Eve, da Embraer, anuncia primeira simulação de mobilidade aérea urbana da América do Norte

Por Isabela Moya – Estadão – 23/08/2022 | 

Helicóptero representando futura aeronave elétrica da Eve transportará passageiros para dois helipontos

A Eve, subsidiária da Embraer, anuncia sua primeira simulação de Mobilidade Aérea Urbana (UAM) na América do Norte, usando um helicóptero fornecido pela Blade Air Mobility, em preparação para a chegada da aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical (eVTOL).

O objetivo da empresa é estudar as operações, serviços terrestres e jornada dos passageiros, bem como as necessidades do operador do eVTOL, criando conexões mais acessíveis e rápidas para o centro de Chicago.

A simulação de UAM será feira em Chicago, Illinois, durante três semanas, começando com testes em solo em 12 de setembro – simulando requisitos de serviços, infraestrutura e equipamentos para o eVTOL -, e voos de passageiros no dia 14.

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Após a simulação, a cidade obterá conhecimento sobre a infraestrutura e o ecossistema necessários para permitir o lançamento e o crescimento de longo prazo esperado para a UAM na região.

“A simulação da operação do eVTOL em Chicago nos permite estudar como as pessoas irão vivenciar este serviço e entender todos os requisitos do ecossistema para nossos produtos e serviços, ao mesmo tempo que apresentamos o benefício da mobilidade aérea urbana em uma das cidades mais importantes e populosas da América do Norte”, explica André Stein, co-CEO da Eve em nota.

“Estamos finalizando os preparativos para executar essas simulações de forma eficiente e sustentável e esperamos ajudar a preparar Chicago para receber uma solução de transporte com emissão zero”, completa.

Para a simulação, a Eve formou um consórcio de parceiros, incluindo a Blade, Republic Airways, Halo Aviation, Vertiport Chicago, Village of Tinley Park, Village of Schaumburg, ACCIONA, SkyWest, Inc. e Speedbird Aero.

Um helicóptero representando o futuro eVTOL da Eve transportará passageiros das instalações da Vertiport Chicago para dois helipontos localizados a noroeste e sudoeste de cidade. A primeira rota irá conectar o vertiporto de Chicago e o heliponto municipal de Schaumburg, e a segunda rota, o vertiporto de Chicago e o heliporto de Tinley Park, em Illinois.

Os voos foram colocados à venda nesta terça-feira, 23, no aplicativo e site da Blade.

https://www.estadao.com.br/economia/embraer-simulacao-voo-npre/

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China supera os Estados Unidos em produção científica

Segundo levantamento feito pelo Japão, os chineses produziram um volume maior de artigos científicos que figuram entre os mais citados do mundo

Por André Sollitto – Veja – 11 ago 2022

Entre 2018 e 2020, a China desbancou os Estados Unidos como líder mundial tanto em volume de pesquisas científicas quanto no impacto que essas pesquisas têm no mundo. De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Política Científica e Tecnológica do Japão, a China foi responsável por 27,2% do Top 1% de pesquisas mais citadas do planeta – uma métrica importante para definir a relevância científica de determinado estudo. Os Estados Unidos publicaram 24,9% das pesquisas mais citadas, e o Reino Unido, em terceiro lugar, publicou 5,5%.

A China também supera os EUA em volume de trabalhos publicados. Foram 407.181 estudos científicos anuais, em média, contra 293.434 artigos norte-americanos.

A China foi responsável por uma alta proporção de pesquisas em ciência dos materiais, química, engenharia e matemática, enquanto os pesquisadores dos EUA foram mais prolíficos em pesquisas em medicina clínica, ciências básicas da vida e física.

“Os artigos que recebem mais citações do que 99% das pesquisas são trabalhos vistos como sendo dignos dos vencedores do prêmio Nobel, a vanguarda da ciência”, afirmou a co-autora da pesquisa, Caroline Wagner, ao jornal inglês The Guardian. “Os EUA tendem a classificar o trabalho da China como de qualidade inferior. Isso parece ter mudado”, completou ela.

O levantamento do Instituto Nacional de Política Científica e Tecnológica japonês foi publicado na terça-feira (9), no dia em que o presidente Joe Biden assinou o Chips and Science Act, uma legislação que destinará US$ 200 bilhões para a pesquisa científica nos próximos 10 anos com o objetivo de tornar o país mais competitivo com a China. Os chineses, no entanto, criticaram a iniciativa, afirmando que ela vai fazer parte de uma “mentalidade contra a soma de conhecimentos digna da Guerra Fria”, nas palavras da embaixada chinesa nos Estados Unidos. 

https://veja.abril.com.br/ciencia/china-supera-os-estados-unidos-em-producao-cientifica/

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Fim das redes sociais fica mais próximo com mudanças no Facebook

Por Bruno Romani e Bruna Arimathea – Estadão 21/08/2022 

O modelo do TikTok, que foca em algoritmos e ignora conexões sociais, está substituindo o formato que consagrou a empresa de Zuckerberg

As redes sociais como conhecemos hoje podem estar perto do fim — ou quase isso. As publicações dos seus amigos continuarão lá e as suas também. Mas o modelo que consagrou o Facebook parece estar em declínio por causa do TikTok. Ou seja, no novo mundo, as plataformas focam mais em conteúdos “bombados” e menos nas suas conexões sociais.

As indicações de mudança estão por todos os lados. “O feed está deixando de ser guiado por pessoas e contas que você segue para ser guiado por conteúdo recomendado por inteligência artificial (IA), mesmo que você não siga os criadores que postaram o conteúdo”, disse Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, para investidores no mês passado.

Antes dele, Blake Chandlee, presidente global de soluções de negócio do TikTok, descreveu como enxergava o seu concorrente. “O Facebook é uma plataforma social. Eles criaram seus algoritmos baseados nas conexões sociais. Somos uma plataforma de entretenimento. A diferença é grande”, disse ele ao canal CNBC.

