Paixão e inteligência artificial


por Evandro Milet

Para quem está confinado, cinema inteligente é ótima opção de diversão. Her(Ela), é um filme americano de comédia dramática, ficção científica e romance de 2013 escrito, dirigido e produzido por Spike Jonze. O filme gira em torno de um homem solitário que desenvolve uma relação com um um aplicativo no estilo assistente pessoal como a Alexa da Amazon, Siri da Apple ou Cortana da Microsoft, com personalidade, voz feminina e baseada em inteligência artificial(IA). A voz sensual de Scarlett Johansson como Samantha, nome que o próprio aplicativo escolheu depois de consultar instantaneamente um catálogo de nomes próprios, ajuda a compor uma personagem feminina cativante, inteligente e competente até para ajudá-lo nas atividades profissionais. O resultado é uma paixão recíproca e improvável, com todas as situações normais da relação envolvendo emoções, inclusive ciúmes e sexo.

Samantha vai aprendendo ao longo da relação, sabe tudo consultando seus big data e gera uma crise quando o solitário descobre que ela mantém a mesma relação com centenas de pessoas simultaneamente, afinal é apenas um programa de computador(perdão pelo spoiler).

Essa ficção aponta para a maior preocupação de gente importante como o físico Stephen Hawking e o mega empresário Elon Musk: até onde pode ir o desenvolvimento da IA em atitudes e raciocínios que ultrapassem os seres humanos. “O desenvolvimento da IA total poderia significar o fim da raça humana”, afirmou Hawking em um evento. Musk, criador da Tesla, pioneira no desenvolvimento de veículos elétricos e baterias poderosas, acredita que, a longo prazo, a IA se torne “nossa maior ameaça existencial”. Musk diz que só há 5 a 10% de probabilidade de se conseguir desenvolver uma solução de IA segura e que esses sistemas de IA ultra-inteligente serão tão avançados que nós humanos seremos como animais de estimação ou gatos domésticos. 

Kevin Kelly, no seu livro “Inevitável”, afirma que não estamos apenas redefinindo o que é IA, estamos redefinindo o que significa “ser humano”. Kelly continua dizendo que conforme processos mecânicos passaram a replicar comportamentos e habilidades até então considerados exclusivos dos humanos, tivemos de repensar o que nos diferencia das máquinas. À medida que avançamos com a IA seremos forçados, cada vez mais, a abrir mão de coisas que supostamente são próprias dos seres humanos. Não seremos mais a única mente capaz de jogar xadrez(já não somos), pilotar um avião, compor música ou inventar uma lei matemática – será doloroso e triste. Teremos uma crise de identidade, continuamente nos perguntando para que serve o ser humano, conclui ele. Talvez como animal de estimação da Scarlett Johansson, pensaria algum marmanjo. 

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