As novas gerações querem trabalhar em empresas com propósito

 por Evandro Milet

A missão é o que uma empresa faz, a visão mostra para onde ela vai, a cultura é a maneira como as coisas são feitas por ali, os valores indicam o seu comportamento e o propósito esclarece porque ela existe, que problemas pretende resolver e quem ela quer ser para cada pessoa tocada pelo seu negócio.

A famosa pirâmide de Maslow, que coloca, de baixo para cima, as necessidades humanas  para alcançar a satisfação profissional, está sendo contestada, na prática, pelas novas gerações entrando no mercado de trabalho. Elas exigem, com alta prioridade, algo mais básico: um propósito para a empresa onde querem trabalhar, e esse objetivo é mais moral que empresarial.

Exemplos recentes, em empresas de renome, mostram como isso tem acontecido. A Amazon recebeu abaixo assinado de 6700 funcionários demandando políticas ambientais claras e criticando contratos com petroleiras que usam o serviço de nuvem da empresa. Funcionários do Google solicitaram que a empresa desistisse de executar um programa que usa inteligência artificial para analisar imagens feitas com drones para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Eles querem que a empresa se comprometa a nunca desenvolver tecnologia de guerra. Funcionários da Salesforce exigiram o fim da relações comerciais da companhia com a agência americana de controle de fronteiras, acusada de separar crianças de pais que tentavam entrar ilegalmente nos EUA.

Para atender essas demandas, as empresas procuram se antecipar e definir claramente um propósito, que deve refletir a real atuação da empresa, sem hipocrisia, e que seja seguida de fato por toda a direção. A Southwest Airlines definiu seu propósito: “Conectar as pessoas ao que é importante em suas vidas através de viagens aéreas amigáveis, confiáveis e de baixo custo”. Empregados de uma empresa farmacêutica recebem  a cada semestre um grupo de pacientes tratados com os medicamentos produzidos por ela. Propósito: “Fazer agora o que os pacientes precisarão no futuro.” A Tesla colocou como seu propósito “Tornar o transporte sustentável disponível para mais pessoas”. 

Algumas vezes essa declaração de propósito fica parecida com a missão. A diferença é essa conotação social ou moral. As novas gerações querem fazer a diferença de alguma forma e trabalharão com mais afinco quando acreditarem no propósito da empresa.

Importante no caso brasileiro é incluir as pautas sociais como desemprego e eliminação da miséria, que não aparecem nas reportagens sobre o assunto nos países desenvolvidos, preocupados com outros temas, também relevantes, como meio ambiente, diversidade, guerras ou imigrantes.

Novos temas como propósito, responsabilidade social, valor compartilhado, negócios sociais e felicidade estarão cada vez mais presentes na gestão das empresas.

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Como uma empresa brasileira de tecnologia cresceu 30 vezes na pandemia – articulações e parcerias

Operação de Guerra

Por Denyse Godoy – Revista Exame – Publicado em: 02/07/2020 -(Artigo resumido por Evandro Milet) 

Os fundadores da fabricante paulista de respiradores mecânicos Magnamed — Wataru Ueda, Tatsuo Suzuki e Toru Kinjo — não imaginavam enfrentar uma emergência que os obrigasse a multiplicar por mais de 30, do dia para a noite, sua capacidade de produção. 

O sucesso da empreitada — um conforto para um Brasil que continua registrando aumento de casos da infecção respiratória covid-19 — só vem sendo possível graças à parceria com companhias tão diferentes quanto produtoras de papel e celulose e fabricantes de gases industriais e à afinação com diversas instâncias do governo. Essa é uma história que aumenta a esperança no futuro.

O encontro com a KPTL que é, junto com os três fundadores e a gestora Vox Capital, uma das donas da Magnamed, se deu em 2008, na incubadora de empresas tecnológicas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a Cietec, que hospedava a Magnamed. A KPTL começou a investir na startup por meio de um fundo de investimento que tinha 80% de seus recursos provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e 20% do Banco do Nordeste.

No início, a Magnamed queria centrar sua atividade no encolhimento de peças de equipamentos médicos, mas acabou encontrando seu filão nos ventiladores, um ramo no qual Ueda e Suzuki, engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), haviam atuado juntos quando eram funcionários de outra empresa. Como boa startup, a companhia de tecnologia médica foi montada na garagem da casa de Ueda, em 2005, e logo depois Kinjo entrou.

Foi só quando o Ministério da Saúde bateu à porta da empresa com sede em Cotia, na Grande São Paulo, com uma encomenda de 15.000 respiradores para os fabricantes nacionais — o equivalente a sete vezes sua produção anual —, em 19 de março, que a Magnamed entendeu o tamanho da pandemia. 

Primeiro, seria necessário checar com os fornecedores de peças se poderiam entregar um volume maior. Naquele momento, os poucos produtores de componentes nacionais estavam sendo disputados pelas fabricantes de respiradores. No grupo de WhatsApp que mantém com os colegas de sua turma do ITA, onde se formou em 1982, Ueda mencionou então o projeto e as dificuldades que vislumbrava no caminho.

O amigo Walter Schalka, presidente da Suzano, maior fabricante de celulose do país, resolveu ajudá-lo acionando a rede de representantes da Suzano no exterior para encontrar mais fornecedores. Sua concorrente Klabin, que também tem fortes laços comerciais com a China, reforçou a busca. A fabricante de computadores paranaense Positivo acionou seus contatos para procurar os componentes usados na placa de controle dos ventiladores. Outro gargalo estava na montagem das máquinas.

