Por que 40% dos casos de infarto ocorrem em pessoas com baixo risco de problemas cardiovasculares

  • Vida urbana impõe riscos como sedentarismo, alimentação inadequada e estresse emocional, mostram estudos
  • Nove fatores explicam 90% dos casos: tabagismo, pressão alta, dislipidemia, obesidade abdominal, diabetes, alimentação, sedentarismo, consumo de álcool, estresse e depressão

Álvaro Avezum – Folha – 25.jan.2026

Professor livre-docente de CardioPneumologia da USP e diretor do Centro Internacional de Pesquisa, Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Recentemente, uma informação muito provocativa e preocupante foi revelada por um grande estudo internacional conhecido pela sigla PURE (Prospective Urban Rural Epidemiology): quatro em cada dez infartos ocorrem em pessoas que têm baixo risco de sofrer um evento cardiovascular, de acordo com os modelos tradicionais de avaliação utilizados na prática clínica.

Trata-se de indivíduos que, em geral, não estão no centro das estratégias preventivas, não recebem acompanhamento intensivo e não são considerados prioridade pelas políticas de saúde.

O dado aponta uma lacuna importante: em termos práticos, isso significa que 40% dos infartos acontecem fora do radar de médicos e pesquisadores, o que reforça a necessidade de revisar a avaliação do risco cardiovascular e evidencia os limites das ferramentas atuais.

O estudo PURE é uma coorte prospectiva internacional com cerca de 200 mil pessoas em 21 países, incluindo o Brasil, distribuídas em cinco continentes.

O termo coorte define um tipo de estudo que monitora o mesmo grupo de pessoas, ao longo do tempo, para observar como diferentes fatores se relacionam com o adoecimento e a mortalidade. Seu objetivo é investigar os determinantes do adoecimento e da mortalidade, especialmente por doenças cardiovasculares, comparando realidades urbanas e rurais e diferentes níveis de renda ao redor do mundo.

Para compartilhar com a população o conjunto de informações científicas reveladas por esse estudo, optamos por reuni-las no formato de “lições” construídas a partir do PURE e de estudos que o complementam, como o InterHeart e o InterStroke, desenvolvidos pelo mesmo Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

A sociedade molda o adoecimento

Os diversos estudos mencionados analisaram os fatores associados ao infarto e ao acidente vascular cerebral em diferentes regiões do mundo. A ideia central desse conjunto de evidências é simples e ambiciosa: viver mais e melhor, buscando a chamada LongeVitalidade com base em ciência, e não em promessas. As lições que se seguem ajudam a compreender por que adoecemos e o que pode ser feito a respeito. Entre elas, que o adoecimento cardiovascular acompanha a forma como a sociedade se organiza.

O modelo da transição epidemiológica mostra que, quando saneamento básico e cobertura vacinal melhoram, as doenças infecciosas diminuem, mas a vida urbana passa a impor novos riscos. O sedentarismo aumenta, a alimentação se torna mais calórica e o estresse emocional se intensifica. Com isso surgem obesidade, hipertensão, colesterol alterado e diabetes. Mais adiante, aparecem infarto, AVC e câncer. O adoecimento, portanto, não é apenas individual: ele reflete escolhas coletivas de organização da vida em sociedade.

Outra lição importante vem do estudo InterHeart, que mostrou que nove fatores explicam 90% do risco de infarto: tabagismo, pressão alta, dislipidemia [alteração de níveis de gorduras —lipídios— no sangue], obesidade abdominal, diabetes, alimentação não saudável, sedentarismo, consumo de álcool, estresse e depressão.

No Brasil, ganham destaque a dislipidemia, a obesidade abdominal, o tabagismo, a hipertensão e o estresse emocional. Esses dados ajudam a entender por que o infarto raramente é imprevisível e por que modelos baseados apenas na soma desses fatores podem deixar escapar pessoas com baixo risco cardiovascular que acabam sofrendo um evento.

O estudo InterStroke acrescenta outra peça ao encontrar um padrão semelhante para o AVC. Dez fatores explicam 90% dos casos, tanto por isquemia quanto por sangramento, incluindo fatores comportamentais e metabólicos associados ao infarto do miocárdio, além de condições cardíacas como a fibrilação atrial. Assim como no infarto, a maior parte dos AVCs poderia ser evitada, reforçando a força da prevenção populacional.

A relação entre acesso e sobrevivência

O estudo PURE ampliou o debate sobre a relação entre acesso e sobrevivência ao introduzir o chamado paradoxo do risco cardiovascular. Países com maior renda apresentam risco cardiovascular mais elevado, mas registram menos eventos cardíacos graves e menos mortes. Nas regiões de menor renda, ocorrem mais infartos, mais AVCs e maior mortalidade. A diferença mais provável está no acesso a diagnóstico, tratamento contínuo, medicamentos e serviços de saúde.

Onde há estrutura, há mais sobrevivência. Onde ela falta, os eventos se tornam mais fatais, inclusive entre pessoas que, em teoria, não seriam classificadas como de alto risco.

A alimentação, avaliada de forma ampla, oferece evidências importantes sobre o que faz diferença no prato. Os dados mostraram que dietas ricas em carboidratos se associaram a maior mortalidade, enquanto o consumo de frutas, legumes e verduras se associou de forma consistente à redução da mortalidade. Proteínas também se associaram a menor risco de morte.

De maneira surpreendente para muitos, a gordura animal se associou a menor mortalidade, enquanto a gordura trans mostrou efeito claramente prejudicial.

O consumo de sal e potássio também tem grande influência no equilíbrio do organismo. Tanto o excesso quanto a ingestão muito baixa de sal se associaram a maior risco cardiovascular. O menor risco apareceu em uma faixa intermediária. Já o potássio, presente nos alimentos in natura, demonstrou efeito protetor evidente.

A atividade física surge como um dos pilares universais de proteção. Atividade aeróbica foi associada a menos infartos, menos AVCs e menor mortalidade total e cardiovascular. Além disso, a força muscular se mostrou um marcador poderoso de proteção: mais força, menos mortes, inclusive por causas cardiovasculares. Manter o corpo em movimento e preservar a massa muscular são componentes centrais da LongeVitalidade.

A hipertensão arterial permanece como o principal fator de risco no Brasil e no mundo. No país, cerca de 45% dos adultos são hipertensos. Embora o tratamento seja eficaz, o controle ainda é baixo: apenas cerca de 10% no mundo e 18% no Brasil mantêm a pressão adequadamente controlada. Um agravante é que aproximadamente metade dos hipertensos sequer sabe que tem a condição.

Conhecimento existe, mas precisamos aproveitá-lo

Mesmo após um evento cardiovascular, a prevenção secundária enfrenta falhas graves. O estudo PURE mostrou que embora existam terapias eficazes após o infarto para prevenir novos eventos, elas ainda são pouco utilizadas. No Brasil, cerca de 20% dos pacientes pós-infarto e 30% dos que sofreram AVC não utilizavam nenhuma medicação preventiva. Trata-se de um retrato preocupante da dificuldade de transformar evidência científica em prática clínica consistente.

Ao reunir todos esses dados, o estudo mostra que 12 fatores respondem por cerca de 70% dos eventos cardiovasculares no mundo. Na América do Sul, dez fatores explicam proporção semelhante. Algo parecido ocorre com a mortalidade: aproximadamente 70% das mortes precoces estão associadas a um conjunto limitado de fatores modificáveis, como tabagismo, hipertensão, baixa escolaridade, obesidade abdominal, alimentação não saudável, força muscular reduzida, sedentarismo, depressão, álcool e poluição.

