre provocou rupturas. Da fundição de bronze no Benim ao aço no Japão, passando pela construção naval incentivada por Temístocles na Grécia Antiga, a história mostra que grandes inovações tecnológicas costumam provocar mudanças profundas nas sociedades e nos colocam em estado de alerta.

Hoje, esse alerta tem nome: inteligência artificial. Nos EUA, a nova ordem executiva da Casa Branca sobre educação em IA reflete essa mesma inquietação – desta vez, motivada pelos rápidos avanços da China.

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É possível que essa medida tenha passado despercebida em meio a tantas outras recentes no país. Mas ela marca um ponto de virada. Apesar das boas intenções, o texto ainda não tem a profundidade necessária para servir de base para uma política educacional sólida sobre IA.

A ordem define seu objetivo como criar “oportunidades para desenvolver as habilidades e o conhecimento necessários para usar e criar a próxima geração de tecnologias de IA”. E propõe três diretrizes principais:

  • Introduzir a IA aos estudantes desde cedo.
  • Capacitar professores para “incorporar a IA de forma eficaz no ensino.”
  • Promover a alfabetização em IA para “formar uma força de trabalho pronta para o futuro.”

Essas ações são importantes. A inteligência artificial representa uma mudança estrutural, que escancara problemas históricos do sistema educacional de muitos países – especialmente a falta de atenção às áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

COMO VIVER EM UM MUNDO MOLDADO PELA IA

Ainda assim, iniciativas desse tipo falham em três pontos essenciais. Falo como presidente do Centro de Ciência e Indústria, membro do conselho da Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA e defensor da educação STEM há décadas: não dá para ensinar IA sem também ensinar pensamento crítico, ética e história.

O debate precisa ir além da capacitação técnica. À medida que a IA – e, futuramente, a inteligência artificial geral – se torna parte de tudo ao nosso redor, surge uma questão fundamental: queremos formar usuários passivos de tecnologia ou cidadãos capazes de tomar decisões conscientes e responsáveis?

Apenas dominar ferramentas tecnológicas nos aproxima mais das máquinas do que de humanos pensantes. Precisamos de uma mudança cultural – uma que incentive o pensamento crítico, o senso ético e a curiosidade dentro e fora da sala de aula.

Entender como funciona a IA é importante. Mas ainda mais essencial é aprender a viver em um mundo moldado por ela. O otimismo tecnológico deve vir acompanhado de perguntas difíceis – ou os cenários mais pessimistas podem acabar se confirmando.

Minha esperança é que as próximas políticas avancem mais, abordando os riscos reais da IA e propondo formas de preparar a sociedade – e a educação – para enfrentá-los de forma prática e profunda.

DÁ PARA ENSINAR PENSAMENTO CRÍTICO?

Um programa ideal de ensino sobre IA precisa incluir muito mais que habilidades técnicas. Também deve abordar, por exemplo:

Muito em breve, ensinar IA deixará de ser necessário – ela estará presente em tudo. Nos anos 1990, ensinávamos os alunos a usar o mouse e navegar pela internet. Mas, com o tempo, o design intuitivo tornou isso desnecessário. O mesmo está acontecendo agora com a inteligência artificial – só que muito mais rápido.

O DEBATE SOBRE EDUCAÇÃO E IA PRECISA IR ALÉM DA CAPACITAÇÃO TÉCNICA.

Por isso, o foco da educação em IA não pode ser apenas nas ferramentas de hoje, mas na capacidade de entender a evolução da tecnologia ao longo do tempo.

O cientista da computação Alan Kay disse uma vez: “tecnologia é tudo aquilo que foi inventado depois que você nasceu”. Para continuar liderando no cenário global, não basta ter domínio técnico – é preciso também visão cultural. Hoje, a verdadeira questão é qual país vai usar a IA para construir uma sociedade melhor.

Para liderar na era da inteligência artificial, será preciso priorizar a sabedoria, não apenas a inteligência. E isso não virá através de leis, mas sim da força da cultura e dos valores da sociedade.


SOBRE O AUTOR

Frederic Bertley é presidente e CEO do Centro de Ciência e Indústria. 

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A internet dos sentidos virá com o 6G

Com sexta geração, o acionamento por gestos ou fala enriquece visão, audição e até paladar e abre uma janela de oportunidade para um universo interconectado, com mais eficiência energética e inclusão digital

Por Martha Funke — Valor – 30/05/2025 

Para se ter uma ideia do salto tecnológico que será representado pela chegada do sistema 6G, a velocidade deve ser multiplicada por mil. A capacidade de conexão de dispositivos, idem. Além da melhoria de parâmetros sobre o 5G – como velocidade, latência e densidade -, estão previstas a absorção de mais papéis pela rede e maior uso da inteligência artificial (IA) e da conexão com satélites para sustentar desde eficiência energética até a inclusão digital universal. Na prática, as características tecnológicas, conceituais e até sociais, elevam o 6G a um patamar inédito, que vai assegurar um universo digital interconectado. Não bastasse tudo isso, a nova rede de conexões deve ir além das telas. O acionamento por gestos ou fala e interfaces cria a internet dos sentidos, enriquecendo visão e audição e incluindo ainda tato, olfato e paladar.

Todas essas inovações fazem parte da agenda estabelecida pela União Internacional das Telecomunicações (ITU, na sigla em inglês), agência da ONU destinada a regular o setor em nível mundial. Mas outras organizações dedicadas à padronização na área, colaboradoras da ITU, avançam em paralelo. A agenda do 3GPP, por exemplo, organização voltada a padronização na área, colaboradoras da ITU, avançam em paralelo. A agenda do 3GPP, por exemplo, organização voltada a padronizar criação, envio e reprodução de arquivos multimídia por dispositivos móveis, prevê uma reunião para discutir a padronização do setor no segundo semestre. Por aqui, as definições incluem a divisão da frequência de 6 GHz entre 6G e wi-fi pela Anatel, com expectativa de leilão da banda em 2026.

A perspectiva é que a partir de 2029 comecem a surgir ofertas comerciais de 6G em países mais avançados – China entre eles – e outros que já experimentam o 5G Advanced (ou 5,5G). Com o 6G, a latência despenca para microssegundos. Só isso já traz mais confiabilidade e novas capacidades para aplicações como vídeo, streaming e internet das coisas (IoT), incluindo mobilidade autônoma e indústria 4.0.

Algumas aplicações já começam a surgir parcialmente e se tornam nativas na nova geração, como a IA. Hoje, a tecnologia enriquece processos específicos das redes, mas com o 6G será nativa e embutida nas soluções. “O que os fornecedores trazem por conta própria fará parte dos documentos que definem as padronizações”, diz Carlos Lauria, diretor de relações governamentais e assuntos regulatórios da Huawei Brasil.

Com isso, elementos como monitoramento, gerenciamento, eficiência – no uso de espectro e energia, por exemplo – e custos ganham nova dimensão. Ações como o desligamento de equipamentos quando não utilizados (zero bite, zero watt) e melhoria da relação entre transmissão de informações e consumo energético devem ser universalizados. Segurança, inclusive cibernética, privacidade e sustentabilidade também farão parte do design.

Outra característica prevista é a ubiquidade. A disponibilidade em qualquer hora e lugar, sem interrupção ou perda de velocidade, implica multi conectividade, com apoio de redes de satélites. Também inédito é o papel da rede como sensor, com uso da radiofrequência empregada na comunicação para detecção do ambiente – como uma espécie de radar com posicionamento preciso em centímetros, em tempo real e com troca de informações entre objetos e pessoas, conectados ou não.

Com capacidade extrema de transmissão, hologramas 3D enriquecem desde o entretenimento até reuniões de trabalho, como a apresentação de projetos. Sensoriamento refinado e transmissão de enormes quantidades de dados em tempo real praticamente sem latência devem sustentar cirurgias remotas em que o médico sente a resistência dos tecidos manipulados. Tecidos inteligentes trarão a possibilidade de transmissão de um abraço à distância.

Tudo isso depende do desenvolvimento de tecnologias habilitadoras. Na NTT Docomo, empresa de telefonia celular do Japão, o sócio líder de telecomunicações, Marco Galaz Carrasco, experimentou sensações distintas ao segurar uma bola de tênis, como abrir e fechar um zíper e tocar um carpete. “O cérebro vê a bola, mas a sensação é de tapete”, conta. Entre outros testes, a marca usa drones na Amazônia para analisar a interoperabilidade e a ampliação de cobertura, uma das metas do 6G.

O 6G trará a junção quase imperceptível do mundo físico com o digital”

— Edvaldo Santos

Experiências como a decomposição de moléculas responsáveis por sabores, com reconstrução em outro local, já são testadas por empresas como a Fill Tech, para transmissão de paladares a partir, por exemplo, de um copo de água. Outras conseguem fazer o mesmo com o olfato, por enquanto com máscaras capazes de criar ou eliminar aromas. “Tomei um shot com gosto de sopa de tomate”, descreve Henry Rodrigues, gerente executivo do Centro de Competência Embrapii Inatel em Redes 5G e 6G (xGMobile), cuja parceria com o Instituto Indiano de Tecnologia Mandi (IIT Mnadi), participante do 3GPP, visa inserir interesses do Brasil ao processo de padronização do 6G.

