Quem escreveu, um humano ou uma IA?

  • Não é a máquina que escreve como nós, somos nós que escrevemos como máquinas; a tecnologia não venceu por genialidade, mas por conformidade
  • A IA não ameaça a literatura, ela revela a fragilidade de uma literatura que abdicou do risco em nome da legibilidade

José Manuel Diogo – Folha – 4.jan.2026 

Presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos

A pergunta “foi um humano ou foi uma inteligência artificial?” tornou-se a nova tchutchuca dos salões da cultura contemporânea, mas só serve para provocar espanto, gerar cliques e alimentar a falsa ideia de que estamos diante de um duelo histórico. Não estamos. O confronto não é entre inteligência artificial e literatura. É entre literatura e a sua própria acomodação estética.

Muitos textos que são hoje escritos com IA são bons. Fluentes. Sensíveis. Reconhecíveis. Eles funcionam porque obedecem com precisão aos códigos dominantes da boa escrita atual —introspecção moderada, emoção legível, imagens cotidianas, conflito psicológico quase domesticado. São textos que não erram, mas é exatamente aí que reside o problema. A IA não venceu por genialidade; venceu por conformidade. Aprendeu rápido porque o terreno estava muito nivelado.

Durante décadas, oficinas literárias, MFAs (“masters of fine arts”) e os mercados editoriais mainstream promoveram o padrão de escrita “correta”. Pessoal, mas não excessivamente; emocional, mas não delirante; sóbrio, mas não demasiadamente elegante. O que daí resultou foi uma prosa treinada para agradar —e tudo o que é treinável é, por definição, imitável. Não foi a inteligência artificial que inventou esse estilo, ela apenas o replica com a imparável eficiência algorítmica.

Mas o mais preocupante na geração de textos por IA —inclusive os literários— não assenta em questões técnicas, mas sim culturais. Se repararmos bem, em toda a história da humanidade, a literatura que importa nunca foi apenas bem escrita; foi perigosa. Criou atrito. Produziu ruído.

Há, claro, quem celebre a literatura automática como democratização criativa, mas esses confundem acesso com profundidade. A IA amplia possibilidades formais, sim. O que ela não faz —ainda— é escrever contra algo. Não conhece custo, vergonha, memória traumática nem a violência de expor uma verdade que não cabe no consenso. O seu texto não sangra porque não tem corpo. O nosso, quando vale a pena, tem.

Para os salões das academias, o que realmente desconforta e desconcerta não é descobrir que uma máquina escreve bem. É perceber que ultimamente aceitamos como literatura uma escrita previsível; tão previsível que pode ser reproduzida por um modelo estatístico. A IA não ameaça a literatura. Ela revela a fragilidade de uma literatura que abdicou do risco em nome da legibilidade e —mais preocupante ainda— uma sociedade que trocou a profundidade pela atenção.

Porque o que verdadeiramente nos devia chocar não é a inteligência artificial escrever tão bem; é nós descobrirmos que escrevemos mal o suficiente para sermos substituídos sem resistência.

A máquina não invadiu a literatura —ela foi convidada! Por uma prosa domesticada, treinada para agradar e incapaz de ferir. Enquanto chamarmos “boa escrita” ao que não arrisca, a IA continuará a passar por boa autora. A verdadeira literatura começa exatamente onde o cálculo falha —no ponto em que escrever ainda implica exposição, perda e a coragem de sustentar frases e textos sem garantia de sentido ou de consenso. Como este.

Quem escreveu, um humano ou uma IA? – 04/01/2026 – Opinião – Folha

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Modelos de inteligência artificial já podem aprender sem ajuda de cérebros humanos

O mais importante nessa descoberta é que os algoritmos criados pela IA são melhores que os criados pelos melhores times de cientistas

Por Fernando Reinach – Estadão – 02/01/2026

Cientistas do laboratório de IA da Google, em Londres, publicaram uma descoberta que é um avanço importante no objetivo de tornar os modelos de inteligência artificial independentes de cérebros humanos. Parece complicado, mas é fácil de explicar.

Tudo gira em torno de um processo chamado aprendizado por reforço. Esse é um processo usado por todos os seres vivos para aprender interagindo com o ambiente. Você já deve ter visto aqueles filmes em que um leão se aproxima agachado de uma gazela. Ele fica quieto e vai diminuindo a distância até que em um momento preciso ele pula e corre em direção à presa. Algumas vezes ele não alcança, em outras parece moleza e a refeição está garantida.

A questão é como o leão decide o momento e a distância exata em que as chances de capturar a presa são ideais. Se ele se aproximar muito antes de dar o bote, a presa percebe e foge. Já se ele der o bote de muito longe, seguramente a presa escapa. Se houvesse uma escola para leões, o professor explicaria o tempo de resposta da gazela, sua aceleração e velocidade máxima, a velocidade e aceleração do leão, e através de algumas equações ensinaria ao leão a distância ideal. Mas não existem escolas para leões e sabemos que eles aprendem usando o aprendizado por reforço.

Funciona assim: um jovem leão tenta caçar por tentativa e erro. Se ele pula muito cedo perde a caça e não ganha o prêmio (a comida). Se pular muito tarde também perde o prêmio. E assim, por tentativa e erro, sempre recompensado quando acerta e punido (fica sem comida) quando erra, ele acaba aprendendo utilizando o método do aprendizado por reforço. Os humanos usam esse método o tempo todo, basta observar uma criança aprendendo a andar.

Para você

No aprendizado por reforço, um agente (o leão) decide a ação que vai tomar (pular), testando diferentes possibilidades e sendo punido ou recompensado de acordo com uma regra (a captura da presa). Após inúmeros erros e acertos, ele acaba aprendendo.

Agora, vamos ver como o aprendizado por reforço funciona em um sistema de IA. Imagine que eu esteja desenvolvendo um sistema de IA para o Waze achar o caminho mais rápido entre dois pontos na cidade de São Paulo. E ele deve aprender usando o aprendizado por reforço.