A linha de produção da Magnamed em Cotia conseguia fabricar apenas 200 respiradores por mês. Por indicação do ministério e de executivos próximos à empresa, a Magnamed acabou chegando à Flex (antiga Flextronics), multinacional americana especializada na produção terceirizada de equipamentos eletrônicos, que tem uma fábrica em Sorocaba, no interior de São Paulo. Contando com a capacidade da Flex, em 23 de março a Magnamed informou ao governo que conseguiria entregar 6.500 respiradores em um período de seis meses.

O passo seguinte foi encontrar recursos para comprar os insumos necessários à produção. Faturando cerca de 40 milhões de reais por ano, a Magnamed operava com um capital de giro apertado. A Suzano lhe emprestou 10 milhões de reais sem custo e com 45 dias para pagar. A Magnamed procurou depois o BNDES, seu investidor desde o início, e não obteve nem 1 real porque o banco não tinha uma regulamentação para esse tipo de financiamento.

Mas o BV (o antigo Banco Votorantim) lhe deu um empréstimo-ponte de 20 milhões de reais sem aval — a instituição criou um fundo especial para financiar as fabricantes nacionais de respiradores durante a pandemia. 

No fim, o Ministério da Saúde adiantou 129 milhões dos 322,5 milhões de reais do contrato. A fabricante de aviões Embraer usinou 8.000 peças de aço em um fim de semana, cobrando apenas o valor da matéria-prima, a General Motors ajudou no redesenho da linha de montagem da Magnamed em Cotia e a fabricante de gases White Martins forneceu oxigênio para o teste dos respiradores na fábrica da Flex (que também está produzindo para outras duas empresas nacionais).

Com a Flex, a fabricante de respiradores pode dizer que sua capacidade de produção anual subiu para 64.000 unidades. “Sabemos que podemos contar com nossos parceiros para projetos grandes. O Brasil tem as condições de virar um polo tecnológico na área médica”, afirma Ueda, presidente da Magnamed.

Agora o projeto atingiu a velocidade de cruzeiro, e a Magnamed planeja o futuro. Não espera que o faturamento deste ano, estimado em 390 milhões de reais por causa da pandemia, vá se repetir, tampouco deverá regredir ao tamanho que tinha no ano passado. A covid-19 chamou a atenção para a necessidade de hospitais públicos e privados aumentarem  seu estoque de ventiladores pulmonares.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que os ventiladores sejam substituídos a cada cinco anos de uso, e o governo brasileiro estima que o parque local tenha idade média de 12 anos. A Magnamed aposta que os novos clientes conquistados durante a crise continuarão comprando seus equipamentos ao fazer a troca.

“Quando posto à prova, o brasileiro mostra sua competência técnica e capacidade de pensar em soluções”, diz Leandro Santos, presidente da Flex.

Algoritmos também têm preconceitos

por Evandro Milet

Se você consultar as imagens no Google sobre pele bonita, pessoas bonitas ou felizes ou inteligentes ou competentes, aparecerão, na grande maioria, pessoas brancas. Se a consulta for “beleza”, veremos pessoas brancas, ocidentais e ricas. Se a palavra for “casais” aparecerão brancos, ricos e héteros. Se a consulta for “criminosos” ou “bandidos”, não veremos colarinhos brancos. Para “violência doméstica”, surpreendentemente, as imagens são praticamente só mulheres brancas.

Esse exemplos mostram como o viés algorítmico está entranhado nas aplicações de inteligência artificial(IA). O machine learning é um esquema bruto de aprendizagem. Para ele entender o que é um cachorro ou um gato, milhares de imagens desses animais devem ser alimentados por pessoas no sistema para que ele conheça todos as variedades de tipos. 

Da mesma forma, no primeiro parágrafo, as plataformas usam pessoas para identificar os tipos nas consultas apresentados. E essas pessoas, de carne e osso, têm uma visão moldada pela sua vivência, naturalmente com todas as deturpações causadas pelos preconceitos e diversidade com que lidaram ao longo da vida.

Recentemente, essa deturpação se refletiu nos algoritmos de reconhecimento facial que faziam identificações erradas mais com pessoas de pele negra ou latinos do que com brancos nos Estados Unidos. Certamente porque os algoritmos foram ensinados com estereótipos equivocados. O mesmo problema acontece com sistemas de IA que analisam currículos ou formulários de financiamento em bancos.

De forma crescente, os algoritmos nos sistemas de e-commerce, nos mecanismos de busca, nas redes sociais, nos aplicativos de relacionamento das empresas e nas plataformas em geral usam sistemas de IA para interagir com o público, aprendendo tudo sobre as pessoas e tomando decisões autônomas com base nas referências usadas nos programas de computador que criaram esses algoritmos e nos seus dados. E esses programas foram feitos por desenvolvedores humanos e que têm sua própria percepção de mundo. 

O momento no mundo onde se discute como nunca racismo, diversidade, pautas identitárias, preconceitos, igualdade de oportunidades e desigualdade de renda exige que o histórico incrustado na cabeça das pessoas não seja transportado para os algoritmos e que a IA seja de fato inteligente e justa.

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Curiosidades da pandemia: a camisa Zoom e outras histórias

por Evandro Milet

Camisa Zoom  

O New York Times mostra a verdade para os homens: se você permaneceu trabalhando durante a pandemia, você tem uma camisa Zoom. Ela estará nas costas da sua cadeira de trabalho ou em um cabide por perto. E você a vestirá momentos antes de começar a reunião virtual. Como as gravatas que o ex-Presidente Lyndon Johnson tornou famosas e que já estavam prontas, com o laço dado. Era só enfiar no pescoço pela cabeça. A camisa Zoom ideal é assim: boa para aparecer em qualquer tipo de reunião e já abotoada de preferência, bastando enfiar pela cabeça. Como as reuniões acontecem de vez em quando e você não está saindo, pode lavar só a cada semana ou duas semanas.(é bom que seja fácil de lavar sem precisar passar).

