Big techs: como as 7 magníficas fizeram dos EUA berço da revolução digital

História de Carol Raciunas – CNN Brasil – 23/09/2025

Big techs: como as 7 magníficas fizeram dos EUA berço da revolução digital

No período pós-guerra, a supremacia dos Estados Unidos se baseou especialmente no desenvolvimento industrial. Quando o setor se consolidou, a economia do país começou a migrar para serviços e tecnologia — até a criação das chamadas “sete magníficas”.

O termo foi criado em 2023 pelo analista Michael Hartnett, do Bank of America, para evidenciar o peso no S&P 500 e a influência como termômetro do mercado financeiro global das sete maiores big techs norte-americanas, formadas por Google, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla.

Mas como foi possível que as sete magníficas, em tão pouco tempo, superassem em valor de mercado e o PIB (Produto Interno Bruto) de muitos países?

O gerente de vendas da divisão Enterprise da Nvidia no Brasil, Marcel Saraiva, explica à CNN que, historicamente, algumas regiões dos EUA unem fatores favoráveis ao desenvolvimento dessas empresas.

“Existe o fator técnico, porque forma muita gente boa do mundo inteiro, e o fator do capital, porque tem uma grande quantidade de investidores e venture capital que tem essa cultura de empreender e inovar. E isso começou já no final dos anos 1960.”

Investimento em educação

Toda tecnologia e revolução digital as quais o mundo está imerso tem uma raíz conhecida: a educação. Para inovar, é preciso ser a vanguarda do conhecimento. Neste ponto, os Estados Unidos dominam.

“Uma vez que nos Estados Unidos as pessoas têm carreiras em ciências e engenharias muito maiores que no Brasil, a gente tem menos talentos que vão querer empreender em empresas de tecnologia”, explica Lucas Abreu, fundador do podcast de empreendedorismo Sunday Drops e investidor de venture capital.

Abreu argumentou que o diferencial entre os dois países reflete um “terreno menos fértil” de oportunidades no Brasil.

José Ronaldo de Castro Souza Júnior, economista-chefe da Leme Consultores, também aponta que uma mão de obra qualificada e o desenvolvimento de tecnologias disruptivas nas universidades norte-americanas são indispensáveis.

Apesar do conhecimento ser essencial, ele não é suficiente para sustentar exclusivamente um crescimento extraordinário de empresas de tecnologia.

Para inovar, os especialistas explicam que é preciso arriscar tempo, oportunidades e dinheiro.

A força do venture capital

O capital é um dos pilares fundamentais para o surgimento das big techs, destacam os especialistas ouvidos pela CNN. Com um mercado desenvolvido, juros menores e apetite por risco, os investidores ficam mais interessados em se aventurar para tentar ganhar mais.

E é pelo venture capital (capital de risco, em português) que são unidas ideias inovadoras e o dinheiro do mercado financeiro.

O objetivo é atrair investidores dispostos a comprar uma ideia que pode ou não dar certo. É correr um alto risco de perda, mas também a chance de um lucro milionário ou até mesmo bilionário.

Essa estratégia não é tão recente: desde 1946 os Estados Unidos vêm constituindo uma forte cultura de venture capital.

Diego Bonaldo, professor da FIA Business School, destaca que este tipo de investimento entre os norte-americanos ainda está muito à frente daqueles que avançaram na União Europeia.

“A Europa vem avançando no mercado de venture capital, mas está muito distante dos Estados Unidos numa perspectiva de montante”, argumenta.

A grande questão que fica é: por que toda essa evolução só acontece nos Estados Unidos?

A União Europeia se destaca como um dos blocos com grande potencial, mas o resultado não reflete isso. Especialistas ouvidos pela CNN destacam, porém, que a UE tem ficado para trás em diversos sentidos.

O investimento em pesquisa e desenvolvimento do bloco europeu, tanto público quanto privado, é menor que nos EUA.

Além disso, os especialistas apontam que os ambientes acadêmico e corporativo norte-americanos valorizam fortemente a competição e o empreendedorismo, o que não acontece necessariamente do outro lado do Atlântico.

Para Thiago Viana, diretor de inovação do iFood, a Europa foi para um caminho com uma regulação muito dura e forte.

“Essa conduta faz sentido no final do dia, no que diz respeito à segurança do usuário, mas limita o quanto as pessoas conseguem consumir de tecnologia quando olham para esses dados.”

China e o triunfo da inteligência artificial

Fora Estados Unidos e Europa, há outro nome nessa lista: a China. O país tem mostrado uma grande capacidade de inovação, com investimentos eficientes em avanços tecnológicos.

Os celulares chineses estão ganhando cada vez mais o mundo, com marcas como a Xiaomi; enquanto a Tesla foi destronada da liderança de carros elétricos pelas fabricantes da segunda maior economia do mundo.

Em 2024, a gigante chinesa de veículos elétricos BYD registrou receitas de 777 bilhões de yuans (US$ 107 bilhões), ultrapassando a marca de Elon Musk em vendas anuais.

Isso sem contar o avanço da inteligência artificial chinesa. A startup chinesa DeepSeek têm se destacado ao redor do mundo com processadores únicos e aumentando a concorrência com rivais norte-americanas como a OpenAI.

“A questão de inovações disruptivas têm se concentrado em determinados países como a China, que tem disputado muito mais com os Estados Unidos do que com a própria Europa”, aponta José Ronaldo, da Leme Consultores.

Impasse da regulamentação

Enquanto o avanço da inteligência artificial segue impressionando o consumidor, em paralelo se desenvolve o debate sobre a regulamentação das big techs e a gratuidade dos serviços digitais oferecidos por essas empresas.

“Quando os produtos são de graça, o produto sou eu, porque hoje em dia cada minuto do nosso dia está sendo vendido no mercado”, provoca Lucas Abreu, do Sunday Drops.

Essa lógica comercial e de monetização traz resultados impressionantes. Nos últimos 10 anos, o índice industrial dos EUA Dow Jones subiu 178%, ganho percentual próximo do Ibovespa, mas consideravelmente menor que o de Alphabet, Meta e Apple, que cresceram entre 600% e 800% no período.

A Amazon se destaca ainda mais à frente, com salto de 835% na década. Ainda assim, nada chega perto do desempenho da Nvidia, que disparou 30.730%.

O que surpreende também é como o valor dessas empresas bate – por muito – a economia de países como um todo. Um levantamento da Elos Ayta mostra que o valor de mercado atual das Sete Magníficas — US$ 18,25 trilhões em 10 de julho de 2025 — equivale a mais de oito vezes o PIB (Produto Interno Bruto) nominal do Brasil, estimado em cerca de US$ 2,2 trilhões em 2025.

“Isso evidencia a magnitude financeira dessas gigantes de tecnologia, que, juntas, valem múltiplos de uma das maiores economias emergentes do mundo. Em outras palavras, o mercado atribui a esse seleto grupo um valor que ultrapassa, com ampla margem, a produção de bens e serviços de todo o território brasileiro em um ano”, comenta Einar Rivero, CEO da consultoria reponsável pelo levantamento.