Aliás, foi esse o método usado para desenvolver os sistemas que jogam xadrez. O agente (um carro imaginário) tenta chegar do ponto A ao ponto B na cidade seguindo o mapa das ruas (a ação). Mas ele vai se locomover ao acaso e dificilmente chegará ao destino se o programador não definir como o agente vai ser punido ou recompensado dependendo do seu sucesso.

O sistema mais simples de punir e recompensar é dar nota dez se chegar e zero se não chegar. Dá para ver que esse sistema de premiação não ajuda muito. É preciso criar regras mais precisas para premiar e punir. Por exemplo, posso dar pontos se o carro for na direção certa e retirar pontos se o carro for na direção errada. Posso punir o uso de contramão e premiar o uso de avenidas. E assim por diante. Todas essas regras são chamadas do algoritmo que norteia o aprendizado por reforço. Quanto melhor o algoritmo, mais rápido o treinamento, e melhor o resultado da aprendizagem.

Ao contrário do que acontece com o leão, onde o algoritmo de punição e recompensa já está no cérebro do animal tendo sido selecionado durante milhões de anos, nos sistemas de IA esses algoritmos, como o descrito para treinar o Waze, são sempre criados por seres humanos que vão aperfeiçoando as regras que permitem a punição e a recompensa. Até agora, nenhum sistema da IA conseguia descobrir a melhor regra sozinho. Esses algoritmos dependiam de um grupo de cérebros humanos para serem criados.

A novidade impressionante é que esses cientistas da Google descobriram um método que permite aos sistemas de IA criarem seus próprios algoritmos de recompensa e punição. É como se agora, para treinar o Waze, você indicasse o objetivo (chegar de A a B) e, quando o sistema perguntasse qual o método de recompensa e punição, você dissesse, descubra você, sozinho. O mais importante nessa descoberta é que os algoritmos criados pela inteligência artificial são melhores que os criados pelos melhores times de cientistas.

Em suma, os sistemas de inteligência artificial deixaram de depender de cérebros humanos para essa atividade. Estão ficando tão independentes de cérebros humanos quanto uma criança, que não precisa da ajuda do cérebro do pai ou da mãe para aprender a andar. Os sistemas de IA estão ficando, aos poucos, independentes de nós. É um caminho sem volta.

Mais informações: Discovering state-of-the-art reinforcement learning algorithms. Nature https://doi.org/10.1038/s41586-025-09761-x 2025

Biólogo, PHD em Biologia Celular e Molecular pela Cornell University e autor de “A Chegada do Novo Coronavírus no Brasil”; “Folha de Lótus, Escorregador de Mosquito”; e “A Longa Marcha dos Grilos Canibais”

Modelos de inteligência artificial já podem aprender sem ajuda de cérebros humanos – Estadão

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Custo Brasil: tributos, burocracia e falta de mão de obra somam R$ 1,7 trilhão perdido

Pesquisa com indústrias revela principais gargalos que encarecem produzir no país; campanha da CNI mostra impactos desses entraves e caminhos para superá-los

Por CNI – Valor – 28/11/2025

A cada ano, o Brasil renuncia a cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) por conta de dificuldades estruturais do país que dificultam o dia a dia das indústrias. A estimativa do Observatório Custo Brasil (OCB) é que R$ 1,7 trilhão por ano seja desperdiçado.

Entre os problemas estão os tributos, dificuldade de financiamento, baixa qualificação de pessoas e deficiências na infraestrutura. Esses são alguns componentes do que se conhece como “Custo Brasil”. Segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o valor equivale às despesas de toda a máquina estatal com servidores públicos federais em 2025.

Para sensibilizar a sociedade, políticos e a opinião pública sobre o problema, a CNI, com o apoio do Movimento Brasil Competitivo (MBC), lançou em setembro a campanha “Custo Brasil” com o objetivo de mostrar seu impacto na rotina dos brasileiros e possíveis caminhos para superar os problemas de ineficiência.

Foram criados sete personagens para representar os grandes entraves que mais afetam a indústria e a sua competitividade, com consequências na vida das pessoas – como produtos básicos que poderiam custar menos, negócios que não vão adiante pelo excesso de burocracia, tributos e normas.

A campanha, com linguagem lúdica e fácil, traz a figura do Jurássio, monstro que encabeça a alta taxa de juros; a Infradonha, como o custo das obras paradas e as consequências da ausência de ampliação e diversificação da matriz logística; o Burocratus, ilustrando a morosidade da burocracia; o Custo Circuito, que traz na sua figura o valor da energia para lares e empresas; o Tributácio, o personagem que mostra os tributos por todos os lados; e o Baiacusto, que unifica todos eles e representa as perdas do Custo Brasil.

Mas como desatar esses nós que comprometem tantos recursos? O caminho para reduzir esse peso e aumentar a competitividade da indústria nacional, na análise de Leonardo de Castro, vice-presidente da CNI, passa pela regulamentação de leis aprovadas.

Leonardo de Castro, vice-presidente da CNI — Foto: Divulgação

“Muitas vezes nós temos normas que são oficialmente publicadas, mas são insuficientes para promover as mudanças estruturais esperadas e proporcionar um ambiente de negócios mais competitivo que o país necessita”, diz Castro, citando casos como o do marco da cabotagem, a abertura do mercado de gás natural, o marco legal de ferrovias. Sem avanços, não há mudanças na prática.

Esperança com a Reforma Tributária

Superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira espera por avanços com a regulação da Reforma Tributária (PLP 68/2024). “Ela constitui a base estrutural necessária para o sucesso de todas as outras políticas industriais, como a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Novo PAC. Ao eliminar a cumulatividade e reduzir o custo de conformidade tributária, criamos o ambiente fiscal isonômico indispensável para que os investimentos em inovação e transição verde decolem”, explica.

Há, segundo o vice-presidente da CNI, expectativas positivas em relação à implementação da Reforma Tributária, especialmente quanto à simplificação do sistema.

“Nós questionamos muito o quão caro é para calcular o que pagar e para ter segurança jurídica que nós estamos de fato pagando corretamente. Isso que nós esperamos que exista uma evolução. E precisamos ficar atentos para que, de fato, isso venha a acontecer”, aponta Silveira.

