O Século de Schumpeter

Como mostra Thomas K. McCraw em O Profeta da Inovação, Schumpeter foi um dos primeiros economistas a compreender que o dinamismo do capitalismo nasce de dentro

Por Evandro Milet – Portal ES360 –  26/10/2025

Joseph Schumpeter. Foto: Reprodução

O Prêmio Nobel de Economia concedido a Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt reconhece oficialmente aquilo que Joseph Schumpeter anteviu há quase um século: o capitalismo sobrevive não pela estabilidade, mas pela mudança constante. As teorias premiadas sobre o crescimento econômico sustentado pela inovação e pela “destruição criativa” são, em essência, o prolongamento contemporâneo do pensamento schumpeteriano.

Como mostra Thomas K. McCraw em O Profeta da Inovação, Schumpeter foi um dos primeiros economistas a compreender que o dinamismo do capitalismo nasce de dentro, e não de forças externas. O sistema, dizia ele, vive de “perturbação”. Seu verdadeiro equilíbrio é o desequilíbrio permanente. Cada nova invenção, cada avanço tecnológico, substitui empresas, setores e hábitos antigos — um processo doloroso, mas essencial ao progresso.

Essa visão contrasta radicalmente com o pessimismo marxista. Marx via no capitalismo um mecanismo de exploração e crescente miséria; Schumpeter enxergava nele o motor da prosperidade. Admitia a desigualdade de resultados, mas acreditava que a inovação elevava, “em virtude do seu próprio mecanismo”, o padrão de vida das massas. Para ele, o empreendedor — e não o capitalista passivo — era o verdadeiro protagonista da história econômica.

Em Marx, a sociedade capitalista contém apenas duas classes: os capitalistas que detêm e controlam os meios de produção, e os proletários, que não podem fazê-lo. Muitos proletários abriram negócios e também tornaram-se capitalistas. Marx não foi capaz de “distinguir o empreendedor do capitalista”. Essa distorção persiste até hoje: ou é patrão ou trabalhador.

Na visão de Schumpeter, Marx viu com mais clareza que qualquer outro o dinamismo da máquina capitalista. Se não estivesse tão obcecado com a luta de classes e a exploração das massas, sua influência em outros analistas teria sido muito maior.

Schumpeter defendia a igualdade de oportunidades, mas também sustentava que o resultado da desigualdade de esforço eram merecidos. Considerava a disparidade de rendas não só inevitável na sociedade capitalista como eficaz no estímulo à inovação.

Escreveria o próprio Schumpeter em 1946, no início de seu longo artigo sobre o capitalismo para a Enciclopédia Britânica: ”Uma sociedade pode ser considerada capitalista quando confia seu processo econômico à orientação dos homens de negócio. Pode-se considerar que isso implica em primeiro lugar, a propriedade privada dos meios de produção[…] em segundo, a produção para o lucro privado, ou seja, a produção pela iniciativa privada em proveito privado”. Ele acrescentava que um terceiro elemento é “tão essencial para o funcionamento do sistema capitalista” que não pode deixar de ser adicionado aos outros dois. Esse elemento é a criação do crédito. Derivado da palavra latina credo – “Eu creio” – , o crédito representa uma aposta num futuro melhor.

É essa crença que sustenta a coragem de quem arrisca em nome da novidade. Como McCraw destaca, Schumpeter via o empreendedor como um “revolucionário econômico”, movido não por ganância, mas por ambição criadora e desejo de deixar marca no mundo.

Ao situar a inovação como força vital do capitalismo, Schumpeter também redefiniu a própria ideia de concorrência. Ela não se dá apenas pelos preços, mas pela introdução de “novas mercadorias, novas tecnologias e novas formas de organização”. Esse conceito, que parece óbvio à luz da economia digital do século XXI, era revolucionário nos anos 1940.

É por isso que o Nobel deste ano soa como um tributo tardio. Mokyr, Aghion e Howitt deram forma matemática a uma intuição que Schumpeter desenvolveu com genialidade literária e histórica. A “teoria do crescimento endógeno” é, em muitos sentidos, a confirmação empírica da “destruição criativa” — um ciclo de nascimento e morte empresarial que mantém viva a engrenagem capitalista.

No mundo atual, em que a inovação tecnológica redefine indústrias inteiras em poucos anos, Schumpeter é mais atual do que nunca. Como escreve McCraw, “as ideias modernas sobre o capitalismo são, em grande medida, dele”. Sua influência atravessa a economia, a política e até a cultura de negócios, que passou a falar em “estratégia empresarial”, “estratégia corporativa” e “espírito empreendedor” nos termos que ele ajudou a criar ao estabelecer um paralelo entre as iniciativas corporativas e o comportamento militar. Foi uma das mais significativas ideias surgidas no pensamento econômico desde a década de 1940.

Hoje, no século XXI, muitos economistas acrescentam o empreendedorismo aos três fatores tradicionalmente contemplados na produção: terra, trabalho e capital. Esse acréscimo deve muito à obra de Schumpeter.

Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, já afirmou que “o século XXI será o século de Schumpeter”. O Nobel de 2025 parece confirmar essa previsão. A economia global, impulsionada por ciclos incessantes de inovação e destruição, continua a seguir o roteiro que o economista austríaco escreveu antes de todos: um sistema vibrante, criativo — e em permanente estado de desequilíbrio.

O Século de Schumpeter – ES360

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Como a IA generativa pode mudar a forma como pensamos e falamos

  • Uma análise apontou repercussões em habilidades cognitivas
  • Outra indicou efeitos negativos na tomada de decisões

Antonio Cerella – Folha/The Conversation – 19.out.2025

Professor adjunto, estudos sociais e políticos, Universidade de Nottingham Trent

Não há dúvida de que a inteligência artificial (IA) terá um impacto profundo em nossas economias, trabalho e estilo de vida. Mas será que essa tecnologia também poderá moldar a maneira como pensamos e falamos?

A IA pode ser usada para redigir redações e resolver problemas em meros segundos que, de outra forma, levariam minutos ou horas. Quando passamos a confiar excessivamente nessas ferramentas, é provável que deixemos de exercitar habilidades essenciais, como o pensamento crítico e nossa capacidade de usar a linguagem de forma criativa. Os precedentes das pesquisas em psicologia e neurociência sugerem que devemos levar essa possibilidade a sério.