É uma distância que Zuckerberg pretende encurtar, ficando mais parecido com o rival chinês. Na mesma reunião, o fundador da rede social disse que cerca de 15% do conteúdo no Facebook é sugerido e exibido por meio de IA e não depende de quem você segue — o porcentual é um pouco maior no Instagram. Para o ano que vem, o objetivo do executivo é chegar à marca de 30% nos dois serviços. Isso deve colocar no feed, principalmente, vídeos curtos postados por estranhos, principal pilar do modelo do TikTok.

Parte dessa movimentação já pode ser vista. No ano passado, o Instagram incluiu o Reels (sua ferramenta de vídeos curtos) no feed e passou a fazer recomendações desses conteúdos entre as postagens de parentes e amigos. Neste ano, a insistência nas recomendações de vídeos chegou a causar críticas dos usuários do app.

Adam Mosseri, presidente do Instagram, voltou atrás nas mudanças, mas indicou que não desistiu de aplicá-las. Ao site Platformer, ele disse: “Precisamos dar um grande passo para trás e rearranjar. Quando aprendermos o suficiente, voltamos com alguma nova ideia”.

Seja qual for a nova investida, o componente social parece ter ficado para trás. “A necessidade de redes sociais — e seu significado mais tradicional — é menor do que era há 10 anos. Com os dispositivos que temos, encontramos outras maneiras de nos conectarmos com nossos amigos e isso não exige, necessariamente, uma plataforma dedicada”, diz ao Estadão Matt Navarra, consultor britânico de redes sociais. “Redes para se conectar com amigos e familiares estão perdendo seu valor e o uso da mídia social está em mudança”.

Mudança histórica

É uma mudança de um paradigma que atravessa décadas. A ideia de grupos de pessoas reunidas online em torno de interesses comuns foi descrita pela primeira vez em 1993 pelo acadêmico americano Howard Rheingold, que cunhou a expressão “comunidade virtual”. Em 2003, o Friendster emprestou alguns dos conceitos de Rheingold para inaugurar oficialmente a era das redes sociais.

Nos anos posteriores, veio uma chuva de serviços que apostavam nas conexões entre pessoas conhecidas como mola propulsora do conteúdo online. Os brasileiros, por exemplo, se apaixonaram pelo Orkut em 2004. No mesmo ano, Zuckerberg criou, dentro da Universidade Harvard, o Facebook. A premissa dos serviços era reunir gente dos mesmos círculos sociais e permitir o compartilhamento de interesses.

Foi Zuckerberg, porém, quem melhor entendeu o poder do conteúdo mediado por parentes e amigos. Em 2006, ele lançou o Feed, o que não permitia apenas as pessoas se conectarem, mas também compartilharem posts — três anos depois, o Facebook incluiu o botão Curtir, o que dava uma noção da popularidade daquilo que era publicado. O formato virou padrão e se tornou definição de rede social, o que influenciou serviços como Twitter, Instagram e Snapchat.

O sucesso foi tanto que, na década seguinte, o Facebook se esforçou para preservar o formato. Em 2016, a empresa passou a priorizar a publicação de conhecidos no Feed em detrimento de páginas, inclusive de veículos jornalísticos. Em 2018, houve novo esforço do tipo. Naquela altura, o sucesso justificava o esforço, ainda que existissem problemas graves — documentos do Facebook revelaram que esse tipo de distribuição aumentava discursos inflamados.

Algo estava, porém, prestes a mudar.

A era do algoritmo

Lançado em 2018, o TikTok ignorou a ideia de conexão de conhecidos desde o começo. A empresa, que autodenomina seu app como uma plataforma de entretenimento (e não uma rede social), focou nos criadores de conteúdo e nas ferramentas espertas de edição. O impacto foi imediato.

O YouTube, que se consolidou com vídeos longos, foi obrigado a olhar para produções curtas e lançou o Shorts em 2020. O impacto, porém, foi quase nulo por uma razão simples: o segredo por trás do TikTok estava no seu algoritmo de distribuição e recomendação, que prioriza o entretenimento do usuário acima de tudo.

Para Edney Souza, professor da ESPM, estamos em transição para um momento em que as plataformas estarão muito mais empenhadas em ser uma “TV” eternamente ligada do que um ambiente de pessoas do nosso dia a dia. “Saímos da era das redes sociais e entramos na era das mídias sociais”, diz ele.

“Você não teria essa transformação de rede social em veículo de entretenimento se as pessoas não estivessem na frente do celular como se fosse a tela da televisão”, diz Carlos Affonso Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio).

A transformação significa que saímos da era das conexões para a era dos algoritmos. “Houve uma mudança na maneira como as pessoas usam as mídias sociais nos últimos dois anos, além da mudança nas necessidades e expectativas das pessoas em relação às mídias sociais em geral. As principais plataformas de mídia, agora, precisam se adaptar a essa nova era”, explica Navarra.

Em números, fica clara a necessidade de mudanças de gigantes como o Facebook. Em fevereiro, a plataforma registrou queda de usuários pela primeira vez na história: a rede social perdeu cerca de 500 mil usuários diários globalmente nos últimos três meses do ano passado. No último mês de julho, a companhia registrou a primeira queda de receita desde a fundação: US$ 28,8 bilhões no trimestre encerrado em junho passado, ante US$ 29 bilhões do mesmo período de 2021.

Ainda, de acordo com um ranking americano publicado pela SensorTower, analista de redes sociais, o Facebook já caiu da posição de top-10 apps mais baixados no iOS, da Apple, 97 vezes — apenas em 2022. Em comparação, isso só aconteceu sete vezes no ano passado inteiro.

Nichos

Se os números são a única coisa que importam, as redes sociais parecem mesmo ter chegado ao final. Mas tem gente que enxerga as mudanças sob uma ótica mais otimista. “Acredito que o movimento do Instagram em direção ao TikTok não é sinal de fraqueza das redes, e sim de fortalecimento”, diz Souza.

Ele afirma que os modelos das plataformas não são estáticos e mudanças são parte de uma evolução. “O próprio Instagram começou a desviar o foco da conexão social, quando deu origem à cultura de influenciadores. De repente, as pessoas passaram a seguir desconhecidos”, diz ele.