A mensagem final é direta: o estilo de vida importa, e mudanças possíveis, sustentadas e baseadas em evidência aumentam a expectativa e a qualidade de vida. A prevenção precisa ser praticada desde a gestação, atravessando infância, adolescência, vida adulta e envelhecimento.

Hoje, o maior desafio da saúde cardiovascular não é a descoberta de novos fatores, mas a implementação do conhecimento que já existe. Sabemos o que reduz infarto e AVC. Sabemos o que aumenta o risco. Falta transformar esse saber em rotina clínica, políticas públicas e escolhas sustentáveis.

A LongeVitalidade buscada não é um conceito abstrato. Inclui aumento na expectativa de vida livre de eventos cardiovasculares e câncer, menor declínio cognitivo, maior autonomia e benefícios comprovados associados à espiritualidade, como propósito e satisfação com a vida, gratidão e disposição ao perdão, entre outros. É a soma de prevenção, acesso ao cuidado, adesão ao tratamento e escolhas repetidas ao longo do tempo. Quando conseguimos integrar esses elementos, ganhamos não apenas mais anos de vida, mas mais vida ao longo dos anos.

Este texto foi publicado no The Conversation. Clique aqui para ler a versão original.

40% dos infartos ocorrem em pessoas com baixo risco – 25/01/2026 – Equilíbrio e Saúde – Folha

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ESG 2.0, nova oportunidade para o Brasil

Sigla ganha outra dimensão na medida em que os insumos fundamentais da ciência e da economia do século XXI respondem pelo nome de minerais críticos ou terras raras

Por Assis Moreira – Valor – 22/01/2026

É correspondente do Valor em Genebra desde 2005. Cobriu 28 vezes o Fórum Mundial de Economia e numerosas conferências ministeriais em dezenas de países.

O Brasil pode ter novas oportunidades com o conceito de ESG 2.0, em meio aos choques geopolíticos. É nessa linha que se inserem intervenções recentes de Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco do Brics.

Atualmente, ele é professor do Insead, uma das principais escolas de negócios da Europa, e integra o conselho consultivo internacional do Banco Europeu de Investimentos (BEI) e da Inditex, a maior companhia espanhola em valor de mercado.

Troyjo lembra que 2005 foi um ano fortemente marcado, de um lado, pela ideia de “globalização profunda”, de um mundo plano, com dispersão da produção em diferentes países e expansão dos acordos comerciais. E, de outro, pelo surgimento com grande força do conceito de ESG – sigla em inglês para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança) – como efeito colateral das grandes conferências internacionais sobre clima.

Não apenas países passaram a divulgar metas ambientais, como isso se tornou algo orgânico também para as empresas. Da mesma forma que publicam seus dados contábeis, passaram a divulgar sua pegada de carbono.

Também ganhou destaque o conceito de capitalismo de stakeholders, popularizado por Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, em oposição ao capitalismo focado exclusivamente no lucro dos acionistas. A proposta era uma visão mais ampla de responsabilidade social e ambiental, capaz de enfrentar desafios como a crise climática e a desigualdade.

Mas nos anos recentes, nota Troyjo, houve uma sucessão de eventos desenhando uma nova tendência: o primeiro governo de Donald Trump (janeiro de 2017 a janeiro de 2021); a saída formal do Reino Unido da União Europeia em 2020; o acirramento da rivalidade entre EUA e China; a maior crise de saúde pública global com a covid-19; o maior risco geopolítico desde o fim da Segunda Guerra, com a invasão da Ucrânia por tropas russas em 2022; o Oriente Médio em ebulição como não se via desde os anos 1970; e, culminando, a volta de Trump à Casa Branca em 20 de janeiro de 2025.

Trump não apenas reverteu políticas de estímulo à transição energética, como se notabilizou pelo lema “we will drill, baby” (“vamos perfurar”, em referência à exploração de petróleo).

Os europeus, que vinham liderando a transição energética, tornaram-se mais cautelosos diante da hipercompetitividade chinesa. Bruxelas começou a reduzir a ênfase nesse tema, ao constatar que sua política era cara e vulnerável.

Com esses fatores combinados, observa Troyjo, entramos na era do ESG 2.0. O ESG 1.0 foi para o assento do copiloto. Quem passa a comandar o avião é o E de economia, o S de segurança e o G de geopolítica, operando agora de forma integrada. Uma decisão de investimento não é avaliada apenas pelo custo-benefício, mas também por seu impacto sobre a segurança. 

O ESG 2.0 ganha outra dimensão na medida em que os insumos fundamentais da ciência e da economia do século XXI respondem pelo nome de minerais críticos ou terras raras. Para Troyjo, um exemplo de ESG 2.0 nesse contexto é a distensão recente da agenda entre Estados Unidos e Brasil. Os americanos, que vinham adotando uma postura mais dura, foram surpreendidos na negociação com os chineses, quando Pequim avisou Washington que aplicaria restrições voluntárias às exportações de minerais críticos.

Os relatórios do US Geological Survey (USGS) passaram a ganhar mais peso, incluindo suas notas de rodapé. E a surpresa foi geral – inclusive para o próprio Brasil, diz ele. O país aparece em segundo lugar mundial em reservas comprovadas de terras raras, com algo entre 20% e 23% do total, atrás apenas da China, que concentra cerca de 40%. O Brasil possui mais reservas comprovadas de minerais críticos do que os quatro países seguintes somados (Índia, Austrália, Tailândia e Rússia).

A China é a mais avançada no refino desses minerais. Mas onde há maior elasticidade entre reservas comprovadas e potencial de refino é no Brasil.

Troyjo recorre à imagem de alguém que manda o paletó para a lavanderia, confere os bolsos e encontra uma nota de 100 esquecida. “Esse conceito de ESG 2.0 caiu no colo do Brasil”, diz ele. “O mais central são os insumos da ciência e da economia, que são os minerais críticos.”

No mundo do ESG 2.0, a situação é mais adversa para a maioria dos países – e ajuda a explicar parte do interesse americano na Groenlândia. Para o Brasil, porém, o cenário facilita o caminho para atrair mais investimento direto, ampliar o comércio e ganhar relevância entre as dez maiores economias do mundo.

Como não perder essa oportunidade? Para ele, é urgente atualizar o mapa geológico do país e identificar quais minerais têm maior valor estratégico entre as reservas comprovadas. Brasília não deve se comprometer com acordos preferenciais, mas sim buscar parcerias com todos.

Também precisa evitar a criação de uma estatal de “Terras Raras”. Deve montar rapidamente roadshows bem estruturados, criar uma espécie de pacote de parcerias potenciais e levá-lo ao mundo. Considera fundamental a criação de escala, à semelhança do que ocorreu na corrida do petróleo nos Estados Unidos.

No ESG 1.0, o Brasil se destacava pela diversidade de sua matriz energética e pelas reservas de água, por exemplo. Agora, nas compilações do USGS, as reservas brasileiras aumentam a cada mês. “O Brasil tem um novo jogo. Com os minerais críticos, o país ganha uma relevância que nós mesmos não sabíamos que existia”, avalia Troyjo.