A camisa Zoom é a última palavra em roupa Zoom e tem uma etiqueta apropriada: paletós e gravatas, nem pensar, até porque todo mundo sabe que você está com o laptop talvez em cima da mesa de jantar e com uma pilha de louça adiante. Se a pessoa exagerar na roupa vai parecer um pouco pretensiosa. E que não tente levantar na frente da câmera porque a parte de baixo pode ter só pijama. 

O batom como medidor econômico 

Por ser item de preço relativamente baixo e resultado imediato, ele se tornou aliado feminino em tempos de crise, dose extra e barata de autoestima. O primeiro a entender essa lógica foi Leonard Lauder, herdeiro do grupo de estética Estée Lauder. Em 2001, depois do pandemônio deflagrado pelos ataques terroristas de 11 de setembro, ele percebeu inusitado crescimento de vendas. O fenômeno sugeriu a ele a ideia do “efeito batom” — a busca feminina pela beleza contra a dureza do cotidiano, e um olhar para o crash da bolsa de 1929 entregou reação parecida. Enquanto setores industriais patinavam, os produtos de maquiagem vendiam como pão quente.

Com o uso atual de máscaras, porém a coisa ficou complicada. O mercado mundial de batons teve a maior queda desde 2015: de 67,2 para 64,5 bilhões de dólares entre 2019 e 2020. O mercado brasileiro também encolheu de 3,1 para 2,8 bilhões de dólares nesse período.

No Brasil, por exemplo, a busca no Google pelo termo “batom” atingiu o pior patamar dos últimos seis anos, desde o início da quarentena. Mas não será assim para sempre, evidentemente. A gradual retomada da normalidade possível permitirá despontar, em casa, na rua, em todo o mundo, mulheres lindas e empoderadas que farão do batom, mais uma vez, uma arma pacífica. 

https://veja.abril.com.br/entretenimento/a-queda-de-venda-de-batons-define-os-tempos-de-crise/

Viagem fake 

Está com saudades da experiência de viajar? Um aeroporto de Taiwan tem a solução: um itinerário falso no qual você faz o check-in, passa pelo controle de segurança e até embarca na aeronave – mas não decola.

O aeroporto de Songshan, no centro de Taipei, começou a oferecer essa experiência na quinta-feira, 2, com aproximadamente 60 participantes ansiosos.

Cerca de 7 mil pessoas se inscreveram para participar. Os vencedores foram escolhidos aleatoriamente. Mais experiências de voo falsas ocorrerão nas próximas semanas.

Os passageiros receberam cartões de embarque e passaram pela segurança e imigração antes de embarcarem no Airbus A330 da maior companhia aérea de Taiwan, a China Airlines, onde os comissários de bordo conversavam com eles.

https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,taiwan-oferece-voos-falsos-para-turistas-saudosos,70003353452

Carros passeiam no Shopping Botucatu 

O shopping de Botucatu (SP) começou a atender pelo sistema “drive-thru” e, para isso, liberou a entrada dos carros dentro dos corredores do prédio para os clientes retirarem os produtos na porta das lojas.

Segundo o shopping, a medida foi tomada para “manter a segurança dos clientes e seguir as recomendações de isolamento durante as ações de prevenção ao coronavírus”.

Além disso, haverá sinalização para regrar a velocidade e o sentido do fluxo dos veículos dentro do estabelecimento. Não serão permitidos carros movidos a Diesel e motocicletas.

O drive-thru está liberado somente para a retirada, já a escolha e compra de produtos devem ser feitas antecipadamente pelos canais de cada loja. O shopping informou que a prova de roupas e análise das peças não serão autorizadas.

Antes da entrada no estabelecimento, os veículo também vão passar por uma triagem, que vai analisar as condições higiênicas do veículo, se há fumaça ou vazamento de óleo.

Não foi a primeira vez que uma medida inusitada chamou a atenção em um shopping do interior de SP. Um centro de compras localizado entre os municípios de Votorantim e Sorocaba foi “dividido”  pela flexibilização do comércio.

Como Sorocaba estava na fase vermelha do Plano SP, as lojas localizadas na área do shopping que pertencem ao município precisaram ficar fechadas. Já as lojas da área de Votorantim continuaram funcionando normalmente.

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Mundo digital, que já era acelerado, deu um salto

por Evandro Milet

Em 1965, Gordon Moore, um dos fundadores da Intel, fez uma das maiores sacadas do mundo digital. Ele previu que a capacidade de processamento e armazenamento dos chips dobraria a cada 18 meses. Isso tem acontecido sistematicamente há mais de 50 anos( os computadores quânticos prometem agora quebrar essa tradição, com sua computação não binária). 

Desde 1965 vivemos então um normal no mundo digital: a convivência com uma exponencial que coloca no nosso bolso a capacidade de processamento dos supercomputadores do final do século passado, leva o custo de armazenamento de informações para quase zero e permite comunicações quase instantâneas como estamos presenciando com o 5G.

Essa infraestrutura criou coisas fantásticas que surpreendem mesmo aqueles que convivem desde sempre como eu, quase junto com o Gordon Moore, com novidades surpreendentes todas as semanas.