Pontos de atenção

Em paralelo à Reforma Tributária, o setor industrial precisa de ações de impacto imediato no custo de produção, de acordo com Silveira. A começar pela redução da tarifa de energia via racionalização da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que hoje, segundo ele, onera a conta em 26%. A CDE é um encargo que faz parte do custo final da conta de luz e é pago pelos consumidores com o objetivo de fornecer recursos para políticas públicas do setor elétrico.

Silveira defende ainda a pacificação do ambiente concorrencial com a aprovação do PLP 125/2022 (Devedor Contumaz). Essas medidas, segundo o superintendente de Política Industrial da entidade, somadas à modernização do setor elétrico (PL 414/2021), atacam alguns dos gargalos mais severos apontados pelo setor produtivo.

Tributos são principal queixa

Problemas como os citados por Castro e Silveira estão entre as principais queixas apontadas na pesquisa divulgada em agosto pela CNI, feita pela NEXUS com 1.002 empresas industriais de pequeno, médio e grande portes.

Para 70% dos empresários industriais, arcar com os tributos é o principal peso do Custo Brasil. Na sequência, com 62%, está a dificuldade em contratar mão de obra qualificada, seguida pelo financiamento do próprio negócio, com 27%, a segurança jurídica e regulatória, com 24%, e a competitividade justa, com 22%.

Os entrevistados citaram ainda entraves como o acesso a insumos básicos (20%), inovação (14%),infraestrutura (12%), acesso a serviços públicos (10%), integração internacional (4%) e abertura de um negócio e retomada ou encerramento do negócio (3%).

O termo Custo Brasil, criado no final da década de 1990, serve até hoje como forma de denominar um conjunto de dificuldades estruturais, econômicas e burocráticas que traz prejuízo para o ambiente de negócios ao encarecer os custos das empresas e atrapalhando não apenas os investimentos, com pesando negativamente sobre as chances de o país ser mais competitivo.

Uma ameaça permanente

A cada dez entrevistados pela NEXUS, seis já ouviram falar do Custo Brasil. Ao todo, 78% disseram que sua redução é uma prioridade central.

Outro destaque da pesquisa mostra que a maioria das empresas não se beneficiou de políticas públicas para reduzir custos – apenas 21% dos entrevistados disseram ter obtido algum ganho. A maioria – 76% – respondeu não ter sido contemplada. Entre aqueles que responderam positivamente, os principais benefícios foram crédito e financiamento (Pronampe), com 11%, incentivo fiscal (geral), com 10%, incentivos na pandemia e crédito e financiamento (BNDES), ambos com 9%.

O tamanho do desperdício de recursos é grande, assim como os problemas que comprometem a performance da indústria local. O aumento da competitividade, na visão de Castro, passa pela pressão do poder público e pela adoção o quanto antes de medidas que reduzam o peso do custo Brasil sobre a produção nacional, sugere Castro.

“No fim, todos os brasileiros perdem com os entraves à competitividade. Famílias pagam mais caro por produtos básicos; negócios não prosperam pelo excesso de burocracia, tributos e normas; o Estado perde eficiência na própria complexidade e devolve serviços de menor qualidade para os cidadãos”, resume o vice-presidente da CNI.

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De estrada de dinossauros à origem do fogo, as descobertas mais sensacionais de 2025

  • De ranking da monogamia a desfiles planetários, a ciência de 2025 nos surpreendeu com descobertas na Terra e além
  • Nem todas as histórias, porém, trouxeram boas notícias

Maddie Molloy – Folha/BBC News Brasil – 29.dez.2025

De pegadas gigantescas de dinossauros preservadas em pedra a um desfile espetacular de planetas, a ciência em 2025 proporcionou momentos verdadeiramente deslumbrantes.

Revisitamos pontos de virada na história humana, desde as primeiras evidências de produção de fogo até novas perspectivas sobre como os humanos formam laços duradouros.

O mundo natural também continuou a nos surpreender. Chimpanzés selvagens foram filmados usando plantas como remédio, enquanto poeira lunar, descrita por cientistas como mais rara do que ouro, chegou ao Reino Unido para estudo.

Nem todas as histórias, porém, trouxeram boas notícias. Um iceberg gigante à deriva em direção a uma ilha remota ameaçou a vida selvagem, lembrando-nos de que a ciência é tão vital para detectar perigos quanto para fazer descobertas.

Pegadas jurássicas gigantescas foram descobertas

Uma pedreira em Oxfordshire, no sudeste da Inglaterra, revelou um dos maiores sítios de pegadas de dinossauros do mundo, com cerca de 200 pegadas enormes deixadas há 166 milhões de anos.

As pegadas capturam os movimentos de dois dinossauros muito diferentes: um saurópode de pescoço comprido, que se acredita ser um Cetiosaurus, e o carnívoro bípede Megalosaurus.

Algumas das trilhas se estendem por até 150 metros, e os pesquisadores acreditam que elas podem ir ainda mais longe, já que apenas parte da pedreira foi escavada.

Humanos dominaram o fogo há 400 mil anos

Em um sítio arqueológico na vila de Barnham, no condado de Suffolk, ao leste da Inglaterra, pesquisadores descobriram evidências notáveis —e as mais antigas conhecidas— de fogo feito pelo homem, datando de cerca de 400 mil anos atrás.

A descoberta antecipa a origem da produção de fogo em mais de 350 mil anos e marca um momento decisivo na evolução humana.

A capacidade de criar fogo transformou a vida cotidiana, proporcionando calor, permitindo o cozimento de alimentos e o desenvolvimento cerebral, libertando os primeiros humanos para pensar, planejar e inovar.

Leia a reportagem completa sobre a descoberta que mudou a história do fogo como a conhecemos.

Humanos se destacam na monogamia

Nós, humanos, podemos nos considerar únicos em termos românticos, mas pesquisas comparando o comportamento de formação de casais entre espécies sugerem o contrário.

Com cerca de 66% dos humanos formando laços monogâmicos, superamos chimpanzés e gorilas, mas ficamos atrás do rato-do-campo da Califórnia, o verdadeiro campeão peso-pesado do amor eterno.

O estudo mostra que, embora os humanos estejam longe de ser as criaturas mais monogâmicas, nossa tendência a formar casais para a vida toda ainda é notável em comparação com muitas outras espécies.