Assis Moreira é correspondente em Genebra e escreve quinzenalmente

E-mail: assis.moreira@valor.com.br

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São Paulo ganha dois novos eventos de tecnologia e inovação em 2026

O São Paulo Innovation Week (SPIW) e o São Paulo Beyond Business (SP2B) serão realizados em espaços icônicos como a Mercado Livre Arena Pacaembu e o Parque do Ibirapuera

Por Breno Damascena e Lucas Agrela – Estadão – 22/01/2026

Dois eventos de tecnologia e inovação irão abrir uma nova era de grandes festivais de negócios na cidade de São Paulo em 2026. O São Paulo Innovation Week (SPIW), realizado em conjunto por Estadão e Base Eventos, é preparado para receber mais de 90 mil visitantes, em maio, no Mercado Livre Arena Pacaembu, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e em polos espalhados por todas as zonas da cidade. Em agosto, o Parque Ibirapuera será palco do São Paulo Beyond Business (SP2B), festival inspirado no South by Southwest.

Nesta quinta-feira, 22, representantes dos eventos, empresários, autoridades e o poder público se reuniram na sede do São Paulo Negócios para apresentar detalhes das conferências. “São Paulo está entrando de cabeça no mundo dos grandes festivais de inovação”, afirma Alessandra Andrade, presidente da São Paulo Negócios.

“É mais do que só conteúdo, é desenvolvimento econômico para a cidade. Atrai turistas, impulsiona o comércio, varejo, alimentação, transporte e saúde”, diz Andrade, que vê a chegada dos festivais como uma celebração de São Paulo, além de gerar renda ativa e conectar o mercado de inovação ao ecossistema empreendedor.

Para Rodrigo Massi, secretário adjunto de cultura da cidade de São Paulo, os eventos consolidam a capital paulista como um epicentro cultural de relevância global. “A cidade tem esse caráter cosmopolita que se traduz em uma agenda cultural muito robusta. A municipalidade passará a atuar com mais afinco entre o produtivo e o criativo”, afirma.

Para você

Em linha com a política de privatizações adotada pelo prefeito Ricardo Nunes, os dois festivais acontecerão em espaços geridos por meio de parcerias público-privadas: o Parque Ibirapuera e o Mercado Livre Arena Pacaembu.

O secretário-adjunto de desenvolvimento econômico da cidade de São Paulo, Armando Júnior, espera que o calendário de eventos de 2026 impulsione uma geração de negócios e de renda, norteada por um crescimento de 25% no número de turistas durante esse período.

“Essa área de negócios é muito importante para a geração de emprego, renda, desenvolvimento econômico e criação de novas oportunidades. Então, desde 2021, São Paulo vem buscando novos eventos, fazendo com que a cidade fique cada vez mais atrativa”, afirma.

Ele enumera Lollapalooza, Gamescom, Virada Cultural, AnimeFriends, Bienal do Livro e a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo como referências. “O São Paulo Innovation Week (SPIW) e o São Paulo Beyond Business (SP2B) vão fazer com que mais pessoas venham à cidade e fortalecem São Paulo como um destino na rota de festivais do mundo”, complementa.

São Paulo Innovation Week

Realizado realizado em conjunto por Estadão e Base Eventos, o São Paulo Innovation Week (SPIW), evento com foco em inovação, tecnologia e negócios, terá formato similar ao da Rio Innovation Week. O evento prevê a participação de mais de 1, 5 mil palestrantes, mil startups, 150 expositores e 24 conferências, em uma área de 50 mil m².

O festival ocorrerá de 13 a 15 de maio, com uma palestra de abertura no dia 12. A programação do evento será criada a partir de 15 trilhas de conhecimento, seguindo a variedade inerente à cidade de São Paulo.

Os temas incluem saúde, educação, fintechs, criação de conteúdo, agronegócios, mercado imobiliário, luxo, mobilidade urbana, geoeconomia, ciência, tendências tecnológicas e debates sociais.

A nova conferência deve atrair mais de 90 mil visitantes nos três dias, com uma programação composta por palestras de grandes nomes internacionais e brasileiros, painéis de debate, espaços reservados para troca de conhecimento e palcos com performances e atrações musicais.

O evento terá ainda palestras espalhadas pela cidade no fim de semana de 16 e 17 de maio, uma iniciativa para democratizar o acesso ao conteúdo de qualidade trazido pelo SPIW. Serão eventos adicionais que ocorrerão no CEU Freguesia (zona norte), no CEU Papa Francisco (zona leste), no CEU Paraisópolis (ou no CEU Heliópolis) e no CEU Sílvio Santos (zona sul).

“Sabemos que não vamos mudar a realidade dessas pessoas em um dia, mas vamos dar ferramentas e mecanismos para que elas deem um passo nessa direção”, comenta Bruna Reis, diretora executiva do evento. “Queremos promover um evento que gere uma mudança e crie um legado”, acrescenta.

Os primeiros nomes do evento já foram confirmados: o psicólogo Steven Pinker, o neurologista António Damásio, o escritor Daniel Goleman, o filósofo e ex-ministro da Educação da França Luc Ferry, a filósofa Rebecca Goldstein e a velejadora brasileira Tamara Klink. “Queremos trabalhar a mente, o pensamento crítico e as ideias que vão alimentar o futuro”, complementa Reis.

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São Paulo Beyond Business

Outro evento que vai movimentar a cidade é a primeira edição do São Paulo Beyond Business (SP2B), entre os dias 9 e 16 de agosto, com mais de 2 mil palestrantes e 750 painéis. Inspirado no South by Southwest (SXSW), festival que acontece anualmente em Austin (EUA), o SP2B terá o Parque Ibirapuera como sede principal.

Com a expectativa de receber um público credenciado de 145 mil pessoas e impactar mais de 550 mil em oito dias, o evento terá mais de 800 horas de conteúdo distribuídas em painéis, shows, instalações artísticas e ativações discutindo temas como tecnologia, cultura, empreendedorismo e o futuro das cidades.

Além disso, o SP2B prevê eventos voltados à capacitação de empreendedores da periferia, competição de pitches de startups, áreas exclusivas para investidores e fundos de investimentos, e debates sobre inteligência artificial. “A ideia é fazer um evento que atraia delegações de todas as cidades do Brasil”, diz Rafael Lazarini, empresário à frente do festival.

“A atração magnética de São Paulo é tão grande que as coisas quase não vazam. A cidade se basta”, comenta. “O evento nasce de uma provocação para se repensar São Paulo além de um hub financeiro ou centro de negócio, mas para reforçar a cidade como a potência completa que ela é”

São Paulo ganha dois novos eventos de tecnologia e inovação em 2026 – Estadão

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As consequências imprevisíveis das inovações

Por Evandro Milet – Portal ES 360 –  09/11/2025 

Em todas as revoluções tecnológicas há um desdobramento social inesperado, com a disseminação  paulatina da novidade.

Na primeira revolução, a máquina a vapor reduziu substancialmente o tempo de viagem entre os continentes acelerando uma globalização incipiente. As ferrovias permitiram a aproximação entre regiões do mesmo país e países próximos e as novas indústrias substituíram os artesãos criando o operariado com seus sindicatos e pressão social, a urbanização e mudando a geopolítica do mundo.