Verdade que durante anos, aqueles que tentaram prever o futuro costumavam subestimar o que acontecia com o hardware e superestimar o que acontecia com o software. Parece que isso foi superado pela dinâmica do capitalismo de startups que colocou milhões de empreendedores, em todo o mundo, a disponibilizar no mercado soluções digitais para todos os problemas e todas as dores do mundo. O espírito animal dos empresários, na forma digital, acelerou tudo, inclusive a destruição criativa de Schumpeter, talvez mais para hecatombe criativa.

Grandes empresas ou pelo menos grandes promessas, mesmo digitais recentes, algumas inclusive que costumavam ficar nas listas das maiores durante dezenas de anos agora sucumbem ou balançam seriamente uma atrás da outra. Já foram engolidas Kodak, Xerox, Motorola, Nokia, Blockbuster, Macy’s, Sears, Yahoo, Blackberry, Orkut, Compaq, DEC, Sun, Sega, HP, Atari, muitas de aviação, muitos bancos e muitas do varejo.

Em 1970, completando agora 50 anos, foi lançado o grande best seller do futurismo, o livro “O Choque do futuro” do visionário Alvin Toffler. Ali, em paralelo com a exponencial de Gordon Moore, ele anteviu o correio eletrônico, a mídia interativa, os chats, as videoconferências, o trabalho em casa e criou a figura do prosumidor, mistura de consumidor com produtor, popularizada nos auto serviços e até no mundo maker atual. Toffler inclusive afirmou a verdade repetida sem paternidade hoje que “ o analfabeto do século 21 não será aquele que não souber ler e escrever, mas aquele que não souber aprender, desaprender e reaprender”

Ele previu o trabalho em casa, a economia compartilhada para usar em vez de possuir, a sobrecarga de informações propiciada pela proliferação de computadores pessoais e redes, os assistentes pessoais digitais e a adhocracia, uma maneira de organização de empresas sem estrutura formal como aliás funcionam muitas startups hoje.

Duas de suas previsões, contestadas por críticos durantes tempos, caem como bomba em tempos de pandemia: ele previu que as cidades perderiam importância com a migração do trabalho dos escritórios e fábricas para as casas e que a sobrecarga de informações e dados provocariam isolamento social. Pode não ser definitivo, mas está acontecendo com muita gente querendo morar em lugares mais ecológicos e trancados em casa.

O fato é que o nosso normal, de viver a exponencial do mundo digital, foi disruptado(existe isso?) e a curva acentuada virou vertical de repente, com a pandemia provocando uma antecipação de futuros. Coisas que a exponencial digital traria em 5 ou 10 anos foram jogadas na necessidade do presente e aceleradas na educação, saúde, trabalho, lazer, justiça, governo, comércio e todo o resto.

Muita gente considera a expressão “O Novo Normal” como algo estanque ou acomodado. Nada mais equivocado. Não tem sido assim por 50 anos e continuará não sendo. Mas queremos nossa curva exponencial de volta, já acostumamos com ela. Esse será o nosso novo normal, já incorporado das descontinuidades da pandemia, isto é, provavelmente.

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Empresas abandonam reconhecimento facial por identificações equivocadas

IBM, Amazon e Microsoft deixam de lado a tecnologia depois de estudos comprovarem que ela reforça preconceitos raciais

Por André Lopes – Publicado em VEJA de 24 de junho de 2020, edição nº 2692 

O assassinato do americano George Floyd em uma abordagem policial despertou a urgência do combate a toda e qualquer forma de racismo. Nesse contexto, uma tecnologia que nasceu com a promessa de tornar as cidades mais seguras passou a ser amplamente contestada. Trata-se do sistema de reconhecimento facial, método de identificação de rostos que tem sido acusado não apenas de devassar a privacidade das pessoas como também de reforçar o preconceito racial. 

Estudos recentes mostram que negros estão mais expostos a erros cometidos por essas máquinas, correndo o risco concreto de ser submetidos à violência de certas autoridades graças a leituras equivocadas feitas pelas câmeras. Em um estudo recente, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) comprovaram que rostos mais escuros são pouco representados nos conjuntos de dados usados para “treinar” os equipamentos. A mesma pesquisa concluiu que os algoritmos classificaram as mulheres de pele escura como sendo homens em 34,7% dos casos, enquanto o índice de falhas na aferição de homens caucasianos foi inferior a 1%.

As dúvidas a respeito do uso da tecnologia estão levando inúmeras empresas a abandoná-la, congelando um mercado com potencial para movimentar 7 bilhões de dólares até 2024. A IBM foi a primeira. No início de junho, a companhia americana informou que não vai mais desenvolver ferramentas de vigilância em massa em contextos que violem os direitos e liberdades humanas — é exatamente o que ocorre agora. Na sequência, foi a vez da Amazon, empresa do bilionário Jeff Bezos, que proibiu a polícia de usar o seu software Rekognition por um ano. Na quinta-feira 11 de junho, a Microsoft se uniu às rivais e decidiu limitar o acesso das suas ferramentas ao avisar que não venderá a tecnologia até que haja uma lei federal de regulamentação.

O sistema da Amazon era alvo de dúvidas desde o ano passado. Em um levantamento inédito, a União Americana para as Liberdades Civis testou a assertividade do algoritmo cruzando as fotos de todos os 535 senadores e deputados federais com as imagens de 25 000 criminosos arquivadas num banco de dados. A falha foi discrepante: 28 dos legisladores foram reconhecidos como bandidos, mas nenhum dos parlamentares era foragido da Justiça. 