A Elos Ayta ainda destaca que, de 31 de dezembro de 2024 até 10 de julho de 2025, o valor de mercado agregado dessas sete gigantes saltou de US$ 16,19 trilhões para US$ 18,25 trilhões, um crescimento de US$ 2,06 trilhões.

Para efeito de comparação, o aumento de valor das big techs é mais que o dobro do valor total de todas as empresas listadas na B3, que no mesmo período foi de US$ 623 bilhões para US$ 779 bilhões — uma alta de US$ 156 bilhões.

Desse modo, as big techs se consolidam cada vez mais ao redor do mundo, apoiadas no ambiente norte-americano.

“Essas empresas hoje são mais importantes do que outros países. As pessoas de lá têm maior poder de influência do que presidentes de diversos países”, completou Lucas Abreu.

Colaboração de Fernando Nakagawa, Gustavo Zanfer, João Nakamura, Matheus Oliveira e Rodrigo Monteiro, da CNN

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Troca de favores no ambiente profissional constrói laços que não têm preço

Algoritmos ampliam o alcance e otimizam processos, mas só favores genuínos criam as conexões humanas de que realmente precisamos

RIMJHIM DEY – Fast Company Brasil – 19-09-2025 

Anos atrás, pouco depois de abrir minha própria agência de relações públicas, fui a uma festa e conheci uma jornalista de um grande veículo. Conversamos, trocamos contato e seguimos a vida.

Não nos falamos por anos, até que um dia ela me procurou. Uma fonte de uma reportagem sensível precisava de orientação para lidar com a pressão da imprensa. Não houve contrato, pagamento ou pedido formal – foi apenas alguém precisando de ajuda. Ofereci meus conselhos sem cobrar nada.

Com o tempo, essa jornalista começou a me indicar clientes e me apresentar a colegas que poderiam ser valiosos para o meu trabalho. Mais do que novos negócios, o que se construiu ali foi algo muito mais importante: confiança.

Existe uma “moeda invisível” que gera retornos maiores que qualquer contrato assinado: o poder dos favores – feitos de forma autêntica e recebidos com gratidão.

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Em um mundo no qual a IA escreve e-mails, sugere contatos e agiliza negociações, gestos que não podem ser automatizados se tornam ainda mais preciosos. Um “banco de favores” bem cultivado abre portas para relações duradouras, oportunidades e boa vontade que nenhum dinheiro é capaz de comprar.

Em 2015, pesquisadores do Instituto do Cérebro e Criatividade, da Universidade do Sul da Califórnia, mostraram que até pequenos gestos de gentileza – como segurar a porta com um sorriso – podem despertar uma gratidão genuína e até uma oferta de ajuda em troca.

Esse é o princípio do banco de favores: pequenas atitudes atenciosas influenciam a forma como os outros reagem e, com o tempo, geram retornos muito maiores – pessoais e profissionais. Em uma era na qual a IA cuida da eficiência do dia a dia, é isso que garante que nossas relações não se reduzam a meras transações de negócios.

COMO CONSTRUIR UM BANCO DE FAVORES

Seja autêntico

Todo fim de ano, enviamos presentes personalizados aos clientes. Para uma cliente que não parava de falar sobre os produtos de lã que comprou na Escócia, enviei uma manta artesanal com um bilhete explicando o motivo da escolha. A IA pode até lembrar datas e preferências, mas só você pode transformar essa informação em um gesto verdadeiro.

Compartilhe seu conhecimento

Uma das formas mais eficazes de construir um banco de favores é oferecer sua experiência sem enxergar cada interação como uma oportunidade de negócio. Recentemente, um jovem pesquisador nos ajudou em um projeto complexo de tecnologia de defesa, sem cobrar nada.

Ao entregar um trabalho de qualidade, ele sabia que estava cultivando um círculo de confiança que traria benefícios no futuro. O mesmo vale para empreendedores que usam IA: é possível escalar o que se compartilha publicamente, mas a generosidade individual continua insubstituível.

Quando (e como) pedir um favor

A questão não é tanto quando pedir um favor, mas como. O segredo está na clareza, na confiança e no respeito pela relação construída. Evite rodeios. Não esconda o pedido em longas explicações. Vá direto ao ponto: “você pode me apresentar a X?” ou “você teria 15 minutos para conversar sobre Y?”.

Isso facilita o “sim” e reforça o valor da relação. Você não está pedindo do nada – está acionando um crédito que já conquistou.

Em um mundo cada vez mais movido por algoritmos, IA e interações impessoais, o elemento humano nunca foi tão essencial. Como disse um cliente filósofo: “na era da IA, sigo apostando nos humanos”.

Um banco de favores não se constrói do dia para a noite, mas seus retornos são inestimáveis. Seja ajudando um amigo com seu bebê recém-nascido ou conectando um cliente a alguém estratégico, são esses gestos atenciosos que realmente fazem a diferença – nos negócios e na vida.


SOBRE A AUTORA

Rimjhim Dey é CEO da agência de relações públicas DEY Ideas & Influence.

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OpenAI, Oracle e SoftBank anunciam cinco ‘data centers’ no projeto Stargate

O objetivo do projeto Stargate, apoiado pelo governo Trump, é investir US$ 500 bilhões nos próximos quatro anos para construir 10 gigawatts de capacidade para operações de IA nos EUA

Por Valor/Dow Jones – 23/09/2025

A controladora do ChatGPT, OpenAI, a gigante de nuvem Oracle e a firma de investimentos SoftBank estão abrindo cinco novos “data centers” nos Estados Unidos, expandindo a presença da iniciativa de inteligência artificial (IA) apoiada pelo governo Trump chamada Stargate.

A OpenAI e a Oracle construirão três, que estarão localizados no condado de Shackelford, Texas; no condado de Doña Ana, Novo México; e em algum lugar ainda não anunciado no Meio-Oeste. Outros dois locais, construídos pela OpenAI e pela SoftBank, serão abertos em Lordstown, Ohio; e no condado de Milam, Texas.

“[Estamos] realmente focados em permitir que a IA tenha toda a capacidade computacional de que precisa”, disse o novo copresidente da Oracle, Clay Magouyrk, em uma entrevista coletiva em Abilene, o primeiro local do Stargate, nesta terça-feira (23).

As ações da Oracle subiam 1,22% nas negociações pós-mercado, em Nova York, para US$ 317, após o anúncio. Os papéis caíram 4,36% no pregão regular.

As empresas revelaram a parceria com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em janeiro. O objetivo do Stargate é investir US$ 500 bilhões nos próximos quatro anos para construir 10 gigawatts de capacidade para operações de IA nos EUA.

Os cinco novos locais elevam o projeto Stargate para quase 7 gigawatts de capacidade e mais de US$ 400 bilhões em investimentos nos próximos três anos.

“A IA é diferente da internet de várias maneiras, mas uma delas é o quanto de infraestrutura ela exige”, disse o diretor-presidente da OpenAI, Sam Altman, na coletiva. “Vamos avançar na infraestrutura o máximo possível, porque isso é o que vai impulsionar nossa capacidade de entregar tecnologia incrível, produtos incríveis e serviços.”