Veja aqui a posição dos humanos no ranking do amor monogâmico.

Sete planetas participaram de um raro desfile

Durante algumas noites de fevereiro, os observadores do céu foram presenteados com um raro espetáculo celestial: sete planetas apareceram no céu noturno simultaneamente.

Marte, Júpiter, Urano, Vênus, Netuno, Mercúrio e Saturno participaram do desfile planetário. Quatro eram visíveis a olho nu, enquanto Saturno estava baixo no horizonte e Urano e Netuno exigiram o uso de um telescópio.

Em fevereiro, sete planetas do Sistema Solar ficaram visíveis em um mesmo arco no céu noturno – Getty Images via BBC News Brasil

Os cientistas afirmam que uma aparição tão nítida e sincronizada não ocorrerá novamente até 2040.

Descubra aqui o que tornou o céu noturno de fevereiro tão especial.

Amostras de rochas lunares no Reino Unido

Pela primeira vez em quase 50 anos, amostras de rochas lunares chegaram ao Reino Unido, emprestadas da China.

Os minúsculos grãos de poeira lunar estão agora armazenados em uma instalação de alta segurança em Milton Keynes e estão sendo estudados pelo professor Mahesh Anand, único cientista do Reino Unido com acesso ao material até o momento.

Descritas como mais preciosas que ouro devido ao seu valor científico, as amostras podem oferecer novas perspectivas sobre como a Lua se formou e evoluiu.

Chimpanzés tem conhecimento surpreendente de remédios naturais

Em Uganda, chimpanzés selvagens foram filmados usando plantas para tratar feridas abertas e outros ferimentos.

Pesquisadores da Universidade de Oxford (Reino Unido), trabalhando em conjunto com uma equipe local, observaram os animais aplicando material vegetal em seus próprios ferimentos e, em alguns casos, nos de outros chimpanzés.

As descobertas, baseadas em décadas de observações, reforçam a crescente evidência de que nossos parentes mais próximos possuem um conhecimento surpreendente de remédios naturais.

Descubra aqui o que os chimpanzés ensinaram aos cientistas.

As descobertas científicas mais sensacionais de 2025 – 29/12/2025 – Ciência – Folha

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Como lidar com subordinados chatos, sem iniciativa ou simplesmente irritantes

Estratégias para reconhecer e lidar com quatro tipos comuns de funcionários difíceis

ART MARKMAN – Fast Company Brasil – 29-12-2025 

Existem vários tipos de pessoas irritantes. Já escrevi antes sobre como lidar com chefes e colegas difíceis. Mas o que fazer quando a fonte da irritação é alguém que responde diretamente a você?

Mais uma vez, tudo depende do que exatamente está causando o incômodo. Aqui estão quatro tipos de funcionários bastante comuns.

1. O puxa-saco

É natural que pessoas ambiciosas queiram crescer profissionalmente. Fazer um bom trabalho é o principal, claro, mas um pouco de autopromoção também faz parte. Afinal, quando você lidera muita gente, é impossível acompanhar tudo o que cada pessoa faz. Então, faz sentido que seus subordinados informem você sobre o que realizaram.

O problema surge quando essa necessidade de manter você informado vira bajulação. Alguns exageram nos elogios, fazem comentários aduladores o tempo todo e tentam agradar de formas que não contribuem em nada para o trabalho nem para os objetivos da equipe. Isso pode acontecer tanto em conversas individuais quanto na frente dos outros.

Vale a pena conversar com essas pessoas sobre isso. Deixe claro que você entende a intenção, mas que prefere manter o foco no que realmente precisa ser feito. Ajude-as a perceber que esse comportamento tende a causar o efeito contrário ao que elas esperam. Quanto mais cedo isso fica claro, melhor para todos.

2. O que não toma iniciativa

As pessoas que mais se destacam no trabalho costumam ser aquelas que conseguem identificar o que precisa ser feito a seguir e se antecipam sem esperar ordens. Ainda assim, muitos se limitam a cumprir exatamente o que foi pedido – e param por aí. Isso acaba fazendo com que você seja obrigado a microgerenciar tudo.

Vale lembrar que muita gente que está entrando agora no mercado de trabalho cresceu em ambientes superestruturados. Escola, atividades extracurriculares, lazer, tudo era previamente organizado por alguém. Mesmo na faculdade, muitos alunos têm pouca autonomia. Para quem veio desse contexto, tomar iniciativa não é algo automático – é algo que precisa ser aprendido.

Quando a falta de iniciativa começar a incomodar, leve esse tema para as reuniões. Peça que seus subordinados pensem em uma ou duas tarefas que você não tenha delegado, mas que eles poderiam assumir. Converse sobre como identificar demandas que ainda não foram explicitadas. Lembre-se: você estará ajudando a criar um novo hábito – e isso leva tempo. Dá trabalho no começo, mas compensa no longo prazo.

Leia também: Este é motivo pelo qual você aprende mais em reuniões ruins

3. O que (sem querer) te tira do sério

Todo mundo tem manias e pequenas implicâncias – por mais tranquilo que pareça. Eu mesmo sou bastante flexível, mas há certas coisas que realmente me incomodam. Por exemplo, quando alguém usa “impactar” como verbo, isso me tira do sério.

Existem pessoas cujo jeito de falar ou agir parece feito sob medida para te irritar. Às vezes, basta estar perto delas para a raiva aparecer, antes mesmo de abrirem a boca para dizer qualquer coisa.

Quando uma pessoa do dia a dia desperta isso em você, muitas vezes não há muito o que fazer além de engolir em seco. Mas, quando se trata de um subordinado direto, é possível estabelecer limites. Sempre que começo a trabalhar com alguém novo ou monto uma equipe, costumo deixar claras algumas coisas a evitar. É impressionante como essa simples conversa torna a convivência muito mais fácil lá na frente.

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4. O passivo-agressivo

O tipo mais complicado de subordinado é aquele que evita conflito, mas ainda assim precisa mostrar que está insatisfeito. Essas pessoas não dizem abertamente que estão incomodadas, frustradas ou irritadas – mas demonstram isso de outras formas. É o famoso comportamento passivo-agressivo.