E para quem sente saudades de ter a conexão social como mediador do conteúdo, ainda existem serviços que fazem isso — o próprio Instagram permite acessar uma aba só com os seus contatos. Isso sem contar serviços como o LinkedIn, focada em conexões sociais profissionais, e o BeReal, rede francesa que permite usuários postarem apenas uma foto por dia para seus amigos.e

“Talvez, a conexão social se torne um recurso de nicho no momento. Mas, quem sabe, isso não volte à moda no futuro?”, diz Souza.

https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/fim-das-redes-sociais-fica-mais-proximo-com-mudancas-no-facebook/?utm_source=estadao:app

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Cooperativas se industrializam e se tornam potências agrícolas

Associações Paraná terminam o primeiro semestre com receitas recordes de R$ 90 bilhões

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP. – Folha –  18.jul.2022 

A fase em que as cooperativas apenas capacitavam o produtor a produzir mais e comercializar seus produtos passou. Cada vez mais ocupando espaço no agronegócio, elas viraram potências agrícolas.

As cooperativas do Paraná, um dos principais estados no cenário agrícola brasileiro, terminaram o primeiro semestre com receitas recordes de R$ 90 bilhões, 25% a mais do que em igual período do ano passado.

O desempenho delas no estado é tão bom que o plano de atingir R$ 200 bilhões de faturamento por ano pode ser conquistado antes do previsto.

Plantação de trigo ainda verde

Plantação de trigo em Sertaneja, no norte do Paraná – Mauro Zafalon-3.jul.2016/Folhapress

A estimativa para este ano é de um faturamento de R$ 180 bilhões. Em um cenário otimista, no entanto, o resultado financeiro do setor poderá atingir R$ 200 bilhões em apenas dois anos. Em um cenário mais conservador, essa meta viria em quatro anos.

O resultado é possível porque o sistema paranaense de cooperativas já possui 120 unidades agroindustriais, e pelo menos metade das receitas é gerada por essas agroindústrias. Boa parte vem ainda das exportações, que somaram US$ 3,6 bilhões de janeiro a junho.

O objetivo agora é identificar a demanda e atuar dentro das necessidades do mercado, afirma José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar, do Paraná.

As cooperativas buscam projetos viáveis e visam uma organização econômica das pessoas. Um produtor com apenas dez alqueires de terra consegue viabilizar atividades relacionadas à produção de grãos, avicultura, suinocultura, leite e peixes, afirma Ricken.

Essa diversidade permite ao produtor reduzir os riscos que eventualmente possam ocorrer em uma de suas atividades, segundo ele.

Para o presidente da Ocepar, a profissionalização no setor permite hoje que uma cooperativa consiga competir com qualquer outra grande empresa do país. Já uma grande empresa tem dificuldades para competir com as cooperativas.

Passou a fase da busca de apenas elevar produtividade, obter um volume maior de produtos e oferecê-los ao mercado, afirma Ricken.

As cooperativas passaram a ocupar mais espaço e buscam mais segmentos, desde que haja demanda. E a grande vantagem disso é que todas essas receitas giram dentro da própria região. Neste ano, a sobra de caixa a ser distribuída aos produtores deverá atingir R$ 8,5 bilhões.

As cooperativas que industrializam seus produtos conseguem uma rentabilidade líquida de até 5%. As demais ficam na margem de 2%.

Ricken, que participou da Digital Agro da Frísia, uma feira que busca inovações para o setor, realizada em Curitiba (PR), diz que a agricultura ainda tem muito por fazer nesse campo. Quem não se atualizar, no entanto, terá dificuldades cada vez maiores.

A não adesão à tecnologia afetará principalmente o produtor isolado. Ele fica refém do mercado, diz o presidente da entidade. “Não basta produzir. Essa produção tem de chegar à mesa do consumidor, o que é mais fácil por meio de cooperativas ou de produtores organizados.”

As cooperativas, que começaram no leite e no trigo, passaram pelo café e chegaram aos grãos e às proteínas, estão buscando novas áreas em regiões de fronteiras.

A Frísia, de Campos Gerais (PR), cooperativa prestes a completar cem anos, optou por uma expansão no Tocantins. “Precisamos crescer mais horizontalmente, para fixar as novas gerações em outras regiões”, diz Renato Greidanus, diretor-presidente da entidade.

Após uma busca iniciada por áreas com logística, solo e clima bons, a cooperativa optou pelo Tocantins. Sair da zona de conforto das terras paranaenses para essas novas áreas é um desafio, afirma Greidanus. Mas, assim como o produtor venceu os desafios encontrados no Paraná nas décadas de 1960 e de 1970, vai se adaptar ainda mais rapidamente a essas novas regiões.

O avanço é tímido neste início, segundo ele, mas as conquistas e o exemplo dos cooperados deverão incentivar novos produtores da região a aderir ao sistema.

Sendo que oportunidades e desafios andam juntos, a Frísia deverá passar da captação de grãos para a industrialização de seus produtos em uma segunda fase, afirma o diretor-presidente.

Entre 2021 e 2026, as cooperativas paranaenses investirão R$ 30,3 bilhões. Neste ano, serão R$ 6,2 bilhões. O setor de armazenagem e de recebimento da safra terá R$ 4,9 bilhões; a indústria de cevada e a suinocultura terão investimentos próximos de R$ 1 bilhão cada uma.

As cooperativas do Paraná, com os novos projetos em andamento, deverão deter 65% da produção de suínos do estado. A participação em aves vai a 50%; a em soja, a 70%; a em milho, a 62%; a em trigo, para 55%.

Além do crescimento individual, as cooperativas buscam alianças entre si. São pelo menos dez áreas com esse potencial. Entre elas, financiamento e capitalização, cooperação nos negócios, mercado internacional e sustentabilidade.

O Sistema Ocepar inclui os setores de agronegócio, infraestrutura, crédito, transporte, consumo, saúde e trabalho.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2022/07/cooperativas-se-industrializam-e-se-tornam-potencias-agricolas.shtml

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Como identificar soft skills nos profissionais, especialmente, na geração Z?