Pesquisas do Inatel relacionadas ao 6G incluem ampliação de cobertura de estações rádio base (ERB) para até 50 km, com uso de canais de TV digital não utilizados, transmissão de dados junto de luz e transmissão de energia elétrica por fibra ótica, além de uso da superfície refletora inteligente em ERBs para otimizar área e controle da cobertura.

“O 6G trará a junção quase imperceptível do mundo físico com o digital”, diz Edvaldo Santos, vice-presidente de P&D&I da Ericsson para o Cone Sul da América Latina. Segundo ele, esse hiperfísico contínuo inclui também a internet do pensamento, com interfaces cérebro-computador não invasivas e uso de vestimentas para acionar máquinas inteligentes conectadas, além de robôs e drones que trabalham coletivamente entre si e com seres humanos.

O uso de gêmeos digitais, atuadores para interferências e IA para aplicações como mobilidade e cidades inteligentes, traz infinitas possibilidades. Com o 6G, a interação em tempo real entre objetos não visíveis ou não conectados torna a autonomia veicular, terrestre ou aérea, mais avançada e segura, simplificando a interferência no ambiente a partir de um centro de comando. “Isso muda a demanda da rede, com mais envio de informações dos usuários”, afirma Hugo Baeta, diretor de vendas e gestão de negócios da divisão de Mobile Network da Nokia.

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Falta de profissionais será desafio para os projetos

Pesquisa mostra que 39% das companhias não conseguem alavancar o uso da tecnologia por falta de currículos capacitados

Por Jacilio Saraiva — Valor – 29/05/2025

A qualificação adequada dos profissionais pode ser a maior pedra no sapato das empresas brasileiras que pretendem escalar projetos de inteligência artificial (IA). É o que indica uma pesquisa da consultoria Bain & Company, obtida com exclusividade pelo Valor. De acordo com o estudo, 39% das companhias não conseguem alavancar o uso da tecnologia por falta de currículos capacitados. O levantamento, finalizado em janeiro, ouviu 100 corporações no país, com receita de R$ 40 milhões ou superior, em 13 setores da economia.

De acordo com Lucas Brossi, sócio e head de IA da Bain na América do Sul, as operações podem encampar uma abordagem “dupla” para minimizar a falta de talentos: investir no recrutamento de profissionais no mercado e na capacitação interna dos funcionários.

“O desenvolvimento contínuo das equipes pode suprir parte da demanda, garantindo uma adaptação mais rápida às novas tecnologias”, explica. “Contudo, é essencial que essa capacitação seja acompanhada de uma mudança cultural nas organizações, com mais inovação e colaboração entre os funcionários.”

Brossi diz que outro dado que chamou a atenção na pesquisa foram as nuances de necessidade de pessoal entre empresas com níveis diferentes de maturidade em IA. Entre as companhias “aprendizes” ou que vivem estágios de experimentação dos sistemas, 50% apontam a carência de candidatos como uma barreira crítica. Entre as “líderes” ou firmas que estão incrementando os casos de uso da tecnologia, esse índice cai para 23%.

“Os números indicam que as corporações que começaram cedo na jornada da IA conseguiram atrair e reter talentos estratégicos, ganhando vantagem competitiva”, avalia. “As demais correm o risco de ficar para trás.”

Para fugir do enrosco, a recomendação do consultor para os empregadores é agir em três etapas: atração, retenção e capacitação dos profissionais. “Na primeira fase, estudos da Bain mostram que 81,2% dos candidatos colocam a remuneração como fator decisivo [na escolha de um emprego], enquanto 57,8% valorizam a flexibilidade do modelo de trabalho”, compara.

Em relação à retenção, o especialista ressalta que manter os funcionários sempre satisfeitos é determinante para a perenidade dos times de trabalho. “Os principais motivos de insatisfação nos escritórios são a falta de oportunidades de crescimento e de aprendizado [67,2%], e a defasagem salarial em relação ao mercado [44,8%]”, continua.

Sobre a capacitação, a recomendação é que as empresas tomem as rédeas do processo de “distribuição do conhecimento”. “Embora 93% dos funcionários usem ferramentas de IA generativa para aumentar a produtividade, apenas 20% dizem que os empregadores oferecem essas soluções”, destaca. “A maioria recorre a versões gratuitas e individuais, o que revela uma grande oportunidade perdida, pelas organizações, de institucionalizar o uso da tecnologia e compor equipes de forma estruturada.”

O preenchimento das vagas em IA também pode ganhar velocidade com a busca de candidatos fora dos polos tradicionais de TI no Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro, e a construção de um local de trabalho atrativo, que valorize o desenvolvimento de carreiras, complementa Brossi.

“Vencer a corrida por talentos em IA não é apenas contratar currículos. Trata-se de criar um ambiente onde as pessoas queiram ficar, crescer e inovar”, ressalta. “As empresas que desenvolvem equipes e montam uma cultura orientada a propósito e impacto sairão na frente. Quem está agindo agora vai definir o futuro dos negócios.”

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A construção do túnel mais profundo da rota da Seda que vai conectar a Europa à Ásia em uma travessia de 60 metros de profundidade

Bruno Teles – Click Petróleo e Gás – 06/06/2025 

Marmaray: o túnel mais profundo da Rota da  Seda que conecta a Ásia à Europa sob o Bósforo

Conheça a engenharia e o impacto do Projeto Marmaray, em Istambul, cujo túnel mais profundo da rota da Seda superou desafios sísmicos e revelou tesouros arqueológicos milenares

O Marmaray é uma façanha da engenharia moderna, destacando-se pelo seu túnel submerso, que é o túnel mais profundo da rota da Seda e do mundo para sistemas ferroviários. Entenda sua construção, os desafios superados, as descobertas históricas e seu papel como um elo vital na conectividade global.

Istambul, a cidade que se estende por dois continentes, sempre sonhou em superar a barreira do Estreito de Bósforo com uma conexão ferroviária. O Projeto Marmaray tornou essa ambição centenária uma realidade, criando uma ligação ininterrupta entre a Europa e a Ásia. Esta obra monumental não apenas transforma o transporte, mas também se posiciona como um eixo estratégico no comércio eurasiano.

A gênese e o imperativo moderno do Projeto Marmaray

A ideia de uma travessia ferroviária sob o Bósforo remonta ao século XIX, com conceitos apresentados já em 1860 pelo Sultão Abdul Medjid. No final do século XX, o crescimento populacional de Istambul e o crônico congestionamento nas pontes existentes tornaram essa necessidade inadiável.

O Projeto Marmaray foi concebido para aliviar o tráfego urbano, fornecer um transporte público moderno e, crucialmente, estabelecer uma ligação ferroviária contínua para passageiros e cargas entre os dois continentes. Aclamado como o “projeto do século”, ele reflete a ambição da Turquia em modernizar sua infraestrutura.

A construção do túnel mais profundo da rota da Seda

A construção do túnel mais profundo da rota da Seda que vai conectar a Europa à Ásia em uma travessia de 60 metros de profundidade

O Marmaray é uma linha ferroviária de alta capacidade com 76,6 km de extensão, ligando Halkalı (lado europeu) a Gebze (lado asiático). Sua peça central é a travessia do Bósforo, de 13,6 km, que inclui um túnel de tubo submerso de 1,4 km. Esta estrutura foi assentada a aproximadamente 60 metros abaixo do nível do mar, tornando-se o túnel submerso mais profundo do mundo usado por sistemas ferroviários.

A construção enfrentou desafios formidáveis. A proximidade com a Falha da Anatólia do Norte, uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo, exigiu um projeto com alta resiliência, projetado para resistir a um terremoto de magnitude 7.5. O túnel foi concebido para ser flexível, e comportas de emergência foram instaladas entre suas 11 seções pré-fabricadas. A logística de posicionar essas seções de 18.000 toneladas sob as fortes correntes do Bósforo também foi uma grande proeza.

As descobertas arqueológicas que reescreveram a história de Istambul

As escavações para o Marmaray, especialmente na estação de Yenikapı, se transformaram em um dos maiores projetos arqueológicos da história de Istambul. As descobertas foram extraordinárias:

O Porto de Teodósio (século IV): O maior porto da antiga Constantinopla foi revelado.

Naufrágios Bizantinos: Uma frota de 36 a 37 navios dos séculos V a XI foi encontrada, incluindo o que parece ser a única galera (navio de guerra a remos) antiga já descoberta.

Assentamento Neolítico: A revelação mais surpreendente foi a do mais antigo assentamento conhecido de Istambul, com 8.500 anos, empurrando a história da cidade por milênios.

Essas descobertas, embora de imenso valor, causaram atrasos de mais de quatro anos no projeto e aumentaram seus custos, evidenciando o complexo equilíbrio entre desenvolvimento e preservação do patrimônio.

Remodelando a megacidade e o comércio eurasiano

O Marmaray tem capacidade para transportar até 75.000 passageiros por hora por sentido, com trens operando a cada 2 minutos. Integrado a outras linhas de metrô, VLT e balsas, ele aumentou significativamente a participação do transporte ferroviário na mobilidade de Istambul.

Para o frete, o Marmaray se tornou uma artéria vital, possibilitando o transporte ferroviário de carga ininterrupto sob o Bósforo. Trens de mercadorias utilizam o túnel durante a noite, conectando a China à Europa em cerca de 12 dias. O túnel mais profundo da rota da  Seda é um pilar do Corredor Médio, uma rota comercial estratégica que contorna a Rússia, aumentando a resiliência das cadeias de suprimentos globais.