Na segunda revolução, a eletricidade introduziu a noite nas relações sociais, permitiu o rádio, a TV, o cinema, o telégrafo, o telefone e mudou as relações sociais aproximando mais ainda as regiões e continentes. Criou também o elevador e verticalizou as cidades. O outro símbolo dessa revolução, a linha de montagem de Henry Ford, permitiu a produção em massa de bens, reduzindo o seu custo e criando o consumo de massa.

A terceira revolução, a dos computadores, possibilitou a computação pessoal e o surgimento da internet, o Google, o iPhone, o comércio eletrônico e as redes sociais com todas as consequências na maneira de trabalhar, se divertir, namorar, comprar, vender, brigar e estudar.

A chamada quarta revolução industrial, já no século 21, acelerou tudo, e não só no mundo digital, mas também no biológico. 

Um novo fenômeno social, que já vinha acontecendo, foi acelerado, mais ainda, pela pandemia. Pessoas são contratadas para trabalhar remotamente, independentemente de cidade, estado ou país. Médicos atendem pacientes em qualquer lugar por telemedicina, que permite até cirurgias robótica à distância. Universidades e empresas de treinamento oferecem seus cursos fora das suas cidades ou regiões de origem. Gigantescos marketplaces digitais comercializam produtos de pequenos fornecedores que não precisam nem sair das suas cidades para vender para o mundo. Softwares de tradução, que beiram a perfeição, permitem negócios onde a língua não atrapalha mais. Veículos autônomos começam a se espalhar levando à especulação que seres humanos dirigindo automóveis poderão deixar de existir em alguns anos. Mas não dava para imaginar Youtubers, influencers e Tiktokers.

Antigamente, quando alguém se mudava para outro país ou até para outro estado, os contatos se reduziam drasticamente. Os amigos de cada fase da vida ficavam esquecidos nas fases seguintes, hoje você mantém as amizades por toda a vida, compartilhando reminiscências, fotos, vídeos e opiniões nas redes sociais.

Você agora pode morar em uma pequena cidade do interior, vender para o mundo todo e comprar de qualquer lugar, falar de graça pelo mundo, fazer os cursos que quiser, assistir os filmes recentes, ler os livros recém lançados e os jornais do mundo, visitar digitalmente qualquer lugar e saber qualquer informação. O Google Maps  e o Waze eram inimagináveis antes de aparecerem no mercado, hoje são imprescindíveis. Telefones estão sendo conectados por satélite em qualquer local escondido. 

A disseminação da IA  e a chegada recente do “momento GPT” para os robôs humanoides prometem novas consequências. Vamos deixar de nos comunicar com as máquinas por teclas e conversar com elas. Vamos ter assistentes pessoais que conhecem tudo de nós e nos ajudam em atividades. Curas para doenças serão aceleradas.

Tem o lado ruim também. Golpes cibernéticos, guerras com drones e robôs, fake news e deepfakes perfeitos, vigilância completa com reconhecimento facial que já está em todos os prédios comerciais. Algoritmos manipulam nossas vontades e vendem nossos dados. Desemprego dos que não acompanharem as tendências.

O acesso a todas essas inovações é desigual. Socialmente podemos caminhar para uma classe de inúteis como prevê Harari ou para a distopia de Admirável Mundo Novo de Huxley, com uma sociedade que sacrificou a liberdade e as emoções humanas em nome da estabilidade e do progresso tecnológico.

Vamos olhar pelo lado bom. Alexandre Dumas, pai, antecipou tendências: “Suprimir a distância é aumentar a duração do tempo. A partir de agora, não viveremos mais; viveremos apenas mais depressa”. Mas ele viveu em outra época. Se o mundo digital nos faz viver mais depressa, das inovações do mundo biológico se espera o que mais importa: viver mais, para aproveitar tudo isso.

 As consequências imprevisíveis das inovações – ES360

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Marketplaces estão no radar da Geração Z; descubra quais são os preferidos

ecommercebrasil – 05/01/2026

A Geração Z tem se consolidado como um dos públicos mais relevantes para o comércio eletrônico e deve responder por cerca de 20% dos gastos globais até 2030, segundo estimativas da Statista. Formado por consumidores que cresceram em ambiente digital, esse grupo prioriza rapidez, personalização e identificação com as plataformas de compra.

No e-commerce, o comportamento da Gen Z está diretamente ligado à experiência. Para esse público, conveniência, preço competitivo e comunicação alinhada ao universo das redes sociais pesam tanto quanto o produto em si. Marketplaces que conseguem reunir esses elementos ganham vantagem na disputa pela atenção e pela fidelização.

De acordo com Rodrigo Garcia, diretor executivo da Petina Soluções Digitais, a autenticidade e a agilidade são fatores determinantes. Segundo ele, os jovens querem resolver a compra em poucos cliques, mas também buscam senso de pertencimento e interação. Plataformas que combinam curadoria, entretenimento e logística eficiente tendem a avançar entre esse público.

A partir desse comportamento, o executivo destaca cinco marketplaces que concentram maior adesão da Geração Z no Brasil.

  • TikTok Shop
    A integração entre entretenimento e compra coloca a plataforma no centro do consumo jovem. Lives com influenciadores, produtos virais e recomendações sociais fazem com que a decisão de compra aconteça no mesmo ambiente em que o interesse é despertado.
  • Shopee
    Com preços baixos, cupons frequentes, frete grátis e mecânicas de gamificação, a Shopee se mantém entre as preferidas da Gen Z. A forte presença em redes sociais reforça o engajamento com consumidores multitela.
  • SHEIN
    O marketplace se tornou um fenômeno entre os jovens ao oferecer grande variedade e lançamentos constantes a preços reduzidos. O modelo de produção acelerada atende à busca por novidade, mas também gera debates sobre sustentabilidade, tema sensível para essa geração.
  • Mercado Livre
    No mercado brasileiro, o Mercado Livre tem ampliado sua relevância entre consumidores mais jovens ao combinar logística rápida, preços competitivos e presença de vendedores locais, fatores que aumentam a percepção de confiança.
  • Temu
    Logo que chegou ao país, a Temu entrou rapidamente no radar da Gen Z com preços agressivos, grande diversidade de produtos e navegação voltada à descoberta. A estratégia estimula compras por impulso e reforça a sensação de novidade constante.

Segundo Garcia, a tendência é de diversificação do ecossistema de marketplaces, com maior foco na experiência do consumidor. Plataformas que conseguirem equilibrar preço, conveniência e identidade devem se destacar na próxima fase do comércio eletrônico, acompanhando a evolução dos hábitos da Geração Z.

TikTok dá mais um passo na indústria do entretenimento – E-Commerce Brasil

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Conheça a primeira empresa a produzir terras raras em larga escala no Brasil

Mineração Serra Verde, de investidores estrangeiros, montou unidade de mineração em Minaçu (GO) que extrai quatro elementos pesados em jazida de argilas iônicas; produtos têm aplicações na transição energética

Por Ivo Ribeiro – Estadão – 21/11/2024

O Brasil estreia num mercado de poucos players no mundo ao iniciar a mineração em alta escala de terras raras, mineral que contém 17 metais utilizados em centenas de aplicações industriais e tecnológicas. O domínio global é da China, que detém o know-how de separação e purificação dos elementos químicos presentes no minério. É nessa fase que está o segredo estratégico do negócio. A Mineração Serra Verde, montada por investidores estrangeiros, começou a operar neste ano uma planta industrial em Goiás, no município de Minaçu.