Diego Cidade, fundador da Academia do Universitário, comenta quais habilidades comportamentais devem ser consideradas na hora da escolha de um candidato

Diego Cidade, fundador da Academia do Universitário – Exame –  17/08/2022

Não é de hoje que a área de recursos humanos se tornou totalmente estratégica, sendo os profissionais de recrutamento e seleção, parte  dos primeiros passos do planejamento estratégico, são imprescindíveis para um processo seletivo de sucesso.

Uma das razões é que, de acordo com pesquisa da Deu Match, mais de 55% dos profissionais já empregados continuam buscando por novas oportunidades no mercado de trabalho.

É importante ressaltar dois fatores pelos quais esse fenômeno pode ser justificado: dificuldade das empresas em escolher o candidato certo para a vaga ideal, isso se dá principalmente pela dificuldade da companhia em descrever a descrição da vaga e o desafio em encontrar profissionais que tenham uma alta afinidade com os valores da organização, de forma que possam garantir os resultados esperados.

Esses desafios para profissionais da área de recrutamento se dão pela mudança do cenário de habilidades valorizadas, a automatização de processos devido ao avanço da tecnologia levou a valorização das soft skills, pois é o que traz o diferencial daquela pessoa em realizar os processos.

E afinal, como identificar candidatos de valor no seu processo seletivo?

Além das habilidades técnicas, é preciso entender quais as softs skills e valores que o candidato possui, mesmo não sendo algo mensurável, é possível extrair informações relevantes da pessoa principalmente através de entrevistas mais profundas.

Experiências anteriores, sejam elas pessoais, ou profissionais, como projetos realizados, posições, cargos e responsabilidades que a pessoa já teve ao longo de sua trajetória é possível entender de maneira direta ou indireta tendências de comportamento e perfil.

Imprescindível que a empresa estude o candidato antes de ir para a entrevista, perguntas padronizadas devem existir pois representam muita das vezes a cultura organizacional que a empresa quer identificar, mas perguntas personalizadas mostram a humanização do processo.

Ao lidar com candidatos mais jovens, da chamada geração Z, algumas habilidades devem ter mais atenção pelos recrutadores, sendo elas: o potencial de adaptabilidade, escuta ativa e trabalho em equipe. Pois são skills que os jovens têm mais dificuldade em desenvolver, isso se dá pelo atual cenário que estão envolvidos, principalmente a internet que se torna um espaço de muitas críticas e pouco diálogo. Consequentemente as pessoas ficam reativas, com dificuldade de adaptação, têm resistência em ouvir realmente a opinião do próximo sem retrucar, dificultando o desenvolvimento do trabalho em equipe.

Importante frisar que mesmo que os candidatos tenham dificuldades com algumas habilidades para certa função, também cabe ao recrutador enxergar o potencial de desenvolvimento dessa pessoa. Até porque os membros dessa geração são o futuro da empresa. E se a gente estiver falando de estágio, lembre-se que estágio é para aprender.

https://exame.com/carreira/como-identificar-soft-skills-nos-profissionais-especialmente-na-geracao-z/

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Brasil pode ser líder em energia, diz S&P Global

Diversificação da matriz é vantagem para o país, segundo executivo

Por Gabriela Ruddy — Valor 17/08/2022

Carlos Pascual, vice-presidente da S&P Global: “Matriz de energia brasileira pode ser limpa, sustentável, confiável” — Foto: Leo Pinheiro/Valor

Em um mundo que passa por disrupções e que precisa reduzir as emissões de carbono ao mesmo tempo em que garante a segurança energética da população, o Brasil está bem posicionado para ser um líder no setor de energia, disse ontem Carlos Pascual, vice-presidente sênior de energia global e geopolítica da S&P Global Commodity Insights, umas das principais consultorias do setor no mundo.

Para ele, o momento de volatilidade é “sem precedentes” e envolve todos os aspectos de política, economia, segurança, tecnologia e comércio globais. “Passamos por um choque de commodities que aumentou preços para todo o mundo”, disse.

Em conversa com jornalistas, ele elogiou a diversificação da matriz energética brasileira, com hidrelétricas, biocombustíveis, energia solar e eólica, além de petróleo e gás. “O Brasil é um país com uma abundância de recursos que pode torná-lo um líder no processo de transição energética. A matriz de energia brasileira pode ser limpa, sustentável, confiável e prover uma fundação para um forte desenvolvimento econômico.”

Com longa carreira no serviço diplomático dos EUA, Pascual liderou embaixadas americanas na Ucrânia e no México. A experiência como embaixador lhe permite traçar cenários sobre a conjuntura geopolítica global. Ontem, em apresentação a executivos no Rio, ele disse que é possível que ocorra um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, mas que as sanções europeias à energia russa geraram fortes mudanças que podem colocar em xeque a integração europeia.

Pascual acredita que a guerra na Ucrânia inaugurou um período de “choques” globais, que vão afetar os planos de empresas e países e gerar mudanças políticas, tecnológicas, comerciais e na cadeia de suprimentos: “Mudanças vão acontecer e precisamos entender como atender às necessidades econômicas para que as indústrias e países cresçam ao mesmo tempo em que atendemos às necessidades técnicas para reduzir emissões”, disse.

Nesse cenário, Pascual apontou a necessidade de que países e empresas contem com planos alternativos, que garantam a continuação dos esforços para redução das emissões em diferentes cenários.

Ele disse ser inegável, por exemplo, que o mundo caminha em direção à eletrificação da frota de veículos, mas lembra que isso vai depender da produção de baterias e do suprimento de minerais como cobalto e lítio, o que é um cenário incerto, dado que a produção desses minerais muitas vezes vem de regiões instáveis. “O Brasil, por exemplo, se encontra numa posição em que os biocombustíveis podem ajudar o país a manter um perfil de baixas emissões enquanto constrói uma infraestrutura para os veículos elétricos.”

