É o fim? Kodak diz que pode fechar as portas após 133 anos e ações desabam mais de 25%

Com dívida de US$ 500 milhões e sem liquidez suficiente, fabricante de câmeras e filmes tenta reestruturar negócios e evitar nova crise

Carolina Ingizza – Exame – 13 de agosto de 2025 

A Kodak, empresa centenária que se tornou sinônimo de fotografia no mundo, acendeu um alerta para sua sobrevivência. No balanço divulgado nesta segunda-feira, 11, a companhia afirmou que não possui “financiamento garantido ou liquidez disponível” para arcar com cerca de US$ 500 milhões em obrigações de dívida que vencem em breve.

Segundo documento enviado a investidores, as condições atuais “levantam dúvidas substanciais” sobre a capacidade de a empresa continuar operando.

Para tentar preservar caixa, a Kodak anunciou que vai interromper pagamentos de seu plano de pensão de aposentadoria.

A fabricante disse ainda que não espera impacto relevante das tarifas comerciais sobre seus negócios, já que muitos de seus produtos, como câmeras, tintas e filmes, são fabricados nos Estados Unidos.

Apesar das dificuldades, o CEO Jim Continenza afirmou no comunicado de resultados que, no segundo trimestre, a empresa “continuou avançando em seu plano de longo prazo” mesmo diante de um ambiente de negócios incerto.

Em resposta à CNN americana, um porta-voz afirmou que a Kodak está “confiante” de que quitará uma parte significativa de seu empréstimo antes do vencimento. A empresa também planeja adotar medidas como prorrogar prazos, refinanciar a dívida remanescente e ajustar as obrigações ligadas às ações preferenciais.

O mercado reagiu mal: as ações da Kodak chegaram a cair mais de 25% no pregão de terça-feira e fecharam com queda de 19.91%. Nesta manhã, no pré-mercado, os papéis operam com baixa de 0.92%.

Queda da gigante de fotografia

Fundada oficialmente em 1892, mas com raízes que remontam a 1879, quando George Eastman obteve sua primeira patente para uma máquina de revestimento de chapas, a Kodak revolucionou o acesso à fotografia com a venda de sua primeira câmera em 1888, ao preço de US$ 25, acompanhada do slogan “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”.

Durante o auge, nos anos 1970, a companhia chegou a deter 90% do mercado de filmes e 85% do de câmeras nos Estados Unidos. Curiosamente, foi a própria Kodak que criou a primeira câmera digital, em 1975, mas não soube aproveitar a transição tecnológica. Em 2012, entrou com pedido de recuperação judicial, com dívidas de US$ 6,75 bilhões e cerca de 100 mil credores.

Em 2020, a Kodak viveu um pico de valorização após o governo dos EUA anunciar planos para que a empresa produzisse ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs) durante a pandemia, reduzindo a dependência externa desses insumos.

Atualmente, a empresa segue fabricando filmes fotográficos e produtos químicos para clientes corporativos, licenciando sua marca para itens de consumo e buscando ampliar, ainda de forma limitada, sua atuação no setor farmacêutico.

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Projetos de hidrogênio verde, aposta global para reduzir emissões, são cancelados em vários países

No Brasil, R$ 188,7 bilhões em investimentos já foram anunciados nesse setor

Por Luciana Dyniewicz – Estadão – 14/08/2025 

A indústria que prometia ser uma das grandes soluções para o mundo reduzir as emissões de carbono e ainda gerar bilhões de dólares para o Brasil está em crise antes mesmo de sair do papel. Em todo o mundo, empresas que haviam anunciado projetos de hidrogênio verde passaram a recuar diante dos altos custos de instalação de plantas, da escassez de incentivos públicos e da falta de demanda pelo produto.

Em junho, a alemã Leag anunciou que adiou indefinidamente os planos de construir uma unidade no leste da Alemanha porque as condições econômicas e políticas esperadas não se materializaram. No mesmo mês, a ArcelorMittal informou que desistiu de construir instalações que usariam hidrogênio verde como fonte energética e descarbonizariam duas unidades de produção de aço na Alemanha. De acordo com a companhia, questões políticas, energéticas e de mercado não evoluíram de maneira favorável para tornar o investimento viável.

Em nota, a ArcelorMittal afirmou continuar “comprometida em reduzir a pegada de carbono de seus ativos”, mas destacou ser “cada vez mais improvável atingir sua meta de intensidade de emissões de carbono para 2030”. “Está cada vez mais documentado que o progresso em todas as frentes da transição energética tem sido mais lento do que o esperado — com o hidrogênio verde ainda não sendo uma fonte de combustível viável”, diz o comunicado da empresa.

Também desistiram, postergaram ou reduziram investimentos que envolviam hidrogênio verde as espanholas Iberdrola e Repsol, as britânicas BP e Shell, a norueguesa Equinor, a finlandesa Neste e as australianas Fortescue e Woodside Energy.

A Fortescue é uma das empresas com projeto de hidrogênio verde mais avançado no Brasil, já tendo firmado um pré-contrato com o Porto de Pecém (CE) e conseguido a licença ambiental prévia para instalação de sua usina.

A companhia pretende instalar no porto uma unidade de R$ 25 bilhões. Em 2023, o gerente da empresa no País, Luis Viga, afirmou que a planta começaria a produzir em 2027. Até agora, porém, não há uma decisão final de investimento.

Questionada se o projeto do Ceará ainda sairá do papel, a empresa afirmou que o Brasil continua no “portfólio de desenvolvimento, com características estruturais competitivas”. “Nosso compromisso com a descarbonização, com o hidrogênio verde e com a construção de uma cadeia de metais verdes sustentável segue sendo considerado um foco relevante para a empresa”, disse a nota enviada pela assessoria de imprensa da Fortescue.

A companhia afirmou também que revisa regularmente seus projetos para garantir que eles “avancem no momento certo e com bases sólidas”. “Isso significa que alguns empreendimentos, como aqueles nos Estados Unidos e na Austrália, passaram por ajustes recentes diante de mudanças significativas no cenário local”, acrescentou. De acordo com a Fortescue, alterações no ambiente regulatório, na política de incentivos e nas condições de mercado a levou a reavaliar alguns projetos.

A consultoria Mckinsey estima que toda a cadeia de valor do hidrogênio verde, da geração à exportação, pode movimentar US$ 200 bilhões no Brasil até 2040. De acordo com estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), já foram anunciados para o País projetos de hidrogênio verde que somam R$ 188,7 bilhões em investimentos. Desses, R$ 77,3 bilhões, ou seis projetos, deveriam ter a decisão final de investimento tomada neste ano, segundo a Associação Brasileira do Hidrogênio Verde (ABIHV).

Outro projeto de grande porte e mais adiantado no Brasil, também com pré-contrato assinado com o Porto do Suape, é o da Casa dos Ventos. Procurada, a empresa não comentou o assunto.

Por que os projetos estão sendo cancelados?

Dependente sobretudo de fontes sujas de energia — como petróleo, gás natural e carvão —, a Europa vinha liderando iniciativas para impulsionar o hidrogênio verde. Ainda que não tenha energia elétrica de fonte renovável disponível para produzir o combustível, a Alemanha era um dos países mais ativos na adoção de medidas pró-hidrogênio verde.

Por não ter como fabricá-lo, o governo alemão financiou projetos de pesquisas em outros países, inclusive no Brasil. A dificuldade logística para o hidrogênio verde chegar ao continente europeu, no entanto, começou a preocupar investidores, segundo João Carlos Mello, CEO da consultoria especializada em energia Thymos.

O hidrogênio verde é produzido a partir da água, em um processo que demanda um grande volume de energia e no qual as moléculas de hidrogênio são separadas da de oxigênio. O combustível pode ser armazenado na forma de gás em botijões (sendo altamente inflamável nesse formato) ou transformado em amônia para ser transportado. Nesse caso, ao chegar ao local de uso, precisa ser reconvertido em hidrogênio. “O custo de toda essa logística e de transformação em amônia equivale a 50% do custo de produção do hidrogênio. Isso desanimou o mercado”, diz Mello.

O custo de produção geral do combustível — que demanda muita energia elétrica — é outro entrave para o desenvolvimento do setor e tem dificultado a criação de demanda. Hoje, está ao redor de US$ 6 por quilo. Para ser competitivo com o gás natural, teria de cair para US$ 2. Enquanto não alcança esse patamar, o hidrogênio verde tem sido preterido por seus potenciais demandantes.

Outra dificuldade enfrentada pelo setor é a redução dos subsídios, de acordo com Rivaldo Moreira Neto, diretor da A&M Infra — braço da consultoria Alvarez & Marsal especializado em infraestrutura. Como se trata de um mercado nascente, o hidrogênio verde tem um risco elevado que afugenta os investidores em um primeiro momento. “Mercados nascentes sempre vão depender de subsídio público para o risco ser mitigado. Pelo menos na primeira onda, até que a roda comece a girar”, diz o consultor, lembrando que isso já foi visto no Brasil com o setor eólico.