Os “data centers” de IA hospedam a infraestrutura necessária para executar cargas de trabalho poderosas de inteligência artificial por meio de redes, servidores e outros equipamentos de hardware. Como essas cargas de trabalho de IA exigem muita energia, os “data centers” são construídos não apenas para transmitir energia ao hardware, mas também par

O local de Abilene deve ser concluído em 2026. Parte desse centro de dados já está em funcionamento na Oracle Cloud Infrastructure. A Oracle e a OpenAI disseram que também estão analisando uma possível expansão do local de Abilene para produzir mais 600 megawatts.

25 mil empregos

Os três locais que estão sendo construídos pela OpenAI e Oracle, juntamente com o centro já existente em Abilene e o local potencial de expansão, poderão entregar mais de 5,5 gigawatts de capacidade, disseram as empresas, e devem criar mais de 25 mil empregos.

A construção do local no condado de Shackelford, que está sendo feita em parceria com a OpenAI e a Oracle, já começou, com o primeiro prédio programado para ser entregue no segundo semestre de 2026.

Ainda não há um cronograma específico para a construção dos centros do Novo México ou do Meio-Oeste, que também estão sendo construídos pela OpenAI e Oracle.

Os outros dois locais que estão sendo construídos com a SoftBank devem começar a escalar no próximo ano.

OpenAI, Oracle e SoftBank anunciam cinco ‘data centers’ no projeto Stargate | Empresas | Valor Econômico

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A nova palavra da moda que está assustando a China

  • Autoridades do país dizem enfrentar ‘involução’, termo que se refere à competição doméstica imprudente
  • Combater o fenômeno por meio de pressão sobre empresas e redução de subsídios não vai funcionar

Bob Davis – Folha/The New York Times – 25.set.2025

Repórter de economia e autor de “Superpower Showdown: How the Battle Between Trump and Xi Threatens a New Cold War”

A competição na China é frequentemente muito mais implacável do que nos Estados Unidos. Os EUA têm um punhado de fabricantes de automóveis; a China tem mais de cem fabricantes de veículos elétricos lutando por participação no mercado. A China tem tantos fabricantes de painéis solares que produzem 50% mais do que a demanda global. Cerca de cem produtores chineses de baterias de lítio fabricam 25% mais baterias do que qualquer pessoa deseja comprar.

Isso força os fabricantes chineses a inovar, mas também leva a guerras de preços, prejuízos e dívidas ruins —e isso está se tornando um problema.

A China está caminhando para a deflação, a espiral descendente de preços, muitas vezes catastrófica, que afundou o Japão nos anos 1990. Seus líderes estão culpando um vilão que chamam de “involução” (“neijuan” em mandarim), um termo que passou a significar competição doméstica imprudente. Eles querem contê-la pressionando as empresas a manterem os preços estáveis e instruindo governos locais a reduzirem subsídios.

Não vai funcionar. Na melhor das hipóteses, essas são soluções temporárias para o problema mais fundamental da China. Sua economia depende tanto do investimento para crescer, em vez do consumo, que produz enormes excedentes que destroem os lucros internos e provocam guerras comerciais no exterior.

A fascinação da China pelo termo involução data dos anos 1960 e do trabalho de um antropólogo americano, Clifford Geertz, que argumentou que a Indonésia não conseguia se alimentar porque o crescimento populacional havia superado as melhorias na produtividade agrícola. Geertz usou involução —um termo antropológico para uma cultura que não consegue se adaptar e crescer— para descrever esse ciclo de condenação. Sua análise ressoou em uma China que, na época, lutava para alimentar seu próprio povo, a maior população do mundo.

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O termo ganhou força na China durante a pandemia, quando os jovens usaram involução para descrever a pressão que sentiam para avançar em uma economia estagnada. Em 2020, um vídeo viralizou mostrando um estudante da Universidade Tsinghua pedalando sua bicicleta à noite enquanto trabalhava em um laptop apoiado no guidão. Publicações relacionadas à involução foram visualizadas mais de um bilhão de vezes até o ano seguinte.

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Inicialmente, estudiosos chineses mais velhos descartaram essa noção de involução, chamando-a de sintoma do capitalismo ocidental. Então, em 2024, os fabricantes chineses derramaram tinta vermelha e exportaram mercadorias que não conseguiam vender internamente a preços tão baixos que EUA e Europa ergueram tarifas para barrá-los. O problema, argumentaram os funcionários chineses, não era o sistema econômico chinês. O problema era a competição doméstica ruinosa, ou involuída. Em julho de 2024, o Politburo, órgão de 24 membros do Comitê Central do Partido Comunista da China, identificou pela primeira vez o combate à involução como uma prioridade. Cinco meses depois, uma conferência econômica do Partido Comunista prometeu “abordar de forma abrangente a competição involuída”.

Essa formulação é importante para Pequim, que tem sido criticada pelos Estados Unidos e Europa por exportar seu excedente de manufatura a preços que levam concorrentes ocidentais à falência. Ao reembalar seus esforços como combate à involução em vez de excesso de capacidade, Pequim pode argumentar que não está cedendo à pressão ocidental, que um porta-voz da Embaixada Chinesa descreveu como “coerção econômica e intimidação descaradas”.

Nos Estados Unidos, os mercados resolvem qualquer excesso de oferta através de cortes na produção, retirada de crédito e falências. A China, por sua vez, depende do controle governamental e partidário. Recorrendo ao seu antigo manual, os reguladores convocaram fabricantes de automóveis, banqueiros, produtores de cimento e plataformas de comércio eletrônico, entre outros, para alertar contra cortes excessivos de preços.

Autoridades estão planejando criar um cartel de polissilício para tentar aliviar as guerras de preços de energia solar, e estão revisando a regulamentação de preços para proteger contra o que o Global Times, de propriedade estatal, chama de competição “estilo corrida de ratos”.

Pequim também está sinalizando aos funcionários do governo local que não devem oferecer tábuas de salvação para empresas locais deficitárias —uma grande mudança em uma política econômica de longa data sobre a qual muitas carreiras políticas foram construídas.

Esses tipos de intervenções são quase sempre de curta duração. Em julho, os gastos de investimento da China despencaram, o que a empresa de pesquisa de mercado Gavekal Dragonomics argumenta que pode ser resultado da campanha anti-involução. Se isso continuar indefinidamente, a economia entraria em colapso. O governo certamente recuaria antes disso.

Políticas de longa data que incentivam o excesso de oferta permanecem intocadas. Os funcionários locais ainda são avaliados por quão bem a economia cresce e quão pacífica sua população permanece. Isso, por sua vez, significa manter as empresas locais à tona para garantir a disponibilidade constante de empregos e receita fiscal.

Há cerca de uma década, Pequim abriu uma campanha semelhante para reduzir o vasto excesso de oferta de aço. As siderúrgicas fizeram um grande espetáculo ao tirar fornos de produção, às vezes explodindo-os para os noticiários de TV. As usinas escolhidas eram frequentemente obsoletas e os governos locais continuavam a subsidiar a construção de instalações mais modernas. A produção de aço aumentou, assim como as tarifas dos EUA para conter as importações de aço.