Segurança, desafios e o legado de uma obra monumental

As preocupações com a segurança sísmica foram respondidas com um projeto robusto, verificado por entidades independentes como a TÜV SÜD. O túnel foi aprovado para tráfego em 2019, e seu histórico operacional desde então tem sido sólido.

O Marmaray conecta o passado de Istambul, desde os sonhos otomanos até a história desenterrada sob seus trilhos, com um futuro de transporte moderno e integração global. Ele se firma como um poderoso símbolo da proeza de engenharia turca, da visão estratégica e como um elo fundamental entre continentes e épocas, garantindo sua relevância para as próximas gerações.

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Setores de TI e IA demandarão 10 vezes mais minerais críticos que oferta atual, diz CEO da Vale

Segundo Gustavo Pimenta, o Brasil e a Vale têm potencial de ser líder na oferta desses produtos, mesmo diante das incertezas geopolíticas com a guerra tarifária

Antonio Temóteo – Exame – 7 de junho de 2025

Guarujá (SP)* – O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou neste sábado, 7, durante participação no Fórum Esfera, que os setores de tecnologia e inteligência artificial demandarão uma oferta de minerais críticos 10 vezes maior do que a atual. Segundo ele, o Brasil e a Vale têm a qualificação necessária para liberar a oferta desses produtos, mesmo diante da incerteza global de curto prazo com a guerra tarifária.

“Temos o potencial de ser, talvez, a maior força na oferta de minerais críticos — e aqui incluo minério de ferro de alto teor para ajudar a indústria em descarbonização. Mas o foco está na oferta de minerais para tecnologia e inteligência artificial. Tudo isso requer um aumento muito grande na oferta desses minerais. Existem estudos que falam entre cinco a 10 vezes do que a gente levou 100 anos para desenvolver de oferta”, disse.

Pimenta também afirmou a Vale está “profundamente” inserida nesse debate, porque o tema dos minerais críticos se tornou um assunto geopolítico internacional e nacional.

“A gente vê os Estados Unidos fazendo uma série de movimentos no sentido de garantir a oferta de minerais críticos. A gente tem a visão de que, no médio e longo prazo, eles terão uma relevância para o mundo, assim como o petróleo teve nos últimos 100 anos. E acho que os países estão observando isso. A gente vem observando na Vale nos últimos anos e nos posicionando para ser um ofertante dentro dessa indústria. O Brasil tem um potencial minerário, talvez o maior do mundo”, completou.

A guerra tarifária, nesse contexto de aumento de demanda, traz incerteza para os negócios, mesmo para empresas que têm poucos negócios com os Estados Unidos, acrescentou o CEO da Vale.

“Apesar de a Vale vender pouco para os Estados Unidos, os efeitos secundários de guerra tarifária têm efeito negativo muito grande sobre commodities porque tem arrefecimento do PIB mundial, e commodities andam junto com PIB mundial. O nível de incerteza é muito grande, mas sou otimista, e a Vale e o Brasil tem a oportunidade de ser líder na oferta desses minerais críticos e metais de transição”, finalizou.

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Quem é o brasileiro que ajuda a trazer a computação quântica da ficção científica para a realidade

Aos 33 anos, o matemático Daniel França é professor da Universidade de Copenhague e recebeu bolsa da União Europeia para encontrar novas funções para máquinas

Por Matheus Fernandes – Estadão – 07/06/2025 

Os computadores quânticos, máquinas ultrapoderosas capazes de resolver operações complexas em poucos segundos, são uma das grandes promessas da tecnologia. Na vanguarda da pesquisa para encontrar usos para essas máquinas e ajudar a viabilizar aplicações reais, está um pesquisador brasileiro, o professor da Universidade de Copenhagen Daniel Stilck França, de 33 anos.

Ele faz parte da série do Estadão “Nomes para ficar de olho”, que traz perfis em texto e vídeo de jovens que devem ganhar projeção nos cenários nacional e internacional nos próximos anos.

Daniel Stilck França quer levar a computação quântica da ficção científica para a realidade

Capa do video - Daniel Stilck França quer levar a computação quântica da ficção científica para a realidade

Na computação atual, baseada nas leis da Física clássica, a informação é armazenada em bits, que podem ser representados por “0” ou “1”. A computação quântica propõe um modelo baseado nos princípios da Física Quântica, assim, no lugar dos bits entram os qubits, que podem representar “0” e “1” ao mesmo tempo, em um estado chamado sobreposição. Essa mudança poderia possibilitar um aumento exponencial na velocidade de processamento, resolvendo problemas matemáticos considerados impossíveis para computadores convencionais. Setores como inteligência artificial (IA), saúde, química, finanças e logísticas poderiam ser transformados para sempre.

“A computação quântica tenta conciliar dois dos maiores avanços do século passado em ciência e tecnologia, que foi a Física Quântica, que descreve o mundo microscópico, com a ciência da computação”, explica Fernando Brandão, professor da Caltech e diretor de ciência aplicada na Amazon Web Services (AWS). Ele liderou a equipe responsável pelo primeiro chip quântico da empresa americana fundada por Jeff Bezos, além de fazer parte do time do Google que, em 2019, anunciou o primeiro computador a atingir supremacia quântica.

Brandão é o principal nome brasileiro na área e trabalhou de perto com Daniel França no desenvolvimento de algoritmos quânticos capazes de resolver problemas matemáticos complexos com mais eficiência e um ganho expressivo de velocidade. Como Brandão, Daniel é um teórico — ou seja, ele não constrói hardware, mas desenvolve a parte teórica que guia o funcionamento dessas máquinas.

“Conseguimos escrever um trabalho sobre a primeira aplicação desses problemas de otimização que considerava completa, mostrando que tudo daria certo e que o computador quântico poderia ajudar”, relata o professor. “Foi uma ótima colaboração com ele e, desde então, eu continuo seguindo seu trabalho.”

O caminho para chegar ali não foi óbvio — como acontece com quase todo mundo que decide seguir por uma área tão complexa e desconhecida.

Filho de um professor de Matemática, Daniel iniciou sua graduação na Universidade de São Paulo (USP) e concluiu o curso na Universidade Técnica de Munique, após receber uma bolsa. Foi na Alemanha também que fez pós-graduação e mestrado. “Sempre tive bastante incentivo para seguir a carreira acadêmica”, afirma.

Ao ingressar no doutorado, ele escolheu a área da computação quântica após conversar com seu tio, professor de Física em uma universidade federal, que lhe indicou áreas promissoras. A computação quântica une elementos da Matemática, Física e computação em uma abordagem interdisciplinar.

Hoje, Daniel França é professor no Departamento de Matemática da Universidade de Copenhague (Dinamarca), além de atuar no Quantum for Life – centro interdisciplinar para pesquisa quântica de moléculas financiado pela Novo Nordisk. Recentemente, ele também recebeu uma bolsa do European Research Council para acelerar o desenvolvimento da computação quântica nos próximos anos por meio de novos algoritmos capazes de lidar melhor com o ruído, nome dado aos erros que afetam os cálculos das máquinas, gerando resultados diferentes do esperado. Eles são causados pela própria natureza incerta dos fenômenos quânticos e pela complexidade do hardware envolvido.

“Vamos dizer assim: atualmente, uma em cada mil operações em um computador quântico vai dar errado”, explica Daniel. O trabalho do pesquisador é justamente apontar onde estão esses erros. “Meu trabalho era jogar baldes de água fria na comunidade, falando ‘é improvável que esses computadores sejam úteis, dados os paradigmas e os algoritmos propostos agora na literatura, o nível de ruído e as limitações das máquinas’”, afirma.

Além de encontrar formas de classificar melhor o ruído nos computadores, outro desafio que Daniel França encara para tornar os computadores úteis é a falta de algoritmos quânticos que sejam mais resistentes em relação aos erros. O pesquisador compara os processos atuais com uma “fileira de dominós”, onde qualquer problema pode levar todo mundo a cair. Ele propõe uma solução matemática alternativa: “O que eu quero propor são maneiras de fazer computações quânticas que são mais parecidas com embaralhar um deck de cartas”, explica.

É nessa área que Daniel recebeu uma bolsa de 1,5 milhão de euros do European Research Committee para o projeto GIFNEQ, ou Gibbs framework for near-term quantum computing. A proposta é combinar técnicas de identificação de ruído com a busca de novos algoritmos, de forma a trazer mais próximo da realidade os computadores quânticos úteis.

Funcionalidades quânticas

É justamente na criptografia que está uma das principais aplicações possíveis dos computadores quânticos. O algoritmo quântico mais famoso até hoje é o de Shor, com potencial para quebrar em poucas horas protocolos atuais como o RSA, que levariam milhões de anos para serem superados com os hardwares atuais. Isso significa que toda a segurança digital, incluindo transações financeiras e infraestrutura global, está em perigo. Esse medo impulsionou a área de criptografia pós-quântica, com a busca de novos métodos ainda mais seguros.

“Não é exagero dizer que a nossa economia ou as nossas comunicações se baseiam na suposição de que um certo problema matemático é muito difícil de resolver. Só que ninguém tem uma prova que esse sistema matemático é realmente muito difícil de resolver”, diz Daniel, sobre o estado atual da criptografia. “Se alguém tivesse conseguido resolver, essa pessoa teria acesso a boa parte da comunicação mundial.”