Módulos de eletrólise da ThyssenKrupp; equipamentos separam as moléculas de hidrogênio e oxigênio

Módulos de eletrólise da ThyssenKrupp; equipamentos separam as moléculas de hidrogênio e oxigênio  Foto: Divulgação/ThyssenKrupp

Os Estados Unidos foram os primeiros a cortar essas ajudas ao setor. No governo de Joe Biden, foi criado um subsídio de US$ 3 por litro de hidrogênio produzido no país. Com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, essa medida foi derrubada. Na Europa, com os países com orçamentos apertados, os subsídios também estão minguando.

Moreira Neto acrescenta que empresas de óleo e gás, pressionadas por governos e pela opinião pública, estavam entre as que haviam anunciado grandes investimentos no setor. A intenção delas era criar uma carteira de projetos renováveis, principalmente de hidrogênio verde. Assim, nos últimos anos, essas companhias orçaram investimentos robustos em hidrogênio e reduziram os aportes na busca por novos campos de petróleo.

“Quando essas empresas passaram a ter menos reservas de petróleo, o valor delas percebido pelo mercado caiu. Aí houve uma pressão para que elas voltassem a explorar e procurar novos campos”, diz Moreira Neto. Com esse retorno dos investimentos das petroleiras ao setor fóssil, o segmento de hidrogênio verde perdeu parte dos recursos que o alavancaria.

Os projetos no Brasil serão afetados?

Presidente da Associação Brasileira do Hidrogênio Verde, Fernanda Delgado também destaca que parte dos projetos que foram cancelados ou adiados em diferentes países do mundo seriam desenvolvidos por companhias de óleo e gás. Ela acrescenta que, nesse setor, é natural que projetos sejam cancelados quando surgem dificuldades financeiras. “É normal que empresas dessa área voltem atrás de decisões, vendam campos de petróleo, por exemplo.”

Para Delgado, também é esperado que investimentos sejam postergados quando se tem uma indústria nascendo. “Os projetos estão se assentando. Quando um setor surge, há uma complexidade regulatória, de custo e de escala”, afirma. “O que estamos vendo em outros países é um choque de realidade entre o que se queria fazer e o que dá para fazer.”

Delgado frisa, no entanto, que a tendência global de cancelamento de projetos não é vista no Brasil e que o País tem experiência com o surgimento de novas indústrias. “O Brasil já desenvolveu um setor eólico e um solar.”

Segundo Delgado, decisões de investimento devem ser tomadas em breve por aqui, conforme o cronograma desses projetos. “O País aposta em projetos estruturantes, que farão a gente ganhar escala e trarão o preço do hidrogênio para baixo.” A executiva diz ainda que a falta de incentivos públicos nos Estados Unidos pode fazer com que projetos que seriam desenvolvidos lá sejam transferidos para o Brasil.

Na análise de João Carlos Mello, da Thymos, grandes projetos brasileiros de hidrogênio verde voltados à exportação devem sucumbir, dada a dificuldade logística. Ele diz, porém, que os projetos que têm como foco o mercado interno têm mais chance de serem bem sucedidos. Nesses casos, o hidrogênio verde seria usado, principalmente, para produzir amônia. Com a amônia “verde”, seria possível fabricar fertilizantes para o agronegócio, o que reduziria a dependência de importações nesse segmento e ainda permitiria que o País tivesse uma produção agrícola “limpa”.

Moreira Neto, da A&M Infra, destaca que o desenvolvimento de hidrogênio verde do Brasil fica fragilizado conforme reduzem os subsídios de outros países para o setor. “O País vinha se posicionando para ser um grande exportador, principalmente para a Europa. Se não há espaço para financiamento público no exterior, a demanda não se desenvolve, e o Brasil fica em compasso de espera.”

Projetos de hidrogênio verde, aposta global para reduzir emissões, são cancelados em vários países – Estadão

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Adoção de IA por big techs leva engenheiros recém-formados a procurar trabalho em rede de fast-food

Graduados em Ciência da Computação dizem lutar para conseguir empregos na área de tecnologia

Por Natasha Singer Estadão/The New York Times – 10/08/2025

Crescendo perto de Vale do Silício, Manasi Mishra lembra-se de ter visto executivos de tecnologia nas redes sociais incentivando os estudantes a estudar programação de computadores.

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“A retórica era, se você apenas aprendesse a programar, trabalhasse duro e conseguisse um diploma de Ciência da Computação, você poderia ganhar seis dígitos no seu salário inicial,” lembra Mishra, agora com 21 anos, ao crescer em San Ramon, Califórnia.

Essas promessas douradas da indústria ajudaram a incentivar Mishra a fazer sua primeira programação de site na escola primária, cursar computação avançada no ensino médio e se formar em Ciência da Computação na faculdade. Mas, após um ano procurando por empregos e estágios na área de tecnologia, Mishra se formou na Universidade Purdue em maio sem nenhuma oferta.

“Acabei de me formar com um diploma de Ciência da Computação, e a única empresa que me chamou para uma entrevista foi a Chipotle (rede de fast food),” disse Mishra em um vídeo no TikTok que acumulou mais de 147 mil visualizações.

Desde o início dos anos 2010, uma série de bilionários, executivos de tecnologia e até presidentes dos EUA incentivou jovens a aprenderem programação, argumentando que as habilidades tecnológicas ajudariam a reforçar as perspectivas de emprego dos estudantes, bem como a economia. As empresas de tecnologia prometeram altos salários e todo tipo de vantagens para os graduados em ciência da computação.

“Normalmente, seu salário inicial é maior que US$ 100 mil, mais bônus de contratação de US$ 15 mil e concessões de ações no valor de US$ 50 mil”, disse Brad Smith, um alto executivo da Microsoft, em 2012 ao iniciar uma campanha da empresa para fazer mais escolas de ensino médio ensinarem computação.

Os incentivos financeiros, mais a chance de trabalhar em aplicativos populares, rapidamente alimentaram um boom na educação em ciência da computação, o estudo da programação de computadores e processos como algoritmos. No ano passado, o número de graduandos na área superou 170 mil nos Estados Unidos – mais do que o dobro do número em 2014, de acordo com a Associação de Pesquisa em Computação, uma organização sem fins lucrativos que coleta dados de cerca de 200 universidades anualmente.

Mas agora, a propagação de ferramentas de programação de IA, que podem gerar rapidamente milhares de linhas de código de computador – combinada com demissões em empresas como Amazon, Intel, Meta e Microsoft – está diminuindo as perspectivas em um campo que líderes tecnológicos promoveram por anos como um bilhete de carreira dourado. A reviravolta está descarrilando os sonhos de emprego de muitos novos graduados em computação e os fazendo correr atrás de outro trabalho.

Entre os graduados universitários de 22 a 27 anos, os formados em Ciência da Computação e Engenharia de Computação estão enfrentando algumas das maiores taxas de desemprego, 6,1% e 7,5% respectivamente, segundo um relatório do Federal Reserve Bank de Nova York. Isso é mais do que o dobro da taxa de desemprego entre os recém-formados em biologia e história da arte, que é de apenas 3%.

“Estou muito preocupado,” disse Jeff Forbes, ex-diretor de programa para educação em Ciência da Computação e desenvolvimento da força de trabalho na Fundação Nacional de Ciência. “Estudantes de ciência da computação que se formaram há três ou quatro anos estariam recusando ofertas de empresas de topo – e agora esse mesmo estudante estaria lutando para conseguir um emprego de qualquer um.”

Em resposta a perguntas do The New York Times, mais de 150 estudantes universitários e recém-formados – de escolas estaduais incluindo as universidades de Maryland, Texas e Washington, bem como universidades privadas como Cornell e Stanford – compartilharam suas experiências. Alguns disseram que se candidataram a centenas, e em vários casos, milhares, de empregos de tecnologia em empresas, organizações sem fins lucrativos e agências governamentais.

O processo pode ser árduo, com empresas de tecnologia pedindo aos candidatos para completar avaliações de programação online e, para aqueles que se saírem bem, testes de programação ao vivo e entrevistas. Mas muitos graduados em computação disseram que suas longas buscas por emprego muitas vezes terminaram em intensa decepção ou pior: empresas os ignorando.

Alguns culparam a indústria de tecnologia, dizendo que sentiam que foram “iludidos” sobre suas perspectivas de carreira. Outros descreveram suas experiências de procura de emprego como “sombrias,” “desanimadoras” ou “destruidoras de alma.”

Entre eles estava Zach Taylor, 25 anos, que ingressou em Ciência da Computação na Oregon State University em 2019, em parte porque adorava programar videogames no ensino médio. Na época, os empregos na indústria de tecnologia pareciam abundantes.

