A indústria de jogos está bombando


por Evandro Milet

Há um segmento que está passando pela crise econômica gerada pelo novo coronavirus sem prejuízos: a indústria de games. Os gastos feitos por consumidores do mundo todo com jogos digitais em março deste ano atingiram a cifra de US$ 10 bilhões, o maior total mensal de todos os tempos e um reflexo direto do isolamento social em prática em boa parte do mundo.

Espera-se que os jogos gerem mais de US$ 160 bilhões em receita em 2020, o que seria mais do que o dobro do registrado mundialmente pela indústria musical (cerca de US$ 19 bilhões) e pelas bilheterias mundiais (cerca de US$ 43 bilhões) juntas.

Para dominar o entretenimento digital, a Amazon está investindo centenas de milhões de dólares para se tornar um dos principais criadores e distribuidores de games do mundo. A gigante de Jeff Bezos anunciou para 20/5 seu primeiro jogo de grande orçamento. Um ambicioso game de ficção científica, Crucible é a ponta de lança de uma aposta grande da varejista para ser uma potência em mais um segmento. 

A empresa também está desenvolvendo uma plataforma de jogos em nuvem completa, com o codinome Project Tempo. E trabalha em novos jogos que são transmitidos em seu popular serviço de streaming Twitch, no qual jogadores podem jogar com telespectadores em tempo real. Esse serviço teve aumento de 50% de março para abril. O esforço é o investimento mais significativo da Amazon em entretenimento original desde que se tornou o maior produtor de séries e filmes de streaming. A Amazon também está mirando rivais estratégicos como o Google e a Microsoft, que expandiram suas áreas de games nos últimos anos. O serviço Game Pass da Microsoft(o Netflix dos games) registrou 10 milhões de usuários em março.

Games são produtos que nascem de forma internacional. Jogar não requer idioma. Além disso, o game que você comprou pode até ter sido lançado por uma empresa norte-americana, mas ele certamente passou pelas mãos de desenvolvedores, animadores, criadores e demais profissionais de qualquer lugar do mundo. 

Há vários tipos de jogos: entretenimento, educacionais, empresariais ou de propaganda. 

No Brasil, essa indústria é composta em sua imensa maioria por pequenas e médias empresas. Das 375 empresas do ramo no País, cerca de 96,8% têm faturamento abaixo de R$ 3,6 milhões, segundo o II Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais realizado pela Associação Brasileira de Games (Abragames), em 2018.

Como exemplo, hoje 18/5, às 22h estréia a série “Lincoln Rhyme – The Hunt for the Bone Collector”, no canal a cabo AXN. E a MITO GAMES, startup incubada na TecVitória, criou uma experiência interativa, um game do tipo propaganda, para divulgar essa nova série. 

O trabalho remoto é uma realidade do setor. A produção de um game não precisa ser interrompida se é tudo virtual, diferentemente de um filme e pode ser desenvolvido em casa. Já existem empresas que trabalham 100% remotas. Muitas usam desenvolvedores brasileiros diretamente conectados com empresas fora do Brasil. Em Vitória, Luis Gualandi, um jovem universitário, já desenvolveu, em casa, jogos para plataformas internacionais com mais de milhão de usuários.

Nesse momento, o mundo demanda produtos de entretenimento. Quem tem projeto para ser lançado agora vai ter uma vantagem comercial absurda, pois as plataformas de publicação estão batendo recorde de usuários jogando e de vendas. O mundo quer mais conteúdo por conta do isolamento social. E mesmo que a demanda caia depois da pandemia, muitos novos jogadores foram incorporados a essa mania.

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