Há vários precedentes para a tecnologia reconfigurar nossas mentes, em vez de apenas auxiliá-las. Pesquisas mostram que as pessoas que dependem de GPS tendem a perder parte de sua capacidade de formar mapas mentais.

Antes do advento da navegação por satélite, os motoristas de táxi de Londres memorizavam centenas de ruas. Como resultado, eles desenvolveram hipocampos aumentados. O hipocampo é a região do cérebro associada à memória espacial.

Em um de seus estudos mais marcantes, o psicólogo russo Lev Vygotsky examinou pacientes que sofriam de afasia, um distúrbio que prejudica a capacidade de entender ou produzir a fala.

Quando solicitados a dizer que “a neve é preta” ou a dizer o nome errado de uma cor, eles não conseguiam. Suas mentes resistiam a qualquer separação entre palavras e coisas. Vygotsky via isso como a perda de uma habilidade fundamental: usar a linguagem como um instrumento para pensar de forma criativa e ir além do que nos é dado.

Será que o excesso de confiança na IA pode gerar problemas semelhantes? Quando a linguagem vem pré-embalada em telas, feeds ou sistemas de IA, o vínculo entre o pensamento e a fala pode começar a enfraquecer.

Na educação, os alunos estão usando IA generativa para escrever redações, resumir livros e resolver problemas em segundos. Em uma cultura acadêmica já moldada pela competição, métricas de desempenho e resultados rápidos, essas ferramentas prometem eficiência ao custo da reflexão.

Muitos professores reconhecem aqueles alunos que produzem textos eloquentes e gramaticalmente impecáveis, mas revelam pouca compreensão do que escreveram. Isso representa a erosão silenciosa do pensamento como uma atividade criativa.

Soluções rápidas

Uma revisão sistemática, publicada em 2024, constatou que o excesso de confiança na IA afetou as habilidades cognitivas das pessoas, pois cada vez mais os indivíduos privilegiam soluções rápidas em detrimento das lentas.

Um estudo com 285 alunos de universidades no Paquistão e na China descobriu que o uso da IA afetava negativamente a tomada de decisões humanas e tornava as pessoas preguiçosas. Os pesquisadores disseram: “A IA executa tarefas repetitivas de forma automatizada e não permite que os humanos memorizem, usem habilidades mentais analíticas ou usem a cognição”.

Há também um extenso trabalho sobre o desgaste do idioma. Trata-se da perda de proficiência em um idioma que pode ser observada em cenários do mundo real. Por exemplo, as pessoas tendem a perder a proficiência em seu primeiro idioma quando se mudam para um ambiente onde se fala um idioma diferente. O neurolinguista Michel Paradis diz que “o desgaste é o resultado da falta de estímulo a longo prazo”.

O psicólogo Lev Vygotsky dizia acreditar que o pensamento e a linguagem coevoluíram. Eles não nasceram juntos, mas, por meio do desenvolvimento humano, fundiram-se no que ele chamou de pensamento verbal. De acordo com esse cenário, a linguagem não é um mero recipiente para ideias, mas é o próprio meio pelo qual as ideias tomam forma.

A criança começa com um mundo cheio de sensações, mas pobre em palavras. Por meio da linguagem, esse campo caótico torna-se inteligível. À medida que crescemos, nossa relação com a linguagem se aprofunda. A brincadeira se torna imaginação e a imaginação se torna pensamento abstrato. O adolescente aprende a traduzir emoções em conceitos, a refletir em vez de reagir.

Essa capacidade de abstração nos libera do imediatismo da experiência. Ela nos permite nos projetar no futuro, remodelar o mundo, lembrar e ter esperança.

Mas esse relacionamento frágil pode se deteriorar quando a linguagem é ditada em vez de descoberta. O resultado é uma cultura de imediatismo, dominada pela emoção sem compreensão, pela expressão sem reflexão. Os alunos, e cada vez mais todos nós, corremos o risco de nos tornarmos editores do que já foi dito, onde o futuro é construído apenas a partir de fragmentos reciclados dos dados de ontem.

As implicações vão além da educação. Quem controla a infraestrutura digital da linguagem também controla os limites da imaginação e do debate. Entregar a linguagem aos algoritmos é terceirizar não apenas a comunicação, mas também a soberania —o poder de definir o mundo que compartilhamos. As democracias dependem do trabalho lento de pensar por meio de palavras.

Quando esse trabalho é substituído pela fluência automatizada, a vida política corre o risco de se dissolver em slogans gerados por ninguém em particular. Isso não significa que a IA deva ser rejeitada. Para aqueles que já formaram uma relação profunda e reflexiva com a linguagem, essas ferramentas podem ser aliadas úteis —extensões do pensamento em vez de substitutas.

O que precisa ser defendido é a beleza conceitual da linguagem: a liberdade de construir significado por meio da própria busca por palavras. No entanto, defender essa liberdade exige mais do que conscientização, exige prática.

Para resistir ao colapso do significado, devemos restaurar a linguagem à sua dimensão viva e corporal, o trabalho difícil e prazeroso de encontrar palavras para nossos pensamentos. Somente assim poderemos recuperar a liberdade de imaginar, deliberar e reinventar o futuro.

Este texto foi publicado no The Conversation. Clique aqui para ler a versão original

Como a IA generativa pode mudar a forma como pensamos – 19/10/2025 – Ciência – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

No século 20, as nações disputavam petróleo. Hoje, brigam por cérebros

Na corrida por talentos em IA, os EUA estão desperdiçando sua grande vantagem

ENRIQUE DANS – Fast Company Brasil – 30-10-2025 

Na inteligência artificial, poder de computação e dados são importantes – mas as pessoas são ainda mais. Por trás de cada modelo inovador, de cada salto tecnológico e de cada “chatbot revolucionário”, há um grupo cada vez menor de cientistas, engenheiros e matemáticos capazes de criá-los. O verdadeiro limite para o avanço da IA na próxima década não está apenas no hardware – está no capital humano.

Em todo o mundo, uma corrida silenciosa está em curso por esse capital. As empresas mais avançadas em inteligência artificial – como OpenAI, Anthropic, DeepMind, Meta, Google e algumas na China – já não disputam apenas clientes ou GPUs. Elas estão competindo por cérebros.