Desde que se formou em 2023, no entanto, Taylor disse que se candidatou a 5.762 empregos de tecnologia. Seu esforço resultou em 13 entrevistas de emprego, mas nenhuma oferta de trabalho em tempo integral.

A busca por emprego foi “uma das experiências mais desmoralizantes que já tive que passar,” acrescentou.

A empresa de eletrônicos onde teve um estágio em engenharia de software no ano passado não conseguiu contratá-lo, disse ele. Este ano, ele se candidatou a um emprego no McDonald’s para ajudar a cobrir despesas, mas foi rejeitado “por falta de experiência,” disse ele. Desde então, ele voltou para casa em Sherwood, Oregon, e está recebendo benefícios de seguro-desemprego.

“É difícil encontrar motivação para continuar se candidatando,” disse Taylor, acrescentando que agora está desenvolvendo projetos de software pessoais para mostrar a empregadores em potencial.

Os graduados em computação estão se sentindo particularmente pressionados porque as empresas de tecnologia estão adotando assistentes de programação de IA, reduzindo a necessidade de algumas empresas contratarem engenheiros de software júnior. A tendência é evidente no centro de São Francisco, onde anúncios de outdoor para ferramentas de IA como o CodeRabbit prometem depurar códigos mais rápido e melhor que humanos.

“A parte triste agora, especificamente para recém-formados, é que aquelas posições mais propensas a serem automatizadas são as posições de nível inicial que eles estariam buscando,” disse Matthew Martin, economista sênior dos EUA na consultoria Oxford Economics.

Tracy Camp, diretora executiva da Associação de Pesquisa em Computação, disse que os novos graduados em Ciência da Computação podem ser particularmente atingidos este ano porque muitas universidades só agora começaram a treinar estudantes em ferramentas de programação de IA, as habilidades mais novas procuradas por empresas de tecnologia.

Alguns graduados descreveram se sentir presos em um “círculo vicioso de IA” Muitos candidatos a emprego agora usam ferramentas especializadas de IA como o Simplify para adequar seus currículos a empregos específicos e preencher automaticamente formulários de inscrição, permitindo que se candidatem rapidamente a muitos empregos. Ao mesmo tempo, empresas inundadas de candidatos estão usando sistemas de IA para verificar automaticamente currículos e rejeitar candidatos.

Para tentar se destacar, Audrey Roller, uma recente graduada em Ciência de Dados da Clark University em Worcester, Massachusetts, disse que destacou suas habilidades humanas, como criatividade, em suas candidaturas a empregos, que ela escreve ela mesma, sem a assistência de chatbots. Mas depois que ela se candidatou recentemente a um emprego, disse ela, um e-mail rejeitando seu pedido chegou três minutos depois.

“Algumas empresas estão usando IA para selecionar candidatos e removendo o aspecto humano,” disse Roller, 22 anos. “É difícil manter a motivação quando você sente que um algoritmo determina se você consegue pagar suas contas.”

Recém-formados procurando empregos governamentais em tecnologia também relatam obstáculos aumentados.

Jamie Spoeri, que se formou este ano na Universidade de Georgetown, disse que escolheu computação porque amava a abordagem lógica para resolver problemas. Durante a faculdade, ela também aprendeu sobre os impactos ambientais da IA e se interessou pela política tecnológica.

No último verão, ela fez um estágio na Fundação Nacional de Ciência, onde trabalhou em questões de segurança nacional e tecnologia, como o fornecimento de minerais críticos. Desde então, ela se candidatou a mais de 200 empregos governamentais, da indústria e sem fins lucrativos, disse ela.

Mas os recentes cortes governamentais e congelamentos de contratação tornaram difícil conseguir empregos federais, disse ela, enquanto as ferramentas de codificação de IA tornaram mais difícil conseguir empregos de software de nível inicial em empresas.

“É desmoralizante perder oportunidades por causa da IA,” disse Spoeri, 22 anos, que cresceu em Chicago. “Mas eu acho, se pudermos nos adaptar e enfrentar o desafio, isso também pode abrir novas oportunidades.”

Promotores importantes da educação em computação agora estão se voltando para a IA. O presidente Donald Trump, que em 2017 direcionou financiamento federal para ciência da computação nas escolas, recentemente revelou um plano de ação nacional de IA que inclui canalizar mais estudantes para empregos em IA.

A Microsoft, um grande patrocinador da educação em computação, recentemente disse que forneceria US$ 4 bilhões em tecnologia e financiamento para treinamento em IA. para estudantes e trabalhadores. No mês passado, Brad Smith, presidente da Microsoft, disse que a empresa também estava avaliando como a IA estava mudando a educação em ciência da computação.

Mishra, a graduada da Purdue, não conseguiu o emprego de fazer burritos na Chipotle. Mas seu trabalho paralelo como influenciadora de beleza no TikTok, disse ela, ajudou-a a perceber que estava mais entusiasmada com marketing e vendas de tecnologia do que com engenharia de software.

A realização levou Mishra a candidatar-se diretamente a um cargo de vendas em uma empresa de tecnologia que encontrou online. A empresa ofereceu a ela o emprego de vendas de tecnologia em julho.

Ela começa este mês.

Esse artigo foi publicado originalmente no The New York Times.

Adoção de IA por big techs leva engenheiros recém-formados a procurar trabalho em rede de fast-food – Estadão

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Empresas americanas buscam sobreviver enquanto tarifas de Trump se acumulam

Prorrogação de pausa tarifária com a China não surte efeito em pequenos negócios dos EUA

Daisuke Wakabayashi – Folha/ The New York Times – 21.ago.2025 

Após lutar na Guerra do Vietnã, Richard May retornou aos Estados Unidos e se matriculou em uma escola de negócios, onde uma aula de economia causou um grande impacto nele.

Ele aprendeu sobre a teoria da vantagem comparativa do economista britânico David Ricardo do século XIX, a ideia de que uma nação deve se especializar no que faz melhor e comercializar com outros para todo o resto. Ele iniciou seu próprio negócio em 1990, projetando camas de tratamento médico e portas de garagem nos EUA. Aplicando as ideias de Ricardo, May usou fabricantes na Ásia para transformar seus projetos em produtos.

Este modelo funcionou bem para a empresa de May, MFG Direct USA, durante a maior parte dos 35 anos. Mas este ano, em meio à barragem de tarifas do presidente Donald Trump, ele temia que sua empresa pudesse não sobreviver por mais 60 dias. Para trazer suas portas de garagem da China para os EUA, ele agora tinha que pagar um imposto de 83% ao governo dos EUA, uma compilação de quatro diferentes tarifas existentes e novas.

May, de 78 anos, disse que entrou em “modo de sobrevivência”. Ele demitiu funcionários e cortou despesas drasticamente. Sua equipe trabalhou 12 horas por dia tentando encontrar novos clientes. Ele superou o choque, mas o negócio está enfrentando grandes desafios.

“Estamos por um fio”, disse ele. “Estamos fazendo tudo o possível. Estamos trabalhando mais apenas para manter o negócio”.

Pouco mais de seis meses após a campanha de Trump para reequilibrar o comércio global, algumas pequenas empresas americanas já estão à beira do colapso. Outras optaram por jogar a toalha. Na semana passada, os Estados Unidos e a China concordaram em estender, por mais 90 dias, uma pausa nas tarifas que teriam subido para catastróficos 145%, evitando um cenário — uma interrupção completa do comércio entre as duas maiores economias do mundo.

Mas a pausa não fez nada por muitos proprietários de pequenas empresas americanas que pagam as tarifas que permaneceram em vigor, como uma taxa mínima de 30% para mercadorias da China ou um imposto de importação de 50% sobre produtos feitos de aço e alumínio estrangeiros. A taxa tarifária efetiva média dos EUA subiu para 18,6% no início de agosto, o nível mais alto em mais de 90 anos, de 2,5% quando Trump assumiu o cargo em janeiro, de acordo com o Budget Lab de Yale, um centro de pesquisa.

Muitas empresas estocaram suprimentos e componentes essenciais antes das tarifas entrarem em vigor, mas o efeito total dos impostos de importação está se tornando mais aparente à medida que essas reservas diminuem, dando um golpe final em algumas empresas que já estavam lutando com outros desafios.

Howard Miller, um fabricante familiar de relógios artesanais e móveis para casa com sede em Zeeland, Michigan, disse no mês passado que planejava encerrar as operações no próximo ano após 99 anos de atividade. A empresa, que emprega quase 200 pessoas em fábricas em Michigan e Carolina do Norte, disse em um comunicado que já estava lidando com um mercado imobiliário fraco quando as tarifas atingiram as cadeias de suprimentos e “despertaram temores de recessão”.

“Nosso negócio foi diretamente impactado por tarifas que aumentaram o custo de componentes essenciais indisponíveis domesticamente e levaram fornecedores especializados à falência, tornando insustentável para nós continuarmos nossas operações”, disse Howard J. Miller, CEO da empresa e neto de seu fundador.