Pascual disse que o petróleo e o gás ainda vão ser importantes para a economia global ao menos até a próxima década. “O Brasil tem potencial para investir em digitalização e outras tecnologias que reduzam o carbono desse petróleo, de modo que a demanda seja atendida pela produção com o teor de emissões mais baixo possível.”

Sobre o hidrogênio, fonte que vem sendo apontada como alternativa para setores de difícil abatimento de emissões de carbono, Pascual afirmou que será necessário que esse combustível se mostre economicamente competitivo. Para o especialista, o hidrogênio vai ser uma alternativa principalmente em projetos que combinem diferentes usos industriais com a geração de energia e outras demandas. “Pode ser extremamente interessante ver como o hidrogênio pode ser competitivo numa região como o Porto do Açu”, disse.

O porto no norte do Estado do Rio tem um projeto de pesquisa e desenvolvimento em hidrogênio, conduzido pela Shell. “O Brasill tem os recursos, a capacidade técnica e a capacidade industrial que tornam a inovação possível, inclusive em áreas como captura de carbono e hidrogênio”, disse Pascual. Ele afirmou que a Amazônia pode ser fonte de compensação de emissões. “A preservação da floresta e a adoção de práticas de agricultura que reduzam as emissões de carbono podem colocar o Brasil numa posição crítica para a compensação de emissões, num mercado que está sendo criado agora e que pode trazer recursos e investimentos para o país.”

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2022/08/17/brasil-pode-ser-lider-em-energia-diz-especialista.ghtml

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Aeroportos adotam soluções de smart cities

Por Beto Marcelino | Canaltech 22 de Julho de 2022 

Os aeroportos geram receita e desenvolvimento como qualquer outro negócio. Ou cidade. Esses espaços que interligam nações são reconhecidos por atender confortavelmente milhares de pessoas todos os dias. Por que não aproveitar esses espaços e estimular o desenvolvimento de forma inovadora e sustentável?

Essa visão, segundo publicações recentes, vem aproximando os aeroportos do conceito de smart cities, pela similaridade na oferta de serviços e soluções. Há até quem defina o chamado “urbanismo aeroportuário”, abordagem que aplica esses conceitos no impacto gerado nas cidades próximas aos aeroportos, vistos como um destino importante e motor econômico de uma região metropolitana.

Como os aeroportos estão aplicando essas inovações pelo mundo? Nos Estados Unidos, o Aeroporto Internacional de San Diego lançou programas para reduzir o efeito estufa, balanceando as emissões de carbono e compactando os restos de comida destinados a aterros sanitários. Uma das iniciativas se concentrou nos transportes que chegam e saem do aeroporto: novas parcerias e ações de marketing foram desenvolvidas para incentivar a mobilidade de caronas – o que gerou uma redução de 30% nas emissões.

E como os espaços inteligentes podem ajudar? Em conjunto com sensores de internet das coisas (IoT) e inteligência artificial (AI), é possível uma gestão de dados sobre o número de passageiros das chegadas e partidas, planejando melhor os serviços de mobilidade. Isso impacta até a pavimentação e acessibilidade dos terminais, ao identificar o fluxo e os tipos de veículo — táxis, carros de aplicativo, caronas ou veículos privados – facilitando esse planejamento. E melhorando a experiência dos viajantes naqueles espaços.

Já o Aeroporto de Munique, na Alemanha, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), desenvolveu o “Senseable City Lab” a partir do conceito de cidade inteligente. O objetivo é construir um ambiente de trabalho colaborativo para que as empresas e organizações criem produtos e serviços de smart cities, testando-as nas instalações e infraestrutura dos terminais do aeroporto – em uma espécie de sandbox.

Por outro lado, vale lembrar que a tecnologia de reconhecimento facial em vídeo, que a maioria dos aeroportos tem implantado atualmente, deve seguir os protocolos de segurança e proteção de dados de acordo com a legislação de cada país. Assim como a coleta, o armazenamento e a interpretação desse volume de dados diários.

É impossível mencionar o uso de qualquer tipo de captação inteligente de vídeo sem considerar as preocupações com a privacidade. As soluções de hoje têm a capacidade de anonimizar automaticamente as informações coletadas por meio de mascaramento de privacidade, transparência e 3D. Essas garantias fazem com que as informações pessoais permaneçam privadas.

Lounges inteligentes

Os lounges das companhias aéreas e as salas de espera em terminais fazem parte da experiência geral dos passageiros e visitantes de aeroportos. Entre as vantagens do uso da IoT e da AI pelos lounges e saguões estão:

  • Horários de pico: quais horas do dia reúnem o maior tráfego, e em quais dias da semana? Esses dados ajudam a prever o tamanho das equipes e o estoque de suprimentos.
  • Áreas mais frequentadas: onde as pessoas passam mais tempo dentro dos terminais? São dados que podem ser usados ​​para o planejamento dos lounges das companhias.
  • Bagagem de mão: quanta bagagem está fluindo através do saguão? Esse rastreamento ajuda a fazer previsões para possíveis remanejamentos de pessoal.

Em julho de 2021, o Aeroporto de Florianópolis (SC) inaugurou o Laboratório de Inovação Zurich Airport Brasil. O espaço é dedicado à criação de experimentos, aberto a parceiros públicos e privados, localizado no open office da Floripa Airport. É o primeiro do tipo nos aeroportos brasileiros.

As aplicações das soluções de smart cities em aeroportos são vastas e promissoras. Fica o alerta para investimentos e pesquisas nesses espaços, verdadeiros nichos que agregam pessoas e culturas de todo o mundo.

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

https://canaltech.com.br/internet-das-coisas/aeroportos-adotam-solucoes-de-smart-cities/

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Como cidade barrou desmontagem de ponte do século 19 para iate de Jeff Bezos

Estaleiro desiste de pedido na Holanda; embarcação de bilionário custou US$ 500 milhões

David Segal ROTERDÃ | THE NEW YORK TIMES/Folha 16.ago.2022 

A imagem teria sido um fenômeno nas redes sociais: alguns milhares de cidadãos da segunda maior cidade da Holanda ao lado de um rio lançando ovos no novo iate de 127 metros construído para Jeff Bezos, um dos homens mais ricos do mundo.