O que a China precisa, mais do que campanhas políticas, é de mais gastos domésticos, que por sua vez consumiriam mais do excesso de oferta. Funcionários ocidentais e alguns economistas chineses têm feito essa recomendação há anos, mas a China tem resistido.

O consumo privado representa cerca de 40% do PIB (Produto Interno Bruto) da China, em comparação com cerca de 69% nos Estados Unidos e 53% na Alemanha, forte em manufatura. Isso ocorre em parte porque as famílias chinesas economizam muito para compensar uma rede de segurança social escassa.

Não faltam sugestões sobre como estimular os gastos dos consumidores chineses, desde cortes no imposto de renda até o aumento de pensões e cobertura de saúde, até a venda de empresas de propriedade local e a distribuição de ações para cada pessoa na província.

Até agora, houve apenas adições modestas à rede de segurança, e Pequim está cautelosa em reduzir o controle do Estado sobre a economia e entregá-lo aos consumidores. Há pouca razão para pensar que isso mudará. É provável que a China tente superar sua campanha anti-involução esperando que os importadores, mesmo os Estados Unidos com suas altas tarifas, absorvam seus bens excedentes.

Isso pode não ser mais suficiente para impulsionar o crescimento. O risco é que a China siga o Japão em um período de estagnação do qual não há saída fácil.

A nova palavra da moda que está assustando a China – 25/09/2025 – Mercado – Folha

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A China produziu tantos painéis solares que baixou os seus preços: agora quer fechar fábricas para salvar a sua indústria

História de Viny Mathias – msn – 21/09/2025

A história tem ares de paradoxo. Ao inundar o mundo com painéis solares a preços imbatíveis, a China contribuiu amplamente para a aceleração da transição energética global. Isso é uma boa notícia para o planeta, mas um verdadeiro pesadelo para a própria indústria. Por meio de subsídios e ambição excessiva, as fábricas chinesas produziram muito além da demanda, criando um excedente que literalmente pulverizou as margens dos fabricantes. A reação é violenta: empresas à beira da falência, prejuízos bilionários e um governo soando o alarme.

Para entender a situação, precisamos relembrar a estratégia agressiva da China para dominar o setor de tecnologia verde. Por meio de investimentos maciços, o país conseguiu controlar mais de 80% da cadeia global de produção de painéis solares. O resultado? Uma capacidade de produção que agora atinge quase o dobro da demanda global. Esse excesso de oferta levou logicamente a uma guerra de preços suicida.

A China produziu tantos painéis solares que baixou os seus preços: agora quer fechar fábricas para salvar a sua indústria

(Imagem: American Public Power Association/Unsplash)

De acordo com dados recentes, segundo o portal parceiro JeuxVideo, o preço do polissilício (também conhecido como silício cristalino), uma matéria-prima essencial, despencou. Com isso, algumas empresas chinesas estão vendendo o polissilício com prejuízo, cerca de US$ 5 (R$ 26 em conversão direta) por quilo, enquanto o preço de equilíbrio do mercado é estimado em mais de US$ 24 (R$ 127).

Essa situação colocou os líderes do setor de joelhos. Os números são alarmantes: só em 2024, estima-se que o setor tenha acumulado quase US$ 40 bilhões em prejuízos. No primeiro semestre de 2025, seis dos maiores fabricantes chineses viram seus prejuízos acumulados dobrarem para US$ 2,8 bilhões. A onda de falências está se acelerando, com mais de 50 empresas do setor já tendo fechado as portas em 2025. Um verdadeiro massacre que ameaça o ecossistema pacientemente construído pela China.

Governo apita o fim do recesso

Diante desse caos, o governo chinês decidiu mudar radicalmente de tom. A abordagem “laissez-faire” (deixar acontecer) saiu de campo e o controle autoritário entrou em cena. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) da China realizou uma série de reuniões de crise com líderes do setor. A mensagem é clara: essa “competição desordenada” precisa acabar e o excesso de capacidade de produção precisa ser reduzido. O objetivo é estabilizar os preços para garantir a sobrevivência do setor a longo prazo.

Várias medidas drásticas estão em pauta. A mais impressionante é a criação de um fundo de US$ 7 bilhões, apoiado pelos próprios produtores de polissilício, com o objetivo de comprar e fechar aproximadamente um terço da capacidade de produção do país. Ao mesmo tempo, Pequim pretende tornar os padrões mais rigorosos para forçar as fábricas menos eficientes e mais antigas a encerrarem suas operações.

Essa consolidação forçada pode ter efeitos rápidos. Alguns analistas já observam uma ligeira tendência de alta nos preços dos módulos de fábrica, um sinal de que o mercado está antecipando essa grande limpeza. Para o resto do mundo, essa decisão potencialmente marca o fim da era dos painéis solares a preços reduzidos, mas também pode permitir que outros players, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, recuperem algum fôlego diante do rolo compressor chinês.

A China produziu tantos painéis solares que baixou os seus preços: agora quer fechar fábricas para salvar a sua indústria

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Brasil pode atrair US$ 90 bi em investimentos no setor de biocombustíveis marítimos, diz estudo

País pode suprir até 15% da demanda global de combustíveis do setor e cortar 170 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano, conclui relatório

Por Aline Bronzati (Broadcast) – Estadão – 22/09/2025 

NOVA YORK – O Brasil reúne condições para se tornar pilar da descarbonização do transporte marítimo mundial: pode suprir até 15% da demanda global de combustíveis do setor, cortar 170 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano e atrair investimentos próximos de US$ 90 bilhões, conclui relatório da consultoria Boston Consulting Group (BCG) apresentado no Brazil Climate Summit, em Nova York.

A pesquisa, intitulada “Seizing Brazil’s Potential for Low-Emission Marine Fuels”, parte da exigência regulatória da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), que passa a exigir a redução da intensidade de carbono dos navios a partir de 2028, sob multas de US$ 100 a US$ 380 por tonelada de CO₂ e não abatida. Conforme o BCG, como segundo maior produtor mundial de etanol e biodiesel, o Brasil dispõe de escala agrícola, capacidade industrial e até 25 milhões de hectares de terras degradadas aptas a integrar a cadeia de biocombustíveis sem competir com a produção de alimentos.

“Com as embarcações necessitando reduzir drasticamente a intensidade de suas emissões de gases de efeito estufa, haverá uma crescente demanda por combustíveis marítimos de baixa emissão”, afirma Arthur Ramos, diretor executivo e sócio do BCG. “Neste cenário, os biocombustíveis brasileiros, como o biodiesel e etanol, oferecem alternativas de rápida implementação, competitivas em custo e escaláveis, cujo aumento da oferta será apoiado na restauração de terras degradadas”, avalia.

Estudo reafirma potencial do Brasil de receber de US$ 2 trilhões a US$ 3 trilhões em investimentos a partir do compromisso de empresa em zerar emissões Foto: Porto de Santos/Divulgação

O estudo calcula que o biodiesel nacional (B100) entrega custo de abatimento de US$ 220-230/tCO2e nos portos brasileiros — bem abaixo das futuras penalidades — e de US$ 280-300/tCO2e em hubs como Roterdã e Cingapura. No caso do etanol, os valores ficam entre US$ 205-210/tCO2e no Brasil e US$ 265-275/tCO2e no exterior, reforçando a atratividade econômica do produto.