Em julho, Jennifer Bergman, de 58 anos, fechou a West Side Kids, uma loja de brinquedos na cidade de Nova York fundada por sua mãe há 44 anos. Ela disse que operar um comércio no setor na era da Amazon já era difícil, mas que as tarifas tornaram impossível continuar. Os preços de tudo, desde seus patinetes mais vendidos até pequenos objetos baratos, aumentaram, e ela passou a maior parte de seus dias lidando com aumentos de preços. Ela também disse que percebeu que as pessoas estavam mais hesitantes em gastar porque temiam o efeito das tarifas na economia.

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Quando Bergman analisou suas finanças em junho, percebeu que teria dificuldades para pagar o aluguel em julho. Ela disse que representantes de vendas de marcas de brinquedos haviam lhe dito que outras lojas também estavam com dificuldades.

“Eles acham que sou a primeira a cair, mas que outros vão seguir”, disse Bergman.

Sari Wiaz, proprietária da Baby Paper, que fabrica brinquedos semelhantes a papel, disse que as tarifas sobre seus produtos importados da China foram “devastadoras”. Seus custos aumentaram 25%, e a incerteza está dificultando o planejamento para o futuro. Wiaz, de 67 anos, observou um forte contraste com o apoio que comunidades e o governo forneceram às pequenas empresas durante a pandemia de Covid-19, um período que também causou o colapso de negócios locais.

Em um grupo de networking para pequenos fabricantes, ela disse que notou que muitos proprietários de negócios, normalmente persistentes, estavam “começando a desistir”.

Holly Eve, de 38 anos, está começando a enfrentar a realidade de que pode ter que fechar sua empresa baseada na Califórnia, Madame Lemy, produtora de desodorante em pó e xampu totalmente naturais. Ela iniciou o negócio há nove anos, depois de lutar para encontrar uma alternativa natural e eficaz aos desodorantes convencionais. No início, ela fazia os produtos em sua cozinha.

O negócio experimentou um rápido crescimento durante a pandemia, quando compradores online correram para seus produtos, esgotando seu estoque. Eve fez um empréstimo para pequenas empresas para expandir, mas sua empresa enfrentou uma desaceleração quando os anúncios online se tornaram mais caros e menos eficazes. Seu otimismo no início deste ano se erodiu rapidamente quando as tarifas atingiram.

Seus fabricantes contratados americanos disseram que teriam que cobrar dela 60% a 200% a mais, dependendo do item, porque eles adquirem os componentes necessários para montar seus produtos do exterior. Além disso, a tarifa sobre a importação de caixas e outras embalagens que ela compra da China também aumentou drasticamente. Ela disse que estava lutando para cobrir os pagamentos de seu empréstimo.

“Isso parece um problema grande demais para resolver”, disse Eve. “Isso arruinou completamente minha saúde mental”.

Ela sentia que tinha tanto de sua identidade ligada à empresa —o negócio a sustentou durante um divórcio doloroso e um acidente de carro devastador— que a perspectiva iminente de seu fracasso era quase demais para lidar.

Ela disse que encontrou conforto no apoio de sua família. Seu pai, Stephen R. Landfield, que votou em Trump, escreveu uma carta à Casa Branca em seu nome explicando que seu negócio não sobreviverá às tarifas.

“Pequenas empresas são a espinha dorsal do nosso país, mas essas tarifas as atingem injustamente. Muitas não terão escolha a não ser fechar suas portas”, escreveu Landfield. “Peço que reconsidere esta política para que empreendedores americanos e proprietários de pequenas empresas como minha filha possam continuar contribuindo para nossa economia sem serem esmagados por custos além de seu controle”.

Empresas americanas buscam sobreviver com tarifas de Trump – 21/08/2025 – Mercado – Folha

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O emprego dos sonhos na área de tecnologia está morto; entenda

É a era do “cale a boca e trabalhe duro”, dizem os profissionais da área de tecnologia, à medida que Apple, Google, a Meta e outras gigantes se transformam em grandes burocracias

Por Kate Conger – Estadão/The New York Times – 10/08/2025

Quando Rachel Grey começou a trabalhar no Google como engenheira de software, em 2007, era um bom momento para ser uma “Noogler”*, ou como a gigante das buscas chamava seus novos funcionários.

Durante uma orientação de duas semanas na sede do Google, em Mountain View, Califórnia, Rachel descobriu uma utopia de benefícios. As lanchonetes da empresa serviam bife e camarão, as cozinhas estavam abastecidas com sucos frescos e as academias ofereciam aulas de ginástica gratuitas. Os funcionários recebiam ações além de seus salários, uma contrapartida de 50% em suas contribuições para a aposentadoria e um bônus de Natal na forma de US$ 1000 dentro de um envelope.

O que também impressionou Rachel durante a orientação foi que o Google revelou quantas máquinas havia em seus data centers. “Vi como as coisas eram transparentes na empresa”, disse ela sobre as informações normalmente mantidas em segredo.

Com o passar dos anos, porém, sua experiência mudou quando ela se tornou gerente de engenharia de software. O bônus de Natal diminuiu. Os funcionários não recebiam mais uma enxurrada de informações corporativas. A empresa abandonou a promessa de que sua inteligência artificial (IA) não seria usada para armas. O orçamento para promoções secou, pressionando Rachel a reduzir as avaliações de desempenho, o que ela disse ser “incrivelmente doloroso”. Em abril, com quase 18 anos de casa, a funcionária de 48 anos deixou o que antes era o emprego dos seus sonhos.

A vida dos funcionários das maiores empresas de tecnologia do Vale do Silício é diferente. Muito diferente.

Já se foram os dias em que Google, Apple, Meta e Netflix eram os destinos dos sonhos dos trabalhadores de tecnologia, oferecendo salários altos, campi corporativos luxuosos e culturas em que se podia dizer e fazer qualquer coisa. Agora, as gigantescas empresas se transformaram em grandes burocracias. Embora muitas delas ainda ofereçam alimentação gratuita e paguem bem, elas têm poucos escrúpulos em cortar empregos, exigir a presença obrigatória no escritório e reprimir o debate entre os funcionários.

É a era do “cale a boca e trabalhe duro”, disseram os trabalhadores.

“A área de tecnologia ainda pode ser a melhor em termos de almoço grátis e salário alto”, disse Rachel, mas “o nível de medo aumentou muito”.

“Acho que é melhor ter almoço e morrer de medo do que não ter almoço e morrer de medo, mas não sei se é bom para você estar lá”, acrescentou ela.

Uma porta-voz do Google disse que muitos funcionários foram promovidos e que a empresa mudou seu sistema de gestão de desempenho para recompensar melhor os funcionários com melhor performance. A empresa introduziu políticas destinadas a incentivar os funcionários a se concentrarem em seu trabalho, mantendo-se fiéis aos objetivos e à cultura do Google, acrescentou ela.

À medida que as empresas de tecnologia se tornaram entidades gigantescas, com forças de trabalho maiores do que muitas cidades — e custos correspondentes —, o escrutínio também aumentou. Meta, Google, Apple e outras foram levadas a fazer mudanças à medida que os trabalhadores e o público questionavam seu poder.

O ponto de inflexão ocorreu em 2022 e 2023, quando Elon Musk comprou o Twitter (agora, X) e demitiu três quartos de seus funcionários, enquanto o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, cortou milhares de empregos durante o que chamou de “um ano de eficiência”. O Google e a Amazon também realizaram demissões em massa. Muitas das empresas culparam a pandemia pelo excesso de contratações durante os lockdowns, à medida que mais pessoas passaram a utilizar serviços digitais.

Ao longo do caminho, as empresas tornaram-se menos tolerantes com a franqueza dos funcionários. Os chefes reafirmaram sua autoridade depois que os trabalhadores protestaram contra questões como o assédio sexual no local de trabalho. Com o mercado de trabalho inundado de engenheiros qualificados, ficou mais fácil substituir aqueles que criticavam.

“Este é um negócio, e não um lugar para agir de forma a perturbar os colegas de trabalho ou fazê-los se sentir inseguros, tentar usar a empresa como uma plataforma pessoal ou brigar por questões perturbadoras ou debater política”, disse Sundar Pichai, CEO do Google, em uma postagem no blog no ano passado.

Alguns diriam que as mudanças simplesmente alinharam os trabalhadores de tecnologia com o resto das empresas americanas, onde os funcionários estão acostumados a cumprir as prioridades corporativas.

Mas a mudança na tecnologia foi agravada pelo surgimento da inteligência artificial generativa, que, segundo os executivos, já tornou alguns empregos redundantes. Em janeiro, Zuckerberg disse acreditar que a IA substituiria alguns engenheiros de nível médio este ano. Musk foi além, prevendo no ano passado que a IA acabaria eliminando todos os empregos.