Nos últimos dois anos, o padrão de contratações e aquisições dessas empresas começou a parecer um mapa geopolítico. A Anthropic e a OpenAI têm atraído equipes inteiras de pesquisa do Google e da Meta, oferecendo pacotes de remuneração que chegam à casa dos nove dígitos.

Apple e Amazon, que entraram mais tarde na corrida, estão comprando startups não pelos produtos, mas pelos engenheiros que as criaram. Da mesma forma, o capital de risco também mudou de foco: em vez de financiar ideias, agora investe no chamado “acqui-hiring”– a compra de talento humano antes que ele amadureça em outro lugar.

Diversas análises mostram que universidades de elite nos Estados Unidos – especialmente Stanford, Berkeley, Carnegie Mellon e MIT – continuam sendo as principais fontes de talentos para os laboratórios de ponta, reforçando uma concentração de conhecimento sem precedentes em poucas empresas e regiões.

Essa concentração pode acelerar o progresso no curto prazo, mas também aumenta a fragilidade do setor. Quando a inovação fica concentrada em um pequeno grupo de empresas, o ecossistema se torna monocultural: as mesmas suposições, estruturas éticas e motivações comerciais se repetem.

Como resultado, abordagens alternativas – como o raciocínio simbólico, os modelos híbridos e as arquiteturas descentralizadas – acabam perdendo espaço e financiamento.

A CORRIDA GLOBAL POR MENTES

Enquanto isso, países estão começando a tratar pesquisadores de inteligência artificial como antes tratavam físicos nucleares. O Reino Unido criou vistos especiais para atrair os melhores cientistas para seu órgão de pesquisa, o Frontier AI Taskforce. O Canadá, por meio do programa Global Talent Stream, passou a conceder autorizações de trabalho a engenheiros de IA em menos de duas semanas. Já a França está oferecendo incentivos fiscais e bolsas de pesquisa para empresas que instalem seus laboratórios em Paris ou Grenoble.

A China, por sua vez, diante das restrições de exportação de chips, passou a tratar a inteligência humana como um recurso estratégico. Suas principais universidades formam dezenas de milhares de especialistas em IA por ano, muitos deles treinados em modelos de código aberto desde que as limitações impostas por Washington entraram em vigor.

Em outras palavras: cérebros são os novos semicondutores.

Ironicamente, as empresas que mais se beneficiam do talento global são também as que o tornam escasso. Ao oferecer salários astronômicos e contratos de exclusividade, criam um campo gravitacional que atrai especialistas de universidades e startups.

As universidades – que sempre foram o berço da inovação em IA – estão perdendo pesquisadores para o setor privado em um ritmo inédito. O resultado é um vácuo de pesquisa: instituições públicas simplesmente não conseguem competir.

Essa concentração de mentes nas corporações traz outro custo: a homogeneidade intelectual. Quando as mesmas pessoas circulam entre as mesmas empresas e os mesmos investidores, a fronteira da IA se torna mais estreita, previsível e menos diversa.

As próximas grandes descobertas talvez nunca aconteçam – não por falta de poder computacional, mas porque a comunidade global de pesquisa foi treinada para pensar da mesma forma.

A concentração de talento também levanta questões éticas. Quando um pequeno grupo controla a maior parte do conhecimento mundial sobre IA, ele define quais problemas merecem ser resolvidos – e quais serão ignorados.

Essa tendência já é visível. Bilhões estão sendo investidos em modelos voltados à produtividade, marketing e previsões financeiras, enquanto projetos nas áreas de clima, educação e saúde continuam subfinanciados. A promessa de que a IA “beneficiará a humanidade” se torna vazia quando a própria humanidade não tem voz nesse processo.

Diversidade de pensamento, de origem e de localização não é um luxo moral – é um requisito básico para a resiliência. Sistemas homogêneos falham de formas igualmente homogêneas.

A solução não está apenas na regulação, nem exclusivamente no livre mercado. É preciso um novo contrato social para o talento – um que trate a inteligência humana como um recurso estratégico compartilhado, e não como propriedade privada.

No século 20, as nações disputavam petróleo. No século 21, disputam cérebros.


SOBRE O AUTOR

Enrique Dans leciona inovação na IE Business School desde 1990, hackeando a educação como consultor sênior de transformação digital na IE University e agora se dedicando ainda mais à Turing Dream.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

O que as 14 mil demissões da Amazon revelam sobre a nova era de cortes

  • Empresas citam ganhos de produtividade com IA em anúncios de redução de pessoal
  • Gigante do ecommerce se junta a Salesforce, Microsoft, UPS e Accenture na tendência

Taylor Telford,Danielle Abril,Federica Cocco – Folha/The Washington Post – 29.out.2025

A Amazon anunciou o corte de cerca de 14 mil cargos de sua força de trabalho nos escritórios, tornando-se a mais recente empresa a defender estruturas mais enxutas e hierarquias menores, apostando nas inovações impulsionadas pela inteligência artificial.

As demissões, há muito tempo sinalizadas, vão “remover camadas, aumentar o senso de responsabilidade e gerar ganhos de eficiência”, com o objetivo declarado de administrar a empresa “como a maior startup do mundo”, segundo uma postagem no blog da Amazon nesta terça-feira (28) assinada por Beth Galetti, vice-presidente sênior de experiência e tecnologia de pessoas.

A Amazon empregava 1,56 milhão de pessoas, incluindo trabalhadores de escritório e de centros de distribuição, no fim do ano passado. O fundador da Amazon, Jeff Bezos, é dono do Washington Post.

A empresa se junta a outras grandes corporações —como Salesforce, Microsoft e UPS— que vêm promovendo cortes amplos em suas equipes, muitas vezes apesar de apresentarem bom desempenho financeiro, enquanto profetizam sobre o potencial da IA de permitir inovação e aumento de lucros.

A onda de cortes coincide com a paralisação do governo americano, o que tem levado à escassez de dados justamente quando economistas e formuladores de políticas observam atentamente sinais de desaceleração nas contratações, aumento do desemprego e inflação persistente.

O número total de demissões fica bem abaixo do surto histórico de 2023. Até outubro, as empresas haviam cortado cerca de 98 mil empregos em aproximadamente 115 rodadas públicas de demissões.