Entre as outras aplicações possíveis para os próximos cinco ou 10 anos, Daniel também destaca a área de simulações, na Química, Física e ciência de materiais. “Existe um consenso na comunidade da computação quântica de que a simulação de sistemas físicos é uma das áreas em que a gente vai esperar as primeiras aplicações”, diz. “Uma das grandes motivações, já há 30 anos, que começou esse campo é para simular mecânica quântica, um problema computacional muito complexo.”

Atualmente, uma em cada mil operações em um computador quântico vai dar errado

Daniel Stilck França

O professor exemplifica como um dos problemas que podem ser solucionados pela computação quântica é o da fixação de nitrogênio, processo químico para produção de fertilizantes extremamente intensivo no consumo de energia que é essencial para a agricultura global.

Novas aplicações para o futuro

Para o futuro como pesquisador da área, o objetivo de Daniel é ajudar a encontrar novas aplicações para esses computadores, para além da simulação de sistemas físicos. “A gente tem pouquíssimos exemplos de algoritmos quânticos”, explica.

“Se eu puder também fazer parte desse momento de virada do meu campo da ficção científica para a realidade, isso seria muito legal. Eu gostaria muito de contribuir para essas primeiras demonstrações de algo útil que é feito com o computador quântico”, conclui.

Fernando Brandão, seu antigo mentor, é otimista quanto ao futuro do jovem pesquisador: 

“Acho que ele tem uma carreira brilhante pela frente. Quem sabe ele vai achar o grande novo algoritmo quântico que um dia vai ser usado no computador quântico”.

Quem é o brasileiro que ajuda a trazer a computação quântica da ficção científica para a realidade – Estadão

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Internet das coisas cresce a taxas anuais de 20% no país

Número de conexões de IoT no mercado mundial deverá saltar de 19,8 bilhões, projetado para 2025, para 40,6 bilhões em 2034

Por Maria Lúcia D’Urso — Para o Valor – 30/05/2025

Tópico importante dos projetos de transformação digital das corporações, a tecnologia de internet das coisas (IoT) avança no mundo. Graças a ela, é possível interconectar à internet dispositivos que vão de sensores a eletrodomésticos.

De acordo com dados da empresa de pesquisa inglesa Transforma Insight, o número de conexões de IoT no mercado mundial deverá saltar de 19,8 bilhões, projetado para 2025, para 40,6 bilhões em 2034. No primeiro lugar em uso dessa tecnologia está a China. A América Latina surge em quarto lugar, sendo o Brasil responsável por 40% dos investimentos pesados em conexões.

O setor de IoT no Brasil vem crescendo a taxas anuais de 20%, de acordo com estimativas do mercado. “O marco inicial para o aquecimento no Brasil foi o Plano Nacional de Internet das Coisas, de 2019. A partir dessa data surgiram muitas empresas especializadas em implementar aplicações em pacotes integrados de hardware, software e serviços de análise de dados”, afirma Rogério Moreira, diretor de tecnologia da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc).

A IoT emprega diversos tipos de redes para conectar dispositivos, cada uma com suas próprias características e aplicações. Entre as mais comuns, destacam-se a wi-fi, a celular (3G, 4G, 5G), a LoRaWAN e as redes via satélite. Cada uma dessas tecnologias possui diferentes alcance, velocidade, consumo de energia e custo. A LoRaWAN, por exemplo, caracteriza-se por ser sem fio, de longo alcance e baixo consumo de energia.

“As conexões de IoT via rede móvel, de celulares, preponderam no Brasil, pelas altas taxas de disponibilidade”, assinala Moreira, da Abinc. Segundo a consultoria Teleco, esse tipo de conexão registrou um crescimento de 22% em 2024 e deverá manter essa mesma porcentagem este ano.

Na lista dos setores que mais empregam IoT, cujas aplicações, por enquanto, são mais sustentadas por redes 4G, destacam-se as áreas de agronegócio, empresas de serviços públicos, indústria e transportes. Uma das aplicações no agronegócio é o monitoramento de culturas. Por meio de sensores espalhados pelo solo, é possível acompanhar, em tempo real, variáveis como temperatura, umidade, nível de nutrientes e até a saúde das plantas.

No rastro da IoT, a rede móvel 5G e tecnologias como a inteligência artificial (IA) vêm sendo impulsionadas. “Com IoT e IA juntas, é possível fazer com que um medidor de luz inteligente analise os padrões de comportamento do consumidor e, caso necessário, dispare alertas para a central de comando das empresas, apontando possíveis problemas de funcionamento do aparelho”, exemplifica Adriano Pereira, diretor de IoT, big data e inovação B2B da Vivo.

De olho nesse mercado, a TIM, que tem cobertura de 5G em 700 cidades brasileiras, segue investindo em IoT. Hoje a empresa oferece não somente conectividade como também pacotes de hardware, software e serviços para corporações dos mais variados setores. “Investimos, há cerca de sete anos, na montagem de uma rede narrowband IoT ou NB-IoT, que nos permite cobrir atualmente 5.167 cidades do país. Trata-se de um diferencial competitivo muito grande”, enfatiza Fabio Avellar, vice-presidente de receitas da TIM.

A operadora lançou, no ano passado, a plataforma TIM IoT Solutions. “Graças a essa solução, nos tornamos um grande provedor de transformação digital e gerador de eficiência para as empresas”, destaca Avellar. Essa plataforma cobre mais de 21 milhões de hectares com 4G do agronegócio. “Nossa frente de negócios já soma R$ 273 milhões em receita contratada nos últimos 12 meses.”

A Vivo recentemente anunciou uma parceria com a Dow Brasil para impulsionar a inovação e fortalecer a segurança no ambiente industrial. A operação da empresa contará com a Área Segura, solução baseada em dispositivos inteligentes e plataforma em nuvem. Foi desenvolvida para transformar a gestão da segurança do trabalho, prevenindo acidentes, otimizando custos operacionais e aumentando a produtividade na fábrica.

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Brasileiros já convivem com IA há anos, mas ChatGPT turbinou curiosidade; letramento vira desafio

De livros infantis personalizados a guias de viagens, ferramentas começam a fazer parte da vida de pais, filhos e profissionais — e ajudam a moldar uma nova cultura digital

Por Henrique Sampaio – Estadão – 07/06/2025 

Quando a designer Camila Neves, de 33 anos, de Cotia (SP), decidiu que era hora de tirar a chupeta do filho caçula, Zakk, ela não recorreu a métodos tradicionais nem pediu conselhos em fóruns de mães. Em vez disso, criou um livro ilustrado com inteligência artificial (IA), usando uma imagem do filho. O projeto, simples na execução, teve um resultado poderoso: o menino se reconheceu no personagem e, com o apoio da história, aceitou abrir mão da chupeta. “Ele pediu pra eu ler de novo e de novo, várias vezes, até dormir. E isso me deixou com a sensação de missão cumprida, sem sofrimento”, relatou Camila em uma publicação no LinkedIn.

Enquanto isso, a mais de 2 mil quilômetros dali, em uma barraca de camping improvisada no litoral da Bahia, o engenheiro Fábio Bergamini, de 30 anos, ajustava uma lanterna pendurada no teto enquanto falava ao Estadão, por chamada de vídeo, sobre como também tem recorrido à IA — não para criar histórias infantis, mas para planejar rotas, buscar paradas ideais em cidades desconhecidas e lidar com problemas no carro durante sua road trip.

Bergamini, que saiu de São Paulo de carro rumo a Itacaré, na Bahia, usou a IA para planejar roteiros improvisados e acabou fazendo boas descobertas, como um festival gastronômico. “Perguntei para a (inteligência artificial) Perplexity: estou em Montes Claros de dia tal até dia tal, o que tem de interessante para fazer aqui? Ela trouxe um evento que eu não fazia ideia que estava acontecendo.” Mais do que apenas turismo, Bergamini, que é nômade digital, vem usando a IA como suporte prático para emergências. “Se estou com um problema no carro ou algo assim, pergunto para a Perplexity e tenho a resposta.”

Os casos de Camila e Bergamini são apenas dois entre muitos exemplos que mostram como a IA já se infiltrou no cotidiano dos brasileiros. De mães em licença-maternidade a adolescentes aprendendo programação, de engenheiros otimizando tarefas domésticas a juízes que aceleram sentenças, a IA já participa de momentos íntimos e cotidianos — e modifica comportamentos, rotinas e relações.

Segundo a pesquisa Nossa Vida com IA: Da inovação à aplicação, feita por Google e Ipsos, 54% dos brasileiros relataram ter usado ferramentas de inteligência artificial generativa em 2024, superando a média global de 48%. No ambiente profissional, o número chega a 78%. Os dados indicam um crescimento significativo no uso da IA no Brasil em comparação com anos anteriores, refletindo uma tendência de adoção crescente tanto no cotidiano quanto no ambiente de trabalho.

Mesmo pessoas e empresas que não fazem uso de modelos como o ChatGPT já convivem com sistemas de IA no dia a dia. É o caso da Embraer, que usa IA para prever falhas em aviões e antecipar manutenções com base em dados captados em tempo real durante os voos. Ou das câmeras de monitoramento em cidades como Rio e São Paulo, que integram algoritmos de IA para reconhecimento facial, placas de automóveis e identificação de comportamentos suspeitos nas ruas.