“A maré definitivamente virou contra os trabalhadores da área de tecnologia”, disse Catherine Bracy, fundadora e diretora executiva da TechEquity, uma organização sem fins lucrativos que promove a inclusão econômica no setor. “As empresas têm ainda mais poder de influência sobre os trabalhadores, e a inteligência artificial está potencializando isso.”

Liz Fong-Jones, diretora de tecnologia da Honeycomb, uma empresa de São Francisco que ajuda engenheiros a encontrar e corrigir problemas em seus códigos, disse que o efeito da IA sobre os empregos foi exagerado. Mas isso pode mudar daqui a cinco anos, alertou ela.

Os trabalhadores da área de tecnologia poderiam impedir que a IA se consolidasse, disse Liz, ex-funcionária do Google, acrescentando: “mas todos nós temos medo o suficiente para concordar em treinar nossos próprios substitutos”.

Para alguns trabalhadores da área de tecnologia, a mudança no local de trabalho foi abrupta. Adam Treitler, 32, estrategista de recursos humanos que trabalhou no escritório do Twitter, em Nova York, antes e depois da aquisição de Musk, disse que as mudanças da empresa sob o novo proprietário foram surpreendentes.

“Do dia anterior a Elon ao dia seguinte a Elon, a empresa mudou da noite para o dia de ‘como podemos melhorar a gestão de RH’ para ‘qual é o menor número de etapas envolvidas e o menor número de pessoas necessárias para pagar nossos funcionários’”, disse Treitler, que ingressou no Twitter em 2021 e saiu em janeiro de 2023. Ele agora trabalha para a empresa de joias Pandora.

O X não respondeu a um pedido de comentário.

Outros disseram que a mudança ocorreu mais lentamente. Ava Sazanami, uma designer de 40 anos, em Seattle, ingressou na Meta em 2022 para criar ferramentas para ajudar os usuários com suas configurações de privacidade. A mãe de dois filhos disse que se sentiu empoderada para ajudar a resolver algumas das preocupações tecnológicas que a incomodavam como mãe.

A Meta também permitiu um horário flexível para que ela pudesse acompanhar seus filhos a consultas, e as políticas favoráveis à comunidade LGBTQ a fizeram se sentir bem-vinda, pois ela tinha familiares gays, disse ela.

Mas, com o tempo, a Meta reduziu seus benefícios familiares, disse Ava. Em janeiro, a empresa encerrou seus programas de diversidade e políticas de mídia social contra discursos de ódio direcionados a pessoas LGBTQ. Um mês depois, ela foi demitida quando a Meta cortou 5% de sua força de trabalho.

“Estamos vendo agora por que a tecnologia precisa de sindicatos”, disse Eva, que está procurando um novo emprego. “A cultura atual tirou o poder dos trabalhadores.”

Um porta-voz da Meta se recusou a comentar. Em uma teleconferência sobre os resultados financeiros em janeiro, Zuckerberg disse: “Operamos melhor como uma empresa mais enxuta”.

Alguns trabalhadores estão deixando grandes empresas de tecnologia para ingressar na área de inteligência artificial. Jason Yuan, 28, começou como designer na sede da Apple em Cupertino, Califórnia, em 2021. Ele disse que foi uma sorte trabalhar para uma empresa que ele admirava por seu design.

No entanto, após o boom da IA com o lançamento do ChatGPT, da OpenAI, em 2022, Yuan disse que ansiava por se envolver. Em 2023, ele deixou a Apple para fundar a New Computer, uma empresa que fabrica um chatbot pessoal. Ele espera trabalhar mais rapidamente e ganhar mais dinheiro, já que a IA provavelmente o substituirá ainda durante sua vida, disse ele.

“Estamos chegando ao fim de nossa vida econômica”, disse ele, acrescentando: “Há uma sensação de que preciso fazer com que tudo o que faço agora valha a pena”.

A Apple se recusou a comentar.

Para Rachel os emocionantes primeiros dias do Google parecem outra vida. O trabalho nem sempre foi fácil, disse ela, mas a cultura da empresa tornou mais fácil seguir em frente. Um dia, ela lembrou, ela e seus colegas de trabalho chegaram e encontraram armas Nerf em suas mesas. Quando houve uma queda de energia, desligando os computadores, eles pegaram suas armas Nerf e começaram uma briga amigável.

“O Google tinha um brilho especial naquela época”, disse ela. “Havia uma alegria institucionalmente aprovada em tudo isso. Eu adorava isso.”

Agora, “o futuro de toda a indústria parece muito instável”, disse Rachel, que está tirando uma folga da área de tecnologia.

*Noogler é o termo usado no Google para se referir aos novos funcionários da empresa. É uma combinação das palavras “new” (novo) e “Googler” (funcionário do Google). Normalmente, os Nooglers recebem um chapéu com um helicóptero no topo e a palavra “Noogler” bordada. Este chapéu é usado durante a primeira reunião “TGIF” (Thank God It’s Friday) da semana. O termo “Noogler” também é usado para descrever o processo de integração dos novos funcionários. 

O termo “Noogler” tem como objetivo criar um senso de inclusão e acolhimento para os novos funcionários, ajudando-os a se sentirem parte da equipe e do ambiente do Google, diz um blog sobre o Google Brasil. O chapéu do Noogler é um símbolo que reforça essa ideia e faz parte da cultura divertida e descontraída do Google. 

Além do chapéu, os novos funcionários recebem um “buddy” (parceiro de integração) para ajudá-los a se ambientar na empresa e na cultura do Google. O “buddy” auxilia o Noogler a entender os processos, tirar dúvidas e se sentir mais confortável no novo ambiente. 

O emprego dos sonhos na área de tecnologia está morto; entenda – Estadão

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“Sem confiança entre humanos, a IA refletirá nossos piores instintos”, diz Yuval Harari a líderes em SP

Filósofo e historiador apela à humanidade e reforça o poder da conexão entre pessoas em um mundo à beira de ser dominado por máquinas.

CAMILA DE LIRA  – Fast Company Brasil – 19-08-2025 

É na confiança entre pessoas, não nos algoritmos, que vive o futuro da humanidade. Para Yuval Noah Harari, a batalha pelo que nos conecta uns com os outros é a verdadeira guerra que irá definir o século 21. Em São Paulo, o historiador e filósofo afirmou que, se líderes e inovadores não conseguirem reconstruir a confiança em um mundo cada vez mais fragmentado, as máquinas herdarão exatamente a lógica de desconfiança, mentira e competição que domina a política e os negócios hoje.

Harari participou do lançamento do São Paulo Beyond Business (SP2B), festival que acontecerá em 2026 no Parque Ibirapuera. Conhecido por best-sellers como Sapiens e Homo Deus, o autor é um dos pensadores globais mais influentes quando o assunto é tecnologia e futuro. No palco, trouxe duas imagens para explicar o momento atual: a IA como inteligência alienígena e como filha da humanidade.

IA: INTELIGÊNCIA ALIENÍGENA

“IA não significa automação. IA significa agência”, afirmou. Para ele, não basta que uma máquina execute uma tarefa sozinha: para ser considerada inteligência artificial, ela precisa ser capaz de aprender, decidir e até inventar ideias novas por conta própria. A invenção, nesse caso, escapa da lógica humana. 

Em fala hipnotizante, Harari disse que erramos ao chamar o “A” da IA de “artificial”, já que sugere que é algo controlado por humanos, o que não é o caso.“Talvez seja mais correto pensar a IA como uma inteligência alienígena. Não porque venha do espaço, mas porque não é humana nem orgânica. Ela opera segundo uma lógica completamente diferente da nossa”, disse.

O exemplo clássico é o AlphaGo, que derrotou o campeão mundial de Go em 2016. A vitória não surpreendeu apenas pelo poder de cálculo, mas porque o algoritmo inventou estratégias inéditas em milhares de anos de história do jogo. Esse é o tipo de raciocínio “alienígena” que, segundo Harari, logo será aplicado a esferas muito mais complexas do que jogos de tabuleiro.

Nas finanças, por exemplo, ele lembrou que a crise de 2008 foi causada por instrumentos como os CDOs, tão intrincados que políticos e reguladores não conseguiam compreender. “Agora imaginem o que acontece quando deixamos que IAs inventem mecanismos financeiros ainda mais complexos, impossíveis de entender para qualquer humano”, provocou. Nesse cenário, a política pode se tornar impotente diante de sistemas que ninguém é capaz de decifrar.

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FILHA DA HUMANIDADE?

Se a metáfora da inteligência alienígena revela o quanto a IA pode nos surpreender com lógicas próprias e incompreensíveis, a segunda imagem usada por Harari aponta para outro dilema: a tecnologia também carrega nossas marcas. Para ele, a IA é o filho comum da humanidade e, como qualquer criança, aprende mais com o exemplo do que com o discurso.