Hoje em dia, é comum encontrar pessoas com esse perfil nas equipes. Falta preparo para lidar com conflitos, e muitos preferem não falar nada quando algo incomoda. Mas com o tempo, esses sentimentos acabam escapando.

Assim como no caso de quem não toma iniciativa, é preciso ensinar essas pessoas a lidar com conflitos de forma mais direta – e criar um ambiente em que isso seja seguro. Quando notar um comportamento passivo-agressivo, você deve apontá-lo o quanto antes (sem expor ninguém em público, claro). Depois, conversar sobre a importância de falar abertamente sobre os problemas. Aprender a encarar conversas difíceis faz uma diferença enorme para o crescimento profissional.


SOBRE O AUTOR

Art Markman é PhD e professor de psicologia e marketing na Universidade do Texas e diretor-fundador do Programa nas Dimensões Humanas das Organizações.

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Desafios matemáticos para encerrar 2025

Marcelo Viana – Folha – 30.dez.2025

Diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, ganhador do Prêmio Louis D., do Institut de France

O ano começou com excelentes augúrios matemáticos: afinal, 2025 é quadrado perfeito (2025=45²) e também é soma (2025=27²+36²) e produto (2025=9²x5²) de quadrados perfeitos. Ao final dele, nada melhor para relaxar, curtir e se preparar para as novidades de 2026 do que os nossos tradicionais desafios matemáticos de fim de ano! Lembre que a graça está em tentar resolver (não há gabarito!), se possível na companhia da família e dos amigos. Boa diversão!

1. No quintal há uma laranjeira e um limoeiro, e nos galhos das duas árvores estão várias crianças. As crianças na laranjeira dizem às demais: “se um de vocês vier para cá ficaremos em número igual”. Mas as do limoeiro respondem: “se um de vocês vier para cá seremos o dobro de vocês”. Quantas crianças estão nos galhos de cada árvore?

2. Um cubo de madeira com 4 cm de aresta é pintado de azul no exterior. Em seguida, ele é cortado em cubinhos iguais com 1 cm de aresta. Cada um deles pode ter três, duas, uma ou nenhuma face pintada de azul. Quantos cubinhos há de cada tipo?

3. Os aventureiros Alex, Beto, Cris e Dora precisam atravessar um rio num pequeno barco, que sustenta 100 kg no máximo. Alex pesa 90 kg, Beto 80 kg, Cris 60 kg, Dora 40kg, e os mantimentos 20 kg. Como podem fazer para cruzar o rio?

4. Os gödelianos, espécie dominante do planeta X314, adoram duelos de par-ou-ímpar! Será porque eles só têm dois dedos, um em cada mão? Não sabemos. Mas ultimamente eles vêm observando um fato incômodo: aparentemente, o jogo do par-ou-ímpar não é justo, quem aposta “par” tem mais chances de ganhar do que quem aposta “ímpar”! Será verdade mesmo? (Inspirado no livro “Histórias para Despertar Matemático(a)s Adormecido(a)s”, do meu colega Pedro Roitman, professor da UnB, que eu recomendo!)

5. O arquipélago das Numéricas está formado por cinco ilhas em linha reta, numeradas de 1 a 5. Pepe, o Pirata, escondeu um tesouro fabuloso numa delas. Desconfiado, toda noite ele muda a fortuna para uma das ilhas vizinhas (por exemplo: da ilha 4 para a 3 ou para a 5). O leitor é um astuto caçador de tesouros e sabe que a cada dia só dá tempo de velejar até uma ilha e voltar. Como vai organizar suas visitas às ilhas de modo a garantir que acabará encontrando o tesouro oculto?

6. A banda está formada por quatro músicos, lado a lado. Todos usam camisetas de cores diferentes, com desenhos de animais distintos, e tocam diferentes instrumentos. O músico amarelo tem o desenho da serpente e está à esquerda do azul e do verde. O tucano e a onça não tocam nem a cuíca nem a flauta. O violão e a flauta estão lado a lado, e a capivara e a onça também estão lado a lado. O vermelho e o verde estão nas pontas da fila, e a flauta e a capivara estão no meio. O verde toca pandeiro. Quais são as posições e características de todos os músicos?

7. Nossa querida leitora Maria naufragou numa ilha cercada por mar tempestuoso e tubarões famintos. Não tem como sair! A ilha está completamente coberta por uma densa floresta e, um dia, um relâmpago acende um incêndio na ponta oriental. Com o vento soprando de leste, logo o fogo vai varrer todo o terreno! Como Maria pode escapar de morrer?

Feliz Ano Novo para todos!

Desafios matemáticos para encerrar 2025 – 30/12/2025 – Marcelo Viana – Folha

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O mundo está girando e o Brasil precisa acompanhar

Ficar parado custa caro, mas é preciso previsibilidade fiscal para aproveitar essa rotação

Por Marcello Estevão – Valor – 18/12/2025 

À primeira vista, o cenário global parece calmo. O crescimento mundial deve ficar perto de 3,1% em 2026, praticamente igual ao dos últimos anos. Mas essa estabilidade engana. A economia internacional está se reorganizando por dentro – silenciosamente, mas de forma decisiva – e países como o Brasil podem ganhar ou perder espaço dependendo de como respondam a esse movimento.

O novo Capital Flows Report do IIF mostra que a estabilidade global não decorre de inércia, mas de um revezamento entre motores regionais. Os Estados Unidos desaceleram sem colapsar. Europa e Japão, antes fontes de fragilidade crônica, mostram recuperação moderada porém mais firme. A China vive uma perda estrutural de dinamismo, pressionada por excesso de capacidade, demografia e um ajuste imobiliário prolongado. Em compensação, Índia, Indonésia, Vietnã, Malásia e Filipinas ganham força, movidas por serviços digitais, investimentos industriais e realocação de cadeias produtivas. O mundo cresce porque suas peças internas se movem – e não porque seguem juntas no mesmo ritmo.