Nas rodovias, a EcoRodovias adotou câmeras com IA para flagrar motoristas sem cinto ou usando celular. Até a previsão do tempo começa a incorporar a tecnologia: o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) está investindo na modernização de seus sistemas, com a adoção de algoritmos inteligentes e sensores mais precisos para gerar estimativas voltadas, sobretudo, à agricultura e à prevenção de desastres climáticos.

Mil e uma demandas

No setor privado, a tecnologia também opera nos bastidores. Supermercados como Carrefour e Grupo Pão de Açúcar usam IA para prever demanda, ajustar estoques e definir promoções com base no comportamento dos consumidores, sem que os clientes percebam.

Aplicativos de delivery, como o iFood, usam mais de cem modelos de IA para personalizar ofertas, organizar a logística de entregas e prever picos de demanda conforme clima, horário e localização. No campo, empresas de agronegócio utilizam IA para analisar solo, prever pragas e monitorar plantações via satélite ou drones — tecnologias que já são adotadas em larga escala por gigantes como Raízen e Bayer. Esses sistemas não exigem nenhuma interação direta do consumidor e estão integrados à engrenagem dos serviços, tornando a IA uma presença ubíqua, embora invisível, no cotidiano.

Mas, claro, o boom da IA generativa aumentou a curiosidade e as experimentações de uso consciente da tecnologia — ou seja, os brasileiros agora procuram ativamente o uso de algoritmos. Camila conta que começou a usar IA generativa no fim de 2023 para criar ilustrações e músicas personalizadas para os filhos como forma de se conectar com eles. “Hoje eles não interagem diretamente com IA, eu sou a intermediária”, conta a designer. As ferramentas preferidas dela são ChatGPT, Lovable (plataforma de geração de sites e aplicativos) e o Midjourney, para a geração de imagens.

O filho mais velho dela, de 15 anos, que estuda desenvolvimento de sistemas, também usa IA, principalmente nos estudos. Camila conta que ele aprendeu a usar o modelo da OpenAI como apoio para tirar dúvidas, mas com senso crítico. “Ele sabe que pode usar os recursos do ChatGPT, mas, ao mesmo tempo, precisa revisar, procurar fonte, ver se é verdadeiro.”

No caso do turista Fábio Bergamini, a IA se tornou parte fundamental da rotina, tanto dentro quanto fora do ambiente de trabalho. Após reuniões com clientes, ele costuma usar o ChatGPT Enterprise para planejar a arquitetura das soluções, aproveitando a capacidade da ferramenta de “raciocinar” em etapas. Para ele, a melhor forma de usar essas ferramentas é por meio da interação contínua. “O melhor resultado que você pode ter é justamente ver o que ela dá como resposta e ir refinando.”

Fábio usa o GitHub Copilot, integrado em seu ambiente de desenvolvimento. Com a ferramenta, a programação bruta dá lugar a uma tarefa mais estratégica: ele define a lógica e orienta o que precisa ser feito, terceirizando à máquina o trabalho “braçal”. “Em vez de digitar uma função no código que vai ter sei lá quantas linhas, eu explico o que quero para obter uma resposta com maior qualidade.”

IA moldando o comportamento

Na mais recente onda de demissões na Microsoft, 6 mil funcionários perderam seus empregos, inclusive no Brasil. Em 2024, o setor global de tecnologia dispensou aproximadamente 280 mil funcionários, ao mesmo tempo que teve um investimento recorde em IA. De acordo com o AI Index Report 2025, da Universidade Stanford, o investimento corporativo privado na tecnologia totalizou US$ 252,3 bilhões no ano passado, representando um aumento de 44,5% em relação a 2023.Camila, que trabalha com design — uma das áreas mais afetadas pela expansão da IA generativa — foi dispensada recentemente de um cargo de liderança. Ela, no entanto, não encara a IA como uma ameaça direta, mas como uma oportunidade.

A designer lembra que a história já assistiu a outras transformações tecnológicas que mudaram profissões criativas, como a substituição de tipógrafos pela impressão automatizada. “Então, a cada momento histórico que a gente tem de evolução tecnológica, a gente vive de novo esse cenário.” Para ela, a questão não está apenas na ferramenta, mas no quanto o profissional consegue ir além da superfície. “Profissionais que se apegam apenas a uma única forma de fazer as coisas tendem a ficar para trás.”

Bergamini adota um tom de alerta mais intenso. “Uma coisa que me preocupa bastante é o quanto a capacidade intelectual cognitiva da sociedade vai diminuir conforme nós usamos mais IA e deixamos de ter um raciocínio crítico.” Para ele, a facilidade trazida por essas ferramentas pode gerar uma acomodação perigosa.

Ele compara o uso da IA à calculadora: uma ferramenta que, apesar de muito útil, raramente levanta questionamentos sobre seus efeitos na cognição humana. “Da mesma forma que a gente usa uma calculadora para fazer uma conta mais complexa e não se pergunta se isso está prejudicando a nossa capacidade de fazer conta de cabeça — que certamente está —, a IA é uma ferramenta que a gente usa para facilitar o dia a dia.

O ponto de maior preocupação para Bergamini está na formação de novos profissionais. “Quando eu leio um código gerado por IA e ele não é bom, eu percebo. Mas o que acontece quando um estagiário ou um analista júnior faz isso? Essas pessoas vão ter a capacidade de olhar o código e criticar?” Por isso, insiste com sua equipe sobre a importância do uso consciente. “Aprender a usar a IA é equivalente ao que foi aprender o pacote Office na nossa geração”, compara.

Um novo tipo de alfabetização tecnológica

Se dominar a IA será o novo “pacote Office”, o desafio está em preparar as pessoas para esse novo contexto. Diogo Cortiz, pesquisador de IA e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), chama esse momento de “digitalização 2.0”.

Ele explica que, assim como nos anos 1990 surgiram escolas de informática que ensinavam a usar editores de texto, planilhas e e-mail, será preciso desenvolver estratégias semelhantes para o letramento em IA. “A gente sabe que a IA vai trazer perturbações para o mercado de trabalho, mas elas serão ainda mais duras para quem não usa. E a gente vai precisar fazer esse processo de qualificação.”

O uso da tecnologia, contudo, ainda avança no Brasil sem um plano claro de adaptação econômica, com o Projeto de Lei 2.338, de 2023, conhecido como Marco da IA, que propõe sua regulamentação, ainda em debate na Câmara dos Deputados. “Todos os países vão precisar fazer isso. Mas não há nenhuma estratégia um pouco mais nítida sobre esse processo de transformação e adaptação econômica”, diz Cortiz.

“Aprender a usar a IA é equivalente ao que foi aprender o pacote Office na nossa geração”

Fábio Bergamini

engenheiro que usa IA em sua road trip

A expectativa, segundo ele, é de que políticas públicas só surjam de forma reativa, conforme os efeitos da tecnologia se tornem visíveis. “Conforme a tecnologia for sendo implementada e as empresas forem vendo alguns ganhos de produtividade em um segmento e não em outro, empregos começarem a ser deslocados, aí sim, acho que os governos vão precisar antecipar isso e criar cenários e políticas públicas de como responder.”

Esse processo de formulação, no entanto, deve levar em conta mais do que os impactos econômicos. É preciso observar as mudanças sutis — e muitas vezes invisíveis — no comportamento social. “A gente pode assumir que a IA já vem influenciando nosso comportamento há muito tempo de forma mais oculta”, afirma Cortiz. Mas com a chegada do ChatGPT ao grande público, a transformação se tornou visível.

A difusão em larga escala marca uma mudança de paradigma. O ChatGPT, por exemplo, já está entre os sites mais acessados do Brasil. Para Cortiz, essa mudança afeta diretamente o modo como as pessoas buscam e processam informações. “Em vez de entrar em um buscador, elas já perguntam para o chatbot, que responde com uma resposta mastigada, imediata.” Embora isso represente uma conveniência, ele alerta que há riscos envolvidos: “Será que as pessoas estão confiando demais em uma resposta que pode estar errada?” 

Ele também aponta para a perda de diversidade na navegação cotidiana. “Será que ela não está perdendo uma pluralidade maior de comportamento, de informação, de conteúdo, de pontos de vista?”, questiona.

Esse novo cenário é marcado por uma imprevisibilidade. “O que mais importa nesse processo de mudança tecnológica não é a tecnologia em si, é principalmente o uso que as pessoas vão fazer”, diz Cortiz. “Tem gente usando para fazer currículo, outras pessoas como um terapeuta. Tem quem já não consiga mandar um e-mail sem passar pelo ChatGPT, porque perdeu esse senso crítico”, aponta.

Diante deste cenário, o Brasil vive uma contradição: é um país com alta conectividade, mas baixa alfabetização digital. Quais são as consequências disso? Para Dora Kaufman, que estuda os impactos da IA no Brasil, a falta de entendimento básico sobre o funcionamento dessas tecnologias abre caminho para seu mau uso — e para riscos à democracia.

“O que mais importa nesse processo de mudança tecnológica não é a tecnologia em si, é principalmente o uso que as pessoas vão fazer dela”

Diogo Cortiz

pesquisador de IA e professor da PUC-SP

“Eu tenho insistido que a regulamentação é fundamental, mas a grande mudança vai ser quando alfabetizar as pessoas em relação ao que é IA”, afirma. Ela defende uma campanha nacional ampla, liderada pelo setor público e com apoio das empresas de tecnologia, para explicar à população o que é IA, como funciona e o que ela é (ou não) capaz de fazer.