“Se dizemos a uma criança para não mentir, mas ela nos vê mentindo, ela também vai mentir. Se pedimos compaixão, mas perseguimos poder sem limites, ela crescerá sem compaixão. O mesmo acontecerá com a IA”, afirmou.

Harari lembrou que, ao contrário de outras tecnologias, a inteligência artificial não apenas executa ordens, mas observa padrões humanos e os replica. Isso significa que a forma como líderes, governos e empresas se relacionam hoje servirá de modelo para aquilo que as máquinas vão reproduzir no futuro.

E, se o modelo atual de uma sociedade que busca por poder acima de tudo, Harari logo avisa: “seremos escravizados e dominados pela IA em pouco tempo”. “A IA é o filho da humanidade, e somos uma família disfuncional”, ele falou.

CONEXÕES E CONFIANÇA ANTES DA SUPERINTELIGÊNCIA

É nesse ponto que ele coloca as lideranças no centro da discussão. Harari chamou atenção para o paradoxo que atravessa a corrida tecnológica: os executivos e governos que dizem não confiar em seus concorrentes humanos são os mesmos que acreditam poder confiar em superinteligências.

Para ele, essa lógica expõe um erro grave de avaliação. Com os humanos, já acumulamos séculos de experiência sobre os mecanismos de confiança e desconfiança. Sabemos que as pessoas mentem, manipulam e buscam poder — mas também conhecemos as formas de conter esses impulsos e criar sistemas de cooperação em larga escala. Com as inteligências artificiais, não temos esse repertório. “É por isso que precisamos primeiro resolver o problema da confiança entre humanos, e só então desenvolver superinteligências”, disse.

SE A IA É FILHA DA HUMANIDADE, SERÃO AS PRÁTICAS DAS LIDERANÇAS, E NÃO SEUS DISCURSOS, QUE IRÃO MOLDAR O FUTURO DAS MÁQUINAS

O recado direto a líderes e inovadores foi claro: não se trata apenas de acelerar a corrida tecnológica, mas de decidir que tipo de exemplo estamos dando. Se a IA é filha da humanidade, serão as práticas das lideranças, e não seus discursos, que irão moldar o futuro das máquinas.

Na reta final da palestra, Harari reforçou que a corrida pela inteligência artificial não pode ser guiada apenas pela busca de poder. “O poder não traz felicidade. A inteligência não garante sabedoria”, afirmou. Para ele, o verdadeiro desafio das próximas décadas não é criar máquinas mais fortes ou mais rápidas, mas desenvolver a capacidade humana de usá-las de forma coletiva e responsável.

SP2B (O QUASE SXSP)

O alerta ecoa no momento em que São Paulo se prepara para sediar o São Paulo Beyond Business (SP2B), em 2026, no Parque Ibirapuera. O festival era uma tentativa de trazer o South by Southwest para a América Latina e acabou se tornando uma versão própria do evento que abala Austin todo ano. O festival nasceu da tentativa de trazer o SXSW para a América Latina e se transformou em uma versão própria, com DNA brasileiro.

Na Première Edition, que aconteceu neste domingo no Auditório Ibirapuera, nomes como Harari, Hugh Forrest, ex-diretor de programação do SXSW e agora parte da curadoria do evento e Gilberto Gil deram o tom do que vem pela frente. O megaevento de 2026 promete ocupar todo o parque, com mais de 750 painéis, 20 palcos, mil horas de conteúdo e dois mil palestrantes, reunindo temas que vão da tecnologia à gastronomia, da música ao futuro das cidades.

Segundo Rafael Lazarini, fundador do SP2B, a proposta é romper a lógica tradicional das conferências de negócios e colocar o ser humano no centro da conversa. A aposta é transformar São Paulo em uma vitrine global de criatividade, inovação e impacto social.

Ao abrir essa jornada com a fala de Yuval Noah Harari, o festival mostrou o tom que pretende imprimir: mais do que discutir tecnologia, o SP2B quer provocar líderes e inovadores a pensar sobre os valores que vão sustentar o futuro. E, como lembrou o filósofo, nenhum deles é mais urgente do que a confiança.


SOBRE A AUTORA

Camila de Lira é jornalista formada pela ECA-USP, early adopter de tecnologias (e curiosa nata) e especializada em storytelling para negócios.

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Como as novas tecnologias estão beneficiando o cérebro dos idosos

O uso excessivo de dispositivos digitais prejudica os adolescentes, sugerem pesquisas. Mas a tecnologia onipresente pode estar ajudando os mais velhos a permanecerem mentalmente afiados

Por Paula Span – Estadão/The New York Times -16/08/2025

Wanda Woods se matriculou porque seu pai aconselhou que a proficiência em datilografia levaria a empregos. E, de fato, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos a contratou como funcionária de meio período após as aulas, quando ela ainda estava no penúltimo ano da escola.

Sua supervisora “me sentou e me colocou em uma máquina chamada processador de texto”, recordou Wanda, hoje com 67 anos. “Era grande, pesada e usava cartões magnéticos para armazenar informações. Pensei: ‘Acho que gosto disso’.”

Décadas depois, ela ainda gostava. Em 2012 — o primeiro ano em que mais da metade dos americanos com mais de 65 anos usou a internet — ela abriu um negócio de treinamento em informática.

Atualmente, Wanda é instrutora no Senior Planet, em Denver, uma iniciativa apoiada pela AARP para ajudar pessoas mais velhas a aprender e se manter atualizadas com a tecnologia. Ela não tem planos de se aposentar. Manter-se envolvida com tecnologia “também me mantém informada”, conta.

Alguns neurocientistas que pesquisam os efeitos da tecnologia em adultos mais velhos tendem a concordar. A primeira geração de idosos que precisou lidar — nem sempre com entusiasmo — com uma sociedade digital chegou à idade em que a ocorrência de comprometimento cognitivo se torna mais comum.

Diante de décadas de alertas sobre as ameaças da tecnologia para nosso cérebro e bem-estar — às vezes chamadas de “demência digital” —, seria de se esperar que começassem a surgir efeitos negativos.

O oposto parece ser verdade. “Entre a geração pioneira digital, o uso da tecnologia digital no dia a dia tem sido associado à redução do risco de comprometimento cognitivo e demência”, informa Michael Scullin, neurocientista cognitivo da Universidade Baylor.

É quase como ouvir de um nutricionista que bacon faz bem para você.

“Isso inverte a narrativa de que a tecnologia é sempre ruim”, afirma Murali Doraiswamy, diretor do Programa de Distúrbios Neurocognitivos da Universidade Duke, que não participou do estudo. “É algo revigorante e provocador, e levanta uma hipótese que merece mais pesquisas.”

Scullin e Jared Benge, neuropsicólogo da Universidade do Texas em Austin, foram coautores de uma análise recente que investigou os efeitos do uso de tecnologia em pessoas com mais de 50 anos (idade média: 69).

Eles descobriram que aqueles que usavam computadores, smartphones, a internet ou uma combinação deles se saíam melhor em testes cognitivos e tinham taxas mais baixas de comprometimento cognitivo ou diagnósticos de demência do que aqueles que evitavam a tecnologia ou a utilizavam com menos frequência.

“Normalmente, há muita variação entre os estudos”, observa Scullin. Mas, nesta análise de 57 estudos envolvendo mais de 411 mil idosos, publicada na Nature Human Behavior, quase 90% dos estudos constataram que a tecnologia teve um efeito protetor para a cognição.

Grande parte da preocupação sobre tecnologia e cognição surgiu de pesquisas com crianças e adolescentes, que têm o cérebro ainda estão em desenvolvimento.

“Há dados bastante convincentes de que podem surgir dificuldades de atenção, saúde mental ou problemas comportamentais” quando jovens são expostos em excesso a telas e dispositivos digitais, aponta Scullin.

O cérebro dos adultos mais velhos também é maleável, mas menos. E aqueles que começaram a lidar com tecnologia na meia-idade já haviam aprendido “habilidades e capacidades fundamentais”, explica ele.

Anos de experimentos online de treinamento cerebral, que duram algumas semanas ou meses, produziram resultados variados. Frequentemente, eles melhoram a capacidade de realizar a tarefa em questão sem ampliar outras habilidades.

“Tendo a ser bastante cético” quanto ao benefício disso, diz Walter Boot, psicólogo do Centro de Pesquisa em Envelhecimento e Comportamento da Weill Cornell Medicine. “A cognição é algo realmente difícil de mudar.”

A nova análise, no entanto, reflete “o uso da tecnologia no mundo real”, comenta ele, com adultos “tendo de se adaptar a um ambiente tecnológico em rápida mudança” ao longo de várias décadas. Boot considera as conclusões do estudo “plausíveis”.

Análises como essa não conseguem determinar causalidade. A tecnologia melhora a cognição dos mais velhos, ou as pessoas com baixa capacidade cognitiva evitam a tecnologia? A adoção tecnológica é apenas um reflexo de ter dinheiro suficiente para comprar um laptop?