A empresa tem, no depósito que leva o nome de Pela Ema, quase na divisa com Tocantins, aproximadamente 200 milhões de toneladas (medidas) de minério. Considerando reservas indicadas e inferidas, o depósito supera 1,3 bilhão de toneladas, de acordo com informação da ANM (agência do setor). Nesse depósito se destaca a presença de terras raras leves e pesadas de alto valor, considerados, por especialistas, essenciais para a transição energética.

Os ETR, como são chamados os elementos de terras raras, recebem esse nome exatamente pela dificuldade de extração, separação e purificação, apesar do minério ser encontrado em grande quantidade na crosta terrestre. Nas reservas de Serra Verde, há quatro ETR – principalmente neodímio (Nd), praseodímio (Pr), térbio (Tb) e disprósio (Dy) -, predominantes na jazida Pela Ema (em torno de 30%) e, atualmente, são os que têm alto valor no mercado. O minério está a uma profundidade de 10 a 13 metros, praticamente aflorado.

O Brasil é o terceiro país em quantidade conhecida e medida de terras raras – 21 milhões de toneladas de metal contido -, segundo dados oficiais do governo brasileiro e da agência americana de serviços geológicos(USGS), espalhadas em diversos Estados. As reservas chinesas são o dobro: 44 milhões de toneladas. O Vietnã está logo acima do Brasil, com 22 milhões de toneladas.

Instalações de beneficiamento de óxidos de terras raras em Minaçu (GO), extraídos de jazida de argilas iônicas pela mineradora Serra Verde Foto: Divulgação/Mineração Serra Verde

A Serra Verde faz a extração e beneficiamento dos elementos químicos de terras raras com argilas iônicas, um dos tipos de minério onde se encontra o grupo de metais. A argila iônica é uma fonte importante de metais leves e pesados dentro das terras raras. Do total,15 elementos são da família dos lantanídeos (lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio e lutécio), que na tabela periódica têm números atômicos de 51 a 71. Os outros dois, de propriedades similares, são o escândio e o ítrio.

Os ETR estão presentes tanto em rochas duras como nas argilas iônicas mineradas pela Serra Verde. Após o beneficiamento do minério, os metais de terras raras são obtidos num concentrado que contém os óxidos.

.A tonelada de óxido de terras raras (OTR) desses elementos atinge US$ 42 mil, mas em alguns momentos já alcançou US$ 65 mil. É que são ingredientes essenciais na fabricação, por exemplo, de motores elétricos eficientes, turbinas de geração de energia eólica, telas de TV, imãs de discos rígidos de computadores e de sistemas de áudio e circuitos eletrônicos de celulares, entre outras.

“Estamos lidando com materiais altamente estratégicos por suas aplicações”, afirma o presidente da Serra Verde, Ricardo Grossi, formado engenheiro de minas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Somos a primeira operação a produzir esses quatro elementos fora da Ásia em argila iônica”, ressalta.

A empresa concluiu sua unidade de produção no final de 2023 e iniciou produção comercial em janeiro deste ano. Continua ainda na fase de homologação de seus óxidos com potenciais clientes e ganhando dia a dia escala de produção. O executivo informou que já há cartas de intenção de compra assinadas com várias empresas de refino da China.

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A Serra Verde tem capacidade instalada de 5 mil toneladas equivalente de OTR contido em concentrado de carbonato (produto final). A previsão é operar a unidade a pleno volume em 2026. “É um longo processo de aprendizado”, afirma o executivo. “É inevitável vender o concentrado para a China, pois é lá que está a tecnologia de separação e purificação dos elementos”, diz o executivo. Essa tecnologia é a grande barreira nesse negócio, acrescenta Grossi.

O executivo informa que o cenário de mercado para os quatro principais produtos da Serra Verde sinaliza crescimento a um ritmo de 8,5% ao ano na demanda até 2035. Será sustentado principalmente pela transição energética, com expansão da frota de veículos elétricos e geração de energia limpa (turbinas de geração eólica) e super imãs.

Controlada desde 2011 pelo fundo americano Denham Capital, quando adquiriu o projeto, a Serra Verde recebeu em outubro aporte de US$ 150 milhões (R$ 864 milhões pelo câmbio atual) para otimizar a produção da unidade fabril em Goiás, fortalecendo a empresa para um salto maior futuramente. Os recursos vieram dos fundos Energy & Minerals Group (EMG) e Vision Blue Resources (VBR).

O Estadão apurou que em janeiro de 2023, EMG e VBR já haviam investido quantia igual na mineradora, conforme informação no site do Serra Verde Group. “O investimento da EMG e da VBR fornecerá financiamento adicional para a concluir a construção e comissionamento da Fase I, além de permitir que estudos adicionais sejam realizados sobre uma potencial expansão da Fase II do depósito Pela Ema”, disse o grupo na nota. Os três fundos, de presença global, têm foco de investimento em transição energética, descarbonização, minerais e metais críticos e em energia limpa.

A companhia almeja atingir a plena capacidade de produção em menos de dois anos e se firmar como um produtor alternativo de OTR fora da Ásia. Após isso, diz Grossi, é que a Serra Verde vai avaliar condições para um novo ciclo de crescimento. As reservas atuais medidas de minério são suficientes para 25 anos, mas com volumes indicados e inferidos a vida útil do Pela Ema pode alcançar 50 anos.

A empresa e seus acionistas, após completar a fase I, de otimização da planta e desgargalamento das suas operações de mina e de beneficiamento, estudam duplicação do projeto (Fase II), dobrando a produção de minério bruto antes de 2030. Para a produção atual, são extraídas da mina entre 12 milhões e 13 milhões de toneladas de minério por ano, que passam por processo de beneficiamento desde a mina.

O executivo da Serra Verde prefere não indicar geração de receita da empresa. Pelos preços atuais, no entanto, um cálculo aponta que, no caso de produção à plena capacidade, a companhia teria faturamento anual na casa de US$ 200 milhões (R$ 1,2 bilhão). A mineradora conta com 1,3 mil funcionários, entre próprios e de terceiros. Grossi destaca que 72% são moradores da cidade de Minaçu e 80% são do Estado de Goiás.

Um diferencial da Serra Verde para outras mineradoras de ETR, segundo seu presidente, é o modelo de produção. Ele menciona que a extração do minério é feita a céu aberto, até 13 metros abaixo da superfície do solo, com baixo risco, por escavadeiras e caminhões. “Não usamos explosivos para liberar o minério”. Além disso, a tecnologia de processamento é simples, com reagentes químicos que não agridem o meio ambiente, afirma. O rejeito de minério após o beneficiamento é filtrado e empilhado a seco e a energia utilizada nas operações é de fonte renovável.

“A Serra Verde almeja ser reconhecida como o fornecedor de OTR mais sustentável do mundo”, destaca o executivo. Ele afirma que em países da Ásia, principalmente Mianmar (ou Burma), as credenciais do ESG (sigla em inglês para ações ambientais, sociais e de governança) não são tão rígidas como no Brasil. “Mianmar (segundo maior produtor mundial) está ao lado da China. Extrai, beneficia e entrega o produto via caminhões a clientes chineses. Nós transportamos o concentrado, em bags de 1 tonelada, dentro de contêineres, por navio que leva 45 dias até a China”.