Contudo, essas reduções vêm atingindo mais trabalhadores de uma só vez: uma média de mais de 850 funcionários por corte —o nível mais alto em pelo menos cinco anos— impulsionado, em parte, por reduções expressivas em grandes fabricantes de hardware como a Intel.

O anúncio da Amazon ocorre poucos dias antes da divulgação dos resultados financeiros da empresa, mas o CEO Andy Jassy já havia alertado os funcionários, em junho, que os cortes estavam a caminho, atribuindo as reduções às eficiências criadas pelo uso de IA.

Ele disse depois que planejava reduzir a burocracia, eliminando alguns níveis de gestão e “processos desnecessários” que estavam retardando a companhia.

Outros executivos repetiram os argumentos de Jassy ao anunciar suas próprias demissões, prevendo grandes ganhos com o uso de IA para tornar suas operações mais eficientes.

O Walmart, por exemplo, afirmou que planeja manter seu quadro de pouco mais de 2 milhões de trabalhadores nos próximos anos, enquanto transforma sua força de trabalho para a era da inteligência artificial.

Ao divulgar lucros recordes nesta terça-feira, a UPS reconheceu ter cortado cerca de 34 mil cargos operacionais neste ano, além de 14 mil posições gerenciais. A CEO Carol Tomé disse a investidores e analistas que a empresa está “preparada para operar o pico mais eficiente da nossa história”.

“Continuamos encontrando oportunidades para reduzir custos”, afirmou Tomé.

Essas tendências na gestão da força de trabalho apontam para um futuro desafiador para os trabalhadores considerados redundantes ou ultrapassados, disse John Challenger, diretor-executivo da consultoria Challenger, Gray & Christmas.

O número de desempregados de longo prazo vem subindo ao longo do ano, “o que geralmente indica que algumas pessoas estão ficando para trás”.

A Accenture citou diretamente a inteligência artificial ao demitir 11 mil funcionários em setembro, com a CEO Julie Sweet afirmando a investidores, em uma teleconferência de resultados, que os demitidos não poderiam ser requalificados para uma força de trabalho orientada por IA. Ao contrário de muitas outras, porém, a Accenture ainda planeja aumentar seu quadro no próximo ano, disse Sweet.

Em um memorando divulgado no início deste mês, o Goldman Sachs alertou que os funcionários devem esperar mais cortes, apesar dos lucros crescentes, enquanto o banco reduz custos e integra a IA em suas operações.

“Está cada vez mais claro que nossas metas de eficiência operacional precisam refletir os ganhos que virão dessas tecnologias transformadoras”, dizia o memorando, segundo reportagem da Bloomberg News.

O grupo de aviação alemão Lufthansa afirmou em setembro que cortará 4.000 cargos até 2030, enquanto revisa “quais atividades deixarão de ser necessárias no futuro”, observando que “mudanças profundas provocadas pela digitalização e pelo uso crescente da inteligência artificial levarão a uma maior eficiência em muitos setores e processos.”

A Salesforce também cortou cerca de 4.000 cargos em setembro, com o CEO Marc Benioff dizendo em entrevista ao podcast The Logan Bartlett Show que “precisa de menos cabeças”. Durante o verão, Benioff havia dito que a IA já realizava 50% do trabalho na empresa.

“Se as pessoas estão se tornando mais produtivas, você não precisa contratar mais gente”, disse o CEO da Airbnb, Brian Chesky, ao Wall Street Journal em uma matéria publicada nesta semana. Ele afirmou que a empresa planeja pouca contratação no futuro próximo, com a expectativa de que a IA permita que os funcionários atuais “realizem muito mais trabalho”.

Os principais concorrentes da Amazon na corrida pela liderança em IA e data centers também estão enxugando suas equipes.

Na semana passada, a Meta anunciou o corte de cerca de 600 pessoas de sua unidade de IA para competir melhor na corrida global de inteligência artificial.

A unidade, liderada pelo diretor de IA Alexandr Wang —que antes comandava a startup Scale AI —faz parte do laboratório de “superinteligência” da empresa, cujo objetivo é desenvolver sistemas mais inteligentes que os humanos.

A Meta investiu US$ 14,3 bilhões na Scale AI antes de contratar Wang, e desde então teria oferecido pacotes milionários para atrair talentos de IA de concorrentes.

O Google também teria feito cortes em várias de suas unidades neste ano como parte de reorganizações internas. Da mesma forma, a Microsoft demitiu milhares de funcionários enquanto continua investindo em suas ambições em IA.

Após as demissões, o CEO Satya Nadella disse em um memorando aos funcionários que a Microsoft está investindo mais “do que nunca”, que “o número total de empregados permanece relativamente inalterado” e, “ao mesmo tempo, passamos por demissões.”

Demissões da Amazon revelam uma nova era de cortes – 29/10/2025 – Mercado – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Um benefício inesperado das vacinas contra Covid-19: combater o câncer

Pesquisa sugere que os imunizantes de mRNA da Moderna e da Pfizer podem preparar o sistema imunológico para atacar o câncer

TAYLOR HATMAKER – Fast Company Brasil – 28-10-2025 

As vacinas personalizadas, que treinam o sistema imunológico para combater células cancerígenas específicas, têm mostrado resultados promissores. Mas talvez exista uma forma ainda mais eficaz de tratar o câncer – bem diante dos nossos olhos.

Segundo um novo estudo publicado na revista “Nature”, pacientes em tratamento para câncer de pele e de pulmão em estágio avançado que haviam recebido a vacina de mRNA da Moderna ou da Pfizer contra a Covid-19 apresentaram uma sobrevida maior.

Esses imunizantes utilizam a tecnologia do RNA mensageiro (mRNA), que instrui as células do corpo a produzir uma proteína semelhante à do vírus, desencadeando uma resposta imunológica que ensina o organismo a se proteger.

Uma equipe que pesquisava vacinas de mRNA personalizadas contra o câncer descobriu que sua eficácia estava relacionada não à personalização em si, mas à ampla resposta imunológica que elas provocavam. Isso levou os cientistas a investigar se as vacinas de mRNA já disponíveis poderiam gerar um efeito semelhante.