Quando o barco passasse pela multidão, seria alvo de gemas de um alaranjado forte, além de pelo menos um ponto vermelho muito brilhante. “Eu teria jogado um tomate. Sou basicamente vegano”, diz Stefan Lewis, ex-membro do Conselho da Cidade, perto da Hef, como a ponte Koningshaven é conhecida.

Bezos e o Oceanco, estaleiro que fabricou a escuna de três mastros e US$ 500 milhões (R$ 2,5 bi), geraram revolta com o que soou como um pedido inócuo ao governo local: desmontar brevemente o trecho mediano da Hef, de 70 metros de altura, permitindo que o navio cruzasse o canal e saísse para o mar. O processo teria demorado um dia ou dois e o Oceanco arcaria com os custos.

Ponte Hef em Rotterdam, na Holanda

Pedestres caminham em via próxima à ponte Hef, em Roterdã – Ilvy Njiokiktjien – 20.jul.22/The New York Times

A ponte, de aço escuro na forma de um “H” imenso, não é de fato usada por ninguém. Serviu como passagem ferroviária durante décadas até ser substituída por um túnel e desativada no início dos anos 1990. Está sem uso desde então.

Em suma, a operação teria sido rápida, gratuita e não atrapalharia em nada. Então, por que o alvoroço? “Há um princípio em jogo”, frisa Lewis, 37. “O que você pode comprar se o dinheiro não for um obstáculo? Vai driblar todas as regras? Pode desmontar monumentos?”

No fim de junho, o vice-prefeito da cidade informou que o Oceanco havia voltado atrás e cancelado o pedido, o que foi visto como vitória das massas sobre um bilionário —embora fosse muito mais do que isso. Foi uma oportunidade de ver o antagonismo entre os valores holandeses e americanos.

Quanto mais se sabe sobre a Holanda, com sua preferência pela modéstia em vez da extravagância, pela comunidade em vez do indivíduo, mais parece que essa confusão foi roteirizada por alguém cujo objetivo era enlouquecer a população local.

O primeiro problema foi a riqueza surpreendente de Bezos. “Os holandeses gostam de dizer: ‘Agir normalmente já é loucura’. E achamos que as pessoas ricas não estão agindo normalmente. Não acreditamos que todos possam ser ricos como nos EUA, onde o céu é o limite”, afirma Ellen Verkoelen, membro do Conselho da Cidade e líder do Partido 50Plus.

Ela estava entre os que consideraram o pedido do Oceanco uma concessão razoável a uma empresa de um setor altamente competitivo. Mas viu eleitores enfurecidos e entendeu as origens disso. “Quando eu tinha 11 anos, recebemos um estudante americano de intercâmbio por uma semana. E minha mãe disse a ele que fizesse o próprio sanduíche, como nos EUA. Em vez de colocar uma salsicha no pão, ele pôs cinco. Minha mãe não disse nada, mas comentou comigo: ‘Nunca vamos comer assim nessa casa’.”

Há bilionários na Holanda, e uma enorme diferença salarial entre CEOs e funcionários. A empresa de pesquisa Statista informou que, para cada dólar ganho por um trabalhador médio, CEOs recebem US$ 171 (o valor é de US$ 265 nos EUA, maior disparidade entre todos os países).

A diferença é que os ricos na Holanda não ostentam, assim como os poderosos não mencionam quanto recebem. Holandeses já comandaram um dos maiores impérios do mundo, mas há certo orgulho de que o primeiro-ministro vá de bicicleta visitar o rei e coloque um cadeado na magrela em frente ao palácio.

Há um valor na igualdade que sobreviveu às lutas do país para assimilar os imigrantes e um boom de gentrificação que afasta a classe média e operária das cidades. Isso decorre de um fato geográfico difícil de ser ignorado. Um terço do país está abaixo do nível do mar, e cidadãos há séculos têm pouca escolha a não ser se unir para criar uma infraestrutura de diques e sistemas de drenagem para permanecer vivos.

“Os Países Baixos são baseados na cooperação”, explica Paul van de Laar, professor de história da Universidade Erasmus. Participe. Misture-se. Os ideais locais soam familiares a um país ansioso para pegar leve com um homem com US$ 140 bilhões (R$ 713 bi) e um barco de US$ 500 milhões?

O duelo Roterdã x Bezos chegou às manchetes em fevereiro, quando surgiram notícias de que o Oceanco havia recebido a aprovação para desmontar a Hef —o custo da operação nunca foi divulgado. O parecer veio de um funcionário público que aparentemente não viu problemas, e um alvoroço se seguiu.

“Achei que fosse uma piada”, conta Lewis, que soube da permissão pelo Facebook. “Então, liguei para o gabinete do vice-prefeito e perguntei: ‘Isso é real?’ Levaram um dia para me dar retorno.” Quando a notícia chegou ao público, moradores irados começaram a aparecer com frequência no noticiário da TV local e um grupo foi formado nas redes para organizar a sessão de arremesso de ovos.

O Oceanco, que emprega mais de 300 pessoas, não se pronunciou publicamente sobre a decisão de cancelar o pedido e não respondeu à reportagem. A imprensa local diz que a empresa estava preocupada com ameaças contra os funcionários e com vandalismo.

Não está claro como o iate, conhecido como Y721, será concluído. Em fevereiro, um político local afirmou: era impraticável levar o iate sem mastro para outro local onde pudesse ser terminado.

Para van de Laar, o verdadeiro vilão da história não é o Oceanco ou Bezos, que provavelmente nunca tinha ouvido falar na Hef. É o Conselho da Cidade. “As emoções são importantes. O conselho não entendeu isso, o que é incrivelmente estúpido.”