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Ricardo Grossi, presidente da Mineração Serra Verde: “nossa meta é ser reconhecido como o fornecedor de OTR mais sustentável do mundo”  Foto: Divulgação/Mineração Serra Verde

As pesquisas geológicas da reserva Pela Ema para confirmar a existência de ETR começaram em 2008 e ganharam velocidade a partir de 2010, segundo informações da empresa. Somente no final de 2023, após todos os estudos de viabilidade econômica e técnica e os licenciamentos, ficou pronta a unidade industrial para processar OTR. O investimento total da Deham Capital, desde 2011, e no próprio empreendimento, não é revelado. O Serra Verde Group, que controla a empresa, está sediado em Zug, num dos cantões da Suíça.

A Serra Verde informa ter um dos maiores depósitos de argila iônica no mundo contendo os quatro principais elementos químicos de terras raras. Segundo informa, as argilas se formaram com a lixiviação do granito Serra Dourada, maior intrusão da província estanífera de Goiás. Tem aproximadamente 64 km de extensão na direção Norte-Sul e varia entre 3,5 km e 12 km de largura na direção Leste-Oeste.

No momento, informa Grossi, a companhia conversa com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ser inserida no fundo Ore Minerals, criado este ano para apoiar projetos de minerais e metais estratégicos e críticos. “Seria um suporte para duplicação futura, com taxas de financiamento mais competitivas”, diz. Por exemplo, a duplicação da Sigma Lithium, que extrai e processa lítio no Vale do Jequitinhonha (MG), teve financiamento de quase R$ 500 milhões do banco de fomento neste ano, com longo prazo de amortização do empréstimo.

O executivo destaca ainda a indicação da empresa pelo governo americano como investimento estratégico no programa Minerals Security Partnership (MSP), grupo de países e entidades que busca fomentar o desenvolvimento de cadeias de fornecimento de minerais críticos e sustentáveis, com apoio de governos e indústrias, dando suporte financeiro. 

Envolve energia limpa, mineração (extração e processamento), refino e reciclagem.

Os minerais e metais que se destacam são lítio, cobalto, níquel, manganês, grafite, elementos de terras raras e cobre. Os países-membros do MSP são Coreia do Sul (que preside o grupo), Austrália, Canadá, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Noruega, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos, além da União Europeia.

Na avaliação de Grossi, estar no MSP é uma credencial importante para atração de investimentos e acesso a capital a custos mais competitivos. “Foi um grande desafio de exploração de uma província mineral, com etapas de pesquisa, licenciamento e de operação que levou 15 anos para começar a produzir”. Hoje, em escala e custo competitivo no mundo quem domina é a China, observa o executivo

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Lei de Maquila atrai mais de 200 indústrias brasileiras para o Paraguai

Isenções fiscais, impostos reduzidos de 1% e menores encargos trabalhistas impulsionam processo de industrialização no país vizinho e aumentam competitividade

Por Igor Calian – Band Jornalismo – 14/01/2026 

Mais de 200 indústrias brasileiras já cruzaram a Ponte da Amizade para se instalar no Paraguai, motivadas por um ambiente de negócios que oferece incentivos fiscais agressivos e custos operacionais reduzidos. O movimento reflete uma transição econômica no país vizinho, que antes baseava seu Produto Interno Bruto (PIB) majoritariamente no comércio e na agricultura e agora passa por um intenso processo de industrialização.

O principal atrativo para essa migração é a Lei de Maquila. Regulamentada nos anos 2000, a legislação permite que empresas importem máquinas e matérias-primas com isenção total de impostos, exigindo apenas um tributo único de 1% sobre o valor final do produto destinado à exportação. Atualmente, existem 320 indústrias maquiladoras no Paraguai, que juntas somam US$ 1,2 bilhão em exportações.

Redução de custos e competitividade

A diferença de carga tributária entre os dois países é o fator determinante para os empresários brasileiros. Enquanto no Brasil o custo de importação de insumos pode chegar a 35% dependendo do setor, no modelo paraguaio a taxação é mínima. Além disso, as empresas são isentas de Imposto de Renda e de taxas sobre a remessa de capital para o exterior.

Um exemplo prático dessa vantagem competitiva é observado na indústria de fitas de amarração para cargas. Ao importar poliéster da China, uma empresa instalada no Brasil enfrentava uma taxa de 18%. Operando sob a Lei de Maquila no Paraguai, a mesma importação tem imposto zero. Essa redução permitiu que empresas derrubassem seus custos operacionais em até 40%, refletindo em um aumento de vendas e na melhoria do preço final para o consumidor brasileiro.

Mão de obra e o “Custo Brasil”

Além das vantagens tributárias, os empresários citam a mão de obra mais barata e leis trabalhistas menos burocráticas como pilares para a mudança. Segundo relatos de investidores, a carga tributária e administrativa brasileira — frequentemente chamada de “Custo Brasil” — chega a consumir 50% dos ganhos de uma empresa. No Paraguai, o sistema simplificado é visto como uma oportunidade para quem busca expandir operações sem as pressões fiscais do território nacional.

Segundo a análise de especialistas ouvidos pela reportagem, para muitas dessas empresas, a migração é considerada um caminho sem volta. A facilidade de ingressar com produtos no Brasil com isenção de impostos, garantida pelo certificado de origem paraguaio dentro do bloco econômico, consolida o Paraguai como um polo estratégico para a indústria brasileira no Mercosul.

Lei de Maquila atrai mais de 200 indústrias brasileiras para o Paraguai

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‘Fadiga digital’: 78% dos consumidores estão esgotados com a quantidade de anúncios online

Consultoria americana aponta que a tendência é o consumidor buscar se sentir desconectado e revigorado, e redes têm de achar forma de ajudá-lo em seu esgotamento com o digital

Por Adriana Mattos – Valor – 13/01/2026 

Quando a consultoria americana WGSN (sigla de Worth Global Style Network) decide falar, o mercado dá um jeito de parar para ouvir. Trata-se de uma das maiores autoridades em análises de comportamento e tendências do mundo, e suas orientações custam caro aos clientes. Foi a WGSN que previu a onda de compartilhamento nos anos 2000 (de brechós ao Airbnb), e até a explosão dos jeans skinny e das megabolsas (“maxi bags”) vinte anos atrás, quando a ideia ainda não vingava.

No domingo (11), durante a feira de varejo NRF 2026 Retail’s Big Show, em Nova York, nos EUA, a executiva Cassandra Napoli, chefe da área de marketing, insights e eventos da WGSN, trouxe dados sobre o que esperar em termos de comportamento dos consumidores nos próximos dois anos, e o que as empresas podem fazer para não perder esse bonde.

Foi preciso abrir uma área paralela ao pavilhão para acompanhar a sessão da WGSN, a única com ocupação esgotada no horário. O Valor acompanhou a apresentação e repercutiu com CEOs de redes brasileiras no evento.

A WGSN crê que o excesso de conexões digitais tem obrigado o consumidor a um “reset sensorial”, e as empresas precisam abrir espaço para ele se sentir “desconectado e revigorado”, disse Napoli. Ou seja, é preciso tirar o estresse da compra, e da relação com ele, durante e após a venda, urgentemente.

Isso é particularmente difícil em segmentos em que não há o apelo positivo da experiência do produto na hora da compra (se em moda isso pode ser fácil, vender material de construção ou de escritório é tarefa mais complicada).