Eles analisaram os registros de quase mil pacientes com câncer avançado atendidos no MD Anderson Cancer Center, em Houston, no Texas, comparando os resultados entre aqueles que haviam recebido pelo menos uma dose da vacina da Pfizer ou Moderna e aqueles que não haviam sido vacinados. O resultado foi surpreendente: pacientes com câncer de pulmão vacinados viveram quase o dobro do tempo após o início do tratamento.

Pacientes com melanoma agressivo que também receberam um desses imunizantes tiveram uma melhora semelhante – e viveram tanto que a média de sobrevida não pôde ser determinada dentro do período do estudo. Já vacinas que não utilizam mRNA, como as da gripe, não apresentaram o mesmo benefício.

Os ganhos mais expressivos foram observados em pacientes que receberam a vacina até 100 dias antes de iniciar a imunoterapia conhecida como “checkpoint imunológico” e, curiosamente, entre aqueles cujos tumores tinham menos chances de responder bem ao tratamento. Os pesquisadores acreditam que a resposta imune provocada pelas vacinas de mRNA prepara o sistema imunológico para reagir melhor à terapia, estimulando as células T a atacar o câncer com mais intensidade. 

“A vacina de mRNA contra a Covid-19 funciona como um alarme que ativa o sistema imunológico em todo o corpo”, explicou Adam Grippin, coautor do estudo e oncologista do MD Anderson, à “Nature”. “Ficamos impressionados com os resultados que observamos nos pacientes.”

O FUTURO EM RISCO

As próximas pesquisas devem continuar explorando o potencial das vacinas de mRNA no tratamento do câncer – mas o caminho não será fácil. O financiamento científico nos Estados Unidos sofreu cortes severos durante o segundo governo de Donald Trump – e a situação é ainda mais crítica para as pesquisas com mRNA.

Em agosto, o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. anunciou o cancelamento do repasse de US$ 500 milhões em recursos federais destinados a pesquisas de vacinas de mRNA, prejudicando um dos campos mais promissores da medicina moderna – com potencial não apenas para o combate de futuras pandemias, mas também para o tratamento de doenças como o câncer e o HIV.

Em um vídeo justificando a decisão, Kennedy afirmou que a tecnologia de mRNA “traz mais riscos do que benefícios no caso de vírus respiratórios” e que o governo passaria a “investir em soluções que superem as limitações do mRNA.”

Durante a operação Warp Speed – o programa de desenvolvimento de vacinas criado no primeiro mandato de Trump e elogiado até por seus críticos –, o então presidente chegou a chamar a vacina de mRNA da Pfizer de “um milagre médico”. “Este é um dos maiores feitos científicos da história”, declarou na época.

Para especialistas de todo o mundo, interromper esse tipo de pesquisa seria um erro grave. “Não há qualquer benefício nisso”, diz Bill Hanage, professor de epidemiologia da Universidade de Harvard, sobre os cortes no desenvolvimento de vacinas de mRNA. “Há apenas prejuízos. No caso de uma nova pandemia, é como se tivéssemos que enfrentá-la com uma das mãos amarradas.”


SOBRE A AUTORA

Taylor Hatmaker é fotógrafa e jornalista especializada em mídia social, games e cultura digital.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Conteúdo feito por IA venceu: a internet não é mais humana

  • Empresas de IA passaram a querer ‘engajamento’ para aumentar o uso da plataforma, como redes sociais
  • Setor aposta em IAs que atuem como ‘namorada’, ‘terapeuta’, ‘amiga’ para gerar dependências emocionais

Ronaldo lemos – Folha – 26.out.2025

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro

Há uma virada histórica em curso. Pela primeira vez, o número de artigos escritos por inteligência artificial superou os textos produzidos por humanos na internet. Em 2025, 53,5% do conteúdo textual da web passou a ser gerado por máquinas. Vale notar que textos são só a ponta da lança. Áudio e vídeo estão indo na mesma direção.

Em paralelo, há uma mudança rápida no modelo de negócios das empresas de inteligência artificial. A IA até agora era vendida como uma ferramenta a ser aplicada em tarefas práticas. Não mais. As empresas de IA passaram a querer “engajamento“, isto é, aumentar o tempo de uso da plataforma. Tudo para reter a atenção do usuário ao máximo.

Soa familiar? Sim. Esse é o modelo de negócio das redes sociais. Só que agora movido por IA. Por exemplo, a OpenAI anunciou que vai permitir conversas sexuais da sua IA com adultos. Lançou também o Sora, aplicativo focado em vídeos curtos, como o TikTok, só que produzidos com IA.

As empresas do setor como um todo estão apostando em IAs que atuem como “companheira”, “terapeuta”, “amiga”, “namorada” e outros antropomorfismos capazes de gerar dependências emocionais entre humanos e máquinas. Se a expressão dos últimos anos foi “capitalismo de vigilância”, a dos próximos pode ser “capitalismo de dependência”.

Isso porque a IA ocupa uma posição privilegiada para explorar vulnerabilidades humanas: solidão, luto, tristeza, frustração. Especialmente entre os mais jovens. Em um mundo com pessoas cada vez mais solitárias e atomizadas, a IA estará sempre à espreita. Alguém que perde um parente próximo, tem um dissabor profissional, separa-se do companheiro, pode se sentir tentada a “se abrir” com a IA. É um ato mais fácil (e “sem fricção”) do que buscar conversar com outro ser humano.

A relação emocional das IAs com seres humanos é o triunfo do behaviorismo. Ao hiperfocar só no que pode ser observado externamente (ações, estímulos, respostas, palavras) e desincumbir-se dos processos mentais internos e verdadeiros, a IA assume um lugar de domínio estrutural. A partir da capacidade de testar seu aguilhão em centenas de milhões de pessoas, captando sinais objetivos e verificáveis e respondendo a eles em tempo real, converte-se em uma ferramenta de condicionamento sem precedentes.

Há exatos quatro anos escrevi na Folha o artigo sobre a “grande ruptura” (“Como as redes digitais demolem a cultura e ampliam a ansiedade“). Nele falava de como as mídias vinham sendo “instrumentalizadas para produzir manipulação emocional do que para comunicar”. E como “a informação ou conteúdo textual, quando presentes, servem apenas de veículo para transportar efeitos emocionais”. Estamos agora vivendo a grande ruptura com esteroides.