Os maiores riscos atuais da IA

“Hoje, os maiores riscos em relação à IA não estão mais na tecnologia em si, mas no desconhecimento de como usá-la — ou no uso intencional para fins nocivos”, alerta Dora. Isso se torna especialmente perigoso em contextos como as eleições, onde a IA pode ser usada para hiperpersuasão ou manipulação.

Ela também defende medidas de letramento digital como forma de mitigar os efeitos da desinformação em larga escala. “Se as pessoas souberem que é possível gerar imagens e falas falsas com altíssimo grau de realismo, elas vão refletir mais antes de compartilhar”, afirma. Em sua visão, o letramento não substitui a regulação, mas precisa caminhar junto com ela.

Durante a ascensão das redes sociais isso não foi feito. A população foi lançada nesse novo ambiente repleto de possibilidades sem a devida orientação — o que resultou em muitos casos de mau uso, intensificados por algoritmos desenhados para engajar a qualquer custo. O resultado foi um ecossistema em que a manipulação se tornou rotina. Com a IA, surge o risco de repetir os erros do passado, como aqueles que culminaram na proliferação de fake news e discursos de ódio ao longo da década de 2010.

Apesar dos riscos, há quem veja sinais de maturidade nesse novo ciclo. Para o pesquisador Diogo Cortiz, a sociedade já carrega uma visão mais crítica sobre a tecnologia. “Eu acho que agora a gente tem um senso crítico muito maior. Não todo mundo, mas tomadores de decisão, pesquisadores, formuladores de políticas públicas”, afirma.

Esse olhar mais atento, diz Cortiz, tem raízes até mesmo na cultura pop. “A ficção científica ajudou a preparar o imaginário. Livros e filmes mostraram a IA com uma pegada mais distópica.” Isso, na avaliação dele, ajuda a antecipar problemas e reforça a importância de um debate contínuo e crítico. “A tecnologia vai trazer benefícios, mas também vai gerar impactos. Se a gente antecipar esses problemas, vamos estar mais preparados para lidar com eles.”Para Camila, a IA já representa uma perspectiva de recomeço e uma nova forma de empreender: quer transformar o livro criado para o filho em um modelo de negócios. Desempregada, ela tem apostado na criação de livros infantis para colorir personalizados com IA. O projeto, chamado Eita Lelê, surgiu enquanto refletia após a demissão. “Foi um momento em que eu ainda não tinha certeza sobre minha recolocação no mercado”. Depois de um período de longas jornadas de trabalho, ela diz que reencontrar tempo com os filhos tem feito a diferença. E a IA acabou fazendo parte do processo.

Coordenação geral e edição: Ana Carolina Sacoman e Bruno Romani; Editora de infografia: Regina Elisabeth Silva; Editores-assistentes de infografia: Adriano Araujo e William Mariotto; Design: Lucas Almeida; Infografista Multimídia: Gisele Oliveira e Lucas Thaynan; Head do núcleo de vídeos: Manuella Menezes; Subeditor do núcleo de vídeos: Everton Oliveira; Editor de fotografia: Clayton de Souza; Pesquisa de foto: Sérgio Neves; Editor Executivo de Economia, Negócios e Link: Ricardo Grinbaum; Editor do Link: Bruno Romani; Editor Executivo de Distribuição, Engajamento e Vídeo: Leonardo Cruz.

Brasileiros já convivem com IA há anos, mas ChatGPT turbinou curiosidade; letramento vira desafio – Estadão

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‘Diz o que quero ouvir’: por que cada vez mais pessoas veem a IA como um guru existencial?

Milhões de usuários ao redor do mundo utilizam o ChatGPT não apenas como companhia, mas também como conselheiro e vidente. Confira seus motivos e consequências, segundo especialistas

Por Victoria Menghini, O Globo/La Nacion – 01/06/2025 

A inteligência artificial (IA) vem ganhando cada vez mais protagonismo na vida das pessoas. Essa ferramenta superpoderosa já não se restringe apenas a programadores e especialistas em tecnologia, mas está presente no celular que carregamos no bolso, nas consultas que fazemos e nas conversas que temos.

Além disso, também pedimos ajuda a ela e confiamos nossas dúvidas. Assim, de forma silenciosa, mas constante, ela se instalou em nossas rotinas, influenciando decisões e até moldando a forma como pensamos e enxergamos o mundo.

Os efeitos dessa transformação já são visíveis: recentemente, viralizou uma notícia em que uma mulher grega decidiu se divorciar do marido por conselho do ChatGPT. Especificamente, ela pediu ao modelo que aplicasse seus conhecimentos de tasseografia — uma técnica de adivinhação que interpreta padrões em folhas de chá ou xícaras de café — e a IA disse que seu parceiro “fantasiava” com uma mulher cujo nome começava com a letra “E”, além de afirmar que ele estava destinado a viver um romance com ela.

Indo mais fundo, o ChatGPT disse à mulher que seu marido lhe era infiel e, enfurecida, ela decidiu pôr fim ao casamento de 12 anos.

A busca por uma resposta ‘mágica’

É fato que a IA veio para revolucionar a forma como nos relacionamos com a tecnologia. Mas por que acreditamos quase cegamente nela? Por que não questionamos suas respostas, mesmo sabendo que são sistemas treinados com milhões de dados e que geram conteúdo com base em padrões aprendidos — e que não pensam nem sabem, de fato, o que estão dizendo?

— As pessoas sempre precisam acreditar em algo mágico, que alguém nos diga o que fazer, porque assim não somos nós que decidimos, é um outro. Essa busca por uma resposta rápida e mágica é nossa parte infantil, aquela que quer resolver e ver uma resposta rapidamente, sem assumir a responsabilidade — explicou Mirta Cohen, membro titular com função didática da Associação Psicanalítica Argentina (APA).

Nesse sentido, Patricia O’Donnell, médica psiquiatra, psicanalista e membro da APA, considerou que essas respostas instantâneas ignoram nossas emoções e pensamentos, “sem a necessidade de um tempo de espera, reflexão e elaboração”.

Por sua vez, María Pilar García Bossio, doutora em Ciências Sociais e professora da Universidade Torcuato Di Tella (UTDT) e da Universidade Católica Argentina (UCA), destacou a crescente presença da IA em uma sociedade cada vez mais digitalizada e despersonalizada:

— Estamos tão acostumados a dialogar com os outros por meios digitais que é fácil esquecermos que estamos falando com uma inteligência artificial e não com uma pessoa, sobretudo à medida que a tecnologia se tornou mais sofisticada em seu discurso, conseguindo adaptar sua linguagem às nossas necessidades.

Ela acrescenta:

— Em que se diferencia conversar com uma amiga pelo WhatsApp contando meus problemas de conversar com uma IA, senão pelo fato de eu saber que do outro lado há uma pessoa ou um robô? — refletiu a especialista.

María Pilar apontou um dos grandes atrativos dessa tecnologia: sua capacidade de nos oferecer respostas sob medida.

— Ela aprende conosco e tende a reforçar o viés de confirmação, ou seja, alimenta nossa tendência de buscar opiniões que se alinham com nossos próprios gostos e crenças. Assim, me diz o que quero ouvir — afirmou.

ChatGPT, guru da vida?

De astrólogo e tarólogo a especialista em tasseografia e conselheiro de relacionamentos amorosos, o ChatGPT se transformou em um companheiro, guia e conselheiro de vida para milhões de usuários ao redor do mundo. Em resumo, uma ferramenta-chave para tomar decisões ou validar ideias.

Por exemplo: em setembro de 2024, viralizou nas redes sociais o uso dessa ferramenta como detector de sinais de toxicidade — também chamados de red flags ou “bandeiras vermelhas” — em conversas do WhatsApp. Em detalhes, se for enviada uma captura de tela de um chat, o sistema analisa comportamentos suspeitos, como manipulação, ciúmes ou controle.

No entanto, suas respostas nem sempre são precisas.

— Os modelos de linguagem conseguem processar muitos textos ao mesmo tempo e encontrar relações entre palavras em grande escala. Eles leem, mas não como nós — explicou Fredi Vivas, engenheiro e professor de IA na Universidade de San Andrés.

Especificamente, os modelos de IA “leem” por meio da previsão de palavras.

— Usam um sistema chamado Atenção, que permite entender o contexto de cada palavra em uma frase — detalhou Vivas.

Por isso, o especialista esclareceu que, em vez de raciocinar, esses sistemas repetem padrões de forma estatística.

— Se você pedir a um modelo de linguagem que explique por que os Beatles foram uma banda de sucesso, ele vai te dar uma resposta convincente, mas isso não significa que ele saiba sobre música. O que acontece é que ele ‘leu’ muitos textos sobre o tema, porque possui muitas fontes de informação — ilustrou.

No entanto, Vivas ressaltou que a evolução constante dessas ferramentas pode corrigir esse tipo de erro em um futuro próximo.

Da mesma forma, hoje é comum ver em conversas no X (o antigo Twitter) invocações ao Grok, a IA da plataforma, para que explique ou confirme um dado publicado em um post — e muitos usuários tomam esse comentário como válido e irrefutável, mesmo que às vezes ele traga boas informações e, em outras, esteja claramente errado.