Outras pesquisas recentes constataram que máscaras de proteção como as usadas para evitar o contágio pela Covid-19 são capazes de ludibriar os sensores e suspeita-se até que lentes de contato possam fazer o mesmo. O ocaso da tecnologia de reconhecimento facial mostra que a fé cega que em geral se deposita nas inovações — supostamente desenvolvidas a partir de rigorosos preceitos técnicos — pode muitas vezes ser um grande equívoco. 

https://veja.abril.com.br/tecnologia/empresas-abandonam-reconhecimento-facial-por-identificacoes-equivocadas/

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Igual diferente – assim serão as coisas depois da pandemia

Como vai ser após a pandemia? Misturamos o que já existe para criar novidades

29.jun.2020 

Muita gente me pergunta como vão ser as coisas depois da pandemia. Respondo que o ser humano é péssimo para prever o futuro. Quando insistem, digo que o futuro será igual diferente.

Como vou trabalhar, vender meus produtos? Igual diferente. Como vou viajar? Igual diferente. Isso pode tranquilizar as pessoas porque, mesmo quando o mundo muda, e a tradição do mundo é mudar, essências permanecem.

Os carros da Ford mantiveram as rodas e os bancos das charretes. E os motores dos carros até hoje são medidos em cavalos de potência.

À esquerda, o piloto João Santos, 41, e à direita, o copiloto Lucas Favarin, 32, em 

Não jogamos tudo fora para parir o novo. Misturamos o que já existe para criar as novidades.

A mercearia aqui no condomínio começou a usar o zap para vender seus produtos e vai muito bem. Todo mundo que pode foi ou está indo para o digital. Milhões de serviços se digitalizaram na marra. O que levaria anos levou semanas. E esses novos entrantes estão renovando as novas plataformas.

Por que a loja de rua não pode se juntar com a loja do lado para criarem um shopping virtual, pelas redes, naquela vizinhança que conhecem tão bem? Isso já está acontecendo.

Esses inputs de quem ainda não era ligado em tecnologia, mas teve que se conectar, serão vitais para forjar esse igual diferente.

Marketplaces digitais aceleram ainda mais sua expansão apresentando uma saída espetacular para negócios sem negócios e perspectivas. Aliás, o Alibaba explodiu depois da epidemia de Sars na China no começo do século, que fez o país e a Ásia darem um salto na digitalização.

O Brasil só vai sair dessa crise cuidando dos pequenos e médios empresários que agora estão ameaçados pela pandemia. São eles que põem a mão na massa, geram os empregos e fazem a economia do país rodar. Para essas pequenas empresas, os marketplaces e a nova comunicação podem ser redentores. Eles são mais acessíveis e mais baratos do que os modelos e serviços que os precederam.

As empresas e os indivíduos vão ter de se transformar para seguirem entregando o que seguiremos desejando, como viajar, sair para jantar, encontrar os amigos.

A baixa estação pode ser a que terá os preços mais caros. A nova companhia aérea pode ser aquela que conseguir solução de ar fresco e saudável, tanto que se chamará Fresh Air. A melhor mesa do restaurante será ao ar livre. Isso tudo é chute, mas a inteligência humana adora dificuldade, desafio e risco. E já está criando o igual diferente.

Estou morando a 100 km de São Paulo e quero passar mais tempo aqui depois que isso tudo passar. O zoom me deixou mais perto dos meus clientes. Consigo mais qualidade de vida e foco no trabalho porque descobri que não trabalhava só na comunicação. Eu era também motorista, passava horas por dia no trânsito, mas essa nobre profissão não era a minha profissão.

E o home office é mais sadio que o office home daquelas pessoas que moravam no trabalho. Aquilo, que eu também pratiquei, não era sadio. Não acredito também no home office pleno. Daqui a pouco a minha mulher vai me matar…

Vou mudar da minha casa em São Paulo para um apartamento porque percebi que não precisava de tanta coisa. Por que quis tudo isso? Porque você me vendeu isso como publicitário, respondo a mim mesmo. Assim como estou conversando comigo mesmo, o mundo está conversando consigo mesmo.

O que vamos querer? Minha aposta é que vamos gastar mais em serviços do que em produtos, mais em experiências do que em consumo. O século 21 é o século do aprendizado permanente e das profissões que serão mais arquitetura do que construção. Este doloroso freio de arrumação está nos preparando para isso.

Nizan Guanaes

​Empreendedor, criador da N Ideias​.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nizanguanaes/2020/06/igual-diferente.shtml

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Investidores de startups revelam setores que podem se destacar em breve

Entre janeiro e maio, ecossistema de startups teve números de aportes superiores aos de 2019; para investidores, oportunidades no segundo semestre devem surgir em áreas como saúde, educação, agronegócio e e-commerce

01/07/2020 Por Bruno Capelas – O Estado de S. Paulo

Passados mais de 100 dias desde o início do período de isolamento social no Brasil, é difícil destacar um setor da economia que possa dizer que esteja bem. Mas há aqueles que são capazes de vislumbrar uma luz no fim do túnel – caso dos investimentos em startups. Depois de um tropeço em março, com o mercado sentindo bastante insegurança em novos aportes e uma queda de 85% nos valores de cheques na comparação com o ano anterior, o ecossistema dá mostras de que pode seguir em frente. 

Segundo estatísticas da empresa de inovação Distrito, os investimentos realizados no Brasil entre janeiro e maio são até superiores aos de temporadas anteriores: foram aportados em startups daqui US$ 516 milhões, em 116 rodadas diferentes. No ano passado, tinham sido 113 cheques, num valor total de US$ 431 milhões. 