Conversando com o amigo Hermano Vianna sobre tudo isso, ele me falou: “A internet precisa de uma Revolução Francesa –estamos numa nova Bastilha–, é preciso reconstruir as praças públicas, os ‘Commons’, os rocios. Seria um bom projeto europeu”.

Seu comentário é apropriado. Nesta terça-feira (28) vou jantar com Emmanuel Macron no Palácio Eliseu. Vou propor exatamente isso. Talvez ele seja a pessoa certa para ouvir essa ideia.

Já era – democracias estáveis

Já é – falar no risco da desinformação para as democracias

Já vem – falar no risco da distração (e da atenção capturada) para as democracias

Conteúdo feito por IA venceu: a internet não é humana – 26/10/2025 – Ronaldo Lemos – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

‘Leitura performática’: entenda como ostentar livros virou mania entre celebridades, tiktokers e até personagens de ‘Vale Tudo’

Leitura deixou de ser experiência íntima na era das redes sociais: ‘Muitos priorizam quantidade em vez de qualidade’, diz booktoker

Por Bolívar Torres – O Globo – 20/09/2025

Uma selfie com um livro, uma estante instagramável, um post com a lista de “leituras do mês”. Na era das redes sociais, o ato de ler virou espetáculo. A exibição pública do livro pesa tanto ou mais do que a experiência íntima da leitura.

Esta mudança cultural tem nome: “performative reading” (leitura performática, em tradução livre). A expressão não indica, necessariamente, o hábito de simular leituras, mas o de compartilhar sua fome de livros para o restante do mundo.

Entre os leitores performativos, encontram-se celebridades globais como a diva pop Dua Lipa, que compartilha listas de títulos favoritos. Ou a cantora teen Olivia Rodrigo, que fez questão de mostrar o exemplar de “A hora da estrela” que carregava na bolsa.

O fenômeno também é impulsionado pelo BookTok, como é conhecida a comunidade dedicada a livros no TikTok. No Brasil, chegou à novela das 21h da TV Globo, que trata as obras literárias lidas pelas personagens como uma espécie de extensão da personalidade delas. Em episódio recente de “Vale tudo”, a aspirante a influencer Maria de Fátima (Bella Campos) se fotografou com um título da poeta Cecília Meireles. Mesmo não sendo muito chegada à literatura, a personagem usou a obra para performar uma aura cult.

— Na sociedade do espetáculo, não importa tanto a experiência emocional que um livro desperta, mas a imagem que ele projeta para o olhar do outro — diz o psicanalista e pesquisador André Alves, cofundador da página @floatvibes, que analisa tendências contemporâneas. — Tudo é feito para esse olhar publicizado, que convoca o engajamento o tempo todo.

Hábito da leitura em queda

Enquanto registros de livros se multiplicam, pesquisas sobre hábitos de leitura assustam especialistas. A última edição do Retratos da Leitura registrou a maior queda já medida desde o início da pesquisa no Brasil. E um levantamento feito pelo University College London e pela Universidade da Flórida mostrou que o número de pessoas que leem por prazer despencou 40% em 20 anos nos EUA. No TikTok, um vídeo viral dá dicas de como “ler” títulos em um dia usando o ChatGPT. Basta anexar um PDF da obra e pedir para a plataforma resumir tópicos, tramas, personagens etc.

— A necessidade de produzir conteúdo constante faz com que muitos priorizem quantidade em vez de qualidade — diz o jornalista e booktoker Rodrigo De Lorenzi. — Muitas vezes, a “leitura” se resume a folhear páginas, fotografar a capa ou citar um trecho fora de contexto, sem aprofundamento ou real compreensão do conteúdo.

Da oralização pública dos escritos sagrados pelos monges aos saraus poéticos, a leitura sempre foi acompanhada de sociabilidade. Essa dimensão comunicacional, porém, ganhou novas configurações e usos com os leitores conectados do século XXI.

— Hoje, o livro pode ser ao mesmo tempo acessório de moda, símbolo de status, artefato cultural, objeto de performance e tantas outras camadas, a depender das características de sua produção, circulação e recepção — diz Jean Silveira Rossi, pesquisador das práticas de leitura e das culturas digitais.

Séculos antes da invenção da fotografia e do Instagram, as damas da sociedade já tinham o costume de posar com livros para pintores. Historiadora da Universidade de São Paulo, Marisa Midori cita o célebre retrato de Madame de Pompadour com uma Enciclopédia de Diderot. Censurada pelo governo da época, a obra aparece como símbolo de distinção, poder e rebeldia.

— A performance da leitura antecede as redes sociais — diz Midori. — A diferença é que agora o celular invadiu as nossas vidas a ponto de registrar até os momentos íntimos. É como se não tivéssemos mais uma separação entre vida pública e privada.

‘Bookshelfie’

Desde que a pandemia popularizou lives e chamadas de vídeo dentro dos lares, as estantes de livros ficaram mais públicas do que nunca. O neologismo bookshelfie combina as palavras inglesas book (livro), shelf (prateleira) e selfie para descrever os registros das nossas bibliotecas. Em julho, a influencer Rafa Kalimann foi alvo de críticas ao pagar R$ 10 mil em livros para supostamente embelezar a casa. A polêmica pôs em evidência o nicho dos coffee table books, ou livros decorativos.

Diretora da Queen Books, referência na importação de livros do segmento, Debora Medeiros diz que as edições de luxo não são apenas objetos de status. Elas ajudam a definir a personalidade dos donos da casa.

— Basta olhar esses livros para entender os interesses da pessoa, sem que ela precise dizer uma palavra — diz ela. — Quem ama viajar pode ter livros sobre destinos marcantes, quem é fascinado por moda pode exibir títulos sobre suas grifes favoritas. Os livros de culinária da editora inglesa Phaidon, lindíssimos, além de informativos, ficam maravilhosos em uma cozinha.

Para Midori, a expressão “leitura performática” traduz o efeito imediato das redes sociais. Ou seja, transforma em instantaneidade uma prática que exige tempo e introspecção. Contudo, o fenômeno teria um lado positivo, de acordo com a historiadora.

— Pelo menos, isso está ajudando a manter os livros em circulação — diz Midori. — Talvez a leitura não tenha desaparecido e apenas tenha sido incorporada ao fluxo das redes. Fotografar, compartilhar e comentar pode ser um novo modo de ler em comunidade.