— Esses modelos tentam ser úteis, fazer com que você se sinta confortável na interação. Se é uma conversa, querem que você continue usando a ferramenta. Então, o que criaram em alguns casos foi um tom de conversa adulador. Você faz uma pergunta e ele responde algo como ‘parece uma boa ideia, genial’. Isso pode ser percebido como se ele soubesse de tudo (mesmo que suas respostas sejam estatísticas) — explica, acrescentando:

— A técnica usada para afinar os resultados e aprender coletivamente se chama aprendizado por reforço com feedback humano (quando indicamos se a resposta foi boa ou não). As ferramentas estão aprendendo com a interação humana para ficarem cada vez melhores.

Acreditar que a tecnologia é perfeita e não comete erros não é novidade. Desde os primeiros computadores e calculadoras até os mais avançados GPS, a sociedade sempre teve a tendência de depositar uma confiança excessiva nas máquinas. Especialistas chamam esse fenômeno de viés de automação, que por sua vez leva à complacência automatizada, em que as pessoas se tornam menos capazes de detectar falhas quando um dispositivo está no controle, segundo explica um artigo da BBC.

Dependência emocional e solidão

Nesse contexto, o uso excessivo de uma tecnologia ainda imperfeita como “companheiro virtual” que influencia nossas decisões levanta consequências e perigos potenciais a longo prazo.

De fato, o estudo ”How AI and Human Behaviors Shape Psychosocial Effects of Chatbot Use: A Longitudinal Randomized Controlled Study”, realizado pelo MIT Media Lab e pela OpenAI em março, revela que aqueles que dedicam mais tempo diariamente escrevendo ou conversando com o ChatGPT tendem a relatar níveis mais altos de dependência emocional e um uso problemático do chatbot, além de altos índices de solidão.

Nessa linha, o relatório ”Hesitant & Hopeful: How Different Generations View Artificial Intelligence”, publicado pelo Barna Group em janeiro de 2024, com a participação de 1.500 adultos americanos por meio de uma pesquisa on-line, indica que os millennials são os que mais utilizam essa tecnologia, em comparação com outras gerações. Em números concretos, 45% disseram usar IA ao menos uma vez por semana, sendo que os motivos estão mais ligados a questões pessoais do que profissionais.

A pesquisa também mostra que metade da geração Z afirma sentir “alguma” (39%) ou “definitivamente” (11%) urgência em integrar a IA às suas vidas.

Para Andrés Rascovsky, médico psicanalista e ex-presidente da APA, apesar da tentativa da IA de “se humanizar”, ela jamais poderá igualar as conexões humanas.

Enquanto isso, O’Donnell destacou que “esperar que a IA resolva tudo” pode levar ao desperdício do potencial criativo de cada pessoa, bem como da capacidade de criar vínculos.

— Paradoxalmente, tanta conexão pode acentuar a vivência da solidão, pois o sujeito, ao se afundar em satisfações temporárias e efêmeras, acaba ficando mais só e pode tentar se refugiar em um mundo vazio —refletiu.

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Artigo: Como os drones chineses podem derrotar os Estados Unidos

Um ataque de drone ucraniano mostra nossa extrema vulnerabilidade

Por Noah Smith — O Globo – 06/06/2025 

Deixe-me contar uma história sobre a Segunda Guerra Mundial. Em 1940, antes da entrada dos Estados Unidos e da União Soviética (URSS) na guerra, o Reino Unido lutava sozinho contra a Alemanha e a Itália. Apesar de estarem em grande desvantagem numérica e armada, os britânicos conseguiram uma vitória naval espetacular, utilizando tecnologia inovadora. Enviaram o HMS Illustrious, um porta-aviões, para atacar a frota italiana em seu porto de Tarento. A embarcação britânica desativou três navios de guerra italianos e vários outros navios, sem que a Marinha italiana sequer visse os navios adversários, muito menos tivesse a chance de revidar.

Mas isso é apenas o prelúdio da minha história, que não é sobre uma vitória britânica, mas, sim, sobre sua derrota. Pouco mais de um ano após a Batalha de Tarento, Winston Churchill enviou o encouraçado HMS Prince of Wales e o cruzador de batalha HMS Repulse para impedir o Japão de atacar Cingapura. Apesar da sua vitória esmagadora em Tarento, a liderança militar britânica duvidava que os navios de guerra que se movessem por conta própria no mar pudessem ser abatidos apenas por ataque aéreo. Eles depositaram sua fé no poder do movimento em zigue-zague e dos canhões antiaéreos para deter os aviões de ataque.

Isso foi uma tolice. Os torpedeiros japoneses encontraram e afundaram o Prince of Wales e o Repulse com bastante facilidade. Aqui está uma foto aérea dos navios de guerra britânicos, tirada da cabine de um avião japonês, tentando escapar desesperadamente:

Os grandes navios de guerra — os invencíveis mestres do mar em guerras anteriores — de repente ficaram indefesos diante do enxame de minúsculas aeronaves. Churchill reagiu com choque e horror, e a frota britânica se retirou, deixando o Sudeste Asiático para os japoneses.

O mundo havia mudado, quase da noite para o dia. O poder aéreo havia provocado uma revolução nos assuntos militares. Os navios de guerra blindados passaram de equipamento militar mais valioso a quase obsoletos da noite para o dia. No entanto, pessoas que investiram os tesouros de seus países em frotas de embarcações, como Churchill, demoraram a perceber a mudança — mesmo quando foram suas próprias inovações tecnológicas que tornaram suas antigas armas inúteis.

OK, então aqui está a sua velha parábola da Segunda Guerra Mundial, com uma moral clara para a história: não ignore as revoluções tecnológicas. Agora, avancemos para 2025. É possível que tenhamos testemunhado algo semelhante a uma moderna Batalha de Tarento. Durante anos, a Rússia usou seus bombardeiros estratégicos — que também podem carregar armas nucleares — para lançar mísseis de cruzeiro contra a Ucrânia a uma grande distância. Os ucranianos atacaram esses bombardeiros com drones em terra, mas os russos simplesmente os levaram para mais longe, bem fora do alcance de qualquer coisa que os ucranianos pudessem lançar de seu próprio território.

Os ucranianos foram sorrateiros. Eles colocaram um monte de drones — pequenos quadricópteros de plástico movidos a bateria, não muito diferentes de um brinquedo que você pilotaria em um parque — em caminhões e (de alguma forma) os enviaram por toda a Rússia. Quando os caminhões se aproximaram das bases da Força Aérea, onde os russos haviam estacionado suas bombas, os drones ucranianos saltaram dos caminhões e começaram a explodir as bases — e outros aviões — no solo. Ainda não há informações sobre quantos bombardeiros russos os ucranianos conseguiram abater, mas todos sabem que representava uma parcela significativa da força de bombardeiros da Rússia. E essas magníficas, caríssimas, raras e altamente valorizadas máquinas de destruição foram tiradas de ação por brinquedos movidos a bateria. Mais uma vez, portanto, o mundo mudou, quase da noite para o dia.

O Exército americano é muito melhor que o russo, mas, no final das contas, não é tão diferente assim — é construído em torno de um conjunto de “plataformas” grandes, caras e pesadas, como porta-aviões, jatos e tanques. Cada caça furtivo F-22, ainda amplamente considerado o melhor avião em operação, custa cerca de US$ 350 milhões (quase R$ 2 bilhões) para ser construído. Um porta-aviões da classe Ford custa cerca de US$ 13 bilhões (cerca de R$ 74 bilhões) cada. Um tanque M1A1 Abrams custa mais de US$ 4 milhões (R$ 23 milhões), e assim por diante.

Esse é o valor que será destruído cada vez que um drone chinês barato, movido a bateria de plástico, destruir um equipamento americano caro em uma guerra por Taiwan ou no Mar do Sul da China, ou quando Xi Jinping acordar de mau humor — sem incluir, é claro, as vidas de quaisquer americanos que estejam dentro do equipamento quando ele for destruído. Só que o verdadeiro valor perdido será muito maior, já que — como o Japão na Segunda Guerra ou a Rússia agora — os EUA têm uma capacidade de fabricação extremamente limitada no setor de defesa e, portanto, não conseguirão repor facilmente o que perdem.

Enquanto você lê este artigo, planejadores militares em todo o mundo estão se esforçando para criar defesas contra o tipo de ataque que a Ucrânia acabou de realizar. Dezenas de navios porta-contêineres chegam aos portos americanos vindos da China todos os dias, cada um com milhares de contêineres. Esses equipamentos são, então, descarregados e enviados por rodovia e ferrovia para destinos em todo o país. Imagine uma centena desses contêineres, de repente, se transformando em enxames de drones, destruindo enormes porções da Força Aérea e da Marinha americana, que valem trilhões de dólares, em poucos minutos.

Essa é obviamente uma ideia assustadora. Como os EUA podem se defender desse tipo de ataque? Possíveis contramedidas incluem abrigos reforçados para aeronaves e diversas formas de defesa aérea — armas, bloqueadores, pulsos eletromagnéticos, canhões de laser, interceptadores de drones — além de uma vigilância aprimorada do tráfego de contêineres. Mas, quaisquer que sejam as defesas possíveis, o advento de drones baratos movidos a bateria mudou o jogo e transformou essencialmente o mundo inteiro em um campo de batalha.

Por que os EUA não fazem o mesmo que a China

A outra pergunta que precisamos fazer é: por que os EUA não podem simplesmente fazer o mesmo com a China, em caso de guerra? Temos drones, certo? Não fomos nós os inventores da tecnologia de drones? Não temos startups inovadoras como a Anduril e a Skydio , e muitas outras, correndo para equipar nossas Forças Armadas com os melhores drones do mundo?