É válido salutar que talvez não haja fôlego para que o primeiro semestre de 2020 supere o do ano passado – em junho de 2019, rodadas milionárias que totalizaram US$ 681 milhões foram realizadas em empresas como Gympass, Loggi e Creditas, a partir dos aportes polpudos feitos pelo grupo japonês SoftBank. Na visão do mercado, porém, a sensação que se tem é que o ano passado foi que fugiu fora da curva – e não este. 

Considerados os números entre janeiro e maio, porém, é possível dizer que, apesar da situação complicada em que o País se encontra em diversos ramos, oportunidades seguem surgindo para as empresas de base tecnológica. 

E, na visão de investidores ouvidos pelo Estadão, elas são diversificadas: estão em áreas como saúde e educação à distância, mas também no e-commerce, no agronegócio, no varejo e até em tecnologias para o governo. Abaixo, confira as perspectivas e apostas de seis investidores – Romero Rodrigues (Redpoint eventures), Mate Pencz (Canary), Renato Ramalho (KPTL), Scott Sobel (Valor Capital), Flávio Dias (500 Startups) e Renato Mendes (Organica) – para os próximos meses. 

Tem setores que claramente foram catalisados pela pandemia, como a área de biotecnologia e de saúde, a tecnologia remota, como apps de produtividade e e-commerce. São áreas que vão se aproveitar da mudança de comportamento das pessoas, estão numa crescente que não retornará mais ao patamar pré-quarentena. Mas essas áreas trazem um desdobramento muito interessante em outros setores, na infraestrutura: isso vale tanto para soluções de logística e de entrega, que usam tecnologia para serem mais eficientes, quanto a infraestrutura da própria tecnologia, como nuvem e cibersegurança. Afinal, não basta só colocar um site no ar e sair vendendo: é preciso fazer o produto chegar, com uma boa experiência de cliente e cuidando bem dos seus dados. 

Acredito que a grande novidade é que o e-commerce vai voltar a ser sexy. É uma área que eu gosto bastante, até pela minha história. Foi um setor que teve um primeiro ciclo forte na primeira era da internet, as grandes histórias daquela época estavam relacionadas a isso, como a Buscapé e a Netshoes. E aí o e-commerce não estava tão atraente nos últimos anos, mas agora vai voltar em uma série de áreas, especialmente em soluções para marketplaces, como a Olist tem feito. E acho que há espaço para crescimento em novos setores no e-commerce, como a área de casa e decoração – que demanda um investimento maior. Não dá para entregar dois caminhões de piso usando os correios, tem que ter infraestrutura, mas agora há mais maturidade para isso. 

E tem alguns setores que nós já estávamos olhando e continuam atraentes. Saúde e bem estar são dois deles, fizemos investimentos em empresas como Vittude (terapia online) e Sami. Na pandemia, também investimos em mobilidade, na Tembici, que é uma empresa bacana. E temos visto muita coisa bacana na área de economia circular, em área de reciclagem. Acho também que as pessoas vão cobrar mais impacto positivo pelo que recebe investimentos, o que ajuda áreas como reciclagem e mobilidade

Hoje, estamos de olho em oportunidades de eficiência e produtividade em diferentes setores da economia, mas especialmente em verticais focadas no consumo da classe média. Acredito que a pandemia vai reforçar a transformação digital em todas as indústrias, com muitas oportunidades para quem quiser fazer a tradução do “físico para o digital”, em varejo e e-commerce. Saúde tem ido bem, fizemos alguns investimentos nessa área. Mobilidade também. Outro destaque são as as fintechs, que chamaram a atenção nos últimos anos e terão ainda mais inovação. Será um movimento de inovação contínua, puxado pelo que o Banco Central tem promovido na regulação, em áreas como o open banking e os pagamentos instantâneos.

A pandemia é uma oportunidade enorme de negócios porque surgiram novas dores para os consumidores, ninguém as resolveu ainda. Algumas respostas já estão óbvias, como telemedicina, ensino à distância e soluções para trabalho remoto. Mas outras ainda são difíceis de precisar, porque passa por entender mudanças de comportamento. Muita gente perdeu o medo de fazer coisas online, comprar, tem muita oportunidade aí – até porque é um medo que se perdeu e não volta mais. Vejo com bons olhos quem apostar em novidades em alimentos e bebidas, ou no setor de limpeza. Por outro lado, também há setores que vão ter problemas justamente por conta do medo – em especial, aqueles que envolvem contato físico, especialmente, como turismo e restaurantes. 

O agronegócio tem sido, consistentemente nas últimas décadas, se provado como um setor com DNA brasileiro. Acho que há muito espaço para tecnologia nessa área. Todas as nossas empresas do portfólio desse setor estão indo muito bem, mesmo com toda a crise e a dificuldade logística. O choque de curto prazo (por conta da pandemia) não mudou a tese de investimentos e estratégia que a gente já tinha. Outro setor que tem bastante oportunidade é o de govtechs, startups que prestam serviço para o governo. Vimos agora que há muito espaço, muita demanda na digitalização para qualquer ponto de contato do governo com a população. Além disso, as empresas de saúde também tem passado por um momento interessante. 