“Esta vantagem pode gerar uma redução de aproximadamente 170 Mt de CO₂ e por ano e atender a 15% da demanda de energia do transporte marítimo até 2050, com uma oportunidade de investimento estimada em cerca de US$ 90 bilhões especificamente para a cadeia de valor de biocombustíveis marítimos”, reforça Ramos.

Para que o potencial se confirme, o BCG aponta a necessidade de consolidar o arcabouço regulatório da IMO, criar mecanismos de incentivo claros até 2027 e avançar na adaptação de motores a metanol compatíveis com etanol. Mesmo assim, a consultoria sustenta que a combinação de vantagens naturais e agenda climática oferece ao País uma chance “única” de liderar a transição energética nos mares e, ao mesmo tempo, recuperar áreas degradadas, impulsionar a agricultura regenerativa e gerar novas receitas em divisas.

O estudo do BCG reafirma ainda o potencial do Brasil de receber uma injeção de US$ 2 trilhões a US$ 3 trilhões em investimentos a partir do compromisso de empresas brasileiras em zerar as emissões de gases do efeito estufa, principais causadoras das mudanças climáticas, até 2050. Nesta conta, estão iniciativas de descarbonização em quatro áreas principais: créditos de carbono, energia limpa, agricultura sustentável e uma revolução verde no setor industrial.

Brasil pode atrair US$ 90 bi em investimentos no setor de biocombustíveis marítimos, diz estudo – Estadão

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8 milhões de alunos não têm internet para aprendizado dentro da escola no Brasil

Acesso à internet para ensino melhorou na última década, mas cenário é marcado por desigualdade

Problema é maior na região Norte e no resto da Amazônia 

Heloísa Vasconcelos/Vitor Antonio/Tiago Cardoso – Folha – 21.set.2025

Enquanto pais e educadores de parte do país discutem a melhor maneira de usar ferramentas inteligência artificial em tarefas escolares, cerca de 8 milhões de alunos de escolas públicas no Brasil não usam a internet para fins pedagógicos dentro do colégio. O país tem cerca de 47 milhões de estudantes no ensino básico.

Das 137.847 escolas públicas que responderam sobre acesso à internet no último Censo Escolar, 33,67% delas afirmaram que não usam a rede para fins pedagógicos e 10% (13.802) disseram que não têm qualquer acesso à internet, nem para fins administrativos, o que impacta a vida de 1 milhão de estudantes.

Há, ainda, 18 mil escolas sem acesso à banda larga, portanto com velocidade baixa para uso adequado, e 2.104 escolas públicas (1,5%) que não possuem qualquer acesso porque não dispõem de energia elétrica.

Os dados são do Censo Escolar divulgado em 2024, relativo à atividade de 2023, portanto o índice de conectividade pode ter aumentado desde então. O questionário perguntava se o colégio tinha acesso à internet, mas também se a internet era ferramenta para fins pedagógicos.

A pesquisa TIC Educação, feita em 2024 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) e divulgada na última semana a partir de uma amostra, indica que 43% dos colégios públicos não dispõem de equipamentos para que estudantes acessem a rede e que 62% dos professores usam tecnologia em sala, mas apenas 54% tiveram formação recente.

De modo geral, a conectividade na educação melhorou de forma significativa na última década, com 90% da rede pública conectada, mas existem três principais gargalos: melhorar a qualidade do acesso, diminuir a desigualdade regional e fornecer infraestrutura básica em algumas áreas, como luz.

Levantamento da Folha indica que o fosso digital está concentrado no Norte: 67,6% das escolas federais, estaduais e municipais que responderam o Censo no Acre não possuem internet para atividades pedagógicas. No Amazonas e em Roraima, as proporções são de 67,5% e 66,1%, respectivamente.

Em Belém, sede da COP-30, 66,3% das escolas públicas não acessam internet para aprendizado. Em Macapá, são 56,5%.

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação do Pará diz que todas as escolas da rede estadual estão contempladas por um programa de acesso por meio de antenas Starlink (a internet via satélite de Elon Musk). No Censo de 2024, 470 das escolas estaduais informaram não ter internet.

O vazio de conexão está relacionado ao da infraestrutura —da ausência de estradas asfaltadas para escolas rurais à falta de energia elétrica. No Acre, 68,7% das escolas sem internet também não têm luz.

A uma distância de 50 km até o primeiro asfalto, a escola estadual Raimunda Aneli, em Rio Branco (AC), ilustra esse caso. Os professores improvisam para garantir ensino de qualidade aos 44 estudantes matriculados, entre educação básica e de jovens e adultos.

Professor e diretor da instituição, Francisco Barbosa afirma que a falta de conectividade é apenas um dos desafios. Sem energia para armazenar alimentos, a merenda escolar se reduz a enlatados e produtos industrializados, como pães e biscoitos.

“Nosso acesso é difícil, para chegar tem 55 km de estrada, no asfalto, depois mais 50 km de ramal. A gente fica o mês todinho na escola, vai uma vez por mês para casa porque não consegue no final de semana”, diz. Há anos a direção da escola busca recursos do governo para instalar placas fotovoltaicas, que poderiam fornecer energia pelo menos para atividades mais básicas.

“Para colocar internet hoje não é tão difícil, porque você mesmo pode comprar e colocar, o problema é que precisa de energia.”

Há uma barreira geográfica sobretudo na Amazônia Legal, em áreas indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais. Segundo o Censo Escolar, apenas 7,7% das escolas fora dessas localizações especiais não possuem acesso à internet. Em terras indígenas, a proporção sobe para 55,75%.

O Brasil possui projetos de âmbito federal e estadual para a conectividade, como o Banda Larga nas Escolas (PBLE) e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), que prevê atender praticamente toda a rede pública de ensino com banda larga até 2026, com investimento de R$ 6,5 bilhões.

Criado em 2008, o PBLE prevê a conexão do ensino fundamental e médio até o final deste ano. Até agosto deste ano, 5.727 das mais de 63 mil instituições monitoradas não possuíam a velocidade mínima necessária para atividades educacionais.

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) diz que esses dados podem ser “impactados tanto pela instalação quanto pela desinstalação de conexões em escolas que não constaram do Censo, e tais alterações podem ser refletidas na base de dados do PBLE em diversos momentos ao longo do período”.

Em nota, a agência acrescenta que grande parte das escolas públicas urbanas está sem conexão por razões que “fogem à alçada da prestadora de serviços”, como ausência de energia, endereço errado da escola ou negativa de autorização dos gestores para a instalação.

Para Sônia Fátima Schwendler, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em educação no campo, a ausência de conexão impacta diretamente a qualidade do ensino e pode aprofundar desigualdades sociais.

“A falta de conectividade muitas vezes faz com que não seja assegurado o direito à educação, um direito fundamental do ser humano, que está na nossa Constituição”, afirma.

Ela defende que a conectividade escolar integre uma política de Estado, não apenas projetos isolados. “Nem sempre existe a atratividade para as empresas em locais remotos, mas isso precisa ser entendido como política pública. Em um mundo conectado, onde há gente, essa gente precisa estar conectada.”