“Em um mundo conectado, os maiores disruptores podem ser as coisas que nos reconectam com o que podemos ver, cheirar, ouvir, saborear e tocar”, informou o material que suportou a apresentação. A WGSN cita a superexposição a estímulos que os compradores vivem hoje, o que tende a levar à fadiga digital, e diz que isso pode dar lugar à apatia emocional dos consumidores.

78% dos clientes estão esgotados com a quantidade de produtos que existem hoje à venda no varejo”

— Cynthia Ortiz

Napoli disse que, nos próximos dois anos especialmente, por conta desses cenários de estímulos nas redes sociais, o despertar dos sentidos será uma estratégia de negócios crucial.

Para tentar acertar esse passo, a consultoria faz algumas orientações em seu material e fala em explorar os sentidos básicos para diferenciar produtos e serviços.

“Ofereça modelos de reparo e revenda de mercadorias como provas de valor que aprofundem o envolvimento do cliente e prolonguem a vida útil do produto”, disse. Segundo consultores ouvidos, isso inclui assistências técnicas de marcas de eletrônicos dentro das lojas que vendem os produtos (a exemplo da Apple), e troca de produtos velhos por novos (como algumas redes de óculos operam, caso da Óticas Carol).

Para Fabio Faccio, presidente da Renner, que esteve na sessão da WGSN, redes de moda têm maior facilidade nesse processo. “Nós já somos muito mais um negócio que vive do contato, e a Cassandra diz isso, de experiências na loja, porque as pessoas têm ido mais às lojas físicas, e isso não é contrassenso com o digital. Na verdade é a mesma coisa, você vai ter uma experiência integrada cada vez mais, que é o que a gente tenta buscar”, disse.

Questionado se o varejo brasileiro não estaria falhando nisso, considerando que em novembro e dezembro, no Natal, o físico cresceu menos que o digital, segundo dados de pesquisas, Faccio não vê dessa forma. Houve forte aceleração de descontos das lojas on-line de moda após novembro.

“Olhando o mercado em geral, não vejo isso. Foi um período excelente? Não foi, mas ouvi informações de lojas indo bem em dezembro. Para nós, foi dentro das expectativas. O que aconteceu foi uma concorrência muito forte dos marketplaces, muita gente agressiva, e isso gerou algum barulho”, disse ao Valor o CEO da Renner.

Outro aspecto levantado pela consultoria é reflexo desse “reset sensorial”, e que Napoli chama de “identidades fragmentadas”.

Cada consumidor terá vários perfis de comprador em si mesmo. Isso envolve um cenário em que clientes adotam diversas formas de pensar e comprar, ou seja, “múltiplas personas”, diz ela, impulsionados pela saturação digital, inteligência artificial e transformações sociais mais rápidas.

“Em 2028, o poder [das empresas] estará em ter apelo em determinados interesses das pessoas, e não em perfis de compra baseado em idade ou local onde elas moram”, afirmou.

Nesse contexto, as marcas precisam ser mais autênticas nessa relação, desenvolver experiências nas lojas que tenham uma estéticas mais lúdica e genuína, que ajuda nessa conexão. E não adianta só criar algo esteticamente belo, se não for funcional.

Dentro dessa linha, em uma apresentação na NRF ontem, acompanhada pelo Valor, executivos do Retail Design Institute (RDI), órgão americano de design do setor, mostraram uma lista de duas dezenas de lojas nos EUA que têm buscado fazer algo, em parte, nessa direção. Detalhes das lojas foram debatidos um a um.

Entre essas empresas estão a rede francesa Printemps (primavera, em francês), na lista de visitas da maioria dos CEOs brasileiros presentes na feira e ouvidos pela reportagem. Também estão nesse grupo a miniloja de cafés expressos da Starbucks (de 25 metros quadrados), uma nova pop-up da rede de móveis Ikea, e os produtos da americana Skims.

Trata-se da empresa de modeladores corporais de Kim Kardashian, lançada em 2019, com “valuation” de US$ 5 bilhões e vendas anuais de US$ 1 bilhão. A marca, que poderia ser vista como algo ultrapassado – já que vende uma lingerie que modela curvas – apropriou-se do conceito de liberdade, de cada um deseja ser o que quiser, da forma do corpo ao tom da pele.

Para o RDI, em todos os casos de lojas apresentados, há uma necessidade de se destacar para bem além das mercadorias das lojas.

“Cerca de 78% dos consumidores dizem que estão esgotados com a quantidades de produtos que existem hoje à venda. Consumidores querem ser guiados por boas experiências, querem se sentir valorizados e não sobrecarregados”, disse na sessão Cynthia Ortiz, presidente do RDI.

Ainda de acordo com Napoli, da WGSN, haverá uma mudança na forma como o mercado irá encarar a inteligência artificial.

A tecnologia se tornará parte integrante do cotidiano, não sendo “nem um milagre nem uma ameaça”, segundo a executiva.

“Passará de um grande agente de mudança para parte da infraestrutura cotidiana das empresas”, disse ela, e se afastará mais daquele temor de substituir pessoas para uma ideia mais consolidada de aprimorá-las.

Essa questão, inclusive, tem sido um ponto comum nas discussões pelos corredores da feira – como os funcionários das varejistas vão se adaptar a isso, considerando o Brasil, um mercado que paga pouco aos funcionários do setor (inclusive, empresas estão em pleno apagão de mão de obra), e que historicamente não é atrativo em trazer talentos nas mais diversas áreas.

A NRF 2026 Retail’s Big Show é uma feira mundial do varejo que acontece nesta semana – o Brasil tem a maior delegação, com cerca de 2,5 mil participantes.

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Os cientistas descobriram um isqueiro de 400 mil anos

Pesquisadores acreditam que a relação de nossos ancestrais com o fogo se iniciou muito antes do aparecimento de nossa espécie

Fernando Reinach – Estadão – 16/01/2026

Outro dia li que um par de indígenas, isolados no interior da Amazônia, que evitam todo contato com a civilização, apareceram em um posto da Funai. O que queriam? Fogo. Assim que receberam um pedaço de madeira em chamas voltaram para a floresta e desapareceram. Eles haviam perdido seu fogo e sem saber como acender uma fogueira e sem um incêndio natural para obter fogo, o caminho foi procurar as pessoas que mais temem, o homem branco.

Os cientistas acreditam que a relação de nossos ancestrais com o fogo se iniciou muito antes do aparecimento de nossa espécie, provavelmente 1 milhão de anos atrás.

O Homo sapiens moderno surgiu faz 250.000 anos. E essa história pode ser dividida em três etapas separadas por conquistas tecnológicas importantes. A primeira etapa é quando passamos a aproveitar um fogo natural para nos aquecermos, fazer um churrasco e talvez espantar predadores. Mas quando o fogo apagava ou nos afastávamos, perdíamos o fogo. 

A segunda etapa foi quando aprendemos a carregar o fogo conosco de um acampamento para o outro. Esse é um passo tecnológico importante pois significa uma divisão de tarefas. Alguns indivíduos tinham que se dedicar a manter o fogo aceso enquanto outros caçavam e coletavam alimentos. Se ele apagasse dependíamos de um incêndio natural, geralmente causado por um raio, para recuperarmos o fogo.