Sim, os EUA inventaram a tecnologia dos drones. Mas a maioria dos que usamos atualmente são sistemas pesados ​​e caros, como o MQ-9 Reaper.

Cada um desses drones gigantes custa US$ 33 milhões (quase R$ 200 milhões). Durante o recente conflito dos EUA com os houthis, no Iêmen — um conflito no qual os EUA foram essencialmente derrotados — a milícia iemenita desorganizada abateu pelo menos 7 desses drones Reaper, e possivelmente até 20. Os Estados Unidos, no total, têm apenas algumas centenas.

O tipo de drone usado no ataque ucraniano, por outro lado, são drones FPV — sigla para “visão em primeira pessoa”. São pequenos helicópteros de plástico movidos a bateria e equipados com explosivos.

Esses drones custam de algumas centenas a alguns milhares de dólares cada, dependendo do tipo. A Ucrânia produz atualmente milhares desses drones por dia e afirma esperar produzir mais de 10 mil, embora o drone-base (antes da adição de armas e outros equipamentos militares) ou as peças usadas para fabricá-lo normalmente venham da China.

Por que tantos? Drones FPV não são úteis apenas para o tipo de ataque-surpresa de longo alcance que a Ucrânia acabou de realizar. Na verdade, eles estão substituindo gradualmente todos os outros tipos de armas no campo de batalha. Drones FPV podem destruir tanques, incluindo os melhores dos EUA. Estima-se que eles causem 70% das baixas no campo de batalha — mais do que a artilharia, o tradicional “Deus da guerra”.

Dezenas de milhares dessas máquinas relativamente baratas e descartáveis ​​estão agora voando de um lado para o outro nas linhas de frente, identificando posições russas, reunindo informações para antecipar ataques iminentes, colidindo com alvos inimigos ou lançando bombas sobre eles.

No início de 2025, os drones eram responsáveis ​​por 60% a 70% dos danos e da destruição causados ​​aos equipamentos russos na guerra, de acordo com o centro de estudos Royal United Services Institute, sediado no Reino Unido.

O mundo está atento

Comandantes militares em todo o mundo estão atentos. Taiwan está investindo em drones em massa, antecipando um possível conflito com a China. Israel recalibrou o sistema de defesa aérea Domo de Ferro na guerra em Gaza para incluir drones manobráveis. Governos europeus, embarcando em seu maior rearmamento desde a Guerra Fria, identificaram drones e sistemas antidrones como prioridade de investimento. O Pentágono, nos EUA, pioneiro em drones sofisticados e caros, busca comprar modelos mais baratos, projetados por startups e implantados em massa.

Os drones pequenos e leves com vários rotores tornaram-se a inovação da guerra. Conhecidos como drones com visão em primeira pessoa, eles são controlados em tempo real, por meio de uma transmissão de vídeo, por um operador que pode “ver” através de uma câmera a bordo usando óculos eletrônicos. As redes sociais estão repletas de vídeos mostrando as máquinas se aproximando de tropas, veículos blindados de transporte de pessoal, baterias de mísseis e postos de comando até o momento do impacto. Outros drones com rotor são usados ​​para lançar explosivos do tamanho de granadas sobre alvos e podem ser reutilizados se retornarem em segurança.

A Bloomberg afirma que as peças usadas para fabricar a frota de drones da Ucrânia são compradas “online”, mas isso é um eufemismo. Elas são fabricadas na China.

Um drone FPV é basicamente:

  • algumas peças plásticas moldadas por injeção
  • alguns chips de computador de ponta (microcontroladores, sensores, etc).
  • um motor elétrico feito de ímãs permanentes de terras raras
  • uma bateria de íons de lítio

Os EUA ainda podem fabricar muitos chips de computador de última geração, mas o resto desses itens é tudo China, China e China.

China, China e China

A China produz uma grande fração da moldagem por injeção no mundo — cerca de 82%, de acordo com uma estimativa de 2024. Atualmente, não conheço nenhum plano governamental para restaurar a capacidade perdida dos EUA em moldagem por injeção. Aliás, espera-se que as tarifas de Trump — se algum dia entrarem em vigor — prejudiquem severamente a indústria de moldagem por injeção dos EUA, impedindo que as empresas americanas desse tipo importem os equipamentos especializados de que necessitam.

A China também fabrica a maioria dos motores elétricos do mundo. Isso ocorre porque o país fabrica a maioria dos ímãs, e um motor elétrico é basicamente feito por esse material. O resto do mundo está se esforçando para aumentar a capacidade de produção de ímãs, mas, pelo resto desta década, a China dominará.

Mas isso será difícil de conseguir. Os ímãs para motores elétricos são feitos de materiais chamados “terras raras”, quase inteiramente extraídos e processados ​​na China.

De fato, a China recentemente impôs controles de exportação sobre suas vendas de terras raras para os EUA, causando caos em diversas indústrias americanas e contribuindo para a decisão de Trump de suspender suas tarifas. Até agora, os esforços dos EUA para minerar e refinar terras raras têm fracassado.

Por fim, e mais importante, temos as baterias. A bateria é o componente essencial de um drone FPV — ela armazena a energia que o faz funcionar. Drones maiores podem usar motores de combustão, mas para obter algo tão pequeno e barato como um drone FPV, você precisa de uma bateria.

A China produz a maior parte das baterias do mundo. Em 2022, detinha 77% da capacidade de produção global.

Mesmo esta projeção, que mostra os Estados Unidos se recuperando um pouco, é provavelmente otimista demais. Ela foi feita em um momento em que a política industrial de Joe Biden — especificamente, a Lei de Redução da Inflação — distribuía enormes subsídios para fábricas de baterias americanas.

Isso não colocaria a capacidade americana de fabricação de baterias no mesmo nível da China, mas nos daria uma chance de lutar.

Agora, porém, Donald Trump e os republicanos estão cancelando as políticas que promoviam a fabricação de baterias nos Estados Unidos.

Os republicanos e a fabricação de baterias

Um projeto de lei sobre impostos e políticas aprovado pelos republicanos da Câmara eliminaria subsídios para a fabricação de baterias, incentivos para a compra de veículos elétricos por pessoas físicas e jurídicas e verbas para estações de recarga aprovadas pelo Congresso durante o governo Biden. E, além disso, imporia uma nova taxa anual aos proprietários de carros e caminhões elétricos.

Veículos elétricos são cruciais para a capacidade de fabricação de baterias, pois, em tempos de paz, são a principal fonte de demanda por baterias. Incentive a indústria de veículos elétricos e você também incentivará a indústria de baterias. Mate a indústria de veículos elétricos e você também matará a indústria de baterias, exatamente como os republicanos querem fazer agora. Prejudicar a indústria solar também prejudicará a indústria de baterias, porque alguns tipos de baterias são usadas ​​para armazenar energia solar para quando o sol não está brilhando.

Mais projetos de baterias foram cancelados no primeiro trimestre de 2025 do que nos dois anos anteriores. Esses cancelamentos incluem uma fábrica de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) na Geórgia, que teria produzido barreiras térmicas para baterias e uma fábrica de baterias de íons de lítio de US$ 1,2 bilhão no Arizona.

— É difícil, no momento, ser um fabricante nos EUA, dadas as incertezas sobre tarifas, créditos fiscais e regulamentações — disse Tom Taylor, analista sênior de políticas da Atlas Public Policy. Centenas de milhões de dólares em investimentos adicionais parecem estar paralisados, segundo ele, mas ainda não foram formalmente cancelados.

Na verdade, todo o boom na construção de fábricas americanas que ocorreu sob Biden parece estar parando e retrocedendo sob Trump, graças a uma combinação de tarifas e ao esperado cancelamento de políticas industriais.

O ataque ucraniano aos bombardeiros nucleares russos demonstra o quão insano e contraproducente é o ataque do Partido Republicano à indústria de baterias. As baterias eram o que impulsionava os drones ucranianos que destruíram o orgulho da frota aérea russa. Se os EUA se recusarem a fabricar baterias, não poderão produzir drones semelhantes em caso de uma guerra contra a China. Sem drones FPV movidos a bateria, os Estados Unidos estariam em grave desvantagem no novo tipo de guerra em que a Ucrânia e a Rússia foram pioneiras.

Infelizmente, Trump e o Partido Republicano decidiram encarar as baterias como uma questão de guerra cultural, em vez de uma questão de segurança nacional. Eles acham que estão atacando a energia verde hippie, dando uma bronca nos jovens ambientalistas socialistas e defendendo o bom e velho petróleo e gás americano. Em vez disso, o que estão, na verdade, fazendo é desarmar unilateralmente a futura força de drones dos EUA e cedendo a principal arma do campo de batalha moderno para a China.

De qualquer forma, a menos que os líderes americanos percebam rapidamente a importância militar das baterias, dos ímãs, da moldagem por injeção e dos próprios drones, os EUA podem acabar parecendo a Marinha britânica em 1941 — ou a Marinha italiana em 1940. Uma revolução nos assuntos militares está em andamento, e os Estados Unidos estão deliberadamente perdendo a oportunidade.

Para ler mais artigos de Noah Smith, basta acessar seu blog aqui.

Artigo: Como os drones chineses podem derrotar os Estados Unidos

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