Ao olhar para a taxa de aprovação de ano e o indicador de rendimento de ensino calculados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), as escolas sem internet apresentam uma tendência de pontuações mais baixas. A maioria pontua entre uma aprovação escolar de 40% a 70%.

Paulo Kuester Neto, supervisor de projetos de ciência de dados do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), destaca que, para além da conexão, é preciso garantir qualidade no acesso à internet, com bons indicadores de latência e velocidade de download e upload. A meta de velocidade de internet nas escolas públicas é de 1 Mbps por aluno no turno com maior número de estudantes.

Essa realidade é um tanto distante. Em Goiás, estado com melhor proporção de escolas públicas conectadas, só 18,2% das instituições possuem uma velocidade boa ou ótima, conforme o Nic.br.

“O primeiro desafio, que já é enorme, é tentar levar a internet de acordo com a meta estabelecida para todas as escolas públicas. Existe um segundo desafio que é para dentro da escola, para todos os ambientes escolares, as salas de aula, a biblioteca, eu preciso preparar a escola para que ela ilumine e conecte os seus espaços”, diz Kuester.

8 milhões de alunos não têm internet dentro da escola – 21/09/2025 – Educação – Folha

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Os 200 milhões de trabalhadores temporários da China são um alerta para o mundo

Cerca de 40% da força de trabalho urbana da China está em empregos flexíveis; isso deverá moldar a economia e a sociedade do país nos próximos anos

Por Estadão/The Economist – 20/09/2025 

A maior força de trabalho do mundo passou por uma transformação extraordinária. Os trabalhadores agrícolas e o proletariado industrial da China foram acompanhados por um exército de trabalhadores temporários. Dezenas de milhões agora usam plataformas tecnológicas para encontrar empregos por períodos curtos; 200 milhões, ou 40% da força de trabalho urbana, dependem de algum tipo de trabalho flexível.

A sorte desses trabalhadores precários, muitos dos quais lutam para comprar imóveis e ter acesso a serviços e benefícios públicos, moldará a economia e a sociedade da China nos próximos anos. À medida que a tecnologia remodela os mercados de trabalho, os trabalhadores temporários da China oferecem lições para países em todo o mundo.

Graças, em parte, à sua adoção precoce dos “superaplicativos” que organizam muitas facetas da vida das pessoas, a China é o lar da economia gig (modelo de mercado caracterizado por empregos temporários e flexíveis) mais avançada do mundo. Hoje, 84 milhões de pessoas dependem de formas de emprego baseadas em plataformas, incluindo motoristas de aplicativos de transporte e entregadores de comida.

Com a disseminação dos aplicativos de consumo, esse tipo de trabalho também se tornou predominante nos países emergentes da Ásia. Na Índia, cerca de 10 milhões de pessoas trabalham na economia gig, em plataformas e fora delas. Na Malásia, são 1,2 milhão, cerca de 7% da força de trabalho.

Ultimamente, o trabalho temporário na China se espalhou para o seu famoso setor manufatureiro. O proletariado regulamentado está sendo gradualmente substituído por milhões de trabalhadores temporários que preenchem vagas “sob demanda”, passando de uma fábrica para outra sob a orientação de gigantescas plataformas de recrutamento.

Os empregos geralmente não exigem nenhuma habilidade além do conhecimento do alfabeto romano. Os trabalhadores podem permanecer neles por não mais do que algumas semanas ou até mesmo dias. Pesquisadores estimam que sejam cerca de 40 milhões, um terço da força de trabalho industrial da China — e mais de três vezes o tamanho da força de trabalho dos Estados Unidos.

Uma das razões para o aumento desse exército de trabalhadores temporários é que as empresas querem flexibilidade. Os empregadores valorizam a liberdade de expandir ou reduzir seus negócios, respondendo à demanda sazonal, às variações do mercado e às mudanças na geopolítica.

A tecnologia também tem desempenhado um papel importante. Os aplicativos para smartphones ajudam a combinar os pedidos dos clientes com os entregadores disponíveis; na indústria, a tecnologia automatizou muitas tarefas complexas que antes exigiam experiência. Embora isso tenha criado empregos para engenheiros altamente qualificados, deixou lacunas na montagem, embalagem e inspeção que qualquer pessoa pode preencher.

O emprego flexível de todos os tipos é adequado para muitos trabalhadores. Aqueles que são hábeis em navegar pela economia de plataforma podem ganhar mais mudando de emprego do que ganhariam com um único empregador. Uma pesquisa realizada em 2022 descobriu que a renda mensal dos motoristas de entrega dedicados na China era quase um quinto maior do que a dos trabalhadores migrantes. Outros, sem a tolerância dos pais para o trabalho árduo, não estão dispostos a realizar a mesma tarefa repetitiva semana após semana.

Apesar desses benefícios, os trabalhadores temporários enfrentam dificuldades. Sem um relacionamento mais estável com seu empregador, os trabalhadores mais jovens nunca adquirirão as habilidades necessárias para prosperar na vida. Tendo deixado suas cidades natais rurais, eles podem não conseguir criar raízes nas cidades onde trabalham de forma tão promíscua.

Sem comprovação de emprego estável, eles podem ter acesso aos serviços públicos urbanos negado. E se não conseguirem se estabelecer, podem nunca se casar e ter filhos, agravando o envelhecimento da população chinesa. De uma forma ou de outra, esse grupo de trabalhadores terá de sustentar muitos idosos, além de si mesmos.

Algumas dessas dificuldades, como o sistema hukou de serviços públicos urbanos, são exclusivas da China. Mas, em outros aspectos, vale a pena estudar a experiência chinesa. Muitos países, especialmente na Ásia em desenvolvimento, esperam igualar seu sucesso na indústria manufatureira. Nenhum deles pode se dar ao luxo de desperdiçar o potencial dos jovens.

A escassez de bons empregos é uma das razões pelas quais os jovens em vários países asiáticos se levantaram em protesto contra as negociações ilícitas de seus líderes políticos. Na Indonésia, as manifestações em agosto se tornaram violentas depois que um veículo blindado atropelou um trabalhador temporário que prestava serviços de transporte em sua motocicleta.

Uma lição da China é não dar demasiada importância à indústria. Os países que perderam o poder industrial ou nunca o alcançaram sonham que os empregos nas fábricas podem proporcionar emprego estável, aumento dos salários e estabilidade social. Isso pode ser verdade para alguns engenheiros e técnicos. Mas a China mostra que outras funções podem ser substituídas ou desqualificadas pela automação.

Isso leva a outra lição: seria inútil tentar erradicar o trabalho temporário na esperança de que empregos permanentes tomem seu lugar. A verdadeira alternativa ao trabalho temporário muitas vezes é a falta de trabalho. Uma pesquisa recente descobriu que 77% dos motoristas de aplicativos entraram no setor após perderem seus empregos anteriores.

As plataformas de recrutamento não inventaram o emprego precário. E embora seus algoritmos possam ser cruéis, pressionando os motoristas a dirigir de forma imprudente, eles são uma melhoria em relação aos intermediários que costumavam combinar trabalhadores e empregadores.