‘Leitura performática’: entenda como ostentar livros virou mania entre celebridades, tiktokers e até personagens de ‘Vale Tudo’

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Por que a bolha da inteligência artificial é diferente

Descompasso financeiro, ‘valuations’ estratosféricos e adoção hesitante, sinais clássicos de bolha, estão presentes

IA, porém, virou infraestrutura estratégica protegida preventivamente por Estados, ao contrário de 1999 ou 2008

Álvaro Machado Dias – Folha – 19.out.2025 

Neurocientista, professor livre-docente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e sócio do Instituto Locomotiva e da WeMind

Bolha econômica é um consenso diante do futuro sobre fundamentos negados pelo presente.

No caso da inteligência artificial, ela surge de três aros entrelaçados como os anéis olímpicos, prontos para soprar bolhas sem sabão. O primeiro é a desproporção entre investimento e faturamento.

As cinco maiores empresas de tecnologia investiram US$ 560 bilhões em infraestrutura de IA em 2024-2025 e faturaram US$ 35 bilhões, uma proporção de 16 para 1. Em escala global, o último relatório da Bain & Co. diz que são necessários US$ 2 trilhões em receita anual nova até 2030 para financiar o poder computacional necessário, mas as projeções otimistas chegam a apenas US$ 1,2 trilhão.

O segundo aro é o dos “valuations” especulativos. A Nvidia, pilar da IA no Ocidente, vale US$ 4,38 trilhões, mais que todo o mercado de ações britânico. No mês passado, comprometeu-se com US$ 100 bilhões para a OpenAI, empresa privada mais valiosa do mundo, que vai comprar os seus chips, em mais um mega-acordo circular. Ilya Sutskever deixou a empresa de Sam Altman em maio de 2024 e, em dez meses, criou um concorrente de US$ 32 bilhões. Mira Murati fez o mesmo quatro meses depois e, em mais cinco, sua startup estava avaliada em US$ 12 bilhões. Nenhum dos dois tem produto.

O terceiro é a desaceleração na adoção: muitas empresas ainda não conseguem converter investimento em IA em retorno tangível e isso vem gerando uma leve retração.

A discussão do momento, que Vinicius Torres Freire vem trazendo de forma magistral, é sobre os impactos sistêmicos da correção de mercado que tende a ocorrer em 2026 ou 2027. Um fator central é o endividamento no setor de tecnologia. O Goldman Sachs calcula que US$ 141 bilhões dos US$ 500 bilhões gastos pela indústria de IA em 2025 vieram de dívida corporativa direta, superando o investimento total no ano anterior. Isso aumenta a exposição dos bancos e parceiros de infraestrutura, como o governo brasileiro, cujos incentivos fiscais baseados no regime especial de tributação de datacenters (MP 1.318/2025) precisam considerar o risco do abandono desses projetos.

Os três aros —descompasso financeiro, “valuations” estratosféricos e adoção hesitante— formam o retrato clássico de uma bolha. Ainda assim, não acredito que a correção terá a relevância histórica de crises anteriores, como 2008 ou a das pontocom, apesar de estarmos no maior ciclo de investimentos da história da humanidade.

A IA vai transformar setores inteiros e redesenhar cadeias produtivas globais na década que vem. Mesmo antes dessa transformação se concretizar, a conversão da tríade energia, datacenters e inteligência de máquina em infraestrutura do futuro nos planos das grandes potências sugere que não pouparão esforços em preservá-la, ao contrário do que ocorreu em 1999 ou em 2008, cujos salva-vidas massivos foram tardios e reativos.

A visão atual nas economias avançadas é que há uma corrida existencial a ser vencida ao lado dos campeões nacionais, tal como na Segunda Guerra Mundial, o que retroalimenta o declínio do “laissez-faire” em prol do estatismo comprometido com o sucesso dessas empresas. No final, milhares de startups pouco expressivas serão varridas do mapa, mas é bem possível que Jensen Huang esteja certo ao prever que a OpenAI se tornará a empresa mais valiosa da história.

Por que a bolha da inteligência artificial é diferente – 19/10/2025 – Álvaro Machado Dias – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Propósito: a Maior Patente da História

Entrelinhas, por Junior Borneli – out 23, 2025

Algumas invenções mudaram o mundo não apenas pela genialidade de quem as criou, mas pela generosidade de quem as entregou. É o caso da insulina e do cinto de segurança de três pontos da Volvo, duas criações que poderiam ter rendido fortunas, mas que foram compartilhadas com o mundo por um motivo maior: o propósito de salvar vidas.

Em 1922, quando Frederick Banting, Charles Best e James Collip isolaram a insulina pela primeira vez e conseguiram reverter o quadro de um jovem chamado Leonard Thompson, o mundo médico entendeu que estava diante de um milagre científico. O diabetes, que até então era uma sentença de morte, passou a ser tratável. A descoberta tinha valor incalculável. Mas, em vez de registrar uma patente e lucrar com ela, os cientistas venderam os direitos para a Universidade de Toronto por apenas um dólar. Banting explicou o gesto com uma frase que ecoa até hoje: “A insulina não pertence a mim. Ela pertence ao mundo.”

Quarenta anos depois, em 1959, um engenheiro sueco chamado Nils Bohlin, funcionário da Volvo, criou o cinto de segurança de três pontos, um sistema simples e revolucionário que se tornaria o padrão global de segurança automotiva. Ele reduzia drasticamente o número de mortes em acidentes e poderia ter transformado a Volvo na empresa mais lucrativa da história, caso ela tivesse decidido patentear e restringir o uso. Mas a companhia fez o oposto. Abriu a patente para qualquer montadora que quisesse usar o design. A frase oficial da época dizia: “É impossível manter algo que salva vidas só para nós.”

As duas histórias têm um elo invisível: ambas mostram que propósito é quando a inovação encontra a consciência. É o momento em que a tecnologia deixa de ser um produto e se torna uma herança. É quando o criador entende que seu trabalho pode gerar algo muito maior do que lucro, pode gerar legado.

Hoje, a insulina salva milhões de pessoas todos os anos. O cinto de segurança de três pontos, segundo a própria Volvo, já salvou mais de um milhão de vidas desde sua criação. E o mais bonito é que nenhum dos dois atos foi impulsionado por marketing, por estratégia ou por tendência. Foi puro senso de humanidade.