A questão não era apenas esse bilionário em particular ou esse iate em particular. Era essa ponte em particular. Para quem é de fora, a Hef parece um brutamontes desajeitado que não funciona mais. Não é isso que os locais veem. Quando foi inaugurada, em 1927, foi considerada uma maravilha arquitetônica. “Há poemas sobre a Hef. Quem faz um filme sobre Roterdã inclui a Hef. Ela é mais do que uma ponte”, observa Arij De Boode, coautor de um livro sobre a obra.

Roterdã é uma das poucas cidades europeias em que quase todos os edifícios são novos porque o local foi devastado pelos nazistas na Segunda Guerra. Isso a transformou em uma cidade do futuro —exceto pela Hef. A ponte se tornou o marco mais reconhecível da cidade, vista como símbolo de resiliência e um dos últimos elos com o passado.

Quando se falou, décadas atrás, em derrubá-la, os moradores protestaram. Foi declarada monumento nacional em 2000 e passou por uma restauração. Hoje, é prova do fim da função sobre a forma, um monólito que não pode ser alterado nem temporariamente —não importa quem peça, não importa o preço.

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Alta tecnologia, baixa produtividade

É fundamental investir em capital humano, gestão, C&T e inovação. Apenas importar tecnologias não nos leva longe

Por Jorge Arbache* – Valor – 11/08/2022

Como explicar a persistente pobreza e atraso econômico da América Latina e Caribe? As explicações são, obviamente, muitas, mas muitos analistas destacariam falta de reformas econômicas. Mas, quando olhamos mais de perto, vemos que a região tem experimentado sucessivas reformas desde ao menos os anos 1990. De fato, a região promoveu abertura econômica e meteu-se em acordos comerciais e de investimentos, flexibilizou leis de distintas áreas da economia, adotou novas políticas monetárias e fiscais, dentre outras tantas medidas. Mas por que então a pobreza segue elevada e o crescimento econômico tem sido frustrante?

Para ajudar a desvendar a questão, considere uma importante variável: a produtividade. A produtividade da região representava 40% da americana em 1980, mas, hoje, corresponde a apenas 26%. Algo similar se passa na comparação com países da Europa. Definitivamente, algo não vai bem nessa variável tão crítica. As explicações da baixa produtividade são várias, mas tomemos uma em particular. Evidências empíricas sugerem que defasagem no uso e aplicação de tecnologias de ponta e baixo aproveitamento daquele uso ajudariam a explicar parcela importante do diferencial de produtividade entre países.

É vital investir em capital humano, gestão, C&T e inovação. Apenas importar tecnologias não nos leva longe

A modo de exemplo, pense num caso bastante simples e familiar: o telefone celular. Para além de comunicação convencional e participação em redes sociais, o celular democratizou o acesso a um gigantesco rol de informações e bases de dados, aplicativos sofisticados para fins profissionais e de acesso a mercado, aplicativos acadêmicos, de conhecimento, aprendizagem e formação dentre outros tantos serviços com impacto potencial na produtividade.

Mas, apesar disso, e apesar de tantas pessoas da região terem um celular – em 2020 havia 102 linhas de celular habilitadas para cada 100 pessoas, evidências mostram que o uso e o aproveitamento daquela tecnologia para fins profissionais eram bastante discrepantes entre pessoas da região e de países avançados. Algo similar se observa no uso de computadores, robôs, equipamentos de transporte, de construção civil e outras tecnologias. Como desvendar esse enigma de alta tecnologia com baixa produtividade?

A explicação mais potente está associada à deficiências em capital humano, desde baixa escolaridade a indicadores relevantes para a adoção e uso de tecnologias, como desenvolvimento cognitivo, habilidades específicas em áreas tecnológicas, disponibilidade de engenheiros e cientistas e disponibilidade de universidades e centros de pesquisa. Evidências mostram que o enorme atraso da região naqueles indicadores tem implicações como resistência à adoção e uso de novas tecnologias e métodos de trabalho, inabilidade na gestão de novas tecnologias, baixa qualidade dos produtos e serviços, pouca pontualidade com clientes, bem como desenvolvimento insignificante de novas tecnologias, mesmo em áreas em que países da região já têm presença produtiva relevante, como mineração e agricultura.

De fato, a história é profícua em mostrar como pouco e mal aproveitado uso de tecnologias pode ser punitivo. Tomemos o caso do Chile ao final do século XIX e início do século XX. Na virada do século, o país respondia por cerca de 40% do mercado mundial de cobre, mas, por volta de 1911, aquela participação havia caído para menos de 4% em razão de práticas primitivas de produção e pouco conhecimento de geologia e métodos avançados de processamento, o que levaria o país a experimentar queda significativa da produção.

Apenas com a aquisição das minas chilenas por empresas estrangeiras que manejavam tecnologias avançadas é que o país voltaria a ter protagonismo no setor. Caso similar experimentou o México no mesmo período. Como contraponto, o dsenvolvimento da indústria mineira americana no século XIX foi acompanhado por pesados investimentos em capital humano e em desenvolvimento científico e tecnológico, o que daria vazão a uma ampla gama de atividades derivadas diversificadas e sofisticadas e a uma crescente liderança em vários setores manufatureiros da correspondente cadeia de valor. A questão, portanto, é sobre o como e não somente sobre o que se produz.

Experiências do Brasil são reveladoras. Até por volta dos anos 1990, o país era importador líquido de alimentos, mas grandes investimentos em conhecimento, ciência e tecnologia, formação e extensionismo iniciados nos anos 1970 levariam o país a incorporar, adaptar e desenvolver tecnologias e aumentar a produtividade a ponto de se tornar um dos maiores exportadores agrícolas do mundo.

Uma outra experiência foram os pesados investimentos iniciados também décadas atrás na formação de engenheiros, técnicos e cientistas da área de petróleo, o que levaria o país não apenas a incorporar, mas também a desenvolver tecnologias em áreas avançadas como produção em águas super-profundas e pré- e pós-sal e se tornaria um dos maiores produtores mundiais de petróleo.

Uma terceira experiência é o setor aeroespacial. Uma decisiva política de formação de engenheiros e técnicos também iniciada décadas atrás levaria o país a inicialmente incorporar e logo a desenvolver tecnologias que o levaria a assumir posição relevante na indústria global de aeronaves e outras tecnologias avançadas.