Em muitas partes da Ásia, incluindo a China, os trabalhadores diaristas ainda se aglomeram à beira da estrada de manhã cedo, esperando que os empregadores os escolham entre a multidão.

A lição final, portanto, é que os governos devem repensar o contrato social para tornar o trabalho temporário o mais benéfico possível. A China regulamentou os algoritmos para torná-los um pouco mais brandos. Também está tentando diminuir a divisão entre o novo e o antigo, incentivando as plataformas de comércio eletrônico a fornecer segurança social aos trabalhadores temporários.

A Índia está persuadindo os trabalhadores das plataformas a se registrarem para receber benefícios como seguro contra acidentes e, eventualmente, assistência médica.

Passos importantes

Mas os governos precisam ser ainda mais ambiciosos. Em vez de tentar encaixar o trabalho temporário em seus esquemas existentes, eles devem redesenhar as próprias políticas. A China poderia tornar as contribuições obrigatórias dos empregadores menos onerosas, reduzindo seu incentivo para escolher trabalhadores temporários em vez de permanentes.

Os países deveriam tornar as aposentadorias mais portáteis, permitindo uma ligação mais estreita entre o que as pessoas pagam e o que recebem. Muitos países asiáticos correm o risco de envelhecer antes de enriquecer. Ajudar os trabalhadores precários a prosperar é mais urgente agora do que nunca.

The Economist: Os 200 milhões de trabalhadores temporários da China são um alerta para o mundo – Estadão

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Essa é a tecnologia mais impactante da Apple atualmente — e ela não é um iPhone

Tradução em tempo real diretamente nos AirPods mudam a maneira de como as pessoas podem interagir no mundo

Por Brian X. Chen – Estadão/The New York Times – 21/09/2025 

Nesta semana, eu encontrei um velho amigo, e ele me contou sobre o que fez no verão americano. Ele e sua namorada visitaram a família no Arizona. Sua sobrinha o arrastou para uma sessão de “Lilo e Stitch”. Ele estava trabalhando duro em uma nova startup. Ele disse tudo isso em espanhol, uma língua que eu nunca aprendi, mas eu entendi cada palavra.

Isso aconteceu porque eu estava usando os novos fones de ouvido da Apple que chegou às lojas nesta sexta-feira, 19. Os AirPods Pro 3, que custam a partir de R$ 2,7 mil, usam inteligência artificial (IA) para fazer traduções em tempo real, sua característica nova mais significativa — eles têm um cancelamento de ruído ligeiramente melhor, mas não são tão diferentes da versão anterior.

Enquanto meu amigo falava, o assistente virtual da Apple, Siri, agia como intérprete, falando em uma voz robótica que convertia imediatamente as palavras em espanhol para inglês nos meus ouvidos.

Posteriormente, eu revisei uma transcrição da conversa produzida no meu iPhone para confirmar a precisão da tradução. Com a exceção de alguns erros onde a Siri confundiu pronomes (referindo-se à namorada do meu amigo como “ele” em vez de “ela”), o resultado foi sólido.

Eu fiquei impressionado. Este foi o exemplo mais forte que eu já vi de tecnologia de IA funcionando de uma maneira contínua e prática, que poderia ser benéfica para muitas pessoas. Filhos de imigrantes que preferem falar sua língua nativa podem ter mais facilidade para se comunicar. Turistas em outros países podem entender melhor motoristas de táxi, funcionários de hotel e funcionários de companhias aéreas.

Também me ajudaria na minha vida cotidiana para entender um prestador de serviço que não fala inglês e está tentando explicar o seu trabalho.

E francamente, eu também fiquei surpreso. A empreitada da Apple na IA generativa, a tecnologia que impulsiona chatbots como o ChatGPT e o Gemini, tem sido atrapalhada, para dizer o mínimo. A empresa nunca terminou de lançar alguns dos recursos de IA que prometeu para o iPhone 16 do ano passado porque a tecnologia não funcionava bem. E as ferramentas de IA da Apple que estão disponíveis para edição de fotos e resumir artigos têm sido decepcionantes em comparação com ferramentas semelhantes do Google.

A robusta tecnologia de tradução nos AirPods é um sinal de que a Apple ainda está na corrida da IA, apesar de seus primeiros tropeços. Tradutores de linguagem digital não são novos, mas a execução do recurso pela Apple com os AirPods, um produto que se encaixa perfeitamente nos ouvidos, deve fazer uma diferença profunda na frequência com que as pessoas usam a tecnologia.

Por mais de uma década, os consumidores têm lutado com aplicativos de tradução, como o Google Translate e o Microsoft Translator. Eles exigiam que os usuários segurassem o microfone do telefone perto de uma pessoa falando uma língua estrangeira e esperassem que uma tradução fosse mostrada na tela ou reproduzida por meio dos pequenos alto-falantes do telefone. As traduções muitas vezes eram imprecisas.

Em contraste, os usuários de AirPods precisam apenas fazer um gesto para ativar o intérprete digital. Cerca de um segundo após alguém falar, a tradução é reproduzida na língua preferida do usuário nos fones de ouvido.

Aqui está o que você precisa saber sobre como usar o tradutor, como funciona a tecnologia e por que é provável que seja melhor do que aplicativos de tradução anteriores.

Introdução

Configurar os AirPods Pro foi simples. Abri o estojo ao lado do meu iPhone e toquei em um botão para parear os fones de ouvido. Para usar o software de tradução, precisei atualizar para o sistema operacional mais recente, o iOS 26, e ativar a Apple Intelligence, a plataforma de IA da Apple.

Depois, precisei abrir o novo app Traduzir da Apple e baixar os idiomas que eu queria traduzir. Espanhol, francês, alemão, português e inglês estão disponíveis agora, e mais virão em breve. Selecionei o idioma que a outra pessoa estava falando (neste caso, espanhol) e o idioma que eu queria ouvir.

Existem alguns atalhos para ativar o intérprete, mas a maneira mais simples é manter pressionado ambos os hastes dos AirPods por alguns segundos, o que tocará um som. A partir daí, ambas as pessoas podem começar a falar, e uma transcrição aparece no app Traduzir enquanto uma voz lê as palavras traduzidas em voz alta.

Proprietários dos AirPods Pro 2 de 2022 e dos AirPods 4 do ano passado, com cancelamento de ruído, também podem obter a tecnologia de tradução por meio de uma atualização de software. Um iPhone recente, como o iPhone 15 Pro ou um dispositivo da série 16, também é necessário para usar o Apple Intelligence para fazer as traduções.

Para que uma conversa fluida seja traduzida em ambas as direções, é melhor que ambas as pessoas estejam usando AirPods. Dado quão populares já são os fones da Apple, com centenas de milhões vendidos em todo o mundo, isso parece bastante provável.

Ainda assim, há momentos em que essa tecnologia será útil mesmo com apenas uma pessoa usando AirPods. Muitos imigrantes com quem interajo, incluindo minha babá e sogra, sentem-se à vontade para falar apenas em sua língua nativa, mas conseguem entender minhas respostas em inglês, então poder compreendê-los também seria muito benéfico.