“Ainda não sabemos o que vem primeiro”, declara Doraiswamy.

Mesmo assim, quando Scullin e Benge levaram em conta saúde, escolaridade, situação socioeconômica e outras variáveis demográficas, ainda encontraram capacidade cognitiva significativamente mais alta entre usuários mais velhos de tecnologia digital.

O que pode explicar essa aparente ligação?

“Esses dispositivos representam novos desafios complexos”, cita Scullin. “Se você não desiste deles, se supera a frustração, está se envolvendo nos mesmos desafios que estudos mostram ser benéficos para a cognição.”

Até lidar com atualizações constantes, solucionar problemas e enfrentar sistemas operacionais novos — e às vezes irritantes — pode ser vantajoso. “Ter que reaprender algo é outro desafio mental positivo”, pontua ele.

Além disso, a tecnologia digital pode proteger a saúde cerebral ao promover conexões sociais, conhecidas por ajudar a evitar o declínio cognitivo. Ou seus lembretes e alertas podem compensar parcialmente a perda de memória, como Scullin e Benge verificaram em um estudo com smartphones, enquanto seus aplicativos ajudam a preservar habilidades funcionais como fazer compras e operações bancárias.

Diversos estudos já mostraram que, embora o número de pessoas com demência esteja aumentando à medida que a população envelhece, a proporção de idosos que desenvolvem a condição vem caindo nos Estados Unidos e em vários países europeus.

Pesquisadores atribuíram essa queda a diversos fatores, incluindo a redução do tabagismo, níveis mais altos de escolaridade e melhores tratamentos para a pressão arterial. Possivelmente, especula Doraiswamy, o envolvimento com tecnologia também tenha feito parte desse cenário.

Claro que as tecnologias digitais também apresentam riscos. Fraudes e golpes online têm como alvo os mais velhos e, embora eles relatem menos perdas financeiras do que os mais jovens, os valores que perdem são muito maiores, segundo a Comissão Federal de Comércio. A desinformação traz seus próprios perigos.

E, como para usuários de qualquer idade, mais nem sempre é melhor.

“Se você passa 10 horas por dia fazendo maratonas na Netflix, pode perder conexões sociais”, alerta Doraiswamy. A tecnologia, destaca ele, não pode “substituir outras atividades saudáveis para o cérebro”, como praticar exercícios e manter uma alimentação equilibrada.

Próximas gerações

Uma pergunta em aberto: esse suposto benefício se estenderá às gerações seguintes, nativas digitais mais à vontade com a tecnologia que seus avós muitas vezes penaram para aprender? “A tecnologia não é estática — ela ainda muda”, ressalta Boot. “Então, talvez não seja um efeito único.”

Mas a mudança trazida pela tecnologia “segue um padrão”, acrescenta. “Uma nova tecnologia é introduzida e há uma espécie de pânico.”

Da televisão e videogames até o desenvolvimento mais recente — e talvez mais assustador —, a inteligência artificial, “muito disso é uma reação inicial exagerada”, acredita. “Depois, com o tempo, vemos que não é tão ruim e que pode até ter benefícios.”

Como a maioria das pessoas de sua idade, Wanda cresceu em um mundo analógico, de cheques e mapas de papel. Mas, à medida que mudou de emprego ao longo dos anos 1980 e 1990, passou a usar desktops da IBM e dominou o Lotus 1-2-3 e o Windows 3.1.

Ao longo do caminho, sua vida pessoal também se tornou digital: um computador em casa quando os filhos precisaram para a escola, um celular depois que ela e o marido não conseguiram pedir ajuda para um pneu furado na estrada, um smartwatch para contar seus passos.

Hoje, Wanda paga contas e faz compras online, usa uma agenda digital e troca mensagens em grupo com os familiares. E parece não ter medo da IA, a tecnologia mais transformadora do momento.

No ano passado, ela recorreu a chatbots de IA como o Gemini e o ChatGPT para planejar uma viagem de motorhome à Carolina do Sul. Agora, está usando essas ferramentas para organizar um cruzeiro em família para celebrar seu quinquagésimo aniversário de casamento.

Como as novas tecnologias estão beneficiando o cérebro dos idosos – Estadão

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‘Seus colegas de trabalho serão IAs até o fim deste ano’, diz futurista Neil Redding

Na Rio Innovation Week, o especialista afirmou que a tecnologia não deve ser vista como ferramenta, mas como aliada; veja as cinco coisas que empresas devem fazer para sobreviver

Por Lucas Agrela – Estadão – 15/08/2025

Neil Redding se descreve como um preditor do futuro próximo. Para ele, a inteligência artificial (IA) é como uma nova forma de vida que tem o risco de destruir a fauna do ecossistema vigente (no caso, os humanos), ser um parasita (de atenção, como as redes sociais), ou se fundir a nós num processo de simbiose. “Os executivos não devem olhar para IA apenas como uma ferramenta isolada, mas como cocriadora”, disse o futurista nesta quinta, 14, em sua participação na Rio Innovation Week.

De acordo com o especialista, a simbiose com a IA deve ser alcançada por meio de uma mudança fundamental na mentalidade e na cultura organizacional, reconhecendo a IA não apenas como uma ferramenta, mas como uma “nova espécie” e um participante ativo do negócio. “A IA é mais comparável com a descoberta do fogo. Ela muda a natureza das habilidades humanas e até do que é o humano”, declara.

A complexidade da relação com a tecnologia deve aumentar em pouco tempo, gerando desafios para os líderes de grandes empresas. Diante da ascensão dos agentes de IA, sistemas que usam a IA para concluir tarefas em nome dos usuários, Redding diz que tanto funcionários quanto gestores precisam se preparar para a coexistência deles com trabalhadores humanos.

“Alguns dos seus colegas de trabalho serão IAs até o fim deste ano e você estará delegando a eles. Estaremos orquestrando times compostos tanto por agentes IA quanto por pessoas”, afirma.

Futurista Neil Redding falou sobre relação entre humanos e agentes de IAs nas empresas Foto: Agência Enquadrar/Divulgação/Rio Innovation Week/Douglas Shineidr

Redding ressaltou a importância da IA para a lucratividade das empresas. Dada sua natureza transformadora, ela pode tanto destruir o lucro de um negócio quanto tornar-se a principal fonte de lucro – a depender de como as empresas lidarem com essa tecnologia.

Redding enfatiza que, embora muitas empresas ainda operem como máquinas bem azeitadas construídas para previsibilidade, esse modelo é muito rígido, frágil e lento para se adaptar ao mundo atual.

O futurista listou cinco formas principais de lidar com o avanço da IA no mundo dos negócios para criar companhias resilientes que consigam fazer a simbiose necessária para enfrentar a nova realidade que aponta no horizonte.

Investir em IA de alto impacto e focar em geradores de receita: É crucial que as empresas direcionem seus investimentos em IA para áreas que diretamente impulsionam a receita. Isso significa identificar e prototipar possibilidades práticas que possam trazer valor ao mercado.

Atualizar a infraestrutura e os dados: Para que a IA funcione de forma eficaz e desvende seu potencial, é fundamental ter uma infraestrutura de dados robusta e atualizada. A IA precisa de acesso a “tudo digital, tudo físico sobre o negócio”, segundo Redding, para tomar decisões estratégicas e executar tarefas diárias.

Criar talentos e cultura de IA: A transformação da IA é um processo desafiador que requer o desenvolvimento de habilidades e uma mudança cultural dentro da organização. Os líderes precisam conhecer e entender a IA para liderar um negócio impulsionado por ela. O futurista diz que as empresas que progridem mais rapidamente estão montando equipes multifuncionais para planejar e delegar tarefas incrementalmente a agentes de IA.

Integrar a IA em todas as unidades de negócios: A IA não deve ser vista como uma ferramenta isolada, mas como um participante ativo e cocriadora em todo o ecossistema de negócios. Isso implica incorporar a IA em funções centrais da empresa, desde a orquestração de fluxos de trabalho até a tomada de decisões estratégicas.

Impulsionar a adoção da IA com urgência executiva e implementar governança: Há uma necessidade urgente de que os líderes impulsionem a adoção da IA em todas as operações, reconhecendo que não há mais tempo para ficar à margem dessa tecnologia. 

Além disso, Reeding ressalta ser vital estabelecer governança e controles de risco para a IA, garantindo que ela opere de forma segura e alinhada com os objetivos da empresa.

‘Seus colegas de trabalho serão IAs até o fim deste ano’, diz futurista Neil Redding – Estadão

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Mineração de terras raras: Brasil corre risco de vender o futuro antes da hora

Nós estamos prestes a repetir a história: exportar riqueza e importar dependência; nosso governo não está considerando todos os aspectos

Por Fabio Gallo – Estadão – 15/08/2025 

Muito se tem discutido sobre como o Brasil deve negociar com os EUA em relação ao tarifaço. Como em qualquer negociação, são vários aspectos a serem considerados, sendo o pilar de base a soberania nacional. Embora um acordo equilibrado e sólido deva considerar também fatores políticos, econômicos, jurídicos e geoestratégicos.