Os fluxos de capitais reforçam esse quadro. Em 2025, os emergentes receberam US$ 1,18 trilhão em investimentos não residentes. Mas boa parte desse número veio de fatores pontuais no Leste Europeu e na Ásia que perdem força em 2026. O ponto central é que a queda quase total dos fluxos para a China distorce o agregado global. Quando se exclui a China, os demais emergentes continuam recebendo capital em intensidade semelhante à dos anos pré-pandemia. Ou seja, o dinheiro não sumiu – ele mudou de direção.

E a nova direção favorece países com previsibilidade macroeconômica e capacidade de absorver investimento. O México se destaca pelo nearshoring. Chile e Peru sofrem mais com a desaceleração chinesa, mas mantêm fundamentos externos sólidos. A Colômbia enfrenta pressões fiscais, mas não perdeu totalmente a confiança dos mercados. A Argentina tenta reconstruir credibilidade após anos de instabilidade. A região como um todo é heterogênea, mas menos vulnerável que no passado, quando choques globais se traduziam automaticamente em crises sincronizadas.

Para o Brasil, esse mundo em transição abre oportunidades reais, mas também evidencia fragilidades conhecidas. O país preserva fundamentos externos robustos, com exportações diversificadas, reservas amplas e um sistema financeiro sofisticado. Mas essas fortalezas convivem com incerteza fiscal persistente que amplia o prêmio de risco. Revisões sucessivas de metas e a dificuldade de traçar um caminho convincente para estabilizar a dívida limitam a conversão de condições externas favoráveis em investimento interno. Em um ambiente em que o capital se tornou mais seletivo, previsibilidade fiscal virou ativo estratégico – e diferencial competitivo.

A transformação do papel da China ajuda a explicar por que isso importa tanto. O país ainda gera grandes superávits externos, mas não os recicla mais como reservas internacionais. Agora, empresas e famílias chinesas investem diretamente no exterior. Isso reduz uma das forças silenciosas que comprimiam juros de longo prazo e torna os fluxos mais sensíveis a retornos e confiança. Para o Brasil, isso significa que oportunidades existirão – mas serão capturadas apenas por economias que ofereçam clareza regulatória, estabilidade institucional e projetos de investimento bem estruturados. A competição por esses fluxos será cada vez mais intensa à medida que as restrições fiscais e energéticas se tornam determinantes para a decisão dos investidores.

Ao mesmo tempo, a Ásia amplia sua vantagem competitiva. O Vietnã captura partes cada vez maiores das cadeias industriais. A Índia avança com uma economia digital pulsante e crescente integração financeira. Coreia e Malásia se beneficiam do ciclo tecnológico e constroem capacidades em semicondutores e infraestrutura digital. Essa movimentação redefine o mapa global de produção e tecnologia – e também o de capitais.

Outro elemento crucial do relatório é o papel das condições financeiras globais. Apesar de juros ainda restritivos nas economias avançadas, a queda da volatilidade em 2024-25 facilitou emissões de dívida de países emergentes e reduziu a aversão ao risco. Vários países latino-americanos retornaram ao mercado internacional com relativa facilidade, inclusive aqueles em processos de reforma mais incipientes. Isso reforça a ideia de que credibilidade macroeconômica básica continua sendo o melhor amortecedor contra choques internacionais e a chave para captar o capital que hoje circula de maneira mais seletiva e estratégica.

A fronteira tecnológica é outro eixo determinante dessa rotação. O investimento americano em infraestrutura de IA – data centers, chips avançados e expansão de redes – está no início, mas já reorganiza cadeias produtivas. Apenas poucos emergentes têm energia confiável, mão de obra qualificada e regulação estável para atrair esse tipo de investimento. A América Latina, salvo exceções, ainda não se posicionou. O Brasil, no entanto, tem potencial: capital humano, base científica e escala de mercado. Falta alinhar política energética, digitalização e segurança jurídica para disputar essa nova etapa global antes que ela se consolide em outros centros.

Mesmo diante de tantas mudanças simultâneas, o sistema financeiro internacional tem mostrado resiliência. A incerteza fiscal nos EUA persiste. A crise imobiliária chinesa continua. Tensões no Oriente Médio encarecem transporte e seguros. Ainda assim, não houve fuga generalizada dos emergentes. Os ajustes ocorreram pelo câmbio, pelos spreads e pelo custo do hedge – não por interrupções bruscas de financiamento. Isso indica que a economia global hoje depende menos de um único motor e conta com mais pontos de apoio regionais, uma mudança profunda em relação ao padrão das décadas anteriores.

Para o Brasil, a lição é direta: o mundo está mudando de eixo. Capitais, tecnologia e cadeias produtivas estão se reorganizando. Aproveitar essa rotação não exige um cenário externo perfeito; exige previsibilidade fiscal, uma agenda clara de produtividade e um plano realista para inserir o país nas novas cadeias digitais e energéticas. Em um mundo que gira, ficar parado custa caro. Entrar no ritmo pode valer muito mais do que imaginamos – e o tempo para decidir como participar desse novo ciclo global está se encurtando.

Marcello Estevão, PhD no MIT, é diretor-gerente e economista-chefe do Institute of International Finance e professor da Universidade de Georgetown em Washington, DC. Foi Secretário para Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda

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Startups de IA captam US$ 150 bilhões em meio a temores de bolha

  • Rodadas de arrecadação criam ‘fortalezas contábeis’ que superaram o recorde de 2021
  • Investidores aconselham principais empresas a se prepararem para tempos mais difíceis

George Hammond – Folha/Financial Times – 29.dez.2025 

As startups mais faladas do Vale do Silício levantaram US$ 150 bilhões em financiamento neste ano, enquanto seus investidores as aconselham a construir “fortalezas contábeis” para se proteger caso o boom de investimentos em inteligência artificial colapse em 2026.

Dados da PitchBook mostram que as maiores empresas de capital fechado dos Estados Unidos captaram um volume recorde em 2025, superando com folga o pico anterior de US$ 92 bilhões registrado em 2021, à medida que investidores correram para apoiar os principais grupos de IA, como OpenAI e Anthropic.

Capitalistas de risco e especialistas do setor disseram que o dinheiro ajudará a blindar os fundadores contra uma retração nos investimentos, à medida que os mercados acionários começam a se preocupar com os gastos elevados em infraestrutura de IA —além de impulsionar o crescimento.