Por que as traduções estão ficando melhores

A dependência dos AirPods em modelos de linguagem extensivos, a tecnologia que usa estatísticas complexas para adivinhar quais palavras pertencem juntas, deve tornar as traduções mais precisas do que as tecnologias anteriores, diz Dimitra Vergyri, diretor de tecnologia de fala no SRI, o laboratório de pesquisa por trás da versão inicial do Siri antes de ser adquirido pela Apple.

Algumas palavras carregam significados diferentes dependendo do contexto, e grandes modelos de linguagem são capazes de analisar todo o escopo de uma conversa para interpretar corretamente o que as pessoas estão dizendo. Tecnologias de tradução mais antigas faziam traduções fragmentadas, uma sentença de cada vez, o que poderia resultar em grandes erros porque faltava contexto, explica Vergyri.

Ainda assim, a tecnologia de IA nos AirPods pode ter pontos cegos que poderiam levar a situações sociais embaraçosas, ela acrescentou. Palavras sozinhas não contabilizam outros tipos de contexto, como emoções e nuances culturais. No Marrocos, por exemplo, pode ser indelicado entrar em uma conversa sem uma saudação adequada, que frequentemente envolve perguntar sobre a família de uma pessoa e sua saúde.

“A lacuna ainda existe para uma comunicação real,” diz Vergyri. Ela acrescentou, no entanto, que a tecnologia de tradução se tornaria cada vez mais importante à medida que os trabalhadores corporativos se tornassem mais globais e precisassem se comunicar entre culturas.

Essa é a tecnologia mais impactante da Apple atualmente — e ela não é um iPhone – Estadão

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Um sistema de inteligência artificial capaz de prever as doenças que teremos

Tecnologia similar ao ChatGPT calcula as probabilidades de adoecimento entre mil enfermidades diferentes

Por Fernando Reinach – Estadão – 19/09/2025 

A IA não vai acabar com a medicina nem com a advocacia. Pelo contrário.

Quem não gostaria de saber as doenças que vão nos afetar nas próximas décadas? Prever esse futuro incerto é um dos objetivos da Medicina, principalmente porque muitas dessas doenças podem ser evitadas. O esforço nessa direção tem uma longa história.

Com base na história médica de cada um de nós, e no que ocorreu com pessoas que possuíam histórias médicas semelhantes, os médicos já desenvolveram métodos razoáveis de previsão para muitas doenças específicas.

Por exemplo, se você fuma, tem colesterol alto, sobrepeso e não faz exercícios, existem algoritmos que permitem calcular suas chances de ter um problema cardíaco no futuro.

Mas existem centenas de outros fatores que podem influenciar essas probabilidades, como algumas infecções. E incorporar todos esses fatores para prever cada doença se torna uma tarefa extremamente complexa.

A novidade é que foi desenvolvido um sistema de inteligência artificial, similar ao ChatGPT, treinado para calcular a probabilidade de uma pessoa vir a sofrer cada uma de mais de mil doenças distintas.

Em países desenvolvidos, com um sistema médico público, como Inglaterra e Suécia, a história médica de cada pessoa é registrada em um banco de dados único. Ao contrário do Brasil, onde essa informação está espalhada em diversos lugares, como a memória da sua mãe (dados do parto e das doenças infantis), naquela gaveta onde você guarda os exames clínicos que fez durante a vida, ou na sua ficha em cada médico que consultou, nesses países há um único repositório com todos os seus dados. Cada consulta, cada diagnóstico, cada prescrição, cada cirurgia, e assim por diante.

Foi usando centenas de milhares desses registros que, no passado, os cientistas conseguiram, por exemplo, construir os algoritmos que relacionam o risco de doença cardíaca aos níveis de colesterol.

Com a descoberta dos métodos de inteligência artificial, é possível treinar um sistema da IA com a totalidade dos dados médicos de cada pessoa e pedir a ele que crie essas previsões. Na Inglaterra, dados de milhões de pessoas incluem tudo que o sistema de saúde sabe sobre a pessoa: desde a data de nascimento, o peso em cada consulta, que vacinas tomou, quando teve pneumonia, com que remédio foi tratado, os exames clínicos e procedimentos. Tudo.

Foram usados dados de 400 mil pessoas para treinar um sistema chamado Delphi-2M criado para relacionar a cada doença, em cada etapa da vida, as informações existentes nas histórias médicas das pessoas. Claro que o sistema de IA “redescobriu” a relação entre colesterol a doença cardíaca.

Mas ele também descobriu milhares de correlações novas – algumas fracas, outras fortes – entre o histórico da pessoa e suas doenças. No total, o sistema de IA foi capaz de calcular a probabilidade do aparecimento de 1.256 doenças distintas.

Mas será que essas previsões estão corretas? Para testar o sistema, foram usados os dados de outras 100 mil pessoas que não foram incluídas no treinamento do Delphi-2M.

Funciona assim: pego os dados de uma pessoa de 60 anos. Forneço ao sistema de IA os dados da pessoa relativos aos seus primeiros 40 anos de vida (nascimento aos 40 anos) e peço para o sistema prever o que acontecerá com a pessoa nos próximos 20 anos (dos 40 aos 60).

Em seguida, comparo o que o sistema previu que iria acontecer com o que de fato aconteceu (os dados reais dessa pessoa dos 40 aos 60). Fazendo simulações e comparações desse tipo com 100 mil pessoas, é possível medir quão precisas são as predições.

Usando um índice de acerto em que o valor 1 equivale a acertar sempre e 0,5 equivale ao resultado obtido ao acaso (pense em um teste de múltipla escolha com 2 alternativas. Acertar 50% é o que você obtém se chutar todas as respostas), essa primeira versão do Delphi-2M tem índice de acerto de 0,75 para o que vai nos próximos 10 anos. Esse índice cai para 0,7 nos 10 anos seguintes.

Um segundo teste, usando 1,9 milhões de suecos, apresentou resultados semelhantes. É impressionante, já que sabemos que em quase todas as doenças existem variáveis randômicas que afetam o surgimento de uma doença. Por esse motivo, a previsão será sempre estatística.

Os cientistas acreditam que esses modelos iniciais ainda estão distantes de serem usados no cotidiano médico, pois precisam ser aperfeiçoados e treinados com uma quantidade muito maior de dados, de pessoas de diferentes países. Mas estão impressionados com o resultado, não só pelo alto valor preditivo, o que vai permitir a adoção de tratamentos preventivos, mas pelo fato de ele prever 1.256 doenças.

Vai chegar o dia em que nosso médico vai alimentar um sistema como esse, com nossa histórica médica, receber de volta o que pode acontecer conosco e discutir os riscos que corremos nos próximos 10 a 20 anos de vida. E, mais importante, o que podemos fazer para evitar esses perigos.

Mas para isso cada pessoa terá de possuir sua história médica completa, devidamente registrada, e isso está longe de ocorrer em países como o Brasil. O sistema mais próximo que temos no Brasil é do DataSus, que inclui parte dos dados das pessoas atendidas pelo Sistema Único de Saúde.

Mais informações: Learning the natural history of human disease with generative transformers. Nature https://doi.org/10.1038/s41586-025-09529-3 2025

Um sistema de inteligência artificial capaz de prever as doenças que teremos – Estadão

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