Soberania significa garantir que nenhum acordo viole sua Constituição, leis internas ou comprometa o controle sobre recursos estratégicos. Outros aspectos importantes são a autonomia tecnológica, industrial e militar. A dependência excessiva de um parceiro comercial deve ser evitada. Da mesma forma, qualquer acordo deve buscar equilíbrio econômico e alinhamento geopolítico, sem deixar de ser integrado aos padrões ambientais, sociais e de governança.

No entanto, aparentemente o nosso governo não está considerando todos esses aspectos. Vemos isso quando o ministro da Fazenda abre a possibilidade de colocar logo de início os minerais críticos na mesa de negociação. Assim, corre-se sério risco de trocar um trunfo estratégico por concessões imediatistas e de baixo retorno. 

E temos de observar uma assimetria clara inicial nessa questão. EUA, UE e Japão já têm planos estratégicos completos para minerais críticos, com metas de substituição da China, linhas de financiamento, reservas estratégicas e coordenação industrial. 

O Brasil não tem um plano nacional integrado de minerais estratégicos, critérios claros de contrapartidas, avaliação do momento de mercado e do poder de barganha. Nossa posição é frágil e nossa produção comercial, mínima; só temos uma mina relevante (Serra Verde) em produção. Não temos plantas de separação química ou de fabricação de ímãs no – o que nos coloca como “fornecedor de concentrado” e não de produtos com valor agregado. Assim, corremos o risco de vender barato.

Nossa posição é frágil e nossa produção comercial, mínima; só temos uma mina relevante (Serra Verde) em produção. Não temos plantas de separação química ou de fabricação de ímãs – o que nos coloca como “fornecedor de concentrado” e não de produtos com valor agregado. Assim, corremos o risco de vender barato. 

Segundo o Serviço Geológico dos EUA, as reservas conhecidas de elementos de terras raras da China são de aproximadamente 44 milhões de toneladas; o Vietnã tem 22 toneladas; o Brasil, algo como 21 milhões de toneladas, sendo que os EUA têm 1,9 milhão de toneladas. A China domina cerca de 70% da mineração e mais de 90% do refino/processamento global de terras raras e está usando isso como ferramenta de coerção econômica para fins estratégicos.

Recente artigo da The Economist argumenta que essa “arma” tende a sair pela culatra, pois força o Ocidente a diversificar mineração, refino e ímãs, movimento que já está em curso. Isso abre janela estratégica para o Brasil, desde que geremos valor além do minério bruto. Estamos prestes a repetir a história: exportar riqueza e importar dependência – com frete grátis.

Mineração de terras raras: Brasil corre risco de vender o futuro antes da hora – Estadão

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A urgência de olhar para a Matemática no PNE

As evidências nacionais e internacionais não deixam dúvidas que a Matemática é hoje um dos nossos maiores desafios educacionais

Por Beatriz Alqueres e Ernesto Faria – Valor – 15/08/2025 

Em debate na Câmara dos Deputados, o texto do Plano Nacional da Educação (PNE), que estabelece metas e estratégias que devem guiar as políticas educacionais do Brasil até 2034, tem uma ausência preocupante: a falta de menção à aprendizagem de Matemática na Educação Básica. O único registro encontra-se no objetivo 13, relacionado ao Ensino Superior e às carreiras na área das exatas.

Dados os enormes desafios que o Brasil enfrenta na área, com apenas 5% dos estudantes da rede pública concluindo o 3º ano do Ensino Médio com aprendizado adequado na disciplina, esta é uma grave omissão. Afinal, a aprendizagem de Matemática ao longo da Educação Básica não está relacionada apenas ao sucesso escolar, mas à aquisição de habilidades fundamentais para a vida.

Ainda pouco falamos sobre isso, mas a Matemática está presente no dia a dia de todos, na resolução de problemas, tomada de decisões financeiras, participação democrática e combate à desinformação. É base para inúmeras carreiras e porta de entrada para a inovação e tecnologia. Restringir a aprendizagem em Matemática é limitar o indivíduo e suas possibilidades.

Sendo a aprendizagem de Matemática essencial e a nossa dificuldade para garanti-la nas escolas amplamente conhecida, essa deveria ser uma pauta urgente. Os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2023 indicam 43,5% dos estudantes do 5º ano e 16,5% dos estudantes do 9º ano, da rede pública, com aprendizado adequado na disciplina, conforme parâmetro estabelecido pelo Todos pela Educação. As avaliações internacionais corroboram este cenário, apontando uma dificuldade maior em Matemática em comparação às outras disciplinas: pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, na sigla em inglês) 2022, o país tem 10% dos estudantes atingindo pelo menos o nível 3 em Matemática; 19,2% em Ciências; e 24,3% em Leitura. O Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (TIMSS) 2023 indica 21% dos estudantes com aprendizado pelo menos no nível intermediário na disciplina, no 4º ano. Em Ciências, o percentual é de 31%.

Esses resultados também evidenciam profundas desigualdades educacionais nessa área: estudantes de contextos socioeconômicos mais vulneráveis apresentam, em média, um atraso equivalente a dois anos escolares em relação aos colegas de grupos mais favorecidos. No PISA, por exemplo, enquanto um terço dos estudantes de alto nível socioeconômico têm aprendizado adequado na disciplina (na interpretação do Iede, aqueles que alcançam pelo menos o nível 3), entre os de baixo NSE são 3,1%.

As evidências – nacionais e internacionais – não deixam dúvidas que a Matemática é hoje um dos nossos maiores desafios educacionais, com impactos diretos sobre a equidade, a empregabilidade e a capacidade de inovação científica e tecnológica nacional. Aprender Matemática com qualidade é um direito dos estudantes e um importante passo para sua inclusão social, além de ser elemento essencial para o desenvolvimento socioeconômico do país.

Há diversos objetivos do Plano Nacional de Educação que poderiam incluir menções diretas ao ensino de Matemática, de forma a garantir que a disciplina receba a atenção necessária nas políticas educacionais. O Instituto Ayrton Senna e o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) elaboraram um documento com sugestões para a reformulação de algumas metas e estratégias de modo a garantir que o PNE evidencie a importância do ensino de Matemática nos próximos dez anos.

O Objetivo 3, que trata de Alfabetização, por exemplo, poderia mencionar o desenvolvimento das competências matemáticas iniciais, assegurando abordagens integradas entre linguagem e matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Afinal, o desenvolvimento de competências matemáticas nos primeiros anos de escolaridade é determinante para o sucesso escolar das etapas seguintes.

O Objetivo 5, que trata da aprendizagem no Ensino Fundamental e Médio, propõe metas de percentuais de aprendizado adequado gerais para as três etapas avaliadas no Saeb. No entanto, seria importante acompanhar o desempenho dos alunos em cada disciplina, pois elas não apresentam resultados homogêneos e Matemática, em particular, que tem dados muito críticos, poderia se beneficiar muito de um acompanhamento específico de seus dados de aprendizagem.

Também é importante garantir a equidade desse aprendizado, já que os dados do Saeb revelam que, na média, estudantes indígenas, quilombolas e do campo têm menores taxas de aprendizado adequado em Matemática. Uma opção seria abordar entre as estratégias do Objetivo 8, voltado para a inclusão desses estudantes, o desenvolvimento de políticas específicas para o fortalecimento da disciplina entre esses grupos, respeitando, é claro, suas especificidades linguísticas, culturais e territoriais.

É imprescindível, portanto, que o novo Plano Nacional de Educação incorpore metas e estratégias específicas para a aprendizagem Matemática na Educação Básica, com acompanhamento sistemático de resultados, estratégias para a recomposição das aprendizagens e ações estruturantes de formação inicial e continuada de professores.

Também é preciso implementar práticas pedagógicas inovadoras baseadas em evidências, além de construir políticas de equidade, com ênfase no combate às desigualdades de aprendizagem por cor/raça, gênero, território e condição socioeconômica. O Plano segue em debate no Congresso e é essencial que educadores, entidades e sociedade civil se mobilizem para fazer com que a Matemática receba a atenção que merece nesta lei.

O fortalecimento da Matemática na Educação Básica é indispensável para que o Brasil avance na garantia do direito à educação de qualidade, promova a equidade e prepare suas novas gerações para os desafios do século 21. Sem ela, não poderemos, de fato, alcançar o desenvolvimento sustentável e criar mais oportunidades para todos.

Beatriz Alqueres é gerente-executiva de advocacy no Instituto Ayrton Senna.

Ernesto Martins Faria é diretor executivo do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede).

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