Não vejo uma divisão tão grande por setores, mas vejo que algumas coisas terão uma importância maior na pandemia. Fico feliz de ver que há uma quantidade relevante de empreendedores indo atrás de oportunidades de usar tecnologia no agronegócio e também na luta contra mudanças climáticas, na discussão de créditos de carbono, por exemplo. Acho que o Brasil é um ótimo espaço de testes para isso, até por conta do patrimônio natural como a Amazônia. Nós não tínhamos quase nenhuma empresa de agro no portfólio, agora estamos estudando várias. Mas o resto também vai continuar em alta: fintechs seguem acelerando, setor imobiliário também, eram tendências que já estavam acontecendo. 

https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,investidores-de-startups-revelam-setores-que-podem-se-destacar-em-breve,70003349845

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Conferência no Zoom é invadida com imagens de apologia ao nazismo e atentado ao pudor

Apesar das novas medidas de segurança, invasores foram capazes de habilitar funções bloqueadas pelos hosts do evento para realizar ataque

por Karina Pizzini, especial para Computerworld Brasil – 29/06/2020

À medida que a plataforma de videoconferência Zoom ganhava popularidade no mundo, e também no Brasil, ela virou foco de hackers que caçam suas vulnerabilidades para criar novas formas de ataque. O número de reclamações subiu junto com as medidas de isolamento social, sendo proibida por várias organizações que temem a segurança dos seus dados durante reuniões e conferências. Embora a maioria das violações tenha esse propósito, no dia 10 de junho, uma conferência realizada pelo Instituto Comunitário Grande Florianópolis (Icom), a qual discutia práticas antirracistas, foi invadida com imagens obscenas, suásticas, decapitação e músicas misóginas. Foram localizados quatro invasores, dos quais, mesmo sendo constantemente bloqueados, conseguiam retomar o controle do áudio e do compartilhamento de telas sem autorização dos hosts do evento.

Após um período conturbado para a plataforma de videoconferências no início da pandemia, no final de abril a plataforma anunciou várias atualizações e mudanças para reforçar sua segurança, que, segundo o comunicado, seria implementada em todo o sistema nos dois meses seguintes.

Em seu blog, a última atualização da plataforma foi anunciada em post do dia 22, após anúncio das medidas em uma webinar no dia 20 de maio. Desde então, Fernando de Falchi, Gerente de Engenharia de Segurança da Check Point Brasil, disse que nenhuma violação como as detectadas anteriormente foram localizadas depois das novas medidas de segurança. “Tirando o início da pandemia, que o Zoom teve aquele boom de usuários – depois das novas medidas – não tiveram reclamações de invasões como essa”, diz em relação às características do ataque sofrido pelo Icom.

Antes, a plataforma dava um ID de reunião e gerava um código do Zoom, com uma sequência de letras. “O pessoal descobriu como esse código era montado e viu que era só trocar umas letras e números e assim conseguiam entrar em qualquer reunião, de qualquer lugar do mundo, sem ser convidado”, explica.

“Eles [Zoom] mudaram a maneira como criavam esse ID da reunião e, além de tudo, colocaram uma senha – é possível compartilhar o link da reunião com essa senha ou pedir para a pessoa digitar a senha para entrar na reunião. Hoje, a pessoa não consegue mais sair chutando números de letras de ID para entrar na reunião”, complementa.

Conforme postagem no blog da Zoom algumas mudanças de segurança incluíam: controle de compartilhamento de tela definido, “para contas únicas do Zoom Pro, o compartilhamento de tela é definido como ‘somente host’, por padrão. Hosts e co-hosts podem conceder acesso a outros participantes no ícone Segurança”; e consentimento para ativação de som, “quando um organizador da reunião silencia um participante, ele não pode mais ativar o som dessa pessoa sem o seu consentimento”.

O link de acesso à web conferência do Icom foi compartilhado publicamente antes do evento, deixando-o mais exposto a ataques direcionados e facilitando a entrada de um ouvinte mal intencionado. Entretanto, segundo a comunicação do Icom, somente Lia Vainer Schucman, doutora em Psicologia Social, professora e ativista antirracista, após solicitação à host, teve a permissão concedida para compartilhamento de tela. Além disso, somente ela e a mediadora, Mariana Assis, guardiã de relacionamento com a sociedade civil organizada do Icom, tinham os microfones habilitados sob autorização dos hosts.

Ainda assim, um dos invasores conseguiu compartilhar os vídeos, enquanto outros dois invadiram o áudio. Uma quarta pessoa aparecia se masturbando ao vivo. Após alguns vazamentos de áudio ao longo da conferência e algumas intervenções de bloqueio do áudio da professora, sem razões identificadas até o momento da invasão. Cerca de uma hora depois do início do evento, os quatro hackers iniciaram, de fato, o ataque criminoso de apologia ao nazismo, racismo e atentado ao pudor.

“A plataforma Zoom, que utilizamos para o encontro que contava com cerca de 70 pessoas, foi invadida, e ocorreu a exibição de um vídeo com imagens violentas, propagando mensagem de ódio, apologia ao nazismo e atentado ao pudor. Racismo e a apologia ao nazismo são crimes. Rapidamente, a equipe do ICOM conseguiu remover perfis envolvidos na ação e retomar o evento, que foi gravado. A invasão com propagação de mensagem criminosa será denunciada formalmente às autoridades responsáveis pela investigação destes casos, assim como à plataforma Zoom”, disse o Icom em nota.

O Zoom, em nota emitida pela sua assessoria de imprensa disse que “condena veementemente esse comportamento” e que, recentemente, atualizou as configurações padrão e adicionaram recursos para ajudar os hosts nos controles de segurança nas reuniões, incluindo: “controle do compartilhamento de tela, a remoção e a geração de relatórios de participantes e o bloqueio de reuniões, entre outras ações”.