Os números de captação deste ano foram inflados por poucos negócios de tamanho sem precedentes. Entre eles estão a rodada de US$ 41 bilhões da OpenAI, liderada pelo SoftBank do Japão, a captação de US$ 13 bilhões da Anthropic em setembro e o investimento de mais de US$ 14 bilhões da Meta na startup de rotulagem de dados Scale AI.

Outras empresas de IA em rápido crescimento, incluindo o grupo de agentes de programação Anysphere, a empresa de busca Perplexity e a startup de pesquisa em IA Thinking Machines Lab, também recorreram várias vezes ao capital de risco ao longo do ano.

Vários investidores disseram ter aconselhado as startups a formar reservas enquanto o entusiasmo em torno do potencial da IA para transformar a economia permanecesse elevado.

“O maior risco [para fundadores de startups] é não levantar dinheiro suficiente, o ambiente de financiamento secar e o negócio ir a zero”, disse Ryan Biggs, co-chefe de investimentos em capital de risco da Franklin Templeton. “Ou você aceita um pouco de diluição e, se o negócio der certo, isso realmente não importa: você continuará extraordinariamente rico de qualquer forma.”

Em média, as startups levantam novas rodadas de financiamento a cada dois ou três anos, segundo a Carta, empresa de software que acompanha os mercados privados. Recentemente, porém, as startups de IA com melhor desempenho têm voltado aos investidores em questão de meses —mesmo com o financiamento secando para muitas empresas menores.

“Os investidores estão se concentrando nesses negócios de estágio mais avançado, onde há mais certeza sobre quem será o vencedor”, disse Biggs. “Há uma dúzia de empresas nas quais você quer estar. Fora isso, o cenário é desafiador.”

Outro fator por trás do boom de captações em 2025 é que os principais grupos de IA estão crescendo em um ritmo muito mais rápido do que startups de tecnologia do passado.

A avaliação da Anysphere, criadora da ferramenta de programação Cursor, saltou de US$ 2,6 bilhões no início do ano para US$ 27 bilhões em novembro. No mesmo período, sua receita recorrente anual —métrica favorecida por startups de rápido crescimento— aumentou cerca de 20 vezes, chegando a US$ 1 bilhão.

A Perplexity, mecanismo de busca com IA que busca desafiar o Google, levantou dinheiro quatro vezes no último ano, apesar de seus executivos afirmarem que não precisam de mais caixa.

Pressões de custo levaram a captações mais frequentes, especialmente entre empresas que desenvolvem modelos de IA de “fronteira”, que exigem enormes quantidades de poder computacional e chips caros.

As receitas da OpenAI em 2025 giram em torno de US$ 13 bilhões, segundo pessoas próximas à empresa, mas o grupo perde bilhões de dólares por ano à medida que investe no desenvolvimento de seus modelos, produtos e infraestrutura.

Rodadas de financiamento de alto perfil também são oportunidades para as startups se promoverem junto a potenciais clientes e funcionários em um mercado extremamente competitivo por engenheiros de IA.

A enxurrada de negócios fez com que muitas firmas de capital de risco consumissem caixa mais rapidamente do que o previsto. Algumas das maiores já iniciaram o processo de captação de novos fundos. Entre elas estão Thrive Capital, Andreessen Horowitz e Tiger Global, segundo registros públicos e pessoas familiarizadas com o assunto.

Grupos como Lightspeed Venture Partners e Dragoneer levantaram novos fundos de vários bilhões de dólares em dezembro, sinalizando que as startups mais disputadas ainda conseguirão acessar mais capital de risco em 2026.

Investidores também disseram que os fundadores das maiores startups estão reforçando seus balanços para aproveitar oportunidades de aquisição, especialmente se o sentimento dos investidores mudar no próximo ano e concorrentes menores tiverem dificuldade para captar recursos.

“Apertem os cintos”, disse Jeremy Kranz, fundador da firma de capital de risco Sentinel Global e ex-chefe de investimentos em tecnologia do fundo soberano de Cingapura GIC.

“Vai ser como uma aquisição por semana no momento em que houver um susto nos mercados públicos. Esses caras vão pegar sua capitalização de mercado de US$ 500 bilhões como empresa de capital fechado e sair comprando tudo.”

Startups de IA captam US$ 150 bilhões em 2025 – 29/12/2025 – Economia – Folha

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Alimentando o monstro que me destruirá

Surpreso, acabo de saber que a Wikipédia me aposentou como biógrafo

Mas o que seria dela sem a miríade de informações que chupa alegremente dos biógrafos e historiadores?

Ruy Castro – Folha – 27.dez.2025 

Artigo recente num site a respeito da produção de biografias afirma que, em vista da tecnologia, os biógrafos terão de procurar novas maneiras de trabalhar se quiserem continuar a ter leitores. De repente, vejo-me citado: “Até há pouco, quem quisesse saber sobre a vida da Carmen Miranda teria de ler o livro do Ruy Castro [“Carmen, Uma Biografia”]. Hoje temos a Wikipédia“. Epa! Sem saber, eu fora aposentado pela Wikipédia! Que chato! E logo agora que ainda me via com anos de trabalho pela frente! Conformado, calcei as pantufas, sentei-me na cadeira de balanço, estendi uma manta sobre as pernas e fui à dita Wikipédia para aprender sobre Carmen Miranda.

O verbete de Carmen na Wikipédia tem nada menos que 34 telas. Fui brindado com duas generosas menções ao meu livro, o que achei justo —ou ele teria de se referir a mim em pelo menos metade das linhas. Dele constam informações que levantei sobre Carmen até então nunca publicadas —sua infância na Lapa, seus namorados, as pessoas que a ajudaram a deslanchar como cantora e detalhes íntimos sobre suas dependências químicas.

Ainda me lembro de como foi difícil chegar a elas nos cinco anos de trabalho que o livro me tomou, envolvendo mais de 250 informantes e colaboradores. Hoje este livro não poderia ser feito, porque 100% das pessoas que conviveram com Carmen e com quem falei entre 2000 e 2005 já morreram. E não me consta que a tão reputada Wikipédia tenha a capacidade de ressuscitar fontes.