Esse talvez seja o estágio desses indígenas que apareceram no acampamento da Funai. E a terceira etapa foi o aprendizado de acender um novo fogo, geralmente provocando faíscas, com o uso de duas pedras. Esse último salto tecnológico, representado hoje por um isqueiro, deve ter sido importante, pois manter o fogo acesso por longo tempo deveria ser uma chateação e um alto risco. Mas acender um fogo novo só com duas pedras ou usando o atrito de dois pedaços de madeira não é fácil, como pode atestar qualquer aprendiz de escoteiro.

Para você

O problema dos arqueólogos é descobrir quando foi acesa a primeira fogueira. É relativamente fácil descobrir as fogueiras em um acampamento pré-histórico. A terra queimada é fácil de identificar e restos de alimentos como ossos carbonizados indicam que ela foi usada para preparar alimentos. Além disso, se o local foi usado diversas vezes, as camadas de cinzas podem ser datadas. Mas como saber se aquele fogo foi criado ali mesmo com faíscas ou se foi trazido de outro lugar?

A novidade vem de escavações de um acampamento na Inglaterra na região de Barnham. Esse local vem sendo escavado faz décadas e ele foi habitado por hominídeos 400 mil anos atrás. Nesse acampamento foi localizado uma região onde eram feitas fogueiras.

A terra do local tem indícios que sofreu ciclos de aquecimento de até 400 a 700 graus Celsius, seguida de resfriamentos sequenciais durante longos períodos, indicando que o fogo estava presente e ausente alternadamente. Isso indica que provavelmente não era um local onde o fogo era mantido aceso.

Mas o mais interessante é a descoberta, na beira da fogueira, de dois fragmentos de rocha de pirita. Esse mineral, composto de um átomo de ferro e dos de enxofre é chamado ouro de tolo pois tem a aparência de ouro. Mas seu nome vem de uma palavra em grego que significa pedra que faz fogo. Isso porque batendo ou raspando dois fragmentos dessa pedra muitas faiscas são produzidas. Nos isqueiros antigos e nas armas de fogo primitivas, a pirita é usada para provocar faiscas. 

O interessante é que as formações geológicas no local não contêm pirita, e, portanto, a pedra deve ter sido trazida de longe. O local mais próximo one ela pode ser encontrada dista 12 quilômetros de Barnham. Examinando os fragmentos os cientistas descobriram que eles estavam gastos como se tivessem sido batidos ou raspados entre si. Além disso havia indícios de que haviam sido aquecidos.

Combinando todas essas informações, os cientistas acreditam que nesse acampamento de 400 mil anos atras, nossos ancestrais já conseguiam acender o fogo usando faiscas produzida por pedras de pirita que iam buscar em lugares relativamente distantes. Isso demonstra que a ato de acender um novo fogo foi descoberto faz pelo menos 400 mil anos. Foi o primeiro isqueiro.

Mais informações: Earliest evidence of making fire. Nature

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https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.adz3281 2026

Opinião por Fernando Reinach

Biólogo, PHD em Biologia Celular e Molecular pela Cornell University e autor de “A Chegada do Novo Coronavírus no Brasil”; “Folha de Lótus, Escorregador de Mosquito”; e “A Longa Marcha dos Grilos Canibais”

Os cientistas descobriram um isqueiro de 400 mil anos – Estadão

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Os bunkers de alto luxo para bilionários se protegerem

Shin Suzuki – BBC News Brasil – 21 agosto 2025

O mundo do mercado imobiliário de alto padrão está abraçando um novo conceito: os bunkers de luxo, construídos para proteger bilionários de um possível “apocalipse” provocado por guerras, efeitos das mudanças climáticas e outras ameaças globais.

Diferente dos abrigos subterrâneos comuns, onde o mais importante é garantir a proteção e sobrevivência das pessoas, o setor aposta em instalações fortificadas que oferecem conforto e uma série de regalias: spa, alta gastronomia e projeções panorâmicas que simulam paisagens externas estão entre os atrativos dessas instalações.

Com isso, a experiência de “sobreviver ao fim do mundo” é transformada em algo próximo a um resort embaixo da terra.

Há alguns anos, Mark Zuckerberg, dono da Meta, chamou atenção ao anunciar seu plano de construir um complexo gigantesco no Havaí, com infraestrutura voltada para situações de calamidade. Além dele, Jeff Bezos, fundador da Amazon, tem investido em precauções semelhantes.

O mercado parece estar em expansão. Recentemente, a empresa americana Safe divulgou um projeto para construir mais de mil “santuários globais”, ou seja, bunkers subterrâneos localizados em diferentes cidades do mundo.

Em entrevista à BBC News Brasil, Naomi Corbi, diretora de Operações e Prevenção Médica da companhia, disse que o projeto, chamado Aerie — palavra em inglês que significa ninho de águia —, funciona como um clube para membros exclusivos.

“A adesão só é possível por convite e é altamente seletiva. Não posso compartilhar muitos detalhes, mas [a adesão] não é para todo mundo.”

Alta gastronomia está entre os atrativos oferecidos pela Safe, empresa que anunciou a construção de mil santuários globais

Os valores para usar os bunkers “antiapocalipse” dependem do tamanho do espaço escolhido.

Um abrigo de 185 metros quadrados custaria em torno de 2 milhões de dólares (R$ 10, 8 milhões), mas o preço pode chegar a 20 milhões de dólares (R$ 108 milhões) para acomodações maiores.

Segundo Corbi, todas as instalações oferecem água, comida, abrigo, serviço médico ilimitado e sem restrição.

“Elas não dependem de rede elétrica, o que as torna à prova de pulsos eletromagnéticos”, destaca.

Medidas de segurança e ‘prisão interna’

A diretora da Safe afirma que os bunkers foram projetados para suportar longos períodos de isolamento debaixo da terra e contam com estratégias para situações de conflito de equipes de serviço, entre elas uma ‘prisão interna’.

“Sempre existe a possibilidade de comportamentos inesperados ou inaceitáveis. Há diversas medidas de contingência construídas nos abrigos. A mais direta é uma prisão que cada instalação possui.”

Segundo Corbi, a prisão funcionaria “como qualquer centro de detenção de alto padrão”.

“É uma suíte preparada para manter pessoas em isolamento, mas que permite comunicação e interação”, destaca.

A decisão sobre quem seria detido ficaria a critério do cliente.

Valores dos bunkers podem chegar a 20 milhões de dólares, dependendo do tamanho

Os bunkers Aerie são classificados como SCIFs (sigla em inglês para Sensitive Compartments Information Facility), ou seja, eles têm medidas de segurança extremamente rigorosas, estruturas protegidas contra vigilância eletrônica, como a sala de crise da Casa Branca.

Corbi avalia que há uma demanda crescente por esses abrigos luxuosos diante dos desafios geopolíticos atuais.

“A humanidade está em um caminho perigoso, a ser digitalmente aprisionada e completamente controlada, sem solução à vista”, e acrescenta:

“O Aerie é soberano, onde a privacidade reina, o acesso é ilimitado e a discrição é absoluta”, afirma.

Questionada se a empresa tem clientes do Brasil, Corbi se esquivou, mas disse que a Safe “está ansiosa para atender a essa região do mundo.”

“O Brasil não está alheio às profundas preocupações com a segurança.

Os bunkers de alto luxo para bilionários se protegerem – BBC News Brasil

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