Embora experiências como essas sejam bastante importantes, elas também revelam a necessidade de aterrizar a agenda de capital humano em favor de toda a economia e não de forma localizada, de tal forma a promover o aumento amplo e generalizado da produtividade, que é a receita mais perene para se romper com o atraso econômico e social.

Para que a região possa realizar todo o seu inigualável potencial de negócios em mudanças climáticas, bioeconomia, agricultura e mineração sustentáveis, segmentos industriais e outros tantos setores e desenvolver soluções adequadas ao contexto local, será fundamental investir em capital humano, gestão, ciência, tecnologia e inovação. Afinal, já aprendemos que a simples importação de tecnologias não nos leva longe. Somente assim será possível crescer a taxas mais elevadas, gerar empregos de qualidade e promover qualidade de vida digna para toda a população.

*É vice-presidente de Setor Privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e professor de economia da Universidade de Brasília (licenciado).

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/alta-tecnologia-baixa-produtividade.ghtml

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Dia dos Pais: 4 lições de empreendedorismo de pais para filhos

Confira lições passadas de pai para filho que ajudaram na criação de diferentes negócios

Da Redação – Exame – 14/08/2022

Trabalhar em família funciona? Para muitos, a resposta é sim. Compartilhar conhecimento e unir as experiências de vida podem ser soluções para uma parceria de sucesso nos negócios e na vida familiar, aumentando o contato e a proximidade dos pais com os filhos.

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Por conta deste domingo ser o Dia dos Pais, a EXAME reuniu histórias de empreendedores que ao verem seus pais tocando pequenos negócios, liderando equipes e desenvolvendo bons relacionamentos, tiraram grandes lições para montar a própria empresa. Ainda que, por vezes, em ramos diferentes de seus pais, os aprendizados são para toda a vida e seguem fazendo a diferença no dia a dia.

A seguir, confira quatro lições passadas de pai para filho que ajudaram na criação de diferentes negócios:

1. Ser resiliente e otimista, mesmo nas fases ruins

Rafael Chrustiansen, sócio fundador da B.Side Investimentos, cresceu ao lado da concessionária do pai, no interior de São Paulo. A constante exposição ao negócio o levou a desenvolver uma relação próxima com o comércio de veículos, aprendendo pouco a pouco sobre ele. Logo, quando seu pai precisou pedir recuperação judicial, o agente começou a negociar carros por ser a única experiência que achava que tinha acumulado até aquele momento.

“Meu pai sempre teve essa veia empreendedora; tudo o que conquistou foi ele que fez com o suor do próprio trabalho”, contou Rafael.

“Ele sempre foi um cara que tomou muito risco, no sentido de acreditar no Brasil, e sempre criou um ambiente muito colaborativo. Acima de tudo, ele sempre foi um cara muito otimista e resiliente, porque, mesmo depois que quebrou, conseguiu se reerguer em outro segmento. Resiliência, não desistir nunca e otimismo: essas características tem tudo a ver com a B.Side Investimentos e com o meu jeito de ser. Ele com certeza é meu grande exemplo na vida.”

2. Ser ético com a mão na massa

Segundo Rodrigo Martins, co-CEO da Voxus, seu tio Erni Reinheimer é uma grande referência em sua vida. Apesar das dificuldades que encontrou por vir de família simples, Erni se mudou do Rio Grande do Sul para São Paulo para trabalhar e logo teve sucesso ao empreender com uma oficina mecânica. Mesmo se tratando de um negócio simples, seu patrimônio foi construído, o que o permitiu ajudar outras pessoas.

“Eu tive uma excelente relação com ele, que sempre ensinou muito sobre a ética no trabalho”, disse Rodrigo.

O mesmo comenta ter passado diversas férias escolares na casa do tio, ajudando também no trabalho da oficina. De acordo com o empreendedor, a experiência se tornou aprendizado; sua visão sobre empreendedorismo se transformou, passando a ver a prática como algo libertador e não apenas uma forma de construir um patrimônio.

“Para mim, meu tio foi uma referência de trabalho duro, disciplina e consistência. Por conta dele, vou levar para sempre na minha carreira valores como ética e dedicação para o trabalho.”, finalizou.

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3. Negócios são feitos por pessoas, não por números

O modelo de negócios da empresa de representação comercial do pai de Nicholas Ghitti, CMO da Trace Finance, era primordialmente baseado no relacionamento com clientes e fornecedores. Por conta disso, seu pai se não falhava em valorizar tais relações, algo que Nicholas considera a principal lição que aprendeu com seu pai ao longo dos anos.

“E eu percebi quanto carinho e atenção ele colocava nessas interações – sempre entendendo que existe um ser humano do outro lado.”, comentou.

“Afinal, os negócios são feitos por pessoas, não números. Essa capacidade de se relacionar, que envolve muita empatia, se colocar no lugar do cliente, ajudou a criar conexões e, portanto, trouxe muito sucesso nos seus processos de vendas. Essa sabedoria me inspirou muito a navegar pelo mundo de fechamento de negócios e parcerias com o qual lido atualmente.”

4. Conhecimento é algo que ninguém nunca vai me tirar

Durante a infância, Flávio, pai de Tomás Jacociunas, co-fundador da 4U EdTech, foi muito presente na parte educacional do filho, sentando para estudarem juntos e não medindo esforços para o proporcionar as melhores oportunidades. Sua importância na trajetória de Tomás foi tanta, que o mesmo trabalha atualmente na área de educação, aplicando diversos aprendizados em seu método de trabalho.

“Ele sempre foi um cara muito hardworking, pragmático, focado, eficiente. Ele é um superlíder.”, contou. “Me ensinou que conhecimento é algo que ninguém tira de ninguém. […] Ele também me transmitiu outros valores, como zelar pela família, comportamento ético, estabilidade emocional, persistência e constância em tudo o que se faz.”

https://exame.com/negocios/dia-dos-pais-4-licoes-de-empreendedorismo-de-pais-para-filhos/

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