Aliás, pergunto-me como seria a Wikipédia sem a miríade de informações a custo levantadas pelos biógrafos e historiadores, os quais, tendo suas obras publicadas, veem essas informações tornadas públicas e, daí, aptas a serem alegremente chupadas por ela e servidas ao público à revelia deles.

“Carmen, Uma Biografia” não é o meu único livro a abastecer verbetes da Wikipédia —Wikipédia esta que não me serviu de muita coisa quando eu os estava escrevendo. No fundo, é como se eu estivesse alimentando o monstro que me destruirá.

Alimentando o monstro que me destruirá – 27/12/2025 – Ruy Castro – Folha

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Metade dos textos publicados na web já é feita por IA. Será o fim dos escritores humanos?

A inteligência artificial parece ser mais útil quando o texto é simples e segue uma fórmula

FRANCESCO AGNELLINI – Fast Company Brasil – 27-12-2025 

Com o avanço da inteligência artificial generativa, ficou cada vez mais difícil saber se um texto foi escrito por um humano ou por uma máquina. E, de acordo com um estudo divulgado pela empresa de marketing digital Graphite, mais da metade dos artigos publicados na internet hoje já é produzida por IA.

Se é mais provável encontrar textos gerados por modelos de inteligência artificial do que por pessoas, seria só uma questão de tempo até que a escrita humana se torne obsoleta? Ou estaríamos apenas diante de um avanço tecnológico ao qual acabaremos nos adaptando?

Pensar sobre essas questões me fez lembrar de “Apocalípticos e Integrados”, de Umberto Eco, uma coletânea de ensaios escritos no início dos anos 1960.

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Neles, Eco descreve duas posturas diante das mídias de massa. De um lado, os “apocalípticos”, que temem a decadência cultural e o colapso moral. Do outro, os “integrados”, que celebram novas tecnologias como um avanço democrático para a cultura. Na época, Eco falava sobre rádio e TV. 

Mas hoje, podemos ver esses mesmos comportamentos em relação à IA. Eco argumentava que nenhum desses extremos ajuda a avançar o debate. Não faz sentido encarar uma nova mídia como uma ameaça total ou solução milagrosa. Em vez disso, sugeria observar como as pessoas e comunidades realmente utilizam essas ferramentas, quais riscos e oportunidades surgem e como essas tecnologias moldam – e às vezes reforçam – as estruturas de poder.

“O QUE ACONTECERÁ COM O TRABALHO CRIATIVO – TANTO COMO PROFISSÃO QUANTO COMO FONTE DE SIGNIFICADO?”

É claro que os temores que a IA desperta entre os defensores da democracia não são os mesmos que afligem escritores e artistas. Para esses profissionais, a questão central é a autoria: como competir com sistemas treinados com base em milhões de textos e capazes de escrever em altíssima velocidade? E, caso isso se torne a norma, o que acontecerá com o trabalho criativo – tanto como profissão quanto como fonte de significado?

Antes de tudo, é importante esclarecer o que o estudo da Graphite chama de “conteúdo online”. Eles analisaram mais de 65 mil artigos aleatórios com pelo menos 100 palavras – um universo que inclui desde pesquisas científicas até textos promocionais sobre suplementos “milagrosos”.

Um olhar mais atento revela que a maior parte do conteúdo gerado está em textos voltados ao grande público: notícias, tutoriais, posts de lifestyle, resenhas e explicações sobre produtos.

Do ponto de vista econômico, esse tipo de conteúdo existe para informar ou persuadir, não para ser original ou criativo. Em outras palavras, a IA parece ser mais útil quando o texto é de baixo risco e segue uma fórmula – como uma carta de apresentação ou um texto de divulgação.

E é justamente desse tipo de demanda que vive toda uma indústria de escritores freelance – inclusive muitos tradutores – que produzem posts para blogs, textos instrutivos, materiais para SEO e conteúdos para redes sociais. A chegada dos grandes modelos de linguagem já eliminou boa parte desses trabalhos.

A IA PARECE SER MAIS ÚTIL QUANDO O TEXTO SEGUE UMA FÓRMULA – COMO UMA CARTA DE APRESENTAÇÃO OU UM TEXTO DE DIVULGAÇÃO.

VOZES HUMANAS IMPORTAM AINDA MAIS

Mas o que acontece quando as pessoas passam a depender da inteligência artificial para escrever? Pesquisas mostram que a IA pode até ajudar a superar o bloqueio criativo, mas, ao mesmo tempo, tende a reduzir a diversidade de pensamentos.

Isso aparece no estilo de escrita: os sistemas acabam empurrando os usuários para formas parecidas de escrever, apagando nuances que normalmente tornam a voz de cada pessoa única.

A IA está mesmo nos deixando mais burros? Depende de como ela é usada

Pesquisadores também observam uma tendência a padrões de escrita ocidentais – especialmente do inglês – entre pessoas de outras culturas, o que levanta preocupações sobre um novo tipo de colonialismo alimentado pela IA.

SE CONSIDERARMOS QUE A IA DEVE CONTINUAR EVOLUINDO, É PROVÁVEL QUE TEXTOS HUMANOS REFLEXIVOS E ORIGINAIS SE TORNEM MAIS VALORIZADOS

Nesse cenário, textos que expressam personalidade, intenção e originalidade tendem a ganhar ainda mais valor no ecossistema de mídia – e podem desempenhar um papel fundamental no treinamento das próximas gerações de modelos de linguagem.

Se deixarmos de lado os cenários mais catastróficos e considerarmos que a IA deve continuar evoluindo – talvez em ritmo menor do que o dos últimos anos –, é bem provável que textos humanos reflexivos e originais se tornem ainda mais valorizados.

Em outras palavras: o trabalho de escritores, jornalistas e pensadores não vai perder relevância só porque boa parte do conteúdo online já não é mais escrita por humanos.

Este artigo foi republicado do “The Conversation” sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.


SOBRE O AUTOR

Francesco Agnellini é professor de estudos digitais e de dados na Universidade de Binghamton, Universidade Estadual de Nova York.

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