Em um tempo em que o sucesso é medido por valuation e não por contribuição, vale lembrar dessas histórias. A verdadeira inovação não é a que cobra caro pela solução, mas a que entrega valor à humanidade.

Propósito: a Maior Patente da História

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Como a inteligência artificial vai mudar o trabalho do professor?

No País, maioria dos professores considera inteligência artificial uma aliada, só que a adesão em sala de aula ainda é limitada

Por Ocimara Balmant – Estadão -14/10/2024 

Ledo engano se você acredita que utilizar inteligência artificial (IA) em sala de aula se resume ao ChatGPT. As possibilidades que a inteligência artificial oferece estão em todos os níveis da educação, desde dar mais eficiência para os professores até auxiliar na compreensão dos alunos e ajudar no desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Esse movimento já está em curso em instituições de todo o País. Uma pesquisa do Instituto Semesp, realizada com 444 professores da educação básica em março de 2024, mostra que 74,8% dos docentes enxergam a tecnologia e a IA como aliadas no ensino. No entanto, enquanto a tecnologia acelera o acesso à informação, os professores também percebem que ela traz diversos desafios como a dispersão dos alunos.

Curiosamente, apesar do reconhecimento de seus benefícios, apenas 39,2% dos professores afirmam utilizar essas ferramentas com regularidade em sala de aula. Esse dado evidencia que há uma distância entre o potencial da tecnologia e sua implementação cotidiana.

Carlota Boto, diretora da Faculdade de Educação da USP, acredita que essa lacuna se deve à complexidade do uso da IA, que vai além de ser uma simples ferramenta técnica. Para ela, a IA tem o poder de redefinir o modo como o conhecimento é acessado e compartilhado. “A inteligência artificial pode ser uma aliada valiosa no preparo das atividades em sala de aula, mas, para que isso ocorra de forma eficaz, é preciso que o professor tenha domínio tanto da ferramenta quanto do conteúdo a ser trabalhado.”

Essa transformação, para ela, exige que os docentes reavaliem as práticas pedagógicas, desafiando tradições e abraçando a inovação. “A primeira questão a ser pensada é o repertório: o que estamos ensinando e como isso se conecta com o mundo em transformação? É importante respeitar as tradições pedagógicas, mas também integrar novos conteúdos que dialoguem com as demandas atuais.”

Leia também

E de agora em diante?

Na era da IA generativa, o impacto dessa tecnologia é notável na produção de conteúdo. Anderson Soares, coordenador do primeiro bacharelado em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG), observa que “a geração de conteúdo sempre foi algo muito artesanal, mas a IA generativa permite criar músicas, textos e materiais de forma automática”. “Isso abre caminho para que os alunos atuem mais no campo criativo e menos nas tarefas manuais.”

Para Soares, essa nova realidade oferece oportunidades que promovem ações cooperativas e colaborativas, essenciais para o desenvolvimento das competências do futuro. No entanto, o avanço tecnológico também traz um desafio significativo: como trabalhar as habilidades socioemocionais em um ambiente altamente tecnológico?

Para Guilherme Cintra, diretor de inovação e tecnologia da Fundação Lemann, a resposta está na criatividade e na capacidade do professor de criar um ambiente de troca real entre os alunos. “A nossa capacidade de criar e manter relações verdadeiras será o que nos distinguirá das máquinas”, afirma, destacando que o professor precisa ser mais do que um transmissor de conhecimento, atuando como facilitador de interações humanas e reflexões profundas.

Além disso, o sistema educacional como um todo precisa se adaptar para apoiar os professores nessa transformação. “Não podemos esperar que os professores assumam sozinhos a responsabilidade de toda essa mudança”, diz Cintra. Repensar a formação dos docentes, o currículo e a gestão escolar é essencial para que a tecnologia seja usada de forma eficaz, sem sobrecarregar os educadores.

Para o especialista Anderson Soares, embora a tecnologia possa otimizar o aprendizado e personalizar o ensino, o desenvolvimento de habilidades humanas fundamentais como empatia, trabalho em equipe e criatividade ainda depende da capacidade do educador de criar relações significativas. “A educação tem um papel essencial para nos mostrar como tecnologia não vai resolver nenhum problema por nós, mas que a resolução ainda compete ao ser humano, ainda compete a nossas habilidades socioemocionais.”

Integração

Lucas Chao, especialista em IA e educador no Colégio Santa Cruz, demonstra como a tecnologia pode ser uma poderosa aliada no processo de ensino. Ele ministra uma eletiva de inteligência artificial no ensino médio da escola em São Paulo, que aborda desde a história até as aplicações mais avançadas da tecnologia, incluindo programação em Python e criação de conteúdo com IA generativa. “O curso vai além do ensino técnico; ele desafia os alunos a refletir criticamente sobre as implicações éticas da IA.”

Paralelamente, no ensino fundamental 2, Chao lidera uma oficina chamada CodingLab, focada em letramento digital e desenvolvimento de jogos, onde introduz conceitos de IA de maneira prática e crítica. Ele enfatiza a importância de “pensar sobre” a IA, questionando os resultados e visões gerados por ferramentas como ChatGPT e Gemini. Lucas investiga se as representações produzidas por essas ferramentas carregam preconceitos ou vieses.

Uso de IA só funciona no contexto de troca entre aluno e mestre

Mas, afinal, a IA pode substituir o papel do professor? Segundo Guilherme Cintra, diretor de inovação e tecnologia da Fundação Lemann, a interação humana continua sendo fundamental para um aprendizado eficaz. “Usar uma ferramenta por si só, sem um contexto de troca com humanos, em que exista uma relação no centro do processo, não basta”, afirma.

Existem diversas ferramentas de IA que podem potencializar o papel dos professores em suas atividades. A PeerTeach, por exemplo, conecta alunos para colaboração, personalizando o aprendizado. Já a Letrus corrige redações, liberando tempo para que os professores se dediquem a atividades mais estratégicas, como identificar as necessidades individuais de cada aluno. “A inteligência artificial, quando bem usada, centraliza o processo na relação humana e permite a adaptação para diferentes contextos. Isso é não substituir o professor”, diz ele.

Leia também

Como a inteligência artificial vai mudar o trabalho do professor? – Estadão

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas