Crônica confinada: ih!-commerce e outros perrengues


Por Evandro Milet

Quando vamos novamente comer uma fatia de bolo de aniversário depois de alguém ter soprado a velinha? Por falar em aniversário, uma ampla pesquisa do Google sobre mudanças no comportamento do público desde março, quando o vírus passou a assustar os brasileiros, entrega que “pizza” e “brigadeiro” estiveram entre as palavras mais buscadas por internautas. Não se sabe como vamos sair dessa pandemia, se mais solidários ou não, mas certamente muitos com alguns quilos a mais. Quando formos liberados vai haver corrida para academias. Mas como correr na esteira se as gotas de suor do vizinho de exercício se espalham longe, agora que entendemos tudo de coronavírus? E como tem especialistas em coronavírus na internet. Tem sempre um médico não-sei-de-onde para dizer que tudo está errado em um vídeo que recebemos dezenas de vezes de todos os lados. Se falar de cloroquina então, fica a dúvida se o remédio é de direita ou de esquerda em debates raivosos, com argumentos onde a ciência passa longe. E coitada da ciência – e da razão -, o iluminismo ainda não chegou na internet. O ambiente está perfeito, até peste tem, e mais terra plana, negação de vacinas, mistura de Estado com igreja, execução sumária de bandidos e elogio à torturadores. Tentei mostrar a extrapolação de uma curva exponencial de contaminados e disseram que era adivinhação. Se não é a idade média de volta pode ser a idade mídia que nos afoga de informação. Alguém já disse que se informar pela internet é como beber água em um hidrante. Mas água é problema. A pandemia encontrou 35 milhões de brasileiros sem água encanada enquanto a principal arma contra o vírus é lavar as mãos. Saneamento em geral é problema. Pelo menos há uma cultura de higienização sendo espalhada. Material de limpeza é item dos mais vendidos nos supermercados que, por sua vez se enrolam com o delivery. Na internet um cliente reclamava que na ida presencial ao supermercado foi avisado que o ítem desejado só era vendido no delivery. Dali mesmo ligou o telefone e conseguiu levar o produto. Deve ser o ih!-commerce, vários dias para entregar e muita coisa errada. A internet porém é a salvação para dias de confinamento. Os artistas já não podem fazer shows ao vivo, descobriram as lives. Recordes de audiência revelaram uma preferência nacional: das dez maiores lives da história do YouTube, todas realizadas desde abril deste ano, sete são brasileiras. O ranking é liderado por sertanejos: Marília Mendonça, com 3,3 milhões de acessos em 8 de abril, é seguida de Jorge & Mateus, com 3,2 milhões quatro dias antes. A taça da live é nossa. Alguns fatores explicam o fenômeno das lives: o consumo de música local no país é um dos maiores do planeta, 70% do mercado. Brasileiro ouve música brasileira. Confinamento patriótico.

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