“Também instruímos os usuários sobre as práticas recomendadas de segurança para a organização de suas reuniões, incluindo a recomendação de que os usuários evitem compartilhar links e senhas privadas de reuniões publicamente em sites, mídias sociais ou outros fóruns públicos, além de incentivar qualquer pessoa que apresente eventos públicos utilize a solução de webinar da Zoom. Temos o compromisso de manter um ambiente on-line igual, respeitoso e inclusivo para todos os nossos usuários. Levamos as interrupções das reuniões extremamente a sério e, quando apropriado, trabalhamos em estreita colaboração com as autoridades policiais. Incentivamos os usuários a denunciar qualquer incidente desse tipo ao Zoom e às autoridades policiais para que as ações apropriadas possam ser tomadas contra os infratores”, diz a nota.

Falchi lembra que, embora tenhamos uma polícia capacitada para investigações de ciberataques, é muito difícil localizar os criminosos. “Existiu o crime, mas identificar quem fez é realmente é difícil. […] Quando é recorrente fica mais fácil porque a polícia o acompanha até que ele cometa um erro e a seja identificado. A pessoa tem que cometer um erro para ser pego. Levando para o mundo que estamos discutindo, quando ele quer [invadir para] colocar informações para difamar alguém [por exemplo], ele está com aquilo na cabeça e faz a toda hora, e assim vai acabar cometendo um erro”, comenta.

Segurança

Durante o ataque muitas pessoas saíram rapidamente da sala de conferência com medo do que aquela violência significaria para a privacidade de seus dados. Falchi lembra que como toda ferramenta ligada à internet, nunca estamos cem por cento seguros. “Para ele [invasor] conseguir informação de alguém através de uma reunião do Zoom, só se as pessoas abrirem um link compartilhado. Ele teria que fazer a pessoa ir para algum lugar onde fosse possível ele ter controle”, explica. Embora afirme que não tenha ligação direta – com invasão motivada para roubo de dados – a recomendação serve para todas as situações: troque as senhas por precaução.

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A saída da pandemia precisa de um ambiente de negócios favorável

por Evandro Milet

com alguns dados da matéria da revista Veja no link https://veja.abril.com.br/economia/por-que-as-exportacoes-da-industria-sofrem-mesmo-com-o-dolar-nas-alturas/

Mesmo com a forte desvalorização do real de 32,3% em relação ao dólar desde o começo do ano, passando de 4,02 reais em 2/1/2020 para 5,4 reais hoje, as exportações brasileiras caíram 7,2% de janeiro a maio em relação ao mesmo período do ano anterior. Os produtos manufaturados caíram 25% e os semimanufaturados caíram 7,5%.

A pandemia influenciou, mas não só. Dados do Iedi – Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial mostram que a queda da participação da indústria nas exportações brasileiras vem ocorrendo desde 1993.

A instabilidade macroeconômica é um dos principais entraves. Desde 2014, a dívida pública brasileira vem crescendo em relação ao PIB, o que encarece o crédito e aumenta o risco país. Nesse contexto os investidores partem para países mais seguros e a modernização da indústria fica estagnada.

A insegurança normativa e jurídica também atrapalha o país e prejudica as exportações. A insegurança se dá por um fator cultural: a falta de confiança e cumprimento de acordos entre as partes aumentam a judicialização das relações. O sistema judiciário brasileiro também é complexo. Um estudo de 2018 do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação(IBPT) mostrou que desde a Constituição Federal de 1988, mais de 5,8 milhões de normas foram editadas, ou seja, 774 por dia útil. Sem uma jurisprudência única, as ações são passíveis às mais diferentes interpretações, conforme o entendimento de cada juiz. A instabilidade e a complexidade das decisões das agências regulatórias também tornam os ambientes de negócios complexos e de difícil entendimento.

A pesada e complicada carga tributária também prejudica a produtividade do país. O mesmo estudo do IBPT mostrou que em matéria tributária, foram mais de 1,92 normas editadas por hora em 30 anos. No período foram criadas 16 emendas constitucionais tributárias e novos impostos ou contribuições como CPMF, Cofins, Cide, Cip(ou Cosip), CSLL. E cada norma possui em média 3.000 palavras. A consequência é que muitas empresas que querem vender para o mercado brasileiro estão se instalando no Uruguai ou Paraguai.

A educação também é fator prejudicial. A mais recente edição do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), de 2017, mostrou que 60,5% dos alunos saíram do ensino fundamental sem aprender o suficiente em português e 63,1% em matemática. 

Considerando ainda a baixa qualidade de estradas e a subutilização das hidrovias, o desafio para aumentar a competitividade brasileira é enorme.  

Não à toa, o País está em 124º lugar na lista de 190 países no índice de facilidade para fazer negócios do relatório “Doing Business 2020”, do Banco Mundial. No subitem pagamento de impostos o Brasil fica na 184ª posição, na abertura de empresas 138ª, na obtenção de alvarás de construção 170ª e no registro de propriedades 133ª.

O Brasil é de longe o campeão mundial no tempo gastos pelas empresas na preparação de documentos para o pagamento de impostos e contribuições: 1.958 horas ao ano, seis vezes a média de 332 horas registrada nos países da América Latina e Caribe, de acordo com o mesmo relatório do Banco Mundial.

É urgente a retomada da reforma tributária. A elevação prevista da dívida pública para próximo de 100% do PIB vai exigir um grande esforço para a retomada da economia. O aumento da produtividade é crucial e, para isso, é necessário um ambiente de negócios que facilite a vida dos empreendedores e atraia novos investimentos.

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